﻿<?xml version="1.0" encoding="utf-8" ?><Search><Pages Count="436"><Page Number="1"></Page><Page Number="2"></Page><Page Number="3">.o 160 / janeiro 1985 / ano xiv / mensário 3000 revista da armada</Page><Page Number="4">umário pág. m. do vale nota de abertura 3 m. do vale as duas marinhas 4 m.do vale ii colóquio da imprensa militar 5 m. horta notícias pessoais 6 voz da abita 7 e. dos reis horizontes artificiais 9 c. moreira antologia do mar e dos marinheiros 10 s. elpídio terminologia naval 12 g. pedrosa os marítimos na origem do culto ao espírito santo e ao senhor santo cristo, nos açores 13 s. braga histór ias de marinheiros m. de a lmeida educação física v. tadeu «japão ; da espingarda ao comput ador» m. curado fi late l ia m. horta os nossos navios e os seus nomes d. barreiros aquilo que a gente não esquece (6) m. horta reportagem a cutileiro o hino da maria da fonte quarto de folga a cutileiro evolução h istór ica dos uniformes na armada (59) revista cap.-ten. manuel maria de meneses pinto machado da armada publicação oficial da marinha director e editor: _""'.,i.?;'j, -" -:- :'-" 7j'1i 11i ..,;' . ..â ;i!""'--x' porte pago c/alm . antónio rocha calhorda consul tor da comissão de redacção.' c/alm . antónio júlio mal heiro do va le corpo redactoria l.' cap .-m.-g. an fernando augusto smi th elpídio capelão graduado em cap. -ten. delmar da silva gomes barrei ros sarg. -aj. l manuel da conceição horta orientação gráfica: hernãni lopes publicação mensal propriedade da marinha redacção e administração' ed ifício da mari nha 1188 lisboa codex te lefone: 36 89 61 n.o 160/janeiro 1985/ano xiv preço de venda avu lso 3000 assinaturas anuais: continente e ilhas 30000 estrange iro (mais portes de correio) 30000 via aérea - o preço da ass inatura será acresci do da respecti va taxa de porte por avião. 16 17 18 20 22 23 24 30 32 contracapa na capa: pessoal do navio-balizador .. schultz xavier .. prepara a colocação de mais uma bóia (foto do gabinete de desenho e fotografia do ema). tiragem: 10 000 exemplares distribuição: agênc ia portuguesa de revistas execução g ráfica: instituto hid rográf ico dep legaln " 211083</Page><Page Number="5">nota deabertura ano novo mais um ano que finda e outro que come– ça. mais um com a sua história já feita e outro que a vai fazer ainda... um de alegrias e tris– tezas já passadas, outro de temores e de es– peranças a viver. de qualquer modo, uma boa altura de deitar contas à vida. é isso que hoje vamos fazer. não com a profundidade que o assunto merece, mas com os condicionalismos de espaço que esta nota implica. nascemos para o mundo em julho de 1971: vamos entrar pois, e oxalá seja com o pé direito, no 14. 0 ano de publicação. abro aqui um parêntesis para, mais uma vez, render as minhas homenagens ao ho– mem que nos deu forma, o notável ministro da marinha de então, vice-almirante ma– nuel pereira crespo, meu dhecto e saudoso amigo. foi ele que nos traçou o rumo - acima de tudo, olhos postos na pátria e na marinha, fazendo os possíveis para as prestigiar e di– gnificar. dos três ramos das forças armadas, fo– mos os primeiros a tomar organização mili– tar fixa neste reino (por isso formamos à di– reita e desfilamos à frente); temos raízes mergulhadas na epopeia dos descobrimen– tos; lutámos em todos os conflitos em que o país se viu envolvido, estivemos sempre ao lado do povo em todas as causas justas... te– mos, pois, grandes responsabilidades, que envolvem o sagrado dever de corresponder aos que nos antecederam, conservando o culto da tradição e o orgulho de ser mari– nheiros e portugueses. nós, os da «revista da armada», temos a consciência de tudo ter feito para, manten– do o rumo que nos foi ordenado, preservar esses e outros valores que, pertencendo à armada, são também da nação. neste balanço de fim de ano, não ficaría– mos de bem com a nossa consciência se não apresentássemos agradecimentos sinceros: às entidades superiores da marinha, es– pecialmente àqueles de que directamente dependemos, pelo valioso apoio que nos têm dado, pela confiança em nós depositada e pelos incitamentos e aprovação ao trabalho que realizamos; aos nossos muito estimados colaborado– res, que com tanta devoção, desinteresse e amizade nos têm ajudado a fazer a revista de modo a tornar possível que tenha sido pu– blicada sempre a tempo e horas; aos que, não fazendo parte da guarnição, nos acompanham de longe - desde as mais recônditas aldeias do país ao estrangeiro - apoiando-nos, incentivando-nos e fortale– cendo a nossa vontade de manter a rota em todas e quaisquer condições de tempo e mar! só temos pena de não correspondr me– lhor à estima que todos nos manifestam, mas melhor não sabemos fazer. terminamos com-os desejos de um ano novo feliz para todos e, em especial, para os nossos assinantes e amigos, para os ca– maradas dos outros ramos das forças arma– das e para a grande família dos que andam sobre as ondas do mar, como se dizia dantes ao implorar para eles a protecção divina, quando se rezava o terço. c/ alm. 3</Page><Page Number="6">as duas marinhas pelo interesse de que se revestem as judiciosas considerações que nele são feitas, transcrevemos, com muito gosto, o artigo do nosso camarada do mar, engenheiro maquinista da marinhamercante j. c. lo– bato ferreira, publicado no n .o82/set.-out. de 84 do boletim técnico informativo, do centro cultural dos oficiais e engenheiros maquinistas da marinhà mer– cante : (.. .) o reduzido espaço que utilizou (*) não lhe per– mitiu, estou certo, dizer tudo quanto sabe e pensa so– bre este assunto, melindroso assunto. o facto de o ter levantado e ter mesmo revelado um espírito de abertura pouco habituais, leva a pro– por-me uma reflexão mais profunda sobre um dife– rendo que tem separado, num clima de quase guerra surda, duas corporações que na essência comungam dos mesmos anseios e vivem no mar, não só proble– mas pessoais e profissionais afins, mas também os mesmosperigos, trabalhos e incomodidades. começo por interrogar-me como teria deflagrado toda esta querela e, sem pretender estabelecer ver– são histórica definitiva sobre o tema, julgo não ter ou– tra alternativa senão aceitar que no início, teria havi– do uma só marinha. refiro-me naturalmente ao perío– do em que o homem começa a utilizar a embarcação comomeio de transporte depessoas e bens. nestas,quando acossadas pelos assaltos dos pi– ratas ou envolvidas em operações de guerra, não creio que entre as tripulações se distinguissem os guerreiros dos inarinheiros. quando se inicia a senda das descobertas, foi tão somente com marinheiros que se formaram as equi– pagens dos navios que partiam à busca de ((outras terras é gentes)). só quando começa a evolução para a conquista marítima e nos navios se embarcam as primeiras ar– mas de fogo é que se abre.caminho para a especializa– ção dopessoal. o ciclo da especialização definitiva dos navios só aparece nos séculos xvii-xviil nascendo então as armadas. podemos portanto concluir que o problema é rela– tivamente recente; e qual terá sido a razão do seu apare«imento? m riação da marinha destinada exclusivamente a acções de guerra (e comboio das naus mercantes) fez afluir, pelo menos aos quadros de oficiais, camadas jovens da nobreza e filhos-família das classes mais abastadas, entusiastas de sempre na aventura das armas, neste caso acrescentada pelo exotismo das viagens que a vida domar lhes proporcionava. os ronceiros veleiros de comércio, oferecendo só parte desses atractivos, ficavam assim preteridospe- (*) o autor refere-se à nossa ((nota de abertura" do n. o1571 las élites de então, recorrendo-se a camadasmaismo– destas da população como fon te de recru tamen to. estará aí possivelmente a origem do fosso que se estabelece entre as gentes das duas marinhas, pro– cesso que tende a atenuar-se com a implantação da república. no anos 30-40 regista-se o aparecimento de certa legislação elitista, que tem efeito frouxo, acabando por se desvanecer definitivamente. aos homens - e já na marinha mercante também às mulheres - que se candidatam à vida do mar, não se lhes pergunta de que família provêm. factores de selecção baseados nos valores huma– nos que têm que ver com a robustez, integridade e formação escolar e académica, são os novos padrões por que se aferem os que querem entrar nas mari– nhas. e os níveis são idênticos para ambas. a evolução tecnológica e a complexidade das ins– talações que se encontram a bordo dos navios de hoje, não difere. como poderiam então ser diferentes os indivíduos que as operam? a partir da década de 40, os mancebos da marinha mercante deixam de alistar-se no exército e come– çam a prestar o serviço militar obrigatório na marinha de guerra. mais ou menos desde então integram as várias reservas que se constituíram e, quando foram mobilizados durante a ii gueira mundial - para só falar nesta mais recente - não deslustram a farda que envergavam, antes pelo contrário, registando-se actos de sacrifício e debravura assinaláveis. num cenário como este é difícil aceitar como sub– sistem ainda tais ressentimentos, se assim lhes qui– sermos chamar. vai-se para cada uma das marinhas por vocação, por gosto e decisão própria e nem existem já diferen– ças significativas no ((pacote)) integral das remunera– ções. devemos estar perante uma situação de imobilis– mo de ambos os lados, de um olhar de revés, que im– porta corrigir. o caminho a percorrer deve ser feito com cuidados e sem pressas. as (deridas)) estãofrescasehá quepa– cientemente esperar que sarem. a in teligência dos homens é um bom bálsamo. ·para comemorarmos conjuntamente o ·próximo dia da marinha - o nosso dia da marinha - não ne– cessitamos de permissão de qualquer secretaria de estado deste país, éum ((assunto de família)). (. ..) camaradas da marinha de guerra, a pinha da retenida está agarrada. os cabos sãopesados, há que puxá-los em conjunto. i out. de 84. i •••••••••••••••••••••••••••••• 4</Page><Page Number="7">icolóquio da imprensamilitar a iniciativa destes colóquios honra lhe seja feita, deve-se à revista «mais alto» da força aérea portugue– sa. o primeiro , organizado por esta , decorreu, como en– tão noticiámos (n ."141/junho de 83), nos dias 12,13 e 14 de abril do citado ano. a organização foi perfeita e a ini– ciativa foi coroada de êxito . o segundo esteve a cargo da revista «baluarte», do estado-maior-general das forças armadas , decorreu nos dias 13, 14, 15 e 16 de novembro passado, e pode di– zer-se que a organização foi também impecável e o êxito ainda maior. o próximo, ainda sem data marcada, será da respon– sabilidade da «revista serviço de administração mili– tar», que se voluntariou para o efeito, pela voz do seu di– rector , brigadeiro mota de mesquita . participaram neste colóquio representantes das se– guintes publicações da imprensa militar : • «revista militar», propriedade, redacção e admi– nistração da empresa da revista militar; perio– dicidade, mensal; tiragem, ? exemplares. • «revista de artilharia», propriedade e edição da arma de artilharia; bimestral; ? exemplares. • «polícia portuguesa», órgão da polícia de segu– rança pública; bimestral; 9500 exemplares. • «revista serviço de administração militar»; tri– mestral;? exemplares. • «jornal do exército», órgão de informação, cultura e recreio do exército português; mensal; 10 mil exemplares. e «mais alto»- revista da força aérea; bimestral; variável. • «revista da armada» , publicação oficial da mari– nha; mensal; 10 mil exemplares. • «nação e defesa», revista de assuntos políticos, económicos, científicos e militares do instituto de defesa nacional; trimestral ; ? exemplares. • «guarda fiscal», órgão de informação da guarda fiscal; trimestral; 3500 exemplares. • «boina verde», revista de informação do'corpo de tropas pára-quedistas; trimestral; 5 mil exem– plares . • «revista portuguesa de medicina militar», órgão dos serviços de saúde do exército, armada e força aérea; trimestral; ? exemplares . • «o três da guarda». órgão de informação do ba– talhão n."3 da guarda nacional republicana; periodicidade?;? exemplares . presentes também dois representantes do gabinete da divulgação, informação e relações públicas do esta– do-maior do exército e outros dois do gabinete de rela·· ções públicas do estado-maior da força aérea . chamou a minha atenção, e sou de opinião que devia 5</Page><Page Number="8">ser revista, a designação que cada um dos órgãos da im– prensa militar atribui a si próprio ... - órgão de ... , publi– cação de .. . , revista de ... o colóquio abriu às 14.30 horas do dia 13 de novem– bro, sob a presidência do general lopes da conceição, re– presentando o chefe do estaqo-maior-general das for– ças armadas, general lemos ferreira. falou em primeiro lugar o director-geral da comuni– cação social , manuel figueira, que abordou o tema a in– formação - componente da defesa. seguiu-se-ihe no uso da .palavra o director da «revista militar», general bet– tencourt rodrigues, que dissertou sobre revista militar– uma divisa: pró pátria. encerrou os trabalhos deste dia o major luciano cunha, da revista «baluarte», com a co– municação a imprensa militar e as suas realidades, a que se seguiu um debate. no dia 14, o dr. mário mesquita, director do «diário de notícias», falou sobre tendências do jornalismo em portugal, com um período de debate . posteriormente, realizou-se uma sessão de trabalho subordinada ao tema imprensa militar - situação após o último colóquio, na qual foram debatidos alguns aspectos da vida interna dos vários órgãos de comunicação militar participantes - fa– cilidades e dificuldades que cada um tem, colaboração, etc. no dia 16, em conferência do professor da faculdade de ciências sociais e humanas da universidade nova de lisboa, prof. dr. adriano rodrigues, foi versado o tema relações entre a informação e ocampo militar, também seguida de debate. houve depois nova sessão de trabalho entre os participantes para redacção das conclusões do colóquio, a apresentar superiormente. a encerrar, efectuou-se uma recepção oferecida pelo general cemgfa, na messe militar da força aérea, em monsanto. na ausência do general lemos ferreira, por motivos de serviço, presidiu o general lopes da con– ceição.  é-nos muito grato dar conta do elevado e grande inte– resse com que decorreu este ii colóquio da imprensa mi– litar , que apenas pecou pelo pouco tempo de que se dis– pôs para os seus trabalhos, razão por que não foi possível abordar alguns assuntos de interesse. finalmente, registamos o prazer de termos convivido durante estes dias com os camaradas dos outros ramos das forças armadas e militarizadas, todos nós irmanados da mesma vontade de bem-servir, tendo os mesmos proble– mas e os mesmos anseios, dentro da dignidade que nos é exigida como militares e da modéstia que sempre nos no dia 15, o dr. juiz mendonça torres realizou uma caracterizou. conferência sob o título importância e necessidade de um conselho de imprensa, seguida de debate. em sessão de trabàlho entre os participantes foi tratado o tema im-m. do vale, clalm . prensa militar- que perspectivas? notícias pessoais casamentos temos o prazer de anunciar o ma– trimónio dos seguintes camaradas, aos quais desejamos as maiores felici– dades : 1."-ten. joaquim carmo matias com d. maria irene dos'santos dias, em 22-9-84. 2."-ten . anpau10 ale– xandre mondego prata com d. fer– nanda martins soares de matos, em 8-9-84 • asp . rn jorge manuel dos santos pereira com d. ana cristina bretes maciel gonçalves, em 15-9-84 • sarg.-aj. cm ra joaquim maria marques aleixo com d. maria estre– ia marques, em 10-10-84 • l. "-sarg. tf ra arnaldo neto correia com d. armanda de lurdes freitas arru– da , em 13-10-84. cabo ce 176777, armindo marques cera com d. ma– ria lisete cardoso da silva. em 4-10- -84.1. "-mar. 17077, josé antónio da encarnação amaro com d. maria de 6 fátima da silva rodrigues, em 24- 10-ricardina fátima gonçalves lima. -84. 1."-mar. fz 783978, mário josé em 6-10-84 • 1."-mar. a 33008..3, er-mateus de oliveira com d . margari– da maria do nascimento pereira, em 22-9-84. l."-mar. us 148380, fran– cisco josé coelho dos santos jones com d. maria gertrudes salvação paulista, em 7-10-84 • l."-mar. cm 226681, fernando manuel neves ro– drigues com d. maria gracinda da silva antunes parreira, em 6-10-84. t."-mar. fzd 775881 , belarmino pe– reira moreira com d . gracinda ana– bela da silva nascimento, em 6-10-84 • 1."-mar. e 422682. josé manuel santos gouveia de almeida com d. élia maria camacho de nóbrega. em 1-10-84 .1 ."-mar. l 425682. hermí– nio paulo frazão medeiros com d. ana cristina andrade vitorino , em 4-j(h4. l."-mar . fz 718082, carlos nuno vigário patacão com d . maria nesta amorim dos santos com d. cristina maria de assunção pinhei– ro . em 5-10-84. 2."-mar. fz 719783. leonel da costa nunes com d . maria cristina da silva montez , em 30-9-84 • 1."-gr. fz 729883. diamantino torcato ribeiro carreira com d. maria de fátima loureiro coelho, em 6-10-84. 2."-gr. ti 202983 , alci– des de almeida luís com d. maria laurinda faria de lima. em 17-10-84 • 2."-gr. fz 761583. joão martinho gomes da silva com d. maria de je– sus morais monteiro moreira, em 1- -10-84. 2."-gr. a 113184. josé antó– nio gomes mano com d. maria luí– sa martins vieira, em 7-10-84 • 2."– -gr. tfh 264284, jorge alberto ri– beiro com d. maria perpétua trigo fernandes, em 6-10-84.</Page><Page Number="9">********** *********** várias passagens à reservai iaposentações sarg.-chefe l alfredo avelino ribeiro. sarg.-aj. fz arlindo fer– reira simões. sarg.-aj . a antónio bernardino ribeiro • 1. o-sarg. fz joaquim antónio vicente barreto. 1. o -sarg. fzg joão da costa, em nov . de84 . cabo m 134465 , alberto rodri– gues soares • cabo m 162268 , vasco manuel oliveira de sousa. cabo fz 185368, manuel da silva ferreira. cabo fzg 201268, joão lourenço ferreira. cabo m 207968, manuel ferreira alves. cabo fzv 208768, joão baptista de oliveira gonçalves • cabo fzc 209268, josé maria car– doso barbosa, em nov. de 84. chefe do corpo de polícia dos est. de marinha fausto dasilva prata .faroleiros-chefes henrique nativi– dade nunes e manuel francisco dos reis. agente de 1." cl. ilídio antó– nio gonçalves. cabo-de-mar de 1." joão marçalo horta • maquinista de i." ci . carlos da silva pinto bastos, todos do opmm, em dez. de 84. fiel principal pedro da costa fra– dinho • operários principais armé– nio pepe teixeira dos santos e elói de andrade , todos do opcm, em dez. de 84. dos nossos leitores e amigos recebemos a seguinte correspon– dência: uma carta em que diz: há 40 anos, era eu ainda jovem cheio de ilusões, encontrei num pe– daço dum jornal regional um peque– no texto que tanto me agradou, que ainda o conservo. . e desde então, quantas centenas de vezes o voltei a ler? nas grandes viagens ou durante as longas comissões de serviço do ultramar, a sua leitura amenizava a solidão e ausência dos entes queri– dos. falecimentos é com desgosto que participamos o falecimento dos seguintes camara– das, a cujas famílias apresentamos sentidas condolências: c/alm. ecn rf fernando gui– lherme campos de araújo , em 6-11- -84. cap .-m .-g. rf carlos augusto ferreira pinto basto carreira , em 13- -11-84.cap .-frag. an rf josé bran– co, em 6-11-84. 1.-sarg. m rf josé da costa vilaça , em 5-6-84. 1.o-sarg. aux. rf alfredo soares de oueirós , em 1-10-84 • 2. o-sarg. cm rf joa– quim ribeiro paté, em 8-10-84 • cabo cm rf 281026, sabino teixei– ra de azevedo, em 9-4-84 • cabo tfd rf 269429, joaquim da silva marques, em 16-10-84. cabo fz rf 177432, adriano augusto , em 11-11- -84. 1.o-mar. a rf 308012, eduardo aleixo, em 10-6-84. 1.o-mar . tf rf 274520, antónio maria, em 21-11-84 • i.o-mar. m rf 16921, abel de al– meida sobral, em 13-10-84 • 2. o -gr. sic 122484, josé carlos de oliveira dias, em 20-11-84 • cabo-de-mar de i." , apos., antónio moreira gomes , em 15-11-84. *********** foram recentemente empossados nos cargos indicados os seguintes ofi– ciais, aos quais desejamos os maiores êxitos no desempenho das novas fun– çôes: v/alm. abílio freire da cruz jú– nior , presidente da comissão nacio– nal contra a poluição do mar. vi l alm. antónio tengarrinha pires , pre– sidente da comissão do domínio pú– blico marítimo. v/alm. josé augus– to barahona fernandes, presidente da comissão para o estudo do apro– veitamento do leito do mar. cap.– -m.-g. manuel arsénio velho pache– co de medeiros , chefe da 4 ." reparti– ção da d.s. pessoal. cap.-ten. ma– nuel luís amaral pereira, coman– dante do nrp «antónio enes» • cap .-ten. fz antónio manuel ma– teus, comandante do batalhão de fu– zileiros n .o2. aos camaradas indicados, agra– ciados com as condecorações mencio– nadas, apresentamos as nossas felici– tações: cap .-frag. carlos alberto viegas filipe e cap.-ten . an jorge josé cor– reia jacinto, medalha rriilitar de prata de serviços distintos. *********** voz da abita hoje, volvidos tantos anos, quan– do por ele passo os olhos, é só sau– dades que sinto. lembrei-me que talvez quises– sempublicá-lo, pensando que algum dos actuais jovens da armada fique por ele empolgado, como eu, e o guarde para reler ao longo dos anos. o texto que cito é o seguinte: «ser marinheiro é sentir a atracção do mar imenso, dos continentes, das cidades miste– riosas, das longas tardes a bordo. é adormecer sob as estrelas palpitantes, dum brilho estranho, nas noites calmas do hemisfério sul. é cantar a saudade da pátria distante em quadras ingénuas nas cordas de uma guitarra. é entrar a bordo com os lá– bios ainda húmidos de um beijo que se comprou, mas que nem por isso deixa de ter o sabor, e o encanto de uma aventura român– tica. ser marinheiro é sofrer de cara alegre embora de coração triste como noite de breu, a amar– gura de um longo apartamento. 7</Page><Page Number="10">ter na alma todo o mistério da vida. ser marinheiro é trocar um nome por um número, um núme– ro que nos acompanha até ao fim. é ter para cemitério possível, o mais /indo que a deus aprou– ve.. . é dormir entre o mar azul e o azul do céu. é viver... é sofrer... .é so– nhar... sef. 944.» 000 de joão carvalho da silveira, porite-moure, felgueiras, uma car– ta em que agradece a oferta, por um nosso assinante, de dois exemplares da revista que lhe faltavam na colec– ção - continuam a faltar-lhe os n.o s 1, 2 e 3, e apela para alguém que lhos possa dar - dizendo, entre vá– rias coisas interessantes: saúdo o pessoal que trabalha na nossa gran– de revista que é o melhor meio de comunicação e união entre antigos e actuais marinheiros (. ..). recordo com desgosto de a ter deixado tão cedo, e com imensas saudades a nossa querida «briosa». eu sei que o fiz voluntariamente, mas isso não impede que continue a amá-ia como quando lá estava. ninguém se levan– ta sem cair.. . e o tempo que aí estive parece-me agora que foram dois dias (e não de 1963a 67!). deste mesmo assinante e amigo recebemos outra carta a enviar uma série de versos - «as minhas aven– turas e a vida militar" - da autoria do antigo 1. 0-gr. fz ie n.017431 , josé joaquim matildes, nos quais descreve, com muito sentimento, o que foi a sua vida na marinha, desde que assentou praça até que partiu para a'guerra na guiné. n, r, - agradecemos a oferta " dos ver– sos de um colega do ultramar, que não sei onde actualmente se .encontra, e me vieram parar as mãos por intermédio de uma minha irmã, que em tempos idos se correspondeu comele... ". ••• saudações de belmiro morais, ex.-mar. cm 202768, igreja - senhorim (extensi– vas a todos «que andaram e andam ria marinha; ao pessoal civil e militar do isng, lembrando em especial o 8 sr. ten. correia, hoje cap.-ten. na re– serva, e os camaradas da incorpora– ção de out. de 68,,); de pedro de bastos veiga, ex-mar. l 354078, ta– lhadas (extensivas a «todos os filhos da escola do último batalhão de 1978, em especial os da 11. a com– panhia, chefiada pelos sarg. filipe, cabo ferreira, cabo silva e mar. lo– pes; a todos um grande abraço ami– go com os meus anseios que seja fei– to um convívio dos que for possível juntar dessa 11 . a companhia. al– guém que o promova, quanto mais depressa melhor. ..,,); do sarg .-aj. a raa manuel neves curado, lavos; do 2. 0-sarg . a raa joão da silva marques, braga, e de josé antónio santos, ex-1 .0-mar. ti 148079, ba– sei, suíça. ••• convívios os «filhos da escola" do recruta– mento de 1937 vão reunir-se num al– moço de confraternização, no dia 20 de janeiro corrente. a concentração far-se-à pelas 13 horas, junto à «va– lenciana", em campolide. as inscrições deverão ser dirigi– das a: 1.0-ten. sg antónio berrucho , secção comercial da f.n. cordoaria (supermercado); 1. 0-ten. sg mário macedo, escola naval; luciano de oliveira, telef. 368245 ou gilberto, telef. 363749. 000 os antigos elementos do dfe6, que fez uma comissão de serviço na guiné nos anos de 1965/67, vão en– contrar-se num almoço-convívio, a realizar no dia 9 de fevereiro próxi– mo. a concentração far-se-à junto do portão verde, no laranjeiro, pelas 9 horas. os interessados em participar deverão contactar com : 2. 0-ten . ot pena da fonseca, bat. inst. , escola de fuzileiros, vale de zebro, 2830 barreiro. 000 os «filhos da escola" do recruta– mento de 1945 vão comemorar o 40. aniversário do seu ingresso na «briosa" com um almoço de conví– vio, a realizar no dia 2 ou 9 de feve– reiro próximo, num restaurante dê costa de caparica. as inscrições deverão ser dirigi– das para: 1. 0-ten. sg pedrosa de carvalho, telef. 2761522. ••• oferta do comando da fragata «almi– rante gago coutinho» recebemos a oferta de um escudete da unidade. os nossos agradecimentos . este escudete poderá ser adqui– rido na cantina do navio, pelos anti– gos membros da guarnição, ao preço de 35000. ••••••••••••••••</Page><Page Number="11">a ilha deluanda, em 190b,um oficial da divisão naval do atlântico sul toma alturas do sol usando um horizonte artificial de mercúrio. outro oficial enche uma "cuvette" com aquele fluido, enquanto um terceiro toma nota das alturas observadas (foto do museu de marinha). horizontes artificiais o horizonte artificial é um dispositivo que permite a observação dos astros quando não é possível utilizar o horizonte do mar. ponde de parte os dispositivos que fo– ram adaptados aos instrumentos de medida, como acon– tece no bem conhecido sextante de gago coutinho, no primeiro quartel deste século eram ainda usados superfí– cies reflectoras que, em terra, permitiam a determinação da altura dos astros. s horizonte artificial aaltura do astro o princípio é elementar: se medirmos, com um sex– tante, o ângulo entre um mastro e a sua imagem numa superfície espelhada que se mantenha rigorosamente horizontal, basta dividir por dois o valor daquele ângulo para se obter a altura do astro. o mais vulgarizado horizonte artificial era constituído por uma cuvette onde se deitava mercúrio e que se tapa– va com uma caixa, sem fundo mas com paredes de vidro, " cuvette" , caixa de protecção e frasco metálicopara guardar o mercú– rio do horizonte existente nomuseu de marinha. para que o vento não alterasse a superfície líqurda. este dispositivo foi pela primeira vez descrito em 1748 por george adams, famoso fabricante de instrumentos em inglaterra. para o mesmo efeito, foram também usados espe– lhos ou superfícies de mármore negro que se mantinham na correcta posição horizontal por meio de níveis de bo– lha ou até utilizando um fio de prumo. o museu de marinha conserva nas suas colecções um horizonte artificial de mercúrio, constituído por cuvet– te, caixa de,vidro e frasco metálico onde é guardado o mercúrio depois de utilizado. a. estácio dos reis, cap.-m.-g. 9</Page><Page Number="12">m antologia do mar e dos marinheiros oliveiramartins natural de lisboa, onde nasceu a 30 de abril,de 1845, joaquim pedro de oliveira martins foi não só um dos maiores escritores portugueses do século dezanove, mas também, no dizer de menendez y pelayo, "uma das glórias mais altas da península». órfão de pai aos doze anos, ajudou à sobrevivência da mãe e dos cinco irmãos, pondo um emprego no lugar dos estudos: mas destes não precisou para com 22 anos, em 1867, publicar o romance histórico "phebus mo– niz» . em agosto de 1870, no mesmo ano em que fundou "a repúbliea», partiu para espanha, onde na pro– víncia andaluza de córdova adminis-trou as minas de santa eufémia, na companhia de henry hallicot. enge– nheiro inglês com quem viria a orga– nizar, cinco anos mais tarde , o cami– nho de ferro do porto à póvoa . pelo cap.-frag. cirstóvão moreira em 1872, oliveira martins publi– ca "a teoria do socialismo», e um ano depois «portugal c o socialis– (foto do serviço de documentaçao do «viário de notícias») não se enganava oliveira martins : morreria no ano seguinte. a 24 de agosto. na sua casa lisboeta da ca l– çada dos caetanos, minado pela tu– berculose, que levou aos 49 anos esse grande dramaturgo da história. que deixava para a posteridade algu– mas das páginas de mais 'dramática' beleza da literatura' portuguesa. e a vida, que para trás ficava, essa tinha– -a o homem preenchido inteira: de– putado independente, "socialista e não demagogo», por viana do cas– telo, ministro da fazenda a pedido do rei d. carlos, estudioso das ciên– cias histórico-filosóficas. incansável peregrino do jornalismo político. confidente de antero de quental, amigo de manuel de arriaga, de lu– ciano cordeiro e de teófilo braga, companheiro de eça de queirós, de ramalho ortigão e de guerra jun– queiro no grupo dos "vencidos da vida» , a que foi ele a dar o nome ("eis afinal o que todos nós someis, mo», livros que traduzem o seu pensamento político, um socia– lismo em q\le as reformas de carácter económico assumem papel principal. grande amigo de espanha, o prestígio da sua figura mede"se nas palavras de unamuno, que o classifica de "penetran– te artista, cuja fant as ia a lcançou profundidades a que a cansativa e cansada ciência de outros não chegou», e considera que a sua "história da civilização ibérica» (aparecida em 1879, no mesmo ano da publicação dos dois volumes da "história de portugal»), deveria ser um breviário de todo o espanhol e de todo o portu– guês culto . escritor fecundíssimo, as obras de oliveira martins sucedem-se: em 1880, "o brasil e as colónias portuguesas» e "elementos de antropologia»; em 1881 , " portugal contempo– râneo»; em 1882, "sistema dos mitos religiosos» ; em 1833. "quadro das instituições primitivas» e "o regime das rique– zas»; em 1884, "tábuas de cronologia e geografia histórica» . depois, à última década da sua vida pertencem " a história da república romana» (1885). " portugal nos mares» (1889), "os filhos de d.joâol» (1891) e "a vida de nuno álvares», publi– cada em 1893 , e que ele próprio diria ser o seu canto de cisne. 10 vencidos da vida»), oliveira martins ficou como um dos grandes vultos intelectuais da nossa história. constituímos a nossa antologia do escritor com três episó– dios extraídos da " história da república romana», a obra em que culmina o brilhantismo literário do historiador : aquela que será acaso, no dizer de antónio sérgio, "o quadro mais dramáti– co de quantos se tentaram sobre o assunto, em portugal e no es– trangeiro». para prova suficiente, deixamos a emotiva descrição da morte de pompeu , precedida por duas passagens fascinan– tes, de cartago e de mila, em que oliveira martins transporta para.o mar esse dom de reconstituir batalhas: no lugar dqs gritos dos peões , do tropel dos cavalos, dos ossos esmigalhados pelas patas dos elefantes . parece-nos ouvir a melopeia com que as chusmas de remadores marcam o compasso, e o abrir dos rom– bos nas madeiras penetradas pelos esporões púnicos , e o ranger das pontes das galés romanas abatendo-se sobre as cartagine– sas - os sons dessa prosa, a um tempo colorida e pungente , com que oliveira martins domina e transmite a história, com um estilo onde a profundidade dá lugar ao deslumbramento.</Page><Page Number="13">a «história da república romana» (oliveira martins) cartago cartago está entre duas campinas, a do mar, arada pelas proas das galés, onde as velas numerosas ondeiam como pássaros voando, e a da terra, onde as searas louras fazem ·vagas como as do mar, onde o ju– deu escravo lavra a terra dos senhores com arados que parecem âncoras de navios . era um solo fecundo essa líbia em que um pé de cevada dava cem, dava trezentas espigas. mais adiq.nte, nas vilas líbias sub– metidas, o felá, curvado, cultiva o solo para dar o quarto das colheitas aos merca– dores da cidade soberana que lhe cumpre defender como soldado. os instintos da revolta não morreram em seus peitos; não são uma gente submissa como o sírio que os ricos de cartago exploram em reba– nhos. há cidadão que lavra com vinte mil escravos: o sírio de rastos prosta-se na sua humilhação, conduzindo ao aprisco os bois com os chifres retorcidos a capricho, fantasticamente, ou as orelhas vestidas de peles para proteger os veios contra o ardor do sol e as geadas das manhãs. as vinhas enroscam-se nos pinheiros como serpen– tes, as figueiras de largas folhas, os sicô– moros, os algodoeiros de penachos bran– cos, as romeiras que se regam com silfio, e os bosques de cevadilha silvestre mati– zam as longas campinas de trigos com to– ques de vermelho-duro, de verde-cru, dum branco ofuscante; e no fundo azul– -ferrete do céu, confundido já no horizon– te com o cerúleo do mar, em clarões de luz cor de ouro, tudo refulge destacando-se, sem se esbater em tons medianos, numa orgia de tintas em que destoa a oliveira suave e pálida. do meio desta paisagem metálica, saltam dispersos os casais bran– cos com tectos rasos onde à noite se bebe a frescura do ar, como pérolas engastadas entre esmeraldas e rubis . do meio também da cena das opulên– cias cartaginesas destacam-se os rebanhos da gente errante, homens de uma tez parda onde os olhos coruscantes dizem a raiva que têm pelo credor rico da cidade que, ti– rando-o da sua aldeia por não poder pa– gar-lhe, o obriga a lavrar a terra como es– cravo, como judeu... para conter os líbios do interior e as tribos nómadas do deserto e das montanhas, cartago construíra um cinto de fortalezas fronteiriças e cada dia a zona desses fortes avançava para o inte– rior da terra; q/,fando a guerra dos roma– nos se declarou na sicília , caía em poder da república a grande cidade líbia de te– vesta (tebessa) nas cabeceiras do braga– das . entre os temporais do mar e as ondas procelosas de uma gente rebelde ameaçan– do tempestade, a nau cartaginesa vogava a velas cheias de um vento de fortuna . de repente, bateu contra um baixo e houve rumor, espanto e medo a bordo. que sucedera? estava pela proa um recife tremendo - roma! batalha naval de m/la viu-se, pois, em roma, que sem na– vios não se conseguira expulsar de todo os cartagineses da sicília. além disso, as fro– tas púnicas, senhoras do mar, infestavam as costas de itália, paralisando todo o co– mércio marítimo. a guerra arruinava roma sem prejudicar gravemente o inimi– go, que se pagava impondo contribuições a cera, a ostia, p nápoles, a tarento, a si– racusa. estava provado ser fácil bater os mercenários púnicos em terra, mas, como cartago tinha o mar, essas vitórias valiam pouco. decidiu, pois, o senado equipar uma frota de vinte trirrenos e cem quinquerre– mos; tomou-se como tipo o penteres, que era a galé de linha também tipo das frotas cartaginesas. armavam a esquadra as ci– dades marítimas aliadas (sicii navales); os escravos do estado üim como remeiros, e cidadãos como soldados. na primavera de 494 os cento e vinte navios romanos es– tavam no mar. o cônsul cipião asina saiu logo para messina com dezassete galés, e de caminho pensou poder tomar lipara com um acto de audácia;' foi bloqueado e os seus navios tomados pela divisão naval inimiga de panormo (palermo). vinha já mar em fora o grosso da frota, direito à si– cília: na viajem destroçara uma divisão cartaginesa e entrando vitoriosa em messi– na, caio duílo tomou o comando, pois que o colega estava prisioneiro. aníbal, o filho de gisco, avançava com a frota cartaginesa de panormo con– tra a romana. encontraram-se a noroeste de messina , no mar do promontório de mila. era a primeira vez que os romanos empenhavam uma grande batalha naval. os cartagineses do alto dos seus penteres de cinco ordens de remos que apontavam as proas rostradas onde traziam esculpi– das figuras de monstros horríveis e obsce– nas, anões e serpentes, imagens da orgia naturalista do génio fenício, pintadas com as cores rutilantes da terra africana; os car– tagineses, manobrando com perícia na água, que era o seu elemento, despediam escárnios contra esses marinheiros biso– nhos que nem sabiam montar em terra o corcel da numídia, nem no mar esse outro cavalo alado - a nau. desdenhavam, cer– tos de uma vitória fácil e breve, as regras dos combates navais; quebravam as suas linhas; as galés lançavam-se sobre a massa da frota inimiga, como os leões nas verten– tes do atlas sobre os rebanhos das ovelhas 1-os lavradores lbios . calados, firmes, embora receosos como quem se aventura a uma empresa nova, os romanos confiavam muito no plano do cônsul: dar no mar um combate como os de terra, vencer os rostros púni– cos, mas não com o esporão das galés ro– manas. também os tinham de formas sim– bólicas - a lança, a cabeça de um javali, o ariete ou cabeça de carneiro - e figuras à proa simbolizando os nomes das galés por debaixo do aplustre que se erguia triunfante como leque de penas de cauda de uma ave; e na popa o oratório (tutela) com os sacra do navio, retábulos como os que depois tivet;am, com outras figuras, as nossa galés da india. eram em tudo como os penteres púni– cos os romanos feitos à sua imagem, salvo nos motivos que inspiraram as figuras as– sustadoras na proa e nos deuses que iam no sacrário à popa. cada nau contava tre– zentos remadores sob o comando do hor– tator - o comitre que entoava a celeuma da chusma, melopeia dos remadores com a qual se compassava o cair e levantar mo– nótono dos remos na água com as oscila– ções dos braços e dos troncos nus sobre as bancadas alinhadas. era a máquina mo– triz da nau que o piloto (navarcha) junto dos remos laterais dirigia.sobre as ondas. na perícia do piloto, na impassibilidade mecânica dos remadores,. estava a força das galés púnicas: dirigidas com violência sobre o costado das inimigas, quando não o abriam com o rostro fazendo-as soço– brar, partiam-lhe os remos com o golpe, desorganizavam as bancadas da chusma, enquanto do alto do convés e das torres va– zavam sobre o navio adversário nuvens de dardos, surriadas de setas, e torrentes de pez derretido, de petróleo incendiado, de chumbo candente. o incêndio ou ti submersão, eis aí os modos de vencer. o cônsul romano imagi– nou um terceiro: valer-se da própria inves– tida para abordar, pedir tudo ao ataque à arma branca, em vez deo esperar daperí– cia dos nautas nas manobras delicadas de arremeter à proa e seiar à ré para atacq,r, ou de virar de bordo para se dêfender das pontadas agudas dos rostros. esperando firme as lançadas dos esporões cartagine– ses, surpreendeu-os. confiava pouco nos seus marinheiros bisonhos, muito na sua infantaria legionária. abarrotou de solda– dos as galés e muniu-as de pontes levadi– ças, semelhantes às que tinham servido com pouco êxito, é verdade; para aljordar as torres dos elefantes de pirro em asculo. cada ponte munida de parapeitos tinha largura para dois homens; descia da proa sobre a galé inimiga e cravava-lhe os den– tes das suas âncoras de ferro . embora a galé atacada tivesse o ventre rasgado pelo esporão do inimigo, não soçobraria: jun– gida ao adversário, ele a salvava do nau– frágio pelo menos até vazar para o seu seio um turbilhão de soldados invencíveis. as– sim os combates de terra se achavam trans– portados para bordo. assim as galés púnicas vieram orgu– lhosas cair uma a uma no laço armado à sua valentia; assim o romano que inventa– ra em terra o manípulo legionário, inven– tava no mar a abordagem e consolidava a sua política original com duas novidades no modo de combater. assim muitas deze– nas de naus cartaginesas foram tomadas-11</Page><Page Number="14">entre elas a almirante, com velas verme– lhas de púrpura, a nau que fora do infeliz pirro . os restos da frota cartaginesa fugi– ram destroçados para a sardenha . mi/a produziu em roma um entusias– mo e alegria nunca vistos. também impe– rava no mar, a cidade soberana da terra! os cidadãos abraçavam-se delirantes , e, calculando que só faltava agora to'!'ar cartago , resolveram a campanha de afri– ca. ao cônsul vencedor concedeu o sena– dó um triunfo, levantou no foro em me– mória da façanha uma coluna eriçada de rostros, e mandou que duílio fosse nas ruas de roma acompanhado para sempre por um flautista tocando em sinal de ale– gria: durasse a vida inteira dele esse triun– fo, que era o penhor de tão largas fortu · nas! morte de pompeu de farsália, pompeu fora a lesbos juntar-se a cornélia e a seu filho sexto, e daí velejou para a cicília, depois para chi– pre, decidido a ir à síria aliar-se talvez aos partos - mas nunca, isso nunca! a apare-cer outra vez diante de catão, cuja lem– brança o enchia de remorso e de medo. em chipre armou um bando de dois mil escravos; mas quando soube que a síria se declaràra por césar e que o caminho do eufrates lhe estava fechado , mudou de rumo, fez proa ao egipto, para aí reorga– nizar as suas forças num novo teatro de guerra. no egipto reinavam desde 703 (ano em que morrera a uleta) seus filhos– ptolomeu dionísio, que tinha dez anos, e cleópatra, que tinha dezasseis - irmãos e esposos. ele porém expulsara a irmã do trono; ela refugiara-se na síria, onde se preparava para vir em guerra ao egipto. dionísio e o seu tutor potino estavam com o exército em pelusa defendendo a frontei– ra contra cleópatra, quando a nau de pompeu deitou ferro no promontório cá– sio, pedindo o general licença ao rei para desembarcar. os egípcios, já sabedores do resultado de farsália, iam recusá-la, mas surgiu ne– les a ideia de matar pompeu, resolvendo assim as dificuldades que a sua presença levantaria perante o grande número de clientes pompeianos alistados no exército do rei do egipto . foram pois a bordo e com frases mudo afáveis convidaram-no a descer ao escaler para ir à presença do rei. pompeu, sempre indiscreto, aceitou, ape– sar dos sobressaltos e receios da esposa e do filho, que da amura do trirremo viam o escaler vogar para apraia . pompeu, gra– ve, à popa, ia declamando num tom pom– posamente triste o discurso grego que redi– gira para ler ao rei. numa pausa, reparou em septímio que o conduzia e perguntou– -ihi' si' não fora soldado seu na campanha da arménia; septímio, silencioso, abanou a cabeça afirmativamente. pompeu seguiu lendo - a mulher e o filho de bordo do trirremo, anciosos, olhavam. nisto o esca– ler bateu na areia da praia, pompeu levan– tou-se para desembarcar, e, quando se voltava, septímio enterrou-lhe a espada nos rins. ferido , perdido, o infeliz cobriu a cabeça com a toga e não opôs resistência às estocadas que todos os do escaler lhe da– vam. e de bordo a esposa e o filho assis– tiam em lágrimas ao assassinato. na vés-. pera fizera cinquenta e nove anos. jazia por terra na praia solitária o cadáver, quando a nau levantou ferro, e os gritos de aflição de cornélia e os soluços de sexto perdiam-se no clamor da manobra. r • i ia i i • passe da amura - abertura em ambos os bor– dos nó costado do navio por onde passa a amura da vela grande; olho da amura. • passo do hélice - comprimento medido na di– recção do veio do hélice correspondente ao avanço des– te numa rotação completa. • patacho navio de dois mastros armando pano redondo no traquete e pano latino com gave-tope no grande. • patamar - espaço, geralmente de forma quadra– da, que encima uma escada ou um lanço de escadas. • patana- grupo de ilhas de coral dispostas em cír– culo em redor duma laguna central ou em linha, subordi– nadas a uma ilha principal ; atol. • patariliaz - designação genérica dos cabos ou correntes destinados a aguentar o gurupés, a bujarrona, a cevadeira, o pica-peixe, o pau de surriola ou os turcos.  -- l-j 12 • patas da âncora - extremidade de cada braço da âncora, de forma triangular e espalmada. a b(d d ' f-pata • patesca' - moitâo aberto numa das faces para po– der dar retorno a'cabos; a abertura é fechada com dobra– diça e chaveta. • patesca de sondareza - patesca desprovida de dobradiça, dispondo de alça com rabicho, destinada à manobra do prumo, barca ou hodómetro. • patilha do leme - prolongamento da quilha; fê– mea aberta no cadaste onde gira o leme. s. elpídio, cap. -m. -g. an</Page><Page Number="15">s marítimos na origemdo culto ao espfito santo eao senhor santo cristo, nos açores o homem medieval, profundamente religioso, invocava san– tos da sua devoção nos momentos aflitivos. o marítimo, em em– barcações precárias e sujeito ao humor inconstante e imprevisí– vel do circunstancialismo meteorológico, exacerbou a fé e o ape– io a santos protectores . o açoriano, perante duas calamidades locais de amplitude desmedida, os sismos e os vulcões, consa– grou duas entidades que julgou mais eficazes, intercessoraspri– vilegiadas junto dos poderes divinos: o espírito santo e o se– nhor santo cristo. não há cidade, vi la ou bairro que não tenha o seu «império» do espírito santo. desconjlece-se quem introduziu o culto, ad– mitindo-se que tenha sido pelos,primitivos povoadores conti– nentais. más quais? como? vamos tentar demonstrar que fo– ram os marítir;nos, integrados nas confrarias do corpo santo, cujo culto andava aliado e confundido com o do espírito santo, e quc a devoção ao senhor santo cristo se filia no culto ao se– nhor bom jesus (ou santo cristo) dos mareantes, iniciado no ano dc 134 em bouças (porto). as confrarias do corpo santo entrc os santos protectores dos mareantes sobressai s. pedro gonçalves telmo , popularizado como são telmo (santelmo) ou corpo santo, dominicano espanhol que no século xiii viveu nos conventos de compostela, tui e amarante. a veneração generalizada na costa ocidental da península ibérica deu origem à expressão «fogo de santelmo», designativa da chama azulada que em noites de temporal a electricidade atmosférica provoca no topo dos mastros, considerada acontecimento milagroso anunciador de bons augúrios. o vocábulo santelmo coincide fo– neticamente com sant'elmo (santo erasmo), patrono dos ma– reantes da zona mediterrânica . as palavras galega e portugesa cor,po santo derivam da italiana corpisant que significa cemité– rio - como se tributava culto sob essa denominação (corpo santo) a relíquias e corpos incorruptos, a luz nos mastros era en– tendida como o fogo-fátuo dos mortos. diz camões n'os lusía– das (cant. v,est. 18): vi claramente visto o lume vivo que a marítima gente tem por santo em tempo de tormenta e vento esquivo de tempestade esclira e triste pranto nos principais portos da bcira-mar fundaram-sc confrarias ou irmandadcs, também denominadas casas ou confrarias do corpo santo ou compromissos marítimos, que tinham igrejas , capelas, albcrgarias e hospitais priva,tivos, e ficaram na toponí– mia local cm ruas, bairros c largos . orgãos representativos dos mareantcs quc para elas contribuíam com uma parte variável do seu quinhão, cxerciam acção tutelar em todas as questões decor– rentes da actividade profissional e promoviam o amparo moral e material nas privações e nas doenças dos confrades, viúvas e órfãos. o corpo santo de lisboa tinha uma ermida no largo do corpo santo - antes dedicada a nossa senhora da graça e ad– ministrada pela irmandade dos pescadores do alto, do bairro da pampulha - e capelas e confrarias no convento de s. domin– gos, nas igrejas paroquiais de s. miguel e santo estêvão, de ai– flma, e na igreja das chagas. demolida a ermida após o terra- " império» do espírito santo. moto de 1755, a imagem de s. pedro gonçalves foi para a nova igreja dos dominicanos irlandeses, no largo do corposanto. alfama teve a confraria de nossa senhora dos remédios , dos pescadores chincheiros, sita na ermida dos remédios, e a do es– pírito santo, dos navegantes e pescadores do alto, 'de anzol e rede, sita na igreja de s. miguel. o compromisso da confraria do espírito santo, de 1606, que reformou o de 1428, é considera– do uma das «melhores jóias da iluminura portuguesa». uni– ram-se depois ell) 1651 ou 1652, na «irmandade de nossa se– nhora dos remédios e hospital do divino espírito santo dos pescadores e navegantes de alfama» ou «irmandade do espíri– to santo dos homens do mar», si ta na ermida,dos remédios ou do espírito santo , santo espírito ou santo espr'ito, como era vulgarmente designada. no século xvi os pescadores tinham outra confraria na ermida de nossa senhora do paraíso (actual rua do paraíso) - não lhe encontramos referências posterio– res, pelo que deve também ter sido integrada na do espírito san– to. os seus hospitais remontam à primeira dinastia; tinham, pelo menos , dois, em 1434, o corpo de deus e o do espírito santo, e mais quatro no século xvi: o do corpo santo (no actual largo do corpo santo), o de cata-que-farás (no actual cais do sodié), o dos chinchciros ou dos remédios e o çle nossa senhora do pa– raíso ('). o porto teve três confrarias: a de s. pedro, erecta na igreja (') entre /59/ e /6// todos os pescadores do país dedicaram me/ade do produto da faina aos domingos e dias santos à canonizaçào de s. pe· dro gonçalves telmo, a religiosidade dos mareantes manifesto/l·se também nos ex· votos, painéis votivos. gratulatórios. que constituem ora– 'ções propriciatórias dos santos, 13</Page><Page Number="16">apela do corpo santo, da igreja matriz de vi/ado conde - painel gra– tulatório em azulejo. de miragaia, que construiu em 1443 o seu hospital do santo es– pírito; a das almas do corpo santo, em massarelos, fundada em 1394; ade s. pedro gonçalves, de leça da palmeira, que edifi– cou em 1557 a sua capela do corpo santo. setúbal teve duas , a do corpo santo e de santo estêvão; em 1341 já existia o «hos– pital dos homens do mar e capela e confraria do corpo santo» e já os pescadores haviam fundado as igrejas de s.julião e do santo espírito; em 1862 foram aprovados 0stestatutos da casa do corpo santo dos pescadores de anzol». sesimbr.a teve três , a do espírito santo, a do corpo de deus e a do corpo santo, que se uniram talvez no início dó século xvii na do corpo san– to, com sede na capela dessa invocação situada na rua do .espí– rito santo, hoje rua cândido dos reis - tinha um hospital na ribeira. a capela dos navegantes na igreja matriz de viana tem um cálice quinhentista da antiga confraria e uma lápide que os mareantes colocaram na càpela de santa catarina em 1366. es– posende tem uma capela dos mareantes , reedificada em 1650. a dois quilómetros de esposende, a capela da senhora da bo– nança na freguesia da gandra foi construída, segundo dizem, no sítio onde apareceu o corpo santo; em 1776 o arcebispo de bra– ga determinou que na missa solene em honra do corpo santo não houvesse sermão por causa da enorme afluência de fiéis vindos de mais de trezentas paróquias. na póvoa , quando a lancha nova saía pela primeira vez, as mulheres com familiares na cam– panha acendiam uma vela no altar de s. pedro gonçalves; os po– veiros tinham em 1716 a confraria do santíssimo sacramento e instituíram em 1716 (ma seria mais antiga) a de nossa senho– ra da lapa , «amparo dos homens do mar», que passou a «irman– dade de nossa senhora da assunção» ym 1791 e a «real irman– dade de nossa senhora da assunção» em 1883 . longe da costa encontra-se na freguesia de louro, concelho de vila nova de famalicão, a ermida de santo do monte (s. pedro gonçalves) . os de vila do conde construíram em 1542 a capela do corpo santo na igreja matriz. azurara tinha uma rua do corpo santo, pelo menos desde o século xvi, e uma capela de s. pedro gon-14 çalves na calçada de sant'ana; actualmente a imagem de s. pe– dro gonçalves está na igreja matri z no altar da senhora da boa viagem. a confraria de nossa senhora da alegria ou santa ma– ri a de sá, fundada pelos de aveiro talvez no século xiii, tinha um hospital e uma capela do corpo santo. em 1613 foi formali– zado o compromisso da confraria do corpo santo de buarcos, sita na ermida de nossa senhora do rosário . a de peniche, nà igreja de nossa senhora da ajuda , teve o primeiro compromis– so em 1505 e construiu o hospital em 1617. a da ericeira estava na ermida de nossa senhora da ·boa viagem , que passou depois à invocação de santo antónio. a do santíssimo sacramento da ressurreição da vila dc cascais ou casa de s. pedro gonçalves, que remontará ao século xv; estava na igreja dos navegantes, também da invocação de s. pedro gonçalves e nossa senhora dos prazeres , construída pelos pescadores. a irmandade de s. pedro dos pescadores e mareantes do barreiro teve a ermida de s. roque (depois chamada ermida de s. pedro e mais tarde transformada na igrej a de nossa senhora do rosário) , antes de se instalar na igreja de s. francisco ; em 1815 reedificou esta igre– ja e ornamentou-a com as armas de s. pedro, apóstolo- haverá aqui, como cm muitos outros casos, confusão entre s. pedro gonçalves e s. pedro apóstolo, que, por coincidência, foi pesca– dor. no século xvi os pescadores do seixal construíram a ermi– da de nossa senhora da conceição que tinha uma imagem do corpo santo . em sines , a antiga confraria do corpo santo tinha uma ermida, pelo menos desde o século xvi , e a actual igreja matriz tem uma capela de s. pedro gonçalves. o algarve teve confrarias do corpo santo pelo menos em lagos, alvor , porti– mão, ferragudo , albufeira , faro , olhão , fuzeta , tavira , vila real de santo antónio c castro marim. das antigas povoações de pescadores e navrgantes só omiti– mos caminha e as dos coutos de alcobaça: paredes, pedcrneira, nazaré, s. martinho, salir e alfeizerão . mencionaremos cami– nha quando tratarmos do senhor dos navegantes. a ausência de referências a confrarias do corpo santo nos coutos de alco– baça dever-se-à à tutela do poderoso mosteiro cisterciense e ao declínio de todos os seus portos nos séculos xv c xvi; a nazaré é povoação reçente , do século xvii, muito influenciada por pescadores de ilhava, povoação também recente em termos pis– catórias. o corpo santo e o espírito santo nos açores considerado heterodoxo, de feição laica, com o impera– dor» eleito entre o povo, o culto do espírito santo foi introduzi– do em portugal pela rainha d. isabel , tendo-se realizado em 1323 a primeira festa do «império» no convento franciscano de alenquer. os franciscanos propagaram-se depois por todo o rei– no nos séculos xiv, xv, e xvi, período que coincide com o auge das navegações e a fundação das confrarias marítimas, algumas sob a expressa invocação do espírito santo e outras designadas indiferentemente do corpo santo ou do espírito santo. os portos que mais marítimos forneciam ás navegações erllm os de lisboa, porto , setúbal, sesimbra e algarve. em lisboa os pescadores tinham várias confrarias e os navegantes apenas uma, a do espírito santo, sita na igreja de s. miguel de alfama; o seu hospital do espírito santo mereceu a honra de não ser inte– grado no hospital de todos-os-santos, criado por d.joãoii para aglutinar todos os pequenos hospitais de lisboa . o hospital do espírito santo, da confraria de s. pedro, de miragaia, tam– bém não foi integrado na misericórdia como a maioria dos ou– tros em todo o país, por especial mercê do rei d. manuel: se não dê à misericórdia porquanto nós havemos por bem de se com ele não fazer diferença alguma: os pescadores de setúbal haviam fundado a igreja do espírito santo. os pescadores e navegantes de sesimbra tinham a confraria do espírito santo com sede na igreja dessa invocação . o emprego indiferente das designações corpo santo e espírito santo, por vezes no mesmo documento régio, é frequente no algarve, por exemplo em documento de 1665 e de fins do século xviii relativos às confrarias de tavira e olhão (2). (') albino lapa. " a vila de olhão, a 'sempre moira ', e o compro– misso dos pescadores», lisboa, 1957, p. 39, e «o compromisso dos pes– cadores da cidade dos 'sete mártires', tavira», lisboa, 1956, p. 61.</Page><Page Number="17">s marítimos levaram o culto çlo espírito santo para as três primeiras ilhas descobertas: já estava em santa maria e na ter– ceira no fim do século xv, e difundiu-se por todo o arquipélago a partir de 1523 , após uma epidemia que nesse ano se declarou em s. miguel . em santa maria, segundo a tradição veiculada por gaspar frutuoso nas «saudades da terra», a povoação de santo espíri– to deve o seu nome ao 'facto de lá ter sido celebrada a primeira missa dedicada ao espírito s:-onto; num mapa de 1507 aparece o porto de «spin (espírito santo). no início do século xvi s. miguel tinha plo menos uma ermida de s. pedro gonçalves em vila franca do campo, que foi a primeira capital até 1522 (ainda hoje um clube desportivo local tem o nome de s. pedro gonçalves), uma .do corpo santo em ponta delgada e outra na ribeira grande (na praça do municípi9, onde hoje está o paço) . na ribeira grande a cheia.de 1563 fez desaparecer as casas que «do corpo santo iam até ao mar». durante a erupção vulcâni– ca de 1563 os habitantes de s. pedro do nordestinho atribuíram ao corpo santo ou a nossa senhora do pranto um lume que te– ria aparecido na igreja(-') . na zona nobre da velha angra, nas imediações do cais, estão hoje a rua e a travessa do espírito santo no local onde foi instituído em 1492 um hospital numa er– mida do espírito santo. contíguo, está o bairro do corpo san– to, que já no dealbar do século xvi tinha muitas ruas e travessas habitadas por pescadores e navegantes. apesar de se ter diluído a presença dos marítimos continentais nas restantes ilhas, mais influenciadas pelos povoadores da santa maria, s.miguel e ter– ceira, ainda se encontram nelas vestígios do corpo santo. santa cruz da graciosa tem um largo do corpo santo. os marítimos de velas (s. jorge) tinham uma ermida de s. pedro gonçalves; a irmandade da misericórdia, instituída em 1543 na casa do es– pírito santo, tinha a seu cargo o montepio dos marítimos que consistia em darem um quinhão dos seus proventos, o chamado «quinhão do santo», para a misericórdia aprestar médico e re– médios e fazer-lhes a festa de s. pedro gonçalves('). as ilhas do faial, pico , flores e corvo foram chamadas flamengas por ser desta nação a maior parte dos seus primitivos povoadores; mas, pelo menos , o convento de s. francisco, na horta, tem uma ca– peia de s. pedro gonçalves. no pico, o corpo santo foi suplan– tado pelo senhor bom jesus dos mareantes , como veremos a se– guir. na ilha da madcira ocorrcu uma situaçao análoga. a frcgue– sia de câmara dos lobos, criada em 1430, teve como primeira sede uma capela dedicada ao espírito santo - câmara de lo– bos deve o seu nome às focas ou lobos marinhos que constituíam o principal produto da pesca longínqua portuguesa, na madeira, nos açores (ilha de santa maria), nas canárias (ilha de lobos) e no litoral saariano (ilha de lobos, no rio do ouro). pelo me– nos o funchal e santa cruz tinham igrejas e confrarias do corpo santo no século xvi. o senhor santo cristo o ritual religioso nos açores atinge a sua expressão mais so– lene na procissão do senhor santo cristo em ponta delgada. se– gundo alguns, a imagem , que está no convento da esperança, teria sido oferecida pelo papa paulo iii (1534-1549), mas esse facto não é mencionado pelos cronistas açorianos frutuoso e monte alverne que não o poderiam ignorar. e o certo é que o primeiro cortejo processional se realizou em ponta delgada no ano de 1700, muito depois de serem atribuídos poderes miracu– losos a uma imagem do senhor santo cristo e a outra do bom jesus dos mareantes que, pelos anos de 1550 e 1560, teriam sido arrojados pelo mar, respectivamente às praias do almoxarifado (faial) e das lajes (pico). quase todas as igrejas do pico passa– ram a ter (e têm) capelas ou altares dedicados ao bom jesus, e foram instituídas confrarias marítimas pelo menos na igreja ma– triz da vila das lages e numa ermida da freguesia das ribei– ras c). (') ventúra rodrigues pereira, "a ribeira grand», 3." edição , lis– boa, /984, p. /6j (') cândido da silveira avellar, " ilha de s. jorge (açores) - apon– tamentos para a sua história», horta, /902 , p. /22 . (' ) antónio lourenço da silveira macedo, "história das quatro ilhas que formam o distrito da horta», edição /981 , vol. i, pp . 214 e 220,' vol. iii , pp. 86 e sego existem muitas lendas semelhantes, de imagens que teriam sido encontradas na praia ou nas redes dos pescadores, col)1o a da senhora do cabo (espichei), a da senhora do pranto (ilha– vo) , a da senhora das areias (s . jacinto) e outras. esta corrente hagiográfica filia-se na lenda da imagem de cristo que o mar te– ria trazido da palestina até ao areal do espinheiro (bouças) no ano de 134. recolhida na igreja de bouças sob o nome de santo cristo ou bom jesus de bouças , foi transferida no ano de 1550 para a nova igreja matriz de matosinhos passando a ser conheci– da por senhor (ou senhor jesus ou bom jesus) de matosinhos, mas ainda no século xvii lhe chamavam santo cristo de bouças como se lê no opúsculo «relação e discurso sobre a insigne eno– tável procissão em que foi levada à cidade do porto a sagrada imagem do santo cristo de bouças» (coimbra, 1645) . esta pro– cissão rogatória efectuou-se em momentos aflitivos , como epi– demia , excessos de chuva ou outras calamidades, pelo menos em 1526, 1585, 1596, 1644 e 1696. matosinhos tem feriado munici– pal no domingo do espírito santo, coincidindo com a grande ro-maria anual do senhor de matosinhos e). . a tradição irradiou para outros locais onde teriam dado à praia imagens de cristo, como o bom jesus ou senhor de fão, o senhor jesus dos navegantes, em ílhavo , o senhor jesus do carvalhal, em peniche (no cabo carvoeiro houve um convento do bom jesus), o senhor jesus das chagas, em sesimbra (se– simbra teve uma capela do senhor jesus dos navegantes), e o senhor bom jesus dos mareantes, em caminha, sob cujo patro– cínio está a capela dos mareantes, construção do século xvi, na igreja matriz. os pescadores e navegantes de caminha instituí– ram duas confrarias, a do bom jesus dos mareantes e a de s. bento da freguesia de seixas - s. bento é um santo muito po– pular no minho por influência dos beneditinos. em 1744 os do seixal fundaram a «irmandade do senhor jesus dos marean– tes» . assim., não se afigura arriscado presumir que o culto ao se– nhor santocristo nos açores se inscreve na corrente hagiográfi– ca que mergulha raízes na lenda.do senhor santo cristo de bou– ças ou bom jesus dos mareantes, e foi levado no século xvi para as ilhas do faial e do pico por marítimos nortenhos . gomes pedrosa, cap·-frag . e) horácio marçal, "a romaria do senhor dos navegantes», sepa– rata do boletim ju biblioteca municipal de matosinhos n." /6 . n. a. - as confrarias do corpo santo suscitaram numerosas biblio– grafias . como obra de carácter geral, a. c. pires de uma, «fogo de san – teimo», lisboa, /943. •••••••••••••••••••••••••••••• 15</Page><Page Number="18">istorias de marinheiros 67-aspectos enganosos ignoro se está averiguada, cienti– ficamente , a acção benéfica do mar sobre a boa conservação do aspecto físico da generalidade dos marinhei– ros . o certo é que, como comum– mente se observa, há exemplos fre– quentes de gente do mar que, na aparência, mostra uma idade menor do que aquela que realmente tem. tgecerto que o número de anos que exprime essa diferença é variável de caso para caso . mas acontece, por vezes , que esse número chega a ser surpreendentemente significativo. um velho marujo, que ainda co– nheci , costumava dizer, graciosa– mente, quando se ventilava o assun– to, que não havia razões para estra– nhar. e concluía sempre afirmando que se o sal conserva a carne morta– era minhoto e tinha presente o exem– plo do porquinho na salgadeira - quanto mais não preservarão os ares salgados do mar alto a matéria viva dos marinheiros! ... com isto me vem à memória dois casos de almirantes que aparenta– ram, até muito tarde, uma idade me– nos avançada do que a constante nos seus cartões de identidade. e era certo e sabido que, no encontro com pessoas amigas, estas sempre exprimiam, convictamente , a sua ad– miração pelo ar relativamente moço que exibiam os oficiais. sem dúvida que eles não seriam inteiramente insensíveis a esses cumprimentos. sempre deve ser agradável , de algum modo , .ouvir im– pressões sinceras sobre o hom as– pecto físico que se apresenta. mas não será de excluir que , implícita nos elogios, estará porventura a ideia de que, dados os anos transcorridos, t i– nham a obrigação de parecer mais velhos. e, assim, o que parecia um cumprimento não era mais que a constatação espontãnea de uma si– tuação insólita : eram velhos , de fac– to, mas não pareciam tanto como deviam. .. para compreensão de um primei– ro caso que , a propósito, me propo– nho contar, é necessário saber-se que as pensões dos militares refor-16 mados não acompanham devida– mente a desvalorização da moeda. à medida que os anos vão passando , mais se vai cavando o fosso entre os vencimentos dos militares do activo e as pensões dos da mesma patente na situação de reforma. se alguns destes últimos insistem em viver mais uns anos, e não dispõem de for– tuna pessoal , a degradação do seu nível de vida cria situações de sobre– vivência digna manifestamente im– possíveis . pois um dos almirantes , reforma– do já há largo tempo , era dos que, como referi , escondia a idade que atingira mostrando uma juventude relativa que a todos surpreendia. aconteceu que, de uma das ve– zes que um çonhecido o fel icitava por essa razãõ , não se conteve que não respondesse: - você quer saber todo o segre– do deste ar moço que o impressio- ' na? e, perante a expressão interroga– tiva do outro , explicou : - é que estou a ganhar como ... capitão-tenente!.. . . o outro caso culminou diferente– mente. do mesmo modo os longos anos acumulados e, num equívoco, o mesmo semblante fresco e o mes– mo aprumo físico enganadores da realidade . com este , ainda, que era magro e alto, de tipo louro e olhos claros , melhor a idade se diluía na le– veza moça do aspecto. as observações lisonjeiras para caril este almirante eram, assim, mais frequentes . e, certa ocasião , talvez já cansado de ouvir pela milé– sima vez o louvor da sua juventude , não resistiu: malicioso , com um sorri– so irónico que lhe entreabria ligeira– mente os lábios finos, retorquiu : - ora! você diz isso porque.. . não dorme comigo!. .. silva braga, v a1m.</Page><Page Number="19">.ti'" • i i educa ão desporto tiro de 22 a 30 de setembro realizou– -se, em ciestal , suíça, o xxvi cam– peonato de tiro do cism - conse– lho internacional do desporto militar. a delegação portuguesa integrou uma equipa de pistola, constituída pelos cap.-frag. ferreira neto (trei– nador) e quatro atiradores, entre os quais o cabo martins, da armada. a este atirador da marinha, as nossas saudações pelos seus 569 pontos simultaneamento obtidos nas provas de 25m uit e 25m velocida– de militar . realizou-se em 17 e 18 de no– vembro o ii torneio de tiro com pis– tola da tap-air portugal. con– correu uma equipa do cefa, que se classificou em 1. lugar nas provas de pistola livre (1607 pontos) e pisto– la de pressão de ar (1125). parabéns à equipa, que era for– mada pelos cap .-frag . neto, cap.– -ten . allen , cap.-ten . rua e sarg . ne– ves . um destaque muito especial para o cte. allen que se classificou em primeiro lugar nas duas provas. remo no dia 7 de novembro, o coman– do do corpo de fuzileiros organizou a xi prova de remo em botes. no cais do grupo n.0 2 de escolas da ar– mada, no alfeite , alinharam 29 em– barcações tripuladas por 203 con– correntes , pertencentes a 7 unida– des. chegou em 1. lugar a equipa do batalhão de fuzileiros n .o 1, chefiada pelo 1 .o -sarg . fz lopes , cobrindo a distância até à escola de fuzileiros , em vale de zebro , em 1 h 46m e 48s. pentatlo naval entre 12 e 16 de novembro, de– correu na escola de fuzileiros a pri– meira versão integral do pentatlo na– val , modalidade que se pretende im-remo embotes- rio abaixo. torneio de judo. pentatlo naval -prova de marinharia. corta-mato - pelamata do alfeite. plantar como forma de treino físico da manutenção militar-naval. lamentamos a diminuta adesão a esta prova, pois tendo-se iniciado com 13 concorrentes , chegou ao fi– nai apenas com 6. as nossas felicitações ao 1.– -mar fz aroeira, da uama (unidade de apoio de meios aquáticos) , que se classificou em 1. lugar com 3011 pontos, marca que fica a constitui r o primeiro recorde nacional de penta– tlo naval. judo disputou-se no cefa, em 21 de novembro, mais um torneio aberto com a participação de 51 judocas, re– presentando a armada , a força aérea e a guarda fiscal. foram vencedores nas catego– rias indicadas: menos de 65kg - cabo da fa pires ; menos de 71 kg-ten . da fa maldonado; menos de 78kg - 1. 0-mar . graça ; mais de 78kg-1 .o caboda fa boto. parabéns à força aérea. corta-mato na base naval de lisboa, no ai– feite , efectuou-se , em 23 de novem– bro , o corta-mato da armada de 1984, em que participaram 55 atletas em representação de 18 unidades. a prova disputou-se em dois es– calões , cujos vencedores foram: 1. escalão - 1.o_gr. co pinto, da esta– ção radionaval «almirante ramos perei ra»; 2. escalão -1 .o-sarg .. ce costa, do grupo n .o 2 de escolas da armada. lamentamos a fraca participação nesta prova. medeiros de almeida. 1. "-ten. seg 17</Page><Page Number="20">enegashima : continuam a disparm-se arcabuzes levados pelos portugueses em 1543, tal como no centro espacialnasda (natio– nal space development agency ofjapan) se lançam foguetões. na composição fotográfica vêem-se, na parte superior, japoneses tra-jados à época com os arcabuzes de 1543, tendo como fundo o navlo– -escola "sagres}} (foto de eduardo tomé, do "diário de notícias}}) ; na parte inferior, a torre móvel de 14 andares e o pilar de lançamen– to donasda (foto reproduzida de "kawasaki topics )} -1975). «japão: da esapingarda ao computador» reportagem duma mostra no museu de marinha receio que alguns leitores me considerem um obceca– do, tanto me repito na evocação do nipão. todavia, é tema em que não me encontro só, já que um membro emérito da academia de marinha - embaixador dr. virgílio armando martins janeira - com muito mais razões e merecimento, no-lo tem lembrado em livros e na imprensa, onde, a propó– sito da última visita do navio-escola «sagres)), dizia (') : 18 a acção portuguesa no japão é muito mais conhecida dos japoneses que dos portugueses. e hoje os grandes his– toriadores das relações entre os dois países são japoneses, porque em portugal não existe um só. do meu ponto de vista, e provavelmente dos que conhe- (' ) " marinheirosportuguesesno japãolj , (" dnij de 7-12-83).</Page><Page Number="21">cem a sua obra, sem lisonja, considero esse ilustre membro da nossa academia excepção àquela regra, por o reconhe– cer como um desses historiadores. quanto à «sagres», destaco a singularidade do «diário de notícias» ter acompanhado com especial interesse a sua última viagem de circum-navegação e enviado ao japão os jornalistas rosa dias e fotógrafo eduardo tomé - este o expositor daquela mostra - cujo entusiasmo ficou patente nos artigos e suplementos do jornal, que constituem precio– sa lembrança da actualidade japonesa que eu não voltei a ver. na secção «reportagem» do número de outubro de 84, esta revista fez alusão a essa exposição. congratulo-me por ter estado presente no acto da inauguração e voltei lá depois, para saborear demoradamente as imagens expos– tas, talvez por ser do tempo em que se namorava em d:!ca– to, longe das vistas . das palavras então proferidas pelo almirante cema, permito-me destacar a seguinte pass·agem: se, para reforço da aproximação do japão com portugal for necessária ajuda, digo-lhe senhor embaixador, que pode contar com a marinha. o embaixador do japão, dr. fumya okada, por seu lado, afirmaria que essa exposição era a maior do género que até hoje se efectuou nopaís. quanto ao expositor, disse ser a forma de sensibilizar as pessoas de que a grande potência económica e industrial que é o japão, está receptiva a tudo o que é português, pelo profundo conhecimento e respeito que têm pela história comum dos doispaíses. tenho aqui apontado nomes de heróis, santos, sábios e mártires - andré pessoa, francisco xavier, fernão men– des pinto, luís de almeida, joão rodrigues, diogo de car– valho, etc. - que são «figuras de silêncio» (2), representa– das num monumento do nosso pavilhão da exposição inter– nacional de ósaca (1970), que foi oferecido à cidade de na– gasáqui. sentimentalmente, em ambas as histórias, houve tam– bém portugueses atraídos pelo encanto das mulheres japo– nesas - da lendária wakasa, que o pai trocou pelos segre– dos da execução dos fechos de serpentina da arcaica arma «teppô», até à frágil ó-yoné que enfeitiçou wenceslau de moraes e ko-haru cujas cinzas estão juntas com as dele, no sepulcro dum templo budista de tokushima. a mostra fotográfica do museu de marinha exibia cerca de 150 ampliações a cores - imagens inéditas, belas e exó– ticas - além de vitrinas com peças do museu e cedidas pela embaixada do japão, destacando-se arranjos florais e a gentil colaboração da respectiva embaixatriz. os japoneses e portugueses expuseram, com agrado, a medalha da or– dem imperial meiji (tesouro sagrado do japão) concedida em 1930 ao capitão-de-mar-e-guerra joão carlos da silva nogueira, durante uma viagem ao japão no cruzador «ada– mastor», como homenagem à sua decisão de exigir a saída da esquadra russa da baía dos tigres, em angola, em 1904, quando comandava a canhoneira «limpopo» - é que o ja– pão nunca esquece quem o respeita e benilficia. além desta condecoração , tão apreciada, expunham-se outras peças do museu, como a réplica do astrolábio da «madre de deus»; o elmo ornamental dum guerreiro japonês (cabuto), oferecido em nagasáqui à «sagres» , em 1978, após 340 anos de ausência; duas espingardas «teppô», oferecidas por um embaixador de portugal em tóquio; duas armadu– ras de guerreiros ; um biombo «namban»; um «soroban» (ábaco) ao lado duma máquina «keisaki» electrónica de cal– cular.. . daí parecer-me necessário e justo que esse aconteci– mento fique arquivado nas páginas desta revista. aos que (' ) livro de martins janeira (lisboa, 1981). não visitaram a exposição, vou dar uma visão do que foi o seu encadeamento de imagens, pelas quais o expositor se revelou tão tocado pelo sortilégio japonês como eu. no catálogo da mostra, o director-adjunto do «diário de notícias» (3) dizia : eduardo tomé esteve embarcado, de ósaca a nagasá– qui, passandopor tanegashima, no nosso veleiro-embaixa– da, cuja importância nem sempre tem sido reconhecida. ele fez o seupróprio itinerário ((pordentrojj do japão. a visita à exposição é obrigatória para quem queira ac– tualizar os seus registos visuais sobre umpaís que tecnolo– gicamente ((já mudoujj de século, semperder a alma. no que particularmente respeita à «sagres» , expu– nham-se três dezenas de fotografias, das quais destaco os seguintes aspectos: visto pelo través, o veleiro-embaixada navegando, do– nairoso, a todo o pano, com a beleza imposta pelas suas cru– zes de cristo, mastreação e massame ; aspecto nocturno, definido pela iluminação de gala; vista de popa, a todo o pano, adornado para eb, aproveita o ló chegado ao vento para entrar no porto de ósaca, maravilhando 200mil expec– tadores que assistiram ao cortejo naval, além dos milhões que o seguirampela televisão - diz a reportagem do «dn» ; instantâneos da vida a bordo - da botica à cozinha e ao gurupés; cerimónias ·em que participou a guarnição : em ósaca - o comandante recebendo a bordo crianças das es– colas japonesas, autores das melhores composições escri– tas--sobre a história comum do japão e portugal; aspectos de casamentos shintoístas japoneses, celebrados a bordo; imagem insólita de milhares de vjsitantes subindo a pran– cha, passada do navio ao cais; marujos da «sagres» assi– nando autógrafos, a bordo e na rua; a multidão com carta– zes representando o navio; um sorridente e bigodudo mari– nheiro com uma admiradora do seu exotismo namban - que foi fotografia de capa dum suplemento a cores do «dn»; aspectos duma mostra fotográfica do mundo que os portugueses criaram, exposta no andar nobre do castelo de ósaca; o adeus das rflparigas, no cais, podendo ler-se um cartaz que dizia : good luck everybody! to mr antónio ro– sado and josé castilho... em kobe -.,- coloclção duma placa no monumento evocativo de moraes, dizend? : homena– gem da marinha (outono de 1983). wenceslau de moraes da armada portuguesa, viveu e morreu no japão, que a sua alma cantou para a eternidade (ficou, assim, a haver uma inscrição nesse monumento na língua em que o incompará– vel escritor redigiu os seus livros que, até aí, só estava refe– renciado em japonês e inglês); bandeira nacional, que per– tenceu ao escritor e foi oferecida ao museu da cidade pelo seu afilhado e actual vice-cônsui de portugal em kobe . em nagasáqui - cerimónia em honra do navio, com os oficiais em formatura ; tambores nativos no cais , à despedida. marcando a chegada dos portugueses à ilhota de tane– ga (tanegashima), no século xvi, uma dezena e meia de fo– tografias mostrou-nos os monumentos, o museu, as suas gentes e festivais, que ainda os recorda, constituindo as suas mais fundas e duradoiras tradições - embora exista hoje nessa ilha o ultramoderno centro espacial do japão (nasda) . deste conjunto destaco : cabo kadokura (local do desembarque dos primeiros namban, assinalado por uma inscrição japonesa ; monumento evocativo dos primeiros bacamartes - com a forma duma bala, no parque público wakasa; monumento dos navegadores portugueses, pro– vindo da exposição internacional de ósaca (1970) e ofereci– do a tanegashima ; aspecto exterior do museu de nishino– -omote, lembrando as formas duma nau; sala de projecções da reconstituição cinematográfica da chegada dos portu– gueses ; relíquia, na forma de crucifixo, que esteve oculta enquanto o país se fechou ao contacto com e do exterior (' ) dinis de abreu. 19</Page><Page Number="22">1640-1853); cerimónia bienal do disparo das arcaicas ar– mas «teppô)); dança tradicional (teppô ondo); raparigas conterrâneas da famosa wakasa, que um tanto melodrama– ticamente, à maneira da madame butterfly de pucini, se despenhou duma fraga no mar, enquanto aguardava o re– gresso do seu marido «namban)) e do seu filho. relativamente a aspectos e personalidades do actual japão, por dentro, destaco as seguintes imagens: em tó– quio -'retrato do padre (s.j.) jaime coelho, professor da universidade de sophia, que apronta o primeiro grande di– cionário japonês-português; restaurante nazaré, do casal luso-nipónico acácio miguel-mizuka tachihara, que sei es– tar quase sempre cheio de turistas japoneses que visitaram portugal; o comboio shinkasen (comboio-bala) atravessan– do a cidade dos arranha-céus; guinza (o chiado de tóquio) , artéria histórica e central da cidade; sinjuku, o mais moder– no bairro de tóquio , com prédios de 50 andares; o afadiga– do metropolitano; as ruas subterrâneas; passeantes com voluntárias mordaças para não contaminar o semelhante com suas constipações ... em ósaka - instantâneos da rua (coloridos quimonos de mulher, em dias festivos); aspectos típicos de restauran– tes, com pitorescas formas exteriores; moderno estúdio da televisão (nhk) . em quioto - templos , bonzos budistas e sacerdotes shintoístas, estátuas ferozes de remotos guardiões de tem– plos, jardins famosos. em nara - templo e estátua do grande buda, parques e veados - aspectos do milenário japão. em nagasáqui - monumento da paz, no ponto de que– da da segunda bomba atómica - símbolo do holocausto do militarismo nipónico, precedente maldito da teia do terror de nova guerra. junte-se a tudo isto unia colecção de imagens de costu– mes tradicionais, ainda em uso (alimentos, instrumentos musicais, etc.) e deavançadas indústrias: cerimónia do chá, alimentos peculiares (sukiaki, tempora, sushi) e casutera (bolo de nagasáqui); os lutadores mastodônticos do «sumo)); o shamisen e o koto que animam as festas; os in– findáveis estabelecimentos de máquinas de jogo (vício do pachinco); furnas sulfurosas; e, finalmente, a atracção da juventude pelos microcomputadores e as fábricas robotori– zadas de construção de automóveis .. . o que se poderá fazer pelos novos filatelistas? para concluir esta breve reportagem, ainda direi que o «dn)) informou que esta mostra seria montada no porto – cidade irmã de n agasáqui; quando a "sagres» regressasse do canadá, repetir-se-ia a bordo, com o navio aberto ao pú– blico; em meados de dezembro seria exposta na gulben– kian, percorrendo depois várias cidades do interior. isto leva-me a concluir que a «sagres)) e a sua guarnição foram bons embaixadores de portugal no japão - como lhes exigiu o chefe do estado, à partida, pelo que o seu es– tandarte mereceu uma condecoração, à chegada. eduardo tomé trouxe-nos imagens notáveis, pelas quais a marinha lhe deve estar grata. porém, como viveu aquela guarnição esses dias eufóricos? no atrás aludido artigo, o embaixador martins janeira afirmava: um velho marinheiro curtido e experimentado no m ar, conhecedor de gentes de muitas terras, exprimia com es– panto: " nunca vi nada como isto». e um marinheiro jovem, impressionado e comovido, completava: "o povo do japão é um dos melhores do mundo» . esta opinião fora também a de s.francisco xavier, expressa numa carta de kagoshi– ma, de 1549. um amigo meu, que estagia no japão , escreveu-me di– zendo: depois da partida da "sagres)), mais uma vez fui sol icita– do por raparigas para escrever cartas, em português, para marinheiros, chegando-me ao ouvido que al gumas houve que viajaram até singapura para uma derradeira despedi– da .. . razão, pois , teve o prof. verissimo senão quando evo– cou camões como espelho de todos nós, dizendo aos brasi– leiros: o coração lusíada ficou em p edaços pelo mundo reparti– do, na aproximação de corpos e almas com os povos ultra– marinos. nesta apoteose da «sagres)) a trevo-me a pedir à su a guarnição: vinde contar-nos nesta revista como vos impressionou o japão! lembrem-se que, dificilmente, voltarão a v iver outra oportunidade tão empolgante. viriato tadeu , cap. -frag. emq filateli se admitimos que a filatelia con– duz ao enriquecimento cultural, não devemos deixar de fazer alguma coi– sa para que os coleccionadores de selos, principalmente os mais jo– vens, sejam positivamente encami– nhados para esta prática em que acreditamos. em todas as exposições e mos– tras filatélicas aparecem muitos jo– vens m'anifestando vontade de trans– formar em trabalhos filatélicos com pnnclplo, meio e fim, os selos que possuem, às vezes mal tratados . o entusiasmo leva-os a convencer os familiares mais capazes de os ajuda– rem, em termos de dinheiro, a adqui– rir o material que consideram essen-' cial para o arranque definitivo da em– brionária colecção . compram então a lente , a pinça , a guilhotina, o odontómetro e até mesmo um caro classificador (pequeno armazém para selos) , destinado a guardar as peças filatélicas que, por posterior quebra de entusiasmo , não chegam a ter. gastam assim algumas cente– nas de escudos, mas falta-lhes aqui– lo que consideramos fundamental , ou mesmo indispensável, para um salutar empreendimento. realmen– te, apesar da liberdade que entende– mos dever existir na escolha e cons– trução dum trabalho onde fique bem patente um cunho pessoal, o tipo de orientação pode fazer com que se 20</Page><Page Number="23">anhe, ou perca para sempre, um bom filatelista, tão necessário à con– tinuação duma brincadeira respon– sável como deve ser a verdadeira fi– latelia. estaremos nós, mais ou menos responsáveis pela transmissão des– te agradável passatempo, a fazer o nosso melhor no sentido de propor– cionar uma eficiente informação? não deveríamos ter já encontrado outras formas , passando mesmo pela sensibilização da estrutura es– colar, para a resolução dum proble– ma que parece, nos tempos que cor– rem, carecer duma componente aca– démica? aqui fica, pois, uma grande dúvida, e oxalá ela encontre entre to– dos nós a mais adequada resposta. as novas emisões de selos portugueses xxv aniversário do rali da madeira - o club sports da madeira, para comemorar o seu 50. 0 aniversário , levou a cabo, a 19 de ju– nho de 1959, a 1.a volta à ilha da ma– deira em automóvel. aquela prova competitiva foi ganha por josé ber– nardino lampreia, em mga, e desde então até 1977 muitas vezes o pri– meiro prémio foi alcançado por parti– cipantes portugueses. a beleza · da paisagem da ilha, bem como as características do aci– dentado terreno onde se efectua a prova, fazem com que o rali da ma– deira, também conhecido por rali do vinho da madeira, se revista dum, cada vez maior, entusiasmo. a dureza de tão espectacular realização faz vibrar quantos, natu– rais da ilha ou visitantes, assistem ao desenrolar daquele já tradicional acontecimento desportivo. ali são vi– vidos momentos que muito têm con– tribuído para a projecção daquela encantadora pérola do oceano. é uma das provas do campeonato de ralis europeus, e a sua qualidade tem feito com que lhe seja atribuída uma pontuação com o coeficiente 4, o mais elevado neste tipo de realiza– ções . os ctt, assinalando as bodas de ouro do periódico e tão significati– vo evento, emitiram, a 3 de agosto de 1984, os dois belos selos, que re– produzimos, com as taxas de 1600 e 51 00 . os selos , assim como o res– pectivo carimbo de 1. 0 dia de circula– ção, são um bom contributo para a elaboração dum trabalho filatélico sobre desporto. insectos dos açores (1. 0 grupo) - uma grande parte dos in– sectos desenvolve a sua actividade sem que os olhos humanos se aper– cebam de tão minúscula existência. mas há alguns que , por terem maio– res dimensões, ou ainda pelo aspec– to, mais ou menos agradável, im– põem facilmente a sua presença. sabe-se que nos açores há cer– ca de 1400 diferentes espécies des– ses pequenos animais, e que estão agrupados num número considerá– vel de ordens e famílias. enquanto alguns insectos são nocivos, uma grande percentagem é útil, principalmente no equilíbrio bio-lógico, ainda que seja pouco visível a sua acção benéfica. algumas emissões de selos refe– rentes a animais e plantas , a par de darem a muitas pessoas a possibili– dade de conhecer espécies que sempre estiveram fora do seu alcan– ce directo, chamam a atenção para a tão frequente ameaça de extinção. a 3 de setembro último os ctt emitiram, numa primeira fase, a série que reproduzimos , com as seguintes taxas : 1600, onde se pode ver a megabombus rederatus, da ordem hymenoptera e da família apidae; 3500, ilustrando a pieris biassicae, variedade azorensis (açoriana) , da ordem lepidoptera e da família pieri– dae ; 4000, onde se mostra a chry– somela banksi, da ordem coleoptera e da' família chrysomelidae; 5100, com a phlogophora interrupta, da or– dem lepidoptera e da família noctui– dae. os selos e o carimbo de 1. 0 dia de circulação são um bom incentivo para se iniciar um estudo filatélico re– lacionado com a vida animal. marques curado, 1. o,ten. sg 21</Page><Page Number="24">avio-balizador «schultz xavier» foi construído no arsenal do alfeite , tendo sido au– mentado ao efectivo da armada em 1972. unidade naval destinada a trabalhos de farol agem e balizagem, reboque e transporte de materiais , etc. , para os quais dispõe de um guindaste eléctrico de 12 toneladas e dois paus de carga de 1,5, dispositivo e cabo de reboque. tem um porão com a capacidade de 120 ton./331 m 3 e ou– tro para 150 garrafas de aq:tilere . características gerais: deslocamento máximo, 1051 ton . ; comprimento de fora a fora, 56,20m; boca, 10,20m; calado máximo, 3,60m; pontal, 4,80m; altura do mastro, 11,60m. aparelho propulsor: dois motores diesel man, tipo g8v 30/45 atl, de 1700cv cada. combustível: gasóleo. velocidades: máxima, 16 nós com uma autonomia de 2000 milhas ; económica, 12,5 nós e 3000 milhas de auto– nomia. energia eléctrica: dois motores-geradores de 440v, trifásica,- de 250kva cada; outro de 440v, trifásica , de 110kva (emergência) . armamento: um reparo duplo de metralhadoras oer– linkon mkii. equipamentos: radar de navegação; transmissores , receptores, transreceptores e teleimpressora de comuni– cações ; receptor loran ; radiogoniómetro , girobússo– la; sonda e odómetro . guarnição : 4 oficiais, 8 sargentos e 39 praças. 22 patrono: contra-almirante júlio zeferino schultz xavier nasceu em alhandra no dia 4 de outubro de 1850. foi incorporado na marinha de guerra em 1890, tendo atin– gido o posto de contra-almirante em 1911. passou à situa– ção de reformado em 1922. possuía o curso de engenheiro hidrógrafo . foi autor do plano de farol agem e balizagem da costa de portugal e, devido à sua actividade neste campo, a área marítima continental deixou de ser conhecida por a costa negra. igualmente , elaborou o plano de farol agem da cos– ta de moçambique. na sua brilhante carreira comandou a corveta «rai– nha de portugal» e a canhoneira «d. luís»; a bordo do «lidador» procedeu a importantes trabalhos hidrográfi– cos; chefiou a divisão naval do índico (1907) e a divisão naval de instrução e manobras (1913) . exerceu os cargos de subchefe do estado-maior naval (1898) e de director– -geral de marinha .(1914) . antes, porém, tinha dirigido , durante vários anos , o serviço de faróis , tendo presidido , nesta qualidade , a importantes missões. representou o nosso país no coj!gfesso de marinha in– ternacional (1904) e presidiu à comissão que estudou e elaborou o plano de construção do arsenal do alfette (onde viria a ser construído , meio século mais tarde, o na– vio com o seu nome), tendo, também, presidido a uma co– missão de delimitação de fronteiras . além de outras condecorações , era grande oficial da ordem militar de avis . faleceu em lisboa , com a idade de 90 anos incomple– tos (24-11-1939). m. horta, sarg.-aj. l</Page><Page Number="25">quilo que agente não esquece (6) no saco dos cangurus a fragata «comandante joão belo», nessa altura no– vinha em folha, fazia a sua comissão em moçambique. vi– sitei-a na páscoa de 1969, aquando da visita pastoral do ca– pelão-inor das forças armadas, d. antónio dos reis ro– drigues, àquela antiga província ultramarina. acompa– nhei o insigne purpurado castrense nas suas visitas ao niassa, nampula, porto amélia e beira. e foi aqui, na beira, que me encontrei com a guarnição da «comandan– te joão belo», à frente da qual estava o.então capitão-de– -fragata leonel cardoso. sei que fiz ao pessoal duas ou três palestras àcerca do significado da visita do senhor bis– po, chamando-lhe a atenção para a quadra festiva que se vivia, a páscoa, e preparando-o para tomar parte na co– munhão pascal a que o prelado presidia na catedral da ci– dade da beira. um valente grupo de rapazes da guarnição tomou par– te activa nas referidas solenidades, e a sua presença foi de tal maneira benquista e apreciada que o senhor bispo fez questão de se fotografar com o grupo. não sei porquê, talvez pelo êxito e pelo brilho com que o pessoal da «comandante joão belo» se comportou, o seu comandante fez-me um desafio: - não quer vir até à austrália connosco? na realidade, já ouvira dizer que a fragata ia à austrá– lia, não se sabendo ainda a data da partida. isso não esta– va em causa. o que estava em causa era dar uma resposta a "comandante joão belo» entra no porto de sidney. ao comandante que, com o seu convite, parecia perguntar a um cego se quer ver. quem me dera, disse-lhe eu, mas isso não depende de mim. o tempo passou-se. quase um ano. e em janeiro de 1970, com grande admiração do comandante e da própria guarnição, lá estava eu a bordo para seguir para a austrá– lia que, nesse mesmo ano, celebrava o bicentenário da sua independência. da vida a bordo, excelente, recordo-me duma proeza de que fui protagonista. muitos dos elemen– tos da guarnição que ainda hoje encontro, recordam-me isso mesmo. sempre que vejo o engenheiro martins go– mes, o comandante bola, o chefe albino leitão e muitos outros, lá vem a questão à baila. não havia noite naquele navio que não houvesse festa. o meu acordeão dava uma ajuda . só que, a meio da festa fazia-se um intervalo para rezar o terço. da meia centena que sempre estava presen te ninguém arredava pé. todos rezavam. depois, a festa continuava. e vá lá a gente dizer que o homem do mar não é religioso! é-o tanto ou mais que os outros. e, com música, é-o forçosamente. mas, deixemos a vida a bordo, cansativa e incómoda como a de todos os navios. passou-se ao largo das ilhas de diego garcia, em di– recção a macau e hong-kong. depois, ao largo das filipi– nas e indonésia, em direcção a timor e austrália. desta 23</Page><Page Number="26">tafulhando no «saco» da coberta ou do camarote os últi– mos «recuerdos» adquiridos. dez horas. ainda não é possível a partida. a guarn i– ção está depauperada e nos postos de faina fazem falta elementos indispensáveis. da hesitação passa-se à certeza. da ponte ao convés há já conversa aberta sobre o assunto. contudo , mais uma hora. e agora sim, é meio-dia, é hora da largada. a van te e a ré há movimentação. largam-se os cabos . o bispo de madarsuma, capelão-mar das forças armadas, com elemen– tos da guarnição da fragata «comandante joão belo». o navio vai-se afastando daquela terra de maravilha , da– quela austrália que tão bem nos recebe , e na told,a, pers– picaz e zombeteira, ouve-se a voz dum marújo: aqueles, referia-se a quantos ficavam em terra , já ninguém os apa– nha. a estas horas estão no saco do canguru. nação, a fragata tocou diversos portos: darwin, brisbane, sidney, perth e' fremantle. havemos de, em ulteriores apontamentos, referir-nos a belos episódios da viagem. tinha razão o marujo. realmente, nunca mais nin– guém osviu. hoje, vai um , acontecido mesmo no dia da largada da austrália . aquela «malta» tinha gostado imenso da estadia. óptima recepção, caras bonitas, gente aberta , povo rico e educado, possibilidades de emprego e dinheiro, tudo isso constituía chamariz para a rapaziada da fragata . só muito , muito mais tarde , alguns ousaram aparecer de novo nas vielas lisboetas. porém , um pouco diferentes. com uns cobres, mulher e filhos atrás, e muita coisa para contar. a vida é assim, como diziam as figuras das teleno– velas brasileiras. de vez em quando ia-se sussurrando entre a gente res– ponsável do navio: isto vai ser um problema. já se antevia que alguma coisa iria acontecer. e aconteceu mesmo . e até dá gosto , para quem conta e para quem ouve , para quem vive e para quem vê, saber que a vida é feita destas proezas. nove horas era o momento da largada. não foi possí– vel. o comando concede mais uma hora, pois faltavam dez elementos a bordo. e, vá que não vá, uma hora é coisa passageira e até dá jeito para o último adeus de despedida a quem fica no cais, um último abraço a quem provavel– mente nunca mais se verá, enfim, uma hora propícia para alguns que não tendo no cais a quem dar um aceno, vão o canguru, animal típico da austrália , não escapou à argúcia do marujo português e serviu-lhe, a ele e a mim , para falar de alguns homens que, embora gostando da marinha, se deixaram apaixonar por uma terra extraordi– nária, a austrália. cadetes do curso «conde de s. vicente» em fai– na de mastros. 24 viagem de adaptaçao de cadetes após cerca de dois meses de laborioso processo de selecção, que culminou com seis semanas de instrução militar básica, duas das quais na escola de fuzileiros , dos 375 candidatos à escola naval , foram apurados 70 cadctes para a classe dc mari– nha, 8 para a de engenheiros maquinistas navais e 6 para a de administração na– val os quais passaram a constituir o curso «condc dc s. viccntc» cm homcnagem ao primeiro comandante da companhia de guardas-marinhas e da academia real dos guardas-marinhas. o baptismo de mar dos novos cadetes foi feito a bordo do navio-escola «sagres» no período compreendido entre 18 de outubro e 2 de novembro, tendo o navio escalado o porto do funchal, onde per– maneceu durante quatro dias, e fundeado ao largo de lagos e sesimbra. durante a viagem de adaptação, para além das instruções de regulamentos, ma-de/mar barreiros, capelão graduado em cap. -ien. em rinharia, saúde naval e treino de baleei– ras, os cadetes participaram activamente nos serviços de bordo, nomeadamente nas fainas de mastros. os novos alunos, tal como já vem acontecendo nos últimos anos, foram acompanhados, para além dos instrutores da escola naval, por uma delegação da 7." repartição da direcção do serviço do pessoal. que cm sucessivas entrevistas de grupo confirmou a determinação e empe– nho dos novos marinheiros, para o que muito contr!buiu, pelas suas característi– cas c vocação. o navio-escola «sagres». ••••••••••••••••••••</Page><Page Number="27">avios de guerra estrangeiros em outubro último visitaram vários portos do continente navios de guerra do canadá, espanha, frança, holanda e reino unido. \ no mesmo mês, aportaram ao fun– chal , em visitas de rotina, o guarda-costas «hec\a», da royal navy, e o submarino francês «flore» , comandados pelos capi– tão-de-fragata hearsey e capitão-tenente olivier, respectivamente, com 226 ofi– ciais, sargentos e praças de guarnição, na totalidade. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• convívio da guarnição (1960-62) do «gonçalves zarco» no passado dia 27 de outubro, na messe do comando das instalações na– vais de alcântara (cina) (antigo quar– tel de marinheiros), realizou-se o 8. al– moço de confraternização da guarnição de 1960-62 do aviso «gonçalves zarco» e que assinalou o 22 ." aniversário do termo da comissão de serviço no extremo oriente . compareceram neste convívio , que decorreu num ambiente de alegria e de cordialidade, cerca de metade dos ele– mentos que fizeram parte daquela guarni, ção, muitos dos quais vindos dos mais va– riados pontos do pís, alguns deles acom– panhados de familiares . dos ausentes fo– ram recebidas' muitas saudações, justifi– cações e promessas de próxima compa– rência. durante e após o repasto, mais uma vez foram recordadas as mais destacáveis peripécias ocorridas durante a comissão de mais de dois anos, durante a qual se ci– mentaram fortes amizades. pela guarnição foi oferecida ao seu an– tigo comandante, vice-almirante fragoso de matos , uma artística medalha de bron– ze, mandada cunhar para comemorar o 20." aniversário da passagem do tufão «wanda»- o mais violento dos que asso– laram hong-kong - onde todos numa excelente conjugação de esforços conse– guiram salvar o navio , possibilitando a sua manutenção ao serviço da armada, facto decisivo que muito contribuiu para estreitar definitivamente os laços de ami– zade e companheirismo, de respeito e de consideração, entre todos os que tiveram oportunidade de participar nesse ines– quecível episódio naval. os convivas não esqueceram de agra-decer ao comando e ao pessoal da messe do cina as facilidades concedidas, bem como à «revista da armada» o apoio dado para a realiz"ação destes convívios. mais foi decidido que, em princípio , o próximo almoço será efectuado no mes– mo local , no di a 26 de outubro de 1985 . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 5. a reunião das autoridades marítimas no edifício da marinha, em lisboa , o almirante sousa leitão, chefe do estado– -maior da armada, presidiu, no dia 7 de novembro findo, à sessão inaugural da 5. a reunião anual das autoridades marí– timas nacionais. naquela sessão, o almirante cema dirigiu algumas palavras aos oficiais pre– sentes - chefes de departamentos marí-timos (cargo que passou a dispor de enor– me projecção pela actual legislação) e ca– pitães de portos de todoo país, entre ou– tros - afirmando que o governo ao pro– mulgar o diploma que cria o sistema da autoridade marítima e ao 'definir as áreas de competência dos departamentos go– vernamentais com este sistema re!aciona– dos, criou o travejamento icgal adequado 25</Page><Page Number="28">o funcionamcnto harmónico e coerente dos órgãos do estado ligados às activida– des que têm o mar por cenário. assim, competirá à marinha garantir o cumpri– mento da lei nas águas marítimas de juris– dição nacional. segundo tal conceito, disse ainda o al– mirante sousa leitão , incumbe à mari– nha a nobre missão de fiscalizar, no âmbi– to nacional, todas as actividades maríti· mas de uma forma eficaz, justa, indepen dente e universal. està reunião, que teve a colaboração de elementos do estado-maior da arma– da, do instituto hidrográfico e do co– mando nava l do corítinente, prosseguiu sob a orientação do vice-almirante cruz júnior , director-geral de marinha (desig– nação que substituiu a de director-geral dos serviços de fomento marítimo), e destinou-se a fazer o balanço de um ano de actividade, além de permitir o estabe– lecimento de doutrinas sobre toda a vasta gama de assuntos que as autoridades ma– rítimas têm de controlar e fiscalizar e que , debaixo das grandes temáticas da segu– rança marítima e. da poluição marinha, vão desde a defesa do domínio público marítimo, às pescas, à marinha mercan– te, ao turismo , às praias e tantas outras actividades. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• visita do cema de espanha o almirante guillermo de salas car– denal, chefe do estado-maior da armada espanhola, visitou o nosso país, de 7 a 9 de novembro, a convite do seu homólogo português, almirante sousa leitão. após a sua chegada a lisboa, o ilustre visitante esteve no edifício da marinha, onde foi recebido pelo almirante cema que estava acompanhado pelos vice-al– mirante serpa de vasconcelos e contra– -almirante alves sameiro, vice e sub cema, respectivamente, tendo-lhe sido prestadas as honras militares da orde– nança por uma companhia de fuzileiros, com banda e bandeira. a seguir, o almi– rante sousa leitão, em nome do presi– dente da república, impôs ao almirante salas cardenal a grã-cruz do mérito mili– tar. depois, esta alta entidade da armada espanhola assistiu, no estado-maior da armada, a uma exposição sobre ' as mis– sões e organização da nossa marinha e teve conversações com o almirante cema. neste mesmo dia, o visitante apresen– tou cumprimentos ao secretário de esta– do da defesa nacional, dr. figueiredo lopes, em representação do respectivo ministro, e ao chefe do estado-maior– -general das forças armadas, general lemos ferreira . na parada do edifício da marinha . o almirante salas cardenal passa revista à gllarda de honra . durante a sua estadia entre nós , o chefe da marinha do país vizinho visitou o instituto hidrográfico e deslocou-se ao alfeite, onde esteve no comando naval do continente, no corpo de fuzileiros e na esquadrilha do submarinos. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• os memhros do cllrso "d. folio i»com o almirante cema. 26 bodas de prata do curso «o. joão i» os componentes do curso «d.joão i» comemoraram , no passado dia 9 de no– vembro, o 25." aniversário do seu ingres– so na escola naval. após a apresentação de cumprimen– tos ao almirante sousa leitão, chefe do estado-maior da armada, os antigos alu– nos daquele curso seguiram para o alfeite onde cumprimentaram o comandante da escola naval, contra-almirante fuzetada ponte, descerraram uma lápide comemo– rativa no átrio do edifício do corpo de alunos e assistiram a uma aula evocativa dada pelo vice-almirante machado e moura, antigo professor de comunica– ções do curso.</Page><Page Number="29">noite, na messe da escola, reuni– ram-se num jantar de confraternização que teve a presença, além do comandante daquele estabelecimento de ensino da armada , dos antigos professores do curso . para assinalar a efeméride foi cunha– da uma medalha de que foram oferecidos exemplares ao almirante cema, ao co– mandante da escola e aos antigos profes– sores. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• a marinha na expomar 84 subordinada ao tema «a instrução na armada», a marinha de guerra esteve presente na expomar 84, realizada na feira internacional de lisboa, de 16 a 25 de novembro, onde ocupou uma área de loo,ln' em que se podiam observar as acti– vidáçies das diversas escolas da armada, nprrtcadamcntc da escol.a naval. dos gru– pos n.' 1 e 2 de escolas da armada e da escola de fuzileiros. quis a armada, com esta exposição, mostrar à população portuguesa o impor– tante e inegável contributo que continua a dar ao país nas áreas educacional e téc– nico-profissional. com efeito , a preparação técnico-pro– fisllonal ministrada na marinha conta hoje, em vários espaços, com os mais avançados mcios tecnológicos, designa– damente a informática (com a crescente inserção do pessoal das técnicas de pro– gramação e operação prática de micro– -computadores), simuladores (área de máquinas, navegação e táctica naval) e meios audiográficos visuais e sistemas de vídeo. a exposição foi visitada, no dia da inauguração, pelo almirante sousa lei– tão, chefe do estado-maior da armada . *** o prof. mota pinto visita a exposição " instrução na armada», na casa da balança. esta mostra , apos o encerramento na do sido visitada, no dia 6, pclo vicc-pri– fil, esteve patente. ao pessoal militar , mciro-ministro c ministro da defesa na– militarizado c civil c scus familiares, no cional , prof. mota pinto, o qual foi rece– período dc 3 a 14 dc dczcmbro, na casa bido pclo almirante cema. da balança , no edifício da marinha , ten- •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• abertura do ano lectivo no isng em cerimónia realizada no dia 23 de novembro, no instituto superior naval de guerra, na junqueira, o almirante sousa leitão, chefe do estado-maior da armada, presidiu à abertura solene do respectivo ano lectivo de 1984/85. após uma alocução do vice-almirante coelho da fonseca, director do instituto, em que descreveu o quadro dos cursos su– perior e geral navais de guerra, afirmando que continuará a orientação adoptada no sentido de encorajar a imaginação e a criatividade dos oficiais , em vez de exigir esforço de memória, o capitão-de-mar-e– -guerra ribeiro pacheco proferiu a lição inaugural subordinada ao tema «da se– gurança nacional ao planeamento das operações navais». assistiram ao acto os representantes dos chefes dos estados-maiores do exér– cito e da força aérea e várias outras enti– dades civis e militares . •••••••••••••••••••• 27</Page><Page Number="30">da escola da zona :j: c  o u.  o a:  o o z w o 17-11-84 2. 0 encontro dos marinheiros do bombarral os «filhos da escola» do concelho do bombarral reuniram-se, no dia 17 de no– vembro, num convívio que decorreu com grande animação e em que recordaram os tempos passados na «briosa». •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 10. 0 aniversário do «elo» o mensário «elo», órgão da associa– ção dos deficientes das forças armadas , comemorou o 10. 0 aniversário com a rea– lização , no dia 23 de novembro , na sua sede social , no palácio de independência, de um encontro com a comunicação so– cial e um jantar-convívio . ao noticiar a efeméride, a «ra» saú– da amistosamente a adfa formulando votos de muita prosperidade. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• bloco de estandartes militares das unidades pre– sentes na cerimónia militar. 28 comemorações do 25 de novembro o 9. aniversário do 25 de novembro foi condignamente comemorado com uma cerimónia militar realizada na força de fuzileiros do contiennte, no alfeite , presidida pelo general ramalho eanes . presentes , o primeiro-ministro, os chefes do estado-maiür-general das forças ar– madas e do estado-maior da armada , o secretário de estado da defesa nacional, os- vice-chefes dos estados-maiores do exército e da força aérea, além de adi– dos militares e navais das embaixadas acreditadas em lisboa e de outras altas individualidades civis e militares. _ na altura, o cemgfa , general le– mos ferreira, pronunciou um discurso em que , recordando a efeméride, referiu que as forças armadas souberam ser fiéis à pátria e ao seu glorioso passado , salien– tando que a memória de alguns, sempre propensa a esquecer aqueles que se sacrifi– caram e que se arriscaram sem limites pelo</Page><Page Number="31">ue não devemos surpreender-nos com as atitudes, as posições e as acções daqueles com mémória curta quando, a propósito e a despropósito, se esforçam para que a ins– tituição militar seja considerada uma coisa menor, porventura até anacrónica, por si– tuada fora da corrente e do entendimento daquilo que seria o progresso sem frontei– ras a caminho do paraíso. mais adiante , referiu também os que com alguma fre– quência, propalam constituirmos um pe– sado e inútil encargo para a nação, en– quanto, por outro lado, pensam que pode-mos solucionar dificuldades a que somos alheios, evitando os incêndios criminosos nas florestas, construindo estradas onde não existem, impedindo o vandalismo nos locais públicos, etc. continuando, o gene– ral cemgfa, fazendo alusão aos meios que o oge atribui às fa, diria: pela pa– ciência, pelo sentido de servir, com algum estoicismo, colltinuaremos a efectuar as tarefas que nos são próprias o melhor que soubermos, pugnando e insistindo sempre para que os cerca de seis por cento, mais .ou menos, que nos estão consignados no âmbito das despesas públicas, sejam apli– cados de uma forma racional, adequada, produtiva e, se possível, pedagógica em re– lação àqueles que vão passando pelas filei– ras. estiveram em parada tropas apeadas e motorizadas dos três ramos das fa e das forças militarizadas, as quais foram co– mandadas pelo contra-almirante pereira leite. aviões da base aérea do montijo sobrevoaram o local da cerimónia. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• . i e:i embaixador da nigéria i  o almirante sousa leitão , chefe do estado-maior da armada, rcebeu no seu gabinete, no dia 28 de novembro, em vi– sita de apresentação de cumprimentos, o embaixador da nigéria em lisboa, mu– hammadu ambursa . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• veleiro inglês no tejo aportou ao tejo, em novembro pas– sado, o veleiro inglês «zebu», que está a fazer uma viagem de circum-navegação integrada na «operation raleigh» - ex– pedição científica organizada pela scien– tific exploration society que tem como patrono o príncipe carlos. o veleiro "zebu" atracado na doca do jardim . do tabaco. o veleiro, que arma em patacho, tem uma tripulação fixa de 7 elementos -cin– co ingleses , um alemão e outro norte– -americano - gue é completada por mais 16 jovens voluntários , de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 17 e 24 anos , oriundos de vários países - nes– te momento, australianos, japoneses, in– gleses e um de hong-kong. ao zarpar do tejo , embarcaram, a tí– tulo experimental, quatro jovens portu– gueses, sócios da aporvela - três ra– pazes e uma moça - que desembarcaram em vilamoura. daqui, o «zebu» rumou às canárias e às bahamas, atravessando o canal do panamá para atingir o pacífico. antes da largada, um dos jovens por-uma jovem tripulante do" zebu" execllla traba– lhos no gllrllpés. tugueses embarcados, a maria gaivão, dir-nos-ia com entusiasmo, da satisfação da «aventura» de fazer parte da equipa– gem do veleiro, embora apenas na curta tirada de lisboa a vilamoura . durante a volta ao mundo, que termi– nará em 1988, serão desenvolvidos por jo– vens de todos os continentes - um grupo de portugueses deverá embarcar em 1986 - projectos científicos, sobretudo nos ra– mos da biologia, física, ecologia, arqueo– logia marítima e ainda actividades de apoio às comunidades locais, nos domí– nios do saneamento e da saúde. 29</Page><Page Number="32">leições na academia de marinha no dia 28 de novembro findo, na bi– blioteca do museu de marinha, realizou– -se uma sessão plenária da academia de marinha para eleição dos corpos geren– tes para o biénio de 1985/86. com a presença de muitos académi– cos, e depois de uma longa troca de im– pressões sobre o assunto, foi resolvido, por aclamação, manter em exercício os actuais dirigentes , eleitos em 24 de no– ve{l1bro de 1983: presidente, prof. eng.o arantes e oliveira; vice-presidente e pre– sidente da secção de ciências, artes e letras , contra-almirante ecn rogério de oliveira ; vice-presidente e presidente da secção de história marítima, prof. dr. luís de albuquerque; secretário-geral, capitão-tenente gabriel fialho; vice-se– cretário-geral e secretário da mesma sec– ção , dr. teodoro de matos (eleito para substituir odr. pimentel barata, recente– mente falecido) , e vice-secretário da sec– ção de ciência, artes e letras, capitão– -de-fragata antónio cardoso. alguns membros da academia, que não puderam estar presentes, enviaram prof. eng.o arantes e oliveira, presidente da cartas a delegar noutros o seu voto . academia de marinha. ohino damaria da fonte verdadeiro símbolo de elevação patriótica como cân– tico heróico popular, o hino da maria da fonte apareceu logo após a queda do governo despótico de costa ca– bral, em 1846, inspirado nos desentendimentos caseiros dessa época, nomeadamente na revolução conhecida pelo mesmo nome, deflagrada em abril do mesmo ano. começou por um motim de mulheres do termo de vieira do minho, chefiadas por uma moça conhecida pela maria da fonte (maria luísa balada), por ser natural da freguesia da fonte da arcada. o motivo foram as chamadas leis da saúde, que mui– to acertadamente proibiam que se enterrassem os mor– tos nas igrejas, como ecostume. talvez incitadas por alguém que não via a medida com bons olhos, as mulhe– res minhotas da aldeia de santo andré dos frades, no dia 19 de março, armadas de chuços, foices, ancinhos e gadanhas, obrigaram o pároco a sepultar na igreja local uma mulher falecida na véspera. o caso repetiu-se, o que levou o administrador da póvoa de lanhoso a man– dar prender três mulheres que, aliás, foram soltas no ca– minho por outras, pondo em fuga os agentes da ordem. em vieira, as mulheres assaltaram a administração, dei– tando fogo aos arquivos. a rebelião alastrou a todo o mi– nho e a trás-as-montes. 30 a rainha d. maria ii, senhora de carácter muito enér– gico, viu nesta revolta uma afronta ao poder régio , e cos– ta cabral aproveitou para fazer uma repressão à sua moda. enviou uma força militar paa repôr a ordem na fonte da arcada, mas as aguerridas mulheres do local armaram grande tumulto, gritando frases contra «a ingle– sa", como era apelidada a rainha, e dando morras a cos– ta cabral. houve grossa pancadaria, ficando a tropa con– fundida por não haver homens na contenda. estes fica– ram à porta das suas casas ou a espreitar pelos posti– gos.. . em suma, a soldadesca não queria bater em mu– lheres, e o meirinho foi empurrado de.encontro a uma nora e teria caído ao poço se não se tivesse agarrado aos alcatruzes. apesar do pároco aconselhar calma e que serenassem os ânimos, as mulheres levaram os solda– dos na sua frente até fora da aldeia, caminhando à frente a mais aguerrida delas todas, a maria da fonte, de pisto– lasàcinta. este incidente levantado pelas mulheres do minho depressa foi ultrapassado, surgindo a muito esperada re– volta contra costa cabral em todo o país. o cabralismo acabou, finalmente, dando a vez ao chamado período da regeneração. como era de esperar, a revolta teve logo música mar-</Page><Page Number="33">ngelo frondóni (com chapéu alto) com a filarmónica 1. o de dezembro, que abrilhantou os festejos no passeio público, em lisboa, em 1 de abril de 1878, comemorativos da revolução do minho de 1846 (daguerreótipo raríssimo, pertencente ao centro de coleccionadores «casa do cava– leiroà porta»). cial adequada, escrita pelo inspirado maestro italiano ângelo frondóni, que ao tempo vivia no nosso país, trazi– do pelo abastad íssimo barão de ouintela para orquestrar em s. carlos, e que a compôs ao piano, numa noite: a maria da fonte é uma mulher como as mais tem um cinto de pistolas para mataros cabrais eia, avante, portugueses eia, avante, sem temer pela santa liberdade triunfar ou perecer. terminada a revolta das valentes mulheres portu– guesas, estas voltaram às lides da casa, arrumando a um canto , mas à mão para o que desse e viesse, os anci– nhos, gadanhas e forquilhas. hoje, o instrumento de que fazem mais uso para exteriorizar o seu génio guerreiro é o rolo da massa, que utilizam com mestria para agredir maridos recalcitrantes ou noctívagos... o hino de frondóni , dedicado à valentia e beleza das portuguesas, viria a causar-lhe alguns engulhos. a rai– nha proibiu que ele se tocasse ou cantasse, fosse sob que pretexto fosse . o maestro passou a ser perseguido e teve que se esconder para não ser preso. d. maria es– palhou , parece que com verdade, que frondóni poupava muito a água para a sua higiene. a ete respeito, escre– veu um dos seus biógrafos: «era pouco dado a lavar-se! um dia fui buscá-lo a casa para irmos a uma festa dada pelo ministro da áustria e havia-lhe recomendado que se aperaltasse . ouando entrei no quarto dei com ele a lavar– -se numa bacia em que mergulhava os pés.'depois de se ter lavado de baixo para cima, ao vê-lo lavar a cara na mesma água disse-lhe: então que porcaria é essa?! e ele, de costas para mim, virando-se ligeiramente foi di– zendo: tutti frondóni, tutti frondóni» (é tudo frondóni) . alberto cutileiro n. a. - ângelo frondóni nasceu em parma, em 1812, e faleceu em lisboa, em 1891. autor de inúmeras composições, estreou-seno teatro s. carlos em 21 de janeiro de 1838, com a música para dois bailados «a /lha dos portentos» e apresen"tou em 20 de março «a volta de pedro o grande de moskow». ambas obtiveram estrondoso êxito. escreveu músicas para comédias, farsas para o teatro da rua dos condes, e em 1874 apresentou no teatro do príncipe real a ópera burlesca «o filho da senhora angot», também com muito sucesso. muito dado à literatura, escreveu na «revolução de setembro», periódico jacobino, diversos artigos epoesias, sendo tido por indivíduo de ideias anarquistas. vendo-se cercado de animosidade, caiu em misantropia, isolando– -se de tudo e de todos. o seu hino da maria da fonte, quando tocado pela primeira vez na praça de touros do campo pequeno, foi vaiado pelo povo, que ape– drejou a tribuna da charanga, havendo correrias e debandada geral. mais tarde, sob forte protecção de forças da ordem, passou a ser ali tocado, sempre que o representante do governo ou um ministro surgia na tribuna. depois do advento da república, foi adoptado como hino ministe– rial, o que ainda hoje se mantém. deve ainda dizer-se que, quando frondóni veio para portugal, onde foi sempre apoiado por quintela, se enraizou profundamente no nosso meio, acamaradando com os peralvilhos da época e frequentan– do os salões da melhor sociedade. •••••••••••••••••••••••••••••• 31</Page><Page Number="34">j ' ó '  ." " . ua * cantinho charadístico prosseguindo com as charadas por aumento de sílabas, vamos ago– ra tratar da encadeada. para construir uma charada desta espé– cie, procura-se um termo de quatro sílabas que possa ser fraccionado de modo a que a 1. a com a 3. a e a 2. a com a 4. a formem, respectivamente, dois termos. escolhidos os sinóni– mos (ou locuções) cõrrespondentes a esses termos e que constituirão as parciais, e o correspondente à pala– vra escolhida e que será o conceito, procuramos construir a frase (ou ver– so), que é a charada propriamente dita. seja a palavra ca pi to so que tem como sinónirtlos: casmurro, tei– moso, etc. e que, para o nosso caso, tem como parciais as palavras cato e piso, que têm como sinónimos: procuro e rasto, respectivamente. substituindo as parciais e a própria palavra por estes sinónimos, cons– truamos a seguinte frase : procuro e apenas encontro rasto de homem teimoso. 2-2. para a decifração procuramos os sinónimos das parciais que adiciona– dos de modo encadeado, dêem o si– nónimo do conceito, ou ainda, procu– ramos o sinónimo do conceito que, fraccionado, dê os sinónimos das parciais. exercícios: 1 - a glória das coisas mesqui– nhas, mesmo quando alguém a grita, não passa de grandeza vã. 2-2. 2 - adquire boa forma. quem na batalha do trabalho não tem infelici– dade.2-2. 3 - o mar, até quando nos dá prazer, é arriscado. 2-2 . 4 - embarca os outros, gerando confusão,' a pessoa curiosa e intro– metida. 2-2 (adic.). 5 - é na adversidade que se co– nhecem os amigos bafejados pela sorte. 4-3 (efer.) . 6 - o interesse do usureiro é sempre pelo dinheiro. 3-2 (apoc.). 7 - a inveja é manifestação idio-32 ta de quando o bom-senso se esgo– ta. 7 (-6) 6 (enigm) . 8 - cachaça em grande porção, tira a virtude da rectidão. 4 (4,5) 6 (enigm.) . 9 - mente sem mais aquela, quem diz que a vida é uma bagatela. 2-3 (epent). 10- é.inexperiente quem procu– ra na tempestade, o bem da tranquili– dade. 2-2 (3) (haplol.). 11 - a habilidade é o predicado que completa o carácter do homem denodado. 2-3 (interc.). 12 - bofetada deveria ser meda– lha, prémio de certa canalha. 7 (1) (metam.). 13 - consome a vida sem utili– lidade, quet:l só pensa na vaidade. 2-3 (parag .). 14 - senil e casmurro, decerto que é burro. 2-3 (prot.) . 15 - respeitas na .mocidade , quando o velho diz a verdade. 3-2 (sinc.). mindogues • ••••••••••••••••••• * xadrez problema inédito de a. romão (feijó). mate em 3 lances. tempo médio de resolução : 1.as categorias: 9 minutos. 2. a s categorias : 14 minutos. 3 ."scategorias : 19 minutos. iniciados: 24 minutos. (soluções na pág. 34) . * palavras cruzadas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 1l-- 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 l--i--i--l-- i--i-- * horizontais: l-pancada; no mesmo lugar. 2 - estorvar; ramada de parreiras . 3 - amigo de rir; ba– nhas, untos de bois e de outros ani– mais. 4 - general sulista, durante a guerra da secessão; o mesmo que alúmen (irw.) . 5 - no meio e no fim de cid ; regra (inv .); plano lateral do avião. 6 - basta; lanceta de veteri– nário ou sangrador ; ante-meridiano (abrev.). 7 - discursa; rasa; nota musical. 8 - doçura (fig .); executa. 9 - canoa indígena feita de casca de árvore; aguço. 10 - nuvens brancas e muito altas ; recusa (inv.). 11 - condutor eléctrico empregado na telegrafia sem fios ; nome de uma flor. verticais : 1 - espécie de veado ; departamento de peru. 2 - mover à piedade ; nome de uma bebi– da. 3 - tem razões para; urde (inv.) 4 - reze (inv.); ilhota francesa no mediterrâneo, próximo de marselha; peque. 5 - arruda ; cidade da fran– ça. 6 vi (inv.); casa; apelido. 7-origem; mossa. 8 - também; estás; imensidade (fig .). 9 - víbora africa– na a quem algumas tribos prestam culto ; lume. 10-composição poéti– ca (inv.) ; formigas brancas. 11 - de– certo; mulher varonil. marconipto ••••••••••••••••••••</Page><Page Number="35">mini-cruzada 123 4 5 6 7 8 i i i , 1 2 3 4 5 6 7 8 horizontais: 1 - armadura defensiva da cabeça. 2 - fazem su– bir ; prep. indicativa de carência. 3 - prender com laço; perigosa. 4 - pequenos círculos. 5 - engaste de pedra preciosa. 6 - a unidade; cau– sar ferimento a. 7 - semelhante; acto de dar. 8 - eliminaram. verticais: 1 - antiga embar– cação indiana. 2 - que serve de asa ; o contrário de bem. 3 - palá– cios reais; moeda chinesa. 4 - do– nas de casa em relação aos criados . 5 - esmolei. 6 - estás; fazer enca– lhar. 7 - possui; acto de lidar. 8 -colocaram em mala. minoogues •••••••••••••••••••• * brídege (continuaçãq da tecnica " perdente sobre per– dente" . publicada no número anterior) 2 caso: asvozes: o passo n e-10953 c-rv9754 0-– p-753 w e-v c-ad1086 o-r532 p-a82 e passo 1 ouro s 1copa 3 ouros 4 copas 5 ouros dobro passo 5 copas dobro sul joga cinco copas dobradas. oeste ataca com o v de ouros. como vai jogar para cumprir o contrato? vacas de carvalho, cap.-ten. * damas problema de trabuco - évora (inédito) jogam as brancas e ganham. •••••••••••••••••••• * àperspicácia do leitor tem discernimento 1. leia as duas histórias seguintes. parta do princípio de que os factos relata– dos são verdadeiros. a seguir leia as afir– mações referentes à história. se achar que uma afirmação é certa, marque ver– dadeiro, se achar que é falsa, marque er– rado, setiverdúvidas, marque? i parte o sr. brown regressou no avião das 04.30. no aeroporto de baltimore, não conseguiu encontrar a sua bagagem. a sr. a brown foi esperá-lo e levou-o de car– ro para casa. a bagagem foi encontrada e entregue em casa do sr. brown nessa mesma noite, às 21.00 horas. a) o sr. brown não conseguiu encon– trar a bagagem no aeroporto de balti– more. verdadeiro errado ? b) o sr. e a sr.abrown vivem em balti– more. verdadeiro errado ? c) o sr. brown chegou a baltimore de tarde. verdadeiro errado ? d) a bagagem perdida foi entregue em casa dele às 21 .00 da noite desse mesmo dia. verdadeiro errado ? e) o sr. brown trazia uma pasta. verdadeiro errado ? f) o sr. brown chegou às 04.30. verdadeiro errado ? g) a bagagem extraviou-se no aero– porto de baltimore. verdadeiro errado ? ii parte na noite do seu regresso, o sr. brown, cansado mas bem disposto, reu-niuos rapazes, joão, antónio e paulo, à sua volta e contou-lhes a viagem de ne– gócios a nova iorque. deu um presente a cada um: a joão, uma bíblia, a paulo, um modelo de avião de construir, e a an– tónio, um cágado vivo. para a mulher, trouxe o perfume favorito dela. a) a família brown é de5 pessoas. verdadeiro errado ? b) o sr. brown tem três filhos rapazes. verdadeiro errado ? c) o presente de antónio foi uma bíblia. verdadeiro errado ? d) o presente de pau lo foi um avião de construir. verdadeiro errado ? e) a sra. brown gosta de perfumes . verdadeiro errado ? 2. sem usar papel e lápis, responda rapidamente às seguintes questões: a) os números que seguem são to-dos divisíveis pora? 108,116,120,124,132,128 sim não b) uma formação de aviões em fila in– diana. há dois jactos à frente de um jacto, dois jactos atrás de um jacto e um jacto no meio. qual é o menor número de jac– tos possíveis? 3,5,7,9 c) um homem tenciona construir uma cerca ao longo de um terreno com 60 me– tros de comprimento. de quantos postes precisa, se os colocar com 1ometros de intervalo? 6,7, 10,11 3. cada umdos cubos numerados do diagrama foi construído de um pedaço de cartão como o da esquerda, dobrado e colado. qual foi o cubo construído a partir daquele cartão? análise 1. i parte (2 pontos por cada res– posta certa) . a) verdadeiro. b) ? - podiam viver nos arredores, ou fora da periferia de bal– timore. c) ? - podia ter chegado no avião das 04.30 da manhã. d) verdadei– ro. e) ? - não era mencionado. f) ? - o avião das 04.30 podia ter chegado adian– tado ou atrasado. g) ? - a bagagem po– dia ter sido extraviada no ponto da parti– da. 33</Page><Page Number="36">i parte(2 pontos porcada resposta * concurso n,o 160 certa) . a) ? - o número de membros da fa– mília não é mencionado. b) ? - não se sabe se os rapazes eram filhos. podiam ser sobrinhos ou amigos.c) errado. d) verdadeiro. e) ? - não é certo. ela pode gostar só de um ou dois perfumes. 2. a) sim (qualquer número é divisível por 4 se o número formado pelos seus dois últimos algarismos o for) - 5 pon– tos; b) 3 -5 pontos; c) 7 -5 pontos. 3. o cubo 5 -40 pontos. classificação 72 a 79: excelente. o seu discerni– mento e acuidade de julgamento são óp– timos. você tem uma visão muito clara do mundoem que vive. 42 a 70: bom. você não faz julgamen– tos apresados e emotivos. raciocina com clareza e discernimento. 16 a 40: veja por onde vai, observe antes de julgar. você tem fraquezas que pode corrigir. pense e resolva depois. oa 14: você é disperso e apressado. não consegue concentrar-se para pen– sar. discipline-se. há várias actividades em que se avança andando para a rectaguarda. sem considerar a retirada estratégi– ca que pode ser, eventualmente , o pronúncio de uma vitória, indique, pelo menos, três casos em que tal situação aconteça. a. estácio dos reis, cap.-m.-g. ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ,.. soluçoes '* cantinho charadístico 1 - faramalha. 2 - galinhaça. 3 - perigoso. 4 - fura-bolo. 5 - desventura. 6 - gadelha. 7 - inví– dia. 8 - lisura. 9 - fagulha. 10-pacata. 11 - determinado. 12 - lambada/c. 13 - fumaça. 14 - pai-velho. 15 - veneras. •••••••••••••••••••• '* damas brancas 9-13 . 10-13 . 13-18 . 6-10 . 12-15 . 15-19 . 19-23 . 23-28 . 28-31 (o) . 2-6 ... 31-24 e ganham. 34 pretas 18-9 23-1 21-14 14-5 29-26 26-21 21 -18 18-14 14-11 11-2 '* palavras cruzadas horizontais: 1 - zape ; ibi– demo 2 - opor; latada. 3 - ridor ; sebos . 4-lee;emu . 5-ld; iel; asa. 6 - tá; flame ; am ; 7 - ora ; rés; lá. 8- mel; faz . 9-lgara; amolo. 10-cirros ; agen. 11 - antena; rosa. verticais: 1 -zorlito ; ica. 2-apiedar ; gin . 3 - pode; amart. 4-ero; if ; erre . 5 - roei ; laon . 6 - ii ; lar; sá. 7 - base; mela. 8 - item; és ; mar. 9- dabua ; fogo. 10- edo ; salales. 11 - mas ; amazona. •••••••••••••••••••• '* brídege e-10953 c-rv9754 0-– p-753 e-rd7n e - a862 c-- - c- 32 o-v1076 o e o-ad984 p-d1o s p- rv e-v c-a01086 o-r532 p-a82 para evitar perder duas vazas em paus e uma em espadas. sul deverá baldar na 1a vaza um pau morto. depois no seu r de ouros baldará o 2.0 pau perdente . '* mini-cruzada horizontais: 1-capacete. 2 - alam; sem. 3 - laçar ; ma. 4 - aros . 5 - pala. 6 - um; ferir. 7 - tal; dada. 8- elidiram. verticais: 1 - calamute. 2-alar; mal. 3 - paços ; li . 4 - amas . 5 - pedi. 6 - es; varar. 7 - tem; lida . 8 - emalaram. •••••••••••••••••••• '* xadrez 1.dg7!1,re2 2.dd4! ,rf3 ou rfl segue mate 3 de4 ou df2. •••••••••••••••••••• * concurso n.o 158 as diferenças de peso entre os três conjuntos são , efectivamente. muito pequenas mas existem. são baseadas em dois princípios da físi– ca bem conhecidos e que foram enunciados, pela primeira vez , por dqis famosos homens da ciência : arquimedes e newton. 1. impulsão - os soldados que estão metidos no cavalo sofrem im– pulsão correspondente ao volume de ar que deslocam. supondo que cada soldado tem o volume de 70 litros , a diferença de peso, para menos, no conjunto b é: 3 x 70 x 1,293g 271 ,53g. 2. gravidade - o peso de um corpo é dado pela fórmula m9 em que a massa do corpo é m e 2 é a aceleração da gravidade no local. o valor de 2 varia com a latitude q e com a altitude !:::!' em metros , do se– guinte modo: g 9,80617 (1 - 0,002590 cos 2 4» (1 - 0,000000314!:::!) m/seg 2 . como não há variação de massa, facilmente se vê que a diminuição do peso é insignificante em relação à di– ferença de 271 ,53g, devido à impul– são. 3. conclusão - conjunto mais pesado: b; conjunto mais leve: c. vencedor: não há, por não ter havido res– postas certas.</Page><Page Number="37">actividades da ({comandante roberto ivens)) a fragata "comandante roberto ivens» atracada ao cais da marinha, em portimão - primeira unidade desta classe a atracara este novo cais. visita do alm. william stavely à " comandante roberto ivens», por ocasião do exercício autumn train 84. aspecto do salvamento dos náufragos do graneleiro " hennigsdorf», num mar de , vagas de 4 a 5 metros e vento força 5.</Page><Page Number="38">volução histórica dos uniformes na armada (59) batalhão expedicionário ao sul de angola-1914 por ocasião da 1. a guerra mundial, entre as forças enviadas para o sul de angola para proteger este território das incursões dayizi– nha colónia alemã, fazia parte um batalhão de marinha composto por 18 oficiais , 32 sar– gentos e 509 praças, o qual era comandado pelo então capitão-tenente afonso júlio de cerqueira. este batalhão, que saiu de lisboa em 5-11-1914 e regressou a 15-10-1915, foi acompanhado pela bandeira do corpo de marinh e íros da armada, que viria a ser con– decorada com a torre e espada e duas cru– zes de guerra . teve esta força 17 mortos e 10 feridos. as aguarelas que reproduzimos mostram os uniformes usados pelos oficiais(*) e pra– ças daquele batalhão : farda e cotim cinzen– to, com grevas nas pernas; na cabeça, capa– cete colonial de feltro endurecido, o qual ti- ( * ) esta aguarel a reproduz o comandante do batalhão, cap.– -ten. afonso cerqu eira. nha, na parte da frente , um botão de retrós com as cores portuguesas - verde e verme– lho - encimado por uma âncora. as praças tinham mochila e equipamento mills, em lona. (reprodução proib ida) a l berto cutileiro</Page><Page Number="39">.o 161 / fevereiro 1985/ ano xiv / mensário 3000 revista da armada</Page><Page Number="40">umário m.do vale nota de abertura m. horta bibliografia m. horta notícias pessoais · vozdaabita saibam todos m. de almeida educação fisica livro das armadas c. moreira antologia do mar e dos marinheiros s. braga histórias de marinheiros m.do vale navegadores e marinheiros na toponímia nacional r. ribeiro o enfarte do coracão será em breve dominada s. elpídio terminologia naval e. dos reis uma figura de proa m.curado filatelia hino da marinha m: horta reportagem d. barreiros aquilo que a gente não esquece (7) m. neves álbum de recordações macaréus: as ondas da morte quarto de folga m. horta os desenhos do almirante braz de oliveira (13) revista ·daarmada cap.-ten. manuel maria de meneses pinto machado publicação oficial da marinha  .. director e editor: ).i.?, ;,, l :. , :;f,1 ...:. · ..í'\ -"",.., porte pago c/alm. antónio rocha calhorda consultor da comissão de redacção : c/alm. antónio júlio malheiro do vale corpo redactorial: cap.-m.-g. an fernando augusto smith elpídio capelão graduado em cap.-frag. delmar da silva gomes barreiros sarg.-aj. l manuel da conceição horta orientação gráfica : hernãni lopes publicação mensal propriedade da marinha redacção e administração: edifício da marinha 1188 lisboa codex telefone : 36 89 61 n.o 1611fevereiro 1985/ano xiv preço de venda avulso 3000 assinaturas anuais.· continente e ilhas 30000 estrangeiro (mais portes de correio) 30000 via aérea - o preço da assinatura será acrescido da respectiva taxa de porte por avião. pág. 3 4 5 6 8 9 9 10 12 14 16 17 18 20 21 22 29 30 31 32 verso da contracapa na capa: a gravura central , alusiva à trasladação das relíquias do mártir s. vicente, foi extraída do livro carmesim, existente na câmara municipal de lisboa . tiragem: 10 000 exemplares distribuição.· agência portuguesa de revistas execuçao gráfica: instituto hidrográfico oep_legal n.' 211 083</Page><Page Number="41">nota deabertura os·militares eos outros de há uns tempos a esta parte criou-se em por– tugal, e nalguns países mais, uma certa má vonta– de contra as instituições militares e, consequente– mente, contra os próprios militares. claro que o ideal, e talvez um dia cheguemos a isso, seria poder-se passar sem uma coisa nem outra, por vivermos em paz perman'ente, sem ódio nem invejas, sem as diferenças abismais existen– tes actualinente entre nações ricas e pobres, num mundo em que as invasões de fronteiras fossem apenas de turistas, de grupos folclóricos e cultu– rais , de embaixadas desportivas ... mas, infelizmente, estamos longe disso e. vive– mos em constante conflito, tanto a nível interno como entre nações, essencialmente porque todos querem o pôder e o mando e, para o conquistar uti– lizam quaisquer meios, incluindo os mais violen– tos e injustos . dai que as guerras e as convulsões sociais se– jam, por enquanto, uma fatalidade com que temos que nos conformar. isto significa que, enquanto o mundo for o que é, 'e não o que devia ser, a existên– cia dos militares e da sua máquina de guerra, é ab– solutamente necessária. tudo isto é tão claro e evidente que até o senhor de la falisse, debru– çando-se sobre o assunto, chegaria às mesmas conclusões! curioso é que os militares, que em tempo de paz entre as nações e dentro destas, são conside– rados um peso morto, prejudicial ao pais pelos en– cargos que lhe acarreta, logo que surge um confli– to emergem da sombra e passam a ser uns ídolos e a esperança de salvação. é só ver como foram aclamados em momentos cruciais da nossa história, quando com o seu esfor– ço e o seu sacrifício resolveram situações delica– das em que o pais se viu envolvido. para não ir mais longe no tempo, lembro as ovações de que fo– ram alvo quando implantaram a república, junta– mente com o povo; quando sidónío pais tomou o poder, em 1917; quando regressaram vitoriosos da primeira grande guerra, em 1918; quando go-mes da costa assumiu o poder, em 1926; quando partiam, e chegavam ao destino, nas guerras colo– níais,1961174, e, finalmente, quando derrubaram o regime de salazar, neste último.ano. então sim, bateram-lhes palmas, deram-lhes vivas, as senhoras atiravam-lhes beijos e flores .. . depois, euforia passada, esqueceram tudo e volta– ram a dizer que não servem nem são precisos para ' nada! os militares existem .porque são necessários, tal como os médicos, os juizes, os agricultores, os comerciantes.... a sua vida é toda devotada à pá– tria, tal como a dos sacerdotes a deus, as dos mé– dicos à saúde, a dos juízes à justiça... cada vez é mais difícil ser militar, tão poucas são os aliciante!? materiais e tão pesadas as res– ponsabilidades inerentes à profissão. por. isso mesmo deixem que ' eles desempenhem digna– mente as suas obrigações, comprendam-nos nas suas virtudes e seus defeitos, respeitem-nos e olhem-nos com a amizade e simpatia que mere– cem. só isso! estas e outras considerações vieram-me à mente durante o ii colóquio da imprensa militar, no contacto que tive com elementos de todos os outros ros das forças armadas e militarizadas. amizade , compreensão, respeito mútuo e educa– ção, foram as notas dominantes em todas as ses– sões de trabalho, independentemente de uns se– rem generais e almirantes e outros majores e capi– tães-de-fragata. foi uma autêntica lição de civis– mo dada pol .. militares. pena que a televisão, que tantos e tão varia– dos colóquios transmite , não tivesse mostrado este nosso, para que todos vissem como foi dife– rente... c/ alm. 3</Page><Page Number="42">********** «sagres - a escola e os navios)) - esta obra, que edi– ções culturais da marinha editou em dezembro passado, fala-nos do promontório de sagres, o qúal tem o seu nome associado à chamada ((escola de sagres)} tão intima– mente ligada à famosa epopeia marítima dos descobrimentos por– tugueses. recorda-nos também o primei– ro navio da armada crismado com aquele nome - a corveta usa– gres», construída no princípio da segunda metade do século xix e no fim da sua vida adaptada a lts– cola de alunos marinheiros, tendo sido abatida em 1898 -e da qual descreve as características princi– pais, as suas viagens emissões e os comandantes que teve. relata-nos depois os dois na– vios-escola usagres» - o primeiro de 1924 a 1962 e o segundo a partir deste ano até 1979 - e dos quais descreve também as característi– cas principais, as viagens e mis– sões, as comemorações henriqui– nas e a viagem de circum-navega– .ção em que tomaram parte, as re– gatas oceânicas em que participa– ram, os oficiais que os comanda– ram e relações de viagens. o livro, que é magnificamente ilustrado com 21 guaches a cores de sagres e dos três navios e mui– tos apontamentos tendo como tema a vida e os trabalhos dos nos– sos marinheiros a bordo, do pintor de marinha francês roger chape– let, tem como autores o v/alm. tei– xeira da mota (i capítulo) e o cap.– -m.-g. martins e silva (viagem de circum-navegação do iv capítulo) e colaboradores os v/alm. tengar– rinna pires, c/alm. an diogo afon– so, cap.-m.-g. estácio dos reis e cap .-m.-g. martins e silva. é excelente o aspecto gráfico do volume que compõe esta publi– cação, cujo plano e compilação pertenceu ao cap.-ten. marrecas 4 bibli ferreira e os desenhos técnicos a marques da silva. com o formato de 340x255mm, tem 219 páginas compostas e impressas sobre pa– pel couché mate, de 150g, no insti– tuto hidrográfico; encadernação, gravada a ouro, a cargo da ambar -porto. ,*********** uquando a marinha ti– nha asas - anotações para a história da aviação naval portu– guesa (1916-1952», da autoria do cap.-frag. emqviriato tadeu. editado também em dezem– bro, a obra em epígrafe relata-nos a história dos 35 anos de existên– cia da nossa aviação naval. através da sua leitura, ressalta o espírito de verdade e de justiça que o autor pretendeu imprimir– -lhe, num estilo elegante e român– tico em que sobressai o seu amor à marinha e sua aviação. este livro, é um verdadeiro rosário de sauda– de para todos os que pertenceram à aviação naval, que vão lê-lo com sofreguidão, mas, mesmo para os outros leitores, constitui um repo– sitório histórico de altíssimo inte– resse geral, que se lê com agrado, conforme se diz na apreciação do livro na aba da capa. esta obra, com cerca de 600 pá– ginas, ilustrada com muitas foto– grafias, incluindo a de todos os ti– pos de aviões utilizados pela avia– ção naval, é, no dizer do v/alm. ferrer caeiro, que a ela pertenceu, na apresentação do livro, uma compensação moral e sentimental, oferecida a todos os membros da aviação naval, que tanto a dignifi– caram, e representa um grande" serviço prestado à marinha, preeij.– chendo-lhe uma lacuna, que tarda– va em ser colmatada 'e que talvez nunca o venha a ser, ao nível histó– rico que um único autor não pode– ria abranger. nela se fica a conhecer todo o pessoal que a serviu - aviadores, engenheiros, montadores e mecâ-rafia nicas de hidroaviões, artífices e mecânicos de aviação, radiotele– grafistas, operadores de radar, etc. -, os aviões que utilizou e os centros que teve. dá-nos conta da fecunda actividade de sacadura cabral, da integração na força aérea, acidentes de voo, missões desempenhadas, etc., etc. o autor, cap.-frag. emq viriato tadeu, está de parabéns! *** estes livros podem ser adquiri– dos por todo o pessoal da armada (militares, militarizados e civis), contra apresentação do respectivo bilhete de identidade, no instituto hidrográfico, ao preço especial de 117000, o primeiro e 100000, o segundo; na secretaria da urevis– ta da armada», no museu de mari– nha e no aquário vasco da gama, por 170000 e 160000, respecti– vamente, e nas livrarias, por 243000 e 200000. o preço espe– cial do segundo é extensivo a todo o pessoal da extinta aviação naval, qualquer que seja a sua si– tuação actual, quando adquirido no institito hidrográfico. como habitualmente , os volu– mes adquiridos na ura» podem ser remetidos pelos ctt, estando os portes a cargo dos interessados, sendo o pagamento efectuado por cheque ou vale postal endereçado à urevista da armada», edifício da marinha, 1188 lisboa codex. m.horta, sarg.·aj. l ***********</Page><Page Number="43">otícias p sso is casamentos temos o prazer de anunciar o ma– trimónio dos seguintes camaradas, aos quais desejamos as maiores felici– dades : 1.-ten. mn antónio alves da fonseca com d . marta de medina cochat osório , em 4-10-84. subten. rn carlos manuel rocha pinhão com d. maria helena de sousa vai ri– nhos , em 23-11-84 • sarg.-chefe h manuel francisco muchado com d. benta loureiro castro, em 8-11-84. sarg.-aj. a ra isaac dias alves mei– ra com d. maria gorete enes de car– valho , em 8-12-84 .1.-mar. 215680, antónio josé dos santos nunes com d. cristina dias de sousa, em 10-11- -84 • 1.o-mar. fz 730481, josé ma– nuel da silva maravilha com d. lina maria fidalgo ferreira, em 27-10-84 • 2. 0-mar. fz 761682 , antónio joa– quim da silva com d. leonor dos santos teodoro, em 3-11-84. 2. 0-gr. a 126783 , jorge manuel branco com d. maria cândida dos santos, em 13- -11-84. 2. 0-gr. s/c 201083 , celestino jerónimo da silva martins com d. deolinda reis de azevedo, em 10- -11-84. 2. o -gr. a 348583 , alcino ma– nuel de sousa ventura com d. ânge– la maria correia lopes , em 10-11-84 • 2. 0-gr. s/c 704883 , amândio luís te. ,eira da costa e silva com d . ma– ria manuela santos dias, em 8-11-84 . *********** passagens à reserva cap .-m.-g. an manuel francisco dos santos domingues, em 27-12-84. sarg.-chefe se antónio do espí– rito santo. sarg .-aj . l antónio au– gusto ramos. sarg.-aj. m manuel joaquim moreno. sarg .-aj . t josé manuel • 1. 0-sarg. h domingos eduardo almeida ferreira • 1.– -sarg.tf joaquim anacleto de mou– ra , em dezembro de 84. cabo aux . 233049, joão antónio peralta. cabo a 337153, francisco ferreira silveira dos santos. cabo ce 440556, ramiro do rosário ma– deira • cabo r 585859, alexandre alberto abalado coelho. cabo m 587159, josé do nascimento • cabo ce 598859, icílio josé carrapiço leonardo, em dezembro de 84. *********** falecimentos é com desgosto que participamos o falecimento dos seguintes camara– das, a cujas famílias apresentamos sentidas condolências: 1. 0-sarg. a rf alfredo gomes da silva, em 26-10-84.2 .o-sarg. cm rf joão elias moura, em 22-10-84 • cabo e rf 194433, luís duarte poci– nho, em 27-11-84 • cabo m rf 247437, eduardo paulo marques, em 29-10-84 • 2.o-mar. aux. rf joão luís baião , em 13-12-84 • 2. 0-gr. aux . rf 300027, joaquim de olivei– ra; em 13-12-84 • faroleiro chefe do qpmm, apos . , antónio da costa , em 11-10-84 • escriturária-dactiló– grafa do qpcm maria eduarda da conceição luz , em 28-11-84. *********** várias foram recentemente empossados nos cargos indicados os seguintes ofi– ciais , aos quais desejamo: os maiores êxitos no desempenho das novas fun– ções: c/alm . josé manuel correia men– des rebelo , director do serviço de manutenção. cap.-m .-g. francisco manuel pinto coelho dória nóbre– ga , comandante da defesa marítima do porto de lisboa e capitão do mes– mo porto • cap .-m.-g. antónio abrantes martins godinho, chefe da 5." rep. da d.s. pessoal. cap .-frag. alexandre daniel cunha reis rodri– gues , comandante do nrp «coman– dante roberto ivens» • cap .-frag. josé deolindo torres sobral, coman– dante do grupo de navios hidrográ– ficos • cap.-ten. josé joaquim con– de baguinho , comandante do nrp «delfj'in» • cap.-ten . jorge alberto araújo cunha serra, comandante dó nrp «barracuda» • i.o-ten. luís manuel fourneaux macieira frago– so, comandante do nrp «rovuma» • 1. 0-ten. carlos alberto restani graça alves moreira, comandante do nrp «rosário». aos camaradas indicados, agra– ciados com as condecorações mencio– nadas, apresentamos as nossas felici– taçôes: c/alm. ecn carlos ribeiro cal– deira saraiva, medalha de ouro de serviços distintos. c/aim . emq diogo rafael santos . rebelo da gama higgs, medalha de mérito mi– litar de i." classe. i.o-ten. luís ma– nuel fourneaux macieira fragoso, 1.-ten . sg manuel rodrigues e 1.0- -ten. sg eugénio mendes alves, me– dalha de prata de serviços distintos . pagaiiiiio di assiiasas . coi( cbitijis· dado q1l8y por determina– ção do banco de.portugâl. a . partir do dia 2 de janeiro de 1985 deixaram de ser aceites em depósito s) antigos che– ques (modelonãonormal!– zado), pedimos aos nossos assinantes que pagamas suas assinaturas desta . mapeira que o façam u b1i zando apenas o actual modelo de cheques (norma!j?ado). 5</Page><Page Number="44">no número anterior, por uma falha de impressão, foram omiti– dos o subtítulo «cartas ao direc– tor» e o nome do autor da primeira carta transcrita", o l. o -ten. ct agostinho sobral, do laranjeiro. aos leitores e àquele oficial, as nossas desculpas.. cartas ao director dos nossos leitores e amigos recebemos a seguinte correspon– dência: do «pezinhos», cabo m, lis– boa, a seguinte carta: e esta? infelizmente já não estou ao ser– viço. e digo infelizme1jte, por duas razões principais: a primeira é de ordem sentimen– tal e diz respeito ao desgosto profun– do que todos osmarinheiros sentem ao deixar o mar e os navios e até os serviços em terra, que na marinha têm características próprias, por ser o ambiente impregnado do cheiro a maresia que os acompanha sempre, onde quer que estejam! a segund{!l razão é de ordem ma– terial. é que, quando se deixa oservi– ço, o que se recebe no fim do mês vai encolhendo... encolhendo .. bem, mas o que eu queria dizer é que, por não estar ao serviço, so– bra-me o tempo ·para fazer certas coisas que dantes não podia. então, era levantar a correr, engolir o pe– queno almoço de pé, vestir e lavar a cara a correr, sair de casa e apanhar um transporte a correr... e chegar ao navio ou à repartição a deitar os bo– fes pela boca. agora não. levanto– me cedo - um hábito que nos fica da armada -, tomo o pequeno almoço sentado, o meu banho calmamente, oiço o boletim meteorológico e as no– tícias da rádio, e depois... bom, há sempre coisas para fazer. em casa e na rua. foi assim que em outubro pas-6 voz da abita sado, no dia 15, se não me engano, pelas 08.00 horas, ouvi na rádio re– nascença esta curiosíssima notícia: num dos bairros populares da gran– de lisboa - como agora lhe cha– mam - uma senhora que regressa– va das compras, ao entrar em casa, deparou com uma cobra (das autên– ticas!) a fazer-se para chamar um figo a um passarinho de estimação que tinha numa gaiola pendurada na parede. apesar do insólito da situação, a senhora não se atrapalhou e ser. vindo-se de um pau de vassoura co– mo arma, matou o nojento animal, salvando o passarinho de morte macaca. fiquei-me a cismar no caso, per– guntando a mim mesmo como era possível que na capital de umpaís da europa prestes e entrarna cee, e no findar do século xx, acontecesse uma coisa destas. breve, porém, tive a explicação, ao dar uma volta pelo degradado parque eduardo vii e vendo o que por lá se passa. no meio do capim, que cresce à vontade - e ainda bem porque esconde todas as porcarias que a população ali despeja - enor– mes ratazanas, que mais parecem coelhos, escarafuncham o lixo, ras– gando com os dentes afiados os sa– cos de plástico fechados, em busca de comida, que aliás vai escassean– do... em face deste espectáculo, não admira nada que comecem a apare– cer também cobras e lagartos e que, se não se tomarem providências adequadas, poderão até começar a aparecer lebres, coelhos, perdizes, raposas, javalis... o que, ao preço a que está a carne, nos levará a todos a ir à caça para o parque! eu sei que os lisboetas têm uma dívida de gratidão para com os seus ratos e ratazanas, pois foram eles que, no reinado de d. joão i de portu– gal, obrigaram os exércitos castelha– nos que sitiavam a cidade a retirar, espalhando no seu acompamento pulgas que provocaram a peste bu– bónica que os dizimava à média de 200 por dia. bem, mas daí a deixá-los proliferar livremente, pondo em risco, não a saúde dos castelhanos, que agora desejamos seja a melhor, mas a nossa própria, vai uma certa diferença! guerra sem tréguas às rataza– nas, cobras e lagartos de lisboa, ao lixo e ao capim, é o que pedimos en– carecidamente a quem de direito.. . doo de eduardo boisenet alves de moura, aposentado da função pú– blica, linda-a-velha, uma carta la– mentando a ausência de navios anti– gos no tejo a: lembrar tempos idos e enviando, a propósito do artigo «vasco da gama - o mesmo nome em quatro navios de guerra portu– gueses», public'ado no n.0158/nov. de 84 desta revista, a tradução de uma pequena notícia inserida no «marine rundschau», sob o título o vasco da gama é desmantelado, e transcrita na «revista de artilharia», n.0136 de 1936. diz a revista alemã: o governo português resolveu pôr à venda o velho navio de guerra juntamente com outros barcos. nós julgamos que esse couraçado de 1876, com 3000 toneladas, moderni-zado em 1902, é o decano de todos os navios de guerra do mundo. ex– traordinariamente grande deve ser o número de marinheiros de todas as marinhas que conheciam o "vasco da gama», que o viram e visitaram na china, em timor, em macau, nas colónias africanas ou na pátria, e se sentaram debaixo do seu toldo hos– pitaleiro. de um tal veterano deve-se despedir com respeito; sentimos sin– ceramente o seu desmantelamento e transformação em sucata. e o nosso leitor e amigo termina a sua carta com este comentário: que pena! n. r. - agradecendo a sua carta, faze– mos coro consigo... que pena! •••</Page><Page Number="45">audações do cabo cm ra 254147, manuel da silva fernandes, criaz - apúlia (com a afirmação de que é a revista que tornou possível estar em contac– to com o que se vai passando na ma– rinha, da qual temos tantas sauda– des. e escrevo estas palavras noplu– ral porque tenho a certeza que todos os que serviram a "briosa» pensam o m'smo); do sarg.-aj. e ra manuel dos santos baptista, queluz, dizen– do para renovar a minha assinatura na revista pela qual sinto que acom– panho a corporação que servi du– rante 30 anos; de joão do nascimen– to, aveiro, com palavras de igual teor, perguntando : onde estão os "filhos da escola» de 'outubro de 1969?que é feito do pessoal do fogo saído desse recrutamento? ' onde estão os dois últimos comandantes e restante pessoal da guarnição da lfp «aljezur», em serviço na guiné à data da independência? no sentido da realização de um convívio, peço aos que lerem este meu apelo para me contactarem na: rua infante d. henrique, 13, alagôas, esgueira - 3800 aveiro; do 1. 0-sarg. mq ra an– tónio josé de sousa mendonça, s. brás de alportel, pedindo para que a revista continue a informar na sec– ção «saibam todos» sobre os direi– tos e deveres do pessoal da reser– va; de joão eduardo cipriano, lis– boa, lembrando que andou cerca de 5 anos embarcado no «vasco da gama», nos tempos em que o almo– ço da guarnição era apenas sopa, e acrescentando que tem muitas sau– dades desse tempo; de josé antónio dias santos, basel, suíça. ••• convívio os elementos do anti0 dfe n.08, que fez uma comissão na gui– né entre 1971 e 73, vão reunir-se num almoço-convívio, no dia 20 de abril próximo, em local a combinar, para comemorar o 12. aniversário do seu regresso . os interessados deverão contac– tar, até 15 de março, com joão do– mingos ferreira, cabo fze 56368, unidade de apoio aos organismos da administração central da mari– nha -1188 lisboa codex. ••• oferta do comando da fragata «almi– rante pereira da silva') recebemos a oferta de um escudete da unidade. os nossos agradecimentos. este escudete pode ser adquirido na cantina do navio pelos antigos membros da guarnição, ao preço de 35000. ••• boas-festas apresentaram-nos cumprimen– tos de boas-festas, que agradece– mos e retribuímos, as seguintes indi– vidualidades e organismos: pedro bastos veiga, sever do vouga; josé antónio dias santos, suíça; belmiro morais, mar. cm 202768, senhorim; mário luís san– tos ferreira, praia do ribatejo; josé martins prazeres, bombarral; joa– quim soares ferreira, albergaria-a– '-velha; joaquim da silva torres, faial, açores; manuel gonçalves neto, póvoa de varzim; joaquim ro– sado gamboa, lagos; manuel dos santos baptista, queluz; dr. josé joaquim saraiva cruz, porto; ar– mando borges pimentel, lisboa; joão ribeiro venâncio, almada; ví– tor manuel mineiro lourenço, sobral de monte agraço; amadeu pereira da silva, lisboa; alistamento da ar– mada de 1939; joão eduardo cipria– no, lisboa; eurico baptista da fon– seca, lisboa; correios e telecomu– nicações de portugal (com oferta de uma colecção de postais de b.f.); armando romão, feijó; agostinho da silva, tavira; delegação de to– mar dos s.s.f.a.; joão nascimento, aveiro; álvaro monteiro freitas, la– jes das flores, açores; joaquim mar– tins azevedo, s. bartolomeu de mes– sines; comte. roberto nogueira ma– chado, adido naval e aeronáutico da embaixada do brasil em lisboa; an– tónio fernandes tavares das eiras, oliveira de frades; josé manuel santos sequeira, algés; antónio marques serra, lisboa; joão da gra– ça barreira, évora; josé augusto ferreira pedro, torres novas; josé martins de pinho, vale de cambra; maria alice rodrigues ramos mar– tins, soure; antónio dias adrego, maceda; dioclesiano r. mata, mato-sinhos; comte. carreiro e silva, es– cola de fuzileiros; carlos manuel g. martins, «peniche», olivais sul; josé lopes cardoso, lisboa; antó– nio alves «rocha», monte de capa– rica; antónio f. rodrigues, lisboa; carlos alves castro, fafe; delega– ção de braga da liga dos combaten– tes; comte. manuel pinto machado, lisboa; joaquim augusto a. sobral, palmela; cor. leonid karpara, adido militar, naval e aeronáutico da em– baixada da urss em lisboa; missão militar portuguesa, luxemburgo; distrito de recrutamento e mobiliza– ção de setúbal; joaquim a. gonçal– ves, matosinhos; antónio bento fi– gueiras, azambuja; antónio martins rei, almada; joaquim soares reis, lisboa; agostinho c.m. fardilha, es– moriz; josé da silva ribeiro, vila nova de ourém; francisco orelhas latoeiro, campo maior; cabo l mon" teiro, comissão liquidatária de res– ponsabilidades; firmino caldeira, lisboa; francisco josé b. paulino, s. martinho do porto; v/alm. braga da silva; alm. ferreira de almeida; al– fredo gaspar dos santos, almada; salustiano j. ferreira, belver; cap. antónio hermenegildo, avis. gen. chang chunsheng, adido militar, naval e aeronáutico da em– baixada da república popular da china em lisboa, e esposa, dong shucjing; américo f. gonçalves, ma– tosinhos; carlos manuel f. leiras, loures; comte. nobre de carvalho, macau; ex-mar. a 29172, antónio j.m. ferreira, queluz; ramiro do– mingos terrível, aveiro; manuel ra– fael alves, mação; grupo familiar escola 1949; manuel p. dos santos; odivelas; comte. canelas cardoso, director do «baluarte»; francisco da conceição; sargentos do g1 ea; 1.– -ten. sg rf manuel do nascimento porto; miguel m. barbosa, guima– rães; josé da s.vitorino, rio maior; ex-1.-mar. c 128070, domingos f. duarte, águeda; antónio f. silva nova, póvoa de varzim ; susana nu– nes, saisêdas; v/alm. fragoso de matos; 1. 0-sarg . m ra joaquim ca– brita machado, s. bartolomeu de messines; v/alm. moura da fonseca; 1. 0-ten. s'g manuel domingues, cova da piedade; comte. cunha brasão; correios e telecomunica– ções de macau; joão baptista si– mões, mafra; c/alm. teixeira da sil– va; comte. raul de sousa machado; comte. leiria pinto;antónio m. alves 7</Page><Page Number="46">ernandes, horta, açores ; josé ave– lino trindade corucho, lisboa; va– lentim c. órfão, barreiro ; josé cle– mentino p. oliveira, almada; josé baía, cacém; ex-mar. a 75870, artur inácio, vimeiro ; antónio da costa oliveira, marinha grande; c/alm. joão carlos gomes e trindade; jor– ge ramos, barreiro; francisco ga– ihetas, almada; mário cardoso car– valho, cinciberlant; clube mili– tar naval; arménio r. da silva, lis– boa; capelão deimar barreiros; cen– tro gráfico do exército (com a oferta de calendários de bolso) ; luís poli– carpo das dores, lisboa ; viriato dos santos, lisboa. mário magliano, embaixador da itália em lisboa; cor. vicenzo gior– dano, adido militar, naval e aeronáu– tico da embaixada da itália em lis– boa; corpo de polícia dos estabele– cimentos de marinhaj pintor alberto cutileiro, lisboa; agência de lagos da liga dos combatentes; joão car– los r. da silva, lisboa; mário de araújo vilaça, lisboa; fedração portuguesa de filatelia; emídio au– gusto isaías, corrois; cabo se 60065, joão baptista simões, esco– la de comunicações; ministério do mar ; sarg .-aj . t ra joaquim de sou– sa teixeira; comte. jorge afonso wagner , estoril; cabo cm ra 101242, marcelino b. vieira, vila do que em virtude do in ício de novas consultas externas (de ortopedia e fracturas e de ginecologia), foi alterado o esquema horário da casa de saúde de marinha, no alfeite, publicado no nosso n." 150/março de 84. que no novo esquema, as consultas se realizam dentro do seguinte horário: 8 i . mil itares e mil itarizados, no activo, na reserva ou na re– forma: • clínica médica: 3.''' e 5."'-fe iras, às 14.30 h; • clínica cirúrgica: 3."'e 5."'-fei ras, às 14. 30 h; • ortopedia e fracturas: conde ; joaql!im da encarnação sil– va, alcobaça; jorge manuel p. gor– jão, lisboa ; director e pessoal do de– pósito pol nato de ponta delgada; dr. paulo passos figueiras, gondo– mar; carlos manuel g. ferreira, bar– reiro ; fernando manuel c. henri– ques, rio maior ; joão alberto pinho, lisboa; hermínio lourenço gomes, viseu ; adão monteiro, paredes ; joão fernandes teixeira, cabecei– ras de basto; «jornal do exército» ; alrlindo rosa viegas, quarteira. francisco carlos de castro, lis– boa; josé carlos c. pedrosa santos, aveiro ; mário rui m. cavalleri, setú– bal ; cesaltina maria valadas, mem martins; manuel da silva, frança; manuel simões de oliveira, aveiro; oficiais da escola de mergulhadores; 1. o -sarg. t humberto d. teixeira da silva, abobada; rui jorge s. brocha– do da silva, felgueiras; cabo cm 222549, manuel ferreira dos san– tos, soure; associação dos deficien– tes das forças armadas (com oferta de calendários); 1. o -mar. fz rf 130369, simões de oliveira, ílhavo ; banco borges &amp; irmão. 000 fez questão de vir pessoalmente à secretaria da «ra" dar as boas– -festas o antigo marinheiro torpe– deiro-electricista n.o 271516, arlindo marques pereira, natural de nelas e agora residente em lisboa. esta notícia nada teria de ex– traordinário se não fosse o facto des– te nosso amigo e assinante ter com– pletado, recentemente 90 anos de idade. ei-io , na: foto, aprumado e or– gulhoso, com as condecorações que ganhou na primeira grande guerra, rodeado de iguarias e boas pingas, no dia do anivers'ário (16 de março passado). a revista agradece ao mar. arlin– do a sua visita, desejando que, já agora, a repita quando fizer 100. ••• saibamtodos 2.'" e 6."'-feiras , às 14. 30 h; • oftalmologia: 3.'''-feiras,às 14.30 h ; 5."'-feiras às 09.00 h; • otorri no lari ngologia: 3."'-feiras, às 09.00 h; 5."'-feiras, às 14.30 h; • gastrenterologia: 3.'" e 5."'-feiras, às 14.30 h. 2. familiares beneficiários da adma: • clínica médica: 5."'-fei ras, às 16.00 h ; • clínica cirúrgica: 5."'-fe iras,às 16.00h; • ortopedi a e fract uras: 4. "'-feiras, às 14.30 h : • oftalmologia : 3."'-feiras,às 16.00 h ; • o torrinolari ngologia: 3."'-fe iras,às io.30h; • gast renterologia: 3."'-fe iras, às 14.30 h ; • gi necologia: 6."'-feiras, às 14.30h . que as marcações para as consultas deverão ser feitas directamente na casa de saúde ou pelo telef. 2294598, em qualquer dia útil, das 09.00 às 12..00 e das 13.00 às 17.00 h , devendo os mil itares na efecti vidade de serviço apresen– tar-se com guia da sua unidade e os restantes utentes ser portado– res do bi lhete de identidade mili– tar ou cartão da adma. ••••••••••••••••••••</Page><Page Number="47">ormação adolescência (2) duc çã ao dos. rapazes, cerca de 2 a 8 bati– mentos por minuto. em todos os adolescentes a pressão arterial é mais elevada, o consumo de oxigénio diminui , a recu– peração funcional ocorre a menor físic velocidade , diminuindo a resistência à fadiga. este quadro mostra quanto é ne– cessária urna diferenciaçãcj nas exi– gências tanto de carácter físico como comportamental. em conclusão do artigo publica– do no número de dezembro, passa– mos a analisar, de forma sucinta, as principais diferenças na evolução da puberdade , no rapaz e na rapariga. *********************** a puberdade é normalmente an– tecedida pelo crescimento em altura, por volta dos 12 anos e meio nos ra– pazes e dos 10 anos e meio nas ra– parigas. estas atingem a altura dos rapazes por volta dos 8-10 anos, ul– trapassando-os cerca dos 14, e sen– cio ultrapassadas nos últimos anos da adolescência. durante a puberdade, a cintura pélvica das raparigas alarga, ao pas– so que nos rapazes alarga a cintura escapular e aumenta o tamanho das mãos e dos pés. desporto fase de um dos encontros do campeonato de andebol de 7 das forças armadas. andebol de 7 tanto nos rapazes como nas ra– parigas, começa a aparecer o reves– timento capilar nas zonas axilar e pú– bica, e inicia-se o processo de mu– dança de voz. nos rapazes começa a despon– tar a barba e verificam-se perdas se– minais. entre 26 e 29 de novembro, o cefa organizou nas instalações da base naval de lisboa, no alfeite, o campeonato de andebol de 7 das forças armadas de 1984, o qual foi disputado em dois escalões. gundo (mais de 35), as da armada, exército e polícia de segurança pública. a equipa do exército sagrou-se campeã no 1. escalão, seguida da armada; no 2. escalão venceu a equipa da anilada. parabéns ao veteranos da mari– nha pela sua vitória. nas raparigas começam a cres– cer os seios e iniciam-se os ciclos menstruais. o pulso su rge superior no primeiro escalão (menos de 35 anos) , participaram as equipas da armada, exército, força aérea e po– lícia de segurança púbiica. no se-medeiros de almeida, t .o-ten. seg livro das armadas texto actualizado do códice reproduzido na cont ra– capa: . ano de 1502 partiu para a índia dom vasco da gama, almirante, .por capitão-mor; e partiu a dez de fevereiro com vinte ve– las, e partidas em três capitânias , a saber: vicente 50dré, tio dele dom vasco da gama, irmão de sua mãe, que leva– va a sucessão, por capitão-mor de cinco velas, que haviam de ficar na índia em favor das feitorias de cochim e cana– nor, e também para em alguns meses do verão irem guar– dar a boca do estreito do mar roxo; e capitânia mor de ou– tras cinco velas, que não estavam prestes, se deu a estêvão da gama, primo co -irmão de vasco da gama, que depois partiu a primeiro de abril; na qual frota iam estes capitães: «5. pantaleão»: pedro afonso de aguiar, diogo fernandes correia; «5. jerónimo» : dom vasco da gama; «5. gabriel»: gil matoso; joão lopes perestrelo; «bate cabelo »: rui de castanheda; gil fernandes; . «leitoa-a-nova»: francisco da cunha, das ilhas ter-ceiras; a ntónio do campo. com temporal garrou e, meio per– dido, foi invernar em uma das ilhas da costa de melinde, sem saber onde estava. n. r. - a armada de que si' irl/la i'sl l' cádicl' i's l lí d,s'li hada 'ii i duas páginas. 4 i' 5. a que s' r,prodl/z 1/11 liossa co/llrl/capa é a s'gl/lida daquelas. •••••••••••• •• ••••••••••••••• • 9</Page><Page Number="48">antologia do mar e dos marinheiros herman melville pejo cap.-trag. cristóvão moreira herman melville nasceu no ano de 1819, em nova iorque. órfão de pai muito cedo, teve de ganhar a vida em empregos modestos, e foi essa necessidade que acabou por empurrá-lo para o mar : aos quinze anos fez a sua primeira viagem a inglaterra, e tinha vinte e um quando participou numa expedição aos mares do sul., à pesca da baleia, da qual viria a desertar nas ilhas marquesas, fugindo à brutalidade com que o comandante tratava a tripulação . aprisionapo pelos indígenas na ilha de nuku hiva, cativo se manteve por quatro meses, até que foi salvo por um baleeiro australiano. apaixonado viajante dos mares, não é só por essas experiências vividas, que nos transmitiu em obras como «typee» (1846) e «omoo» (1847), que trazemos a esta gale– ri a o escritor americano : porque herman melville ocupa na literatura universal um lu– gar próprio - ainda que tardiamente reconhecido. «a vasta população , as altas cida– des, a publicidade errónea e clamorosa, conspiraram para que o grande homem secre to seja uma das tradições da américa», como escreveu jorge luís borges , para quem herman melville foi indiscutivelmente um desses grandes homens secretos da améri– ca: um homem que, regressado do mar, teve de ser anos e anos empregado na alfânde– ga de nova iorque para sustentar a vida, que na grande metrópole se iria extinguir, quase anónimo, no ano de 1891; duas décadas passadas , a enciclopédia britânica ainda referia melville apenas como um mero cronista da vida marítima; e como escritor seria pura e simplesmente ignorado por lang e por george saintsbury, nas histórias da lite– ratura inglesa que publicaram em 1912 e 1914. a primeira monografia americp a, «herman melville, mariner and mystic», aparece somente em 1921. borges, que tra– duziu para castelhano «bart1cby», um dos relatos pertencentes ao volume «the piazza tales» (1856), insurge-se contra a demora na revelação de herm'ân melville, o atraso da glória que só nos anos vinte do nosso século começari a a chegar , quando a crítica o foi buscar ao esquecimento, reparando nessas páginas iluminadas pelos reflexos de kafka , de quem fora afinal um precursor. e a publicação póstuma de «billy bud» (1924) seria já um acontecimento notado, reconhecido estava melville como um dos grandes romancistas do século xix , grande homem secreto deixara de ser. o trecho seleccionado para a nossa antologia constitui um dos capítulos desse longo prodigioso romance, da obra-prima de herman melville que é «moby oick (a baleia brànca». publicado no inverno de 1851, é uma fascinante odisseia, da loucura do capi– tão acab, da avidez com que pelos mares busca e persegue, para a destruir numa impla– cável vingança, a baleia branca : uma odisseia que o cinema e a televisão não resistiram a explorar, sem apagarém as páginas do livro onde nasceu, contada em 'linguagem duma perturbadora veemência , que vai crescendo para além do horizonte da vida dos baleeiros e da loucura do seu capitão, que sugere e abrange a imensa e desumana vasti– dão dos oceanos do mundo. 10 de «moby dick, a baleia branca» (herman melville, 1851) a perna e o braço. o «pequod», de nantucket, encontra o «samuel enderby», de londres - ó do barco! viram a baleia branca? assim gritava acab, chamando à fala, mais uma vez, um navio que ostentava as cores inglesas e passava a ré. porta-voz na boca, o velho estava de pé na baleeira iça– da à proa, a sua perna de marfim nitida– mente visível para o capitão estrangeiro, que estava descuidadamente apoiado à proa da sua própria baleeira. era um belo homem, tisnado e robusto, cuja idade or– çaria pelos sessenta anos; vestia um amplo gibão que o envolvia em festões de pano azul de piloto; uma manga vazia da sua vestimenta flutuava atrás dele como a manga de um casaco de hussardo. - viste a baleia branca? - estás a ver isto? - e, extraindo-o das dobras que o escondiam, levantou um braço branco de osso de cachalote remata– do por uma cabeça de madeira, como um maço. - homens para o meu barco! - gritou acab impetuosamente agitando os remos que se encontravam perto dele. - apron– tem-se para arriar! em menos de um minuto, sem deixar a baleeira, ele e a sua equipagem foram ar– riados para a água e depressa acostaram ao estrangeiro. entretanto surgiu uma cu– riosa dificuldade. na excitação do mo– mento, acab esquecera que, desde a perda da perna, não havia pisado uma única vez outro navio que não fosse o seu, onde dis– punha de uma engenhosa invenção mecâ– nica, especial no pequod, e que não podia ser montada em qualquer outro navio de um momento para outro. não é coisa fácil para ninguém - excepto para aqueles que, como os baleeiros, o fazem quase a toda a hora - subir de uma baleeira para bordo de um navio no alto mar; com efeito, as grandes vagas ora elevam a baleeira até à amurada ora a precipitam brl!scamente a meio do caminho da sobrequilha. assim, privado de uma perna, e não possuindo o navio estrangeiro e prestimosa invenção, acab achou-se ignominiosamente reduzi– do ao estado de um desajeitado terrestre, olhando imponente a altura incerta e mó– vel que dificilmente podia esperar atingir. já talvez se tenha insinuado que, sem-r</Page><Page Number="49">pre que lhe sobrevinha uma pequena con– trariedade, derivada do seu infeliz aciden– te; isso invariavelmente irritava e exaspe– rava acab. na circunstância, o caso foi agravado pela presença de dois oficiais do navio estrangeiro que estavam debruçados na amurada, perto da escada perpendicu– lar de degraus fixos e que lhes balançavam um par de escadas de corda ornamentadas com gosto; na verdade, a princípio não lhes ocorreu que um perneta estava dema– siado estropiado para poder utilizar o seu corrimão marinho. mas o embaraço só .durou um momento, pois o capitão estran– geiro, avaliando o caso num relance, gri-– tau: - compreendo! compreendo! dei– xem de puxar! depressa, rapazes, atirem o moitão da talha! por sorte, eles tinham capturado uma baleia um ou dois dias antes e os grandes moitões estava ainda montados e o pesado gancho da gordura, agora seco e limpo, encontrava-se ligado à extremidade. foi lentamente descido para acab que, com– preendendo imediatamente a intenção, en– talou a sua única coxa na curva do gancho (era como estar sentado na asa de uma ân– cora ou naiorquilha de uma macieira), e, dando sinal, agarrou-se firmemente e, ao mesmo tempo, ajudou a içar o seu próprio corpo puxando, à força de braço, uma das partes corrediças do moitão. depressa foi cuidadosamente alado para o interior da alta' amurada e suavemente depositado na cabeça do cabrestante. com o seu braço de marfim cordialmente estendido em sinal de boas-vindas, o outro capitão avançou e acab, estendendo a sua perna de marfim, cruzando-a com o braço de marfim (como duas lâminas de espadarte), exclamou com a sua voz de morsa: - sim, sim, calorosamente apertemos os nossos ossos! um braço e uma perna! um braço que jamais poderá dobrar-se, uma perna que nunca mais poderá correr. onde viste a baleia branca? há quanto tempo? - a baleia branca - respondeu o in– glês, estendendo o seu braço de marfim para leste e lançando ao longo dele um olhar triste como se fosse um telescópio. - vi-a para aquele lado, na linha, na tem– porada passada. - e ela levou esse braço, não? - inda– gou acab, deixando-se escorregar do ca– brestante apoiado no ombro do inglês. - levou, pelo menos foi ela a causa– dora; e essa perna, também? - conta-me lá essa história - replicou acab . - como foi isso? - foi a primeira vez na minha vida que naveguei na linha - começou o in– glês. - nessa altura não conhecia a exis– tência da baleia branca. bem, um dia ar– riámos os escaleres para caçar um banco de quatro ou cinco baleias e o meu bote al– cançou uma delas; era um autêntico cava– lo de circo, que começou a andar às voltas como um moinho, e de tallnodo que a mi– nha tripulação só pôde equilibrar o barco sentando-se todos na borda oposta. então surgiu do fundo .do mar uma baleia enor– me, com a cabeça-e a corcova brancas como leite, e recoberta de rugas e pés-de– -galinha. - era ela, era ela! - gritou acab, li– bertando de súbito a respiração suspensa. - tinha arpões enterrados perto da barbatana de estibordo. - sim, sim... eram meus ... os meus ferros - prosseguiu acab exultante. - continua! - dê-me então uma oportunidade - prosseguiu o inglês com bom humor. - bem, essa velha bisavó de cabeça branca e corcova precipita-se, envolta em espu– ma, para dentro do grupo e começa a mor– der furiosamente a minha linha. - sim, estou a ver! queria cortá-la; li– bertar o peixe preso ... um velho truque. .. já a conheço. - não sei exactamente como isso se passoll - continlloll o comandante mane– ta. - no entanto, ao morder a linha, esta prendeu-se-lhe nos dentes; nesse momento não o sabíamos; e, depois, quando puxá– vamos a linha, fomos dar precisamente em cima da sua corcova em vez de ficar em cima da outra baleia, que fugiu para sota– vento, a bater a cauda. vendo em que pon– to estavam as coisas, e que a baleia era no– bre e grande - a maior e mais nobre que me foi dado ver em toda a minha vida, sir - , decidi capturá-la a despeito da fúria louca que parecia dominá-la. e, pensando que a linha pal:iia, por acaso, soltar-se, ou que o dnte na qual estavg enrolada podia ceder (porque tenho uma tripulação boa como todos os diabos para puxar uma li– nha de baleias), vendo tudo isto, ia eu di– zendo, saltei para a baleeira do meu ime– diato; a baleeira do sr. mounttop (a pro– pósito: capitão mounttop; mounttop, ca– pítão .. .) como ia dizendo, saltei para o bote de mounttop, que, compreende, esta– va com a borda encostada ao meu; e então, agarrando, no arpão mais próximo, atirei– -o a essa velha bisavó. mas, meu deus, re– pare nisto, sir ... à fé de quem sou,no mo– mento seguinte, num abrir e fechar de olhos, estava tão cego como um morcego, cego dos dois olhos, que ficaram comple– tamente enevoados e insensibilizados por uma espuma negra.. . a cauda da baleia erguia-se ali no meio, perpendicular como um campanário de mármore. impossível pensar em recuar; mas, enquanto eu ia tacteando ao meio-dia, com o sol a cegar, marchetado de jóias, enquanto às apalpa– delas procurava um segundo arpão para o lançar, eis que a cauda desaba como uma torre de lima, cortando o meu barco a meio, reduzindo a estilhaços cada uma dessas metades; e, com a cauda à frente a corcova branca passou recuando entre os destroços como se fossem apenas cava– cos. todos nos afastámos a nado. para es– capar a esses terríveis golpes, agarrei-me ao cabo do meu arpão, que estava enterra– do nela, segurando-me um momento a ele como uma rémora. porém, uma vaga ar– rancou-me brutalmente e, no mesmo ins– tante, o peixe, atirando-se para diante com um impulso, mergulhou como um relâm– pago; e a farpa daquele maldito segundo ferro, passando muito perto de mim, apa– nhou-me por aqui (cerrou a mão mesmo . por baixo do ombro), sim, apanhou-me mesmo aqui, digo eu, arrastou-me até às chamas do inferno pensei eu então; de re– pente, graças a deus, a farpa rasgou cami– nhú na minha carne- correndo ao longo do braço - e acabou por sair junto do pul– so e subi à superfície; aquele cavalheiro ali lhe contará o resto (e já agora, capítão... dr. bunger, médico de bordo; bunger, meu velho... o capitão) . agora, bunger, meu rapaz, conta lá a tua parte na história. o cavalheiro ilustrado assim tão fami– liarmente apresentado mantivera-se du– rante todo este tempo de pé junto deles, sem que algo de específico e visível deno– tasse o lugar de relevo que ocupava a bor– do . o seu rosto era muito redondo, mas grave; vestia uma camisola ou uma camisa de lã de um azul-desbotado e umas calças remendadas; e até então havia repartido a sua atenção entre um passador que tinha numa das mãos e uma caixa de pílulas que tinha na outra, lançando ocasionalmente um olhar judicioso aos membros de mar– fim dos dois capitães estropiados. porém, quando o seu superior o apresentou a acab, inclinou-se polidamente e i1'1pstrou– -se logo disposto a satisfazer o pedido do seu capitão. - tratava-se de uma ferida muito feia - começou o médico do baleeiro - e, se-guindo os meus conselhos, o capitão boo– mer dirigiu o nosso velho sammy ... - samuel enderby é o nome do meu navio - interrompeu o capitão maneta, dirigindo-se a acab. - continua, meu ra– paz .. . - . . . dirigiu o nosso velho sammy para norte, a fim de sair do calor ardente que se faz sentir lá em baixo, na linha. mas foi inútil.. . fiz o que pude, velei à noite, fui muito severo corri ele no que toca à dieta. .. - oh, muito severo! - exclamou o próprio paciente; depois, mudando subi– tamente de voz: - ele bebia rum quente comigo todas as noites, até ficar incapaz de ver para me pôr as ligaduras; e manda– va-me deitar meio bêbado, por volta das três da manhã. oh!, pelas estrelas! na ver– dade, ele ficava de vigília comigo e fiscali– zava severamente a minha dieta. oh!, que grande vigilante e como é muito dietetica– mente rigoroso o dr. bunger! (bunger, meu tratante, vá lá, ri-te! porque não te ris? bem sabes que és um belo malandro) . mas, avante, rapaz, gostaria mais de ser morto por ti do que salvo por qualquer ou– trohomem. - já certamente se apercebeu, respei– tável sir - disse com ar de santo o imper– turbável bunger, baixando levemente a cabeça para acab - , que o meu capitão é por vezes um homem de pilhérias; diz-nos sempre muitas coisas destas . mas devo acrescentar - en passant, como dizem os franceses - que eu, quero dizer jack bunger, outrora membro do venerável clero, sou estrita e totalmente abstémio. nunca bebo. .. - água! - gritou o capitão. - nunca bebe água, pois lhe provoca uma espécie de ataques; ti água fresca atira-o para a hi– drofobia; ,mas continua... continua com a história do braço. - sim, é melhor - prosseguiu calma– mente o médico. - antes da faceciosa in– terrupção do capitão boomer, sir, ia ell di– zendo que, a despeito dos meus melhores e dos mais sérios esforços, o ferimento continuava a piorar; na verdade, sir, trata– va-se da pior ferida aberta que médico al-11</Page><Page Number="50">um jamais viu; tin/1fl mais de dois pés e al– g/lmas polegadas de extensão; media-a coiii a .\'o//da. em r('.\' 111110 , 10r//o/l-.\'(' //('– gra; sabia o que ela ameaçava; e ei-lo am– putado. cçmtudo, nada tenho a ver com o seu braço de marfim; aquela coisa é contra todas as regras - disse ele, apontando com o seu passador. - isto é trabalho do capitão, e não meu; ordenou ao carpintei– ro que o fizesse; mandou colocar na extre– midade essa cabeça de malho, julgo eu que para esmagar'a cabeça de algué,m; como tentou uma vez fazer à minha. as vezes é atacado por umas raivas diabólicas. está a ver esta marca, sir? - tirando o chapéu e afastando os cabelos mostrou uma cavi– dade , semelhante a uma taça, no crânio, mas que não evidenciava o menor vestígio de cicatriz, nem sinal algum de jamais ter sido uma ferida. - bem, o capitão vai-lhe contar como isto apareceu aqui; ele sabe. - não, eu não sei, mas a sua mãe sa– bia-o, nasceu já com isso - redarguiu o capitão. oh, que solene velhaco tu me saíste, bunger! já teria havido a(guma vez outro bunger no mundo das águas? quando morreres, bunger, vai ser preciso p.ôr-te de salmoura, velhaco; deves ser posto de conserva para as gerações futu– ras, meu patife. mas que aconteceu à baleia branca? -'- interrompeu então acab, que ouvira até aí, com impaciência, os apartes dos dois ingleses. - oh! - exclamou o capitão maneta. - claro! bem, depois de ela ter picado, não a voltámos a ver durante algum tem– po; e até, como já disse, eu não.sabia então quem era a baleia que me tinha pregado se– melhante peça; só algum tempo depois, qualido regressámos à linha, ouvimos fa– lar de moby dick, como iiiguns lhe cha– mam; e assim soube quem era. - voltaste a cruzar-lhe a esteira? - duas vezes. histórias de marinheiros - e não pudeste atacá-la? - não quis tentar; um braço não é su-fuciente? que faria eu se ficasse sem o ou– tro braço? e estou em crer que moby dick ainda engole mais do que morde. - bem, então - interrompeu bunger -, estenda-lhe o braço esquerdo como isco, para tentar recuperar o seu braço di– reito. sabem, cavalheiros - aqui inclinou– -.\'e com muita .xravidadé e metodicamente diante de cada um dos dois capitães - , sa– bem, cavalheiros, que os órgãos digestivos dà baleia são feitos tão misteriosamente pela divina providência que lhe é absolu- . tamente impossível digerir sequer um bra– ço de homem? ela também o sabe. de modo que aquilo que considerais malícia por parte da baleia branca não passa de inépcia. pois ela nunca teve a intenção de engolir um único membro; pensa apenas em aterrorizar-nos com as suas astúcias. mas às vezes ela é como o velho malaba– rista, um antigo paciente meu em ceilão, que, fingindo engolir facas, engoliu real– mente uma e lá ficou doze meses ou ainda mais até que lhe dei um vomitório e, vejam bem, devolveu-me sob a forma de peque– nas tachas. não houve a menor possibili– dade de digerir a faca e de a assimilar intei– ramente. sim, capitão boomer, se fosse bastante lesto e bastante decidido para pôr um braço de penhor para obter o privilé- · gio de dar um enterro conveniente ao ou– tro, então, podia reavê-lo; dê apenas outra oportunidade à baleia e isso depressa acontecerá, e é tudo. - não, bunger, obrigado - respon– deu o capitão inglês -, pode guardar o braço que lá tem, já que não lhe posso fa – zer nada; e depois ainda não a conhecia nessa altura; mas o outro não. para mim, basta de baleia branca; desci uma vez ao mar por causa dela , e isso basta. seria uma grande glória matá-la, bem sei, e há nela um precioso carregamento de espermace-te, mas devagar, mais vale deixá -la em paz. não acha, capitão? - e olhou de re– lance para aperna de marfim. - decerto. mas ela será caçada, ape– sar disso . a coisa maldita que mais valia deixar em paz !1em sempre é a que menos atracção tem. e um íman! há quanto tem– po a viste pela última vez? que rumo se– guia ela? - que deus me abençoe e amaldiçoe o diab.o - exclamou bunger, caminhan– do cabisbaixo em torno de acab e fungan– do estranhamente, como um cão . - o sangue deste homem (tragam-me o termó– metro!) está no seu ponto de ebulição; o seu pulso faz estremecer estas tábuas, sir. e, tirando do bolso uma lanceta, apro– ximou-se do braço de ácab. - arreda! - rugiu .acâb, empurran– do-o para a amurada. - homens para a baleeira! em que direcção ia ela? - santo deus! - exclamou o capitão inglês, a quem era dirigida a pergunta . - que é que há? dirigia-se para leste, julgo eu. o vosso capitão é louco? - sussurou a fedallah. todavia, este pôs um dedo nos lábios e saltou a amurada para pegar no remo da baleeira e acab, puxando o moitão da ta– lha, ordenou aos marinheiros do navio que se aprestassem para o descer. um momento depois estava de pé na popa da baleeira e os homens de manila saltaram para os remos. em vão o capitão inglês berrou para ele. de costas voltadas para o navio estrangeiro, o rosto duro como pedra , virado para o seu próprio na– vio, acab manteve-se de pé até abordar o pequod . (da edição publicações europa-américa, colecção livros de bolso, 2 volumes-n.'" 20ge 2/0) •••••••••••••••••••• 68-a bordo... dos eléctricos de tudo que vai seguir-se posso garantir a autenticidade inteira. dos dois primeiros episódios fui testemu– nha presencial. quanto ao último, não tendo estado presente, garanto a seriedade do camarada que ·· mo contou - testemunha que também foi do incidente. pois há muitos anos, era eu aspi– rante, ainda com a escola naval na baixa pombalina, tomei, no terreiro do paço, um carro eléctrico para o poço do bispo, na companhia de um colega. íamos ao hospital da mari-12 nha, para quaisquer análises de ro– tina. o carro, àquela hora - era muito cedo - ia cheio, a trasbordar, com larga predominância de trabalhado– res destinados ao lado oriental da cidade. ficámo-nos pela plataforma da rectaguarda, para evitar os apertos do interior. num determinado momento ou– vimos altercar lá para diante, mas não ligámos importância. e só tomá– mos consciência de que algo de anormal teria ocorrido quando o con– dutor, regressado à plataforma onde seguíamos, denunciava, no ar con– gestionado e nos gestos .bruscos, que se verificara mais um dos costu– mados conflitos com os passageiros. o homem foi acalmando. com a cobrança feita e com o carro já um tanto aliviado, pressentira talvez, nas nossas fardas e na nossa juventude, um pouco de compreensão que até então lhe faltara. - os senhores não imaginam o que nós sofremos aqui!. ..</Page><Page Number="51">• pisara, sem querer, nas pressas da cobrança, um dos passageiros. eeste, irritado, incompreensivo, logo o invectivara do pior. a atenção deferente que lhe prestáramos predispôs o condutor a mais desabafos. e logo assegurou que tinha colegas -não era o seu caso, infelizmente - que sabiam dar aos passageiros a resposta me– recida. uma vez - contou - também um colega pisara, inadvertidamente, como ele, um passageiro, que sem atender a desculpas, logo berrou em voz alta, para ser ouvido de lés a lés: - irra!. .. que estes condutores parece que comem carne de cava– lo!... ele é cada patada!... o colega - como ele garantiu - não se perturbou. mal extintos os ecos do insulto, logo replicou, com malícia evidente: - irra!. .. que estes passageiros parece que comem carne de boi!... ele é cada «marrada» ... 000 de outra vez, um grupo de aspi– rantes, em dia de folga, fora jantar a um restaurante do campo grande. a refeição arrastou-se pela noite dentro, com abundância de comidas e bebidas - decerto com predomi– nância larga destas últimas. naquele tempo, os dinheiros eram escassos. nos transportes nunca se recorria aos táxis. utiliza– vam-se os eléctricos, mas económi– cos, com tarifas de 50 (uma coroa), 75, 85, 95 e 105, conforme as zonas a vencer. foi assim que, acabada a função, o grupo de aspirantes de marinha, fardados, embarcaram num eléctri– co, para regressar à baixa. duas ve– lhotas, apenas, eram passageiras únicas quando eles entraram. o carro arrancou , veloz àquela hora da noite, com o trânsito.morto. . como era verão, as janefas iam abertas. a certa altura, com os sola– vancos do eléctrico, dançando nas li– nhas e entrando nas agulhas, houve um aspirante que, bem bebido, se debruçou da janela e, num estertor, começou a «chamar pelo gregório». atrás, uma das velhotas, ingénua 'e sinceramente condoída, exclamou para a companheira: - coitadinho! aquele até no eléctrico enjoa!... 000 na carreira de algés, num eléctri– co daqueles compridos, com lotação esgotada, viajava, pela mesma épo– ca, um marujo bem apessoado, de farda impecável e botas reluzentes de brilho bem puxado (nâo se usa– vam ainda sapatos, naquele tempo). seguia em pé, seguro numa das pegas de couro, junto de um banco longitudinal. neste sentava-se uma dama, já madura, exuberante de for– mas, fortemente pintada, exalando um perfume um tanto equívoco. eis quando, a uma travagem re– pentina, o marujo se desiquilibrou, largou a pega por mão e caiu, de– semparado, no largo colo da dama. esta, escandalizada, bradou em voz alta: -credo!. .. um marujo!.. . este, levantando-se rápido, co-mentou para os circunstantes, carre– gado de intençáo: - naturalmente, por uma coroa, queria um alferes de ... cavala– ria... silva braga, v/a/mo •••••••••••••••••••• 13</Page><Page Number="52">avegadores emarinheiros na toponímia nacional depois de um trabalho de investigação que decor– reu de ab!"i1 de 1983 anovembro de 1984, consegui– mos apurar os nomes de navegadores e marinheiros que actualmente ' figuram na toponímia nacional. desde já agradecemos a colaboração das câmaras municipais, outras entidades e pessoas singulares que nos enviaram informações sobre o assunto. resolvemos, não sei se bem ou mal, não incluir neste traba– lho nomes toponímicos relacionados com a armada - rua do arsenal, travessa das galeotas, avenida ribeira das naus, etc. - nem pessoas que , embora estreitamente ligadas a ela, não lhe pertenceram ou não chegaram a fazer carreira nela - infante d . henrique (apesar de ter sido o impulsionador dos descobrimentos) , d . francisco de almeida (que comandou es– quadras em acção), os reis d . luís (que foi oficial da armada e por isso teve o cognome de «o rei marinheiro»), d. carlos i (que realizou importantes estudos de oceanografia no iate real «d. amélia»), d. manuel ii (que frequentou a escola naval) , etc. os elementos colhidos abrangem as 11 províncias do conti– nente, as regiões autónomas dos açores e da madeira e o terri– tório sob administração portuguesa de macau . enquanto se não concretizar a tão apregoada e desejada re– gionalização do país, as províncias são, como toda a gente sabe: minho (capital, braga), trás-os-montes e alto douro (vila real), douro litoral (porto), beira alta (viseu), beira baixa (castelo branco), beira litoral (coimbra), ril?atejo (santa– rém), estremadura (lisboa), alto alentejo (evora), baixo alentejo (beja) e algarve (faro), abrangendo 18 distritos: aveiro (com 19 concelhos e 198 freguesias), beja (19 e 90), bra– ga (13 e 511), bragaryça (12 e 298), castelo branco (11 e 156), coimbra (17 e 193), evora (14 e 77) , faro (16e 71) , guarda (14 e 332), leiria (16 e 131), lisboa (15 e 191), portalegre (15 e 82), porto (17 e 382), santarém (21 e 165), setúbal (13 e 74) , viana do castelo (loe 288), vila real (14e 264) e viseu (24e 366). a região autónoma dos açores compreende 9 ilhas (s. mi– guel, santa maria, terceira, s. jorge, graciosa, pico, faial, flo– res e corvo), com 3 distritos (ponta delgada, angra do heroís– mo e horta), 19 concelhos e 149 freguesias. a região autónoma da madeira abrange as ilhas da madei– ra e porto santo, apenas com o distrito do funchal, 11 concelhos e 53 freguesias. verifica-se, do. que fica escrito, que os distrito.s co.m mais concelho.s são o.s de viseu (24), santarém (21) e aveiro e beja (19); co.m menos, o.sde viana do castelo. (10), po.nta delgada e horta (7) e angra do. heroísmo (5). co.m mais freguesias te– mos o.s de braga (511), porto. (382) e viseu (366). * ** para que o. leitor , ao. ver na esquina de uma artéria uma placa co.m um no.me , não. faça a si próprio esta pergunta : - «quem seria este senho.r?», aqui fica a respo.sta, no que se refere a nave– gadores e marinheiros. com o.s erros e/ou o.missões próprios de um trabalho desta natureza, e para o.s quais pedimos desde já as nossas desculpas, são os seguintes: almirante gago coutinho (1869/1959) - histo.riador , mate– mático e geôgrafo.; deixo.u valiosos estudos e publicações, sobre– tudo acerca das navegações po.rtuguesas. realizou impo.rtantes trabalhos de geo.grafia em áfrica e celebrizou-se co.mo. navega-14 do.r do.s hidroaviões que realizaram a 1. a travessia aérea -do atlântico. sul. (figura nato.ponímica 71 vezes). almirante, vasco da 'gama (1469/1524) - almirante-mor das índias. o mais célebre e conhecido do.s nav,:gado.res po.rtu– gueses. descobriu o caminho marítimo para ii india, em 1498. (54 vezes). comandante sacadura cabral (1880/1924) - o maio.r avia– do.r po.rtuguês de to.do.s o.s tempos. realizou vários raids e via– gens aéreas impo.rtantes para o. desenvo.lvimento. da navegação aérea, culminando. co.m a heróica la travessia aérea do atlânti– co sul, em 1922 , que idealizou e realizou como pilo.to dos hi– dro.aviõ,:s utilizado.s. efectuo.u importantes trabalhos de geogra– fia em africa e mo.rreu em acidente de voo no mar do norte, quando. pilo.tava um hidroavião. da ho.landa para portugal. (48 vezes). almirante cândido dos reis (1852/1910) - ferveroso adep– to. das ideias demo.cráticas, desenvolveu grande actividade para a implantação_da república . julgando. perdida a revolução de 5 de outubro, suicidou-se. (48 vezes) , pedro álvares cabral (1467/1526 ?) - navegado.r de nomea– da que, em 1500, desco.briu o. brasil. (32 vezes). bartolomeu dias (?/1500) - navegador muito sabedo.r que , pela primeira vez, do.brou o. cabo. da bo.a esperança, perto do qual viria a mo.rrer depo.is num naufrágio.. (23 vezes). afonso de albuquerque (1453/1515) - classificado. de almi– rante po.r almeida d'eça, pelos seus vastos conhecimentos de navegação. e pelo grande impulso. que deu à construção e arma– mento. de navios . o mais ilustre homem de guerra português do século. xvi e no.tabilíssimo. governado.r da índia. (19 vezes). comandante carvalho de araú.jo (1880/1918) - distinguiu– -se co.mo co.mandante do. caça-minas «augusto. de castilho», ao bater-se até à morte co.ntra um submarino alemão., na i grande guerra, para salvar o. paquete «s. miguel», que c:ümboiava, em viagem de lisbo.a para os açores, com passageiros e carga. (19 vezes). gonçalves zarco (?/1467 ?) - navegador e fidalgo. da casa do. infante d . henrique que, com tristão vaz teixeira, desco– briu a ilha de po.rto santo. em 1418, e, no ano seguinte, co.m bar– to.lomeu perestrelo., a da madeira. (18 vezes) -:- fernâo de magalhães (1480/1521) - navegador português que se celebrizo.u ao serviço. da espanha co.mo co.mandante da armada destinada a dar, pela primeira vez, a vo.lta ao mundo. morreu em combate contra indígenas numa ilha das filipinas, pelo que viria a ser o. seu piloto, sebastião de elcano, a co.ncluir a viagem regressando. a espanha com o único dos cinco. navios que chego.u ao fim: (16 vezes). 'gil eanes (?/?) - navegador escudeiro do. infante d. henri– que que, pela primeira vez, do.brou o cabo. bo.jado.r, desfazendo a crença de que não se podia ir mais além. (12 vezes). manuel maria barbosa hedois du bocage (1765/1805) - grande poeta que esbanjo.u o talento. e a saúde numa vida desre– grada. po.r despacho da rainha d. ;maria i foi nomeado guarda– marinha da armada do estado da india, para onde seguiu numa nau. por não ter condições de promoção foi transferido para o exército. como. tenente da praça de damão . (12 vezes). diogo cão (?/?) - navegado.r que, po.r duas vezes (1482 e 1485) , foi mand(jdo po.r d. joão. ii prosseguir a exploração da costa africana para além da mina, descobrindo o. rio zaire ou congo.. (11 vezes). gonçalo velho (?/?)- fidalgo da casa do infante d. henri– que , navegado.r, que desco.briu as ilhas de s. miguel e santa ma- ' ria , no.s aço.res , cerca de 1439. (11 vezes). comandante roberto ivens (1850/1898) - explorador afri- ,</Page><Page Number="53">• cano que, com hermenegildo capelo, fez a travessia de costa a costa e a expedição a jaca, deixando dois livros-«de angola à contra-costa» e «de benguela às terras de jaca». (lovezes). antónio sérgio (1883/1969) - descendente de uma família de marinheiros, assentou praça, como aspirante de marinha, em 1901. promovido, embarcou em vários navios deixando a arma– da em 1910, por motivos políticos, no posto de segundo-tenente. notabilizou-se como escritor, poeta, político, conferencista, de– dicando-se também ao teatro . (10 vezes). paulo da gama (?/1499) - navegador, irmão de vasco da gama, que comandou a nau «srafaeh, da armada que desco– briu o caminho marítimo para a india. (8 vezes) . almirante d.joão de castro (1500/1548) - herdou o título de almirante de seu avô. um dos grandes vultos da história por– tuguesa . guerreiro e administrador. escreveu vários roteiros e um «tratado da esfera», sendo profundo conhecedor da nave– gação . foi capitão-mor, da armada de guarda-costas do mar roxo e governador da india, onde teve acção notável e veio a falecer. (8 vezes) . almirante hermenegildo capelo (1841/1917) - companhei– ro de roberto ivens nas expedições de grande alcance científico , feitas por ambos e já mencionadas . (8 vezes). primeiro-tenente médico ramiro correia (1937/1977) exerceu grande actividade política no período que se seguiu à revolução de 25 de abril de i974. morreu em moçambique, quando praticava vela junto a uma praia. (8 vezes). comandante azevedo coutinho (1865/1944) - companhei– ro de mouzinho nas campanhas de áfrica, onde se notabilizou pela sua valentia, merecendo ser proclamado «benemérito da pátria». foi ministro da marinha e lugar-tenente do rei d. ma– nuelil . (7 vezes). almirante machado dos santos (1875/1921) - um dos revo– lucionários que mais trabalhou para a implantação da repúbli– ca . à frente de forças sublevadas barricou-se na rotunda, ba– tendo-se heroicamente. foi promovido por distinção. em 1921, durante a revolta de 19 de outubro, foi barbaramente assassina– do. (7 vezes) . vaz teixeira (?/?) - navegador que, com gonçalves zarco, descobriu e colonizou a ilha de porto santo. realizou várias ex– pedições a áfrica com caravelas suas. (5 vezes). nuno tristão (?/1447) - navegador que descobriu a ilha de arguim . morreu em combate contra o gentio no rio ,do ouro (áfrica). é considerado o descobridor simbólico da guiné. (4 vezes) . pero de alenquer (?/?) - piloto que acompanl)ou vasco da gama na descoberta do caminho marítimo para a india e pedro álvares cabral nas suas expedições. (4 vezes). joão da nova (?/1509) - navegdor que , em duas viagens (1482 e 1485), explorou a costa de africa para além da mina. (4 vezes). pedro nunes (1502/1577) - matemático e astrónomo que foi cosmógrafo-mar do reino. autor de várias obras sobre a navega– ção, nomeadamente de um «tratado da esfera», e inventor do nór ',. ,4vezes). comandante carlos da maia (1878/1921) - precursor da república , tomou parte activa no 5 de outubro, batendo-se com valentia. dirigiu o assalto ao cruzador «d . carlos», foi deputado e ministro da marinha e das colónias . foi barbaramente assassi– nado na chamada noite sangrenta (revolta de 19 de outubro de 1921). (4 vezes). patrão joaquim lopes (1800/1890) - patrão de salva-vidas do instituto de socorros a náufragos , da armada. ficou célebre pelo arrojo e valentia com que efectuou muitos salvamentos no mar. (4 vezes) . almirante henrique tenreiro (190l/- ) - político e deputa– do muito dedicado a salazar e ao seu reime . as suas actividades principais desenvolveram-se no campo das pescas. demitido após 025 de abril, fixou residência no brasil. (4 vezes). comandante oliveira e carmo (1936/1961) - como coman– dante da lancha de fiscalização «vega», bateu-se heroicamente até à morte contra aviões indianos durante a invasão do estado português da índia, em 1961 . (4 vezes). pero escobar (?/?) - navegador que , em 1471, com joão de santarém, descobriu a mina e que, acompanhando diogo cão, deixou o seu nome gravado nas pedras de lelala, no rio zaire . (3 vezes). joão de santarém (?/?) - navegador a quem se atribui, jun-tamente com pero escobar, a descoberta do gabão e das ilhas de s. tomé, príncipc, fcrnando pó, etc . (3 vezes). estêvão da gama (?/?) - navegador, primo de vasco da gama, que descobriu as ilhas laquedivas, em 1512. (3 vezes). jorge álvares (?/1521) - primeiro navegador que aportou à china (ilha de lintin), em 1513, onde faleceu.j3 vezes). rodrigues cabrilho (? /1543) - navegador português que, ao serviço da espanha, descobriu a califórnia, em 1542. (3 vezes). almirante leote do rego (1863/1923) - realizou importan– tes estudos hidrográficos e geográficos em moçambique. evitou a invasão de quelimane pelos manjangas e, por ocasião do ulti– matum, impediu que vários navios de guerra ingleses realizas– sem trabalhos hidrográficos no rio chinde. escreveu o «guia de navegação à costa de moçambique». (3 vezes) . almirante jaime afreixo (1867/1942) - foi ministro da ma– rinha, em 1926, e publicou alguns trabalhos de índole profissio-nal. (3 vezes). . figurando duas vezes na toponímia : almirante pessanha (séc. xiii/séc. xiv) - membro de uma velha família genovesa, foi contratado por d. dinis como almi– rante-mor , em 1317. teve acção profícua na defesa da nossa cos– ta e em operações ofensivas contra muçulmanos e castelhanos. diogo gomes (?/?) - piloto da casa do infante, publicou uma «relação» de todas as viagens em que tomou parte . gaspar de lemos (?/?) - comandante de um dos navios da armada que descobriu o brasil. foi ele o encarregado de trazer a notícia ao reino, regressando a portugal. afonso de aveiro (?/?) - nave– gador, companheiro de diogo cão na viagem de 1484. no ano seguinte descobriu benin, estabelecendo ali feitorias . coman– dante ferreira do amaral (?/1849) - no posto de guarda-mari– nha perdeu o braço direito no assalto a itaparica, no brasil. n0-tável governador de macau, é o único que ali tem uma estátua, erigida por subscrição pública. almirante augusto de castilho (1841/1912) - foi governador de moçambique, distinguindo-se em operações de combate. recusou-se, quando comandante de uma força naval portuguesa no rio de janeiro, a entregar cerca de 500 revoltosos contra o regime, que se haviam refugiado a bordo dos navios portugueses . julgado em lisboa, foi absolvi– do. publicou vários trabalhos sobre moçambique. comandante ferreira de almeida (1847/1902) - político, deputado e minis– tro da marinha, conselheiro e governador ultramarino . fundou a escola de alunos marinheiros, em faro. antónio maria car– doso (1849/1900) - explorador de áfrica que, em 1889, coman– dou a expedição do niassa e percorreu o país dos namarrais. wenceslau de moraes (1854/1929) - cônsul de portugal no ja– pão, onde se fixou na situação de reserva, e onde se notabilizou como escritor sobre assuntos do país, sendo a sua memória ali venerada. almirante mendes cabeçadas(1888/1965) - precur– sor da república . foi presidente da junta que fez a revolução de 28 de maio de 1926, sendo encarregado pelo presidente ber– nardino machado de formar governo . comandante camacho de freitas (1899/1969) - fez grande parte da sua carreira como ca– pitão do porto do funchal e governador do distrito autónomo da madeira, donde era natural. comandante henrique de brito (1900/1975) - fez a maior parte da sua carreira como capitão dos portos do algarve. fraga de azevedo (1906/1955) - médico da marinha e professor universitário especializado em medicina tropical. membro de diversas academias naciqnais e estrangei– ras, deixou várias publicações sobre a matéria. figurando apenas uma vez (geralmente na terra da sua natu– ralidade, e/ou na que exerceu qualquer cargo em que se desta– cou): almirantes : sousa ventura, sarmento rodrigues (um dos mais ilustres oficiais das últimas gerações. eminente estadista. foi ministro do ultramar, governador da guiné e de moçambi– que, e é autor de várias obras de carácter colonial e de marinha - 1899/1979), marcelino carlos, matos moreira, nunes da mata, antónio de saldanha, campos rodrigues, arantes pedro– so, marquês de nisa (d. domingos xavier de lima) (comandan– te da divisão naval portuguesa que auxiliou a esquadra de nel– son no mediterrâneo, conquistando grande prestígio - 1765/ /1801), francisco manuel barroso da silva (herói brasileiro nascido em lisboa . vencedor da batalha naval do riachuelo. 15</Page><Page Number="54">m dos maiores feitos navais do século), castro guedes, teixei– ra da mota (notabilizou-se no campo da investigação histórico– marítima, sobre a qual publicou valiosos trabalhos , tendo feito também muitas conferências, no país e no estrangeiro , sobre o assunto. foi presidente da academia de marinha e membro de outras , nacionais e estrangeiras - 1920/1982), américo tomás (presidente da república de 1958 a 1974-1894/-), ramospe– reira, souto cruz, sérgio de sousa, martinho montenegro, cos– ta cabral, hugo de lacerda castelo branco, magalhães corrêa, d. fuas roupinho (figura, que segundo a tradição oral, foi com– panheiro de d. afonso henriques e o primeiro almirante portu– guês, tendo combatido esquadras sarracenas - ?i?), botelho de sousa e isidro f. de guimarães. oficiais e outros ·elementos da armada: 2. o-tenente joão roby, l.-tenente joaquim soares, comandantes josé matoso, joão belo, almeida henriques, fortée rebelo, fontoura da cos– ta (cientista e investigador, deixou várias publicações sobre a ciência náutica dos portugueses , com destaque para «a mari– nharia dos descobrimentos» -1869/1940), freitas da silva, h. lopes de mendonça (poeta , novelista, dramaturgo, historiador e ensaísta, autor da letra do hino nacional-1856/1931), quiri– no da fonseca (académico e investigador erudito , autor de vá– rias obras com destaque para a «caravela portuguesa» e «os portugueses no mar» - 1868/1931), e. da conceição e silva, c.e. correia da silva (conde de paçod'arcos), a. melo macha– do, mata e oliveira, albano de oliveira, demétrio cinatti, assis camilo e augusto cardoso, l.-tenente joão rodrigues de mou– ra, 2.o-tenente apeles espanca, dr. .bernardino a. gomes (notá– vel médico da armada; proclamado «benemérito da humanida– de» . fez algumas descobertas sensacionais no campo da química e no da botânica - 1768/1823) ,subtenente apolónio piteira, dr. francisco inácio lopes, dr. manuel j. da silveira, marinheiro elísio da nova, cabo-de-mar joaquim bernardo de sousa lobo. (de todos estes ilustres elementos da armada, muitos dos quais dos nossos tempos, e alguns ainda vivos, permitimo-nos destacar alguns, o que fizemos entre parêntesis). navegadores : diogo corte real, álvares fagundes, álvaro fernandes, antão gonçalves, david melgueiro, dinis dias, dio– go de azambuja, nicolau coelho, pedro de barcelos, pero da co– vilhã, pedro fernandes queirós, tristão da cunha, afonso bal– daia, gaspar corte real, lopo sarmento de carvalho, inácio sarmento de carvalho, álvaro velho e joão de lisboa. * ** feito o balanço geral dos nomes registados , verifica-se serem em número de 614 as ruas, avenidas, largos e travessas que têm o nome de marinheiros e navegadores, o que mais uma vez con– firma sermos, na realidade, um povo de marinheiros. no pódio , como campeões, figuram: em l" lugar, gago coutinho (71 vezes); em 2.", vasco da gama (54) e em 3.' , ex– -aequo , sacadura cabral e cândido dos reis (48). curiosamente, nenhum deles tem uma estátua em lisboa, havendo para aí tantas.. . . do processo que fica nos arquivos desta revista para consul– ta dos interessados, extraímos os seguintes dados que considera– mos curiosos: distritos com mais nomes de marinheiros e navegadores nas respectivas toponímias: lisboa com 191, setúbal com 125 e por– to com 79. com menos: portalegre com 1, viana do castelo e vila real com 2 e bragança e viseu com 4. cidades e vilas, çom mais : lisboa com 65, seixal com 44, loures com 43, porto e vila nova de gaia com 37 e barreiro com 3t'. com menos : aveiro, l?ortalegre , bragança e viseu com zero , braga, castelo branco, evora, santarém, viana do caste– lo e vila real com 1, guarda com 2 e funchal com 3. quer isto dizer que existem terras neste país onde mal chega o cheiro a maresia , que têm na sua toponímia mais nomes de ma– rinheiros e navegadores que outras à beira mar plantadas! muitas outras notas curiosas se podem tirar deste inventário . talvez voltemos ao assunto . . . m. do vale, clalm . oenfarte do coração será em breve dominado todos nós tememos a morte - sai dizer-se que tudo fazemos para conservar a vida. todavia, no aci– ma afirmado , há um erro clamoroso. receio, medo da morte, sim, é natural. o bichinho mais desprezível foge dela, mas afirmar que porfiamos por conservar a vida, só por troça. em todo o caso, é rara a pessoa que, ao abordar o médico, não faça perguntas sobre este ou aquele aspecto da saúde, e a curiosidade mais frequente diz respeito ao coração. surge a pergunta : «o enfarte cardíaco é uma feri– da»? o médico pensa um pouco no modo mais fácil, mais explicativo, e dispara: derida é, mas muito es– pecial» ! claro que isto é muito pouco, quase nada diz . mas o clínico, mediante certos rodeios, consegue fazer -se entender, o que tentaremos demonstrar.  dois capítulos da física se assemelham: a hidrodi– nâmica e a hemodinâmica (água esangue). colocados dentro da física, imaginemos um tubo canalizador da água ao domicíio . os sais do precioso 16 líquido, com o tempo, depositam-se no interior do tubo. isto corresponde, na hemodinâmica à arterioes– clerose. imaginemos ainda que, do tubo normal par– tem outros, de menor diâmetro, e destes muitos ou– tros de menor calibre, em leque: uma irrigação! co– meçamos a fazer ideia da irrigação cardíaca. os sais, se se destacarem do interior do tubo, vão encalhar al– gures, longe ou perto conforme o seu volume, (embo– lía), fazendo ofício de trombo (trombose). a água não passará na torneira. virados à hemodinâmica, no caso vertente do ho– mem, passa-se fenómeno idêntico - não passará o sangue para além do trombo e, obviamente, não pas– sa o oxigénio. a ausência deste determina a destrui– ção do tecido muscular cardíaco, o esfacelo, a ferida, o enfarte. a ferida faz-se, portanto, no interior da pa– rede muscular. ora, o que há a fazer para evitar a bruta acção da necrose resultante da paragem do sangue no ponto trombosado? apenas repouso absoluto, corporal e mental, e medicações apropriadas. é pouco, sem dú– vida.</Page><Page Number="55">t • se o impacto circulatório e nervoso (schockl, im– posto aos núcleos ordenadores do coração desordena os ((tempos)) , estes, tornados não coincidentes, so– brepõem-se, desconcertam-se, não haverá ordena– ção nas contrações das aurículas com os ventrículos (bloqueios), e segue-se a morte . se o schock não for demasiado violento, o tempo se encarregará de col– matar a ferida , preenchendo a cavidade de tecido ci– catricial.  desde há muito tempo que, obstinadamente, se procura um processo de intervenção activa com fins de dissolução do trombo-coágulo. hoje, muito se es– pera deste método. como? simplesmente, desentu– pindo a artéria no ponto trombosado, mercê de uma droga chamada estreptoquinase. mas ... este produto já foi ultrapassado!  cientistas da faculdade de medicina baylor em houston, no texas, experimentaram novo medica– mento dissolvente do coágulo, com excelentes resul– tados ; superiores aos obtidos com o acima indicado. seu nome é : activador plasminogeno tecidual (apt), droga já existente no mercado . robert roberts, que dirigiu o estudo do apt , es– creve : ((trabalhos futuros confirmarão a excelente ca– pacidade deste medicamento para dissolver coágu– los, e esta será sem dúvida a maior descoberta nos tratamentos contra os ataques cardíacos» . acentua ainda : ((se o coágulo puder ser dissolvido entre as seis e as dez primeiras horas após o enfarte, os efeitos nocivos serão reduzidos ao mínimo)) . r.r. in i gia aval • patilhão - peça saliente, de madeira ou metálica, fixa ou móvel, destinada a aumentar a altura da quilha para dar maior estabilidade ou diminuir o abatimento de uma embarcação. • patim-pequeno patamar. • patola - peça de ferro larga e de secção rectan– gular, com uma das extremidades recurvada e fendida para prender os elos da amarra ou para aguentar uma embarcação dos picadeiros para o pavimento. a patola pode ser simples ou de patente . patola simples patola de patente • patrão - homem que governa qualquer barco, embarcação miúda, vapor ou rebocador, e pelo qual é responsável. • patrão-mor - oficial da capitania de um porto a quem cabem todas as funções relacionadas com a assis– tência aos navios, como seja o serviço de amarrações, aguada. fornecimento de corrente eléctrica, etc • patrulha - pequeno navio aestinado ao serviço de vigilância de uma determinada zona. conjunto de ac-ções de pesquisa com o fim de detectar a existência' ou aproximação de quaisquer meios inimigos. • pau - termo genérico para designar qualquer ver– gôntea de madeira. • pau da bujarrona - mastaréu que se segue ao gurupés sobre o qual trabalha a vela da bujarrona. • pau da giba - mastaréu que se segue ao pau da bujarrona, menor que este e sobre o qual trabalha a vela degiba. j-paudegiba k - pau da bujarrona • pau das costas - peça de madeira assente so– bre o maciço do beque e ligado àroda de proa pela curva do papa-moscas. s. elpídio, cap.-mo -g. an •••••••••••••••••••••••••••••• 17</Page><Page Number="56">lancha-canhoneira "tete" atracada à margem para oreabastecimento de lenha, que era o seu combustível (foto do autor do artigo) uma figura de proa foi há longos anos que falhei a tentativa de salvar uma peça digna de figurar em qualquer museu naval do mundo da sua total destruição. na ocasião não podia imaginar – já lá vai um quarto de século - que, um dia, viria a prestar serviço no museu de marinha e, portanto, participar na sal– vaguarda do património do nosso pais, tão delapidado pe– los homens e pelo tempo. encontrava-me então em moçambique, onde desempe– nhava as funções de comandante da lancha-canhoneira «tete», em acumulação com o cargo de capitão do porto de chinde, pequena vila banhada por um dos muitos braços do enorme delta que leva as águas do rio zambeze ao oceano índico. desse delta, a barra do chinde era a única que per– mitia a entrada de navios de certo porte, apesar dos movi– mentos caprichosos das areias constantemente alterarem o canal de entrada no porto. o chinde tinha tido uma certa importância no princípio deste século, quando era passa– gem obrigatória para o hinterland, especialmente para a vi– zinha colónia da niassalândia, através do rio chire, afluente do zambeze. com o advento de outras linhas de comunica– ção, o chinde passou a ser, simplesmente, um estaleiro de manutenção da frota de lanchas da sena sugar states que transportava o açúcar, das fábricas do luabo e marromeu, até ao seu embarque em navios oceânicos que o levavam até longinquos destinos. a mais importante missão do comandante da «tete» era uma longa viagem, longa em tempo, pois durava mais de um mês. para além da fiscalização do rio e vistoria de inú– meras embarcações, essa viagem tinha como principal ob– jectivo mostrar a bandeira nacional às populações que habi– tavam as margens do zambeze até um pouco mais a mon– tante de tete, a partir de onde já não era possível navegar, e no chire até à fronteira. é agradável recordar o entusiasmo com que assistia à preparação da canhoneira, cuja pomposa designação provi– nha da sua artilharia principal, constituída por duas relu– zentas peças hotchkiss de 47 mm, que só podiam fazer fogo com risco de rebentar. apesar da velocidade máxima deste velho navio de guerra ser apenas de 5 nós, o facto de pos-18 suir fundo chato, calando apenas 75cm, era caracteristica da maior importância para lhe permitir navegar na humida– de, como se diz em gíria naval. enquanto o artífice condutor de máquinas fazia as últimas afinações da máquina a vapor, responsável pelo movimento da grande roda propulsora que se situava à popa, eu imaginava o que iria ser o contac– t o com as populações, a vista da exuberante floresta tropi– cal com as suas árvores milenárias e, especialmente, a emo– ção de ver a massa enorme de um elefante ou ouvir o rugido de um leão. o período em que devia ser feita a viagem tinha de ser ponderadamente escolhido. a construção de cabora-bassa ainda se discutia e a de kariba, apesar de ter a inauguração para breve, ainda não interferia com as cheias do zambeze. nesses tempos, era necessário elaborar um gráfico, que se mantinha dia a dia actualizado, com a altura do rio em vá– rios pontos do percurso, para se saber quando a cheia co– meçava a decrescer. este facto era sinal evidente de que a força da corrente também começava a diminuir, permitindo que a «tete», apesar da sua fraca velocidade, pudesse aventurar-se a avançar e, especialmente, resistir à força das águas na garganta da lupata, a mais difícil de vencer. não se podia retardar o período da viagem porque, no re– gresso, o rio poderia já não ter fundo nas zonas da sua maior largueza. a navegação era feita exclusivamente durante o dia, pois o rio, dadas as suas características, não era susceptível de ser balizado com luzes , enquanto não fosse devidamen– te regularizado. o franque sacutamba era o piloto. figura imponente de negro com muito sangue árabe, sabia do rio todos os segredos. conhecia as curvas , os melhores locais de atracação, e, acima de tudo, olhando para a superfície parada das águas, pressentia os canais por onde a lancha poderia prosseguir sem encalhar. baseava a sua ciência na observação de movimentos quase imperceptíveis da água, o que o levava, por vezes, a governar a rumos perpendicula– res à margem, como que a percorrer um complicado labirin– to de que nós não nos apercebíamos, mas que existia, e de que só ele conhecia a saída. e se um comandante, novato</Page><Page Number="57">t t · e ingénuo, pretendesse impor a sua autoridade, sugerindo um determinado caminho que lhe parecia mais adequado, o franque, maliciosamente, cumpria em profundo s ilêncio as ordens rcebidas , mas , passados alguns momentos, a «tete» encalhava.. . de facto , a navegação no zambeze não se compadecia com as regras e os conhecimentos que se es– tudavam na escola naval e que depois eram praticados a bordo dos navios que andavam no mar alto. no rio zambeze era indispensável possuir um_ sexto sentido, que só com a experiência de longos anos de muita perspicácia, se pode– ria adquirir. felizmente, nestas zonas de pouca água, o fundo era de areia e quase sem variação de cota. encalhar não constituia problema que preocupasse o comandante e a guarnição da lancha. em setenta e cinco centímetros de fundo, a solução era saltar para dentro da água, meter um dos ferros na pe– quena embarcação que nos acompanhava e largá-lo onde, momentos antes , ainda se navegava. depois , metendo den– t ro a amarra, a lancha, aliviada do peso da guarnição, roda– va sobre s i mesmo, e , lentamente, ia-se aproximando do lo– cal onde ficava completamente liberta do fundo . o pessoal saltava para bordo, a roda à popa começava a girar, e o franque, agarrando-se ao leme, continuava a pilotar como se nada tivesse acontecido, acrescentando mais uns pontos à figura de grande senhor que era. a partir daí, as suas opi– niões , no campo da sinuosa navegação do rio zambeze, eram respeitadas por todos , incluindo aqueles que ainda pudessem ter algumas dúvidas sobre a sua arte de nave– gar . mas , voltemos à largada do chinde e à minha primeira viagem no zambeze. a lancha desacostou da margem e se– guiu, fazendo chape-chape na água, a iniciar a grande via– gem. poucos quilómetros a montante, na mesma margem esquerda do rio , avistámos um navio encalhado há longos anos. era um veleiro, talvez do fim do século. a vegetação exuberante tinha-lhe entrado pelos rombos do casco e saía pelas aberturas do convés, como se fosse um grande arran– jo floral , em que o vaso era o próprio navio. assesto o binó– culo para ver melhor e os meus olhos depararam com uma figura de proa, branca, debaixo do gurupés meio partido. aproximámo-nos. era de uma mulher, representando uma nereida, nome do veleiro, cuja história nunca cheguei a ds­ vendar. encantado com a descoberta, não fui capaz de esconder o meu entusiasmo. comecei logo a imaginar o processo de a retirar do local onde se encontrava, aliás de difícil acesso. chamei o mestre do navio e logo arquitectámos a operação mais adequada para tirar aquela escultura de madeira que, ao fim de tanto tempo, sem manutenção e sujeita a um sol intenso que alternava com chuvas torrenciais, deveria estar extremamente vulnerável. ficou decidido que quando re– gressássemos da viagem, o que aconteceria daí a pouco mais de um mês, iriamos montar um andaime sobre uma lancha que colocaríamos por debaixo da proa do navio enca– lhado e, com todo o cuidado, com as precauções de quem presta os primeiros socorros a um ferido grave, retirariamos a minha nereida. já estava a vê-la na entrada da capitania, enquanto não fosse enriquecer o acervo de algummuseu de temática marítima. depois de deambular algum tempo nas proximidades do velho veleiro abandonado, recomeçámos a nossa viagem para alcançar o fim da primeira etapa. atracámos ao fim da tarde , amarrando a duas árvores , e pouco depois apareceram a bordo alguns familiares e ami– gos da guarnição, porque a chacuma, local onde ficámos , estava ligada ao chinde por uma p icada que permitia fazer o trajecto por terra em boas condições . os meus alojamentos eram no convés superior. depois do jantar, enterrado numa cadeira de lona, no parque da ponte, descansava daquele meu primeiro dia de navegação no zambeze. a noite estava amena, o céu estrelado. ou– viam-se os ruídos misteriosos e excitantes da selva. recor– dei a descoberta da nereida, o seu encontro distante, e a paixão que naquela tarde tinha começado. no convés in– ferior , elementos da guarnição e familiares conversavam, bebiam, repetiam histórias mais de mil vezes contadas . sem novidades , certamente falaram da descoberta feita pelo novo comandante e da intenção que tinha manifestado de a reúrar quando regressasse do chinde. às tantas, o jeep partiu, o silêncio invadiu o mundo de bordo, e, à parte o cabo de quarto, a guarnição foi descansar para logo aos primeiros alvores entrar em faina e recomeçar a viagem. viagem de que retenho as melhores recordações, viagem cujo destino não foram as cidades do tete e blantyre que visitámos , mas sim esse inesquecível zambeze que percorri em toda a extensão moçambicana até ao distante zumbo, na fronteira com o actual zimbabwe, enquanto foi possível , e num pequeno avião que a missão de fomento e povoa– mento do zambeze teve a amabilidade de nos pôr à dispo– sição. ao voltar de tete percorremos o rio chire, de mar– gens apertadas e de curvas difíceis , mostrando o nosso franque , mais uma vez, a sua pericia como piloto. franque sacutamba, o rei dos pilotos do zambeze (desenho de m.e. landeiro). a nereida vista da lancha-canhoneira " tete )) . em primeiro plano, uma das peças hotchkiss do seu armamento (foto do autor do artigo). ,/ / -s '. ..j t:: .t._ {". c"",... _ ..- . 19</Page><Page Number="58">assou-se um mês. no fim da viagem, já nas proximida– des do chinde, relembrando a nossa nereida, recomendei ao franque que passasse o mais perto possível do velho na– vio encalhado. assim que o vislumbrámos assestei o binó– culo. o arranjo floral lá estava, mas a figura de proa não se via. aproximámo-nos . a mancha branca que, poucas sema– nas antes, tão bem tínhamos divisado àquela distância, não nos aparecia no campo do binóculo . aproximámo-nos ainda mais. incrível! a figura de proa não estava lá. sem qualquer dúvida, pois agora bem perto nos encontrávamos. como é possível que tal tivesse acontecido? como explicar tal desa– parecimento, precisamente naquele curto espaço de um mês, quando ali tinha permanecido anos, dezenas de anos, sem que ninguém lhe tivesse tocado ou por ela, alguma vez, se tivesse interessado? tinha o mesmo nome, não aceitando ser apenas objecto de exposição em qualquer museu, se tivesse libertado dele e, aproveitando a forte corrente do zambeze, alcançasse o grande oceano onde queria ficar sem mais ser vista. será que a figura de proa é , efectivamente, a alma do navio? veio a saber-se, mais tarde, que alguns jovens tinham tentado retirar a figura de proa, mas não tendo tomado as precauções adequadas, viram-na partir-se e cair à água, sendo arrastada pela forte corrente sem que fosse possível deitar-lhe a mão. o curioso é que, passados mais de uma de– zena de anos, um museu dos estados unidos da américa ainda procurava saber onde se encontrava. decididamente que a nereida se recusou a ficar cativa. quis ser livre e mor– reunomar. a menos que a minha nereida sabendo que, contra sua vontade, iria ser separada do navio que com ela nasceu, com ela viveu, com ela navegou pelos mares do mundo, que a. estácio dos reis, cap.-m.-g. continuamos a pensar na mostra filatélica da armada há coleccionadores de selos que nunca visitaram uma exposição fila– télica, e outros que não viram mesmo uma colecção minimanente organi– zada. ao afimar-se que uma colecção de\fe ter características que a identi– fiquem com o autor, parece admitir– -se que ninguém terá de copiar para elaborar um trabalho filatélico, seja élede tipo tradicional ou moderno. mas não se pode deixar de comple– mentar tal afirmação com outra que diz existir um conjunto de regras que, principalmentéhas colecções do tipo moderno-l é indispensável respeitar. as colekções que de alguma ma– neira são frequentemente criticadas, expondo-se à apreciação de espe– cialistas, vão ganhando uma forma que se aproxima do que está estabe– lecido, embora não muito rigidamen– te, para que possam ser considera– das com princípio, meio e fim. visitas e exposições, mostras e salões dão ao coleccionador uma ajuda, ainda que muitas vezes seja à custa da rejeição de pormenores de que discerdamos nas outras colec– ções e que, dificilmente, observamos nas nossas. uma grande vantagem que têm os coleccionadores organizados em grupo consiste na possibilidade de, na elaboração dum trabalho de certa maneira colegial, estarem perma-20 nentemente a propor a si e aos ou– tros, alterações que conduzem, qua– se sempre, ao aperfeiçoamento. embora a literatura filatélica não tenha estado verdadeiramente voca– cionada para ensinar os que menos sabem da arte de cuidar dos selos, ela está a dar alguns passos em fren– te e, pelo menos aos clubes, núcleos e secções, leva a informação com maior facilidade. e se é bem que as publicações filatélicas transmitam o que se vai já considerando o abc, não é menos importante a difusão que fazem dos novos conceitos duma filatelia que se pretende seja dinâmica. . para que entre os filatelistas da armada se torne possível uma maior aproximação, pensamos que está na altura de se transformar em realida– de a tão sonhada mostra. e para que tal realização seja vivida da melhor maneira, ela deverá, também no nosso entender, ser envolvida por um ambiente naval, como o da casa da balança que, com tão apropria– das dimensões e localização tem provado dispor de excelentes condi– ções para o efeito. aqui fica mais uma vez esta su– gestão, esperando que o entusiasmo se transmita de modo a tornar possí– vel a realização da segunda exposi– ção filatélica da armada. as novas emissões de selos portugueses datas da história de por– tugal - pretende esta emissão homenagear gil eanes e d. pedro iv de portugal, duas figuras importan– tes da nossa história, uma do século xv e outra do xix, ambas considera– das de projecção internacional, a pri– meira pelo impulso dado à expansão marítima portuguesa, e a segurlda por ter proclamado a independência do brasil e defendido o liberalismo em portugal. são dois os selos, e neles está bem representado o significado que os ctt quiseram dar à emissão. gil eanes ea passagem do cabo bojador - da «crónica dos feitos da guiné», de zurara, ressalta a acti– vidade náutica do navegador portu– guês gil eanes, a quem é atribuída a primeira viagem portuguesa para além do cabo bojador, viagem que alguns historiadores consideram marcar o início dos descobrimentos. natural de lagos, foi escudeiro do infante d. henrique e, mais tarde,</Page><Page Number="59">avaleiro da ordem de cristo de que o seu senhor era governador. capi– taneando uma barca, gil eanes ul– trapassou , em 1434, aquele cabo que os navegadores da época pen– savam ser o fim do mundo navegá– vel. diz-se que o feito se deve princi– palmente à experiência adquirida em anteriores e falhadas tentativas, fei – tas por outros navegadores, com ex– plicações que vão desde o receio do desconhecido até a assaltos pela na– vegação moura. é natural que a maior dificu ldade se prendesse com a impossibilidade de bolinar que ti– nham as embarcações então usa– das, dispondo apenas duma vela de pano redondo. em 1807. o príncipe d.pedro, ape– nas com nove anos de idade, foi as– sim para aquela colónia portuguesa, e difícil eraentão imaginar que papel tão relevante lhe estivesse reserva– do na evolução históri ca, não só da colónia, mas também da própria me– trópole. cia e, um ano mais tarde, morreu d.joão vi , sendo então aclamado rei de portugal, com o títu lo de d.pedro iv, mas abdicou poucos dias depois a favo r de sua fi lha d.maria da gló– ria, com sete anos de idade, na con– dição de ela casar com o tio, d.mi– guel , a quem seria confiada a regên– cia do reino. mas d.miguel , exilado na áustria desde 1824, regressou a portugal e, pouco depois, tentava restaurar o absolutismo. d.pedro regressou do brasil para defender os direitos de sua filha, aca– bando por vencer seu irmão d.mi– guel, à frente das forças liberais. faleceu em 1834, no palácio de queluz, onde havia nascido 36 anos antes . d. pedro i do brasil e iv de portu– gal - a invasão do nosso país pelas tropas de napoleão fez com que a fa– mília real se retirasse para o brasil , um conjunto de circunstãncias fez com que, em 1822, o brasil se tor– nasse independente e que d.pedro fosse aclamado seu imperador. em 1825 foi reconhecida a independên-m. curado, t .o-fen. sg hino da marinha regulamento do concurso para acomposição poética no nosso n." is9/dez . de 84 (secção saibam todos) demos notícia que iria se r aberto concurso público para a composição poética do hino da marinha. hoje, pode– mos acrescentar que foi já publicado o respectivo regula– mento. que a seguir transcrevemos: 1. é aberto concurso público para a composição do hino da marinha . 2. o hino da marinha, cuja música virá a ser subor– dinada árespectiva letra, objecto deste concurso, deverá ter sentido patriótico e çaracterísticas milita– res e navais, sendo a estrutura literária livre, mas adaptável á finalidade proposta. 3. o júri para apreciação das obras, constituido por um presidente e cinco jurados, será nomeado por despacho do almirante chefe do estado-maior da armada. 4. os membros do júri não poderão apresentar quais– quer trabalhos no âmbito deste concurso . 5. a obra que vier a ser escolhida pelo júri, ficará su– jeita a posterior homologação do almirante chefe do estado-maior da armada·. 6. além de um prémio de âmbito naval, é atribuída uma remuneração de cento e vinte e cinco mil escu– dos (125 00000) ao autor da obra que vier a ser apurada pelo júri e homologada pelo chefe do es– tado-maior da armada. 7. o concurso está aberto de 2 de fevereiro a 2 de abril de 1985. 8. os concorrentes deverão enviar as suas obras ao júri do concurso para a composição poética do hino da marinha - estado-maior da armada - ii divisão - praça do comércio, onde tem de dar entrada até 3 de abril de 1985. 9. os concorrentes deverão observar o seguinte: a) as obras são encerradas em sobrescrito lacra– do, identificado posteriormente pelo pseudó– nimo do autor, o qual não poderá de qual– quer modo denunciar ou sugerir o nome do concorrente respectivo; b) o nome e o endereço do autor são encerrados noutro sobrescrito lacrado, identificado exte– riormente pelo mesmo pseudónimo . lo. o júri reserva-se o direito de não atribllir qualquer prémio a qualquer das obras apresentadas. 11. o júri não tomará conhecimento de qualquer recla– mação sobre as decisôes tomadas . 12. todos os casos omissos neste regutamento serão apreciados e decididos pelo júri. 13. o resultado do concurso será publicado nos órgãos de comunicação social 14. o autor da letra que vier a ser homologada, cede ao estado-maior da armada, os respectivos direi– tos de autor. 15 . po.\ceriormente, e subordinado à letra escolhida. será aberto concurso para a composição musical do hino da marinha . 21</Page><Page Number="60">otícias da marinha de macau estreitando as boas relações de cola– boração existente entre os serviços de marinha de macau e as auforidades marí– timas da província de cantão, e na se– quência de reuniões realizadas entre as respectivas delegações em zuhai e em magau , teve lugar em 30 de novembro, nesta cidade, a assinatura do contrato en– tre o chefe dos serviços de marinha e o di– rector do instituto de pesquisa dos canais da província de cantão, para a execução do levantamento hidrográfico da zona oeste do território, a fim de actualizar o conhecimento dos canais navegáveis. essa área de cerca de 9 km', entre ma– cau, taipa e coloane e as ilhas chinesas da lapa, d . joão e montanha, que inclui a embocadura do rio oeste (malau– -chau), será sondadâ-pelo referido insti– tuto com o apoio dos serviços de mari– nha, assumindo cada uma destas entida– des metade dos respectivos encargos. 000 em 29 de outubro, o rev. padre ma– nuel teixeira, que neste dia completou 50 anos de sacerdócio, celebrou missa por alma dos marinheiros falecidos na explo– são da fragata «d. mariall», na ilha da taipa, em 29 de outubro de 1850. segundo os depoimentos que ficaram da tragédia que naquela data vitimou os 224 elementos da guarnição do navio que se encontravam a bordo, teve acção rele– vante no salvamento de 10 sobreviventes, no meio dos mais eminentes riscos , a cor– veta «marion», dos eua, que era surta na taipa, cujo comandante recebeu uma mensagem de agradecimento da cidade de macau . a cerimónia evocativa da efeméride, promovida pelos serviços de marinha, realizou-se ao ar livre, junto do respecti– vo monumento, tendo assistido militares da armada e do exército, antigos oficiais da reserva naval, bem como o adido mi– litar e de defesa dos estados unidos da américa em hong-kong, comandante joseph dressler. 000 reportagem o «altair»pronto a ser lançado à água. no dia 1 de novembro começou a construção de um novo edifício para os serviços técnicos, que ocupará uma área de terreno de 400m' , dispondo de rés-do– -chão e 1." andar. celebração da missa por alma dos marinheiros falecidos na explosão da fragata «d. maria ii», em /850. ficarão ali instaladas as oficinas para electricidade, electrónica, balizagem , viaturas e carpintaria, além dos serviços marítimos , a secção de hidrografia e bal– neários para o pessoal dos serviços de marinha e das oficinas navais. 000 o centro náutico de cheoc-van re– cebeu, no dia 8 de dezembro, da parte do governador de macau , contra-almirante almeida e costa, a oferta de um veloz «cata-marin» hobbie 16, que foi baptiza– do com o nome de «altair». esta é a 26." embarcação de vela do centro, .o qual co– meçou a sua actividade no dia da mari– nha de 1983 , como então a «ra» noti– ciou . para assinalar a efeméride, o clube náutico promoveu a realização de uma regata, seguindo-se um almoço-volante na esplanada da agremiação. (colaboração dos serviços de marinha de macau) •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 22 novo chefe do departamento marítimo do centro em cerimónia realizada no seu gabi– nete, no dia 30 de novembro, o almirante sousa leitão, chefe do estado-maior da armada , empossou o capitão-de-mar-e– -guerra dória nóbrega nas funções de chefe do departamento marítimo do centro. presenciaram o acto, além dos vice-almirantes comandante naval do continente e director-geral de marinha, os chefes dos departamentos marítimos do norte e sul, director do instituto de</Page><Page Number="61">ocorros a náufragos, capitães dos portos do departamento marítimo do centro e vários oficiais generais e superiores da armada, bem como o presidente do con– selho de gestão do instituto nacional de pilotagem dos portos e o inspector-geral de navios. no decorrer do acto, o almirante cema, dirigindo-se ao empossado e às entidades presentes, referiu ser esta a pri– meira posse de um chefe de departamen– to marítimo após a publicação do decre– to-lei n.o300/84, de 7 de setembro, afir– mando de seguida que este diploma veio a definir claramente as características do sistema da autoridade marítima, a quem compete exercer o poder do estado nas áreas de jurisdição marítima, referido ao cumprimento das leis e regulamentos ma– rítimos. mais adiante, o almirante sousa lei– tão referiu-se também ao decreto-lei n.o 322/84, de 8 de outubro, o qual define a orgânica do ministério do mar e a sua na– tureza, na sua essência coordenador eco– nómico das actividades que utilizam o mar, para dizer que, com os dois diplomas citados, foram corrigidos erros orgânicos e dissiparam-se dúvidas, nomeadamente nos aspectos em que as capitanias dos portos e outros órgãos da autoridade ma-rítima podiam ser considerados como agentes externos das secretarias de esta– do da marinha mercante e das pescas. concluiu o chefe do estado-maior da armada dizendo que a grande vantagem do actual sistema da autoridade marítima é a firmação do cema como vértice do sistema, isto é, como autoridade maríti– ma nacional, constituindo a única forma de se garantir a uniformidade de interpre– tação da lei no âmbito das responsabilida– des da marinha, face às dinâmicas regio– nais e locais. o comandante dória nóbrega, que substituiu o capitão-de-mar-e-guerra bartolomeu guimarães, desempenhará também, em acumulação, o cargo de ca– pitão do porto de lisboa. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• navios de guerra estrangeiros em novembro passado visitaram por– tos do continente unidades navais das armadas do reino unido e da frança. também naquele período aportaram ao funchal, em visitas de rotina, a fragata «brilliant» e o iate «lord portac», da royal navy. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• convívio dos voluntários de 1931 «filhos da escola» do alistamento de alunos-marinheiros de setembro de 1931, alguns dos quais acompanhados de fami– liares, confraternizaram no restaurante do supermercado da marinha, nas barro– cas, num almoço-convívio que reuniu 116 pessoas . momentos do passado foram então recordados por aqueles jovens septuage– nários que há mais de meio século ingres– saram na «briosa» e que com tanto orgu– lho não esquecelll. o convívio deste ano foi marcado para faro e o de ano seguinte para o porto. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• confraternização do curso «gonçalves zarco» no dia 16 de novembro passado, o curso «gonçalves zarco» comemorou o 32." aniversário do seu ingresso na escola naval. do programa constou uma visita à es– cola , no alfeite, seguida do descerramen– to de uma placa comemorativa da efemé– ride . mais tarde, nas instalações da guia, foi celebrada uma missa por alma e em homenagem aos elementos já falecidos, a que se seguiu um jantar de convívio que reuniu elevado número de antigos alunos do curso e familiares . em todos os actos, foi notória a reali-dade insofismável que os singelos dizeres da placa procuraram traduzir: homena-gem à escola que nos formou e uniu. • ••••••••••••••••••• 23</Page><Page Number="62">onvívio do 2. alistamento de alunos-marinheiros cerca de sessenta dos 150 «filhos da escola» (alguns acompanhados de fami– liares) que em novembro de 1939 vestiram o alcaxa reuniram-se num almoço de con– fraternização, no dia 4 de novembro fin– do, num restaurante de lisboa, para co– memorar o 45." aniversário do seu ingres– so na «briosa». como é habitual nestes momentos, o repasto decorreu em ambiente de alegria e sã camaradagem, tendo sido entoadas a canção do marinheiro» e «ao largo», em que o dói-o-dedo, ex-aluno n .0233, foi vedeta. mais uma vez, a «ra» - a mata sau– dades.da a rmada, como lhe chamam - e os que nela trabalham, foram recordados e saudados pelos convivas . p'ra rec.ot ... "s as " ... ",,,n': 6 vn li"r.o "'rno.e,••.nes., mas cautel.a com as ima"rn ?'ra io já não -rê s"lé ,ia o qle te re:.v;-;::;eu \let.ho os "tempo! '-'vioo! 1. aiic."t os é cho"' ' '"e' í'eran"te o e!.pei.i-\o e "'1"omares co""t 1)os. ne.""'(o_ •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• noivos no «limpopo» quando o navio-patrulha «limpopo» esteve, pela última vez, atribuído à zona marítima do norte , e após uma saída de emergência regressou ao cais do maré– grafo, em leixões, uma surpresa aguar– dava a guarnição. um casal de noivos - álvaro augus– to e maria vicência - e familiares, ha– viam escolhido o navio para cenário de uma recordação matrimonial, facto que a foto reproduz. assim, certamente que entre a guarni– ção do «limpopo» e o casal se estabelece– ram laços de amizade e, quem sabe, se esta não será uma nova missão dos navios em serviço de fiscalização da costa . . . a «ra» deseja as maiores felicidades aos nubentes . . ....................................................  ......... 24 o dia da escola de marinharia a manobra e a marinharia mergulham as suas raízes na história da marinha. a arte de comando de navios que per– mitiu levar a efeito a epopeia marítima de portugal estava distribuída por diferentes especialistas: o capitão comandava indi– ferentemente em terra e no mar; o piloto determinava a posição e o rumo; o mestre comandava a manobra . em meados do século xvii, confor-</Page><Page Number="63">e documentam os manuscritos do «li– vro náutico» de bordo, o mestre tinha a responsabilidade de dirigir a manobra de velas. seguindo-se na hierarquia ao pilo– to, dirigia também o serviço dos mari– nheiros, grumetes e restante pessoal de m.anobra. um traço comum iria caracterizar até ao nosso século o ensino da marinharia e da manobra: a sua aprendizagem era feita fundamentalmente na lida das guarnições na prática do mar. só nos princípios deste século apare– cem as primeiras disposições legais para incitar e promover a instrução do pessoal de modo a tornar mais profícuos os esfor– ços dos comandantes, até então isolados, na preparação do seu pessoal. assim, pela orgânica de 1924, a ins– trução técnica e profissional da classe de manobra era dada na brigada de mari– nheiros, em terra, seguindo-se o embar– que dos alunos em navios, nomeadamen-te no navio-escola «sagres». , com a criação das escolas de aplica– ção de marinha, em 1934, o ensino de ma– rinharia e manobra passou a ser ministra– do a bordo da «sagres», transformada em escola de marinharia e manobra. com a alteração orgânica e classifica– ção dos estabelecimentos de ensino da armada em 1961, passou a designar-se simplesmente por escola de marinharia, continuando no mesmo navio-escola . em 1972, no dia 2 de dezembro, é in– tegrada a escola de marinharia no grupo n."2 de escolas da armada (g2ea) , ocu– pando, a título provisório, as instalações em que ainda se mantém, passando aque– la data a ser comemorada como o dia da escola . aspecto da celebração do dia da escola de marinharia. a celebração de mais um aniversário foi assinalada com uma cerimónia presidi– da pelo comandante daquele 'grupo de escolas, capitão-de-mar-e-guerra ma– chado da silva. na ocasião, o director da escola, primeiro-tenente jorge guerra, pronunciou uma alocução relativa à efe– méride. seguidamente, o comandante do g2ea fez uma breve exortação a todo o corpo docente e discente da escola e fez a apresentação aos convidados duma ex-posição de trabalhos de arte de rylarinhei– ro do pessoal da escola. esta exposição viria a ser extraordinariamente valoriza– da com obras de elevado valor artístico e histórico-cultural cedidos por especial de– ferência do comandante da «sagres», ca– pitão-de-fragata homem de gouveia. o acto foi encerrado com uma confra– ternização, em que participaram os convi– dados, os instrutores e alunos da escola de marinharia . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• sessão da academia de marinha na sociedade de geografia de lisboa realizou-se , no passado dia 12 de dezem– bro, uma sessão plenária da academia de marinha consagrada ao tema 1. 0 painel sobre a caravela portuguesa». o prof. eng." arantes e oliveira , pre– sidente da academia, abriu a sessão, dan– do a palavra ao presidente da sociedade de geografia, capitão-de-fragata serra brandão, que deu as boas-vindas à aca– demia de marinha , que felicitou pela sua iniciativa , e explicou a excepção aberta pela sociedade, cedendo a sala para o pai– nel, pelo interesse do assunto e prestígio da academia. o prof. eng . o arantes e oliveira lem– brou a figura e obra do dr. joão da gama pimentel barata , especialista de reputa– ção mundial nos assuntos que iam ser trac tados, a fim de fazer entrega a d. maria de lurdes pimentel barata de uma placa recebida na 5." reunião da história da náutica e da hidrografia recentemente realizada no rio de janeiro . em seguida, deu a palavra ao contra-almirante ecn rogério de oliveira que fez a apresenta– ção do painel e agradeceu a presença das individualidades que aceitaram nele to– marparte . então, o moderador ; eng." guima– rães lobato, lembrou a necessidade de , comemorar em 1988 a descoberta'do cabo da boa esperança, recordou os grupos que tentam reconstituir a caravela portu– guesa e enunciou os assuntos que cada um dos participantes iria abordar, dando-se início à exposição dos participantes , con– tra-almirante santos viegas, eng." rodri– gues branco , dr. manuel leitão, m,aque– tista manuel carrelhas e prof . arq . lixa filgueiras . seguiu-se um intervalo, após o que o moderador , fazendo a síntese de cada uma das exposições feitas, pôs os assuntos à discussão que decorreu animada e com muito interesse , nela participando vários cimentos da assistência. •••••••••••••••••••• 25</Page><Page Number="64">general cemgfa visita bs doentes interna– dos no hospital da marinha. natal no hospital da marinha promovida pelo grupo de voluntá– rias da cruz vermelha portuguesa junto do hospital da marinha, teve lugar, no dia 12 de dezembro , a habitual fest a do natal daquele estabelecimento hospital ar da armada. sob a direcção artística de antónio fortuna , locução de maria leonor e an i– mada pela orquesta de shegundo galar– za, actuaram sucessivamente os artistas ada de castro, maria armada, maria josé valério, badaró , joel branco , tilio costa, gabriel cardoso e o trio odemi– ra, além do ilusionista mr. lapin. todo este elenco colaborou graciosa– mente, merecendo realce o facto de ma– ria leonor e shegundo galarza o fazerem já há muitos anos. a todos , em nome dos doentes e do pessoal do hospital , muito obrigado! 000 no dia 18 daquele mês, o chefe do es– tado-maior-general das forças arma– das, general lemos ferreira, deslocou-se ao hospital da marinha, na tradicional vi– sita da quadra do natal. nesta unidade hospitalar, o general cemgfa foi recebido pelo almirante sousa leitão, chefe do estado-maior da armada, e pelos contra-almirante mn félix antónio e capitão-de-mar-e-guerra mn estrela pinheiro, directores do servi– ço de saúde naval e do hospital, respec– tivamente . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• novos fuzileiros numa cerimónia realizada na escola de fuzileiros, em vale de zebro , no dia 14 de dezembro findo, presidida pelo vice-almirante serpa de vasconcelos" vi ce-chefe do estado-maior da armada, 280recrutas e alunos voluntáfios, que ha– viam concluído a 1mb (instrução militar básica), prestaram o seu jaramento de bandeira . também, os 280 grumetes que fre– quentaram a itb (instrução técnica bá– sica) receberam as suas boinas de fuzi– leiro. entre os diversos actos 'da cerimónia destacam-se a homenagem prestada pelas forças em parada aos «fuzos» mortos em campanha e a distribuição dos prémios es– colares, que foram atribuídos aos 2."-gr. fz oliveira (prémio «manuel correia gomes»), 2."-gr. fz silva (prémio «ma– nuel viana;), 2."-gr. fz alfama (pré– mios «aluno melhor classificado» e «aprumo militar» , da itb), 2."-gr. fz ninhos (prémio «aptidão física», da itb), 2.""gr. vol. bentes e2."-gr. reco garcia (prémio «aluno melhor classifi-cado», da 1mb), 2."-gr. vol. almeida e 2."-gr. reco pina (prémio «aprumo mili– tar», da 1mb) , 2."-gr. vol. mateus e 2."_ -gr. reco garcia (prémio «aptidão fí– sica» , da 1mb). •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 26 clube do sargento da armada na sede social do clube do sargento da armada (csa), em lisboa, teve lu– gar, no dia 16 de dezembro , a inaugura-ção de uma sala infantil e a festa do natal dos filhos dos seus associados , com a ac– tuação de palhaços, ilusionista e peque-</Page><Page Number="65">os cantores, para além de ter servido um lanche . também neste mês, no dia 17, na de– legação n. ol, no feijó, efectuou-se a en– trega de diplomas aos 15 sócios, familia– res e convidados (três do clube militar naval) que frequentaram um curso de in– formática (programação em linguagem «basic»). este curso, que foi da iniciativa de um grupo de associados, teve como instrutor o primeiro-tenente rocha pe– reira que, tal como outros colaboradores, actuou graciosamente. a festa do natal no clube do sargento da ar– mada (folo do i. "-sarg. a rui porfírio) . os elementos que frequentaram o curso de in– formática do csa, com o respectivo instrutor e um colaborador (foto do i. n-sarg. a rui porfí– rio) . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• natal na uaoacm cerca de trezentas crianças, filhas de militares, militarizados e civis que pres– tam serviço em organismos instalados no edifício da marinha tiveram a sua festa do natal , no dia 19de dezembro. muitos balões, rebuçados, palhaços e teatro infantil foram motivos suficientes para entusiasmar a miudagem e o serviço de um abundante lanche para a sua boa disposição e alegria. a organização pertenceu à comissão de bem-estar da unidade de apoio aos organismos da administração central da marinha (uaoacm). 27</Page><Page Number="66">isitas de cumprimentos ao almirante cema o almirante sousa leitão , chefe do estado-maior da armada, recebeu, em dezembro findo, em visitas de apresenta– ção de cumprimentos ou de boas-festas, as seguintes entidades : os adidos navais junto das embaixa– das acreditadas em lisboa. o contra-almirante t. a . almstedt ir., chefe de divisão do estado-maior da marinha norte-americana, que se deslocou a lisboa para tratar, entre outros, de assuntos relacionados com as fragatas mekk0200 . 28 os oficiais generais da marinha de guerra, o conselho superior de dis– ciplina da armada e os oficiais do es– tado-maior da armada, aos quais o almirante cema deu a conheceras li– nhas de rumo da actividade da mari– nha para os próximos anos. o embaixador da república de cabo verde em lisboa, dr. carlos reis.</Page><Page Number="67">quilo que agente não esquece (7) uma visita que deu que falar foi na austrália , em sidney . confesso que fui arroja– do 'na minha proposta , mas valeu a pena. celebrava-se o bicentenário da chegada do navegador inglês james cook àquele continente. por esse motivo , a fragata «comandante joão belo» deslocou-se ao maravi– lhoso país dos cangurus . do programa oficial constavam imensas coisas de caixa alta, entre os quais uma especta– cular parada das marinhas presentes . foi maravilhosa essa parada militar , apenas com um senão da parte da ma– rinha portuguesa . é que, enquanto as marinhas dos ou– tros países desfilaram pela rua principal de sidney, mar– chando ao som de bandas e fanfarras como se fosse um festival folclórico da nossa avenida da liberdade , o pes– soal da «comandante joão belo», ainda estou sem saber porquê , desfilou quilómetros e quilómetros empunhando a sua g3. não sei , talvez para lembrar que portugal esta– va em pleno período de guerra colonial. o cardeal de sidney a bordo da fragata "comandante joão belo:' a par disso , aliás coisa de pouca monta , todo o pro– grama das comemorações , embora pesado , era empol– gante . ora , além do programa oficial , cada qual arranjou também o seu programa particular: visitas à cidade e seus arredores , compras , espectáculos, etc. por mim, elaborei o meu próprio programa. um dos seus números previa uma visita ao cardeal de sidney, o único em toda a aus– trália. sem mais , nem menos , um jovem capelão da mari– nha portuguesa tira-se dos seus cuidados e bate à porta do palácio patriarcal. disse ao que ia e , acompanhado do capelão-chefe da marinha australiana , sou recebido por sua eminência . uma figura alta , mais gorda que magra, sorridente, envolta na sua capa purpúrea, estende para mim a mão , e eu inclino-me profundamente para lha beijar. de pronto ele me indica um cadeirão e , instalados , 29 t</Page><Page Number="68">onversámos durante cerca de meia hora. espantou-me a avidez com que me interrogava sobre portugal e, muito especialmente, sobre fátima . era um profundo conhece– dor da epopeia marítima portuguesa e quase lhe vislum– brei a vontade de contactar com a nossa gente. fui arroja– do, já disse, pois sem ter falado, previamente, com o co– mandante, ali convidei sua eminência para visitar a fra– gata . aceitou. às nove horas do dia seguinte, o senhor cardeal estaria a bordo. parti para o navio, contente mas confuso . não sabia bem qual seria a reacção do coman– dante , a quem fui encontrar na sua camarinha, frente a um pequeno aquário. - então , capelão , o que é que já conhece da austrá– lia? - perguntou-me , amavelmente o capitão-de-fragata leonel cardoso. - muito pouco, muito pouco , senhor comandante– respondi eu. - contudo - acrescentei - tenho uma grande notícia a dar-lhe . - diga, diga ... - amanhã , às nove horas , temos aqui , na «coman-dante joão belo» , o cardeal de sidney. -oquê?! -indagou o comandante, estupefacto. - é verdade, senhor comandante . com um dedo carregou no botão de uma campainha, e uns segundos depois aparecia o oficial imediato. - ó imediato, amanhã temos festa de arromba. o ca– pelão diz que temos a visita do cardeal de sidney. com ar macambúzio, como era seu hábito , o imediato recebeu a notícia friamente. mas , aguardou ordens do comandante. - formatura geral e uniforme número um, às nove horas de amanhã -ordenou o comandante. * * * * ao jantar desse dia não se falou de outra coisa. al-guém me afirmava, em tom amigável, mas jocoso: - você, quando chegar ii lisboa, é nomeado bispo! outros eram mais pertinentes easseveravam: - você vai terum futuro brilhante! e vaticinavam muitas coisas. mas o meu horóscopo, a balança, vai-me dizendo, na prática, que a respeito de vaticínios se deve seguir .a norma de nem tanto ao mar, f n album de recordaçoes nem tanto à terra. e cá vamos vivendo seus altos e baixos, dentro da norma e como manda o furino. . mas, perdão , estávamos-a falar da visita do cardeal de sidney à fragata «comandante joão belo». é verdade. faltavam quinie minutos para as referidas nove horas, a chegada do cardeal. tudo a postos. de proa à popa , uma formatura impecável. de repente, abeira-se de mim o comandante do navio e diz: - ó capelão, e se você não percebeu bem o inglês do senhor cardeal e ele não vem a bordo? nesse moment"o, eu ia caindo de costas. alguém me dis,se, mais tarde , que eu fiquei amarelo como a cera . .' ora, uma destas!!! o que é certo é que aqueles quinze rriinutos pareceram-me uma eternidade. soam as nove horas, e ninguém aparece. segundo a segundo eu ia olhando os movimentos dos ponteiros do relógio. que grande bronca, se o senhor car– deal não aparece, murmurava eu com os meus botões , en– quanto alguns olhos se cravavam em mim , ameaçadores. por pouco, escapei a um chilique, já que suores frios me iam arrepiando o corpo. nove horas e cinco minutos , os tais cinco minutos de atraso permitidos a pessoas im– portantes . «his eminence», diz , em voz alta , um oficial, apressado, da marinha australiana, saindo de um carro e aproximando-se da fragata. recuperei as forças. com um largo sorriso, o coman– dante fixou em mim o seu olhar como que a dizer: saíste– -te bem, estás safo! na verdade , o cardeal gilroy-ass-im se chamava sua ç:minência - chegava ao cais num rolls royce preto, do governador-geral. a visita revestiu-se de uma certa pompa e, no dia se– guinte, todos os jornais de sidney badalavam sobre por– tugal, sobre os marinheiros portugueses e sobre a visita do cardeal à fragata «comandante joão belo». uma vitória diplomática, afirmavam alguns. uma rara distinção , comentavam outros. para mim , no entanto, uma consolação. a consolação de que o meu inglês era perceptível e a consolação de re– ceber do cardeal de sidney a oferta de um lindo álbum que ainda hoje conservo. delmar barreiros, capelão graduado em cap. -[raf!. apresentar armas! no dia 11 de setembro de 1953 recolhi ao corpo de marinheiros, deixando com saudades o «joão de lisboa». era uma sexta-feira. grumete chegado , logo o cabo costa, mais tarde meu particul.ar amigo, o punha de guarda. assim aconteceu, cabendo-me o primeiro e único serviço deste género. haviam-me avisado para ir ver a escala, e lá estava o número 7393 para o dia 13 , domingo! nesse dia , o capitão-de-fragata vieira garin, segun– do-comandante do cruzador amarejo(*) dava uma festa 30 nos jardins da escola de artilharia naval. o meu posto de sentinela era precisamente ao cimo da rampa que ia do jardim para ocorpo de marinheiros. a fama propalada acerca do segundo-comandante garin era de molde a amedrontar quem o não conhecia. mais tarde, em contacto directo, tive outra impressão. mas, nesse momento , recém-chegado, não era muito (*) antigo quartel do corpo de marinheiros da armada. no alfei– te. que. n,1 alturil. estava pintado de amarelo.</Page><Page Number="69">ranquilizante a minha poslçao. para mais, o cabo da guarda avisara-me de que iriam por ali passar diversos carros com embaixadores , pelo que deveria apresentar armas a todos os civis. ao tempo, existia uma polícia do comando, constituí– da pelo césar, o batuca e outros , que raramente se farda– vam . o batuca, primeiro-marinheiro artilheiro, era o moço do paiol de géneros do corpo. vim depois a tornar– -me seu amigo, dada a coincidência de ser duma aldeia perto da minha. estava no posto, muito compenetrado do meu papel. quando surge uma carrinha da armada, com motorista fardado e, no assento de trás um civil. sentido e apresen– tar armas, foi obra de um momento! travagem rápida da carrinha e saída do civil, a rir, e indagando o que se passava ... o batuca, pois dele se tra– tava , disse: - oh escolinha, olha que eu sou apenas o moço de' paiol e vou levar umas grades de cerveja p'rá festa. os graúdos não andam em carrinhas destas, andam em gran– des espadas ... mapone macaréus: as ondas da morte na história dos povos, há por vezes areferência aenor– mes ondas gigantes que, avançando em sentido contrário ao da corrente, se abateram sobre as povoações ribeiri– nhas, provocando danos consideráveis. ofenómeno é de– signado em ciência por macaréu, e omais famoso de que há memória deu-se a 15 de junho de 1896 oqual destruiu cerca de dez mil casas, ao abater-se sobre afaixa costeira da ilha japonesadehoncio. se é verdade que são os sismos, enquanto deslo– cações dos solos que se estendem ao longo do fundo dos oceanos, durante os fortes tremores de terra, quer em mar alto quer junto da costa, que causam os macaréus, nem todos os sismos os provocam. efecti– vamente, para a formação de uma dessas «ondas gi– gantes)), dizem os cientistas que é necessário verifi– car-se uma explosão ao nível da crosta terrestre, que originou o levantamento ou abaixamento de grandes partes do fundo do mar. essa deslocação dos solos provoca uma mudança rápida do volume da bacia aquática e da espessura das águas, originando a formação de ondas longitudi– nais com grande força e que se deslocam a uma velo– cidade de 1,5 km por segundo -os macaréus. a velocidade das ondas depende da profundidade do oceano e pode atingir os 700-800km horários. a velocidade é travada ao baixo nível das águas costei– ras, podendo diminuir até aos 150-200km/h nas pro– fundidades . é então que se reduz o comprimento e cresce subitamente a altura desta onda. abate-se as– sim sobre a terra um «muro de águas)) bastante ín– greme , com uma altura de cerca de 15 a 30 metros. a força de tal onda é enorme. mas a força das águas depende também da forma das orlas costeiras . os macaréus são principalmente perigosos em enseadas abertas e cuneiformes, onde vai desaguar grande parte das águas. a fúria do mar já não é tão perigosa em golfos .fechados, com entra– das estreitas . pode-se comparar est.a «onda gigante)) a uma seta disparada por um arco. a corda do arco será a brecha que empurra para a superféie dos oceanos grande vo– lume de águas. mas para «puxar a corda)) são neces– sárias enormes forças, conservadas durante bastante tempo, nas profundidades da terra. para isso, são ne– cessárias, às vezes, centenas de anos. prognosticar os sismos é uma tarefa bastante difí– cil. no entanto, pode-se prever a formação de maca– réus, a partir da observação dos fenómenos que acompanham as modificações repentinas do relevo dos oceanos. a descoberta destes fenómenos é feita de complexas observações geofísicas. as ondas sísmicas captadas pelos sismógrafos es– tendem-se muito mais rapidamente do que as ondas do macaréu. enquanto aquela precisa apenas de al– guns minuto, a contar do momento em que partiu do epicentro do erramoto submarino, o macaréu demo– rahoras ... o recuo das águas do oceano, que se dá 5 a 40 mi– nutos antes do aparecimento do macaréu, é também um dos índices da catástrofe. aparelhos especiais, os mareógrafos, vigiam este processo que se dá geral– mente na preia-mar. pouco tempo antes do regresso do oceano, faz -se um silêncio opressivo, que substitui o ruído característico da preia-mar. através da com– paração dos resultados de todas estas observações, consegue-se prever de antemão a catástrofe e preve– nir a tempo as povoações. o meio mais simples, mas também mais .caro, de luta contra os macaréus é construir poderosos que– bra-mares nas cidades e portos que estão expostos ao perigo. outra solução resulta do aproveitamento das características do próprio macaréu. com efeito, as ondas que se formam abaixo do ní– vel das águas crescem em altura e escarpamento. mas, este processo não pode continuar por tempo in– finito. num momento determinado começa a fase de destruição. um baixo-nível de águas pode ser criado artificialmente, de forma a formar uma rede de corte determinado e uma superfície bastante áspera . situa– dos no mar alto, a alguma distância da costa, poderão destruir as ondas gigantes do macaréu. (novosti) . •••••••••••••••••••••••••••••• 31</Page><Page Number="70">cantinho charadístico ainda neste prosseguimento das charadas por aumento de sílabas, que neste caso se poderiam consi– derar por junção de palavras, trata– mos agora das charadas em termo. espécie pouco usada, a sua técnica cónsiste na adaptação de três vocábulos de três sílabas cada, tendo cada sílaba o mesmo número de letras, dispostas da se– guinte maneira: re pa ra pa ra mo ra mo sa resta simplesmente escolher os sinónimos de cada um destes três vocábulos e dispô-los pela respecti– va ordem, de maneira a formar a fra– se (ou verso). assim: acautela-se do calor, o homem que na campina en– contra uma árvore frondosa. para a solução procuram-se os '\ sinónimos das palavras (ou locu– çôes) sublinhadas, grifadas ou em maiúsculas, que constituem as pe– dras da charada e dispõem-se da for– ma atrás indicada ou da forma se– guinte: repara/paramo/ramo– sa. esclarecemos que a esta espé– cie de charadas não tem sido atribuí– da numeração, se bem que a pudes– se levar, pois pode ser feita com síla– bas de 2 ou 3 letras. e então poderia ser 2/3, três sílabas de duas letras cada, ou 3/3 no caso de levar três le– tras por sílaba. 32 execícios : 1 - o diabo no inferno esfola– rá qualquer alma corrupta. 2 - um pedaço de esperteza basta para não cair no lo– gro do mentiroso. 3 - termina seus dias com in– felicidade, quem durante a vida só leva pancada. 4 - na mâo da pouca sorte está quem vive a poder de remédios. 2-2 (adie.). 5 - rapariga sem aquela, por sua honra vela. 3-2 (afer.) . 6 - firmeza e sabedoria de– vem ser os principais pre-dicados da pessoa que manda. 5-4 (apoc.). 7 - estaco em frente de ho– mem valente, mesmo que ele seja idiota. 2-2 (en– cad.). 8 - carneirada no mar não merece galanteio. 6 ( 6(8)8. 9 - aborre, ;er os amigos pro– vocandu-ihes mal-estar, é caso para pensar. 9 (– -4,5(7)6. 10 - o luxo não passa de uma mentira. 2-3 (epent.). 11 - economiza seu pecúlio, mesmo que ele seja uma insignificância, a mulher que é económica. 3-2 (4) (haplol.) . 12 - faz espavento do seu di– nheiro o homem que é ga– barola. 2-2 (interc.). 13 - em pessoa molenga a energia falece. 5 (4) (metam.) . 14 - ingénuo é o homem que, não tendo cuidado, acre– dita em falso palavreado. 2-3 (parag .). 15 - contra as dificuldades da vida é necessário lutar. 1- -2 (prot.). 16 - a prudência ensina-nos a caminhar na vida sem te– mor. 3-2 (sine.) . mindogues •••••••••••••••••••• * damas jogam as brancas e ganham. * brídege perdente sobre perdente 1. o caso e-6 c-7542 o-rv863 p-a64 e3 e-rdv109732 c-rd9 0- - p-95 dador oeste. as vozes: o n e s 1 ouro passo 1 copa 4 espadas dobro oeste ataca com o a de copas e a seguir joga o 2 de paus. como é que você joga para cumprir este contrato? vacas de carvalho, cap.-ten. •••••••••••••••••••• * concurso n,o 161 (sorteio de umprémio entre as respostas certas) 2 4 a de ria : da ras de! oh! gente cor de, mo me alto ím ga da bra gao em pia, ci se te, chei ! 1 3 que co eu pre cres ou ni meus me fria atrás ti ter ver man tro do gua fan fui... do : na ti sos, se arre a e tas a are de lin som qua pen tino da crê san percorrendo o tabuleiro a salto de cavalo, começando nas casas 1 e 3 e terminando nas 2 e 4, o leitor en– contrará, num desenho simétrico, dois tercetos de bocage. (soluçãonon ,o 163)</Page><Page Number="71">palavras cruzadas horizontais: 1 - oue possui rizoma. 2 ---,- rio do estado de mato grosso; filtrara. 3 - conjunção; fe– cha as asas para descer mais de– pressa; símbolo químico do praseo– dímio. 4 - óxido de cálcio (inv.); vi– gor das plantas (prov.) . 5 - ancinho para varrer o sal nas salinas; empre– endem viagem. 6 - três letras de atira; saudação; grito. 7 - cidade da malásia, na península de malaca; cabo que rodeia uma verga do navio pelo meio (inv.) . 8 - descoberta de marconi; ice. 9 - sozinho;._patrão; consoante dobrada. 10 - está à capa (o navio); norma social. 11 - ordem de cavalaria, na inglaterra, que tem por distintivo uma liga. 1 2 3 4 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 eee 8 9 10 11 verticais: 1 - estrada que se torna intransitável em consequência do degelo (na rússia). 2 - género de árvores bignomiáceas do brasil e . da áfrica; pó branco e seco chamado vulgarmente gesso-de-paris. 3 - ar– raial (inv.); carta régia que regulava a administração de uma localidade ou concedia privilégios (inv.); utensílio de ferro ou madeira. 4 - chiste (fig.); nome de um rio da suíça. 5 - mil e cem romanos; repreensão (fig.); títu– lo dos descendentes de mafoma. 6 - contracção da proposição e o arti– go (pl.); ovário ou conjunto dos ovos de um peixe; discurse. 7 - bigorna de cuteleiro; ave corredora australia– na; símbolo químico do astato. 8-reze; folha de certas palmeiras. 9-apedido; haste das plantas; moeda chinesa. 10 - bebedeira (pop.) ; usufruir. 11 - impulso mórbido para andar. marconipto ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••  cripto-cruzada .. l.. 18 3 23 3 14 6 10 v - .. ""!  14 3 17 3 2 3 5 3 [7.......::::::. portugal 1.  1\ /i 18 3 23 6 2 17 9 22 j i l 10 3 12 3 14 9 2 6 18 6 19 14 3 22 10 i 1.:.  lj 7 9 2 3 22 2 9 / i 3 18 22 10 9 3 22 5 3 1 , 6 2 l 14 9 2 3 2 3 19 17 14 22 10 3 13 8 3 3 23  3 10 9 22 2 3 16 21 6 17 . 22 14 3 g1 r2 a3 n4 d5 e6 ii!i. :1''1 18 3 191\ 6 17 3 10 21 17 4 3 4 6 9 2 22 2 10 6 2 1 h4 2 6 5 91 \ 17 6 14 6 6 22 2 9 \ 6 4 14 3 8 3 22 19 17  /9 3 9 4 10 6 17 3 4 22 19 10 2 6 17 10 6 17 6 3 1 2 9 19 l 3 17 6 , 19 6 4 3  10 9 17 6 17 5 9 2 \ 2 22 9 23 22 9 3 19 3 2 l 14 14 3 2 3 8 6 23 3 \ 3 17 6 22 3 3 2 3 9 9 2 ,..,.,.",..  3 12 3 14 3 2 3 17 3 14  19 3 5 10 9 2 2 6 [1 tffi ,':j ii \::  "- 19 3 9 10 3 9 2 9 , 17 3 2 22 4 7 8 22 2 9 a •  3 2 2 3 10 22v 4 3 8 6 1 3 5 9 2 2 3 6 2 21 18 3 2[/  23 6 3 22 2 22 6 2 3 10 9 231/ " 2 21 19 19 22 3 17 9 10 9 2 5 3 4 10 6 19 8 19 3 23 3 3 2 v "13 19 22 14 18 9 2 6 17 21 2 22 3 3 2.2 9 191/ " 19 22 17 21 23 3 2 3 19 5 3 4 3 8 6 1 3 5 9 191/ " 17 3 23 21 14 9 19 22 3 2 14 22 3 18 3 2 22 191/ '23 9 3 3 4 1 21 23 9 3 19 19 3 2 3 19 v para número igual, letra igual : 1g, 2r, 3a, 4n, 50, 6e, 7h, 8v, 90, 10t, 11z, 12b, 13f, 14c, 15j, 160, 17m, 18p, 195, 20x, 21u, 22i,23l. n. a. - os livros da especialidade chara– dística classificam este passatempo como cripto-cruzada, que consiste em preencher as casas numeradas com letras e para qual se dá uma chave. no caso deste, grande. este tem a particularidade de englobar uma sigla camoniana: " por mares nunca dan– tesnavegados». seasa para completar basta umpouco de raciocí– nio na procura das letras que correspondam ao número, sabendo que para número igual, letra igual. •••••••••••••••••••• 33</Page><Page Number="72">feitiçaria... a vela por trás da janela para esta pequena mistificação são precisos dois castiçais ou cande– labros exactamente iguais, com ve– ias exactamente iguais também. numa tarde de sol (com o sol já não muito alto) e escolhendo para o efeito uma janela em que o sol não incida directamente, abre-se uma ja– nela e pousa-se o primeiro castiçal atrás dela. a seguir pousa-se o se– gundo diante da janela, de maneira a que a imagem reflectida no segundo castiçal coincida exactamente com a imagem real do primeiro. aos amigos diz-se que se vão acender as duas velas ao mesmo tempo, e é essa a impressão que dá a quem vê. este truque é utilizado frequentemente nas feiras, combinado com espe– lhos, para fazer aparecer fantasmas e coisas semelhantes. para a próxi-ma vez, repare melhor. ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• - soluçoes "* brídege 1. caso e-a85 c-a o-ad1074 p-d832 e-6 c-7542 o-rv863 p-a64 e3 e-4 c-v10863 0-952 p-rv107 e-rdv109732 c-rd9 0- - p-95 você sentiu certamente que o a de copas estava seco e portanto teve que evitar sofrer um corte nesse nai– pe. não pode permitir que a mão fi– que em este. assim, apanha a vaza com o a de paus do morto e joga o r de ouros sobre o qual balda o seu pau perdente. o resto é fácil. "* palavras cruzadas horizontais: 1 - rizomato-50. 2 - apa; coara. 3 - se; sia; pr. 4 - lac; cio. 5 - ugalho; saem. 6-tir; ave; ulo. 7 - ipoh; amolap. 8 - tsf; ale. 9 - so; amo; tt. 10 - pai– ra; lei. 11 -jarreteira. verticais: 1 - rasputitsa. 2 - ipe; gipso. 3 - za; larof; pa. 4 - sal; aar. 5 - mc; cha; emir. 6 - aos; ova; ore. 7 - tais; ema; at. 8-ora; ola. 9 - sa; caule; li. 10- pie– la; ter. 11 - dromopatia. •••••••••••••••••••• "* cantinho charadístico 1 - capeta/pelara/tarada. 2 - bocado/carolo/doloso. 3 - remata/ /macaca/tacada. 4 - garrafadas. 5 - donzela. 6 - determinação. 7 - pataroco. 8 - madrigal. 9 - massacrar. 10 - gamela. 11 - go– vernada. 12 - gabagola. 13 - pas– ta/s. 14 - patoá. 15 - remar. 16-método. "* cripto-cruzada horizontais (vela do traque– te): tabaco. hora; iró. coração; m. ir; aquém. em; atum; na. me;cee; iró. anis; trem. tomem; dor. amei; ã; ara. sá; d; torre. são; tá; oro. (vela gran– de): palacete. camarada. palermo; io. repescai; t. apito; aida. cita; f; vá; ai. iça; grande. neo; rir; ter. enca– vais; má. teme; agros. rio; lio; asar. oó; r. (vela da mezena): i. er. ato. apas. credo. sá; ontem. a; mês; ena. c; caravela. aba; cara; maca. (casco): navegador. marinheiro. lê; ai; ri. ar; rã; t; i. raer; upar. er; atol. rússia; motor; dantes; v; sala; ar. f; sic; por; em; u; ria; aios. simulares; dá; navegados. maluco; siar; cia; pa– ris. loa; ângulo; assaras. verticais (vela do traquete): ema. cimentas. horácio; mas. ora– tes; meda. traquete; ito. aar; um; ir– mão; t. bia; enredara. ar; o; mão; morro. com; raer. o; o. (vela gran– de): racine. p;epicentro. capitão; ceio. paleta; gr; amor. ame; sofrível. lar; cavara; ai. armai; antigo. cão; idades; rã. edital; ermos. tão; asa. e; r. (vela da mezena): a. cb. saca. cama; a. aro; era. a; pensar eta; d; t; eva. iroso; e; nem. mala. ac. a. (casco): n. ai. ver. e; uf. gás; s. ais; sim. d; ii; mal. oráculo. rim; lua. opaca. toro; n. oras; g. r; si; u. de– dal. ama; roo nunca. t; ais. ervas. sie; pá. vagar. mares; ora. arara; adis. r; e; lios. ir; rã; aos. nautas. h; por. etal.l; r. ri. o. •••••••••••••••••••• "* damas brancas 1. 19-22 2. 24-28 3. 8-22-31 4. 31-24-6-17 pretas 9-27 31-24-15 14-28 e ganham. •••••••••••••••••••• "* solução do concurso n.o 159 minho. sado. ave. guadiana. tejo. douro. lis. mira. mondego. cá– vado. homem. zêzere. lima. tua. varosa. dão. coa. vencedor: luís francisco s. p. muchacho. •••••••••••••••••••• •••••••••••••••••••• pontinha. 34</Page><Page Number="73">s desenhos do almirante braz de oliveira(13)  - ? ,,';1 ;,' 'fi.,/f'//fj'" .t::.11 ';n' .iiji/.t ,;,'7!í,.i",,#, /i"ú://,'ff.tttf",,'1r)t';jí'/,i!d!!!/;,vt,·;j/jiii galé - século xvi - da obra «os navios da descoberta», do contra-almirante braz de oliveira, já apresentámos dois desenhos de galés - abastarda (n. o 147/dez. de 83) e areal (n. o 152/maio de 84). nes– te número vamos apresentar a última galé da série de desenhos que acompanha aquela obra - galé do século xvi. deste modo, dispensamo-nos de descrever as suas características, citadas naquela obra, chamando a atenção dos leitores para o que se dis– se naqueles números da nossa revista. m.horta, sarg, -aj. l</Page><Page Number="74">ivro das armadas (texto actualizado do códice, pág. 9) .: ç'l: - _f(, . "t (' ..:i  . ..  ..m .i_" l .' i 'i f sk:: . .q .t , .l ..) i</Page><Page Number="75">.o 162 / março 1985 / ano xiv / mensário 3000 revista da armada</Page><Page Number="76">umário m.do vale nota de abertura m. horta notícias pessoais a sociedade e as forças armadas c. moreira antologia do mar e dos marinheiros m. horta saibam todos vozda abita m. de almeida educação física s. braga histórias de marinheiros s. elpídio terminologia naval h. bonjour pastoril m. curado filatelia a. cutileiro os faróis em portugal ajude o seu museu s. mendes um insólito conflito no tejo delmar barreiros aquilo que a gente não esquece (8) m. horta reportagem e. dos reis o cronómetro de bordo efeitos do tabaco no meio ambiente p. de carvalho uma visita à velha fortaleza da mina quarto de folga m. horta fotografias antigas, inéditas ou curiosas revista cap.-ten. manuel maria de meneses pinto machado da armada publicação oficial da marinha tn\ . .., director e editor: -_i?  \ :. . ",.," .lt:: -j,." porte pago c/alm. antónio rocha calhorda consultor da comissão de redacção: c/alm. antónio júlio malheiro do vale corpo redactorial: cap.-m.-g. an fernando augusto smith elpídio capelão graduado em cap. -frag. oelmar da silva gomes barreiros sarg .-aj. l manuel da conceição horta orientação gráfica: hernãni lopes publicação mensal propriedade da marinha redacção e administração: edifício da marinha 1188 lisboa codex telefone : 36 89 61 n.o 162/março 1985/ano xiv preço de venda avulso 3000 assinaturas anuais: continente e ilhas 30000 estrangeiro (mais portes de correio) 30000 via aérea - o preço da assinatura será acrescido da respectiva taxa de porte por avião. pág. 3 4 5 6 8 9 10 12 13 14 15 16 17 18 20 21 27 29 30 30 verso da contracapa na capa :,  o larol do bugio. (fala do 1.0-sar9 . cm ramiro magalhães) tiragem: to 000 exemplares distribuição: agência portuguesa de revistas execução gráfica: instituto hidrográfico dep . legal n. o 2110 '83</Page><Page Number="77">nota deabertura há dias de sorte a ssim apregoam os cauteleiros pe– las ruas de lisboa para tentar os transeuntes. compre uma caute– la ... olhe que há dias de sorte.. . é verdade. todos sabemos que há dias bons e dias maus, tanto na vida das pessoas como das instituições. a manhã de 14 de janeiro passado foi de um dia bom para a revista, se tivermos em conta que as pequenas coisas tam– bém contam. e muito! primeiro, foi a visita de um camarada, colaborador e amigo, que nos veio mos– trar um maravilhoso álbum de fotografias de macau. como todos, teve o condão de avivar recordações que, com o tempo, se estavam a apagar na nossa memória. sa– bendo-se o fascínio que essas terras do oriente exercem sobre os marinheiros portugueses, os primeiros que ali chega– ram do ocidente, pelo mar, fácil é calcular o prazer que nos deu relembrar o que por lá vimos. depois, outra visita de amigo, este re– formado da força aérea, oriundo da avia– ção naval, que o mesmo é dizer da mari– nha. da amena conversa que tivemos, ressaltou o seu entranhado amor à mari– nha e a tudo o que nela viveu - os navios, o mar e os hidroaviões. dizia ele: o facto de ter passado à força aérea, quando se fundiram numa só as aviações militar e naval, não dá o direito a ninguém de me alcunhar de renegado pols, em toda a par-te, mesmo lá, tenho continuado a afirmar com orgulho que sou acima de tudo mari– nheiro. e acrescentou: quando se assen– ta praça na armada, é como se fôssemos marcados com um ferro em brasa. a ferida cicatriza e sara no mar, mas permanece para o resto da vida no coração! mesmo sentindo-me muito honrado de pertencer agora à força aérea. por último, recebemos o n. o 145/dez. de 84 da revista «o colégio militar», com dois artigos sobre assuntos de marinha, acompanhado de um cartão, escrito pelo punho do respectivo director-adjunto, no qual, além dos cumprimentos do corpo redactorial aos seus congéneres da ({re– vista da armada)}, se inserem palaras de apreço, que muito nos desvanecem. é, realmente, consolador e estimulan– te saber que os actuais ratas, lídimos her– deiros de honrosas e nobres tradições da– quele estabelecímento de ensino, ho– mens de amanhã, militares ou não, lêem a nossa revista e gostam dela. é caso para afirmar, mesmo descon– tando a costela de marinheiro que têm to– dos os portugueses, que nem tudo vai mal na juventude do nosso país, como dizem os que perderem a fé no futuro e nas virtu– des daraça ... c/ alm. 3</Page><Page Number="78">m destaque o v/alm. leonel cardoso, presi– dente da comissão nacional da orga– nização marítima internacional, foi eleito vice-presidente do comité de protecção do meio marítimo. é a pri– meira vez, desde a admissão em outu– bro de 1976, que um representante de portugal ocupa uma posição de relevo naquela agência da onu, que se ocu– pa das vastas e importantes questões da navegação mer.cante. a «ra» felicita aquele camarada pela sua eleição e deseja-lhe os maio– res êxitos no desempenho de tão im– portante cargo. 'essoai cabo tfd 246050, armando tei– xeira • cabo tfd 255050, domingos antónio pedro. cabo tfh 255950, manuel joão bandarra sardinha, em dez . de84. mestre de pescas alfredo martins nunes. auxiliar de serviços de 1." ci. jerónimo da costa gomes. ope– rador de lavandaria de 3." ci. maria fernandes e.fernandes. servente de limpeza susana nunes, todos do qpcm,emjan. de85. *********** falecimentos *********************** é com desgosto que participamos o falecimento dos seguintes camara– das , a cujas famílias apresentamos sentidas condolências: casamentos temos o prazer de anunciar o ma– trimónio dos seguintes camaradas, aos quais desejamos as maiores felici– dade: l.-sarg. b antónio manuel va– lente pinto com d. alda maria magí– na neira, em 8-12-84 .1.-sarg. eta nuno fernandes cunha com d . ana paula da silva fernandes, em 11-8-84 • 2. o-sarg. fz amado do nascimen– to dinis com d. celeste da ressurrei– ção sousa, em 21-12-84 • cabo se 71673 , antónio manuel lopes perei– ra com d. mencia francisco solange de sousa bragança e dias, em 16-12- -84 • cabo t 312579, vítor manuel pinheiro luís com d. maria deolin– da marques matos, em 15-12-84 • cabo ap 200180, josé joão calado correia com d. maria josé calado tapadas, em 22-12-84 • lo-mar. fz 90577, mário pereira da silva com d . belarmina maria da costa martins, em 8-12-84 • l.-mar. fzd 194177, matias zacarias machado com d . cristina gertrudes leitão gomes saial, em 1-12-84 • lo-mar. r 293878, joaquim luís de sousa com d. maria margarida bento , em 2-12- -84. lo-mar. l 107179, lino dos san– tos machado pedro com d. maria he– lena domingues vinagre, em 12- -1-85 • 1.o-mar. fz 703679, antónio 4 josé teixeira cruz com d. isabel ma-clalm. mn rf antónio guilher– me fronteira e silva, em 15-1-85 • cap.-m.-g. ra fernando paiva vi– lhena de mendonça, em 14-1-85 • 1.-ten. sg rf eduardo elísio da costa carvalho, em 18-1-85. sarg.– -aj. cm rf fausto fernandes carva– lho , em 13-1-85 .1. 0-sarg. a ra ma– nuel henriques puchez , em 8-1-85 • l.-sarg . cm ra moisés gomes, em 29-12-85 .l.-sarg. cm rf dionísio gaioso santos, em 18-1-85 .l.-sarg. aux. rf carlos marques vieira lo– pes, em 3-11-84. 2. o-sarg. a rf an– tónio jácome de sousa júnior, em 31- -12-84.cabo cm rf 274525, fran– cisco bernardo, em 15-12-84. cabo m rf 164526, gabriel augusto sus engana da silva conduto, em 1-quinta, em 8-12-84 • l.0 desp. rf -12-84.2- s/c 257()84 j 'm _ 298727, carlos soares, em 23-1-85. ria soares da cruz branco teixeira, em 20-10-84 • 1.-mar. fz 712380, hernâni manuel rodrigues chaves com d. maria margarida de chambel paixão , em 24-11-84 • lo-mar. cm 263881, manuel antónio augusto fernandes com d. ilda da ressurrei– ção lucas, em 1-12-84. 1.-mar. cm 242182, josé mariano girôto teles com d . clarinda de jesus serafim pascoal , em 15-12-84 • 2. o-mar. fz 718983 , josé vieira andré com d. maria de fátima vareiro cadilhe , em 18-11-84 • 2. o-gr. s/c 347083, agosti– nho da silva correia com d. maria aurora cardoso leite, em 22-12-84. 2. o -gr. reco 248584, antónio manuel catelas rosado com d. maria de je- . gr. , ase . a cabo cm rf 300427 , manuel de nuel esteves do vale com d. mana de s.. 29 12 84 c b m rf f ' . f d m d 16 ousa , em - - • a o atlma ernan es en es, em - 303()27 a ed d l -12-84 ' ugusto uar o ourenço . barreiros, em 24-5-84. cabo cm rf 183632 , manuel matos , em 12-12-84 *********** . cabo a ra 173743 , joaquim lou-passagens à reservai iaposentações renço, em 20-12-84 • l.o-mar. t rf 306624, josé augusto, em 24-12-84. 1. 0-mar. t rf 273025, filipe da con– ceição, em 25-12-84 • l. o-mar. aux. rf 282525, joão luís baía júnior , sarg.-aj . e antónio ribeiro. em 13-12-84 • l.-mar. tfc ra sarg.-aj. h belmiro augusto isaías, 407552, bernardino gonçalves , em em dez. de 84. 10-1-85 • 2. o-mar. aux. rf 308224,</Page><Page Number="79">osé maria marinho, em 24-11-84 - 2. oficial do opcm maria júlia de sousa rodrigues, em 5-1-85 - es– criturário-dactilógrafo do opcm beethoven domingos silva moreira, em31-12-84. *********** várias foram recentemente empossados nos cargos indicados os seguintes ofi– ciais, aos quais desejamos os maiores êxitos no desempenho das novas fun– ções: ·c/alm. edgar manuel vaissier portugal ribeiro, chefe do gabinete do cema - cap.-m .-g. antónio maria ouesada andrade, «c-04 de– puty chief of staff» , no cinciber– lant - cap.-ten. joaquim francis– co de almeida paes de villas-boas , comandante do nrp «augusto de castilho» - cap.-ten. an carlos eduardo teixeira guerra, «c-14 chief, headquarters servi ces branch», no cinciberlant. aos camaradas indicados, agra– ciados com as condecorações mencio– nadas, apresentamos as nossas felici– tações: cap.-m.-g. ra henrique eugé– nio bartolomeu guimarães, medalha de prata de serviços distintos _ 1.– -sarg. mo josé vitorino alves ricar-do, medalha de cobre de serviços distintos . *********** prémios escolares os prémios escolares do ano lecti– vo de 1983/84 do grupo n. o 2 de esco– las da armada foram atribuídos aos seguintes militares: cursos de formação de sargentos (cfs) : 2. 0 -sarg. a rosa esteves (ar– tilheiros); 2. 0 -sarg. t luís dós santos (torpedeiros-detectores); 2. 0 -sarg. se leonel mesquita (comunica– ções); 2. 0 -sarg. m costa agapito (manobra). cursos técnico complementar (ctc): l.-mar. 144081 , fernandes (art.); l.-mar. ti 203581 , silva (torp.det.); l. -mar. cct 247281, cardoso (com.); l.-mar. m 259681, silva (man.). cursos de formação técnica (cft): i .o-mar. a 400483, baptista (ait.); 2. o-gr. vol. 421ór3, santos (torp.-det.); 1.-mar. cct 425383, fialho (com.); l.-mar. m 411183, teodoro (man.). cursos de instrução técnica bási– ca (itb): 2. 0 -gr. 229083, faria; 2.– -gr. a 336583, gomes e 2. 0 -gr. a 138684, lopes (art.); 2. 0 -gr. ti 269983, gabriel; 2. o-gr. ti 314683, monteiro e 2. 0 -gr. ti 147784, ferrei– ra (torp.-det.); l. -gr . cot243683, teixeira; 2. 0 -gr. cot 342183, an– drade e 2. 0 -gr. cot 130784, barros (com.); 2. 0 -gr. m 210583, moreira; asociedade 2. 0 -gr. m 309983, carvalho e 2. o -gr. m 160984 , vilela (man.). a «revista da armada» felicita os camaradas distinguidos. *********** 1. 0 -sarg. r olímpio vieira por ter sido designado , por esca– la, para embarcar, o sargento vieira recebeu guia para a fragata "coman– dante roberto ivens». desempenhou o cargo de chefe da secretaria desta revista durante dois anos , tempo que consideramos insuficiente para assegurar o desem– penho das funções que lhe compe– tem, sobretudo na parte que respeita à colaboração que tem de prestar à direcção e à comissão de redacção. pode dizer-se que o sargento vieira estava agora a dar pleno rendimento , pelo que é com desgosto que o vemos partir, manifestando-lhe a nossa ami– zade, agradecendo a colaboração prestada e dçsejande-ihe as maiores felicidades futuras. o novo chefe da secretaria é o l. o-sarg . t ferreira pato . *********** eas forças armadas a associação 25 de abril, para comemo– rar o 11. 0 aniversário daquela histórica data, promove a realização de um seminário aber– to a cidadãos civis e militares, subordinado ao tema em epígrafe, e que tem como subte– mas: 1. as forças armadas como institui– ção; 2. relacionamento civil-militar; 3. defe– sa nacional e defesa militar. dada a actualidade e interesse dos as– suntos abertos à discussão, aquela associa-ção convida os interessados a apresenta– rem comunicações, as quais deverão ser entregues até ao dia 10 de abril , depois de ter sido comunicado, até ao dia 11 de feve– reiro, esse desejo. as comunicações deve– rão ter um tempo limite de 15 a 20 minutos. à data da elaboração desta notícia ainda não estava determinado olocal onde terá lu– gar o seminário, que se realizará em data próxima do dia 25 de abril. 5</Page><Page Number="80">m antologia do mar e dos marinheiros ferreira de castro pelo cap.-frag. cristóvão moreira j os.é maria ferreira de castro , talvez o escritor português deste século com maior renome mundial , nasceu a 24 de maio de ix9x em salgueiros, uma aldeia da freguesia de são pedro de ossela, oliveira de azeméis. tendo perdido o pai aos oito anos, contava apenas doze quando embarcou como emigrante para o brasil, onde do pará segue para o interior. essa sua vivência nos seringais da selva amazónica marcam pro– fundamente o homem e a obra - anunciada primeiro na voca– ção para o jornalismo, que o leva a fundar o jornal «a cruzada», acabado de chegar ao pará , vindo do sertão . ainda no brasil, lança outra publicação , «portuga),, cujo êxito será interrompi– do pelo regresso ao se u país. antes disso, publicara em folhetins o seu primeiro romance , «criminoso por ambição». que ele próprio ia distribuir de porta em porta pelos assinantes , recurso que voltaria a utilizar na obra seguinte, «rusgas sociais», com a tenacidade do homem que por si próprio se faz. regressado a portugal, foi ainda o jornalismo , vocação que em toda a vida o não abandonou, que permitiu a ferreira de castro eq uilibrar a difícil situação; e só em 1922 chegaria a vez da primeira obra que publicou em terra portuguesa , «mas ... », seguido de um drama «o mais forte») que não chegou a ser representado . em 192. aparecidos já diversos livros (como «ca rne faminta», «o exito fáci)', «o voo nas trevas», «a morte redimida », «a epopeia do trabalho» ou «a casa dos móveis roubados»), surge o romance que inici a verdade ira– mente a consagração de ferreira de castro como figura das le– tras portuguesas «emigrantes»); e dois anos volvidos, em 1930, é a vez de «a selva» - a obra que irá projectar em todo o mun– do , traduzida nas mais diversas línguas, o nome do escritor , que não ta rdará a confirmar a pujança do seu realismo em livros como «eternidade» (1933) e «terra fria» (1935). vêm depois, reunindo os estudos e as impressões de viagem do autor, «pe– quenos mundos e velhas civilizações» (1937) e «volta ao mun– do» (1944). escreve a seguir esse exemplo de realismo social que é «a lã e a neve ». publicado em 1947, e «a curva da estrada» (1950) . cuja acção situa numa espanha cm vésperas de guerra civil ; em 1954 surgem as belas páginas de «a missão». por fim, «as maravilhas artísticas do mundo» (195x). inventário do gé– nio criador da humanidade . precedem «o instinto supremo» (f96x). último livro que o escritor pôde ver publi cado. 6 (folo do lirtllli, 'o de " a cliflillll ») prestigiado no estrangeiro, onde a divulgação da sua obra era acompanhada de prémios e homenagens à figura do roman– cista e do homem sensíve l e desperto para o sofrimento dos ou– tros , defensor dos ideais da justiça e da liberdade , ferreira de castro arrostou, no seu país , com o prejuízo das posições que frontalmente assumia contra a ditadura do regime e a situação que este impunha aos escritores, através da censura, sob cuja tu– teia se recusou a escrever nos jornais. e à qua l sobreviveu dois escassos meses: morreu a 29 de junho de 1974, no hospital de san– to antónio , no porto, donde entre o pesar nacional seu corpo foi trazido para o jardim escola joão de deus , em lisboa, vindo mais ta rde a ser incinerado . as suas cinzas foram sepu lt adas em sintra . conforme vontade do escritor , à beira duma dessas vere– das, poéticas e sem nome , que levam ao caste lo dos mouros. ferreira de castro situa-se , na história da literatura portu– guesa , como o verdadeiro precursor do realismo social , que a r– ranca com «emigrantes», na denúncia das condições desumanas da emigração , e se continua nos romances seguintes , em que uma prosa aparentemente primitiva e literariamente limitada manifesta afinal um poder de comunicação que a faz transmisso– ra de emoções que sentimos vividas, com uma força que as em– purra para além dum espaço determinado , lhes dá essa universa– lidade com que ferreira de castro venceu as fronteiras do espa– ço e do tempo . os trechos que aq ui deixamos são extraídos daquel a que é reconhecida como a obra-prima do escritor: «a selva». decorre a principal acção do romance na região do rio madeira , aflue nte do grande amazonas , onde se situam as passage ns que reprodu– zimos. são as páginas em que alberto sai de belém do pará , e a bordo do justo chermont» inicia a viagem que o levará ao inóspito sertão: nela irá o protagonista do romance repetir a an– gustiosa experi ê ncia que ferreira de castro guardava consigo , mal era acabada sua infância quando partiu pa ra essa espécie de desterro , a bordo do navio de convés imundo , onde se amontoa– va promíscua aque la gente que escondia, atrás da expressão so– fredora . a resignação duma miséria que a granqeza do rio , imen– sa e luxuriante, fazia parecer mais profunda. ***</Page><Page Number="81">e «a selva» (ferreira de castro, 1930) lá de cima, de um dos canos do barco, desceram dois apitos, seguidos logo por uma campainha ambulante, que dava a vi– sitas e intrusos o sinal de partida. cruzavam-se, agora, pernas lestas, muitos dos que estavam a bordá volviam ao cais e lodo o na vio se alvoroçava nesse instante último da largada. com o encerramento das escotilhas, ganhou-se mais superfície na terceira e um e outro sertanejo começou a amarrar a sua rede. a sereia do navio tornou a fazer-se ou– vir - três silvos de despedida que abafa– ram o choro duma criança, vinda de algu– res, incomodativamente. - prancha dentro! também da proa se davam ordens para o cais, onde afiora se soltavam as amarras e uma fila de curiosos dialogava com os que estavam a bordo. o «justo chermont», atestadinho até mais não poder, expondo nos conveses tudo o que não coubera nas entranhas, ini– ciava a sua nova viagem ao madeira . a manobra de desatracação era lenta, por– que o comandante patativa, quanto mais fama adquiria de mestre no ofício, mais cauteloso se mostrava; a hélice enrodi– lhou, por várias vezes, a água à popa, e, por várias vezes também, se deteve, não fosse o barco avançar muito e bater no cais, ou descair e abalroar com o «gaiola» atracado um pouco abaixo. finalmente, o ponteiro do telégrafo in– dicou meia-força aos maquinistas e o «jus– to chermont» , flechado por oceanos e adeuses dos que ficavam , foi-se distancia– do na tranquilidade da noite tropical. e ainda ao longe deixava ver, dependurados num dos flancos da terceira e iluminados por detrás, dois sangrentos quartos de car– ne - reserva da copa até a morte de outro boi. nos con veses, os passageiros, despren– didos já de amigos e parentes , cuidavam de se instalar, numa súbita adaptação ao novo meio. em breve, cá em baixo, em re– dor de alberto, as redes entrançavam-se tanto, que dificilmente se caminharia por entre elas. desejos, ideias e sensações eram ape– nas murmurados; porque ainda ninguém estava senhor de si e, na ânsia de conquis– tar espaço para o repouso, haviam-se tres– malhado e avizinhado membros de reba– nhos diferentes. um cão ladrava para a sombra dos «pontões» que o «justo chermont» ia la– deando, na baía adormecida. - chá, matuto! - mas a voz do dono fê-lo variar apenas de intenção e pôs-se a uivar tristemente, lugubremente. alberto afastou-se, para encostar-se à amurada, mais além. belém tornara-se já um clarão longín– quo, poalha luminosa flutuante no espa– ço. o cão emudecera e ouvia-se, nitida– mente, a proa do navio cortando a água da baía, numa lenta aproximação da mancha negra da floresta. na casa das máquinas soaram horas, que ele, ignorante dos toques con– vencionais de bordo, desistiu de contar. procurava agora, acocorado debaixo das redes, roçando a curva dos corpos deita– dos, a sua mala, perdida entre a farandula – gem dos sacos, paneiros e baús sertanejos. e, quando a descobriu, pôs-se a abri-la devagarinho, até que, irritando-o a imobi– lidade dos companheiros, deixou cair a tampa com súbito fragor. ninguém se me– xeu. no extremo da proa cirandavam ain– da moços de convés, mas indiferentes, como os dorminhocos, aos gestos dele. quedou-se, depois, com a rede debai– xo do braço, a considerar onde a devia prender. estava tudo cheio. não havia lu– gar para ela. a malta ocupara todos os va– rões, entrançara-se, aconchegando-se, e muitos dos que dormiam roncavam, como se estivessem em sua casa! enervado, com lágrimas nos olhos a gritarem a sua impotência, arremessou a rede sobre o oleado da escotilha - e de novo se encostou à amurada. e foi só madrugada alta que o frio , acalmando-o, lhe deu poder de adaptação para ir, resignadamente, inventar, entre a teia das outras redes, uns palmos vagos onde pudesse armar a sua. manhã nascente, ainda a cabeça pedia mais sono como recompensa da longa vi– gília e já a marinhagem, entregue à azáfa– ma da baldeação, obrigava todos eles a saltarem para o convés, cruzado em várias direcções por agulhetas e esfregadores. as vassouras que mordiam as tábuas irrita– vam-no tanto como se estivesse sendo apli– cadas na sua própria pele. o «justo chermont» ia, agora, na baía do marajó, encrespada como um mar e de margens tão distantes que se perdiam a olho nu. ao longe e com rumo contrário nave– gava outro «gaiola» - um rolo de fumo no ar e o amarelo do casco avivando-se sob o sol forte, vibrátil e deslumbrante, que su– bitamente se derramara na enorme ovallí– quida. depois de saber que toda aquela água não era pertença do oceano mas sim o corpo da aranha hidrográfica, vinha-lhe o assombro da vastidão, do que pesa e es– maga pormenores e, pela sua grandeza, é refractário à fria análise. o «justo chermont» cabeceava sobre ondas de dorso atlântico e fundo regaço e o outro navio, que singrava a distância, dir-se-ia, por vezes, subvertido, ficando à superfície que os olhos abrangiam apenas os mastros. surgia de novo, primeiro o cano, depois a linha do convés, para de novo submergir, num jogo que estarrecia espíritos profanos. as canoas, balouçan– do-se à esquerda e à direita, à popa e à proa, eram grandes aves mortas que flu – tuavam com uma asa estendida para o céu e arrastada pelo vento. e tudo beijado pelo sol, que se colava à água, se infiltrava na primeira camada e fazia movimentar no convés, conforme as voltas do leme, as sombras de bordo. a travessia demorou algumas horas. e sempre, sempre, a mesma sugestão de grandeza inabarcável. depois, a linha pardacenta, que se via de longe, foi-se aproximando, crescendo, alastrando, mu– dando de cor. era verde agora e já se veri– ficava , nitidamente, o recorte do arvore· do. o «jústo chermont» segl1:ia entre duas margens - terra baixa, terra em forma– ção, arrastada das cabeceiras e detida ali, partícula a partícula, ora a enconder-se na áfiua, ora a expor ao sol a sua capa de lama, submissa à vontade das marés. cobria-a densa vegetação, que se abraça– va, que se prendia, formando muralha cerrada de troncos, ramos e folhas. eram miríades de variedades, roubando– -se mutuamente o carácter, confundindo- -se, confraternizando naquela luxúria ve-getal. arvore que pretendera desgrenhar a cabeleira mais acima da das irmãs, fora acompanhada por tão numerosa multidão de lianas e parasitas, que, dentro em pou– co, o desejo se tornara vaidade inútil. quase não se vislumbravam os caules: as plantas rasteitas, os arbustos, os «tajás» e os cipós, tudo ocultavam, tudo fechavam, inexoravelmente. os olhos não iam para lá da margem, da cortina espessa que res– guardava as salas interiores, as clareiras – se, porventura, existiam. alguns fustes mostravam as raízes contorcidas no decli– ve que vinha, escorrendo vasa, da crosta onde se emaranhava aquele mundo de pe– sadelo até a água barrenta que o ,justo chermont» sulcava. e sempre q mesma coisa! sempre a mesma coisa! as vezes, o interminável va– lado recortava-se, no cimo, em curvas ca– prichosas, em rendas esmeraldinas, por onde o sol se filtrava , caindo em desconhe– cidas profundidades; outras, fechava-se em linha plana, como se por lá houvesse andado a tesoura colossal de imaginário jardineiro . a subida lenta, quinze dias bem puxa– dos de belém ao paraíso, gira, gira a héli– ce em-luta com a torrente, impacientava alberto, moroso em adaptar-se ao meio. o «justo chermont» ora enfiava pelos estreitos «paranás», tão ocultos nas mar– gens que o barco dir-se-ia entrar na pró– pria floresta, ora despachava para o céu os rolos do seu fumo em pleno centro do rio. e, então, se os olhos se dirigiam para a frente, a saída tornava-se tão misteriosa como fora a entrada - tudo selva, selva por toda a parte, fechando o horizonte na primeira curva do monstro líquido . as suas pequenas veias, que davam [jassagem a grandes transatlânticos e que na geogra– fia europeia figurariam como rios primor– diais, só se revelavam plenamente às pupi– las mestras dos «práticos» - sábios em co– nhecer a assombrosa trama fluvial, embo– ra ela principiasse em salinas, que se de– bruçava sobre o atlântico, e fosse termi– nar, para a navegação brasileira, nas fron– teiras do peru ou da bolívia, após quaren– ta dias de viagem. os olhos profanos não encontravam referência naquelas margens sempre iguais, na vegetação que se repetia, 7</Page><Page Number="82">el/úo i/a espécie, no entral/çado, desper– sol/alizal/do o indivíduo e fazendo valer apel/as o col/jul/to. cada curva se parecia coii/ outra curva, cada recta com a recta iii/tecedel/te; onde não existia barraca ou cidade, o espírito hesitava, ficava perplexo e ia formulando a pergunta íntima: «já passei aqui ou é a primeira vez que passo aqui?» contudo, os pilotos do labirinto, hu– mildes na profissão exercida naquele prin– cípio do mundo, conheciam o curso enor– me em tódas as suas direcções e pormeno– res e, quer no dia rútilo dos trópicos, quer em cerradas noites, a sua voz ia indicando, surdamente, ao marinheiro do leme, a rota a seguir. às vezes, numa só hora, tornava– -se necessário andar da margem direita para a esquerda, no centro da corrente ou juntinho à terra, porque o canal tinha ca– prichos de serpente e era versátil como uma mulher. onde há um ano a sonda marcava profundidade para a maior qui– lha do mundo, já hoje se erguia uma praia, esplêndida para a desova das tartarugas no estio. a terra móvel, a terra por fixar, que se greta nos barrancos, parte e cai aos mi– lhares de toneladas, abalando a solidão com o rumor súrdo do mergulho, cria to– dos os dias novos obstáculos à marcha dos navios. mas nem isso , nem os grossos troncos que, pelo · desprendimento das margens nativas, flutuam na corrente e amolgam ou furam as proas descuidosas, atarafltam os «práticos» do amazonas– subtis na previsão das dificuldades e com memória de prodígio. o ofício, com o seu quê de milagroso, obrigava à admiração, ali, onde a ciência náutica falecia e os ho– mens tinham de se orientar por elementos miús instáveis do que os astros orientado– res dos navegantes de outrora. de quando em quando, o navio de– sembocava em trecho amplo; então, os olhos de alberto corriam de norte a sul, num abraço à vastidão luminosa. estava num rio ou num lago pré-histórico? nem sempre se divisava a outra margem. e, se surgia, era simples pespontado negro, na que os preços de alguns livros que estão· à venda na secretaria da nossa revista, anunciados no n ." 159/dez . de 84, foram alte– rados para: 8 • «roteiro da costa do algar– ve para navegação de re– creio», preço: 173000; • «lista de faróis», preços: 141000 (1· vol.) e 71500 (tivol.); • «tábuas náuticas», preços: 76000 (capa em napa) e 63000 (capas em percalina); • «manual de navegação», linha do horizonte. a água parecia subir, formando esplanada, para ir despenhar-se lium longínquo , imponente e imaginário açude. nas árvores mortas que arrastava, vagarosamente, pousavam lindas pernal– tas , umas adormecidas, o bico longo semi– -oculto no colo e uma das pernas recolhida; outras, de longas asas abertas, ensaiando um voo que nunca tinha início - um voo que era como uma saudação litúrgica ao sol glorioso dos trópicos . a inda mais adornos povoavam a água preguiçosa na marcha, a água grossa e barrenta: o mururé, a aninga, o muri, as ilhas da canarana que se desprendera das margens - num interminável viveiro de plantas aquáticas e vagabundas, perante as quais são pobres e tristes todos os nenú– fares do oriente. esta, levava as folhas co– ladas à água, formando ninho verde e ma– cio; aquela, erguia as palmas para o céu, deixando que a luz lhe trespassasse o re– corte fantasioso - e iam outras, ainda, que vogavam ligadas entre si, constituindo colónia e plinto errante de garças melancó– licas. aqui e ali, a brecha refazia-se, perden– do altura, esfarrapando-se e entregando– -se de todo à luz , até recuar a descoberto e dar aos olhos vasta planície. por lá anda– vam, de focinho no chão, incontáveis ma– nadas, nas quais abriam, por vezes, vere– das sinuosas os cavalos atrevidos dos va– queiros. mas, tragadas pelas palhetas mais duas ou três milhas, a selva vinha, de novo, fa– zer debrum às margens e tão opulenta e exuberante se mostrava que dir-se-ia re– conquistar ali tudo quanto perdera na ter– racalva. ao panorama inédito e magnificente sobrepunha-se, porém, no espírito de al– berto, a ânsia de chegar, furtando-se, por uma vez, àprecária instalação. . santarém, com a sua casaria velha a humilhar-se entre a nova, a sua igreja anti– ga, seguida pelo adro, a indicar o suave declive onde se erguia a cidade, foi uma pausa no nervosismo, foi quase um perío-saib preços: 198000 (encaderna– ção de luxo) e 158500 (enca– dernação normal); • «quadro de faróis e balões» , preço : 8500; • «regulamento internacional para evitar abalroamentos no mar» (3.'i edição), preço: 50500; idem, apêndice 2: 38500; • «manual de hidrografia», preço: 151500. que a «marinharia do,s qescobri– mentos», o «diário náútico do do de festa. moleques e adultos, negros e caboclos, invadiram o navio, em ruidosa venda de fruta ria e de cuias de todos os ta– manhos e feitios. exposta nos conveses a novidade, ou oferecida lá de baixo, das ca– noas, travavamse fortes regateios, porque os invasores, como os judeus, pediam vin– te por aquilo que só valia dez. as cuias, mais que as guloseimas, prendiam a atenção de alberto. já as co– nhecia de belém, célebres por darem frés– cura e fino sabor à água que por elas se sorvia, mas nunca as vira em tanta fantasia e variedade. fruto grande e redondo, de muitos quilos, às vezes, os nativos serra– vam-no pelo meio, extraíam-lhe a polpa inútil e das duas metades da casca, subme– tidas a tratamentos e tingidas de negro, fa– ziam aqueles primores locais. por fora, mãos pacientes abriam, a branco sobre preto, caprichosos arabescos, uns falando de primitivas ingenuidades, outros impon– do-se já por uma intenção de arte. havia também as que não tinham sido serradas; cavara-se o fruto apenas dos lados, na par– te superior, fazendo alça garrida a cesto original. alberto, mais ainda do que os cearen– ses, era, no convés da terceira, perseguido pelos vendilhões, que viam em tão escor– reito senhor carteira ampla e recheada. não. não queria. «e para quê? quan– do voltasse, sim, levaria uma para sua mãe. mas quando voltaria ele a passar ali?» por fim, a distracção imprevista já lhe parecia longa e incómoda, roubando es– paço no navio e dando ao meio expressão diferente da dos outros dias da viagem. só sentiu alívio quando o «justo chermont» recomeçou a marcha, distanciando-se de santarém e entrando de novo no grande curso amazónico. no seu espírito existia já, silente e instintiva, essa solidariedade muda de viajantes de comboio perante a chegada de novos passageiros. no cenário existente ele tinha o seu lugar, e com a par– tida dos intrusos algo de meigo e fraternal se exalava em derredor, subtilmente. todos yacht amélia» e «a caravela portuguesa» mantêm os anterio– res preçús: 176000 , 120000 e 80000, respectivamente . que também estão à venda na nossa secretaria os livros «sagres a escola e os navios», «quando a marinha tinha asas», «o uni– forme militar na armada» (3 vol.) e «aviso aos navegantes princípios orientadores», aos preços de 170000, 160000, 413000 e 40000, respectiva– mente.</Page><Page Number="83">oz da abita cartas ao director dos nossos leitores e amigos recebemos a seguinte correspon– dência . de josé maria costa, coimbra, entregue pessoalmente, uma carta em que lamenta a sua situação de re– formado, porque vê a sua pensão de cabo muito distante dos seus ca– maradas do activo ou / da reserva, com muitos menos anos de serviço do que os que ele fez, quase todos nos submarinos. n. r. - como deve ter observado, o as– sunto já foi abordado várias vez(!s nesta re– vista, e a única coisa que lhe podemos dizer, e talvez sirva de consolação, é que continua' mos esperançados em que a situação seja re– solvida comjustiça. o sobre o mesmo assunto, recebemos pos– teriormente uma carta do cap.-ten. sg.rfdio– cleciano rodrigues mata, matosinhos, na qual considerá imorais e afrontosas as pensões dos reformados. doo doo do dr_ josé alfredo pinheiro marques, docente da faculdade de letras da universidade de coimbra, no instituto de história e expansão ultramarina, e um- dos responsáveis pela disciplina de história dos desco– brimentos, com palavras de apreço pela nossa revista, que muito apre– ciámos e agradecemos. n. r. - quanto àhipótese da sua colabo– ração, seria uma honra para nós: ""'" doo de joão manuel carvalho lu– dovico, vila chã', barreiro, uma amável carta, da qual não resistimos a fazer estes extractos: a revista é o elo que liga o pas– sado ao presente. o passado de to– dos os que já deixaram o serviço; o presente dos que continuam nele. quem, como eu, pertence ao passa– do, mas reside próximo da base, vai fazendo visitas às unidades e conti– nua a par do que se passa. para es– tes, a revista é complemento indis-um dos modelos radiocomandados construídopelo hosso assinante mário cavalleri. de mário rui m. cavalleri, setú– bal, uma carta acompanhada de fo– tografias de modelos radiocomanda– dos de navios de guerra e um exem– plar do jornal "propagação cb". diz que este hobby, a que se dedica de alma e coração, inclusivamente cola– borando em jornais da especialida– de, consegue reviver e avivar as grandes saudades que tem do tempo em que andou embarcado. n. r. - parabéns pela sua habilidade, que é bem patente nos modelos que constrói. é com muita satisfação que constatamos que não esquece a " briosa" nem o tempo que nela passou. são assim todos os verdadeiros marinheiros. pensável para actualizar pormeno– res. para os que pertencendo tam– bém ao passado residem longe, só pela revista vão matando saudades da nossa querida marinha (. ..). e termina a sua carta declaran– do-se um apaixonado da poesia e enviando, a propósito, uma de sua autoria, da qual damos apenas esta amostra : recebo o correio/ era dia da revista / pego-lhe, acho-a menos quente / mais pobre e mais fria / fo– lheio-a avidamente/ o que procuro não vejo / porque ela não trazia ia página da poesia. n. r. - às vezes sucede... obrigado pe– las suas palavras amáveis e parabéns pela veia poética. doo de josé carlos coimbra pe– droso santos, esgueira, aveiro, uma carta acompanhada de um lindo postal do farol da praia da barra de aveiro, que agradecemos. doo do sarg.-aj. a rf joaquim pra– ta, sintra, uma carta em que relata o seguinte episódio nomar: em 1922, saía o contratorpedeiro «guadiana» de lisboa rumo aos açores. comandava-o o cap. -ten. josé de campos navarro, conhecido por navarrão - um homenzarrão, áspero nas suas determinações - para o distinguir do irmão, também oficial de marinha - mais .baixo, mais novo e de trato mais afável - alcunhado de navarrinho. o «guadiana» tinha qualquer de– ficiência nas caldeiras, talvez por erro de construção ou por má repara– ção, pois poucos meses antes de empreender esta viagem tinha che– gado de itália onde fora a reparar. essa deficiência dava. origem à fer– mentação das caldeiras e, quando esta se dava, .imobilizava o navio completamente, o que era frequente. sucedeu então que, a 200 milhas de lisboa, as caldeiras fermentaram, não havendo possibilidade de repa– rar a avaria com os meios de bordo. 9</Page><Page Number="84">comandante, não tendo outra al– ternativa, lançou um sos para que qualquer navio que navegasse na– quela zona nos prestasse apoio, pois estávamos de facto numa situação difícil, com o mar bastante cavado e vagas de 6 a 7 metros. é bom lem– brar que nessa altura a refeição de almoço da marinhagem era só sopa e, muitas vezes, mal confeccionada, como neste dia em que, dado o gran– de balanço do navio, cuja inclinação rondava os 45 graus, a panela teve de ser espiada, tendo nós que comer de pé para equilibrar o prato e o físi– co. pelas 16 horas avistámos um na– vio de carga pela alheta de estibordo, a tal distância que mal se distinguia. a princípio julgámos que o navio vi– nha ao nosso encontro, mas quando nos passou pelo través e.desapare– ceu, perdemos a esperança do seu auxílio. pelas 22, o paquete inglês «aba» pôs-se em comunicação com o «guadiana» e, pela posição que o nosso comandante lhe deu, respon– deu que às primeiras horas da ma– drugada estaria junto de nós. como era de esperar, foi uma alegria para toda a guarnição. ainda noite cerra– da avistámos os respectivos faróis de navegação. informou pela tsf quesó ao amanhecerpoderia passar o reboque, visto não haver visibilida-1e para o fazer imediatamente. opa-quete era uma autêntica cidade flu– tuante, fortemente iluminado, em contraste com o nosso navio, com– pletamente às escuras. passado o reboque, e depois de dois dias de na– vegação, chegámos a las palmas, onde permanecemos até reparar a avaria. este e outros riscos, que qual– quer homem do mar corre, não obs– taram a que eu atingisse os 80 anos de idade, sendo, e orgulhosamente o digo, o sargento artilheiro mais anti– go da armada. de facto, fui para a escola de alunos marinheiros de faro em 1920 e logo em 1922, em– bora tivesse sofrido este precalço quando ainda não tinha qualquer ex– periência da vida do mar, não tive de pensar duas vezes para ficar. ainda hoje tenho saudades do tempo que passei no activo e continuo a acom– panhar tudo que se relacione com a armada. n. r. - obrigadopelos cumprimentos. ••• convívios os «filhos da escola» do alista– mento de 1935 vão festejar as bodas de ouro da sua incorporação na «briosa» com um convívio, a realizar no dia 27 de abril próximo, com o se– guinte programa: às 09.30, concen– tração no cemitério dos prazeres para uma romagem à campa do co– mandante sena dentinho, patrono do alistamento, seguida de um almo– ço' de confraternização num restau– rante de lisboa, extensivo a familia– res. as inscrições deverão ser diri– gidas a: manuel calado pratas . (tel. 83 59 68), josé rodrigues (tel. 31 4567) ou salvador da conceição neves (tel. 2290850) . doo no próximo dia 13 de abril, em lo– cai a determinar, realiza-se o almo– ço-convívio dos «filhos da escola» do recrutamento de abril de 1970, que se destina a festejar o 15. 0 ani– versário da sua incorporação na ar– mada. os interessados deverão dirigir– se a: artur inácio, rua do monumen– to, 40, vimeiro - 2530 lourinhã; an– tónio camilo, torres vedras (tel. 061-24326); antónio fernando s. nova, rua trás dos quintais, 28-1 . 0 - 4490 póvoa de varzim ou josé chaves moreira, s. mamede da in– festa (tel. 955392) .  educação física formação provas de condição física geral entraram em vigor, há cerca de dois anos, as provas de condição física geral, que juntamente com as provas de condição física es– pecífica e as provas de adaptação ao meio aquático, constituem o blo– co de provas de valor físico que todo o pessoal dos quadros permanentes deve realizar anualmente, para efeito de informação semestral. verificando-se algumas imprecisões quanto à interpretação das mesmas, procuramos esclarecer dúvidas que possam facilitar a sua execução. 10 elevações nas barras posiçâo inicial - suspensão fa– cial com as mãos em pronação (fig. 1), e o corpo em extensão completa. execução - elevar e baixar o corpo o maior número de vezes pos– sível. observaçôes - na posição ini– ciai, as mãos apoiam-se com os de– dos virados para a frente e os pés de– vem ficar no mínimo a 30cm do chão. na execução, só contam as eleva– ções efectuadas a partir da extensão compréta dos braços e em que o queixo ultrapasse completamente a barra. durante a elevação, o tronco e as pernas devem ser mantidas em extensão, não sendo permitidos ba– lanços ou movimentos de pernas. a prova deve ser executada sem inter– rupções . contagem - sempre que o cor– po voltar à posição de extensão com– pleta (posição iniciai), conta uma ele– vação. extensões no solo posiçâo inicial - queda facial, com os braços em extensão comple– ta (fig. 2) . extensão - baixar e elevar o</Page><Page Number="85">orpo, o maior número de vezes pos– sível. observações - na posição ini– ciai, as mãos são colocadas no solo, à largura dos ombros, com os dedos virados para a frente e os membros inferiores no prolongamento do tron– co (fig. 2). só são válidas as repeti– ções que partam da extensão com– pleta dos braços e em que o peito to– que no solo, no final da flexão. a ele– vação do corpo e das pernas deve ser simultânea. a prova deve ser fei– ta sem interrupções. os militares com idades compreendidas entre os 35 e 40 anos, poderão optar entre a realização desta prova ou da ante– rior. contagem - sempre que o cor– po voltar à posição de queda facial (posição inicial) conta uma extensão. abdominais posição inicial- deitado dorsal, mãos na nuca, pernas flectidas e os pés fixos (fig . 3) . extensão - elevar e baixar o tronco, o maior número de vezes du– rante um minuto, tocando com os co– tovelos nos joelhos (fig. 4) . observações - na posição ini-desporto fig. 1 fig. 3 cial as pernas ficam flectidas cerca de 90 0 e ligeiramente afastadas. as mãos com os dedos entrecruzados, devem estar sempre em contacto com a nuca, durante o exercício. contagem - sempre que o cor– po voltar à posição de deitado dorsal (posição inicial), conta um abdomi– nal. meia-maratona das forças armadas emplena meia-maratona da armada. no dia 6 de dezembro, o cefa organizou a sétima versão desta pro– va, que decorreu entre belverde e a base naval de lisboa, no alfeite. participaram 232 atletas, distribuí– dos por cinco escalões etários per– tencentes a todos os ramos das for– ças armadas e militarizadas. a armada obteve o primeiro lugar na classificação geral, e por esca– lões os seguintes: 1. o escalão - 5. o lugar; 2. o escalão - 2. o lugar; 3. o es– calão - 2. o lugar; 4. o escalão - 1. o lugar; 5.o escalão -2. o lugar. fig. 2 fig. 4 corrida aeróbica posição inicial- em pé. execução -' correr, ou correr e andar, 2400m em terreno sensivel– mente plano. observações - durante o per– curso, não são permitidas paragens. corta-mato da armada no dia14 de dezembro, o cefa organizou na mata da base navalde lisboa, no alfeite, o corta-mato nas versões: curto (5500 metros) e longo (11000 metros), cada um com a par– ticipçlção de atletas dos cinco esca– lões. participaram nos dois corta– -matos 89 atletas. registemos o vencedor do cor– ta-mato curto, cabo oliveira do cefa pertencendo ao 2. o escalão, e o vencedor do corta-mato longo, grumete pinto da estação radiona– vai «almirante ramos pereira» , per– tencente ao 1. escalão. atletismo federado a equipa do cefa, participou no corta-mato dos dez, realizado em matosinhos, obtendo o 5. o lugar na classificação colectiva. medeiros de almeida, 1. 0 -ten. seg 11</Page><Page Number="86">istórias de marinheiros 69-era óbviolll um dos problemas mais delica– dos que se põem às entidades res– ponsáveis pela nomeação do pes– soal é a escolha do comandante e do imediato para os navios. umas vezes é aceite a sugestão do primeiro daqueles dois oficiais para a designação daquele que, a bordo, será, sob todos os aspectos, o seu braço direito. outras, face a exigências prioritárias do serviço, é o comandante forçado a aceitar um imediato que não é propriamente da sua preferência. o melindre do problema reside na vivência íntima que forçadamente se estabelece entre ambas as fun– ções. decerto que a finalidade su– prema, que deve pautar a actuação dos dois oficiais, é a perfeita eficiên– cia da unidade. mas, naturalmente, que a personalidade e formação de cada um, forçosamente não coinci– dentes, origina critérios e ideias que só por acaso são semelhantes. a si– tuação exige, assim, um esforço per– manente de compreensão mútua e de flexibilidade adaptativa que me– lhor sirva os interesses superiores do serviço. servem estas breves considera– ções à introdução de um facto ocorri– do há bem mais de cinquenta anos, cuja memória tem persistido na tradi– ção oral das câmaras dos navios. r 12 o caso passou-se a bordo do avi– so «república», em viagem de ins– trução de aspirantes, num tempo em que a «sagres» velha ainda não ti– nha sido incorporada na marinha. o imediato fora dos que o coman– dante não tivera o privilégio de esco– lher. dinâmico, desembaraçado, um tanto impetuoso, tinha ideias muito próprias sobre a melhor maneira de conduzir os serviços de bordo. cheio de iniciativa, e com uma certa crença na infalibilidade própria, discordava sistematicamente dos princípios orientadores dimanados do coman– dante - também, por seu lado, com personalidade própria, opiniosa, difí– cil de vergar. na sua vida de relação o encon– tro de plataformas comuns de enten– dimento demorava sempre. o que um dizia, alicerçado em argumentos sólidos, logo o outro, imaginativo, procurava rebater com bases difíceis de desmontar. no hábito, em que se puseram, de se contraditar , chegava por fim a acontecer que, afirmações óbvias, fruto de observações evidentes, eram logo rebatidas sem raciocínio prévio. um afirmava e logo o outro negava automaticamente. os choques que, assim, se verifi– cavam entre ambos, em regra caute– losamente privados, sempre trans-pareciam para fora do seu ambiente. o navio, embora de ferro, é, parado– xalmente, uma caixa de vidro. tudo se vê e ausculta, sem possibilidade de disfarce. deste modo, os oficiais - e com eles os aspirantes, bons observado– res no seu conjunto - estavam bem ao facto do tipo de relações existen– te entre os dois oficiais. ora uma vez, finda uma prática de navegação costeira, ao longo da costa do continente, o navio ia de– mandando a baía de lagos, ao fim de uma tarde de verão, afagado por umas aragens do norte, que mal arri– piavam a face estanhada do mar. tocara à faina e os aspirantes– como a guarnição - haviam forma– do nos destacamentos do castelo, meia-nau e popa. o navio, na aproximação do fun– deadouro, seguia devagar, com os prumadores, a um bordo e outro, cantando as braças do fundo . na ponte, o comandante, com leme e máquina, ia levando o navio, dócil, para as marcas da terra. f desejava fundear a ré - e não avante - numa manobra que, não obrigando a amarra a roçar pelo cos– tado, como na outra alternativa, pou- ·1oj\a."-e4 7</Page><Page Number="87">aria a pintura e não esforçaria tanto o material. para isso, o ferro deveria ser lar– gado no preciso momento em que o navio, cessando a marcha avante, iniciasse a sua caída a ré, por acção da máquina, invertida em ocasião oportuna. este, um cuidado elemen– tar para que a amarra se não ence– passe no ferro, cujas unhas, nêsse caso, agarrariam maio fundeadouro . no castelo, o imediato, debruça– do à borda, observando fixamente o mar, estava atento para alertar a ponte, como devia, do instante exac– to em que o navio começasse a des– cair a ré, por efeito da máquina. os aspirantes, na formatura da proa, seguiam interessados o desen– rolar da manobra, na preparação prática de futuras funções . a certa altura, o comandante, um tanto impaciente pelo que lhe pare– cia demora exagerada, bradou da ponte: - oh! imediato! como vai o na– vio? - aqui ainda vai avante, coman– dante -respondeu o interpelado. e o comandante, viciado na con– tradição, rebateu em voz alta : -pois aquijá vai a ré!. .. e logo um aspirante, numa con– clusão óbvia, comentou em surdina, para os camaradas da formatura : - lá se partiu o navio ao meio! .. . silva braga, v/a/mo in logia n • pau das donzelas - peça de madeira, cilíndrica, provida de molhelhas, que se coloca horizontalmente acima da linha de água e por baixo de um portaló sem escadas, para a ela atracarem embarcações : pau do donzel. • pau de botões - peça de madeira, cilíndrica, com rebaixo e furo numa das extremidades, destinada a pas– sar e socar botões de arame. • pau de carga - vergôntea de madeira ou de ferro cujo pé assenta num suporte cravado no convés ou no mastro em que está montado, dispondo na outra extremi– dade, aguentada por amantes ou amantilhos, de um apa– relho de força para içar e arriar grandes pesos. • pau de fileira - madeiro de secção rectangular guarda mancebos mangual c:::;:t:1 • pau de pica-peixe - verga colocada verticalmen te por baixo do gurupés, servindo de reforço a aguentar os paus da bujarrona e da giba; pau de sécia. m - paude pica-peixe • pau de voga - travessa de madeira disposta transversalmente no fundo das embarcações de remos, fixando-se os seus extremos em encaixes denominados castanhas, e destinada a apoio dos pés dos remadores . ou quadrangular, armado a altura conveniente no plano 61!91ml1lmr.: longitudinal do navio, destinado a aguentar a parte cen-trai de um toldo; por vezes é usado para o mesmo efeito um cabq..de aço. o restante da armação do toldó, consti– tuído por varas laterais, é designado porvaredo. • pau de surriola - vergôntea disparada perpen– dicularmente ao costado do navio onde articula num ca chimbo e dispondo de um aparelho adequado para os movimentos necessários. o seu equipamento é comple– tado com úm cabo que serve de corrimão (guarda-man– cebos), uma escada de quebra-costas e um ou dois cabos (andorinhos) para amarração de embarcações miúdas. 23 - pau de voga 13</Page><Page Number="88">paus reais-mastros reais . rede formando um varandim que guarnece, por ante a ré , o cesto da gávea. • paveses - conjunto dos balaústres, corrimão e • astoril 14 • pavilhão - símbolo marítimo de uma nação, a bandeira nacional. manei e maria nascidos na serra. crentes na beleza esquecidos da guerra.  com asas de sol percorrendo espaços . o mundo inteirinho dentro dos seus braços. uma nau d' esperança no mar dos meus olhos com o verde das algas e sonhos aos molhos. lá longe... distante ... há hinos de guerra. há fome e terror no corpo da terra. perduram no tempo horas de granito. há gritos de dor cruzando o infinito. um mundo de loucura matou os poetas. há espectros de dor nas ruas desertas. manel e maria, riso d'alvorada, aragem do norte. s. elpídio, cap.-m.-g. an (não sabem que os homens, constroem sombrios planos de morte). filhos d'alegria crescem florindo os seus corações. sabem lá que existem ... países de ódio. bomba de neutrões. mas . .. por quanto tempo correrão, libertos, nos campos risonhos? sem afoice da vida, cruel e sangrenta, cortar-lhes os sonhos. meu deus!. .. atéquando poderão olvidar os hinos de guerra? até quando unirão seus corpos de amor na ternura verde do manto da serra? .. helena luísa miranda coentro boujour, funcionár ia da d.a.</Page><Page Number="89">amos trocar selos pensamos que nesta secção se pode formar, a par da comunicação a nível colectivo, um outro tipo de in– formação que, constando de escritos pequenos e individuais, dê uma aju– da ao tão necessário intercâmbio, não só de ideias, mas também de pe– ças filatélicas. deveríamos, no nos– so entender, aproveitar a grande ca– pacidade que tem esta revista para nos aproximar. por intermédio dela poderemos fazer com que a oferta e a procura encontrem a mais apro– priada expressão, no sentido de con– duzir ao aperfeiçoamento as colec– ções que cada um de nós se propõe elaborar. quase sempre os filatelistas têm material excedente, e, se ele deixou de ter interesse para os seus traba– lhos, pode contribuir para o desen– volvimento de diferentes colecções, ou, sendo iguais, estarem em dife– rente estado de apiantamento . é muito mau que, morando ou traba– lhando próximo, como fantas vezes as novas emissões de selos portugueses transportes típicos da madeira - as características do meio onde o homem madeirense, nas suas variadas tarefas, teve de deslocar-se ao longo do tempo, fize– ram com que os habitantes da ilha fossem adoptando os transportes mais apropriados, alguns muito origi– nais. os ctt, para recordar tão inte– ressante património, emitiram, a 22 de novembro de 1984, quatro selos onde estão outros filatelia acontece, seja tão difícil o encontro entre filatelistas que bem podem pro– curar melhores processos para ad– quirir as necessárias peças sem ter que recorrer ao mercado. felizmen– te, ainda não desapareceu totalmen– te o espírito de troca, e estamos con– vencidos de que continua a ser o mais agradável e até o mais certo meio de transaccionar selos. embora se saiba que, a partir de determinado grau de evolução duma colecção, se torna difícil ou mesmo impossível aumentar o trabalho pela via da permuta, não podemos deixar de pesar um segundo efeito que a reunião destinada à troca pode pro– duzir. não são, felizmente , poucas as vezes que, da consulta dos classi– ficadores do filatelista que nunca tí– nhamos visto, resulta uma troca de ideias que, acompanhada dum cres– cente entendimento, conduz a uma sã e duradoira amizade de que bene– ficiam colecções e pessoas, ainda que não haja lugar para a troca ma– terial. uma conversa entre filatelistas, aliás como entre duas outras pes-tantos daqueles típicos meios de transporte. - um selo de 1600, ilustrando o conhecido trenó, denominado na– quela ilha por corsa, é puxado por dois homens e continua a ver-se nas ruas para regalo dos turistas. - um selo de 3500, onde se vê a rede, peça constituída por um teci– do forte e suspenso num cajado, que era usado no transporte de doentes, fidalgos e padres, tendo um aspecto exterior mais ou menos rico confor– me a condição económica do trans– portado. - um selo de 4000, ilustrando o odre, conhecido por borracho, es– pécie de saco, feito de pele de cabra. soas que tenham em comum um for– te suporte como é o dos selos, tem, à partida, feito mais de meia apre-i. sentação. pena é que nem sempre saibamos aproveitar o veículo de en– tendimento que constitui este mara– vilhoso passatempo que não nos de– veria isolar, mas sim aproximar. se desejamos que a rubrica hoje proposta tenha continuidade, é nos– so maior desejo que dela nasçam os melhores frutos , para bem duma fila– telia mais forte na armada. necessariamente lacónica, aqui fica uma comunicação que dará a to– dos nós a possibilidade dum encon– tro filatélico, acção que considera– mos ser uma das boas consequên– cias da coleccionação: o subtenente catraia de almei– da, a prestar serviço no grupo n.o 1 de escolas da armada - eam, de– seja efectuar trocas de material fila· télico de portugal e ex-colónias, ten– do para oferta selos novos e usados de portugal, bem como das ex– -colónias, estes últimos até à inde– pendência. seguindo o exemplo dos mouros no transporte de águçl através do sara, os madeirenses deslocavam nele o sumo das uvas durante as diversas fases de transformaçao. - um selo de 5100, com um barco de carreira, para pessoas e carga, entre as ilhas do arquipélago . propulsionado inicialmente à vela ou a remos, e só mais tarde a motor, es– tes barcos sofreram, ao longo do tempo, diversas modificações. um carimbo de 1. dia de circula– ção, por ser igual ao desenho do selo de 1600, enriquece muito pouco a emissão em termos filatélicos . m. curado, 15</Page><Page Number="90">os faróis em portugal dai-nos senhor a luz para nos iluminar o caminho (padre antónio vieira) há meses, numa troca de impressões com o almi– rante médico naval gualter marques , espírito jovem ligado a uma profissão velha de séculos - a notabilís– sima classe dos médicos e cirurgiões da armada-, falou-se no farol da guia onde, na capelinha que lhe fica anexa, realizou, recentemente, uma cerimónia familiar. o assunto - faróis -levou-me a dizer que devia ter , na babel de papéis velhos-que me cerca, algo que a eles se referisse. e tinha! num atado de antigos de– cretos, alvarás, cartas e provisões régias, topei com o que dou à estampa, por ser o primeiro em letra de i farol do cabo de são vicente. forma que se imprimiu (na contracapa reproduzimos, . em fac-símile, a primeira página deste documento) . apensa, a nota de haver pertencido ao almirante leo-te do rego, que publicou um notável roteiro sobre fa– rolagem do antigo ultramar. à nota acrescida ainda havê-lo eu adquirido, com outra papelada, na antiga livraria eclética, na calçada do combro, em 1945. o alvará, velhinho de 226 anos, data de 1 de fevereiro de 1758, foi sugerido por pombal, e mandava estabe– lecer faróis na guia , por já não existir o primitivo que , fora mandado construir em 1537 pela irmandande de nossa senhora da guia, para ter 4 a 5 luzes que alcan– çassem 10 léguas e se acendessem durante as noites de oitomeses, gastando uma pipa de azeite. tanto a capela como o farol foram reedificados em 1810 pela junta do comércio, a cargo da qual estava então a direcção de faróis do reino. em 1906 , o farol da guia possuía 161uzes fixas, como nos diz o «dicio– nário histórico de portugaln, volume v, página 703 . munido do velho alvará pombalino, procurei ou– tras achegas para saber 'desde quando os faróis se instalaram .na costa portuguesa. o mais antigo , se– gundo o referido dicionário, data de 1515, parecendo haver sido o b ispo do algarve , d. fernando coutinho, que o mandou edificar numa torre do convento de são vicente, no cabo do mesmo nome, compadecido da muita necessidade que dele tinham os navegantes e poderem com aquela l uz , ter aviso em tempo de tempestade e se fazerem ao largo desviando-se do p erigo. a grafia é deliciosa; gén ero tábu a v otiva, tra– dicional num p ovo de m a rinheiros . com e çou a bonda– de do bispo a dar início aos trabalhos, em 1515, cons– truindo a torre anexa ao convento, sendo este ocupa– do pelos monges em 1516. a torre era uma espécie de terraço, sobre quatro pedras de alvenaria . mais tarde, ali se iriam refugiar os monges quando os cismáticos de martinho lutero se quiseram apoderar do sacra– mento e das relíquias de são vicente . mas as vicissitudes do farol não ficaram por aqui, em 1587, o pirata inglês com carta de corso, francis drake, elevado ao título nobiliárquico de sir por isa-i farol do cabo da roca. 16</Page><Page Number="91">el i de inglaterra, que no dizer do nosso d. francisco manuel de melo era uma das muitas senhoras de mui bem fazer a quem lho pedisse, intempestivamente atacou o convento e arrazou a torre. em 1606 foi ainda um dos filipes que reedificou novamente o farol. o terceiro de que -damos conta foi o da barra do porto, construído pela irmandade de nossa senhora da luz, em 1680, logo seguido pelo da nossa senhora do cabo, também edificado por uma irmandade, a da nossa senhora do cabo espichei. como se vê, estas irmandades eram votada:s ao amor do próximo, como braços de misericórdia divina, que apesar de tudo ainda hoje perdura na instituição secular dos faróis. pombal foi, no seu tempo, um lutador contra o ma– rasmo, essa instituição nacional profundamente ar– reigada no português madraço de todos os tempos . assim, iluminando a costa portuguesa, manda cons– truir o farol da berlenga, o de são gião ou são julião da barra, na fortaleza do mesmo nome, e outro em viana . em 1772 constrói-se o do cabo da roca, bem como o da arrábida, depois mudado para a torre de outão. em 1775 é edificada a torre do farol de são lourenço da barra, da cabeça seca, ou ainda, do bu– gio, no forte do mesmo nome que , segundo o padre rafael de bluteau nos diz no seu elucidário, significa macaco, por o rochedo baixo que ali se erguia-.a.pre– sentar a configuração de um símio sentado. vem daí o termo jocoso de «mandar bugiam alguém que nos aborreça . em 1790 são reedificados os faróis do cabo espichei e o do carvoeiro. em 1841 constrói-se o da berlenga grande, a que foi dado o nome de duque de bragança. em 1847 instalou-se um farolim na torre de são vicente de belém. em 1851 é construído o farol do cabo de santa maria. em 1854 é mandado estudar o local para instalar um farol no cabo mondego e, por último, em 1855, é deferida a pretensão da irmandade de nossa senhora da póvoa de varzim para instalar um farolim no porto daquela localidade. alberto cutileiro ajude oseu museu é do seguinte teor a portaria que criou o museu de marinha: n. 0 95 - repartição do chefe do estado maior da marinha - 30 de julho de 1865 - ordem da armada. s.ex. a o ministro e secretario d 'estado dos nego– cios da marinha e ultramar manda publicar á armada o seguinte : considerando como é de utilidade manifesta a creação de um museu de marinha, que sendo archivo de gloriosas reliquias seja ao mesmo passo memoria do passado e ensino do futuro ; considerando quanto convem reunir em adequado local os monumentos maritimos ainda existentes ou dispersos ou menos conhecidos ou inapreciados ; considerando como ao lado d 'estes preciosos restos se devem recolher os modelos dos prestantes e sucessivos inventos com que o engenho e a sciencia de dia para dia adiantam e enriquecem as artes inheren t es á navegação; consi– derando que é a escola naval como fonte de instruc– ção maritima o estabelecimento mais economica– mente accommodado ao fim proposto; considerando como na pessoa do conselheiro director da mesma es– cola, o chefe de divislio graduado pedro celestino sbares, se ncontram todas as condições de capaci– dade, amor da sciencia e amor da patria, necessarias para p r oceder a zelosas e intelligentes in ves tigações archeologicas e para devidamen t e fazer coordenar as competentes collecções e catalogos: manda sua ma– geúade ei-rei que o referido conselheiro trate desde já de recolher todos os objectos que por sua valia, si– gnificação, antiguidade ou outras circumstancias, de– vam pertencer ao museu de marinha, para o que é auctorisado a entender-se com as auctoridades de– pendentes d'este ministério e a dispor de uma das sa– las da precitada escola naval, á qual escola o museu fica interinamente annexo, emquanto se não fixarpor ulteriores disposições e em presença dos valores col– ligidos a sua definitiva e conveniente organisação. o que tudo, pela scretaria d'estado dos negocios da ma– rinha e ultramar, se participa ao referido conselheiro director para seu conhecimento e necessarios effei– tos. paço, em 22 de julho de 1863. josé da silva mendes leal está confàrme. antonio rafael rodrigues sette, director. assim, pensaram, durante o ano de 1984, inúme– ras pessoas e instituições que fizeram ofertas ao mu– seu de marinha por considerarem que era ali o seu lu– gar. aqui fica o agradecimento a todas elas. e não fo– ram poucas: antónio carneiro, maria teresa ponces dentinho, a . fernando josé gomes , gunnar knudsen hansen, albertina de jesus, família do v / alm. luís de freitas oliveira lima, raul de sousa machado, aleixo m. de melo, vasco vasconcelos meneses, carlos mesquita, guilherme oliveira, joão afonso corte– -real , josé fernando teles de castro mexia salema, fernanda branco sampaio, virgílio silva e catarina gomes g .. r. vasconcelos . academia da força aérea , aquário vasco da gama, chefe do estado-maior da marinh a da bélgica , chefe do estado-maior da mari– nha d e esp anha , clube milita r naval , clu be náut ico dos oficiais e cadetes da armada, clube naval do seixal, comandante do navio finlandês «pohjanmaa)), depósito geral de material de guerra do exército, es– cola naval , esquadrilha de submarinos, galeria al– mada negreiros, grupo de amigos do museu de ma– rinha, grupo n .o 1 de escolas da armada, instituto hi– drográfico, ministério dos negócios estrangeiros e revista «mais alto)) . (colaboração do museu de marinha) 17</Page><Page Number="92">m insólito conflito no tejo situamos o leitor no período que decorre entre fins de março e de abril de 1865 . estava-se então na fase final da guerra da secessão dos estados unidos da américa , na qual se confrontavam os estados confederados do sul e os estados federais do norte, por motivos de antago– nismo de interesses e de direito político de secessão. no sul, quase inteiramente rural, a oligarquia latifun– diária e escravista detinha a maior parte do poder e da ri– queza; no norte existia uma sólida classe média, desen– volvida na urbanização e em actividades industriais, im– pondo-se o regime democrático. foi já no final destas lutas , que junto da nossa costa e, seguidamente, dentro do porto de lisboa, veio a surgir mais um conflito, naval, entre as duas partes beligerantes. vejamos o que se passou: no dia 27 de março de 1865 , à tarde, muita gente cor– reu às chagas, santa catarina e outros pontos elevados da cidade , na esperança de ver entrar dois navios de guer– ra dos federais, que se supunha virem em perseguição do vapor couraçado «stonewall» (') , dos confederados, en- (') recebeu este nome em memória do famoso lord jackson (stone· wall jackson) , morto na batalha de chancellorsville, em 1863, uma das mais importantes da guerra.do norte contra o sul. , \  - _ -- .-c:-- igg:;::; iktjh - c-." ::-:;...  .. z'- ? - --   18</Page><Page Number="93">i i trado no tejo no domingo anterior, para meter carvão e efectuar pequenas reparações. presumia-se serem o vapor «sacramento» e a corveta «s. luís», que algumas vezes haviam entrado em lisboa. nas ruas da cidade viam-se oficiais da marinha confe– derada, impecavelmente uniformizados de cor cinzenta e com um porte exemplar. no porto.encontravam-se amarradas as nossas corve– tas «sagres» e «mindelo» (2) com as guarnições em postos de combate, estando prontas a largar das amarrações, na expectativa da necessidade da sua eventual intervenção. na «ságres» tinham embarcado, para reforço, vinte e cinco praças da «duque de palmela». pelas 19.00 horas entraram finalmente no tejo os dois navios esperados, verificando-se tratar-se da fragata «niagara», de sistema misto, e do vapor «sacramento» . depois de identificados, o capitão-tenente francisco tei– xeira da silva, comandante da «sagres», comunicou por mensagem a sua chegada ao visconde de soares franco, major-general da armada. pouco tempo depois, uma canoa conduziu a bordo da «sagres» aquele oficial general, acompanhado pelos aju– dante e conselheiro capitão-de-mar-e-guerra francisco antónio gonçalves cardoso. entretanto, o comandante da «sagres» já tinha ido a bordo do «stonewall» intimando o comandante a sair no prazo de 24 horas. mas com a chegada dos federais, houve necessidade de demorar e adiar a saída, para a manhã do dia seguinte. os federais, após terem fundeado foram igualmente intimados a não sair a barra , sem terem passado 24 ho– ras , depois de ter seguido viagem o navio confederado. este, porém, ao sair , passou arrogante nas águas dos seus inimigos , levando içada a bandeira separatista. esta atitude provocante não a suportaram os norte– -americanos, que se apressaram a seguir-lhe a rota. a to- . re de belém, por não ter sido acatada a ordem dada, não tardou em disparar três tiros sobre a fragata. esta arriou imediatamente a bandeira, em atitude de respeito pela nossa soberania. o go"ernador da torre de belém , apesar de ali se ter dirigido um tenente da corveta «sagres», aconselhando-o a suspender o fogo , por considerar que a «niagara» não pretendia sair , mas foi simplesmente mudar de amarra- (') era comandada pelo capitão-tenenle caetano alexandre d 'almei– da albuquerque.  - _m.-m4ci"'l7e" ção, decidiu efectuar ainda mais quatro disparos, resul– tando do fogo feito uma pequena amolgadela numa cha– miné , sendo também atingida de raspão uma trincheira. logo após o sucedido, o comandanté'da unidade fede– rai protestou contra os tiros disparados, visto ter arriado oportunamente a bandeira. por sua vez, o ncarregado dos negócios dos estados unidos pediu satisfação ao governo português sobre a ocorrência, alegando que os navios não se dispunham a sair e que, após terem recebido o aviso da torre, com o primeiro tiro , que , segundo entendia, deveria ser de pól– vora seca, tudo indicava pretenderem regressar ao primi– tivo ancoradouro. perante a situação , o governo de sua majestade c) resolveu admoestar o governador da torre, porque reco– nheceu que ele errara. deliberou também que , à saída destes dois navios , deveria ser dada uma salva de vinte e um tiros de parte a parte , içando a torre a bandeira ame– ricana e os navios a bandeira portuguesa. em decreto, transcrito na «ordem do exército», lê-se o seguinte: torre de s. vicente de belém. exonerado do governo, o coronel reformado manuel joaquim da silva. - sua ma– jestade el-rei manda declarar que o coronel reformado i manuel joaquim da silva foi exonerado do governo da torre de s. vicente de belém,. e repreendido, por haver mandado fazer fogo sobre uma fragata dos estados uni– dos da américa, depois de esta ter arriado a sua bandeira e virado de bordo, reconhecendo assim o sinal dado pela mesma fortaleza que lhe fizera alguns tiros com o fim de que não continuasse a navegar na direcção da barra do tejo. a fragata «niagara» veio a sair em 13 de abril , em conformidade com o cerimonial superiormente estabele– cido , fiéando ainda nas nossas águas o vapor «sacramen– to» , que só retirou no dia 26 seguinte . sanado o acidente no tejo , dizia-se que o «stonewall» estaria no mar, a aguardar com impaciência o combate com os dois' navios inimigos . espalhou-se ainda o boato que ele veio a ser batido , não longe de lisboa , nada o tendo confirmado , nem des– mentido . verifica-se que tanto as autoridades portuguesas como os comandantes dos navios americanos actuaram de acordo com os usos e costumes internacionai s da época, hoje expressos no direito marítimo internacional. c) d. luís / . josé agostinho de sousa mendes , cl/p . -iii. -g. 19</Page><Page Number="94">quilo que a gente não esquece (8) , os aplausos na terra de d.aleixo alguém morreu um dia por se negar apisar a sombra da bandeira portuguesa , foi o, aleixo, o régulo timoren– se em cuja alma ardia um apaixonado amor pela pátria– -mãe , esse portugal distanté, senhor das terras de timor, que um dia viria a perder, orgulho-me de ter estado nes– sas paragens longínquas , durante duas curtas semanas, em 1970, numa escala de permeio entre macau e a aus– trália, águas calmas e límpidas serviam de espelho a uma terra verdejante, montanhosa, idílica, exótica. de dili a baucau , lospalos, bobonaro , ermera, ai– leu, aifu, foi-me dada a oportunidade de apreciar as raras belezas de tilj1or, de contactar com a sua gente, de me j • aperceber de estranhas realidades. até me foi posslvel ir a ataúro, uma pacífica ilha habi– tada por umas centenas de pessoas, só não tornada o pa– raíso dos hippies por ficar tão distante dos centros confu– sos e estonteantes da europa ou da américa . lá fui em um domingo de sol acariciador, acompanhado de algum pessoal da fragata «comandante joão belo», numa pe– quena lancha que a capitania de dili pôs à nossa disposi– ção. anteriormente avisado, via rádio, da nossa ida, o ad– ministrador de posto fez questão de nos receber com to– das as honras . o bispo de dili , d. josé ribeiro, tinha-me pedido que, uma vez que visitava a ilha de ataúro, aí cele– brass missa para a população, já que o missionário en– carregado da sua evangelização se encontrava hospitali– zado. para espanto de todos e muito particularmente para mim, a assistência foi numerosa e toda ela participava em a visitlll/li i/hll de allilíro. 20 coro, respondendo alto e bom som às palavras do cele– brante, no vernáculo idioma de camões, no outro lado do mundo, em plena área antípoda , os naturais de ataú– ro, pequena ilha de timor, faziam-me saborear a grande– za da lusitanidade. só por isso teria valido a pena aquela ida a ataúro , da qual me recordo enlevado quando, uma vez por outra, me detenho a olhar algumas fotos que por ali foi possível tirar. ainda por lá, em timor, ofereceu-se a ocasião de um jogo de futebol entre uma equipa local e a da guarnição da fragata, amigável e cortês , assim se podia classificar o encontro, já não sei qual a equipa vencedora , mas lem– bro-me, isso sim, de que no final, a assistência se levantou e começou a gritar em uníssono : «benfica, benfica, ben– fica ... » bons tempos, aqueles em que em paragens remotas até o benfica era conhecido. hoje , quem sabe, talvez nem o nome de portugal seja recordado e, se o é, sê-io-á certamente com certo sabor de decepção , não há muito , a caminho de lisboa pela auto-estrada que liga o estádio nacional ao marquês de pombal, olhando o vale do jamor, onde umas centenas de timo– renses se albergam em pequenas casas pré-fabricadas , comentava com uns amigos : estes mereciall/ ii/elhor sorte. na verdade, tanto eu como a gente da «joão belo», como tantos e tantos portugueses que um dia visitaram ti– mor, e tantos eles são, ficaram enfeitiçados e presos àque– la terra. não vamos mais longe. um dia destes entra em minha casa um amigo dos tempos da guiné, o dr. justino ra– mos. detinha-me a alinhavar este pequeno apontamento , - então, mais um trabalho para a «revista da arma– da»? - perguntou aquele meu amigo. - é verdade. e desta vez sobre uma terra longínqua e que tu não conheces. - não me digas que é sobre timor! - parece que és bruxo, é mesmo isso. - !? é que eu estive lá quase dois anos - martelou, estupefacto, () meu amigo - c digo-tc - acrcscentou - ainda hoje tenho saudades daquela tena . e inclinando-se um pouco sobre as folhas que eu puse– ra de parte, parecia devorar sofregamente quanto havia escrito. pelo que me contaram, e por aquilo que a imprensa mundial vai dizendo , as coisas não andam muito famosas por lá , que pena! e tanto mais pena me dá , quanto é certo que a sua gente ,estava ligada ao espíritc português .</Page><Page Number="95">ecordo-me que em determinado dia da minha esta– dia em dili visitei uma escola católica, bem próxima da igreja que servia de catedral. após umas palavras que di– rigià pequenada fui brindado com uma canção. nada mais, nada .menos , que o.«alecrim aos molh()s». ora aí está, pensei com os meus botões, vens lá tu da serra da estrela arvorado em português dos sete costadqs, um le– gítimo herdeiro do lusitanismo de viriato, e recebe!) uma lição de portuguesismo dado pelas crianças de timor! de vez em quando lembro-me dessa cena, tal qual como lembro aquele papiar cristão, aquele português ar– caico que eu ouvia ao dobrar as esquinas das ruas de ma-laca. tal recordação invade-me de saudade e nostalgia. quase me dá vontade de empreender uma viagem a tí– moro mas, se lá chegasse, quem sabe, os aplausos seriam os mesm.os de outrora? as mesmas canções? mais, ouviria eu falar de portugal? não sei! contudo, uma coisa é certa, cem anos que eu viva , como diz a canção , não posso esquecer a minha passagem por timor. de/mar barreiros, cllpeltio grádl/ado em cap. -jillg. reportagem a«comandante roberto ivens» no novo cais de porto santo o novo cais de atracação de porto santo, que foi inaugurado pelo presiden– te da república em julho findo , foi utili– zado, pela primeira vez, em novembro, por uma fragata da nossa armada - a «comandante roberto ivens» . a visita e atracação de uma unidade naval de grande porte a porto santo cau– sou grande curiosidade na população lo– cal, em especial na escolar. como tal, cer– ca de 200 alunos dos ensinos primário e secundário fizeram visitas de estudo à «comandante roberto ivens». o novo cais tem, ainda, sido utilizado pelos navios-patrulhas em comissão na madeira e pela ldg «bombarda», em missões de apoio a organismos oficiais e outros . (colabo ração da estação a "comandante roherto [vens» a atracar ao novo cais de porto santo ifolo do cap. ·tel/ , saldai/lia radionaval de porto santo) ji/nceiro) . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• um aspecto da festa do natal. actividades no g1ea o pessoal do grupo n. " 1 de escolas da armada (gie), acompanhado de cerca de 650 familiares - dos quais 300 crianças-, e ncheu literalmente o cinema da unidade , para festejar a quadra n'ata– iíci a. após uma · alocução do capitão-de– -mare-gtierra espadinha galo, coman– dante do g i ea, e a· distribuição de lem– branças às crianças, exibiram"se o ·ran– cho típico infantil do bairro da mata (vila franca de xira), os àrtistas cândida branca-flor e carlos paião e os palh)ços gaitinha .e. vassourinha, a que se seguiu um almoço . ainda no âmbito das festas do natal , e por iniciativa da comissão ele bem-es– tar , estiveram patentes ·exposições de pin– tura do capitão-tenente valente zambu- ... .ia e de postais e gravuras dos l ..,-tenente ... 21</Page><Page Number="96">g go nça lves da sil va e i."- tenente sg marques curado. * os fa miliares do fa lecido sa rge nto– -a judante mq inúcio da sil ve ira , que fo i aluno e inst rutor na esco la de múq uin as do g iea, po r inte rmédi o de um dos se us filh os, o subtenente sei rodri gues da si l– vei ra , também a prestar serviço naque la unidade , oferece ram pa ra o seu museu uma inte ressa nte máquin a-fe rramenta . trata-se de uma frezadora inteiramente construída por aquele sa rge nto, a qu al de– monstra a capacidade e técnica de execu– ção prát ica que a instrução de máquin as– -ferrame nt as mini stradas na esco la de máqui nas proporcio na aos se us alunos. a frezado ra, que se e ncontra exposta na secçüo de se rralharia do complexo de ofi cin as daquela escola , constitui , pa ra além de uma vali osa peça de muse u , um ince nti vo para os alunos actuais e vin– douros. (co lalw ração do gi ea) a frezadora construída pelo sarg. -ajomq in á– cio da silveira e oferecida ao museu do gi ea. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• também queremos ver! não há muito tempo o museu de ma– rinha oferece u ao ce ntro infa ntil helen ke ll e r um pequeno modelo de um navio para que os alunos defi cientes visua is , que são tão humanamente recebidos na– que la instituição , pudessem imagin ar o que e ra um grande navi o. reeentemente, foi a vez de um grupo de alunos, deste mesmo ce nt ro, visitar as instalações dos je rónimos. os jove ns fo ram pe rcorrendo as mu i– tas salas e de li ciaram-se a tocar as inúme– ras peças expostas, desde uma ve lh a ân– eora romana até à imponente carranca da fraga ta «d . fe rnando " e g lóri a». neste di a, excepcionalmente, foi obrigatório mexer nos objectos expostos. (co laboração do museu de marinha) deficientes visuais d escobrindo os objectos do museu . (foto de reinaldo carvalho) . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• preservando opatrimónio do museu de marinha o célebre hidroavião «santa cruz», no qu al gago coutinho e sacadura ca– bral ehegaram ao brasil , terminando a sua memorável viagem sobre o atlântieo su l, encontrava-se com as telas das asas em mau estado. devido à amáve l colabo– raçüo da força aé rea , especiali stas das oficinas gerais de material aeronáutico procederam ii sua cui dadosa reparação. (co lahoraçüo cio museu ai' maril/ha) •••••••••••••••••••• 22</Page><Page Number="97">0. 0 aniversário dogramma no dia 2q de dezembro último, na sala da marinha de pesca do museu de marinha , realizou-se uma cerimónia co– memorativa da fundação do grupo de amigos do museu de mannha (gram– ma) . o presidente da direcção , comandan– te guerra corujo, agradeceu a presença dos convidados e historiou a actividade da gramma nos últimos dez anos, tendo destacado a aquisição e oferta de um diá– rio do comandante pinto basto repleto de belos desenhos à pena, oferta de uma ba– teira do tejo peio consócio inspector da polícia marítima manuel cabaço e a ofer– ta, através do grupo., de um belo modelo do vapor «almada», cedido pela compa– nhia portuguesa de pesca, e bem assim das canoas «fatinitza» e «boneca», gen– tilmente doadas pelos seus proprietários , eng.o antónio borges de sousa e família de j. ricardõõomingues. seguidamente, apresentou o plano de actividades para o triénio 1984-86, em que se dará especial ênfase à recolha e es– tudo de elementos respeitantes a embar– cações tradicionais portuguesas em vias de extinção, tendo em vista o simpósio in– ternacional sobre embarcações tradicio– nais que se realizará no nosso país em 1985 e bem assim ao projecto da caravela «são cristóvão», o qual consiste na cons– trução de uma caravela dos descobri– mentos , de forma a permitir o estudo da arqueologia naval , manobra e navegação deste tipo de navios. após um período de preparação e defi'ollle do modelo do vapor" almada»_ o presidente do gra mma entrega ao director do museu de marinha a medalha comemorativa do 30." aniversário daquele grupo (jóto de reinaldo can'a– lho). treino de tripulações a realizar em 1986, está previsto dar-se início em agosto de 1987 à reconstituição da viagem de barto– lomeu dias, por ocasião do seu 500. ani– versário, a realizar totalmente à vela, com chegada ao cabo da boa esperança em fevereiro de 1988. a tripulação será constituída por rapazes e raparigas dos 17 aos 24, anos, que serão revezadas nas su– cessivas tiradas , isto com o objectivo de relançar o espírito de aventura nos jovens portugueses. o comandante guerra corujo termi– nou oferecendo ao director do museu de marinha , contra-almirante leal vilari– nho , o exemplar n.o 1 da medalha come– morativa de 30. aniversário do gram– ma , da autoria do escultor prof . soares branco. o almirante leal vilarinho, no agra-decimento , mencionou os projectos e obras em curso no museu , com destaque para o acabamento do primeiro andar da ala norte do edifício dos jerónimos , que permitirá aumentar de 800m' a área de exposição daquele estabelecimento cultu– ral da armada . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• eleitos os novos directores docsa na sua sede social, em lisboa, reuniu , no dia 12 de janeiro findo , a assembleia geral do clube do sargento da armada, para discussão e votação do relatório e contas da gerência do biénio de 1983/84 e eleição dos corpos gerentes para o biénio seguinte. na primeira parte da ordem dos traba– lhos foram aprovadas por unanimidade as contas em apreciação, que movimenta– ram verbas apreciáveis - mais de 35 mil contos, na totalidade. foi também realça– do o trabalho meritório da aq ui sição das instalações e entrada em funcionamento da delegação n.o 1, no feijó , para as quais os 4210 associados contribuíram com donativos no valor de cerca de mil contos e mais quatro mil de empréstimo. depois, foram eleitos os novos corpos gerentes do csa, que ficaram assim cons– tituídos : assembleia geral: sarg.-chefe b lou– renço dos santos (presidente) , sarg.-aj . t rodrigues fróis, l. -sarg . h oliveira de jesus, l. "-sarg . te martins jorge , 1.0- -sarg. te soares teodoro e 1."-sarg. fz lopes saraiva. conselho fiscal: sarg.-chefe m fróis júnior (presidente), 2. 0 -sarg. fz horta gato , sarg .-chefee lopes martelo, 1."– -sarg. te silva pinheiro e 2. 0 -sarg. a lou– reiro martins. direcção: 1. 0 -sarg . tr féliz martins (presidente), 1."-sarg. mq vitória da fonseca, 1. "-sarg. l fresquinho botelho, 1.o-sarg. mq figueiredo ferreira , 2.– -sarg . fz fresco rebolo , 1.o-sarg. tr pi– res da maia, 1. "-sarg. fz teles frade , 1.– -sarg. cm belo calado e s·arg .-aj. a au– gusto luís. posteriormente , a nova direcção no– meou a comissão administrativa da de– legação n." i , composta pelos seguintes camaradas : sarg.-aj. t rodrigucs fróis (coorqc– nadar principal) , i.o-sarg. e valcntc pais, i.o-sarg. l nazaré piedade, 1. "_ -sarg. tr freitas martins , i. "-sarg. mq cruz beira, i .o-sarg. a ricardo gomes, l.-sarg. t galamba marta, l. -sarg. mq amado lima c i."-sarg. ets silva e pinho. •••••••••••••••••••• 23</Page><Page Number="98">navios de guerra estrangeiros no funchal aportaram ao funchal em visitas de rotina, em dezembro findo, a fragata ho– landesa hnlms «callenburgh» e o navio auxiliar da royal navy rmas «st. mar– garets», comandados respectivamente pelos capitão-de-fragata l. verbruggen e comandante m. hooper, e que embarca– vam 269 oficiais, sargentos e praças, na totalidade . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• sessão da academia de marinha no auditório do instituto superior nava l de guerra, à junqueira, realizou– -se , no dia 23 de janeiro passado, uma ses– são plenária da academia de marinha, presidida pelo respectivo vice-presidente , contra-almirante ecn rogério de oli– veira. durante a sessão, o capitão-de-mar-e– -guerra mn josé de vasconcelos e mene– zes, membro correspondente da acade– mia, apresentou uma comunicação subor– dinada ao tema «medidas sanitárias ao tempo de d. afonso ve d. joão ii» . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 24 astanavforlant no tejo a força naval permanente da nato no atlântico (stanavforlant) permaneceu no tejo, em visita de rotina, de 23 a 28 de janeiro find o . a força era comandada pelo eapitão-de-mar-e-guer– ra k. d. schwabe , da marinha da r. f. alcmã , e composta pelas fragatas fgs «hamburg» (navio-ehefe) (rfa) , hnoms «narvik» (noruega), hnlms dan van brakel» (holanda) e hms «arethusa » (reino unido) e pelos con– tratorpedeiros uss «richard e. byrd» (eua) e hmcs lroquois» (canadá) , comandados respectivamente pelos capi– tães-de-fragata u. fricke , t. romuld, f. leenart, a. backus, j. henderson e l. murray , e embarcavam, na totalidade , cerca de 1500 oficiais, sargentos e praças . no dia 23, o comandante schwabe deu uma conferência de imprensa a bordo do navio-chefe, durante a qual explicou aspecto da conferência de imprensa a hordo da «(harnhllrg ». aos jornalistas a natureza da stanav– forlant e as missões que lhe incum– bem. durante a permanência da força no porto de lisboa, cumpridas que foram as praxes da ordenança , foram proporcio– nadas às guarnições das unidades passeios turísticos a sesimbra , arrábida , palmela (com visita às adegas de josé maria da fonseca, internaeional vinhos, lda.), estoril, caseais e sintra. nos dia 26 e 27, os navios , que se eneontraval}l atracados nos eais da rocha conde d'obidos e de alcântara, estiveram patentes à visita do público. após a largada para o mar , no dia 28 , a esquadra aliada efectuou diversos exer– cícios, essencialmente anti-submarinos, em que participaram meios navais portu– gueses.</Page><Page Number="99">cap.-m. -g. k. d. schwabe, da marinha da r . f. da alemanha, comandante da força naval permanente da nato no atlântico. visitas ao almirante cema o almirante sousa leitão, chefe do estado-maior da armada, recebeu no seu gab'inete, em janeiro passado, em vi– si tas de apresentação de cumprimentos e outras, as seguintes entidades. o gen. richard mawson, comandante-ad– junto das forças dos eua na europa. o cor. ivan mocina e o ten. -cor. scott me– xer, da força aérea nortecamericana, .que ofereceram ao almirante cema um exemplar da revista «the navigator», em que aqueles oficiais são autores de um arti– go dedicado ao contributo dos portugue– ses na navegação. ..e...................................... 25</Page><Page Number="100">odas de prata do «jornal do exercito» o nosso estimado confrade domai do exé rcito» comemorou , cm janeiro findo , as suas bodas de prata. para assinalar a efeméride realizou uma exposição no museu militar sobre o seu histori al c acti– vidades desenvolvidas nos 25 anos da sua existência. à inauguração presidiu o ge– neral firmino miguel , vi ce-chefe do esta– do-maior do exército, que proferiu pala– vras de reconhecimento pela obra realiza– da , frisando as dificuldades c a luta que é preciso desenvolver para publicar , com regularidade, um jornal que tanto repre– senta para o exército, por contribuir para a coesão e espírito de corpo que ultima– mente tem vindo a crescer. no âmbito das comemorações foi cu– nhada uma medalha comemorativa, que na ocasião foi oferecida a várias entidades e às publicações da imprensa militar. se– guiu-se um agradável lanche-convívio, também nas instalações do museu . a «revista da armada» agradece os convites para as cerimónias, a que esteve jornal i 9 6 o presente com prazer , desejando aos seus confrades do domai do exército» e ao seu director , coronel barão pinto, a con– tinuação do bom trabalho dese nvolvido . aspecto da inauguração da exposição comemo– rativa das bodas deprata do ,lornal do exérci– to ». (foto do «je») . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• fiscalização da pesca as unidades navais , no ano de 1984, no que respeita à fiscalização da pesca , identificaram 1229 embarcações, das . quais 54 eram estrangeiras, tendo visto– riado 857 (46 estrangeiras) , do que resul– tou o aprisionamento de 243 (43 estran– geiras) . nesta esta tística estão incluídas as 79 embarcações identific(jdas em dezem– bro , com vistoria a 53 e o apresamento de 18 por pesca em área proibida, uso/posse de artes ilegais ou documentação irregu– lar. em consequência, foram apreendi– dos 3560kg de marisco c peixe diversos, cujo valor da venda reverteu a favor do estado . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 26 ogeneral cemgfa na marinha o general lemos ferreira , chefe do estado-maior-general das forças arma– das, visitou , no dia 28 de janeiro último , a exposição «a instrução na armada», patente na casa da balança, onde foi re– cebido pelo almirante sousa leitão, che– fe do estado-maior da armada . conforme a «ra» noticiou no seu nú– mero de janeiro , esta exposição esteve patente ao público , em novembro passa– do, na fil, e na citada casa da balança desde dezembro . ••••••••••••••••••••</Page><Page Number="101">ópia do cronómetro n. o 4, de harrison, feita em 1769, que funcionou com grande precisão durante duas viagens de james cook (colecção do museu nacional de marinha, em greenwich). ocronómetro de bordo não houve, certamente, instrumento náutico mais desejado do que o cronómetro de bordo. sabia-se que com ele se resol– via um problema que se arrastava há séculos e que consistia em determinar, de modo prático e com rigor, a longitude a bordo dos navios ('). a grande dificuldade consistia em fabricar um relógio que, conseguisse guardar o tempo do meridiano de referência (os ingleses chamaram aos cronómetros time-keepers) , sem ser afectado pelo balanço e pelas constantes variações de tempe– ratura dos diferentes mares onde os navios navegavam. elimi– nada a possibilidade de usar um relógio de pêndulo, restava, como única solução, o relógio de mola, que já existia, mas que não dispunha, mesmo em terra, do rigor indispensável para na– vegação. a barreira a vencer era exclusivamente de ordem tecnológi- (') ver sobre este assunto o artigo " a conquista da longitude", publicado no n. o 145/0ut. 83 desta revista. ca, e foi harrison que, em 1736, apresentou o célebre cronóme– tro n.o 1 que, sucessivamente melhorado ao longo de 28 anos, deu origem ao não menos célebre n.o 4, que deveria dar a harri– son não só a consagração como um elevado prémio pecu– niário. para conseguir o seu intento, harrison serve-se de muita imaginação e engenho. para evitar que, ao baixar a temperatu– ra, o óleo de lubrificação condense e prejudique o movimento das partes móveis, põe os eixos a girar em sedes de madeira. para que o momento de inércia da roda de balanço não varie com a alteração do diâmetro da mesma, devido à temperatura, o que fazia atrasar ou adiantar o cronómetro, recorre à conjuga– ção de dois metais (aço e cobre) de coeficientes de dilatação diferentes. e, para que a força da mola da roda de balanço não se altere, usa, igualmente, uma solução bimetálica na sua construção . deste modo e com as achegas de um outro inglês, john arnold , e de dois franceses , le roy e ferdinand bert– houd, o cronómetro , nos últimos anos do século xviii, já dispõe de condições para iniciar uma longa e frutuosa carreira. 27</Page><Page Number="102">ronómetro de josf1ph sewill, fabrico inglês de cerca de 1875 (colec– ção do museu de marinha, em lisboa). . porém, apesar da sua indiscutível utilidade, o cronometro . demora a entrar a bordo dos navios, pois exigia uma tecnologia que poucos fabricantes conseguiam dominar. por isso, os cro– nómetros eram raros e caros. até ao fim do século xviii, mes– mo em inglaterra, país onde existiram oficinas de grande prestí– gio, poucos foram os navios que deles dispuseram. ficamos admirados que tenham sido necessários mais'de cem anos para que o cronómetro de bordo com'u,m alcançasse o elevado grau de eficiência que era desejado. de facto, só,em meados do século xix tal foi conseguido, o que coincide com a época em que o cronómetro, tendo um preço mais acessível, passou a ter uso generalizado. . contudo, na impossibilidade de se poder fazer umayerif,i- ' cação, a existêncié;! de um cronómetro deixava o encarregadq de navegação sempre na dúvida, pois nunca sabia se, efectiva: mente, a hora do cronómetro era a correcta, mesmo quando de facto era. para obviar a esta incerteza passaram a usar-se dois cronó– metros, o que de nada servia quando marcavam horas diferen– tes, até que, nos navios onde se pretendia uma navegação mais rigorosa, se utilizavam três cronqmétros. nestas condi– ções, os responsáveis pela navegação sentiam-se mais des-' 28 cansados, mas nunca seguros, quando dois ou mesmo os três cronómetros marcavam a mesma hora. é curioso mencionar que nos meaoos do século passado, a marinha inglesa fornecia a cada navio apenas um.cronóme– tro, mas se o comandante, cons"cíente da necessidade de efec– tuar uma boa navegação adquiria, ou trazia.para bordo um se– gundo cronómetro, rece-bia;_oficialmente, um. terceiro. não co– nhecemos regulamentaç si_milar n.a nossa, marinha, mas sa– bemos que havia cojflàh_tes de navios nacionais que pos– suíam os seus própri91"''gr.onetros. o cronómetro·é; .el'itwi,-i:im-grandesenhor a bordo dos na– vios. há que tratá-lo ç"(}fd loelo o ·respeito, com o máximo de cuidado. publicam-'"se'tiormas, tomam-se medidas, para que os cronómetros mantenham o seu bom funcionamento. para o transportar, trava-se o sistemàde suspensão, fecha" -se a caixa que se mete numa outra almofada, que dispõe de uma correia de suspensão. no escaler, durante os trajectos en- . tre o navio e terra, é recomendado que a caixa se conserve sus– pensa nas mãos e entre os joelhos. a bordo deve colocar-se o cronómetro, ou cronómetros, em lugar pouco húmido, junto ao centro de gravidade do navio, lon– ge das grandes massas de ferro e dos dínamos. os eixos do sistema de suspensão devem ficar segundo as linhas longitudi– nal e trnsversal do navio. l ia corda é dada todos os dias, mesmo quando, mais moder– namente, ela tem duração para uma semana. chega a contar– -se o número de voltas da chave para que seja sempre o mes– mo. enfim, tudo se faz para manter uma rigorosa rotina. para não se esquecer de dar corda, o encarregado de navegação, por vezes, escreve com sabão, um aviso no espelho do seu ca– marote. e quando sabe que o oficial artilheiro anda a congemi– nar exercícios de tiro que podem afectar o cronómetro zanga– -se, e procura convencer o comandar:lte das graves conse– quências que podem advir para a navegação. quando o navio entra no porto é ocasião de verificar o esta– do dos cronómetros e a sua marcha (2) . se existe um observató– rio astronómico podem, então, ser ali comparados. mas em caso negativo, e se se tem confiança na longitude indicada na carta do local onde o navio se encontra, é necessário calcular a hora do meridiano de referência, o que pode ser feito a partir da altura do solou de outro astro, e assim determinar-se o esta– do do cronómetro. a repetição, por vários dias, deste cálculo, permitirá deduzir se a sua marcha é regular e de poucos segun– dos, como é desejável. na segunda metade do século xix, já vários portos pos– suem dispositivos para informar a hora oficial. em lisboa exis– tiu desde 1855 um balão que, ao cair de um mastro instalado num dos edifícios do arsenal da marinha, anunciava as 13.00 horas. como o sistema era manual e não oferecia confiança foi substituído em 1885 por um sistema eléctrico que funcionou até 1915('). no dia 23 de maio de 1910, tem lugar um acontecimento ex– traordinário para a vida do cronómetro. do alto da torre eiffel, em paris, começa a ser emitido com regularidade, por ondas hertzianas, o sinal horário. um posto emissor de 40kw conse– gue atingir durante a noite 5200 quilómetros em condições fa– voráveis. de dia o sinal horário não ultrapassa metade daquela distância, mas o importante é que o cronómetro de bordo ganha um novo alento. passa a ser possível controlar diariamente a sua marcha e ter a hora exacta a bordo dos navios. alguns anos depois, o sinal horário já era transmitido para todos os recantos do globo. o cronómetro é, então, um instrumento perfeitamente realizado, ao mesmo tempo que a era da electrónica, embora timidamente, dava entrada na apaixonante história da navega– ção. em novembro de 1968/ o tradicional cronómetro cede lu– gar, n'a marinha inglesq,a j,m .relógio cronométrico, mas man– tém-se ainda nos naviqsauxiliares; em 1981 todos os cronóme-1 -- . (' ) estado ea icorrç'pção, sempre de sinal , que se junta à hora do cronómetro para ci,'at"a"hora no meridiano de referência, hoje green– wich. marcha é q attasp ou avanço do cronómetro em 24 horas. um bom cronómetroijeverá ter uma marcha constante e de poucos segun– dos. e) vet alt(gcr«q balãei, qo arseruil", publicado no n. o 114/mar. 81 desta revista.</Page><Page Number="103">ros e relógios são substituídos por instrumentos electrónicos de quartzo. depois de uma gestação de mais de dois séculos, após 245 anos de vida, a máquina que foi o segredo e o êxito do cronó– metro de bordo acabou por ser substituída, no mesmo país que a concebeu , por um moderno mecanismo de grande precisão. noutros países acmtecerá o mesmo. porém, não virá longe o . diaem que o uso generalizado dos sistemas de navegação fará definitivamente esquecer os obsoletos instrumentos do pas– sado. a. estácio dos reis, cap.-m.-g efeitos do tabaco no meio ambiente o fumo produzido por todos os ci– garros no mundo (produzem-se cer– ca de 5,7 milhões de toneladas por ano) difunde anualmente, na atmos– fera do nosso planeta, uma média de 10,5 toneladas de cádmio, 14,8 tone– ladas de chumbo, 48,4 toneladas de cobre e uma grande quantidade de outros metais, segundo um estudo efectuado por especialistas soviéti– cos. esta poluição pode ser compara– da às matérias expel idas por um ou dois vulcões em erupção, de força média (um vulcão expele para a at– mosfera 5 a 8 toneladas de cádmio, em média) . segundo os cientistas, são so– bretudo os compostos de metais pe– sados contidos no fumo dos cigarros, que têm efeitos negativos no orga– nismo humano. assim, o excedente de cádmio no organismo eleva a ten– são arterial e provoca insuficiência renal. atribuem-se-ihe igualmente propriedades cancerígenas. este micro-elemento introduzido no organismo através do aparelho gastro-intestinal , deforma os ossos e torna-os frágeis. os outros metais presentes no fumo dos cigarros não são tão perigosos (novosti) . o 'v d os: " d e .,,; o tabaco ou a saúde aescolha f! sua  .j 29</Page><Page Number="104">ma visita àvelha fortaleza da mina estávamos em 1954 e regressávamos a lisboa duma viagem a luanda, a bordo do aviso «afonso de albuquerque». de caminho fizemos uma breve esca– la em takoradi, numa visita de cortesia. a costa do ouro (actual gana), onde se situava aquele porto, es– tava ainda sob o domínio britânico. de acordo com a tradição, em visitas do género, as autoridades locais ofereceram passeios pelos arredo– res à guarnição. organizaram-se a bordo listas de vo– luntários, mas como constava serem os passeios cur– tos e não meterem nariz de folha, as inscrições foram muito poucas . por isso, como também é da tradição, não havendo voluntários ... nomearam-se. eu fui um deles. ainda argumentei que o receptor não estava bom, que tinha que o reparar. .. mas não me valeu de nada; calhou-me, tinha que ir. com mais alguns sargentos e uma vintena de praças tomei lu– gar num autocarro posto à nossa disposição e lá fo– mos , acompanhados por um sargento negro a servir de guia. percorridas algumas dezenas de quilómetros, pa– rámos junto à fortaleza da mina, construída pelos por– tugueses alguns séculos atrás , como ponto estratégi– co para o comércio do ouro e, sobretudo, de escravos . visitámo-la demorada e interessadamente, seguin– do-se, inesperado, mas bem-vindo lanche, rematado por um pequeno discurso do nosso guia. não o enten– demos, mas delicadamente coroámo-lo com uma sal– va de palmas, abanando delicadamente a cabeça em sinal de concordância com o que fora dito. era preciso responder, mas ninguém se entendia com o inglês . a verdade é que havia que safara rasca – da, e para isso todos nos voltámos para o mais antigo , o 1.o-sargento artilheiro casimiro, que não hesitou um segundo, saindo-se com esta : sorry. i speak inglês very litle. entretanto, we queremos agradecer a vossa hospitality demonstred aqui, in fortification, que the portuguese peope de antanho construiu and the ingleses more late surri– piaram; thankyou verymuch. por fim , todos assinámos o livro de honra dos visi– tantes da fortaleza , ficando uma das suas páginas preenchidas com nomes iguais dos dos intrépidos na– vegadores lusitanos que ali chegaramhá séculos. pedrosa de carvalho, 1. o -ten . sg ouarto de folga 30 * à perspicácia do leitor segurança: que tal? 1. se começa um fogo na sua casa ou apartamento, você deve: a) chamar os bombeiros; b) tentar apagar o fogo. c) sair de casa e depois chamar os bombeiros. 2. se lhe cheira a fumo ou ouve pessoas a gritar «fogo», quando está em casa, deve: a) sair imediatamente do edifí– cio; b) ficar em casa e esperar por socorro; c) tentar descobrir a origem do fogo . 3. se ficar encurralado num quarto</Page><Page Number="105">urante um fogo, deve: a) saltar pela janela; b) manter todas as portas fe– chadas, abrir uma fresta da janela e esperar por socorro; c) abrir a porta e fugir directa– mente através das chamas. 4. se chega a casa e tem suspeitas de que esteja lá dentro um intru– so,deve: a) entrar na mesma, porque a maioria das suspeitas não têm fundamento; b) tentar arranjar qualquer coi– sa que lhe sirva de arma e entrar; c) não entrar e chamar a polícia. 5. para protecção máxima contra os ladrões: a) instala um sistema de alarme contra ladrões; b) usa fechos de segurança e trancas em todas as entra– das; c) presume que a sua residên– cia é suficientemente segura talcomoé. 6. a melhor segurança para portas de entrada é: a) presumir que a sua actual fe– chadura seja antiquada; b) chamar uma casa de espe– cialidade e instalar uma boa fechadura à prova de la– drões; c) instalar uma corrente de se– gurança pelo lado de dentro. 7. a melhor maneira de evitar que uma criança possa cair de uma janelaé: a) manter sempre as janelas fe– chadas; b) usar redes de anteparo nas janelas; c) ter mesas ou outros móveis diante das janelas. 8. se perde as chaves de casa (com identificação), você: a) muda imediatamente todas as fechaduras; b) espera que a pessoa que as encontrou lhas devolva; c) manda fazer novas para as mesmasfechaduras. 9. para evitar que as crianças pos– sam ingerir qualquer veneno, deve: a) manter todos os medicamen tos e produtos de limpeza fora do alcance, em sítios al– tos éfechados à chave; b) deixar tudo nos sítios mais cómodos e habituá-los a não mexer no que não devem; c) contar com os «riscos neces– sários». 10. quando sai de casa por um pe– ríodo longo: a) pede a um vizinho ou à por– teira para tomar conta da sua; b) não diz a ninguém para não despertar suspeitas; c) deixa uma luz acesa e previ– ne a esquadra de polícia da sua zona. analise o seu coeficiente de segurança 1. c) o fogo propaga-se tão rapida– mente que o melhor é não correr riscos. não vale a pena tentar apagar um fogo grande porque o equipamento de que se dispõe normalmente é insufuciente. saia imediata– mente de casa. 2. a) não fique à espera. se não sabe o que está a acontecer, saia de casa primeiro e inves– tigue depois. 3. b) a maioria das vítimas morre de asfixia, não de queimadu– ra. deve abrir uma fresta da janela para ventilar e manter a porta fechada para impedir as chamas de entrar durante o mais tempo possível. 4 . c) nem todas as suspeitas são infundadas. a polícia pode ajudá-lo. não deve correr ris– cos desnecessários. 5. b) os sistemas de alarme são muitas vezes neutralizados por ladrões profissionais. as fechaduras normais também não dão protecção suficiente. 6. b) idem para as correntes de se– gurança. mas uma fechadura muito boa põe do seu lado uma vantagem considerável - o tempo -, pois os ladrões não podem arriscar-se a per– der muito tempo com fecha– duras complicadas. assegu– re-se, no entanto, da serieda– de da casa que lhe fornece a fechadura para ter garantias de qualidade. 7. b) as crianças podem cair atra– vés do vidro, com a janela fe– chada. mesas e móveis for– necem plataformas para tre– par à janela. o melhor é um anteparo de rede forte bem fixada à guarnição da janela. 8. a) não dê vantagem aos la– drões. pode ficar-lhe muito mais barato mudar todas as fechaduras. 9. a) por muito habituadas que as crianças estejam a não me– xer, são imprevisíveis e, um belo dia, pode apetecer-lhes mexer . desses riscos são desnecessários. 10. c) os seus vizinhos não estão sempre em casa, nem sem– pre acordados, nem sempre preocupados com a sua casa. a polícia patrulha regular– mente a zona e pode manter vigilância mais atenta se sabe que os moradores estão fora. avise também o homem dos jornais e o carteiro, para que não ' se empilhem jornais à sua porta nem correspondên– cia na sua caixa, indicações seguras de que não está nin– guém em casa; •••••••••••••••••••• * brídege perdente sobre perdente 2. 0 caso e-d9 c-rv10 0-765 p ---av1098 n o e s e- av6 c- ad64 o-d10 p- rd72 depois de uma intervenção de oeste em ouros, sul joga quatro co– pas. oeste ataca com o a, r e o 9 de ouros. pode jogar. vacas de carvalho, cap.-ten. •••••••••••••••••••• 31</Page><Page Number="106">cantinho charadístico na continuação da explicação das charadas, vamos agora falar das charadas por anagrama, ou seja, das sintéticas. é uma espécie um tanto complexa, mas de fácil compreensão. para a produzir escolhe-se uma palavra que possa ser dividi– da em duas ou mais partes, res– peitando sempre a divisão silábi– ca. com as letras de cada uma destas partes procuramos formar outras palavras com o mesmo nú– mero de sílabas. portanto, esta espécie de charadas é composta por duas ou mais parciais e o con– ceito. vejamos a palavra repara– dor; dividindo-se em duas par– tes, respeitando a divisão silábi– ca, ficam os grupos repa e ra– dor. com as letras da primeira palavra podemos formar, entre outras possíveis, as palavras pare, pera, etc., e com as da segunda, as rodar, ardor, etc. seguidamente, procuramos os sinónimos das palavras ana– gramatlzadas que melhor se prestem para formar a frase (ou verso) . assim: para pare esco– lhemos conserve-se;, para ardor calor e para repa– rador reabilitador ; com estas palavras formamos a se– guinte frase: conserve-se calmo quando tomar remédio que lhe cause ca– iar pois ele pode ser reabilitador. 2-2. os números no fim da frase (charada) indicam que as parciais têm duas sílabas cada e o concei– to tem, portanto , quatro s ílabas. para a decifração procede-se de modo inverso, isto é, procura– se um sinónimo do conceito que, dividido em tantas partes quantas as' parciais, e estas partes ana– gr:amatizadas, dêem os sinóni– ,mos das parciais, ou procuram– se os sinónimos das parciais que, anagramatizados e juntos, dêem o sinónimo do conceito. a solução é fornecida indican– do o sinónimo (ou locução) do conceito e os sinónimos das par– ciais, sem terem sido anagramati– zados, entre parêntesis. no nos– so exemplo a solução seria: re– parador (pareardor). exercícios: 1) o transporte de qualquer caixa e de pessoas em rancho, poderia ser feito nesta embarcação de velas latinas. 2-2. 2) abandone o mau cami– nho pois a sorte pode ser-lhe adversa e cau– sar-lhe traumatismo. 2-2. 3) deve ter barba rija quem num espaço irregular é bom caçador. 2-2. 4) no armazém da profes– sora foi encontrada a pri– meira baliza do esquele– to do navio. 2-2 (adic.). 5) no auge de uma orgia, costuma haver falsa ale-gria. 3-2 (afer .). 6) iguaria por muitos mexi– da é fraca comida. 4-3 (apoc.). 7) soldado que namora ra– pariga a contragosto, mau nome lhe pode ser imposto. (em termo) . 8) corrompe sua alma o es– touvado que para o bem é desajeitado. 2-2 (en– cad.). 9) atarantar-se sem neces– sidade, é próprio de quem tem pouca liberda– de. 7 (-5,7)5 . 10) velho com bom humor, decerto que é falador. 5 (5)6. 11) o dinheiro é o alvo pa– drão de muito esparta– ihão. 2-3 (epent.). 12) namoro na margem da floresta, não indica que a mulher é desonesta. 2-2 (3) (haplol). 13) na roda da vida com a língua como um aguilhão vive muito respingão. 2-2 (interc.). 14) neste bergantim indiano não há lugar para ho– mem madtaco. 5 (1) (me– tam.) . 15) sufoca o homem num momento quando tem al– gum engasgamento. 3-4 (parag .). 16) ingénuo e baboso , de– certo que é vaidoso. 2-3 (prot.). 17) a certeza duma boa sor– te torna o homem forte. 3-2 (sinc.). mindogues •••••••••••••••••••• * cruzada em triângulo 123456789  i! iiiiiiii?i 3 4 5 6 7 8 9 horizontais verticais: 1 - custodiar um navio. 2 - prende– rem na abita. 3 - chicote do cabo de qualquer aparelho náutico. 4 - fez o ataque a. 5 - cada uma das linhas que formam um ângulo em polígono (pio) . 6 - suplicou em oração. 7-dar à luz. 8 - antes do meio-dia (abrev.). mindogues •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 32</Page><Page Number="107">damas jogam as brancas e ganham. problema de josé anselmo trabuco. évora. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• * xadrez problema inédito de armando romão (feijó). dedicado ao eng. o rodrigues lopes. mate em 5 lances. tempo médio de resolução : 1.'8 categorias: 20 minutos 2.'8categorias: 38 minutos 3. '8 categorias : 52 minutos iniciados: 1 hora •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• * palavras cruzadas horizontais: 1 - aparência; mato africano. 2 - gare; pouco den– so. 3-sorri; espalhar. 4- eia; aco– lá; periquito. 5 - isola; aproximação (pref.) . 6 - satanás; bebida doce. 7 - batráquio; fruto tropical (pl.) . 8 - levante; sapo; povoação portu– guesa. 9 - zangarias; naturalidade (suf.). 10- nome de mulher; abraço (infantil). 11 - crustáceo de água doce; imposto. verticais: 1 - semelhança; gatuna. 2 - rainha de portugal; poema medieval. 3 - antes de cris– to; fingida. 4 - casal (inv.); fruta do conde; planta aromática. 5 - des– vairara; semelhança. 6 - planta do pé; cantiga. 7 - letra grega; que dura um ano (pl.). 8- pedra de altar; espaço de tempo; bonzo. 9 - cava– leiro andante; vogal (pl.) . 10 - zan– gar; casacão militar. 11 - viver; compartimento. 33</Page><Page Number="108">concurso n. o 162 (sorteio de um p remio entre as respostas certas) as letras do alfabeto foram reuni-das nos seguintes grupos : 1. 0 -h i o x 2. 0 -a m t u, v w y 3. 0 -b c d e k 4. 0 -n s z 5 .0 f g j l p q r ,.., soluçoes , . . . , . "* palavras cruzadas horizontais: 1 - cara ; ca– pim. 2 - cais ; raro . 3 - ri ; propalar. 4 - ena ; ali ; ara. 5 - separa; ado6 - satã ; anis. 7 - rã ; anonás . 8 - ale ; aru ; oia. 9- danarias ; 01. 10-rita ; aiai . 11 - aselo ; sisa. verticais: 1 - ares; ladra. 2 - ines ; lais. 3 --:- ac ; aparente. 4- !1ap; ata ; aal. 5 - airara ; ar. 6 - sola ; aria. 7 - pi ; anuais. 8 - ara ; ano ; sai . 9 - paladino ; is. 10 - irar; saio. 11 - morar ; sala. 34 compete ao leitor encontrar o cri– tério que levou a separá-ias do modo indicado. (soluçãonon 164) a. estágio dos reis, cap.-m.-g. "* brídege 2. 0 caso e-09 c-rv10 0-765 p-av1098 g32 e3 o-ar9842 o e p-5 s e- av6 c- a064 0-010 p- r072 e-1075432 c- 87 o-v3 p-643 . para se percaver contra uma dis– tribuição dos trunfos 4-2, você cérta– mente não cortou o 3 . 0 ouro e baldou uma espada. como pode verificar, você assim cumpre o contrato sem problemas. "* cantinho charadístico 1 - caravela (arcaleva). 2 - ferimento (rifemonte) . 3 - mon– teador (mentoroda) . 4 - casa– -mestra. 5 - enfesta. 6 - cozinha– do. 7 - tarata/rapaxa/taxado. 8 - tararaca.9- trelear. 10-quebra. 11 - macaco. 12 - falada. 13 - repontador. 14 - balão/c. 15 - engasgação. 16 - gabola. 17 - verdade . •••••••••••••••••••• "* cruzada em triângulo 1 - matalotar. 2 - abitarem. 3 - tirador. 4 - atacou. 5 - lados. 6-0rou. 7-ter. 8-am. •••••••••••••••••••• "* damas brancas 24-28 19-23 18-27 e ganham. pretas 31-24 26-19 •••••••••••••••••••• "* xadrez 1.bc4!, lance chave . se : 1... ,gxf6 2.oa8! ,f5 3.df3,f4 4.bd3 ,rxb3 1... ,g6 2.db8! ,g5 3.dg3 ,g4 4.bd3,rxb3 1...,g5 2.dg8! ,g4 3.bd3,g3 4.dxg3 ,rxb3 1...,gxh6 2.dc8! ,h5 3.oh3 .h4 4.bd3 ,rxb3 e em todas as variantes segue– -se 5.bb5  xeque mate . •••••••••••••••••••• "* solução do concurso n.o160 luta de tracção à corda. remo (excepto para o timoneiro). "calcetar uma rua. esfregar um soalho . vencedor : não foram recebidas respostas . ,</Page><Page Number="109">otografias antigas, inéditas ou curiosas a força da marinha, já em trás-os-montes, marcha ao toque do clarim para expulsar os intrusos. como pormenor curioso, as mantas, a tiracolo, que faziam parte do equipamento. marinheiros carregam cunhetes numa carroça. na madrugada de 4 para 5 de outubro de 1911, dois mil homens, 400 dos quais bem armados, atra– vessaram a fronteira em trás-os-montes , indo ocupar a povoação.de prado , junto a vinhais, onde proclama– ram a monarquia . para combater esta incursão , foram enviadas tropas republicanas para aquela província, tendo saído de lisboa uma força de marinha coman– dada pelo então primeiro-tenente afonso júlio de cerqueira. são deste evento, as duas fotografias que publicamos . m.horta , sarg.-aj. l</Page><Page Number="110">os farois em portugal (pág. 16) (reprodução proib ida) fac-símile da l a página do alvará de 1 de fevereiro de 1758, que mandou erigir seis faróis na costa continental, com rica iluminura na margem esquerda (documento cedido gentilmente pelo centro de coleccionadores «casa do cavaleiro à porta))). u elrei. faço faber aos que efie alva..: rá com força de lei "irem, que ft--ndo -me prefcntes : por huma pare o grande p rigo, que correm os javios , que bufcaó a bar– ta e li boa; a cofia. a ellas adjacente ; as entra a da foz do h.io t jo , e da mef– ma barra de lisboa; da de s tubal; pór– tos do algarye, e barras d· cidade do por– to, e vilia de vianna; por falta de faróes , que poítaó fervir aos nm-egantes de lar­ , e de guia , para fe defviarem opportunamente de f:.1zerem naufragio ; na mefma fórma, que fe pratíca util , e necdfaria– ente nos ouros lugares mritimos da europa, onde fe temem fimilhanres perigos: por outra parte o gra\-e rrejuízo , que fen– tem o fobr ditos navegantes na fórma dos defpachos dos feus refpeb:ivos navios peio numero, e diverfidade de trinta e cinco difiremes efiaçóes, por onde fao obrigados a tira r bilhetes em muitos lugares difiames huns dos outros, e perante diverfos 1i­ n firos , e o fliciaes , . que os dilataó tantos dias, que chegaó a contar a mez s , por accidentes, humas veze necd fario , e ou– tras affeélados: e pela outra parte as g randes vexações, que tambem refultaó aos homens do l\lar ·, que na"egaõ para os eus domínio ultramarinos, pelos abufos, que fe tem intro– duiào nos elme , qualificações, e coacço s, que fe lhes fa– z m, para delles ce alifiarem o que haó de fe rvír no troço, ue foi efiab i cido pelo alvará de -' quatro de junho d mil i centos ferema e fere ; com os grand s in-onvenienr s, que a experiencia tem mofimdo, que fe feguem da obfen'ancia del– le: para que de huma yez ceffem todos os fobreditos de rim n– tos da navegaçõ, e dos navegantes, que tanto procuro pío– teger em comíl1um beneficio : ordeno, (com par er d:.1s p f– foas do m"u confi lho, e de outros :\1inifho :lo:.lto - , e z lo– fos, que man -lei om'i r fobre efias importantes mate rias ) que jogo fe le\-"lll : 1.1 fe-i competentes faróe para guia da 1 - élvega– çaó das referi as c ofias , e barras, a iàb r: hum .nas ilhas das berl ngas, e no lugar delias, que parecer mais oprio: ou·ro no fitio de -offa senhora da guia, ou no mefmo lugar , on– de ames o houve, ou em qualquer outro, que mais accommo– dado feja : outro na fortaleza de s. loureno: outro na de s. *" 1u-lo</Page><Page Number="111">.o 163 / abril 1985 / ano xiv / mensário 3000 revista da armada</Page><Page Number="112">umá • rio m. do vale nota de abertura m. horta notícias pessoais m. horta numismática e medalhística c. moreira antologia domar e dos marinheiros s. lopes quando a marinha tinha asas voz da abita m. de almeida educação física c.moreira outros tempos s. braga histórias de marinheiros m.do vale conversa entre marinheiros m. curado filatelia m. horta reportagem s. elpídio terminologia naval quarto de folga m. horta fotografias antigas, inéditas ou curiosas revista cap.-ten. manuel maria de meneses pinto machado da armada publicação oficial da marinha  -. "*\ l .  "í;"",_, ••?i:: --'s' director e editor: c/alm. antónio rocha calhorda porte pago consultor da comissão de redacção: c/alm. antónio júlio malheiro do vale corpo redactoriai' cap.-m.-g. an fernando augusto smith elpídio capelão graduado em cap.-frag. delmar da silva gomes barreiros sarg .-aj. l manuel da conceição horta orientação gráfica : hernãni lopes publicação mensal ' propriedade da marinha redacção e administração: edifício da a. c. marinha 1188 lisboa codex telefone : 36 89 61 n.o 163/abril 1985/ano xiv preço de venda avulso assinaturas anuais: 3000 continente e ilhas 30000 estrangeiro (mais portes de correio) 30000 via aérea -o preço da assinatura será acrescido da respectiva taxa de porte por avião. pág. 3 4 5 6 8 10 12 14 16 18 21 22 31 32 verso da contracapa na capa : o estandarte do corpo de fuzileiros ladeado, à di reita, pelo da força de fuzileir-os, e à esquerda, pelo da eseoja de fuz ileiros, desfila perante o presidente da repúbl ica _e er ti dades após ter sido condecorado com a ordem mi litar da torre e espada, do valor, lealdade e' mérilo (foto de rui salta) . tiragem: 10 000 exemplares distribuição: agência portuguesa de revistas execução gráfica : instituto hidrogrâfico dep. legat n.o 2110 83 • ' ; "</Page><Page Number="113">nota deabertura dia de ({ronco» * para os fuzileiros considerando que os fuzileiros, sendo o mais antigo corpo militar de carácter per– manente no nosso pais, se têm distinguido ao longo da sua história como infantaria de marlnba, a bordo, e como guarnição de for– talezas e forças de desembarque, em terra; considerando o seu comportamento honroso em combate, especialmente duran– te a guerra de áfrica, nos três teatros de ope– rações, como atestam as numerosas conde– corações individuais que os seus elementos receberam; considerando os feitos de heroísmo pra– ticados por estes e por unidades do mesmo corpomilitar; antónio dos santos ramalho eanes, pre– sidente da república e grão-mestre das or– dens honoríficas portuguesas, faz saberque nos termos do decreto-lei n.o 44 721, de 24 de novembro de 1962, confere ao corpo de fuzileiros o título de membro honorário da ordem militar da torre e espada, do valor, lealdade e mérito. publique-se. presidência da república, em 24 de fevereiro de 1985. (a) a. ramalho eanes. eis, em linguagem simples dos regula– mentos militares, o diploma que atribui a mais alta e valiosa condecoração portuguesa aos nossos fuzileiros. de notar que ela se des– tina a ser conferida a cidadãos portugueses e estrangeiros, militares ou civis, por altos fei– tos de valor nos campos de batalha; por actos de abnegação e coragem cívica; por actos e assinalados serviços à humanidade, à pátria e à república; por serviços pretados no co– mando de tropas em campanha, dos quais re– sultem incontestáveis vantagens e glória para a república e para a pátria. pode também ser atribuída por concessão póstuma, aos cidadãos militares ou civis que morreram gloriosamente durante ou por mo– tivo da prática de qualquer dos actos referi– dos anteriormente; a unidades, navios de guerra, cidades, vilas e praças de guerra e, por altos feitos, se tenham notavelmente dis– tinguido emqualquer campanha; a quaisquer associaçãó ou colectividade reconhecidas ofi-cialmente como -beneméritas e que tenham prestado ou venham a prestar actos e assina– lados serviços à humanidade, à pátria e à re– pública. a história dos fuzileiros é bonita. nasce– ram em 1618 com o nome de terço da armada da coroa de portugal e, com outros nomes, co– laboraram na reconquista de são salvador da baía aos holandeses; estiveram nas guerras da restauração, nomeadamente na batalha do montijo; integraram a esquadra anglo-por– t1,lguesa cwe sob o comando do grande almi– rante nelson, combateu os franceses e seus aliados, no mediterrâneo e, mais r:.ecentemen– te, participaram nas guerras de africa(1961- -1974), nas quais se cobriram de glória con– quistando 144' condecorações individuais - 4 da ordem militar da torre e espada; do valor, lealdade e mérito, 7 de valor militar e 133 cruzes de guerra, além de mais 3 colectivas a destacamentos. para além do que fica registado, muito ha– veria que dizer ainda sob os·fuzileiros e, espe– cialmente, sobre a sua acção nás guerra da guiné, angola e moçambique. estive com eles na guiné e tive ocasião de apreciar a ab– negação, a coragem e, até, a descontração com que se batiam contra um inimigo aguerri– do, matreiro e seguramente tão valente collio eles. tal como a restante marinha da guiné , honraram as nobres tradições que herdámos do passado e a nação pode orgulhar-se deles. bem merecem a distinção que acabam de re– ceber. os vivos e os mortos .. . c/alm. • termo indígena da guiné que significa ((festa, alegria, coisa bonita ou bem feita». 3</Page><Page Number="114">otíccias pessoais em destaque a guarnição da lancha «balanço», da polícia marítima da capitania do porto de lisboa, foi louvada pela for– ma decidida e corajosa como actuou no ataque a um incêndio deflagrado, após explosão, a bordo do iate «ja– guanum», que se encontrava amarra– do na área da jurisdição directa da agpl, na doca do bom sucesso. da oai n." 4/23-1-85, pode ler-se que o representante e parente da pro– prietária e o encarregado da manu– tenção da referida embarcação que se encontravam então a bordo, face às altas chamas que surgiram como con– sequência da deflagração e ao receio que o incêndio se propagasse aos de– pósitos de gasolina, abandonaram-na rapidamente, criando-se uma situa– ção de pânico extensivo ao pessoal das embarcações vizinhas que corriam grave risco e ao que asistia no cais próximo. de imediato, numa actuação que testemunha considerou de espectacu– lar, a guarnição da lancha «balanço» - patrão de costa do troço do mar firmino gomes, maquinista de la cl. do troço do mar rafael alcobia e agente de 2." cl. da polícia marítima cipriano antunes - da capitania, que se encontrava no comando da de– fesa marítima, a almoçar, saltou na embarcação e aproximou-se da sinis– trada, conseguindo extinguir o incên-4 dio e revelar, deste modo, um elevado grau de prontidão e uma plena cons– ciência dos seus deveres. o grande perigo que correram face às circunstâncias do sinistro, a eficácia da actuação que logrou obter êxito, nomeadamente impedindo que assumisse proporções quase catastró– ficas, previsíveis se fossem atingidas as restantes embarcações amarradas na doca, e o impacto nos que assisti– ram ao desenrolar dos acontecimentos (...), deu azo ao louvor referido. a «revista da armada» felic,ita es– tes camaradas pelo seu acto de cora– gem. *********** casamentos temos o prazer de allullciar () ma– trim/mio dos seguilltes camaradas , aos quais desejamos as maiores felici– dades: g/mar. emq josé manuel modas daniel com d . ana margarida pring da cunha da costa pecorelli, em 20- -1 2-84 - i."-sarg. a antónio nunes valentim com d. adriana de jesus mocho, em 5-1-85 - 2."-sarg. a josé joaquim pereira com d. maria de lurdes matoso amaro barata, em 22-12-84 - cabo e 180880, josé do amaral pires com d. sílvia maria ai-ves gonçalves vieira , em 12-1-85 - cabo t 183080 , leopoldino filipe dos remédios silva com d . paula alexandra nunes pe reira , em 5-1-85 • - i ."-mar. fzm 183676 , antónio joão lopes castro com d. maria clara carvalho de almeida, em 9-1- -85 - i ."-mar. l 107179 , lino dos san- • tos machado pedro com d . maria helena domingues vinagre, em 12- -1-85 - i. "-mar. v 313679, armando antónio martins morais com d . ma-ria isilda antunes lages, em 5-1-85-i."-mar. fz 748581, josé da concei-ção saraiva neves com d. ana da conceição castanheiro dias, em 22- -12-84 - i. "-mar. fz 775681, duarte costa rodrigues com d. eduarda maria pepepisco , em 5-1 -85 - 1."- -mar. fz 775782, rui jorge gonçal-ves ramalho com d . maria joão pe-reira gama da cunha , em 27-12-84-i .o-mar. r rui humbe rto cravo pe-reira com d . vanda maria da pieda-de alenquer. em 19-1-85 - 1. "-mar. b 600284 , luís fernando cabrita pena com d. maria helena rodri-gues apolónia , em 12-i-s5 - 2."-mar. fz 739483, fernando alexandre de oliveira de castro com d. maria de lurdes pereira da silva , em 6-1-85 - 2. o-gr. s/c 269184 , sidónio puga cal-das de carvalho com d. maria do céu neves de carvalho caldas, em 21-1-85. *********** passagens à reserva v/alm. fernando simões coelho da fonseca , em 13-2-85 - c/alm. au– gusto miranda filipe da silva, em 1- -9-84 - i ."-ten. an alfredo joão gouveia tomé, cm 1-11-84 _ i. "-ten. sg raul de brito, em 28-9-84 - 1."– -ten. josé dácio correia de matos, em 4-2-85 - i ...-ten. ot abílio dias eiri– nha neves, em 7-2-85 - i."-ten. ot josé gonçalves da silva, em 30-8-84 - i ."-ten. ot manuel dinis barosei– ro júnior... em 30-8-84 - i ."-ten. ot isaurindo afonso horta, em 30-8-84 . sarg.-mor cm vladimiro freire romba - sarg.-chefe l mário pom- •</Page><Page Number="115">al fernandes de araújo rego - sarg.-aj. ce joáo baptista vieira -sarg.-aj. m moisés barto da silva– sarg.-aj. l angelino augusto de aguiar - sarg.-aj . a manuel maria de lemos - sarg .-aj . se eduardo ambrósio de sousa tomás - sarg.– -aj . ce laurindo baptista martins - sarg.-aj . u eurico agostinho dórdio carrasco - sarg.-aj. cm armando jorge dos santos - sarg.-aj. a maxi– miano antónio vinagre - sarg.-aj . h manuel carlos pinto gil _ i .o-sarg. tf reinaldo pires palminha júnior - i .o-sarg . v antónio da conceiçáo marre iros - 1. 0 -sarg. tr augusto de campos ferreira da cruz, todos em fevereiro de 85. cabo tfd 291252, agostinho bernardo borges - cabo fzg 142369 . domingos andré da silva - i. -mar. l 46470, vítor manuel da silva prazeres. todos em fevereiro de85. *********** falecimentos é com de.lgosto que participamos o falecimento dos seguintes camaradas, a cujas fmríílias apresentamos sentidas condolências: cap.-frag. emq rf virgílio lopes correia. em 6-2-85 - cap.-ten. sg rf joaquim albuquerque pina , em 14-2-85 - i.-ten. sg ra onofre silvério da rocha , em 22-2-85 - sarg.-aj. c rf antónio .augusto gaspar , em 26-1-85 - sarg.-aj. s rf manuel nunes , em 1-2- -85-l. o -sarg.ce joão domingos neto, em 24-2-85 - i.-sarg. e ra antónio pocinho , em 17-2-85 - i.-sarg. m rf josé brás, em 6-2-85 - i.o-sarg. m rf artur da encamaçáo, em 6-2-85 _ 1.0_ -sarg. a rf hugo marques pereira , em 13-1-85 - i. cozo rf 275530, nuno duarte montez, em 27-1-85 - cabo fz rf 300764, telmo fernandes pereira, em 2-2-85 - lo-mar. a rf 302642, má– rio gaspar lopes, em 23- 1-85 *********** várias foram recentemente empossados nos cargos indicados os seguintes oficiais, aos quais desejamos os maiores êxitos no de– sempenho dai' novasfunçôes: v/alm. carlos adalberto rodrigues machado e moura , adjunto do chefe do emgfa - cap.-frag. luís henrique lopes silva de carvalho, comandante do nrp «almirante magalháes cor– rêa» - cap. -ten. josé joaquim conde baguinho , comandante do nrp «bar– racuda» - cap'.-ten . jorge alberto araújo cunha serra . comandante do nrp «delfim». aos camaradas indicados, agra– ciados com as condecoraçôes mencio– nadas, apresentamos as nossas fldi ci– taçôes: clalm . ant ónio manuel da cu– nha esteves de andrade e silva. grande oficial ato da ordem do méri– to naval do brasil. cap .-m .-g. an manuel francisco dos santos domin– gues e cap .-frag. américo da silva santos , medalha de prata de serviços distintos - cap.-ten. fz josé floria– no lopes fernandes. medalha de mérito militar de 2." classe - cap.– -ten. joáo manuel balançuella ban– de ira enes, grau da cruz de oficial com espada da ordem do mé rito mi– litensi de malta - sürg.-aj. e josé da conceiçáo mariano, medalha de cobre de serviços distintos. umismática e medalhística 75. 0 aniversário da tsf na armada e em portugal para assinalar as bodas de diamante da montagem da 1. a estação radiotelegráfica em portugal, instalada na armada, a comissão das comemorações do evento man-dou cunhar uma medalha. foi seu autor o capitão-de– -mar-e-guerra sousa machado, pertencendo a cunha– gem à gravo. foram emitidos 500 exemplares em bron– ze, no módulo de 80 mm. no anverso da medalha, o autor ocupou todo o chão central com parte do edifício da a. c. marinha, local onde foi instalada a supracitada estação e as legendas "minis– tério da marinha» - «casa da balança»- ,,1 6 de feve– reiro de 1910", além de uma âncora e duas ramagens. no exergo, ocupando toda a área do mesmo, a legenda «1. 0 posto radiotelegráfico em portugal- 75. 0 aniver– sário» . no reverso , em grande relevo, como motivo principal aparece o cruzador "s. gabrieb, o se!j nome e a data de 11 de dezembro de 1909, que assinala a instalação da 1. a estação radiotelegráfica a bordo de um navio, como se lê na legenda gravada na orla, acrescentada de ,,75.o aniversário» . m. horta, sarg.-aj.l 5</Page><Page Number="116">antologia do mar e dos marinheiros edgar poe e dgar alian poe nasccu em bóston , a 18 de janeiro de 1809, filho de dois modestos actores teatrais que mal che– gou a conhece,r, pois ambos não tardaram a sucumbir, minados pela tísica . orfão aos três anos, o pequenq edgar foi adoptado por um casal escocês, que lhe quis proporcionar uma educação cuidada, a qual passou pela frequência de um colégio londrino, recordações que irão aflorar nas páginas de «william wi lson». fracassada a sua tentativa da carreira das armas, que ocorreu já depois de ter deixado a casa dos pais adoptivos, car– reira que não chegou a começar, pois viu-se expulso da acade– mia militar de west point, edgar poe voltou-se para a literatu– ra: ela seria a constante duma existência atorment ada, onde o trabalho nasce por entre a depressão e a embriaguez, e que a morte vem cedo interromper , a 7 de outubro de 1849, em balti– more, contava apenas 40 anos. na carreira literária de edgar poe, tão intensa e breve , res– saltam três aspectos: o jornalismo, que abraçou em vários jornais e revistas em richmond, filadélfia e nova iorque, onde entre outros escritos exerceu a crítica em termos considerados como tendo contribuído para o desenvolvimento das concepções esté– ticas do século xix; a poesia, iniciada aos dezoito anos com o seu primeiro volume de versos «tamerlame and other poems, by a bostonionon»), e que em portugal teve como primeiro tra– dutor um génio chamado fernando pessoa; e finalmente a pro– sa, esses·contos em que edgar poe, mestre na «short story», dá largas à sua imaginação, com a qual, dentro dos limites duma escrita seca e rigorosa, constrói narrativas em que o romantismo alterna com o misterioso e o macabro , num realismo de tonali– dades onde o mórbido se junta ao fantástico. quando a europa descobriu o romantismo dos contos de poe,em 1846, através das preciosas traduções que dele fez baudelaire, seu grande admira– dor , já nos estados unidos se tornara famoso o detectivo du– pin , predecessor de sherlok holmes, e figura de «o duplo as– sassínio da rua da morgue», publicado em 1840, no mesmo ano em que o escritor americano terminou o seu primeiro volume de contos «tales of the grotesque and arabesque»). numerosos estudos feitos sobre edagr poe abordam, como não podia deixar de acontecer, a ligação da obra com o carácter controverso da personalidade do escritor, e as desigualdades da i sua vida atormentada . mas o certo é que tanto a obra como a [ fig!jra do autor sobreviveram até aos nossos dias, com a força de um talento universalmente reconhecido, nãq só pela via das edições que continuam a suceder-se por toda a parte, como tam– bém através do cinema e da televisão, que com frequência têm explorado o filão do poder narrativo de edgar poe e dos prodí– gios da sua imaginação . pelo cap.-frag. cristóvão moreira (foto do serviço de documentação do «diário de notícias») para a··nossa antologia do escritor fomos buscar, inevitavel– mente, algumas passagens de «the narrative of arthur gordon pyn». publicado em 1838, foi a primeira das principais obras de poe , que para ela se inspirou na exploração desse mundo desco– nhecido que, na primeira metade do século xix, eram ai nda as regiões polares do sul. o livro é a história , supostamente conta– da pelo próprio, de um jovem que, atraído pelo mar, e longe de supor as misérias e desventuras que a um tal gesto se iriam suce– der , embarca como clandestino a bordo do brigue do capitão barnard, pai de august: o amigo íntimo que o ajudará a escon– der-se num porão, e com ele irá partilhar os perigos dos homens e dos oceanos, as peripécias e sofrimentos que em tragédia se irão consumar. de «a narrativa de arthur gordon pym» chamo-me arthur gordon pym. o meu pai era um digno comerciante forne– cedor da marinha, em nantucket, onde nasci. o meu avô materno era delegado do ministério público, com uma bela cliente– la . tinha sorte em todas as coisas, e fez di– versas especulações muito felizes com os fundos do edgarton new bank aquando da sua fundação. por estes meios e por ou-6 tros, conseguiu arranjar uma fortuna ra– zoável. sentia mais amor por mim, creio, do que por qualquer outra pessoa no mun– do, e eu tinha motivos para esperar ser her– deiro da maior parte desta fortuna. en– viou-me, aos seis anos, para a escola do velho sr. ricketts, valoroso cavalheiro que tinha apenas um braço e modos assaz excêntricos - é bem conhecido de que quase todas as pessoas que visitaram nova bedford. fiquei na sua escola até à idade de dezasseis anos, e troquei-a então pela academia do sr. m. e. ronald, na monta– nha. aí relacionei-me intimamente com o filho do sr. barnard, capitão de navio, que viajava normalmente por conta da casa lloyd &amp; vredenburg - o sr. bar– nard é igualmente bem conhecido em •</Page><Page Number="117">ova bedford, e tem, estou certo, diversos parentes em edgarton. o filho chamava– -se august, e era coisa de dois anos mais ve– lho do que eu. fizera uma viagem com o pai na baleeira, john donaldson, efalava– -me sem parar das suas aventuras no ocea- . no pacífico sul. ia frequentemente com ele visitar a sua família, pas-sava lá o dia e al– gumas vezes a noite. dormíamos na mes– ma cama, e ele tinha a certeza de me man– ter acordado quase até ao romper do dia contando-me uma quantidade de histórias sobre os naturais da ilha de tiniano e de outros sítios que havia visitado nas suas viagens. acabei por tomar um interesse es– pecial por tudo quanto me dizia, e conçebi pouco a pouco o mais violento desejo de me fazer ao mar. quando apaziguei um pouco a sede, august tirou da algibeira três ou quatro batatas cozidas e frias, que devorei com a maior avidez. trouxera luz numa lanterna de furta-fogo, e os raios luminosos não me causavam menos alegria do que a comida e o líquido. estava, porém, impaciente por saber a causa da sua ausência prolon– gada, e ele começou a contar-me o que su– cedera a bordo durante o meu cativeiro. o brigue fizera-se ao mar, tal como eu calculara, cerca duma hora depois de au– gust me ter dado o relógio . estava-se então a 20 de junho . recordar-se-á que já me en– contrava no porão há três dias; e, durante todo esse tempo, houvera a bordo uma balbúrdia tão constante, tantas idas e vin– das, particularmente no camarote e nos beliches dos oficiais, que não podia vir ver-me sem correr o risco de revelar o se– gredo do alçapão . quando, por fim, des- •ceu, afirmei-lhe que me achava o melhor possível; durante os dois dias que se segui– ram, não senti grandes inquietações a meu respeito; contudo, estava sempre à espreita duma ocasião para descer . só foi no quar– to dia que, enfim, a encontrou: diversas vezes, durante este intervalo , tomara a re– solução de confessar a aventura ao pai e de me mandar subir definitivamente; mas continuávamos próximo de nantucket e era de recear, a avaliar por algumas pala– vras que haviam escapado ao capitão bar– nard, que ele voltasse imediatamente para trás se descobrisse que eu estava a bordo. aliás, pesando bem as coisas, august, se– gundo me disse, não podia imaginar que eu padecesse dalguma necessidade urgente ou que hesitasse, num casos desses, a dar novas pelo alçapão. portanto , tudo bem considerado, concluiu por me deixar espe– rar até ele poder achar ocasião de me vir ver sem ser observado. isto , como disse, apenas ocorreu no quarto dia depois de me ter trazido o relógio , e no sétimo depois da minha instalação no porão. desceu, por conseguinte, sem trazer consigo nem água nem provisões, só tendo primeiro em vista atrair a minha atenção e fazer-me deslocar da caixa até ao alçapão, depois subir ao seu camarote e aí entregar-me aquilo de que tivesse necessidade. august chamou-me primeiro em voz baixa e sem fechar o alçapão, mas não dei qualquer resposta. fechou então o alça– pão e falou-me num tom mais elevado e, por fim, num diapasão muito alto, mas eu continuava a ressonar. achou-se então muito embaraçado. era-lhe preciso algum tempo para atravessar toda a confusão do porão e alcançar a minha guarita e, duran– te esse tempo, a sua ausência podia ser no– tada pelo capitão barnard, que necessita– va a todo o momento dos seus serviços para pôr em ordem e transcrever papéis re– lativos ao objectivo da viagem. resolveu, pois, tlldo bem pensado, tornar a subir e aguardar uma outra ocasião para me visi– tar. sentiu-se tanto mais inclinado a tomar esse partido quanto o meu sono parecia ser o mais tranquilo possível e não podia su– por que eu houvesse suportado o mínimo incómodo no meu encarceramento. aca– bava precisamente de fazer todas estas re– flexões quando a sua atenção foi atraída por um tumulto completamente insólito que parecia partir do beliche. esgueirou– -se pelo alçapão tão depressa quanto lhe foi ' possível, fechou-o e abriu a porta do quar– to. mal pusera o pé no limiar, um tiro de pistola era-lhe disparado na cara e su– cumbia ao mesmo tempo a uma pancada de cacete. uma mão vigorosa mantinha-o deita– do no chão do camarote e apertava-lhe fortemente a garganta; conseguiu, contu– do, ver o que se passava em seu redor. o pai, amarrado de mãos e pés, encontrava– -se estendido ao longo dos degraus da esca– da, de cabeça para baixo, com um feri– mento profundo na testa, donde o sangue corria incessantemente como um regato. não dizia palavra e tinha um ar expirante. sobre ele debruçava-se o imediato, enca– rando-o com uma expressão de zombaria diabólica e revistando-lhe tranquilamente os bolsos, donde tirava naquele momento uma carteira grossa e um cronómetro. sete homens da eqllipagem (entre eles o cozi– nheiro - um preto) revistavam os beliches de bombordo para arranjarem armas, e em breve todos ficaram munidos de espin– gardas e de pólvora. sem contar com au– gust nem com o capitão barnard, havia a bordo nove homens no camarote - os ma– landros mais insignes de toda a equipa– gemo os bandidos subiram então à cober– ta, levando o meu amigo com eles, depois de lhe terem amarrado as mãos atrás das costas. foram direitos ao castelo da proa, que estava fechado, mantendo-se de lado dois dos revoltosos, com machados, ou– tros dois junto da grande escotilha. o ime– diato gritou com força: - estão a ouvir, vocês aí em baixo? vamos todos para a coberta!... um por um; ouçam bem!.. . e nada de resmungos! escoaram-se alguns minutos antes que um só ousasse mostrar-se; por fim, um in– glês, que embarcara como grumete, subiu a chorar lamentavelmente e a suplicar ao imediato, do modo mais humilde, que lhe poupasse a vida. a única resposta à sua sú– piica foi um bom golpe de machado na tes– ta. o pobre rapaz rolou pela coberta sem soltar um gemido, o cozinheiro preto le– vantou-o nos braços, como teria feito a uma criança, e atirou-o tranquilamente ao mar. *** 24 de julho - a manhã deste dia en-controu-nossingularmente restaurados de forças e de coragem. apesar da situação perigosa em que nos encontrávamos colo-cados - ignorando a nossa posição, de certeza longe de qualquer terra -, sem mais alimento do que para uma quinzena , mesmo poupando-o cuidadosamente - inteiramente privados de água, e flutuan– do, sobre o destroço mais miserável do mundo, à mercê das vagas e do vento -, as angústias e os perigos infinitamente mais terríveis, aos quais havíamos muito recente e providencialmente escapado, fa– ziam-nos considerar os nossos padeci– mentos actuais como algo de bastante nor– mal- tanto é verdadeiro que a felicidade e a infelicidade sãq puramente relativas. ao nascer do sol, preparávamo-nos para recomeçar as nossas' tentativas tra– zendo algo da despensa , quando , tendo surgido uma chuvada vigorosa, empregá– mos todos os nossos cuidados a recolher a água com o lençol que já nos servira para tal efeito. não dispunhamos doutra possi– bilidade para recolher a chuva do que manter o lençol esticado pelo meio com um dos ferros das mesas da enxárcia do traquete. a água, assim levada para o cen– tro, escorria para a bilha. tínhamo-la quase enchido por este processo quando sobrevindo uma forte ventania do norte nos constrangeu a abandonar o trabalho , porque o nosso barco começava a oscilar tão violentemente que já não nos conse– guíamos manter em pé. 25 de julho - nesta manhã, a.tempes– tade acalmada já não passava de uma bris"a de correr a dez nós, e o mar amainara tão consideravelmente que podíamos ficar na coberta sem nos molharmos; mas, para grande mágoa nossa, vimos que dois dos potes de azeitonas, assim como todo o pre– sunto, haviam sido varridos pela borda fora, a despeito de todos os cuidados que tomáramos a amarrá-los . resolvemos não maiar ainda a tartaruga e contentámo-nos por agora em almoçar algumas azeitonas e uma pequena ração de água meio mistu– rada com vinho,' esta mistura serviu muito para nos aliviar e reanimar e evitámos as– sim a embriaguez dolorosa que resulta do porto. 29 de julho - continuação do mesmo tempo. o braço ferido de august começa– vaa dar sintomas de gangrena. o meu amigo queixava-se dum entorpecimento e duma sede excessiva; mas nenhuma dor aguda. nada podíamos fazer para aliviá– -lo , a não ser esfregar-lhe os ferimentos com um pouco de vinagre das azeitonas, e não parecia que disso resultasse qualquer vantagem, fizemos por ele tudo quanto estava em nosso poder e triplicámos-lhe a ração de água. 30 de julho - dia excessivamente quente, sem vento. um tubarão enorme manteve-se ao lado do casco durante toda a tarde. fizemos algumas tentativas infru– tíferas para apanhá-lo por meio de um nó corredio. august estava muito pior e en– fraquecido, evidentemente tanto por falta de comida conveniente como por efeito dos ferimentos. suplicava sem parar que o livrassem dos seus padecimentos, dizendo que só desejava a morte. nesta noite come– mos as nossas últimas azeitonas e achámos a água da bilha demasiado pútrida para a podermos engolir sem lhe mislllrar um pouco de vinho. foi decidido que mataría– mos a nossa tartaruga de lilal/hã. 7</Page><Page Number="118">uando amarinha tinha sob este título , acaba a marinha de publicar um livro cujo autor é o capitão-de-fragata engenheiro maquinista naval viriato augusto tadeu , ilustre camarada e prezado amigo. obra valiosa, nela se faz a história da extinta aviação naval, uma parte da história da própria marinha, narran– do as suas venturas e desventuras , interpretadas segundo pontos de vista do auto r , baseada num trabalho de inves– tigação e consulta de registos a todos os títulos notável. felicito vivamente o engenhei ro tadeu pela maneira bri– lhante como concretizou um desejo que era de todos nós, ex-aviadores da marinha. como acontece em todos os trabalhos desta natureza , há , nuturalmente, episódios que não chegaram ao conhe– cimento do autor e merecem ser divulgados, por imprimi– rem maior rigor à história curta, mas relevante, da avia– ção que foi da marinha. consideramos estar neste caso a actuação de um de– putado, dr. manuel maria vaz, durante a discussão na assembleia nacional da extinção da aviação naval, no ano de 1952. fui, como a maioria dos pilotos em serviço no centro de aviação naval de lisboa, assistir a essas sessões da an, que se realizavam na parte da tarde, constatando fa– cilmente que , tanto os deputados oradores, como os que faziam intervenções, pouco ou nada sabiam sobre o que era a aviação naval e quais os seus objectivos . a nossa indignação era grande e crescia à medida que iam decor– rendo as sessões. tinha sucedido, no entanto, que logo na primeira ses-são, eu fora abordado pelo dr. fr:ancisco vale guima– rães , meu prezado amigo, e mais tarde, por duas vezes, governador civil de aveiro, dizendo-me que um deputa– do seu amigo lhe perguntara se conhecia algum aviador da marinha que lhe pudesse apresentar , e gostaria que fosse eu. se est ivesse pelos ajustes. foi assim que conheci o deputado por vila real, dr. manuel maria vaz. explicou que , tal como os outros de– putados. estava completamente fora dos assuntos da avia– ção mas. como em toda a sua vida tinha constatado que sempre que os oficiais da marinha se batiam apaixonada– mente por lima callsa, geralmente tinham razão, e, como este era o caso, queria estar do nosso lado, e perguntava se eu estava disposto a ajudá-lo , levando todos os dias ao hotel onde estava hospedado escritos que o ajudassem a compreender os assuntos que ele indicaria , na véspera , e seriam discutidos naquele dia. acrescentou que esses es– critos tinham de ser claros, para e le os poder entender e, além disso, pouco exte nsos para os poder estudar entre as 10 .00 e as 12 .00 horas, que era o tempo de que podia dispor para o efeito. como era natural , dadas as circunstâncias e o ambien– te que se vivia. aparecendo um estranho à marinha e.à sua aviação naval a oferecer-se expontaneamente para aju– dar a defender a nossa causa, a resposta foi imediatamen– te afirmativa. dado conhecimento deste facto aos oficiais do bom sucesso, logo nessa noite iniciámos o primeiro serão para escrever os primeiros papéis, de acordo com as indicações recebidas . de «a narrativa de arthur gordon poe» ( 'o/'!.hll/t/(útl tia i,úg . 7, 31 de julho após uma noite de inquie– tação e de fadiga excessivas, devidas à po– sição do navio, ocupámo-nos a matar e a esquartejar a tartaruga. sucedeu que era muito menos nutrida do que havíamos su– posto, embora de boa qualidade; toda a carne qlle dela pudemos tirar não chegava a mais de dez libras. no intuito de reservar lima porção o mais tempo possível, cortá– mo-la em fatias muito finas, enchemos com ela os três potes restantes e a garrafa de madeira (que tínhamos conservado preciosamente) e despejámos por cima vi– nagre das azeitonas. desta maneira, puse– mos de lado coisa de três libras de carne de tartaruga , prometendo a nós próprios não lhe tocar antes de termos consumido o res– to . resolvemos restringir-nos a uma ração de quatro onças pouco mais ou menos de carne por dia; ao todo devia, portanto, du– rar-nos treze dias. ao escurecer, chuva in– tensa acompanhada de faíscas e de trovões violentos - mas dllrou tão pouco tempo que apenas pudemos recolher coisa de 8 meia pinta de água. de comum consenti– mento, demos tudo a august, que parecia agora no último extremo. bebia a água mal ela caía no lençol, à medida que a re– colhíamos, ele deitado na coberta, nós se– gurando o lençol por forma a deixar correr a água na sua boca, porque nada nos resta– va que pudesse servir para conter a água, a não ser esvaziando o vinho da grande garrafa de verga ou a água estagnada da bilha. teríamos, porém, recorrido a um destes expedientes se a chuvada tivesse du– rado . i de agosto - sempre o mesmo tem– po: grande calmaria, com um sol abafan– te . sofremos horrivelmente com sede, en– contrando-se a água da bilha absoluta– mente pútrida e plena de bicheza. conse– guimos, no entanto, engolir uma parte dela misturando-a com vinho; mas a nossa sede apenas foi mediocremente apazigua– da. achámos mais alívio ao banharmo– -nos no mar, mas só com largos intervalos pudemos recorrer a este expediente, por causa da presença contínua dos tubarões. ficou então demonstrado para nós que a ugust estava perdido; evidentemente apagava-se. nada podíamos fazer para lhe diminuir os padecimentos, que pare– ciam horríveis. cerca do meio-dia expirou no meio de convulsões violentas e sem ter proferido uma palavra há várias horas. a sua morte incutiu-nos os pensamentos mais melancólicos, e teve sobre os nossos espíritos um efeito tão poderoso que per– manecemos deitados junto do corpo todo o resto do dia, sem trocarmos palavra a não ser em voz baixa. só depois do cair a noite tivemos coragem para nos levantar– mos e lançar o cadáver pela borda fora . estava então hediondo para além de qual– quer expressão e num estado tal de decom– posição que, tendo peters tentado soerguê– -lo, ficou-lhe uma perna inteira na mão. quando esta massa pulrefacta deslizou no mar por cima da amurada do navio, des– cobrimos, pela luz fosfórica com que ela se achava por assim dizer envolvida, sete ii' " •</Page><Page Number="119">• asas por este facto fui, talvez, o único oficial que,.assistiu a todas as sessões da assembleia, pois de manhã ia ao hotel levar os papéis e à tarde aguardava o final da sessão para receber as indicações dos assuntos a tratar no dia seguin– te. os serões para elaborar estes trabalhos eram passa– dos. geralmente, em casé,l de um dos oficiais, e quase sem-pre terminavam a altas horas da noite. . posso afirmar que. a par das outras intervenções em defesa da causa da aviação naval, as que o dr. manuel maria vaz passou a ter , foram brilhantes e de uma efi– ciência que quase sempre confundia os oradores. assim se passaram as sessões até que , na manhã da véspera da votação, o dr. manuel maria vaz me disse ter boas informações a dar: tinha sondado pessoalmente qua– se todos os deputados e verificara que uma confortável maioria votaria por nós . no entanto, na manhã do dia seguinte , voltou a dizer– -me , agora muito triste, que iríamos perder porque, por ordem do ministro do exército, durante a noite andaram mensageiros de motocicleta a distribuir pelos deputados directivas para que a votúção fosse a favor da extinção da aviação naval. acrescentou, ainda, que já falara nova– me nte com os deputados, tendo uns mudado de opinião e. dos que a mantinham. alguns faltariam com receio de represá lias! na verdade. na sessão da votação, e por intervenção do major botelho moniz, que pediu a contagem dos depu– tados. foi constatado não haver quórum. o que acontecia pela primeira vez desde que funcionava a assembleia nacional. foi marcada nova data , lendo-se verificado agora a presença de bastantes deputados que não tomaram parte em nenhuma das sessões onde esta causa foi discutida . mesmo perdendo, os oficiais do centro de lisboa qui– seram oferecer uma lembrança ao dr. manuel maria vaz, como reconhecimento pela sua expontâneae importante contribuição na luta pela continuação da existência da aviaçào naval. a entrega desta lembrança foi feita no mesmo hotel onde diariamente nos encontrávamos, e na presença de quase totalidade dos oficiais pilotos de lisboa. quando se fez o agradecimento e se entregava a leme brança, o dr. manuel maria vaz . pelo formato do embru– lho pensou que nós teríamos comprado qualquer objecto. talvez uma cigarreira, e recusou recebê-ia . ao aperceber– mo-nos disso, informámo-lo de que a lembrança era um objecto da própria aviação naval e que, certamente, lhe iria dar bastante satisfaçüo. após esta troca de palavras. abriu, cauteloso. o embrulho e quando viu o que continha - uma medalha de prata comemorativa da i." travessia aérea do atlântico sul- não pôde conter uma lágrima de comoção. fazendo justiça a quem a merece , aqui fica o agradeci– mento da extinta aviação naval ào dr. manuel maria vaz pelo muito que lutou por ela. a. simões lopes, mij. -111. -g. ou oito tubarões, cujos dentes terríveis produziram, enquanto dividiam entre si a presa ao pedaços, um estalido sinistro que poderia ter sido ouvido à distância duma milha. perante este ruído fúnebre sentimo– -nos penetrados de horror até ao mais pro– fundo do nosso ser. veis de sede durante todo o dia; nenhuma ocasião para nos banharmos, por causa dos tubarões, que não nos abandonaram um instante. o sono, impossível. clinada para a ré e 'parecia possuir uma equipagem numerosa. sentimos então uma forte angústia, porque não podíamos imaginar que não nos visse e temíamos que nos quisesse abandonar à nossa sorte e dei– xar-nos perecer sobre os destroços do nos– so navio - acto de barbaria realmente dia– bólico, tantas vezes feito no mar, por incrí– vel que isso possa parecer, por seres que eram tidos como pertencentes à espécie hu– mana. mas estávamos desta vez, graças ·a deus, destinados felizmente a enganarmo– -nos, porque em breve notámos um movi– mento súbito na coberta do navio desco– nhecido, que imediatamente içou o pavi– lhão inglês e, cortando o vento, navegou direitro a nós. uma meia hora depois está– vamos a bordo. esta galera era a jane guy, de liverpool, comandada pelo capi– tão guy, e partida para a caça às focas e (j comércio nos mares do sul e no pacífico. 3 de agosto-nenhuma perspectiva de alívio e o brigue a deitar-se cada vez mais de lado, de modo que os nossos pés já não achavam apoio na coberta. ocupámo-nos a pôr em segurança o nosso vinho e os res– tos de tartaruga por forma a não os perder– mos em caso de viragem completa. arran– cámos dois pregos fortes das mesas de en– xárcia do traquete e, por intermédio do machado, cravámo-los no casco do lado do vento, a uma distância da água de cerca de doispés, o que não ficava muito longe da quilha, porque estávamos quase de lado . a estes pregos atámos as nossas pro– visões, que nos parecem mais em seguran ça do que no sítio onde as tínhamos colo– cado precedentemente. sofrimentos horrí-7 de agosto - mesmo ao romper do dia, ambos descobrimos no mesmo instan– te uma vela a leste que se dirigia claramen– te para nós! saudámos esta explêndida aparição com um grito de êxtase extremo fraco; e pusemo-nos imediatamente a fa– zer todos os sinais possíveis, a adejar as ca– misas, a saltar o mais alto que a nossa fra– queza permitia, e até a gritar com toda a força dos nossos pulmões, embora o navio se encontrasse a uma distância de pelo me– nos quinze milhas. contudo, continuava a aproximar-se sempre do nosso casco e compreendemos que, se mantivesse a mes– ma rota, chegaria infalivelmente perto de .nós o suficiente para nos ver. cerca de !uma hora depois de ohavermos descober– to, podíamos distinguir facilmente .os ho– merls na coberta. era uma galera compri– da e baixa, com uma mastreação muito in-9</Page><Page Number="120">cartas ao director dos nossos leitores e amigos recebemos a seguinte correspon– dência : do «pezinhos», cabo m, lis– boa, a carta que transcrevemos: a pessoa que hoje dá azo a esta carta é um contra-almirante reforma– do, meu conhecido e amigo dos bons tempos em que ambos andávamos embarcados no mesmo navio, nave– gando por esses mares fora. encon– trámo-nos por acaso, e ele contou– -me: levantou-se às sete da manhã, porque às oito tinha de deixar livre a casa de banho para a neta se prepa– rarpara irpara a escola. às nove menos um quarto des– ceu o portaló - perdão, a escada - levando na mão esquerda o cesto com o almoço da miúda e na direita a respectiva pasta e guarda-chuva. a neta seguia ·a reboque de braço dado. era uma segunda-feira e caía uma chuva miudinha, de molha-to– los. às nove e um quarto tocou à campainha do edifício onde funciona a escola, galgou a escada do primei– ro andar, voltou a tocar a campainha e depositou a neta, pasta, almoço e guarda-chuva nas mãos duma de– sembaraçada e sorridente emprega– da que, murmurando um com licen– ça, fechou novamente a porta. dirigiu-se, em seguida, para a es– tação do metro mais próxima, onde embarcou com destino aos restau– radores, incorporando-se aí na bicha para o elevador da glória. a última vez que o almirante tinha subido aquele elevador custara-lhe o bilhete cinco tostões. ficou perplexo quando o cobrador lhe extorquiu, desta vez, doze mil e quinhentos! pa– gou sem quaisquer comentários, por saber muito bem não lucrar nada com isso! depois de ter perdido o rumo, vá– rias vezes, no intrincado labirinto que é o bairro alto, conseguiu finalmente alcançar o porto de destino, um labo– ratório de prótese dentária onde ia 10 voz da abita mandar consertar uma placa que se tinha partido em duas, fazendo-lhe passar um fim-de-semana muito desconfortável. subiu mais uma escada, esta era de quebra-costas, tal a sua inclina– ção, tocou mais uma campainha e disseram-lhe para esperar numa sa– leta que indicaram. e o nosso almirante, que dantes tinha toque de sentido e guarda for– mada, que navegou nos sete mares e percorreu todos os continentes, que arrostou temporais, que quando se fardava, em dias solenes, osten– tava no peito várias condecora– ções... sentou-se, tristemente, num sofá coçado, depois de dar os bons– -dias aos presentes e encher-se de coragem para aguardar a sua vez. volta e meia rodava a maçaneta da porta e todos se voltavam na es– perança de que viessem chamá-los. mas não, era mais um cliente que entrava. eram dez e meia e havia já onze. pelas vagas conversas que se iam estabelecendo, todos estavam iden– tificados: um homem dos seus cin– quenta, motorista de táxi, que tinha uma barriga enorme, desproporcio– nada em relação ao resto do corpo; um aposentado dos caminhos de ferro, que protestava contra a cares– tia da vida, apesar de, segundo dis– se, ter uma boa pensão; um aposen– tado do comércio que falava sobre o tempo, dizendo que ia bom para a agricultura; um soldado pára-quedis– ta, à paisana, mas com as botas da ordem, que não dizia nada, e eu, éra– mos os representantes do sexo mas– culino. senhoras eram seis, quatro das quais com botas altas, e uma ra– pariga nova entretida a ler as " tv guia" de alguns meses atrás. uma das senhoras de botas vestia um casaco de cabedal e usava bolsa do mesmo material e da mesma cor... tudo preto! entrou com um ar seráfi– co, sentou-se junto da porta, pregou os olhos no chão e não mais se me– xeu. a certa altura, reparei que ela deslizou sub-repticiamente da cadei– ra e sumiu-se pela porta que dava para o átrio de entrada. quem havia de dizer que exacta– mente aquela senhora, com um ar tão tímido e discreto, havia de nos roer a pinha a todos, passando de úl– tima a primeira a ser atendida. claro que quando demos conta disso hou– ve protestos, mas a verdade é que ela se foi a rir de nós.. . pelas onze horas éramos vinte e o número tinha tendência a aumen– tar, pois por cada um que saía entra– vam mais dois ou três, como no metro. a moça das" tvguia", esgotada a leitura, abriu a janela e o frio entrou por ali dentro regelando-nos. o que valeu foi o homem da barriga grande que, furioso, a intim,ou, desabrida– mente, a fechá-ia. aproveitando o al– voroço gerado sumiu-se também para o átrio, dizendo que ninguém mais lhe passaria à frente. minutos volvidos, entreabriu a porta e com um sorriso gozão anunciou que já es– tava despachado, se ia embora, e nos desejava boas-festas... então o almirante, já farto tam– bém de estar à espera e explicando à assistência que era a sua vez, foi ter com a senhora que dirigia o servi– ço e pediu-lhe pelo amor de deus que o atendesse, o que ela fez com os melhores modos, dizendo que es– tavam assoberbados de trabalho e que só tinha atendido casos urgen– tes, e daí a demora. e foi assim que um almirante da gloriosa armada na– cional, reformado, a quem, em tem– pos idos, todos os homens das guar– nições dos navios que comandou de– viam obediência, absoluta, passou uma cinzenta manhã dos últimos dias de 1984, com poucas esperan– ças de um 1985melhor... doo de antónio manuel f. antunes canas, amadora, uma carta em que faz uma sugestão e duas perguntas. a sugestão é que a « ra" publi-c' p</Page><Page Number="121">ue os postos e uniformes que ac– tualmente existem na marinha. as perguntas são: 1. a - por que razão a marinha só esteve representada nas comemorações do armistício pelas escola e força de fuzileiros? 2. a - qual é a divisa da armada: «talant de bien faire», «esta é a di– tosa pátria minha amada» ou «a pá– tria honrai que a pátria vos contem– pla»? n. r. - quanto à sugestão, informamos ser nossa intenção finalizar a série de artigos «evolução histórica dos uniformes na arma– da ", que vimos publicando na contracapa, com os actuais uniformes. quanto à 1. a per– gunta, esclarecemos que se trata de uma de– terminação superior; no que respeita à 2. a, re– comendamos a atenção do leitor para um dos próximos números da revista, onde tratare– mos o assunto. doo do dr. paulo de passos filguei– ras, valbom, uma carta com pala– vras muito agradáveis para a «ra», nomeadamente que o seu êxito não se deve ao seu preço nem ao saudo– sismo dos inadaptados à vida civil, mas sim ao nível cultural dos seus colaborantes, susceptível de desper– tar a atenção de quem nunca serviu a marinha, e daqueles que nunca se deixaram seduzir pelas divisas e ga– lões das fardas azul e branca. juntou duas separatas do seu trabalho «os bravos de pampelido», sendo uma destinada à nossa biblio– teca, lembrando a publicação da últi– ma parte «armada liberal ». n. r. - agradecemos as amáveis pala– vras sobre a «ra" e a separata oferecida. quanto à publicação da parte respeitante à «armada liberal" , julgamos estar demasiado pormenorizada o que a torna extensa. o as– sunto interessa sobremaneira e por isso nos atrevemos a pedir ao nosso ilustre assinante que o resuma, especialmente para a nossa revista, a fim de serpublicada. ••• saudações de joão filipe lourdes bicho, capelas, ponta delgada, extensivas aos "filhos da escola» de 1945e res– pectivos oficiais, sargentos e praças na reserva ou ainda no activo. pede aos camaradas do seu alistamento que o contactem pára rua do sertão , 70, capelas - 9500 ponta delgada - açores ; de artur eduardo januá-rio inácio, ex-mar. a 75870, vimeiro, dizendo: assisti ao juramento de bandeira do meu irmão mais novo na escola de alunos marinheiros, onde encontrei bastantes "filhos da esco– la» e alguns que estiveram comigo na guiné e não via há mais de dez anos. e acrescenta: são poucas as vezes que vou a lisboa, mas só des– ta é que dei (for isso: não encontrei um único marinheiro fardado, nem na cidade, nem em cacilhas. já me tinham dito e já tinha lido na " ra», mas não acreditava. é que lisboa sem marinheiros, nem parece lis– boa!; de jorge ramos, barreiro, com palavras de apreço pela «ra», que muito agradecemos; de joão luís enes ramos, vila do conde, que se inscreve como assinante , dizendo : por incrível que pareça, só agora, ao fim de 10 anos, tive conhecimento de que se pode ser assinante. fui mari– nheiro cm de 1970 (...). no fundo, um bocadinho de mim ficou aí, um bocadinho em cada sítio onde estive, no continente ou no ultramar (ex); do 1. 0 -mar. fz rf 130369, manuel simões de oliveira, ílhavo, com um abraço para os «filhos da escola» , sugerindo que algum promova um jantar ou almoço de confraterniza– ção ; do cabo cm ra 222549, manuel ferreira dos santos ramalheiro, co– nhecido pelo zé dias; alcunha que herdou na escola de artilharia naval por ter sido ajudante de pedreiro do operário do mesmo nome, desejan– do muitos e longos anos de vida à "ra» e aos que nela trabalham, o que muito agradecemos; do sarg .-aj . l rf antónio de sousa simões, ca– ramulo, apelando à "escola» de 1935, por fazermos agora 50 anos de ingresso na armada, para o almoço comemorativo da "juventude» dos 70! ••• convívios os «filhos da escola» radicados nos eua têm o seu encontro de 1985 marcado para o próximo dia 12 de outubro, em hartford, capital do es– tado de connecticut, promovido pela associação de marinheiros da arma– da portuguesa nos eua. os interessados em participar deverão contactar com : joaquim ca– ramelo, vasco enxuto ou eduardo rodrigues, 127 bonner street, hart-ford , connecticut 061106, usa (te– lef. (203)527-5320). odo os antigos membros da 1. a com– panhia de fuzileiros - angola 19621 164 - vão reunir-se num almoço de confraternização no próximo dia 4 de maio, em local a combinar. os interessados deverão contactar com: egas soares (telef. 2050186), moura fon– tes (2296957), américo teixei– ra (795787) , francisco peão (9827666) ou inácio teixeira (9849318). doo os «filhos da escola» do alista– mento de marinheiros ge 1933 vão efectuar o seu 30. convívio anual, nos dias 4 e 5 de maio próximo, em freixo de espada à cinta, onde será prestada homenagem póstuma ao vi l alm. sarmento rodrigues, ali sepul– tado. doo os alunos dos anos de 1920/22 das extintas escolas de alunos mari– nheiros de leixões e faro vão reunir– -se num almoço de confraternização, a fim de comemorarem as bodas de diamante do seu alistamento na «briosa» . o convívio, que também é extensivo a familiares, terá lugar num restaurante da costa de capari– ca,no dia 8 de julho próximo, sendo a ementa à escolha do próprio. para esclarecimentos, contactar com oculista miramon, rua da pra· ta, 269 -1100 lisboa. doo no dia 25 de maio próximo, no restaurante do supermercado da marinha, nas barrocas, realizar-se-á o almoço de confraternização do pessoal do recrutamento de 1946. os interessados em participar deverão contactar, até 11 de maio, com o 1. 0 -ten. sg amadeu barradas, rua união piedense, 90-3. esq., laranjeiro, 2800 almada (telef . 2291566) ou francisco carrasquei– ra, praceta frei agostinho da cruz, 19-1 . dt., laranjeiro, 2800 almada (telef. 2292572). doo 11</Page><Page Number="122">s «filhos da escola» do recruta– mento de 1949 vão comemorar o 36.0 aniversário da sua incorporação na armada com um almoçoconvívio no dia 4 de maio próximo, no restau– rante do supermercado da marinha, nas barrocas, os interessados deverão contac– tarcom diamantino vidal , av, de berlim, 6 - 1800 lisboa (telef. 312111) ou mateus vicente, r. ca– tarina eufémia, 9-3. fr., cova da piedade - 2800 almada.  formação pentatlo naval. das origens a vale de zebro -1984 no n.o 160/jan. de 84 desta re– vista foi referenciada a execução do primeiro pentatlo naval (pn) organi– zado na armada, assim como a pon– tuação do primeiro recorde nacional, obtido pelo marinheiro fz aroeira. o pn, com 29 anos de existência, constitui uma das modalidades do cism (conselho internacional do desporto militar). não obstante diversas tentativas para implantar no centro de educa– ção física da armada e no grupo n.01 de escolas da armada a pista de obstáculos do pentatlo, nunca esta iniciativa merecéu a aceitação desejada, embora o conjunto das provas do pn seja, por excelência, o modelo de treino físico específico de manutenção do marinheiro militar. o pn é constituído pelas seguin– tes provas : prova de obstáculos - pode– mos considerar esta prova como uma «pista de combate» sofisticada, composta por 10 obstáculos numa distância de 300 m. prova de natação de salvamen– to - prova executada em piscina, numa distância de 75 m, e composta por diversas tarefas ligadas às técni– cas de salvamento. prova de destreza marinheira - prova tipo gincana, numa distân-12 doo o pessoal do activo ou reformado da polícia dos estabelecimentos de marinha (pem) vai reunir-se num al– moço de confraternização, no dia 27 de abril corrente, em local próximo do alfeite. as inscrições, até ao dia 15, poderão ser feitas pelos telefo– nes 275 09 51 (ext. 154 ou 208) e 1270 ou 1330 da rede interna. *********** cia de 250m, aliando--diferentes tare– fas de marinharia num percursc onde predomina a destreza na con– dução de um bote com dois remos . prova de natação utilitária - decorre esta prova em piscina, numa distância de 125m, com dife– rentes tarefas de transporte e trans– posição de obstáculos. prova de corta-mato anfíbio - é um corta-mato com cerca de 2300m a 2500m, incluindo tarefas diferenciadas tais como tiro de cara– bina a 50m, travessia de um curso de água numa balsa e o lançamento de precisão de uma granada a 25m. a fim de conhecermos melhor este pentatlo, que em boa hora ve– mos incluído no calendário desporti– vo da armada, passamos a referen– ciar alguns elementos históricos re– lacionados com a sua criação e ori– gens. estávamos em 1949 quando o departamento de desportos da ar– mada italiana se debruçou sobre o treino físico do seu pessoal. assim, equacionou o treino num plano vi– sando o pessoal embarcado, obede– cendo às seguintes premissas : • treino básico necessário para a execução do programa dos desportos considerados de in– teresse naval. • desenvolvimento das qualida– des físicas, psíquicas e emo– cionais necessárias aos mari– nheiros. a comissão organizadora da co– memoração do 23. aniversário do regresso a lisboa da guarnição do aviso «afonso de albuquerque», leva a efeito no dia 1 de junho próxi– mo, no restaurante do supermer– cado da marinha, nas barrocas, num almoço de confraternização . os interessados deverão contactar com matias almas, rua 15, 1, r/c. di– reito - feijó, 2800 almada (tel. 2295536), até ao dia 20 de maio. • • aperfeiçoamento das técnicas dos desportos náuticos tais como: natação, remo e vela, e modalidades de interesse mili– tar como o tiro. • desenvolvimento da agilidade em situações instáveis, neces– sárias às condições de vida a bordo, especialmente com mau tempo. a fim de satisfazer os objectivos definidos, foram organizados dife– rentes competições que viriam a ser o embrião do futuro pentatlo, tais como: • percurso de agilidade para o controlo de situações de dese– quilíbrio, velocidade de refle– xos e coragem. • percurso numa embarcação, visando treinar tarefas de ca– rácter naval. • percurso de natação, visando o treino das técnicas de salva– mento, natação utilitária e tare– fas subaquáticas. • percurso de corrida para treino da condição física. desta forma, nos anos de 1950 e 1951 a marinha italiana organizou as primeiras competições, ainda a nível nacional. o comandante giuseppe voca– turo, orientador desta programação, foi solicitado em 1953 pela assem– bleia geral do cism no sentido de criar um pentatlo destinado às mari- '" i.</Page><Page Number="123">has militares, à semelhança dos já existentes pentatlo militar e pentatlo da força aérea, dirigidos aos ramos terrestre e aéreo. em 1954, a primeira semana do mar, que ocorreu em itália, já integra– va um triatlo, tendo tido a participa– ção de seis nações. em agosto de 1955, a suécia orga.nizou, em esto– colmo, a segunda semana do mar, onde pela primeira vez apareceu , ofi– cialmente, o pentatlo naval, numa versão quase idêntica à actual. *********** desporto atletismo no dia 15 de fevereiro, realizou– -se a volta à base naval de lisboa, no alfeite, com a participação de 64 atletas em representação de 13 uni– dades ou organismos da marinha, distribuídos por cinco escalões etá– rios. foram vencedores : 1. escalão, guarda galocha (bnl). 2. escalão, mar. loureiro (ffc). 3. escalão, operário valente (arsenal do alfeite). 4. escalão, 1. 0 -sarg . santo (g2ea) . 5. escalão, sarg.-aj. calado (ffc) . atletismo federado em 17 de fevereiro, a equipa do cefa participou num corta-mato de 10 mil metros, na tapada das mer– cês, integrado nos campeonatos re– gionais da associação de atletismo de lisboa. terminaram a prova 104 atletas, classificando-se o cefa em 4. lu– gar. à sua frente ficaram as equipas do sporting, benfica e "os belenen– ses». as nossas saudações ao cefa e, em particular, ao seu 1. classificado, cabo l antónio oliveira. judo no dia 13 de fevereiro, teve lugar no g1ea, em vila franca de xira, o 6. otorneio aberto de judo, onde par– ticiparam 37 judocas de três catego– rias. foram vencedores : menos de 65kg : cabo pára-quedista perez (cefa) . menos de 71 kg : l .o-mar. m capelo (cefa). mais de 71 kg : 1.– -mar. fz lobato (ffc) . aspecto de um dos combates do torneio dejudo. voleibol federado teve início em 20 de outubro passado o campeonato nacional desta modalidade (2. a divisão), a que esteve presente a equipa do cefa. compromissos profissionais, tais como embarques e escalas de servi– ço, concorreram para que o campeo– ,nato não tenha decorrido da melhor forma para a equipa do cefa, embo– ra o nível do conjunto tenha vindo a melhorar. no período que decorre entre 17 de março e os princípios de junho próximo, a equipa do cefa vai parti– cipar no campeonato de lisboa de voleibol. depositamos as maiores esperanças nesta participação. pista de combate da ffc foi recentemente inaugurada, na força de fuzileiros do continente, no alfeite, uma nova pista de comba– te destinada à manutenção do pes– soal das unidades ali localizadas. do 1. 0 -ten. seg melo e sousa re– cebemos uma notícia referente à inauguração, que transcrevemos na íntegra: quem não se lembra na escola de fuzileiros do ccslide» grande, salto à tarzan, ponte do himalaia, etc., da sua famosa pista de combate? pois, no dia 30 de janeiro, foi inaugurada na ffc a pista de combate, cuja de– monstração inicial foi feita por equi– pas de todos os batalhões daquela unidade, perante assistentes e con– vidados, ao que não faltou em plena mata o bom espumante, commuitos brindes e o tradicional grito dos fuzi– leiros. esta pista, instalada na mata, na zona leste do perímetro da ffc, compõe-se de 15 obstàculos, com grau de dificuldade média, onde pre– dominam as situações de destreza aérea em cabos, escaladas, subidas ,de redes de abordagem, tendo em vista a aquisição da disponibilidade motora, controlo emocional, etc. , que possibilitem aos «fuzos» desempe– nhar com à-vontade as dificuldades que se lhes depararão em circuns– tânciasoperacionais. medeiros de almeida, 1. o -fen. seg *********** t 13</Page><Page Number="124">utros tempos da primeira página de um ((diário de notícias)) de há cem anos as recentes comemorações dos 120 anos do «diário de notícias», que em dezembro passado se completa.ram, incluíram a publicação de um álbum contendo a reprodu– ção de duas centenas de primeiras páginas do jornal , epi– sódios da história éontemporânea de que ele foi, dos últi– mos cinquenta anos da monarquia até aos nossos dias , uma privilegiada e constante testemunha. assim, pela via do interesse que a efeméride desper– tou , essas páginas trouxeram a lume , não só os títulos maiores , consagrados aos grandes acontecimentos, mas também inúmeras curiosidades, que permaneciam esque– cidas nos fundos dos arquivos onde a vida efémera dos jornais se prolonga e conserva. foi no acaso de olhar uma velha contenária página do «diário de notícias» , a de 7 de abril de 1885, de sorrir pelo cap. -frag. cristóvãomoreira com essas notícias , escritas num tom simples , em que o natural parece agora jocoso , que nos ocorreu transcrever , para a «revista da armada», aquelas que de alguma for– ma tivessem a ver com as coisas do rio e do mar, da mari– nha e dos marinheiros. aqui ficam . algumas delas, sem outro fundo ou pre– tensão além da curiosidade , ou do sabor antigo, no tema, na linguagem, até na ortografia. mas, no seu conjunto , constituem uma evocação de quanto, há cem anos, estava a capital voltada para o tejo, e a opinião pública interes– sada nas coisas do mar: doutra forma não faria sentido que um jornal , com o prestígio de que já então disfrutava o «diário de notícias», pudesse inserir, só na primeira pá– gina de uma qualquer manhã , nada menos de que quinze notíeias que relação tinham com a condição de lisboa , ci– dade marítima , e a de portugal, país de marinheiros. naufrágio naufragou hontem de madrugada, nas rochas a oeste de sines, o hiate , portuguez senhora da conceição que havia saido de vil/a nova de milfon– tes, com carregamento de trigo, mi– lho, cortiça e mobilia. julga-se o bar– co totalmente perdido, assim 'como a carga, com excepção da cortiça. inglez mondego, levando de lisboa 68 passageiros. d. henrique e de um medalhão com pretenções a recordar a effigie de gil eannes, que existiam na sala do risco. '* '* acerca de um cazo da esta-tua do infante d.henrique na escola na val, e idéa de outromonumento esta noticia com os comentarios que lhe estão adjuntos é destinada a chamar a attenção do publico, e a tra– zer sobre a actual direcção da escola naval a idéa de ter praticado actos de vandalismo, o que além de ser injusto émenos verdadeiro. saiu hontem para o brazil o paquete sr. redactor. - no seu acreditado jornal de 6 do corrente vem publicada uma local em que se relembra a remo– ção de uma estatua de gesso do infante como o caracter de v. não permit-fac-símile do cabeçalho do «diário de notícias» de 7de abril de /885. ....._..-""""'.- m· · r.' c:8,,-n' iido- . larlo :ra:::j,.*m':::.o:; :r.::..;;:... .... .. _________ 14  •• fi.­ ttrfa reira 1 e urli otl'l â't-!..::....:::- ..- ....;;·,,"::,– "--":i».zl. 6. ' \. •</Page><Page Number="125">e que o seu acreditado jornal se preste á publicação de censuras menos cabi– das, ou á descripção de factos menos verdadeiros, por isso me apresso em lhe comunicar como as couzas sepas– saram. quando no anno findo, sob a di– recção das construcções civis do arse– nal da marinha, se procedeu á benefi– ciação da sala do risco, todos os objec– tos foram removidos do seu logar afim de ficarem as paredes desembaraça– das para receber a respectiva pintura. a estatua em questão foi conve– nientemente ligada e suspensa afim de remover o estrado em que assentava. quando menos se esperava a parte in– ferior separou-se da superior. a expli– cação deste facto é simples. depois da estatua moldada viu-se que tinha fica– do desproporcionada, isto é, com um tronco enorme em relação ás pernas. remediou-se este defeito, fazendo no tronco duas secções parallelas e hori– sontaes; tirou-se a camada de tronco e naturalmente restabeleceram-se, ain– da que incompletamente, as propor– ções, mas resultando sempre ficarem as mãos da estatua quasi tocando no chão. quando a suspenderam pela parte superior como era incompleta a sua ligação com a inferior, esta sepa– rou-se e caindo sobre o solho da sala fez -se em fragmentos. eis pois como os factos se passa– ram e foram communicados ás esta– ções superiores. os fragmentos foram recolhidos, e a estatua mais ou menos defeituosa– mente montada foi collocada n'um 10-gar não menos apropriado - no de– posito de cartas e instrumentos nauti– cos, onde póde se analysada e admira– da como modelo de pessima molda– ção, como rachitico tributo de venera– ção dos feitos do glorioso infante d. henrique, e com insignificante idéa de ligar as nossas bellas tradicções da nação maritima a um monumento. os serviços do infante merecem mais elevado monumento do que o molde de gesso, mais do que trivial. pensa-se em erigir na escola um pa– drão condigno aos feitos d'aquelle he– roe, e s. ex. a o ministro da marinha, que tem o seu nome ligado áquele esta– belecimento, pelos melhoramentos materiaes e scientificos, que sob a sua administração da marinha, têem sido adoptados, não deixará de secundar aquella idéa, que decerto accentuará mais dignamente o fim a que se pro– põe, do que a estatua de gesso defei-tuosa e informe. outros commentarios poderia apresentar a v. com relação á estatua, mas não me sobrando o tempo, nem querendo tomar o espaço ao seu jor– nal com assumptos que pouco interes– sam aos seus leitores, reservar-me-hei para outra occasião se fôr preciso. de v. etc. - josé candido cor– reia. -&amp; o baile da sala do risco tudo se prepara para que o baile que deve realisar-se hoje na sala do risco do arsenal da marinha, a favor de algumas associações de beneficen– cia e de instrucção de lisboa, seja uma festa deslumbrante . grande numero de bilhetes tem sido distribuido, fazendo-se porem, a distribuição com o maior escrupulo. espera-se, como dissemos já, que suas magestades assistam a esta sym– pathica festa de caridade. as senhoras que fazem parte da commissão foram hontem ao paço convidar sua mages– tade a rainha. a decoração da sala deve produzir um effeito deslumbrante, tendo-se procedido hontem á experiencia da il– luminação a luz electrica. *' temporal no rio a fragata n." 71 e 191, pertencente a francisco rodrigues faneca, carre– gada de carvão de pedra, foi ao fundo a noite passada em frente da fabrica de bello &amp; formigaes, no aterro. em frente do caes do tejo tambem se afundou a fragata n." 77 e 8 que es– tava vazia. as tripulações salvaram-se nas lanchas. -&amp; ás 2 horas da noite antecedente en– trou a barra, indo fundear na cova da piedade o patacho hespanhol trini– dad pilar que se achava fundeado em cascaes. parece que entrou por força do tempo, deixando em cascaes um ferro e não recebendo visita de saude nem registo do porto em consequencia do temporal. -&amp; apprehensões hontem de tarde desembarcou em o caes das columnas uma mulher que pelas suas formas plasticas... os guar– das da fiscalização suspeitaram d'ella, convidando-a a entrar na casa do pos– to onde a apalpadeira lhe poz a desco– berto uma grande porção de charutos que trazia no seio. *' a apalpadeirada das portas de al-cantara tambem descobriu 12 litros de azeite com que se engrossava uma ou– tra mulher que por ali desejou entrar. -&amp; evasão do preso há tres dias evadiu-se do presidio da torre de s. julião da barra um gru– mete. até agora parece que ainda não puderam recapturai-o. -&amp; s.julião, 6. -entrou a barra o vapor de guerrafrancez biêrre . -&amp; lazareto devem sair do lazareto, hoje ás 9 horas e tres quartos da manhã, 140 passageiros do vapor timor; em 8 ás 4 e meia da tarde 23 do palogonia; em 12 de tarde 39 do lanfranc; e em 14 de manhã 152 do congo. *' saiu do para para lisboa, em 11 de março ultimo, o brigue portuguez adelina, com varios generos e 4 pas– sageiros. é da praça do porto: -&amp; entraram hontem de tarde arriba– dos pelo mau tempo o patacho francez berthe, vindo de valencia; barca hes– panhola rosa, vinda de torre viega; patacho hespanhol pepita, vindo de villa garcia; escuna hespanhola ca– milla , vinda de torre viega; patacho hespanhol alejandro, vindo de ca– diz; patacho inglez clara, vindo de cascaes; e vapor inglez claremont, vindo de ayamonte. -&amp; uma força de 15 praças de mari– nhagem, commandada por sargento, fara a policia hoje, na sala do risco da escola naval, durante a festa que ali se celebra. a charanga do corpo de marinheiros tocará tambem varias pe– ças do seu já longo reportaria . -&amp; homem afogado ante-hontem na occasião em que largava da boia o vapor inglez bo– vian , caiu ao rio um marinheiro. o guarda da alfandega, n." i :080, api– tou, accudiu um escaler do couraçado vasco da gama mas o marinheiro ha– via já desaparecido. -&amp; tem estado incommodado de sau– de, o illustre commandante geral da armada, o sr. visconde de soares franco. desejamos as melhoras do honrado almirante. 15</Page><Page Number="126">istórias de marinheiros 70-caminhos cruzados uma das recordações mais agra– dáveis que guardo dos meus tempos de tenente embarcado prende-se com a vivência das câmaras dos na– vios. ali se faziam as horas das refei– ções e se passavam as de lazer quando a navegar ou quando, nos fundeadouros, as circunstâncias do serviço nâo consentiam as idas a terra. ali se conversava longamente, se ouvia música gravada, se liam os livros predilectos e, quantas vezes, nos entretínhamos em bridges con– troversos ou em demoradas partidas de xadrez. por vezes, na troca de ideias, rompiam polémicas acesas. nos tó– picos abordados nunca as opiniões formuladas coincidiam. e era então um desfiar intérmino de argumen– tos e contra-argumentos que, rara– mente, levavam a opiniões unâni– mes. de assinalar que os laços de ca- . maradagem que uniam os oficiais nunca se ressentiam do calor vivo das discussões. um dito de espírito, deste ou daquele, desarmava, muita vez, o tom mais duro de uma argu mentação mais séria. tantas das histórias que tenho contado aqui f9ram ouvidas, pela pri– meira vez, nesse saudoso convívio das câmaras dos navios. e não resisto, hoje, à tentação de rememorar uma conversa autêntica como exemplo típico de como a inter– venção de vários oficiais da guarni– ção de um navio, fortuitamente reuni– dos por exigências do serviço, com– pletaram entre si, casualmente, um mesmo assunto . o navio fundeara na costa algar– via, num período de exercícios, mas a sua largada, prevista para de ma– drugada, interditara a concessão de licenças para terra. e, assim, os ofi– ciais, após o jantar, continuaram na câmara, em conversa amena. foi quando um deles referiu , como novi– dade, o próximo casamento de um camarada de todos conhecido . logo, por associação de ideias, um 16 outro recordou ul"q caso insólito, ocorrido em lisboa, aquando do en– lace de outro oficial. fora o caso que, após a cerimó– nia da igreja, quatro tenentes entra– ram no automóvel, pertença de um deles, para seguirem para casa dos pais da noiva, onde se realizaria o copo-d 'água. ignorando a direcção exacta, não haveria dificuldades: era ingressar, apenas, no cortejo que se formaria à saída da igreja, e seguir, assim inte– grados, até à morada desejaqa. de salientar, desde já, que, por demoras não averiguadas - tràdi– cionalmente, a culpa é sempre da noiva -a cerimónia se verificou com grande atraso. daí que um apetite voraz, tão próprio daquelas idades, consumisse de há muito as entra– nhas sôfregas dos rapazes. os noivos estavam bem relacio– nados, a avaliar pela multidão dos convidados. assim se formou um longo cortejo, através da cidade, cor– tado aqui e além pelo gesto capricho– so dos sinaleiros - não imperando, ainda, naquele tempo, o automatis– mo cego dos semáforos. finalmente, a caravana chegou ao destino. os convidados subiram então a larga escadaria da casa apa– laçada, depois de atravessarem o jardim envolvente, matizado de fia– res que rompiam de entre relvas ver– dejantes. mesas pejadas de iguarias es– tendiam-se pelos salões , onde, quando chegaram os oficiais, já con– vidados se alinhavam ávidos. nos primeiros momentos, os te– nentes nada mais viram que não fos– se a tentação dos pratos dos frios, densamente cheios , numa provo– cação a apetites demorados . depois vieram os quentes, que eles atacaram bravamente. e a inter– valos foram saboreando também as bebidas que manavam; copiosas, das garrafas empunhadas por cria– dos solícitos. quando entraram, finalmente, nos doces , já o ritmo de deglutição que os absorvera totalmente con– s'entiu que olhassem, com vagar, à sua volta. e concluíram, surpresos, que dos múltiplos convidados não conheciam ninguém. intrigados, fo– ram dar uma volta pelas outras me– sas, e a mesma impressãó persistiu. fardas de marinha eram apenas as suas. ao mesmo tempo, conven– ciam-se, pelo modo estranho como eram olhados, que também os outros se interrogavam sobre a sua identi– dade. numa dúvida crescente, pro– curaram os noivos. e ao vê-los, a suspeita, que já os assaltara, conver– teu-se em certeza: tinham vindo pa– rar a um casamento que não era o do camarada. sucedera, apenas, que na confu– são do trânsito se tinham incorpora– do no cortejo de outro casamento. com mil desculpas aos donos da casa - não sem antes terem brinda– do aos noivos - logo, pelo telefone, · localizaram o seu verdadeiro desti– no. e, uma vez aí, com o apetite re– novado pelas comoções do inciden– te, fizeram as honras devidas ao novo copo-d'água. a autenticidade do gracioso epi– sódio fez sorrir os oficiais. e logo um deles recordou outro caso, este de– certo bem mais insólito do que o que se contara. também, uma vez, ou– tros camaradas, convidados de um casamento, se transviaram nas vicis– situdes do trânsito citadino, indo en– grossar, sem querer, um cortejo es– tranho. só que, dessa vez, não se tratava de um casamento, mas de um funeral. foram parar ao cemité– rio... de novo um sorriso perpassou pelo presentes. e, agora, um terceiro tenente, a propósito, recordou uma cena de revista que vira no parque mayer, anos atrás. um cocheiro surgia no palco, de sobrecasaca, botas de cano e cha– péu alto, brandindo no q,r , ritmica– mente, um longo chicote. só que a vestimenta, de alto a baixo, era, de um lado, toda branca e, do outro, completamente preta, numa simbo- • • .. '" » •</Page><Page Number="127">ogia intencional. na sua interven-câmaras dos navios, onde tantas e ção, estabelecia o paralelo entre ca-boas amizades se cimentaram para samento e enterro - ele que, por a \tida inteira.. . profissão, tantas vezes participava de ambos, com a carruagem de alu-guer. as similitudes, que apontava, eram várias . o quadro rematava numa canção alegre, cujo refrain, cheio de malícia, fazia rir a plateia, ao afirmar : ... casamento e funeral ambos vão dar aos ... «praze– res" (*) desta vez, uma gargalhada so– nora vibrou contra as anteparas. e maios seus ecos se amorteceram, logo a conversa foi retomada alegre– mente, nesse saudável convívio das (*) nome de um cemitério de lisboa. silva braga, v/a/mo *********************************** 17</Page><Page Number="128">onversa entre marinheirosl" co nduzida peloc/alm. malheirodo vale interveni e ntes: «revista da armada» - «ra» cap. -in. -g. paulo corujo -pc o capitão-de-mar-e-guerra paulo manuel guerra corujo, na ' situação de reserva desde 1980, nasceu em ílhavo em 1924, é ca– sado e tem três filhos. alistou-se como aspirante de marinha na escola naval, em 1943. completado o curso especializou-se em radiotecnia e comunicações. é licenciado em ciências sociais e políticas, e tem o curso geral na val de guerra e o curso de ges– tão de defesa. desempenhou importantes comissões de serviço: director da estação radionaval da horta; idem, da escola de co– municações da armada; chefe da secção de comunicações do es– tado-maior da armada; subchefe do estado-maior do comando naval de moçambique e presidente da comissão de coordenação de telecomunicações da mesma provincia ultramarina; coman– dante da corveta «cacheu», em cabo verde; professor de comu– nicações das escolas na val e náutica; adido naval e.mlondres; professor de relações internacionais no instituto superior naval de guerra e assessor do instituto de defesa nacional. foi gover · nador do distrito da beira (moçambique), em 1974. «ra» - comandante corujo, o senhor é de ílhavo. uma ter– ra marítima por excelência que tem dado à vida do mar, nomea– damente como capitãcs da frota bacalhoeira. os melhores dos se us filhos . certamente que essa «vivência» marítima terá in– fl ue nciado a sua vocação para as coisas do mar. não será assi m? pc - sem dúv ida . o meio ambiente é dete rminante na for– maçflo dos indivíduos. são as histórias que se ouvem contar de pa ragens diferentes . pintadas com algum exotismo . que excitam a imaginaçáo dos jovens; é a descoberta precoce. na magnífica ria de aveiro. com as suas excelentes p raias fluviais e marítimas . do mundo das emba rcações. à va ra, a remos e à vela. começa-se cedo em autodidactismo a aprende r e a amar a manobra nas em– ba rcações. adqui re-se um con heci me nto instintivo que é válido pela vida fora e que se aplica a embarcações de maior porte, in– cluindo navios. 18 acresce, no me u caso pessoal, q ue sou filho e neto de ma ri– nhe iros: meu pai, josé franci sco co ru jo, fo i pa ra o mar aos 12 anos como moço. t iro u depois o curso de pilotagem do porto (o rcspectivo diploma foi ofe recido . cm tempos. ao museu da esco– la naval). com 28 a nos ti ro u o curso de capitão na escola náuti – ca de lisboa. em 1915 comandava o vapor «cisne» . ó primeiro navio port uguês a se r afundado por um submarino alemão. ao largo de ouessant . onde a tripulação chegou após três dias no ma r em balee ira . depois comandou o l nhambane» . de 10 mil toneladas . armado em cruzador-auxiliar português. utilizado no t ransporte de t ropas fra ncesas entre marsel ha e salónica . finda a gue rra. com o di nheiro amealhado, fez -se armador de navios de pesca fundando a emp resa em que hoje emprego a minha ac– tividade. meu avô paterno, manuel corujo, foi mestre de iates e pa– lhabotes na costa. tinha na cabeça todos os rumos magnéticos e ntre vigo e cádis. para sul, corr ia rápido com a nortada; mas pa ra norte. demorava por vezes oito dias a montar a costa entre setúbal e o porto. bordejando sempre, de dia aproveitando a b risa marítima. de noite chegando-se à terra , como mandam as regras. para aproveitar o vento que soprava para o mar. meu avô materno. paulo nu nes guerra. era capitão de na– vios de longo curso. te ndo comandado navios da mari nha mer– cante do brasil. dele ouvia as histórias mais exóticas que me dei – xavam horas e ho ras a sonhar. .. é óbvio que com todos estes antecedentes não poderia ter deixado de vi r para o mar, contra riando embora os desejos de meu pai que me que r ia encarreirar para um curso de e ngenharia . «ra» - a par da sua actividade profissional na ma rinha de guerra. o comandante corujo praticou sempre os desportos náuticos? pc - na verdade . tive sempre o bicho da vela, que conside– ro uma escola ímpa r de aquisição de virtudes náut icas pa ra um , _ j i  (j 1   .,</Page><Page Number="129">homem do mar. regatava na ria de aveiro . regatei em leixões quando frequentava a universidade do porto, onde pratiquei , igualmente. remo, tendo sido campeão naeional de yolle de oito. jú em lisboa. regatei tanto em remo como em vela. tendo sido campeão de vougas em 1945 (já lá vão 40 anos. meu deus!). mais tarde. presidi à direcção do cnoca, tendo sido o pri– meiro patrão-encarregado do aetual iate «xixão» . hoje deixei -me de regatas . limitando-me a ir espai recer para o mar num pequenomoror-sailer que construí há vi nte anos . a minha aposta agora consiste na recuperação da arte de navegar com velas de bastardo, uma armação sensacional de rendimento vélieo, mas eaída em desuso por ser de técnica tra– balhosa . justamente o programa de treino de tripulações para a cara– vela «são cristóvão» irá passar pela manobra de velas das ca– noas «boneca» e «anfitrite», gentilmente ofereeidas pelos seus proprietários ao museu de marinha para o efeito. «ra» - sabemos que o grupo de amigos do museu de ma– rinha, a euja direcção o comandante preside. pretende construir um réplica das caravelas dos descobrimentos e reconstitui r a viagcm de bartolomeu dias ao cabo da boa esperança. poderá o comandnte dizer como surgiu a ideia? pc - e com muito gosto que lhe falo no projecto da caravela «são cristóvão» . pois entendo que merece a divulgação para suscitar o interesse dos portugueses. nomeadamente das gera– ções jovens. a ideia apareceu de forma algo imprecisa na mente de qua– tro pessoas, que depois resolveram unir esforços para a realizar . em 1981, tendo passado à reserva, pensei concretizar um velho sonho meu que era liquidar tudo, arranjar um barco e nele correr o mundo. entre nós isto parece uma ideia peregrina, de mente algo perturbada. é . porém, prática noutros povos mais atirados ao mar e com maior espírito de aventura. tendo lido recentemente o livro «a caravela portuguesa», do comandante quirino da fonseca, e observado atentamente alguns modelos de earavelas existentes no museu de marinha, pensei que seriá interessante tentar a construção de uma pequena caravela e nela afoitar-me no mar com meia dúzia de amigos . desde novo era um admirador das qualidades vélicas das velas de bastardo, de há muito caídas em desuso nas embarcações comerciais pela concorrência do motor e em embarcações de recreio pela dificul– dade de manobra. em aveiro;onde trabalhava, abordei mestre necas mónica sobre as possibilidades de construção de uma caravela de cerca de 20 metros e respectivo orçamento. fiquei desanimado com 11 respostl.l: não só havia dificuldades em encontrar carpinteiros de machado, como a estimativa do custo e manutenção excedia, largamente. as minhas possibilidades. pus a ideia de lado depois de nela ter falado a alguns amigos. nomeadamente aos coman– dantes antónio cardoso e estácio dos reis, do museu de mari– nha. estes , entretanto, tiveram conhecimento que o almirante vasco viegas dedicava os seus ócios ao estudo das caravelas dos desobrimentos , prosseguindo com entusiasmo um trabalho de descodificação e interpretação do traçado descrito no «livro de traças de carpintaria». de manuel fernandes, publicado em 1616. a linguagem empregada por manuel fernandes era algo hermética e extremamente sintética e o trabalho de interpreta– ção do almirante viegas. que lhe permitiu a feitura do antepro– jecto do pl ano geométrico, foi verdadeiramente notável (*1. no museu de marinha soube-se que a república da africa do sul tinha lançado um programa para celebrar , em 1988. a des– coberta do cabo da boa esperança. em que se previa a constru– ção de uma caravela portuguesa da época. achámos, assim, que estariam reunidas as condições para congregarmos esforços no âmbito do grupo de amigos do museu de marinha (gram– ma) e lançarmos um projecto de construção de uma caravela dos descobrimentos. que poderia integrar-se nas comemora– ções da histórica viagem de bartolomeu dias. «ra» - em que consiste , exactamente, o projecto caravela «são cristóvão»? pc - pretende-se que seja, fundamentalmente, um empre– endimento histórico-cultural que responda às muitas dúvidas que ainda subsistem, devido à carêneia de elementos , na área da construção naval da época das descobertas, e bem assim no que respeita ao aparelho e manobra deste tipo de navios. o projecto insere-se assim no campo da arqueologia experi - ( "' ) para dar uma ideia da dificuldade do trahalho de descodificaçâo transcren:mos doli\ 'ro mencionado. o seguinte: regimemo pera 11lia carauela de doze rumos (fl . 24 do respectivo documento ) . tení de pontal dez palmos: terá de coitada a coi/ada noue palmos arepiara ao amado meo de uara: de hoca terá vinte palmos de goa: de delgado de: palmos.:kní a'roda de proa dalto polia esquadria vinte e cin– co palmos. terá de lançamento \'inte palmos: rodarão com vinte e trêz: o gramindo terlí dallo aquilo que acharem no delgado repartindo em seis partes huti será altura do gramindo de popa e repartirão em trez partes illiá pera o ahatimenlo da madeira: terá de codaste vinte e cinco palmos medidos polia esquadria e de lançamento olllo palmos e hum terço de pal– mo e o gio de largo terlí ametade da hoca: as valisas de popa em altura de seis palmos e recolherã hum palmo pera dentro lís ahohedas quanto tiuerem de alto tanto lançartio medido sohre o gio. a sin((l a proa será pregada elll alll/ra de desou((} palmos e na popa por haixo do gio a escoti– lha será ji:ita auame cinco latas do mastro: o porão terá vime palmos de comprido: terá pares na forma galiuarão em·trez hum ponto assentarão a cauemalllestra i/({ quilha no meo dos lançamentos repartirão a madeira que fique a almogamaafastada do couce de proa trez palmos: terá o gra– mindo de proa de goa dalto: a quilha terá dalto hum palmo de goa e de groço um de uara. a popa hum pao. apostarem' 26 paos. cauernas 24. picas pera proa 50. a reheçado 58. pés de carneiro pera porão 12. car/in– ga hlia i. couces dous 2. peças de roda 2. peça de quilha 4. codaste / . porcas 5. os carros de bomhas 2. cio /. sohrequilha 8. dormentes 25. f:nchilllenlos de proa 13. astes pera elles 26. ahita /. aposturas /020. cahrestame /. comradormentes 30. curvas do conues e reues 100. seio todos estes paos de sobre de que faz soma /440. madeira de pinho pera o leme 2. virotes pera popa e proa 93. l.atas e cordas 120. pés de carneiro 64. soma esta madeira de pinho 279 paos. as tahoas para o fundo 16 du – zias. pera (is dragas e coceiras 5 dl/zias. tahoas pera as alcaxas 30 duzias. a se misterdetahoas 5/ dl/zias.  modeto construído pelo operário especial li/ís augusto (esar. -se a estudara aparelho e manohra da cara vela em proieclo. 19</Page><Page Number="130">ental, pois irá permitir responder às hipóteses aventadas pelos investigadores. será, por assim dizer , um laboratório vivo em que as diferentes teori as pode rão ser testadas . deste modo espe– ramos esclarecer definitivamente a polémica existente entre o almirante gago coutinho c o comandante quirino da fonseca, se as vergas trabalhavam por fora ou por dentro das enxárcias c se as caravelas dos descobrimentos viravam, ou não, por da– vante. desde o prime rio momento tem havido o cuidado de registar todos os estudos c notas relativas ao projecto a fim de serem, oportunamente, publicados para benefício dos estudiosos. por outro lado , o projecto pretende relançar um certo espíri– to de aventura nos jovens portugueses. assim , quando em agos– to de 19h7 se der início à reconstituição da viagem de bartolo– meu dias, a realizar tot almente à vela, com chegada ao cabo da boa esperança cm feve reiro de 19hh, pensa-se utilizar , nas su– cessivas tiradas, cm sistema de roulement. tripul ações constituí– das por jovens dos 17 aos 24 anos, rapazes e raparigas . estou convencido que esta experiência virá a constituir re– cordação indelével na vida desses jovens . «ra» - o quc o comandante nos conta é muito .. interessan– te , especialmente a facet a de aventura para os jovens . tudo isto , certamente, envolve grandes trabalhos para a construção da caravela c para a feitura da viagem. como é que o gramma está estruturado para resolver es– tes problemas? que ajudas tem tido? pc - na realidade , o projecto tem-nos dado algum trabalho e pode dizer-se que a procissão ainda vai no adro. contudo , te– mos tido algumas ajudas e apoios. desde que resolvemos me ter mãos à obra, isto é, em meados de 1983 , estabe lecemos um planeamento das diferentes fases . neste momento está em vias de conclusão o projecto - 5." ver– são -no gabinete de estudos do arsenal do alfeite. as madeiras - pinheiro manso das matas de alcácer do sal , pinheiro bravo das da figueira da foz e carvalho das do buçaco , oferecidas pelo ministério da agricultura , e sobro cedido pelo engenheiro agrónomo vaz pinto - estão já cortadas, aguardan– do o transporte em camionetas das forças armadas para o arse– nal do alfeite. espera-se dar início à construção em meados do ano corren– te, pensando-se que a caravela possa ficar pronta em fins de 1986. em 1987 começará um programa de treino de tripulações, para em agosto se dar início à viagem ao cabo da boa espe– rança. no que respeita à organização do projecto, ela compreende comissão executiva, de cinco membros, aque tenho a honra de presidir , a qual coordena o trabalho de várias subcomissões, no– meadamente : construção c armação da caravela, arqueologia c história (que integra docentes da universidade), re lações pú– blicas, administração, logística, operações (recrutamento e selecção , treino , comunicações) , prevendo-se a criação de um secretariado permanente, quando houve r alguém para o efeito. duas vezes por mês há uma reunião no museu de marinha cm que se aprecia o trabalho desenvolvido pelas subcomi ssões e se definem novos objectivos . entretanto, o ministério dos negócios estrangeiros prepara um decreto-lei , a subscrever também pelos ministros da educa– ção , da cu ltura e das finanças , tendo em vista a formação de uma comissão nacional para as comemorações do v centenário da passagem do cabo da boa esperança. está previsto , para efeitos destas comemorações, que o projecto se integre naquel a comissão nacional , vindo a constituir uma subcomissão dela . deste modo , esperamos ver reforçados os apoios de que necessitamos . «ra» - qual o custo da caravela «são cri stóvão»? qual o financiamento previsto para a sua construção e para a viagem ao cabo? pc - bom. não é fácil dize r quanto vai custar a carave la «são cristóvão», pois muitos compont;n tes do custo não serão contabilizados em termos financeiros. e o caso do projecto, são as made iras que foram oferecidas, são os transportes , é a cons– trução que , provavelmente , será efectuada no arsenal do alfei– te , c o aparel ho que se rá fornecido pela fábrica nacional de cordoaria c mont ado com mão-de-obra da escola de marinha– ria . julgo, no ent anto, que o orçamento de um estaleiro particu– lar pa ra a construção da caravela limitado ao casco e apare lho 20 (a caravela não terá motor) deveri a rondar os 30 mil contos . esta importância é bem modesta, comparada com os 300 milhões de pesetas previstas pelo estado espanhol para o programa das co– memorações do v centenário da viagem de colombo, em 1992, com a reprodução das caravelas «pinta» e «nina» e da nau «san– ta maria». o custo da viagem ao cabo será certamente elevado, pois há que contar com os transportes de componentes da tripulação , que serão rendidos nas 4 ou 5 tiradas da viagem. iremos ver se a tap e outras companhias de aviação nos poderão oferecer al– guns lugares , para minimizar os custos. há ainda a prever uma verba importante para a publicação de obras re lacionadas edm o projecto , nomeadamente, estudos, desenhos , construção, aparelho e viagem . para ocorrer a t9das estas despesas, além das ajudas imensas que já tivemos por força de despacho do almirante cema, que considera o projecto do maior interesse, autorizando o arsenal do alfeite a colaborar com o gramma e prometendo o apoio da ma rinha nas dive rsas fases da construção, aparelhamento e utilização da caravela, prevê-se o recurso ao financiamento pro– veniente de parte dos lucros com a emissão de moedas comemo– rativas da efeméride , já proposta ao ministro das finanças . pensamos ainda recorrer a entidades e empresas patrocina– doras, para além das ajudas que pudermos obter com direitos exclusivos de cobertura da viagem por meios de comunicação social, nacionais e estrangeiros, e bem assim pela publicidade. e, certamente, que a futura comissão nacional para as come– morações do v centenário da passagem do cabo da boa espe– r-ªnça disporá de orçamento para ajudar a financiar ... «ra» - como se irá processar o recrutamento e o treino das tripulações? pc - a caravela «são cristóvão» será uma embarcação de 18 metros na quilha e 22 de comprimento de fora a fora . terá 3 mastros, onde armam velas latinas triangulares . para a poder manobrar contaremos com uma tripulação de 18 pessoas , consti– tuindo três turnos: a, b e c. o turno a será o e lemento fixo da tripulação, serão os profissionais por assim dizer; os turnos b e c, cada um com seis e lementos, serão formados por jovens portugueses, de ambos os sexos, dos 17 aos 24 anos , que farão apenas uma tirada da viagem, sendo rendidos por novos elemen– tos que terão seguido de avião para o porto de escala. pensamos dar início este ano ao treino dos e lementos fixos da tripul ação, o qual começará a ser efectuado nas canoas de bastardo «boneca» e «anfitrite». os ensinamentos colhidos se– rão depois aproveitados no aparelhamento e manobra da cara– vela. entretanto, iremos brevemente lançar uma campanha para recrutamento, selecção e treino de jovens candidatos, de forma a podermos aprove itar uns 60 que revelem aptidão especial para a viagem, o que implica algum conhecimento de barcos , profis– sões ou hobby útil a bordo (enfermeiro, carpinteiro , engen heiro e lect rón ico, a rtífi ce, técnico de velas, cozinheiro, pescador , mergulh ador, fotógrafo , etc.) e estejam dispostos a comprar um beliche para a tirada . os profissionais do turno a serão incumbidos da preparação dos jovens que irão constituir os turnos b1, cl , b2, c2 , etc. , conforme orientação da subcomissão de operações . a subcomissão de logística terá a se u cargo o planeamento e execução do abastecimento e do transporte das tripulações nas diferçntes tiradas da viagem . por ora , é tudo o que poderei dizer. os problemas irão , en– tretanto , ser enfrentados à medida que fo rem surgindo , pois é impossível prever tudo de momento . «ra» sem dúvida que são grandes os trabalhos cm que estão envolvidos c a «revista da armada» só deseja que o entusiasmo para levar a cabo tão interessante projecto nunca vos falte . no ent anto, há uma pergunta que, desejamos fazer. a via– gem será exclusivamente à ve la? e as calmarias? e as entradas nos portos? e a segurança? pc - bom . se bartolomeu dias c os seus homens fize ram a viagem à ve la, não vejo razão para que não possamos fazer o mesmo agora que dispomos de muito mais recursos e conheci– mentos. a caravela era um exce lente ve leiro, na opini ão de cada– mosto. sem dúvida que a manobra do velame é algo compli cada ,</Page><Page Number="131">.  mas tudo se aprende. no tempo de bartolomeu dias a manobra nos portos era feita com o recurso do reboque de um escaler a remos . pensamos , por isso , instalar a bordo um escaler de 7 me– tros; esse sim, . equipado com um motor diesel de cerca de 50cv, que poderá ser arriado no' mar para dar um reboque na demanda dum porto ou para atravessar as calmarias equatoriais. de resto, havidas as necessárias precauções e preparação, seja o que deus quise.r. margem de risco haverá sempre , com certeza , mas penso que ele é bem menor que viajar nas estradas portug.uesas ... no que respeita ª segurança, certamente que não facilitare– mos , dispondo de jangadas modernas e bem ássim de equipa– mento rádio alimentado por bateri as, sendo estas carregadas por células solares. «ra» - comandante, a entrevista já vai longa. muito mais haveria a dizer , mas isso ficará para outra ocasião. muito obriga– do em nome dos nossos leitores.  ii li as novas emissões de selos portugueses uniformes militares portugue– ses - exército - desde 1983 que os ctt vêm emitindo, uma vez por ano, selos que ilustram a evolução dos uniformes militares em portugal. tais emissões, com quatro taxas por cada ramo das forças armadas, re– produzem também, em segundo pia– no, outros elementos com carácter militar que dão aos selos maiores possibilidades na coleccionaão. a primeira srie emitida, dedica– da à marinha, apresenta quatro as– pectos dos seus uniformes, com ou– tros tantos navios de guerra, en– quanto a segunda refere, de igual modo, a força aérea. - - foi agora a vez do exército, cor-poração que passou, em termos de uniformes e meios bélicos, desde o século xvii aos nossos dias, por mo– dificações como as que se verificam nos selos, que reproduzimos: um selo da taxa de 2000, com um granadeiro de infantaria, de 1740, tendo como fundo a formação dum regimento da época; um selo da taxa de 4600, com um oficial do regimento de cavala– ria, de 1910, tendo como fundo um pormenor duma carga de cavalaria; um selo da taxa de 6000, com um cabo condutor de artilharia, de 8. ; . ..,; 01 l 2fh.'y'i 1892, tendo em segundo plano uma peça krupp, de 9mm, e a respectiva guarnição; um selo da taxa de 10000, com um soldado de engenharia, de 1985, tendo como fundo uma viatura blin– dada para lançamento de pontes. o carimbo de 1."' dia de circula– ção é tão semelhante ao selo de 4600 que valoriza muito pouco as peças que o receberam. se a estas emissões juntarmos os selos, bem como as resultantes peças filatélicas, dos chamados uni– formes das províncias ultramarinas portuguesas, ficamos em condições de iniciar um tema de uniformes, po– dendo mesmo fazer um trabalho mais amplo sobre as forças arma– das. consultando um catálogo inter– nacional de selos, encontraremos suficiente material para que b arranjo tenha a indispensável expressão universal. insectos dos açores (2. 0 gru– po) - foi já dito nesta secção, na al– tura da emissão da primeira série, que há cerca de 1400 espécies de in– sectos nas ilhas daquela região au– tónoma. foi então dito também, que apenas uma pequena parte é conhe– cida do grande público, pelo que se torna interessante um tal estudo. o primeiro grupo, emitido em 1984, re– fere quatro desses pequenos ani– mais, e o segundo, posto em circula– ção a 13 de fevereiro findo, trata ou– tras tantas espécies, distribuídas como a seguir se indica: um selo da taxa de 2000, com um besoiro, o po/yspilla polyspllla, da ordem dos co/eóptjros e da famí– lia chrisomelidas. de origem ameri– cana, é um devorador de .plantas; preferindo o marmeleiro e a roseira; um selo da taxa de 4000, com uma mosca de duas longas asas, a sphaerophria, da ordem dos dípte– ros e da família syrphidae. alimenta– -se de flores e-distribui-se por todo o arquipélago; um selo da taxa de 4600, com uma borboleta, a cofias croceus, da ordem dos lepidópteros e da família pieridae. é uma espécie migradora, muito encontrada na europa e no norte de áfrica, procurando lugares de abundante pastagem; um selo da taxade 6000, com uma borboleta, a hipparchia azorina, da ordem dos lepidópteros e da fa– mília satyridae. também aqui o carimbo de 1. dia de circulação, porque o desenho é igual a um dos selos da emissão, não dá um grande contributo a qual– quer trabalho filatélico. m. curado, is nnnn"""'nn-nn"nn sj 1. o -fen. sg 21</Page><Page Number="132">rdem da torre e espada para os «fuzos» 24 de feverei ro de 1985 . era .um do– mingo cinzento, embora de temperatura amena. em vale de zebro, na escola de fuzileiros. aguardava-se a chegada do presidente da repúbl iea que virias con– decorar o estandarte do comando do corpo de fuzileiros com a ordem militar da torre e espada , do valor , lealdade e mérito, concedida por sua iniciativa ao sucessor do «mais antigo corpo mi litar de cará.cter permanente no nosso país». a entrada , o general ramalho eanes era aguardado pelos ministro da defesa nacional. dr. rui machete (que cumpriu' o serviço militar na marinha como oficial da reserva naval) , general lemos fer– reira , chefe do estado-maior-general das forças armadas, almirante sousa leitão, chefe do estado-maior da armada, capi– tão-de-mar-e-guerra fz oliveira montei– ro , comandante do corpo de fuzileiros, e capitão-de-fragata fz carreiro e silva , comandante da escola de fuzileiros. na parada da escola, cerca de 1500 «fuzos» aguardavam o início da cerimó– nia. após ii chegada , o presidente da re– pública , já no interior da unidade , foi de– por uma coroa de flores no monumento aos fuzileiros mortos em campanha - era a homenagem da nação aos seus mili– tares caídos no cumprimento do dever e que deram a vida abnegadamente no exercício das suas missões - enquanto a fanfarra executava os toques de «silê n– cio» e de «homenagem a mortos em defe– sa da pátria». no local viam-se sargentos dos antigos destacamentos e c9mpa– nhias, envolvidos nas guerras de africa, empunhando os velhos guiões dessas uni– dades. do outro lado, os convidados - altas entidades da armada, sargentos e praças condecorados por feitos em com– bate. alguns já na reserva ou reforma– recolhiam-se comovidamente perante a memória dos camaradas desaparecidos, recordando amizades cimentadas nos ris– cos dos combates e que a morte abrupta– mente desfez. seguiu-se o acto solene da imposição da condecoração. e após o general rama– lho eanes ter recebido a continência das forças em parada. comandadas pelo capi– tão-de-fragata fz almeida viegas . o al– mirante cema, na sua alocução alusiva ao momento. disse: fuzileiros o corpo de fuzileiros da armada está hoje aqui em parada. com a totalidade dos seus efectivos disponíveis, para ser parte da cerimónia de condecoração do seu es– tandarte com a ordem da torre e espada , 22 reportagem homenagem aos mor ios em campanha. que sua excelência o presidente da repú– blica recentemente nos deu a grande honra de lhe conceder. não vou tentar nesta alocução narrar a história dos fuzileiros, pois é breve o tem– po que me proponho usar e é conhecida e extensa a relação dos feitos valorosos que, individual e colectivamente, os fuzileiros da armadapraticaram nos três teatros da guerra em africa entre /96/ e /974. usando frases do comandante dos fu – zileiros, recordarei, para motivação e compreensível orgulho dos mais novos, a dura preparação a que os fuzileiros de en– tão eram sujeitos, o embarque incómodo nos navios e lanchas que os apoiavam nas operações, o engenho e o esforço dispen– dido na construção e defesa dos aquartela– mentos, as emboscadas no mato, no tarra– fo e nas muílas, o pisar duvidoso das mar– gens dos mucurros e dos trilhos, minados, as longas patrulhas sob sol escaldante ou debaixo de chuvas torrenciais, os súbitos silêncios na mata, a semação do perigo em cada rufo e detrás de cada pedra, e, sobre– tudo. as acções de fogo, e muitas foram , em que na hora da verdade vinha ao cimo a extraordinária preparação para esse mo– memo. recordarei, com emoção, como sei que muitos de vós sentis, os que morreram em campanha e que temos homenageado, como há pouco, sempre que a ocasião se preste. a marinha e os seus fuzileiros têm orgulho nos seus heróis, e muitos o foram pela suprema dádiva da sua vida em com– bate. a ordem da torre e espada, a mais alta condecoração portuguesa, que sua excelência o presideme da república vai em breve impor ao estandarte do corpo de fuzileiros da armada, demonstra-vos que a pátria, na pessoa do seu primeiro repre– sentante não esquece e honra os seus he– róis, num imperativo de gratidão que deri– va da sua identidade e é projecção no fu– turo. . aproveitarei a ocasião para relembrar algumas datas, as mais significativas do re– cente historial dos fllzileiros cujas raízes remontam ao século xvii quando se tor– nou nítida a distinção a bordo entre o pes– soal de manobra e o pessoal de combate, entre o qual o destinado à abordagem e de– sembarque: em 24 de fevereiro de 61 é criada a classe de sargentos e praças fuzileiros - faz hoje, portanto, 24 anos: em 3 de junho de 6/ é criada a escola de fuzileiros; em 10 de novembro de 61 desembarca em an– gola o destacamento n." / de fuzileiros especiais; em 6 de junho de 62 desembar– ca na guiné o destacamento n. "2 de fuzi– leiros especiais; em 29 de outubro de 62 chega a moçambique a companhia n."2 de fuzileiros; em /4 de fevereiro de 68 é a i'ez de chegarem a cabo verde os fllzilei– ros, constiruindo um pelotâo; em 5 de jii– nho de 68 é criada a classe de fuzileiros no quadro do acti vo dos ojlciais da armada: em 29 de ourubro de 69 é criada a força de fuzileiros do continente: em 24 de ju– nho de 74 é criado o comando do corpo de fuzileiros, e em /6 de abril de 75 sâo criados os batalhões de fuzileiros; em 3 de novembro de 78 são transferidos para () estandarte da força de fuzileiros do con– tinente (is condecorações colectivas dos destacamemos de fuzileiros especiais - três cruzes de guerra colectivas com que haviam sido distinguidos o dfe 5, em moçambique , e os dfe 7 e dfe 8, na guiné: em 28 de jllnho de 79 seio criadas as unidades de apoio de fogos. de meios</Page><Page Number="133">quáticos e de transportes tácticos; em 30 de jlllho de 79, nesta mesma unidade, em cerimónia presidida pelo senhor presi– dente da república, foi inaugurado o mo– mlmento aos fuzileiros mortos em cam– panha, cujo significado numa escola de formação de militares me dispenso expli– car. ainda na mesma linha de expressão, recordarei que ao longo dos 14 anos em que os fuzilejros navais estiveram empe– nhados em africa, prestaram serviço: em angola, 17 destacamentos especiais e 19 companhias de fuzileiros, num total de 4210 homens. na guiné, 30 destacamen– tos especiais e 12 companhias de fuzilei– ros, num total de 4200 homens. em mo– çambique, /9 destacamelllos especiais e /2 companhias de fuzileiros, nllm total de 3320 homens. em cabo verde, 15 pelo– tões independentes num total de 525 ho– mens - 011 seja, no sell total, /24l1nidades envolvendo 12255 homem. nesse período de guerra foram atribuí– das as segllillles condecorações indivi– dilais lias oficiais, sargentos e praças, em serviço nas iinidades de fllzileiros: ordem da torre e espada, 4: medalha militar de valor militar, 7; cruz de guerra, /33. terminada a gllerra em áfrica, na se– qllência da revolução de 25 de abril de /974, foram recolhendo ao continente os destacamentos e companhias espalhadas pelos vários teatros de operações, sendo dimensionado e estruturado o corpo de fllzileiros para os novos cenários em que portugal doravante se passou a integrar. a localização e configuração do terri– tório nacional.obriga a prever operações, em caso de conflito armado, de natweza anfibia, consistindo no assalto ou defesa de pontos vitais situados na sua orla marí-tima e no apoio a operações mais vastas envolvendo forças terrestres e aéreas. em períodos de guerra, de crise e ain– da em caso de catástrofe, a movimentação de pessoal e de material fora d..as áreas por– tuárias e das praias abrigadas, implica a existência de embarcações apropriadas e de pessoal altamente treinado de forma a garantir a prontidão e eficácia requeridos, e ainda a segurança das pessoas e meios transportados. a organização actual do corpo de fu– zileiros da armada assenta, portanto, numa dupla perspectiva: em tempo de paz, além do duro e con– tinuado adestramento, o seu emprego em missões de serviço público, como é exem– plo o apoio a populações atingidas pelas cheias dos rios. constitui, aliás, vocação da marinha a sua utilização em vários ti– pos de missões de serviço público; em tempo de guerra, o seu emprego em acções de combate, isoladamente ou em conjllnto com iinidades do exército e da força aérea, num contexto marcada– mente de força de-intervenção. fllzileiros a evocação dos factos que construíram a história é um dever que a todos nos com– pete, para vincular às gerações actuais e vindouras a honrosa herança que recebe– mos. como força armada ao serviço de por– tugal. a marinha está preparada para cum– prir as suas responsabilidades num qua– dro de gloriosas tradições militares que vem de muito longe, e que os fuzileiros, hoje homenageados, ajudaram a preen– cher. (colahoração do cap. -trago sef salgado soares) momento em que o presidente da república condecora o estandarte do corpo de fuzileiros com a ordem da torre e espada. •••••••••••••••••••• 23</Page><Page Number="134">ncontro dos «filhos da escola» dos eua a associação de marinheiros da ar– mada portuguesa nos eua promoveu , recentemente, a sua festa de 1984, nas instalações do clube português de water– bury. estiveram presentes o mayor de wa– terbury, eduard bergin jr., o adido naval em washington, capitão-de-mar-e-guerra m,\lheiro garcia, c os cônsul c vice-côn– sul de portugal cm connecticut, dr. sea– bra da veiga c manuel fonseca , respecti– vamente, que foram saudados pelo presi– dente da associação , carlos costa. o encontro , que foi orientado por fernando rosa , proporcionou um anima– do convívio a cerca de 300 pessoas - 150 dos quais eram antigos marinheiros - e constou de um jantar c de uma sessão de fados apresentada por dinis paiva; teve também a presença , entre outros, dos ca– pirão-dc-mar-c-guerra pité trabucho e capitão-tenente abrantes lopes , a fre– quentarem cursos nos naval command college c naval staff college , respectiva-mente , os dirigentes da associação luís j: alves , ca rlos borges, manuel grova e alvaro cândido c o presidente do c. p. waterbury, manuel marques. o convívio de 1985 foi marcado para o dia 12 de outubro, em hartford (vide secção «voz da abita») . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• actividades de unidades do cnc no mês de janeiro findo, unidades na– vais em patrulha nas águas sob jurisdição portuguesa, da responsabilidade do co– mando naval do continente (cnc) , pro– cederam à identificação de 185 embarca– ções, vistoriando 117, de que resultou o apresamento de 37 por pesca em área proibida, uso/posse de artes ilegais ou do– cumentação irregular. em consequência, foram apreendidos 5240 kg de peixe e ma– risco diversos, cujo valor da venda rever- . teu a favor do estado. no mesmo período, da actuação no que respeita à salvaguarda da vida huma– na no mar, repressão de contrabando e outras actividades , é de destacar saídas de emergência de diversas unidades para acorrer a navios e embarcações em peri– go, aos quais prestaram a assistênci a re– querida ou apoio próximo; controlo dos esquemas de seperação de tráfego nas berlengas e nos cabos da roca e de s. vi– cente . também , equipas de mergulhado– res efectuaram várias missões de que se realça a vistoria ao casco e à zona de enca– lhe do n/m «bora isik» e a participação de 25 elementos na operação «awk– wards», no âmbito do exercício «po– -works ups». ainda naquele mês, as instalações do cnc e da base naval de lisboa, no alfei– te, e unidades navais aqui estacionadas , foram visitadas por cerca de 160 alunos de diversas escolas . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• jantar de convívio do 7. cforn no passado dia 15 de janeiro, na es– cola naval, no alfeite, cerca de três deze-nas de oficiais da reserva naval que fre – quentaram o 7." curso de formação de oficiais da reserva naval , reuniram-se num jantar de convívio. foram recorda– dos pelos presentes inúmeros episódios ocorridos durante o curso e nas comissões efectuadas em áfrica, tendo o comandan– te da escola , que presidiu ao jantar, agra– decido o terem aceitado o convite e mani– festado a sua satisfação por constatar que, passados duas décadas , se mantinham en– tre todos os laços de amizade nascidos no tempo passsado na marinha . em nome dos convidados, o antigo aluno e actual ministro ' dr. ernâni lopes salientou que todos sentiam um grande prazer em estar ali presentes, agradeceu , ao contra– -almirante fuzeta da ponte, em seu nome pessoal e no de todos os ex-alunos presen– tes , o ter-lhes proporcionado tão agradá– vel convívio e terminou desejando as maiores prosperidades para a escola na– val e para a marinha .</Page><Page Number="135">lm. silva horta condecorado numa cerimónia realizada no seu ga– binete, no dia i de fevereiro findo, o al mirante sousa leitão, chefe do estado– -maior da armada, condecorou com a me– dalha naval de vasco da gama o viceal­ mirante silva horta, que actualmente de– sempenha as funções de chefe da casa militar do presidente da república. num breve improviso , o almirante cema referiu que grande parte da longa carreira naval do almirante silva horta foi passada no mar, com mais de sete anos .no comando de unidades navais , d!! que se destaca o comando que exerceu nos dois navios-escola «sagres», onde foi bem o exemplo do verdadeiro marinheiro . a medalha de vasco da gama é con– cedida a nacionais c estrangeiros que no mar tenham praticado actos meritórios ou prestado relevantes serviços ou tenham contribuído, de maneira saliente, para a eficiência, desenvolvimento ou prestígio das marinhas de portugal. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• o recrutamento de 1945 confraternizou ambos sadios e eseorreitos, a mari– nha os escolheu para a servirem, no ano distante de 1945. calhou-lhes um número de alistamento próximo um do outro, c os beliches que ocuparam na 3." caserna, du– rante a recruta, muito chegados também. nunca se tinham visto , mas esta vizi– nhança de número c beliche fez deles ami– gos íntimos. chegaram até, naquela altu– ra , a ser colegas de namoro de duas sopei– ras que serviamem lisboa, no mesmo pa– lacete, ali para b príncipe real. terminada a recruta , o inácio desta– cou para o posto radiotelegráfico do sa– mouco, no montijo, c o samúdio para o corpo de marinheiros. no alfeite. sepa– rados, a última vez que se encontraram foi pelo santo antónio desse ano, num bailarico na praça da figueira . pouco mais tinham que dois anos da «briosa», e coube-lhes a oportunidade de voltarem à vida civil. assim fizeram. o inácio regressou ao seu tear , numa fábri– ca de lanifícios na covilhã. o samúdio ru– mou à sua terra, vila real de santo antó– nio, especializando-se em piloto da barra . nunca mais souberam um do outro, mas a amizade franca entre eles criada não es– moreceu. no passado dia 9 de fevereiro , para comemorar o 40." aniversário da sua in-corporação na armada como recrutas , se juntaram na costa de caparica, uma cen– tena desses moços , com a companhia de muitos familiares, do já longínquo ano de 1945 . entre eles estava osamúdio, já ha– bituai nestas reuniões . alertado pelo anúncio da nossa revista , compareceu pela primeira vez , o inácio. fomos encontrá-los , estreitados por um abraço longo , mudo , sincero. do iná– cio, mais sensível a estas alegrias, corriam cara abaixo, devagarinho, duas lágrimas de comoção. já não se reconheciam , ha– via entre ambos uma separação de quase 40 anos , mas camarada informado os le– vou àquele abraço cordial. durante o almoço-convívio , muito animado, com a presença de «filhos da es– cola» de vários pontos do país , ouviu-se mais uma vez, o samúdio lembrar ao iná– cio , o gostoso dos lanches papados pelas tardes de domingo, no jardim zoológico, às sopeiras do palacete do príncipe real. a ti, gloriosa marinha, responsável por estes episódios enternecedores, pedi– mos que aceites a nossa singela venera– ção, já que muito contribuiste para a fei– tura de homens deste jaez. (colahoraçãodo i .o- iell. sg pedrosa de carvalho) 25</Page><Page Number="136">ovos marinheiros juraram bandeira com a presença de diversas entidade civis c militares e de muitos familiares dos novos marinheiros, realizou-se no grupo n. " i de escolas da armada, em vila franca de xira, no dia 8 de fevereiro pa - sado, o juramento de bandeira dos 800 re– crutas da 3." incorporação de 1984. o acto foi presidido pelo superintendente do serviços do pessoal da armada , vice-al– mirante rebelo da silva . a cerimónia, além da imposição de condecorações a vários militares da ar– mada, constou de uma exortação aos re– crutas , leitura dos deveres militares e da fórmula do j uramento, desfile do bata– lhão escolar c demonstrações de «ordem unida» e educação física. foram também distribuídos os prémios escolares aos 2. "_ -gr. reco 372384 , ferreira (prémio «apru– mo militar») e 2. 0 -gr. reco 315084 , almei– da (prémio «educação física») . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• exposição fotográfica foi inaugurada no dia 12 de feverei– ro, na escola naval, uma exposição foto– gráfica realizada pelos cadetes pertencen– tes ao actual 2. ano e subordinada ao tema «embarques do curso'almirante marquês de nisa' no ano lectivo de 83/ /84». a exposição agora patente tem como objectivo ilustrar a história de um curso durante o seu primeiro ano de escola, através dos acontecimentos que mais o marcaram: os embarques. refere-se esta exposição à viagem de .adaptação efectuada em outubro de 1983 nas corvetas «baptista de andrade» e joão roby», ao cruzeiro da páscoa de 1984 a bordo do draga-minas «ribeira grande» e à viagem de instrução em ju– lho e agosto nas corvetas joão roby» e «honório barreto» . ..  ........  .......................................... ........ 26 exercício contex 851 na manhã de 15 de fevereiro regres– saram à base naval, no alfeite , as unida– des navais que haviam largado para o mar no dia 4 para participarem no exercício contex 851, que decorreu ao largo da costa oeste do continente. foram duas semanas no mar, com mau tempo c vagas de 9 a 10 metros, em que as guarnições dos navios foram capazes de desempe– nhar as tarefas atribuídas. as operações decorreram sob o co– mando do eapitão-de-mar-e-guerra go– mes teixeira, embarcado na «coman– dante hermenegildo capelo». além des– ta fragata, intervieram também as «almi– rante magalhães corrêa» e «comandante joão belo», as corvetas «baptista de an– drade», «afonso cerqueira» e joão roby» , os draga-minas «ribeira grande» e «rosário», o submarino «albacora», o navio reabasteeedor de esquadra «são gabriel» e uma equipa de mergulhado– res, envolvendo cerca de 1200 homens. o contex 851 compreendeu activi– dades no âmbito das lutas anti -submari– na , de superfície e antiaérea, exercícios .de reabastecimento no mar , operações de contramedidas de minas, limitação de avarias, comunicações e guerra electró– nica, visando preparar as unidades e pes– soal para enfrentar situações de multi– ameaça. também foi realizado. 'pela pri– meira vez, um exercício em que foi simu– lado o impedimento de dois grandes na– vios que passariam contrabando no mar , a sua entrada em portos nacionais, res– pectiva captura e formação de uma força de busca nas águas territoriais. a nossa força naval teve aillda ocasião de testar todas as suas capacidades com os meios •</Page><Page Number="137">sofisticados de oito unidades navais-da o contex851 decorreu debdixo'de mau tem– marinha holandesa e dos aviões da fran po e em mar cqm vagas de 9 a-10metros (a fra– ça, estados unidos da américa, alema-gata " comandante hermenegildo capelo» - nha federal e da nossa força aérea. foto de arquivo). este exercício realizou-se dentro da programação operacional do comando naval do continente, e teve como objec– tivo principal incrementar o estado de adestramento das unidades navais. cons– tou, basicamente, dum extenso programa de operações pré-estudadas e de outras do tipo free -play, de complexidade cres– cente, cuja programação atendeu ao está– dio de prontidão já atingido, e em que se procurou maximizar as oportunidades de· treino oferecidas pela prese1)ça de meios aéreos e submarinos, obedecendo, no en– t;mto, a uma política de compreensão de despesas em que foi tido em conta a ne– cessidade de restringir o consumo de combustível quando do cálculo das velo– cidades a utilizar. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• congressista norte-americano na «sagres» o congressista norte-americano tony coelho , que veio a portugal a convite do presidente da assembleia da república, deslocou-se , no dia .15 de fevereiro , à base naval de lisboa, no alfeite, a fim de visitar o navio-escola «sagres» , onde foi recebido pelos almirante sousa lei– tão, chefe do estado-maior da armada, e vice-almirante cardoso tavares, co– mandante naval do continente . •••••••••••••••••••• 27</Page><Page Number="138">nauguração da exposição na casa da balança. a armada pioneira da tsf em portugal foi no dia 16 de fevereiro de 1910 que foi montada a primeira estação radiotele– gráfica em portugal. foi instalada na casa da balança, no edifício do ex-minis– tério da marinha, e durante muitos anos fez o serviço público com navios ao largo da costa portuguesa. face à importância do acontecimento, a armada comemorou os 75 anos daquela data com diversos actos em que foram postos em evidência os sectores histórico, técnico, militar e cultural do facto, de que destacamos : . no dia 15, no instituto de defesa na– cional, o vice-almirante moura da fonse– ca (que presidiu à comissão comemorati- . va do evento) proferiu uma conferência subordinada ao título «as comunicações e o 75. 0 aniversário da tsf na armada»; no dia 20, a inauguração da exposição na casa da balança , que compreendia os te– mas: «estação radiotelegráfica do cru– zador s. gabriel (11 -12-1909», «o posto radiotelegráfico da casa da balança (16-2-1910» e «a evolução das radioco– municações da armada de 1909 a 1984». estes actos foram presididos pelo almi– rante sousa leitão, chefe do estado– -maior da armada, e a eles estiveram pre– sentes, entre outras altas individualida– des, os secretários de estado da defesa nacional e das comunicações, dr. figuei– redo lopes e eng. o raul junqueiro, res– pectivamente . foi também cunhada uma medalha para assinalar a efeméride . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 28 o museu de marinha expõe peças de artilharia depois de cumprirem o serviço na ar– mada durante muitos anos, e com várias comissões de serviço no ultramar , as fra– gatas da classe «diogo cão» e «álvares cabral» foram desarmadas e abatidas. por diligências do museu de marinha, o arsenal do alfeite procedeu à recupe– ração de uma peça de 127 mm , com o peso de 20 toneladas, e de outra binada de 101 mm, com 16 toneladas, que pertence– ram a unidades daquelas classes, e que se encontravam no depósito de inúteis já em mau estado . estas peças , cuidadosamente restau– radas para serem expostas ao público no exterior do museu, foram transportadas •</Page><Page Number="139">s peças de artilharia expostas agora no museu de marinha (foto de reinaldo carvalho). do alfeite para belém, nos dias 6 e 7 de fevereiro último, utilizando uma grua e um atrelado para cargas pesadas , da força aérea , e com a colaboração de batedores de trânsito da gnr. esta operação, a car– go da dirccção dc armamento do arse– nal, não foi fácil dado o peso das peças , por ter sido feita sempre debaixo de chuva e por se ter prolongado durante a noite . . como nota histórica , acrescentamos que as fragatas «diogo cão» e «corte real» foram construídas nos eua (ne– wark) , em 1944, para a marinha america– na com o nomes «farmoe» e «mc coy reynolds», respectivamente . desloca– vam 2100 toneladas e tinham 93 ,30m de comprimento . com uma potência de má– quinas de 12000cv, podiam dar 24 nós. o armamento era de duas peças de 127mm, dez de 40mm , dois ouriços, oito morteiros e duas calhas . a guarnição era de ii oficiais e 189 sargentos e praças . em 1957 foram cedidas a portugal ao abrigo do programa de assistência militar, sen– do ministro da marinha o almirante amé· rico thomaz. as fragatas «álvares cabral» , «pa– checo pereira», «vasco da gama» e «o . francisco de almeida» foram adqui– ridas à armada britânica , as duas primei– ras em 1959 e as últimas em 1961. origi– nalmente tinha os nomes de «burghead bay», «bigbury bay», «mounts bay» e «morecambe bay», repectivamente . deslocavam 2580 toneladas e tinham 93 ,70m de comprimento . as suas máqui– nas tinham uma potênci'a de 5500cv, que desenvolviam 19 nós. quatro peças de 101 em reparos binados e seis de 40mm , um ouriço , quatro morteiros e duas calhas constituíam o seu armamento. quando da sua aquisição era ministro da marinha o vice-almirante quintanilha mendonça dias . (colaboráção do museu di! marinha) •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 29</Page><Page Number="140">isitou a revista aqui têm o. alexandre miguel, filho. do. mar. tfd dias co.sta e da funcio.nária da f. n. co.rdo.aria (supermercado. da junqueira) maria irene , que veio. visitar a ra» no. último. carnaval , o.rgulho.so. na sua impecável farda de cabo. de mano.bra (um futuro. «ezi nho.s»? quem sabe ... ) . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 30 cumprimentos ao almirante cema o almirante so.usa leitão., chefe do. co.mandante das operações de minas e estado.-maio.r da armada, recebeu no. co.ntra-medidas da marinha do.s eua , seu gabinete, no. dia 21 de fevereiro., em quese deslo.co.u a lisbo.a para tratar de as– visita de apresentação. de cumprimento.s, !unto.s relacio.nado.s co.m a ajuda militar o. co.ntra-almirante david w. co.ckfield, do. seu país a po.rtugal. •</Page><Page Number="141">eunião da fmac teve lugar em lisboa, nas instalações da fundação calouste gulbenkian, de 24 a 27 do passado mês de fevereiro, a 11. ' reunião da comissão permanente dos assuntos europeus da federação mun– dial dos antigos combatentes (fmac) , organizada pela associação dos deficien– tesdas forças armadas (adfa) . a reunião iniciou-se por uma sessão solene presidida pelo secretário de esta– do da defesa nacional, dr. figueiredo lopes, que se encontrava rodeado na mesa por elementos da comissão perma– nente e pelo presidente da adfa. entre a assistência, além dos congres– sistas, encontravam-se elementos dos três ramos das forças armadas e represen– tantes diplomáticos de vários países; a «revista da armada» fez-se representar pelo seu director. o presidente da comissão permanen– te abriu a sessão saudando a assistência e congratulando-se pela realização desta reunião em portugal após o que deu a pa– lavra a mário dias que leu uma mensa– gem do presidente da república, general ramalho eanes. o presidente da comissão permanen– te retomou a palavra lembrando a recente formação da adfa que felicitou pela realização desta 11. a reunião e deu a pa– lavra ao seu presidente, capitão manuel lopes dias. falaram ainda o secretário nacional de reabilitação, o representante do pre– sidente da câmara municipal de lisboa, o secretário-geral da fmac e, finalmen– te , o secretário de estado da defesa na– cional. seguidamente, o presidente da co– missão permanente agradeceu a presença daquele membro do governo e encerrou a sessão. a fmac é uma organização altamen-te prestigiosa a nível mundial, pelo papel desempenhado ao longo dos seus·trinta e cinco anos de actividade, congregando mais de vinte milhões de antigos comba– tentes e vítimas de guerra de 54 países. •••••••••••••••••••• terminologia naval • pavimento - cobertura ou chão de cada um dos andares do navio; recebe o nome de «convés» quando se trata do pavimento superior e corre da popa à proa; os pavimentos inferiores designam-se por «cobertas». por cima do convés pode existir um outro pavimento mais ligeiro, geralmente incompleto, que se chama «tombadilho», excepto à proa onde tem sempre o nome de «castelo». nos navios de guerra, a parte de ré do con– vés designa-se por «tolda». • pé - parte inferior de uma antena, pau, ou qualquer outro objecto colocado em posição vertical ou aproxi– mada. • (bate) pé - voz de comando outrora usada para o pessoal bater compassadamente os pés no chão, ao rit– mo dos esforços de içar de leva-arriba qualquer objecto, de modo a resultar melhor conjugada esta operação. • (de bom) pé - diz-se de um navio ou embarcação que tem bom andamento, é ligeiro. • pear - prender com peias. tio 15-pédecarneiro • pé de carneiro - coluna vertical entre os vaus de dois pavimentos para os consolidar; pequeno pau que, assentando na sobrequilha das embarcações miú– das, serve de escora às bancadas. • pé de galinha - conjunto de duas, três ou mais pernadas do chicote de um cabo, orientadas e utilizadas em direcções divergentes. é usado normalmente nas ca– beceiras das macas, toldos, capas de escotilhas, etc. • pé de galo - manobra de arriar um segundo ferro, deixando-o apenas a tocar o fundo, de modo a poder ser utilizado como substituição, em caso de perda do pri– meiro. ." .' .' .- ...  ...  • pé de vento - lufada de vento forte, inespérada e de curta duração. • pé morto - altura medida entre a face superior da quilha e a tangente ao arco pela ponta da caverna. s. elpídio, cap.-m.-g. an •••••••••••••••••••••••••••••• 31</Page><Page Number="142">cantinho charadístico ainda no âmbito das charadas dor/etras, vamos tratar de uma espé– cie de charadas um pouco complexa, mas compreensiva. a charada me– tagrama. escolhida a palavra que nos convém, de modo geral com 3 a 5 letras, opera-se a substituição de todas as letras, consecutivamente, de modo a formar novas palavras. optemos pela palavra pasto. façamos uma sucessão de palavras com a substituição de cada uma das letras desta palavra, assim: pasto, fasto, posto, parto, passo, pasta. procurando no dicionário os respec– tivos sinónimos que nos convenham para formar uma frase, tanto quanto possível perfeita, obtemos: o objec– to que faz o homem feliz é a mira de um invento que lhe indique o cami– nho fácil do dinheiro. 5,6 . a numeração 5,6 quer dizer que a palavra tem 5 letras e nos dá 6 ter– mos no total. 32 exercícios : 1) é qualidade do homem ínte– gro manter-se calado quan– do contra sua vontade tem de ouvir uma má canção. 4,5. 2) o demónio com o seu arpão é o exemplo da destruição. 2-2 (adie.). 3) ostentação por despeito, cérebro com defeito. 3-2. (afer.) . 4) se um dito picante o ferir como espinho, torça cami– nho. 4-3 (apoc.). 5) o avaremo usa de falsidade de modo discreto. (em ter– no). 6) grande é a maldade e baixo o pudor do homem enreda– dor. 2-2 (encad.) . 7) contenda que leva ao pran– to, decerto que produz que branto. 7 (-2,3,5,) 4. 8) alcoviteira cheia de manha, só usa de patranha. 4 (4)5. 9) mania que muitos irnportu-na, é dos outros a fortuna. 2- -3 (epent.). 10) o amigo falso é como o di– nheiro, só estão ao nosso lado na fortuna. 2-2 (3) (ha– plol.). 11) em volta de uma mulher existe sempre o queixume do galanteador. 2-2 (interc.). 12) rapariga em que o amor é vão, só se serve da traição. 4 (3) (metam.). 13) reprime maus pensamen– tos em sua mente, o homem que é decente. 3-4 (parag.) . 14) façanha que cause alegria não é obra de bruxaria. 2-3 (prot.). 15) enfeite de roupa em determi– nado momento é sinal de nascimento. 3-2 (sine.). 16) desanca a mulher com a be– bedeira, porque é seu fado , todo o homem mal-marida– do. 2-2 (sint.). mindogues •••••••••••••••••••• * xadrez final artístico composto por armando ro– mão (feijó), em 1984, e agora publicado pela primeira vez na " revista da armada ". as brancas jogam e empatam. tempo médio de resolução : 1.as categorias: 55 minutos 2.as categorias : 1h 25m 3."s categorias : 1h 58m iniciados: 2h 20m * palavras cruzadas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 ii------ ii------ ii------ ii------ horizontais: 1 - ave palmí– pede larida; coluna de guerreiros. 2 - subir ; variedade de uva muito doce. 3 - conjunto de vinte mãos de papel ou cem cadernos ; prego de fer– radura. 4 - porco; desarranjo men– tal (inv.). 5 - o que está no lugar mais íntimo ; percentagem. 6 - laço apertado ; superfície inferior do pão ; símbolo químico do plutónio. 7 - ar– madilhas para pássaros; categoria. 8 - gracejas ; nota musical. 9 - pe– ríodo ; acanhado (fig . ). 10- arvore– do; atalho através de campos (prov.). 11 - planta medicinal ; repreensão (fig .). verticais: 1 - ave marítima; ave pernalta. 2 - levante ; residiras . 3 - pista; prende. 4 - arméu ; des– cobrir ; sopro. 5 - nome de flor. 6-carta de jogar ; semblante. 7 - he– roína francesa (inv.); abrev. por que era designada a especialidade de ar– tilheiro (na marinha) . 8 - muro das antigas fortificações; terreiro em frente ou à volta da igreja. 9 - mamí– fero plantígrado carniceiro da améri– ca; primeira parte da palavra com– posta que designa o rumo situado entre o oeste e o noroeste. 10- bai– xio (inv.); objectar ; o mesmo que está ou até . 11 - impulso ; doutor da lei , teólogo muçulmano. marconipto •••••••••••••••••••• •</Page><Page Number="143">cruzada em triângulo 12345678 1 2 3 4 5 6 7 8 11 ir r t--t---i---t--t---t-----r i i-----1l--1 i-------lr ii j horizontaisverticais 1 - peça de transportar cabos a bordo. 2 - pequeno barco que leva água aos navios. 3 - as pernas (pop.). 4 - seguras pela gola do ca– saco. 5 - distribuis em lotes . 6 - casta inferior dos japoneses. 7 - réguas em forma de t. 8 - estás. mindogues •••••••••••••••••••• * aritmografia · 5 · , , complete os espaços em branco com os algarismos correspondentes aos cálculos aritméticos a que res– peitam os totais mencionados na co– luna da direita e na linha de baixo . •••••••••••••••••••• * damas jogam as brancas e ganham. problema de josé anselmo trabuco - évora. * brídege perdente sobre perdente vamos ver os dois últimos exem– plos da técnica «perdente sobre per– dente» . 1. o caso : e- a873 c- dv 0- 54 p- a8784 w e- rdv10854 c- 10 0- r72 p- 83 sul dador. as vozes : s o n e 4 espadas passo passo passo oeste ataca com o a de copas e a seguir joga o 2 de paus. podéjogar. vacas de carvalho, cap.-fen. ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• * àperspicácia do leitor conhece o seu verdadeiro eu? estude os 4 desenhos da coluna 1 (vertical) . escolha o tipo de paisa– gem de que mais gosta. depois faça o mesmo quanto à coluna 2 e quanto àcoluna3 . análise se escolheu b mais do que uma vez: você é um espírito aventureiro . tudo o que é complicado, misterioso ou exótico o atrai. gosta de estar ro– deado de pessoas originais e de im– primir dramatismo à sua vida. os obs– táculos que encontra estimulamcno, em vez de desencorajá-lo, e fazem– -no lutar com mais alegria. se escolheu a mais do que uma vez: você tem uma natureza român– tica. tem, provavelmente, ideias concretas sobre a maneira como as pessoas à sua volta devem compor– tar-se. dá demasiado ênfase ao lado emocional da vida. se escolheu letras diferentes de cada coluna: você é versátil nas suas aptidões e capacidades, mutá– vel nos seus interesses. muda fre– quentememe de ocupaçâo e faz ami zade com pessoas de diferentes ní– veis e interesses. pode parecer pre– guiçoso e desorganizado por vezes, outras vezes infeliz, dados os seus altos e baixos de temperamento (moods»). mas, se encontrar os companheiros certos para a vida e uma ocupação «de espectro largo», pode vir a conseguir gra:ndes realiza– ções. se escolheu o mais do que uma vez : você é uma pessoa complexa e um enigma para muitos que o conhe– cem. é-lhe difícil manter uma discipli– na ou obedecer a um sistema, mas tem uma imaginação poderosa e .sensibilidade de criadora. se escolheu c mais do que uma vez: muito provavelmente você é aberto e honesto e gosta que tudo na sua vida seja simples e claro, des– gosta-o ver-se envolvido numa rela– ção emocional complexa ou ter que lidar com pessoas que não compre– ende. mas consegue sair de sjtua– ções desagradáveis e lida inteligen– temente com as pessoas que o ro– deiam. ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 33</Page><Page Number="144">concurso n,o 163 (sorteio de um prémio entre as respostas certas) uma bibliotecária com ideias bi– zarras colocou os volumes de uma enciclopédia pela seguinte ordem: 5-10-2-9-8-4-6-7-3-1 em que lugar irá meter o volu– me11? estácio dos reis, 1 cap.-m.-g. ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• - soluçoes "* cantinho. charadístico. modo/todo/mudo/moto/ /moda. 2 - demolição. 3 - farfalha. 4 - revirete. 5 - piroca/rodela/ca– lado. 6 - maranhoso. 7 - deman– da. 8 - lenda. 9 - leiteira. 10-caroço. 11 - requestador. 12 - moça/c. 13 - moderado. 14 - mal– feito. 15 - ornato. 16 - malcasado (calmadosa). •••••••••••••••••••• "* xadrez 1.d6!,cb5! 2.dxe7,re5! 3.e8c! (se : 3.e8 d?,cd6) 3... ,bh8! 4.h7,a3 5.rg8,rxe6! (se : 5.. .,a2 6.rxh8,ald 7.rg7 e -empate) 6.rxh8,rf7 7.cd6! ,rf8! 8.cxb5,a2 9.cd4!,alt! (se: 9... ,ald, empate por rei afogado) 1o. ce6 ,rf7 11 .cd8! ,rg6! 12.rg8,ta8! 13.h8c! (se: 13.h8 d?,txd8xeque mate) 13.. .,rf614.chf7, .. . 34 * damas brancas pretas 10-14 3-1 23-27 15-6 14-21 30-14 21-30-16-3-10-32 e ganham. •••••••••••••••••••• "* cruzada em triângulo. 1 - cavaletes. 2 - arabotes. 3 - varetas. 4 - abecas. 5 - lotas. 6-etas.7- tes. 8-es. • ••••••••••••••••••• "* palavras cruzadas horizontais: 1 - garajau; cua. 2 - alar; boal. 3 - resma; cra– vo . 4 - to ; arat. 5 - imo; agia. 6-no; lar ; pu . 7 - armelos ; rol. 8-ris ; re. 9 - era; atado . 10 - mata; arreta. 11 - asara ; tosa. vrticais : 1 - garcina; ema. 2 - ale ; moraras. 3 - rasto ; ata. 4 - ar'll0 ; ler ; ar. 5 - dalia. 6 - as; rosto;-! - cra; art. 8 - braga; adro. 9 - coati ; oes. 10 - uav; opor ; ta. 11 - alar ; ulema. •••••••••••••••••••• "* brídege 1. o caso : e- a973 c-dv 0- 54 p-:- a8764 e-8 e3 e-2 c -ar853 o e c - 97642 o - a865 o - dv109 p - v52 s p - rd10 e- rdv10654 c- 10 0- r72 p- 93 pela análise dos quatro jogos po– demos verificar que e/o não tiveram coragem de intervir se bem que eles tenham cinco copas imperdíveis. você já deu o a de copas e antes de jogar uma carta do morto tem que parar e pensar um pouco. é assim que pode ver que se o a de ouros está em este, o contrato está cumpri– do. caso esteja em oeste a única maneira de cumprir é encontrar os paus 3-3. mas, atenção, é preciso apurar os paus evitando dar a mão a este para que não tenham possibili– dades de atravessar ouros. assim, você ganha a vaza com o a de paus. depois joga a d de copas sobre a qual balda um pau. se oeste voltar paus você corta, vai ao morto em trunfo, corta um terceiro pau , vol– ta ao morto em trunfo e sobre os dois paus apurados balda dois ouros. a defesa apenas poderá encaixar duas vazas em copas e o a de ouros . •••••••••••••••••••• "* aritmo.grafia horizontais 5 x1x 15 3 x 1 x 2 6 6 x 2 : 62 verticais 53-6 2 1x 1x 2 2 1269 •••••••••••••••••••• "* concurso. n.o 161 eu me arrependo: a língua quase fria brade em alto pregão à mocidade, que atrás do som fantástico corria: outro aretino fui... a santidade manchei' oh! se me creste, gente ímpia, rasga meus versos, crê na eternidade! manuel maria barbosa du bocage vencedor : 2. o -sarg . ap marques lopes. nrp «alm. gago coutinho». • to</Page><Page Number="145">otografias ,antigas, "inéditas ou curiosas - último acto oficial de d.manuel ii, no dia 3 de outubro de 1910, a bordo do cruzador brasileiro «s..paulo». na foto, o rei, fardado de almirante, tendo à sua esquerda o presidente do brasil, marechal hermes da fonseca, e à direita o capitão-de-mar-e-guerra pereira e sousa, comandante do navio. visita do major-general da armada, vice-almiran– te teixeira guimarães, ao quartel de marinheiros , em alcântara, em agosto de 1911, em que está acompa– nhado pelo respectivo comandante, capitão-de-mar– -e-guerra ladislal,l parreira. m.horta, sarg. :aj. l *****************</Page><Page Number="146">nauguração da pista de combate (p'g 13) obstáculo n.o 6 - rede de abordagem - da pista de combate da força de fuzileiros do continente (foto de rui salta). n. r. - rede de abordagem: rede de linha que antigamente se içava , verticalmente, de popa à proa e por fora da enxárcia real, das trincheiras das macas para cima, como meio de evitar a entrada dos assaltantes numa abordagem (ln "dicionário ilustrado de mari– nha)) , do comandante antóniomarques esparteiro). actualmente, suspensa da borda de um navio, serve para forças embarcadas fazerem o seu rápido desembarque e, cumprida a missão, o reembarque. ..</Page><Page Number="147">164 / maio 1985 / ano xiv / mensário 3000 revista da armada</Page><Page Number="148">umário mdo vale nota de abertura vozda abita m horta noticias pessoais c moreira antologia do mar e dos marinheiros s. braga histórias de marinheiros s elpídilj terminologia naval m horta saibam todos g. pedrosa a muleta da tartaranha e dos reis pintores de marinha v. tadeu michiko, cinderela do moderno japão livro das armadas d. barreiros aquilo que a gente não esquece (9) p. machado apontamento mdealmeida educação fisica m curado filatelia mdovale retrospectiva m horta reportagem smachado macaréu? maremoto? tsunami? j farinha o mar dos nossos poetas estranho caso do suicidio colectivo dos cetáceos quarto de folga m horta os desenhos do almirante braz de oliveira (14) revista cap .-ten . manuel maria de meneses pinto machado da armada publicação oficial da marinha @ director e editor: -),  "j i - porte pago c/alm. antónio rochacalhorda consultor da comissão de redacção: c/alm. antónio júlio malheiro do vale corpo redactorial: cap.-m.-g. an fernando augusto smith elpidio capelão graduado em cap.-frag . delmar da silva gomes barreiros sarg.-aj . l manuel da conceição horta orientação gráfica : hernãni lopes . publicação mensal propriedade da marinha redacção e administração: edifício da a. c. marinha 1188 lisboa codex telefone : 36 89 61 n.o 164/maio 1985/ano xiv preço de venda avulso assinaturas anuais : 3000 continente e ilhas 30000 estrangeiro (mais portes de g:orreio) 30000 via aérea - o preço da assinatura será acrescido da respectiva taxa de porte ·por avião. pág. 3 4 5 6 8 9 9 10 12 14 15 16 17 18 19 20 22 29 30 31 32 verso da contracapa na capa : cont ratorpedeiros da classe .. vouga» em evolução - por– menor do quadro a óleo do pintor inglês bernard gribble, pin– tado possivelmente em 1931 ou 1932, da colecção do museu de marinha, li sboa (foto de reinaldode carvalho) . tiragem: 10 000 exemplares distribuição: agência portuguesa de revistas execução grâfica : instituto hidrografico dep legaln " 211083 ..</Page><Page Number="149">.. m nota deabertura ahistória de uma estátua em «nàta de abertura» do n.o 158/nov. de 84 desta revista, insurgia-me contra o facto de não haver na cidade de lisboa um monumento ao grande vasco da gama, o maior marinheiro portu– guês de todos os tempos, segundo uns, o mais afortunado, segundo'outros, e, sem dúvida, o mais conhecido no pals e no estrangeiro. dias depois, escrevia-me o vice-almirante lino paulino pereira, informando que essa estátua já existiu. feita de pedra, esteve implantada em be– lém, no local onde agora é a fonte luminosa, e foi . dali retirada e guardada no convento de mafra, onde ele próprio a viu. como prova do que dizia, mandou-nos fotocópia duma folha da «história dos descobrimentos», de damião peres, onde ela aparece com a legenda vasco da gama (belém - lisboa). . fizemos várias diligências para descobrir o seu paradeiro, visto já não se encontrar em mafra, to– das sem resultado, apesar de haver várias entida– des interessadas no assunto. prestes a desistir, ou a lançar um apelo a quem soubesse desvendar o mistério, tivemos a sorte de contar a história ao nosso ilustre colaborador, pin– tor alberto cutileiro e tudo ficou esclarecido, gra– ças aos seus vastos conhecimentos e à sua prodi– giosa memória. são dele as palavras que se seguem: em 1963/64, sendo director do museu demari– ha o esforçado e competente comandante jaime do inso, criticava-se asperamente a construção do edifício do pa vilhão das galeotas, por ser de efeito desastroso na hé'rmpnia arquitectónica em que se enquadrava. para, tanto quanto possível, remediar o caso, ocultando o pavilhão, concebeu-se um plano de arborização adequado, com a colaboração do en– genheiro boneville franco e da repartição dos monumentos nacionais, dirigida pelo arquitecto vazmartins. . entretanto o director do museu adoecia e era amputado de uma perna, não esmorecendo, mes– mo assim, de realizar o seu plano. e, numa reunião no museu com o ministro da marinha, almirante qliintanilha mendonça dias, e o ministro das obras públicas, engenheiro arantes e oliveira, foi decidido.pedir à câmara municipal de lisboa, da presidência do general frança borges, a cedência de árvores dos seus viveirospriva tivos. feita a plantação, previa-se a colocação de es– tátuas de navegadores nos relvados respectivos, especialmente de vasco da gama e de afonso de albuquerqu.e, que se sabia estarem guardadas no convento demafra. sucedeu que o comandante jaime d9 inso fale– ceu, e foi o almirante ramos pereira, seu sucessor na direcção do museu, que conseguiu autoriza– ção para que as estátuas que estavam no conven– to de mafra, e se destinavam, conjuntamente com outras peças escultóricas, a um museu de arte comparada, fossem transferidas para o museu de marinha. as diligências levaram tempo mas, finalmente, reuniram-se no museu todas as estátu·as de nave– gadores que estavam guardadas no convento, destinadas, segundo ideia do almirante ramos pereira, a ser colocadas sobre o relvado que crca o largo fronteiro ao planetário. dada a diversidade de tamanhos e a fragilida– de de algumas (gesso patinado) a jdeia não che– gou a ser concretizada, limitando-se a colocar na relva um busto em baixo relevo do infante d. hen– rique, que pertencia ao departamento de obras do mosteiro de santa maria de belém, e diversos fragme.ntos escu1tóricos. na altura foj para o mu– seu um busto de camões que se encontravançl. bi– blioteca central da marinha, e cuja proveniência desconheço. uma das estátuas, não me lembro se a de vasco da gama se a de afonso de alb1,lquer– que, estava bastante danificada, sendo restaura– da uma dasmãos e a guarda dopunho da espada. e pronto, apareceu a estatua de vasco da gama que durante anos e anos esteve erguida nos jardins de belém e dali desapareceu para nunca mais voltar! com a devida vénia, entendemos ser vasco da gama grande demais para estar fechado no museu... deve vir novamente cá para fora, pelo menos para local escolhido no átrio exterior do museu. para que os mil'lares de visitantes que ali acorrem anualmente possam testemunhar que a armada actual o não esqueceu.. nem o esquecerá jamais. clalm. 3</Page><Page Number="150">cartas ao director dos nossos leitores e amigos re– cebemos a seguinte correspndência: do cabo ce ra 354150, florin– do rosa dos santos, s. josé da califórnia, eua, uma carta saudan– do, através da revista, os "filhos. da escola» ç/e 1980, as guarnições da " sagres ; que· em em 1978 e 1983 escalaram s. diego e s. francisco (que belos momentos passámos to– dos, vincando bem a grande camara– dagem só existente na nossa "brio– sa») e ainda a da orgulhosa estação radionáv'alde algés. o do 2. o -sarg. h . joão pereira belo, nrp «limpopo», uma carta que recebeu e reza assim: recordando!... o grupo n. o 4 de escuteiros de portugal recorda a visita do grupo ao nrp " limpopo», no passado dia 21 de outubro de 1984, visita que ficará para sempre na nossa memória, bem como a simpatia e atenção com que fomos recebidos. a respeito da visita gostaria de realçar os positivos efeitos que teve nos miúdos, tais como o fazerem re– dacções e alguns desenhos acerca do barco, bem como o reconheci– mento por parte dos pais, de que mais uma vez o escutismo cumpriu a sua função : educar e desenvolver o espírito da criança. mas, desta vez essa educação só foi possível com a colaboração da marinha portuguesa que tanto admi– ramos pelas funções gue desempe– nha e que mais passámos a admirar por ter proporcionado mais conheci– mentos e, logicamente, mais cultura, aos efectivos do nosso grupo. por tudo isso, obrigado marinha portu– guesa. cordiais saudações. (a) rui carlos de andrade. o da sociedade recreativa e dramática eborense, évora, um 4 z -3 ofício comunicando, com cumpri– mentos, que em assembleia geral, realizada em 9-1-85, foi deliberado exarar em acta um voto de louvor à "revista da armada», pela dedica– ção demonstrada a esta colectivida– de no decurso do ano de 1984. n. h - honrados com a vossa atitude, desejamos-vos as maiores felicidades. o de joaquim oliveira rouxinol, ex-mar. t 10317, viseu, uma carta informando, em relação ao artigo pu– blicado no nosso n.o 161 «navega– dores e marinheiros na toponímica nacional », haver na sua .cidade uma rua com o nome do almirante afonso de cerqueira. n. h - não calcula o prazer que nos deu com a revelação que nos faz. foi de facto falta de informação, ou melhor, informação defi– ciente da câmara local. sendo afonso de cer– queira um visiense ilustre, estranho seria que não tivesse uma rua com o seu nome. se é leitor da " ra", pode constatar que já várias vezes falámos desse heróico oficial, e sempre para enaltecer a sua memória, como éde toda a justiça. quanto às pertinentes sugestões que nos faz, podemos dizer-lhe que realmente seria muito interessante que alguém se dedicasse ao trabalho de fazer um dicionário de calào na– val. a sua ideia aqui fica. na " terminologia naval" vai-se fazendo alguma coisa nesse sentido. sobre o pedido para se publicar a lista dos ministros da marinha, com os elementos que indica, não é possível dada a sua extensão. no entanto, essa relação é publicada, todos os anos, na " lista da armada". que deve conhe– cer. o de manuel silva oliveira f. baptista, ex-mar. a 102081, vila verde, actualmente servindo ria ma– rinha mercante norte-americana, como marinheiro hoteleiro , uma car– ta saudando os que trabalham na "ra» que cada vez faz com que ele se sinta mais marujo. curiosamente, a sua carta tem impresso, ao alto, esta frase: «não acredito nas pes– soas que, quando falam do mar , só sabem falar-me de enjoo - l pau– wels» . diz ele que também não acre– dita e que não é o caso da revista, que fala de muitas outras coisas de interesse. refere os artigos que mais lhe agradam e diz que assistiu mara– vilhado ao último «tattoo» militar, em braga, e visitou o carro exposição da marinha. a ambos , a população da cidade e arredores acorreu em mas– sa, observando que foi notado que o guia do carro, um grumete condutor, não estava à altura de responder às perguntas que lhe faziam . n h - agradecemos os termos elogio– sos que dirige à " ra" e os cumprimentos aos queafazem. o de josé antónio de sousa mo– reira, damaia, uma carta declaran– do-se leitor ocasional da «ra" na bi– blioteca do liceu local. envia cordiais cumprimentos escutistas a todos quantos trabalham na revista. o de anabela vieira, alburitel, uma série de versos , que agradece– mos. n h - aproveitamos a ocasião para es– clarecer que só publicamos colaboração de pessoas devidamente identificadas, o que não é o caso desta senhora. ••• convívios os «filhos da escola» dos recru– tamentos de janeiro e março de 1953, vão reunir-se num almoço de confraternização, no dia 2 de junho próximo, num restaurante de porto alto. as inscrições deverão ser diri.gi– das para : sarg.-aj. a calado (telef. 1630, da rede interna, ou 276 64 16, •</Page><Page Number="151">. • dos tlp) ou sarg .-aj. acanha (telef. 1862, da rede interna) . o no dia 1 de junho próximo, em local a combinar, realizar-se-á o al-casamentos temos o prazer de anunciar o ma– trimónio dos seguintes camaradas, aos quais desejamos as maiores felici– dades: i."-te n. carlos josé de jesus da conceição com d. cilísia brígida de gouveia abreu. em 9-3-85 . 2."-ten. francisco josé nunes brás da silva com d . maria da conceição marques peres ramos. em 5-1-85 • subten. rn luís alberto durão da silva com d. emília clara costa coelho de al– meida. em 3-3-85. i ."-mar. l arnal– do alves da costa com d. leonilde maria oliveira ribeiro , em 8-2-85 • 2."-mar. cm francisco antónio ra– mos isidro com d. maria de fátima pestana fragoso, em 4-2-85 • i ."-gr. cm josé manuel da silva manços com d. maria isilda patrício andré, em 7-2-85 • i."-gr. fz antónio au– gusto da costa nogueira com d . adelaide maria carneiro alves, em 19-1-85. 2."-gr. s/c carlos silva com d. conceição rodrigues simões, em 10-2-85. 2."-gr. s/c josé luís da sil– va araújo com d. ana maria cam– pos arantes. em 3-2-85 • 2."-gr. ti josé albérico fernandes lopes com d. maria alzira pereira de carvalho fangueiro. em 2-2-85 • 2. o-gr. reco francisco josé de assunção dias com d. joaquina da conceição ferreira raminhos. em 15-2-85 . *********** passagens à reservai iaposentações cap. -m.-g. emo josé francisco pacheco de seabra ponce álvares, em 26-2-85 • cap.-m. -g. se antónio josé de sousa. em 7-12-84 • cap.– -ten . se casimiro dos santos ameixa moço-convívio do pessoal do recru– tamento de 1942. os interssados em participar de– verão contactar com armando aze– vedo pires, rua jorge de lencastre, 53 - 3800 aveiro, ou pelo telefone 2756694 (almada). reinol. em 7-12-84 • i. "-ten. sg ma– nuel melo fernandes. em 17-11-84. sarg.-mor mo armando josé pe– reira da silva. sarg.-mor mo leo– nel de sousa gomes • sarg.-mor v josé martins pereira. sa rg .-aj . se boaventura barros das neves • sarg.-aj . t alfredo dos santos . sarg.-aj. ce adriano freire bicho. i. o-sarg. fz adriano augusto rodri– gues . i ."-sarg. cm jacito joaquim isidoro, em março de 85. cabo se luís maio da costa • cabo l antónio ulisses ferreira ca– dete, em março de 85 . faroleiro-chefe joaquim de al– meida bonça • cabo-de-mar de i." ci. manuel duarte magalhães , ambos do opmm, em março de 85. *********** falecimentos é com desgosto que participamos o falecimento dos seguintes camara– das, a cujas famílias apresentamos sentidas condolências: cla lm . rf raul viegas ventura , em 18-3-85 • sarg.-aj. mo rf josé vieira, em 26-2-85 • i. "-sarg . m rf artur da encarnação, em 6-2-85 • i ."-sarg. cm rf antónio de sousa azevedo , em 1-2-85. cabo cm rf antónio gregório abrantes , em 8-3- -85 • cabo b rf franklim marttns , em 6-2-85 • cabo m rf manuel de sousa, em 13-1-85 • cabo aux. rf antónio dos reis lopes , em 5-3-85 • cabo fz rftelmo fernandes perei– ra , em 2-2-85 . cabo fzv manuel gaspar esteves , em 7-3-85 • i." cr. rf ramiro marques, em 7-3-85 .1 .– -mar. cm rf artur josé , em 6-2-85 • i."-mar. v rf antónio henriques da costa , em 7-1-85 • 2. o-mar. cm abílio da silva madureira, em 23-3- -85 • i. o-gr. m rf josé gomes fer– reira , em 3-2-85 • cabo-de-mar de i. " ci. , apos. joaquim coe lho dos santos pereira, em 7-3-85. *********** várias foram recentemente empossados nos cargos indicados os seguintes ofi– ciais, aos quais dçsejamos os maiores êxitos no desempenho das novas fun– ções: cap .-m . -g. antónio joaquim conde martins , comandante da es– quadrilha de submarinos. cap.-m.– -g. emo josé rodrigues cavaco, di– rector de transportes. i'.o-ten. luís alberto ouartin pereira da costa, comandante do nrp "zambeze» • asp . rn , graduado em subten., josé alberto gomes predoso, comandan- , te do nrp «açof». aos camaradas indicados, agra– ciados com as condecorações mencio– nadas, apresentamos as nossas felici– taçôes: clalm. jorge manuel cabeçadas pereira leite, cap .-frag. sg fernan– do de almeida colaço, cap.-ten . ál– varo rodrigues gaspar , cap.-ten . emo pedro amarílio monteiro pombo ramalho e cap.-ten .' fz sil– vério teixeira rodrigues , medalha de prata de serviços distintos • cap.-frag. nuno gonçalo vieira ma– tias , cap.-frag. joão manuel ortigão de melo sampaio, cap.-ten. manuel luís amaral pereira e cap.-ten. josé joão afonso rodrigues. medalha de mérito militar de 2." classe . *********** 5</Page><Page Number="152">antologia do mar e dos marinheiros soeiro pereira gomes pejo cap.-frag. cristóvão moreira (foto do serviço de documentação do «diário de notícias») e ra 14 de abril de 1909 quando em gestaçô, no distrito do porto, nasceu aquele que iria ser um dos pioneiros do neo-realismo português: joaquim soeiro pereira go– mes. depois de ter frequentado um colégio de espinho , e de feitos em coimbra os estu– dos para regente agrícola, partiu para africa no finalda década de 30 , empregando-se na companhia de catumbela . mas, insatisfeito, regressa à metrópole logo em 1931, ano em que s casou com a compositora manuela câncio reis, e conseguiu um lugr de empregado de escritório numa empresa de alhandra, donde viria a ser afastado por motivos políticos, inevitavelmente relacionados com a acçâo que soeiro pereira go– mes cedo começou a desenvolver no impulso do movimento cultural entre a populaçâo ?perária da vila, que muito lhe ficou devendo : realizou e promoveu conferências, cola– borou na montagem de bibliotecas, organizou e dirigiu cursos de ginástica, e contribuiu para que a vila dispusesse de uma piscina , em cuja construçâo trabalhou ele mesmo como operário. a carreira literária de soeiro pereira gomes pode dizer-se que se iniçiou em 1935, ano em que começou a escrever ; mas só em 1939 surgem , nas páginas de «o diabo» , seus primeiros trabalhos . o romance «esteiros», escrito em 1940 e aparecido em no– vembro do ano seguinte , foi o único livro publicado em sua vida, que uma doença incu– rável iria fazer curta: morreu aos 40 anos, em lisboa, a 5 de dezembro de 1949. «en– grenagem», o segundo romance do escritor, dedicado «aos filhos dos homens que nun– ca foram meninos», e que terminara em 1944, só viu a luz a título póstumo, prefaciado por sua irmã, a escritora alice gomes. e o volume «refúgio perdido», colectânea de contos e de crónicas diversas, aparecido no ano seguinte (1950), foi o último livro da obra de soeiro pereira gomes - uma obra breve como a sua vida, mas que nem por isso deixou de marcar, na história da literatura portuguesa, um nome próprio que pela força da sua pena resistiu ao apagamento em que as circunstâncias políticas do seu tem– po o quiseram manter, e que figura hoje , não apenas em nomes de ruas, mas também em diversas antologias que dessa história são representativas. «esteiros», romance com sucessivas edições em portugal, cujas páginas ultrapassa– ram fronteiras, traduzidas em várias línguas , é «a primeira notável obra da corente neo-realista» «história da literatura portuguesa», de antónio josé saraiva e oscar lopes) . a acção do livro localiza-se nos este iros, nesses «minúsculos canais, como de– dos de mão espalmada, abertos na margem do tejo»: e contudo não são esses canais o bastante minúsculos para que, palco do drama dos adolescentes da beira– -rio, não rasguem suas águas largos horizontes. e com suas ondas esses horizontes es– condam. e nelas os homens se sintam marinheiros , e por gente do mar se tenham. e o mar defendam , como fazia o ti bento , remoendo pragas a um canto do caisda lezíri a, ouvindo o pranto dos que esperavam aqueles que não iam voltar: «agora deitem as culpas para o mar. tontos . . .» *********************** 6 de «esteiros» (1941) esteiros. minúsculos canais , como dedos de mão espalmada, abertos na margem do tejo . dedos das mãos avaras dos telhais que roubam nateiro às águas e vigores à malta. mãos de lama que só o rio afaga . no cais, mastros despidos de velas, os barcos dormitam. o rio está deserto. há quase uma semana que a chuva cai, em bá– tegas grossas como as amarras que segu– ram os barcos. - ppr este jeito, ti manei... - eafome. - pode ser que abrande. o vento 'tá a querer virar. . . - o vento é com'a gente. tão depressa endireita como entorta. - só entorta, home. gente de mar. traz sempre a proa debaixo d'auga. - diz que lá pra cima vem uma enxur– rada dos diabos. enche-se pr'aí tudo de miséria. - só se for disso. que do mais fica-se vazio que nem panela sem fundo. .'</Page><Page Number="153">o cais, braços caídos, os homens es– peram. o rio é mar de vagas e de anseios. saem as fa lfls das bocas, mas é para ele que os olhos se voltam. olhos de animal que perdoa. . - se eu pudesse, inda virava de rumo -diz manuel do bote. mas são palavras para "o rio ouvir. deixa-se andar ali a rondar o cais, beata esquecida nos beiços, mãos arrastadas de anfíbio. . - e se a gente molhasse a goela? as– sim com 'assim ... alguns vão. sentam-se nos bancos en– cardidos e bebem. as cartas andam de mão em mão, e os copos, das mãos para as bocas, desentarameladas. mas a taber– na fica à beira do cais - e o rio espreita à porta. pode o chico lindinho gargantear todos os fados, que é o rio quem se ouve. manuel do bote entra dentro do barco. ajeita os oleados, alivia os cabos, como se fosse partir em breve. tal e qual o pai do guedelhas, que, mesmo desempregado, corre as ruas como quem leva destino. contente, entrou na bateira e quis re– mar sozinho. larga isso, moço - opôs-se o pai. - o mar não 'tá pra graças. sentou -se em frente. os remos chia– vam nos toletes, e o vento, nas vagas que empinavam o barco. a corrente arrastava– -o para jusante, e manuel do bote concen– trava todos os músculos na remada, opon– do a força consciente à força bruta das águas. um remo partido - e a bateira se– ria impelida rio abaixo, como o tronco de árvore que vinha perto. - cuidado, pai. olhe aquele toro. uma guinada forte, e o barco safou-se. ginete sorriu. assim, entre perigos, gosta– va de andar embarcado. vida com risco de vida e cheia de imprevistos, diferente da– quela que levava quando o rio era mar de nata. manuel do bote seguiu o toro com o olhar. - tanta lenha perdida. . . - murmu– rou . - não se apanha, pai? com um barco grande ... o rosto de manuel do bote ensom– brou-se. o barco grande enferrujava no cais, junto de muitos outros, com aspecto triste de coisa abandonada: velas arriadas e mastros apontando o céu inacessível, sem brilho de astros. - pega na fateixa - ordenou o rema– dor. estavam agora a meio do rio . a um lado e outro do barco passavam laranjas , restos de palheiros e coelhos de barriga in– chada, entre molhos desfeitos de caniço. - tanta laranja, pai! vou pescá-las. - tem tempo. faz o que te mando. gineto lembrara-se do negócio em perspectiva. ali não havia muros nem ca– seiros.. . mas um vulto estranho vinha ao longe a rolar. - temos obra - disse manuel do bote. - puxa-o pra fora da linha d' auga. a fateixa roçou o tambor de gasolina, vazio, e fixou-sé-lhe no bojo. -força, rapaz! não era preciso o pai dizê-lo. pernas retesadas contra a amurada e mãos como tenazes no cabo da fateixa, doíam- lhe as canelas, rangeu os dentes; mas o rio foi ce– dendo na luta. o tambor encalhou no bar– co e os dois marítimos içaram-no a poder de braço. - bom trabalho! - comentou manuel do bote. ginete sorriu com orgulho, limpando à manga da camisa a testa suada. passeou o olhar pelo cais distante, onde gente sem barco recolhia salvados que a corrente es– praiava. para lá do casario, no mirante, outra gente saía de carros luzidios e con– templava o rio. «viram-me decerto», pen- . sou o rapaz. e encheu o peito de ar, como se a máquina fotográfica do senhor gordo estivesse em frente dele . - já posso apanhar as laranjas? o pai acenou que sim, enquanto calcu– lava o valor do salvado. com pressa, como se o caseiro da quinta alta viesse ali, ginete pôs-se a recolher a fruta. -inda baldeias pela borda fora ... moderou o afã. - se apanhasse tudo de um folgo, atirava-me ó mar. o pai disfarçou um sorriso. - tinha que puxarcom'ó tambor... - não sou capaz?! - e tirou fora das calças a fralda da camisa. a voz rouca do pai susteve-o. - 'tás maluco, pá? nã vim pr'aqui laurear. outros restos de derrocadas aproxima– vam-se. o gemido dos remos tornou-se maior na solidão do rio. - olha acolá, pai! em cima de um fardo de palha, empo– leirado, um galo seguia viagem para o mar. - vai longe - observou o marítimo. - já não o caçamos. - e virou a proa do barco para a lezíria. sobre o valado - ilha perdida no ocea– no das cheias - rastejavam lagartos e co– brâs; nas oliveiras, piavam pássaros; e rãs assustadas sumiam-se nas ervas, aos pu– los. além, nas povoações arrasadas, ou– tros bichos deviam estar assim, sobre a erva dos valados, à espera... olhariam ((il– vez a capela da santa de alcamé - senho– ra das cheias. mas o sino da torre não toca– va. . . e o rebocador, único que havia, cus- .tava cem mil por hora... o barco de vela branca, que lembrava mortalha, vinha rente ao valado, carrega– do de gente. quando cruzou com a batei– ra, manuel do bote saudou: - boa via– gem! viagem triste. barco ajoujado de car– ga, que ia ficar em qualquer cais, sem abri– go. por isso, o remador escutou apenas o eco da própria voz. e ginete lembrou-se de certo navio com lenços na amurada e costado branco como peito de gaivota, a quem desejara também boa viagem. a tarde agonizava. no mar de luto, deslizavam sombras e restos de vida por salvar. .. - larga a fateixa, 'tau farto d'auga– disse manuel do bote com voz dolente. meteu aproa à terra e atracou. "* ginete premeditara o assalto para aquela semana, quando o pai saísse com o barco. faltava-lhe apenas arranjar duas sacas e convencer gaitinhas, que recusava ser ladrão de fruta. à tarde, 'porém, opa) ch.amou-o ao cais. já alguns barcos haviam largado para outras paragens; os carregadores for– migavam nas pranchas; e o boa sorte, atracado de banda, recebia carga. - saímos hoje - informoumanuel do bote, risonho. - arri.m}ei um frete pró montijo, pago à ponta da prancha. ginete permaneceu mudo, a olhar de esguelha o rio agitado. -'táscommedo? umhome . .. , - nã senhor -interrompeu o filho . - e que eu tinha cá um biscate.. . vomecê ga– nhava por um lado ... e eu por outro. - ah... largas-medemão?!.. . coçou devagar a barba de três dias, a dar tempo ai raciocínio, pois já sabia que à bruta nada lucrava . - e eu a dezer há bocado, pra quem quis ouvir, que tu üis sem medo nem que fosse prós brasis. - pois ia, pai; mps.. . esfregava as mãos nas calças, como que a segurar a vontade abalada. - mas não vais. ouviste contar que as cheias meteram fragatas no fundo - e não vais. o pai de malesso, que baldeara a últi– ma saca, interveio ·também: - deixas o teu pai ficar mal, rapaz?! nestas ocasiões équesequerem verosarraises. - tem medo - escarneceu manuel do bote, pousando-lhe as mãos nos cabelos revoltos. - desta vez, dava-te o fato . .. ginete encolheu os ombros e mimuel do bott;. julgou que era por dijvida: - a certa. nem que passasse fome . o filho esboçou um sorriso. fome pas– sava ele desde que q inverno apontara... - então, !vfanel? - perguntou o cabo de mar, que se aproximara. - 'tás à esljera ,/ue o barco fique no chão? manuel do bote ia a responder, mas o filho exclamou logo: - eu vou, pai; mas nã é pelo fato ... saltaram para a coberta.da proa. -iça o estai! - ordenou o arrais, enquanto re– colhia as amarras. a vela, empapada de água, deslizou sobre as adriças como ban– deira de guerra; o arrais deitou mão à cana do leme; e as defensas roçaram a borda do cais, em despedida. o ti bento chegou-se ainda, agoi– rento: - olha que vai haver trabuzana! prós lado da barra 'táaficarfeio.. . manuel do bote estendeu-lhe o braço, num adeus, e disse quaisquer palavras que só o vento ouviu. sob o cavername, o rio bramia contra a quilha que lhe cortava as águas altas. parecia que b barco se ia par– tir em dois, de momento a momento; mas , a vela grande, bojuda, impelia-o para a frente. (soeiro pereira gomes - obras completas. biblioteca europa-américa) *********** 7</Page><Page Number="154">istórias de marinheiros 71-laços de família talvez que os mais novos desco– nheçam o facto, mas a marinha já teve a sua aviação privativa. foi ela que, com coutinho e cabral, atra– vessou pela primeira vez o atlântico sul, num voo heróico -que jamais se desvanecerá da história deste país. um dia - há uma trintena de anos -, razões de ordem política de– terminaram a sua fusão com a avia– ção do exército - que, por seu içido, dispunha igualmente de homens e material daquela arma. a marinha de então.- sobretudo os nossos aviadores - bateu-se bravamente pela manutenção da sua aviação. publicaram-se artigos na imprensa, ouviram-se palestras pela rádio, movimentararln-se in– fluências . demonstrou-se, com ar– gumentos irrespondíveis, .que uma marinha sem asas não poderia cum– prir cabalmente a sua missão. algu– mas vozes se levantaram na assem– bleia nacional de entãd na desas– sombrada defesa desses pontos de vista. o eco frouxo da oposição que provocou foi mais um sinal claro de que lado estava a razão. mas de nada serviu: a união concretizou-se. e, ainda hoje, passados tantos anos, as consequências dessa supressão mais se radicaram na realidade das necessidades tácticas da marinha de guerra dos nossos tempos. realizada a junção das duas aviações, parte do pessoal marinhei– ro, desgostoso, optou pelo regresso aos navios, mas outra, fiel aos ideais aventurosos do «mais pesado do que o ar" , ingressou na força aérea. a fusão, em colaboração estreita, de pessoal oriundo de armas distin– tas, com a sua formação e mentali– dade próprias, não foi isenta de difi– culdades. não é de põr em dúvida que todos procurariam, com lealda– de, atingir os objectivos próprios da recém-criada arma independente. mas na adopção de métodos e crité– rios atinentes a essa finalidade surgi– ram, por vezes, dificuldades na ob– tenção de compromissos aceitáveis por ambas as partes. logo, na vivência do dia a dia, 8 numa coisa tão simp'les como o trata– mento dos superiores, havia tradi– ções diferentes. enqunto o pessoal do exército se dirigia aos mais gra– duados por «meu coronel" , «meu capitão» , «meu alferes", o de mari– nha, fiel aos seus usos , dizia sempre «senhor coronel" , «senhor capitão", «senhor alferes". conta-se que um aviador naval , quando falava com um camarada do exército , dizia sempre, referindo-se ao chefe comum, o «seu" general– dispensando-lhe, inteiro, um senti– mento de propriedade de que since– ramente não partilhava. todo este intróito pretende fami– liarizar o leitor com um episódio au– . têntico, ocorrido nesses velhos tem– pos . nos altos escalões do comando , um aviador naval , já antigo , despa– chava normalmente com um gene– ral , oriundo do exército . na aprecia– ção dos sucessivos problemas, o marinheiro invocava com frequência a sua experiência naval, na defesa dos seus pontos de vista. era toda uma vida que tinha atrás de si e, na– turalmente, não poderia esquecer os ensinamentos que colhera. o gene– ral é que , no íntimo, não gostava da– quelas observações. também tinha, pelo seu lado, a vivência da sua arma, que não considerava, legitima– mente, inferior à da marinha.contu– do, nada dizia, calando para si a con– trariedade que sentia, ao exibir-se– -lhe, sem peias, uma experiência pretenamente superior. os meses foram correndo, as ho– ras de despacho foram-se acumu– lando e, com elas, foi-se acentuando naturalmente o grau de intimidade que entre ambos se estabelecera. o marinheiro, agora mais à von– tade, não se coibia, a cada passo, de salientar as excelências do seu de– sembaraço naval. «nós, na marinha, fazíamos assim ... nós, na marinha, fazíamos assado .. ." um dia, o general, já cansado , não se conteve, chamando a aten– çaõ do subordinado , em termos co– medidos , para a deselegância de , a i ,</Page><Page Number="155">ropósito de tudo e de nada, citar a marinhá, a que já não pertencia, es– quecendo a força aérea, de cujos destinos agora partilhava. numa consciencialização repen– tina, só então o marinheiro atingiu , nas suas reais dimensqes. o melin-r dre da situação que criara. e, com o melhor dos sorrisos, explicou a razão que fundamentava a citação repetida da sua arma de origem. - senhor general! não há que estranhar : é que a marinha é, afinal , a minha mãe e, logo de seguida, apaziguador, . acrescentou : - ... mas, com quem eu casei foi com a... força aérea... silva braga, valm. in gia • pedir bandeira - prática usada outrora, de içar a bandeira e disparar simultaneamente um tiro de salva para que o navio à vista.se identificasse içando também a bandeira da sua nacionalidade; firmar a bandeira. • pegão de vento - grande pé de! vento. • pegar - tocar com a quilha do navio no fundo e nele ficar retido durante algun,s momentos; é uma posi– ção que se pode considerar situada entre o tocar e o en– calhar. • pedrento - diz-se do céu carregado de cirro– -cúmulos, formando massas arredondadas de nuvens, como flocos de algodão. dizem os homens do mar: «céu pedrento, chuva ou vento ou qualquer outro tempo». • pego - a parte mais profunda de um rio, lago ou zona do mar onde não existe pé ; fundão ; pélago • pedrinhas (contar as... da praia) - forma de expressar as possibilidades de o navio se chegar bem perto de terra, devido aos fundos muito altos junto à costa. • pelas - quaisquer cabos passados a objectos com o fim de evitar que se desloquem com o balanço. • pelas de balanço - peias imaginárias que, por partida a quem embarca pela primeira vez - cadete ou grumete - se mandam buscar.para diminuir o balanço; normalmente, são supostamente contidas num saco cheio de objectos pesados que a vítima tem que trans– portar. • pega - forte peça de madeira chapeada de ferro, que dispõe de uma abertura quadrangular para receber o calcês do mastro ou mastaréu, e de uma outra circular para enfiar o mastaréu que se lhe segue. • peirau - brusco declive do fundo quando passa da zona da costa para o largo; perau. para o mastaréu que estando alguns serviços depen– dentes das administrações re– gionais de saúde a exigir o paga– mento de «taxas moderadoras» ou «senhas para consultas» aos beneficiários de sub-sistemas de saúde, incluindo os das adm's, a 5. a repartição da direcção do serviço do pessoal esclarece os beneficiários da adma que a circular n. 1 da direcção-geral dos cuidados de saúde primá– rios diz, sobre o assunto: que a todos os beneficiários de sub– -sistemas de saúde, com excep– ção da adse (despacho conjun– to de 18-5-83, publicado no «diário da república» n. 0137, ii série, de 17-6-83), aprestação de cuidados de saúde é feita nos termos dos acordos celebrados e ainda segundo o despacho de 18 de janeiro de 1982, publicado no «diário da república» n.034, ii série, de 4-2-82. que aos utentes beneficiários dos sub-sistemas de saúde não há lugar à cobrança de quaisquer «taxas moderadoras» e que os encargos resultantes da assistên– cia prestada deverão ser cobra– dos directamente aos sub-siste– mas-respectivos. s.elpídio, cap.-m.-g. an s que entre a adma (assisência na doença aos militares da arma– da) e a clínica de santo antõnio (reboleira - amadora) .foi ce– lebrado um acordo que estabele– ce os termos em que os seus be– neficiários podem usufruir dos serviços· prestados naquele esta– belecimento médico. que os serviços dispensados pela clí– nica de santo antónio abralj, gem os regimes de internamento e tratamentos ambulatórios. que quaisquer outras informações serão prestadas na 5. a reparti– ção da d .. s.pessoal , na rua do arsenal, lisboa. 9</Page><Page Number="156">muleta da tartaranha a muleta, ex-iíbris e figura emblemática do seixal e do barreiro, foi talvez a mais bela embarcação de pesca nacio– nal. embora não se conheçam as suas origens é unanime– mente considerada muitb antiga, lnocando alguns a pro– veniência grega ou cartaginesa, e por esse motivo foi incluí– da no núcleo ({antecedentes da expansão marítima)) da ex– posição subordinada ao tema ({os descobrimentos e a eu– ropa do renascimento)); porque lembra a importância das ligações marítimas apoiadas nos inúmerosportos do nosso litoral na época do predomínio de cartago (desde a destrui– ção de tartessos em 509 a. c.) (' ). o nome derivaria da típica armação evocando a muleta dos toureiros. vamos tentar demonstrar que é muito mais recente : é uma tartana francesa (genuína ou adaptada) introduzida no país apenas na segunda metad do século xvii, para pes– car exclusivamente com rede tartaranha. o nome derivará do francês ({mulette)) (de ({ mulet)) , mugem) e desde o século xvi designava, em termos genéricos, um determinado tipo de embarcações de pesca e transporte . para evitar confu– sões chamar-ihe-emos muleta de tartaranha. a tartaranha o moderno arrasto pela popa, uma das artes de pesca ma is importantes da actualidade , apareceu no mediterrâ– neo e na mancha no ano de 1720 e só foi adoptado em portu– gal no fim do século xix. antes, praticava-se o arrasto pelo través, com a rede (tarta:ranha) por barlavento da embarca– _ção, que se deixava abater atravessada ao vento e à corren-bibliografia : ( ' ) xvii exposição europeia . .. "antecedentes da expansão' marítima}}, lisboa, 1984, p . 77. até à segunda metade do séc. xix foi o núcleo piscatório do barreiro que deu feição à povoação; a. silva pais, "obarreiro antigo e moderno}}, barreiro, 1963, p . 82. no " santuário mariano }}, liv. ii, lisboa, 1703-1723, p. 450, fr. agos ti– nho de santa maria diz que quase todos os moradores do seixal são marí timos e pescadores. 10 te ; para esse efeito tinha, como diz baldaque da silva, o ve– lame distribuído de maneira quepossa haver uma fácil com– pensação de forças segundo a direcção e a maior ou menor intensidade do vento e das correntes, deitando à proqdois compridos paus, denominados botalós, que servem para amurar e caçar as velas e ao mesmo tempo para nas extre– midades amarrar os alares da tartaranha. este método teve expressão irrelevante em portugal, sendo utilizado apenas nos estuários do tejo e do sado e na zona entre o cabo da roca e o cabo espichei, mas proliferou no mediterrâneo em embarcações denominadas tartaranhas, com redes do mes– mo nome (em frança chamava-se peixe de tartana ao pro– veniente da pesca de arrasto). já mencionada no foral fernandino da portagem de lis– boa, a tartaranha era vocacionada para o peixe areado (aze– vias , linguados , solhas) (2) e mereceu a primazia no conten– cioso que sempre tem oposto as redes de arrasto aos pesca– dores das outras artes : foi proibida no tejo (carta régia de 10-4-1470 e muitos diplomas posteriores) por ter malha– gens tão miúdas que lhe não escapava a criação nova, de que nascia a falta que há de pescado (3), e na zona entre s. julião e o cabo da roca (portaria de 12-3-1592, confirmada por filipei) pelos danos que causava aos pescadores de cascais (4) . a embarcação era denominada ({barca)) (termo genérico, distinguível de outros , coetâneos , como caravela, pinaça ou batel) ou ({ tartaranha )) (como no mediterrâneo, onde a embarcação e a rede tii}ham o nome de tartana) ; ve – remos adiante, como a chincha e o chinchorro , que era vul– gar atribuir à embarcação o nome da rede . (' ) " documentos para a história da cidade de lisboa )), li– vro i de místicos... , lisboa, 1947, pp. 59 e segs.; e. freire de oli– veira, "elementos para a história do município de lisboa)), lisboa, 1882-1911 , vol.ij, p. 431 . (') "livro das posturas antigas}}, câmara municipal de lisboa, 1974,p. 219. (' ) m . v. ferreir;j de andrade, " cascais, vila da corte. . )) , cas– cais, 1964, p . lxxvi. "</Page><Page Number="157">muleta a designação genérica ((muleta» aparece no século xvi. segundo o ((livro dos regimentos dos oficiais mecânicos da mui nobre e sempre leal cidade de lisboa» (1572), que regulamenta o transporte de mercadorias ·para abrantes, tancos, punhete, santarém e outros portos, não deviam trazer outra vela senão redonda para segurança da gente por não poderem virar por dentro como fazem os caravelões e barcas grandes, porque por as ditas muletas trazerem as velas doutra maneira dão por davante com a vela sobre o mastro e se perdem, e a verga de tais muletas não será mais comprida do que for a muleta de rõda a roda ... (5) . numa pe– tição de 1596 os barqueiros de santarém dizem que o rio es– tava muito assoreado e já não havia caravelões e barcas grandes, mas apenas batéis e muletas, de menor porte (6). em 1552 joão brandão só menciona no tejo barcas e batéis (de pesca e transporte) n, mas em 1620 já nicolau de olivei– ra informa que lisboa tinha muitos barcos pequenos, de pesca, a que chamam muletas, e o regimento das dízimas do pescado da casa de bragança (13-11-1633) refere as mu– letas de sardinha do rib(6). não se trata da moderna muleta do seixal e do barreiro (a da tartaranha) , que não erapeque– na (tinha 15 a 20 tripulantes) e não pescava sardinha. a sar– dinha era capturada com chinchas e chinchorros, redes de arrasto para a praia : segundo um assento da vereação de lisboa (12-12-1672), as muletas dos chinchorros são barcas mais pequenas que as chinchas e não podem acomodar as redes sobre o leito com as bolas de barro (((chumbadas})) pelo muito volume que fazem; a malhagem estabelecida pela câmara se deve entender só para as tartaranhas e não para as chinchas e chinchorros, porquanto antes se lhes deve darmalha com quepossam tomar sardinha, que é para que estes barcos têm a principal serventia. um documento de 1645 revela que duas muletas pescaram com tartara– nhas junto à torre de belém, mas não era ainda a moderna muleta porque outro de 1643 (9) diz que as redes tartara– nhas estão muito disseminadas no tejo e já se não usa de outro modo de pescar, não só na barcas, senão ainda (até) nas muletas. a embarcação da tartaranha continuava a ser denominada ((barco ou barca» (em 1618), ((tartaranha» (em 1646 e 1658) ou ((chinchorro» (em 1686) ('0). no seu vocabu– lário (1712-1727) ainda bluteau diz que a muleta serve para pescar e transportar mercadorias , tendo nos bordos duas pás que lhe servem de leme, e que a tartaranhil é um barco de pescaria que anda com vela latina e dois paus compridos que saem pela proa e pela popa. isto é, a rede tartaranha era arrastada por qualquer embarcação atípica, de formato e dimensões variadas, com os botalós lançados à proa e à popa para abrirem a rede e suportarem o velame que lhe permitia a manobra de abater atravessada ao vento e à cor– rente. a muleta da tartaranha a moderna muleta já figura no ((caderno de todos os barcos do tejo ... » (1785) e é mencionada nas memórias pa– roquiais de setúbal e num documento de 1720, na qual o rei manda que o guarda-mor da saúde visite gratuitamente em paço de arcos os barcos e muletas de pesca que regressa– rem do mar( " ). parce evidente que foi introduzida nesta época. como? a tartaranha teve expressão irrelevante em portugal, (5) a. j. nabais, ((história do concelho do seixal!!, 2 - barcos, seixal, pp. 91 esegs . (6) m. ·a. rocha beirante, ((santarém quinhentista!!, lisboa, 1981,p.154. (') joão brandão, ((tratado da magestade, grandeza e abas-tança da cidade de lisboa.. . !! , edição de 1923, p. 98. . (8) ((biblioteca da academia das ciêncías de lisboa!! , série ver– melha n. 0275. (' ) e. freire de oliveira, ob. cit., voi. iv; p. 62 e voi. vil p . 417. ('0 ) idem, voi. ii, p. 427, voi. v, pp. 35 e 79, voi. viii, pp. 574 a 576. (" ) idem, voi. xi, p. 435. os brasões da vila do seixal e da cidade do barreiro,1nos quais a muleta figura como ex-libris daquelas localidades. mas foi uma das artes mais representativas do mediterrâ– neo, praticada por franceses, italianos e espanhóis com em– barcações (tartanas) e redes de formatos e dimensões va– riadas - a muleta do seixal e do barreiro 'será uma dessas tartanas , genuína ou adaptada. milita a favordestahipóte se um documento de 1671, no qual a câmara de.lisboa con– sidera ser de indeferir, como já fora no reinado de d. joão iv, um requerimento de dois franceses que se propunham usar redes novas em tartanas semelhantes às lanchas dos corsá– rios mouros; eram piores que as nossas tartaranhas por te– rem malhagem ainda mais reduzida e muitomaior ocompri– menta do saco (12 ). as redes não foram autorizadas mas as embarcações terão ficado, nesta altura ou poucos anos de– pois : em 1694 foi concedida licença a estevam da luz : mo– rador em lisboa, para exercit;ar um novo método de pesca oito léguas para o mar dentro com quatro novasembatca– ções , não podendo cada uma trazer mais que dois france– ses( 13 ). o motivo por que receberam o nome de muleta de– ver-se-á à circunstância de esta designação genérica (a mu– leta do mondego é muito diferente e não sa taz;taranha) ser também de origem francesa - ' «mulette», de (( muletn, mu– gem (muge em provençal) . a mugem e .o sávél derramaram no tejo uma mancha crematístiça que atraía numerosos pescadores forasteiros e suscitou a imposição de avenças e arrendamentos obrigatórios ; já as cortes de 1433-34 pedi– ram a d. duartea renovação,da ordem ded.joãoi que veda– ra a safra de sávéis e mugens aos que a não tomassem de arrendamento. assim como. o sável deu o nome a diversas embarcações (saveiros) ; redes (savale sávara)e até pesca, dores (saveiros), também a mugem, que concitou o interes– se de mercadores estrangeiros (em 1460 o florentino lou– renço berardi participava na pesca de «mugini»), deu nomé a eii?-barcações (muletas) e à povoação de muge. e notória a influência mediterrânica na pesca de arrasto portuguesa durante o século xv. em 1443' 0 infante d. pe– dro concedeu a exploração do coral, em regime de exclusivi– dade por cinco anos, aos mercadores bartolomeo di iacopo (de florença) e joão forbin (de marselha), que podiám tra– zer especialistas marselheses e provençais com redes, en– xárciase.parelhagens para as embarcações. aprimeira re– ferência conhecida à rede bugiganga, de arrasto, reporta-se ao seu emprego no tejo em 1439, sob a denominação dbo– guyo» (ou (((bugeiro» em documentos posi:eriores) (14 ), mas em 1538 já aparece com acnomenclatura actual no monde– go, onde revolucionara a pesca fazendo lanços de mil sá veis e muito outropescado ('5). bugiganga vem de bugi, buge, do latim «bulga» (alforge, saco de couro), pelo francês «bóuge» (saco , saca, mala); ganga é alteração do francês «ganguy» , (" ) idem, voi. vii, p. 284. a rede tartana francesa está minucio– samente descrita em m. duhamel du monceau, ((traité général .des pêches et histoire des poissons.. . !!, paris 1769, voi. i, pp. 1.55 a 158exlv. (" ) e. freire de oliveira', ob. cit., voi. ix, pp. 362 a 373. (") c. m. l . baeta neves. ((história florestal, aquícola e cine– gética .. . !! , voi. ii, lisboa , 1980, p. 22. (,,).manuscritos de mesquita de figueiredo, na biblioteca mu– nicipal da figueira da foz, caderno 14; pp. 44a 51. 11</Page><Page Number="158">esca de arrasto ( '6). em resumo: em 1439 é mencionada pela primeira vez, e no tejo, a rede bugiganga, de prove– niência francesa; a partir de 1443 um florentino e um marse– lhês exploram o coral no algarve e trazem especialistas marselheses e proveri.çais com redes, enxárcias, aparelha– gens e talvez embarcações; em 1460 um florentino investe na pesca da mugem, no tejo; a mugem (mulet» em fran– cês, «muge» em provençal) dá nome à povoação de muge - não é arriscado presumir que o termo náutico francês «mulette» (de «muletn) deu origem ao português muleta, surgido nesta época. quando, na segunda metade do sécu– lo xvii, chegou um dos modelos da tartana francesa para pescar exclusivamente com rede tartaranha, foi-lhe atribuí– do o nome de muleta que designava um dos tipos de embar– cações do tejo; sem a armação e o velame apropriados à pesca de arrasto pelo través foi empregada no transporte de mercadorias com o nome de barco de riba tejo. ('6 ) arlindo de sousa, ii vocabulário de entre douro e vouga :..", separata da iirevista de portugal", série a, língua ·.portuguesa, lisboa, 1965. conclusão a muleta que figura nos brasões de armas do seixal  do barreiro é a embarcação mais característica destas po– voações e a grande obra de arte dos seus carpinteiros de machado e calafates , mas não é muito antiga, de proveniên– cia grega ou cartaginesa, como se tem dito: é um espécime de feição mediterrânica, adaptação da tartana francesa , in– troduzido na segunda metade do século xvii e desapareci– do nos primórdios do século xx. o seu nome também não deriva da típica e bizarra armação, que é vulgar nas embar– cações que arrastam pelo través e não existia nas outras muletas, anteriores ou contemporâneas: derivará do fran– cês «mulette», de «muletn (mugem). gomes pedrosa, cap.-trag. pintores de marinha um vaso com 5 mil anos encontrado no egipto está decorado com o desenho de embarcações que, possivelmente, navegaram no baixo nilo. é talvez a mais antiga pintura de marinha, género que não des– pertou grande interesse durante séculos até ser usa– do pelos artistas da renascença. é gratificante referir que um dos quadros mais famosos desta época pare– ce representar, em mais do que uma posição, a nau portuguesa «santa catarina do monte sinai)), consi– derada um dos mais poderosos navios do seu tempo, quando fazia escala num porto durante a viagem em que conduzia, em agosto de 1521, a segunda filha de d. manuel, desposada de d. carlos, duque de sabóia. esta obra, que pertence ao património do museu na– cimal de marinha, em greenwich, é, neste museu, supostamente atribuída ao pintor holandês cornelis anthonisz. no entanto, é curioso notar que, quando este quadro ainda se encontrava numa colecção da baviera, foi considerado pelo dr. josé de figueiredo, como sendo da autoria do pintor português gregório lopes (1490?/1550) que também é identificado como a{s}.nau{s} ((santa catarina do monte sinai", num quadro a óleo do museu naciónal de marinha, em greenwich, do qual existe uma r!nnir nn mm..", de marinha de lisboa. 12 o mestre de santa auta, esse belo retábulo do acervo do museu de arte antiga de lisboa, onde estão re– presentadas algumas caravelas manuelinas. o verdadeiro nascimento dos pintores de marinha tem lugar nos países baixos onde os dois van de vel– de, pai e filho, se distinguem pela qualidade das suas telas e pelo realismo que nelas imprimem. o seu pres– tígio é tal que, em 1672, e apesar das duas nações es– tarem em guerra, são convidados por carlos ii de in– glaterra para serem pintores da corte. talvez inspirada naqueles dois artistas holande– ses, desenvolveu-se em inglaterra durante o século xviii a mais importante escola deste género de pin– tura, que aliás coincide com o crescimento do poder naval daquele pais. são já do século seguinte as ma– ravilhosas marinhas de william turner (1775/1851) que os ingleses consideram, muito justamente, como o primeiro impressionista. em frança, o grande nome é claude-joseph ver– net, a quem luísxv manda pintar os portos do reino, magnificas telas que, para além da sua beleza, consti– tuem documentos de grande valor para o estudo da época. em 1830, no anuário da marinha francesa, apare– cem pela primeira vez dois pintores de marinha. em 1860 já são quatro, sendo um deles morei-fatia, autor d'a batalha naval do cabo de são vicente (* ), talvez a única obra deste pintor existente em portugal. em 1901 um decreto fixa em 20 o número daqueles artis– tas, mas só em 1920 é que legislação adequada esta– belece o estatuto do pintor de marinha. este título é concedido por cinco anos renováveis, aos artistas que se tenham consagrado ao estudo do mar, da marinha (') esta batalha, travada no dia 5 de julho de 1833, desenrolou– -se entre a esquadra de d .miguel, comandada pelo .almirante antó– nio torres aboim e a de d .mariaii, .sob o comando do almirante in– glês sir charles napier, depois com o título de conde de s. vicente. o quadro encontra-se nomuseu de marinha, em lisboa.</Page><Page Number="159">,1910-entrehong-kong e manila. o cruzador 's. gabriel' sob um tufão". aguarela do comandante pintobasto. e das gentes do mar. não obriga a qualquer retribui– ção por parte do pintor, mas concede-lhe facilidades, como seja embarcar e assim ficar em mais estreito contacto com o mar e com os temas que irá pintar. poucos anos depois o número dos pintores já se situa entre 40 e 50, para em 1941 ser novamente limitado a 20 por um periodo renovável de 3 anos. é instituído um salão, onde podem ser apresentados os trabalhos realizados. os pintores com mais de 60 anos passam à situação de honorários e todos eles podem usar uma pequena âncora a seguir à assinatura. roger chape– let, o grande pintor das duas «sagres)), que os nossos leitores bem conhecem é um dos mais prestigiados membros deste grupo. e em portugal, com tão fortes tradições maríti– mas, 9uais foram os pintores de marinha que te­ mos? a parte de um gregório lopes contestado, e dos artistas que desenharam o «livro das armadas» ou que iluminaram o excepcional monumento que é a cartografia portuguesa, não houve no nosso país qualquer escola ou, pelo menos, alguns pintores que nos deixassem uma imagem pictórica do que foi a ex– traordinária epopeia dos descobrimentos. é preciso esperar pelo século xix para podermos referir luís ascêncio tomasini (1823/1902), que também foi capi– tão de navios e joão pedroso (1825/1890), que nos deixaram telas de muito mérito, cheias de realismo e de grande fidelidade no desenho. na aguarela distinguiram-se o rei d.carlos (18631 11908) e o comandante pinto basto (186211946), qual– quer dos dois, artistas de elevada sensibilidade, que muito amaram o mar, e cujas técnicas são tão seme– lhantes que os seus trabalhos quase se confundem. destes, possuímos belas aguarelas, por vezes apenas uma pequena mancha, mas que servem para nos fa– zer reviver os navios do fim do século, sejam eles um grande cruzador ou, simplesmente, uma minúscula embarcação de pesca. para valorizar o museu de marinha onde, natural– mente, se reflcte, como acabámos de referir; a po– breza de quadros portugueses cujos temas sejam o mar ou os havias, a e,scolq. naval acaba de entregar uma bela tela (que reproduzimos na capa), represen– tando quatro 'contratorpedeiros da classe «vouga)) em evolução. a obra, que é uma visão de artista, pois "a 'sagres' navegando sob vento rijo".• dpsenho do pintor francês roger chapelet quando embarcou naquele navio-escola. por oca · sião da viagem de circum-navegação de 1979. os navios não estavam ainda construídos, está assi– nada por bernard gribble (1873/1962), pintor inglês' de reconhecido mérito, mas não se encontra datada. podemos, no entanto, considerá-la de 1931 ou 1932, dado que foi pelo decreto n .o21 971, de 12 de dezem– bro de 1932, que o ministro mesquita de guimarães desistiu do transporte de aviões, previsto no progra– ma naval, e o converteu num submarino e no quinto contratorpedeiro que veio a chamar-se «dão)) . parece oportuno fazer agora um apelo aos leitores da «revista da armada)), no sentido de ajudarem a lo– calizar outros quadros de interesse no domínio da his– tória marítima que, por oferta, ou mesmo aquis ição, possam contribuir para o enriquecimento do patrimó– nio do museu de marinha. a. estácio dos reis, cap.-m.-g. •••••••••••••••••••••••••••••• 13</Page><Page Number="160">ichiko, cinderela do moderno japão esteve em lisbüa, numa visita privada, o. príncipe herdeiro do. japão., akihitü, acümpanhadü pür sua mu– lher , princesa michikü, e cümitiva, propündü-se visitar a seguir a espanha, irlanda e inglaterra. nessa vinda à europa, aqui iniciada, o. facto. cünstituiu uma distinção. para o. nüssü país, püis, cümü afirmara um nüssü ex-em- ' baixadür em tóquiü('), que lá manteve relações de ami– zade cüm a família imperial, depois do brasil, talvez seja o japão o país em que tivemos maior influência, antes de se ter processado. a descülünizaçãü. que eu saiba, füi em 1930 a última vez que um prínci– pe japünês nüs visitüu - takamatsu, tio. de akihitü - tendo. então. afirmado. ao. nüssü chefe de estado., que o imperador, seu augusto irmão, lembrava com a maior sa– tisfação que as relações entre o japão e portugal são mais antigas do que com qualquer outro país do ocidente e cada vez mais cordiais. a nüssa armada püde testemunhá-lo., recordando. as atenções e simpatia que o. püvü japünês dispensüu ao. na– viü-escüla «sagres», em duas visitas àquele país, desta– cando. ainda a deferência do. empréstimo. de düis nütáveis biümbüs «namban» (2), que estiveram expüstüs em lisbüa (núcleo. düs jerónimüs) durante a xvii expüsiçãü eurü– peia de arte, ciência e cultura c). os pürtugueses, certamente, apreciaram o. significado. amistüsü e genuíno. da embaixada do. japão. ter incluído. no. seu programa prütücülar de recepção., no. jantar priva– do. do. dia da chegada düs príncipes, o. fado. pürtuguês, cüm maria armanda, para üs fazer üuvir melüdias cara5 ao. nüssü püvü e o. dedilhar da lusa guitarra, cümü instru– mento' único., na actualidade mundial. que terão. pensado. üs príncipes e a sua cümitiva? disse a autüra dum livro famüsüe), que os sentimen– tos nipónicos não coincidem com a filosofia ocidental, que separa o corpo do espírito, não sendo a vida um campo de batalha entre o bem e o mal, nem compreendendo que a felicidade seja a finalidade da vida. talvez, pür isso., o. fado. lhes tenha parecido. exótico., mas bem «namban» ... tüdavia, dir-vüs-ei ,que estive em jantares servidüs pür «gueishas» e jamais tive as sensações electrizantes do seu tanger do «shamisen» (5), às quais se referiu um japü– nês prémio. nübel da literatura("). isto., pürém, não. si– gnifica que tenha julgado. isso. anacrónico. do. müdernü ja– pão. , püis que é tradição. que persiste, no. mundo. düs negó- (') a rmando martins janeira, "figuras de silêncio» (1981). (') designação histórica dada pelos japoneses aos portuglleses qlle chegavam, no século xvi. (') " revista da armada» n." 145/0ut. de83 , lisboa «namban ». (') ruth 8enedici, "o crisântemo e a espada». (') instrumento de cordas, especialmente dedilhado pelas "gueis– has». (") yasllnari kawabata, "o país da neve» (yama no oto). 14 opríncipe a kihito e a princesa michiko no dia do casamento . ciüs, entre hümens já madurüs üu velhüs. cümü o. nüssü fado., é uma respeitável tradição.. recürdü-me até que estava lá em vüga - na música ligeira nipónica - uma valsa (gueisha waru-zu») cujo. püema aprendi. antes, wenceslau de müraes tinha-nüs ensinado. üu– tro püema duma canção. do. seu tempo. , que me faz lem– brar letras düs nüssüs fadüs: se eu dois corpos tivera, um junto de ti ficaria, coisa tua. mas outro mourejaria pela rua. p'ra ganhar muito dinheiro que te dera por inteiro ... poderá! parece püis haver alguma identidade de sentimentüs, na atracção. e nüs encüntros düs hümens cüm as mulheres , pelo. que me atrevo. a üferecer à marinha traçüs biügráfi– cüs daqueles príncipes - que, do. castelo. de s. jürge, vi– ram lisbüa e , ia jurar, se impressiünaram cüm as suas cü– linas, cülüridü, telhadüs vermelhüs (pürque, no. japão. , talvez só nagasáqoi permita tal panürama, e ainda pür– que üs seus telhadüs são. geralmente negros) e cüm a visita aüs túmulüs de vasco. da gama (universal «namban») e de camões (cujo. püema épico. está traduzido. em japü– nês). na sequência duma cadeia rígida de sucessões - cüm mais de 2500 anüs e única na história - só tempüraria– mente interrompida (era muromachi -1336/92) quando.</Page><Page Number="161">existiram dois imperadores (em heian e em yoshino) no curso dum período contur,bado pela guerra civil (sengoku jidai) - o príncipe que nos honrou com a sua visita será o 125. imperador do japão, chegada a ora de suceder a sua majestade o imperador hirohito, o qual, em 29 de abril deste ano faz 84 anos de idade e 59 dum patético rei– nado que mereceu do noticiárioc) , quando visitou p,aris, depois da ii guerra mundial, a seguinte imagem: a sua passagem miraculosa através da fantástica prova dessa guerra, constitui, sem contradita, uma das aventuras humanas mais extraordinárias do nosso tempo. akihito, seu filho mais velho, casou, em 1959, com michiko shóda, filha de uma família comum, cujo pai era um homem de negócios , em tóquio . assim como o casamento de seu pai já não tinha sido um verdadeiro «casamento arranjado», pois não foi con– traído com uma senhora nobre do ramo fujiwara, como mandaria atradição, o casamento de akihito foi um «ca– samento de amor», reflectindo a modernidade do japão. é que akihito e michiko encontraram-se na europa onde ambos completaram a sua educação. uma vez aprovado, esse casamento efectuou-se com todo o cerimonial, e recordo-me de ter visto no cinema as imagens do jovem par imperial percorrendo as ruas de tóquio, numa carruagem aberta , puxada por três pare– lhas de cavalos, perante muitos milhares de japoneses (100 milhões pela tv), que se agruparam em corporações c) raymond cartier, «paris match». livro das armadas texto actualizado do códice reproduzido na contra– capa: ano de 1505 partiu dom francisco de almeida, por capitão geral para a índia, a 25 de março, com uma armada de 22 velas, 12 para tornarem com carga da especiaria, e as mais fica– rem na índia, e ele também, com o título de viso-rei. o qual fundou à ida uma fortaleza em quíloa e outra em angedi– va, conforme ao regimento que el-rei para isso levava. o qual, depois de acabar na índia o seu tempo da gover– nança, tornando para portugal, o mataram os cafres na aguada de saldanha, e nessa peleja morreram passante de 50 homens nobres em que entraram 12 capitães. e os desta frota eram estes: «bela», pêro ferreria fogaça. com uma água que abriu quarenta léguas aquém da linha, se foi a nau ao fun– do, salvando-se a gente das da companhia, e assim alguma fazenda de cima das cobertas; «s. jerónimo», d. fernando de almeida; rui freire; vasco gonçalves de abreu. à ida, com temporal, se lhe quebrou o mastro; «conceição», bastião de sousa; rodrigo rebelo; antão gonçalves, alcaide-mor de sesimbra; fernão soares. à tornada, --çom ventos contrários, fez e distritos, descalços sobre impecáveis esteiras (tata-, mi»), para saudar essa democratização espectacular. . nesse cortejo nem faltou o incidente dum excitado jo– vem extremista, que fez a tentativa de apedrejar a carrua gem . dizia então uma reportagem: michiko aprendeu que uma princesa imperial não deve mostrar medo... no ano seguinte nasceria do casalo príncipe naruhito - a seguir fumuhito e uma filha saxako - que assegura– ram a continuidade dessa cadeia milenar de sucessão. recordam-se que, recentemente , também 'a inglater– ra se orgulhou do seu príncipe herdeiro ter casado com lady di; talvez por h.(, ç,ertas semelhanças entre os ilhéus britânicos e os ilhéus nipónicos. pode ser que attenborough - .0 da «vida na terra» e do «planeta vivo» me autorize a dizer que , no final da.segunda era glacial, surgiram no mar esses dois arqui– pélagos, tão distantes mas com algumas implicaf5ões pare– cidas, em relação aos continentes a que pertencem: os bri– tânicos diferentes dos cont(nentais, os japoneses diferen-tes dos chineses. • michiko e lady di tinham de pertencer-lhes. hoje são mulheres e mães de futuros imperadores e reis, sím– bolos religiosos das respectivas nações. para os ingleses, o pequeno «wills» - filho do prínci– pe herdeiro carlos e de lady di - é o popular reizinho. para os japoneses, o jovem naruhito - filho do príncipe akihito e de michiko - será imperador nos anos 2000. façamos votos de paz para os reinados desses prínci– pes, já que seus avós não a tiveram. viriatotadeu, . cap.-trag, emq nova navegação por fora da ilha de s. lourenço, que até então não se tinha feito; . lopo de deus, capitão e piloto; «leonarda», diogo correia; joão serrão. para ficarem na índia são as abaixo, com estes capi-tães: «s. jorge», joão homem; dom francisco de eça; gonçalo de paiva; antão vaz; lopo chanoca; gonçalo vaz de góis; filipe roiz; «taforeia», bermum (sic .bermudas) dias, um fi-dalgo castelhano; lucas da fonseca . invernou em moçambique; caravelão; '. com temporal que teve lhe abriu a nau uma água, e não por a não poder vencer deram com ela com seco quarenta léguas aquém do cabo das correntes, salvando-se a gente e madeira de que fizeram um caraveliío, que depois se perdeu. n. r. - a armada de que trata este códice está desenhada em duas páginas, 8 e 9. a que se reprdllz na nossa contracapa é a segunda daque/às . 15</Page><Page Number="162">ii aquilo que a gente não esquece (9) em plena praça de são pedro aos domingos e quartas-feiras é tradicional o papa aparecer, pelo meio-dia, a uma das janelas do chamado palácio apostólico, para falar aos peregri– nos reunidos na praça de são pedro, sempre aos mi– lhares, e dar a benção urbi et orbi à cidade e ao mun– do . esse acontecimento atrai multidões enormes nas datas solenemente assinaladas e festivas para a igre– ja católica, nomeadamente no natal e na páscoa. agora, porém, estava-se no verão de 1970. tinha re– gressado de uma comissão militar em moçambique e da célebre viagem 'à austrália, por ocasião das cele– brações do seu bic:entenário. e vai daí, tiro um bilhete de comboio em santa apolónia, válido por três meses, e cujo custo, vejam bem, foi de 289300 (dois mil, oitocentos e noventa e três escudos), marcando, por alto, este itinerário: lis– boa, fuentes de ofioro, madrid, barcelona, perpi– gnan, nice, mónaco, génova, la spezia, livorno, roma, san marino, pádua, milão, paris, hendaia, irun, vilar formoso, lisboa. neste percurso e durante fontana di trevi. 16 três meses eu poderia parar onde e quando quisesse e retomar, de novo, a viagem, quando muito bem me apetecesse! recordo que fiz uma boa permanência emnice, mónaco, milão e paris. a maior, contudo, de quinze dias, foi em roma. de cada ponto de paragem fazia depois umas incursões às zonas turísticas e de grande relevo monumental e histórico. em madrid, por exemplo, além da visita à cidade, fiz uma derivação até toledo e outra a segóvia, sem falar da imprescindível ida ao escurial e vale dos caí– . dos . por muitos motivos e, especialmente, pela moda– lidade pouco habitual de viajar, muito recordo essa viagem. mas, deixemos isso. vamos a roma. é lá que eu agora me quero situar. a tal ponto a atmosfera era cá– lida que alguns turistas se refrescavam nas grandes «fontanas)) da cidade eterna, mormente na fontana di trevi. molhavam as mãos, os pés, a cara, e alguns, os mais desinibidos ou atrevidos, atiravam-se para a água. mau grado o calor que se fazia sentir naquele verão de 1870, nem por isso deixei de calcorrear as vias e vielas da velha urbe romana e fui deambulando de palácio em palácio, de basílica em basílica, de pra– ça em praça, «intra-muros e extra-muros)), no vatica– no e no quirinal, na via ápia e nas catacumbas, no forum e no capitólio, no coliseu e no monte gianico– lo, em trinidad d'el monte e no termini, na parte anti– ga e na parte moderna da roma imperial, tudo eu fui desbravando, de máquina a tiracolo, e de canhenho na mão. passada que foi uma semana, já me eram fa– miliares algumas zonas turísticas da cidade e já «par– lava)) um pouco de italiano com o senhor vitório artu– ro, dono d uma livraria, junto ao tibre, relativamente perto do famoso castefo de sant'angello, onde me deslocava diariamente para comprar o jornal da santa sé, «l'osservatore romano». mas uma coisa ainda eu não tinha visto, nela ainda eu não tinha participa– do. referia-me à audiência pública que o papa conce– de aos peregrinos, todos os domingos , pelo meio-dia, na praça de são pedro. o domingo chegara. e, obede– cendo a um hábito costumeiro, de todas as vias roma– nas muitos e muitos milhares de pessoas afluíram para a grande via de la conciliacione que dá acesso à famosa praça que bernini tornou tão célebre com a sua bela e gigantesca colonata. os turistas, entre os quais me contava, aguardavam impacientes, em ple– na praça, olhando a cada passo para a janela dos apo– sentos papais, de onde paulo vi falari:a à multidão, abençoando-a em seguida. uns momentos mais e os sinos assinalaram, em baladadas compassadas e sonoras, a hora exacta, meio-dia . vivas, lenços acenando, aclamações em diversas</Page><Page Number="163">ínguas, e o papa surge, na sua sotaina branca, sau– dando do alto, em gestos largos, a imensa multidão. nesse momento de ' alegria e júbilo, alguém que des– de então nunca mais encontrei, um ex-capitão mili– ciano, que comigo estivera no niassa, ao vislumbrar– -me, irrompeu num alto grito : «ó capelão, siga a mari– nha)) . meio atónito, olho no sentido donde me chegou essa voz . era ele, o capitão. aproximei-me, abraçá– mo-nos, e, quase instintivamente, recolhemocnos em silêncio, dominados pelo silêncio da multidão que, entretanto, se calara para ouvir o papa. «laudetur jesus christus)), seja louvado nosso &amp;. senhor jesus cristo, começou o sumo pontífice. de- ). pois, fez uma breve alocução sobre o sentido do pri– meiro sínodo mundial dos bispos que nesse ano se .. realizava no vaticano . no final, saudou os peregrinos • em diversas línguas, entre as quais a portuguesa. não sei se haveria mais portugueses presentes. nós, porém, lá estávamos, vibrantes e alegres, uni-praça venezia . dos numa saudação que jamais esperaria ouvir num • lugar tão longínquo e sagrado: «siga a marinha)) . em jeito de explicação direi que essa expressão esteve muito em voga entre 'osmilitares de moçambi– que, na década de sessenta. mais tarde vi-a gravada em esferográficas. agora, uma vez por outra, ouço-a a alguns amigos da «briosa)). mas, uma coisa é certa. apontamento num velho e curiosíssimo livro, total e entusiastica– mente dedicado àquela coisa, hoje imprescindível ape– sar de irritante, mas noutro tempo luxuosa e intrigante, chamada telefone, encontrei umas deliciosas linhas refe– rentes à sua utilização pela marinha. dizia o autor, fazendo empolgante propaganda àque– le objecto revolucionário, que a marinha podia aplica-lo no serviço dos «electro-semapharos», dos «fortes no mar» e nos navios surtos no porto, para assegurar facil– mente as comunicações entre as embarcações de uma esquadra e a terra. «molhando pequenos cabos que vi– riam à superfície do mar ao longo das cadeias e termina– riam nas bóias dispostas recentemente nas baías, os na– vios de guerra amarrando-se, corresponder-se-iam des– ta forma com a perfeitura marítima e molhando tempora– riamente os cabos leves d'um navio ao outro o almirante ficaria em comunicação íntima com os seus navios» . outra grande vantagem, diz o signatário desta obra, é para os torpedos submarinos, pois pode-os inflamar quando se trata de conhecer a posição exacta do navio inimigo, depois de duas miras feitas a dois pontos dife– rentes da costa. além disso, o estado dos torpedos tam– bém pode ser verificado a cada momento e assim se re– conhec;er a continuidade do circuito por meio çlas cápsu– las fulminantes, substituindo com vantagem os galvánó– metros. outra aplicação seria a sua fixação nos capacetes dos escafandros para evitar que o mergulhador tenha de vir ao navio constantemente fornecer informações. «um jornalista científico descobriu ainda que com o nunca gostei tanto de a ouvir como na praça de são pedro, e em momento tão solene. enfim, uma daque-las coisas que a gente não esquece. delmarbarreiros, capelão graduado em cap. -frag. telefone se pode determinar exactamente a posição do meridiano magnético. assim, arranja-se um telefone beu cujo modelo magnético seja constituído por uma haste de ferro de um metro de comprimento, sustentada por uma suspensão «cardan» sob um ângulo çle inclinação aproximado do que der a bússola de inclinação. sob a influência do magnetismo terrestre, esta haste magneti– zar-se-á, e o telefone transmitirá os ruídos produzidos por um vibrador qualquer colocado nas proximidades da sua embocadura. estes rúídos, naturalmente que serão tanto mais fortes quanto mais enérgica for a magnetiza– ção da haste de ferro, e se se volta o telefone sobre o pia– no horizontal, fixando a barra na mesma inclinação, os sons transmitidos ao telefone receptor serão máxima quando o eixo da barra estiver no plano do meridiano ma– gnético e mínima quando formar com ele um ângulo rec– to. será, pois, fácil, pela direcção que ocupar este eixo no momento em que os sons já não forem ouvidos, reco– nhecer a direcção exacta da linha norte-sul da agulha, porque nos será dada pela perpendicular à linha segun– do a qual está dirigido o eixo da barra de ferro no momen– to dado.» como se vê, o «telefone» poderia ajudar bastante a marinha. nos dias de agora, se bem que indispensável. não há dúvidas que muitas vezes serve para desmagne– tizar a paciência. manuel pinto machado, cap.-fen. 17</Page><Page Number="164">educação física desporto corta-mato do cism realizou-se de 7 a 10 de março, na pista internacional da aldeia das açoteias, o 34. corta-mato do cism (conselho internacional do desporto militar) cuja organização foi entregue pelas forças armadas portuguesas ao exército. o campeonato, que tem realiza– ção anual, juntou 242 atletas de 26 países os quais disputaram as três provas do calendário. no corta-mato curto masculino, entre os vinte países participantes nesta prova, classificou-se a itália em 1. lugar, tendo portugal obtido a 12. a posição. no corta-mato longo masculino, participaram 17 países, classifican– do-se a bélgica em 1. lugar e caben– do a portugal a 9. a posição. no corta-mato feminino concor– reram 5 países, sendo 1. classifica– do a bélgica, tendo portugal obtido o 4. lugar. das equipas portuguesas faziam parte o cabo l oliveira e os 1.os-gru– metes cro pinto e santos. as nos– sas saudações ao 1. 0-grumete pinto e ao 1. 0-grumete santos, que no cor– ta-mato longo, entre 137 corredores, obtiveram respectivamente as 44. a e 33. a posições. corta-mato das forças armadas de 5 a 7 de fevereiro, realizou-se na pista da aldeia das açoteias e como preparação para o cortamato do cism, o campeonato de corta– -mato das forças armadas nas ver– sões masculino (longo e curto) e fe– minino, cujas provas se disputaram em cinco escalões. a armada fez-se representar nas provas masculinas tendo obtido as seguintes classificações: corta– mato curto: i escalão, 3. lugar; ii escalão, 1.; iii escalão, 3.; iv esca– lão, 3.; v escalão, 3.. terceiro lugar 18 na classificação geral. corta-mato longo: i escalão, 3. lugar; ii esca– lão, 2.; iii escalão, 1.; iv escalão, 4. ; v escalão, 1.. primeiro lugar na classificação geral. campeonato distrital de tiro efectuou-se nos fins-de-semana de 2/3 e 9/10 de março, o campeo– nato distrital de pistola, nas modali-torneio aberto de boxe dades : livre, standard , grosso calibre . e pressão de ar. . a equipa do cefa classificou-se em 1. lugar na pistola livre e pressão de ar e em 2. na pistola standard. os nossos parabéns aos comandantes neto, allen e rua, ao sargento oli– veira e ao cabo martins, pelas honro– sas classificações que têm vindo a obter ao representarem o cefa nos campeonatos federados da modali– dade. aspecto de um dos combates de torneio aberto de boxe. decorreu de 4 a 8 de março, na escola de fuzileiros, o torneio aber– to de boxe, no qual participaram 26 pugilistas distribuídos por 5 catego– rias . na sua forma aparentemente vio– lenta, esta modalidade desenvolve em alto grau as qualidades físicas, contribuindo para a formação de um carácter enérgico, leal e resoluto. não houve neste torneio grande participação, mas pelos altos mo– mentos a que se pôde assistir nal– guns combates, para os quais contri-bu íram o empenhamento e boa téc– nica dos pugilistas e o apoio de quem assistiu , ficou provado que é possí– vel e vale a pena a sua continuação. foram vencedores : meios mé– dios ligeiros - 2. 0-mar. silva; meios-médios - 2.0-mar. ramos; médios ligeiros - 2. 0-gr. reco sou– sa; médios - 2. 0-gr. reco vidal; mé– dios pesados-2.0-gr. reco coelho. as nossas felicitações aos ven– cedores e ao treinador ricardo fer– raz, primeiro responsável por esta festa desportiva.</Page><Page Number="165">a  w!! ) , 1 ir • torneio aberto de judo no dia 27 de fevereiro, realizou– -se 1"10 cefa mais um torneio aberto de judo e,como já vem sendo hábito, teve a presença de judocas de outros ramos das forças armadas e milita– rizadas. os 27 participantes em competi– ção representavam 5 unidades e es– tabelecimentos de marinha, o exér– cito, a força aérea e a guarda fis– cal. o torneio disputou-se nas cate– gorias de menos de 65 kg, menos de 71 kg, menos de 78 kg e mais de 78kg. os nossos parabéns ao pessoal da força aérea que foi o 1. classifi– cado nas primeiras duas e última ca– tegorias. volta à base naval (estafetas) no dia 1 de março realizou-se a volta à base naval de lisboa (esta– fetas), alfeite, com a participação de 29 equipas em representação de 15 unidades e organismos de marinha. esta prova, disputada em 5 esca– lões, teve como vencedores as uni– dades seguintes: i escalão, cefa; ii escalão, escola de fuzileiros; iii es-calão, bf1 ; iv escalão, g2ea; ves– calão, força de fuzileiros do conti– nente. torneio de fomento de basquetebol no período de 15 de outubro a 15 de fevereiro, realizou-se no cefa um torneio de fomento de basquete– bol. participaram 22 equipas, sendo 18 do i escalão e 4 do ii. em ambos os escalões classificou-se em pri– meiro lugar a força de fuzileiros do continente a quem enviamos os nos– sos parabéns. medeiros de almeida, 1. o -ten, seg filatelia a xiv exposição filatélica nacional-«aveiro 85» as realizações filatélicas têm re– cebido, e continuarão a receber até ao fim do ano em curso, designações que, no nosso entender, já não refe– rem, de maneira mais apropriada, toda a variedade de exposições que as modernas andanças filatélicas im– plicam. as categorias até agora usa– das, principalmente as referentes à filatelia competitiva, eram definidas apenas em função do número de quadros e da parcela territorial envol– vida. mas apareceram, nos últimos anos, diferentes associações, como as de ordem protissional e social, que alteraram muito o quadro exis– tente. por outro lado, foram criadas novas classes, de competição ou não, que fizeram com que dentro do mesmo nível possam existir aspec– tos bastantes diferenciados. a federação portuguesa de fila– telia (fpf) fez sair recentemente, com efeitos a contar de 1 de janeiro de 1986, um regulamento que con– templa esta matéria. dispensamo– -nos de referir muito pormenorizada– mente a ultrapassada classificação, mas não podemos deixar de aludir a uma importante realização a efec– tuar este ano, a nível nacional, ainda abrangida pela velha designação. de 3 a 14 de outubro vão estar reunidas no pavilhão octogonal do recinto municipal de feiras e expo-sições, as melhores participações de selos portugueses. é a «aveiro 85", cuja organização foi confiada à secção filatélica e numismática do clube dos galitos. aveiro, com gran– des tradições filatélicas, voltou a ser escolhido para realizar uma das mais significativas exposições portugue– sas de selos. foi já palco da i exposi– ção filatélica nacional temática, a «aveiro 66", e da iv exposição fi– latélica luso-brasileira, a «lubra– pex 72", ambas envolvidas por um inultrapassável entusiasmo, tão ca– racterístico dos filatelistas daquela terra, onde não se colecciona ao acaso. pessoas daquela têmpera imprimem uma dinâmica tal aos seus trabalhos que somos levados a concluir que irá ser mais um suces– so a exposição que agora se pro– põem levar a cabo. a sua grande ca– pacidade para fazer trabalhos com– pletos faz-nos admitir que também o programa social será o mais adequa– do ao seu tão interessante meio pai– sagístico. assim, poderão os filatelis– tas assistir, no fim do próximo verão, a uma boa manifestação filatélica, complementada, com certeza, com actividades de carácter cultural. o regulamento da exposição saiu já, e as inscrições, provisória e defini– tiva, devem dar entrada na secretaria da exposição, respectivamente, a 30 de abril e 15 de julho. podem con– correr todos os filatelistas, desde que estejam integrados na estrutura da fpf. a organização da exposição pode, por intermédio dos seus co– missários, rejeitar participações que não tenham nível suficiente para a categoria do certame, ou que, de al– gum modo, contrariem as determina– ções expressas no regulamento. a exposição é patrocinada pelos correios e telecomunicações de portugal , pelos governo civil e câ– mara municipal de aveiro, e pela fe– deração portuguesa de filatelia. •••••••••••••••••••• as novas emissões de selos portugueses quiosques de lisboa - vindos do oriente e entrando na europa pela turquia, os quiosques implanta– ram-se em portugal a partir da se– gunda metade do século xix. a gran– de invasão no nosso país fez-se sen– tir em lisboa, onde as condições ur– banas e artísticas levaram à constru– ção de mais de três dezenas dessas pequenas edificações. inicialmente foi respeitado o estilo de origem e só mais tarde se introduziram algumas alterações, principalmente na deco– ração, incluindo o uso do azulejo. 19</Page><Page Number="166">casa j. lino 8. c.a, com loja de materiais de construção na rua cais do tojo e oficina na rua vasco da gama, depressa se especializou na– quele tipo de contrução. os principais largos e jardins da capital viram aparecer o seu quios– que onde era feito o comércio de re– frescos, tabaco, jornais e revistas. o mais antigo de lisboa foi o do rossio que, a pedido do grande boémio lis– boeta d.tomás de mello, foi cons– truído em 1868. características tão interessantes como as daqueles pe– quenos estabelecimentos cedo fize– ram com que eles entrassem nas nossas tradições. existe actualmen– te pouco mais duma dezena e meia de quiosques em lisboa, e ainda bem que eles escaparam às sucessi– vas modificações da cidade. só ago– ra o espírito de preservação come– çou a adquirir a necessária dimen– são e, reconstruindo quando as con– dições o exigem, ou conservando apenas, está-se a restituir a vida àquilo que, durante tantos anos, ale– grou esses encantadores lugares de estar. os ctt, excelente via de sensibi– lização das populações, emitiram a 19 de março passado, quatro selos, todas da taxa de 2000, que repro– duzimos, ilustrando os mais signifi– cativos quiosques da capital. m. curado, 1. o -ten. sg retrospectiva a história da márinha não é feita só debatalhas navais, viagens, encalhes, naufrágios... é feita também depequenas coisas, como estas. o acaso fez com que me viesse parar às mãos um exemplar do «manual de marinharia e navegação costeira)), editado no porto em 1941. folheei-o, sem finalidade nem interesse, e preparava-me para o de– volver, quando a minha atenção foi despertada pelo prefácio, ou mais propriamente dito, pela pessoa que o assina, o falecido primeiro-tenente engenheiro ma– quinista naval aníbal carneiro giraldes . são desse prefácio estes extractos , de boa prosa : (.. .) a abrir livros de novos, há sempre um nome, q ue com solícitos c ui dados de q uem dirige p rimeiros passos, leva o autor através da multi dão (. ..). mas como da própria vida faz parte a surpresa e até o inverosímil, venho eu abrir um livro, eu que não tenho nome, eu que não tive a virtude de ser ((cavalei– ro)), eu que passo à pressa e envergonhado da minha inutilidade por entre às multidõés anónimas, sem prestígio, sem obra, sem passado, marcando o ramer– rão quase vegetativo, disfarçado pelas funções fisio– lógicas queme obriga a ter que ir vivendo. não sei se virá a decobrir-se um dia que nós, ho– mens do mar, à força dele espelhar nos nossos olhos 20 a sua luz, possamos, por retenção óptica, lançar um reflexo da sua beleza, da sua tormenta e do seu pres– tígio, sobre aquilo que olhamos. e só depois de isso estar assente como ciência certa, eu ficarei de bem comigo mesmo por ter acedido ao honroso, mas tre– mendo de responsabilidade, encargo de prefaciar um livro (. ..). num país como o nosso, que nasceu debruçado sobre o mar, para o mar o atirou a sua adolescência irrequieta, impulsiva e estenuante, e no mar firmou a sua personalidade inconfundível de soberania e alti– va independência, lógico era ver a ancestralidade marcar o estigma do mar nas gerações sucessivas (.. .). mas a decadência naci onal que começou há sécu– l os e s e alastr ou até n ós, p arece q ue embot ou n os cé– rebr os e nos corações o senso do mar, parece que ce– gou os olhos para as caravelas aureoladas, parece que fechou os ouvidos ao cântico eterno da epopeia (...). para um povo como o nosso que se divorciou do mar, que se afastou dele como um tresloucado aban– dona o solar dos seus maiores, há que fazer uma nova propaganda, uma nova catequese náutica, que esti– mule a vontade de marear, que reacenda a chama sa– grada, mas quase extinta, desse,sonho que nos levou à índia e nos deu o império (.. .).</Page><Page Number="167">; • r , conheci o engenheiro giraldes a bordo do aviso «pedro nunes)) . eu era o oficial imediato, primeiro-te– nente; ele, o chefe do serviço de máquinas, também primeiro-tenente, mas muitomais antigo que eu. como é sabido, o imediato é o substituto do co– mandante nos seus impedimentos, e seu braço direi– to no dia a dia da vida de bordo; por isso é, natural– mente, o oficial embarcado mais antigo a seguir ao co– mandante. quando isso, excepcioilalmente, não acontece, podem gerar-se situações delicadas, e por vezes até conflitos de competência, que prejudicam o bom ambiente que deve reinar a bordo. bem basta a vida dura do mar. .. no caso presente, porém, nada disso aconteceu, não obstante termos navegado muito, incluindo uma viagem de instrução de seis meses, com um curso de guardas-marinhas, mal alojados, e consequentemen– te causando certo granel na vida de bordo. é verdade que o facto de termos tido a sorte do co– mandante, capitão-tenente joão pais baptista de carvalho, ser um homem excepcional, muito concor– reu para que tudo corresse o melhor possível. abro aqui um parêntesis para mencionar os res– tantes oficiais: primeiro-tenente joaquim gomes trindade, segundo-tenente médico naval henrique de oliveira alves, segundos-tenentes nuno ximenes teixeira de aragão, horácio josé da silva oliveira e jorge da silva forte e segundo-tenente de adminis– tração naval cupertino ferreira guerra. voltando ao engenheiro giraldes, direi que ele era titular de uma personalidade muito interessante e bastante versátil. alguns anos de serviço na guiné, fizeram dele um caçador muito batido no mato, como ele próprio dizia. e como a bordo não havia caça, para não perder o dedo, sentava-se horas e horas à proa do navio, a na– vegar, à espera que os peixes voadores saltassem da água e voassem para os abater com um tiro certeiro. e, deve dizer-se em abono da verdade, raramente fa– lhava... uma noite, precisamente na guiné, vários oficiais do navio acompanharam-no numa caçada pelo inte– rior. íamos empoleirados numa camioneta de carga, aberta, e éramos acompanhados por dois indíqenas que, como se sabe, têm olhos de lince para detectar a caça. a certa altura, um deles bateu no tejadilho, que era o sinal combinado para o condutor parar a ca– mioneta. apontou para uma árvore à beira da estra– da, na ramagem da qual se viam luzir dois olhos como se fossem lanternas acesas. a ideia generalizada era de se tratar de uma onça, mas o engenheiro garantiu que era apenas um gato bravo. nós acicatávamo-lo, contrapondo que ele tinha medo de ir ao bicho... de– clarando que não percebíamos nada daquilo, apeou– -se e calmamente dirigiu-s para debaixo da árvore fo– cando o bicho com o farolim de caça que levava atado na testa . apontou a arma e disparou. nós vimos um vulto cair, ele abaixar-se, apanhá-lo e, triunfante, ati– rá-lo para dentro da camioneta, exclamando : eu não dizia que era um gato?! mais uns quilómetros percorridos, nova paragem com o guia a apontar outra árvore e mais dois olhos a luzir, desta vez muito maiores e mais brilhantes. o engenheiro, de motu proprio, saltou para a estrada e, cautelosamente, arma engatilhada e pronta a dispa– rar, encaminhou-se para o local. nós. convencidos de que era outro gato, dirigíamos-lhe chalaças em voz alta. ele bem fazia pchiu... pchiu..., mas nós respon– díamos com gargalhadas. foi então que efe. em calão purament nortenho. gritou furioso : calai-vos, gqita! esta frase viria a ficar célebre durante o resto'da via– gem, sendo repetida e propósito de tudo e de nada: entretanto, o bicho tinha fugido e o engenheiro, desalentado, regressou à camioneta invectivando– -nos e afirmando: bolas para vocês. desta vez era mesmo uma onça! como todos....nós. marinheiros. sabemos, a bordo não pode haver segredos. sabe-se tudo, até as intimi– dades de cada um... o nosso amigo giraldes dormia pouco, tinha insónias . andava muitas vezes, alta noi– te. a passear na praça de armas, para cá e para lá, a ver se lhe vinha o sono. dizia ele que com o calor e o chei– ro abafado que reinavam lá em bai,xo, era' impossível dormir. quando um de nós aparecia por ali. ao sair de quarto, aproveitava o ensejo para conversar um pou– co e beber um copito do tinto - única bebida de que gostava - para refrescar... outra das suas facetas curiosas era o jeito natural para discursar. uma vez, em luanda. o governado, comandante lopes alves, jantou a bordo com vários convidados. aos brindes. o comandante ,joão pais, que era avesso a falações. limitou-se a agradecer a presença do governador e acompanhantes, declaran– do que já que ele não gostava, passava e -palavra ao engenheiro giraldes. que era um áspara isso. foi um verdadeiro sucesso! o brinde foi curto, teve sumo e muita graça. o próprio governador que. na minha opinião, era, ao tempo, o melhbr orador da armada, não se cansava de o elogiar, dizendo que há muito tempo não ouvia ninguém falar tão bem. e. para terminar esta evocação de um bom cama– rada - já lá vão 35 anos sobre essa viagem - resta– -me afirmar que esta comissão de embarque foi a mais agradável que fiz em toda a minha vida de mar. a prová-lo. quando encontro algum elemento dessa guarnição, oficial, sargento ou praça, é um nunca mais acabar de boas recordações e de saudades ... m. do vale, c/alm. •••••••••••••••••••••••••••••• 21</Page><Page Number="168">eportagem actividades de unidades do cnc unidades navais em serviço nas águas sob jurisdição portuguesa, da responsabi– lidade do comando naval do continente (cnc), procederam, no passado mês de fevereiro, à identificação de 87 embarca– ções, vistoriando 80, de que resultou o apresamento de 10 (uma das quais espa– nhola) por pesca em área proibida, uso/ posse de artes ilegais, documentação irre– guiar, pesca sem licença ou ausência de meios de salvamento. em consequência, foram apreendidos 1725 kg de peixe e ma– risco diversos, cujo valor da venda rever– teu a favor do estado. no que respeita à salvaguarda da vida humana no mar, na repressão do contra– bando ou em outras actividades, as unida– des dependentes daquele comando tive– ram diversas saídas de emergência para o mar para acorrer a vários navios ou em-barcações em perigo, aos quais prestram assistência ou apoio; os navios envolvidos no exercício contex 851 estiveram em– penhados nas buscas do avião corsair a7, da força aérea portuguesa, que se despe– nhou no mar; controlo dos esquemas de separação do tráfego marítimo nas ber– lengas e nos cabos da roca e de s. vicen– te. também, equipas de mergulhadores efectuaram diversas missões, incluindo a participação nos exercícios phibex 851 e contex 851. ainda em fevereiro, as instalações do cnc e da base naval de lisboa, no alfei– te, e unidades navais aqui estacionadas, foram visitadas por cerca de 260 alunos de várias escolas. ................................  ..................... ........ convívio do pessoal do dfe6 (1966-67) realizou-se no passado dia 9 de feve– reiro o primeiro encontro dos oficiais, sargentos e praças que pertenceram ao destacamento n.06 de fuzileiros espe– ciais, em serviço na guiné de fevereiro de 1966 a novembro de 1967. acompa– nhados dos seus familiares e após concen– tração no portão verde, dirigiram-se para a escola de fuzileiros, em vale de zebro, onde se procedeu a uma homena– gem aos mortos em campanha, descer– rando uma placa comemorativa no monu– mento que perpetua a sua memória. seguiu-se uma visita às instalações da escola e uma missa na respectiva capela , em sufrágio pelos fuzileiros , amigos e fa– miliares já desaparecidos. com um animado almoço no restau– rante do supermercado da marinha, nas barrocas, durante o qual foram recorda– dos pelos presentes os momentos ines– quecíveis vividos há vinte anos nos rios , tarrafos, bolanhas e matas da guiné , ter– minou este encontro , fazendo-se votos para que o mesmo se repetisse periodica– mente . ••••••••••••••••••••</Page><Page Number="169">r notícias da marinha de macau em fevereiro último, realizou-se em hong-kong mais uma reunião entre re– presentantes dos serviços de marinha e dos ctt de macau e do marine depart– ment e do gpo daquele território, sobre a segurança da navegação, tendo o encon– tro anterior ocorrido em macau. foram dados mais alguns passos no sentido de melhorar a segurança da nave– gação entre os dois portos, nomeadamen– te no respeitante aos navios rápidos de transporte de passageiros. os serviços de marinha expuseram as linhas gerais do sistema de comunicações vhf do serviço móvel marítimo a insta– lar este ano na torre de controle do porto exterior, e cujo processo de aquisioção está em curso, tendo sido debatidos os valores das respectivas frequências de operação, com a colaboração dos ctt. iniciou-se também a análise da inter– acção entre as rotas de navegação exis– tentes entre hong-kong e macau e as que se prevêem entre aquele posto e ka-ho (coloane), bem eomo as eondições de na– vegação no canal de acesso ao futuro ter– minai do porto exterior que se encontra em estudo. foram ainda abordados outros aspec– tos ligados com as características e provas de mar. dos novos «ferries» rápidos de passageiros, assim como de nova ajuda à navegação radar que será instalada este ano em macau. "* sessenta e sete iates participaram este ano na tradicional regata redonda entre hong-kong e macau , promovida pela associação de proprietários de iates de cruzeiro de hong-kong , por ocasião das festividades do novo ano lunar. as embarcações chegaram a macau na tarde do dia 20 de fevereiro, ficando abrigadas na doca d. carlos i, dos servi– ços de marinha , e largaram na manhã do di a 22. a comissão directiva do centro náu– tico de cheoc-van, em coloane, ofere- " ceu nas suas instalações um almoço-con– vívio aos velejadores visitantes e aos des– portistas náuticos locais, com o apoio de diversos organismos do terrifório. "* terminaram os trabalhos oceanográ– ficos de recolha de dados relativos a ma– rés, correntes e assoreamentos, realiza– dos pelo .equipa do instituto hidrográfi– co, durante cerca de um mês, e que com– pletam os elementos recolhidos no ano passado . o o plano de trabalhos foi cumprido, e a equipa regressou a lisboa no dia 16 de fevereiro. os resultados do tratamento dos da– dos recolhidos começarão a estar disponí– veis para consulta, no instituto hidrográ– fico, a partir de julho próximo. (colaboração dos serviços de marinha de macau ) alguns dos iares que parflc/param na regara hong-kong/macau recolhidos na doca do carlos i. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• o 10. 0 aniversário do csa para assinalar o seu 10. aniversário, o clube do sargento da armada (csa) le– vou a efeito, em fevereiro e março passa– do, na sua sede social, em lisboa, e na delegação n. 01, no feijó, várias manifes– tações culturais , musicais e associativas, de que destcamos os recitais de piano por alga prats e de viola pelo trio per chita!' (filipa meneses, ana barbosa e helena martins); o concerto musical pelo grupo de metais sonaré; os colóquios su– bordinados aos títulos «dia internacional da mulher» (dr." odete santos e emilia– na simões , do mdm) e «condição mili-tar» (deputados acácio barreiros, do ps , e joão amaral, do ·pcp. os representan– tes do psd e do cds, também convida– dos , não puderam comparecer); os semi– nários em que foram abordados os temas «o associativismo e a sua importância qa sociedade portugesa» (escritor romeu correia) e «o movimento associativo antes e depois do 25 de abril na classe de sargentos» (sarg. -chcfe o tomé roma– no), «criação e desenvolvimento da 'csa» e «contribuição para o historial do csa» (antigos dirigentes do csa), e uma tarde infantil animada por carlos moniz. 23</Page><Page Number="170">inda, na sede, esteve exposta uma mostra documental sobre a fundaçãó e os primeiros anos de vida do csa, e, na de– legação n. " 1, for am distribuídos os diplo– mas aos dezasse te sócios e famili ares que frequentaram o 2." curso de informática (programação em linguagem «basic») , mini strado graciosamente por vítor teo– tónio silva. aspecio do colóquio "condição militar». na delegação n." i. no feijó (folo do i. "-sarg. a rui porfírio) . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• sacadura e coutinho recordados no dia do rio de janeiro em lisboa na sequência de um acordo de gemi– nação estabelecido entre as cidades de lisboa e do rio de janeiro , celebrou-se, no dia 1 de março, por iniciativa da câ– mara municipal , o «dia do rio de janeiro em lisboa». a sociedade de geografia de lisboa, . por fazer parte do inventário cultural da cidade e por estar profundamente ligada às relações luso-brasileiras , não podia fi– car indiferente às celebrações deste dia e, por sugestão do pelouro cultural da câ– mara , levou a efeito uma breve evocação da travessi a aérea lisboa-rio de janeiro por sacadura cabral e gago coutinho. a cerimónia realizou-se na sala gago coutinho, onde se conserva o espólio le– gado àquela sociedade pelo sábio-almi– rante , e teve a presença do embaixador do brasil , do almirante chefe do estado– -maior da armada e do presidente e ve– readores da câmara municipal de lis– boa. usaram da palavra o presidente da sociedade de geografia, capitão-de-fra– gata se rra brandão, e o prof . dr. castelo branco . o primeiro orador recordou gago coutinho, notável figura de lisboeta e he– rói nacional sobre quem não pairam som– bras nem reservas e que tanto se distin– guiu como marinheiro, geógrafo, avia c ' dor, historiador e sócio ilustre daquel a sociedade. o segundo, focou o papel im– portante que a travessia aérea lisboa-rio desempenhou no fortalecimento da ami– zade e das relações entre portugal e o brasil. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 24 nascimento do infante d. henrique em colaboração com a sociedade de geografia de lisboa, a escola naval rea– lizou, no dia 4 de março findo, uma ses– são evocativa do aniversário do nasci– mento do infante d. henrique, ocorrido neste mesmo dia do ano de 1394. a cerimónia, que foi presidida pelo al– mirante sousa leitão, chefe do estado– -maior da armada , constou, após breves palavras de abertura do presidente da co– missão infante d. henrique daquela so– ciedade, padre joão soares cabeçadas, antigo capelão da armada, de uma alocu– ção proferida pelo cadete fonseca ribei– ro e a deposição de uma coroa de flores no busto do infante, situado no átrio de entrada da escola naval , seguida das res– pectivas honras militares . recorda-se que aquele estabe leci– mento de ensino superior da marinha tem como seu patrono a nobre figura do infan– te d. henrique e como lema a sua célebre divisa ta /ant de bien faire . ainda durante a cerimónia, o capitão– -de-fragata serra brandão, presidente da sociedade de geografia, anunciou a cria– ção de um prémio com o nome de almi– rante teixeira mota, no valor de cem li– bras esterlinas, a abribuir ao aluno finalis– ta dos cursos da escola nava l que, no en– tender do respectivo conselho escolar, se tenha distinguido de maneira pouco vulgar, ao longo do curso, no estudo ou na divulgação da história dos descobri– mentos portugueses dos séculos xv e xvi. ••••••••••••••••••••</Page><Page Number="171">o 46. o cfornque jurou bandeira. o cfose de 1982-84 que récebeu as espadas. juramento de bandeira , e entrega de espadas presidida pelo vice-almirante serpa de vasconcelos, vice-chefe do estado– -maior da armada, realizaram,se na es" cola naval, no dia 8 de março último, as cerimónias do juramento de bandeira dos cadetes do 46. 0 curso de formação de oficiais da reserva naval e da entrega das espadas aos oficiais do curso de for– mação d oficiais do serviço especial (1982-84). aproveitando o acto, foram impostas diversas "condecorações a milita– res da armada . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• novo comandante da «augusto castilho» em cerimónia presidida pelo vice-al– mirante cardoso tavares, comandante naval do continente, o capitão-tenente paes de vilas-boas assumiu o comando da corvta «augusto castilho». cessou aquelas funções o capitão-tenente alves correia. •••••••••••••••••••• 25</Page><Page Number="172">fragata da rfa «niedersachsen», que esteve no tejo. navios de guerra estrangeiros em portos nacionais para descanso das respectivas guarni· ções (cerca de 800 homens), aportaram ao tejo, no dia 8 de março, o contrator– pedeiro «bayern», as fragatas «augs– burg» e «niedersachsen» e o navio de abastecimento «freiburg», os quais, jun– tamente com outras unidades da marinha da república federal da alemanha, par– ticiparam , no mediterrâneo, desde 20 de janeiro passado, em exercícios conjuntos com navios das armadas da grécia ,tur– quia, egito, frança, itália e espaha. também naquele mês estiveram no porto de lisboa, em visitas de rotina, de 15 a 18, a fragata «lowertoft», da royal navy; de 19 a 22, o navio-auxiliar «gode– tia» , da marinha belga, e de 26 a 30; o na– vio-patrulha irlandês «l. e. aisling». por ocasião da visita da rainha isa– bel ii de inglaterra ao nosso país, visita– ram os portos de setúbal e de lisboa, de 26 a 30, o iate real «britannia» e a fragata «boxer», da royal navy. entretanto , em fevereiro findo , apor– taram ao funchal, em visitas de rotina, os contratorpedeiros «duguay-trouin» e «duperre» e a fragata «jean-moulin», da marinha francesa , com 618 oficiais, sar– gentos e praças , na totalidade. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 26 a exposição dos ex-votos marítimos na alemanha quando da inauguração da esposição de painéis marítimos, em 10 de maio de 1983, entre os numerosos visitantes en– contrava-se o dr. santos graça, adido cul– tural à embaixada de portugal em bona , que imediatamene manifestou o desejo de a mostrar na república federal da alemanha. para o efeito, conseguiu a aprovação dos ministérios dos negócios estrangei– ros e da cultura, que viriam a suportar a maior parte das despesas. com o consen– timento do almi rante cema, o museu de marinha preparou a mini-exposiço que seguiu para a alemanha , em 1984, com o título novo de «milagres - relance da pintura votiva portuguesa». a rfa contribuiu com a impressão do catálogo, preparado pelo dr. lopes cardoso , que viria, infelizmente, a fale– cer depois da inauguração, e a tap deu facilidades para o transporte do material. a exposição foi inaugurada em bona , no dia 24 de maio, coincidindo com o iní– cio do festival de verão desta cidade e com a semana cultural portuguesa , na qual participaram também o balet gul– benkian, um grupo folclórico de braga, uma companhia de teatro de marionetes, o guitarrista carlos paredes e a pianista manuela gouveia . na cerimónia de abertura, feita numa sala do kulturforum, com muita dignida– de, proferiram pequenos discursos, em</Page><Page Number="173">íngua alemã , o representante do burgo– mestre, o director do nosso museu de ma– rinha e o embaixador de portugal. a exposiçãó esteve aberta até .20 d junho, em bona; de 7 de julho a 9 de se– tembro, em brenierhaven, no museu ma– rítimo local; de ·27 de setembro a 24 de outubro,' em siegburgo , na respectiva cãmara municipal e, finalmente, de 30 de outubro a 30 de novembro , em marbur– go, na biblioteca da universidade desta cidade. fizeram comunicações sobre a exposi– ção: o director do museu marítimo de bremerhaven , dr. ellmers, o professor dieter woli , do departamento de roma– nística da universidade de marburgo e o dr. kr.aatz , di rector do museu do institu– to de ciências de religião da mesma uni– versidade . a comunidade portuguesa afluiu m número significativo à exposição e a im– prensa alemã referiu-se elogiosamente à iniciativa. dadas as dificuldades de transporte apenas seguiram sete originais, num total de 60 peças, reproduções fotográficas de muita boa qualidade. um diagrama expli– cativo em alemão valorizou muito a expo– sição. (colaboração do museu de marinha) (lg c:; f.s n. s: oe' almodn ixrt.. ose emg:pbr_gnavv\gem l?9. um dos painéis votivos que esteve exposto na alemanha federal. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• o cemgfa da irlanda no alfeite o general geral o'sullivan, chefe do estado-maior-general das forças arma– das da irlanda, que esteve no nosso país a convite do seu homólogo português; vi– sitou , no dia 12 de março, o comando naval do continente e a escola naval, no alfeite, onde foi recebido pelos respecti– vos comandantes, vice-almirante cardo– so tavares e contra-almirante fuzeta da ponte. após ter visitado alguns departamen– tos da escola naval , o general o'sullivan assistiu a um «briefing» no comando na– val do continente sobre as missões e or– ganização deste comando ,. visitando de seguida a fragata «comandante roberto ivens». o gen. gerald o 'sullivan na escola naval. •••••••••••••••••••• 27</Page><Page Number="174">isitas ao almirante cema o almirante sousa leitão, chefe do estado-maior da armada, recebeu no seu gabinete, no dia 15 de março findo, em visita de apresentação de cumprimen– tos , o contra-almirante norte-americano warren c. hamm. novo segundo-co– mandante do cinciberlant, e o con– tra-almirante da mesma nacionalidade louis a. williams, que deixou de exercer aquelas funções e regressou ao seu país . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 28 concerto de música na escola naval comemorando a passagem de mais te , comandante da escola, oficiais, cade– um aniversário da escola naval, realizou-tes e familiares, além de representações -se no seu auditório, no alfeite, no dia 19 de alunos das academias militare da for– de março passado, um concerto pela or-ça aérea. questa de câmara de lisboa, sob a direc-ção do maestro jorge matta. foram exe-cutadasobras dos compositores francisco antónio de almeida, pedro antónio avandano e mozart. estiveram presentes o almirante sou– sa leitão, chefe do estado-maior da ar-mada, o contra-almirante fuzeta da pon- ••••••••••••••••••••</Page><Page Number="175">acaréu? maremoto? tsunami? o número de fevereiro da «revista da armada» pu– blica uma tradução da agência novosti , com o título «macaréus : as ondas da morte», que aborda fenómeno relativamente raro de ondas gigantescas isoladas, com particular ocorrência, e desfecho por vezes catastrófico, em certas regiões da terra, designadamente no pacífico ocidental. já o n.o 61 /0ut. de 76 desta revista inseria tradução livre de artigo semelhante, intitulado então «tsunami -a vaga gigantesca». não se põe em causa, agora, nem o fenómeno des-crito, que coincide (embora a novosti, quando diz avan– çando em sentido contrário ao da corrente levante certa perplexidade) , nem a validade das ipótéses que preten– dem explicá-lo . a dúvida que se levanta é do nome om que o fenómeno foi baptizado . macaréu , como até aqui o conhecíamos, era também onda invulgar, sim, mas regular e fiel no assento geográ– fico , e tão previsível como a sucessão das mares nqs lu– gares onde ocorre. na guiné (bissau) , por exemplo . em rios como o corubal (ou cocochi) e o geba (ou chaian– ga) ende a maré se faz senti r até quilómetros da foz com desníveis que deixam as margens lodosas muito mais largas que o curso líquido fluente, a subida para a praia– -mar retarda um tanto em relação ao estuário, ou canal marítimo, de sorte que este, alcançando nível mais ele– vado, entra por aquel es rios em forma de onda, tanto mais alta quanto a proximidade da conjunção lunar. esta onda pode atingir um ou dois metros de altura, e avança contra a corrente (esta sim.. .) do próprio rio, constituindo perigo para canoas e embarcações maiores. tem, toda– via, a gentileza de se fazer anunciar com tempo, pois o seu ruído ouve-se de muito longe, permitindo o resguar– do que as circunstãncias aconselhem. normalmente.. . este era, para mim, o fenómeno que designava de macaréu. de onde vem o nome, qual a etimologia, como destrinçar-lhe, através da análise, o real significado? não descobrimos. eça de queirós, que sabia do ofício de escrever, embora não filólogo d renome , escreveu em «cartas familiares» : no japão foi um desses pavo– rosos macaréus, (...) invadindo em desmedido vagalhão léguas de costa e lambendo aldeias, cidades, centenas de milhares de criaturas. aqui, novosti e eça estão per– feitamente consonantes. na mitologia grega, macaréu foi um dos filhos de eolo, deus dos ventos, que teve mais cinco rapazes e seis raparigas, personificando os doze ventos principais. 29 ,</Page><Page Number="176">acaréu era só um deles. mas podia muito bem ter sido a origem da designação patronímica, da mesma forma que as comuns giletes devem o nome ao milionário ame– ricano charles gillette, seu inventor. permanece obscu– ra , no entanto, a relação causa-efeito, que, mesmo dez séculos antes de cristo , já seria de exigir. de facto , nem a onda gigantesca, devastadora, nem a menos especta– cular e mais cert inha onda fluvial , são relacionáveis ine– quivocamente com o vento . parece também que aquele divino maracéu teve li gação incestuosa com umas das irmãs (os deuses tinham muitas coisas destas) , e o pai eolo, descobrindo, obrigou-o a suicidar-se. tal desfecho trágico , no entanto, parece carecer de força (e de razão) para justificar a patronímica. alvitrou alguém que o nome para o fenómeno da onda isolada ,gigantesca, devia ser maremoto; ora, se maremoto não deixará de ser, na medida em que é mar em movimento, também aqui o costume consagrou o ter– mo para agitação mais ou menos localizada, resultante de tremor de terra em fundo marítimo , sem ondas avas– saladoras. a armada de vasco da gama, de 1524, reag iu a seu modo ao fenómeno : sendo com a frota das ditas velas junto da costa da índia lhe tremeu o mar um quarto de hora, e com temor se bombardearam umas às ou– tras ("'). é, porém, fenómeno diferente. no tremor de terra (',) " livro das armadas". que assolou várias zonas da europa em 1 de novembro de 1755, e arrasou lisboa, também as águas do tejo in– vadiram a cidade, mas não com onda gigantesca. enfim, não parece que haja limites rigorosos , nem de extensão nem de intensidade, quanto à agitação das águas de um maremoto, e que uma ou duas ondas su rgi– das do epicentro , se possam propagar a centenas de mi– lhas. mas, ainda assim, será de todo indiferente chamar o mesmo nome àquilo que é, e àquilo que nasce de? felizmente que este não é um dos azares que deva fazer parte das nossas preocupações quotidianas, não obstante a zona sísmica em que (despreocupadamente) sobrevivemos. portanto, o nosso pobre idioma, hoje mais maltratado que p'ano de burel em moinho de pisão, não sentirá falta tamanha como seja a de nome exacto para fenómeno que só raramente terá de citar. ainda assim, já que da china nos veio a palavra chá (hoje tão portuguesa que até dá'para variados fins) , e do russo herdámos o vo– cábulo tzar (ou tçar) , porque não aceitarmos do japonês o nome de tsunami (ou tçunam/) para o fenómeno da onda avassaladora (mais deles que nossa) , e deixar o de maca– réu, para aquele outro, mais turístico, próprio, fiel e certi– nho, de certos rios? sousa machado, cap.-m.-g. omar dos nossos poetas pesquisar na nossa poesia todas as formas poéticas que e la nos oterece, tendo por tema ou fonte inspiradora o mar, não será de modo algum tarefa fácil; os exemplos brotarão a um ritmo quase constante e as multi-dimen- .. .ieste clima e este mar nos apresenta,lque mar cousa parece que tor– menta? «mercúrio-mensageiro aparece, em sonhos, ao gama» - aguarela, sem assinatura, para ilustração d' «os lusíadas» . sões de que um poeta pode revestir o mar, serão deveras surpreendentes! aos nossos olhos, aquele vasto lençol de água que se perde no horizonte, não passa dum elemento físico que encerra em si uma outra forma de vida. mas, aos olhos do poeta, ele ganha expressividade, cor, vida ... ele chega mesmo a personificar os sentimentos do poeta como se fosse alguém que tão depressa se lhe alia , como se transforma num poderoso inimigo. durante algum tempo, lancei mãos à nossa poesia e empenhei-me no tipo de pesquisa que acima mencionei; tive o cuidado de apenas utilizar obras que constituem o legado dos nossos mais representativos poetas, e o resul– tado do meu trabalho foram centenas de exemplos que nos dão uma visão bastante vasta da infindável interpreta– ção temática e ideológica que o mar pode encerrar no campo poético. camões , o nosso poeta por excelência, é, sem dúvida alguma, aquele que mais vezes transfere para o mar os seus sentimentos . recordo, de «os lusíadas», a descri– ção que ele nos dá do medo que se instala nos marinheiros quando passam o cabo bojador: que pôs nos corações um grande medo; bramindo, o negro mar de longe brada, como se desse em vão nalgum rochedo. «á potestade (disse) sublimada: que ameaço divino ou que segredo este clima e este mar nos apresenta, que mar cousa parece que tormenta?</Page><Page Number="177">ste é , decididamente , um exemplo significativo de como os receios humanos podem ser asssumidos pelo mar que, neste caso, tem um papel quase que divino , opondo– -se à vontade do homem . sobre este mesmo exemplo, deu-nos fernando pessoa uma outra visão, talvez mais realista , do que a de ca– mões: quem quer passar além do bojador tem que passar além da dor. deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas foi nele que espelhou o céu. seria demasiada ousadia da minha parte continuar este apontamento, trascrevendo versos tendo por tema o mar , o que viria, indubitavelmente , a cair numa monó– toma e descabida tese' literária. não sendo essa a minha intenção, resta-me pdira quantos gostem de poesia que , lendo ou relendo os poetas portugueses, tentem interpre– tar o «cheiro salgado» que neles se encontra patente. compreender o mar patriótico de camões ou o mar tétri– co de bocage , mais não será do que redescobrir na nossa literatura os versos que pessoa , tão bem, construiu . ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de portugal! josé farinha, i .o-mar, l estranho caso do suicídio colectivo dos cetáceos nos aquários dão-se injecções de antibióticos aos golfinhos doentes e esses remédios são eficazes. al– guns deles aceitam de bom grado a ajuda do homem e, er;n certos casos, quando engolem casualmente corpos estranhos, permitem mesmo que se retirem esses objec– tos do estômago com a mão. é bastante frequente lermos nos jornais artigos sobre a morte de cardumes inteiros de golfinhos e outros cetá– ceos junto das costas . trata-se de morte por desidrata– ção. a 10 de outubro de 1946, por exemplo, foi registado nas costas da argentina um fenómeno desse género, de grandes proporções : 853 pequenas toninhas atiraram– -se para uma praia arenosa da cidadezinha de mar dei plata. por vezes, este tipo de fenómenos é interpretado como um caso de suicídio colectivo. todos os cetáceos são mamíferos que respiram ar, subindo à superfície da água. no caso de um golfinho adoecer e de se ver ameaçado pela asfixia dentro de água, emite um sinal a pedir socorro. os seus compa– nheiros, ao ouvirem o sinal, vêm em seu auxílio e come– çam a empurrá-lo para fora da água. dessa forma, os ce– táceos voltam a poder respirar. esta é uma manifestação do instinto de conservação da espécie. os companheiros auxiliam o golfinho inca– paz empurrando-o para a superfície e, dessa maneira, praticam uma espécie de respiração artificial. tudo corre bem enquanto o processo de «salvamento" ocorre num local em que a profundidade da água o permite. mas, perto da costa, os próprios companheiros que vêm em auxílio do golfinho em dificulade podem ficar em maus lençóis, e então começam também a emitir pedidos de socorro, chamando em sua ajuda outros animais. e, as– sim , através duma espécie de reacção em cadeia, todo o cardume pode acabar por dar à costa. o facto mais estranho é que, mesmo que o grupo de golfinhos desidratados seja rebocado para o alto mar, volta para a costa e lança-se repetidamente para terra, o que lhes é fatal. isso seria compreensível se continuas sem a chegar pedidos de socorro vindos do lado de terra. mas, o enigma reside precisamente no facto de que o grupo salvo se dirige novamente para a costa, mesmo quando nenhum dos seus companheiros lá se encontra. a 19 de agosto de 1949, por exemplo, um grupo constituído por 49 golfinhos sofreu um processo de dpsi– dratação nas costas da florida. todo o grupo foi reboca– do para o alto mar e aí libertado, mas os golfinhos, depois de nadarem umas dezenas de quilómetros, lançaram-se de novo para a costa. foram salvos mais uma vez, mas insistiram no seu estranho comportamento. numa zona de costa com 275 quilómetros de exten– são, esses animais deixaram-se desidratar pelo menos umas dez vezes, no decurso de uma semana! e voltaram para a costa sem demonstrarem nenhum sinal de pâni– co, como se o fizessem intencionalmente. o chamamento dos antepassados uma observação científica poderá talvez c:t:ontribuir para explicação desta insólita atitude dos golfinhos. efectuou-se a medição da temperatura de um golfinho doente junto à costa, num local em que a profundidade não era superior a meio metro. na altura em que se volta– va o animal para o lado do mar, ele resistia e procurava com todas as suas forças voltar a cabeça para terra. o golfinho manifestava uma tendência para se manter a pequena profundidade, de modo a poder conservar-se à superfície da água, apoiando-se com as barbatanas e a cauda no fundo . em breve se notou um comportamento análogo noutros golfinhos igualmente debilitados. esses animais também nadavam até perto da costa, apoiavam-se com as barbatanas peitorais no fundo e permaneciam nessa posição até ao fim. quando eram afastados da costa, davam a volta e retornavam para jun– to da terra. este tipo de reacção dos golfinhos pode ser interpretado cómo um «chamamento dos antepassa– dos» , ou seja, como um comportamento determinado pela memória genética de tempos muito antigos, em que os antepassados dos golfinhos viviam em terra seca. na base deste comportamento dos golfinhos doentes encontra-se um grande medo de se afundarem e um de– sejo de voltarem a todo o custo para terra, pois os cetá– ceos, nas primeiras fases da sua evolução, procuravam muitas vezes a salvação nas costas . os espécimes doentes eram a causa dos repetidos regressos dos car– dumes para perto da costa (novosti) . 31</Page><Page Number="178">) ' . ..  .,. . . * cantinho charadístico prosseguindo na nossa explicação das charadas, vamos agora falp.r de ou– traespécie-o logogrifo. e umaes– pécie muito interessante que pode ser construída tanto em prosa como em ver– so, tendo mais beleza neste último caso, isto é, quando construída em verso. para a sua construção escolhemos qualquer vocábulo ou mesmo locução que será o conceito, e com as letras com– ponentes formamos diversas palavras. dessas palavras escolhemos as que jul– garmos mais convenientes para formar as parciais e, com os rspectivos sinóni– mos, construímos uma frase 0u uma poesia. a indicação das parciais é feita por meio de algarismos correspondentes às letras da solução do conceito. para a construção desta espécie é necessário ter em atenção as seguintes exigências: 1. 0 - é obrigatório o uso de todas as letras da palavra ou. locução si– nónima que constitui a solução do con– ceito. 2. 0 - deve ter um mínimo de qua– tro 'parciais. 3. 0 - nas parciais devem ser repetidas, pelo menos, 50.% das letr.as que compõem a palavra ou lo– cução do conceito. seja por exemplo a pallvra al v o r a d a que, como se 12345678 vê, tem oito letras. com essas letras pro– curemos formar quatro palavras com os sinónimos das quais possamos ,construir uma frase. formamos as palavras roda, arda, alvo, lava e com os seus sinónimos construímos a seguinte frase: na sociedade há quem aspire com cândido propósito a que a vida seja con– sumida no benéfico fogo da juventude. 5, 4,7,1/1,5,7,6/8,2,3,4/2,1,3,1. neste logogrifo, cuja solu'ção do con– ceito tem oito letras, foram repetidos os seguintes números: 1, 2, 3, 4, 5, 7. eis porque está dentro das regras: 1.0- fo– ram ,usadas todas as letras. 2. 0 - tem quatro parciais, o mínimo exigido. 3. 0 - nas parciais foram repetidas mais de 50.% das letras, isto é, seis, quando po– deriam ser apenas quatro. para decifrar este logogrifo, escolheríamos um sinóni– mo de alvorada com oito letras, de forma a que as letras correspondentes aos números dos vários grupos formas– sem as quatro parciais ou, procedendo de modo inverso, procurávamos os sinó– nimos das várias parciais de forma a que as respectivas letras, colocadas nos seus lugares, formassem o conceito. 32 exercícios: 1) todos se devem inquietar com a miséria do seu semelhante; de– vem exercer a caridade e não se esquecer que tudo deixam ao morrer. 11, 4, 15; 9/7, 14, 6, 9, 12/6,8,7,5/2,7,16, 17/1, 10.,3, 7,13,12/14, 1, 13,4,7. 2) os homens devem atenuar sem receio a acção do velhaco. é problema já idoso que deve ser encarado atentamente. 4, 6, 3, 10.,8/1,7,3,10.,12/3,12,9,4/3, 12,5, 13,7/11,10.,5,6,2. 3) tem rabilidade mas é ignorante quem dos outros é denunciante. 2-2 (adic.). 4) é lastimoso e causa aflição, um navio com fraca tripulação. 3-2 (afer.) . 5) é condição indispensável do bom militar ser honesto por de– ver. 3-2. (apoc.). 6) o diabo no infernq esfolará qual– quer alma corrupta. (em termo). 7) na prisão o homem sente o re– morso penetrar-lhe no arcaboi– ço. 2-2 (encad .). 8) discreto e ponderado; deve ser o homem bem habituado. 6 (4)7. 9) rendido perante a morte fica tudo, até o forte. 8(-4, 7, 8)5. 10.) armadura com bom feitio, esta– va no pavimento do navio. 2-3 (epent.) . 11) constrói o seu futuro em são princípio, o homem que é justo. 2-2 (3). 12) não é bagatela nenhuma a luta do toureiro, dentro do terreiro. 2- -2 (interc.) . 13) no seio da sociedade, a prudên– cia e o descanso são os compa– nheiros que adopto para cumprir o meu destino. 4, 5 (metag.). 14) o mar para sua glória, de se– reias e marinheiros, tem história. 5(1) (metam) . 15) entusiasmo artístico não é «bota» que sirva a um idiota. 2-3 (parag.). 16) a pouca distância de bom fruto está o homem que é astuto. 2-3 (prot.). 17) libertino refinado, tem o lar des– manchado. 5-4 (sinc.). 18) estude e procure ser um bom aluno na sua classe se não quer ficar reprovado. 2-2 (sint.). mindogues •••••••••••••••••••• * xadrez problema inédito de armando romão (feijó) , dedicado ao xadrezista e amigo eng. o paulo correia. mate em 3 lances, tempo médio de resolução: 1.'5 categorias: 3 minutos 2 .'5 categorias : 8 minutos 3.'5 categorias: 21 minutos iniciados: 37 minutos •••••••••••••••••••• * concurso n.o 164 (sorteio de um prémio entre as respostas certas) l m o m o z a r t o l a e z t i c r a r b i t p s a c e r s e r c r o n e n x t z b i h o a t c e m i o u o c s m l l v n x l h a a s i s c e q r z c b b i m s t r a u s s a c n a t a o e l x z z i i u q b i z e t a l x p l r o z o o a o r l a t i r o n l p x r z e c h o p i n u l e a o x c o a z r m a b i o l h i z x p r t u r a t l n r e i p p a s b c e e a k b z v c w no emaranhado de letras que apresentamos estão mencionados os nomes de dez famosos compo– sitores musicais, procure-os em to– dos os sentidos, menos obliqua– mente. alguns dos nomes estão escritos de forma invertida. marconipto (sqluçãonon. o 166)</Page><Page Number="179">palavras cruzadas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 1  11-1------1 4 5 6 7 8 9 10 111--1--1--1 11 - horizontais: 1 - herói nacio– nal russo considerado como o mais importante percursor das lutas de classes no seu país; rio da suíça. 2 - nome de letra grega; pronome * brídege (terminanos a técnica "perdente sobre per– dente" referida no número anterior) 2. caso: e-1097543 c-d752 0-– p-752 e3 e-ardv62 c-- 0-8532 p-r64 sul joga cinco espadas dobra– das. oeste ataca com o a de copas. você está em sul. vacas tie carvalho, cap.-ten. * damas jogam as brancas e'ganham. problema de josé anselmo trabuco - évora. pessoal; rói. 3 - fronteira portugue- ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• sa; filósofo e literato alemão, discípu- , lo de lesing. 4 - tríplice consoante; * cruzada silabica gracejava (inv.). 5 - planta liliácea; resposta (fig.). 7 - pintor e gravador i francês; liguei-me. 8 - eia; expres– são popular e caricatural que simbo-liza o povo americano. 9 - actriz de 11 comédias burlesas que se serve es– pecialmente do gesto para imitar ca- 2 rácteres ou situações ridículas; tam- 3 pa ou testo de vasilha (pop.). 10 - , temão do arado ou charrua; prep. in- ,14 dicativa de carência; óxido de cálcio \ (inv.). 11 - furto por meio de violên- 5 cia (gir.); escavara. ! verticais: 1 - antiga provín-6 cia do império romano; nadam (fig.) . 1 2 3 horizontais: 1 - cabo náuti-2 - planta anonácea do brasil cujo 7 fruto tem a forma de pinha e é co– mestível; ligue; árvore da malásia de cuja resina se extrai um veneno. 3-velhaco (fig .); conjunto de organis– mos vivos no primeiro momento da sua expansão social. 4 - planta re– nunculácea. 5 - como os anterio– res; nosso senhor (abrev.); abrevia– tura de nada; solitário. 6 - nota mu– sicai; observa. 7 - nota musical ; símbolo químico do astato ; artigo plural; pedra de amolar. 8 - levia– nas. 9 - cão empregé3.do na caça aos veados; coloca em mala. 10 - co de içar ou arriar mastaréus e ver– gas ; parte do navio que vai da popa ao mastro grande. 2 -para ti; timbre de voz ; corda de esparto para arras– tar redes . 3 - navio ; carpideira. 4-– bebida doce e aromática que tem por base a aguardente e o álcool ; castigo (gir.). 5 - outorgara ; parte de um porto , ladeada de muros, para carga e descarga das embarcações . 6 - vento frio, agreste (pop.) ; veste talar, preta, usada por magistrados judi– ciais em exercício ; naquele lugar. 7 - sensação penosa ou desagradá-no reinado de; opinião pi lítica (fig.); semelhante. 11 - localidade; ilha da grécia, no mar jónio. marconipto vel ; provisão de mantimentos de um navio ou de um praça sitiada. verticais : 1 - verga (oblíqua 4 5 6 7 ao mastro), da qual pende a vela lati– na; que conta. 2 - cede gratuita– mente ; que tem velas (falando-se de navios) . 3 - sorteio de objectos por meio de bilhetes numerados ; andei com velocidade ; imperfeita. 4 - vela do mastro da proa entre o traquete e o joanete ; charuto ordinário (gir.). 5 - lado do navio voltado para o ven– to ; pedra de arestas vivas que corta as amarras dos navios ; insensibilida– de produzida pelo hábito (fig .). 6 - que tem grandes ancas ; não digas mais. 7 - amofinara; acção de cor– rigir certos terrenos por meio de cal. minoogues •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 33</Page><Page Number="180">está bem!... mas depois como é? - soluçoes "* xadrez 1.rd5! lance chave. se: 1... ,tcl 2.dxd3 seguido de 3.dh7xeque mate 1...,td2 2.tg6! segue 3.dh8 •••••••••••••••••••• "* damas brancas pretas 24-6 8-26 6-3 31-22 13-18 22-13 23-27 30-23 17-21 25-11 3-17-30-20-2-9 e ganham. 34 "* cantinho charadístico 1 - dar a alma ao criador. 2 - com olhos de ver. 3 - dedo-du roo4 -lugen– te. .5 - obrigação. 6 - capeta/pelara/ /tarada. 7 - cavername. 8 - calhado. 9 - quebrado. 10-coberta. 11- fun– dado. 12 - paliçada. 13 - sino/tino/ /sono/sigo/sina. 14 - ponto/c. 15 - estroso. 16 - esperto. 17 - desafo– rado. 18- esperado (peseroda) . •••••••••••••••••••• "* cruzada silábica horizontais: 1 - andarivelo; re . 2- te; fala ; cala.3- nave; cho– radeira. 4 - licor ; tora. 5 - conferi– ra; doca. 6- taro; beca ; la. 7 - dor ; matalotagem. verticais: 1 - antena; conta– dor. 2 - da; valifero. 3 - rifa; corri ; ma. 4 - velacho ; rabeta. 5 - lo; rato; calo. 6 - cadeirado ; ta. 7 - relara; calagem. "* brídege 2. caso: e-– c-ar1096 o-rv104 p-a1083 e-1097543 c-d752 0-– p-752 1 0 1 e-ardv62 c-- 0-8532 p-r64 e-8 c-v843 o-ad976 p-dv9 pode ver que é um jogo seme– lhante aos outros, se bem que tenha que tomar a precaução, antes de dar a mão a oeste com a d de copas, de eliminar os ouros e o 5 e 7 de 'copas. assim,você corta o a de copas, corta um ouro, vem à mão em trunfo para tirar o trunfo que está fora, corta ou– tro ouro, corta o 5 de copas, corta o terceiro ouro, depois o 7 de copas, o último ouro e joga a d de copas bal– dando um pau. oeste, ou joga paus e você faz o seu r ou joga «corte e balda»e você cortará do morto e bal– dará mais um pau . •••••••••••••••••••• "* palavras cruzadas horizontais: 1 - razin ; reuss. 2 - eta; ele; moi. 3 - cais; abat. 4 - nnn; air. 5 - aloes; troco. 7 - redon; aderi. 8 - ena; sam. 9 - mima; sapa. 10 - apo; sem; lac. 11 - mosca; ocara. verticais: 1 - recia; remam. 2 - ata; lie; ipo. 3 - zaino; demos. 4 - anemona. 5 - ne; ns; na; soo 6 - la; le. 7 - re; at; as; mo. 8 - airadas. 9 - umbro; emala. 10 - sob; cor; par. 11 - sítio; ítaca. •••••••••••••••••••• "* concurso n.o 162 no tipo de letra apresentado no problema acontece que no 1. gru– po , as letras têm dois eixos de si – metria (vertical e horizontal) ; no 2., têm um eixo vertical; no 3., um eixo horizontal; no 4., um ponto de simetria, enquanto que no 5: 0 gru– po, o desenho das letras não tem qualquer simetria . vencedor : carlos f. c. g.cunha. av. eua, 88, 3. 0 -dto. - lisboa.</Page><Page Number="181">s desenhos do almirante braz de oliveira(14) ., .: - - - - a '-'--- - -. - - . ..j!i --.--..........,. .. --. - .. - " - ..- -- ."'. . ,---'  -· 0 '---_---- ----:::: . :';::- .::"'-' '':'  - ___. . . , .. __ _ ;.-:::1: .• - /f" -:::.- . -. _ . :. ' . ..-- - .., -..... . - -...;;::... . w - - '. - - _.::::::: ---_- -- -::".,::::.- ---- barca - no seu livro «os navios da descoberta», o alm. braz de oliveira descreve este tipo de embarcação como sendo de pe– queno porte, talvez de 20 a 25 tonéis, em geral de boca aberta, ou de uma só coberta quando se construíam para viagem larga . a re– lação da boca para o comprimento variava de 1/4 a 1/5, e de pontal muito pequeno. a ré e a proa eram aguçadas, e arvorava em geral um só mastro de muita guinda com uma enorme vela de pendão. este tipo de embarcação, já com um segundo mastro, à proa, no qual envergava um pequeno pendão (conforme se vê no dese– nho), foi utilizado nas descobertas, porquanto foi numa delas que gil eanes dobrou o cabo bojador em 1434. m.horta, sar g. -aj. l •••••••••••••••••••••••••••••••••••</Page><Page Number="182">ivro das armadas (texto actualizado do códice, pág. 15) i f?'y.l-..... f''1,u:c n lnihl. s t1.s'" ca..'r xo '-0 c.sf. sca. f(""____ "'f '--' •</Page><Page Number="183">.o165 ! junho 1985 ! ano xiv ! mensário 3000 revista da armada .</Page><Page Number="184">umário mdo vale nota de abertura m horta notícias pessoais ·c.moreira antologia do mar e dos marinheiros s.braga histórias de marinheiros livro das armadas mhorta saibam todos h. da fonseca o marquês de pombal e a marinha s. elpídio terminologia naval vozda abita f. de matos ano novo no porto interior de macau mdealmeida educação física mdo vale heróis do mar m curado filatelia d. barreiros aquilo que a gente não esquece (1 o) m horta reportagem extracção de metais da água do mar h. bonjour a maior liberdade quarto de folga m horta fotografias antigas, inéditas ou curiosas revista cap.-ten. manuel maria de meneses pinto machado da armada publicação oficial da marinha @ director e editor: -. , ;o;. '\ :.  ;f, ,..:. .. -""" porte pago c/alm. antónio rocha calhorda consultorda comissão de redacção: c/alm. antónio júlio malheiro do vale corpo redactorial: cap .-m.-g. an fernando augusto smith elpídio capelão graduado em cap.-frag . oelmar da silva gomes barreiros sarg .-aj . l manuel da conceição horta orientação gráfica: hernãni lopes publicação mensal propriedade da marinha redacção e administração: edifício da a. c. marinha 1188 lisboa codex telefone: 36 89 61 n.o 165/junho 1985/ano xiv preço de venda avulso assinaturas anuais: 3000 continente e ilhas 30000 estrangeiro (mais portes de correio) 30000 via aérea - o preço da assinatura será acrescido da respectiva taxa de porte por avião. pág. 3 4 6 9 10 10 11 13 14 16 17 19 21 22 24 30 31 32 verso da contracapa na capa: l \utl · · · "ó terra onde nasci», fresco de almada negreiros (1945) na gare marítima de alcântara. tiragem: 10000exemplares distribuição : agência portuguesa de revistas execuçãográfica: instituto hidrogrâfico dep. legaln 02110 83</Page><Page Number="185">ota deabertura lá vai um... antigamente, e não é preciso ir além de uns 50 anos, um dos ex-líbris desta notabilissima cida– de de lisboa eram as varinas e marinheiros. os maravilhosos desenhos de almada negreiros e de stuart carvalhais bemo mostram. de facto, a cidade era invadida por airosas e bonitas varinas que enchiam as ruas de alegria com os seus caracteristicos e alegres pregões; mas à noite era a vez dos marujos, como gaivotas, nas estreitas vielas de alfama, do bairro alto, da mouraria... eu sei perfeitamente que os tempos mudaram, que as mentalidades evoluiram, que os costumes se adaptaram às circunstâncias.. . enfim, que mais ou menos tudo agora é diferente, em relação ao que foi nesses tempos. na nossa terra como nas outras! do que não estou certo é se a mudança foi para bem ou para mal; se lucrámos ou se perde– mos com isso. o caso talvez mais notório dessas mudanças deu-se com o vestuário. antigamente as mulheres vestiam-se como tal, com requinte, com rendinhas e bordados, com saias e vestidos, usavam chapéu, sapatos de salto alto, numa palavra, via-se memo que eram mulheres. agora não. aboliu-se o cha– péu, os sapatos deram lugar às botas altas, no in– verno e aos ténis, no verão, as saias cederam o lu– gar às calças ... por sua vez, os homens quase deixaram tam– bém o chapéu, e só os velhos cobrem a cabeça, na maior parte dos casos com boné. há rapazes que atingem a idade da tropa sem terem usado, uma vez que fosse, um fato completo, um temo como se dizia dantes, com calça, colete, gravata e casa– co. umas calças coçadas, um pull-over, no inver– no ou uma camisa leve , no verão, além dos tais sa– patos de ténis, é quanto basta. chega-se à conclusão que, actualmente, mui– tas mulheres parecem homens e ... vice-versa. é a moda unissexo... quantas vezes, nos ficamos a olhar para uma pessoa, sem distinguir, a não ser reparando em certas particularidades anatómicas, se é do sexo masculino ou do feminino! por mim, tenho opinião formada sobre o caso. vendo a questão pelo lado prático, não pode haver dúvidas que agora é que está certo, até porque é muito mais económico, mas observando-a pelo lado estético... bem, isso também não há dúvidas que o antigo era muito mais bonito. a verdade é que me perdi em divagações, des– viando-me do tema inicial, que eram as varinas e os marujos. se é certo que as primeiras desapareceram da vista, desde á descoberta do peixe congelado, fi– cando apenas a sua bonita imagem no coração dos que as viram, os marujos ficaram e continuarão a existir enquanto dois terços da superfície terres– tre forem cobertos por mar, e ali se jogarem inte– resses económicos e políticos vitais para as na– ções. só que não se vêem... é o lá vai um! hoje há a tendência das pessoas quererem pa– recer aquilo que não são. um homem trajando ci– vilmente tanto pode ser um doutor, um ministro, um deputado ou um juiz, como um padeiro, um carpinteiro, um operário... dai que os empregados da carris, dos caminhos de ferro, das compa– nhias das águas , do gás e electricidade; dos cor– reios, etc., não queiram vestir uniforme. mas os marinheiros, herdeiros que são de tão ricas e nobres tradições, que andam no mar, que arrostam com temporais, que corre riscos sem conta, que são educados no culto da honra, da pá– tria, da família, da justiça, do aprumo e da cordiali– dade, esses, ao contrário, só fardados são penhor de todos esses predicados. também já fui civil, até aos 19 anos, antes de assentar praça como aspirante da escola naval, e ainda me lembro perfeitamente do que pensava quando via um marujo: viagens, aventura.. . tal– vez fosse isso que me trouxe para cá. hoje sei que não é só isso. a vida dos marinheiros , quer sejam da armada ou da marinha mercante, é muito dura, exige saber e sacrificios, desgasta os nervos e a saúde. que ninguém se iluda a esse respeito, leva– do por aqueles que julgamque a vida de marinhei– ro é uma permanente festa (vide série da tv «o barco do amor» !). a nós, os da profissão, não en– ganam eles, porque conhecemos ao vivo a força desse gigante que se chama mar. . t/ c/alm. 3</Page><Page Number="186">otócias pesoais em destaque eram três horas da madrugada de 15 de abril findo quando a fragata «comandante joão belo» largou de tróia para cumprir a última etapa da missão que lhe tinha sido atribuída: sar e fiscalização das águas jurisdi– cionais . após a saída da barra de setúbal, em ocultação de luzes, foram detecta– dos na serra da arrábida e também no mar movimentos de luzes suspeitos, pelo que urgia averiguar o que se es– tava a passar. assim , havia que pre– parar uma equipa de vistoria. segui– ram no bote o l. o -ten. mendes caia– do , o 2. o -ten. emq chedas sampaio e o 2. o -sarg. cm gomes de aguiar. eram 04.15 horas. passados cinco minutos, para es– panto geral, foi recebida a informa– ção de que uma lancha da capitania do porto de setúbal se encontrava ali para dar apoio .a bombeiros que esta– vam no sopé da falésia, a tentar salvar uma montanhista em situação muito difícil desde o fim da tarde do dia an– terior. por atenção com o capitão do por– to , que se encontrava no cume da fa– lésia, achou por bem o comandante da «joão belo» interpelá-lo acerca da necessidade de colaboração. de pronto foi aceite a ajuda, dado o co– mandante dos bombeiros e o capitão do porto não terem comunicações com. os bombeiros que se encontra– vam no sopé e ninguém saber ao certo o local onde se encontrava a monta– nhista , consequência do projector da lancha ser pouco potente para varrer a zona e só haver uma noção aproxi– mada da sua posição, em função dos seus gritos: - não aguento mais! dirigiu-se então o bote para o lo– cai onde estavam os bombeiros , pas– sando a haver diálogo (já que o trans– receptor do bote supria a limitação) e através da luz do potente projector do navio , que para o efeito passou a manobrar numa área situada entre as 800 e 1400 jardas de terra, foi possível localizar a montanhista imobilizada 4 em situação crítica , a cerca de um ter– ço da escarpa, e , conforme informou o tenente calado, ser o local pratica– mente inacessível, quer indo do cume quer partindo do mar, sendo , como tal, necessário um helicóptero . face à delicadeza da situação , o capitão do porto de setúbal, utilizan– do os circuitos de bordo do navio, de imediato ditou uma mensagem para o comando naval do continente soli– citando o apoio urgente de um heli– cóptero da fap . eram 04 .30 horas! entretanto , o tenente calado vol– tou a bordo a buscar um megafone - objecto que se veio a revelar de gran– de valor - para com ele dirigir pala– vras de ânimo e conforto à monta– nhista em perigo, acção decisiva que foi mantida até ao fim da operação . após os primeiros alvores , a lan– cha da capitania informou que um bombeiro estava a escalar a falésia em direcção ao local onde se encon– trava a sinistrada , mas o engenheiro sampaio intervindo no circuito, es– clareceu: o bombeiro que está a esca– lar é simplesmente o sargento aguiar; os uniformes são parecidos. pouco depois, três bombeiros seguiram-no. efectuadâ a difícil escalada para local um pouco acima daquele onde se entrava a montanhista, o sargento aguiar, _posteriormente seguido pe– los aludidos bombeiros. amarrou uma corda ao cinto de um deles e pas– sou-o , finalmente , à exausta rapari– ga . depois ... foi ver um bailado an– gustiantemente prenhe de epectati­ va, até se recuperar o corpo quase desfalecido para local seguro e espe– rar que, após o nascimento do sol , viesse o helicóptero salvador. che– gou às 07.30 - precisamente à mes– ma hora que o noticiário duma esta– ção de rádio , de ampla audiência , no– ticiava: bombeiros e helicóptero sal– vam montanhista! estabelecidas com o navio as usuais comunicações de cooperação navio/aéreo, foi o helicóptero orien– tado de bordo até ao local onde se en– contravam as pessoas envolvidas no salvamento , procedendo , de imedia– to , ao seu transporte para o cume onde se encontravam o capitão do porto de setúbal , comandante dos bombeiros , familiares da vítima e , como é óbvio . . . uma ambulância . às 08 .20 horas, concluída uma missão sar em terra, a «joão belo» largou da área sem um elemento da guarnição : o 2. o -sarg . cm gomes de aguiar. às 11 .05 o navio chega atrasado à base naval de lisboa , no alfeite , e já tem o sargento aguiar pronto para , no cais , ajudar à atracação e regressar ao seu ambiente . . . com uma pedra da serra da arrábida debaixo do braço , à laia de recordação . após ter embar– cado, alguém lhe disse : valeu a pena. mas ... isto de diz erem que foi um bombeiro que salvou a moça, não está correcto! - está , porque eu também sou bombeiro! - respondeu o sargento aguiar . *********** prémios escolares os premios do anq lectivo de 1983/84 do grupo n. 1 de escolas da</Page><Page Number="187">rmada foram atribuídos aos seguin– tes militares: cursos de formação de sargentos (cfs) : 2. 0-sarg. l duarte laranjei– ra, 2. 0-sarg. tfd vivas serpa , 2.– -sarg. e serra farinha , 2 . o-sarg. cm balau esteves e 2. 0-sarg. r concei– ção rodrigues. cursos técnico complementar · (ctc): lo-mar. grado l lopes , 1. 0- -mar. grad o tfh pacheco, 1.0- -mar. grad o tfd pessoa , lo-mar. grad o tfp costa , l o-mar. grad o e joão , 1.o-mar. grado r feiteira e 1. 0 _ -mar. grad ocm almeida. cursos de formação técnica (cft): 2. 0 -gr. vol. l silva , 2. o -gr. vol. tfh viegas , 2. 0 -gr. vol. tfd albuquerque , 2. 0-gr. vol. tfp san– tos , 2. 0 -gr. vol. e bicho , 2. 0 -gr. r salgueiro e 2. 0 -gr. vol. cm simões. cursos de instrução técnica bási– ca (itb): 2. 0 -gr. l araújo, 2. o -gr. tfd magalhães , 2. 0 -gr. tfp areias , 2. 0 -gr. tfh figueiredo , 2. o -gr. e ra– mos , 2. o -gr. r pereira , 2 . o -gr. cm santos e 2. 0-gr. v carvalho. curso de instrução militar básica (1mb): 2. o -gr. recoljorge . a «revista da armada» felicita os camaradas distinguidos . *********** casamentos temos o prazer de anunciar o ma– trimónio dos seguintes camaradas, aos quais desejamos as maiores felici– dades : 1. 0 -ten. daniel filipe silva duar– te com d. maria isabel da silva mar– ques , em 1-3-85 • 1.-ten. an ma– nuel fernandes frutuoso da costa com d . maria dos anjos barradinhas da silva carranha, em 2-2-85 • 2."– -ten. manuel carlos de matos luís com d . maria dulce coimbra pais gomes , em 16-3-85 • 2 . 0-sarg . a francisco de oliveira duarte com d . sofia barardo da conceição , em 8-3- -85 • cabo fz alcides ramos gon– çalves com d. berta maria caldeira tomé, em 24-2-85. cabo cm antó– nio manuel borges da rosa com d. célia de jesus pires, em 2-3-85.1.– -mar. l joaquim antónio lamancha hlião com d . mariana rosa fava madaleno, em 2-3-85 .1."-mar. v josé francisco nunes lopes com d. anabela mangaz da silva pereira , em 9-3-85. lo-mar. fz vítor manuel duro dos santos com d . ana cristi– na vaz velho de melo firmino , em 1- -3-85 • 1. 0 _gr. fz antóriio manuel reis mira galhofa com d . cristina maria do sacramento estrela, em 9- -3-85 • 1. o-gr . fz fernando da fonte loureiro com d maria emília ra– mos de azevedo , em 9-2-85 .2. o -gr. cro paulo alexandre nogueira fi– gueiredo com d . maria teresa di– mas vieira , em 9-3-85. *********** passagens à reservai iaposentaçôes sarg.-mor l narciso de arede • sarg.-mor se mário dos reis • sarg.-aj. a antónio fernandes lo– pes. sarg .-aj. m manuel de amorim rodrigues. sarg .-aj . ce antónio da conceição gonçalves guerreiro • sarg.-aj. r manuel joaquim. sarg.– -aj oce adriano freire bicho , todos em abril de 85. cabo tfd arnaldo josé gonçal– ves bernardo • cabo fzvg josé manuel correia luís , ambos em abrilde85. inspector do corpo de polícia dos estab . de marinha francisco antó– nio guinhenhas • chefe do corpo de . polícia dos estab. de marinha josé antónio de jesus. cabo-de-mar de 1." cl. joão francisco mestre. cabo– -de-mar de 1." ci . cândido teixeira de palma. agente de l" ci. do cor– po de polícia marítima alberto au– gusto ribeiro pacheco. faroleiro de 2." cl. josé ricardo de mendonça , to– dos do opmm, em abril de 85. empregado de mesa de 1." cl. francisco teixeira. contínuo de 1." cl. anselmo gomes mariano. auxi– liar de serv . de 1. " ci. antónia maria nunes antunes. auxiliar de serv. de 2. " ci. isaura da conceição , todos do opcm, em abril de 85. *********** falecimentos é com desgosto que participamos o falecimento dos seguintes camara– das, a cujas famílias apresentamos sentidas condolências: sarg .-aj . cm manuel oliveira de sousa , em 18-4-85 • sarg.-aj . a rf josé da fonseca , em 1-4-85 • sarg,– -ajo cm rf agostinho teixeira, em 27-3-85 • sarg.-aj. a rf antónio baptista almeida , em 19-3-85 .sarg.-aj. a rf josé vitorino , em 3- -4-85 • sarg.-aj. t rf josé augusto monteiro, em 27-2-85 • 1.-sarg. e rf alfredo coelho , em 7-3-85 • 1. – -sarg. a rf manuel francisco , em 1- -4-85 • cabo m manuel joaquim jor-ge, em 24-4-85 • cabo t rf luís sousa, em 27-1-85. cabo m rf al– fredo nobre , em 3-3-85 • cabo m rf joaquim pereira de oliveira, em 20- -3-85 • cabo cm rf josé sá lopes vieira , em 12-4-85 ii cabo thi ra raul xisto nascimento urbano , em 4-4-85 • cabo fz ra filipe balan– cho rebocho , em 26-3-85 • i ." desp . ra josé coelho, em 24-1-85 • 1. 0- -mar. cm rf josé reis , em 22-2-85 • maq. de l" cl. do opmm, apos ., eduíno pereira goulart , em 3-3-85 . *********** várias foram empossados nos cargos in– dicados os seguintes oficiais, aos quais desejamos os maiores êxitos nu de– sempenho das novas funções: asp . rn, graduado em subten ., josé antónio raimundo mendes da silva , comandante do nrp «d . alei– xo» • asp. rn, graduado em sub– ten ., henrique duarte repolho,co– mandante do nrp «andorinha». ao camarad(l indicado, agraciado com a condecoração menoionada, apresentamos as nossas felicitações : cap.-frag. an alfredo rodri– gues baptista , medalha militar de prata de serviços distintos. *********** 5</Page><Page Number="188">m antologia do mar e dos marinheiros nicholas monsarrat pejo cap.-frag. cristóvão moreira nicholas monsarrat é o pseudónimo por que ficou conhe– cido, no mundo das letras, um inglês chamado john turney, a cuja pena se deve «the crueisea», uma obra-prima da moderna literatura marítima, em cujas páginas vazou, com eloquente rea– lismo, a sua própria experiência da guerra no mar, testemunha que foi de seus heroísmos, misérias e grandezas. nascido em liverpool, a 22 de março de 1910, turney fez-se bacharel em direito pelo trinity college, de cambridge, após o que trabalhou durante dois anos no escritório de um solicita– dor. em 1934 publicou o seu primeiro livro (think oftomor– row»), mas quando a guerra mundial rebentou, cinco anos de– pois, o nome de monsarrat escritor era ainda praticamente des– conhecido. mas, tendo servido na royal navy durante o confli– to , entre 1940 e 1946, como oficial da reserva, quase sempre par– ticipante dessa epopeia atlântica que foi a escolta de protecção aos comboios mercantes, que permitiram a sobrevivência da in– glaterra, monsarrat não tardaria a espalhar seu nome por todo o mundo: a promessa já revelada em 1942, ainda em tempo de guerra, com o seu livro «h. m. corvette», teve exuberante con– firmação com «the cruel sea», aparecido em 1951, já depois de «leave cancelled» e de «my brother denys», que aborda a re– lação de monsarrat com a família, da infância aos anos de guerra, dura,nte a ql!al perdeu um irmão, morto na campanha do norte de africa. publicou ainda: «the story of esther castello» (1953); «the tribe that lost its head» (1956); «smith and jo– nes» (1963, baseado no caso de espionagem burgess-mac\ean); «life is a four-letter word» (1971, autobiografia); «the kapil– lan of malta» (1973); e.trabalhava no romance «the master ma-de «o mar cruel» (1951 ) (foto do serviço de doclllllelltaçào do " dicírio de notícias ») riner», do qual aparecera já o primeiro volume (running proud», 1978), quando a morte o foi buscar a londres, em 8 de agosto de 1979. difícil foi, para uma antologia breve como tem de ser a da nossa revista, a escolha entre as páginas dramáticas de nicholas monsarrat em «o mar crueh: difícil porque apetecia transcre– vê-ias a todas - já que em cada uma delas encontramos qual– quer coisa que toca o sentimento dos marinheiros . mas como a opção era obrigada, decidimo-nos por três passagens represen– tativas do livro . primeiro o prólogo, em que monsarrat apresen– ta a história que vai seguir-se, «longa e verídica; de um oceano, de dois navios e de cento e cinquenta homens». a seguir , incluí– mos parte do relàto do ataque a um dos comboios que a «com– pass rose» eseoltou, até nessa missão se perder, e vir a fragata «saltash» tomar o seu papel de protagonista da história, também sob o comando do capitão-tenente george ericson, oficial da re– serva naval como o autor do livro . e o trecho final, fomos buscá– lo à descrição do afundamento da «compass rose», ferida de morte por um torpedo alemão: são páginas em que, com todas as esperanças já perdidas para a pequena corveta, chegou a hora de os homens a abandonarem, levando com eles o resto das suas - a hora de muitos começarem a morrer, perdidos na escuri– dão, entre os lamentos daqueles que mais depressa se deixavam vencer, seu túmulo era o mesmo de seu navio, o mar cruel. prólogo que só uma história verídica merece ser contada. lência, os seus caprichos enganadores, como não vos dirá também aquilo que fa z dos homens, e o que os homens fa zem dele . esta é a história, a história longa e verí– dica, de um oceano, de dois navios, e de cerca de cento e cinquenta homens. histó– ria longa, porque conta uma interminável e furiosa batalha, a mais dura que jamais se travou numa guerra. nela aparecem dois barcos, porque o primeiro se afundou e teve que ser substituído. diz respeito a cento e cinquenta homens, porque é um nlímero de indivíduos susceptível de ser narrado numa história, com relativa facili– dade. mas é acima de tudo verídica, por-6 temos primeiramente o oceano, o atlântico, com as suas vagas gigantescas. um mapa vos indicará com que se parece esse triângulo de seis mil braças de profun– didade e três mil milhas de lado, limitado a leste pelas costas da europa e da áfrica , e a oeste pelo vasto continente americano; espraiando-se para o norte como uma taça de champanhe, e lembrando a sul o depó– sito basculante de um camião de lixo . mas o que o mapa não vos dirá é a força e fúria desse oceano, as suas acalmias, a sua vio-pois é isto, precisamente, o que vos contará a história que ides ler. e, agora, eis o primeiro dos dois na– vios, o condenado à morte. presentemente ninguém o diria: novo e ancorado na água doce de uma ribeira, aguarda os homens que o hão-de dirigir. e uma corveta, um novo tipo de barco de escolta especialmen– te concebido para fazer face a uma situa– ção desesperada .- estamos em novembro</Page><Page Number="189">e 1939. o seu nome é h.m.s. compass rose . e eis finalmente os cento e cinquenta homens . entram em cena aos grupos de dois ou três, uns anles da hora , outros atrasados. alguns deles, tal como o barco, esião já condenados à ·morte. quando se encontram todos juntos, são como qual– quer outro grupo de marinheiros. têm mulheres (cento e cinquenta pelo menos), umas que os amam, outras que apenas lhes estão ligadas, outras ainda que ficam en– cantadas por se verem livres deles quando os vêem partir para a guerra. mas se os homens são as vedetas desta história, os seus heróis são os navios: e o único vilão é o próprio mar - o mar cruel... quando o sinal de alerta soou, pouco antes da meia-noite, ferraby deixou ime– diatamente a ponte, onde estava de quarto em companhia de baker, e dirigiu-se para o lado das bombas de profundidade. fora ele que dera o alarme, depois de ter ouvido o avião e visto o sinal das balas, que indi– cavam um ataque a estibordo do comboio. estava pois preparado para o aconteci– mento, mas não pôde, apesar disso, repri– mir uma aflição e uma agonia, quando viu o compass rose bruscamente tomado pela febre, pelo tlimulto, pela agitação.. a noite estava calma. uma lua pálida. então no quarto crescente, banhava a ponte com uma luz fria , e desenhava com perigosa limpidez a linha do comboio sobre o hori– zonte. era a hora perfeita para um drama que parecia agora inevitável, e perraby, enquanto corria para a outra extremidade do compass rose , parecia precipitar-se para o cadafalso. sabia que se falasse, nes– te momento, haveria lágrimas na sua voz, sabia que, se fosse em pleno dia , os outros veriam o seu rosto lívido, os seus lábios a tremer, e sabia também que, apesar da ex– periência adquirida durante os meses de treino , nada nele estava preparado para enfrentar este momento terrível. mas ele chegara , e, de uma maneira ou de outra, tinha que ser enfrentado. wainwright, o jovem torpedeiro, ocu– pava já o seu posto na tolda. estava a aprontar o dispositivo de lançamento das bombas de profundidade, e quando abriu a boca para dizer: «pronto , senhor tenen– te», ferraby compreendeu que, também ele, mal podia conter os nervos. este facto foi para ele encorajador, na medida em que se convenceu de que o seu próprio medo não era uma fj:aqueza pessoal. as– sim, comandou em voz firme: «preparar para lançar a primeira». em seguida, vol– tou-se para verificar se a guarnição já esta– va a postos, e foi então que um prodigioso fogo de artifício surgiu diante dos seus olhos. o avião, que sobrevoava o centro do comboio, era perseguido pelos tiros con– vergentes que todas as unidades dispara– vam sobre ele. permanecia invisível, mas era possível determinar o seu voo rápido pela trajectória luminosa das balas que varriam a noite, como um leque aberto so– bre o comboio. o ruído era ensurdecedor. o avião roncava, centenas de canhões dis-paravam ao mesmo tempo, as sereias dos navios tocavam, dando o alerta. o centro do comboio, com os navios desbaratados, em desordem, devia ter sido um verdadei– ro inferno. os homens esperavam na popa do compass rose , procurando determi– nar qual a direcção que o aparelho toma– ria , após 'cada uma das evoluções. sobre a plataforma, os serventes da metralhado– ra pesada, imóveis e de capacete, espera– vam a altura de disparar. mas a ordem não vinha, porque outro acontecimento se pre– parava. este ruído monstruoso atingiu o auge quando, de repente, o avião largou duas bombas sobre o centro do comboio. uma caiu no mar, projectando um'a coluna de água que brilhou à luz da lua; a outra atingiu o alvo. caiu, com um estrondo aterrador, sobre um navio que não podiam avistar. mas em breve compreenderam que nunca mais ninguém o avistaria; por– que, depois da primeira, uma nova explo– são se seguiu imediatamente, iluminando todo o comboio com um gigantesco e ful– gurante clarão alaranjado. devia ter-se desintegrado num segundo. num raio de meia milha, uma sucessão de detritos que se espalharam sobre as águas, e depois o ruído decrescente do avião desaparecendo na escuridão, um som a sublinhar aquela terrível destruição. - provavelmente transpàrtavam mu– nições - disse uma voz rompendo o silên– cio lúgubre da escuridão que aterrava to– dos . - pobres diabos! - não der{jm por nada - respondeu outra voz. - e a melhor maneira de mor– rer. «imbecis»! - pensou ferraby que já não podia dominar-se . - «imbecis! imbe– cis! não há ninguém que queira mor-rer»... na ponte, ericson tinha observado tudo: o cair da bomba sobre o navio, uma chuva de faíscas no ponto da queda, logo seguido por uma enorme explosão que o fez em pedaços. mas , ao transmitir as or– dens, a sua voz era tão calma e fria como de costume. ninguém poderia suspeitar da sua cólera, da dor que lhe causara o pensa– mento de uma tripulação volatizada em poucos segundos. e nada a fazer. o avião tinha desaparecido, senhor de uma glória aterradora. se é que alguns homens ti– nham sobrevivido - o que parecia incon– cebível-, a sorrel, escolta da cauda, faria os possíveis por os salvar. ter-se-ia detido mais algum tempo sobre a morte daqueles homens, se um segundo ataque não se ti– vesse seguido tão rapidamente . mal ergue– ra o binóculo para contemplar de novo o comboio, logo um dos barcos a cem me– tros de distância, e cuja protecção era asse– gurada pelo compass rose, foi sacudido por uma explosão e caiu ferido de morte. desta vez era um torpedo . ericson ou– viu-o. correu ao porta-voz, para dar or– dem de aumentar a velocidade, e começar os ziguezagues, pensando para consigo: «se este foi lançado deste lado do com– boio, não nos apanhou por poucos metros». no compartimento do asdie, lockhart ouviu-o igualmente, e, sem espe– rar ordens, começou, ti busca. na proa , morell ouviu-o, e reuniu de novo os ho-mens à volta da peça, que mandou carre– gar com uma granada luminosa. tallow ouviu-o e agarrou-se ao leme, gritando para os contramestres. «a tenção ao telé– grafo, agora!» e esperou pelas ordens que deviam seguir-se. na popa, junto das gra– nadas, ferraby ouviu-o e tremeu, o seu olhar mergulhou nà água negra que corria ao lado do compass rose,fixando depois o navio atingido , que se avistava muito distintamente. então, ansiou por qualquer acção que viesse pôr cobro ao terror que o invadira. nas profundezas da casa das máquinas, watts ouviu melhor que nin– guém o torpedo bater no casco: uma mar– telada, um ruído surdo; e quando, daí a momentos, recebeu ordens para aumentar a velocidade, já tinha a mão na válvula do vapor. sabia o que tinha acontecido; e du– vidava do que poderia seguir-se. mas mais valia ignorar o que se passava láfora . os que estão encúrados sob a linha de flutuação devem ter paciência, esperar, conservar o sangue-frio. ericson fez o compass rose descrever um semicírculo que o afastou do comboio, e pôs-se em busca do submarino no ponto onde se ti– nha apercebido do rasto do torpedo. mas não tinha encontrado nada, vo/jflram em direcção ao navio atingido. jazia como um pássaro inerte, sem forças para conti– nuar o voo de migração. afundava-se ra– pidamente, e as hélices emergiam já. gri– tos de horror chegavam até junto deles, por entre um cheiro pesado de óleo. ' no navio, iluminado pela lua, cachos de ho– mens apinhados na popa, que apontava já para o céu, gesticulavam, bramindo, ao sentirem, sob os pés, o bórco que deslizava para o túmulo. tonbridge, possuído de terror, viu-o mergulhar. fazia esforços sobre-humanos para cumprir a sua missão devidamente. a aflição começara no momento em que fora descido do compass rose na baleeira, e o, vira afastar-se na imensidade de um mar hostil, onde o comboio desaparecia de novo,deiiando-o na escuridão, sob as es– trelas . mas perante este navio que se afunda– va, à vista daqueles homens dispersos que gemiam e gritavam debatendo-se nas águas, por entre o odor do óleo que lhes chegava à garganta e quase os sufocava, parecia-lhe viver um pesaqelo. ' fizeram o que puderam. remando na escuridão, guiados pelos gritos, e horrori– zados pelos urros dos que se afogavam an– tes de os poderem alcançar, conseguiram apanhar catorze: um morto, um que ago– nizava, oito feridos, e o resto, num estado lamentável de terror e prostração. ton– bridge tinha conseguido agarrar um outro, que se debatia no último grau de pavor e esgotamento; mas tornou-se impossível se– gurá-ia, por causa da camada de óleo que lhe cobria o corpo nu; e desapareceu antes que tivessem tempo de lhe lançar uma cor– da à volta. quando já não havia mais som– bras no mar nem gritos de apelo na escuri– dão, levantaram os remos e esperaram, sós na imensa vastidão do atlântico, entre os destroços do naufrágio e os vapores do óleo. e foi assim que o compass rose os encontrou. ' 7</Page><Page Number="190">hora h, mais sete minutos ... ericson verijlcava que o navio se afundava e que nl/da o podia impedir. a ponte estava ago– ra suspensa sobre o mar, formando com ele 1ii1l ângulo agudo. a popa elevava-se cada vez mais, e a proa mergulhava já, projill1damente. o navio, ao qual tantos cuidados e tempo tinham consagrado, o seu querido compass rose, preparava-se para o mergulho final, que n40 tardaria . o comandante sentia-se atormentado pela coisas que não conseguira fazer: enviar uma memagem ao viperous , lançar ao mar os barcos salva-vidas, escorar a ante– para da sala de armas, coisas que talvez pudessem ter sido feitas , e pensou: «o al– mirante em ardnacraish tinha razão . de– víamos ter-nos treinado mais para isto... » mas tudo acontecera rapidamente de mais, talvez nada tivesse podido salvar o compass rose, talvez ele fosse dem9siado vulnerável, talvez as probabilidades fos – sem desiguais, talvez ... «eu possa ter a consciência tranquila». próximo dele a voz de wells pergun– tou: - posso lançar os documentos, se– nhor? ericson estremeceu, e ergueu a cabeça. lançar ao mar os códigos e as cifras confi– denciais era a última coisa a faz er antes de ir ao fundo; era o último sinal da destrui– ção. recordou-se de o ter visto fazer ao homem do submarino, gesto que, aliás, lhe tinha custado a vida. por um momento retardou a ordem com receio que fosle de mau agouro. olhou mais uma vez ao lon– go do navio. estava mais calmo, depois do turbilhão fatal e do furioso momento dos primeiros minutos. todos tinham feito os possíveis, e, ao que parecia, nada adianta– va aquele esforço. agora, mais calmos, suportavam sem suores a última e rápida pausa entes de se atirarem ao mar. encon– travam-se a trinta milhas à retaguarda do comboio; teria algum dos escoltas seguido a marcha do compass rose com o radar, notado que o seu rasto desaparecia e adivi– nhado o que acontecera? essa era a única esperança de salvação numa noite glacial como aquela. - sim, wells - respondeu - , pode deitá-los. depois voltou-se para uma outra si-lhueta imóvel atrás de si, e chamou: - tal/ow! - senhor? - respondeu aquele. - mande abandonar o navio. seguiu tal/ow pela escada abaixo e pelo convés, ouvindo-o gritar: «abando– nar o navio! abandonar o navio!» um grupo de homens tinha-se reunido e apro– ximava-se da popa, que dominava de mui– to alto a água negra onde baloiçavam duas jangadas. alguns subordinados de ton– bridge esforçaram-se ainda por libertar o salva-vidas, mas como a inclinação do compass rose tinha aumentado, aquele encontrava-se mais solidamente jlrme do que nunca. - «o comandante, o coman– dante'" - murmuraram os homens quan– do reconheceram ericson, enquanto um deles lhe perguntava: quais são as possibilidades, se-nhor? 8 o compass rose vibrava sob os seus pés; inclinando-se cada vez mais. um homem junto da amurada gritou: - cá vou eu, rapazes! - e saltou de cabeça para o mar: - e altura de irmos - disse ericson. - boa sorte para todo.';! e então começou o pânico. alguns sal– taram imediatamente procurando afastar– se do navio e, arquejando com o frio, gri– tavam aos camaradas para os seguirem. outros hesitavam, agrupando-se à popa, do lado mais elevado, mais afastado da água. e quando, por fim , sé resolver.am a saltar, muitos escorregaram e foram desli– zando ao longo do casco coberto de crus– táceos, e primeiro as roupas, depois as partes moles do seu corpo, indefesas, fo– ram laceradas pelas rugosidades. luzes vermelhas começaram a brilhar no mar, à medida que as lâmpadas do cinto de salva– ção se iam acendendo . os homens troca– vam palavras de encorajamento, e depois voltavam-se para olhar o compass rose. desta,cando-se muito alto acima da água , parecia hesitar no mergulho final . a héli– ce, que se destacava no céu nocturno, ti– nha um ar absurdo. o mastro inclinado assemelhava-se a um dedo admoestador, que os mandava comportar bem em sua ausência. não se demorou muito naquela posi– ção. a popa ergueu-se ainda mais alto , o último homem que ficara a bordo atirou– -se com um berro de medo. este ruído pa– receu desencadear outro. houve um baru– lho dilacerante, quando as cargas de pro– fundidade, rompendo as amarras e rolan– do pelo convés, se precipitaram na água. - está a afundar-se! - gritaram uma dúzia de vozes sufocadas. ouviu-se uma explosão abafada; cada um deles sentiu como se uma dúzia de de– dos gigantescos lhes furassem o estômago e o compass rose foi para o fundo . agora ia depressa, como se o alegrasse libertar-se daquela desgraça. o mastro arrastava consigo toda a armação arruinada. quan– do a popa mergulhou , a água borbulhou tumultuosamente e, ao mesmo tempo, es– palhou-se o cheiro da nafta, aquele cheiro a que se tinham habituado em tantos com– bates, mas que nunca tinham pensado po– der vir a ser exalado pelo compass rose. o mar acalmou-se; o compass rose tinha desaparecido . tinham bastado alguns mi– nutos pqra fazer desaparecer o que lhes ti– nha levado tantos anos a construir. agora o frio cortante, que por um tempo tinham esquecido, começava a voltar. despoja– dos de tudo, estavam sozinhos na escuri– dão . cinquenta homens, duas jangadas , dçsgraça, medo e o mar. não havia lugar para todos nas janga– das. uns iam deitados ou sentados, outros agwravam-se-lhes, outros ainda nadavam à sua volta, ou seguravam-se a camaradas, que, mais felizes, tinham encontrado lugar nelas. as luzes vermelhas convergiam · para as jangadas, e os homens, nadando, arquejavam de medo e de frio , recebendo na cara as ondas geladas, e absorvendo pelo nariz o petróleo que lhes escorria para a garganta. as mãos depressa se entorpe– ciam, depois as pernas, e o frio cóntinua– va a penetrá-los cada vez mais fundo. nadando desesperadamente, procuravam içar-se para elas, e eram arrastados nova– mente para longe. nadavam e tornavam a nadar, sempre em círculo na escuridão, chamando, amaldiçoando os camaradas, clamando por socorro, babulciando ora– ções . muitos dos que se tinham agarrado não se conseguiram manter por mais tem– po , e foram levados à deriva. os que ti– nham engolido óleo sentiam-se agonia– dos , e começaram a vomitar. de entre os homens das jangadas al– guns deixaram-se vencer pelo sono, ou– tros desanimaram ao olhar em torno para a irremediável escuridão , ouvindo o mar e o vento, e sentindo o cheiro a nafta , escu– tando os lamentos dos camaradas que se deixavam levar para a morte, debaixo da– quela pressão extrema de medo e frio. então começaram a morrer. «mar cruel» edição da livraria bertrand ***********</Page><Page Number="191">istórias de marinheiros 72-0 apito ao v/a/mo braga da silva numa inconfidência... há uns anos atrás deixou de exercer funções no comando ibérico do atlântico , em oeiras, um oficial general português, onde cumprira, com brilho, mais uma comissão da sua já longa carreira naval. como é uso, realizou-se, na oca– sião, um jantar de despedida, que decorreu com a costumada anima– ção. na altura dos brindes, o almirante norte-americano, que comandava a unidade, fez o justo elogio do oficial que partia. e este, logo em seguida, levantou-se para formular as pala– vras de gratidão que eram devidas. e, no propósito de exprimir melhor a sua disponibilidade para uma even– tual colaboração futura, recorreu a uma história, só por si bastante ilus– trativa. e, assim, contou que uma noiva portuguesa, semanas antes do casa– mento, se encontrava indecisa na escolha de um quarto de dormir co– mum, ou de dois separados. ventilou longamente o assunto com as ami– gas mais íntimas, no exame dos múl– tiplos factores intervenientes. umas aconselhavam o isolamento, que da– ria assim, a cada novo contacto, a sensação de uma conquista. outras opinavam pela intimidade perma– nente, na criação de hábitos difíceis de perder. uma, ainda, mais imagi– nativa, achava que, num compromis– so, era melhor intercalar as duas mo– dalidades, colhendo da experiência vivida a solução definitiva. a discussão arrastou-se durante vários dias, e, face aos múltiplos pa– receres contraditórios, a noiva esta– va perplexa, sem atinar com a reso– lução mais segura. no meio da sua hesitação, quis o destino que chegasse a portugal uma sua amiga inglesa -a florence -, e logo aproveitou o ensejo para se aconselhar. - é melhor dois quartos, querida - respondeu a amiga, com a con- - apitaste, querido? vicção de uma vivência de alguns anos. - foi o que john e eu fizemos, e temos sido muito felizes. - mas florence - objectou a noiva portuguesa -, como é que tu sabes quando é que o john deseja a tua companhia? - é muito simples, querida -re-9</Page><Page Number="192">ornou a florence. - é que, quando nós casámos, eu ofereci ao john um apito de prata. assim, quando ele pretende que eu vá ter com ele só tem que apitar. - oh! mas é a solução ideal - comentou a portuguesa, numa satis– fação evidente por, finalmente, ver resolvidas as suas dificuldades. mas logo, de repente, ponderando o caso, replicou, já com a sombra de uma dúvida a toldar-lhe o olhar: - mas... espera um pouco, flo– rence: e se és tu que desejas a com– panhia do teu marido, como resolves o problema? e a florence, com o sentido práti– co da sua raça, respondeu sorrindo: - não sejas tola, querida! nesse caso, em vou bater à porta do meu marido e pergunto-ihe:- john, api– taste? ao terminar o brinde, ó oficial confessou estar pronto, em qualquer emergência futura, em vir prestar de novo a sua colaboração ao coman– do. bastaria, para isso, ouvir o apito. do mesmo modo, se julgasse, por si, que a sua ajuda poderia ser útil, logo recorreria ao artifício da florence. volveram os tempos. as circuns-tãncias nunca chegaram a impor, a qualquer dos oficiais, o recurso do apito. exemplo que os noivos decer– to não seguiram, para regalo mú" tuo... silvabraga, v/a/mo livro das armadas texto actualizado do códice publicado na contracapa: no ano de 506 partiram para a índia a seis de março tristão da cunha e afonso de albuquerque, por capitães-mores de 16 velas, a saber: onze para a carga da especiaria e cinco para com elas afonso de albuquerque ficar de armada na costa da arábia e boca do estreito do mar roxo, com regimento que ambas as frotas em um corpo fossem demandar a ilha de sacotorá, para nela tomarem uma fortaleza de mouros que aí estava; e quando tal não fosse, que os nossos, depois de tomada, se não pudessem nela defender, ordenarem ou– tra de madeira que deste reino levarão lavrada; e destas velas, por invernarem, não passou nenhum esse ano à ín– dia; das quais estes eram os capitães: naus para a carga: «sto . antónio», joão da veiga; tristão álvares; joão gomes de abreu; em terra da ilha de s. lourenço faleceu de doença, e a nau se perdeu numa angra junto de pate, e a gente se salvou em outra; tristão roiz; tristão da cunha; atravessando da terra (de) santa cruz para o cabo da boa esperança descobriu as ilhas que ora chamam de tristão da cunha; rui dias pereira; álvaro fernandes, um cavaleiro de alvito; álvaro teles barreto; por fora da ilha de s. lourenço foi ter à ilha de samatra, cuidando ser o cabo de guar– dafui; rui pereira; se perdeu na ilha de s. lázaro, de que se salvaram quinze pessoas no batel; joão queimado; tornando para portugal foi roubado dos franceses; leonel coutinho; foi invernar a quíloa; (a transcrição feita é a parte do códice a que se refere o fac-símile inserido na contracapa. a outra parte será transcrita com a publicação do outro fac-símile, em próxi– mo número .) ***************** saibamtodos que entre a adma (assistência na doença aos militares da arma– da) e o centro de estudos egas moniz - dependência do hos– pital de santa maria, sito na av. prof. egas moniz , em lisboa, foi celebrado um acordo que se destina a regular os termos em que os seus beneficiários podem usufruir dos serviços daquele centro. que o referido acordo, em vigor des-10 de 1 de março findo, abrange os serviços de tratamentos ambu– latórios , mencionados naquele documento . que quaisquer outras informações serão prestadas na 5. a reparti– ção da d. s. pessoal, rua do ar– senal , lisboa. que na secretaria da «revista da ar– mada», museu de marinha, aquário vasco da gama e su– permercado da marinha (barro-cas) pode ser adquirida a publi– cação «cecirviii - campa– nha para o estudo da circulação na costa de portugal» (maio de 1982), editada pelo instituto hi– drográfico, ao preço de 81000. que o pessoal da marinha pode ad– quirir aquela publicação directa– mente no instituto hidrográfi– co , ao preço de 65000. ***********</Page><Page Number="193">marquês de pombal eamarinha quando d. josé subiu ao poder, em 1750, nomeou no– vos ministros da guerra e da marinha. para o primeiro cargo foi nomeado sebastião josé de carvalho e melo que tinha exerido funções diplomáticas em londres e viena de áustria e possuía todas as qualidades para ser um grande ministro, embora tivesse um feitio autoritário e procurasse impor sempre a sua vontade. para o segun– do, d. josé escolheu diogo de mendonça corte-real, doutor em cânones pela universidade de coimbra, que exercera também o cargo de embaixador do nosso país em haia e fora provedor da casa da índia e conselheiro de fazenda. cedo começaram os conflitos entre diogo de men– donça corte-real e carvalho e melo. d. josé encarregou este de dar execução ao tratado de madrid, de 13 de ja– neiro de 1750, que fixou os limites dos territórios de por– tugal e espanha na américa do sul , e esta nomeação deve ter magoado diogo de mendonça, cuja pasta incluía tam– bém os negócios ultramarinos , o qual passou a fazer áspe– ras críticas aos órgãos de governo e a carvalho e melo, queixando-se das interfrências dele no seu departamen– to. daqui resultou a inimizade entre os dois ministros. diogo de mendonça acabou por ser demitido do seu cargo. no decreto que o exonera censura-se o seu proce– dimento, que causara «grande desordem e inquietação para o serviço régio» por ter revelado segredos do estado e excitado com bárbaros e infiéis pretextos a paz, religião, civilidade e obediência que tinha por natureza, homena– gem, fidelidade e obrigação de guardare). o despacho real foi-lhe comunicado por d. luís da cunha manuel (que substituíra carvalho e melo na pasta da guerra em 5 de maio de 1756, passando este para a do reino) e pelo desembargador joão inácio dantas. diogo de mendonça devia sair de lisboa no prazo de três horas e passar a resi– dir num lugar a quarenta léguas da capital, onde nunca mais devia voltar. dizem que, depois de ouvir a sua exo– neração , jurou não ter praticado qualquer acto que mere– cesse castigo real. foi logo levado sob escolta para os su– búrbios do porto e a seguir para salreu. mais tarde , foi deportado para mazagão, onde viveu até ao abandono desta praça, em 1769, e acabou os seus dias em peniche (outros dizem nas berlengas) . nunca se soube ao certo a causa da sua desgraça. para além do seu feitio recalcitran– te que o levava a não aceitar de bom grado as interferên– cias de carvalho e melo na sua pasta, parece que prepa– rou com a rainha d. mariana vitória , mulher de d.josé, uma entrevista do infante d. luís de espanha, irmão da ( ' ) decreto de 3/ de março de /756 . a nau « n. s." da ajuda s. pedro de alcântara» (/759-/834) foi o pri– meiro navio lançado à água no arsenal da marinha, após a sua reconstru– ção ordenada pelo marquês de pombal depois do terramoto de /755 (gra– vura da época). rainha, com a princesa d. maria, sua filha e futura rainha d. marial, com a qual desejava casar o seu irmãoe). este casamento não agradava a d.josé nem a carvalho e melo. contudo, diogo de mendonça era um homem es– clarecido, culto e bem intencionado, na opiniãodo conde de merle que foi ministro da frança em lisboa nessa época. não era brilhante a situação das forças armadas no iní– cio do reinado de d. josé. os castelos e fortalezas desmo– ronavam-se . por economia não se fazia promoções de ofi– ciais do exército e da armada e havia regimentos apenas com três ou quatro oficiais, todos nos postos subalternos, onde se conservavam até envelhecer. em 1754 o nosso exército tinha um efectivo de apenas 18 mil homens('). não era melhor a situação da marinha de guerra , que dis– punha somente de cinco ou seis naus e pouco maior núme– ro de fragatas, em estado miserável (4). nos cinco primeiros anos do seu governo , durante os quais foi ministro da guerra, carvalho e melo pouco mais fez do que mandar reparar as fortificações e quartéis. em 1754 houve também uma numerosa promoção de oficiais do exército e da armada. (') " recordações», de jácome ral/on . (') ,, 0 marquês de pombal e a sua época», de joão llício de azevedo. (') " memória para a história do grande marquês de poll1hlllno concernente à marinha », de josé maria dan/as pereira de andrade. 11</Page><Page Number="194">ntretanto, dera-se o terrível terramoto de 1 de no– vembro de 1755. carvalho e melo enfrentou a situação com grande energia e poder de decisão. dizem que d. josé lhe perguntou nessa ocasião o que se devia fazer, ao que ele lhe respondera com a célebre frase: «enterrar os mortos e cuidar dos vivos» ('). tomou então todas as medidas que se impunham: mandou socorrer os feridos que tinham ficado soterrados nos escombros da cidade de lisboa, chamou tropas para impedir os roubos e castigar os ladrões que assaltavam as lojas e as igrejas , e tomou providências para o regresso à capital dos seus morado– res, que tinham fugido espavoridos. mandou também so– correr setúbal e as povoações do algarve atingidas pelo terramoto . além disso, iniciou imediatamente os traba– lhos para a reedificação de lisboa, segundo os projectos de eugénio dos santos e carlos mardel. em recompensa dos seus serviços, d. josé deu-lhe então o título de conde de oeiras e, mais tarde, o de marquês de pombal. de salientar que , depois do terramoto, passou a ac– tuar como verdadeiro primeiro-ministro, embora fosse somente ministro do reino. mas d.josé depositava nele uma confiança ilimitada , e contribuiu para o seu papel preponderante no governo. nada se fazia sem o beneplá– cito de pombal. depois da exoneração de diogo de mendonça corte– -real, foi nomeado ministro da marinha tomé joaquim da costa corte-real. o novo ministro não tinha qualida– des para o desempenho do cargo, e parece que ficou a de– ver a sua nomeação a pombal. mais tarde viria a ser acu– sado pelo próprio marquês , por ter criticado as persegui– ções que este fez ao jesuítas, após o atentado contra a vida de d . josé , em 3 de setembro de 1758. foi então destituí– do do cargo de ministro e desterrado para o castelo de leiria, onde viria a falecer passados alguns anos e). o marquês de pombal , logo após o terramoto, tomou medidas para a reconstrução dos arsenais do exército e da marinha, precisamente nos mesmos locais onde ante– riormente se fundiam as peças e se construíam os navios de guerra. os novos estaleiros de lisboa foram dotados de alguns melhoramentos, entre os quais um dique para a querenagem dos navios. em 1759 foi lançado à água o primeiro navio construído no arsenal da marinha , a nau «nossa senhora da ajuda e s. pedro de alcântara», de 68 peças, de que foi construtor manuel vicente nunes. de referir que em 1757 foi criado de novo o posto de capitão-general da armada real , sendo provido nessas funções d.joão da bemposta , filho natural do infante d . francisco, irmão de d. joão v. no ano seguinte foram mandados construir faróis nas berlengas, s. lourenço (bugio), guia, s. julião da barra, na foz do douro e em viana do castelo, para facilitar a navegação na costa de portugal. em 1760 foi nomeado ministro da marinha francisco xavier de mendonça furtado, irmão do marquês de pom– bal. o novo ministro ficou a acumular estas funções com ' as de secretário de estado adjunto da pasta do reino e foi um dos principais colaboradores do marquês. ante– riormente, tinha sido oficial da armada e governador do (') seglllldo algllns alltores esta frase foi dita pelo marquês de a lorna e não pelo marquês de pomhal. (h) "história do reinado de d. josé». de simão josé da luz sariano. vai.!. 12 grão-pará e maranhão. segundo um seu contemporâ– neo, era violento e descomedido nas palavras , mas tinha bom coração, e actuava com justiça 6 rectidão. exerceu grande actividade nas suas funções de ministro , e nunca faltava um dia ao despacho na ribeira das naus. no seu tempo construíram-se muitos navios de guerra em lisboa e no brasil c). uma medida importante tomada pelo marquês de pombal foi a fundação do colégio dos nobres, em 1761. neste colégio devia funcionar um curso matemático com a duração de três anos, destinado a quem quisesse seguir a carreira das armas, mas para a admissão no colégio era necessário ser nobre . embora criado em 7 de março de 1761, só começou a funcionar em 1766, sendo os professo– res quase todos estrangeiros. contudo , o curso matemáti– co teve curta duração , visto ter sido extinto em 1772, devi– do ao fraco aproveitamento dos alunos, por serem todos muito jovens. passou, depois , a ser frequentado na uni– versidade de coimbra, limitando-se o colégio dos nobres ao ensino de humanidades, até à sua extinção em 1873. durante os nove anos em que mendonça furtado foi ministro , foram publicadas disposições de grande impor– tância para a marinha. assim , por decreto de 2 de julho de 1761 , foi criado um corpo de 24 guardas-marinhas , equiparados a alferes do exército. para a admissão era necessário a prova de nobreza. presume-se que estes guardas-marinhas, para além da instrução prática que re– cebiam a bordo , frequentavam as aulas do cosmógrafo– -mor , àsemelhança do que estava determinado para os ca– pitães-tenentes no «regimento dos capitães-de-mar-e– -guerra e mais oficiais das fragatas» c). ainda em 1761 fo– ram estabelecidos os uniformes dos oficiais do exército e da armada. no ano seguinte , foi criado a 21 de março, o posto de tenente-de-mar e a 10 de junho, o de sargento-de-mar-e– -guerra. neste mesmo ano, foram criados , por decreto de 30 de junho, doze tenentes-do-mar e dezoito guardas-ma– rinhas para as fragatas mandadas construir no porto , com as taxas pagas pelo comércio daquela cidade , e destinadas ao serviço de guarda-costa. estes oficiais tinham residên– cia na cidade do porto, e frequentavam a aula náutica ali estabelecida para a sua instrução. ainda em 1762, foram determinadas as salvas que os navios de guerra deviam fa– zer às fortalezas e a forma de retribuição destas, e foi dada nova denominação aos oficiais generais. os sargentos– -mores de batalha passaram a chamar-se marechais-de- -campo; os mestres-de-campo generais , tenentes-gene-rais; e os generais governadores de armas , marechais do exército . de notar que estes postos também eram exerci– dos por oficiais da armada. mas uma das medidas mais importantes tomadas du– rante o governo de pombal foi a concessão, em 1765, de liberdade de navegação para os portos do brasil, com ex– cepção dos do grão-pará, maranhão, pernambuco e pa– raíba , para os quais o exclusivo de navegação e comércio estava entregue a companhias criadas pelo marquês, res– pectivamente, em 1755 e 1759. na realidade , o receio dos ataques dos piratas berberescos obrigava a fazer o comér– cio para o brasil e as outras prov.íncias ultramarinas por (') " recordações». oh. cito (') códice 185 da colecção pombalina , da biblioteca nacional de lishoa.</Page><Page Number="195">eio de comboios, constituídos por grande número de navios mercantes, escoltados por navios de guerra. em 1769 , pombal mandou evacuar mazagão, a última praça que possuíamos em marrocos , e foi possível fazer a paz com este país , cujos navios deixaram de nos hostilizar. por outro lado , esquadras portuguesas passaram a cruzar no estreito de gibraltar, para impedir a vinda para o atlântico de piratas argelinos e tunisinos. deste modo, a navegação para o brasil passou a fazer-se sem perigo, por meio de navios soltos, protegidos à partida e à chegada aos portos por esquadras de guarda-costa , as quais tam– bém cruzavam nos açores , por onde passavam os nossos navios no regresso do brasil e do oriente. segundo um escritor contemporâneo, a actividade comercial com o brasil atingiu então um grau de prosperidade jamais al– cançada. os nossos navios passaram a fazer duas viagens para o brasil em menos de um ano, enquanto no tempo das frotas se faziam dois comboios em três anos. além disso , os prazos de crédito foram encurtados e começa– ram a utilizar-se no comércio letras de câmbio(") . francisco xavier de mendonça furtado foi ministro da marinha até à sua morte , em 1769. para o substituir, foi nomeado martinho de melo e castro, em 4 de janeiro de 1770. este fora durante dezoito anos embaixador de portugal em londres, paris e haia e cedo começou a fazer críticas à administração despótica de pombal. contudo, foi forçado a submeter-se à autoridade do marquês, cujo prestígio junto de d. josé lião cessava de aumentar. os seis primeiros anos de governo de martinho de melo e castro foram por isso de expectativa e de grande prudên– cia, para procurar manter a confiança do rei e de pombal. somente depois da exoneração deste , em 1 de março de 1777, se iniciaram as notáveis reformas deste ministro , al- (") «recordações, ob. cito (' 0) «martinho de melo é castro, notável ministro da marinha», «revista da armada» n. " /49/fev. de 84. gumas das quais apenas tiveram execução depois da sua morte, ocorrida em 1795 ("') . de referir que em 1774 foi extinta a classe de guarda– -marinha, por a maioria deles não ter revelado aptidão para a promoção a tenente-de-mar. contudo, aguns des– tes guardas-marinhas foram notáveis oficiais da armada , nomeadamente antónio januário do vale, pedro de mendonça e moura e outros. em substituição dos guar– das-marinhas foram então criados os voluntários exerci– tantes, rapazes de doze a dezasseis anos que embarcavam em número de seis em cada fragata e tinham os vencimen– tos de grumete. os que demonstravam aptidão rios exer– cícios e manobras de bordo eram promovidos a sargentos– -de-mar-e-guerra e tinham depois acesso a oficial. mas este sistema, inteiramente prático, de formação de oficiais da armada , também não se revelou satisfatório e, mais tar– de, já no reinado de d. maria i, voltou a ser criada a classe de guarda-marinha, sendo estes integrados numa compa– nhia que tinha o seu quartel na sala do risco do antigo arsenal da marinha("). segundo alguns autores, o marquês de pombal teria a intenção de dotar a marinha de guerra com trinta naus de linha, além de fragatas e outros navios menores, pro– jecto que não chegou a concretizar por, entretanto, ter abandonado o poder. contudo , em 1766 , a nossa armada não teria mais de dez naus e vinte fragatas. estes navios eram ' todos construídos com boas madeiras e, naquele ano, foram lançadas à água duas naus, uma de 74 e a outra de 72 peças, de construção admirável, pela sua resistência e duração (' 2). henrique alexandre da fonseca, cap.-m.-g. (") decreto de /4 de dezembro de /782. ( ") «état présent du royaume de portugal en /'année 1766», do.ge– neral dumouriez. terminologia aval • peito de morte - botão cruzado que serve para abotoar dois cabos ou hastes de madeira em cruz.  • peito do beque - peças curvas de madeira que constituem a face inferior do beque. • peixes (dar de comer aos) - em calão naval, vomitar, por motivo de enjoo. • pela barba - pela proa. • pela cocha -por entre os cordões de um cabo. • pélago - mar alto; mar profundo. • pelo olho - direcção da popa à proa, através da linha longitudinal do navio. • pelo redondo - em direcção normal ao sentido da cocha do cabo, • pelos cabelos - diz-se da posição da ãncora quando fora da água, suspensa pelo anete. • pelo través - em direcção normal à quilha do navio. s. elpidio, cap.-m.-g. an 13</Page><Page Number="196">cartas ao director dos nossos leitores e amigos recebemos a seguinte correspon– dência: do «pezinhos», cabo m, lis– boa, a carta que transcrevemos na íntegra: parabéns à câmara municipal de lisboa, pelos trabalhos que está a realizar: zonas vedadas ao trânsito, passeios com empedrado à portu– guesa, reparação do histórico cais das colunas... muito bem. estamos satisfeitíssimos e somos de opinião que é um sucesso. pessoalmente, e julgo interpretar o sentimento de to– dos os peões, sinto-me feliz por po– der andar em certas ruas sem o chei– ro maléfico dos gases dos escapes dos automóveis, sem ter de andar feito salta-pocinhas, em constante risco de levar uma «panada» e ir pa– rar ao hospital mais próximo. mas... 1:1: numa vã tentativa de manter a li– nha, que perdi há muito, e na impos– sibilidade de praticar desportos de que tanto gostei na juventude - fute– bol, atletismo, natação, ciclismo, etc. - porjá não .ter idade para isso, limi– to-me a fazer longas caminhadas a pé, classificando assim as que atin– gem 5/6 quilómetros e não as que fa– zem os maratonistas nacionais e es– trangeiros nos seus treinos diários. o meu trajecto preferido é o anti– go passeio público, actual avenida da liberdade. apesar de haverpor lá carros estacionados, a atravancar todos os espaços vagos, apesar de ser uma das artérias mais poluídas da cidade, descê-ia ou subi-ia, sem pressas, pelos passeios centrais e por baixo do arvoredo, é um prazer que aconselho a todos os barrigudos como eu. e, por falar em árvores... como devem ter notado, sou um coca-bi– chinhos, sobretudo no que respeita à nossa linda cidade, talvez pelas sau– dades que dela tinha quando andava 14 voz da abita por esses mundos, meses e anos sem a ver, embarcado ou em comis– sões em terra. pois hoje, imaginem para o que me havia de dar, tive a pachorra de contar as árvores que se erguem completamente secas, quais esque– letos, na avenida da liberdade. esa– bem quantas? só do lado leste, que foi o que percorri, nada menos que 53! incluo os grandes ulmeiras, que dizem atacados de doença, e conti– nuam de pé, no passeio em frente aos correios. todos sequinhos, como palhas! partindo do princípio que do lado oeste o número é sensi– velmente o mesmo, parece-me até serem menos, teremos a mais famo– sa avenida do país ornamentada com cerca de 100 caricaturas de ár– vores a pedir corte e urgente substi– tuição. isto, sem contar comalgumas dezenas delas que estão tão mal, tão mal, que mais vale abatê-ias tam– bém. o de manuel alves, mação, que se diz apaixonado pelas coisas do mar e é assinante da revista apesar de ter feito o serviço militar no exérci– to, uma carta com várias sugestões de matéria a inserir nos nossos artigos. n. r. - como pode facilmente constatar na colecção da «ra", muitos dos assuntos que foca têm sido tratados várias vezes, quan– do tem vindo a propósito. de brasões de uni– dades da armada, apenas publicámos o nos– so, porque são muitos e dificilmente podíamos publicá-los todos. muito obrigado pelos votos de felicidades, «em prol da marinha, das forças armadas e do país". o de manuel josé promo dos santos, linhá, sintra, uma carta da qual extraímos: no mês passado fa– lou-se muito da marinha. foi um pro-grama da tv, em que foram protago– nistas o conjunto heróis domar e 7. a posição, realizado no museu de ma– rinha; foi a honrosa visita da rainha isabel de inglaterra, com os nossos fuzileiros a prestar honras, «portan– do-se maravilhosamente»; é a tele– novela portuguesa a agradecer no fi– nai a colaboração da marinha portu– guesa (para que ao menos todos os portugueses saibam que há marinha em portugal!). a propósito, gostei de rever nela os areais e pinhais que calcorreei nos treinos que fiz como fuzileiro, e até um figurante (que faz de amigo do jean) que esteve a prestar serviço comigo na força de fuzileiros do continente, em 1981/ /82. finaliza a sua carta com este ps, cheio de humor: não sei se sabem que o cantor paco bandeira., o tal que disse numa entrevista que a coisa que mais odiava no mundo eram os militares e aquela de que mais gosta– va eram cemitérios deles, tem agora um, de civis e militares, mesmo em frente da quinta que possui na zona de sintra. apesar de ter feito várias diligências para o evitar, a câmara municipal não se comoveu... agora basta-lhe atravessar a estrada e está num. coisas da vida! n. r. - quanto ao artigo que pede sobre tatuagens, vamos ver o que conseguimos. obrigado pelas saudações à marinha e «aos da revista". o do sarg_-aj. l ra joão francis– co correia, sacavém, uma carta acompanhando uma pequena histó– ria que gostosamente publicamos. decorria o ano de 1954, era eu primeiro-grumete e prestava serviço na direcção do serviço de material de guerra como impedido do direc– tor, capitão-de-mar-e-guerra negrão neto. dos restantes oficiais da di– recção recordo o capitão-de-fragata vasconcelos pinto - uma jóia de ho-</Page><Page Number="197">em - e o capitão-tenente sg vítor silva, que disfrutava de grande prf)s– tígio naarmada desse tempo. intervêm neste episódio: os con– tínuos sidónio e salvador, os mari– nheiros l antónio dos remédios, já falecido, e joão baião, o augusto de oliveira e a dactilógrafa o. olga. eu era asilante e por isso tinha os utensílios de toilette na casa de ba– nho da secretaria, utilizada por todos os intervenientes mencionados. usava então para o cabelo uma bri– lhantina sólida, muito em voga, acon– tecendo que toda aquela malta a utili– zava, sem cerimónia. eu bemprotes– tava, mas lá ia desembolsando as massas para substituir o boião quan– do acabava. certo dia, quando ia apanhar flo– res para pôr na jarra da secretária do director - e ai de mim se algum dia falhasse - passei pelo sidónio e vi que ele colava uns alfarrábios velhos com uma cola branca que era tal qual a minha brilhantinha. calei-me muito bem calado, enchi um boião vazio com ela e fui colocá-lo no sítio do costume. o primeiro a cair foi o salvador, depois o toni, o baião, o oliveira e, por fim, a d.olga. todos besuntaram as fartas cabeleiras com... a cola do sidónio. la tudo muito bem até a cola co– meçar a secar. o salvador usava ris– co ao meio e o cabelo penteado para trás. a certa altura, as duas partes em que era dividido começaram a to– mar o aspecto de asas e a cabeça parecia ter em cima um avião prestes a levantar voo! a história correu por toda a direc– ção provocando fartas gargalhadas, como era de esperar. o do 1. o-sarg. fz rf jovito guer– reiro martins, faro, uma carta acompanhada de um extenso pro– cesso (fotocópia) que lhe diz respeito e é do conhecimento das entidades superiores. n. r. - gomo é fácil de compreender, não está no âmbito desta revista intervir, ou pronunciar-se, em casos desta natureza. agradecemos as amáveis referências que nos faz e desejamos as suas melhoras. o cabo r raa joaquim tabor– da, oeiras, uma carta em que relata uma história passada no aviso «joão de lisboa», então em comissão de serviço no antigo estado da índia, e convida os seus camaradas que queiram trabalhar comigo, criando uma cooperativa de trabalhos de ma- . rinharia - cintos, malas de senhora, etc. -, com os quais até poderá acontecer a organização de uma ex– posição no edifício da a. c. da mari– nha ou no alfeite, a entrarem em con– tacto com ele (telef. 2434428). por fim, indaga do motivo porque s pra– ças nas situações da reserva ou re– forma não podem tomar refeições no «self-service» do edifício da a. c. da marinha. n. r. - sobre o último ponto citado na carta, a «ra» pode esclarecer, depois de con– sultar o serviço responsável, que, como é fácil verificar «in loco», o actual «self-service» das praças dificilmente comporta todo o pessoal em serviço no edifício da a. c. da marinha e de outros organismos instalados nas proximida– des, que ali toma as suas refeições. as futuras instalações, a construir na ala oeste daquele edifício, cujas obras se irão iniciar em breve, poderão então, como é propósito do almirante gema, abranger a presença de praças naque– las situações. gomo se sabe, o pessoal nas situações da reserva aa, licenciado ou reforma paga as refeições que toma nos «self-services» ou messes respectivas. o de valdemar r. alves, ex-1.o– -gr. fz 176668, wollongong, aus– trália, uma carta em que diz: há tre– ze anos que deixei a gloriosa mari– nha de guerra portuguesa e outros tantos que não píso o solo pátrio. como penso ir aí este ano, gostaria imenso de rever os «filhos da esco– la» que estiveram comigo na cf2 (1970/72), em moçambique (. ..). será que alguém se lembra ainda do grumete «lisboa»? se assim for, será uma alegria e prazer reviver com vocês esses tempos imortais! estarei em lisboa de 10 de maio a fi– nais de agosto próximo, e o meu nú– mero de telefone será 83 35 86 (. ..). ••• convívio o grupo de antigos elementos da aviação naval leva a efeito, no dia 28 de setembro próximo, o habitual convívio, este ano em lisboa. os in– teressados em comparecer deverão fazer a sua inscrição, extensiva às esposas, nos locais do costume: «revista da arrnada", edifício a. c. da marinha - 1188 lisboa codex (telef. 36 89 61 - ext. 3) ou rua dos galitos, 12 - 3800 aveiro (telef. 23513). o programa prevê a realização de uma evocação da primeira traves– sia aérea do atlântico sul, no museu de marinha; uma visita ao local onde poderá ser erguido o monumento a sacadura cabral e a gago coutinho, junto à doca do bom sucesso, e um almoço nas instalações da messe de cascais, no farol da guia. para os que não utilizam trans– porte próprio, haverá autocarros que partirão da parada do edifício da a. c. da marinha (antigo ministério da marinha), às 10.30 horas. as inscrições encerram no dia 1 de setembro, ficando os inscritos su– jeitos ao pagamento do almoço mes– mo que não compareçam. os interessados em utilizar o transporte em autocarro deverão de– clará-lo no acto da inscrição. ••• miscelânea o 1. o -ten . sg marques curado, a prestar serviço no g1 ea, em vila frana de xira, deseja trocar selos .por moedas. para o efeito dispõe de todos os selos portugueses dos últi– mos 18 anos, novos (não carimba– dos) e em séries completas, e ainda de todos os sobrescritos de 1. dia de circulação (foc's), também portu– gueses e com a série compléta, de 30-1-69 a 2-1-80. em troca deseia adquirir, para completar as 1. a e 2. a repúblicas, al– gumas moedas deste período. propõe-se que a transacção seja efectuada com base nos respectivos catálogos, naturalmente dos mais re– centes, de modo a ser necessário apenas 80% das importâncias inscri– tas no catálogo das moedas para 100% das inscritas no catálogo dos selos. ••••••••••••••••••• 15</Page><Page Number="198">ecordações do passado ano novo china no porto interior de macau o aviso «gonçalves zarco», um dos primeiros navios de guerra do plano naval de 1930, eneontrava-se há eerea de cinco anos em eomissão de soberania no extremo-oriente , eom per– manêneias variáveis nos territórios da índia, maeau e timor. no dia 24 de janeiro de 1961, quando a bordo se tomou eo– nheeimento da eaptura do paquete «santa maria» por henrique gaivão, o navio encontrava-se atracado à ponte n."8 do porto interior de maeau, para a realização de importantes fabrieos efectuados pelas ofieinas navais, entre os quais avultou a subs– tituição dos dois grupos eleetrogéneos , para o que foi necessário fazer uma grande abertura no eostado. no sentido de proteger o navio eontra qualquer eventual ameaça resultante de alguma alteração pontual da ordem públi– ea - eomo reflexo daquele importante aconteeimento político - , a qual seria muito facilitada durante o bulício eitadino moti– vado pelas festividades do ano novo china euja data se aproxi– mava , os trabalhos foram aeelerados, conseguindo feehar-se o eostado no dia 11 de fevereiro e aprontar o «zareo» para largar para as bóias, situadas defronte das ofieinas navais, no próprio dia do início dos festejos. o ano novo china é a maior festividade tradieional deste grande porto do extremo-oriente, a qual deeorre num ambien– te religioso e profano, onde paradoxalmente, se misturam a família, negóeio e patriotismo, num estranho eonjunto de ale– gria, misticismo, dinheiro e comunidade . ncste período festivo ninguém trabalha, em terra ou no mar, e nele compartieipam todos, sem quaisquer distinções polítieas oll sociais, num excepcional clima de concórdia , fraternidade e igualdade. todos liquidam as suas dívidas, e os amigos trocam entre si os mclhores presentes e votos de feliz futuro, pleno de venturas , como acontece entre nós, na época do natal. gente de várias proveniências, especialmente de hong– -kong, cantão e das povoações ribeirinhas do grande delta dos rios oeste e das pérolas, visitam em massa a cidade de macau, pejando-a , para se divertirem a seu gosto-comendo, bebendo , comprando , dançando, amando , jogando e fumando ópio, etc. - , no desejo comum de entrarem o ano novo em plena festa e prosperidade. nesses dias , a gente vem para a rua , homens , mulheres e crianças --:- os engraçados «sai-cós» - de todas as classes . des– sessimpáticos grupos destacam-se muitas raparigas bonitas e ai– rosas , com a graça coleante das suas belas eabaias de seda , muito valorizadas pelos elegantes saltos altos da última moda ociden– tal. à qual aderiram muitos dos passantes, que abandona– ram os seus usos e vestuários ancestrais , entre eles o «rabicho», praticame nte desaparecido. sente-se no ar um ambiente diferente do habitual; há um vai– vém contínuo e ruidoso. mas calmo. alegre e pachorrento , como a própria alma ehinesa. onde todos se deliciam com a profusão e o encanto das lojas. magnificamente decoradas e iluminadas e repletas de apetecíveis presentes. com a variedade e apresenta– ção das extraordinárias iguarias da maravilhosa cozinha chinesa expostas nos numerosos restaurantes, alguns deles ambulantes. e , acima de tudo , com a atracção irresistível das numerosas ban– cas de jogo improvisadas , estrategicamente espalhadas pelas principais artérias citadinas, onde acorrc uma multidão de orientais e alguns ocidentais. desejosos de comparticiparem nos vários jogos autorizados. numa excitação e num fervor generali– zados que impressionam os nossos espíritos europeus . 16 pela cidade , festivamente engalanada e iluminada ouvem– -se , a toda a hora . em animada função, o alegre estralejar dos panchões e dos fogos de artifício , o estrondo dos morteiros, o ruído permanente dos socos de madeira calçados pelos chineses mais tradicionais - alguns envergando a sua cabaia -, o carac– terístico baralhar das pedras do «mah-jong» e tudo isto com o fundo musical longínquo das dolentes e misteriosas canções das «pipachai». é este conjunto. «sui generis», que forma o ambiente e a at– mosfera festiva do ano novo china, numa singular conjugação de alegria, comunhüo. harmonia e esperança , em busca da felici– dade . . . ao porto interior acorreram milhares de embareações ehine– sas, motorizadas e à vela, dos mais variados tipos e procedências , que muito ordeiramente iam sendo devida'mente arrumadas pela polícia marítima , numa faina incansável que, só nos foi dado apreciar devidamente . depois da largada do navio da ponte n."8. assim. no dia 14 de fevereiro . terça-feira, pelas 09.30 horas. o «gonçalves zarco», após uma difícil manobra, devido ao es– paço restrito deixado pelas embarcações chinesas, ajudado pelo rebocador «guia», aproou à barra, iniciando o seu movimento para as já referidas bóias. da ponte do navio, ao avaliarmos a situação no belo porto interior. ficámos maravilhados pelo fascinante espectáculo da– quela «verdadeira cidade sobre a água, uma veneza flutuan– te » (') , constituída pelo formidável aglomerado de barcos de di– versas formas e grandezas (juncos, sampanas, lorchas , etc .), en– costados uns aos outros , arrumados em filas , formando uma es– pécie de ruas. por onde circulavam muitíssimos tancás com ven– dilhões apregoando comidas. bebidas , frutas , doces , panchões, etc., ou com tancareiras - com os filhos presos às eostas - , que transportavam os passageiros dos restantes barcos para terra. uma singular avenida principal- para permitir a cireulação dos barcos de passageiros para hong-kong e cantão - separa– va «esta cidade boiante de gente marítima» (') em dois grandes blocos: o de maior dimensão , encostado à cidade; outro , mais estreito , fundeado ao longo do baixo que separa macau da ilha da lapa. todas as embarcações se encontravam vistosamente engala– nadas , com muitas bandeiras , galhardetes e tiras de pano ou de papel. com grande predomínio da cor vermelha , representativa da festa e da felicidade . à medida que o navio . em postos de faina , com o pessoal em impecável formatura ostentando o azul das fardas e a alvura dos bonés . ia avançando lentamente entre tantos milhares das pes– soas embarcadas . a admiraçüo . as exclamações , a grita ria e o en– tusiasmo dos chineses também ia aumentando, numa forma con– tagiosa. ao mesmo tempo que pareciam redobrar os toques dos seus «tan-tans » e o estralejilr dos seus panchões. como se quises– sem homenagear aquele inesperado navio que , na sua grande maioria -por serem forasteiros -nunca tinham avistado. estes inolvidáveis instantes - cerca de vinte minutos, talvez únicos na história do porto de ma'cau , pois certamente nenhum ( ' ) co/lllll/dlll/!i' slilll/1' di' vascol/cl'ios, il/ " paysagens do mar», /8l)1), (') coi1/l/lldlll/!1' wel/cl's/lili de moraes , il/ " traços do oriel1le», /893.</Page><Page Number="199">no ano novo china 011 em dias de ilifão , jllncos , sampanas, lorchas e lancores , às ce/1/enas, formam 11m canal para passagem dos barcos da carreira para hong-kong. e por onde o «gonçalves zarco » leve de manobrar. outro navio de guerra , da categoria do «zarco.» se teria movi– mentado naqueles dias festivos dentro do porto interior - , por inesperados, ficaram constituindo um episódio inédito e fantás– tico. ocorrido numa curiosa comissão no extremo-oriente, onde o imprevisto , o insólito , o encanto e o fascínio largamente predominaram ... depois do navio ter amarrado às bóias, seguiu-se o almoço e, de tarde , as tancareiras , nas suas características embarcações , iniciaram o seu interminável vaivém com a ponte da capitania, conduzindo os nossos marinheiros , que seguiam para terra ale– gres, ansiosos e excitados com o bulício e o movimento da cidade e com a agradável expectativa de novas distracções e , alguns de– les ; também pensando concretizar as suas efémeras ilusões ... pela minha parte , nessa noite , como era tradicional , tive o privilégio de assistir, acompanhando o governador. autoridades militares e civis e principais membros das comunidades po.rtu– guesas e chinesas, ao sumptuoso jantar de gala para assinalar a abertura oficial do jogo , no requintado ambiente da sala de ban– quetes do hotel central , oferecido pelos concessionários do jogo . na vasta sala. muito bem mobilada com antigos e lindos mó– veis chineses. devidamente engalanada com larga quantidade de belas flores. encontravam-se distribuídos por muitas mesas cir– culares, mais de uma centena de convidados que , durante algu– mas horas , se deliciaram com uma sequência interminável dos mais ricos e esquisitos pratos da famosa arte culinária chinesa , os quais foram apreciados pela melhor sociedade de macau e al– guns forasteiros mais ilustres, vindos de hong-kong. cantão e outras terras vizinhas. não me é possível descrever este inesquecível banquete, dada a enorme variedade dos pratos servidos, os quais estavam magnificamente cozinhados e primavam pela sua artística apre– sentação como só os chineses o sabem fazer. depois de muitos brindes entre os principais convivas das vá– rias mesas, o governador levantou-se e seguimos para o grande salão de jogo, com muitas mesas de «cl u-clu», «fan-t an» e roleta onde, simbolicamente, arriscou a quantia de cem patacas. como sempre acontece, í{anhou .. . e , imediatamente , entregou o total ao representante duma instituição de beneficência da cidade . e, entretanto, durante os cinco dias do ano novo china em que essa diversão era permitida e se alastrava com maior libera– lidade pela cidade, a paixão desenfreada dos chineses pelo jogo de azar era claramente patenteada. muitos deles , a qualquer hora , de dia ou de noite, acorrem às casas de jogo e às bancas mais modestas, imbuídos dessa mís– tica infernal que junta, ombro a ombro , pobres e ricos, novos e velhos ... frequentemente , os cúlis dos riquexós , depois duma corri– da, iam imediatamente arriscar, num lanço de fortuna , a magra «sapeca» que a sua miserável faina lhes proporcionara; ao lado , impassível , um homem rico, magnate da cidade ou forasteiro , num só golpe, jogava milhares de patacas . também durante esta época festiva, praticando sentidamen– te a sua religião e o culto dos antepassados, as famíli as chinesas de todas as classes percorriam os diversos templos de macau onde, entre o cheiro do incenso e o fumo dos próprios pívetes , batiam cabeça perante buda e outras divindades, sendo muito visitado por toda a população - especialmente a marítima - o célebre pagode da barra, onde se venera a deusa amá, consi– derada muito milagrosa e protectora dos homens do mar. contradições misteriosas destas terras fascinantes do fim do mundo onde os marinheiros portugueses , durante cerca de qua– tro séculos , têm desfrutado da agradável possibilidade de man– ter uma amistosa convivência com os simpáticos representan– tes da milenária civilização chinesa , fonte exemplar de sabedo– ria e de cultura, cujas verdadeiras proporções ainda estarão por desvendar ... fragoso de matos, vlalm. ducaçã ísica formação aprendizagem de natação por nos parecer actual, o sempre polémico problema da aprendiza– gem da natação, conversámos com o professor cantarino de carvalho que é licenciado em educação física e fez o serviço militar como oficial fu-zileiro da rn na companhia n.o3, na guiné, em 1967/69. após esta data desempenhou funções no serviço de educação física da escola de fuzilei– ros, na escola de educação física de lisboa, no instituto nacional de educação física e na universidade técnica de lisboa (isef). o seu interesse por esta área, nomeadamente no âmbito do ensi-no-aprendizagem, possibilitou-lhe a publicação de alguns trabalhos. presentemente desempenha funções docentes, como civil , no centro de educação física da arma-da, sendo responsável pela forma– ção de monitores na metodologia da natação. porém, o seu interesse pelo ensino-aprendizaem nos escalões ... etários mais baixos levou-o a lançar ., 17</Page><Page Number="200">prof. cantarino de carvalho conversa com o 1. o-ten. seg medeiros de almeida sobre os pro– blemas de aprendizagem da natação. uma curiosa iniciativa: montar na praia de carcavelos uma escola de natação durante a época balnear destinada a promover cursos intensi– vos de adaptação ao meio aquático, principalmente para as camadas mais jovens. segundo ele, a adaptação ao meio aquático é um conjunto de ajus– tamentos que possibilitam ao ser hu– mano um comportamento adequado quando na água, dado que os seus órgãos não possuem as característi– cas apropriadas para nela vivermos ou permanecermos para além dum certo tempo. o equilíbrio, a respira– ção, a forma de se deslocar, a visão e a audição, entre outros factores, são profundamente alterados relati– vamente ao que se passa em terra firme. assim, é natural que os meca– nismos de defesa dificultem esse ajustamento, como por exemplo, o cerrar dos olhos, bloquear a respira– ção, etc., como defesa ao contacto com a água que é um meio estranho. pela intervenção do processo ensi– no-aprendizagem procura-se provo– car uma mudança de comportamen– to no sentido desejado, isto é, condu– zir à aquisição das destrezas básicas que possibilitem ao iniciado conside– rar a água como um meio não hostil. em termos estritamente didácti– cos, a instrução no meio aquático é a primeira etapa. porém, a adapta– ção é um processo. contínuo, sempre que as situações são renovadas; o melhor nadador teve que passar por várias e sucessivas ,adaptações, or– ganizadas de acordo com a metodo– logia do treino. o controlo respirató– rio é uma aquisição imprescindível. por um lado é o indicador mais segu– ro de à-vontade no meio aquático, por outro, a sua ausência impossibili– ta a evolução. o trabalho de adaptação ao meio aquático pode começar-se em qual– quer idade e deve efectuar-se tão cedo possível. saber nadar deveria 18 ser uma aquisição cultural, obrigató– ria, como saber ler e escrever; desta forma o ensino da natação deveria começar na escola pré-primária. o ensino da natação começa com uma adaptação; ora, a dliração desta é variável de criança para criança, es– tando dependente de vários facto– res, nomeadamente dos primeiros contactos com a água tidos em casa, no banho. uma criança com medo da água, provocado por qualquer trau– matismo de início, oferece sempre mais problemas. porém, teve vários alunos com dois e três anos, na es– cola de natação em carcavelos, que se·deslocavam perfeitamente à-von– tade, sem se apoiarem com os pés no fundo do tanque, e partindo de dentro de água eram capazes de apanhar uma argola no fundo. toda– via, nem todos conseguiam atingir este grau de adaptação. obviamente que, nessas idades, deslocavam-se com formas propulsivas elementa– res, como «nadaràcão». o ensino da natação nestas ida– des ainda não está suficientemente divulgado para ser possível tirar con– clusões quanto a reflexos em termos desportivos, apesar de em outros países lhe ser dispensado muito mais atenção que entre nós. toda– via, terá com certeza reflexos a nível educativo, uma vez que é durante os seis primeiros anos que os padrões motores fundamentais emergem e se aperfeiçoam. deste modo, as ex– periências motoras que serão pro– porcionadas pela prática desta acti– vidade são um contributo muito im– portante. no processo ensino-aprendiza– gem de crianças e de adultos, a cro– nologia das diferentes aquisições não se altera de forma significativa. é na relação professor-aluno que se encontram grandes diferenças que, a não serem respeitadas, afectarão o sucesso na aprendizagem. por ou– tras palavras: quanto mais baixa é a idade do aluno, mais efectiva é esta relação, como forma de dominar a in– segurança das crianças. num prospecto informativo, dis– tribuído na escola de natação em carcavelos, procura-se induzir os pais das crianças mais jovens, até aos cinco anos, a participar dentro de água com os filhos durante as primei– ras sessões. e isto porque, em prin– cípio, a relação que se encontra es– tabelecida entre filho e pais propor– ciona a segurança para que, aos poucos, a criança se vá desinibindo. paralelamente procura-se através desse folheto e da acção do instrutor ter uma atitude formativa em relação aos pais, pois que ainda há pais que imergem os filhos à força e outros que desejam ver progressos rápidos, que estão, naquele momento, fora das capacidades dos filhos. ele acre– dita que nós, os pais - também o é - necessitamos, igualmente, de ser educados no respeito pela individua– lidade da criança. claro que, casos como estes que citou, não se verifi– cam na escola durante as aulas, pois os pais são postos a par dos objecti– vos que pretendemos alcançar antes de cada sessão. quanto ao ensino da natação na armada, tem constatado um grande empenho da parte dos organismos e serviços responsáveis, o que possi– bilitará, com certeza, o preenchimen– to de algumas lacunas. o conheci– mento que possui do que se faz nos outros ramos das forças armadas e até no meio civil, permite-lhe afirmar, com segurança, que a armada ocu– pa um dos lugares da frente no com– bate ao «analfabetismo aquático» . a existência de níveis de adaptação ao meio aquático homologados, o regis– to obrigatório do resultado dos tes– tes na caderneta militar, os cursos de adaptação ao meio aquático (cama's), sempre em funcionamen– to para reciclar os elementos que ainda não sabem nadar, são alguns indicadores seguros do que afirmou. a armada tem desempenhado um papel muito importante na «alfabeti– zação aquática» com grande inci– dência social. medeiros de almeida, 1. o-ten. seg n. r. - sobre a adaptação de crianças ao meio aquático, chama-se a atenção do lei– tor para o artigo «aprender a nadar com três semanas», publicado no n.o152/maio de 84 desta revista.</Page><Page Number="201">eróis do mar n ão é a primeira vez que nesta revista se dão a conhecer e se enaltecem marinheiros doutros países que se tornaram célebres . já o fizemos a respeito de nelson (inglês), barroso (brasileiro), hedois du bocage (francês) e va– mos fazê-lo hoje a respeito do almirante miguel grau, baseando-nos em elementos fornecidos, gentilmen– te, pelo embaixador do peru em portugal, d. carlos gamarra vargas. "* o almirantemiguel grau, herói do peru. miguel grau nasceu à beira-mar, em piura, aprazí– vel oásis num areal calcinado e sedento. ao abrir os olhos podia contemplar um dos mais belos espectá– culos da natureza - as imensidões do oceano pacífi– co, de um lado, e as colossais montanhas dos andes, do outro. nestas, picos eternamente cobertos de neve penetrando nas nuvens, vulcões em permanen– te actividade e caudais de luz que, caindo como ben– ções do sol, alimentam selvas e fazem brotar flores, dando vida à natureza que parece cantar hinos ao criador. com 10 anos apenas, já cruzava os mares, familia– rizando-se com os seus mistérios, as suas tempesta– des e seus dias serenos. grumete aventureiro, fez sete anos de vida no mar, subindo aos mastros para manobrar as velas debaixo de temporal ou distrain– do-se, nas horas de ócio, a ver os peixes seguindo a esteira do navio, em tempo calmo. aos 17 anos era já um autêntico lobo-da-mar, sentindo-se sufocar nas cidades e aborrecer em terra. mais tarde, cultivou o espírito em cursos que frequentou, aprendeu a viver em sociedade, vindo a ocupar cargos importantes na administração e governo do seu país mas, logo que voltava ao mar, o antigo grumete reaparecia, olhando com carinho as ondas, desafiando coin audácia a tem– pestade, agradecendo à providência o vento que en– chia as velas do seu navio e o fazia navegar. os mais velhos marinheiros da sua pátria amavam-no, respei– tavam-no e orgulhavam-se dele. ainda não tinha 20 anos, já era notado pela sua intrepidez, pela bondade e doçura do seu carácter varonil, por essa distinção peculiar aos homens superiores, misto de força e grandeza que os distingue da multidão. alternada– mente na marinha de guerra e na mercante, havia adquirido todos os ensinamentos de que mais tarde viria a necessitar para deixar assinalada a sua vida de mar. conhecia todas as linguagens que -se falavam :nos mares, as correntes e os ventos, as costas, as ilhas e os barcos que navegavamn no atlântico e no pa– cífico, do peru ao mar da china. educado na escola do trabalho e da adversidade, seu corpo e seu espírito estavam temperados para a luta, com a resistência e a têmpera do aço. mas, até aqui a sua vida é apenas a de um mari– nheiro valente , modesto e bondoso. vai chegar o mo– mento da sua sublime transformação. 'ü va10r elevar– -se-á até ao heroísmo, a ciência obedecerá ao seu gé– nio, a bondade transformar-se-á na magnanidade do herói e, maisumavez, alcançará as palmas do triunfa– dor, aparecendo subitamente entre os navios inimi– gos e desaparecendo, como um sombra, depois de de– sempenhada sua missão. em 1872, miguel grau era capitão-de-mar-e-guer– ra e comandante do navio monitor «huáscar)), dois nomes que passariam juntos à história do peru e das marinhas de todo o mundo. estava fundeado em callao quando os ambiciosos irmãos gutiérrez derrubaram o presidente balta e perseguiram d.manuel pardo, caudilho do partido ci– vil e triunfador em recentes eleições. grau e a esqua– dra peruana tornam-se o escudo protector deste, re– jeitando todas as ameaças, saindo para o mar, e pro– clamando a sua vontade de resistir. esta atitude re– solve a situação: o despótico governo dos gutiérrez cai e pardo assume o poder. depois de permanecer alguns anos no comando do «huáscar)), grau passa a desempenhar o cargo de comandante-geral da marinha e, mais tarde, o de de– putado ao congresso. estava então longe de imagi– nar que uma carreira naval que parecia começar a de– clinar, iria conduzi-lo ainda aos mais fabulosos domí– nios da história. tinha 44 anos de idade: havia navegado em todos os mares, comandado os melhores navios e participa-19</Page><Page Number="202">monitor "huáscar, da armada peruana . do em acções de guerra. querido e respeitado em toda a armada, com uma veneração que só pode ser despertada por quem recebeu de deus o génio do mando, sonha com um mundo em paz e uma américa unida. há um autógrafo que revela o seu pensamen– to, propondo que sempre que um país da américa seja ameaçado, as forças navais de todos se reúnam debaixo da mesma bandeira para o defender. sincero cristão, de inclinação conservadora, chefe de família exemplar, com um rancho de filhos que chegaria a 10 , enamorado das soluções pacíficas e da unidade americana, o se1,l coração bondoso iria ser violentado por um conflito internacional, que tentou evitar, por lhe parecer que poderia trazer a ruína ao seu país. ·tj quando a guerra começa (chile contra o peru, em 1879), miguel grau retoma o comando do «huáscarn e , ao despedir-se, rumo à imensidade dos mares, faz esta promessa que , como sempre, haveria de cum– prir : se chegar a ocasião, o iihuáscar)) bater-se-á e se algum dia não regressar vitorioso, eu também não re– gressarei. esta guerra revela ao mundo a formidável perso– nalidade do almirante . se não fosse ele, a derrota do peru seria breve, dada a desproporção de forças em confronto. a ele se deve o que foi chamado o milagre de uma guerra naval, prolongada mais de 5 meses , durante os quais, com um pequeno navio, logrou manter em respeito uma esquadra poderosa. a incrível duração desta campanha - disse um escritor venezuelano - não se explica senão por er– ros do contra-almirante chileno e pela inspiração e va– lentia do comandante do ((huáscar», génio e herói 20 desta guerra. enquanto este existiu, o chile não foi ca– paz de invadir o território do peru. sozinho fez a guer– ra no mar, dando tempo ao peru para se preparar para resistir à invasão. este é um feito sem precedentes na história das guerras navais do mundo inteiro. fiel à sua vocação de herói, assumiu o posto de maior perigo e de mais alta responsabilidade num momento em que a sua pátria se encontrava à beira do abismo. nunca um chefe naval sentiu sobre os om– bros, como ele, todo o peso do futuro de uma nação. noutras guerras, noutros combates, se um coman– dante cai morto ou um navio é afundado, outros co– mandantes e outros navios estarão prontos a substi– tui-los e recomeçar a luta. nesta, se grau morresse, se o ((huáscarn perdesse um só combate, o peru esta– ria perdido. mas o almirante está à altura das suas dramáticas responsabilidades. durante mais de cinco meses, manobrando o seu navio com pericia e cora– gem, converte-se num gigante dos mares . defende superfícies imensas; captura transportes; apresa na– vios mercantes; afunda navios de guerra·; corta cabos submarinos; escapa a ciladas ; salva náufragos; pro– tege e escolta comboios ; trava combates com navios que o perseguem... faz tudo o que é humanament e possível fazer numa guerra naval. a sua energia não conhece limites. logo no come– ço da luta deu combate aos navios chilenos que blo– queavam iquique. ataca o ((esmeralda)) que se bate e afunda gloriosamente, e salva os náufragos da tri– pulação vencida . no dia seguinte apresa o vapor ((re– cuperado» e horas depois o «glorinda)) . no terceiro dia entra na baía de antofagasta, travaduelo de arti– lharia com as baterias de terra e com a corveta ((cova– donga)) e desaparece incólume no horizonte . no quarto dia corta o cabo submarino e captura dois na-</Page><Page Number="203">ios - o «coqueta» e o «emilia» - carregados de va-1iosos minerais. ao sexto dia entra em combate com uma poderosa força naval inimiga, constituída pelos blindados «blanco encalada», «cochrane» e «magal– lanes», que o interceptaram, conseguindo desapare– cer entre as brumas e fundear a salvo junto da costa. esta campanha decorreu de 21 a 27 de maio de 1879. depois de ter feito pequenas reparações volta ao mar e, em 10 de junho, tem de novo um dia grande: combate o «matias cousifio» e está quase a afundá– -lo. porém, como é sua norma, concede à tripulação tempo para o abandonar e salvar-se. entretanto, apa– recem os trê s blindados anteriormente mencionados, travando com eles combate durante uma hora e esca– pando-se depois sem deixar rasto. no dia 20 captura o «saucy jack» com um carregamento de cobre, e em 210 transporte armado «rimac» , com um regimento completo de cavalaria a bordo. até 4 de agosto nave– ga sem novidade mas, nesse dia, cruza-se com dois navios de guerra inimigos e, uma vez mais, consegue evitar que o aniquilem. em 24 entra na baía de antofagasta, local que exercia sobre o almirante uma especial atracção, e a esquadra chilena inicia imediatamente a sua perse– guição sem qualquer êxito. em 28 entra ali novamen– te, trava combate com as baterias da costa e com o «magallanes», escapando, mais uma vez, e prolon– gando miraculosamente a sua incrível invencibili– dade. mas, tantas vezes o cântaro vai à fonte... no dia 8 de outubro, o «huáscar» é finalmente cercado em frente de angamos. como sempre, grau toma a iniciativa do combate, mas uma granada per– fura a blidagem do navio, entra na ponte de comando e mata o grande marinheiro. o comandante aguirre as novas emissões de selos portugueses assume o comando mas não tarda a cair também, des– pedaçado pela artilharia inimiga. sucedem-lhe os co– mandantes carvajal, que é ferido, e gárezon. o com– bate prossegue feroz, apesar do navio estar já bas– tante danificado e sem poder manobrar por ter o leme destruído. está transformado numa verdadeira arca de dor e de sangue. os oficiais morriam uns atrás dos outros, ou ficavam gravemente feridos, bem como os restantes membros da guarnição. o «huáscar» rende-se depois de um combate em que se cobriu de glória. a imagem da pátria - suas montanhas, rios , cataratas, vales e selvas sombrias, seus guerreiros e seus poetas - deve ter perpassado pelos olhos do heróico almirante, que dorme o sono eterno entre as areias do pacífico. (tradução livre de extractos do elogio fúnebre do contra– -almirante miguel grau , pronunciado em buenos aires , em 26 de outubro de 1879, por a. dei valle e d o artigo vida y gloria del llalmirante grau )) , publicado na "revista de marina» de jan.lfev. de 1970) m . dovale, c/alm. n. r. -a iirevista da armada )) fica muito agradecida ao em– baixador do peru por lhe ter proporcionado conhecer, e dar a co– nhecer aos seus leitores, a vida e obra des te grande marinheiro, he– rói n é!cional do seu país e orgulho de todas as marinhas do mundo, que têm a honra de o contar entre os seuspares. não conseguimos obter as características do iihuáscatii . pode– mos, no entanto, esclarecer que o monitor era um tipo de navio de guerra criado na américa, durante a guerra separatista, em 1862. tinha as obrasmortas quase rasas, convés blindado e uma ou duas peças de grande calibre, em torres gigantes. embora tivesse sido aperfeiçoado, este tipo de navio teve vida efémera. pela análise da fotografia vê-se que este era já muito d i ferente do monitor inicial. a van te da ponte de comando observa-se a sua peça de grosso cali– bre. filtelia 25. o aniversário da efta - associação europeia de comér– cio livre - em 1960, um grupo de países europeus constituídos pela áustria, noruega, reino unido, sué– cia, dinamarca, suíça e portugal , as– sinou um tratado que ficou conheci– do por convenção de estocolmo. a essa associação de comércio livre (efta), juntou-se no ano seguinte a finlândia, apenas com estatuto de associada, não podendo por isso ser considerada como estado-membro. em 1970 foi a vez da islândia que, desde logo, passou a membro de pleno direito. comunidades europeias (cee), a grã-bretanha e a dinamarca aban– donaram a efta. em 1973, por terem aderido às o espírito da associação envol– via três objectivos bem definidos, consistindo o primeiro no apareci– mento de condições para a realiza– ção de comércio livre entre os países membros relativamente aos produ– tos de ordem industrial , com alguns acordos para os produtos agrícolas e de pesca. o segundo objectivo pren– de-se com a criação dum mercado único em todos os países da europa ocidental , o que até certo ponto foi conseguido pela adesão de mais al– guns países da efta à cee, com a fixação de alguns acordos entre as duas comunidades. quanto ao ter– ceiro objectivo, ele relaciona-se com o empreendimento que consiste na expansão do comércio internacional, o que parece ter, entre 1963 e 1974, atingido as condições previstas. a efta tem conselho próprio, re– presentado por todos os estado ... membros, com sede em genebra. e ., 21</Page><Page Number="204">á que os estados associados, todos com direito a voto, se consultam e te– mam as decisões mais importantes. o conselho tem um secretário-geral e um secretário-geral adjunto. os ctt portugueses, para come– morarem o quarto de século de exis– tência da associação de que o nosso país é membro fundador, emitiram a 10-4-85 um selo com a taxa 4600, que reproduzimos, representando as bandeiras dos países membros. • • • ano internacional da juventu– de - embora a expressão juventude deva, em termos muito genéricos, abranger uma gama de idades qua– se indiferenciável, para muitas pes– soas decorre tão rapidamente que elas quase não dão pela passagem de tão curto caminho. deixa algumas marcas, principalmente as causadas pela natural inquietude, o que muitas vezes se pretende confundir, talvez erradamente, com uma total irres– ponsabilidade. mas, em termos mais reais, a juventl,jde situa-se numa ca– mada etária para quem as coisas bem sucedidas e também as inevitá– veis decepções, ainda não aconte– ceram em número muito significati– vo. a juventude deve ser vista como uma promessa do amanhã que os adultos de hoje não ensaiam da me– ihor ·maneira, para que as gerações vindouras possam sentir nas suas vi– das o reflexo duma adulta e inteligen– te lição. é muito natural que os jovens, apavorados com as grandes dúvidas ou demasiadamente confiantes nas suas, quase sempre, mal fundadas certezas, nem sempre se compor– tem de acordo com as tão grandes potencialidades actuais. do desafio que forem capazes de fazer aos sis– temas e da ajuda que organizações bem estruturadas lhes possam ofe– recer, resultará a maior ou menor ca– pacidade de construírem a humani– dade, cujo futuro não parece muito ri– sonho. manifestando uma certa preocu– pação, e ao mesmo tempo acreditan– do na possibilidade de reabilitação, foi o ano de 1985 proclamado o ano internacional da juventude. o espíri– to da iniciativa visa os seguintes prin– cipais objectivos que, uma vez atingi– dos, poderão desfazer alguns flage– los e criar condições para uma vida sã que cada ser humano merece: • permitir que os reponsáveis e também o público tomem cons– ciência da situação dos jovens, assim como das suas necessida– des e aspirações; • promover políticas e programas que apoiem a juventude, cqmo parte integrante do desenvolvi– mento económico e social , to– mando em consideração a expe-aquilo que a gente não esquece (10) riência e as prioridades de cada país ; • encorajar a participação activa da juventude no processo social e, em especial, a promoção e reali – zação dos objectivos de paz e de– senvolvimento ; • promover no seio dos jovens os ideais da paz, respeito mútuo e compreensão entre os povos ; • encorajar a todos os níveis a coo– peração das questões respeitan– tes àjuventude. pensa-se ainda que o ano inter– nacional da juventude deveria enco– rajar também a investigação, recolha de dados e análise dos problemas que se colocam aos jovens, assim como a sua difusão e troca de infor– mações. o actual secretário-geral das na– ções unidas sublinha ainda que «en– quanto a pai ítica mundial é ditada pe– las gerações mais velhas, no caso de um conflito armado, serão os jovens os primeiros a ser chamados e nele entrar, jovens a quem devemos dei– xar um futuro de esperança» . esta matéria mereceu da parte dos correios tão especial interesse, que foi feita a emissão de selos, com a taxa de 6000 para portugal, que reproduzimos, com um desenho que no nosso entender tem o mais apro– priado significado. m. curado, 1. o -fen. sg ((os náuticos»: vedetas de grande calado foi com emoção que há dias li uma v elha reportagem feita por uma conceituadíssi– ma revista, «a flama», posteriormente de– saparecida, com muita pena dos seus inú– meros leitores e simpatizantes. essa repor– tagem, datada de 2 de abril de 1971, cujo texto era de antónio amorim e fotos de joaquim lobo, tinha o título que hoje da– mos a este pequeno artigo. rezava assim: oito rapazes com a particularidade comum de não poderem usar cabelos compridos, 22 con s tituem, desde h á pouco tempo, um apreciável conjuntà musical. em vez de ((blue-jeans )) , vestem, impecavelmente, o uni forme da armada. por isso, quando atacam o potente instrumental, entre volu– mosas peças de artilharia, ((os náuticos)) já navegam a caminho do êxito. servido por duas excelentes vo– zes, o equilíbrio de todos os executantes está na base da indiscutível qualidade que o conjunto extrai das suas interpretações. várias actuações vieram confir– mar o apreciado conjunto. saliente-se a sua participa– ção no natal dos hospitais, transmitido anualmente pela rtp. num dos seus programas, ((estúdio sem</Page><Page Number="205">arcação)), a rtp transmitiu um serão de variedades realizado nas escolas da armada, no alfeite, e onde o conjunto teve actuaão de relevo. oportunamente, ((os náuticos)) preencherão o conhecido programa televisivo ((tv clube)). embora as suas característi– cas o aproximem mais da música ((po;))), este agrupa– mento interpreta também como naturalmente se compreende em face dá seu vasto auditório, outros géneros musicais. por iniciativa do capelão delmar, os actuais elementos do conjunto iniciaram lenta– mente osprimeirospassospara uma realidade que se viria a manifestaraltamentepositiva. na realidade, o conjunto em referência teve o meu acompanhamento e impulso desde o primeiro minu– to. o seu berço foi o grupo n.o2 de escolas da arma– da. os seus elementos, jovens marinheiros, eram josé joaquim araújo pereira, carlos portugal deoda– to santos, rui manuel diogo de almeida, ernesto dabó, josé manuel das neves ricardo, pedro soares de jesus serigado e francisco avelino ribeiro júnior. fez digressões à guiné e a cabo verde de 30 de março a 10 de maio de 1971 e a angola e moçambique de 9 de junho a 27 de agosto do mesmo ano. na gui– né actuou nas instalações da defesa marítima, no hospital militar de bissau, na base aérea de bissa– lanca e ainda em farim e bolama. em cabo verde deu dois espectáculos no cinema miramar do mindelo. em angola exibiu-se nas instalações navais da ilha do cabo, na base aérea n.o9, no hospital militar, no regimento de infantaria 20, na reclusão militar, no cinema avis, na igreja de jesus e também na pedra do feitiço, em santo antónio do zaire e em cabinda. em moçambique fez duas gravações para a rádio e actuou nos estúdios do rádio clube de moçambique, no aquartelamento da machava, e ainda em tete, vila cabral, metangula e porto amélia. a imprensa referiu-se largamente às suas exibi– ções e deu-lhe títulos de caixa alta, dos quais destaco alguns: no festival do avis ((os náuticos)) aplaudi– dos de pépela assistência jovem, do jornal «província de angola» (8-7-71); explosão musical em ritmo de juventude, do jornal «diário de luanda» (8-7-71); o conjunto musical da armada ((os náuticos)) obteve grande sucesso no ultramar, do jornal «diário de no– tícias» (28-8-71). * confesso, não é apenas a emoção que me invade. ao dar estas referências de «os náuticos» é um misto de saudade e nostalgia que fere a minha sensibilida– de de marinheiro e fundador daquele agrupamento musical. tenho pena que as circunstâncias não te– nham permitido a continuação do conjunto. no en– tanto, a sua existência de cerca de dois anos foi pro– veitosa e benfazeja. trouxe uma lufada de ar fresco, uma explosão de juventude, uma onda de alegria num tempo em que, por motivo das constantes co missões no ultramar, se respirava, nas fileiras milita– res, uma atmosfera relativamente pesada e sombria. lias náuticos)) em actuação nopaquete ii vera cruz)), a caminho de angola. na foto, vêem-se também o então comandantemelo cristi– na e o capelão delmarbarreiros. legendas nas esferográficas «siga a marinha» ou «sirva portugal na marinha» era feita pelos «os náu– ticos» ao som mavioso das guitarras e a voz timbrada dos marinheiros . recordo-me que em luanda, no melhor.cinema da, cidade, o avis, após a actuação de diversos grupos lo– cais, já que de um festival de música se tratava; en– traram em acção «os náuticos». só sei dizer que a as– sistência, centenas e cen.tenas de. jovens, aplaudiu freneticamente os briosos rapazes,da armada e can– tou com entusiasmo a canção osmarinheiros aventu– reiros são sempre os primeiros na terra ou nq mar... * há dias, em plena baixa lisboeta, encontrei um dos elementos de «os náuticos» . quase lhe bn1ha– ram as lágrimas nos olhos quando ele me balbuciou : sabe, senhor capelão, quase não há dia nenhum que nãome lembre daquele glorioso conjunto. esse elemento deixou a a:r;madahá doze anos. mas, uma coisa é certa, cem anos que ele viva não irá esquecer a armada. e mais, aos seus ouvidos soarão sempre os bons acordes de «os náuticos». essa certeza é o bastante para que eu próprio ja– mais esqueça esse conjunto, o qual, se ainda existis– se, teria completado quinze anos em maio passado. e, porque não dizê-lo, serviu também para uma delmarbarreiros, salutar propaganda da marinha no meio da camada capelãograduadoemcap.-frag. jovem. aquele chamariz que hoje é feito através das •••••••••••••••••••••••••••••• 23</Page><Page Number="206">otícias da marinha de macau foram recebidos em hong-kong dois novos íerries» rápidos para o transporte de passageiros entre aquele território e macau. as respectivas provas de mar fo– ram conduzidas pelo marine departa– ment de hong-kong e pelos serviços de marinha de macau. o «cheung kong» e o lu kong» - assim se chamam os novos navios-, com lotação para 700 passageiros, cada, têm uma velocidade de cruzeiro de 25 nós , ca– iam 2,60m e dispõem de radares nas ban– dasxes. (colaboração dos serviços de marinha de macau) os dois novos "ferries » para a carreira hong– -konglmacau "desembarcam »da docaflutuan– te que os transportou. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• convívio do recrutamento de 1937 aos elementos do recrutamento de 1937 que participaram no almoço de confraternização de 1984, recorda-se, uma vez mais - vide "ra » n. n 1511a bril de 84 -, que o noticiário para esta secção deverá dar entrada na nossa secretaria até 15 dias depois da data em que decorreram os factos a que digam respeito. não foi o caso da notícia que acompanhava esta fotografia, que veio com um atraso de mais de dois meses. em atenção aos "filhos da escola» publica-se, ex– cepcionalmente, afoto. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 24 «albatroz 85» entre 29 de março e 4 de abril decor– reu na área oceânica adjacente à cosi;: oeste e nas zonas terrestres de sines e santiago do cacém, ') exerçício «alba– troz 85», em que tomaram parte unidades navais , meios aéreos, fuzileiros, pára– -quedistas e mergulhadores , e ,volvendo cerca de 2500 homens . neste exercício, que se de' tinou a de– senvolver a capacidade operacional da armada e da força aérea em acções con– juntas ou isoladas , intervieram as fragatas «comandante hermenegildo capelo» e «comandante joão belo», as corvetas «joão roby» e «antónio enes», o sub– marino «barracuda», o dragaminas «ri– beira grande», as ldg (lanchas de de– sembarque grandes) «alabarda» e «bom– barda» e lanchas de desembarque mé– dias , aviões «corsair a7» e «fiat g-91» e helicópteros «sa 330.puma». as manobras, que foram dirigidas su– periorment,e pelos contra-almirante pe– reira leite e brigadeiro vasquez dias , tendo o capitão-d.e-mar-e-guerra gomes teixeira comandado o ctg anfíbio, tive-</Page><Page Number="207">arros anflhios dos "jú zos » desembarcam na praia, largados da ldg 201 (" bomharda»). o ministro da defesa, o almirante cema, o general cemgfa l' o secre– tário de estado da defesa assistem a l/inafasedo "a lhútroz 85 ». ram a presença, numa das suas fases, do ministro da defesa nacional , dr. rui ma– chete, dos chefes do estado-maior-gene– ral das forças armadas e dos estados– -maiores da armada e da força aérea, general lemos ferreira, almirante sousa leitão e general brochado de miranda, respectivamente, do secretário de estado da defesa nacional, dr. figueiredo lo– pes , e do comandante da região militar de lisboa , general ricardo durão. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• actividades de unidades do cnc durante o mês de março findo, unida– des navais em patrulha nas águas sob ju– risdição portuguesa da responsabilidade do comando naval do continente (cnc), procederam à identificação de 113 embarcações de pesca, vistoriando 82, de que resultou o apresamento de 27 por pesca em área proibida, uso/porte de artes ilegais , documentação irregular , pesca sem licença ou ausência de meios de salvamento. das embarcações autuadas por documentação irregular , oito não possuíam qualquer documento a bordo , e uma embarcava pessoal que , na sua tota– lidade, não estava habilitado para a práti– ca da pesca , possuindo cédulas de outros indivíduos ; outra possuía meios de salva– mento insuficientes, o rol de matrícula desactualizado, falta de certificado de na– vegabilidade, equipamento de txjex em reparação em terra e a sonda avaria– da. em consequência daquelas detenções foram apreendidos 3230 kg de peixe e ma– risco diversos ;cujo valor da venda rever– teu a favor do estado. relativamente à salvaguarda da vida humana no mar , na repressão do contra– bando ou em outras actividades , as unida– des dependentes daquele comando tive– ram diversas saídas de emergência para o mar para acorrer a navios e embarcações em perigo , aos quais prestaram assistên– cia ou apoio, de que se destaca o empe– nhamento do draga-minas «ribeira grande» no salvamento do barco de pes– ca «futuro dos netos»; controlo dos es– quemas de separação do tráfego marítimo nas berlengas e nos cabos da roca e de s. vicente; transporte de materiais per– tencentes à marinha e ao exército entre lisboa, funchal e ponta delgada. equi– pas de mergulhadores efectuaram diver– sas mi ssões, nomeadamente buscas aos cais de setúbal e de alcântara e à carena do iate real «britannia», aquando da esta– dia da soberana de inglaterra em por– tugal . ainda naquele mês, as instalações do cnc e da base naval de li sboa , no alfei– te, e algumas das unidades navais ali esta– cionadas foram visitadas por cerca de 120 alunos de várias escolas. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• curso de- limitação de avarias os sargen tos que frequentaram na escola de li– mitação de a varias, no grupo n. "2 de escolas da a rmada , o curso a vançado de limitação de avarias que decorreu em março e abrilfindo. ••••••••••••••••••••</Page><Page Number="208">dr. miguel graham, após ter sido condecora– do pelo almirante cema. à direita , o coman– dante naval do continente e o embaixador do canadá. medalha vasco da gama atribuída a canadiano um cidadão canadiano - miguel ross graham - de descendência portu– guesa, pediatra , marinheiro amador e an– tigo cadete da armada do canadá , exer– cendo a sua actividade em moncton , e que tem muitos amigos em portugal e em angola e moçambique , países em que também já esteve , foi condecorado pela marinha de guerra portuguesa com a me– dalha naval de vasco da gama. a cerimónia, realizada no dia 9 de abril, que teve o cenário adequado para um amante das coisas do mar - o navio– -escola «sagres», atracado na base naval de lisboa, no alfeite - , foi presidida pelo almirante sousa leitão , chefe do es– tado-maior da armada , e teve a presença do embaixador do canadá no nosso país , l10yd francis, e do comandante naval do continente, vice-almirante cardoso ta– vares , entre outras individualidades . a atribuição desta condecoração pelo almirante cema ao dr. miguel graham ficou a dever-se à sua grande considera– ção e amizade pela marinha portuguesa, concretizada , nomeadamente , aquando das visitas da «sagres» a portos do cana– dá , tendo a sua acção, quer junto das au– toridades canadianas quer das comunida– des visitadas, contribuído grandemente para o êxito daquelas visitas, e , também , para o reforço e aprofundamento dos la– ços históricos entre as armadas e os po– vos do canadá e de portugal numa pers– pectiva de futuro. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• visitas de cumprimentos o embaixador da venezuela em lisboa, dr. ra– fael nery, acompanhado do adido naval da embaixada, elalm. rodriguez varela, fo i rece– bido em visita de apresentação de cumprimen– tos, em abril findo, pelo alm. sousa leitão, chefe do estado-maior da armada. •••••••••••••••••••• 26</Page><Page Number="209">cademia de marinha no dia 10 de abril findo, no auditório do instituto superior naval de guerra, à junqueira, realizou-se uma sessão plená– ria da academia de marinha, durante a qual o prof. dr. artur teodoro de matos, seu membro efectivo, apresentou uma co– municação subordinada ao tema ·«a ar– mada das índias no século xvi: novos elementos para o seu estudo». primeira viagem do navio-escola «polar» sob o comando do capitão-de-fragata castanho paes e com uma guarnição de 2 oficiais, 8 cadetes, 1 sargento e 4 praças, o navio-escola «polar» iniciou, no dia 15 de abril passado, â sua primeira viagem sob bandeira portuguesa. recentemente aumentado ao efectivo dos navios da ar– mada, este veleiro, como jã foi escrito nesta revista (n.ol48/jan. de 84), foi ob– tido por troca com o antigo navio-escola «sagres». o navio regressou ao tejo em 21 do mesmo mês, tendo escalado, de 16 a 19, o porto de marin, onde se situa a escola naval de espanha. a estadia em marin coincidiu com a visita que o contra-aimi-rante fuzeta da ponte, comandante da escola naval, acompanhado do director de instrução, capitão-de-fragata jorge mendes, e de quatro cadetes; fez àquele estabelecimento de.ensino da marinha es– panhola. a viagem, na qual tomou parte o capi– tão-de-fragata leiria pinto, como coman– dante do grupo de navios da escola na– val, serviu de instrução de vela, navega– ção e marinharia , mostrando-se o navio muito adequado e útil neste tipo de co– nhecimentos dos futuros oficiais da nossa armada. o navio·escola " polar» a largar da base naval de lisboa, no alfeite. para a si/a primeira viagem •••••••••••••••••••• i' sob bandeiraportuguesa, 27</Page><Page Number="210">general. cemgfa lê asua mensagem na ceri– mónia militar da praça do império . 28 25 de abril - dia da liberdade começaram na noite de 24 e continua– ram no dia 25 de abril as manifestações com que foi assinalada a passagem do 11." aniversário do dia da liberdade . ceri- i mónias oficiais, espectáculos culturais , provas desportivas , manifestações popu– lares, etc . o ponto alto das comemorações, no plano oficial, foi o desfile militar junto dos jerónimos, em lisboa , e a sessão rea– lizada na assembleia da república. de manhã , na praça do império , des– filaram cerca de 3 mil homens dos três ra– mos das porças armadas e de segurança, do colégio militar e dos pupilos do exér– cito. este acto foi presidido pelo presi– dente da república e chefe supremo das fa e teve a presença dos presidente da assembleia da república , primeiro-mi– nistro e outros membros do governo , chefes do estado-maior-general das for– ças armadas e dos estados-maiores da armada, exército e força aérea, corpo diplomático , o outras altas individualida– des . na ocasião, o general lemos ferrei– ra, cemgfa, dirigiu uma mensagem a todos os militares. esta comunicação foi lida nas cerimónias realizadas nas sedes das regiões militares do continente e nos comandos militares das regiões au– tónomas dos açores e da madeira. as sal– vas da ordenança ao chefe do estado fo– ram disparadas de bordo da fragata "co-mandante hermenegildo capelo» e da corveta jacinto cândido», que se encon– travam fundeadas em frente a belém, en– quanto as forças em parada eram sobre– voadas por uma formação de aviões «cor– sair a7», da base de monte real. à tarde, também em lisboa, teve lu– gar uma sessão na assembleia da repú– blica, durante a qual discursaram, além do general ramalho eanes e do presiden– te do parlamento, dr. fernando amaral, os representantes dos vários partidos com assento no hemiciclo. das comemorações populares mere– cem destaque o desfile na avenida da li– berdade e o comício no rossio , em lis– boa , e as cerimónias realizadas na baixa do porto. o clube militar naval e o clube do sargento da armada associaram-se igual– mente aos festejos da efeméride com efectivação de vários actos de convívio, e a primeira daquelas colectividades editou uma serigrafia alusiva ao 25 de abril, da autoria do artista rogério ribeiro. tam– bém a associação 25 de abril 'realizou sessões comemor.ativas em penafiel ; por– to , coimbra , évora, santarém e lisboa. ••••••••••••••••••••</Page><Page Number="211">t: ·1 'i o almirante cema no auditório da escola na– val, no aclo inaugural das comemorações do j . o centenário da travessia de áfrica. inauguração da exposição «de angola à con– tra-costa», no museu de matinha. (folo de reinaldo de carvalho) centenário da travessia de áfrica aspecto da cerimónia evocativa a bordo da fra– gata «comandante hermenegildo capelo». a célebre conferência de berlim, nos anos 1884-85, juntou à mesma mesa os re– presentantes dos países coloniais e de ou– tras nações europeias, além dos eua, para discutirem a ocupação de territórios africanos . ficou assente, pelos países par– ticipantes, 'que reconheciam a obrigação de assegurar, nos territórios por eles ocu– pados nas costas do continente africano, a existência de autoridades suficientes para fazer respeitar os direitos adquiridos. no entanto, para precaver aqueles di– reitos, já em 1883 o então ministro da ma– rinha e do ultramar , pinheiro chagas , ti– nha lançado um plano, conhecido pelo mapa cor-de-rosa, destinado a formar a ocupação efectiva das regiões compreen– didas entre angola e moçambique, que historicamente se entendia pertencerem a portugal. foi a partir daqui que dois ofi– ciais da armada - hermenegildo capelo e roberto ivens - foram nomeados para a «aventura», iniciada em 24 de abril de 1884, em moçâmedes, e concluída em 21 de junho de 1885, em quelimane , numa extensão de 4500 milhas , e que ficou co– nhecida como a «travessia de angola à contra-costa». para assinalar a passagem do primeiro centenário da efeméride , a armada levou a efeito diversas cerimónias. assim, no dia 23 de abril, na escola naval, no ai-feite , o almirantc sousa leitão , chefe do estado-maior da armada, presidiu à abertura das comemorações, com uma sessão solene em que o capitão-de-mar-e– -guerra limpo serra proferiu uma confe– rência subordinada ao tema «a travessia de áfrica por capelo e ivens». no dia seguinte, a bordo da fragata «comandante hermenegildo capelo», atracada na doca da marinha, em lis– boa, a travessia foi evocada com um acto . presidido pelo vice-almirante bustorff guerra e em que o aspirante rn carva– lho fez uma alocução . após este acto, o navio esteve patente ao público. também no dia 24, o vi ce-almirante serpa de vasconcelos, vice-cema, inau– .gurou no museu de marinha, em belém, uma exposição intitulada «de angola à contra-costa», em que se mostra ao pú– blico, até 9 de julho próximo, 103 docu– mentos ou objectos pertencentes ao ar– quivo geral da marinha, biblioteca cen– trai da marinha, empresa do «jornal do comércio», museu de marinha, «revista da marinha;, sociedade de geografia de lisboa, josé manoel capello de moraes e dr. manuel alves machado. em todos este áctos esteve presente o contra-almirante leal vilarinho, presi– dente da comissão organizadora das co– memorações. atravessla</Page><Page Number="212">avios de guerra estrangeiros em abril passado aportaram ao tejo , em visitas de rotina. as corvetas espanho– las «descubierta» e «vencedora», o na– vio-parulha «tunis», da armada tunisi– na , e o navio de transporte usns «sea– lift» , da marinha dos eua, comandados respectivamente pelos capitão-de-fragata . duenos fontan , capitães-tenentes sante rodriguez e abdel boudriga e capitão da marinha mercante r. quinn, com 217 oficiais, sargentos e praças de guarnição , na totalidade . o porto do funchal, em março, foi vi– sitado pelos iate real «britannia» e fraga– tas «boxer» e «lowestoft», da: royal navy, e pelo navio-auxiliar belga «gode– tia», comandados pelos contra-almiran– te greening, capitão-de-mar-e-guerra priest, capitão-de-fragata howat e ca– pitão-tenente renet, repectivamente. além de 40 alunos embarcados no «go– detia», estas unidades tinham, na totali– dade, 555 oficiais, sargentos e praças de guarnição. extracção de metais da água do mar: uma empresa de futuro há cerca de um ano, uma instalação de novo tipo iniciou ' a extracção de elementos químicos raros das águas do mar negro. a instalação, que desloca quatro toneladas, é o protótipo das empresas semi-industriais que nos pró– ximos·anos se farão ao mar. as águas do mar, como se sabe, são ricas em metais como urânio, lítio, prata, ouro, césio e germânio. consi– derava-se, no entanto, que uma tecnologia rentável para os extrair só seria possível num futuro bastante longín– quo. segundo os cálculos, os preços dos metais raros no mercado mundial e o custo da energia necessária para os extrair seriam muito mais elevados que o lucro. basta recordar que mil metros cúbicos de água do mar contêm, aproximadamente, três gramas de urânio. por conse– guinte, para produzir uma tonelada, era necessário fazer passar pela instalação 300 milhões de metros cúbicos de água. na variante proposta pelos cientistas soviéticos, é o próprio oceano que se encarrega dessa tarefa, ou seja, utiliza-se a energia das marés, correntes e ondas, que é grátis. as instalações são autónomas e funcionam sem consumir energia. o único trabalho do pessoal consiste em recolher periodicamente os metais «capturados». com estas instalações experimentais, e semconsu– mir energia, extraem-se da água do mar os primeiros gramas de metais. as resinas de troca iónica absorvem os sais dos metais pesados contidos na solução. estas resinas são utilizadas amplamente nas instalações de purificação de água. processo natural este processo é análogo ao que ocorre na natureza, quando as plantas e animais marinhos acumulam no seu organismo alguns elementos, em proporção muito maior do que a contém o seu habitat. a laminária (género de a água onde vive. a medusa recolhe zinco, estanho e chumbo; o polvo absorve cobre, etc. há um sem-número de razões para considerar a água do mar como um mineral universal por excelência, visto que no oceano mundial se descobriram pratica– mente-tedos os elementos químicos conhecidos. os me– tais raros apresentam particular interesse, porque são fundamentais em ramos como a electrónica, a produção de aparelhos semi-condutores, dispositivos foto-eléctri– cos, lubrificantes plásticos, vidros especiais, cerâmica termo-resistente, lâmpadas luminescentes, etc. as novas instalações flutuantes, cujo funcionamento não exige qualquer espécie de energia, com as suas «peneiras» de resinas de troca iónica, têm, além disso, a vantagem de não prejudicar a ecologia, porque são inertes e não produzem detritos. finalmente, poderão ainda utilizar as águas fortemente carregadas de mine– rais que são despejadas no mar pelas instalações de pu– rificação e empresas da indústria química. por tudo isto, os cientistas pensam que, no futuro, a extracção dos elementos úteis da água dos mares e dos oceanos se converterá na tecnologia biologicamente mais pura. além disso, não necessitam de vias de aces– so nem de entulheiras. desaparecerá também a neces– sidade de deslocar massas de terra e de consumir ener– gia para esse fim. os vulcões e rios submarinos levam constantemente até ao oceano uma riqueza praticamen– te inesgotável. a humanidade não terá, pois, que preocupar-se com essas reservas (novosti) . alga), por exemplo, contém cem mil vezes mais iodo que e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e 30</Page><Page Number="213">maior liberdade não tive anéis de ouro nos meus dedos nem taças de cristal à minha mesa fui criança sem linhos, sem brinquedos, mas vestida de trapos, fui princesa. corri descalça e livre nos rochedos rasgando a pele nua e indefesa nos espinhos da vida, nos enredos, mas despi meu vestido de tristeza. a riqueza maior é ter espaços trazer o mundo inteiro nos meus braços e ter esta paz íntima e secreta. é ter risos de pão no meu celeiro um poema d 'esp'rança no tinteiro e a minha liberdade de poeta!... helena luísa miranda coentro bonjour, funcionária da d. a . ; . 31</Page><Page Number="214">cantinho charadístico variando um pouco a explicação das charadas, vamos agora tratar do enig– ma aforístico que, como o seu nome indica, se baseia no aforismo ou provér– bio, como também é chamado. para a sua construção, que é sim– ples, escolhe-se um provérbio qualquer, não muito longo. de um dicionário selec– cionam-se alguns sinónimos de cada uma das palavras componentes. depois nada mais há a fazer do que a construção da frase. como qualquer charada vulgar, as palavras componentes do provérbio, são grifadas, sublinhadas, em itálico ou em maiúsculas. os números no fim da frase indicam o total de letras do mesmo pro– vérbio. vejamos o provérbio seguinte: mu– lher boa, ave rara. procurando os sinónimos que convm construímos a seguinte frase: homem pobre, encontrar esposa que seja rica, é o mesmo que descobrir um pássaro de plumagem ex– traordinária. 161ts. para a decifração basta encontrar os sinónimos das palavras em itálico e jun– tá-ias , pela ordem em que estão, de for– ma a obter o provérbio com o número de letras indicadas. 32 exercícios: 1) antigamente vivia-se com módi– co ordenado, mas hoje, para as necessidades, também é uma insignificância. 171ts. 2) para mau consórcio só há uma solução: o divórcio. 201ts. 3) molesta ver pessoa forte alque– brada por desgostoprofundo. 2-2 (adie.) . 4) uma bagatela sempre é mais do que coisa nenhuma. 3-2 (afer.). 5) alcunha afrontosa é perfume de mau cheiro que irrita o próprio cordeiro. 3-2 (apoc.). 6) o avarento ao usar de falsidade é discreto. (em terno) . 7) examinei o meu ordenado e ve– rifiquei que é todo dissipado. 2-2 (encad.) . 8) o diabo quando uma alma lam– bisca não precisa de isca. 6(– -1,3)4. 9) reza com fervor o operário para que lhe chegue o seu salário. 3(1,4)5. 10) com vontade e prudência fez-se tudo com urgência. 2-3 (epent.). 11) dá folga aos seus instintos de má casta o homem que é desor– deiro. 2-2 (3) (haplol.) . 12) a habilidade é o predicado que completa os dotes ·do homem ousado. 2-3 (interc.). 13) pela garganta do bem falante, passa muita palavra insignifi– cante. 5 (3) (metam.). 14) a intriga é, pela calada, o início de uma cilada. 3-4 (parag.) . 15) exalto-me quando vejo alguém proceder de modo espaventoso. 4-5 (prot.) . 16) dedicar sua vida ao bem, é de todos uma obrigação. 3-2 (sine.) . 17) assombra ver como anda bem a reboque esta pequena galé 2-2 (sint.) . mindogues •••••••••••••••••••• * damas jogam as brancas e ganham . (problema de josé anselmo trabuco - évora) •••••••••••••••••••• * brídege oeste ",ov a .9  - a v a norte ",r9 73 • r4 9  - sul 5 :a va 7  - no leste 6 : o 3 v ... 973 o trunfo é espadas. sul começa e realiza pelo menos seis vazas con– tra qualquer defesa. * palavras cruzadas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 1 ii----------- 2 3 it----- ---1f-- 4 5 ii----- 6 7 8 9 10 it---- 11 horizontais: 1 - espécie de abelha do brasil; nome vernáculo de uma planta brasileira. 2 - praia; apologia (inv.) . 3 - produção de va– cina. 4 - larva que se desenvolve nas feridas dos animais (inv.); prepo– sição. 5 - flexão feminina de rane; ave galinácea (bras.). 6 - oferecer; espécie de capa sem mangas. 7-letra grega (pl.); garupa. 8 - anuên– cia; andavam. 9 - nome científico da expectoração. 10- semelhante; imaginário (inv.). 11 - casta de uva do minho; danças. verticais: 1 - palmeira do pará; cavidade em rochedo. 2 - ave trepadora; contracção da preposição em e o artigo plural as. 3 - diz-se da mulher que deu à luz pela segunda vez. 4 - bonzo; andavas. 5 - anti– ga medida de três palmos; espírito (fig.). 6 - base aérea portuguesa; irmã da mãe (inv.). 7 - opera; saco de coiro ou pano, fechado, geral– mente, com cadeado. 8 - galão brusco do cavalo para desmontar o cavaleiro; casa de habitação (inv.) . 9 - qualidade ou vida de mandrana (pl.) . 10- género da família dos bo– vídeos; ruína (fig.). 11 - agarrar-se com as gavinhas; em tempo ne– nhum. marconipto ••••••••••••••••••••</Page><Page Number="215">cruzada inglesa 1 2 3 4 5 6 7 8. 9 10 11 12 i i i i i 1 2 311 1 1 1 h 1  1 1 1 1 1 4 5 ii 6 .... 7 .... i 8 9 10 11 12 1 horizontais: 1 - madeiros que, partindo da quilha, formam a parte principal do esqueleto do na– vio ; cabo náutico. 2-afie no rebolo; tábua que remata o topo das caver– nas dos navios, e sobre a qual se constrói a borda (pio). 3 - cada uma das partes de um todo que se repar– te; boca de um rio ou de outra qual– quer corrente; gostara de. 4 - no– meiam por eleição; cercar de arame. 5 - sugar o leite da mãe ou da ama; limalha; igreja episcopal. 6 - altar cristão; peça móvel que imprime a di– recção ao navio (pio) ; «mulher». 7-corpo lateral de um edifício; que ser– ve para moer ; sobrepeliz. 8 - o es– paço aéreo; fixo; focinho dos ani– mais. 9 - o m.q. larica, planta da fam. das leguminosas, afim da ervi– ihaca; diabo. 10 - relativa à epo– peia; a parte larga do remo (pio); fazer subir. 11 - miseráveis; encare. 12 - novilhas de dois anos; acredita– ram. verticais: 1- cabo que pren– de a ostaga à verga ; galera antiga. 2 -importunara; cortar rente.3- de– terminam a lotação de; naquele lu– gar; volta, num banho de tinta, qual– quer tecido ou meada. 4-liegítimo; próprio de amigo. 5 - pateta; cau– sam ferimento a; tornara oco. 6 - modo de dizer; terra que se amontoa em volta das árvores; especiarias. 7 - boa harmonia; pedido de auxílio ; convento. 8 - provera de abas; tor– nas são; aragem. 9 - desbastara com a lima; que rouba ou rapina. 10 - escavam; período de 365 dias; amofinar. 11 - pau para amarrar, impelir ou retesar a vela da embarca– ção (pio) ; prendera na abita. 12 - guarnecer de asas; desgraças. mindogues * feitiçaria... a pequena bailarina os objectos leves reagem às ve– zes de maneira engraçada às vibra– ções sonoras. pode fazer-se uma experiência fabricando a pequena boneca que vem no desenho : começa por se ar– ranjar uma rolha de tamanho médio e do formato mais vulgar (rolha de cortiça, evidentemente) , e faz-se-ihe um chanfro como o que se vê. dese– nha-se depois, ou corta-se de uma revista, uma cara de mulher que se cola num pedaço de cartão para lhe dar consistência e se cola depois à rolha ; dois fósforos serão os braços - e a saia, de papel de cor, esconde– rá o prego espetado na parte mais estreita da rolha, de maneira a que se atravesse a base . esta base será uma pequena pla– ca de madeira onde se enterrarão, como numa escova, grupos de cer-das de um a dois centímetros de comprimento . pousa-se a boneca sobre um re– ceptor de rádio, e ver-se-á como ela dança acompanhando com precisão o ritmo da música. ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• * xadrez final artístico inédito de armando romão, de– dicado ao mestre nacional de cuba luís leo– nardo yance ramirez. as brancas jogam e ganham. tempo médio de resolução: 1. 0 5 categorias: 47 mimutos 2. 05 categorias: 1h 3. 05 categorias: 1h 19m iniciados: 1h 32m ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• * concurso n.o 165 (sorteio de umprémio entre as respostas certas) sem usar tábua de logarítimos nem máquina de calcular, diga qual, émaior : a raiz cúbica de dois, ou araiz décima de dez? estácio dos reis, cap.-m.-g. 33</Page><Page Number="216">•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• * fui eu... há umas dezenas de anos atrás, havia na escola de mecânicos, em vila franca de xira, um primeiro-te– nente solteirão, já muito entrado na casa dos 30, considerado por todos os seus subordinados como um ho– mem arrogante no trato e muito exi– gente no serviço, que incutia até cer– to pavor entre eles. na verdade, de– pois de o conhecer, via-se que ele não era aquilo que parecia. era uma excelente pessoa e, no fundo, um grande «gozão» que tirava partido das situações adequadas. nessa altura, a entrada de qual– quer viatura na unidade só era per– mitida com autorização verbal do ofi– ciai de serviço. um dia, estava ele exercendo es– sas funções, quando o cabo da guar– da, perfilando-se à porta do respecti– vo gabinete, disse em voz alta e bem sonora: - o sr. tenente dá licença? o tenente, sentado à secretá– ria, nada respondeu e nem sequer le– vantou os olhos do que estava a fa– zer. - o sr. tenente dá licença? - re– petiu o cabo da guarda. e o tenente... moita. terceira vez o cabo da guarda insistiu: - osr. tenente dá licença? perante o mutismo do oficial, deu meia volta, retirou-se e franqueou o portão à carroça que costumava ir buscar as sobras do rancho. quis o azar que o tenente viesse à janela e visse a carroça que seguia pela parada. chmou imediatamen– te o cabo da guarda perguntando: - quem é que autorizou a entra– da daquela carroça? - fui eu, sr. tenente ... vim três vezes aqui ao gabinete... e como o sr. tenente não estivesse.. . deixei-a entrar! o oficial não respondeu, mas houve quem o ouvisse rir a bom rir dentro do gabinete. pedrosa de carvalho, t .o-fen. sg ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• - soluçoes "* cruzada inglesa horizontais: 1 - baliza; pa– lama. 2 - amole; tabicas. 3 - lote; foz; amara. 4 - elegem; aramar. 5 - mamar; apara; se. 6 - ara; le– mes; ana. 7 - ala; molar; aba. 8 - ar; imoto; nariz. 9 - ralica; capeta. 10 - epica; pas; alar. 11 - laza– ros; acare. 12- aralas; creras. verticais: 1 - balema; bare– la. 2 - amolar; rapar. 3 -lotem; ali; liza. 4 - ilegal; amical, 5 - ze; fe– rem; ocara. 6 - tom; amota; poso7 - paz; apelo; caso 8 - abara; sa– nas; ar. 9 - limara; rapace. 10 - ocam; ano; relar. 11 - maras; abita– ra. 12-asares; azares. •••••••••••••••••••• 34 "* palavras cruzadas horizontais: 1 - jassai; imbe. 2 - areal; aol. 3 - vacinoge– nia. 4 - aru; ate. 5 - rani ; uru; 6 - dar; opa. 7 - pis; anca. 8 - sim; iam. 9 - anacatarcia. 10 - par; laedi. 11 - asai ; valsas. verticais: 1 - javari; lapa. 2 - arara; nas. 3 - sacundipara. 4 - sai; ias. 5 - alna; sal. 6 - ota; ait. 7 - age; mala. 8 - upa; ral. 9-mandranices. 10- boi; caída. 11 - elar; jamais. •••••••••••••••••••• "* damas brancas pretas 24-6 8-26 6-3 31-22 13-18 22-13 23-27 30-23 17-21 25-11 3-17-30-20-2-9 e ganham. •••••••••••••••••••• "* cantinho charadístico 1 - antes pouco que nada. 2 - casamento, apartamento. 3 - cha– ga viva. 4 - um nada. 5 - agnome. 6 - piroca/rodela/calado. 7- re– solvido. 8 - diasco. 9 - jorna. 10 - momento. 11 - largado. 12 - determinado. 13 -funil/t. 14 - ma– quinação. 15 - de esbarrunto. 16-devover. 17 - galeota (gelatoa) . •••••••••••••••••••• "* xadrez 1.d7,rc7 2.td6!,rd8 3.a5 (se: 3.rf3?,tc7!) 3... ,e2 4.rf2,te3! 5.rel,ta3 6.a3,ta2 7.rf2!, etc. •••••••••••••••••••• "* brídege rei de paus, a e corte com o 7 de espadas. a seguir 4 de copas para o v e descarte do r de copas sobre a d de paus. sul prossegue com o a de copas: a) se oeste corta alto, norte descarta; como melhor joga– da, oeste volta a jogar paus mas sul recorta o 3 do morto com o 5 e joga copas para o morto; b) se oeste corta com o 8, norte recorta com o 9 e sul corta o 9deouros; c) se oeste descarta, norte descarta também e sul conti– nua em copas; se oeste corta com o 8, norte recorta corn o 9; se oeste corta com uma honra, norte joga por baixo. •••••••••••••••••••• "* concurso n.o 163 os volumes foram colocados por ordem alfabética dos numerais: cin– co - dez - dois - nove - oito - quatro - seis - sete - três - um. deste modo, o volume 11 (onze) será metido entre o 8 (oito) e o 4 (quatro) . vencedor: 1. 0 -ten . emq pereira soares. g1ea, vila franca de xira.</Page><Page Number="217">otografias antigas, inéditas ou curiosas quando amarinha tinha asas... o aviso de l.a classe «afonso de albuquerque)), tal como o «bartolomeu dias)), foi construído nos es– taleiros ingleses de newcastle nos anos de 1933/4 e aumentado ao efectivo da armada em 1935. foi abatido em 19-12-1961, por ter sido afundado em goa , aquando da invasão da índia portuguesa. esta unidade (e o «bartolomeu dias))) foi a única da nossa marinha, até à data, que teve aviação em– barcada: um hidroavião «hawker-osprey iii)). a foto, obtida pelo então tenente aviador hum– berto pais a 300 metros de altitude, mostra o «afon– so de albuquerque)) fundeado em cascais. m . rorta, pormenor de meia-nau do «afonso de albuquerque)), vendo-se o hidroavião «hawker-osprey iii)) . sarg.-aj. l</Page><Page Number="218">texto actualizado do códice, pág. 10) - -htsm 3a cnnfa c r ti 1:1" }.t.'tt)'\'a. '3. -,,i.!-r.,&amp;,tu j'.j'am.'ac a.'1 t-':' f" n f'l.. '-y ! . j.: c.. gd ()r go.. -f'l' .. n "4 t: :; cnb,ac.ts j' .. ) or..""ô .. ,.,; o -bl flta.sf;o 4 .:a :"'-lul ' . i .</Page><Page Number="219">.o 166 / julho 1985 / ano xv / mensário 3000 revista da armada</Page><Page Number="220">umário s. leitão nota de abertura m. do vale retrospectiva (2) m. horta 'saibam todos c. moreira antologia do mar e dos marinheiros m. horta voz da abita notícias pessoais s. elpídio terminologia naval m. horta bibliografia e. dos reis aos jovens marinheiros de portugal l. serra a travessia de áfrica por capelo e ivens s. braga histórias de marinheiros protoc.olo entre a marinha e a câmara municipal de lisboa m. de almeida educação física m. curado filatelia m. horta reportagem v. tadeu tsukuba expo'85. prevenção do futuro as riquezas desconhecidas dos oceanos quarto de folga m. horta os desenhas do almirante braz de oliveira (15) m. horta os nossos navios e os seus nomes revista cap.-ten . manuel mariade meneses pinto machado da armada publicação oficial da marinha  director e editor: c/alm. antónio rocha calhorda consultor da comissão de redacção: c/alm. antónio júlio malheiro do vale corpo redactorial: cap.-m.-g. an fernando augusto smith elpídio capelão graduado em cap.-frag . delmar,. da silva gomes barreiros sarg.-aj. l manuel da conceição horta orientação gráfica : hernãni lopes publicação mensal propriedade da marinha redacção e administração: edifício da a.c. marinha 1188 lisboa codex telefone : 36 89 61 n.o 166/julho 1985/ano xv preço de venda avulso assinaturas anuais: 3000 continente e ilhas 30000 estrangeiro (mais portes de correio) 30000 via aérea - o preço da assinatura sera acresc.idoda respectiva taxa de porte por avião. pago 3 4 6 7 10 11 12 12 13 14 16 18 20 22 23 28 31 32 verso da contracapa contracapa na capa : a fragata .. comandante hermenegildo capelo», a corveta .. afonso cerqueira .. e a banda da armada no cais de ponta delgada, açores, no dia da marinha de 1983. tiragem: 10 000 exemplares distribuição: agência portuguesa de revistas execução gráfica" ., instituto hidrográfico dep. l:2aj n.o21 10/83</Page><Page Number="221">nota deabertura dia da marinha em breve irão decorrer as cele– brações do dia da'marinha de 1985. nesse dia, para além dos actos oficiais , seria bom que todos os que na marinha servem, juntàs, fizes– sem uma reflexão sobre o passado, o presente e as perspectivas do futuro . quanto ao passado, possulffios uma fonte inesgotável de ensina– mentos e de exemplos relevantes que são indispensáveis contributos para que nunca nos falte o ânimo para prosseguir, na confirmação de uma obra de séculos. o presente terá que ser vivido numa perspectiva de mudança sau– dável , afrontando o desafio que tal mudança significa, embora , num quadro em que uma importante ca– racterística é a austeridade. aust e– ridade verdadeira, que terá que ser compreen d ida e aceite em t odas as áreas da marinha e em todos os seus níveis. a sitação do país a isso nos obriga e só poderemos de– sejar que ela seja u ltrapassada com o esforço e o sacrifício de todos os portugueses , dentro e fora das for– ças armadas. quanto ao futuro, direi que e le está nas nossas mãos. há que ven– cer as dificuldades, racionalizar os esforços e os meio, não descu.rar o essencial e, sobretudo, manter as estruturas operacionais e dinâmi– cas, prontas a evoluir no sentido correcto na medida em que as solici– tações surjam e as verbas atribuí– das o permitam. isto, em todas as áreas da actividade em que a mari– nha cumpre a sua missão, como se– jam na defesa da soberania nacio– nal, no exercício da autoridade ma– rítima, na investigação científica do mar e ainda no aprofundamento da nossa t radição naval. estrou certo que todos conhe– cem o significado da palavra servir e que estão na marinha para o fazer. por isso, este dia da marinha, ape– sar das dificuldades que teremos que vencer, será um dia de espe– ra n ça. (a n tóni o egídio de sousa leitão) alm, gema 3</Page><Page Number="222">etrospectiva (2 ahistória da marinha não éfeita só de batalhas navais, via· gens, encalhes, naufrágios... éfeita também de pequenas coisas, como estas. nos meus tempos de oficial subalterno - sete anos de segundo e dez de primeiro-tenente , como era então nor– mal - havia nesta famosa cidade de lisboa muitos e co– nhecidos cafés: a brasileira , no chiado; o nicola e o cha– ve d'ouro , no rossio ; o nacional e restauração , na rua l " de dezembro; o martinho, no largo d . joão da câ– mara , etc. não vou fazer aqui a história de qualquer deles, traba– lho que seria, aliás, de muito interesse, mas apenas regis– tar ligeiras notas sobre as ligações de alguns à nossa mari– nha de guerra. *, enquanto esteve aberto ao público, e dos menciona– dos foi o primeiro a desaparecer, o mais frequentado por oficiais da nossa armada era o nacional. ali se juntavam muitos, à tarde, depois de dar volta aos serviços, para ca– vaquear enquanto tomavam um café ou um «garoto». e abro aqui um parêntesis para lembrar o curioso cos– tume de alguns fregueses pedirem que lhes trouxessem também ... um copo de água, o jornal e um palito!, os empregados, que nesse tempo se chamavam cria– dos sem se ofenderem por isso, já sabiam a hora a que che– gava a marinha e encostavam as cadeiras às mesas para as reservarem. para quem franqueava a grande porta de entrada, a disposição das mesas assumia a forma de um u, indo as alas laterais até à parede do fundo. a meio ficavam as co– zinhas e em frente destas, virado para a porta, o estrado onde todos os dias, durante duas horas, tocava uma or– questra de câmara da qual faziam parte n0'!les bem co– nhecidos, como almeida e sousa, maestro e compositor , elvira borsati, pianista, mãe da actriz fernanda borsati e um violoncelista, irmão do conhecido médico lisboeta ramiro da fonseca. na ala esquerda, situavam-se as tertúlias de oficiais da armada, em número de três : a dos mais antigos - capi– tães-tenentes e primeiros-tenentes-, lá ao fundo; a dos mais modernos - todos segundos-tenentes-, cá para a entrada; e a dos engenheiros maquinistas, sensivelmente a me io. quanto aos componentes de cada uma delas , classifi– co-os em permanentes , os mais assíduos, e adventícios, os que aparec iam só às vezes. note-se que mesmo os da pri– meira espécie , desapareciam também temporariamente, sobretudo por andarem embarcados e saírem para o mar. porém, logo que regressavam à base, lá estavam nova-4 mente a contar as suas aventuras - boas e más - e a sa– ber o que se tinha passado por cá durante a sua ausência. eu estava integrado na dos mais novos , que deixo para o fim, por ser aquela de que vou falar mais. d.as restantes , lembro-me de alguns permanentes: chaves ubach , oliveira júnior, evaristo bacharel , mor– gado belo e viegas ventura, da primeira, e de júlio silva e castro júnior , da dos engenheiros; quanto a .adventí– cios, indiferentemente de uma ou de outra , apenas um , daqueles que nunca mais se esquece: alto , magro , impe– cável no seu fato escuro, fumando cigarros , que ele pró– prio fazia com tabaco de onça e mortalha , uns atrás dos outros, barbicha bem cuidada. na minha longa carreira naval não conheci oficial mais popular, mais respeitado e de maior prestígio. trata-se do almirante afonso cer– queira, figura ímpar de militar e cidadão. apraz-me ainda falar de outro adventício, não de qualquer tertúlia mas do próprio café, onde aparecia e desaparecia conforme esta– va em lisboa ou no brasil. que considerava a sua segunda pátria. mais conhecido como herói da primeira travessia aérea do atlântico sul. na qual tomara parte como nave– gador do grande sacadura cabral, do que pelos valiosos estudos e trabalhos que realizou nos campos da investiga– ção histórica dos descobrimentos, da geografia, das na– vegações, etc., entrava sorrateiramente" mal ataviado, franzino de corpo e sempre de boina ü espanhola, senta– va-se em qualquer mesa onde houvesse lugar , tomava o seu chá com torradas e saía, tão discretamente como tinha entrado . as pessoas que o viam chamavam a atenção de outras : olha, vai ali o gago coutinho ... ** a minha tertúlia, a mais ruidosa e irreverente, como era próprio da idade, tinha os seguintes permanentes: manuel pereira crespo - o ma1s calmo e ponderado , o que punha água na fervura quando os ânimos se exa lta– vam, o que realmente pontificava . notabilizou-se como ministro da marinha, cargo que desempenhou com inteli– gência e humanidade. faleceu com o posto de vice-a lmi– rante ; josé pimenta de almeida beja camões godinho - o militarúo do grupo - no bom sentido, diga-se - punha o dever e a honra acima de tudo e de todos, núo transigin– do em nada que pudesse pôr em causa esses valores. fale– ceu, prematuramente, no posto de capitão-de-mar-e– -guerra; jaime de azevedo monteiro de barros - o mais ale– gre e brincalhão, o mais fino e elegante, contava por ami– gos todos quantos o conheciam. faleceu no posto de vice– -almirante; fernando da silva soares branco -temido pelos seus</Page><Page Number="223">itos contundentes e espirituosos que punham ponto final em muitas conversas. ' está reformado em vice-almirante; josé eduardo simões coimbra - engenheiro maqui– nista e filho da escola, sempre metido em conspiratas con– tra o governo, passava a vida a anunciar , em grande segre– do, revoluções iminentes que nunca se concretizavam . muitos anos afastado da marinha , é reformado no posto de capitão-de-fragata; antónio horta gaivão de almeida brandão - o me– nos falador, quase só se pronunciava a pedido, mas fazia– -o sempre com serenidade e convicção. é contra-almiran– te reformado; antónio júlio malheiro do vale - o mais permanente dos permanentes, por ser aviador e, como tal , estar sem– pre em lisboa. sobre este ... nada digo , a não ser que é também contra-almirante reformado; victor silva - quase 20 anos mais velho que os ou– tros - oficial do serviço geral , artilheiro, muito estimado e considerado na marinha , apareceu ali um dia levado por outro e gostou tanto que passou a ser dos mais assíduos. tendo subido a pulso desde grumete a oficial superior, re– presentava na tertúlia, e muito bem, a voz da abita. sabia muito da marinha! . os adventícios nesta mesa eram muitos, quase todos aspirantes da escola naval dos anos 35/40. lembro-me particularmente do moura da fonseca - vice-almirante reformado - que afirmava não ser capaz de estar mais de meia-hora sentado - chegava, inteirava-se do assuntada conversa, dava a sua opinião no estilo pão-pão, queijo– -queijo, e abalava como uma lufada de vento; do artur gonçalves, titular de um fraseado muito castiço que o po– pularizou, falecido no posto de contra-almirante; do silva braga , do sá teixeira , do silveira borges e do jaime lo– pes, todos reformados em vice-almirantes; do ferraz de carvalho , falecido neste mesmo posto; do rodrigues alho, falecido em contra-almirante; do carlos fonseca , reformado em capitão-de-mafe-guerra; do sales grade, falecido nesse posto, etc., etc. e era ao som de valsas de strauss e sonatas de schu– bert , executadas com mestria pela mencionada orquestra do café, que nós todos dizíamos cobras e.lagartos, dos al– mirantes, dos ministros, de alguns camaradas . . . e, sobre– tudo , do chefe do governo , dr. salazar , a quem atribuía– mos as culpas de todos os males e todas as desgraças do país! ** quando o nacional fechou as portas como café e se transformou em restaurante, passaram as três famosas tertúlias com armas e bagagens para o chave d'ouro, ocll-5</Page><Page Number="224">ando. curiosamente, mesas colocadas em posições se– melhantes às do nacional. afonso cerqueira e gago coutinho. mudaram também . passados tempos , foi a vez do chave d'ouro fechar também transformado em estabelecimento bancário, e lá fomos , os mais antigos e os mais novos , de mala aviada para o martinho, perdendo o rasto aos engenheiros e aos dois notáveis adventícios citados . e . perante os protestos da população alfacinha , que não se conformava com a destruição dos seus cafés favori– tos , sem que ninguém a ouvisse, o martinho transformou– -se tambéi;tl num banco e nós , a tertúlia dos mais novos , encon.trámos refúgio n? paladium , nos restauradores, lá dentro no inverno , e cá fora , na esplanada, no verão. sabíamos ainda da existência de uma quarta tertúlia je marinheiros , no restauração, constituída pelos per– manentes ernesto costa e sulivan simões, o primeiro en– genheiro na aviação naval e companheiro inseparável e homem de confiança de sacadura, e o adventício coman– dante américo thomaz, ministro da marinha e mais tarde presidente da república. * ** de tudo o que acaba de ser dito pode o leitor ser leva– do .a concluir que essas tertúlias de café apenas serviam para contar anedotas , trocar chalaças e .. . dizer mal . nada mais errado. além de cimentar amizades que perdurariam pela vida fora, proporcionavam trocas de co– nhecimentos, muitos úteis. não esquecer que estavam ali represen'tadas praticamente todas as especialidades da armada - aviação, submarinos, telegrafia , electricida– de , torpedos, artilharia, hidrografia , etc., havendo sem– pre alguém capaz de esclarecer qualquer assunto ou tirar dúvidas a quem as tivesse. assim , duma maneira agradá– vel, havia a possibilidade de nos mantermos a par da evo– lução do material e das técnicas de utilização em uso na corporação . a este propósito, cito o exemplo da mesa do enge– nheiro júlio silva, considerado um mestre em máquinas dos recém-adquiridos contratorpedeiros classe «vouga», alcunhados de galgos do mar pelos seus 33000s.h .p . de potência e 36 nós de velocidade máxima , à qual iam enge-nheiros mais novos colher ensinamentos e tirar dúvidas com ele. uutra vantagem dessas tertúlias era o conhecimento que transmitíamos uns aos outros acerca das qualidades e defeitos dos chefes e oficiais com que íamos servindo, conhecimento que nos podia ser útil no futuro, em comis– sões com eles, sobretudo a bordo , onde a vida é muito mais dura que em terra . mas há mais ... uma tarde , casa à cunha, orquestra num intervalo , surgiu grande sururu , na ala oposta do café , entre um emprega.do e dois marinheiros fardados . como que impelido por ujl1a mola o almirante cerqueira levantou-se do seu lugar e foi indagar do que se passava . os marinheiros - não havia nenhum que o não conheces– se -em sentido, explicaram que o empregado os não dei– xava sentar para tomarem um café . e acrescentavam que em toda a parte do mundo o podiam fazer, excepto . .. na sua própria terra. veio o gerente e provou-se que era as– sim mesmo . havia uma determinação proibindo os mari– nheiros e soldados de entrarem nos cafés , a não ser em serviço. então o almirante cerqueira declarou , em alta voz , que os dois marinheiros eram seus convidados , sen– tando-se à mesa com eles : como toda a gente sabia quem era o almirante e do que era capaz, os ânimos serenaram. os marinheiros tomaram o seu café e saíram agradecendo a intervenção do seu prestigioso oficial. regressado à mesa , o almirante disse que aq!lijo não ia ficar assim... e não ficou . no dia seguinte foi falar ao ministro da . marinha que imediatamente actuou. sendo a ordem revogada. ** como sucede com tudo neste mundo. a minha tertúlia acabou. porque íamos sendo promovidos e ocupando cargos de maior responsabilidade e mais absorventes. porque íamos constituindo família que nos acarretava obrigações, porque alguns se desinteressaram . . . a verda– de é que , hoje um , amanhã outro. foram deixando de apa– recer, até que se desfez definitivamente. a maior parte dos seus componentes já morreu. mas . nos que ainda vivem. ficou a imensa saudade das horas felizes que nela vivemos. m. do vale, c/li/iii . saibamtodos que entre a adma (assistência na doença aos militares da arma– da) e o instituto de oftalmologia dr. gama pinto (trav. :larga , lisboa), o laboratório de aná– lises clínicas central do feijó (rua josé e .c. mag'alhães, 21 - feijó) e os serviços sociais das forças armadas (instalações de oeiras) foram celebrados acordos que regulam os termos 6 em que os seus beneficiúnos po– dem usufruir da assistência e dos serviços prestados por aqueles organismos. que a assistência prestada pelo insti– tuto abrange a profilaxia e o tra– tamento de doenças oftalmoló– gicas nos regimes ambulatório e de internamento. que os serviços prestados pelos ssfa abrangem as espeialidades de estomatologia. clínica geral , ortopedia. fisioterapia, otorri– no. enfermagem e colheitas para análises (em ligação com o insti– tuto ricardojorge). que quaisquer outras informações serão prestadas na 5 ." reparti– ção da d. s . pessoal , rua do ar– senal, lisboa. ***********</Page><Page Number="225">ntologia do mar e dos marinheiros vitorino nemésio pelo cap.-frag. cristóvão moreira «sou ilhéu ; e, tanto ou mais do que a ilha, o ilhéu define– -se por um rodeio de mar por todos os lados .» assim nasceu, ro– deado de mar por todos os lados , vitorino nemésio mendes pi– nheiro da silva : lá na ilha terceira , onde os calendários marca– vam 19 de dezembro de 1901 . estudos primários na praia da vi– tória. liceu em angra, depois na horta . universidades de coimbra e de lisboa. doutoramentos em filologia românica e em letras: delas será professor catedrático, nelas irá cavalgar a imaginação de vitorino nemésio . «sou ilhéu , e portanto embarcadiço . além de que a vida é por si mesma uma verdadeira derrota , uma vasta e tremenda sin– gradura .» uma singradura vasta e tremenda , terminada naquele 21 de fevereiro de 1978, em lisboa , quando sua ilha se fizera continente , país , que inteiro se despedia do professor vitorino nemésio , com um sentimento comovido onde aflorava o sorriso leve que ficava da recordação desse ímpar conversador , que pe– las portas das casas entrava e , sentado ao écran da televisão, nos falava com uma linguagem sedutoramente familiar. «se bem me lembro . .. ». e contudo , por aldeias e cidades , presas à humanidade da sua palavra , raros sabiam da dimensão literária de vitorino ne– mésio , do grande romancista de «mau tempo no canal», do ad– mirável poeta de «eu, comovido a oeste», o «bicho harmonio– so» ou «nem toda a noite a vida». ignoravam quase todos a sua caminhada pelas páginas de jornais e revistas, iniciada aos quinze anos com a fundação, em angra do heroísmo , de «estre– ia d'alva» , parajá no continente alcançar a pequena glóri a, que ao jovem repórter pareceu grande, de conseguir para o impren– sa de lisboa» a «caixa» das declarações do marechal joffre . desconheciam o prestígio do professor, o percurso da sua cáte– dra , que fez esçola nas universidades de montpellier e de bruxe– las, até que na faculdade de letras de lisboa amarrou a ficar , só obrigado pelo limite de idade fez última aquela lição de de– zembro de 1971, ouvida entre sorrisos que já se faziam saudade. vitorino nemésio, ou o sortilégio da palavra, onde quer que dela fizesse instrumento : na poesia, no romance , no ensaio , na crónica , na lição, na conversa de acaso? narcarta qualquer , onde às linhas prendia o fascínio da sua petsooa'lidade: de um homem que, como escreveu um amigo próximo, o jornalista an– tónio valdemar, «era apontado a dedo ao vhar de uma esquina , (foto do serviço de documentação do ,;diário de notícias») nos subterrâneos do metro e nos solavancos dos ,!utocarros, que recebeu prémios e quase todas as distinções a que pode aspirar , entre nós, um intelectual, e que permanecia (e !linda permane– ce) ignorado» . acontece muitas vezes assim: adimensão de um expoente da cultura, precisar de tempo para ser medida . foi oficial da armada um dos filhos de vitorino nemésio, «o manuel, piloto de submersíveis», a quem dedicou versos , pu– blicados em «o verbo ea sombra» , que começam assim: o teu filho é um peixe de metal vai ao fundo das águas recolher o lugre ardido, os sinos, o coral ou a morte em flores de fogo, se morrer. mas a ligação , ao mar e aos marinheiros , do grande mestre das letras , precede e ultrapassa esse laço afectivo , arranca logo na condição de ijhéu, que tão repetidamente invoca , e da qual ,se envaidecia: «e com uma espécie de orgulho de marujo perdi– do numa rua de bares que respondo à curiosidade geográfica de alguém: - sou da terceira . como quem diz: 'home fleet, 3." linha ' , ou '3 . couraçado da armada do atlântico ' . e posso pre– cisar: latitude n3838'33". longitude w2712'48"». a ilha e o mar estarão por toda a parte na obra de vitorino nemésio, até no «cantar de amor» de «nemtoda a noite a vida» : faça-se ao mar a gaivota e leve a boa nova em sua anilha , que enfim, na última derrota , a nau sem leme achou a ilha. a derrota, a nau, o leme . .. estava na escolha a dificuldade, para à nossa revista trazermos uma antologia de vitorino ne– mésio. acabámos seleccionando dois capítulos de «corsário das ilhas», volume publicado em 1956, em que ,reuniu crónicas deli– ciosas de duas viagens de visita aos açores, em 1946 e 1955, e nas quais o mar está presente: no cenário da acção , nas lembran– ças da infância , nas palavras que a çada passo denunciam uma memória que o exílio continental e voluntário não apagará, vivi– da irá permanecer até ao fim que afinal não chegou , em sua obra se continua . 7</Page><Page Number="226">e «corsários das ilhas» pressentimentos bordo do santa maria , 19dc agosto 1954 soll ilhéu; e, tanto ou mais do que a ilha, o ilhéll defin e-se por um rodeio de mar por lodos os lados . vivemos de peixe, da hora da maré e a ver navios ... na infân– cia e na adolescência era o meu mais belo espectáculo. quase todas as casas abasta– das , nos açores, estavam munidas de um velho óculo de alcance, e algumas de binó– clilos, com que se seguiam as chaminés dos paquetes e as árvores dos veleiros mo– lhadas na linha do horizonte. na nossa ca– sinha de campo , na vinha do mão roxa, sobre vinhedos e lavas lambidas ao longe pela ressaca, meu pai, - músico e um pou– co poeta, - sacava do grande búzio, ao pôr do sol, e, metendo e tirando a mão di– reita na rosca corada do calcário, tirava– -lhe dois aulidos alternos e melancólicos, f:!.!encionalmente repetidos, sinal de vida isolada dado à vizinhança ao longe. todos os anos vinha 'um navio de sal à praia . um lagosteiro francês com tripu– lação engajada pelo capitão emile desde buarcos a peniche, fazia estação na nossa baía, onde hoje molham, a diário, podero– sos petroleiros e cruzadores de batalha. e as botas altas dos pescadores, as suas ca– misolas riscadas, os buracos das boinas por onde lhes espreitava o cabelo, a agulha de pau de compor redes entalada nos den– tes e as dolentes canções da borda de água , foram o primeiro alimento da minha ima– ginação faminta . sem contar o naufrágio do lugre não sei quê, que já um dia con– tei, com os mortos arrojados àpraia e leva– dos em maca à misericórdia num saimento de painel. minha bisavó ceguinha e as fi– lhas eram donas da casa avarandada que corria a todo o comprido da frente do se– nhor santo çristo; e, como os lagosteiras do capitão emile hégrat lhes tinham ar– rendado o granel para lá estenderem as re– des, eu sentia cá em cima, nas noites do «quarto grande», o cheiro a alcatrão e a salsugem que me metia o mar na alma. depois, eram as canções românticas , que as vozes femininas, da geração de mi· nha mãe, entoavam no luar das noites ilhoas, contrapontado pelos grilos nas pe– dras da lava vulcânica: nessas viagens, sulcando os mares, fundos pesares sei que sofri ; mas, compensando-os, que horas f elizes em mil países eu não fruí ... o verbo «fruir», dos sinos de corne– ville , era jurídico de mais para desabafo poético ... mas a verdade é que os mares, as viagens, a felicidade e os países dese– nhavam-se naquele " i» agudo melhor que numa «marinha»! semelhantes reminiscências não serão as melhores para se lhes enxertar uma viva impressão oceânica a bordo de um transa-8 dântico. nem os países são mil, nem os pe– sares tamanhos, - e portanto nem tantas as «horas felizes » da modinha ... mas o pior de tudo é a honesta vergonha de quem, tendo começado por bordejar em bateiras de quatro toletes e por viajar a bordo do funchal, com as portas dos ca– marotes sobre as gradinhas dos talheres da sala de jantar deserta de enjoados, vem pa– rar a um pálace flutuante da linha da amé– rica do sul, de rumo à enseada de martim afonso de sousa tornada no porto do café. como manter-se digno do legado dos ecos da triste vida do marujo que eu ou– via cantar na minha infância? 19 de agosto de 1954, - quão longe fi– cas, por exemplo, de um dia 14 de agosto de 1914 ou 1915, na costa sul da ilha ter– ceira, diante das gorazeiras mergulhadas das companhas do porto judeu e dos pa– quetes da white star line vogando de lu– zes apagadas sob o temor dos submarinos! às 06.30, muito tranquilamente, nasce o sol tropical junto à faida do pico de s. se– bastião, - que, mal nos está de través, já nos fica à alheta de estibordo como enor– me bolha de sanguf! picada por uma agu– lhinha de lomba. (e sempre bom vir vendo o fundo a que singram os navios, uma vez que o das almas nunca se deixa medir). já está... 19 braças. ao través de estibordo fica-nos o montão do trigo, que é um ilhéu como eu . .. o convés está fresco da baldeação matinal e da aragem viva da proa; ouve-se o ruído doce e sedoso das águas no talha-mar. uma cor inexprimí– vel, feita de cinza e chumbo, de lilás e de rosa, empalideceu no céu os restos da lua minguante. não! decididamente, isto não está à al– tura de um embrião de marujo que foi pra– ticante, em ....eco , das manhas navais do joanete e do manuel do luís, pescadores de tainha à ponta negra, no porto mar– tim, e mestre de campanha integrada pelos seus três «ricos-filhos» e pelo joaquim do bicho cego .. . estou a vê-lo na barca de s. pedro, bexigoso e lanzudo , com o dedo polegar patudo e branco da pele dos alba– fares, contando-me histórias sem fim das noites de pesca do alto, uma mecha de breu a arder à popa do barquinho , por cima da boca de jaja, e o vento carpinteiro (so) levantando-lhe vagas mais altas que a torre de santa margarida, única referên– cia de porto da sua carta a olho . . . é tão perfeita a ilusão , que, encostado à sanefa da ponte do santa mari a, enqllanto o co– mandante josé alves benevolamente me atura os çonstantes quesitos náuticos, como que sinto os passos do manuel do luís na escada, lhe vejo o boné na mão à distância do código de um respeito. maríti– mo revogado , - e ; 1f?o é que interpela o comandante maia oferecendo-lhe o cesto das craq/linhas?!: - vossa sioria perdoará a minha con– fiança . .. imagi/}ação desgovernada! quem sobe a escada da ponte é o piloto da barra de santos , que chega de mãos vazias. pela amura de estibordo o poalho não deixa ainda ver a ilha da moela - e por isso tal-vez eu vejo dentro de mim a costa da ilha terceira, apesar dos nimbos dos anos e da cerração que os levou . vamos entretanto entrando vagarosa– mente na baía, como martim afonso há quatro séculos e um quarto, - mas, pelo jim, pelo não, com o radarzito escondido nas cortinas da câmara escura, à esquerda da roda do leme. . . e em frente da sonda eléctrica ... historiador livresco e casual das missões religiosas peregrinas da costa brasileira e às vezes náufragas dos abro– lhos, aproveito esta chance transatlântica, cartagraficamente tão provida, para reco– nhecer a bombordo a ponte ocídua de itai– pu, a estibordo a ilha das palmas , que pa– rece um cabedelo da ilha de santo amaro que o p.'· manuel da nóbrega costeou de– bruçado à amurada da nau, conversando com tomé de sousa , como eu agora con– verso com o comandante mário maia ... simplesmente, em vez da indiada e dos mamelucos nus ao longo do areal, entre a ponta das calhetas e a ponta de santo amaro, nós vemos o guarujá, com os seus ares de praia chique . a saliência da ilha de santo amaro para s. é a ponta da fortaleza, com a ilha da moela a se. tudo se desenha agora maravilhosamente, já entrada a baía: a o. a barra de s. vicente com a cidade aplana– da e o morro do frade na ansa, a ilha de porchat a e. e o núcleo de santo amaro a e. de santos, para lá do canal da bertio– ga muito ramificado ao n. entrámos às 8 h . fica-nos à alheta de bombordo um paquete rumando a ne. a baía está coalhada de navios. sobe dos morros ao redor o relento fresco de terra: a um lado é o cínzeo dos cascos dos paque– tes atracados e das bisarmas de cimento dos molhes; ao outro a verdura rociada pelo mar parece que levou um banho de verniz . sangram nos bananais as flores va– riegadas do brasil: os hibiscos de estame açucarado, o sangue-de-adão purpúreo enfeitando os fustres dos palmares. solto o rolo da máquina de escrever, vagamente vexado deste longo-curso fácil , com telefo– ne à mesa de cabeceira do beliche, - eu que dormia em santo antónio, na ilha terceira, durante os meses de verão, numa casinha de madeira que fora a câma– ra de um lugre naufragado, arrematada por meu tio mão-roxa, irmão de minha bisavó ceguinha , na sua volta à ilha pelo tempo da febre amarela e da bolacha de barrica! vida de bordo 7 de agosto de 1946 atiro-me de almçl e coração a este ro– teiro tanto tempo sonhado e só agora em– preendido. é uma viagem banal, dez ve– zes feita e desfeita nos seus dois rumos mo– nótonos , precedida das mesmas expectati– vas e seguida de iguais recordações. as re– cordações desta etapa escapam-se por en– quanto (claro!) . mas as expectativas.. . - ah! essas aqui estão cheias, inteiras à entrada da realidade que as desfaz neutral-</Page><Page Number="227">ente, pelo simples facto qe que,' trans– portando-as, lhes destrói a espera, a espe– rança, o crédito - enfim, tudo o que as faz adiantadafjlentesubstância de tempo: bem ou mal, assim ou assado, o que me vai suceder deixou de tergivesar. só espe– rando me era possível aventurar num ou noutro sentido, e logo corrigira aventura ensaiando-a de modo oposto. agora, en– trando no paquete, penetrei no domínio turístico dos factos consumados. já não revogo nada: nada deixo em suspenso. nem sequer já me balanço na esquisita excitação que precedeu esta largada: "vou' não vou?" umas vezes: «vou!" outras: «não!» maldita condição pendu– lar da vontade! perpétua indeterminação do disponível e do gratuito .. . mas já vou mesmo!.. . despedi-me. embarquei. parti. fiz, enfim, um par de pretéritos perfeitos e próprios das via– gel/s... já o meu próprio escrever é fluido como o mar e, como ele, ilógico. uma cin– za húmida e fresca tornou-se comúm às águas, ao céu, à alma, à cabeça. só o cora– ção vigia inteiro e saudável nas primeiras derrotas do mar. (eu durmo e o meu cora– ção vigia.) navegamos ambos, o coração e eu. parece que a essência do navegar é o velar; mas quem vela no viajante deste itinerário búcio talvez não seja a sua mente, e não é com certeza a sua convicção. primeiro, porque o viajante forçado não pensa gran– de coisa: segundo, porque não está real e mente embarcado e convicto. . . vai pelos cabelos. o próprio paquete lhe parece um tabuão à de,.iva, arrastado no mar por algum génio dos fimdos abis– sais. maléfico ou benéfico? chi lo sa?.. sereia - não deve ser. além do ridículo estrutural desses híbridos, deixou de haver mitograflcamente sereias. a metade peixe é boa para a mesa de jantar e coram-na na cozinha. a metade mulhr, por falta desse órgão caudal que prendia o monstro ao meio salino, acabou por cair, por emi– grar... o navio, aliás, navega pelos seus pró– prios meios, sem reboque mecânico ou animal, e é com o seu verdadeiro ambiente - a vida de bordo - que consegue enfim prender e domar a minha imaginação va– gabunda. sinto-me enfim situado. há aqui bombordo e estibordo, proa e ré, deck e porão . e, diante de nós, uma linha imaginária a que chamamos horizonte. não . . . isto já não é o clássico vapor das ilhas, cheio de estudantes estúrdias, de caixeiros viajantes opiniosos, de proprie– tários ilhélls de volta ao lar e de funcioná– rios continentais enjoados e tristes do seu primeiro desterro . haverá de todas estas condições a bordo, não duvido: só que não matéria psicológica que outrora lhes servia de cimento. a volubilidade tinha as suas regras; o divertimento as suas praxes e etapas. de– sapareceu do convés o trampolim do bur– ro com as respectivas patelas. neste mes– mo barco a piscina foi uma great attrac– tion: hoje não há. também ainda não vi que o xadrez de um baralho estendesse o seu leque nas mesas dejogo intactas, e à roda das quais certamente as pessoas que vejo transportam consigo a virtualidade de uns parceiros. morreu a alegria de bordo. só o enjoo é eterno e vivaz. começou o meu roteiro pela ronda nocturna aos enjoados que o excesso de lotação amarrou às cadeiras ar– tiai/adas. mas até esses me parecem me– nos interessantes que os enjoados .antigos, desaclimatados às zoflas que lhes compe– tem lias decks , com caràs e posições infi– nitamente menos típicas .- e com m.enos mantas de viagem. há ménos bonés; e; até agora, só registei uma boina. mas o enjoo colltil/ua a ser um grande escllltor, esca– vai/do as feições e ellchendo-as de uma iliz iiil1ito lúgllbre. o .enjoo é certamente 11m liial benigno, liias aproxima a toilette do vivo do tollcado do moribllndo. aqlli, 1/llia face terrosa e bela de rapariga deixoli– -se vencer pela acção da vaga de través. o sell co,:po fino e esbelto parece lima toalha a//larrotada i/a lona da cadeira. uma mas– sa viscosa, inequívoca, alastra no chão i perto dela . para qlle tlido liiude e o antigo encanto destas viagel/s 1111' pareça de todo perdido, sllbstifllíralll a bordo as valentes campai– i/hadas, que allllllciavam as refeições , pe– las macetadas de gongue de uma marimba javal/esa - o que lembra os paquetes de ilixo e de longo cllrso engolidos ou assuca– tados pela gllerra. era desta mane1a que montaigne queria qlle acordassel11 l fjs me– i/il/os 1'111 seus quartos. e lá val1t,rmljái!lar as 1i1dos, direitos à canalização li11mna do navio, carregada de borborigm;asp,,, nâo... realmente já não ndtlé!tar.0s no lendário açor ou no minú,w:iljbitfetido //las saudoso funchal da rr/ijllla lád'oles– cência. mas também não sera :wm4/orliosa marimba javanesa que, pela limaslnação, 1/0.1' porá a bordo de um baldcren, a cami– nho de singapura ou de rotq; hatida a ro– terdão. instalado na peca realid'aae interna de tal roteiro, aperto a lombadd do longo ro– mance de conrad que trouxj para as horas de fastio - e é como quem,!em plena fal– perra, apalpava a coronha da pistola fa– gueira e camiliana... estou defendido con– tra o tédio de bordo até à camada mais ínti– ma do imaginar e do entreter. um tomo da pearl buck vai comigo a bombordo - que é o lado do coração. no tempo do açor dizia-se, à ré: cui– dado com as hélices, e as pessoas curiosas e instruídas discutiam na casa de fumo so– bre se se devia dizer os hélices ou as héli– ces, e se era conveniente aguentar o h no começo da palavra... como 'este, outros santos e eruditos costumes se perderam. já a menina «bem» não dá a volta ao convés, de pé atado à calça daquele afoito senhor. que é do binóculo matutino, sensível à to– ninha emergente e ao fumo do petroleiro? metade da nossa vida vai na maré do carvoeiro, e verifico que a saudade navega a óleos pesados. o sino de bordo, outrora, era tão convincente nos quartos post meri– dium, quando ainda o tom dos madeira– mentos das câmaras envidraçadas era o do mogno polido, por dentro e por fora, e o vidro enramado e fosco. e que doce, o ras– car do piaçaba nas tabuinhas do con vés! cinco horas da manhã - baldeação. no navio deserto a frouxidão das lâmpa-das atarrachadas aproxima-me do cora– ção do meu mestre joseph conrad, capi– tão de longo curso com quem afinal nada aprendi. .. na minha terra chama-se a esta espécie de estúpidos «arrudas do entendi– mento». se ao menos, já que conrad me não delf o génio do mm: e a ficção dos por– tos do indico, me ensinasse a tomar a altu– ra do sol neste dia cor de clara de ovo em que navego para a madeira, com destino aos açores... mas não: tudo é frustrado e torto neste /946, julho 25, em que mateus queimado me pede a pena emprestada, e.s põe a fa– lar por cima de meti ombro'como um tltere de barraca de lonà . cabeça de pau! peda– ço de bonifrate seudoçosmopoliia , que perdeu a metrópole e o microcosmo não sei onde.. . estratagema! estatagema! vejamos agora o mar. chamar suave e bela a uma coisa destas, chata, mexida, com bocados brancos metidos no meio. do cinzento! gostar da água estendida como se fosse um solo - mas sem árvores, a não ser a árvore seca de algum pobre iate em calmaria.. . ! a hipocrisia lavrou terra e o mar como um verdadeiro ('scalracho. já não dizem a.ç coisas directamente; todos fingem o que não são e armam ao que não têm. o mar... la mer, la mer , toujours re-nouvellce ... diz isto o' poe{a. e, como o poeta é valéry, a ininha imaginação anar– quizada e insofrida trpca o largo atlântico pelo mediterrâneo, e a proximidade de porto santo por palavas-les-flots, onde vinha banhar as judias. .. a verdade é que só amo o mar rebenta– do e colérico, principalmente o das praias e dos recifes: detesto cordialmente este mar enrolado , como massa afolhar pelo paste– leiro de bordo - esta coisa estanhada e estólida como um olho sem pálpebra, que já não tem nada que olhar. ao menos, um veleiro é belo; um couraçado é belo! mas o alto mar parrana não é belo. tudo se es– vai e esfuma ne,ta extensão sem referên– cia. cheira a tinta de óleo e a corda cozida por toda a parte. sei bem que isto é da en– tranha do paquete, como o fartum a rato é do ninho de rato. mas atiro com as cul– pas para cima do mar sem limites . com o anoitecer, as probabilidades de terra aumentam. as primeiras gaivotas carregam a asa direita para o calado do na– vio. há um pouco menos de vaga de través e prometem-nos porto santo lá para as três da madrugada. que fazer, senão saltar ao beliche, fechar os olhos na esperança e conservação de quem deixámos, e esperar a primeira crista de monte na ilha da paz e dos coelhos? (( corsário das ilhas ». ediçâo da livraria bertrál/d) •••••••••••••••••••• 9</Page><Page Number="228">.  cartas ao director dos nossos leitores e amigos recebemos a seguinte correspon– dência: do «pezinhos», cabo m, lis– boa, a seguinte carta: hoje venho filosofar sobre coisas que dizem respeito à nossa velha briosa. desculpem.. . segundo reza o "dicionário da linguagem de marinha antiga e ac– tuai», da autoria dos comandantes h. leitão e j. v. lopes, um dos signi– ficados da palavra ordenança é: " a praça que está às ordens de oficiais generais e de determinados oficiais superiores e, ainda, em navios e re– partições, a fim de executar, entre outros serviços, o de ir levar e buscar a correspondência». o cargo, como todos bem sabe– mos, tem a sua importância, e o que pretendo com esta minha epístola é realçar que essa importância é agora maior do que era dantes, por ser já uma raridade ver-se um marinheiro fardado na rua, a não ser as orde– nanças (não falando nos que vão às consultas externas do hospital da marinha que não são atendidos se não forem devidamente uniformiza– dos). assim sendo, como de facto é, parece conveniente que a escolha dos marinheiros que desempenham esse cargo seja feita com todos os cuidados. as ordenanças das repar– tições e serviços de terra, e as dos navios ainda mais por fazerem servi– ços também no estrangeiro, devem representar dignamente aarmada e para isso convém que: tenham boa compleição física; sejam muito de desembaraçados; educados, simpá– ticos e de trato agradável, e, ainda, apresentarem-se irrepreensivelmen– te uniformizados e impecavelmente asseados. só assim darão um retra– to autêntico da nossa armada secu– lar e das suas tradições. na escolha duma ordenança há que atender até a pequenos porme– nores que podem parecer exagera– dos mas que na realidade não o são. 10 voz da abita nunca me esqueço do que sucedeu em macau e hong-kong com a orde– nança de certo navio da nossa mari– nha que há uns anos ali esteve no desempenho de uma longa comis– são de soberania. era ordenança um cabo artilheiro, magnífico rapaz, com todos os atributos que mencionei como indispensáveis para o bom de– sempenho do lugar. todos... menos um! como sabem os que tiveram a sorte de andar por essas longínquas e fascinantes terras do oriente, os chineses, e em especial as chinesas, talvez porque quase não têm pêlos no corpo, não gostam nada de ho– mens peludos. ora o nosso cabo, um latagão, de calções e corpete, com os pêlos nas pernas e no peito, estes a sair pelo decote, parecia, salvo seja, um macaco! os chineses, e so– bretudo as chinesas que o viam, far– tavam-se rir. o remédio foi substitui-lo por ou– tro, talvez com memos predicados, más também com menos pêlos... o do sarg.-aj. t ra mário orlan– do soares pimenta, uma carta que acompanha uns versos dedicados ao comandante saturnino monteiro, na qual realça a notável acção deste oficial no campo da instrução na ar– mada, com o ue estamos completa– mente de acordo. n. r. - quanto aos versos, dada a sua extenção, não são publicados, do que pedi– mos desculpa ao autor e ao homenageado. o de waldemar r. alves, ex-1 .o– -gr. fz 176668, singapura, uma carta de que transcrevemos : (...) acabo de regressar de malaca e, como diz o capelão delmar barrei– ros, ainda hoje se pode ouvir aqui fa– lar o português arcaico e comer " bo– los de coco» (é mesmo assim que lhes chamam) . foi o que fiz, enquan– to escutava um rancho folclórico, bai– lando uma moda portuguesa!!! por momentos pensei até que já estava de novo em portugal. mas não, ainda estava no outro lado do mundo, em portuguese setlament, na malásia. por isto, somento isto, sinto-me hoje feliz (e de que maneira!) por perten– cer à raça daquele que um dia escre– veu: "entre gente remota edifica– ram / novo reino que tanto sublima– ram (. ..) . n. r. - ainda bem que nào esquece a pátria . nem a armada. obrigado pelo abraço para quem trabalha na revista. ••• saudações do 1. o-sarg. ce raa róger antó– nio cardoso, algerás, nelas, para os colaboradores da revista e para toda a marinha, em especial para o alistamento de 1952. ••• convívios para comemorarem as bodas de prata do seu ingresso na «briosa», os «filhos da escola» do recrutamen– to de setembro de 1960 vão reunir– -se num almoço de confraternização, no dia 5 de outubro próximo, em lo– cai a combinar . as inscrições deverão ser ende– reçadas para: soeiro monteiro , divi– são de armamento , arsenal do alfei – te - 2800 almada (telef . int. 1074) ; francisco covas , base naval de lis– boa , alfeite - 2800 almada (telef. int. 1357) ; lino ramos , escola de comunicações, f.lfeite - 2800 (te– lef. int. 1666) ou adelino amaral , ba– talhão n.o3 de fuzileiros, força de fuzileiros, alfeite - 2800 almada (telef. int. 1202): o</Page><Page Number="229">eal izar-se-á, no dia 17 de agos– to próximo, em bragança (em local a designar), um encontro-conv ívio en– tre marinheiros e ex-marinheiros da– quela região transmontana. os interessados em participar deverão contactar com : sarg. e bar– ros, base naval de lisboa, alfeite - 2800 almada (telef. int. 1350/3); cabo l pi res, cinciberlant (telef. 243 1781) ou mar. l gomes, esta– do-maior da armada (ser/cifra) (te– lef. int. 1681) . ••• miscelânea está a ser elaborado , no ãmbito desta revista, um trabalho que tem o objectivo de dar continuidade à obra do cap.-m.-g. antónio marques esparteiro, «três séculos no mar» (1640-1910), abrangendo todos os navios que teve a nossa marinha desde esta última data até à actuali– dade. para que o trabalho fique o mais completo possível , pede-se aos nos– sos lei tores e amigos o favor de nos relatarem acontecimentos históricos que tenham acontecido, ligados à vida dos r") avfos da nossa armada, entre 1910 e o presente. agradecemos que a correspon– dência respectiva seja ·dirigida .a: co– mandante josé agostinho de sousa mndes , «revista da arltlada», edi– fício da a.c. marinha - 1188 lisboa codex. notícias pessoais em destaque 13 de abril de 1985. na barra do rio mira um casal de ingleses que ve– raneava em vila nova de milfontes encontrava-se em dificuldades com o mar. e era arrastado para fora pela força da corrente. da praia. o segun– do-grumete fz melo foi a lertado .pe lo esbracejar do casal e. la nça ndo– -se à água com um colchão de praia, consegui u chegar junto deles e içá- los para cima do pneumático, agua rda n– do a chegada, cerca de uma hora de– pois, de uma embarcação salva-vidas que os trouxe pa ra terra . sem a co ra– gem e a abnegação deste milita r ta l– vez lament áss.emos ago ra ma is um acide nte mortal nas nossas costas . . francisco miguel de beck de orey pinheiro de melo , 2."-gr. fz n ." 748084 , terminou a sua itb na escola de fuzileiros em 12 de abril , véspe ra da ocorrência re latada , e' encontra-se agora a pres tar serviço na unidade de apoio de meios aquáticos (uama), pa ra onde fo i escolhido devido ao seu alto nível de adaptação ao meio aquá– tico. entre out ras q ual idades eviden– ciadas dura nte o curso . refira-se que as suas afi ni dades com o mar e xistem de há mu ito, já que se u pai é o preside nte da fede ra– ção portuguesa de ve la. *********** casamentos temos o prazer de anunciar o ma– trimónio dos seguintes camaradas, aos quais desejamos as maiores felici– dades: i ."-sarg. c joaquim manuel inú– cio capela com d. maria teresa da .silva e sousa. em 19-4-85 - i." -mar. fzm joüo manuel de sousa galvüo com d. teresa maria ramos fragüo , em 30-3-85 - i."-ma r . cm carlos ma nuel monteiro de sousa com d. ma ri a de lourdes frade de mira, em 9-4-85 - i. "-mar. m ma nue l casimiro de lima afonso com d. maria alice oto a lves , em 10-4-85 - i."-mar. cct antó nio joão ga lh anas rama– lho com d . m'a ri a isabe l fe rn andes m ende s , em 6-4-85 - 2."-gr. fz rui he nrique seve rino ca lde ira com d. cristalina mari a pe re ira be lino , em 30-3-85 - 2. "-gr. fz teotó nio ma– nuel afonso alves com d . j aquelina de abreu eiras , em 14-4-85. *********** passagem à reservai iaposentações c/a lm. ecn eduardo de a lmeida a nhão , em 18-5-85 - cap .-ten. joão furtado de azevedo coutinho. em 21-2-85 -cap .-ten . josé c de moura o ' neill , em 1-3-85 - i ."-t en . se josé ma ri a co ito duart e. em 7- 12-84. sarg.-mor t j osé al ves ri be iro - sarg .-aj . h antó nio fernano cas– ta nhe ira pi nto santos - sarg.-aj. m be rnard ino da si lva torres - sarg .– -ajo fzg antónio maximino barros sanches -i ."-sarg. mo vasco rodri– gues presa, em maio de 85. cabo tfh joaquim a lves de ma– galhües - cabo tfh fernando pedro gabriel da costa - cabo se eduardo luís de carvalho fernandes - cabo fz alípio marçal caetano - cabo fzc diamantino gaivão o liveira - cabo fz joão ferreira lopes - cabo fz joaqui m francisco lopes martins - ca'bo fzv man ue l machado fer– nandes - cabo fzc ricardo augus– to fete ira gil - cabo l francisco manuel lopes. em maio de 85. faro lei ro subchefe josé da encar– nação - g uarda de 1. " c l. do corpo de po lícia dos es ta b . de ma rinh a josé rodrigues - cabo-de-ma r de i ." c l. alva ro mo nteiro de frei t as - cabo– -de-mar de i ." cl. antónio marques miguel - cabo-de-mar de i ." cl. car– los le rdeira - cabo-de-mar de 2. " cl. josé manue l soe iro calheiros . todos do opmm . em maio de 85 . 11</Page><Page Number="230">écnica auxiliar de i ." ci. delfina sousa da fonseca - 2." oficial maria manuela benchimol da silva - 3." oficial albino pedrosa curado. todos doqpcm . em maio de k'i. *********** falecimentos é com dcsgosto qlle participamos o júlccil//cjlto dos scguintes camara– das , li cu/as famílias apresentamos sc/ltidas co/ldolências: nue l antónio vidigal baptista anão. em 20-5-85 - i.. "-sarg. m rf josé mendonça . em 30-4-85 - cabo tfh ra josé sousa neto , em 2-3-85 - cabo a ra guilherme bapt ista guedes . em 2-5-85 - cabo cm ra ' joaquim josé rodrigues. em 23-4-85 - i ."-mar. t rf antónio cleto cu– nha. em 15-4-85 - 2. "-gr. m rf de l– fim cruz, em 29-3-85 - maquinista de 1. a c\. do qpmm, ref. manuel nu– nes, em 5-4-85. maradas, aos qllais desejamos ds maiores êxitos no desempenho das.1lo– vasfllnçôes: c/a lm . ecn fernando gabriel ribeiro' da silva. inspector-geral de nav ios (ministério do mar) - cap .– -f-rag. antónio costa e sousa. cargo «c-ooi executive assistant ». no cincií3erlant - cap.-ten. joão manuel dos santos roque. coman– dante da defesa marítima do porto da nazaré e capitão do mesmo porto. * cap.-m.-g . ra manuel falcão alves dinis . em 6-5-85 - cap.-frag. ra nuno henrique do vale e almei– da pinto. em 7-5-85 - 2. " -ten. sg ra manuel antónio barreira dos san– tos , em 15-5-85 - asp . fz rn ma- *********** ao camarada indicado, agraciado com a condecoraçôo mencionada, apresentamos as nossas fe licitaçôes: várias foram recentemente empossados nos cargos indicados os seguintes ca -cap.-frag . se josé vicente mou– ra . meda lha de mérito militar de 2." c\. ter inologia aval • pena - o lais de uma carangueja, isto é, o seu ex– tremo livre. penal. quando se utiliza a expressão ter mui– ta ou pouca pena ou penal, pretende-se significar ter muito ou pouco comprimento. • pendor -inclinação ou declive. • pendurada - diz-se de uma vela caída por falta de vento. • pendurar fora da borda - termo de calão naval para expressar a situação de alguém ou alguma coisa ter sido jogada borda fora. dar dois dedos de bor– da. • península - porção de terra rodeada de água por todos os lados excepto por um que se liga ao continente ou a uma ilha por uma faixa de terra quese designa por istmo. a pesca de mar em 10 liçoes editado pelas publicações europa-américa, apa– receu recentemente à venda nas livrarias mais um vo– lume da colecção em 10 lições - «a pesca de mar em 10 lições» , da autoria de henri deuil. este livro, ilustrado com muitos desenhos , além de conter mapas dos principais pesqueiros da nossa 12 • península submarina - saliência registada no contorno normal das linhas de nível do relevo submarino que assume forma semelhante à da península terrestre. • penosa - em gíria de bordo, novato, inexperiente. cagalhoças. • pensativo - posição do pau de surriola quando inclinado para baixo (o contrário da inclinação para cima -esperto). pau à pesca. • pequeno fundo - águas de reduzida profundi– dade. • perchas - cada uma das peças de madeira que, a cada um dos bordos, vão do extremo do beque até às amuradas . s. elpídio, cap. -mo -g. an iblioarfi costá' e do regulamento da pesca desportiva, fala-nos de marés , do plâncton, da pesca do robalo, tainha, en– guia, etc., da pesca à linha , do surf-casting, da coloca– ção de linhas de fundo e de redes , de crustáceos e de moluscos. por se tratar de uma obra que interessa, sobretu– do , aos pescadores amadores - modalidade mutto do agrado dos marinheiros -, aqui deixamos a recomen– dação da sua leitura.</Page><Page Number="231">os jovens marinheiros de portugal todos nós sabemos como se encontram vulneráveis os objectos que constituem o património histórico e cultu– ral de um país. de facto , além de p9derem ser um dia da– nificados, parcial ou mesmo totalmente, pelo fogo , van– dalismo ou incúria dos homens, as peças de valor ainda estão sujeitas à cobiça daqueles que pensam que, rou– bando-as podem conseguir fácil e rápida fortuna . para fazer face a estas agressões, os museus prote– gem-se como podem, usando pessoal qual ificado e sis– temas sofisticados de alarme contra incêndio e contra roubo além de outras medidas preventivas. são riscos calculados, que têm que ser meticul.osamente pondera– dos, por quem tem de colocar em dois pratos da balança, de um lado as vantagens que há em divulgar uma deter– minada obra de arte ou um documento valioso e, no ou– tro, o interesse que eles despertam quando se encon– tram atraentemente iluminados na vitrina de um museu. há, porém, um outro património também histórico e cultural , que não é constituído por objectos, mas que re– presentando a memória do povo e da nação não pode igualmente ser esquecido ou alienado. infelizmente , quanto a este, não há engenho nem tecnologia que o consiga proteger. referimo-nos ao mundo das ideias e à luta constante que é indispensável travar para que os feitos e os factos , sejam a todo o transe preservados como glória do passado e respeito pelos que foram seus responsáveis e, até por vezes, sacrificaram generosa– mente as suas vidas . é curioso notar que, se este património não se encon– tra em perigo de incêndio, de abalo de terra ou de qual– quer outra catástrofe semelhante, à parte uma possível perda de documentação comprovativa, o mesmo não se pode dizer do risco que permanentemente se corre por convir a um outro país, para não falar de alguém do pró– prio país, chamar a si os louros de uma façanha que ja– mais cometeu . o mundo está cheio destes exemplos e basta reflectir um pouco sobre a história da humanidade para facilmente os encontrar. nada faz parar aqueles que põem acima de tudo um exacerbado interesse políti– co, as vantagens financeiras ou, simplesmente, a sua im– parável e desmedida vaidade. tudo isto vem a propósito para chamar a atenção do leitor para um período da nossa história que, como ne– nhum outro, teve as mais extraordinárias consequências e guindou o nosso país a um nível que nunca antes, nem depois, foi alcançado . referimo-nos, evidentemente, aos descobrimentos, em que os portugueses atingiram um notável grau de conhecimentos que lhes permitiu realizar longas viagens , enfrentando constantemente o permanente risco do desconhecido. não podemos dei– xar de recordar o esplendoroso trabalho de todos aque– les que desenvolveram a construção naval, produzindo navios adequados à descoberta e às longas viagens de comércio e, também, dos outros que conseguiram aper– ceber-se do regime dos ventos , que permitiu efectuar viagens, de facto mais longas, no que respeita ao cami– nho percorrido, mas mais curtas em(tempo e mais segu– ras e cómodas para o pessoal embarcado. também ,na arte náutica ficámos a dever aos osmógrafos, matemá– ticos, cartógrafos e pilotos, os métodos simples de nave– gação que podiam ser utilizados a b0rdo e a adaptação do astrolábio planisférico em astrolábio náutico que foi , sem qualquer dúvida, o instrumento mais importante para, na época, se calcular a altura dos astros e com ela se determinar o ponto do navio. não queremos ser exaustivos, mas não se pode deixar passar em claro o extraordinário monumento que é a cartografia portugue– sa que, apesar de constituir um valor inestimável , é ape– nas um modesto exemplo do que teria sido a produção de cartas náuticas que foram sendo desenhadas ao lon– go dos tempos, com a perícia e arte dos nossos cartógra– fos e os elementos que lhes iam sendo trazidos pelos pilotos. com estas valiosas inovações tecnológicas e com enormes doses de audácia e de aventura, os portugue– ses cruzaram os mares, assinalando as terras descober– tas com 'padrões que outros, que nos seguiram, foram sistemática e propositadamente destruindo . o rol das descobertas portuguesas é infindável e, na quase total idade, bem conhecido e incontroverso. no en– tanto, é absolutamente necessário estar atento e não nos deixarmos atrasar nos indispensáveis estudos de actualização com base nos elementos que vão su rgindo, devido ao aparecimento de novos documentos, ou ain– da, em virtude da exploração arqueológica do fu ndo dos mares que, neste fim do século, está a atingir um desen– volvimento espectacular. o interesse que actualmente se verifica noutros paí– ses pelo nosso período das descobertas, talvez o maior dos contributos da xvii exposição europeia que há dois anos se real izou em portugal, é um aviso claro e oportu– no para nos mantermos prontos e enfrentar a defesa das nossas posições face às novas hipóteses e teorias que, certamente , irão surgir. assim, não nos admiremos se amanhã aparecer a notícia de não ter sido pedro álvares cabral a chegar pela primeira vez às terras de santa cruz, ou que um nome, agora desconhecido, se tenha antecipado a bartolomeu dias, na mais extraordinária fa– çanha da história da naveqação, que foi , precisamente, a abertura do caminho marítimo para a índia. tem sido tradição na marinha o estudo e a defesa deste importante património histórico. henrique lopes de mendonça, quirino da fonseca, gago coutinho, fon– toura da costa, teixeira da mota, são nomes bem conhe– cidos que nos deixaram importantes trabalhos que ainda hoje constituem o que de maior valia se escreveu sobre 13</Page><Page Number="232">s descobrimentos portugueses. porém, com todos eles desaparecidos , a marinha encontra-se actualmente num píofundo vazio que interessa denunciar, na esperança de que alguns dos seus elementos possam vir a dedicar– -se aos estudos desta apaixonante problemática, rece– bendo assim o «testemunho» que aqueles outros não conseguiram entregar. utilize-se a vocação, como aconteceu com teixeira da mota que, tendo escolhido para tema da sua memória de guarda-marinha a viagem de fernão de magalhães, teve o privilégio de a ver distinguida com uma longa e elo– giosa apreciação de gago coutinho ('). ou então, estu– de-se o tema dos descobrimentos como um «hobby» , para que um dia, ao soar o inexorável toque .da «reser– va », se possa continuar a fazer um trabalho útil para a marinha e para o país. de facto , sem querer tirar o ex– traordinário mérito a tantos historiadores que nos deixa– ram tão importantes obras, parece-nos que ninguém po– derá aperceber-se profundamente dos problemas que se passaram no mar, há meio milénio, sem ter com ele um longo contacto e um permanente diálogo. na realidade , se não formos nós portugueses, a de- (' ) a memória, apresentada em 19·13, tem o título " o regimento da altura leste-oeste de rui faleiro - subsídios para o estudo náuti– co e geográfico da viagem de fernão de magalhães» e vai em breve ser editada pela marinha. a travessia de áfrica por capelo e ivens dicarmo-nos às nossas próprias coisas , serão os estran– geiros que o irão fazer no seu interesse. actualmentesó conhecemos uma excepção. referimo-nos a kenneth gordon mclntyre que prova no seu livro the secret dis– covery of austrália e ), que foram os portugueses os pri– meiros a chegar àquele longínquo quinto continente. e, antes de terminarnão queremos deixar de1 men– cionar a louvável iniciativa que a academia de marinha i está a promover, no sentido de constitu ir prémios em ho– menagem a sarmento rodrigues e teixeira da mota, aos quais devemos, respectivamente, o centro de estudos de marinha e aquela academia, e que, acima de tudo, fo– ram prestigiosos académicos . estamos certos de que estes prémios destinados a galardoar todos aqueles que se distingam na produção de estudos sobre a temáti– ca das descobertas , constituem uma medida extrema– mente importante e oportuna, à parte representarem um estímulo para os investigadores e o público reconheci– mento das suas obras. a. estácio dos reis, cap.-m. -g. (2) edição da souvenir press, lda., austrália, 1977. mclntyre, anti– go professor da universidade de melbourne, j á foi distinguido pelo go– verno português com a comenda da ordem do infante d. henrique.' é membro da sociedade de geografia de lisboa e da academia de i marinha. no rescaldo dum centenário, a rectificação de uma data completaram-se recentemente 100 anos sobre a data da triunfante conclusã o da travessia de áfrica pelos comandantes hermenegildo capelo e roberto ivens, dois marinheiros que no último quartel do sé– culo passado tão brilhantemente acrescentaram o palmarés de realizações com que a marinha incessan– temente tem enriquecido a história pátria. da tor– mentosa viagem de 14 meses, verdadeira escalada de sacrifícios, sofrimentos e perigos, e sobretudo de an– gustiados receios de não conseguir terminá-la, de– ram-nos os dois exploradores conta na obra em dois volumes «de angola à contra-costa)), que só não é um autêntico livro de a venturas , devido ao rigor cien– tífico com que foi cumprida a missão proposta. terminadas as comemorações q ue, durant e al– guns meses , t rou xeram à recordação d o s p ortugue– s es o brilhante feit o dos seus compat riot as, e ao p as– s a r a ú ltima folha do relato da porte ntosa viagem n o livro p or e les p u b licado , depara-se-nos a data de 26 de j unho como a da chegada dos dois heróis a queli– m ane. curiosamente, esta data está manifestamente e rra da, e não se trata de simples gralha de composi– ção , pois o e rro é reiterado imediatamente antes , ao 14 dar-se o dia 24 de junho (sempre de 1885) como o da entrada no rio cuácuá. diz textualmente o referido li– vro, a três parágrafos do fim: demorámo-nos apenas o tempo necessário para arranjar embarcações, entrámos a 24 de junho no rio cuácuá, e a 26, pelas quatro horas da tarde, após uma navegação por lameiros, avistámos ouelimane, as– sente na margem esquerda, e numerosas embarca– ções fundeadas. ninguém nos reconhecera ao desembarcar, pois, tisnados do sol, com os fatos enxovalhados e rotos, a longa barba, e uns farrapos brancos enrolados à cabe– ça, mais parecíamos mouros de zanzibar, que compa– triotas daqueles que lá r esidiam. augusto d e cast ilho, o governador-geral da pro– víncia, ach ava -se casualm en te ali, de volta de uma das s uas p r imeir as excursões ao d elta d o rio, e r ece– bendo -nos de braços aber tos, saudou-nos em nome dopaís . de sprezando conjecturas aleatórias àcerca dos motivos que teriam provocado este intrigante desvio d a verdade histórica, atentemos antes nas razões</Page><Page Number="233">ue nos levam a concluir por uma data um pouco dife– rente, que permite encurtar cinco dias a duração total da viagem. efectivamente, segundo o diário manuscrito qe hermenegildo capelo compôs durante a travessia, os exploradores teriam chegado a ouelimane no dia 21 de junho e a moçambique, já por mar, no dia 25, dia em que telegrafaram para 'lisboa, enqu ãnto que ro– berto ivens, no seu diário, não refere a s datas d est es acontecimentos. para além do particular crédito que m e recem as indicações anotadas dia a dia por um espírito meticu– loso como o de hermenegild o capelo, o rec;urso a ou– tras fontes permite leva nta r e s ta indete rminação , no sentido por ele indicado. assim, o volume i (((documentos») do livro de francis co antón io d e oliveira martins ((hermenegil– do ca p e lo e roberto ivens » transcreve o texto do te– legrama enviado pelos e xploradores ao ministro da marinha e ultramar dando conta do êxito da viagem, donde consta t er sido expedido da cidade de moçam– biqu e no dia 25 de junho de 1885, o que condiz exac– tamente com o diário de capelo (documento n.ocviii , pág. 291) , com data de 26 de junho daquele ano, o secretá– rio da direcção-geral das repartições da câmara dos deputados enviou um ofício ao ministro da marinha e ult ramar informando que a câmara, em sessão da véspera , ou seja do dia 25, recebera com particular agrado a notícia que acabara de lhe ser comunicada s obre o êxito da expedição, o que está de acordo com a data do envio do telegrama de moçambique, segun– do capelo (documento n .o cix, pág. 292 do volume citado). finalmente , em ofício dirigido ao ministro da mari– nha e ultramar em 17 de julho de 1885 , o governador– -geral de moçambique, augusto de castilho, diz tex– tualmente : em 21 do dito mês entraram aqueles be– neméritos oficiais na vila de ouelimane, tendo eu a honra e prazer de os sa udar à sua chegada ao mar, de– pois d e uma longa , trabalhosa e muito útil travessia por paises quase sempre desconhecidos. os dignos exploradores seguiram em 23 de ouelimane para mo– çambique para daqui expedirem os seus telegramas (.. .). (docume nto n .o cx, pág. 293 do volume referido) . todos estes documentos afastam concordante– mente a hipótese da chegada dos dois exploradores a ouelimane no dia 26 e parece permitirem concluir com segurança pela data de 21 de junho de 1885, de acordo com o diário de capelo. aqui fica este breve apontamento, que nada retira ou acrescnta ao significado ou valor da viagem, nem ao mérito dos exploradores que a realizaram, preten– dendo tão somente pagar o devido tributo à verdade histórica, que em todas as circunstâncias e em todos os pormenores, merece sempre ser reposta . manuel limpo serra , cap. -m.-g. capas para arevista foi recebida nova remessa de capas para arquivar a ((revista da armada». as capas, impressas em offset, a 4 cores, e que têm capaci– dade para 30 exemplares (2,5 anos), são vendidas ao preço de 45000 , podem ser adquiridas na nossa secretaria ou enviadas pelos ctt a quem o solicite; neste caso o preço é acrescido do valor dos portes. sendo o pagamento feito por cheque ou vale postal endereçado à ((revista da armada», edifício a. c. da marinha - 1188 lisboa codex. 15</Page><Page Number="234">istórias de marinheiros 73-razão de peso aqui há uns quantos anos, uma história correu célere pelas câma– ras de oficiais dos navios de guerra italianos, logo após a morte do papa que, na altura, presidia aos destinos da cristandade. 16 acredite-se que, ao contá-ia, os camaradas italianos não pensassem em alargar o conceito malévolo, que ela encerrava, para além das suas próprias fronteiras nacionais. o certo é que, tal como narravam o evento não punham quaisquer limites geo– gráficos à generalização universal da conclusão final a que chegavam. na dúvida, deixo ao leitor atento a responsabilidade de concluir, por si , se a moral da história deverá ser extensiva, ou não, à marinha deste país.. . pois contava-se, então, que quando a morte chegou ao vaticano, logo a alma do pontífice voou rápida ao céu, sem hesitações. uma vida santa, isenta de pecado, jamais es– curecida por maus pensamentos, palavras e obras, garantira ao extinto um acesso directo à bem-aventuran– ça, sem passagem pelos fogos bran– dos do purgatório regenerador. a morte ocorrera de madrugada, e o papa, ao bater à porta celestial, fizera-o mansamente, no cuidado de não perturbar, com ruídos fortes, o sossego das almas eleitas, decerto descansando àquelas horas mortas. só passados uns largos minutos a porta rangeu nos gonzos enferruja– dos por falta de uso - tão raros são os que ascendem, nestes nossos tempos, à paz divina do senhor. s. pedro, um tanto sonolento, deu o abraço fraterno de boas vindas ao sucessor dessa cadeira que tam– bém ocupara tantos séculso atrás. e logo, na pressa de ir retomar o sono interrompido, rodou , rápiçlo, nas san– dálias gastas, tomando a dianteira para indicar o alojamento que desti– nara ao recém-vindo. pouco tempo caminharam, pois bem perto erguia-se uma longa construção, toda caiada de fresco, a alvejar nos reflexos do manso luar que fazia naquela noite. uma vez dentro do edifício, que . mais não era, afinal, de que um gran– de convento a albergar os papas su– cessivos que tinham passado pela terra, depressa chegaram à cela nu– merada destinada ao novo locatário. uma breve saudação de pedro, em despedida, e o papa põde, à luz débil de uma candeia de azeite, con– siderar, lentamente, a modéstia da sua nova morada. eram quatro pare– des frias de pedra, a enquadrar um espaço escasso, quase todo absor-</Page><Page Number="235">ido por um catre estreito e pobre. a um canto erguia-se um lavatório de ferro, sem espelho, tendo ao lado o respectivo jarro de água, enodoado, aqui e ali, pela ferrugem dos séculos. uma cadeira de pau, meio descon– juntada, encostava-se, frágil, à pare– de do fundo . e só um cristo de ma– deira clara, pregado numa cruz, branquejando sobre o fundo negro da parede, quebrava, de algum modo, a solidão daquela cela. o papa sentiu a alma confranger– -se-lhe, mesmo liberto, como estava, do invólucro humano, sempre mais exigente das comodidades terrenas. só há pouco deixara os esplendores do vaticano, com o seu mobiliário sumptuoso, as tapeçarias ricas, os lustres deslumbrantes. e aquela transição, tão repentina, chocava-o profundamente. despiu-se lentamente. arrumou devagar, com método, as vestes que trouxera, na pobre cadeira de pau. e, antes de ir experimentar a incomodi– dade do catre, que o aguardava, ajoelhou nas lajes duras da cela, para orar a deus, que, agora, ali no céu, sentia mais perto do que nunca. adormeceu rápido - sono bre– ve, afinal, porque interrompido pelo sino do convento, logo pela manhãzi– nha. feitas as abluções matinais, en– caminhou-se para o refeitório, onde uma pequena multidão de papas to– mava já, em silêncio, um pequeno al– moço frugal. dali foram para a igreja anexa, onde pedro, entre coros de anjos, presidiu ao ofício divino. depois, todos se espalharam ao longo do parque que envolvia o mos– teiro. devagar, ainda não relacionado, solitário, caminhou largo tempo, no contacto curioso com o que o espe– rava pela eternidade fora . não en– contrara, ainda, os dois ou três pa– pas que o tinham antecedido e que conhecia. reconheceu , no entanto, na recordação presente de pinturas do vaticano, os papas júlio, clemen– te e os dois paulos, contemporâneos de miguel ângelo, relembrando jun– tos, numa evocação saudosa, as obras primas do artista. mais adian– te, num banco de pedra, sozinho, en– simesmado, gregório revia mental– mente a ideia de um novo calendário definitivo, na certeza amarga de ja– mais o poder pôr em vigor. e ao lado, não muito longe, leão xiii, no centro de um grupo numeroso, discutia vi– vamente as encíclicas sociais, ,à luz da experiência terrena das sucessi– vas épocas em que cada um deles ti– nha apostolado. perto do convento, do outro lado da estr.aaa, erguia-se um palácio ma– jestoso, envolvido por um jardim cui– dado, de frondosas árvores e cantei– ros policromos. o papa, surpreso, alongou o olhar até lá, ainda na curiosidade hu– mana de saber quem o habitaria. via que criados, pressurosos, entravam e saíam das dependências, e que jardineiros, espalhados por aqui e por ali, cuidavam das flores e da lim– peza das aleias que se entrecruza– vamo duas ou três vezes, um rolls– -royce escuro, saíra e entrara pela porta principal, mas tão rápido que não descortinara quem nele seguia. reparou que, dos outros compa– nheiros, indiferentes, nenhum dava sinais exteriores de querer saber quem seria o vizinho cuja riqueza contrastava tão abissalmente com a simplicidade conventual do seu vi– ver. na noite seguinte, quando já re-em fim do almoço relacionado com actividades da " revista da armada" o autor leu este conto para os circunstantes :presente. o lápis de sousa machado fixou-o assim. 17</Page><Page Number="236">olhido na cela, ouviu a melodia sua– ve de uma orquestra, que chegava, amortecida, através de um postigo quadriculado de grossas grades. na curiosidade , de novo excitada, le– vantou-se e espreitou. na noite quente, o palácio, de janelas aber– tas, tinha todas as luzes eléctricas acesas, cuja claridade se derramava difusamente sobre o jardim circun– dante. havia, decerto, uma reç:epção , pois através das janelas e varandas entreviam-se pares que dançavam e convidados que, ao longo de mesas cintilantes de cristais, saboreavam, com vagar, as delícias de um serviço permanente. o papa, que já se impressionara com a rigidez monocal do ambiente , mais sentiu a situação a que desce– ra, no contraste fl agrante com o es– plendor da vizinhança - isto no mesmo céu , onde todos deveriam partilhar, com igualdade, os prazeres inefáveis da felicidade eterna. no dia seguinte , discretamente, fez-se encontrado com pedro. e na intimidade natural de duas almas pu– ras , pôs-lhe o problema frontalmen– te, sem rodeios equívocos. - quem é o privilegiado morador do palácio? pedro , com naturalidade, infor– mou : - um almirante .. . aqui , o papa não se conteve. um frémito nervoso abalou-lhe a alma, no sentimento vivo de uma injustiça evidente. não percebia que um almi– rante pudesse gosar ali de um nível de vida tão alto - enquanto um papa, que conhecera a sumptuosi– dade do vaticano , ficava condenado à penúria eterna de uma triste cela. demais - notou ainda - um pontífice pastoreara, na terra, mi– lhões e milhões de crentes , ao passo que um almirante só comandara, se tanto, os poucos milhares de maru– jos de uma simples esquadra! .:. - que razão haveria para tama– nha diferença de tratamento? pedro , sorridente , bateu-lhe nas costas com brandura, e explicou : - a razão é simples : é que , aqui, enquanto há muitos papas , almiran– tes .. . só temos um!. .. silva braga, v a1m. •••••••••••••••••••• 18 sáji{ge acto da assinatura do protocolo entre a marinha e o munic protocolo entre amarii no dia 22 de maio passado, em cerimónia realizada na câmara mu– nicipal de lisboa em que estiveram presentes vários oficiais da armada - sub-cema, comandante da base naval de lisboa, directores do mu– seu de marinha, das infra-estruturas navais e da «revista da armada» e capitão do porto de lisboa - e enti– dades civis - presidente da assem– bleia municipal , vereadores e o pre– sidente do tribunal da relação - , foi assinado um protocolo que, pelo seu interesse, transcrevemos na ín– tegra: entre a marinha de guerra portu– guesa e a câmara municipal de lis– boa, respectivamente representadas pelo almirante chefe do estado– -maior da armada (cema) e pelo presidente da câmara municipal de lisboa (pcml) se celebra opresente protocolo de intenções: i a marinha de guerra portuguesa e a câmara municipal de lisboa no– meiam um ou mais representantes, para em comissâo permanente (cp) desenvolverem os itens do presente acordo e de eventuais novos projec– tos comuns, obtendo as decisões adequadas para a sua execuçâo. " as questões a abordar, numa pri-meira fase, situam-se no âmbito:</Page><Page Number="237">ipio de lisboa. lha eacâmara municipal de lisboa · a) infraestruturas. b) culturais e turísticas. 11/ as questões relacionadas com as infraestruturas a negociar pela cpsão: a) eventual possibilidade da cml ceder um palácio e/ou edifício contíguo, devolutos, para reinstalação do tribunal da relação, com vista à recu– peração por parte da marinha da parte do edifício do arsenal actualmente ocupada por aquele tribunal. b) intercâmbio de terrenos cor– respondentes ao antigo mer– cado de belém e ao ex-posto radionaval do gravato. c) modificação paisagística do li– mite sul, na avenida da ribei– ra das naus, das instalações da marinha com a transforma– ção do muro actual num gra– deado clássico. d) participação da câmara no projecto de cedência ao mu– seu de marinha das instala– ções do actual museu nacio– nal de arqueologia e etno– logia com a contrapartida, primariamente vocacionada para o aproveitamento cultu– ral, de parte das instalações da fábrica nacional de cor– doaria. e) eventual aproveitamento da capacidade do arsenal do ai– feite para fundição de moldes de monumentos ou estátuas que a câmara decida enco– mendar e se destinem a per– petuar a memória de uma causa ou figura inequivoca– mente reconhecida. f) troca de informações sobre os projectos que a marinha te– nha ou venha a ter para as suas instalações ribeirinhas, nomeadamente em acordos a efectuarcom a agpl. g) eventual aproveitamento do conhecimento e experiência da cml para instrução e acompanhamento de pessoal da marinha no âmbito da jardi– nagem e arranjo de espaços. iv quanto ao relacionamento cultu– ral deverá a comissão estudar os se– guintes itens prioritários: a) um protocolo permanente en– tre a «revista municipal» e éi «revista da armada», a assi– nar pelos seus directores ou responsáyeis, nomeadamen– te no que respeita à poupança· de meios e à colaboração es– pecializada. b) a colaboração possível da banda da armada tanto na sua globalidade (em jardins, ruas, espaços, etc., de lis– boa) como em pequenos con-juntos (teatros municipais, áreas cobertas, etc.) de forma a permitir a audição de música erudita e popular. c) o intercâmbio museológico tanto em estudos como em eventual aproveitamento de peças, seus restauros, expo– sição, etc. d) o intercâmbio de espaços para exposições, conferên– cias, colóquios e manifesta– ções congéneres a título gra– tuito. e) a utilização das infraestrutu– ras e organização ao nível do turismo da cml para aprovei– tamento por guarnições de forças navais ou navios es– trangeiros que visitem a cida– de. f) estudo para melhor aproveita– mento do rio tejo como pólo de desenvolvimento cultural, turístico e bem-estar da popu– lação de lisboa. g) a hipótese de edições conj un– tas de livros e moedas que te– nham manifesto interesse co– mum. após a assinatura do protocolo, o almirante sousa leitão, chefe do estado-maior da armada, e o pre– sidente da cãmara, eng.o nuno abecas is, f ize ram curtas alocu– ções relativas ao acordo estabele– cido. 19</Page><Page Number="238">ucaçã formação recupere a sua forma física a direcção do serviço de instrução e treino elaborou um programa para a re– cuperação da condição física geral , que pelo seu interesse apresentamos. é claro que o pessoal com obesidade excessiva terá primeiro que procurar re– duzir o peso de acordo com as indica– ções médicas, pois doutro modo levará muito mais tempo qu,e o previsto no pro– grama para adquirir uma aceitável condi– ção física geral. siga, pois , o programa e contamos que daqui a dois meses poderemos en– contrar em si um novo atleta! programa de recuperação da condição física geral a. instruções gerais: 1. o programa de recuperação da condição física ge– rai é um esquema apresentado com uma disposição gráfica tal que permite o seu uso como desdobrável, a fim de facilitar o seu porte durante a execução do pró– prio programa. 2. destina-se a pessoal militar masculino, com idades entre 18 e 40 anos, apto para todo o serviço. 3. pode ser seguido, igualmente, por pes– soal masculino acima dos 40 anos, des– de que sob controlo médico. 4. o progra– ma deve ser aplicado sem interrupção du– rante cerca de 6 semanas (dependendo a sua duração da condição física inicial) . 5. a duração de cada sessão deverá ser de cerca de 60 minutos. 6. deverá haver 2 sessões por semana, separadas pelo menos 1 dia (ex.: 3 a e 5.a). 7. aconselha– -se, para melhor eficácia, a repetição da 2. a sessão semanal durante o fim-de-se· mana. 8. entre cada série de exercícios deverá haver um tempo de repouso sufi– ciente, até o nível do ritmo cardíaco des– cer abaixo de 120 pulsações/minuto (30 em 15 segundos). tal tempo é, normal– mente, de cerca de 1 minuto e meio (va– riando com a condição física) , e deve ser aproveitado para a realização de exercí– cios de flexibilidade, rodando o tronco e braços, descontraidamente e lentamen– te, para um e outro lado, e respirando fundo. (quanto menor for o tempo de re– cuperação cardíaca após um exercício em melhor " forma» estará) . 9. os exercí– cios devem observar a seguinte ordem: elevações na barra - abdominais - ex– tensões no solo - corrida e marcha. 10. 20 deverá ser realizado um pequeno «aquecimento» no início de cada série de exercícios, para evitar roturas muscu– lares. trata-se da execução dos exercí– cios, mas de uma forma muito lenta. 11. em nenhum caso deverá ser excedido o ritmo cardíaco equivalente a 200 menos a idade em anos (ex.:200- 36 164). 12. durante e no final de cada série de exer– cícios o ritmo cardíaco não deverá exce– der 140 (35 em 15 segundos), pelo que se deve procurar encontrar um ritmo indi– viduai adequado. 13. deverá procurar sentir, no final de cada série, que ainda seria capaz de prosseguir um pouco mais. ' porém, não deve tentar atingir esse limite. por outro lado, se se sentir cansado, diminua o ritmo, mas não de– sista. 14. durante os exercícios de bra– ços e abdominais, a expiração do ardeve ser feita durante o esforço. b. verificações prévias (1. o dia): 1. verifique qual o número máximo de ele– vações na barra que consegue fazer. 2. proceda igualmente quanto a abdomi– nais (em 1 minuto). 3. verifique a seguir o número máximo de extensões no solo que faz. 4. veja na seguinte tabela qual o «nível inicial» em que se encontra: nível a idade elev. abdom. extens. 40-36 oa 1 oa9 oa3 35-31 oa2 oa10 oa4 até 30 oa2 oa12 oa5 nível b 40-36 2 10a 16 4a6 35-31 3 11 a 19 5al até 30 4 13a23 6a9 5. inicie uma corrida em passo lento, durante 1 minuto. passe a marcha, e du– rante 15 minutos verifique o seu ritmo cardíaco (com a mão no coração, ou nas carótidas -lados do pescoço - poderá senti-lo melhor). 6. caso tenha menos de 30 pulsações em 15 segundos (120/mi– nuto), retome a corrida em passo um pouco mais acelerado, e vá interrompen– do de minuto a minuto, verificando o rit– mo cardíaco, até encontrar o passo de corrida que lhe permita manter o ritmo cardíaco, durante cerca de 10 minutos, entre 120 e 140 pulsações/minuto (30 a física 35 em 15 segundos) e que não deve ser excedido ao longo do plano de treino. 7. caso tenha mais de 30 pulsações em 15 segundos (120/min.), ao fim do 1. minu– to de corrida, continue em marcha, reto– mando a corrida (em passo mais lento) só após o seu ritmo chegar abaixo das 30 em 15 segundos (120/min.), e interrom– pendo de minuto a minuto, até encontrar o passo que lhe permite manter, durante cerca de 10 minutos de corrida, o ritmo cardíaco entre 120 e 140 pulsações/mi– nuto (30 a 35 em 15 segundos), e que não deve ser excedido ao longo do plano de treino. 8. um regime alimentar sem excessos ou carências, e um ritmo de vida regrada, são essenciais para o êxito do programa de treino. caso tenha ex– cesso de peso, consulte o médico, com vista a um regime de dieta. caso fume, procure reduzir o número de cigarros por dia. c. plano de treino: 1. oplanodetrei– no apresentado a seguir refere os exercí– cios a fazer em cada dia (o 1.0 dia foi o das verificações prévias). quando não se conseguir fazer inicialmente o número de repetições fixado para cada série, as séries consistirão do maior número de re– petições possível, até se chegar ao nível fixado para o 2. o dia. inicialmente pode haver ajuda nos exercícios de braços e abdominais, quando não se conseguir realizar o número indicado. 2. dia a. ele– vações: nível a - 3 séries de 1 (com eventual ajuda); nível b - 3 séries de 2. b. abdominais: idade até 30 3t·35 36·40 nível a b a b a b séries 2x7 2x 14 2x6 2x12 2x5 2xl0 c. extensões: nível a - 2 séries de 3 (com eventual ajuda); nível b - 2 séries de 6. d. 2400: 10 minutos de corrida2 de marcha 10 de corrida. 3. dia (2.ase– mana) a. elevações: nível a - 3 séries de 1 (com eventual ajuda) ; nível b - 2 séries de 3. b. abdominais: idade até 30 31·35 36-40 nível a b a b a b séries 2x7 2x14 2x6 2x 12 2x5 2xl0</Page><Page Number="239">. extensões: nível a - 2 séries de 3; nível b - 2 séries de 6. d. 2400: 10 minu· tos de corrida2 minutos de marcha 10 minutos de corrida. 4. o dia (2. a semana) a. elevações: nível a - 3 séries de 2 (com eventual ajuda); nível b - 2 séries de 3. b. abdominais: idade até30 31·35 36-40 nível a b a b a b séries 3x7 3x14 3x6 3x12 3x5 3x101 c. extensões: nível a - 3 séries de 3; nível b - 3 séries de 6. d. 2400: 15minu– tos de corrida 2 minutos de marcha 10 minutos de corrida. 5. o dia (3. a semana) a. elevações: nível a - 3 séries de 2 (com eventual ajuda); nível b - 3 séries de 3. b. abdominais: idade até30 31·35 36-40 nível a b a b a b séries 3x7 3x14 3x6 3x12 3x5 3xl0 - c. extensões : nível a - 3 séries de 3; nível b - 3 séries de 6. d. 2400: 15minu– tos de corrida 2 minutos de marcha 10 minutos de corrida. 6. o dia (3. a semana) a. elevações: nível a - 3 séries de 2 (com eventual ajuda); nível b - 3 séries de 3. b. abdominais: idade até 30 31·35 36·40 nível a b a b a b séries 2x9 2x17 2x7 2x 14 2x6 2x12 c. extensões: nível a - 2 séries de 4; nível b - 2 séries de 7. d. 2400: 15minu– tos de corrida 2 minutos de marcha 15 minutos de corrida. 7. o dia (4. a semana) a. elevações: nível a - 4 séries de 2 (com eventual ajuda); nível b - 2 séries de 4. b. abdominais: idade até30 31·35 36-40 nível a b a b a b séries 3x7 3x 14 3x6 3x12 3x5 3xl0 c. extensões: nível a - 3 séries de 3; nível b - 3 séries de 6. d. 2400: 20 minu– tos de corrida 2 minutos de marcha 15 minutos de corrida. 8. o dia (4. a semana) a. elevações: nível a - 4 séries de 2 (com eventual ajuda); nível b - 3 séries de 3. b. abdominais: idade até30 31·35 36-40 nível a b a b a b séries 3x9 3x17 3x7 3x14 3x6 3x12 c. extensões: nível a - 4 séries de 3; nível b - 3 séries de 7. d. 2400: correr continuadamente 2400 metros, verifican– do o tempo realizado. 9. o dia (5. a sema– na) a. elevações: nível a --: 3 séries de 1; nível b - 4 séries de 3. b. abdominais: verificar quantos consegue fazer nummi– nuto. c. extensões: verificar quantas con– segue fazer num minuto. d. 2400: 20 mi– nutos de corrida2 minutos de mar– cha 10 minutos de corrida (se possível em terreno acidentado). 10. 0 dia (5. a se– mana) a. elevações : nível a - verificar quantas consegue fazer; nível b - verifi– car quantas consegue fazer. b. abdomi– nais: idade até30 31·35 36-40 nível a b a b a b séries 3x7 3x14 3x6 3x 12 3x5 3xl0 c. extensões: nível a - 3 séries de 3; nível b - 3 séries de 6. d. 2400: 6x 400m, tentando que cada série não exceda 2 minutos e 20 segundos e com atenção ao ritmo cardíaco final e inicial. 11. 0 dia (6. a semana) a. elevações: nível a - 3 séries de 1; nível b - 3 séries de 3. b. abdominais: idade até30 31-35 36-40 nível a b a b a b i séries 3x l0 3x19 3x8 3x 16 3x7 3x141 c. extensões: nível a - 3 séries de 4; nível b - 3 séries de 8. d. 2400: 20 minu- · tos de corrida 2 minutos de marcha 10 minutos de corrida (se possível em terre– ;10 acidentado). 12. o dia (6.;' semana) a. elevações: nível a - j séries de 2; nív1 b - 3 séries de 4. b. abdominais. idade até30 31·35 36·40 ·' nível a b a b a b séries 3x l0 3x 19 3x8 33 16 3x7 3x14 c. extensões : nível a - 3 séries de 4; nível b - 3 séries ·de 8. d. 2400: 12x 200m, tentando que cada série não exceda 55 segundos e com atenção ao ritmo cardíaco final e inicial. 13. o dia (7. a i' · · semana) a. elevações; nívela -2séries de 3; nível b - 3 séries de 4.- b. abdomi– nais: idade até30 31·35 36-40 nível a b a b a b séries 4x8 3x20 4x7 3x17 4x5 3x15 c. extensões: nível a - 2 séries de 5; nível b - 2 séries de 9. d. 2400: 2 x 1200m, verificando o tempo de cada percurso de 1200m e também o ritmo cardíaco no fim de cada série. 14. 0 dia (7. a semana) a. elevações: nível a - realizar a prova de elevações; nível b - realizar a prova de elevações. b. abdomi– nais: realizar a prova de abdominais (em 1 minuto). c. extensões: realizar a prova de extensões (em 1minuto). d. 2400: fa– zer a prova de 2400m verificando o tem– po realizado, bem como o ritmo cardíaco final, e 1minuto após o final. caso tenha descido apenas 10% ou menos, em rela– ção ao tomado no final, deve repetir as úl– timas 5 sessões. medeiros de almeida, t .o-fen. seg *********** 21</Page><Page Number="240">s novas emissões de selos portugueses europa(cept) -1985. a mú– sica - com o objectivo de melhorar o entendimento postal entre alguns países da europa, incluindo portu– gal, foi criada em 1959 uma organi– zação, já referida nesta secção, que ficou conhec ida por contérence européenne des admin istrat ions des postes et telecommunications (cept). desde então têm sido emiti– das em todos os países membros, séries de selos designadas por «emissões europa» que, até 1974, tiveram um desenho comum. mas, para se poder dar uma melhor ima– gem histórica e cultural de cada país membro, o desenho não é, actual– mente , igual , nem mesmo seme– lhante. a emissão deste ano, subordina– da ao tema «música» , deu aos cor– reios portugueses a oportunidade de referir alguns instrumentos que, por terem saído do uso normal ou serem usados em regiões de área muito li– mitada, estavam a cair no esqueci– mento. também é verdade que mú– sicos modernos portugueses estão a tentar fazer ressurgir alguns desses interessantes instrumentos musi – cais. recordemos que, há meia dú– zia de anos, uma grande parte da po– pulação portuguesa desconhecia, não só a existência do cavaquinho, mas ainda o seu tão importante con– tributo na música popular da nossa terra. há instrumentos que, embora te– nham hoje designações muito dife– rentes , são apenas variantes, por ve– zes muito aproximadas, em dimen– sões e mesmo no aspecto geral, de outros mais antigos. do produto de algumas dessas transformações nasceram os selos portugueses deste ano, -da emissão europa, tão ligados ao ano europeu da música. conhecemos já algumas peças das novas emissões dos países membros da cept, e, porque elas 22 filatelia são tão variadas e têm tanto signifi– cado filatélico, acreditamos que pos– sam levar alguns coleccionadores a iniciar novos trabalhos. portugal continental - toca– dora de adufe - para o continente foi escolhido o adufe que ilustra um selo de 6000, que reproduzimos . é um instrumento exclusivamente fe– minino, usado em quase toda a faixa interior portuguesa, com especial in– cidência na beira baixa. consiste numa caixa de formato paralelipipé– dico, com duas lâminas vibratórias, em pele, e embora pareça de muito fácil construção não dispensa certos cuidados que lhe permitam a mais apropriada ressonância. região autónoma da madeira - o braguinha - também conhe– cido por machinho, ou machete, o braguinha é uma variante do cava– quinho, instrumento de quatro cor– das, capaz de produzir uma expres– são musical muito alegre . levado para o estrangeiro pelos emigrantes madeirenses, este tão tí– pico instrumento ajustou-se a muitos tipos de música, indo mesmo para além das suas características popu– lares. o braguinha ilustra também um selo da taxa de 6000, como se vê na reprodução. região autónoma dos açores - tambor de folia - as festas do espírito santo, sem deixarem a forte componente religiosa, mantiveram com o passar dos anos um aspecto popular que, tão entusiasticamente, envolve as gentes daquelas ilhas do atlântico , a que já nos referimos por– menorizadamente nesta secção. falámos então dos "foliões», conjunto de três ou quatro tocadores que, batendo compassadamente nos seus tambores , marcam o ritmo daqueles festejos , tão intensamente vividos . um selo, com a taxa de 6000, que reproduzimos , ilustra um folião que utiliza o seu tambor para impri – mir o andamento às festas do espíri– to santo, nos açores. os carimbos de 1.o dia de circula– ção de toda a emissão, porque não apresentam qualquer diferença em relação aos selos que lhes serviram de suporte, não oferecem às colec– ções do tipo moderno nenhum com– plemento enriquecedor. m. curado, 1. o -ten. sg ***********</Page><Page Number="241">eportagem actividades de unidades do cnc unidades navais em serviço nas águas sob jurisdição portuguesa, da responsabi– lidade do comando naval do continente (cnc) , procederam, no passado mês de abril, à identificação de 199 embarcações de pesca, vistoriando 158 , do que resultou o apresamento de 37 por pesca em área proibida. uso/porte de artes ilegais , docu– mentação irregular, pesca sem licença ou ausência de meios de salvamento. em consequência foram apreendidos 12 mil quilos de peixe e marisco diversos, cujo valor da venda reverteu a favor dos cofres doestado. relativamente à salvaguarda da vida humana no mar . na repressão do contra– bando ou em outras actividades, as un ida– des dependentes daquele comando tive– ram diversas saídas de emergência para o mar para acorrer a vários na'x ios ou em– barcações em perigo , aos qua is prestaram assistência ou apoio ; empenhamento da guarnição da fragata «comandante joão belo» na recolha de uma alpinista (vide número anterior da «ra», secção notí– cias pessoais); controlo dos esquemas de separação do tráfego marítimo nas ber– lengas e nos cabos da roca e d,e s. vicen– te; transporte, entre lisboa e a regi ão autónoma dos açores , de cerca de 150 ·toneladas de materiais pertencentes à ar– mada, ao exército e à força aérea . tam- . bém, equipas de mergulhadores efectua– ram várias missões , de que se ôestacam a busca e recuperação do corpo de um náu– frago no rio guadiana e a participação no exercício albatroz 852. ainda em abril. as instalações do cnc e da base naval de lisboa , no alfei– te, e unidades navais aqui estacionadas , foram vi sitadas por cerca de 760 alunos de vári as escolas ou pessoas de associações dive rsas. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• notícias da marinha de macau na sequência dos contactos com as au– toridades marítimas dos portos vizi nhos deslocou-se a cantflo de 26 a 29 de abril , a convi te do instituto de pesquisa dos ca– nais da província de guangdong, uma de– legaçflo dos serviços de ma rinha de ma– cau. composta pelo oficial adj unto. dois hidrógrafos e o escrivflo . da qual fez tam– bém pa rte o director técnico-científico do instituto hidrognífico . de lisboa . o principal objectivo das reuniões ha– vidas foi analisar e receber o trabcilho de ondagem hidrogrúfica da zona a w de macau . incluindo pela primeira vez o ca– nal de malau chau e toda a baeia do porto interior . realizada pelos hidrógrafos chi– neses com base nas refe rências maregráfi– cas de macau. e que permitirá ao instituto hidrográfico completar a actualização das cartas náuticas 520.521 e 522. a visita decorreu em ambiente muito cordial. c constituiu mais um passo no es– treitamento das tradicionais relações de amizade luso-chinesa. 1 o vi ce-almirante paul f. mccarthy, que assumiu recentemente as funções de comandante da 7. " esquadra da marinha dos eua , visitou macau de 30 de abri l a 1 de maio, aproveitando a estadia em hong-kong do navio-chefe das fo rças an– fíbias uss «blue ridge». acompanhado do seu chefe de esta– do-maior , capitão-de-mar-e-guerra da– vid rogers, do ajudante de campo, co– mandante john pettitt, e respectivas es– posas, e pelo adido naval dos eua em hong-kong , capitão-de-mar-e-gu.crra jo– seph dresslcr, visitou alguns locais de in– teresse histórico sob a orientação do mon– senhor manuel teixeira, tendo-lhe sido também proporcionado um pequeno pas– seio fluvial numa emba rcação da capita– nia dos portos. do programa da visita, refere-se o al – moço oferecido' pelo governador de ma– cau, contra-almiran te alme ida e costa, na residência de santa sancha . (colaboração dos serviços de marinha de macau) aspecto de uma das reuniões efeclliadas em cantão. •••••••••••••••••••• 23</Page><Page Number="242">ntigos e actuais submarinistas e mergulhado– res junto ({o edijicio jo comando da r;squadri– lha de submarinos. dia do submarinista e dia do mergulhador para comemorar o dia dosubmari– nista e o dia do mergulhador realizou-se na esquadrilha de submarinos, no alfei– te, no dia 20 de abril passado, a jornada anual de convívio de cerca de 250 antigos e actuais submarinistas e mergulhadores. esta confraternização constou de uma exposição fotográfica, provas desportivas e visitas aos submarinos e instalações dos mergulhadores , culminando com um al– moço nas dependências da unidade que decorreu num ambiente de alegre e sã ca– maradagem. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• adido naval condecorado em cerimónia realizada no seu gabi– nete, no dia 2 de maio último, o almirante sousa leitão, chefe do estado-maior da armada, condecorou com a medalha de mérito militar de 1." classe o capitão-de– -mar-e-guerra john s. baldwin, adido na– val junto da embaixada dos eua em lis– boa, recentemente nomeado para o de– sempenho de outras funções. 24 assistiram ao acto. para além do em– baixador allen holmes. o conse lhei ro alan flaningan. oficiais do ema. do maag e outros adidos americanos em lisboa. •••••••••••••••••••• bodas de ouro do alistamento de 1935 os «filhos da escola» do alistamento de 11j35 comemoraram os 50 anos da sua incorporação na «briosa» com um conví– vio que teve como ponto alto um almoço no restaurante do estádio da luz. no dia 27 de abril findo . estes «jovens» de 70 anos. alguns acompanhados das esposas. conviveram durant e umas poucas horas em franca alegria e boa disposição. recor– dando um passado que vai longe. de manhã tinham estado no cemitério dos praze res. numa romagem de saudade ii campa do patrono da sua «escola». capi– tão-de-mar-e-guerra luciano sena dcn tinho. em que esteve presente um seu fi– lho . eng." sena dentinho. alistamento da armada recrutamento da espada pela pátria sempre em frente 1 9</Page><Page Number="243">xercício cqntex 852 no âmbito da programação operacio– nal do comando navat do continente de– correu ao largo da, costa oeste e sul de portugl , d(! 2 a 8 de maio findo , o exercí– cio contex 852 , cujo objectivo princi– pal foi incrementar o estado de adestra– mento para combate das unidades navais envolvidas, com vista à sua posterior in– corporação' em forças operacionais e par" ticipaçâo em manobras iilternacioiúiis3 compree,ndeu actividades de luta anti· · subm.arina, tiro de superfície e antiaéreo, reabastecimento no mar , operações de contramedidas de minas ; limitação de avarias, comunicações e guerra electró– nica , tomaram parte nestas manobras, além das corvetas espanholas «descu– bierta» e «vencedora», as fragatas «co– mandante hermenegildo capelo» e «co– mandante.joão belo», as corvetas «bap– tista de andrade» e joão roby», subma– rino «albacora», draga-minas «ribeira grande» e «rosário», navio reabastece– dor de esquadra «s. gabriel» e também uma equipa de mergulhadores da nossa marinha . nalgumas fases participaram meios aéreos da força aérea portuguesa e um avião de patrulha marítima espa– nhol. o exercício que envolveu cerca de 1250 homens , foi comandado pelo capi-tão-de-mar-e-guerra gomes teixeira, que com o seu estado-maior embarcou na «hermenegildo capelo». esta força naval escalou o porto de portimão, nos dias 4 e 5, tendo estado os navios patentes ao públ.ico. as corvetas espanholas "descubierta» e "ven– cedora», que tomaram parte no contex 852, atrácadas na doca 'dà marinha, em lisboa. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• juramento de bandeira e entrega de espaoas presidida pelo almirante sousa lei– tão , chefe do estado-mailllr da armada, c com a presença dqs vi cc-chefes dos es– tados-maiores dos três ramos das fa, membros do corpo diplomático, outras entidades civis c militares e numerosos convidados, realizaram-se na escola na– val, no alfeite, nodi a 3 de maio passado , as cerimónias de juramento de bandeira e ' entrega de espadas a cadetes . efectuada a revista ao batalhão esco– lar, formado na parada sob o comando do comandante do corpo de alunos, foram entregues as espadas aos 35 alunos do cur– so «roberto .ivens», após o que se efec– tuou o juramento.de bandeira de 80 cade– tes do curso «conde de s. vicente». depois de uma exortação aos cadetes, proferida pelo capitão-tenente pinto bas– tos, professor do 13." grupo de cadeiras da escola, o batalhão escolar desfilou pe– rante os presentes, tendo as cerimónias terminado com demonstrações de aplica– ção militar c de educação física executa– das por alunos daqueles cursos ao som da banda da armada. (colahoração da escola naval)</Page><Page Number="244">4. 0 aniversário da gnr integrada na cerimón ia do 74.() aniver– sário da guarda nacional republicana (gnr ) houve uma visita dos órgãos da ' comunicação social ao eu comando– -geral, no largo .do carmo, em 3 de maiofindo. em breves palavras , o comandante– -geral. general tomé pinto . deu as boas- -vindas e agradeceu a presença dos visi -tantes em cujo número se encontravam representantes de diversos órgãos da im– prensa militar. posteriormente, realizou-se na sala de operações uma reunião em que foi transmitida aos presentes uma ideia geral sobre o passado da guarda (major sala– vessa da costa), sua actualidade (coronel rodrigues coelho) e projectos de futuro (general tomé pinto) , sendo no final fei – tas perguntas por alguns assistentes rela– cionadas com a matéria apresentada. após esta reunião seguiu-se um almo– ço de confraternização que prolongou os momentos de troca de impressões sobre este corpo militar e a sua inserção a ní– vel nacional. n. r. - a «ra », que se fez representar pelo seu director, cumprimenta e felicita a gnr por mais este al/iversário. desejando-lhe as maiores felicidades . aspecto de uma das cerimónias das comemora– çàes do 74. " aniversário da gnr. •••••••• •••••• • •••••••••••••••••••••••••• •••• ••••••••••••••••• o secretári o da world life savi ng. paul w. smith. que se dc1ocou ao nosso país em missão de trabalho , no di a 21de maio; 26 visitas de cumprimentos o alm . sousa leitão. chefe do estado– -maior da armada. recebeu no seu gabi – nete: no dia 6 de maio. em visita de apre– sentação de cumprimentos. o c/alm. ab– dei moty . que esteve em lisboa embar– cado no contratorpedeiro egípcio «ei fateh». no dia 21{ de maio o alm. d' escadrc co rbie r . comandante-em-chefe da mari– nha francesa. que veio a portuga l em visi– ta de trabal ho ao ci clberlant.</Page><Page Number="245">onfraternizaçao do recrutamento de 1936 os recrutados ;lo já longínquo ano de 1936 festejaram o 49." aniversário do seu ingresso na marinha com um passeio-con– vívio no tejo. no dia 5 de maio, ·numa ve– deta da armada cedida pela entidade competente . 'rio-abaixo , rio-acima, cerca de 200 «filhos da escola» e familiares passaram um dia agradável, recordando peripé– cias então vividas . um almoço bem servi– do foi o remate para os momentos de es– fusiante alegria por todos participados. ............................................  ......... ........ grupo de amigos do museu de marinha recebemos o relatório e contas da gerência de 1)84 do gamm. sendo-nos grato verificar o cuidado com que foi ela– borado. dele extraímos as seguintes novi– dades que achamos de interesse divulgar. coi/til/lia o grupo a elll'idar esforços para qlle se acelerem. 1/0 arsel/al. o. fabri– cos do i'aril/o " c{l/talho rosa» qlle não jfú po.i'síl ·e/ ter col/clliído ileste iii/o festil 'o dos 30 (i/ios. como se pretel/dia. já se el/col/tra 110 mlisell. exposlil ao público, a barca i/a:arel/a «marill elilá– lia » (n-2../88-l3) qllejái trallsporte de pes– soal e pescado. como embarcaçúo a re– mos, allxiliar de pesca da respeuil'a jáilill. ojálil mr{/\ 'ó do grupo, jálil pelo 1/0.1'.1'0 coii.wkio-doador joúo de jeslls estrelil/ha e del 'ido li acçúo do al/ligo presidel/te da direc('úo. col/tra-almiral/te almeida bral/dúo. qlle iilmbém jii mpitâo do por– to da na : aré. co/llmllilil estima local (... ). pelo \'ogal da direcçâo. il/spector ma– i/liel aligllsto cabaço, jái adqllirida e doa– da ao mlisell, atrm'és do grupo, lima bmei– ra do tejo. a «maria adelaide» qlle já se el/col/tra 1/0 depósito de embllrcaçôes re– giol/ais do eslilheleci/l('l/to, 1/0 edijfcio pombalil/o da cordoaria naciol/al. pela família de josé ricardo domil/– glles. al/tigo desportista i/álllico e pro{lil/ -. do col/hecedor da arte de regatar em ca-1/011.1' de bastardo, !u)/{\'e a promessa de oferlil ao mlisell, através do grupo, dllma cal/oa de regala - a " bol/eca» - clljll importâl/cia se releva, porqllal/lo a mesma irá proporciol/ar, i/li/li acréscimo ao sell brilhal/le historial, o treil/o de ma– l/obra da i'e la de bastardo, {/ praticar mais iilrde iui caravela «s. cristóvâo», li– gada ao projecto da travessia do cabõ da boa esperal/ça (de que já falámos). também por omsiâo do el/col/tro co– memo/'{/til'o dos 30 (///0.1' do grupo, em 20 de de:embro, jái possívdjázer a el/lrega ao mlisell, como depósito , do modelo do arrasuio de pesca do alto «almada», cedi– do pela collli.uâo de gestâo da compa– i/hia portllgllesa de pesca, após despacho jál'orável do secretário de estado das pesms. coi/til/liam este ano os trabalhos de restauro da «fitil/iza», cal/oa da picada, i/ascida barco de recreio, oferecida através do grupo, pelo nosso consócio-doador el/g. " al/tól/io de sousa borges. esses tra– balhos, játos 1/0 próprio pavilhão das ga- . leolas, têm sido curioso atrdctivo de \'isi– tal/tes e mostra do col/ceilllado 'objectil'o didático do 1/0.1'.1'0 museu : n. r. - a «revisltl da armada» feliâltl a direcçúo do ga mm pelo 1'.\'('(' 11'/1/1' (raha/!/() que vem de.h'i/i ·o!t ·el/do. apelai/do para que os seus leilores e amigos se jilçill1/ sócios desltl as– sociaçúo dal/do·lhe maiores possihilidtu/es 1/ti míssúo de ajudara nosso museu . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• navios de guerra estrangeiros em maio findo aportaram ao tejo, em visitas de rotina . o contratorpedeiro egípcio «ei fateh» e os submarinos «es– padnn» (francês) e «delfim» (espanhol). comandados respectivamente pelos capi – tfto-de-fragata m. marzouk e capitftes-te– nentes rarhier e j. lopez. com 410 ofi– ciais. sargentos e praças de guarniçfto. na totalidade . no «ei fateh». em viagem de instru– ;fio. embarcava o comandante da escola naval do egipto, contra-almirante abdcl moty . e )7 cadetes (5 egípçios, 25 ira– quianos e 14 dos emirados arabes uni – dos) . parte dos quais fizeram uma visita ii nossa escola naval. no alfeite . no porto de leixôes estacionaram. de 21 a 2 de maio. para descanso das res– pectivas guarnições. os contratorpedeiros «brilliant» (reino unido) e «richard e . byrd» (eua) e as fragatas «wiclinger» (bélgica). «skeena» (canadú). «rhein– land-pfalz» (r.f. alcmü). dean van brakel, (holanda) e «stavang.:r» (no– ruega) que: com a fragata portuguesa «comandante roberto )vens». compõem a força naval permanente do atlúntico . que sob o comando do comodoro britúni– co bruce richardson. tinham realizado manobras aero-navais na ún:a do canal da mancha. estas unidades embarcavam. na totalidade. 1600 oficiais. sargentos.: pra– ças. •••••••••••••••••••• 27</Page><Page Number="246">travessia de áfrica recordada no g2ea o grupo n." 2 de escolas da armada, no alfcite, associou-se às comemorpções do i." centenário da travessia de africa por hermenegildo càpelo c roberto ivens, através de uma simples mas signifi– cativa cerimónia, durante a qual foi lida uma palestra evocativa pelo respectivo di– rector escolar, capitão-de-fragata rodri– gues da conceição, perante formatura ge-rai da guarnição ti alunos ; . em se&amp;,uida, 9. ,cmaildante da i.\nida:– de, capitão-d,é-mar-e-guerra machatlo da silva, acompanf1do do director da 2." repartiçãq da direcção do servi ço do pessoal, capitãojde-mar-e-guerra faria de carvalho, decerrou uma placa topo– nímica que, a partir de' agora, dará o nome de hermenegildo ç:apelo e rober– to ivens à praça em frcollte à escola de ar– mas submarinas. no final " o batalhão,da unidade desfi– lou e prestou continência à placa . praca herhemeslldo capelo e "icl11i • i&amp;hahulj ie ........ ' ...................................................... conferência sobre a travessia de áfrica no âmbito das comemorações do cen– tenário da travessia de áfrica, a acade– mia de marinha e o instituto de investiga– ção científica tropical realizaram uma sessão no auditóho do instituto superior naval de guerra , à junqueira, no dia 22 de maio ; durante a qual a dr." maria emí– lia madeira matos santos proferiu uma conferência subordinada ao título «cape– io e ivens um fecho europeu para uma tra– dição naciona),. tsukuba expo'85. prevenção do futuro. depois de me referir à visita dos príncipes japoneses á lisboa('), chegou-me às mãos um guia oficial da eposiçãolnternacional, tsuku– ba, japão, 1985, popularizado por "tsukuba expo'85», e a terceira a ser organizada por aquele país - depois da "exp070» (osaka), com o tema "progresso e harmonia para a humanidade», e a "exp075» (okinawa), com o tema "o mar que gostaria de ver», celebrando a resti– tuição à soberania nipónica daque– las ilhas. (') «revista da armada», n.o164/maio85. 28 começarei por esclarecer que a pequena cidade de tsukuba está si– tuada 50 quilómetros a nordeste de tóquio, resultando dum projecto concebido em 1963. é hoje a maior cidade de ciência do mundo, com 54 institutos de pesquisa e ensino - 17 de ciência e engenharia, 16 de ciên– cias biológicas e agricultura, 7 de educaço, 5 de construção civil, etc. - equipados com todas as facilida– des e instrumentos mais sofisticados da actualidade, além do urbanismo apropriado para ali viverem alguns milhares de cientistas cujas tarefas de pesquisa explicam, de certo modo, o milagre japonês apontado para o futuro. faltando-me, como é obvio, con– dições para descrever os deslumbra– mentos que esta expo está a provo– car entre os visitantes, nativos e es– trangeiros, a leitura daquele guia permite-me, pelo menos, dar fé do seu tema: "ambiente e habitação– .o homem e sua casa». folheando esse documento, observei que o príncipe herdeiro do japão, akihito, é o presidente hono– rário da exposição, abrindo o guia com uma mensagem de que faço extracto:</Page><Page Number="247">iajar num satélite de telecomunicações! (no pavilhão da koo - kokusai oenshin oenwa co., lld. -pode qualquer visitante viajar numa das 20 cápsulas que giram em vol– ta duma antena parabólica com 30mde altura. no interior de cada cápsula simulou-se o equi– pamento dum satélite. na parede do pavilhão está implantado um mapa-múndi para dar a ilusão ao viajante de se encontrar na estratosfera. ao acender uma luz vermelha em qualquerponto do mapa, isso significa uma transmissão que o viajante pode receber na sua cápsula e enviá-ia para qual– quer país do diorama - a valer. daí, qualquer visitante poder experimentar as/acilidades e o papel dos actuais satélites de comunicações). é notório o progresso da ciência e da tecnologia do qual beneficia toda a gente. todos sabem como, nos últimos dez ou vinte anos, mu– dou o estilo da vida quotidiana e tudo quanto nos rodeia, contribuindo para a maior felicidade de todos. acrescento que me lembro ainda do discurso de abertura da exposi– ção internacional de bruxelas, em 1958, que tive o privilégio de visitar, em que o rei balduíno dizia: esta ex– posição lembra aos homens o que fi– zeram em comum pelo bem-estar da humanidade e incita-os a continuar seus esforços, de maneira a promo– ver a paz entre os povos e o progres– so social gerador de bem-estar para todos. todavia, o príncipe herdeiro do japão acrescentou, sensatamente, na sua mensagem : não devemos esquecer, porém, que isso tem sido causa de vários problemas - eis um importante avi– so para as novas gerações do japão e de todos os países do mundo, no– meadamente para portugal, no mo– mento histórico que atravessa. ora, que significado pretende atingir a « tsukuba expo'85,,? lendo atentamente aquele guia, este afirma: a exposição marca um passo si– gnificativo para o século xxi, a que chegaremos dentro de 15 anos. o seu objectivo é o de integrar os maio– res avanços científicos e tecnológi– cos da vida dos homens de todo o mundo, encorajando as novas gera– ções a considerar o que está contido na sua mensagem, ou seja, o de con– ,tribuir para o melhqr conhecimento e interdependência das nações. -e ro– busteser o espírito internacional da .moperação. diz mais o guia: apesar do homem existir há 2 mi-ihões de anos, isso é um tempo rela– tivamente curto se o compararmos com os 5 biliões de anos de existên– cia do sistema solar, durante os quais se fizeram dramáticos progres– sos em que a ciência e a tecnologia foram uma força motora na marcha da civilização, particularmente des– de o século xix, em que o despontar da revolução industrial transformo.!! a vida económica e a sociedade, as– sim se tornando realidade, cada um por sua vez, muitos sonhos da hu– manidade. ora, a condição humana define– -se pelo espaço individual e comuni– tário, assim como pelas residências privadas e infra-estruturas públicas que se lhe oferecem e são comuns à sua existência, fazendo das diferen– tes culturas e civilizações 'um verda– deiro caleidoscópio de estilos de vida. daí o tema da exposição reflec– tir o diálogo universal da troca de ex– periências da ciência e tecnologia e a contribuição-dos povos para o enri– quecimento da vida e expansão das respectivas áreas - no espaço, nos oceanos, nos desertos e nas regiões polares - bem como. a interacção dos seres humanos e das máquinas, por meio dos actuais sistemas com– putorizados de informação. para a compreensão deste diálo– go, o guia considera ainda o tema se– gundo dois eixos - um horizontal, nas relações entre o homem, o seu domicílio e o ambiente, como parte dum todo; outro vertical, para avalia– ção da acção e evolução do progres– so científico e tecnológico. assim, conforme o esquema anexo, a expo– sição foi encarada sob nove topicos. em certos casos particulares - observa o guia - no passado, a es– pecialização fez avançar a ciência e a tecnologia. no futuro, porém, a in– vestigação será colaborante e inter– disciplinar e haverá uma nova visão para vencer as dificuldades, pelo que se considera indispensável para a humanidade que, no século xxi, se encoraje a ciência e a tecnologia glo– balmente, sendo intento da expo– sição estimular a imaginação das novas gerações para .estas pers-pecüvas.  servindo-se da heroína imaginá- ., 29</Page><Page Number="248">ia e fantasista de «alice no país das maravilhas» - livro universalmente famoso-, o guia fá-ia desfilar no mundo actual e no futuro figurado da «expo'85», e, para cada çaso, ofe– rece-nos as seguintes notas: cidades e habitações futu/ras - serão os lugares onde o homem deverá viver confortavelmente e em paz. mesmo em arranha-ctus e com os últimos sistemas de telecomuni– cações, nelas deverão abundar os parques verdes, com trinados das aves, para garantir a sajde e bem– -estar. tais cidades deverão estar ap– tas a prevere enfrentar calamidades naturais, como tufões e terramotos. a investigação deve, pois, no futuro, tornarpossíveis essas cidades e am– bientes. biotecnologia (ciência da vida) -investigar os mecanismos da vida - como a decifração do código ge-nético dna. terá um efeito revolu– cionário na vida do homem, uma nova medicina e métodos de trata– mento, como as vacinas e dragas hormonais, com o apoio da agricultu– ra, alimentos químicos, petroquímica eprevenção do cancro. computadores e robôs - o progresso da tecnologia de compu– tadores tem sido tal que, em termos d,e comparação de veículos, a dife– ,;ença entre uma geração de compu– tadores e outra, é a mesma que exis– te entre uma,bicicleta e um comboio– -bala. a quinta geração de computa– dores está a ser alcançada e as pos– sibilidades humanas - da mão, do pé e do olho - estão quase cumpri– das pelos robôs. o futuro dirá como os poderemos utilizar em benefício do bem-estardo homem. evolução dos oceanos - este ano, o japão aguarda um grande avanço com o aprontamento do sub– marino de investigações «shinkai», capaz de operar a 6000 metros de profundidade. considera"se neces– sário fazer progredir duas tecnolo– gias: a extracção do oxigénio das águas do mar e a dessalinização das mesmas águas, para a ealização de cidades submarinas. as herdades marítimas podem ser uma das solu– ções para a actual crise mundial de alimentos. protecção da natureza - opla– neta em que vivemos necessita, ur– gentemente, de tecnologia de pre– servação. o nosso paraíso tem de 30 tema da tsukuba expo'85 homem, domicilio, ambiente homem domicilio ambiente viver habitar participar contemplação 1 vida biológ ica 4 evolução 7 percepção e individual e limitações do ambiente da habitação humano e natural reflectir e melhoria de condições profundamente (20%) (70%) (30%) acção 2 saúde 5 progresso 8 desafio e nova e segurança do modo de ordem usufruir o lar emergente da sociedade experimentar de informação continuamente (20%) (30%) (45%) avaliação 3 talento 6 modo de viver , 9 humanismo e métodos de de acordo e comunidade sobrevivência com o clima, global ; tradições participação calcular e urbanismo no saber significação (20%) (55%) (50%) reportando·se cada pavilhão a mais do que um dos tópicos, a percentagem total pode exceder 100 ser protegido, não só por nós e pelas futuras gerações, mas também pela vida dos animais e das plantas. têm de expandir-se regiões habitáveis para instalar o explosivo crescimento da população mundial, por exemplo, pela pesquisa de chuvas provoca– das, para ·florestação dos desertos. nenhum desenvolvimento com inte– resse para o homem deve destruir o precioso equilíbrio da natureza. desenvolvimento do espaço– os eua e a urss detêm hoje a sua liderança. todavia, ela não tardará a ser uma aventura mundial. estão a ser criados novos materiais e medi– camentos, em ambiente de vazio e semgravidade, que revolucionarão a vida humana. prevêem-se, porém, outras aventuras, além dos satelites de observação da terra e de teleco– municações, que fazem parte do nosso dia a dia. nas futuras explora– ções espaciais incluir-se-ão a utiliza– ção da energia solar, a mineração de recursos lunares, fábricas e colónias espaciais. o futuro que nos reserva o espaço nãn tem limites... assim, devo dizer que não atingi o tom escarnecedor dum magazine alemão (2) a propósito desta exposi– ção, dizendo que o japão estava en– gaianado em superlativos.. . por mim, resta-me a esperança de que a europa recupere depressa da sua marginalização. o comissário-geral da «tsuku– ba expo'85» declara no guia que a ela se associaram mais de 80 países e organizações. dos 47 países re– presentados - além de 37 organiza– ções nacionais e internacionais - só os «grandes» e «ricos» dispõem de pavilhões separados, estando os restantes agrupados por nações - portugal com o brasil , uruguai, cos– ta rica e beli:t;e - tendo a exposi– ção, por complemento mais especta– cular, os pavilhões do governo e das empresas domésticas e comerciais nipónicas. com o subtítulo não oficial «por– tugal-japão : passado e futurà», o (2) " diário de notícias" de 6-4-85 (exclu– sivo do " der spiegel,,).</Page><Page Number="249">osso país mereceu no guia uma fo– lha, com alusões que passo a resu– mir : portugal foi o primeiro país a in– troduzir a cultura e produtos euro– peus, incluindo as armas de fogo, no japão (. ..). cerca de uma centena de anos testemunham consideráveis actividades, religiosa, cultural e co-mercial entre os dois países, até o japão se isolar, no século xvi/. con– tudo, em meados de oitocentos, fo– ram retomadas essa relações ami– gáveis, e, ainda hoje, se mantêm na língua japonesa palavras portugue– sas que evidenciam a forte influência de portugal. wenceslau de moraes, escritor que viveu e morreu no ja-pão, teve papel predominante no progressivo entendimento entre os dois países. a «revista da armada» honra-se de ter dado sçbejós testemunhos das anteriores afirmações. viriato tadeu, cap.-tragoémq as riquezas desconhecidas dos oceanos mais de 200 mil espécies de animais e plantas, habitan– tes dos oceanos, são desconhecidos do homem. no entan– to, o seu estudo encontra-se ainda numa fase bastante primária. o laboratório do instituto de pesca e oceanoggrafia da urss, que se dedica à investigação da fauna e da flora ma– rítima, segundo um trabalho divulgado pela novosti, tem realizado descobertas fantásticas , particularmente no que respeita à existência de substâncias biológicas activas em animais e plantas marinhas. os cientistas conseguiram, por exemplo, um sérum a partir de determinados caranguejos, que simplifica conside– ravelmente a preparação de medicamentos. estes animais, com cerca de dois quilos, que habitam as costas da américa e do extremo oriente soviético, possuem no seu plasma sanguíneo iãos de cobre em vez de iãos ferrosos. este ca– pricho da evolução resultou num benefício enorme para a humanidade . antes de serem postos à venda, todos os medicamentos são purificados, inclusivamente de proteínas estranhas que, uma vez no organismo, podem provocar uma reacção inflamatória ou mesmo um choque de temperatura. daqui a necessidade de controlo, ainda que a tecnologia seja per– feita . habitualmente testam-se em coelhos, sendo necessá– rios cinco dias por lote. o sérum do «caranguejo aristocra– ta» permite reduzir esta operação a alguns segundos. uma gota de sérum de caranguejo adicionada ao medicamento permite indicar, através de uma simples mudança de cor , se existe alguma proteína estranha. um verdadeiro tesouro num saco no japão, o peixe-cofre (o fugu) é considerado como uma iguaria. mas a preparação destes pequenos peixes é reservada aos cozinheiros mais habilidosos, devido aos ris– cos de envenenamento. no entanto, segundo apontamen- . tos antigos , os medicamentos obtidos a partir do fugu trata– ram numerosos doentes com dores terríveis , ajudando-os a restabelecerem-se rapidamente . conforme se verificou agora, este peixe tem concentra– do tetrodontoxina, veneno violento, mas remédio insubsti– tuível. nalguns países ele é fabricado industrialmente, po– rém, um quilograma custa dois milhões de dólares! a partir do fígado do fugu , o instituto de oceanografia elaborou um método industrial para obtenção da tetrodonto– xi na. compreende-se o sentido destes trabalhos se for tido em conta que cerca de 40 espécies de habitantes do pacífi– co e do í"ndico são portadores desta substância biologica– mente activa. a utilização complexa de hidrobiontes (plantas e ani– mais oceânicos) , permite obter uma massa de produção complementar sob a forma de composições químicas e pre– parados preciosos. - vejamos, por exemplo, os tubarões . curiosamente, numerosas espécie! de tubarões ignoram o cal')cro. verifi– cou-se, mesmo, que é impossível provocá-lo.,as suas célu  las segregam combinações químicas do tlpo "celones»que não só travam o desenvolvimento dos tumores, como .po– dem fazê-los recuar . infelizmente, ' a composição destas combinações não se encontra por enquanto esclarecida. mas, os cientistas esforçam-sedá, por criar nesta base, pre– parações anticancro. os especialistas do labora:tório contam coisas extraordi– nárias sobre a vitalidade surpreendente dos tubarões . - às vezes tenho a impressão, diz ajgyíkhine, chefe do laboratório, que a natureza codificou a sua sqbedoria secu– lar nestes organimos antiquíssimos, conpervillndo-se até ao momento em que o homem a possa decifra,r. mas, em vez de gaguejar, já é tempo de ler correntmente! rode ser que habitantes também antigos do planeta como as medusas, os equinodermes, os .,c0rál s; os fungos e as algas nos aju– demnisso... os prados submersíveis de neptuno as algas de cor ocre do mar negro contêm um verdadei– ro elixir de crescimento que tanta falta faz às plantas terres– tres . trata-se de "phytohormonas». graças a elas é possí– vel fazer florir certas culturas, como o ananás e os moran– gos, em condições de um dia solar mais pequeno. daqui , a possibilidade de as plantar mais a norte. outras «phyto– hormonas» impedem o desenvolvimento de sementes nos frutos . uma vez, no verão, procedeu-se na região de samar– canda a uma experiência de aceleração do crescimento de plantas através de «gibberellina». algumas gotas são sufi– cientes para matar a sede solar da videira durante um dia. a cepa cresceu rapidamente . mas não era possível borrifar a planta só com este preparado. o homem não precisa de culturas altas, mas de frutos grandes. por isso, os viniculto– res decidiram enrolar nos cachos um emplasto com algu– mas gotas de «gibberellina». no outono, pesavam de 3 a 4 quilos cada um. e a experiência não é senão um dos muitos exemplos do poder surpreendente das " phytohormonas ». elas po– dem obrigar os tubérculos a desenvolverem-se , sem com isso modificarem a ramagem ou reduzirem o número de flo– res das árvores frutíferas . elas ornam também os caules dos cereais mais resistentes à chuva e ao vento. a sua ampla aplicação encontra-se ainda travada pela dificuldade da sua síntese. no entanto, estas substâncias existem na natureza, nas plantas marítimas e nas algas. .a extracção destas combinações é mais simples do que a sua obtenção por meios químicos ou microbiológicos . estes são apenas alguns exemplos das enormes rique– zas oceânicas que só agora começam a ser conhecidas pe– los cientistas. talvez que num futuro próximo, e os investi– gadores apostam nisso, possamos beneficiar mais das van– tagens que a natureza coloca ao nosso dispor. 31</Page><Page Number="250">cantinho charadístico. depois de explicarmos todas as espécies de charadas, vamos agora falar de uma espécie recentemente aparecida nos meios charad fsticos. trata-se da charada hipertética. a sua construção e decifração, que são simples, baseiam-se unicamen– te na deslocação de uma letra na mesma palavra, formando portanto uma nova palavra. para a construção escoll)e-se uma palavra na qual se possa deslo– car uma letra para formar nova pala– vra, e com os seus sinónimos ou lo– cuções equivalentes constrói-se a frase (charada) ou o verso. vejamos a palavra amar. se lhe deslocarmos a 4.a letra (r) para o se– gundo lugar, encontramos a palavra arma. procurando os sinónimos destas palavras que nos conve– nham, formamos a frase . assim : para a palavra amar escolhemos o sinónimo respeitar e para arma o sinónimo força. com estas pala– vras construímos a frase (charada) seguinte: respeitar o seu semelhan– te é, para o homem bem formado , a maior força. 4 (4/2). os números no fim da frase (cha– rada) indicam: o primeiro, que está fora de parêntesis, o número de le– tras de cada uma das duas palavras que são os sinónimos das parciais da charada ; os que estão dentro, o pri · meiro indica o número da letra a des– locar e o segundo a posição que essa letra vai ocupar na nova palavra quando ocorre a decifração que, na– turalmente, se processa de modo in– verso ao da construção. assim, para se decifrar a charada indicada, procura-se um sinónimo da palavra respeitar com 4 letras, pala– vra essa que, se lhe deslocarmos a 4. a letra para o 2. 0 lugar, dê um sinó– nimo da palavra força. naturalmente que essa palavra é amar. indica-se a solução assim: amar/arma. exercícios : 1) a bebedeira é um mau fer-32 mento que apenas causa sofrimento. 5 (3/5) . 2) medita o homem nas suas bravuras que às, vezes lhe trazem amarguras. · 5 (4/5) . 3) nobre é o indivíduo que para todos é cavalheiro. 2-2 (adic.). 4) a mentira é maldade sem par que prolifera em todo o lugar. 3-2 (afer.) . 5) quando é moderno o sobe– rano, também será diferente a sua norma de proceder. 141ts. (aforist.). 6) valentão de pele dura, tam-bém sofre a sua descom– postura. 3-2 (apoc.). 7) o diabo faz sempre convite para que o homem apanhe a bebedeira. (em terno) . 8) embeleza seus trabalhos com aptidão, quem para tal tem retribuição. 2-2 (en– cad.) . 9) é natural que um bom cha– radista não seja ignorante. 6 (-3,5)4. 10) o nascimento é o primeiro acto de uma vida da qual a morte é o último passo. 4 ( 1) 5. 18) o resíduo de uma bebedeira de vulto é quase sempre o tumulto. 2-3 (sint.). mindogues •••••••••••••••••••• * brídege oeste .– .r2 • v87 9 stll .84 .0 :a93 o trunfo é espadas. sul começa e faz todas as vazas . •••••••••••••••••••• * concurso n,o 166 (sorteio de um prémio entre as respostas cerlas) 1 2 3 4 15 8 1 8 • • • • • • • • • • • • • • • ç l • • • t • • • o • • • r • • v • • ú • r • • • 11) o dinheiro é amigo incerto e 9 • • • o • • • quem o tem é esperto. 2-3 10 (epent.) . • • n • • 12) diminui na comida seu qui– nhão, o homem que a saúde lhe impõe restrição. 3-2 (4) (haplol.) . 13) a mentira é uma forma de traição que pode destruir uma geração. 2-2 (inertc.). 14) é obrigação basilar a malda– de embargar. 5 (3) (me– tam.) . 15) um erro grande do homem que às vezes lhe traz maze– la, é ser tagarela. 3-2 (pa– rag .). 16) a elegância é sol de pouca dura que às vezes traz des– ventura. 2-3 (prot.). 17) a amizade é fonte de alegria que pouca gente avalia. 3-2 (sinc.). 11 u complete os espaços em branco com as letras necessárias para for– mar os apelidos de onze oficiais da armada que escreveram uma das seguintes obras ou artigos : «o por– ta-aviões rei dos mares», «no mar» , «a primeira li sta da armàda", «contos do camarô», «angola», «revolução ou evolução económi– ca?», «arte naval moderna», «os portugueses e o mar das índias - da índia antiga e sua história», «re– gresso da estação», «génese e evolução do património naval » e «mar, além-mar. estudos e ensaios de história e geografia». (solução no n. 0168) m. horta, sarg.-aj. l</Page><Page Number="251">damas problema de josé anselmo trabuco - évora jogam as brancas e ganham. •••••••••••••••••••• * palavras cruzadas horizontais: 1 - que tem os dedos direitos. 2 - capital da arábia saudita; segundo califa islâmico. 3 - bem comportado (fig.) . 4 - sím– bolo químico do ouro (inv.); ave tre-padora; nota musical. 5 - eiró; dama de companhia; rio da frança, afluente do garona. 6 - diz-se do animal que tem dez dedos ou do pei– xe que tem dez espinhas em cada barbatana. 7 - eia; ice; anuência. 8 - igual (farm.); perder o juízo (fig.); contracção da preposição e artigo (inv.). 9 - misturei. 10 - fêmea do cavalo; mamífero roedor. 11 -imita– ção do canto das aves. verticais : 1 - semelhante à orquídea. 2 - graceja; liça; grama (abrev.). 3 - três letras de tarde; ioga da glória; despida (inv.). 4 - poeta (inv.); gostai muito. 5 - cres-– cera. 6 - relativo a arraial. 7 - gé– nero de plantas monocotiledóneas cujo tipo é o jarro. 8 - tem de todo; porco. 9 - que está no lugar mais fundo; medida chinesa (pl.); átomo carregado de electricidade positiva ou negativa. 10 - nota musical; as– sento régio ; graceja. 11 - afeição mórbida ou exagerada pelas aves. marconipto * xadrez problema, figurativo (letra pj, médito, de ar– mando romão (feijó), em memóri? do ex– -campeão mundial tigran petrosian; falecido em 1984. mate em 3 lances. tempo médio ' de resolução: 1. "5 categorias : 2 minutos 2."5 categorias: 5 minutos 3."5 categorias : 11 minutos iniciados: 23 minutos. ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• * àperspectiva do leitor 13 ir a- algum dos dois desenhos ou número da ilustração lhe provoca um sentimento de medo ou terror? se respondeu sim, quantos deles? 1, 2, 3, nenhum. 1) se entorno sal, isso trar-me– -á má sorte. simnão 2) se entorno sal, posso evitar o mal atirando uma pitada para trás das costas por cima do ombro esquerdo. sim não 3) se cruzo os dedos ou faço «figas», estou mais em se– gurança do que se não o fi– zer.simnão 4) se cruzar os dedos, consigo o meu desejo. simnão 5) se um gato preto atravessa o meu caminho, vou ter um azar. sim não 6) levo sempre arroz aos ca– samentos para atirar aos noivos. simnão 7) para ter boa sorte, a noiva deve cortar a primeira fatia do bolo de noiva com a mão do noivo por cima e segu– rando a dela. sim não 8) quando o noivo leva a noiva ao colo através da porta de entrada, o casamento será feliz. sim não 9) bato em mãdeira quando quero ter sorte ou afastar o azar. sim não 10) se parto um espelho, vou ter sete ános de azar. sim não 11) trago comigo um pé de coe– lho para me dar sorte. sim não 12) 13) sou extremamente cuidado– so se o dia 13 calha a uma sexta-feira. sim não em circunstância nunhuma ofereceria a qualquer pes– soa amiga facas, navalhas ou ,qualquer outro objecto que tenha gume. sim não análise e classificação marque 1 ponto por cada símbolo que lhe provocou medo na questão a, e 1 ponto por cada sim a cada uma das 13 afirmações. 0-3: você não é supersticioso, mas tem alguns hábitos derivados de antigas crenças. .o cumprimento de algumas superstições tornou-se par– te da boa educação (tal como não sentar 13 pessoas à mesa, não acender 3 cigarros com a mesma chama, etc.) . 4-7: você ri-se das superstições em público, mas no íntimo dá crédito a algumas. não se sentiria bem se fi– casse no quarto n. o 13, num hotel. 8-11: você é vítima de muitas crendices infundadas que tolhem a sua liberdade de movimentos. em muitos casos, o esclarecimento das superstições acaba com o medo. 12-16: você é terrivelmente su– persticioso. deve ter muito mais su– perstições ainda do que aquelas que são mencionadas neste teste. você desafia o conhecimento actual e a sua vida é prejudicada com isso. explicação porque as origens das supersti– ções nos chegaram através dos 33</Page><Page Number="252">éculos, pode ser que tenha ouvido outras explicações. as que damos a seguir são as mais vulgarmente aceites. 1) o sal foi sempre considera– do precioso e, como tal, atribuíam-se-ihe qualidades mágicas. desperdiçar sal era por isso considerado um prenúncio de futuros males. partilhar o sal de alguém e trair esse alguém era consi– derado o pior dos pecados. na "última ceia», de leo– nardo da vinci, judas é re– tratado derrubando o sa– leiro. 2) atirar o sal derramado por cima do ombro esquerdo vem da antiga crença de que os espíritos do mal se reu– niam atrás das pessoas. ati– rar o sal era suposto afas– tá-ias. 3) cruzaros dedos ou fazer "fi– gas» é um símbolo da cruz, que foi sempre considerado afastaro mal. 4) cruzar os dedos designa também o símbolo das ân– coras cruzadas, que man– têm preso um desejo até po– der ser realizado. soluçoes "* cantinho charadístico 1 - perna/penar. 2 - pensa/ ipenas. 3 - gentil-homem. 4 -inzo– na. 5 - novo rei nova lei. 6 - che– gador. 7 - caneta/negaça/taçada. 8 - ordenado. 9 - lógico. 10- por– to. 11 - marreco. 12 - moderação. 13 -parentela. 14 - deverlt. 15-gralhador. 16 - desgraça. 17 - es– tima. 18 - estropelia (restopiela) . "* palavras cruzadas horizontais: 1 - ortodactilo. 2 - riad; omar. 3 - regrado. 4-ua; arara ; si. 5 - iro; aia; lot. 34 ó) a superstição dos gatos pre– tos vem da mitologia nórdi– ca. frigga, uma bruxa mali– gna, tinha menos poder do que norse e os cristãos teu– tónicos, mas conseguiu fugir deles num carro puxado por dois gatos pretos. 6) atirar arroz era a maneira chinesa de desejar a um casal prósperidades e ferti– lidade. 7) os primeiros bolos de noiva, muito duros, eram partidos na cabeça das noivas, e os convidados lutavam para apanhar os pedaços consi– derados símbolos de boa sorte. o noivo põe a mão so– bre a da noiva em sinal de ajuda eprotecção. 8) os antigos romanos popula– rizaram o costume de levar as noivas ao colo através da porta de entrada, para evitar que tropeçassem e caís– sem, o que, no dia do casa– mento, era considerado de mau agoiro. 9) os druidas ingleses são os responsáveis pelo costume de bater na madeira para afungentar o mal e cumprir um desejo. acreditavam que 6 - decaaactilo . 7 - ena; ele; sim. 8 - aa; arear; oa. 9 - amassei. 10 - égua; cori. 11 - ornitofonia. verticais: 1 - orquideaceo. 2 - ri ; arena; gr. 3 - tar ; oca; aun. 4 - odear; amai. 5 - gradara. 6 - arraialesco. 7-araceas. 8- toda ; reco . 9 -imo; lis; ion. 10- la ; solio; ri. 11 - ornitomania. •••••••••••••••••••• "* brídege sul entra no morto com o a de co– pas (oeste joga baixo) e joga o 5 de espadas do morto, jogando por baixo da mão. volta à mão com o a de ou– ros e joga a seguir o 8 de espadas. oeste fica num dilema : se descarta ouros, sul descarta do morto a se– gunda honra de ouros; se descarta copas ou paus, sul conserva no mor– to a carta apurada. •••••••••••••••••••• os deuses habitavam nas árvores e os auxiliariam se os chamassem. 10) os homens primitivos rara– mente viam a própria ima– gem, a não ser reflectida em águas paradas. ·· acredita– vam estar a ver as próprias almas e que, se o reflexo fosse perturbado, as suas almas seriammortas. 11) os antigos acreditavam que os coelhos possuíam pode– res mágicos, talvez pela sua velocidade e vivacidade. 12) é geralmente acreditado que o número 13 tem pode– res malignos. por outro lado, jesus foi crucificado numa sexta-feira. quando a sexta– -feira e o dia 13 estão juntos, acreditava-se que o dia era duplamente perigoso. 13) presentes com gumes, tais como tesouras ou facas, eram considerados indese– jáveis porque as lâminas cortariam o laço da ami– zade. •••••••••••••••••••• "* damas brancas 8-12 7-12 3-12 pretas 15-8 16-7 8-4 12-8 e ganham. •••••••••••••••••••• "* xadrez 1.da4! ,e2 2.dxd2 ,rd3 3.dxd2  xeque mate. •••••••••••••••••••• "* concurso n,o 164 mozart . strauss . bizet. chopin. rossini. borodine. verdi. schubert . auber. bach . vencedor : 1 -sarg . ap antónio marques lopes , nrp «alm. gago coutinho».</Page><Page Number="253">s desenhos do almirante braz de oliveira(15) nau do industão -_ com a reprodução desta embarcação, concluímos a publicação dos magníficos desenhos do alm. braz de oliveira. da sua obra , «os navios da descoberta» , não se faz qualquer referência a ela. na «advertência» deste livro pode ler-se: na presente reim– pressão (. . .), em edição limitada a 500 exemplares, (. .. ) nela sai, pela primeira vez, o texto da conferência acompanhada pelos 15 desenhos à pena traçados pelo conferente epqr ela intercalados em exemplar único (. . .). m . horta, sarg. -aj . l</Page><Page Number="254">s nossos navios e os seus nomes fragata «comandante hermenegildo capelo» construída nos estaleiros ateliers e t chantiers de bre– tagne - compagniedes ateliers e t forges de la loire , nan– tes, frança. foi 51ume ntada ao efectivo da armada em 26 de abril de 196b. e a segunda , duma série de qu atro , da cl asse «comandante joão belo». é um escoltador oceâ nico. de 2230 ton ode deslocamento máx imo e mede 102 ,rom de comprimento, 11 ,60m de boca e 4.42 m de ca lado máx imo; altura do mastro: 24 ,som . o se u aparelho motor é constituído por 4 motores diesel de cerca de 20000 hp , acop lados a 2 linhas de veios (2 héli – ces) . q ue permitem uma ve loc idade máxima de 26.1 nós. au– tonomia a ii nós: 11 650 milhas. o sist ema e lectrogé neo é compos to por 4 grupos mgo. possui duas instalações de ar condicionado. . estáarmada com 3 torres simples de peças de 100mm de tiro antlaé reo/sperfície e contra-costa; 2 reparos simpl es de 40mm antlaereos; 2 reparos triplos de lança-torpedos e i morteiro quádruplo de 305 mm . para combate anti – -submarino . o seu eq uipamento principal é o seguinte: sonares de p:squlsa e de ataque; radares de av iso de superfície, de aviso aereo . de tiro e de navegação; sonda ; odómetro; lora n ; ra– d iogoniómetro; transmissoreslreceptores vários; sistemas passivo de guerra e lectrón ica e de protecção contra guerra nuclear. nesta última situação . o poder ofensivo do navio pode se r mantido com todo o pessoa l no seu interior , pois que as torres de ioomm . os tubos lança-torpedos e o mortei– ro passam a ser comandados automaticamente. este tipo de fragata está preparada para receber a bordo um helicóptero e transportar uma força de desembarque . a sua guarn'ição é constituída por 14 oficiais , 29 sargentos e 154 praças. patrono: vice-almirante hermenegildo carlos de brito capelo nasce u no castelo de palmela em 4-2-1841. irmão de ou– tros distintos oficiais da armada - joão e guilherme - hermenegildo cape lo assentou praça na marinha em 1855 : termlllando o seu curso em ibs9. tendo atingido o posto de vlce-a lmirélllte. o se u primeiro embarq ue foi na corve ta «es– tefânia », que em 1860 com a «barto lome u dias», comanda– da pelo príncipe o. luís - mais tarde, o.luísl, o rei mari– nheiro -, tomaram parte na campanha do oembe , ango la. as corveta «pedro nunes». escuna «cabo verde», fragata «o . feranndoll e glória», corvetas «sá da bandeira» e «o.joãol », canhoneira «tejo», tra nspo rt e «áfrica » e cou– raçado «vasco da gama » . foréim as unidades nava is o nde emba rcou. foram 17 a nos de vida de ma r , em águas de cabo verde. g uin é . angola. moçambique e macau , find os os quais, no posto de capitão-tenente , inicia , em ib77. a sua vo– cação de exp lorador das terras afri canas. nes te ano e até irro . com roberto ive ns e serpa pinto-este separa-se para tentar a travessia à costa orie nt a l -parte de benguela e per– corre as terras de laca. tendo conh ecido regiões até e ntáo inexploradas. regressando depois a portugal. em lisbosa est uda e orga ni za juntamente com roberto ivens uma segunda viagem que tinha por objectivo a ii gaçáo de ango la a moçambique. em abri l de ibb4 partem estes dois oficiais da armada de moçãmedes, e após a exp loração do planalto d a huíla , vão até humbe . junto ao cunene. e seguem depois pela handa até ao rio cubango. q ue atingem a ii de julho; camin ham depois para' leste. até ao zambeze. que exploram. e descobrem o cabompo. um dos principais afluentes daquele ; chegam às terras da garaganja em outu– bro. o luapu la é a tingido em fevereiro de rs; o zumbo é visto em maio. cam inh am agora em direcção ao mar, ao lon– go do zambeze . e depois de atingirem o tete chegam a que– i\mane a 2 1c) de junho. concluída estava a travess ia de africa. que ficou gravada na nossa história com o nome «de ango la à contra-costa». tinham percorridos rmil quilóme– tros; dos 124 homens que a iniciaram morreram ou desapare– ceram 6b. depois foi o regresso triunfante a lisboa. onde chegaram a 15 desetembro e receberam as devidas home nagens. ca– peio toi condecorado com a grã-cruz da ordem militar de sant'iago da espada. posteriormente foi vice-presidente do instituto ultrama– rino e ajudante de campo dos reis o . luís e o. ca rl os e chefe da casa militar de o. manuelll. à data do seu fa lecimento, que ocorreu em 4-5-1 917 era sócio correspondente da academ ia das ciências de liboa e voga l da academia de ciências de portugal. m. horta, sarg.-aj. l c') erradall1ellle. /1'11/ sido apol/llido o dia 26 coii/o o da chegada a q uelimal/e ivide. i/es/e liiime/'(). o artigo "a tra vessia de ií.ji·ica por ca– pe/o e / vem ,, ). des/a mal/eira /all1hém jica rectijicada a dara de 22 de ju– nho eirada 1/0 artigo" li// ima /o de / 890" i " ra " 1/." /56 /se/. d(84).</Page><Page Number="255">carreiras de sargentos epraças novo sistema . de instrução (pág.16) n 167 / agosto 1985 / ano xv / mensário 3000 revista da armada</Page><Page Number="256">umá • rio m -do vale nota de abertura m horta notícias pessoais c. moreira antologia do mar e dos marinheiros m curado filatelia s. braga 'iistórias de marinheiros s. elpídio terminologia naval vozdaabita d. berreiros aquilo que a gente não esquece (11 ) s. ceregeiro carreiras de sargentos e praças - novo sistema de instrução m de almeida educação física m horta numismática e medalhística ,vi. horta reportagem c. moreira pedras que falam f. de matos o raio verde quarto de folga s. machado fotografias antigas, inéditas ou curiosas livro das armadas revista da armada publicação oficial da marinha director e editor: caim. antónio rocha calhorda • ,; :- "iii_-· .. •  9-*-'s' porte pago consultor da comissão de redacção: c'alm. antónio jú lio malheiro do vale corpo redactoiial: cap.-m.-g. an fernando augusto smith elpídio capelão graduado em cap.-frag. oe lmar da si lva gomes barreiros cap .-ten. manuel maria de meneses pinto machado sarg .-aj. l manuel da conceição horta orientação gráfica : hernân i lopes publicação mensal propriedade da marinha redacção e administração: edifício da a. c. marinha 1188 lisboa codex telefone: 36 89 61 n.o 167/agosto 1985/ano xv preço de venda avu lso 3000 assinaturas anuais: continente e ilhas 30000 estrangeiro (mais portes de correio) 30000 vi a aérea - apreço da assinatura será acrescido da respectiva taxa de porte por avião. pág. 3 4 6 9 10 11 12 14 16 20 21 22 30 31 32 verso da contracapa contracapa na capa : embarque de um torpedo num submarino: (foto do gabinete de desenho e fotogmfia do estado·maior da armada) . tiragem: 9000 exemplares distribuição: agência portuguesa de revistas execuçãográf ica: instituto hidrográfico dep . legal n .o 21 10 183</Page><Page Number="257">ota deabertura 50 anos de serviço esta nota é dedicada e presta homenagem à massa anónima dos que assentando praça na armada lhe dedicam inteiramente as suas vidas, servindo-a ... só a ela. d e vez em quando leio nos jornais nqtícia de ter sido prestada homenagem a funcioná– rios que completaram 50 anos de serviço a determinada empresa ou organização, o que pres– supõe ser fenómeno raro e digno de registo . salvo o devido respeito, o caso faz-me sorrir face à constatação do que se passa na marinha, que tem muita gente nessas condições. na sala das estrelas, por exemplo, como chamam à que existe na messe de oficiais destinada aos almiran– tes, não há nenhum dos reformados que ali almoça que não tenha esses cinquenta ou mais anos de serviço efectivo. e se contássemos a alguns as percentagens por serviço em campanha, nos sub– marinos, na aviação naval, nos mergulhadores, etc., iríamos encontrar certamente alguns com quase tantos anos de serviço comode idade! e ne– nhum teve, que eu saiba, festa de homenagem ou notícia nos jornais. tudo se passou em família, com louvor e condecoraç'ão, com uma das coisas só, ou sem nenhuma. o que foi dito sugere-me algumas considera– ções acerca da enorme diferença de significado entre a reforma dos trabalhadores civis (*) e a dos marinheiros. quanto aos primeiros, e tanto quan– to me tem sido dado observar, a reforma, ou apo– sentação, é uma meta que se atinge com certo pra– zer. deixar de trabalhar ou dedicar-se a qualquer actividade de que se oste ou dê lucro; não ter (*) falamos apenas da parte moral da questão, mas não queremos deixar de referir, ainda que ao de leve, o que se pas' sa na parte material. neste aspecto, sabe·se que alguns traba– lhadores privilegiados, de certas empresas públicas e priva– das, ao passarem à reforma ficam com os mesmos vencimentos dos seus colegas ao serviço - não vale a pena dar exemplos porque são muitos. ao contrário, os marinheiros, bem como os outros m ilitares, militarizados, funcionários públicos e alguns mais, quando passam à reforma ou aposentação vêem os seus vencimentos degradar-se ano a ano, chegando-se a situações verdadeiramente absurdas. embora nem só de pão viva o ho– mem, isto também dói. . . mais de cumprir horários, nem aturar as rabugices de chefes, parceiros ou subordinados ... represen– ta uma boa compensação para o amargo da idade e duma vida de trabalho. mas, na marinha tudo é diferente. sobretudo para aqueles que nunca foram senão mari..'lheiros , a passagem à reforma atinge proporções de catás– trofe. sentem-se completamente vazios e deso– rientados, sem saber como hão-de matar o tempo. coleccionar medalhas, selos, ou porta-chaves, fa– zer as compras diárias para a casa, ajudar a mu– lher nos trabalhos domésticos, passear nos jar– dins públicos, levar o cão à rua, ou ir ver as mon– tras na baixa.. . nada disso compensa o abandono do mar, dos navios e de tu.do quanto lhes está ligado. para os marinheiros, que dormiram embalados pelas vagas, entre lençóis azuis de céu e água, que navegaram nos sete mares e desembarcaram em todos os continentes , que conviveram com gente de todas as raças e de todos os credos, que viram o mar em fúria, aprendendo a respeitá-lo e a domi– ná-lo, que contemplaram as estrelas no mar a lto e em plena treva, que suportaram a incomodidade da vida de bordo, que correram perigo de encalhe, incêndio e até de naufrágio... pôr ponto final em tudo isso, de repente, não é bem a mesma coisa que um médico deixar o consultório, um juiz o tri– bunal, um operário a fábrica ... digam o que disse- . rem, é muito diferente! se querem provas, lembro-lhes algumas das coisas já fali'ldas nesta revista: aquele ex-marinheiro que encontrei a traba– lhar no campo e que, depois de desfiar o seu rosá– rio de saudades da marinha, apontou para um campo de centeio que a brisa fazia ondular, per– guntando: não é tal e qual o mar?! e aquele outro que, deslocando-se numa motoreta, pela marginal do rio douro, vendo um navio de guerré' a sair a barra, se ficou a olhar para ele com os olhos rasos de água, até desaparecer no horizonte. e ainda aquele sargento reformado a quem já não serviam as fardas e mandou fazer uma nova, de propósito, para levar na sua última viagem... ser marinheiro, acreditem os que o não são, é muito diferente de ser outra coisa qualquer. é ter nos olhos a cor do céu e no coração a imagem do mar e de tudo que ele lhe deu - bom e mau. .,?(- d.-p t/ cl alm. 3</Page><Page Number="258">otícias pesso • em destaque no dia i do passado mês de ju– nho, a população de s. jacinto pres– tou homenagem a um médico da ma– rinha , dando o seu nome a uma das novas artérias da localidade. na placa toponímica descerrada, consta a se– guinte inscrição: «rua dr. ginja brandão - médico da aviação na– val e do povo de s.jacinto , de 1931 a 1951». foi uma homenagem diferente das que são prestadas por entidades oficiais - frias e protocolares - por– que nasceu no sentimento do povo , encontrou o dinamismo de gilberto nunes para lhe dar expressão e teve eco no entusiasmo do presidente da autarquia local, celestino alberto dos santos antunes , que a concreti– zou com o acordo unânime da junta e da assembleia de freguesia. é que , na memória dos habitantes dessa época difícil , na sua maioria pescadores de fracos recursos , com uma assistência médica mais que pre– cária, está ainda bem viva a acção ge– nerosamente desenvolvida pelo dr. ginja brandão , o benemérito e o amigo que a toda a hora lhes acudia com o seu saber, a sua bondade e um empenhamento levado até ao sacrifí– cio. as vidas que salvou, os padeci– me ntos que minorou e o conforto mo– rai que lhes dispensou , não só não es– tavam esquecidos pelos inúmeros be– neficiados, como íam sendo transmi– tidos , por tradição, aos elementos mais jovens da população. todo o povo aderiu, de uma for– ma ou de outra, com destaque para os contemporàneos do homenageado e muito especia lmente para as mães de família daqueles tempos. estavam lá os escuteiros, com a sua bateira engalanada, estava a ban– da do senhor de álamo e viam-se muitas crianças de fafo à marllja, mui– to povo e montes de flores! na base da placa toponímica a inaugurar via-se uma bandeira nacio– nal enorme, primorosamente feita de pétalas com as cores adequadas. e, para garantir a sua frescura natural. 4 varias senhoras perderam a noite a dispô-ias e prepará-ias para a cerimó– nia . adquirida por quotização entre a população de s. jacinto, uma bonita salva de prata foi oferecida ao home– nageado como testemunho de reco– nhecimento e gratidão. o dr. ginja brandão chegou ao local acompanhado de sua mulher , fi– lho , genro, nora e alguns netos, sen– do acolhido com grandes ovações, abraços e beijos e coberto de flores que lhe lançaram mãos de crianças. a banda mal se ouvia, bem como o es– tralejar dos foguetes. numa tribuna primorosamente enfeitada usou então da palavra o dr. vale guimarães, membro da admi– nistração dos estaleiros de s. jacinto e antigo governador civil de aveiro, proferindo um vibrante discurdo , apropriado ús circunstàncias , ouvido com interesse e justamente aplaudi– do. o homenageado respondeu com breves palavras. no esti lo modesto e humano que lhe é peculiar. seguiu-se um almoço a que assis– tiram entre muitos outros, o capitão do porto de aveiro - filho do home– nageado - e muitos elementos do grupo dos antigos elementos da aviação naval. alguns idos de bem longe ... representavam os ausentes deste grupo o almirante ferrer caei– ro e o eng." aer. major moreirc. campos. em ambiente de sã camara– dagem. o dr. ginja brandão viu-se mais uma vez envolvido de carinho e foram recordados episódios vividos na antiga aviação naval que, afinal, reuniu ali todos os presentes . quem é o homenageado: luís mendes monteiro ginja brandão , nasceu em lagos da beira ; concelho de oliveira do hospital em 27 de fe– vereiro de 1902. assentou praça como 2."-tenente médico naval em maio de 1927. durante a sua carreira na armada embarcou em muitos navios e fez ser– viço em terra , nomeadamente no hospital da marinha , por várias ve– zes, e na escola de aviação naval «almirante .gago coutinho», em s.jacinto, aveiro . nesta última si– tuação esteve também em diversos períodos, num total de 20 anos. e gostou tanto dos aviões que aprendeu a voar , chegando a ser largado , em– bora não oficialmente . frequentou o curso de naval me– dicai management na us naval me– dicai school, em bethesda, em 1961, e o curso superior naval de guerra, também em 61 , ficando ali (isng) professor até 65. ainda no mesmo ano ficou habilitado com o curso ato– mic medicine, tirado por correspon– dência no national naval medical center. em bethesda, maryland. pa– sou ii situaçiio de reserva em feverei– ro de 65 e ú reforma em maio de n. reside actualmente em pocariça, cantanhede , e tem três filhos (dois na marinha e um advogado), curiosa– mente todos luíses (luís guilherme , luís antónio e luís manuel) e duas filhas, uma maria luísa e a outra ... maria isabel (a provar que de facto não há regra sem excepção!). (("0111 a co/aho/"{/\'úo do ,-ia/iii. ferra caeiro) n. r. - a " re"is/a da armada" . sempre a/el//({ a/lido qlle represei//({ prestígio para ii ('olpo/"u,'úo, associ({-se de (/11110 (' corll\,ú()' ({ es/({ jlls/({ holllel/agem. desejando ao a/m. gil/ja br{//u/ún lii/1i/os ai/os de i'ida e m/liras fe· licidades.</Page><Page Number="259">********** casamentos temos o prazer de anunciar o ma– trimónio dos seguintes camaradas, aos quais desejamos as maiores felici– dades: 1.-mar. fz francisco joão xaro– pe caldeira com d . maria margarida farréo , em 19-4-85 . - 1. -mar. e francisco josé pita grilo com d. ma– ria do céu franco dez-réis, em 4-5- -85 - 1.-mar. ctp henrique jorge valente bernardino com d. dália maria ribeíro dâmaso, em 11-5-85 - t."-mar. cm hélder luís loureiro simões com d. ana cristina fernan– des varela, em 11-5-85 - 2."-mar. m joaquim dos santos lopes marques com d. maria celeste ferreira mar– ques santos , em 4-5-85 - 2."-gr. s/c josé miguel pratas viegas com d. célia maria contreiras colaço, em 30-4-85. *********** passagem àreserva 1."-ten. emq josé manuel mi– guel judas, em 1-3-85 - 1. 0 -ten. sg josé dácio correia de matos , em 4-2- -85 - i."-ten. ot abílio dias eirinha neves , em 7-2-85 . sarg.-mor cm josé simão godi– nho paquete - sarg.-aj. mq silvério pereira marques - 1. o -sarg. ce an– tónio manuel nabais paiva _ 1.0- -sarg. fz antónio ribeiro vivas , em junho de 85. cabo t salvador manuel - cabo tfh antónio rodrigues antunes , em junho de 85. *********** falecimentos é com desgosto que participamos o falecimento dos seguintes camara– das , a cujas famílias apresentamos sentidas condolências: cap.-m.-g . ra josé fernando ferreira da costa, em 25-6-85 - cap .-frag. rf josé cabral, em 23-10- -84 - cap .-frag. an rf jorge de oli– veira esteves, em 6-6-85 - sarg.-aj . a rf joão maria borda , em 30-5-85 _ sarg.-aj . a rf francisco maximi-no , em 6-6-85 - cabo m rf josé an– tónio, em 4-2-85 - cabo cm rf francisco pinto rocha , em 25-6-85 - cabo a ra abílio joão lourenço , em 17-4-85 - 1.-mar. t rf arlindo marques pereira, em 4-5-85 _ 1."_ -mar. aux . rf hipólito santos tei– xeira, em 21-6-85 - 1.-mar. tfh rf alfredo de oliveira , em 25-5-85 - aux. de serviços de 1." ci. do qpcm leôncio amorim de sousa , em 29-5- -85 - aux . de serviços de l" ci . do qpcm júlio antunes jacinto , em 22-6-85. *********** várias foram recentemente empossados nos cargos indicados os seguintes ofi– ciais, aos quais desejamos os maiores êxitos no desempenho das novas fun– ções: v/alm. antónio manuel da cu– nha esteves de andrade e silva, comadante-chefe do cinciber– lant e comandante naval do con– tinente - c/alm. josé manuel do va– ie martins cartaxo, director-geral de marinha, interino - cap .-trag . adriano manuel de sousa beça gil , comandante do tu 443.0.1 - cap.– -frag . rui cardoso de telles palhi– nha , comandante do nrp «joão coutinho» - 1. 0 -ten. fernando ma– nuel de macedo pires da cunha , co– mandante do nrp «zaire». aos camaradas indicados, agra– ciados com as condecorações men– cionadas, apresentamos as nossas fe– licitações: v/alm . ra joaquim neves car– doso tavares , v/alm . ra abílio freire da cruz júnior, v/alm. eduar– do manuel de almeida rebel o da silva , c/a lm. jorge rasquinho rapo– so , cap. -m.-g. antónio josé malhei– ro garcia e josé alberto lopes car– valheira, cap.-m.-g. mn ra luís vieira lopes brotero santa bárba– ra ,cap .-m.-g. an ra fernando al– ves vieira, cap.-m.-g. fz augusto correia teixeira machado e francis– co isidoro montes de oliveira mon– teiro , medalha de mérito militar de 1." classe . cap.-frag . carlos fernando dias souto, antónio josé fonseca cava– leiro de ferreira , antónio alexan– dre welti duque martinho , antónio costa e sousa , antónio sadler si– mões, francisco antónio torres vi– dai abreu , antónio joão dos santos leitão, joaquim manuel santana de mendonça e josé augusto fialho góis , cap.-frag. emq carlos albe r– to caetano dias , cap.-frag . an na– talino pereira dias mora , cap .-frag . sg horácio jorge queiroz, cap.– -frag. se antónio fernando salgado soares , cap .-ten. josé luís correia bessa pacheco , álvaro amaro bor– dalo ventura, mário manuel da fon– seca alvarenga rua, jorge afonso perez fernandes wagner e manuel maria de menezes pinto machado , medalha de mérito militar de 2." classe. 1."-ten. sg luís da silva paulos , medalha militar de prata de serviços distintos. 1."-ten. josé carlos torrado sal– danha lopes e joão pedro rqcha pe– reira, 1!'-ten . sg josé cunha rola– ça, josé abelho moleiro e manuel joaquim baptista lopes, medalha de mérito militar de 3." classe . sarg .-mor fz fernando gaspar timóteo , sarg.-chefe tf josé antó– nio serra ezequiel, sarg .-chefe fz fernando manuel da costa sacra– mento , sarg.-chefes l joaquim do carmo pacheco e manuel augusto gonçalves, sarg.-aj. a manuel joa– quim lavadinho santos , sarg .-aj. ce vital tertuliano baptista , sarg .– - ij . a antónio peixoto esteves fer– reira , sag-aj. se mário cardoso de carvalho , 1."-sarg . m joaquim gon– çalves catarino , 1."-sarg . ce ma– nuel ribeiro afonso , 1."'-sarg . fz bernardino joão da silva, armando martins henriques , manuel soares moura e mário rodrigues afonso, cabo tfd fernando de jesus da cos– ta, cabo l antónio do carmo de oli– veira, cabo m antónio manuel dos santos ma rtins , cabo fz ant óni o hil á rio gin e to e 1. o -mar. fzv luís fernando ferre ira da silva torres , medalha de mérito militar de 4." classe. *********** 5</Page><Page Number="260">antologia do mar e dos marinheiros john steinbeck pelo cap. -frag. cristánjo .horeiru prémio nobel da literatura , que lhe foi atribuído no ano de 1962, pela «per– cepção social e pelo humor» do conjunto da sua obra , «realista e imaginativa», john steinbeck é um dos escritores do novo mundo de maior nomeada: vários títulos dos seus romances continuam presentes nas montras das livrarias de todo o planeta, e também nos écrans do cinema e da televisão , onde se sucedem as mais diversas adaptações da produção literária do escritor norte-americano . nascido a 27 de fevereiro de 1902 em salinas (califórnia), john ernst steinbeck foi um estudante irregular na universidade de stanford, que frequen– tou entre 1920 e 1926 sem conseguir a li– cenciatura. viu-se forçado a trabalhar para apoio de uma actividade literária steinbeck morreu na cidade de nova iorque , a 20 de dezembro de 1968. des– de a sua estreia em 1929 , em «the cup of gold», biografia romanceada do fa– moso f1ibusteiro henry morgan, até «traveis with charley» (1962) , o percur– so tinha sido por vezes irregular ; aos olhos de alguns críticos, o nível dos seus escritos declinava a partir da guerra mundial , não voltando a alcançar , ape– sar dos sucessivos «best -sellers» , as altu– ras de «as vinhas da ira». mas a aura de steinbeck permaneceu , até para além da sua morte , em páginas onde a violência ea ternura se encontravam à sombra tu– telar da humanidade de um escritor que soube abordar as questões da sociedade do seu tempo , e se tornou um marco da cultura dos estados unidos. que não lhe dava o bastante para viver: (foto do .\·e/'\'iço de doc/lillell/açâo do mas essa circunstància ofereceu-lhe uma " diúriode nolícias ») da vasta obra de john steinbeck, fo-experiência que permitiu a autenticidade das figuras de trabalhadores que protagonizam vários dos seus livros . a popularidade, e finalmente os proveitos do seu traba– lho , que começara a ter divulgação com «to a god unk– nown » «a um deus desconhecido»), 1933, chegaram dois anos depois, com o êxito de «tortilla flat» (1935) . seguiram-se 1 n dubious battle» (1936) , e «of mice and men» «ratos e homens»), romance que logo no ano da sua aparição , 1937, dá lugar a duas versões, para cinema e teatro , recebendo esta o prémio da crítica - primeiro galardão de um escritor que iria conquistar os mais ambi– cionados : com «the grapes of wrath» «as vinhas da ira») obteve em 1939 o prémio pulitzer; e mais de vinte anos decorridos, chegaria a vez de entrar na galeria dos nobel. steinbeck e ra já então mundialmente famoso : à sua prdução tinham-se juntado títulos como «cannery row» «bairro da lata», 1945) «the wayard bus» «os náufragos do autocarro», 1947), «the pearl» «a pérola», 1948), «east of eden » «a leste do paraíso», 1952) ou «the winter of our discontent » «o inferno do nosso des– contentamento», 1961). e o cinema , que não cessaria de explorar o filão inesgotável da obra de steinbeck. acabou por obter do escritor dois títulos «exclusivos» - através dos argumentos que e le escreveu directamente para os filmes «forgotten village » (1941) e «viva zapata!» (1952) . 6 mos buscar «once there was a war» , livro publicado em português sob o título «corresponden– te de guerra», que oferece larga matéria para uma anto– logia do mar e dos marinheiros . o volume é constituído por artigos que , nessa qualidade de correspondente de guerra, steinbeck escreveu durante a conflagração mun– dial 39/45 , para o «new york herald tribune » e outros jornais do seu país , e que vinte anos decorridos resolveu publicar em livro: mas sem alterar a sua forma original, com as limitações da censura da segurança militar (que na marinha amer!cana foram profundamente rígidas), e também com o ênfase, as repetições e as asperezas de uma prosa escrita com carácter urgente , sob a tensão terrível da guerra, e onde contudo aflora, aqui e ali, o sentido de humor de steínbeck. escolhemos três pequenos artigos que , mais do que o relato de acontecimentos , são a descrição do ambiente de outros tantos navios; neles john steinbeck captou , por entre a iminência do perigo e da morte , a expressão de uma alma própria. que do ferro se comunica aos homens , marca em cada tipo de navio um carácter diferente , nessa empresa comum em que todos se sacrificam , e onde tan– tos sossobram. o transporte de tropas , o caça-minas , o destroye,., transmitem. na pena emocionada do grande es– critor americano. essa alma própria com que os navios prendem e se identificam com os homens que a seu bordo enfrentam os perigos da guerra e a fúria do mar.</Page><Page Number="261">e «correspondente de guerra» transporte de tropas algures na inglaterra, 21 de junho de 1943 - está-se na viragem da maré e passa da meia-noite. uma actividade intensa rei– na na ponte que domina os edifícios do cais. acabou-se o desfile de soldados a ca– minho do navio. as máquinas entraram em funcionamen to. o grande navio recua cautelosamente por entre a ondulação que, nessa altura, quase rasa as paredes do cais. para o forçarem a seguir a direcção conveniente, surgem os rebocadores, que quase se colam ao navio como barquinhos bebés a procll rarem a teta do grande , que se vai des locando lentamente, a caminho do mar arto. só a polícia militar, que se mantém de sentinela entre os soldados adormecidos, vê a cidade meio obscureci– da ir-se pouco a pouco diluindo na atmos– fera. em baixo, nas entranhas do navio, já os incidentes, sempre possíveis num tal aglomerado humano , começam a verifi– car-se. um major médico acaba de tirar o blusão. lava as mãos com sabonete desin– fectan/e enquanlo uma enfermeira do exército, já de uniforme, lhe serve de as– sistente, es /endendo-ihe a bata branca de médico. uma outra enfermeira do exérci– to rapa o ventre de um soldado anónimo que acaba de ter um ataque de apendicite aguda. a mesa das operações resplandece sob uma lu z ofuscante. o major médico calça as lu vas esterilizadas . a enfermeira afivela-lhe a máscara sobre o nariz e a boca, e o operador aproxima-se com deci– são do soldado, jé deitado e adormecido na mesa das operações. e o grande navio de tropas desliza quase furtivamen/e em frente da cidade. os rebocadores afastam-se. agora, o na– vio não passa de uma massa escura, nave– gando por en tre sombras. nas cobertas, nos corredores e nos beliches, os soldados mergulharam no sono . só os rostos se lhes vêem vagamen/e à lu z azulada e mortiça do black-out , no meio de um emaranhado confuso de mãos, de pés, de pernas e de equipamenlo. sobre este sono imenso - es /e sono multiplicado de milhares de ho– mens - velam os oficiais e a polícia mili– tar. de ioda aquela gente adormecida des– prende-se o cheiro carac/erístico dos exér– citos. é um cheiro em que muitos outros se amalgamam: cheiro a lã, cheiro ácido afa– diga, cheiro ao óleo das armas, cheiro a cabedal. os homens jazem estiraçados , al– guns de boca aberta. mas nenhum deles ressona. talvez es/ejam demasiado cansa– dos pai'({ rcssol/ar; 1/0 ci//{{i//o, a slla rcspi– ração é uma coisa audível, que parece pul– sar. o ajudw71e loiro e fa/igado percorre a coberta num passo silencioso de fantasma. só deus sabe quando lhe será dado voltar a dor/ll ir.' elc c o chcfe da polícia marít i-11/11 parlill/llrwll cli/rc si (/ responsabilidade dc col/s cguirc/ll li/ii a /r(li 'essia cal/lla . stlo a/llbos ho/ll cl/s sérios c scnsa/os. os adormecidos estão a perder algo de gigan tesco, como aliás se perdem as últi– mas coisas. os caixeiros, fazendeiros , agentes de vendas, lavradores, técnicos , repórteres e pescadores, que deixaram de ser o que eram para se transformarem em números de um exército, começaram a ser treinados, mal iniciaram o serviço militar, para aquele mesmo momento, momento que iniciava a fina lidade para que foram treinados. a pátria, cuja defesa os conver– tera em soldados, vai-se diluindo na noite enevoada e eles dormem . o lugar que, du– rante meses e meses, lhes há-de encher o pensamento, desapareceu sem que eles o vissem afastar-se. dormiam. muito tempo passará antes que lhes seja dado voltar a contemplá-lo. a lguns jamais o iornarão a ver. era o momento da emoção, o mo– mento que nunca mais se repetirá, mas eles esta vam exaustos. dormem como crian – ças que, tendo lutado heroicamente por se manterem acordados até à chegada do pai natal, acabam por sucumbir no momento tão ansiosamente esperado . hão-de recor– dar esse momenlo, mas a verdade é que nada viram. a noite vai caindo sobre o mar. do céu nublado vai-se desprendendo uma chuva levezinha. bom tempo para navegar, dado que a uma distância de duzentas jar– das já um submarino nos não pode avistar. o navio é uma mole cinzenta e indefinida, que vai deslizando por entre névoas cor de cinza e no meio das quais parece dissolver– -sc. lá 1/0 alto , u;n pequei/o dirigível da marinha vai-lhe servindo de sentinela, aproximando-se por vezes de tal forma que até os homens se distinguem na sua barquinha suspensa. agora, o navio encontra-se desligado de tudo. pode ouvir mas não fala. só no caso de sermos atacados ou atingidos, é que o seu posto emissor entrará em funcio – namento. ninguém saberá qual o seu pa– radeiro enquanto a viagem durar. o mar enevoado encontra-se coalhado de subma– rinos. uma parte dos homens que seguem a bordo nunca até ali havia visto o mar. para esses, o mar já é suficientemente ne– gro e terrível mesmo sem submarinos à es– prci/{l. e, alé/ll dos co/ll!ja/cs fitllll'os, oll– tros factores existem que podem assustar um provinciano: o ineditismo das coisas, das gen tes e das línguas. os /ioiii ci/s, agol'({, comcçal/l (/ acordar antes da chamada. perderam o momento da partida. acordam para um destino des– conhecido, para uma rota desconhecida e até para uma hora de vida futura ainda in– certa. o grande navio mergulha a proa no atlântico. na coberta, dois montanheses madru– gadores, de pé, contemplam, atónitos, aquele mar inacreditável. - dizem que é salgado até mesmo ao fundo - diz um deles. - ora! bem sabes que isso é mentira - contesta o outro. - mentira? que queres dizer com isso? porque é que há-de ser mentira? () ou/ro, ci//tlo , prol/ul/ cia-.i·e com au/oridadc: - ora, pá, então não se está mesmo a ver que não pode haver no mundo inteiro tanto sal que dê para salgar esta água toda? caça-minas londres, 7 de julho de 1943 - todos os dias, os caça-minas saem para o mar. bar– quitas que, em tempo de paz, pescavam o arenque e o bacalhau. agora, pescam ou– tra categoria de peixe. a ndam equipados co/ll /1o\ 'as c cs/ral///(/.i· rcdes. a tripulaçúo compõe-se quase ioda de ex-pescadores de baleias e de peixes. os oficiais provêm dos quadros dessa mesma raça feita de dureza . o trabalho deles, que nada possui de ro– mântico, nem goza de publicidade, tem de ser contudo realizado, e realizado com a maior perfeição possível. o perigo que os ronda não mete bandeiras nem salvas; ca– rece totalmente de aspectos aparatosos. e só lá de longe em longe é que algum ho– mem dos caça-minas recebe uma condeco– ração. geralmente, saem do porto, em li– nha, três barcos para caçar as minas e dois para largar as bóias de bandeira, chama– das balizas , c quc sc dcs/illal/l a marcar a parte do canal que' se encontra minado. uma vez chegados ao local a explorar, três dos barcos põem-se em movimento e avançam em linha, mas separados uns dos outros por distâncias exactas e muito bem delimitadas. o espaço que fica entre eles equivale à área que os seus instrumentos podem cobrir. os barquitos procuram as duas espécies de minas que habitualmente lançam ali: as minas magnéticas, que ex– plodem quando um navio com o seu pró– prio campo magnético lhes passa por cima e as outras, que explodem com a vibração das máquinas do navio. os caça-minas es– tão equipados com aparelhos que fazem explodir qualquer destas duas espécies de minas e fazem-no a uma distância segura. os três barcos avançam em linha, va– garosamente, sobre a água a limpar. atrás deslocam-se, a uma certa distância uns dos outros, os barcos balizadores, que vão en– tretanto largando as bandeiras. acabado o percurso que lhes cumpre efectuar, regres– sam, respeitando tanto quanto possível a rota de ida; os outros barquitos recolhem as balizas para as colocarem desta vez numa linha exterior à do primeiro per– curso. todos estes barcos andam armados contra os aeroplanos. os artilheiros con– servam-se nos seus postos, a examinar o céu constantemente, enquanto o operador de rádio escuta os instrumentos de locali– zação da costa. com os aeroplanos mos– tram-se de uma prudência extrema. quan– do algum se aproxima deles, assestam-lhe os canhões, que só baixam quando os aviões se afastam. e até os aviões amigo procuram nela se aproximar demasiado. e que esses homens já foram tantas vezes bombardeados e metralhados pelos aviões, que atiram logo, malas assalte a menor sombra de dúvida quanto à sua na– cionalidade. acima da água, erguem-se os mastros dos numerosos navios afundados no princípio da guerra, quando os aviões alemães sobrevoavam o canal, quase segu– ros da impunidade. actualmente já o não faz em. vinda do megafone, a voz do opera-7</Page><Page Number="262">or faz-se ouvir na pontezita. «nave aérea inimiga nas proximidades!» diz. e, daí a um momento: «posição de fogo! » os arti– lheiros fazem rodar os canhões e toda a tri– pl/laçâo se relíne de olhos filos no céu. vindos da costa inglesa, os typhoons rugem furiosamente. são aviões rqpidos e mortais, que voam rentes à água. a distân– cia, o avião inimigo fica reduzido a um ponto. muda de rumo e demanda rapida– mente a costa francesa . o operador anun– cia: «fim do alarme!» e a guarnição sus– pira de alívio. na pequena ponte, o capi– tão comanda a largada das bandeiras de cor enquanto o seu subordinado vai verifi– cando a distância entre os barcos. se o bar– co balizador se aproxima demasiado po– derá muito bem ser atingido por uma ex– plosão. por isso, a distância é constante– mente verificada pelos instrumentos apro– priados . a flotilha afasta-se muito lenta– mente para que, depois de ela por ali ter passado e marcado o caminho que já se en– contra limpo de minas, os navios de abas– tecimento possam passar em plena segu– rança . de repente, o navio balizador é tre– mendamente sacudido por um abalo gi– gantesco. o mar deprime-se a toda a volta; estremece e, em seguida, a uma centena de jardas à frente do balizador, uma torre de água e de lodo irrompe estrondosamente no ar. durante longo tempo, dir-se-ia sus– pensa no ar e, quando torna a cair, já o barquito se encontra muito perto da con– vulsão. no oceano, uma enorme mancha de sujidade alastrou: mancha feita do lodo do fundo e de uma substância negra e pegajo– sa própria do explosivo . a guarnição pre– cipita-se para a amurada do navio e ob– serva ansiosamente as águas: - não se vê peixe - dizem. que terá acontecido aos peixes? é natural que tenham morrido uns dois ou três com a explosão . acabam de inutilizar uma das mais terríveis armas do mundo e, afinal, ainda conseguem preo– cupar-se com a sorte dos peixes. no seu mapa, o capitão marca com o maior cuidado o sítio onde a mina explo– diu. observa a costa por várias vezes, a fim de conseguir a posição. outra mina ri– bomba do outro lado da rota ii percorrer pelos navios. o imediato ergue a lanterna e faz o sinal luminoso: «peixe?» e a res– posta vem rápida: - «não se vê peixe ne– nhum». o 'dia arrasta-se, lento e enfadonho, sempre naquela faina de caçar e recaçar minas. e, afinal, aquele trabalho só servi– rá para um dia, pois, nessa mesma noite, os lançadores de minas poderão, vindos sorrateiramente da costa francesa, semear de novo o campo com as suas armas abjec– tas. o mesmo pode fazer um avião que, voando baixo e a coberto do negrume da noite, se sirva de pára-quedas para o efei– to . o trabalho dos caçadores de minas nunca se pode dar por terminado. só para o fim da tarde é que empreen– dem a viagem de regresso , e já é escuro quando os pequenos navios, entrando em fila no porto, começam a atracar. só então o comandante e o imediato se sentem ver– dadeiramente aliviados. as suas feições perdem finalmente a rigidez que, durante o trabalho, as endurecera. dure o tempo 8 que durar, seja ou não cortada de inciden– tes, nunca em semelhante caçada o perigo deixa de estar presente. os oficiais descem ao pequeno salão de bordo. desembara– çam-se das botas forradas de pele e insta– lam-se de novo nas suas cadeiras. o capi– tão retoma o trabalho que há semanas o absorve: anda a fazer uma linda e fidelís– sima miniatura de ... um caça-minas. um destróier 24 de novembro de 1943 - um destróier é um navio fascinante , talvez o mais atra– ente de todos os navios de guerra. os cou– raçados assemelham-se um pouco a cida– des de aço ou a grandes fábricas de destrui– ção. os porta-aviões são campos de avia– ção flutuantes. até os cruzadores são grandes peças mecânicas. mas i/m des– tróier, todo ele é um barco. nas suas linhas puras e belas, na sua velocidade e dureza, na sua singular nobreza, é integralmente um navio, no sentido antigo da palavra. em primeiro lugar, um destróier é sufi– cientemente pequeno para que um coman– dante conheça pessoalmente toda a guar– nição, conheça todos os seus homens como criaturas humanas, desde o nome aos filhos e aos aborrecimentos que têm e são capazes de vir a ter. no destróier, reina um à-vontade muito agradável e as rela– ções entre os membros da guarnição são excelentes. e, se o comandante for de cate– goria, nessa altura, vale realmente a pena prestar serviço num destróier. os couraçados reservam-se para gol– pes mortais , e pode si/ceder ql/e agressões dessa natureza só uma vez se verifiquem numa guerra. seguem-se os cruzadores, qllwllo ti ji'eql/ência de liiilizaçâo, mas os destróieres, esses, têm sempre trabalho. são talvez os navios mais atarefados de uma esquadra. numa acção de importân– cia efectuam reconhecimentos e estabele– cem os primeiros contactos. escoltam os comboios e correm a tomar parte em todos os combates. onde quer que haja sarilho, sâo os destróieres os prillleiros /wvios ii aparecer. não são arrogantes como os couraçados nem episcopais como os cru– zadores. são, acima de tudo, navios, e os homens que neles trabalham, todos mari– nheiros. quanto há mau tempo, mostram– -se lempesfllosos, sinceros e \'iolentemenle te/llpeslllosos. um marinheiro de destróier nunca se sente aborrecido em tempo de guerra, por– que o destróier é um navio feito para mari– nheriros. o destróier pode pôr-se em mo– vimento num abrir e fechar de olhos e, sob a popa, a água fervilha como nas cataratas do niágara. mesmo cortando o mara uma velocidade de trinta e cinco nós, com a água espadanando à sua volta , pode virar– -.1'(', co/li/j(/ler (' (/b(/iro(/r os outros n(/r/os . além de ser perigoso, parece desdobrar-se quando é preciso. e, porque possui todas estas qualidades, é que a guarnição de um destróier se mostra apaixonadamente pos– sessiva. todos os tripulantes conhecem o seu navio palmo a palmo e não apenas o sector que lhes diz respeito. o destróier x é precisamente um bom exemplo deste tipo de navio. já fez milha– res de milhas desde que a guerra princi-piou. foi bombardeado, torpedeado e muitos torpedos lhe têm passado por de– baixo da proa. já escoltou comboios e tra– vou combates. o seu comandante é um homem novo, de cabelo preto. o imediato parece um universitário loiro . o navio anda imacula– do. as máquinas, de tão polidas e pinta– das, até cintilam. é um navio quase novo, o x , visto que entrou em serviço há-de haver uns quinze meses. efectuou bombardeamentos em casablanca, gela e salerno e conquistou ilhas . naturalmente, os seus oficiais gosta– riam de passar para navios maiores por neles terem oportunidade de promoção, mas nenhum marinheiro de destróier pre– f ere navegar em qualquer outro tipo de barco. o destróier x é m navio pessoal e uma personalidade. e governado com a maior calma. ninguém, lá dentro, levanta a voz. o capitão é de falas mansas e assim são todos os seus subordinados. as ordens são dadas no mesmo tom comedido em que, na sala dos oficiais, se pede o saleiro, a disciplina é firme e meticulosa, mas qua– se parece ser mutuamente reforçada e não vinda de cima. o comandante diz , por exemplo: «tantos homens têm licença de ir a terra . o primeiro que voltar bêbado priva de licença de saída todos os outros». é simplicíssimo. assim, a guarnição disci– plina toda a gente que se disponha a pôr em perigo a liberdade de todos. por isso, regressam a lelllpo e elll boa io/'//w. o x conta poucos casos de desordem entre os seus membros. quando o x se encontra numa área de combate, jamais descansa. os homens dormem vestidos. o som irritante, tipo ba– lido, que signific(/ "i}()siçâo de combate», é ideal para arrancar ao sono os marinhei– ros. assemelha-se ao relinchar de uma mula metálica e provoca uma reacção ime– diata. ouve-se um tropel de passos nos corredores; estrépito de pés nas escadas e, em poucos segundos, o x encontra-se coa- . lhado de homens e de metralhadoras a postos, de peças antiaéreas que espreitam o céu e de peças de cinco polegadas que podem igualmente disparar para o alto. os homens, já de capacetes e agacha– dos, podem alcançar as suas posições em menos de um minuto. não há pressas nem confusões. já praticaram aquilo centenas de vezes. e, então, uma ordem dada do alto da ponte pelo telefone, em voz come– dida, transforma o x num dragão a vomi– tar fogo. este destróier pode despejar to– neladas de aço num período de tempo in– crivelmen te curto . uma das coisas mais estranhas é ver as suas grandes peças a funcionar sob contro– le automático. são apontadas e disparadas da ponte. a torre e os canhões, que até esse momento não passavam de pesadas peças de metal morto , convertem-se subitamente em material vivo. a torre executa uma vol– ta rápida , mas os canhões é que parece realmente animarem-se de vida verdadei– ra. movimentam-se e tremem como se esti– vessem a farejar a atmosfera. vibram como as antenas de um insecto , vigiando e cheirando o alvo. de repente, imobili– zam-se; expelem um vómito de som e logo as granadas voam pelo ar. os projécteis</Page><Page Number="263">uminosos parece flutuarem interminavel– mente antes de atingirem o alvo. e, antes que as granadas cheguem onde devem, já os canhões vibram vomitando novos pro– j écleis. parece//l casciilús /lo acto de //ior ; der e têm , de fa cto , o ar de seres vivos. e um espectáculo verdadeiramente aterra– dor. nicholas monsarrat (antologia publicada no n." 165/junhode85) (edições livros do brasil. colecção dois mundos n. " 96 o senhor almirante antônio caires da sih'a bral!.a . conhecedor da obra de ni– cholas monsarrat. teve a amabilidade de el1\ 'iar ao autor desta sece-io uma carta cm que completa a bibliol!.l-afia do e scritor britúnico . com referência a obras de inte– resse para os marinheiros. c que na nossa anto lol!.ia n,-io foram citadas. ass im. monsarrat pub licou ainda «the ship that died of shame » (o caso as novas emissões de selos portugueses indo ao encontro do desejo dos fi– latelistas dedicados aos temas rela– cionados com a embarcação, os ctt emitem, de vez em quando, sé– ries de selos que, quase sempre bem elaboradas e com apropriado signi– ficado, enriquecem as colecções onde são inseridas. quase todos os trabalhos filatéli– cos que envolvem embarcações, contemplam, num dos seus capítu– los, as regionais, e os coleccionado– res portugueses têm a sorte de per– tencerem a um país muito rico nessa área. os «anais do clube militar na– val » apresentaram, no seu n.o de out./dez. de 1982, um trabalho inti– tulado navegação à vela, do prof. arq . lixa filgueiras, onde é feito um estudo dos principais barcos à vela dos rios portugueses. de pessoas ou transporte, a re– mos ou à vela, alguns barcos regio– nais portugueses mantêm o aspecto original , enquanto outros, por não te– rem resistido ao desafio da máquina. embora continuando a desempenhar as mesmas funções , foram ajusta– dos à nova realidade . pelo que se sabe em relação ao tejo (com mais de uma dezena de ti– pos diferentes) , não é difícil imaginar a imensidade de barcos típicos deste país, tão vizinho do mar e rasgado por tantos rios . o museu da câmara municipal do seixal tem um conjunto de modelos de embarcações do tejo que vale a pena conhecer. se, nos continentes, foi relativa– mente fácil introduzir grandes modifi– cações nas vias de comunicação, o mesmo nâo aconteceu em relação às ilhas, onde a embarcação é ainda, se não o único meio, pelo menos uma indispensável alternativa. barcos típicos dos aço– res - foram emitidos para a re– gião autónoma dos açores, a 19-6- -85, os .dois selos que reproduzimos, que ilustram, no nosso entender, da melhor maneira , tipos de barcos que sendo considerados antigos sofre– ram ligeiras alterações. parece te– rem ambos origem em embarcações de apoio de grandes barcos que, ao longo dos tempos, visitaram os aço– res, para comerciar ou pescar. são essencialmente embarcações de pesca que se podem considerar de dimensões médias. um selo, com a taxa de 4000 ilustra o jeque, um barco à vela que pode dispor de dois ou quatro remos como propulsão complementar; tem um comprimento compreendido en– tre três e dez metros e uma guarni– ção que não ultrapassa uma dezena de pessoas. o outro selo , de 6000, singular lie um na \' io que se «suicidou» por vergonha). «hms malhorough wil l enter harbour» e «three corvettes» ; e cm il)si). no ano sel!.uinte ao da morte do escritor. a editora t assel-london lan çou o sel!.undo \' olume de «ma stcr marin e r» . que "tem o titu lo «darken ship» . e ine lui uma introlluc ,'lo. com detalhes inte re ssan– tes. escrita pe la \'iú \' a do autor. c m. ii mostra o bote, também conhecido por canoa baleeira, embarcação à vela que dispõe, nalguns casos, de dois a seis remos ; tem um compri– mento que pode ir de sete a nove me– tros e uma tripulação que, tal como a do jeque, não é superior a dez pes– soas. quanto ao carimbo do 1. dia de circulação, consideramos que não valoriza muito as colecções por nos parecer pouco diferente do bote re– presentado no selo de 6000. visita do presidente ra– malho eanes a macau - com a taxa de 1,5 patacas, foi emitido para macau, a 27-5-85, por altura da viagem presidencial , o selo que re– produzimos. além da efígie do presi– dente da república, e de outros ele– mentos de reduzido significado fila– télico, o selo ilustra um junco, barco iá referido nesta secção, em dezem– bro findo , fazendo então parte da emissão «embarcações tradicio– nais - macau». também este selo serve os trabalhos filatélicos que contêm embarcações, mais especifi– camente o capítulo das regionais . carimbos especiais cinquentenário da sede do clube militar naval - .. para assinalar este evento, os ctt ., 9</Page><Page Number="264">riaram um carimbo comemorativo (que reproduzimos) que foi aposto, no dia 5-7-85, na correspondência apresentada no posto de correio ins– talado na sede do cmn . marques curado, t .o-fen. sg histórias de marinheiros ",\llta ,,/) 1t :.  (") :- w ::; . q k _ !jj o ctt lisboa 0 1t 5/7/85 ;)'t- "'nár\o 74-interrogações a vida de um navio no mar é cheia de vicissitudes . para além do mau tempo , a sobre– vir com mais ou menos violência e a envolver, por vezes, riscos de nau– frágio , existe sempre a contingência das avarias a incidir, caprichosa– mente, aqui e além, sobre a maqui– naria que o navio abriga no seu bojo . de referir , ainda, entre os precalços maiores , os incêndios deflagrando tanta vez indomáveis, numa ironia à imensa água circundante . os marinheiros, uma vez largos dos portos e entregues a si próprios no mar alto, apenas contam, nas emergências múltiplas, que podem surgir, com os recursos limitados que têm à mão. por isso é essencial que cada um, do comandante ao último grumete, se tenham preparado in– tensamente para as tarefas que os aguardam a bordo . mas, para além disso , uma imaginação pronta facili – ta, por vezes , a saída humorada de contingências embaraçosas, sobre– tudo quando os chefes formulam, a propósito , interrogações difíceis de iludir. recordo que uma ocasião , nuns exercícios da esquadra ingle– sa, o contratorpedeiro «diamond», numa manobra temerária, apanhou de flanco , fragorosamente , o cruza– dor «swiftsure». ambos os navios fi – caram imobilizados, um com a proa bem enterrada no costado do outro, numa posição grotesca, a cuja liber– tação imediata se opunha a profundi– dade do golpe . só os esforços repeti– dos da máquina a ré , por parte do destroyer, permitiu que, por fim, os navios se desenvencilhassem. já a bordo do «diamond» se res– pirava mais aliviadamente, afastada a ideia do que poderia ter sido uma 10 . c. / e. c.  o  d.f.-(a4i-a:i 8;</Page><Page Number="265">atástrofe, quando do «swiftsure» transmitiram uma mensagem emba– raçosa. interrogava simplesmente: - o que tenciona fazer , ago– ra? .. sentindo-se culpado, e anteven– do o comprometimento definitivo do seu futuro naval, o comandante do «diamond» , num arranque de fran– queza, retorquiu: - comprar uma... quinta!. .. 000 também num dos primeiros exercícios nato em que entrou a nossa marinha ocorreu uma situação difícil. tratava-se da protecção a um comboio de navios mercantes e, par– ticipando da respectiva cobertura na– vegava um contratorpedeiro portu– guês . vedara-se o uso do radar e, nas comunicações, só se consentia a onda táctica - medidas de segu– rança que não podiam sofrer com– prometimentos . manhã cedo, durante o exercício, sobreveio uma avaria no equipa– mento de rádio, a bordo do portu– guês, e, quase de seguida, um denso manto de nevoeiro começou a esten– der-se por sobre o mar, acabando por reduzir fortemente a visibilidade. já sem comunicações, deixara-se agora de avistar os navios do com– boio, os da cobertura e - muito im– portante - o navio inglês que co– mandava tacticamente o exercício. o comandante foi logo chamado à ponte, enquanto se diligenciava por reparar a avaria de um equipa– mento já cansado e velho. as horas foram deslizando, demoradas. sem ordens do navio-chefe, alheio às mu– danças de rumo e velocidade que, com certeza, se vinham operando, e com o nevoeiro ainda mais cerrado, o destroyer estava como perdido na solidão do mar. pouco a pouco-e como habitualmente - os oficiais, que não estavam de quarto, foram aparecendo na ponte, numa atitude solidária para com o comandante, prontos a colaborar e a sugerir solu– ções na emergência. e mais horas passaram, devagar. a falta de um so– bressalente fundamental obstara à reparação da avaria. a pouca visibili– dade continuava. chegara a hora do almoço, mas todos permaneceram na ponte, numa abstinência total. porém, a an– siedade em que se mergulhara, em face da situação difícil que se vivia, mais estimulava o apetite dos ofi– ciais. o despenseiro assomara já, na ponte, a sugerir umas sanduíches. mas o não formal do comandante, dando o exemplo, banira soluções menos dignas de uma ponte de co– mando. mais horas decorreram ainda e com elas mais se aguçaram os apeti– tes vorazes dos pobres oficiais. acabavam de dar as baladadas dobradas das três horas da tarde, quando, subitamente, como por en– canto, o nevoeiro se desvaneceu, alargando logo o horizonte ao redor do navio. mais, ainda : como surgisse de repente das profundezas do oceano, a silhueta do navio inglês destacou-se a uma escassa milha pelo través. a seu bordo, deveria ter sido de grande alívio a sensação de encontrar, finalmente, o companhei– ro transviado de tantas horas. e logo de lá, ainda numa ansiedade, o pis– car do morse luminoso, interrogou : - o que é que tenciona fazer , agora? .. sem hesitar, o comandante por– tuguês, na expressão de um desejo recalcado por tanto tempo, mandou responder: -almoçar!. .. silva braga, v/alm. terminologia naval • percinta - tira de lona, brim ou qualquer outro pano com que se cobre um cabo, enrolando em espiral no sentido da cocha, antes de o forrar e depois de en– gaiado. precinta. • percurso da onda - espaço percorrido pela onda desde o ponto onde se formou até ao local onde se encontra o observador ou desde a costa mais a barla– vento. • perder altura - diminuir a latitude, aproximan– do-se do equador. • perder arrancada - reduzir-se significativa– mente a velocidade de saída. • perder as águas - abandonar, por avaria ou mau tempo, a proximidade de outro navio com o qual se navega. • perder a terra - deixar de se ver a costa, por se fazer ao mar. • perder barlavento - deixar-se descair para sotavento, lado para onde sopra o vento . • perder fundo - deixar de encontrar fundo com o prumo, o que acontece acima das 100 braças. • perder o leme - deixar de se dispor do leme, por avaria ou acidente . • perfilar as vergas com o vento - bracear as vergas de modo a que se situem o mais possível na direcção do vento. s. elpídio, cap. -m. -g. an 11</Page><Page Number="266">cartas ao director dos nossos leitores e amigos recebemos a seguinte correspon– dência : do "pezinhos», cabo m, lis– boa, a carta que transcrevemos: como seria lisboa sem polícia? há muito tempo que deixei de fre– quentar teatros de revista, porque cheguei à conclusão que não vale a pena. desenrolando-se ali espectá– culos que mais não são que caricatu– ras da vida nacional, prefiro vê-los ao natural, nas ruas de lisboa, sem dú– vida o melhor palco do país para o efeito. assim, tenho a vantagem, muito importante nos tempos que vão correndo, de os ver de borla. aqui há de tudo, como na botica. é só ter os olhos bem abertos para ver... homens empertigados, que parece trazerem o rei na barriga; mu– lheres espalhafatosamente vestidas; gente comum que passa despercebi– da; homens, mulheres e crianças es– tendendo a mão à caridade, sempre no mesmo lugar e a horas fixas, como zelosos funcionários com ho– ras de ponto; provincianos "despas– sarados» no meio da confusão; es– trangeiros de aspecto saudável e bem dispostos a disfrutar tempora– riamente das nossas bem-aventu– ranças no que respeita a comes e be– bes, para eles baratíssimos; vende– dores e vendedeiras de tudo o que se possa imaginar, desde a pomada " tigre», que cura todas as maleitas, até relógios modernos e peças de vestuário; chusmas de cauteleiros a impingir a "grande»; prostitutas de todas as formas e feitios a tentar os transeuntes, em zonas estratégicas, sob a vista complacente da polí– cia... hoje mesmo, 5 de junho de 85, em vésperas de entrarmos na cee e da dissolução da coligação governa– mental, acabado o campeonato na– cional de futebol, desta vez sem ga– nhar o benfica, a cinco dias das co-12 voz da abita memorações do dia de portugal, de camões e das comunidades (uma acumulação inconcebível num país que tem dias para tudo), assisti a esta curiosa cena de rua, digna de fi– gurar em qualquerquadro de revista. passava eu paulatinamente no rossio - coração desta velha urbe de lisboa - quando divisei grande ajuntamento, naquele pequeno largo sem nome situado a oeste das es– quinas do rossio e da rua do ouro, que dá para as ruas do carmo e 1. o de dezembro. como sempre gostei de multidões - não perco desfiles militares, bandas de música, ran– chos folclóricos, manifestações, fes– tas populares, etc. - aproximei-me para ver o que se passava. os protagonistas em cena eram: dois guardas da psp, dois vendedo– res ambulantes, um de cerejas e ou– tro de morangos, um homem nov