﻿<?xml version="1.0" encoding="utf-8" ?><Search><Pages Count="400"><Page Number="1"></Page><Page Number="2"></Page><Page Number="3">o l ó q u i o os oceanos e o futuro os oceanos e o futuro c o l ó q u i o janeiro 99 • mensal • 24000 publicação oficial da marinha • nº 316 • ano xxviii (págs. 20/21) v sco da ma</Page><Page Number="4">uramento do infante d. manuel, na sala do risco na escola naval em 1 de junho de 1904 fotografias antigas, inéditas ou curiosas</Page><Page Number="5">ublicação oficial da marinha periodicidade mensal nº 316 • ano xxviii janeiro 1999 director calm emq res luís augusto roque martins chefe de redacção cfr ref jorge manuel patrício gorjão redacção 2ten tsn ana alexandra gago de brito secretário de redacção 1sarg t vitor manuel gaspar lopes colaboradores permanentes cmg ref raúl de sousa machado cten fz luís jorge r. semedo de matos cten abel ivo de melo e sousa 1tenref dr. rui m. ramalhoortigãoneves administração, redacção e publicidade edifício da administração central de marinha revista da armada rua do arsenal 1149-001 lisboa - portugal telef: (01) 321 76 50 fax: (01) 347 36 24 endereço da marinha na internet http://www.marinha.pt e-mail da revista da armada revista.armada@mail.marinha.pt fotocomposição, paginação electrónica, fotolito, montagem e produção página ímpar, lda. estrada de benfica, 317 - 1º f 1500 lisboa tiragem média mensal: 6000 exemplares preço de venda avulso: 24000 registada na dgi em 6/4/73 com o nº 44/23 depósito legal nº 55737/92 issn 0870-9343 revista da armada • janeiro 99 3 sumário fotomontagem da página ímpar mensagem de ano novo do almirante cema 5 ponto ao meio dia 6 a mudança na ordem do dia da formação da marinha 8 inspecção final do treino avançado nrp “corte real” - 98 14 a marinha joanina 16 damag - 2 as jornadas de tecnogias de informação 22 academia de marinha/comando naval 24 instituto hidrográfico 25 escola naval 26 exercício lusíada 98 27 busca e salvamento 28 notícias 29 convívios 31 desporto 32 quarto de folga 33 notícias pessoais 34 património cultural da marinha contracapa anunciantes: cepame – centro particular de medicina e enfermagem; clínica dentária santa madalena. guiné 1998 – os fuzileiros na operação “crocodilo/falcão”. 1 0 eric tabarly, um marinheiro de excepção. 1 7 a lorcha “macau” foi abatida ao efectivo dos navios da armada e transferida, a título gratuito, para a associação portuguesa de treino de vela (aporvela). 12 decorreu no passado mês de novembro na escola naval, um colóquio subordinado ao tema “vasco da gama, os oceanos e o futuro”. 20 c o l ó q u i o os oceanos e o futuro os oceanos e o futuro c o l ó q u i o janeiro 99 • mensal • 24000 publicação oficial da marinha • nº 316 • ano xxviii (págs. 20/21) v sco da ma</Page><Page Number="6"></Page><Page Number="7">ão é em vão que a marinha tem por divisa “a pátria honrai que a pátria vos contempla”. a marinha, cujo supremo desígnio é servir honrada-mente portugal, tem o dever de mostrar como administra e utiliza os bens públicos que lhe são confiados e tem o direito de esperar o reconhecimento da nação, quando há merecimento nos resultados obtidos. a nossa linha de actuação tem-se regido pelo princípio da maior eficácia ao menor custo. amaior eficácia, no que respeita ao cumprimento das mis-sões, no mar ou em terra, com os meios humanos e materiais disponí-veis. o menor custo, mediante a nossa dedicação e espírito de sacrifí-cio, mas também pela crescente ele-vação dos níveis académicos, a com-petente operação e manutenção dos meios e equipamentos, a adequação das soluções reorganizativas e de modernização do ramo. em suma, a nossa meta tem sido a de alcançar a excelência, em todos os sectores. para darmos a conhecer o que a marinha é e o que faz, traçámos o rumo da transparência, continuando a zelar eficientemente pela protecção e defesa dos interesses nacionais onde quer que essa necessidade se veri-fique e aproveitando todas as oca-siões possíveis para divulgarmos o que fazemos. não ocultamos as nos-sas dificuldades, mas não deixamos de evidenciar os aspectos positivos da nossa acção ao serviço da pátria que nos contempla. encontrando no mar uma base da nossa identidade nacional, desaguan-do nele a história lavrada pelos nossos antecessores, cabe igualmente à marinha uma responsabilidade especial: a de partilhar com a sociedade o acervo histórico de que é herdeira, estimulando a vocação marítima do nosso povo. nesse sentido, as actividades de natureza cultural, nomea-damente os eventos comemorativos ou evocativos de fei-tos marítimos, assumem, também, grande relevância. o ano que agora terminou foi fértil em actividades de evidente utilidade pública, de que resultou grande visibili-dade para a marinha. para isso contribuiu o profissionalis-mo e devoção de todos os que directa ou indirectamente colaboraram na execução das importantes missões realiza-das. a operação de natureza humanitária que se desenro-lou na área da guiné-bissau, contemplada por todo o mundo, constituiu motivo de grande orgulho para a mari-nha e para o país. as missões bem sucedidas de salvamen-to de vidas humanas, nos espaços marítimos de respon-sabilidade nacional, representaram por si recompensa bas-tante para os esforços despendidos nesse sentido. a fisca-lização da pesca, as missões de natureza hidro-oceanográ-fica, as actividades do âmbito do sistema da autoridade marítima, a vigilância das nossas águas, as missões de segurança, a nossa participação em exercícios nacionais e internacionais, a presença de navios da armada em portos estrangeiros, a assunção do comando da força naval europeia - euromarfor, a participação da marinha na expo’98, as actividades culturais realizadas por ocasião do dia da marinha e de outras datas comemorativas, para além de muitas mais acções rea-lizadas em 1998, denotaram bem a relevância do carácter per-manente das nossas missões e a utilidade do serviço que foi prestado à nação. a visibilidade exterior alcan-çada pela marinha, que contribuiu para revelarmos o que somos e o que fazemos, assume uma enor-me importância. será na justa me-dida em que formos capazes de demonstrar a nossa prontidão determinada, para defendermos os interesses nacionais, que pode-remos esperar que a nação atri-bua à marinha os recursos neces-sários à manutenção e reforço das suas capacidades. graças ao empenho, dedicação e espírito tolerante de todos os servidores da marinha, tem sido possível ultrapassar as situações mais adversas, provocadas por carências financeiras ou de outra natureza. consciente dessas ca-rências, tem a marinha estudado soluções prospectivas que visam adaptar a sua organização e a sua esquadra às exigências do mundo moderno. os projectos de substituição dos sub-marinos e outros meios navais, bem como do reordena-mento das infra-estruturas e reequipamento dos fuzileiros, cuja exequibilidade não é contestada, mantêm-se vivos e progridem a bom ritmo. mantenho-me confiante na competência, determinação e tolerância dos servidores da marinha para garantirmos, conjuntamente, os maiores sucessos na prossecução dos nossos principais objectivos.temos provas dadas e a certeza de que, honrando a pátria, continuaremos merece-dores do reconhecimento e apoio de toda a nação. nestes pilares radica a capacidade de vencermos as dificuldades que se nos depararem e a legitimidade da nossa esperança no futuro. com um profundo sentimento de orgulho na marinha que convosco sirvo, formulo a todos os militares, milita-rizados e civis da corporação e seus familiares, os meus sinceros votos de feliz ano novo. revista da armada • janeiro 99 5 mensagem de ano novo foto: eduardo tomé (dn)</Page><Page Number="8">janeiro 99 • revista da armada c om a queda do muro de ber-lim, a dissolução da ameaça de leste e a evolução tecnoló-gica l igada aos armamentos, julgo estarem ultrapassados os conceitos geopolíticos que separavam, na eu-ropa, as potências continentais das marítimas. continua a haver, é certo, países com maior propensão para se consi-derarem continentais mas, olhando para um mapa, ressalta que a europa é uma península do grande conti-nente euro-asiático, bastante com-prida no sentido e/w, extremamente recortada e com elevada taxa de ma-ritimidade, onde o atlântico continua a aparecer como um mar europeu. segundo kl inger , a abor -dagem dos problemas da economia euro-peia numa perspec-tiva peninsular, justifi-ca-se pela existência efec-tiva de três actividades prin-cipais – transportes marítimos, exploração de hidrocarbonetos do mar do norte e turismo litoral – e por três actividades sensíveis – pesca, cul-turas marinhas e construção naval. o conselho de cooperação do atlân-tico norte e a parceria para a paz, constituem-se como veículos de irra-diação do atlantismo ligando os eua a países situados bem no interior do hinterland europeu. temos assim o atlântico como mar europeu e a ligação transatlântica co-mo elo fundamental à defesa, à segu-rança e à economia. também a união europeia está em-penhada no estabelecimento de idên-ticos laços. es t e processo culminou com a aprovação de uma nova agenda transatlântica e no plano de acção conjunta que foram ass inados na cime i ra de madr id, em 3 de de -zembro de 1995. fazendo notar que nela se inclui o espaço do mediterrâneo e do médio oriente dentro das áreas de interesse da nato, baseia-se a nova agenda no reconhecimento mútuo de que a base da segurança comum é ho j e insustentável sem as correspondentes componentes pol í t ica, económica, social e cultural. a prosperidade económica e a cria-ção de oportunidades em ambas as margens do atlântico poderão ga-nhar novo impulso através do apoio que os eua estão a dar ao progresso da integração europeia. mais uma vez se evidencia a ligação transatlântica como essencial à segu-rança e desenvolvimento da europa, que é marítima, absolutamente dependente do livre uso do atlân-tico. este oceano é um verdadeiro mar interior entre 2 cont inentes que dele carecem. e portugal, que especificidades? durante alguns anos foi quase con-siderado anátema falar de portugal como país euro-atlântico. primeiro, devido à anatemização da guerra colonial, e às suas seque-las; e, depois, no período imediata-ment e a segui r à adesão à cee, durante o qual apenas se olhava para a europa; apenas se via a europa como um fim em si mesmo. entre os apelos do atlantismo, do europeismo, e até do iberismo, deci-diu-se pela adesão à europa como primeira e essencial opção, em que convergiam prat icamente todas as forças políticas. é certo que o atlantismo foi, por vezes, eufemisticamente defendido por quem quer i a recusar a opção europeia, mas não é menos verdade que o inverso também aconteceu e, ao não sabermos acautelar interesses, esse foi um período em que a recessão mundial não justi-ficava, só por si, que tivésse-mos esfrangalhado as activi-dades sensíveis e parte das act ividades principais de-finidas por klinger. em tempo de globalização f i camos , po i s , quase sem transporte marítimo, - mes-mo os de cabotagem, essen-cial, mais barato e mais se-guro para o comércio com a europa , - (vidé casos das greves dos camioni s tas ) - pesca , cons t rução naval e culturas marinhas enquanto que o tur i smo l i tora l fo i desenvolvido, muitas vezes, de forma anárquica. e, contudo, usando pala-vras do prof. adriano mo-reira, a adesão à europa va-l or i zou a nossa vocação a t l ânt i ca , que se inscreve com harmoniosa def inição no espaço atlântico em cuja mobi l ização se baseou por duas vezes a recuperação atlântica. de f ac to , o euro-at l an-tismo, determinado por ra-zões geográficas, e justifica-do por factores históricos, estratégicos, políticos e económicos, cont inuou a ser uma rea l idade garante da soberania e independên-cia de portugal. o triângulo estratégico - limite w da defesa da europa e fronteira e da defesa dos eua - é espaço de insepa-rabi l idade da segurança das duas margens do atlântico norte; é zona o atlantismo, a europa e portugal ponto ao meio-dia triângulo que vai do norte da escandinávia à califórnia; desta, passando pela venezuela e brasil, encontra outro vértice a se do cabo da boa esperança, fechando-se o triângulo ligando esse vértice ao que fica na europa setentrional.</Page><Page Number="9">evista da armada • janeiro 99 7 de conciliação das nossas realidades geopolíticas e geoestratégicas e colo-ca portugal numa posição central , retirando-o da periferia a que uma exclusividade europeia obrigaria. forçoso é que a sua importância seja, por nós, mantida, assegurada e desenvolvida. hoje, com o fim do deslumbramen-to europeu, com a evolução, no senti-do positivo, em áfrica, com o gatt e com o f im do prot ecc i oni smo europeu relativamente ao comércio com o exterior, continuamos, e bem, ligados à ideia europeia - onde aliás sempre estivemos - mas já há cons-ciência que a integração europeia, sendo uma componente essencial da nossa pol í t i ca , não é componente única nem suficiente na estratégia que a nossa posição geopolítica exige. a nossa política externa já considera a existência de três dimensões, para não falar de uma quarta - a moral – ligada à defesa dos direitos humanos, em especial os do povo de timor: a europeia; a transatlântida, que vai, em termos de defesa, para w e, em termos de interesse para sul; e a africana que dá especificidade política e diplomáti-ca a portugal na europa. se quisermos del imitar o espaço onde temos interesses, comunidades ou necessidade de defesa da língua, como elo de ligação entre povos de história comum, e veículo do ecu-menismo que nos caracteriza, encon-tramos um triângulo que vai do norte da escandinávia à califórnia; desta, passando pela venezuela e brasil, encontra outro vértice a se do cabo da boa esperança, fechando-se o triângulo ligando esse vér-tice ao que fica na europa setentrional. este triângulo limita, penso eu, o espaço dos interesses nacionais que importa defender e aprofundar. poderia ter-se aproveitado a insti-tucionalização da comunidade dos países de língua portuguesa para dar um passo em frente na criação, defesa e fortalecimento desse espaço. como fo i reconhec ido na mesa redonda havida, em janeiro de 1994, em luanda, com a cplp, ganhar-se- -ia um instrumento de cooperação e integração política, cultural, social e económica, o que é perfei tamente compatível com os demais compro-missos bilaterais, regionais e multi-laterais dos países lusófonos. o desenvolvimento, em todas as vertentes desta comunidade poderá ser a última oportunidade para voltar-mos a af irmarmo-nos “de facto” o que, pelo menos geograf icamente, nunca deixamos de ser: um país euro- -atlântico. a expo 98 terá despertado cons-ciências, pois parece haver algumas indicações de renovado interesse de portugal pelo mar. oxalá esse interesse não se ja só momentâneo e platóni co; não po-demos perder esta derradeira oportu-nidade. machado da silva valm</Page><Page Number="10">mudança na ordem do dia da formação na marinha 8 janeiro 99 • revista da armada a mudança na ordem do dia da formação na marinha reestruturação do sistema de formação da marinha - rsfm c em 1997, ano em que um seminário realiza-do em maio constituiu a sua génese, é tomada a de-c i são de f azer a rees t ru-turação do sistema de for-mação da marinha (rsfm) que é regulamentada e ac-cionada por despacho do almirante cema nº 23/98 de 27 de abril.  uma tal rees t ruturação, proj ec t ando um ba l anço sobre 12 anos de adopção do modelo de abordagem sisté-mica (asf), cria novos desa-f ios e opor tunidades que poderão constituir um poten-cial de inovação e de desen-volvimento para o ensino e formação profissional na ma-rinha. na marinha, a formação profissional é tão antiga quanto ela, pois desde sempre assumiu um papel insubstituível na preparação do pessoal para o desempenho das suas funções e tarefas e consequentemente no cumprimento das suas mis-sões. se até meados dos anos 70 a sua natureza era de carac-terísticas mistas (académica e técnico-profissional), a partir dessa altura, passou a ser essencialmente técnico-profissional, quando o sistema educativo foi capaz de providenciar à marinha o pessoal necessário com os devidos requisitos académicos. mas, se o sistema educativo é hoje capaz de assegurar à marinha o pessoal necessário com os devidos requisitos académicos, o mesmo não sucede obviamente no que respeita aos requisitos técnico-profissionais estritamente militares, nem tão pouco aos requisitos técnico-profissionais comuns ao mer-cado de emprego. assim sendo, a marinha continuará, por tradição e necessi-dade, a apostar neste tipo de formação, inclusivé na comum ao mercado de emprego, na medida em que não se vislumbra que, tão cedo, o sistema de formação nacional (relativo a esta última área), venha a atingir idênticas capacidades do sistema educativo, para efeitos de recrutamento. a) prevê: - formação inicial e complementar (de qual i f icação e especialização) visando a carreira e o desempenho, através de cursos de formação e promoção com duração apropriada (paim i) (1); - formação contínua visando o desempenho, através de cur-sos de aperfeiçoamento e actualização (paim ii); b) está estruturada em níveis semelhantes ao adoptado na comunidade europeia, correspondendo cada um deles a uma categoria profissional (grumetes; marinheiros; sargentos; sargen-tos superiores), para cujo ingresso são necessários os correspon-dentes cursos (paim i), de formação inicial e complementar (cfg; cfm; cfs; cpsc) (2), os quais constituiem em si mesmos, os requisitos técnicos-profissionais exigidos para essas catego-rias, em complemento dos requisitos académicos (mínimos de escolaridade). c) assenta na análise de perfis profissionais e diagnóstico de ne-cessidades através de análises de trabalho (dos cargos/fun-ções/tarefas) a partir dos quais são definidos os perfis de for-mação; d) é planeada, executada e avaliada, segundo critérios de quali-dade através da metodologia da asf (3) (em vigor há cerca de uma dúzia de anos) e na participação dos utilizadores (clientes). mesmo não se dispondo de indicadores precisos e quan-tificáveis, ninguém duvidará que o sistema de formação da marinha contém: • acções de formação de elevado nível e com resultados impor-tantes para a instituição. • acções de formação redundantes. • acções de formação deficiente ou insuficientemente desenvol-vidas ou implementadas. o sfm tem que fazer reverter a opinião dos decisores, dos custos para a qualidade e a inovação, cumprindo a sua função prioritária em fazer interagir a cooperação tecnológi-ca, a capacidade de i&amp;d, o investimento financeiro, o mar-keting (interno e externo), por forma a criar relações de fer-tilização cruzada. com a adesão de portugal à comunidade europeia, a adopção dos respectivos critérios de formação provocou uma grande mudança no sistema de formação profissional nacional. na marinha porém, tais critérios, independentemente de acer-tos de forma que são necessários efectuar, permitiram confirmar a validade dos princípios e práticas da sua formação fundamen-talmente porque: formação em lingua inglesa.</Page><Page Number="11">evista da armada • janeiro 99 9 • acções de formação dispersas. • dificuldade de coordenação, controlo e avaliação entre todos os agentes de for-mação. impôe-se, pois, reestruturar o sistema de formação da marinha por forma a desenvolver os mecanismos condu-centes às necessárias alterações e ajus-tamentos resul tantes duma impres -cindível e oportuna realimentação do sistema, baseada num diálogo dinâmico ent re a formação e os ut i l izadores operacionais do pessoal. esta reestruturação não determina mudanças ou inovações significativas, antes pretende explorar as potencialidades existentes e corrigir deficiências perfeita-mente evitáveis, mediante a definição dum apropriado quadro doutrinário e regula-mentar, a definição do modelo de for-mação e a sistematização (interactividades e interdependências) das diversas acções de formação, a actualização da documentação notas: (1) acrónimo de plano de actividades de instrução da marinha. (2) acrónimos de cursos de formação. (3) acrónimo de abordagem sistémica à formação. (4) acrónimo de abordagem sistémica à formação. mudança, é pois, o assunto da ordem do dia na formação da marinha. a ra de novembro de 1998 fez uma referência ao plano de acção que se criou para levar a cabo esses desígnios. na introdução desse plano de acção escreve-se: “é que, em termos de recursos humanos, considera-se que o prsfm não poderá ser realizado só na área da direcção do serviço de formação (dsf) mas sim por toda a marinha, na medida em que todas as suas unidades e organismos são considerados parte integrante do sfm. é neste princípio que as diferentes unidades e organismos serão chamadas a inte-grar os grupos de trabalho, dos qais se espera maior empe-nho e colaboração, no sentido do projecto ficar concluído em tempo de dar resposta às significativas alterações estru-turais que se perspectivam na marinha”. na passagem da era industrial, da estável sociedade tay-lorista e fordista (um homem, um posto de trabalho, uma tarefa) para a era da informação, de constante mutação nas competências e de novos modelos de organização (poli-valência e flexibilidade), a formação para transmitir qualifi-cações dá, lugar à formação para adquirir competências. modelo organizativo do prsfm a) produzir uma publicação doutrinária do sfm; b) reformular e complementar os padrões navais; c) reformular os curriculos dos cursos do sfm; d) elaborar um plano de formação ajustado à política de reinserção do pessoal rv/rc na vida activa, no quadro da certificação profissional; e) elaborar um plano de formação, no contexto do pessoal militarizado e civil da marinha; f) elaborar o manual da qualidade do sfm; g) aprofundar o processo de informatização e de gestão da informação do sfm; h) elaborar planos de acção relativos à implementação no sistema de formação de novas metodologias de formação e das novas tecnologias de informação e comunicação. objectivos orientações gerais formação de fuzileiros. dos cursos no contexto da aplicabilidade da metodologia da asf (4), o acompanhamento da evolução das tecnologias, métodos e processos de formação. (colaboração da dsf) a) conclusão até dezembro de 2000; b) sequência dos sub-projectos em função das interdependências. agrupamento em função da capacidade de controlo do g.c.; c) permanência e continuidade dos elementos dos grupos; d) os representantes das diferentes unidades / organismos poderão participar em mais do que um grupo e/ou transitar para o grupo subsequente; e) execução de cada sub-projecto em duas fases: execução (4 meses) e validação (2 meses); f) a validação consta da divulgação e apreciação dos resultados dos grupos pelas entidades / organismos; g) cada sub-projecto fica concluído com aprovação valm ssp; h) promoção de jornadas formativas, periódicas, de 1/2 a 1 dia, abertas a todos os organismos / unidades do sfm; i) os grupos iniciam tarefas com elaboração de um programa de acção próprio; j) periodicamente, deverão ser publicados pontos de situação da evolução do prsfm.</Page><Page Number="12">uiné 1998 - os fuzos na operação “crocodilo/falcão” 10 janeiro 99 • revista da armada organização, preparação e embarque!... o s chamados feriados de junho proporcionavam, este ano, um fim de semana prolongado que po-deria ter sido uma regeneradora pausa na actividade operacional dos fuzileiros. contudo, pouco depois das licenças dadas no dia 9 de junho, soava o alerta para um regresso à unidade, iniciando-se a preparação de todo o dispositivo que partiria para as águas da guiné-bissau, constituindo a força de desembarque (fd) numa operação plena de êxito que muito revelou da capacidade de exe-cução e do espírito da nossa marinha. o tipo de missão, as condições do teatro de operações e as condições supe-riormente definidas levaram a que o corpo de fuzileiros disponibilizasse os elementos característicos para a realiza-ção do que seria uma operação de apoio à paz, mas com todos os elementos de uma operação anfíbia típica. foram pre-parados os seguintes meios: 1. destacamento de acções especiais (dae), comandado pelo 2º ten fz fonseca e com um efectivo de 9 homens, voca-cionado para a execução de operações de força avançada ou para acções específi-cas, no âmbito da própria operação. de-signadamente para acções em profundi-dade no terreno, para reconhecimento, eventual resgate sigiloso, ligação inicial com autoridades e entidades e missões de protecção especial. 2. uma força de desembarque (fd), de escalão companhia (reduzida), coman-dada pelo 1º ten fz mendes e com um efectivo de 84 homens, distribuídos por um pelotão de atiradores, um pelotão de reconhecimento, uma secção anti-carro, uma secção de morteiros e uma secção de apoio de serviços. a sua vocação era a de desenvolver manobras tácticas, tendo em vista o controlo de pontos chave e a protecção de corredores de evacuação. 3. um grupo de botes de assalto, coman-dado pelo guarda-marinha fz vaqueiro, com um efectivo de 22 homens e dispon-do de 24 botes de assalto. a sua missão seria a de desembarcar e reembarcar a fd e o dae, bem como proceder ao trans-porte de evacuados. 4. uma equipa de ligação, para apoiar directamente o ctg, compreendida pelo 2º comandante do bf 2, o comandante da unidade de meios de desembarque (umd) e um oficial de comunicações do corpo de fuzileiros. a noite de 9 para 10 de junho foi toda ocupada no planeamento e na prepara-ção de todos os meios necessários à ope-ração que se iria desenrolar. valeu muito a experiência colhida no zaire cerca de uma ano antes e, pelas 17h00 do dia 10, as forças eram dadas como prontas para embarcar, com 45 toneladas de material (sem contar o combustível), dos quais 32 eram munições e explosivos. o pessoal estava preparado para uma missão de 30 dias, tendo capacidade para suportar 7 dias de combate de baixa intensidade, com mais 7 dias de reserva. cento e vinte homens viriam a ser divididos pelos navios “vasco da gama” (equipa de liga-ção ao ctg e dae), “honório barreto” (comando da fd, pelotão de atiradores, secção anti-carro e uma secção de botes), “joão coutinho” (pelotão de re-conhecimento e secção de botes) e “bérrio” (secção de morteiros e secção de apoio de serviços). com excepção do “bérrio” (que só pôde partir a 13 de junho) a força saiu a 11 de junho em direcção à guiné. natu-ralmente, as condições de vida a bordo não foram as melhores, pesando o facto da missão ser muito prolongada e se realizar em condições climáticas pouco favoráveis. muito calor e demasiado pessoal a viver num espaço que não prevê a pre-sença de uma força de desembarque foram os principais problemas, mas valeu o bom ambiente e a camaradagem que minimizaram o desconforto e favore-ceram uma plena integração na vida a bordo dos navios. guiné 1998 - os fuzos na operação “crocodilo/falcão” fuzos! prontos. do mar! p’rá terra. desembarcar!...</Page><Page Number="13">evista da armada • janeiro 99 11 a execução a missão de uma força de desembarque é a projecção do poder naval para terra, todavia as circunstâncias em que ocorreu a operação crocodilo/falcão (uma operação de apoio à paz) poderiam levar a pensar que este factor não teria a relevância que acabou por assumir. na realidade – para além de ter sido o palco privilegiado para os contactos políti-cos entre as partes beligerantes – a força que se deslocou a bissau efectuou múltiplas evacuações, acolheu e protegeu entidades que pretenderam ir à guiné e colocou em terra muitas toneladas de ajuda alimentar. por isso – para além dos encontros de natureza política que ocorreram a bordo da “vasco da gama” – a sua acção foi a que mais impacte teve a nível dos media, uma vez que acabou por ser a parte visível (ou a mais visível) de uma imensa operação que mobilizou meios navais de peso. logo à chegada a bissau, a 16 de junho, o dae avançou para o cais com a finalidade de escoltar e transportar para bordo altas entidades. era aí que se concentrava uma multidão de refugiados, misturada com sol-dados senegaleses, elementos da embaixa-da portuguesa e membros do governo guineense. a missão era delicada e perigosa, uma vez que era preciso controlar as pessoas sem atropelos, apesar da ameaça de bom-bardeamento. é fundamental evitar o pâni-co numa multidão que quer fugir aos martírios da guerra e pretende sair dali o militar e do governo da guiné, sob o patrocínio de entidades portuguesas (ministro dos negócios estrangeiros). foi o dae que escoltou as entidades portugue-sas e guineenses, em todas as situações de trânsito e durante alguns contactos efectua-dos em terra. a operação crocodilo/falcão constituiu um exemplo da capacidade da nossa marinha, apesar de todas as dificuldades sentidas e das insuficiências que são conhecidas de todos. e é importante referir que a força de desembarque foi um elemento chave deste êxito, que a todos orgulhou, ao desempenhar numa operação de apoio à paz as funções que lhe cabem numa operação anfíbia: pro-jectar o poder naval para terra. (com a colaboração do comando do corpo de fuzileiros) mais depressa possível. felizmente tudo decorreu sem incidentes de monta e, ao cabo de cinco horas de presença em terra, tinham sido evacuadas 750 pessoas, saldan-do-se esta primeira parte da operação por um êxito absoluto. por razões de segurança da embaixada portuguesa em bissau, na sequência deste primeiro dia de presença portuguesa na guiné, o pelotão de reconhecimento, comandado pelo 2º ten fz pinto conde, ficou destacado em terra, às ordens do embaixador. a sua missão era a protecção das instalações da embaixada, do centro cultural português e das residências do embaixador e adido militar. esta missão terminou a 20 de junho. a partir de então – e até ao fim da mis-são, em 24 de julho – foram inúmeras as acções de evacuação de refugiados em locais diversos da guiné. com o recurso a helicópteros ou a botes de assalto, quase sempre com o reconhecimento prévio por parte do dae, a acção da fd fez-se sentir em todos os locais onde foi necessária a sua presença. entre 27 de junho e 20 de julho, decor-reram, a bordo da “vasco da gama”, os encontros entre representantes da junta organização operacional da força apoio combate apoio serviços elemento manobra pelotão atiradores pelotão recon. secção mort 81 secção anti-carro secção logística secção saúde secção comunic. força desembarque ctg equipa ligação grupo ass. anfíbio dae</Page><Page Number="14">lorcha “macau” nascimento e... renascimento 12 janeiro 99 • revista da armada e m linhas muito gerais - e um tanto simplistas - dir-se-ia que os portugueses, chegados ao extremo oriente e postos pe-rante embarcações substancialmente diferentes das suas, terão concluído que os cascos ocidentais seriam melhores que os cascos locais -mas que, em contrapartida, as velas locais (do tipo junco) seriammais práticas que as dos seus navios. da simbiose do que de melhor havia em cada tipo de embar-cação terão nascido as lorchas- que foram as embarcações emblemáticas da presença portuguesa naquela parte do mundo. ao longo dos tempos, as lorchas foram caçadoras de piratas, navios de carga, receberam motores auxiliares... e desapareceram no princípio deste século, vencidas pelo inexorável avanço do pro-gresso. quando, em 1986, emigrantes portugueses da áfrica do sul pro-moveram a construção da caravela “bartolomeu dias”, com o objectivo de a perpetuar no seu país de acolhimento, nasceu em macau a ideia de construir também um navio que, partindo de oriente, chegasse em simultâneo a mosel bay – após o que rumaria a portugal, integrando-se no espólio do museu de marinha. inevitavelmente a escolha recaiu numa lorcha. é oportuno recordar os mentores deste projecto: capitão de fragata antónio martins soares, então capitão dos portos de macau, e dr. carlos monjardino, na altura secretário adjunto do governo do território, na sequência de uma ideia dos então comandantes nobre de carvalho e pereira da costa. a primeira questão a surgir foi a falta de documentos escritos que pudessem orientar o engº. matias cortes, director das oficinas navais de macau, na elaboração dos planos da futura lor-cha. a segunda foi o constrangimento do comprimento do navio, forçado pela pequena dimensão das carreiras de construção exis-tentes em macau, face a determinados requisitos aceites e porven-tura menos necessários (dois motores principais, por exemplo –que obrigaram a desrespeitar a proporção comprimento / boca, tornando o navio mais bojudo que o original e diminuindo-lhe sig-nificativamente as qualidades vélicas). a terceira, de natureza po-lítica, teve a ver com as reticências que o governo da nação colo-cou na viagem à áfrica do sul – numa altura em que o “apartheid” ainda ditava leis naquele país. a quarta, e definitiva, foi a escassez de calendário para a conclusão da construção em tempo de cumprir o encontro com a “bartolomeu dias”. com destino aos serviços de marinha de macau, cheguei ao ter-ritório em maio de 1986 – altura em que pela primeira vez tomei contacto com o projecto “lorcha”... e com um casco em construção acelerada, num dos estaleiros tradicionais de ilha de coloane- fase a que se seguiu a conclusão da obra e o aprestamento nas nossas oficinas navais. a impossibilidade de cumprir o projecto original obrigou a repensar o destino da lorcha, tendo-se optado pela sua utilização como navio de treino de mar e de representação do território e do país no estrangeiro. nasceu assim a u. a. m. 202 “macau”. resolvidas estas questões de princípio... seguiram-se-lhe outras, de cariz mais prático. que guarnição? que regime de vida a bordo? que uniforme? rancho ou não rancho? que subsídio de embar-que? que horário diário? que procedimentos administrativos? como princípio orientador básico, procurou-se adoptar a doutri-na seguida nos nossos navios, com as necessárias adaptações. um exemplo: criou-se um mapa de abono... mensal, em impresso próprio – que “por acaso” não falava em sabão para lavar macas, mas que funcionava perfeitamente. para a lotação do navio considerou-se que dez seria um número razoável; 1 comandante (em acumulação com outras funções nos serviços de marinha), 1 mestre, 1 contramestre, 2 manobras, 2 con-dutores de máquinas, 1 “electrónico”, 1 cozinheiro e 1 copeiro (este último com bastantes funções do “manobra” no dia a dia), lotação esta a reforçar com viagens longas com mais um oficial e um sar-gento mq. para mestre e contramestre chamaram-se de portugal um sargento e um cabo de manobra – o 1º sarg. m lúcio e o cabo m baptista. o restante pessoal foi recrutado localmente – o que levantou o problema adicional... da linguagem. é que nem os “oci-dentais” falavam cantonense, nem os “orientais” falavam por-tuguês! a viagem inaugural da lorcha teve lugar (muito!) poucos dias depois de ter sido dada como pronta pelas oficinas navais. a lorcha “macau” (uam 202) foi abatida ao efectivo dos navios da armada pelo despacho nº 46/98 de 28 de setembro do almirante cema. consideradas que, por parte da marinha, se esgotaram as razões que justificaram a sua classificação como unidade auxiliar da marinha (uam), foi julgado oportuno a transferência do navio, a título gratuito, para a associação portuguesa de t reino de vela (aporvela), de acordo com a intenção oportunamente expressa pelo governo de macau. a cerimónia de transferência efectuou-se em 1 de outubro de 1998. o primeiro oficial de marinha comandante da lorcha “macau” relata-nos seguidamente o historial do nascimento do navio, alguns episódios marcantes e o testemunho que o navio deixou no extremo oriente. para o a pan e o a keong, marinheiros da lorcha “macau” do primeiro ao último dia a lorcha a navegar no mar de macau. a lorcha “macau”</Page><Page Number="15">evista da armada • janeiro 99 13 rumou-se ao japão, a fim de participar no festival da espingarda, na ilha de tanegashima, onde se comemora todos os anos e chega-da dos portugueses ao império do sol nascente. visitadas também, na altura, kagoshima, nagasaky e omura. o aprontamento do navio foi acelerado – e houve mesmo neces-sidade de levar a bordo um intérprete, o mestre valente, meu “braço direito” no departamento de actividades marítimas da capitania dos portos de macau. mas nem por isso a preparação da missão foi descurada. desde logo se constituiu um grupo de trabalho para as actividades da lorcha “macau” (que “funcionava” mesmo!) e cuja tarefa era propor, organizar e acompanhar os pro-gramas aprovados para o navio. dele faziam parte representantes do museu marítimo, dos serviços de educação, do turismo, da economia, o instituto cultural de macau e, mais tarde, da dele-gação local da comissão dos descobrimentos. assim, quando a lor-cha se deslocava ao estrangeiro, constituía apenas a parte mais “visível” de uma numerosa comitiva (que evidentemente se deslo-cava de avião). o “programa tipo” integrava exposições, conferên-cias, uma semana de gastronomia portuguesa e macaense num grande hotel local e espectácu-los pelo rancho folclórico de macau ou por grupos de alunos dos estabelecimentos de ensino do território. estas viagens pressupunham uma progra-mação cuidada, que implicava normalmente a deslocação prévia aos locais por parte de alguns dos membros do “grupo de trabalho”. é claro que isto implicava despesas – mas, mais tarde, os resultados obtidos encarregavam-se de as justificar amplamente. também neste particular é oportuno recordar um pormenor rele-vante: é que todos os custos da missão – lorcha incluída – eram partilhados pelas entidades ofi-ciais participantes (educação, turismo, etc.) e não apenas pelos serviços de marinha. óbvio, não é verdade? finda a viagem inaugural, houve que corrigir alguns por-menores no navio e ganhar uma rotina de vida diária e de activi-dade operacional emmacau. a principal avaria que se registou foi num dos telecomandos dos motores principais, o que obrigou a dar ordens por “porta-voz” para a ponte baixa, donde era possível comandar o motor em causa. nada de complicado no assunto... excepto uma vez, já em macau, em pleno canal do porto interior, em que o “homem da ponte-baixa” entendeu a voz de “pára a máquina” como ordem para desligar o motor... já nessa altura, e durante cerca de dezoito meses, a primeira hora e meia de cada dia de serviço era dedicada à aprendizagem da lin-guagem: português e cantonense. professores e alunos éramos nós todos, sentados em redor da mesa do refeitório. o inglês era a lín-gua comum, partilhada por mim e pelo a chun, o nosso mari-nheiro “electrónico”, que nos permitia orientar a “classe”. o rancho, constituído logo que o navio arrancou, foi evoluindo do peixe cozido... com arroz, para uma mesa farta e de excelente qualidade, com sopa, um prato ocidental e dois ou três pratos chi-neses por refeição – combinação da boa gestão financeira e das artes culinárias do mestre lúcio com a qualidade e vontade de aprender de a keong, o cozinheiro. a refeição era comum, no refeitório, excepto quando havia convidados para a câmara de oficiais. enquanto internamente, vivendo, convivendo e trabalhan-do em conjunto, se iam retratando, de certo modo, as etapas de adaptação que os nossos antepassados portugueses e chineses per-correram, trabalho operacional não faltava: apoio à escola de pilotagem de macau na formação dos quadros dos serviços de marinha, apoio à formação de desportistas náuticos (designada-mente os dos cursos de patrão do alto), embarque de jovens das escolas do território em viagens de treino de mar, aos domingos... raras foram as semanas em que não houve missões programadas – as quais foram aproveitadas para saídas em treino próprio. foram assim os primeiros tempos de vida da lorcha “macau”. ainda sob meu comando efectuaram-se, sempre segundo o pa-drão atrás descrito, viagens a cantão, ao japão e à índia (com pas-sagem por singapura, malásia, sri-lanka, tailândia, vietname... ). aventuras e desventuras, enrascanços e desenrascanços, dias mag-níficos e rabos de tufões, amizades e amores, riscos, lágrimas de emoção e de saudade, provas de consideração... e de desconfiança, momentos solenes e de puro divertimento, de tudo houve um pouco nestas viagens. em tanegashima sentimo-nos em casa; em nagasaky ouvimos em nossa honra o hino nacional, cantado em português, por um coro de dezenas de figuras; em taiwan, um pedido de arribada para fugir a um tufão que se aproximava perigosamente, só foi atendido quase vinte e quatro horas depois (enquanto o mar ia cres-cendo assustadoramente); em bombaim fomos recebidos de-baixo do arco triunfal das por-tas da índia pela marinha india-na e pelo presidente da câma-ra; em singapura obrigaram- -nos a pagar o gasóleo “cash and in advance” “borrifando- -se” completamente nos nossos protestos de que a lorcha era um “portuguese navy ship”; em malaca, onde uma pequena comunidade fala uma espécie de português arcaico e se orgu-lha da sua ascendência lusitana, vimos um rancho folclórico dançando o vira e o malhão; em goa desembarcámos sob uma chuva de flores e cantaram-nos o fado; em cantão teimaram em que o navio deveria içar a bandeira chinesa de cortesia; em danang, ficámos uma semana retidos pelo mau tempo... e percebemos porque custou tanto a tantos ameri-canos deixarem aquele país... ; no estreito de malaca escondemos valores e dinheiro com receio do assalto de piratas; em damão, depois de uma noite memorável de confraternização a bordo, com a lorcha fundeada no rio sandalcal, sob um luar indescritível, não contivemos a emoção ao ver partir os nossos anfitriões cantando toda a saudade que lhes ia na alma... de todos estes contactos ficaram o testemunho do grande capital de consideração que portugal goza no extremo oriente, um enorme orgulho no nosso passado, amizades sólidas por onde se passou e com quem se tra-balhou e, finalmente, uma indestrutível ligação com a guarnição de lorcha “macau”. em 1998, a lorcha veio para portugal, a fim de participar na expo. esgotadas as razões que justificaram a classificação do navio como unidade auxiliar e deixando de estar ao serviço do governo de macau, foi decidido superiormente o seu abate. a aporvela, em boa hora manifestou interesse no concurso do navio para treino de mar dos seus associados. em 1 de outubro do passado ano procedeu-se à cerimónia de oferta com todo o seu equipamento àquela associação, abrindo-se assim um novo capítu-lo na sua vida. para ela, para a aporvela e para o velho amigo zé inácio, seu novo comandante – boa sorte... e bons ventos!! rui m. sá leal cmg cerimónia de entrega da lorcha à aporvela.</Page><Page Number="16">4 janeiro 99 • revista da armada inspecção final do treino avançado nrp “corte real” - 98 conclusão inspecção final do treino avançado nrp “corte real” - 98 n a ponte, nas asas da ponte e no centro de operações, a atenção concentrava-se, sem descurar a escuta submarina, na detec-ção de alvos aéreos que se esperavam dum sector mas que muito provavelmente surgiriam doutro ou doutros. estas as armas que do porta- -aviões o inimigo lançará. no centro de comunica-ções, uma notável realização conjunta da engenharia elec-trónica portuguesa e da ar-mada que tem sido adoptada em diversas marinhas estran-geiras, reduziram-se as emis-sões ao mínimo devido à im-plementação de uma política rádio mais restricta. quando o radarista acu-sou a presença duma aerona-ve suspeita no seu radar de aviso aéreo era esta ainda um «imóvel» ponto invisível aos olhos do vigia que o ten-tava identificar nos seus bi-nóculos montados em pe-destais e apontados segundo as coordenadas recebidas da consola das armas do co. o sistema de controlo de tiro adquiriu sem delongas o alvo, o radar iniciou consis-tentemente o seguimento au-tomático do alvo e num ápice era declarado pelo operador, que o sistema se encontrava pronto para disparar mísseis «sea sparrow» e a peça de artilharia de 100 mm sobre o alvo em causa. quando um eco mais ve-loz se destacou do eco que se seguia, confirmou-se a infor-mação do iff(26) e, comple-tado o processo de classifica-ção, foi o alvo finalmente de-clarado «inimigo!». sem margem para mais dúvidas o comandante auto-outro caça a7p acaba de ser detectado e outros pode-rão seguir-se. e de facto segui-ram-se diversos ataques que permitiram avaliar, a bordo, a performance das equipas envolvidas na defesa anti-aérea. um deles provocou um incêndio na ponte que, cheia de fumo, teve de ser evacuada para um local, no exterior, donde era possível operar como ponte de emer-gência e manter contacto com o centro de operações. entretanto, dominado o rizou o disparo e à voz de «fogo!» foi «lançado» o nos-so primeiro míssil. de segui-da foi simulado o lançamento de “chaff” do lançador quá-druplo de estibordo, cuja missão é estender uma corti-na de levíssimas palhetas metálicas que sirvam de engôdo passivo ao míssil que se vem aproximando de nós a uma velocidade próxima de mach 1 (340 m/s iso) (27). a peça de 100 mm e a sofistica-díssima peça de seis canos de 20 mm do sistema «vulcan- -phalanx» (quatro mil tiros por minuto! (28), resolvidos digitalmen-te os complexos pro-blemas do tiro naval anti-aéreo, são apon-tadas e põem a arti-lharia pronta a criar uma barreira activa a média e curta distân-cias assim que lhes fôr ordenado. agora é o míssil que prende a atenção dos rada-ristas que vão assina-lando não já a distân-cia mas o tempo que falta para o temível impacte. como em todas as circuns-tâncias em que seja possível prever o momento dum im-pacte ouve-se, a 3 segundos dele, através do eto e em todo o navio, o aviso de «agar-ra!», três vezes repetido. então, todos os membros da guarnição, excepto os poucos envolvidos nesta pre-cisa acção, deverão apoiar-se nas anteparas do navio e aguardar a violência dum ou mais rebentamentos, numa atitude específicamente estu-dada para os suportar com menores danos físicos ou, alternativamente, a desejada voz de «dar volta!» que sig-nificará a neutralização «in extremis» da temida ameaça. e, claro, não será senão um alívio de apenas alguns se-gundos… fogo e recuperada a funcio-nalidade do espaço, foi a vez dos pilotos da fap tomarem nas suas mãos várias iniciati-vas e ensaiar diversos ataques de vários quadrantes que pu-seram à prova a acuidade visual dos nossos vigias, o próprio sistema de armas e, em suma, a coordenação de todo o navio na defesa anti- -aérea. a equipa de carre-gamento do sistema «vul-can-phalanx» que é integral-mente automático, é entre-tanto chamada a demonstrar a sua perícia no municia-mento do sistema. tem tão escassos minutos para o fazer que não há margem para relembrar como é o procedi-mento mas bastou-lhes muito menos do que o tempo pa-drão para efectuar o carrega-seguimento automático dum alvo aéreo. incêndio na ponte. cerca de hora e meia antes, uma mensagem que chegara às mãos do comandante, confidenciava que a força naval inimiga havia adoptado um rumo e uma velocidade que nos poria dentro do alcance das suas armas. reacesa a atenção que o frugal almoço de combate, entretanto devorado, sublinhara, o comboio navegava sereno.</Page><Page Number="17">evista da armada • janeiro 99 15 mento de 500 munições. fizeram-no em apenas … seis minutos! metade do esperado… se o relativamente peque-no número de mísseis e o ele-vadíssimo ritmo de fogo obri-gam a uma rigorosíssima ges-tão de meios, não admira que seja exigentíssima a prepara-ção de todos os seus precio-síssimos operadores, se consi-derarmos a sofisticação de to-da a tecnologia embarcada nos modernos navios de guerra. de facto, o adestra-mento do pessoal que vai embarcar nestes compactos «enlatados» da mais densa, diversa e avançada tecnolo-gia de que o país dispõe, co-meça meses antes de se rece-ber a almejada guia de mar-cha e leva no mínimo, em si-muladores e a bordo, seis meses até poder ser testado a um nível que lhes permita ombrear, após novos e mais aturados treinos de mar, com as melhores armadas do mundo. só quando cada um conhece o seu papel no dinâmico «puzzle» que é um navio em operações, é que se pode esperar uma ajustada interpenetração de funções que permita ultrapassar as fa-lhas humanas do mais com-petente membro de cada uma das equipas em que se subdivide a grande equipa que tem de ser a guarnição dum qualquer navio de guer-ra e destes em particular. por isso também as comis-sões nesta classe de navios se prolongam por três anos. e isso é também um teste psicológico (29) que tem de se ter em consideração, agora que se perdeu a dimensão de império com que estávamos, há séculos, familiarizados (30). porque a missão pode ser a escolta de um comboio de navios entre portos que, mesmo que todos os navios possam assegurar uma velo-cidade elevada, podem estar a muitos dias uns dos outros, sendo sempre preciso ter ainda presente contratempos que possam atrasar a marcha ou que até imponham rotas alternativas tão longas como as 4.500 milhas náuticas de autonomia (31) destes navios. quantas vezes, uma impre-visível e muito nossa razão, que a operacionalidade assu-me na nossa armada. noutro campo, se a complexidade dum banal navio é feita dum persistente esforço de investi-gação científica e dum atura-do desenvolvimento tec-nológico de um estado, nestas fragatas estão presentes vários estados e entre eles, significa-tivamente está, na área da electrónica, portugal. mas em quantos mais cam-pos não poderia a nossa in-dústria estar presente? como causa ou efeito de um empenhado desenvolvi-mento dos nossos interesses nos oceanos - hoje a grande oportunidade do futuro - que estaticamente estamos a cele-brar, com as tecnologias dos outros, olhando … para trás! obrigou a uma demorada au-sência no mar, assim como, uma inesperada e alheia deci-são, determinou uma longín-qua concentração de meios navais? amanhã, como hoje e hoje, como ontem. é, no entanto, o natural sen-timento de solidariedade que o leão (32) suscita, haja uma desejada paz ou uma inevitá-vel guerra, o que torna tão diferente a cultura militar no mar. reduzindo-nos a nada, pode fazer de quem chegar primeiro ao balde, «almiran-te» por um instante, ou, ainda que por um breve momento, o determinante elo duma das muitas cadeias em que o comando se divide. porque aqui, sempre e ine-quivocamente, «estamos todos no mesmo bote!». talvez por ser este um sen-timento comum a quem anda no mar, que tenha razão um general do nosso exército que notara, em encontros in-ternacionais, a facilidade de contactos entre marinheiros de todas as patentes e nacio-nalidades, face aos militares de terra, quaisquer que fos-sem as suas nacionalidades. ainda a brisa da tarde so-prava morna quando, com-pletado o exercício, subimos o esplendoroso tejo e diante de nós, a par da paisagem de lisboa, outros pensamentos desfilaram. o almirante comandante da flotilha que embarcado, atentamente seguira, « in lo-co», o desempenho desta guarnição, poderá estar certo de que a «corte real» fará boa figura quando fôr aferida pelos padrões internacionais da royal navy. a sua presença foi um estí-mulo para a guarnição e é um testemunho da importância sem percebermos que foi o empenhado desenvolvimento dos nossos interesses nos oceanos - ontem a grande in-cógnita do presente - que di-namicamente nos fez avan-çar, com as nossas tecnologi-as, olhando … para a frente! enfim. já em terra, cumpri-do o cerimonial, enquanto nos afastávamos deitámos ainda um último olhar… aquela guarnição sabia que tinha cumprido. mas se uma andorinha não faz a primavera, ocorreu-nos, é o mar que faz os marinhei-ros e o brio destes que fez, faz e sempre fará a briosa ar-mada. mesmo que apagadamente tenhamos a infelicidade de não estarmos a ser capazes de criar e/ou desenvolver interesses no mar (33) de que outros se apropriarão pois a presa, mesmo que magra, quanto mais à mão, mais dis-traída e, sobretudo, mais frá-gil se torna, naturalmente, a mais apetecível. e nós, impotentes, para sal-var os dedos entregaremos, sem mais, os últimos anéis (34). dr. rui manuel ortigão neves 1ten ref carregamento do sistema vulcan-phalanx. notas: (26) «identifier of friend or foe», sistema electrónico de senha e contra senha para mútua identificação de unidades aliadas. (27) international standard organization, mach 1340 m/s é a velocidade do som mas só ao nível do mar e na atmosfera padrão iso. (28) uma muito recente modificação aumentou a cadência do tiro para este valor. (29) em relação a um caso que não constituiu excepção temos que, no início da década de 1970, um 1º ten. já com as condições de promoção poderia ao nono ano após a saída da escola naval averbar cerca de cinco anos e meio de embarque dos quais, quatro no ultramar (sem férias), com 9200 horas de navegação dos açores a timor e menos de 150 dias de licenças gozadas (apesar dos bónus que as estadias fora da metrópole - leia-se portugal europeu - estabeleciam!) pois as férias ainda não eram sequer um direito. (30) como se não pode alijar a história, os nossos interesses, independentemente dos que criarmos, permanecerão ainda por muito tempo ligados, mesmo que indirectamente, às terras por onde andámos mas que não controlando agora, nos obrigam a um melhor apetrechamento no caso de imperativa intervenção. em duas ópticas e conscientes das realidades, temos timor em relação a nós, e a guiné-bissau em relação à …frança, em cujo sistema monetário aquela se integrou. (31) naturalmente à sua velocidade económica que só teoricamente poderá ser mantida durante tão longa derrota. (32) o mar na gíria naval. (33) em 1895 portugal conseguiu defender a sua posição em áfrica graças às inúmeras «ruínas históricas», como argumentavam os seus detractores, que podia exibir naquele continente, apesar de em 1885, a rigorosa meia distância entre as costas atlântica e índica, terem, capelo e ivens, recebido uma mensagem, escrita em português, dum poderoso soba africano que os pretendia receber por se considerar súbdito do rei de portugal e que curiosamente se assinava, em homenagem à falecida soberana, «muxiré maria segunda». terminados os colonialismos a guerra em áfrica, afinal, continua. talvez porque aos muitos mais interesses que ficaram por saciar se juntaram novíssimos interesses sem… rosto. (34) ao longo do texto abusou-se intencionalmente das maiúsculas. agradece-se a compreensão dos leitores.</Page><Page Number="18">6 janeiro 99 • revista da armada de novo o norte de áfrica de novo o norte de áfrica a marinha joanina (3) n uma altura em que as viagens para sul sofreram uma pa-ragem de alguns anos, parece-nos oportuno retomar o fio das campanhas no magreb, interrompidas drasticamente com a expedição a tânger em 1437. devemos lembrar-nos que a presença de portugal no norte de áfrica tinha objectivos essencialmente estratégicos que se prendiam com o domínio da entrada do estreito de gibraltar. portugal nunca conseguiu sair do espaço confinado de ceuta e os apoios à cidade sempre tiveram que ser feitos por via marítima. aliás, se estamos bem lembrados, quando se colocou a questão de continuar em ceuta, depois do fracasso de tânger, os grandes opositores da en-trega foram os comerciantes de lisboa, porto e algarve. precisa-mente aqueles que tiravam vantagens de um comércio rico com o mediterrâneo ou que tinham grandes interesses no corso dos mares do sul. ninguém alegou que do magreb vinham quaisquer merca-dorias importantes ou que através de ceuta se conseguissem ou-tros contactos proveitosos com o interior da áfrica. também ninguém pretendia alargar os territórios para além de ceuta, uma vez que esta desempenhava perfeitamente o papel que se pretendia e já custava bem cara aos portugueses. a situação só se alterou quando d. afonso v subiu ao trono e quando o poder dos otoma-nos cresceu no mediterrâneo, depois da tomada de constantinopla em 1453. nessa altura o papa calixto iii apelou a todos os sobera-nos cristãos para retomarem a cruzada, mas a resposta foi muito curta. apenas se conseguiu organizar uma pequena expedição do próprio papado, comandada pelo cardeal scarampi e tendo como vice-almirante joão vasques farinha. nela participaram navios do vaticano, de aragão e de portugal que defrontaram e derrotaram os turcos em metellino, numa batalha que não teve qualquer importância política e que não alterou em nada o equilíbrio de forças do mediterrâneo. o rei português preferiu aproveitar os privilégios de cruzada conferidos pela santa sé, para se voltar para o norte de áfrica, e em 1458 avançou com 220 velas para alcácer ceguer que conquistou com relativa facilidade a 24 de outubro. a praça não tinha uma importância por aí além, mas as suas capaci-dades económicas não eram para desprezar: sabe-se que nela havi-am gados, frutos e vinha. sobretudo, permitia um apoio directo a ceuta – de que distava cerca de três léguas – aliviando o sufoco em que vivia a sua guarnição e permitindo a formação de uma plataforma alargada, de onde partiriam algaras sobre as terras de mouros. o próprio rei viria a deslocar-se a áfrica por várias vezes, para desenvolver esse tipo de guerra, um pouco à maneira dos tempos da reconquista, quando portugal ainda não tinha estendido os seus limites até ao algarve. em 1463/64 preparou nova armada para atacar tânger, mas, mais uma vez, teria de desistir da empre-sa, porque as defesas da cidade não cediam à pressão portuguesa. aproveitou, no entanto, para efectuar uma campanha militar de devastação até ao rife, mas a ousadia sair-lhe-ia cara e quase perde-ria a vida na serra de benacofu, perto de tetuão. a sua ideia parece simples: se conseguisse conquistar tânger, ficaria senhor de um vasto território constituído pela ponta norte do magreb, entre ceuta e o cabo espartel. uma posição assim alargada tinha muito mais consistência económica e poderia defender-se muito melhor do que a simples praça de ceuta, que tinha de viver dos abasteci-mentos que lhe chegavam de portugal pelo mar. tânger era assim o garante de uma posição sólida no norte de áfrica. entretanto a situação política em marrocos degradava-se de dia para dia e isso não escapava à observação dos portugueses que recolhiam preciosas informações de todas as formas que po-diam. dominava um ambiente de anarquia, com disputas locais que acabaram por conduzir à morte o último sultão merínida, abdal-haqq, em 1465. mulei xeque, o senhor de arzila, era um dos que tinha ambições de tomar o poder e foi precisamente quan-do este se encontrava fora da cidade, a cercar fez, que afonso v de-sembarcou e conquistou a cidade, subjugando os seus habitantes porta a porta e aprisionando o filho e duas mulheres do soberano. a praça fica um pouco a sul do cabo espartel e não apresenta grandes facilidades para um desembarque militar. logo aí perde-ram a vida cerca de 200 portugueses, mas o cerco foi conseguido e, a poder de fogo, a praça acabou por ceder à entrada dos atacantes. esta conquista foi decisiva, porque tânger ficou isolada e teve de ser abandonada aos portugueses, mas o mais importante foi o facto de que isto coincide com a tomada de poder em fez por parte de mulei xeque, que prefere negociar a paz com afonso v. de facto, ele precisava dessa paz para se consolidar como sultão de fez e os portugueses precisavam dela para desenvolver um trato comercial que lhes fornecia os produtos necessários para trocarem com o ouro da guiné. os comerciantes negros da áfrica ocidental, que agora contactavam com os nossos navios, sempre tinham negocia-do com o magreb e estavam habituados a receber os lambeis (panos de algodão) e os objectos de cobre que aí eram produzidos. a situação que afonso v conseguira em marrocos foi extraordina-riamente útil a portugal, mas a sua estabilidade era precária e con-tinuava a exigir um grande esforço militar. voltaremos a falar no assunto mais à frente. j. semedo de matos cten fz d. afonso v em arzila. tapeçaria de pastrana. mar mediterrâneo oceano atlântico tarifa gibraltar ceuta tetuão arzila larache alcácer quibir fez tânger alcácer ceguer cabo espartel  página ímpar</Page><Page Number="19">m marinheiro de excepção revista da armada • janeiro 99 17 e m 1938, eric tabarly, com sete anos de idade, apaixonou-se por uma embarcação de recreio que seus pais adquiriram. construída no fim do século passado, desenhada por um famoso arqui-tecto naval escocês, tinha sido crismada de pen duick, o nome de um pássaro que, em bretão, quer dizer abelharuco de cabeça negra. a família tabarly pouco tempo se aproveitou desta sua aquisição. a segunda grande guerra estala no ano seguinte e o pen duick, vai ficar imobilizado durante anos o que, sabemos bem, não lhe dará muita saúde. e só não foi desmantelado por mero acaso. de facto, no local em que se encontrava fundeado, os ocupantes alemães, que andavam à procura de chumbo, pergun-taram a quem por ele velava, de que ma-terial era constituido o patilhão. a resposta foi “julgo que é ferro”. e esta mentira provi-dencial, salvou a vida daquela emblemática embarcação. terminada a guerra, os tabarly não ti-nham condições para efectuar as custosas reparações que a embarcação necessitava, após tão longa imobilização. a partir de 1947, a família pensa vender o pen duick, contra vontade de eric que decide alistar-se na aeronáutica para conseguir os fundos indispensáveis para efectuar os fabricos. perante tal atitude o pai oferece-lhe a embarcação. eric obtém o brevet mas, tendo possibilidades de entrar para a escola naval, tenta, e é bem sucedido. não é um aluno bri-lhante mas, no campo despor-tivo é o melhor. leva o pen duick para a escola naval, veleja sempre que pode. entu-siasma os seus companheiros na prática da vela. o seu mérito é reconhecido ao ponto de o salvar de um chumbo certo. após a escola naval, embarca no jeanne d’arc. nas viagens de instrução deste navio-escola, era tradição pôr na água uma galera, meter- -lhe dentro dez cadetes e fazê- -la navegar, pelos seus próprios meios, para o próximo porto, quando o navio se encontrava a 100 milhas de distância. a galera com os seus três mastros e 10 metros de compri-mento, estava dotada com uma agulha de marear, a carta da zona, um sex-tante, um cronómetro e as indispensáveis tábuas náuticas. os jovens elementos da guarnição tinham de desenrascar-se. em viagens anteriores, aconteceu, por vezes, que a galera chegava ao porto quando a jeanne já estava prestes a largar e os cadetes perdiam assim a oportunidade de uma agradável estadia em terra. nesta viagem, a primeira tripulação foi chefiada por tabarly. resultado, a galera chegou ao porto com poucas horas de atraso em rela-ção ao navio escola. eric, nas suas memó-rias, atribui o sucesso aos alisados que so-pravam na região. a realidade foi porém outra e resultou, certamente, da extraordinária sensibilidade que tabarly já evidenciava para a navega-ção à vela. no regresso da viagem, eric e o seu pen duick não param. participam em muitas regatas. mas em 1964 decide entrar na ostar, uma regata em solitário entre plymouth e newport, rhode island, nos eua , organizada pelo jornal inglês obser-ver e cuja edição de 1960 tinha sido ganha pelo famoso francis chichester, que a rai-nha de inglaterra tinha feito sir. para esta regata a sua embarcação não é adequada e assim surge o pen duick ii. o pen duick ii é construído em contrapla-cado, tem a armação em ketch, o que divide a superfície vélica e facilita a manobra por uma só pessoa. foi-lhe colocada uma mesa das cartas que se mantém horizontal inde-pendentemente da inclinação do barco. é uma novidade. aliás tabarly também irá ter, ao longo da sua vida um papel impor-tante na inovação das embarcações de com-petição. dispõe de leme automático. para poder fazer leme do interior é instalada uma cúpula em plexiglass, uma reminis-cência da aviação naval. tem rádio, mas para eric é melhor não o ter. consome muita energia e quando avaria cria inquie-tações. entre os concorrentes desta ostar encon-tram-se os cinco que participaram na edição de 1960. chichester é, portanto, um deles. no dia 23 de maio é dado o tiro da largada. lá vão eles. ao fim de três dias o leme automático avaria. não pode haver pior catástrofe para um solitário. pensa desistir. experimenta amarrar o leme e para seu espanto o rumo mantêm-se. “jamais poderia supor que a arquitectura naval pudesse alcançar tão maravilhosa descoberta”, reflecte eric. nesta situação não pode dormir mais do que hora e meia de cada vez. para o acordar usa um grande despertador de cozinha cro-mado, que a humidade do mar enche de ferrugem. as coisas não correm bem. o fio do odómetro parte e o nosso eric substituiu-o por um sobressalente, que também acaba por se perder. a navegação complica-se. o um marinheiro de excepção eric tabarly um artista açoreano prestou homenagem a eric tabarly, gravando o seu retrato num “scramshow”. (fotografia cedida pelo café sport). eric tabarly – capitão-de-mar-e-guerra da marinha francesa. (fotografia da marinha de guerra francesa).</Page><Page Number="20">8 janeiro 99 • revista da armada sextante nem sempre se pode utilizar pois, numa pequena embarcação com mar agita-do, não se consegue o horizonte. aliás o sextante será sempre para tabarly um instrumento imprescindível, porque este marinheiro, de ideias fixas, nunca pactuará com os sistemas de navegação por satélite. mas ainda há mais. no dia 6 de junho o despertador não o acorda. que se passa? avariou!. está irrecuperável. é o terceiro instrumento que o abandona. continua a regata em condições que seri-am, para outros, humanamente impos-síveis. todavia, eric, para além da sua com-pleição robusta, tem uma força e uma deter-minação que move montanhas. as condições no interior do pen duick ii tam-bém não são boas. faz frio e há muita humidade, o que é altamente inconfortável para quem tem poucos momen-tos de descanso que têm de ser bem aproveitados. acende o fogão a carvão e o ambiente melhora ligeiramente. na noite do dia 10, eric aper-cebe-se que tem um problema no galope do mastro grande. a avaria é no moitão de uma das adriças. há que reparar a ava-ria, o que ele faz na manhã se-guinte. eric iça o material e a ferramenta que vai utilizar. de-pois trepa pelo mastro. são 13 metros. quando chega aos 10 metros o balanço é tal que sente o perigo de ser catapultado. desce. mete o barco de capa. faz segunda ascensão. desta vez chega ao topo. re-para a avaria. está satisfeito. mas, quando, cá de baixo, contempla a obra, constata que duas das adriças ficaram enrascadas. bolas! e lá vai ele, novamente, mastro acima... quatro horas demorou este arriscado número de funambulismo. navegar em solitário, especialmente em competição, não é tarefa fácil. os exemplos não faltam. é o vento que enfurece, o mar que encapela, a avaria que surge e não há ninguém que ajude. mas há pior: o isola-mento, especialmente quando não há rádio ou, como acontece com tabarly que prefere não o utilizar. de facto nesta regata só uma única vez eric ensaia entrar em comunicação mas, como a ligação está demorada, desiste. isolado no mar imenso, sem qualquer infor-mação respeitante aos outros concorrentes, não pode haver descanso. a regra é sempre a mesma: exigir o máximo do barco e de si próprio. tabarly chega em primeiro lugar. chicester em segundo. quando se encon-tram, este último felicita o vencedor: “é uma honra ter sido batido por um mari-nheiro como você”. eric tabarly viria a receber o troféu desta regata das mãos de uma figura histórica: lordmontbatten. com esta vitória tabarly consagra-se um grande campeão. mas, mais do que isso, dá um enorme empurrão aos desportos náuti-cos em frança. no seu país, aumenta o nú-mero de praticantes, adquirem-se iates e barcos de regata, constroem-se marinas. o desporto da vela já não é um privilégio ex-clusivo dos ingleses. o presidente da repú-blica entrega a tabarly a legião de honra com o grau de oficial. jacques chirac, a títu-lo póstumo, irá elevar esta condecoração ao grau de comandante. entretanto, eric é requisitado pelo mi-nistério da juventude e dos desportos. agora pode dedicar-se inteiramente ao seu desporto favorito. as despesas com a cons-trução dos barcos e a sua manutenção fo-ram sempre o seu calcanhar de aquiles. o apelo aos “sponsers” ainda não é praticado. a publicação de livros é uma solução. eric irá usar este recurso numerosas vezes. a sua primeira obra, victória em solitário, é um sucesso. tabarly teve, ao longo da sua vida, uma frenética actividade de velejador de com-petição. andar no mar, para este destemido marinheiro era mesmo uma obstinação. por esses infindos oceanos percorreu o equiva-lente a mais de 16 voltas à terra. quase o mesmo que ir e regressar da lua. por isso não podemos acompanhá-lo, tanto mais, que o espaço que dispomos é restrito. corremos portanto o risco de mostrar ao leitor um retrato desfocado. eric teve sempre um carinho especial pelo nome de pen duick e assim foi crisman-do todas as suas embarcações, só lhe mudando o número de ordem. cada uma delas era concebida para o tipo de regata em que ia participar. desenhos diferentes que iam surgindo com inovações. o casco em poliester, o tri-maran, balastos constituídos por tanques de água para compensar a inclinação do barco e até o uso de urânio empobrecido no pati-lhão, dado ao facto deste metal ter uma densidade muito superior ao chumbo. aliás esta solução, usada no pen duick vi, o últi-mo da série, iria desclassifica-lo pelo júri depois de uma regata whitbread à volta do mundo. o prestígio de tabarly não cessa de aumentar. o presidente da república con-vida-o para almoçar, mas nessa data precisa o seu pen duick iii vai ser posto a flutuar. por uma questão de altura de maré, a ope-ração tem de ser feita mesmo naquele pre-ciso dia. declina o convite. na marinha comenta-se: como é que um simples tenente recusa um convite irrecusável? todavia, pouco tempo depois, o general de gaulle envia-lhe uma carta, escrita pelo seu próprio punho, que reza assim: “mon-sieur, espero que desta vez a maré permita que possa participar no almoço previsto para o dia 20 de outubro”. são assim os grandes homens. em junho de 1978, tive a oportunidade de conhecer eric tabarly, em brest, a bordo da fragata robert ivens. era comandante deste navio o então capitão de fragata josé mendes rebelo. apercebi-me que tabarly não era grande conversador, como aliás é comum dizer-se. mas tal-vez a falta fosse minha, porque não era esta a sua opinião. de facto, ele escreveu a seu res-peito: “é costume atrbuírem-me a reputação inexacta de ser um urso, um taciturno, uma catás-trofe mediática, mas isso dizem os que mal me conhecem. sem ser um grande “bavard”, eu não sou um silencioso. gosto de falar e sempre que o assunto me interessa participo. mas se a conversa entra em assuntos que me são indiferentes, então evado-me mentalmente, calo- -me e por vezes chego a dormir”. todavia, o falar pouco é atestado pelos seus companheiros de vela, que dizem que ele preferia fazer a mandar fazer. no mar, tabarly nada tinha de teórico, mas sim um sentido prático excepcional que lhe permi-tia efectuar a manobra mais adequada no tempo certo ou improvisando, com os limi-tados recursos de bordo, a reparação de uma avaria inesperada. o tempo vai passando e a epopeia dos pen duick termina no fim dos anos 70. ra-zão: a vela de alta competição deixa de se poder fazer com os recursos financeiros individuais, como até então acontecia e de que tabarly é um exemplo. as embarcações, desenhadas por famosos arquitectos navais, são construídas recorrendo à alta tecnologia e utilizam materiais mais leves e mais resistentes que os tradicionais, mas que são imensamente dispendiosos. uma embarcação pode cus-tar mais de um milhão de contos. assim as despesas com a construção e manutenção destes “galgos do mar”, só podem ser suportadas por firmas milionárias, que vão receber a contrapartida na publicidade dos produtos que fabricam, feita nos cascos, nas velas e nos descomunais spinakers. o barco à vela cada vez se afasta mais eric tabarly, a bordo do n.r.p. “comandante roberto ivens”, em junho de 1978, na companhia do pintor roger chapelet, do autor e do comandante do navio, capitão-de-fragata josé manuel mendes rebelo. (foto cedida pelo autor).</Page><Page Number="21">evista da armada • janeiro 99 19 das suas formas clássicas, sacri-ficando tudo para aumentar ao máximo a sua velocidade. to-davia, esta ânsia pela velocida-de paga, por vezes, elevadas taxas. de facto, as estruturas são concebidas com margens mínimas de segurança, que são frequentemente ultrapassadas quando, em competição, os operadores, para chegarem pri-meiro, não hesitam em largar pano desmedidamente, pondo em causa a integridade da em-barcação e das próprias vidas dos tripulantes. e tal também acontece por-que - quando não há perda de vidas a lamentar - quem paga a factura é o “sponsor”. nesta nova fase, tabarly continua a ga-nhar regatas, bate records, como a travessia do atlântico, no paul ricard, um trimaran a hidrofoiles, mas também tem desaires. volta-se mais de uma vez, como aconteceu na regata la baule-dakar, tendo por único companheiro o seu irmão patrick, a bordo do côte d’or ii que, actualmente, é pro-priedade de um português. tabarly era um homem de firmes con-vicções. já vimos que era contra as comuni-cações rádio assim como se opunha aos modernos métodos de navegação por satélite. no aspecto de segurança a bordo era intransigente: nada de colete de sal-vação nem de arnês. disse-o variadíssimas vezes. nas suas memoires du large, é bem claro: “a bordo das minhas embarcações eu não imponho nada porque para impor aos outros é necessário dar o exemplo. ora eu oponho-me ao uso do arnês. o meu raciocínio é simples: prefiro desaparecer em alguns minutos, por mais desagradáveis que eles sejam, a impedir constantemente a minha vida a bordo com esses [incómodos] cintos.” mal sabia eric o que ia acontecer- -lhe um ano depois. em 1985, com a patente de capitão de fra-gata eric passa à reserva. três anos depois a marinha concede-lhe os galões de capitão de mar e guerra. tabarly, em especial, nos últimos anos interessa-se pelas causas justas. insurge-se violentamente quando o governo quer fechar o museu de marinha, para instalar no palácio chaillot um outro museu. são dele as seguintes palavras: “os franceses têm necessidade de uma educação maríti-ma para compreenderem a importância estratégica e económica do mar. um dos raros instrumentos pedagógicos que temos é justamente o magnífico museu de marinha, um dos mais belos que co-nheço no mundo, para não dizer o mais belo, e do qual a frança tem o maior orgu-lho...temos de nos mobilizar”. sábias pala-vras. a mudança acabou por ser abandona-da, mas não pelos argumentos apontados por tabarly. a razão foi outra: a despesa com a construção de um novo museu de marinha era muito elevada para as finanças públicas. lutou também pela construção duma réplica do cinco mastros france, que foi o orgulho dos “cap-horniers” e que daria ao país o grande veleiro que não tem e que merece. de 22 a 24 de maio de 1998, tabarly feste-ja entre os amigos o centenário do pen duick, o seu primeiro barco. é a última boa notícia a seu respeito. depois... depois, na fatídica noite de 12 para 13 de junho de 1998, eric navegava no seu primeiro pen duick dirigindo-se para fairlie, na escócia, onde ia participar numa homenagem a william fife iii. este arqui-tecto naval, que viveu entre 1857 e 1944, foi autor dos planos de mais de 800 barcos de recreio, entre os quais se incluem aquele em que eric navegava e alguns outros que con-seguiram resistir ao desgaste do tempo e que iriam estar presentes em fairlie. soubemos que existia em portugal uma embarcação desenhada por fife. contac-tamos o seu proprietário, o dr. sebastão bri-to e abreu. trata-se do finola que pertence à classe 8 metros internacional. todavia, este desportista náutico, informou-me que no nosso país existem mais duas embar-cações da mesma classe e do mesmo arqui-tecto. e, mais, que d. carlos ofereceu à rai-nha d. amélia, por ocasião do seu quadra-gésimo aniversário, o maris stella, uma embarcação que também teve os planos assinados por fife. na viagem para a escócia, eric levava a bordo antónio e cândida costa, compa-nheiros com quem fazia ski em chamonix, jacques-andré rebec, oficial reformado da marinha francesa e o fotógrafo erwan quiméré, que nos deixou belas imagens de tabarly. o vento tinha refrescado e tabarly decide substituir a grande, que já se encontrava risada, por uma vela de tempo. inespera-damente, a carangueja bate-lhe no peito com força, o que o faz desequilibrar e o atira ao mar. passavam 15 minutos da meia noite. os seus companheiros lançam-lhe uma bóia de salvação, mas não sabem se ele conseguiu apanhá-la. ainda ouvem gritos de afli-ção. disparam dois very lights. pelo vhf portátil, pedem socorro no canal 16, não obtêm resposta e entretanto a bateria esgota-se. já dissemos como eric era avesso ao uso de radio ajudas, por isso não admira que tal aconteça. os tripulantes põem a embarcação de capa. arriam as velas. compreen-demos como desesperante teria sido a situação, dado que dos quatro tripulantes, só o fotó-grafo quiméré tem experiência de vela. lançam o motor que foi montado apenas para ser usado nas manobras de atra-cação nos portos. a sua fraca potência não permite desenvolver a velocidade capaz de alcançar o local onde se deu o naufrágio, dado que é grande o abatimento da embar-cação, devido ao vento rijo que sopra. mas admitindo que o conseguiam, sabemos bem como é difícil encontrar um náufrago, mesmo com luz do dia, quando o mar está agitado. de noite, não foi mais do que uma busca em vão. ao nascer do sol a tripulação do iate aus-traliano longobarda descobre o pen duick, a 30 milhas da costa do país de gales. dá o alarme. guarda costas ingleses iniciam a busca, depois reforçada por um helicóptero da raf. a pesquisa termina quando já não há quaisquer esperanças de encontrar o náufrago. com a água do mar a pouco mais de 10º ninguém resiste mais de poucas ho-ras, mesmo que seja o atleta que tabarly era. ironia do destino. eric que fez centenas de milhar de milhas, pelos oceanos do globo, muitas delas em solitário, tantas vezes desafiado por situações difíceis, em condições de extremo cansaço, sem ter ninguém que lhe pudesse valer em caso de acidente, vai desaparecer quando viajava praticamente em passeio. no dia 21 de junho, ao largo de brest, a marinha nacional e o mundo ligado à vela prestaram homenagem a eric tabarly. da fragata de grasse, onde estava embarcado o presidente da república, foi lançada uma coroa de flores e feita uma salva de cinco tiros. nas proximidades, centenas de embarcações de recreio tripuladas por com-panheiros e admiradores, disseram adeus àquele que foi, sem sombra de dúvida, um marinheiro de excepção. um marinheiro que teve o privilégio de desaparecer no mar, esse mar imenso que foi o seu mundo e que ele amou como ninguém. a. estácio dos reis cmg ref notas: este artigo é o resumo de uma comunicação do autor proferida na academia de marinha. eric tabarly, numa das suas passagens pela horta, à porta do café sport, na companhia do seu proprietário, o famoso peter. (fotografia cedida pelo café sport).</Page><Page Number="22">m forum de estudantes na escola naval 20 janeiro 99 • revista da armada p edir que se olhasse para a sua época de modo a ajudar-nos a entender os pressupostos conjunturais e sobretu-do pessoais que levaram um tão pequeno, ameaçado, pobre e periférico povo a con-cretizar uma tão desmedida viagem, com o sucesso e as consequências que, quinhentos anos depois, ninguém pode ignorar, era por si já um grande repto. porém, desde o início do projecto se entendeu que a importância que os oceanos vão de novo assumindo, deveria fazer alargar o âmbito do colóquio para lá duma mera perspectiva sócio-histórica. de facto, conhecemos demasiado mal o papel, nos fenómenos que nos afligem, da massa líquida que cobre mais de dois terços do nosso planeta e, nela, os bens que ameaçamos exterminar ou de que não tiramos o devido partido ou de que só por um concertado esforço de investigação científica e de desenvolvimento tecnoló-gico poderemos vir a retirar novo e susten-tável proveito. e porque no mundo terão de conviver muitos interesses que colidem entre si e com a consciência de que caminhamos para uma globalização que se não for eticamente cons-truída será a sua negação, importou-nos que todos os passos no sentido do futuro fos-sempensados de forma estratégica. se o uso dos oceanos como meio de comunicação é a forma mais evidente deste processo de globalização, a verdade é que como tradicional fonte de recur-sos, se requer uma radical mudança de ati-tude a par da busca de novas e insuspeita-das oportunidades que numa visão alarga-da possam contribuir para os mais diversos e, hoje, imperativos equilíbrios plane-tários. assim, se construiu uma matriz de três áreas de reflexão por três perspec-tivas que permitisse a participação de estudantes do ensino superior das mais diversas áreas do conhecimento. a adesão de s. exª o pr permitiu a consti-tuição duma notável comissão de honra. dum cartaz, dum desdobrável, dum auto-colante, duma página na internet, dos apoios e do grande esforço desenvolvido, resultou um encontro multidisciplinar de jovens que aceitaram expôr as suas re-flexões, à volta do vasto e ambicioso tema. registámos, assim, a presença de 89 autores, em nome individual ou em equipa, das 46 comunicações que inequivocamente cobriram a matriz proposta. por ordem alfabética temos com 1 comu-nicação e 3 estudantes (1/3), as academias da força aérea e militar (2/4). a escola superior da policia (5/16), in-cluindo jovens da cplp, o instituto politéc-nico de viseu (1/2) e as universidades dos açores (1/1), do algarve (4/8), de aveiro (1/2), de coimbra (1/3), de lisboa (10/12), de macau, (1/2 da rpc), da madeira (1/1), da nova (2/4) e a do porto (7/12) foram as instituições com estudantes que apresen-taram trabalhos. à escola naval (9/21) coube a maior par-ticipação. nela, como ponto de partida, o ciclo da água, depois, os estudos sobre o mar e a evolução, até hoje, de algumas ciên-cias e tecnologias e suas perspectivas futuras, o uso e o aperfeiçoamento de meios tecnologicamente avançados e novas for-mas de intervenção naval. sem comunicação, vieram mais 8 rapari-gas e 44 rapazes das instituições já citadas e da náutica, do isel, do técnico e das universidades católica, internacional e lu-sófona. assim, 141 estudantes e 12 professores encheram as salas das sessões de apresen-tação e das mesas redondas. aquelas implicaram uma delicada dis-tribuição das comunicações, por temas, ao longo das 16 sessões e, nelas, um encadea-mento, tão lógico quanto possível, de modo a suscitar o inerente debate e as desejáveis sinergias interdisciplinares. dummodo muitíssimo geral foram trazi-das à colação a geologia e a biologia mari-nhas, as incidências nas farmacologias, na poluição por metais, no ambiente e o direito do mar, a estratégia e as novas relações internacionais, as ciências náuticas, a cons-trução naval e tecnologias de ponta subli-nhadas pela investigação histórica. o uso de transparências, diapositivos, multimédia, vídeo e até dramatização pelo rigor, ritmo e ilustração impressionou viva-mente estudantes, professores e presidentes das sessões. estes, personalidades da mais alta com-petência na área abordada, como home-um forum de estudantes na escola naval em debate, vasco da gama, os oceanos e o futuro de 23 a 27 de novembro teve lugar na escola naval um colóquio que evocou, mas não só, o homem que, este ano, todo o mundo, de uma ou outra maneira, celebrou. mesa da presidência na sessão solene de encerramento do colóquio presidente da república assina o livro de honra da e.n.</Page><Page Number="23">evista da armada • janeiro 99 21 nagem ao trabalho dos autores, propor-cionaram interessantíssimos entrosamentos e estimulantes achegas que a qualidade dos trabalhos e das intervenções gerava. compreendendo-se que a vastidão dos temas não poderia, pela sua especialização, ficar exaustivamente coberta, o projecto incluiu quatro mesas redondas. para tal reuniram-se vinte e quatro indi-vidualidades do mais alto gabarito que fo-ram, em torno de vasco da gama, his-toriadores, e das três áreas de refle-xão, especialistas confrontados com a sua praxis. abreviadamente apresentados os seus densos curricula, iniciaram-se os tra-balhos, cabendo a um deles, numa perspec-tiva estratégica, o comentário final. isto permitiu dar uma visão multidisci-plinar dos inúmeros problemas, mas tam-bém das potencialidades, oportunidades e mesmo desafios em aberto em portugal, na eu e no mundo que, a montante e a ju-sante, os oceanos e a nossa geografia susci-tam nas actividades primária, secundária e terciária, ligados ao mar, à superfície, (pesca, transportes, portos e estaleiros), e acima dela e desde as orlas costeiras aos mares territoriais e nas zonas económicas exclusivas até ao fundo, à face e abaixo das plataformas continentais e nas fossas abis-sais de todo o globo, no que respeita aos inúmeros recursos e desejáveis equilíbrios. o eco dos debates que se seguiram às exposições dispensam-nos comentários que seriam incompletos e seguramente empo-brecedores. unânime, valha a verdade, a desoladora convicção da falta de empenha-mento dos diversos agentes nacionais (1). prolongamentos de mais de uma hora, a entrar pelo jantar, dizendo do impacte destes encontros de gerações. um oficial do ema abordou o esforço da marinha no serviço público, desde a fiscali-zação ao apoio à diplomacia e, ao longo de três tardes e a par da lisnave e do oceaná-rio que, claro, monopolizou muitos partici-pantes, estes puderam, em visitas guiadas, penetrar nos bastidores da conservação do património histórico e cultural (aquário, arquivo, museu e fragata d. fernando ii), da investigação científica que, no mar e na orla costeira, se desenvolve nas vertentes da oceanografia e da hidrografia (aquário, lancha oceanográfica «auriga» e instituto hidrográfico) e ainda das tecnologias que a armada manipula, das mais diversas e avançadas de que o país dispõe («corte real», citan, «albacora», instituto hidro-gráfico e arsenal do alfeite). uma exposição sobre «o primeiro contacto português com o índico» (2) e outra sobre «vasco da gama» (3) prepa-raram a solene homenagem prestada nos jerónimos, na cativante presença do descen-dente (4) do ilustre navegador que, em cascais, foi efusivamente cumprimentado. balizada pela abertura, presidida pelo mdn e com intervenções da academia da marinha (5), seguida duma palestra sobre «o avanço tecnológico do armamento português na conquista do índico», ilustra-da com um disparo de arcabuz, e o encerramento do colóquio/abertura do ano lectivo (pr/cema, cte da escola naval, sociedade de geografia (6) e presidente da comissão executiva (7) em que se procedeu à entrega, segundo a ava-liação da especializadíssima comissão científica, dos prémios instituídos pela marinha (áreas/240 contos) e cgd, aip e idn (perspectivas/200c) no âmbito da matriz e que a flad coroou com um signi-ficativo 1º prémio (1500c). na distribuição das menções especiais (9), diplomas, medalhas (8) e ofertas da eu/dg-vii (cd «mar compartilhado») aos participantes, da cmio («relatório») às comunicações e da marinha às menções e prémios («lusíadas») e às faculdades (placas) os participantes evocaram com par-ticular ênfase a importância, para si, do muito que aprenderam e com fascínio, entre outras, a simulação e treino no citan, a exiguidade dum submarino e a rigorosa revisão de outro, o activado co (9) duma fragata e outra em doca seca, as modernas peças e as antigas coronadas, os navios em construção ou reparação, os antigos uni-formes e modelos dos navios, os fólios da velha cartografia e a novíssima carta elec-trónica. aos patrocínios do banco efisa, da inapa e da fundação calouste gul-benkian se deve a publicação do programa e, em breve, a das actas. o comandante da escola naval, calm silva santos, a quem muito se fica a dever, já publicamente admitiu a realização bienal destes colóquios. as vozes ouvidas (10), os acordes escuta-dos (11), as palavras declamadas (12) e o sabor da aventura (13) encerraram, desanu-viando, cada jornada de trabalhos como um baile informal (14) fechou pelas 04.30 horas de sábado uma semana que os jovens estu-dantes dificilmente esquecerão. dr. rui manuel ramalho ortigão neves 1ten ref presidente da república entrega o 1º prémio “fundação luso americana para o desenvolvimento”, “ex-equo” a rui godinho (univ. lisboa), roberto lemos (univ. porto) e armando lucrécio (escola naval). calm silva santos, comandante da e.n., na sua alocução. notas: (1) odia nacional do mar (16 de novembro), instituído em fevereiro pp a bordo da «vasco da gama» foi esquecido. no colóquio o dia nacional da ciência (24 novembro) foi assinalado. (2) exposição; dr. rainer daehnhardt. (3) comissão nacional para os descobrimentos. (4) dom vasco xavier teles da gama. (5) calmrogério d’oliveira e cmg dr. eduardo serra brandão. (6) almantónio de sousa leitão e eng. josé carlos gonçalves viana. (7) o nosso colaborador, 1º ten dr. rui manuel ramalho ortigão neves e secretário geral, secretariado e pelouros (16 membros). (8) da autoria do sr. cmg raul de sousa machado. (9) centro de operações (10) tuna feminina do ist e coral alentejano da u. évora. (11) banda e coro da armada. (12) companhia de teatro de almada. (13) noites nas docas. (14) animado pelo conjunto dos cadetes da escola naval.</Page><Page Number="24">eminário 22 janeiro 99 • revista da armada a sessão de abertura destas 2 as jornadas de tecnologias de informação da marinha foi presidida pelo chefe do estado- -maior da armada, alm vieira matias e contou com a pre-sença de muitos oficiais generais e outros oficiais e convidados, que encheram por completo o auditória da academia de marinha. abriu as jornadas, o calm ribeiro ferreira que saudou a presença do alm chefe do estado-maior da armada manifestando o regozijo pelo facto de presidir a esta sessão, o que não só conferiu às jornadas maior relevo, mas também por constituir forte incentivo para a damag e toda a “comunidade de informação” da marinha, se empenharem com determinação na prossecução do propósito esta-belecido na última directiva de política naval, no sentido de propor-cionar aos diversos níveis de gestão da marinha a informação fiável e oportuna, afim de assegurar as condições necessárias para garantir a consecução eficaz e eficiente dos objectivos nas diversas áreas fun-cionais.  ainda no âmbito da sessão de abertura, o professor luís amaral, da universidade do minho, apresentou uma comunicação subordinada ao tema “estratégia nas tecnologias e sistemas de informação”. o conferencista salientou a necessidade da articulação das estratégias para as tecnologias e sistemas de informação com as restantes estratégias organizacionais. contudo, as expectativas que hoje se tem sobre a flexibilidade e versatilidade dos sistemas de informação e correspondentes infra-estruturas tecnológicas, são de certa forma incompatíveis com a própria definição e articulação de todas essas estratégias. foi assim apresentado um novo modo de encadear as diferentes estratégias mais adequado às características desejáveis para o sistema de informação de hoje e do futuro. há dois anos atrás surgiu a ideia de lançar uma iniciativa de grande envergadura que congregasse organismos e pessoas interessadas na problemática das tecnologias de informação na marinha. apareceram assim as 1 as jornadas de tecnologias de informação da marinha, promovidas pela damag, que se vieram a afirmar como uma importante iniciativa de âmbito técnico e cultural. na sequência do que foi feito e do sucesso alcançado com as 1 as jornadas, a damag levou a efeito as 2 as jornadas de tecnologias de informação que decorreram nos dias 18 e 19 de novembro no auditório da academia de marinha, com o tema “os sistemas de informação como factor de mudança para o século xxi”. esta iniciativa contou com a apresentação de 14 comunicações, estando 6 a cargo de conferencistas da marinha e 8 a cargo de conferencistas convidados fora do âmbito da marinha. damag seminário as 2 as jornadas de tecnologias de informação da marinha o primeiro dia de trabalhos seguiu-se a intervenção de peter arts, information systems manager da namsa, que apresentou uma comunicação entitulada “planning for and implementing a large integrated information sys-tem”. nos últimos anos as organizações desenvolviam as suas próprias aplicações, situação que veio alterar-se quando o mercado passou a colocar à disposição de cada organização e de acordo com as suas necessidades, aplicações “comerciais” – cots ( commercial – of – the – shelf). recentemente a namsa optou por uma solução deste tipo baseada em sap r/3. a comunicação seguinte coube à dra elsa farto, consultora de sistemas de informação da caixa geral depósitos, que apresentou uma exposição sobre “as normas de qualidade na gestão de projectos informáticos”. as unidades económicas para sobreviverem e fazerem face aos desafios da economia global dependem cada vez mais de sistemas de informação fiáveis e flexíveis, baseados, planeados, arquitectados e explorados em tecnologias de informação, instaladas e exploradas como produtos resultantes de projectos informáticos. assim sendo, o sucesso dos projectos informáticos é visto hoje como uma estratégia determinante para o posicionamento das empresas nos mercados, na perspectiva de oferecer produtos informáticos de qualidade por quem os oferece e por quem os consome. um melhor conhecimento sobre o “corpo de conhecimentos na gestão de projectos informáticos” e uma maior consciencialização sobre as normas de qualidade a aplicar nessas áreas, vão permitir uma melhor eficácia e eficiência na gestão de projectos informáticos e contribuir para o sucesso do pro-duto final, quando associado a instrumentos importantes como o plano do projecto, o plano da qualidade e o plano da gestão da configuração, entre outros. o cten emq bigotte de almeida, que desde 1994 tem desem-penhado funções de chefe da secção de sistemas de informação da damag, apresentou uma comunicação sobre a “integração de sistemas de informação – mitos e realidades”. foram apresentadas algumas ideias dominantes sobre este proble-ma baseadas na experiência da damag de acordo com a realidade da marinha. a terminar, o cten bigotte de almeida apresentou um conjunto de propostas de acção que se julga poderem contribuir para melhorar a forma de utilização das tecnologias de informação e aumentar os níveis de integração dos diversos sistemas de informação. mesa da presidência na sessão de abertura.</Page><Page Number="25">evista da armada • janeiro 99 23 “o ano 2000 e os sistemas informáticos: a recta final” foi o tema escolhido pelo professor pedro veiga, da faculdade de ciências da universidade de lisboa e membro da equipa de missão para a sociedade de informação que falou em termos gerais sobre a prob-lemática do ano 2000. o problema informático do ano 2000 tem a sua origem num pro-blema técnico muito simples mas que se encontra disseminado em grande escala nos sistemas informáticos. agora que o dia 1 de janeiro de 2000 se aproxima há que fazer as últimas alterações, planear os testes e eventuais migrações de hardware e software e esperar que tudo funcione como planeado. assim, há que planear cuidadosamente planos de contingência a aplicar nos sistemas e aplicações informáticos que eventualmente venham a falhar. o 1ten sep costa magalhães, da damag, apresentou uma co-municação sobre “a problemáti-ca do ano 2000 e as implicações nos sistemas da marinha”. tendo sido inicialmente iden-tificado como questão exclusiva da informática, o “problema do ano 2000” tem hoje uma abran-gência bem mais alargada, e é já encarado como um problema que afecta toda a organização. esta alocução teve como ob-jectivos uma abordagem genéri-ca sobre a problemática do ano 2000 e uma tentativa de diag-nóstico da situação da marinha relativamente às principais áreas de impacte do problema. o primeiro dia de trabalhos foi concluído com a apresentação de uma comunicação intitulada “o euro e os sistemas de informação”, da responsabilidade do 1ten sep ramalho araújo da damag. foi feita uma abordagem genérica da problemática do “euro”, seguindo-se uma análise mais específica de questões práticas tais como: regras de conversão e arredondamentos, formatos de écrans e relatórios, armazenamento e conversão de dados históricos e ainda um diagnóstico de situação das aplicações informáticas da marinha. segundo dia de trabalhos o segundo dia de trabalhos das 2 as jornadas de tecnologias de informação da marinha, iniciou-se com a apresentação de uma palestra subordinada ao tema “orientação a objectos: uma perspecti-va qualitativa”, pelo engº fernando brito e abreu do iseg. foi explicado o êxito da orientação a objectos e a forma como este paradigma contribui para a melhoria da qualidade dos sistemas soft-ware, quer ao nível externo, quer interno. foram ainda dados exem-plos de várias facetas do desenho e codificação de sistemas orienta-dos a objectos. a segunda intervenção do dia esteve a cargo do engº miguel goulão, do inesc, que apresentou uma comunicação sobre “controlo da evolução de sistemas legados na marinha portuguesa”, na qual descreveu o protótipo de um sistema de rastreio de acções de evolução que foi implementado sobre a intranet da marinha, tendo em vista controlar a evolução de sistemas legados (softtrack). o 1ten palmeiro ribeiro, da damag, apresentou uma comuni-cação sobre o “levantamento do modelo de dados no siip”. um conhecimento detalhado do modelo de dados dos sistemas de informação nas organizações, tanto ao nível conceptual como aos níveis lógico e físico, é fundamental para permitir a sua evolução. seguiu-se o engº luís de sousa cardoso, da marconi, que apre-sentou uma palestra sobre os problemas de segurança na rede internet, sendo esta por vezes, um veículo para diversas oportu-nidades de fraude e de situações que podem ser encaradas como crime – “brincando na web”, foi o tema desta apresentação. a intervenção do comandante carlos coelho de campos, presidente do conselho da administração da pararede sgps, s.a., recaiu sobre “comunicações: conceitos, tecnologias e sistemas no início do séc. xxi”. com a revolução nas comunicações, que está longe de estar termi-nada, os últimos anos do séc. xx são anos de opções e os primeiros anos do séc. xxi serão essencialmente anos de consolidação dessas opções. as tecnologias de comunicação actualmente existentes não respon-dem às necessidades de “largura de banda” previstas para a próxima década. perfilam-se e discutem-se novas tecnologias, tanto no “back-bone” como no “local-loop”. até ao final do próximo ano todas estas opções deverão estar tomadas. o 1ten ferreira moreira da damag, falou sobre o “desenvolvimento de uma ferramenta de suporte para o sistema de ensino à distância da marinha”. o modelo adoptado pelo cned para dar resposta ao problema do défice de habilitações acadé-micas ao nível do 9º ano de es-colaridade, levou à necessidade de se desenvolver uma ferra-menta informática que supor-tasse esse novo sistema. o de-senvolvimento deste sistema está a cargo da damag, tendo tido início em julho de 1997. o projecto encontra-se em fa-se de definição da estrutura dos “items” que farão parte de um banco de perguntas. pretende-se que o sistema venha a ter capa-cidade para gerar automati-camente os testes, facultando aos alunos muito maior flexibilidade na sua realização e uma maior segurança e rigor no sistema de avaliação a implementar, nomeadamente através do aperfeiçoamento dos pró-prios “items” e dos testes gerados. finalmente, o cfr emm carmo durão, subdirector da damag, apresentou uma comunicação intitulada “a intranet da marinha”. o desenvolvimento do sistema integrado de informação da marinha (siim), implicou para além do desenvolvimento de várias aplicações e do estabelecimento do dicionário de dados elementa-res, a necessidade de remodelar a rede de comunicações de dados da marinha (rcdm) que passou de uma rede de estrutura hierárquica proprietária (rede sna), para uma rede aberta e multiprotocolo, o que permitiu a criação da intranet da marinha. como em qualquer outra organização, foram os baixos custos de instalação e a utilização de tecnologias padrão da internet que face às enormes potencialidades para a mudança e para a reengenharia e à criação de um importante meio de comunicação interna para toda a marinha, que justificaram a aposta na intranet como uma importante ferramenta de gestão. o cfr carmo durão fez o ponto de situação do desenvolvimento da intranet da marinha, descrevendo as suas principais características técnicas e o repositório de informação disponível, através de uma breve navegação pelos seus “sites”. paralelamente à apresentação das comunicações, decorreu no corredor exterior da academia de marinha, uma pequena exposição sobre tecnologias de informação, com a colaboração das firmas pro-lógica, software ag, pararede, oracle e ibm. o encerramento das 2 as jornadas foi presidido pelo vice chefe do estado-maior da armada, valm barata botelho, tendo o cfr emm carmo durão, em conclusão, referido a importância dos temas, o rigor das apresentações e o elevado nível técnico do seu conteúdo, que con-feriram dignidade às jornadas, ficando assim a marinha prestigiada. à semelhança do que se passou com as 1 as jornadas de tecnologias de informação da marinha, as 2 as jornadas foram larga-mente participadas. o auditório da academia de marinha contou com a presença de cerca de 220 participantes nos dois dias em que decorreram as jornadas. alexandra brito 2ten tsn</Page><Page Number="26">4 janeiro 99 • revista da armada academia de marinha teve lugar em 23 de outubro. nesse dia, a quinta sessão foi presidida pelo prof. doutor antónio borges coelho. foram os seguintes os temas abordados: 1ten augusto al-ves salgado, uma carga miúda na carreira da índia; dr. josé manuel garcia, as represen-tações das armadas da carreira da índia; e almirante françois bellec, les poids de l’intole-rance religieuse étrangère dans le declin de la carriere de ín-dia. os trabalhos encerraram com uma sexta sessão presidida pelo almirante rogério s. d’oliveira e secretariada pelo engenheiro bernardino cadete. aí se debateram e aprovaram as conclusões do simpósio. (colaboração da academia de marinha) as seguintes comunicações: prof. engº. eduardo arantes e oliveira, a propósito de bento correia, escrivão das naus da carreira da índia; profa. dou-tora manuela mendonça, ho-mens da índia na chancelaria de d. manuel; prof. doutora ma. benedita araújo, a car-reira da índia e os contactos culturais no século xvi. a segunda sessão foi presidi-da pelo prof. doutor artur teo-doro de matos e nela usaram da palavra o cor. nuno valdez dos santos, os naufrágios da carreira da índia; 1ten antó-nio costa canas, a alimentação dos náufragos; dr. jean yves blot e luís falcão da fonseca, missão de inventário dos sítios arqueológicos submersos na costa norte de moçambique; e dr. joão alves da fonseca, a carreira da índia na gazeta de lisboa. no dia 22 de outubro teve lugar a terceira sessão, presidi-da pelo prof. doutor justino mendes de almeida. foram lidas as seguintes comuni-cações: engº. josé caro proença, a madre da carreira da índia; dr. inácio guerreiro, as rotas da carreira da índia, segundo os roteiros e segundo as fontes; prof. doutor joão paulo oli-veira e costa, os capitães mo-res da carreira da índia no reinado de d. joão iii; e dr. hernâni amaral xavier, os navios que abriram a carreira da índia. a quarta sessão foi presidida pelo prof. dr. fernando castelo branco e apresentados os se-guintes trabalhos: prof. doutor justino mendes de almeida, a armada de 1553; doutor joão guilherme reis leite, apoio às armadas na ilha terceira; prof. dr. fernando castelo branco, o trajecto açores-lisboa da carreira da índia; e prof. dou-tora margarida garcez ventura, um fidalgo português na car-reira da índia, o breve serviço de joão da silveira (1516-1517). o último dia do simpósio a academia de marinha, prosseguindo as suas activi-dades culturais, nomeadamente no campo da história marítima, realizou dentro deste domínio, mais um colóquio, o quinto. as-sim, depois de terem sido su-cessivamente estudadas, nessas reuniões, “as navegações por-tuguesas no atlântico e o desco-brimento da américa”, “os descobrimentos no século xv”, “d. joão ii” e “a viagem de vasco da gama”, este último simpósio foi consagrado à “carreira da índia”. o simpósio teve início no dia 21 de outubro com uma sessão presidida por s. exª o ministro da defesa nacional. abriu com uma alocução pelo presidente da academia de marinha, al-mirante rogério s. d’oliveira. seguiu-se a conferência inau-gural pelo professor doutor artur teodoro de matos sobre a carreira da índia e a car-reira das índias no século xvi. esboço de um estudo compara-tivo, tendo o senhor ministro encerrado a sessão inaugural. a primeira sessão foi presidi-da pelo comandante semedo de matos. foram apresentadas simpósio sobre a “carreira da índia” mesa da presidência durante o simpósio. comando naval assuntos com ele relacionados. como resultado deste conjunto de visitas que se realizaram ao longo destes últimos anos, o comando naval tem vindo a receber por parte das escolas um largo número de cartas de diversos trabalhos de grande interesse executados pelos alunos, reveladores da expe-riência marcante que para eles constitui a possibilidade de vi-sitarem os navios da armada. de salientar o apoio prestado pela base naval de lisboa ao facultar a utilização do parque de merendas junto do cefa, e por último, o empenhamento dos comandos e guarnições dos navios que tão bem sou-beram receber a bordo os vi-sitantes. (colaboração do comando naval) do que decorreram fora da área de lisboa e que foram coorde-nadas pelos comandos das zo-nas marítimas do norte, sul, madeira e açores que envolver-am os meios atribuídos a estes comandos, o grande volume de pedidos de visitas de estudo incidiu sobre as unidades na-vais estacionadas na base naval de lisboa, abrangendo pratica-mente todas as classes de na-vios entre unidades de superfí-cie e submarinos. este enorme afluxo de visi-tantes não pode ser dissociado do grande evento que consti-tuiu a “exposição mundial de lisboa 1998”, pois, grande parte dos pedidos das escolas incluía como justificação, exactamente o empenhamento dos alunos em actividades pedagógicas subordinadas ao mar e aos no âmbito de uma política de abertura da marinha à socie-dade civil, dentro do contexto da divulgação da imagem do comando naval, dos seus mei-os e das actividades decorrentes aos diversos níveis, importa fa-zer um balanço das visitas de estudo que decorreram no ano lectivo de 1997/1998 às unida-des navais e outros organismos dependentes. de facto, foi intensa a activi-dade de planear e executar os inúmeros pedidos de visita que chegaram ao comando naval durante o ano lectivo de 97/98, que totalizaram 109 entidades, envolvendo 5600 alunos dos di-versos graus de ensino, visitas estas que se distribuíram por 99 visitas a navios de superfície e 33 visitas a submarinos. para além das visitas de estu-visitas de estudo realizadas no ano lectivo 1997/1998 visita a um navio da classe comandante “joão belo”.</Page><Page Number="27">evista da armada • janeiro 99 25 instituto hidrográfico quais portugal inclui o grupo de países fundadores em setembro de 1997. coube ao ih a responsabili-dade da organização da 6ª reunião, que teve lugar na messe da marinha em cascais e que trouxe a lisboa os direc-tores dos institutos hidrográ-ficos dos países membros, bem como dos países com estatuto de observadores: turquia, grécia, islândia e espanha. nesta reunião foram discuti-dos diversos assuntos relaciona-dos com a restruturação interna da organização, tanto de cariz político/financeiro como de ordem técnica. 6ª reunião do crce/en no dia 28 de setembro de 1998 realizou-se em lisboa a 6ª reunião do comité de acon-selhamento do centro regional da carta electrónica da europa do norte (crce/en). o crce/ne foi criado segundo as directrizes da orga-nização hidrográfica interna-cional (ohi) e é uma organiza-ção de países europeus produ-tores de cartas electrónicas de navegação oficial (ceno), cu-jos representantes são os insti-tutos hidrográficos respectivos. do crce/ne fazem parte o reino unido, portugal, suécia, finlândia, alemanha, holanda, frança, polónia e noruega dos com um tema específico: no dia 3 decorreram a 1ª e a 2ª sessões, cujos temas foram: “comércio marítimo” e “tecnologia e am-biente marítimo”, respectiva-mente; no dia 4 teve lugar a 3ª sessão, intitulada: “perspectivas militares”. simpósio saclant/expo’98 «imperativos marítimos emergentes para o próximo milénio» as nações unidas declara-ram o ano de 1998 com “ano internacional dos oceanos”. co-mo contributo para esta celebra-ção, o comando supremo alia-do do atlântico (saclant) to-mou a seu cargo a organização de um simpósio internacional marítimo que decorreu durante os dias 3 e 4 de setembro de 1998, no hotel ritz, em lisboa. o simpósio intitulado «impera-tivos marítimos emergentes pa-ra o próximo milénio», foi orga-nizado no âmbito da expo’98 exposição mundial que também celebrou os oceanos e cujo tema «oceanos, uma herança para o futuro» se conjuga perfeita-mente com os assuntos tratados no simpósio. o simpósio da saclant/expo’98 constituiu uma oportunidade para estimu-lar o debate acerca das princi-pais questões sobre a realidade marítima. com este propósito, o evento reuniu um grupo muito diversificado de individuali-dades de renome mundial, incluindo chefes de estado- -maior de marinhas de vários países, políticos, embaixadores na nato, líderes industriais e académicos. em conjunto debateram e confrontaram matérias perti-nentes que constituirão assun-tos prioritários do foro maríti-mo da aliança no início do próximo século. a todos os presentes foram dirigidas palavras de boas vin-das pelo almirante da marinha dos estados unidos da amé-rica, harold w. gehmar, jr., comandante aliado supremo do atlântico. o discurso de abertura foi proferido pelo dr. veiga simão, ministro da defesa português que se referiu ao papel tradicio-nal que a influência marítima te-ve no desenvolvimento dos povos. os trabalhos foram divididos em três sessões, cada uma delas cravinho, encontravam-se também embarcados o se-cretário de estado da defesa nacional, engº. josé pene-dos, o almirante chefe do estado-maior da armada, o vice-almirante director ge-ral do ih e o 1ten varela pais que procedeu à demons-tração da ceno do porto de lisboa. demonstração da carta electrónica de navegação oficial e do sistema hypack na sequência da visita domi-nistro ministro do equipa-mento, planeamento e adminis-tração do território (mepat), engº joão cravinho, à escola de fuzileiros, no passado dia 22 de setembro, foi efectuada uma demonstração de equi-pamentos e sistemas actual-mente em utilização e desen-volvimento no instituto hi-drográfico (ih). a referida demonstração teve lugar a bordo da embarcação “alva” durante o trajecto da escola de fuzileiros para a doca de marinha. nesta demonstração foram uti l izados o simulador de electronic chart display and information systems (ecdis) existente na divisão de hi-drografia exibindo a carta electrónica de navegação oficial (ceno) pt526406.000 do porto de lisboa, bem co-mo o software hypack para planeamento e controlo de sondagem associado a um sis-tema de posicionamento gps diferencial. na embarcação “alva”, para além do ministro joão</Page><Page Number="28">6 janeiro 99 • revista da armada visita do embaixador dos estados unidos a convite do almirante chefe do estado maior da armada, o embaixador dos estados unidos da américa, acompanhado dos adidos de defesa e naval, visitou a escola naval, no passado dia 27 de outubro. na oportunidade, o almi-rante cema agradeceu as visi-tas ao fleet and industrial supply center, na base naval de norfolk, de grupos de ca-detes do 4º ano, acompanhados do professor da área científica da logística naval, para as quais a embaixada americana assegurou a utilização de aviões da marinha americana. estas visitas têm tido muita utilidade, na medida em que têm proporcionado o contacto como que demais avan-çado existe na área do apoio logístico a meios navais, e também pela possibilidade que os cadetes têm tido de ver a aplicação prática de conhecimentos adqui-ridos na escola naval, em particular na área do abastecimento. regresso à escola 25 e 50 anos depois a carreira do oficial de marinha começa, tradicional-mente, pela escola naval. ca-dete, aspirante, guarda-mari-nha, são os primeiros degraus pisados na juventude num am-biente próprio que não é fácil esquecer, por muito anos que passem. para além da formação pro-fissional e da preparação mili-tar, aqueles muros encerram uma vivência de anos de cumplicidade e fraterna cama-radagem que gera um espírito especial: a marca indelével dos “filhos da escola” que ouvindo as mesmas vozes, recordando as conversas, as viagens de instrução, as peripé-cias mais significativas e, sobre-tudo, recordando o ambiente desses tempos antigos. desta vez foram o curso sal-vador correia de sá (cinquenta anos) e o curso almirante gago coutinho (vinte cinco anos). reuniram-se nos dias 15 e 23 de outubro (respectivamente) tendo assistido à formatura do actual corpo de alunos, almo-çando na escola e visitando as instalações. acompanha todos os militares da ar-mada, por toda a sua vida. por isso, regressar com todo o curso, passados vinte cinco ou cinquenta anos, tem um significado muito próprio: tra-ta-se de percorrer os mesmos caminhos da juventude – ca-minhos que nunca foram perdidos –, mas agora com as mesmas pessoas, escola naval a escola naval está disponível em: www.escolanaval.pt os quarenta anos da reserva naval decorreram quarenta anos desde a incorpora-ção do 1º curso de for-mação de oficiais da reserva naval (cforn) e a data foi celebrada na escola naval no passa-do dia 11 de julho. a reserva naval foi uma classe de oficiais milicianos, que cumpriam o serviço militar na marinha, e que desempenha-ram um papel decisivo numa fase em que as missões se esten-diam pelos teatros africanos, por macau e por timor. hoje os ex-oficiais da reserva naval formaram uma associação própria (associação de oficiais da reserva naval – aorn) cuja alma se expressa pelo comum amor à marinha e pelo sentimento de que os anos aqui passados lhes deu uma perso-nalidade própria. a aorn, criada há três anos, aproveitou a efeméride e pro-moveu uma cerimónia na es-cola naval, seguida de confra-ternização e visita aos locais por onde decorreu a formação mili-tar e técnica destes oficiais. chegados cerca das onze horas da manhã, foi celebrada missa em memória dos ausentes, a que se seguiu a apresentação de boas vindas, por parte do co-mando, e um concerto da ban-da da armada. às 13 horas foi descerrada uma placa, alusiva à data, no átrio do edifício do “internato velho”, seguindo-se um almoço com todos os parti-cipantes. curso “salvador correia de sá”. museu de marinha no passado dia 30 de novembro o museu de marinha fez uma apresentação pública de várias peças de grande valor histórico: • conjunto de elementos da armadura milanesa atribuída ao rei d. sebastião, recentemente adquirida na galeria christie’s de londres, e agora expostos ao público pela primeira vez. esta apresentação é temporária pois as peças pertencem a uma colecção particular; • dois cofres antigos, em madeiras preciosas, um com relíquias do infante d. henrique e outro com uma relíquia de vasco da gama; • duas pirogas da costa do malabar, na índia, já datadas pelo método do carbono 14, sendo uma do séc. xv, anterior à chega-da de vasco da gama a calecut, e outra do séc. xvii; • três astrolábios náuticos do séc. xvii, de origem portuguesa, recolhidos junto ao forte de s. joão da barra, à entrada de lisboa, provavelmente provenientes da nau “nossa senhora dos mártires”, que ali se afundou em 1606. estes astrolábios estiveram expostos no pavilhão de por-tugal na expo 98 e foram depositados temporariamente no museu de ma-rinha pelo instituto português de ar-queologia.</Page><Page Number="29">lusíada 98” revista da armada • janeiro 99 27 exercícios navais introdução d ecorreu entre 21 de setembro e 1 de outubro o lusíada 98, exercício nacional conjunto que veio culminar um ano de intensa actividade operacional da força naval portuguesa (fnp). o conceito do lusíada 98 obedeceu à necessidade de exercitar o planeamento, o comando e controlo, a condução e execução de uma operação conjunta de apoio à paz (pso) sob mandato da onu, em que se efectua a projecção dos meios para um teatro de operações distante. da responsabilidade do chefe do estado-maior general das forças armadas (cemgfa), o lusíada realiza-se anualmente, sendo atribuído, rotativamente, o comando operacional das forças a um dos ramos. este ano tal tarefa foi acometida ao comando operacional das forças terrestres, que se viu reforçado por um estado-maior conjunto. exercício de crescente importância no quadro de actividades nacionais, o lusíada 98 envol-veu cerca de 3700 homens dos três ramos das forças armadas (fa), contando ainda com a participação de meios da for-ça aérea espanhola. a marinha participou com cerca de 1100 homens, que se constituíram numa força anfí-bia comandada pelo capitão- -de-mar-e-guerra melo gomes, empenhando um conjunto sig-nificativo de meios, conforme quadro 1. o presente artigo fará assim uma abordagem das incidências e actividades desenvolvidas pela fnp, enquanto componente naval da força conjunta. organização operacional para a execução da missão atribuída foi activada a força anfíbia constituída por unidades navais, de fuzileiros e de mergulhadores, conforme ilustrado no quadro 2. “lusíada 98” a missão superiormente atribuída consistia em efectuar uma operação anfíbia na costa portuguesa, (simulando a costa do país distando de 1800 mi-lhas, onde se desenrolaria a operação), entre a figueira da foz e a nazaré, a fim de esta-belecer uma cabeça de praia que garantisse as condições para o desembarque das forças de segundo escalão (exército). finda esta acção deveria a fnp efectuar uma operação de interdição marítima aos mes-mos portos, visando garantir o embargo imposto no quadro de resoluções do conselho de segurança da onu. por outro lado, e uma vez garantido o desembarque das forças de segundo escalão, o batalhão ligeiro de desembarque (bld) passaria a integrar a estrutura do comando da componente terrestre, sendo-lhe atribuídas tarefas no âmbito da missão deste comando, e que passaram pelo estabelecimento de postos de patrulha e observação, actuando ainda em apoio a acções de evacuação de refugiados. conclusão o balanço do exercício foi positivo, não só pelo desenvolvimento coordenado das acções inerentes à força anfíbia, numa primeira fase, e à fnp numa fase subsequente, bem como na interligação e na operação de forças conjuntas. foram identificadas algumas limitações ao nível da interoperabilidade com reflexos na fase de execução, mas que mais não se constituirão do que em estímulos acrescidos no sentido de se evoluir de forma cada vez mais segura e con-sistente por forma a, sublimando as vulnerabili-dades, crescer e fortalecer um espírito e uma capacidade conjunta de operação, que se reve-lam cada vez mais necessárias. (colaboração do citan) organização operacional da componente naval ctg 443.01 comandante da componente naval n.r.p. cte joão belo (navio chefe) n.r.p. honório barreto n.r.p. baptista de andrade n.r.p. oliveira e carmo n.r.p. bérrio grupo de botes n.r.p. bacamarte destacamento de acções especiais clearence diving team n.r.p. barracuda tu 443.01.01 grupo de transporte e cobertura tu 443.01.02 força de desembarque tu 443.01.03 grupo de ops de força avançada pelotão de reconhecimento batalhão ligeiro de desembarque quadro 1 unidades navais unidades de fuzileiros e de mergulhadores • 1 fragata • 1 helicóptero • 3 corvetas • 1 reabastecedor de esquadra • 1 lancha de desembarque • 1 submarino • 1 patrulha • 1 lancha de fiscalização rápida total 686 homens • 1 batalhão ligeiro de desembarque • 1 companhia de fuzileiros • 1 pelotão de reconhecimento • 1 destacamento de acções  especiais • 1 grupo de botes • 1 destacamento de   mergulhadores sapadores total 353 homens quadro 2</Page><Page Number="30">usca e salvamento 28 janeiro 99 • revista da armada cepame centro particular de medicina e enfermagem av. luís de camões, 40 – r/c - c tels: 2539420/2536902 • fax: 2536902 miratejo – 2855 corroios horário segunda a sexta das 8h00 às 13h00 e das 15h00 às 22h30 sábados das 9h00 às 13h00 e das 15h00 às 20h00 domingos e feriados das 9h00 às 12h00 e das 17h00 às 20h00 -se posteriormente que o navio em perigo ter-se-á afundado numa posição a cerca de 33 milhas a noroeste de leixões com água aberta, segundo informação do seu coman-dante. o nrp “save” que se en-contrava a 15 milhas do local, efectuou o transbordo dos 13 tripulantes já recolhidos em duas balsas, efectuando o seu transporte, são e salvos, para o porto de leixões, onde atracou cerca das 20.45 horas desse dia. o mrcc lisboa (centro de busca e salvamento) recebeu um pedido de socorro do navio “burgandy clipper”, cer-ca das 15.00 horas do dia 16 de outubro, que se encontrava 28 milhas a oeste de leixões. o navio mercante “north-ern express”, que navegava na área, tendo ouvido o pedido de socorro emitido pela es-tação rádio-naval da apúlia, entrou em contacto rádio com o navio-patrulha “save”, atri-buido ao comando da zona s. vicente. tendo-se recebido a informação que os dois tri-pulantes a bordo se encon-travam em estado de saúde debilitado, foram de imediato enviados para o local o nrp “cisne” e o salva-vidas ba-leeira do isn “rainha d. amélia”. cerca das 17.50 horas, o salva-vi-das localizou o iate, prestou as-sistência aos tri-pulantes e iniciou o reboque para o porto da bali-eira, mantendo- -se o nrp “cis-ne” emapoiopró-ximo. no dia 19 de outubro, cer-ca das 15.30 horas, foi ende-reçado ao mrcc, via polícia marítima de cascais, um pedido de assistência ao iate português “lady w”, que se encontrava numa posição a cerca de 5 milhas do cabo de horas de 27 de novembro, com dois tripulantes a bordo. foi empenhado o salva-vidas do i.s.n. da nazaré, que se dirigiu rapidamente para junto do iate. iniciou o seu reboque para o porto da nazaré, pelas 01.20 horas do dia 29 de novembro, atracando na nazaré pelas 06.20 horas, tendo o reboque decorrido sem incidentes. pelas 21.50 horas do dia 28 de novembro foi recebido no mrcc lisboa, via lisboa rádio, um pedido de assis-tência do iate “petit verdo” de nacionalidade portuguesa, que se encontrava desgovernado, com o leme partido, 12 milhas a oeste da nazaré. o iate largou de leixões com destino a lisboa, pelas 20.00 buscas nessa noite das 23.00 às 01.30 e durante a tarde do dia seguinte, até às 16.35, sem quaisquer resultados. logo que o estado do mar permitiu, iniciavam-se as bus-cas, com recurso à embarcação salva-vidas do i.s.n., que de-correram sem êxito, desde as 10.15 horas até às 12.00. no seguimento das buscas foi pedido o apoio de mergu-lhadores da armada para pes-quisarem a zona interior do porto, tendo estas sido efectua-das nos dias 17, 18 e 19 de ou-tubro, sem êxito. no dia 21, próximo da foz do rio lizan-dro, foi descoberto um corpo, numa zona de difícil acesso, cu-ja recuperação só foi consegui-da com utilização de um heli-cóptero puma da fap, supon-do-se ser o do desaparecido. cerca das 21.00 horas do dia 9 de novembro, a dele-gação marítima da ericeira tomou co-nhecimento, por informação tele-fónica do posto do i.s.n., que dois indivíduos do sexo masculino que pes-cavam no quebra-mar do porto de ericeira ti-nham sido arrebatados e lança-dos ao mar por ondas fortes que ali rebentavam. o guarda da polícia marítima da de-legação marítima local desen-cadeou junto do posto do isn e bombeiros locais, as conse-quentes operações de busca e salvamento, que acompanhou pessoalmente durante toda a noite e no dia seguinte. um dos indivíduos fora salvo por populares que ocorreram ao local, continuando o outro desaparecido. os bombeiros voluntários da ericeira inicia-vam buscas locais de imediato, sem resultado. a capitania do porto de cascais solicitou apoio aéreo de helicóptero à força aérea via mrcc. apesar de algum ne-voeiro o heli empenhou-se nas marítima do norte, o qual já tinha entretanto encontrado uma balsa à deriva com sete tripulantes a bordo. verificou-os naufragos a bordo do nrp “save”.</Page><Page Number="31">evista da armada • janeiro 99 29 notícias compcomar 98 o grupo nº 2 de escolas da armada, através da escola de comunicações, tem vindo a real izar desde 1989, a competição de comunica-ções da armada –compco-mar, que tem como objec-tivos incrementar e testar a eficiência dos operadores e também estimular o seu inte-resse pelas comunicações, as-sim como aumentar o seu profissionalismo, podendo concorrer todos os militares da classe de comunicações até ao posto de 1º marinheiro na altura do encerramento das inscrições. esta prova é constituída por duas fases distintas, ten-do a primeira decorrido entre 20 e 22 de abril de 1998 na escola de comunicações e nas estações radionavais que tiveram operadores a concor-rer, havendo um total de 33 participações dos 40 inicial-mente inscritos. desta fase, constam 4 pro-vas: recepção de morse acústico, recepção de morse luminoso, transmissão por teleimpressora e operação do sistema integrado de comunicações – sic. apesar de terem sido intro-duzidas duas novas provas, nomeadamente de operação do sistema de fiscalização e controlo das actividades da pesca – sificap, e operação do sistema integrado de co-municações da marinha – sincomar no modo opcom, não se verificaram quaisquer inscrições. prova de recepção e transmissão de morse acústico 1º classificado 6314691 1mar cro almeida ....................nrp “geba” prova de recepção e transmissão de morse luminoso 1º classificado 919890 1mar cct lopes ...........................n.r.p “álvares cabral” prova de manuseamento e transmissão de mensagens por teleimpressora 1º classificado 336489 1mar cct duarte .......................... nrp “corte real” prova de operação do sistema integrado de comunicações (sic) 1º classificado 445188 1mar cct afonso ........................ nrp “vasco da gama” prova de retransmissão de mensagens equipa vencedora: 903290 1mar cro roxo ............................nrp “corte real” 121790 1mar cct serras .................... ......nrp “oliveira e carmo” 336489 1mar cct duarte .........................nrp “corte real” prova de questionário de comunicações equipa vencedora: 919890 1mar cct lopes ...........................nrp “álvares cabral” 918190 1mar cct albuquerque ..............czm madeira 6316791 1mar cro matias ......................nrp “joão belo” a segunda fase decorreu integralmente na escola de comunicações, no período de 9 a 18 de setembro e partici-param os melhores classifica-dos das provas acima men-cionadas, sendo nesta fase acrescidos os níveis de difi-culdade das provas, bem como incrementadas mais duas provas. assim, foram constituídas equipas de três operadores para a realização das provas de “questionário de comu-nicações” e de “retransmis-são de mensagens”. os resultados registados constam no quadro ao lado. tal como acontece desde 1996, esta competição teve o patrocínio de entidades exte-riores à marinha, sendo de realçar: • banco totta e aço-res – patrocinou a prova de “transmissão por teleimpres-sora”, através da abertura de uma conta no valor de 100 mil escudos nesta instituição bancária; • eid – patrocinou a prova do “sic” através da oferta de dois telemóveis (1º e 2º lugar respectivamente); • telemensagem – patrocinou as provas de “morse luminoso”, “morse acústico” e “questionário de comunicações” através da oferta de 5 pagers. além dos prémios acima referidos, todos os concor-rentes receberam uma meda-lha com o novo logotipo da escola de comunicações, ficando registado nos seus processos individuais as clas-sificações obtidas nesta com-petição. a melhoria dos índices de participação só se torna pos-sível com o empenhamento dos comandos e das guarni-ções das unidades concor-rentes , na superação dos constrangimentos temporá-rios que internamente so-frem para permitir a partici-pação dos seus concorrentes. a evolução da sociedade moderna para a sociedade da informação, assenta tam-bém em iniciat ivas como esta, constituindo parte do incremento das relações entre os organismos que, não apenas da área das teleco-municações , contr ibuem para o seu desenvolvimento, e na qual esta escola repre-senta um instrumento de formação. a cerimónia de entrega de prémios aos melhores classi-ficados decorreu no passado dia 17 de setembro e coinci-diu com o 37 o aniversário da escola de comunicações, on-de estiveram presentes, para além dos premiados e orga-nizadores, várias entidades da marinha e representantes das instituições civis que pa-trocinaram a prova.</Page><Page Number="32">0 janeiro 99 • revista da armada notícias o comandante da flotilha – calm barbosa – encerrou o seminário, tendo na circunstân-cia, salientado a importância do evento na divulgação das ope-rações com helicópteros e na oportunidade que proporcio-nou para o confronto de ideias e experiências. ficam os agradecimentos a todos aqueles que participaram e tornaram possível este semi-nário. (colaboração do citan) as comunicações ficaram a cargo de diversos especialistas da direcção de navios, da direcção de abastecimento, da royal navy, da westland helicopters, da esquadra 601 (fap) e das unidades organi-zadoras. os temas abordados foram variados, cobrindo as áreas operacional (operations other than war, missões asw em activo e passivo, aeronaves transportadoras de armas e for-mas de ataque com torpedo), da manutenção, da função logísti-ca e da segurança de voo. a anteceder o fecho dos tra-balhos foi feita uma súmula dos aspectos mais relevantes que estiveram em debate, obtendo- -se assim preciosas pistas que se julga poderem vir a contribuir para potenciar capacidades, aprofundar conceitos e desenvo lver procedimentos, em suma, para tornar cada vez melhor e mais eficaz o emprego e ope-ração dos helicópteros da marinha. realizou-se nos dias 8 e 9 de setembro no auditório do citan, o seminário “o heli-cóptero naval lynx”, organi-zado conjuntamente pelo citan e pela esquadrilha de helicópteros. o seminário foi aberto pelo cfr montenegro (comandante da eh) perante numerosa e interessada assistência. a orga-nização deste seminário pre-tendeu divulgar junto dos mili-tares da marinha aspectos sobre os helicópteros. seminário do helicóptero naval lynx moço volante. além de inúme-ros convidados e elementos da guarnição, assistiram à cerimó-nia ilustres convidados dos quais se destacaram antigos directores do hospital da ma-rinha e os contra-almirantes directores do serviço do pes-soal, do serviço de saúde, do serviço de formação, de infra- -estruturas, de abastecimento, da revista da armada, pre-sidente da academia de ma-rinha e ainda os directores dos serviços de saúde do exército, da força aérea, e da escola do serviço de saúde militar entre outros. uma sessão solene na biblioteca onde o director do hospital da marinha usou da palavra abor-dando, entre outros, o problema da carência de pessoal. seguiu-se uma palestra com o tema: “humanização e ou-tras questões da bioética” pro-ferida pelo cfr mn monteiro ferreira, seguido de um al-celebrou-se no passado dia 12 de novembro de 1998 o dia da unidade no hospital da ma-rinha, cerimónia presidida pelo superintendente dos serviços do pessoal, valm josé manuel castanho paes. após a recepção dos convi-dados, teve lugar na capela do hospital da marinha uma eu-caristia presidida pelo capelão-chefe da armada cmg cap david vaz monteiro e concele-brada pelos cten cap gomes beltrão (ex. capelão do h.m.) e 1tencap fernandes da costa, actual capelão do hospital. a cerimónia prosseguiu com dia da unidade no hospital da marinha pelos formandos na realização das provas: • recuperação e reparação de um armário frigorífico e adap-tação de um sistema de des-congelação por resistências eléctricas. • construção de uma máquina de cubos de gelo. • recuperação e reparação de um motor de explosão vol-kswagen – 1200. conhecimento da qualificação nível 3 da ce (técnico de mecâ-nica/máquinas marítimas) e equivalência ao 12º ano efeito de prosseguimento de estudos a nível superior. a prova de aptidão profis-sional, desenvolvida indivi-dualmente ou em grupo, pre-tende reflectir por um lado, o espírito de inovação e criativi-dade dos formandos e, por ou-tro, o grau de conhecimento adquirido ao longo do curso em diversas áreas da for-mação, tanto a nível teórico como prático. o formando apresenta a sua proposta ao oficial coordena-dor das pap que a submete à apreciação da direcção da esco-la, a fim de esta proceder à sua análise e posterior aprovação, tendo em conta a viabilidade técnica/económica do projecto e a sua utilidade para a mari-nha. no estudo e execução do projecto cada formando é acompanhado pelo orientador e pelo coordenador. os vários projectos realizados pelos cfs-mq que a seguir apresentamos, são bem de-monstrativos do elevado em-penho e interesse manifestado realizaram-se nos dias 15 e 16 de setembro, no grupo nº 1 de escolas da armada – escola de máquinas, a apresentação e defesa das provas de aptidão profissional (pap), do curso de formação de maquinistas navais (cfs – mq 95/98) pe-rante um júri constituído para o efeito e presidido pelo coman-dante do g1ea (conforme despacho nº 43/94 de 30 de maio, do almirante chefe do estado-maior da armada). esta prova, integralmente realizada pelos formandos do 3º ano, faz parte integrante do cfs-mq conforme despacho normativo nº 109/93, de 9 de julho, dos ministérios da de-fesa nacional, da educação, do emprego e segurança social, sendo o objectivo principal o re-em primeiro plano encontram-se os membros do júri de avaliação das pap. provas de aptidão profissional grupo nº 1 de escolas da armada</Page><Page Number="33">evista da armada • janeiro 99 31 convívios além do “arriar da bandeira”, durante o qual houve o habitual “minuto de silêncio” em honra dos ex-colegas já desaparecidos e o muito “largar de cabo” às recordações dos bons “velhos tempos”. para o próximo ano espera-se novo convívio. para qualquer informação os interessados poderão contactar com: arnaldo batalha duarte vivenda “nosso ninho” rua casal dos ninhos, 5 2665 vendado pinheiro telef: 01/9660594 realizou-se no passado dia 13 de setembro, num restaurante do parque de sta marta, na ericeira, o habitual almoço-convívio comemorativo do 36º aniversário da incorporação dos “filhos da escola” de setembro de 1962 a concentração realizou-se junto ao convento emmafra, seguin-do-se um período de visitas aos locais de maior interesse. de salien-tar a comparência de largas dezenas de “filhos da escola” acom-panhados de seus familiares e muitos amigos, assim como a alegria de, mais uma vez, “aparecerem novas caras” as quais, até agora, nunca tinham estado presentes. o convívio prolongou-se até para zou-se um concurso de pesca no mar, uma imprevista matança do porco, seguida de um almoço na sede que reuniu centenas de sócios e familiares, concluindo-se com um concorrido magusto de s. martinho. o almoço comemorativo contou com a presença do chefe do departamento marítimo do sul, cmg ribeiro dos reis que, em representação e em nome do almi-rante cema, transmitiu palavras de estí-mulo e incentivo pela acção do clube, fazendo votos para a con-tinuidade do trabalho da direcção que se tem mostrado do maior interesse para a sociedade civil e militar em toda a região do algarve. o clube escolamizade comemorou o 7º aniversário da sua fundação com um vasto programa de actividades sociais, desporti-vas e lúdicas que decorreram entre 13 e 14 de novembro de 1998. a direcção do clube, continuando a ter como lema “para nós o mar é uma reali-dade permanente”, promoveu um jantar dançante com música popular e folclore regional na 6ª feira dia 13, com a presença de cerca de 200 associados, familiares e convidados. as comemo-rações prosseguiram, na sua sede social em albufeira, no sábado dia 14 de novembro. para além dos jogos desportivos e tradicionais já habituais, reali-clube escolamizade a esquadrilha de helicópteros esteve presente em represen-tação da marinha, na 5ª feira internacional de aviação – estoril air show 98 – que decorreu de 2 a 5 de outubro no aeródromo municipal de cascais – tires. o objectivo deste evento anual é dar a conhecer o panorama da aviação civil e militar do nosso país através de exposições estáticas de aeronaves, demonstrações de esquadrilhas de acrobacia aérea, saltos de pára-quedismo e mostras de diversos produtos, equipa-mentos e serviços afectos à aeronáutica. a participação da e.h. consistiu na ocupação de um stand de 18m 2 no pavilhão principal onde estiveram em exibição um torpe-do “hottorp”, um simulador interactivo dos sistemas do lynx que é utilizado na instrução de pilotos e pessoal de manutenção, mode-los de aeronaves da aviação naval e de um navio da classe “vasco da gama”, vídeo contínuo ilustrativo da operação do lynx nos diversos tipos de missão e exposição fotográfica com relevo para a operação “crocodilo”. em exposição estática no centro do recinto esteve um lynx com sonar e equipamento de configuração de mis-são – guincho, maca, fast-rope e bancos -, e estacionada junto à entrada do pavilhão principal a viatura da exposição itenerante da marinha. o ponto alto da participação consistiu em duas demonstrações de vôo e fast-rope, esta última com a participação de duas equipas de fz’s do pelotão de abordagem, que entusiasmaram a vasta assistência e foram objecto de elogios e referências por parte da organização. o certame foi visi-tado por cerca de 40.000 pessoas, tendo constituído uma boa oportunidade de divulgação da ma-rinha em geral e dos seus helicópteros em particular. estoril air show 98 no dia 10 de no-vembro de 1998 foi efectivada a escritu-ra notarial relativa à criação desta as-sociação que ficará instalada na rua coronel helder re-beiro, anexo ao fa-rol da boa nova, leça da palmeira – matosinhos. ao acto da escritura assistiram alguns dos fun-dadores da associação que, posteriormente ao acto, confrater-nizaram num almoço realizado num restaurante em leça, de que é proprietário um dos sócios fundadores. a revista da armada congratula-se com a criação de mais esta associação de ex-marinheiros e deseja-lhes uma longa e frutuosa vida em prol do associativismo da nossa marinha. associação de ex-marinheiros da armada briosamizade convívio vai realizar-se no dia 16 de janeiro, o almoço de confrater-nização do 30º aniversário de incorporação na armada, dos “filhos da escola” de janeiro de 1969. os interessados deverão contactar com: saj h peralta (bf) telef: 01/276 1071/2/3/4 (ext. 1163) 1sar fz patrício (gab. divulgação e informação da marinha) telef: 01/342 9408 ou 342 9439 silvério canhola (ex 1mar fz) telef: 01/225 6156</Page><Page Number="34">viii campeonato das forças armadas de orientação 32 janeiro 99 • revista da armada desporto xviii campeonato das forças armadas de orientação organizado pelo exército decorreu de 7 a 11 de se-t emb r o a 18 ª ed i ção do campeonato das forças ar-madas de or i ent ação, na região de santa margarida, e que contou com a presença da s equ i pa s da ma r i nha , exército, força aérea, gnr e psp. na classi f icação geral , a marinha quedou-se na ter-ceira posição, registando-se com ag r ado a v i t ó r i a da equipa feminina da marinha na prova de estafetas. xviii campeonato da marinha de corta-mato xviii campeonato da marinha de corta-mato no habi tua l cenár io da ma t a da base nava l de l i sboa , rea l i zou- se o xiv campeonato da marinha de cor t a-ma to, que em 4 de novembro reuniu 55 atletas de 11 unidades, que competi-ram nas modalidades de cur-to e longo. colect ivamente a vi tór ia coube à equipa da escola de fuzileiros, registando-se os seguint es vencedores nos vários escalões: xiv campeonato de marinha de basquetebol xiv campeonato de marinha de basquetebol disputou-se de 12 a 30 de outubro o xiv campeonato de marinha de basquetebol, cujos jogos decorreram nos pavilhões gimnodesportivos do cefa e g2ea. de registar a sensacional vi-tória da equipa de um navio no i escalão, como foi o caso do nrp “vasco da gama”, que logrou vencer na final a equipa do g2ea, por 40-32. o ii escalão confirmou os antigos vencedores do escalão prece-dente, que não sentiram o peso da idade, e pelo resultado de 48-38 lograram na final bater a equipa da escola naval. as classificações por esca-lões foram ent ão as se-guintes: i escalão 1º nrp “vasco da gama” 2º g2ea 3º escola naval 4º ef ii escalão 1º cefa 2º escola naval 3º d. mergulhadores nº1 4º g2ea equipa do nrp “vasco da gama”. delegação da marinha ao 18º campeonato das fa’s de orientação. i escalão gr s/c saraiva - ef ii escalão civil silva - arsenal do alfeite iii escalão cab cm horta - cefa iv escalão 1sar fzm pereira - ef v escalão saj fz pacheco - bf i escalão 1grt fz silva - bf ii escalão 1ten sef palma - bf iii escalão cab fz neves - ef iv escalão cab fz loureiro - bf v escalão cab fz plácido - bf corta-mato longo corta-mato curto xi campeonato das forças armadas de corta-mato xi campeonato das forças armadas de corta-mato a zona da amadora foi em 4 de dezembro o palco do xi campeonato das forças arma-das de corta-mato, que regis-tou a organização da gnr, e em que participaram os três ramos das forças armadas e as forças de segurança. a equipa da marinha teve comportamento que se pode considerar de muito meritório, nomeadamente na variante curto, onde só foi ultrapassada pelos atletas de nível mundial da gnr. destacam-se as seguintes classificações individuais e por escalões: i escalão 7º 1grt fz silva - bf ii escalão 3º guarda cpem jesus - bnl iii escalão 1º 1sar soldado - eeo iv escalão 1º 1sar fzm pereira - ef v escalão 2º saj fz pacheco - bf i escalão 12º 1ºgrt fz saraiva - ef ii escalão 17º cab fzv pires - ef iii escalão 16º 1sar fz corucho - ef iv escalão 10º 1sar fz rodrigues - bf v escalão 8º  1sar fz coelho - bf corta-mato longo corta-mato curto</Page><Page Number="35">oguemos o bridge revista da armada • janeiro 99 33 o comandante manuel melo e cunha, de há muito bem conheci-do pela sua expressão artística, vem-nos mostrar agora no clube militar naval um conjunto de desenhos, dois deles aguarelados, e um óleo trabalhado à espátula. – conjunto que dá para se conside-rar exposição individual, mas curto para revelar o valor do artista. foi, parece, o espaço que o clube militar naval tinha na altura dis-ponível. há trinta anos, contas redondas, que vi, pela primeira vez, na sua casa de luanda, uma boa porção de desenhos do camarada melo e cunha, dos quais retive a memória de um objectivismo natural, liber-to, mas bem delineado, com as simplificações que a criação artísti-ca requer e autoriza, para ser arte no papel, novo objecto que se contempla com emoção. ainda são assim as criações do comandante melo e cunha. ao sair do desenho, parece que o impacte artístico esmorece. os seus desenhos aguarelados pos-suem muito menos força que os desenhos apenas a traço. o seu óleo espatulado, quanto a nós, não obstante o trabalho de simplifi-cação a que a técnica da espátula obriga, por si própria, a larguesa de movimentos, e espontaneidade , não logra, tanto quanto o desenho, a mensagem que chega até nós. no desenho, sim. nos seus onze desenhos, de castelo de vide e marvão, melo e cunha faz arte. cria arte transmite-nos arte, que pode, ainda adquirir mais força, se aprofundar a busca de variações de tonalidade e de distância. a revista da armada cumpri-menta o comandante melo e cu-nha por esta mostra que o clube militar naval proporcionou. sousa machado cmg ref quarto de folga joguemos o bridge o bridge é considerado por muitos como o xadrez das cartas, porquanto é um “jogo do espírito” exigin-do muita concentração, imaginação e técnica, que o tornam um excelente exercício mental e um óptimo desporto intelectual, mesmo jogado para mero con-vívio social. nesta perspectiva, vamos passar a apresentar alguns problemas, especialmente de carteio, para treino e exercício dos que jogam, constituindo ao mesmo tempo um passatempo para os que não co-nhecem o jogo em profundidade, pois terão certa-mente a curiosidade de também tentar resolver os problemas propostos. o problema é simples e serve apenas para ilustrar que nos planos de jogo o carteador deve tentar sempre minimizar a dependência da sorte da colo-cação das cartas para cumprir o seu contrato. neste caso dispõe de uma informação que lhe permite colocar cartas chaves em (a e d de , d e 10 de e r) e assim deverá jogar v que e cobre com a d e faz de a; dá 2 voltas de trunfo, que terão de estar 2-1, terminando em n; joga fazendo a passagem ao 10, no r balda v e corta o outro eliminando o naipe; joga r que e fará e terá que se virar para ou corta e balda, permitindo anular o perdente. temos, portanto, um problema de carteio que tecnicamente se designa por “eliminação e colocação em mão” e repare na eventual tentação da pas-sagem ao r, o que poderia ser uma hipótese se não houvesse qualquer informação. solução problema nº 1 norte (n): – a432  – a65432  – a54 sul (s): – rv1098765  – r  – v763 humor s joga 6 e após ter aberto em 1 mostrando ter 4 ou . saída de w a 2 e e tem 3 de dv. analise como pode ga-nhar este contrato. nunes marques calm an bridge (problema nº 2) (solução no próximo número) norte (n): – rv  – d876  – v3  – ad1073 sul (s): – 8  – arv1092  – ar85  – v2 s joga 6 (tem de fazer 12 vazas com o trunfo ) tendo n aberto em 1 e (este) intervido em 1 . saída natural de w (oeste) a 9. (solução nesta página) - eu, agora, só jogo bridge e bebo whisky de 20 anos. exposição no clube militar naval bridge (problema nº 1)</Page><Page Number="36">4 janeiro 99 • revista da armada 1ten ref eduardo sousa caroça sch ref joaquimmoreira rodri-gues saj ref carlos manuel gonçalves martins saj ref joão an-tónio marques de almeida saj ref luís simões pato sal ref ma-nuel mendes gonçalves saj et activo armando felgueiras costa saj ref francisco paulo de almeida saj ref alberto rodrigues fer-nandes saj ref raúl jorge de jesus 1sar ref américo mendes paixão 1sar ref francisco correia de matos 1sar ref antónio carlos da cunha neto 1sar ref antónio peixoto 1sar ref ma-nuel paiva rito cab ref valentim simões cab ref joão vitorino do santos cab ref antónio idefonso dos reis cab manuel guer-reiro coelho do amaral cab ref francisco antónio caramelo cab ref antónio josé da silva cab ref ramiro mineiro ribeiro 1mar ref joaquim fernandes da costa 1mar ref manuel jacinto. falecimentos cfr an antónio oscar martins carmona e costa 1ten ots an-tónio inácio gonçalves torrão 1ten ott césar bronze smor fz manuel da silva espogeiro smor a antónio marques lopes sch se manuel da silva alves sch se antónio marques nunes saj a josé cardoso lopes saj ce evaristo gonçalves teixeira saj tf antónio de jesus gonçalves. reserva notícias pessoais comandos e cargos nomeações calm an heitor manuel monteiro montes - director de abastecimento, em substituição do calm an natalino pereira dias mora calm emn res luís augusto roque martins - director da revista da armada, em substituição do calm res joão manuel velhinho pereira nobre de carvalho cmg mn josé luís marques barata valério - sub-director do hospital de marinha cmg an antónio joaquim almeida e moura - chefe do gabinete do valm superintendente dos serviços de material cfr antónio manuel brancal da mota ribeiro - capitão do porto de caminha, em substituição do cten joaquim manuel da rocha afonso cfr antónio fernando de carvalho - capitão do porto de viana do castelo, em substituição do cfr antónio manuel brancal da mota ribeiro cfr lucílio francisco branco torcano - capitão do porto de aveiro, em substituição do cfr josé antónio rodrigues pereira cfr filipe horácio pereira macedo - sub-director da direcção das infraestruturas cten mário joão rodrigues mendes de almeida bruno - comandante do nrp “augusto de castilho” cten josé antónio croca favinha para o cargo de c-3221 surface / e exercise officer no comando chefe da área –ibero-atlântica, em substituição do cten antónio manuel gonçalves martins coelho da palma cten rui manuel dos santos martins para o cargo c – 411 – medical –plans officer, em substituição do cfr antónio carlos jorge cardoso tavares. exonerações cten mário joão maria rodrigues mendes almeida, do cargo de comandante do nrp “afonso de cerqueira” cten pedro manuel filipe amaral frazão, do cargo c-635-deputy syst admin/hq officer, no comando-chefe da área ibéro-atlântica. reforma cten res luís ribeiro cardoso 1ten res jaime venâncio barreiros  1ten res manuel gomes dos reis casal 1ten res josé de carvalho loureiro smor res manuel antónio do nascimento sch res joão antónio pontes macau sch res alberto lopes ribeiro sch res armando da silva sch res josé mirador carrasqueira saj res adriano josé pinto saj res manuel coelho tomé antunes saj res joão josé barreiro de deus saj res américo rosa lourenço saj res francisco coelho ribeiro valeroso 1sar res joão carlos proença de oliveira viriato 1sar res antónio vicente gerardo 1sar res arlindo antónio s. serrano cab res eduardo estrela ga-nilha cab res domingos gonçalves de azevedo cab res carlos manuel nunes fontes cab res antónio lopes pedroso cab res eduardo de almeida pereira da silva 1mar luís alberto pereira nuno.</Page><Page Number="37">um belo dia de 1982, d. maria helena mendes pinto, prestigiosa conser-vadora do museu nacional de arte antiga, sabendo do nosso interesse por instrumentos científicos e náuticos, perguntou-me: “conhece dois globos antigos que se encontram na biblioteca da casa pia, mesmo aqui a seu lado?” não conhecia e por isso fui vê-los graças às facilidades que me foram dadas pelo dr. segismundo pinto. eram dois globos com 68 cm de diâmetro, mas encontravam-se em mau estado, devido aos gomos de papel, que represen-tam o céu e a terra, estarem muito alterados pela luz e pela poeira. as bases também estavam muito atacadas por xilófagos. a ruína poderia agravar-se caso não fossem restaurados. a casa pia estava ciente da situação mas, infelizmente, não dispunha de verbas para a reparação nestas condições a provedoria deste centenário estabelecimento, aceitou trocar os globos por outras obras de arte existentes nas reservas do museu de marinha, que não eram de temática naval. estabeleceu-se um protocolo entre o ministério da tutela da casa pia e o chefe do estado maior da armada, e os globos entraram no património do museu de marinha. para restaurar os globos escolheu-se a conceituada oficina da biblioteca nacional de viena de áustria. a verba para pagamento desta despesa foi disponibilizada pelo almirante antónio leitão, ao tempo chefe do estado maior da armada. o restauro foi magnífico e hoje estes dois globos são das peças mais apreciadas das colecções do museu instalado nos jerónimos. os globos foram fabricados na oficina de willem blaeu, que sobreviveu a este artista, falecido em 1638, e que é considerado o mais prestigioso holandês que teve esta actividade. o globo terrestre é de cerca de 1645 e o celeste de cerca de 1700. dadas as suas dimensões estes globos dispõem de bases para serem coloca-dos no chão, ao contrário de outros, de menor diâmetro, que são usados em cima de móveis. museu de marinha. cotas: globo terrestre in-ii-91, celeste in-ii-92 (texto de a. estácio dos reis, cmg) a partir do presente número a revista da armada vai passar a publicar na sua contra-capa fotografias de peças do seu património artístico, científico e literário que se encontram não só nos seus organismos culturais como, eventualmente, noutras unidades. cada peça será acompanhada pela sua história, quando existe, dado que, em muitos dos casos, a proveniência perde-se no tempo. deste modo, a revista da armada espera contribuir para divulgar um património que, por vezes, foi esquecido ou que passou despercebido aos visitantes dos organismos culturais. património cultural da marinha peças para recordar património cultural da marinha 1. globos willem blaeu</Page><Page Number="38">lobo terreste oficina de willem blaeu 1. globos willem blaeu património cultural da marinha peças para recordar património cultural da marinha (cerca de 1645) globo celeste oficina de willem blaeu (cerca de 1700)</Page><Page Number="39">evereiro 99 • mensal • 24000 publicação oficial da marinha • nº 317 • ano xxviii as naus de pedra as naus de pedra</Page><Page Number="40">orta de entrada e janelas do 1º andar da escola naval. rua do arsenal em 1909. fotografias antigas, inéditas ou curiosas</Page><Page Number="41">ublicação oficial da marinha periodicidade mensal nº 317 • ano xxviii fevereiro 1999 director calm emq res luís augusto roque martins chefe de redacção cfr ref jorge manuel patrício gorjão redacção 2ten tsn ana alexandra gago de brito secretário de redacção 1sarg t vitor manuel gaspar lopes colaboradores permanentes cmg ref raúl de sousa machado cten fz luís jorge r. semedo de matos cten abel ivo de melo e sousa 1tenref dr. rui m. ramalhoortigãoneves administração, redacção e publicidade edifício da administração central de marinha revista da armada rua do arsenal 1149-001 lisboa - portugal telef: (01) 321 76 50 fax: (01) 347 36 24 endereço da marinha na internet http://www.marinha.pt e-mail da revista da armada revista.armada@mail.marinha.pt fotocomposição, paginação electrónica, fotolito, montagem e produção página ímpar, lda. estrada de benfica, 317 - 1º f 1500 lisboa tiragem média mensal: 6000 exemplares preço de venda avulso: 24000 registada na dgi em 6/4/73 com o nº 44/23 depósito legal nº 55737/92 issn 0870-9343 revista da armada • fevereiro 99 3 sumário (foto de: antónio sacchetti “filho”) ponto ao meio dia 5 poder marítimo: tradição e ciência 6 o n.r.p. “save” comemorou o seu 25 o aniversário 8 lima de freitas e o bicentenário do hospital da marinha 16 a marinha joanina 21 o exercício físico e a prevenção cardiovascular 22 instituto hidrográfico 24 escola naval 25 notícias 26 convívios 28 notícias 29 desporto 30 parece impossível, mas aconteceu! 31 quarto de folga 32 bibliografia 33 notícias pessoais 34 património cultural da marinha contracapa anunciantes: cepame – centro particular de medicina e enfermagem; clínica dentária d’avenida; clínica dentária drª. natália ferreira, lda., galp. os mergulhadores na armada - as diferentes etapas da sua história, as sucessivas reestruturações na sua organização e as novas tarefas que lhe incumbem executar. 1 2 as naus de pedra. os testemunhos que se encontram esculpidos em pedra, desde os monumentos, as casas e outras alegorias, perpetuam a lembrança dos homens do mar. 1 7 os engenheiros maquinistas navais comemoraram no passado dia 11 de dezembro os 130 anos da criação da classe. 9 o n.t.m. “creoula” apresenta um balanço da sua actividade de treino de mar no ano de 1998. 1 4 fevereiro 99 • mensal • 24000 publicação oficial da marinha • nº 317 • ano xxviii as naus de pedra as naus de pedra</Page><Page Number="42"></Page><Page Number="43">evista da armada • fevereiro 99 5 j á tive ocasião de escrever, mais de uma vez, que considero o fim da segunda grande guerra mundial o início de uma nova era na história uni-versal. ele constitui, sem dúvida, um dos mais importantes marcos na vida da humanidade. foi a partir de 1945 que se verificaram inovações assinaláveis ou consideráveis progressos na informação e nas comunica-ções, nas armas de destruição, na tecnolo-gia industrial, na medicina e na genética, na metalurgia, na ecologia, na emancipa-ção da mulher e na desagregação da famí-lia, na liberdade sexual, na autodetermina-ção dos povos e nas práticas terroristas, na difusão das drogas e na criminalidade organizada, na circulação de pessoas, mer-cadorias, capitais e ideias, nas orga-nizações internacionais e regionais, nos há-bitos de vida, na apropriação e na destrui-ção dos oceanos, na exploração interpla-netária e, por último e não menos impor-tante, na luta pelos direitos do homem. a 10 de dezembro de 1948 a assem-bleia geral das nações unidas, logo na sua iii sessão ordinária, adoptou e procla-mou a declaração universal dos direitos do homem, com a recomendação de o seu texto ser “disseminado, mostrado, lido e explicado, principalmente nas esco-las e outras instituições educacionais, sem distinção nenhuma baseada na situação política dos países ou territórios”. a declaração baseava-se no “reconheci-mento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis”, como fun-damento da liberdade, da justiça e da paz no mundo. segundo o seu preâmbulo, o desprezo e o desrespeito pelos direitos do homem ul-trajam a consciência da humanidade, im-pondo-se que eles sejam protegidos pelo império da lei, “para que o homem seja compelido, como último recurso, à rebe-lião contra a tirania e a opressão”. o objectivo principal da declaração é criar a compreensão de que “todos os ho-mens nascem livres e iguais em dignidade e direitos” (...) “sem distinção de qualquer espécie, seja do sexo, língua, religião, opinião pública ou de outra natureza, origem nacional, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição”. curiosamente, diga-se entre parêntesis e à boca pequena, este objectivo cria sérios embaraços aos defensores dos regimes monárquicos. são por demais conhecidos os direitos fundamentais à vida, à liberdade e à jus-tiça. sabe-se que ninguém pode ser sub-metido a torturas e a tratamento desu-mano ou degradante. ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado. também diz a declaração que ninguém será sujeito a interferência na sua vida pri-vada nem a ataques à sua honra. e há ainda os direitos à propriedade, à nacio-nalidade, ao matrimónio, ao trabalho, ao laser, à segurança social. a declaração tem xxx artigos cuja leitura soa aos nossos ouvidos como música celestial. são palavras bonitas com escassa correspondência na vida real, mas que foram mesmo assim um passo gigante na vida da humanidade. pena é que os artigos correspondam apenas aos padrões, aos hábitos e às práticas de meia dúzia de países ocidentais socialmente mais evoluídos. a declaração é, por enquanto, tão-somente ou pouco mais do que um projecto de vida, um ideal comum a ser atingido por todos os povos com o objectivo de cada indivíduo se esforçar por promover o respeito pelos direitos dos outros. infelizmente, não foram grandes os pro-gressos nos últimos cinquenta anos. só em guerras e perseguições raciais, religiosas ou políticas morreram nesse intervalo tan-tos seres humanos como durante a se-gunda guerra mundial. a pena de morte, a tortura e os maus tratos físicos e morais ocorrem em todo o mundo, até no seio da família. milhões de seres humanos mor-rem de fome, de epidemias ou sem assistência médica. um pouco por toda a parte se encontram refugiados, desaloja-dos ou mutilados. a justiça ou é lenta ou precária ou não existe. em relação aos tempos anteriores à declaração, houve uma forte melhoria na denúncia das violações e na sua conde-nação pela opinião pública internacional. conseguiu-se uma acção notável das grandes organizações internacionais, uma proliferação de democracias nos cinco continentes e a “autodeterminação” e a “libertação” dos povos colonizados. mas não tenhamos ilusões: a saída dos colonizadores deu origem a outro tipo de violações dos direitos humanos como a guerra civil, o genocídio, a tirania, a fome e a pilhagem. como se lê em recente edi-torial do diário de notícias, há um cres-cente de sacrificados que se disporiam a trocar a liberdade por uma refeição decente. o homem deixou para resolver no sé-culo xxi muitos problemas como a erradi-cação da sida, o tráfico de droga e a des-poluição do ambiente. mas deixou tam-bém por resolver o cumprimento e a apli-cação prática da declaração universal dos direitos do homem. para isso muito po-derão contribuir uma maior sensibilização da opinião pública, o ensino dos direitos do homem nas escolas e, sobretudo, a instituição de um tribunal penal interna-cional, em actuação permanente. com ca-racterísticas e jurisdição diferentes do já existente tribunal europeu dos direitos do homem. temos de reconhecer que a amnistia internacional tem desempenhado um im-portante papel na denúncia e na inventa-riação periódica das violações. mas, como escreveu medeiros ferreira, não parece realista imaginar que a defesa da declara-ção universal dos direitos do homem po-de ficar entregue a organizações não go-vernamentais sem o protagonismo dos poderes públicos. sem o empenhamento dos estados não há defesa efectiva dos direitos humanos. a este respeito, dizia o nosso prémio nobel de literatura, aliás sem grande originalidade, duvido que os governos façam, nesta matéria, nos próxi-mos cinquenta anos o que não puderam ou não quiseram fazer nos cinquenta anos que agora celebramos. e dizia ainda “é mais fácil ao homem chegar às pedras de marte do que chegar ao seu semelhante”. mas, apesar de todos os pessimismos, a declaração universal muito contribuiu para fazer do nosso século, como lhe cha-ma joão paulo ii, o século dos direitos humanos. e. h. serra brandão a declaração universal dos direitos do homem ponto ao meio-dia a declaração universal dos direitos do homem</Page><Page Number="44">oder marítimo: tradição e ciência 6 fevereiro 99 • revista da armada poder marítimo: tradição e ciência a tradição histórica: o binómio comércio/defesa o passado marítimo de portugal está tão dis-tante como a fundação da nacionalidade. as análises a esse passado centram-se quase exclusivamente nos feitos militares, enfatizam as grandes armadas e os combates navais, e esquecem que o país nasceu e se afirmou no contexto interna-cional, devido ao poder resultante da ampla articu-lação de actividades políticas, económicas, sociais e militares ligadas ao mar. apesar de as prát icas pol í t ica e est ratégica nacional, nos reinados de d. dinis e de d. joão ii, evidenciarem o claro entendimento deste facto, é só em meados do século xvi que fernando oliveira publica a “arte da guerra no mar”, um importante tratado de estratégia marítima, que sistematiza e define os conceitos de uso e de controlo do mar. na sua opinião a operacionalização destes conceitos requer capacidades de presença, de protecção e de projecção de força, para além de navios mercantes, de bases e de entrepostos comerciais. desta forma simples e clara, fernando oliveira identificou os factores do poder marítimo que estimularam a ascensão de portugal como potência mundial nos séculos xv e xvi. não haverá grandes dificuldades em admitir a semelhança entre a doutrina estratégica concebida por aquele grande estrate-gista português, centrada nos conceitos de uso e de controlo do mar, e a preconizada por alfred t. mahan no século xix, que levou os governos do reino unido, da alemanha, do japão e, mais tarde, dos estados unidos, a adoptar esses mesmos con-ceitos, a reajustar as missões das suas marinhas e a estruturar os respect ivos sistemas de força naval , mui to antes de se envolverem em violentíssimas confrontações recíprocas. na realidade, fernando oliveira e mahan, cada um na sua época, não se limitaram a interpretar a história. fizeram história! a par desses dois vultos do pensamento estratégico marítimo mundial, parece justo lembrar sir walter raleigh, que em 1616 enfatizou a importância do poder marítimo escrevendo: “quem comanda o mar comanda o comércio mundial; quem comanda o comércio mundial comanda as riquezas do mundo e, consequentemente, o mundo”. se, no passado, o poder marítimo centrado nos conceitos de uso e de controlo do mar, viabilizou a prossecução de um leque alargado de objectivos geopolíticos, estamos convictos que, no futuro e numa perspectiva tradicional centrada nesses conceitos, moldará o destino dos estados. a título exemplificativo vejamos o caso do comércio maríti-mo. no passado, as nações que organizaram as suas economias em torno desta actividade dominaram o mundo. presentemente, a generalidade dos cidadãos não entende a importância do comércio marítimo, devido ao distanciamento entre os portos e os centros urbanos, que torna a actividade marítima invisível ao cidadão comum. este, só reconhece o significado do comércio marítimo quando alguma perturbação de cariz sócio-profissional ou de segurança afecta o normal funcionamento do sistema de transporte e de distribuição dos bens de consumo. apesar da evidência deste alheamento, a globalização económica con-tribuiu para que o comércio marítimo se intensificasse entre todos os continentes, numa escala sem paralelo ao nível da efi-ciência e da eficácia, sendo o custo do transporte virtualmente negligível, facto que estimulou as afinidades e o desenvolvimen-to dos litorais. a globalização económica e o papel do transporte marítimo, sobretudo no que se relaciona com os recursos estratégicos, condicionam claramente a política mundial, em virtude de qual-quer perturbação ter repercussões planetárias. o petróleo, con-siderado indispensável nos dias de hoje, será apenas um dos recursos vitais transportados por mar. se tomarmos como válido um certo sentido de continuidade dos grandes fenómenos políti-co-estratégicos, afigura-se plausível considerar que as ameaças à liberdade de circulação nos oceanos, existentes no passado, se verificarão novamente no futuro. por isso, só estados cujas mari-nhas militares mantenham as missões clássicas de presença, de protecção e de projecção de força, necessárias ao uso e ao con-trolo do mar, terão capacidade para satisfazer os anseios de segurança, de progresso e de bem-estar dos seus cidadãos, isto é, para promover um futuro melhor.</Page><Page Number="45">evista da armada • fevereiro 99 7 a revolução científica: o binómio recursos / ambiente fernando oliveira, ao contrário de mahan ou de sir walter releigh, associou claramente a ciência à sua concepção de poder marítimo. como refere na “arte da guerra no mar”, se o poder marítimo se relaciona com o comércio, defesa e posse, isto é, com o uso e o controlo do mar, a tecnologia inerente a estas actividades surge como uma componente determinante daquele poder. tal facto foi perfeitamente percebido por fernando oliveira, porque este estrategista pertenceu à geração dos que necessi-taram de conhecer a geografia mundial, de descobrir as melho-res rotas para as distantes regiões do comércio e de afirmar positi-vamente os interesses inerentes ao sucesso das actividades marí-timas nacionais. a doutrina estratégica conce-bida por fernando oliveira, para estruturar, edificar e operacio-nalizar as actividades marítimas nacionais foi desprezada em portugal. por isso, só no século xix e em presença de algumas humilhações nacionais, se volta a reconhecer e a salientar que a ciência ligada às actividades marítimas é uma componente fundamental do poder nacional. progressivamente, de forma algo tímida e com sucessivos avanços e recuos, começou a ser admiti-do que a dependência de por-tugal relativamente ao mar extra-vasava o binómio comércio/de-fesa ligado ao uso e ao controlo do mar, e englobava, também, um binómio recursos/ambiente, associado à preservação e à pro-tecção dos oceanos. os alicerces desta mudança foram lançados por d. carlos i que, em 1896, certamente devi-do às influências recebidas nos frequentes contactos com ofici-ais de marinha e impressionado pela intensa actividade científica do príncipe alberto do mónaco, empreendeu a primeira campanha oceanográfica nacional. homem de ciência e de cultura, d. carlos i cedo percebeu a importância do estudo do mar para o progresso da humanidade. por isso, em 1898 criou o aquário vasco da gama, com o objectivo de permitir que estudantes, especialistas e colectores de amostras desenvolvessem as suas investigações marítimas sazonais. em janeiro de 1907 foi constituída a sociedade portuguesa de ciências naturais, tendo d. carlos assumido a presidência ho-norária. um dos objectivos desta sociedade foi a obtenção dos fundos necessários ao estabelecimento de uma estação de biologia marítima, o que só ocorreria a 10 de maio de 1919. entre 1920 e 1940 a investigação marítima foi liderada, primeiro pelo prof. dr. celestino da costa e, depois, pelo dr. magalhães ramalho, ambos funcionários da estação. a par dos mais ilustres oceanógrafos europeus, estes investigadores realizaram traba-lhos relevantes para a definição do regime oceanográfico na plataforma continental portuguesa. para responder às necessidades da nossa frota pesqueira nacional, a 4 de novembro de 1948, foi constituída a missão de estudos de pesca da junta das missões geográficas e de investigações coloniais, denominada a partir de 1951 por missão de estudos das pescas de angola. em 5 de dezembro de 1950 foi criado o instituto de biologia marítima de lisboa, que resultou de uma expansão e automatização da estação de biologia marítima de lisboa relativamente ao arquivo vasco da gama. o esforço científico desenvolvido durante a ii guerra mundial permitiu obter meios tecnológicos que revelaram as riquezas do solo, sub-solo e da água do mar. por isso, nos anos 60 começou a esboçar-se a corrida aos recursos minerais e energéticos exis-tentes nas plataformas continen-tais. no contexto do esforço organizacional para incentivar a exploração e o aproveitamento dos recursos marinhos portugue-ses, em 1958 foi criado o ins-tituto hidrográfico. contudo, o eclodir do conflito colonial levou a que, nas décadas de 60 e 70, o esforço de investigação do mar fosse direccionado para a hidro-grafia do ultramar, com raras, mas significativas, excepções do domínio da acústica submarina e da investigação das pescas. em 1974 e, na sequência da reorganização do estado decor-rente das transformações do regime, o instituto de biologia marí t ima deixou de estar na dependência da marinha, tomou a designação de instituto nacio-nal de investigação das pescas (mais recentemente inst i tuto português de investigação do mar), e integrou parte dos labo-ratórios e dos técnicos de biolo-gia marítima do instituto hidro-gráfico. no final dos anos 70, o ins-tituto hidrográfico entrou numa era de grande especialização tecnológica a nível humano e material, fruto de uma acção es-clarecida e planeada com pers-pectivas de longo prazo, e do intercâmbio com a comunidade científica nacional e interna-cional. desse esforço foi possível adquirir maior sensibilidade e conhecimento sobre a natureza e a validade dos recursos exis-tentes nos espaços marítimos sob jurisdição nacional. de então para cá, a capacidade científica do estado para co-nhecer com rigor e explorar racionalmente esses recursos, trans-formou-se num factor decisivo no âmbito das disputas económi-cas relacionadas com a preservação dos recursos marinhos. adquiriu, igualmente, importância para proteger a qualidade ambiental do espaço atlântico onde se projectam os nossos interesses, aspecto determinante na qualidade da vida humana em portugal. em presença destes factos, parece avisado englobar no con-ceito de poder marítimo do estado, a par das tradicionais capa-cidades para usar e controlar o mar, as respectivas capacidades científicas para preservar e proteger os oceanos. antónio silva ribeiro cfr</Page><Page Number="46">fevereiro 99 • revista da armada o n.r.p. “save” comemorou o seu 25 o aniversário historial o navio-patrulha “save” foi construído sob desenho por-tuguês pelo arsenal do alfeite, tendo sido entregue à marinha de guerra portuguesa em 31 de outubro de 1973. é o último de 10 navios-patrulha da classe “cacine”, tendo no seu desenho estrutural algumas pequenas diferenças em relação aos primeiros 8 da respectiva classe. à semelhança do que existe no n.r.p. “limpopo”, estes 2 navios apresentam uma borda-falsa no castelo cuja característica se mostrou vantajosa no que diz respeito às suas qualidades náuticas. ao longo dos anos, a expe-riência demonstrou que têm por esta razão, ligeiras melho-rias no seu comportamento no mar. ao contrário do que existe nos primeiros 8 navios-patru-lha, o camarote dos 2 oficiais situa-se por ante a ré da ponte no mesmo pavimento, redu-zindo assim substancialmente este espaço. esta alteração permitiu no entanto, que a casa de ventilação viesse a ser colocada no compartimento inicialmente destinado ao referido camarote de 2 oficiais e por conseguinte a criação de um camarote suplementar para 2 sargentos junto à respectiva copa no pavimento imediatamente inferior. depois de concluídas as provas de recepção e de mar, o navio foi atribuido ao dispositivo naval da zona marítima dos açores desde 15 de maio a 11 de dezembro de 1974. nos anos seguintes, no continente e na ilha da madeira, foi atribuído às respectivas zonas marítimas cumprindo as missões e execu-tando as diversas tarefas essencialmente do serviço público –busca e salvamento, fiscalização da actividade da pesca, con-trolo da poluição no mar, controlo das ajudas visuais à nave-gação marí t ima, presença naval e participação em di-versos exercícios navais na-cionais. refere-se a título de curiosidade que em dezem-bro de 1977, o navio escalou o único porto estrangeiro da sua vida- las palmas nas ilhas canárias. recebeu o seu nome de um rio moçambi-cano embora nunca tivesse efectuada nenhuma comissão de serviço neste continente. a cerimónia atracado na bnl, o navio contou com a presença de vários convidados, represen-tantes da esquadrilha de na-vios-patrulha e do comando naval, e também os antigos comandantes do navio. o calm ferreira barbosa na câmara de oficiais assinou o livro de honra do navio, após o qual seguiu para a tolda onde se deu início à cerimónia propriamente dita. o actual comandante do n.r.p. “save” proferiu uma breve alocução alusiva ao evento, agradecendo particularmente a pre-sença dos antigos comandantes, enaltecendo o seu papel na história do navio. seguidamente, procedeu-se à entrega de uma lem-brança comemorativa aos antigos comandantes que também assinaram o livro de honra. antes da cerimó-nia terminar o calm ferreira barbosa proferiu umas breves palavras tendo enfatizado que os navios-patru-lha “... são a linha da frente da imagem da marinha pela proximidade com que desenvolvem as suas missões junto da sociedade civil ...”. a terminar, teve lugar no castelo do navio um almoço volante onde também se encontrava uma exposição fotográfica evocativa – os 25 anos do nrp “save” – o que permitiu o reencontro e um são convívio de camaradas num inesquecível reviver de memórias. (colaboração do n.r.p. “save”) no passado dia 2 de novembro, o n.r.p . “save” comemorou o seu 25º aniversário. o evento realizou-se na base naval de lisboa tendo sido presidido pelo 2º comandante naval, calm joão nuno ribeiro ferreira barbosa. o n.r.p. “save” comemorou o seu 25 o aniversário alocução do actual comandante do navio. comandantes do n.r.p .“save” 1ten pedro manuel ferreira de bastos moreira ...................o3out73 a 20jun75 1ten fernando moreira pereira ..................................................20jun75 a 15fev77 ctenguilherme eduardo trigo allen .....................................04abr77 a 14jul78 1ten josé antelmo da conceição venâncio correia ..............14jul78 a 21dez78 1ten francisco manuel saldanha junceiro ............................23dez78 a 20ago80 1ten telmo augusto gonçalves ...............................................20ago80 a 19set82 1tenantónio tomé robalo cabral .............................................16set82 a 19set84 1ten bento manuel almeida gonçalves .................................19set84 a 05mar86 1tenantónio fernandes de carvalho ..................................05mar86 a 13ago87 1tenantónio victor duarte domingues ...............................13ago87 a 15abr89 ctenmarcelo real pamplona ....................................................16fev90 a 19out90 1ten joão josé maia martins .....................................................19out90 a 06nov92 1tenaníbal júlio maurício soares ribeiro ............................06nov92 a 30abr93 1ten paulo tomás de sousa costa ...........................................21nov94 a 28set95 1ten rui manuel pereira da silva ............................................. 28set95 a 22ago96 1tenmanuel amaral mota ..................................................................desde 19fev98</Page><Page Number="47">s primeiros navios da marinha dota-dos de meios mecânicos de propul-são, ainda que complementares das velas, tiveram os seus nomes ligados ao perío-do histórico que então o país atravessava. a 24 de julho de 1833 as forças liberais do du-que da terceira derrotam os miguelistas e obri-gam o governo absolutista a evacuar a capital. nas águas do porto, foi então apresado o vapor george iv (nome do anterior soberano britânico, falecido em 1830), que tinha sido adquirido em inglaterra pelo governo de d. miguel, e que na altura transportava muni-ções: era um navio de casco emmadeira, com propulsor de rodas de pás laterais, construído naquele mesmo ano para navegar entre londres e liverpool. a 26 de julho o navio transporta d. pedro e o seu ministério do porto para lisboa. em 1836, dois anos após o termo da guerra civil, exilado d. miguel, o navio é designado napier, assim perpetuando o nome de sir charles napier que tinha comandado a esquadra liberal que, em junho de 1833, destroçou a esquadra absolutista no algarve. ainda em 1833, a guarnição do george iv apresa, em s. martinho, o vapor inglês “lord of the isles” (título com origem no regente tradicional das ilhas ocidentais da escócia, um dos ainda detidos pelo príncipe de gales). o seu nome é também traduzido para “lorde das ilhas” e, em 1836, em homenagem a outra figura ilustre das guerras liberais, é finalmente mudado para terceira. a máquina a vapor faz assim a sua entrada na marinha. tinham então decorrido 13 anos desde a chegada a portugal do primeiro navio de pro-pulsão mista com pavilhão nacional. de facto, terá sido o “conde de palmella”, entra-do no tejo em 14 de outubro de 1820, à força dos 20 cavalos que accionavam a sua roda de pás, a transportar a primeira máquina a vapor, acontecimento que terá mesmo cor-respondido à sua introdução prática em portugal, já que a primeira aplicação na indústria não terá ocorrido antes de 1835. com os navios apresados foram também incorporados os responsáveis pelas suas má-quinas, já que se tratava de equipamentos então apenas conhecidos dos meios acadé-micos que as estudavam, e de alguns indus-triais que com eles haviam contactado em aplicações no estrangeiro ou em demons-trações em portugal. em 1854 quando são já 7 os navios da marinha com propulsão mecânica (ainda que apenas auxiliar da vela), é regulamenta-do o serviço do pessoal empregado nas má-quinas a vapor dos navios da armada e ofici-na de caldeiras do arsenal de marinha e or-ganizado o corpo de maquinistas navais, no qual são incorporados os maquinistas ingle-ses que acompanhavam as máquinas de inglaterra e os nacionais entretanto também contratados. sobre a época, escreveu em 1913 o al-mirante brás de oliveira (anuário da escola naval, 1913) “... transformara-se o navio e reconhecera-se ser a máquina a vapor ele-mento indispensável para a guerra. era urgente instruir as classes auxiliares indispen-sáveis, construtores navais e maquinistas, para acudir às exigências do momento, e recrutar em número suficiente, concedendo soldo e regalias, pessoal que viesse frequentar a escola naval, a habilitar-se com o curso da sua especialidade, para servir o estado a bordo dos navios...” na segunda reforma da escola naval, fun-dada em 1845 em substituição da com-panhia real dos guardas-marinhas, e por decreto de 26 de dezembro de 1868, é cria-do o curso de engenheiro maquinista. o seu regulamento é aprovado em 10 de junho de 1869, ano em que são admitidos os seus 6 primeiros alunos: augusto esteves ventura, francisco antónio sequeira. francisco augusto d’oliveira, francisco domingos da cunha, guilherme joaquim de almeida e jayme henrique pereira. entre 1869 e 1998, a escola naval formou cerca de 480 oficiais com o curso de enge-nheiro maquinista naval e com o seu suces-sor e herdeiro, de engenheiro naval – ramo engenheiros maquinistas navais revista da armada • fevereiro 99 9 em 11 de dezembro de 1998, os engenheiros maquinistas navais comemoraram os 130 anos da criação da classe com um conjunto de cerimónias que tiveram como cenário a escola naval, onde figurou uma notável exposição evocativa. engenheiros maquinistas navais 130 anos efeméride os engenheiros maquinistas navais na escola naval. assistência à conferência.</Page><Page Number="48">0 fevereiro 99 • revista da armada aula na escola naval com o engº. o’sulivand simões. aspectos da exposição. descerramento da lápide alusiva. de mecânica, criado em 1991. de entre 259 que o poderiam fazer, embora alguns deles se encontrem fixados em lugares afastados, reuniram-se 162 na escola naval, no dia 11 de dezembro de 1998, em comemoração da criação do seu curso. os participantes no encontro, que incluiu os 32 actuais alunos do curso de engenheiro naval – ramo de mecânica, foram acolhidos por uma exposição instalada no átrio do auditório da escola naval e assistiram a uma sessão cujo programa envolveu uma alocução do comandante da en, uma retros-pectiva histórica do curso e das classes dos engenheiros mecânicos da marinha, realiza-da pelo calm emq roque martins, a apre-sentação do projecto de reforma do curso, com vista a criar condições para a sua certifi-cação, e o balanço do prémio engº vila real (prémio escolar, destinado a galardoar o me-lhor aluno do curso), ambos a cargo do de-partamento respectivo da en. a sessão foi encerrada pelo oficial engenheiro maquinista naval mais antigo no activo, o calm brito afonso. tendo por cenário a entrada principal da escola naval, os participantes no encontro foram registados em fotografia, à qual se seguiu o descerramento de uma placa comemorativa no átrio do edifício escolar, simbolicamente realizado pelo mais senior dos presentes, o engenheiro sande e silva. antes do desfile do corpo de alunos, ao qual assistiram os participantes, falou o res-pectivo comandante que, em breves pa-lavras apontou aos actuais cadetes da en os oficiais presentes na comemoração como honroso exemplo da escola que frequen-taram. aos brindes do almoço falaram o coman-dante da escola naval e o calm engenheiro maquinista naval mais antigo, o calm car-valho afonso, que realçou, com incontida emoção, o profissionalismo com que os gra-duados com o curso cuja efeméride se cele-brava, sempre desempenharam as suas fun-ções, dirigindo-se aos mais jovens dos pre-sentes “... é para continuação deste legado que vós, os mais novos, se estão a preparar. não por causa dos que passaram, mas por vossa causa, pela satisfação de ser capaz de enfrentar, conviver e dominar uma tecnologia que evolui em função geométrica, e de, com sensatez, dignidade e aprumo, servir de mo-delo e mestre daqueles que a manuseiam...” a exposição comemorativa, que se man-teve aberta até meados de janeiro de 1999, foi organizada pela escola naval, contando com a contribuição de numerosas enti-dades e personalidades que deram suges-tões, cederam documentos ou permitiram a sua reprodução. os temas seleccionados foram o resultado essencial da pesquisa de aspectos históricos ligados aos oficiais engenheiros maquinistas navais e à sua actividade, nos múltiplos do-mínios em que a exerceram, desde o serviço a bordo dos navios de superfície e submari-nos, na aviação naval, em terra nos mais di-versos organismos da marinha, entre os quais direcções técnicas, instituições de ensino, ca-pitanias e comandos de defesa marítima, oficinas navais e serviços de assistência ofici-nal no ultramar, arsenais de marinha e do al-feite, até a outros organismos do estado e pri-vados, em portugal e no ultramar. figuras ilustres do ensino da escola naval foram objecto de relevo, o general ferru-gento gonçalves, que leccionou as discipli-nas específicas de engenharia no longuíssimo período que decorreu entre 1891 e 1929, o engenheiro joão do pinho, assistente do general, autor de livros técnicos de elevada qualidade. o engenheiro sequeira de castro, que foi o primeiro professor de máquinas de com-bustão interna, o engenheiro rodrigues dos santos distinto e exigente professor e o engenheiro vila real, que serviu na en durante um longo período em tempos mais recentes, onde regeu um elevado número de disciplinas, prova do seu invulgar eclectismo científico.</Page><Page Number="49">evista da armada • fevereiro 99 11 alocução final na cerimónia. em 1892 é concedido alvará real a uma nova associação, sucessora da primeira, a associação dos engenheiros maquinistas por-tuguezes, na qual podiam filiar-se, para além dos oficiais emq, os maquinistas da marinha mercante os enge-nheiros dos caminhos de ferro, e os industriaes considerados como engenheiros machinistas, era, em boa verdade, a comunidade na-cional da machina a vapor. entre 1893 e 1895, a associa-ção publicou a revista me-chanica portugueza, de apresen-tação e conteúdo a demonstrar a qualidade dos seus editores e colaboradores. para além do fim do século xix, infelizmente, pouco mais se sabe sobre a associação, a não ser que, em data desconhecida, na década de 40 do século xx, é criada a liga dos engenheiros maquinistas navais. a liga man-tém actividade até cerca de 1973, publicando – entre 1964 e 1966 – alguns números de um boletim, que contém artigos técnicos e regista movimentos e promoções dos oficiais emq. a época historicamente con-turbada terá contribuído para o progressivo apagamento da sua actividade. cerca de meia centena de es-pécies bibliográficas da autoria de enge-nheiros maquinistas navais, de áreas técnicas e de produção literária, ocuparam também uma área da exposição, com lugar de relevo para duas singulares personalidades: o engenheiro pinto ferreira, que ingressou no quadro dos engenheiros maquinistas antes da criação do curso na escola naval, e foi autor de numerosa bibliografia de engenharia, para além de ter dirigido oficinas no arsenal de marinha e de ter sido professor no ensino industrial e ele próprio fundador e proprie-tário de uma fábrica, e o comodoro eduardo scarlatti quadrio raposo, espírito irrequieto e multifacetado, engenheiro, crítico de teatro, jornalista, ensaísta e poeta. os navios e as suas máquinas, com desta-que para os mais antigos também foram objecto de atenção: os primeiros submer-síveis (o primeiro na península), o cruzador d. carlos i (o maior navio combatente de sempre na marinha portuguesa), os destro-yers (espinha dorsal da marinha durante os meados das décadas de 30 a 60), e a ffah “vasco da gama”, presente em modelo, a ilustrar a marinha da actualidade. em 11 de dezembro de 1998, a propósito do 130 o aniversário da criação do curso de engenheiro maquinista naval, celebraram-se, sobretudo, os homens, os técnicos e os marinheiros, e a sua obra numa marinha que todos e cada um, de diversos modos, soube-ram amar e honrar. (colaboração da escola naval) fragatas da classe “vasco da gama” contra-torpedeiros da classe “vouga” cruzador “d. carlos i” uma área da mostra foi dedicada às asso-ciações através das quais os engenheiros maquinistas navais pretenderam dar divul-gação a assuntos de natureza técnica e em paralelo, conquistar espaço de classe de pleno direito numa marinha que, nalgumas questões, parecia então ainda marcada pelos capitães da vela, na expressão feliz de eduardo scarlatti. a associação dos engenheiros machinistas da armada, fundada em 1884, terá mesmo sido a segunda agremiação de engenheiros em portugal, naturalmente precedida da que agrupava os engenheiros civis, tendo sido precursora das prestigiadas “american society of naval engineers” (fundada em 1888) e do “institute of marine engineers” (fundado em 1889). navios notavéis do sec. xx general ferrugento gonçalves cten emq joão do pinho cfrag emq joão sequeira de castro cmg emq josé rodrigues dos santos cmg emq guilherme vila real mestres insignes</Page><Page Number="50">s mergulhadores na armada 12 fevereiro 99 • revista da armada p ersiste a dúvida sobre qual terá sido a data exacta do aparecimento de mergulhadores na armada. a pri-meira e muito interessante referência histó-rica a actividades com mergulhadores por-tugueses remonta ao ano de 1580 e foca pre-cisamente uma operação de natureza mili-tar levada a efeito contra navios: “nadado-res portugueses, nadando debaixo de água, atacam navios espanhóis fundeados no rio tejo, procurando danificar-lhes o casco”. durante três séculos e por falta de ele-mentos bibliográficos, nada se conseguiu saber sobre a actividade de mergulho reali-zada em portugal, até que, em 1899, surge então o primeiro diploma que regula as actividades dos mergulhadores na armada. com o decorrer dos anos e a par do pro-gresso técnico que a especialidade vai con-quistando não só no plano nacional como também noutros países, novos diplomas surgem com a finalidade de dar resposta às necessidades que à armada se colocam no âmbito do emprego dos seus mergu-lhadores. sem querer maçar os nossos leitores com o uso e abuso de datas e referências a diplomas legais, recortam-se em seguida as efemérides que mais se distingem nesse campo: mais reflexos vêm a produzir no âmbito da formação de mergulhadores: - 1903: surgem as primeiras “instruções gerais para o serviço de mergulhadores”; - 1913: são promulgadas as primeiras “disposições relativas ao serviço dos mer-gulhadores da armada”, constituindo o primeiro regulamento propriamente dito; - 1924: os “mergulhadores da armada” são inseridos na “brigada de mecânicos”; - 1927: o navio salvadego “patrão lo-pes” começa a utilizar mergulhadores nas suas actividades; - 1932: são criadas “regras e sinais para o serviço de mergulhadores da armada”; - 1949: é criada na “direcção do serviço de submersíveis“ uma “secção de mergulhadores e de salvação”, destinada à instru-ção de mergulhadores, e é aprovado um novo regula-mento para os “mergulhadores da armada”, no qual fica pre-vista a instrução de mergulha-dores civis; - 1959; é criado na “direcção do serviço de submersíveis“ o “serviço de mergulhadores e de salvação”, para o qual tran-sita a instrução de mergulha-dores, e é aprovado um novo regulamento para os “mergu-lhadores da armada”, no qual são pela primeira vez criadas diferentes categorias de mergulhadores: mergulhadores-sapadores, mergulhadores normais e mergulhadores-vigias; - 1961: é criada a classe de mergulhadores e é constituído o “centro de instrução de na-vegação submarina”, destinado à pre-paração do pessoal de navegação submari-na e do serviço de mergulhadores; - 1964: são criadas as unidades de mer-gulhadores-sapadores; - 1966: é criada a “secção n.º 1 de mer-gulhadores-sapadores”, à qual é atribuída ao ex-comando da defesa marítima da guiné; - 1968: são criadas a especialização em sapador submarino no quadro de praças da armada, a “secção n.º 2 de mergulhadores- -sapadores” e a “escola de submarinos e de mergulhadores”, e é promulgada legislação que regula a prática do mergulho amador e as atribuições da marinha no campo do ensino desta modalidade; - 1969: a marinha passa a dispor do n.r.p. “s. roque” como primeiro navio priori-tariamente destinado ao apoio a mergulha-dores, o qual vem a ser mais tarde equipa-do com uma câmara hiperbárica e a ser sub-stituído pelo n.r.p. “ribeira grande” (em 1992); - 1973: são criados os destacamentos de mergulhadores-sapadores n.º’s 1 e 2 e é cri-ada a escola de mergulhadores, a qual, para além das suas atribuições no âmbito do ensino, integra o “serviço de mergulha-dores e salvação” (com atribuições no âmbito da logística do mergulho); - 1979: é aprovado um novo regulamento para os “mergulhadores da armada”, no qual são pela primeira vez englobados os mergulhadores em serviço militar obriga-tório; - 1985: é introduzida a alteração ao regula-mento dos “mergulhadores da armada” alusiva à criação dos mergulhadores- -nadadores de combate; - 1994: é extinto o ex-centro de instrução de minas e contramedidas e são assim trans-feridas para a escola de mergulhadores as responsabilidades do ensino da inactivação de engenhos explosivos; é também promul-gado o regulamento do mergulho profis-sional; - 1997: a marinha passa a dispor do n.r.p. “shultz xavier” como quarto navio de apoio a mergulhadores. a análise da documentação subjacente a estas efemérides permite identificar três épocas marcantes da história dos “mergu-lhadores da armada”. com efeito, até ao início da década de 30 e em virtude de a ar-mada dispor até então unicamente de esca-fandros clássicos (equipamentos de mer-gulho semi-autónomo com ar respirado em circuito aberto, fabricados por “siebe &amp; gorman”), a formação dos mergulha-dores circunscreve-se a actividades do âmbito da salvação marítima, realizadas até à profundidade de 50 metros (vedação de rombos, corte, cravação e sol-dadura submarina; desmon-tagem e montagem de hélices; recuperação de naufragados, de material naval e de corpos de vidas perdidas, e construção e manutenção de rampas de lançamento de embarcações). estas actividades constituem por assim dizer uma experiên-cia e uma formação pioneira numa área do mergulho que representa nos dias de hoje uma mais valia muito significa-tiva na vertente de serviço público. em 1934, transparece o início da segunda era da história do mergulho na armada. de facto, depois de adquiri-dos os primeiros equipamentos os mergulhadores na armada terminando um treino de orientação submarina. instrução com escafrando clássico.</Page><Page Number="51">evista da armada • fevereiro 99 13 de mergulho autónomo com oxigénio puro respirado em circuito fechado (“davis” e “salvus”), a armada dá os primeiros passos na área do mergulho militar, através da realização de acções de treino de sabotagem, até profundidades da ordem dos 10 metros. não obstante esta dinâmica, são ainda escassos os recursos hu-manos disponíveis para garantir a estabilidade da actividade, ficando inclusi-vamente desertos muitos dos concursos que ao longo dos anos têm lugar, ao ponto de, em 1949, a armada contar apenas com um mergulhador. duas razões fundamen-tais determinam esta situação: a remune-ração exígua concedida ao mergulhador face ao risco e ao esforço físico da activi-dade, bem como à falta de segurança de funcionamento dos meios da época e à aversão natural a esta e a todas as activi-dades subaquáticas, ainda envoltas de mis-tério e incógnitas. a introdução de determinadas inovações orgânicas em 1949; o lançamento em 1956 da formação na dura e eficiente escola ingle-sa, daqueles que vêm mais tarde a ser os primeiros mergulhadores-sapadores e a aquisição de novos equipamentos de mer-gulho autónomo e semi-autónomo com ar (“cousteau gagnan” e “nargui-lé”) e de mergulho autónomo com mis-turas sobreoxigenadas ou oxigénio puro (“cdba”), capazes de permitir mergulhar a profundidades de, respectivamente, 60, 54 e 10 metros, fazem com que a actividade desponte novos atractivos e por isso se re-gista desde logo em 1953, um efectivo de três mergulhadores, que aumenta a um va-lor médio de dois mergulhadores por ano. depois de criadas em 1959 as categorias de mergulhador-sapador, de mergulhador normal e de mergulhador-vigia e na tentati-va de dar corpo à vertente militar do mer-gulho, a armada institui em 1961 a classe de mergulhadores e cria, no mesmo ano, o centro de instrução de navegação subma-rina, centro este que simboliza a primeira organização montada para levar a cabo um ensino mais qualificado e capaz de fazer fa-ce a um universo de formandos mergulha-dores progressivamente mais expressivo. a acrescer a estas medidas, no sentido de minimizar algumas carências de pessoal ainda sentidas e que não permitem à armada a aplicação plena do conhecimento que já detém no âmbito das acções de carác-ter defensivo e ofensivo próprias da “sabo-tagem” e da guerra de minas, nasce em 1968 a especialização em sapador submarino, aberta a todas as classes da armada e com uma finalidade idêntica à dos mergu-lhadores-sapadores. até ao início da década de 90, outros desenvolvimentos importantes têm lugar nesta segunda era da história dos “mergulhadores da armada”. destacam-se entre eles, em 1964, a criação das unidades de mergulhadores-sapadores, em 1969, a activação do navio de apoio a mergu-lhadores, dotado, mais tarde, de meios de tratamento de acidentes de mal de descom-pressão no local de operação (n.r.p. “s. roque”), em 1978, a criação da categoria de “mergulhador em serviço militar obri-gatório”, e, em 1985, a criação da categoria de mergulhador-nadador de combate, esta com o objectivo de introduzir na marinha algumas capacidades ainda não existentes no âmbito das incursões anfíbias e de outras acções especiais. em resposta a uma crescente exigência técnica no domínio da formação em mer-gulho militar, às mudanças organizacionais e a um aumento de meios materiais ao dis-por dos “mergulhadores da armada” ao longo desses trinta anos, a marinha pro-cede a sucessivas reestruturações da orga-nização do ensino do mergulho, por forma a melhor responder às especificidades da actividade. ilustram este facto a criação da escola de submarinos e de mergulhadores em 1968 e a criação da escola de mergulha-dores em 1973. em 1994, com a promulgação da lomar e dos respectivos decretos regulamentares, com o iniciar de um importante processo de reequipamento das unidades de mergulha-dores e com a promulgação do “regula-mento do mergulho profissional”, nasce, digamos assim, o terceiro grande período histórico dos “mergulhadores da armada”. neste contexto, transfe-rem-se do ex-centro de ins-trução de minas e contra- -medidas para a escola de mergulhadores as compe-tências de ensino de inacti-vação de engenhos explo-sivos (iee), tarefa cuja sensi-bilidade requere uma equi-pa de formadores expres-samente seleccionada, pre-parada e dedicada, tendo em consideração os eleva-dos padrões de segurança exigidos durante a prática de iee e a diversidade de cenários operacionais em que actua o universo diver-sificado de formandos (extensível a outros ramos das forças armadas, a forças milita-rizadas e a outras entidades). no âmbito do mergulho civil profissio-nal, assiste-se com o estabelecimento do novo enquadramento legal a uma dina-mização da formação (com acesso directo ao mercado de trabalho do mergulho profissional), traduzida numa maior diver-sificação dos cursos de mergulhador profissional ministrados na escola de mer-gulhadores. por outro lado, o processo de reequipa-mento das unidades de mergulhadores constitui um significativo passo em frente na eficácia do cumprimento da execucão do amplo leque de accões que lhes estão cometidas através do respectivo conceito de emprego. a aquisição de novos e mais modernos meios potencia assim um melhor desem-penho das tarefas de reconhecimento tácti-co da costa, de inactivação de engenhos explosivos e de demolição de obstáculos em ambiente submarino, de “sabotagem” submarina, de inactivação de engenhos explosivos em ambiente terrestre e de tra-balho subaquático aplicado à construção e manutenção de infraestruturas submersas, e ao salvamento marítimo. na meta final do reequipamento, a marinha, conciliando diferentes áreas do conhecimento, designadamente do mergu-lho profundo e da medicina de mergulho, aspira ver concretizado o projecto de alargamento das suas capacidades no âmbito da guerra de minas e do salvamento marítimo, através do aumento da profun-didade de intervenção dos seus mergu-lhadores. até à chegada de tão honrosa efemé-ride e enquanto mergulhando com con-fiança em busca, de outros segredos das tradicionais profundeza, os “mergulha-dores da armada” fazem jus à intre-pidez, à diligência, à vigilância e ao ze-lo sugeridos pelo seu mais célebre lema – “in aqua optimi” ! (colaboração da esquadrilha de submarinos) trabalho de corte submarino com maçarico. recolha de um torpedo.</Page><Page Number="52">n.t.m. “creoula” na regata cutty sark 1998 14 fevereiro 99 • revista da armada d urante o ano de 1998 embarcaram no n.t.m. “creoula” mais de qui-nhentos jovens instruendos em 10 viagens de treino de mar, realizadas em 3072 horas de missão das quais 1558 foram a navegar sendo 265 exclusiva-mente à vela, percorrendo um total de 10098 milhas náuticas. no âmbito destas viagens, o navio visitou 4 portos estrangei-ros e 9 nacionais, tendo sido visi-tado por um total de cerca de 42700 visitantes. uma das viagens mais impor-tantes foi a participação do “cre-oula” na regata “cutty sark” – “vasco da gama memorial”, em comemoração dos 500 anos da chegada deste navegador à índia. é desta viagem que falare-mos a seguir. como já vem sendo habitual de há cinco anos para cá, o gru-po de trabalho do ministério da educação para a comemoração dos descobrimentos portugueses seleccionou mais uma vez jovens de escolas de todos os distritos do país para embar-carem no n.t.m. “creoula”. desta vez, o projecto foi mais arrojado e em vez dos usuais 17 dias de viagem para sul (caná-rias, madeira e cádiz foram des-tinos preferenciais), o grupo de trabalho “atirou-se” para uns possíveis 26 dias de viagem com participação na lª parte da rega-ta cutty sark entre falmouth e lisboa, e estadia de 3 dias na corunha. o navio largou da b.n.l. no dia 7 de julho e a chegada à corunha, primeiro porto desta viagem fez-se sem novidade, embora com alguma dificul-dade, pois a nortada dificultava a progressão do navio obrigando a velocidades entre os 4 e 5 nós (ligeiramente inferiores à neces-sária para chegar à ho-ra prevista). felizmen-te, após a passagem do cabo de finisterra o vento diminuiu, per-mitindo, já nas primei-ras horas do dia 10, recuperar o atraso. a estada na coru-nha foi muito agradá-vel, tendo o navio sido recebido com a ama-bilidade característica dos galegos em rela-ção aos portugueses. facto curioso foi o caso de se encontrarem nessa data cinco navios da marinha de guerra portuguesa atracados simultaneamente no porto da corunha: o n.t.m. “creoula” e os nrp’s “vega”, “polar”, o n.t.m. “creoula” cumpriu mais um ano de treino de mar, conforme é sua vocação, com jovens das mais diversas origens sociais e geográficas. cumulativamente, participou em missões exclusivamente de representação naval e da marinha. deiras, a típica agitação nos cais, as despedidas, enfim, um frémito que nos trespassa a todos numa impossibilidade de indiferença ao cenário. a este frémito há ainda que juntar uma espécie de ansiedade que antecede o início da regata, para obtermos os ingredientes que compõem nor-malmente os estados de espírito dos participantes nesses dias de partida. largou-se, logo de seguida, o já típico desfile naval, e num ins-tante estamos na partida da rega-ta. a partida, espectáculo magní-fico, com todos os grandes veleiros a procurarem a todo o pano partir na frente (partem pri-meiro que os outros mais pe-quenos) e distanciar-se dos seus rivais. a densidade de veleiros é grande e situações de proximi-dade acontecem frequentemente na euforia da largada. na largada, o “creoula” não partiu entre os primeiros, no en-tanto, ao virar de bordo mais ce-do, fazendo à bolina cerrada uma verdadeira tangente a cape lizard e aproveitando a corrente de maré favorável que é bastante forte neste ponto, conseguiu sair do canal da mancha para oeste e manter durante os primeiros dois dias uma posição bastante boa entre os outros veleiros da classe a. no terceiro dia, 22 de julho, a navegar à bolina (como sempre até aí, pois o vento encontrou-se sempre desfavorável) para wsw, esperava-se a passagem de uma “baptista de andrade” e “oliveira e carmo”. a viagem prosseguiu para falmouth onde o navio atracou a 16 de julho, após passar a noite fundeado na baía, integrando então a frota participante na regata cutty sark e as cele-brações náuticas daí decorrentes. no porto de falmouth, o n.t.m. “creoula” foi reencontrar alguns velhos companheiros destas andanças de regatas da sta (sail training association): o “kruzenstern”, o “dar mlodziezi”, o “mir”, o “cuauhtemoc”, o “pali-nuro”, o “swan fan makum”, o “ i s k r a” , o “pogo r i a” , o “ka l i ak r a” , entre muitos outros divididos em várias classes. o “creoula” e a “sagres”, de braço-dado, literalmente, foram a representação portuguesa neste grande evento náutico. apesar do clima estar longe do agradável verão português, o dia da largada chegou célere para instruendos e guarnição que se ocuparam, nestes três dias em terra, em confraternização com participantes de outros veleiros (um dos objectivos principais destes acontecimentos), assim como a tentar conhecer um pou-co deste cantinho de inglaterra que se chama cornualha. na última noite, um magnífico fogo-de-artifício assinalou o começo da despedida de falmouth à fro-ta participante. no dia da largada há todo um colorido de gente em movimen-to, fardas, bandeirolas, ban-o n.t.m. “creoula” na regata cutty sark 1998 “vasco da gama memorial” faina geral de mastros.</Page><Page Number="53">evista da armada • fevereiro 99 15 pequena frente que faria rondar o vento e permitir ao navio fazer rumo directo a finisterra. no entanto, pelas 3 horas da madru-gada esta frente, que não era afi-nal tão pequena quanto isso, fez aumentar repentinamente o vento e enquanto o pessoal com-parecia no convés para faina geral de mastros, (os instruendos foram dispensados, pois as condições meteorológicas e o risco inerente assim o justifi-cavam) um dos brandais em que enverga a extênsula da mezena rebentou. posteriormente ao se carregarem as extênsulas, duas delas rasgaram-se irremediavel-mente. carregou-se também a giba e a mezena. nesse mesmo dia, com o nascer do sol, o ven-to amainou após a passagem de um forte aguaceiro e içou-se no-vamente todo o pano disponível, pois não se queria perder tempo e lugares na regata, apesar das duas extênsulas rasgadas. previa- -se para essa noite a passagem de outra frente com aumento do vento e o consequente mau tempo, estando todo o pessoal avisado da possibilidade de nova faina geral de mastros. após a meia noite, o vento aumentou e foi rondando ligeiramente de s para ssw e a partir daí estabili-zou permitindo ao navio fazer estai que a sustenta, ficou a fun-cionar quase como um balão (com o navio a navegar à boli-na!...) até ser carregada pelo pes-soal do navio em rápida faina geral de mastros. no dia seguinte, o navio en-contrava-se profundamente den-tro do golfo da biscaia, sem pos-sibilidades de utilizar a giba, logo também a mezena por questões de equilíbrio, e duas extênsulas, com vento fraco desta vez de les-te e na contingência de ter que partir a 5 de agosto para uma nova viagem de quase dois me-ses, tendo antes que reparar todos os danos no velame e massame assim como a própria avaria no radar, de que se falará adiante. foi nestas circunstâncias que o navio desistiu da regata, seguin-do para lisboa a motor e procu-rando assegurar assim a próxima viagem ao canadá. na festa da estada da regata em lisboa (vasco da gama memorial), o “creoula” não pode infelizmente participar, conseguindo no entanto, após as reparações e fainas essenciais à próxima viagem, integrar ainda a parada naval no tejo na qual participaram todos os navios par-ticipantes. há uma história curiosa que aconteceu entre o “creoula” e o senciais para o pessoal carregar as velas à noite. navegava-se a uma velocidade de cerca de 10 ou 11 nós, a wsw com vento bastante forte de sul. alguém chama o “creoula” em castelhano no vhf. era o navio-escola mexicano “cuauh-temoc” que dizia encontrar-se à nossa popa em rumo de colisão e por se encontrar em faina geral de mastros, logo não podendo mudar de rumo, solicitava que nós o fizéssemos. o oficial de quarto surpreendido, pois não tinha visto nenhum navio nas proximidades (no entanto, estava má visibilidade e chuva o que viabilizava a hipótese de um navio próximo não ser visto), na presença do comandante, repli-cou num fluentíssimo “portu-nhol” que o “creoula” também estava em faina geral de mastros, que por outro lado navegávamos sem radar e não sabíamos onde o “cuauhtemoc” se encontrava, para além do facto de aquele ser o navio alcançante, logo deveria ser ele a guinar. mau grado esta explicação os do “cuauhtemoc” insistiam no vhf para que fosse-mos nós a guinar. o oficial de quarto dirigiu-se então ao exteri-or na tentativa de ver o “cuauh-temoc”, no entanto, o halo cria-do pelas luzes de convés na chuva não permitia distinguir rigorosamente nada. em faina geral de mastros era impossível apagar as luzes e o radar estava avariado! não havia meio de saber do “cuauhtemoc” e de avaliar directamente o perigo de colisão. e no vhf continuavam os mexicanos,, que mudássemos de rumo, que se estavam a aproximar. o oficial de quarto voltou a replicar que não os via nem tinha possibili-dade de ver, que não tinha radar, que se estava em faina geral de mastros numa situação de emer-gência. os do “cuauh-temoc” pediam agora para que guinássemos para sul (180 o ) para evitar a colisão que parecia eminente. mas como, se era de sul que soprava o vento com rajadas acima dos 40 nós e estávamos em faina e com o pano quase todo ainda içado? mais uma vez o oficial de quarto por ordem do comandante e na impossibilidade de se fazer outra coisa, repetiu a sua ladainha, adiantando ainda ser impossível guinar para sul (como era óbvio) por ser daí que o vento soprava. após mais alguns minutos de tensão e de repetições ao vhf, do navio me -xicano perguntaram qual a nossa posição. o oficial de quarto prontamente passou a posição do “creoula” e durante os minu-tos que se seguiram não se ouviu mais nenhuma comunicação do “cuauhtemoc” ... intrigado, mas já suspeitando do que se passava, o coman-dante chamou de novo o navio mexicano e perguntou por sua vez a posição em que aquele se encontrava. a posição foi passa-da e rapidamente marcada na carta. o “cuautemoc” encon-trava-se “apenas” a quarenta milhas por ante a ré de nós!... depois da tensão foi a gargalha-da geral na ponte! como alguns oficiais do “creoula” e do “cuauhtemoc” tinham já estreitado relações du-rante a estada em falmouth, voltaram a encontrar-se após a chegada a lisboa num convívio a bordo do navio-escola mexi-cano e foi então abordado o estranho acontecimento. ironi-camente perguntou-se-lhes qual era a velocidade a que vinham para quererem que nos desviás-semos àquela distância. a expli-cação veio entre gargalhadas e algum embaraço: tinham-nos confundido com um outro navio que passava perto deles o qual nem sequer chegaram a saber qual era! antónio mourinha 2ten ferrar o pano. carregar pano. uma velocidade de cerca de 10 nós, mesmo sem as duas extên-sulas, apesar de a um rumo pou-co favorável que levava o navio para o meio do golfo da biscaia. afinal, parecia já não haver necessidade de se fazer faina geral de mastros. no entanto, pelas 6 horas da madrugada o vento aumentou ainda mais, de forma súbita e passou em poucos momentos de 25 para 45 nós fazendo com que rebentasse o punho superior do estai em que enverga a giba. a giba sem o navio mexicano “cuauhtemoc” durante a primeira noite de mau tempo e que merece ser conta-da. o navio navegava desde fal-mouth sem o radar de navega-ção em funcionamento, pois uma avaria que surgiu à chegada a este porto, apesar dos esforços envidados, não pôde ser reparada antes da largada. ora nessa noite de mau tempo, como já referido, apitou a faina geral de mastros à qual o pessoal acorreu com bre-vidade, tendo-se acendido nesse momento as luzes do convés, es-</Page><Page Number="54">ima de freitas e o bicentenário do hospital da marinha 16 fevereiro 99 • revista da armada r ecentemente faleci-do, o mestre lima de freitas ocupa um lugar de relevo no pa-norama artístico português da segunda metade do sé-culo xx. artista multifacetado, pintor, desenhador, grava-dor tem também uma obra escrita como ensaísta da problemática do imaginá-rio da arte. citando joão pinharan-da, lima de freitas, com breve estada em paris a partir de meados da década de 50, prefigurou-se, com júlio pomar, como um dos mais activos teóricos e artistas do neo-realismo. desenhador minu-cioso, recuperou uma tradição formal arcaizante, boschiana e breugheliana, que haveria de desenvolver depois da sua adesão, ao longo das décadas seguintes, aos valores dum surrealismo entendido como ilustração dum saber místico e esotérico. deixou o seu nome ligado ao bicentenário da criação do hospital da marinha através da autoria da meda-lha comemorativa da efe-méride. pensamos ter algum interesse, sem qualquer pre-tensão erudita, trazer ao co-nhecimento dos leitores da revista da armada alguns dos aspectos relativos à ge-nese dessa medalha, pro-vavelmente uma das últimas (senão a última) obras do artista no campo da meda-lhística. tudo começou, quando da elabo-ração do programa das comemorações do bicentenário da criação do hospital da ma-rinha, a comissão organizadora decidiu que o acontecimento deveria ser assinalado pela edição duma medalha, se possível em metal nobre, e da autoria duma figura de relevo do meio artístico nacional. saíram vários nomes para a mesa. por consenso, tendo presentes algumas das suas criações anteriores no género, optou-se pelo nome de mestre lima de freitas. coube-me o contacto preliminar, por via telefónica, para saber da disponibilidade do mestre e eventual aceitação da encomenda. com extrema simpatia, alegando o muito trabalho que de momento o ocupava, lima de freitas começou por declinar o pedido. mas quase no remate da conversa acabou por não fechar totalmente a porta da nossa esperan-ça: embora não o conhe-cesse, uma instituição com duzentos anos e ligada à marinha, merecia-lhe todo o respeito. pediu algum tempo pa-ra reflectir, o número do telefone e o nome do con-tacto, e que posteriormente nos informaria. prolongou-se a nossa inquietude por cerca de três semanas. telefonou-me depois para o hospital e informou-me que dada a natureza da comemoração se sentia na obrigação de aceitar a incumbência. logo nesse instante se combinou um almoço, a decorrer no hospital da marinha, em que se por-menorizariam os aspectos mais relevantes para a efectivação da medalha. creio que todos os que estiveram pre-sentes guardam desse almoço uma memória grata da personalidade fascinante de mestre lima de freitas. conversador inteligente, com uma ironia bondosa e uma erudição sem arrogância, ouviu com benig-no interesse um resumo da nossa história velha de duzentos anos, que foi comple-mentada com uma visita a alguns dos locais de maior interesse do edifício. à despedida e como material para sua orientação, levou um modesto suporte de copos, que tinha impresso com algum por-menor o brasão do hospital, de cuja heráldica previamente se informara, e um pequeno cinzeiro com uma reprodução do medalhão do tecto da farmácia. e durante quase oito meses esperámos. já corria o mês de julho de 1997, quando mestre lima de freitas trouxe ao hospital o desenho que elaborara para o anverso da medalha. inspirada pela leitura, altamente simbóli-ca, da heráldica do hospital da marinha, o mestre criara outra igualmente significati-va: o caduceu fora transformado emmastro e cesto de gávea. a chama do ensino em brilhante sol. a serpente naval aparecia desenhada em flâmula ondulante e enrola-da no mastro. a cabeça da serpente, con-forme nos mostrou sacando do bolso do casaco uma espécie de agenda, com vários esboços, fora directamente colhida dum desenho que reproduzira do natural, quan-do uma visita a um templo faraónico algures durante uma viagem ao egipto. como fundo do anverso, uma vela redonda enfunada, duas enxárcias, por cima um céu com nuvens e por baixo um mar de pequena vaga. no reverso a simples indicação da efeméride: bicentenário do hospital da marinha 1797 – 1997, sobrepos-ta pelo fundo do brasão. aprovado sem reservas, seguiu o dese-nho para o prof. antónio cândido que se encarre-garia do modelo gessado, sendo a cunhagem em prata previamente acordada com a casa da moeda a quem caberia a edição. a apresentação pública da medalha decorreu num chu-voso dia de novembro nu-ma das lojas da imprensa nacional/casa da moeda, com a presença de várias in-dividualidades da marinha e da empresa editora. infelizmente, por razões de saúde, mestre lima de freitas não pode estar presente. o nosso último encontro decorreu em dezembro no hospital da marinha, onde creio que pela primeira vez viu acabada a medalha que havia concebido. ficou satisfeito. mestre lima de freitas deixou obra espalhada pelos cinco cantos do mundo em museus e colecções privadas. as suas magníficas gravuras que deco-ram uma edição nobre de os lusíadas, fo-ram muito recentemente reproduzidas em calçada portuguesa ornamentando uma rotunda de um dos jardins de macau... a uma das suas obras ficará indelevel-mente ligado o nome do hospital da marinha. rui manuel rodrigues de abreu cmg mn lima de freitas e o bicentenário do hospital da marinha</Page><Page Number="55">s naus de pedra as naus de pedra revista da armada • fevereiro 99 17 q uando colaborava na revista turismo, o escritor – artista jaime duarte de almeida apontou-me as “naus de pedra dos mareantes” como tema do maior interesse, que ele lera num artigo onde o autor referia que determinados traços dos relevos denunciavam o posto naval e outros distintivos de seus autores. jamais consegui localizar o autor do referido trabalho. todavia, depara-se-me um arcaico barco de pedra sobre a padieira da porta dum velho muro duma desaparecida azinhaga em almada, que me assegurou que as naus de pedra tinham outra motivação que não as das armas lisbonenses, e logo no artigo “quando lisboa nos fala do infante” do nº de janeiro - março de 1960 da citada revista, chama-va-se a atenção para essas maravilhosas relíquias. daí por diante, ten-támos todas as oportunidades para estudar e lembrar as preciosas lápides com os barcos dos homens do mar. desolador pregar no deserto, enquanto o camartelo faz desaparecer uma boa parte. o senhor coronel nuno valdez dos santos apresentou uma comu-nicação à academida de marinha em 10 de dezembro de 1986, su-bordinada ao tema pedras que falam do mar, que ilustrou com 96 gravuras, tendo colocado então perguntas pertinentes, sem chegar a conclusão plausível, nem mesmo depois de interrogar mais de uma dezena dos nossos melhores estudiosos e muitas outras figuras de prestígio da nossa vida cultural que não lhe deram resposta que se lhe afigurasse digna de aplauso. torna-se irrefutável a existência de um facto histórico quando o seu agente existe bem definido no espaço e no tempo e é conhecido e provado através de narrações escritas e orais, respondendo por sua própria natureza às dúvidas suscitadas. a sé do porto, iniciada no episcopado do bispo francês d. hugo, ainda na vigência do condado portucalense, mostra numa pedra de portaria a ingénua inscultura de um barco, suscitando sérias interro-gações: jerónimos, o relevo de um navio aponta a eterna morada de ho-mens cujas vidas foram temperadas pelos sal-gados amargores dos mares. a casa de pero ga-lego na viela da pa-renta, em viana do castelo, remonta aos princípios da segunda metade de quinhentos. gravada no duro granito duma ombreira, a caravela memoriza e per-petua os feitos navais de um grande marinheiro que na sua juventude foi numa armada a áfrica e comandou durante três anos um navio que destemidamente fez guerra sem tréguas aos piratas que infes-tavam os mares das costas do continente e das ilhas. tumulo de vasco da gama, na igreja dos jerónimos. casa de pero galego, viana do castelo. barca esculpida numa pedra da frontaria da sé do porto e que é, certamente, das mais antigas representações iconográficas dum navio português (fins do século doze ou princípios do imediato). “ ... memória, rasto de chegada de cruzados? sigla profissional? esquecido ex-votos? mera representação estereotipada? sinal de con-tribuição para obra? qual a mensagem que lhe caberia transmitir – ou, mais modesta-mente, para comunicar o quê? e a quem? são tudo questões de difícil ou mesmo impossível resposta”.(1) da mesma época, a românica igreja de rio mau, na área de vila do conde, mostra no relevo dos seus capitéis duas barcas: uma com um barqueiro e a outra com três passageiros. estas singelas esculturas, alheias e desnecessárias à harmonia do conjunto, terão sido gravadas à revelia por anónimos apaixonados do mar para tornar-se as mais antigas representações iconográficas de barcos, os primeiros escul-pidos marinheiros que conhecemos. as muralhas de santarém teriam sofrido obras de recuperação e conservação em várias épocas. num desses trabalhos, que pode remontar ao século xvi, alguém grafitou no reboco fresco a figura de um barco que, felizmente, se conserva no jardim do nº 36-a da avenida 5 de outubro. do século passado ou princípios deste serão as gravuras de barcos de foz coa. também, e à feição do que ocorre nas jazidas de s. francisco xavier, em goa, e de vasco da gama, nos a lápide com barco da rua das fontaínhas a s. lourenço, 34, deve remontar ao séc. xv. arcaicas e belíssimas são várias destas relíquias e, dentre estas, aquela quase delida que na rua do benformoso, 210, mostra um galo empoleirado no cesto da gávea como que a perpetuar a basófia do marinheiro que em terra canta de poleiro. uma das naus da calçada de s. vicente, 106, mal afeiçoados alguns con-tornos da pedra bruta para dar- -lhe figura de barco, parece arrancada, desarvorada e perdi-da na tormenta, duma página lutuosa da nossa história trágico-marítima. o belo prédio do largo são joão nepomuceno, 14, foi cons-truído por cipriano bízio que, em 1800, aforou o terreno aos padres do hospício, começando as obras de seguida. (2). os velhinhos do lar ali localizado não tinham a menor lembrança de ouvir falar do construtor do prédio, mas não tinham dúvidas de que os barcos de pedra eram dos marinheiros. as duas caravelas da travessa de s. joão da praça foram colocadas por diogo da silva, homem das armadas de áfrica e 1º embaixador de d. joão iii ao concílio de trento, na casa que ali construiu por mea-dos de quinhentos. o velho merceeiro daque-la vetusta casa do corvo da rua das farinhas diz-me que foi o poeta afonso lopes vieira quem mandou colocar aquela galé de pedra no rua das fontainhas a s. lourenço, nº 34. largo de s. joão nepomuceno, 14.</Page><Page Number="56">8 fevereiro 99 • revista da armada palacete onde morou e que ele até lhe oferecera 50000 pelo corvo e que o mandava tirar e arranjar toda a fachada por sua conta. ao tempo da fundação da nacionalidade portuguesa e ainda por muito tempo não havia ban-deiras nacionais propriamente ditas que representassem o esta-do político, as nações ainda em formação. as forças guerreiras eram conduzidas sob a bandeira de cada chefe, que no essencial respeitavam a cor, as insígnias e os atributos heráldicos das ordens militares usados nos escu-dos a que cada qual juntava um ou outro cunho pessoal, quanto era vulgar os artistas identifi-carem-se nos próprios trabalhos através de marcas ou siglas. os egípcios deixaram relevos de barcos esculpidos nas paredes de seus sarcófagos, os fenícios gravaram navios na pedra, e os viquingues os entalharam nas rochas. tocados por estes povos maríti-mos e desde sempre escravos do mar, os portugueses cedo se tornaram gente navegante aventureira e audaciosa, capaz de afrontar os descobrimentos e de vasculhar os mares tenebrosos, a poder de remo e vela, em todos os rumos dos ventos. vencedores à custa de sacrifícios e vidas sem conto, não podiam os nossos navegadores deixar de observar a tradição iconográfica do barco como marca de vida que se colou à própria imaginação por atávica paixão marinheira que continua a manifestar-se nas pin-turas de barcos nas muralhas dos portos, no azulejo, nos ex-votos, ex-libris, etc. com a epopeia dos desco-brimentos e consequente expansão lusíada, o navio quinhentista passou também a alegorizar a alma portuguesa e daí a valiosa em-blemária que com rara felicidade espalha e enobrece a feliz tradição marinheira, completando-a com figura da nau nos emblemas de empresas, clubes, estabelecimentos, sociedades culturais e demais actividades ligadas ao mar ou a mari-nheiros. a tradição do navio como sinal marinheiro já foi observada pelo rei da boa memória que, talvez para obstar à sua generalização, determinou em 1400: a feliz tradição vem dos fundos dos tempos nacionais, facto sobe-jamente notado por dois ilustres olisipógrafos ao ponderarem que: nas ruínas da igreja velha de s. nicolau foi encontrado um padrão dos barqueiros de olísipo aos deuses marinhos cuja tradução: mostra que já nos tempos pagãos havia, em lisboa, um templo dedicado a tétis, deusa do mar. as naus de pedra foram notadas por renomados arqueólogos e escritores olisiponenses quando em suas peregrinações as vão encon-trando sem deter-se para dispensar-lhe algo mais que um parágrafo: “a cidade tem ainda hoje muitas pedras com as naus de s. vicente, por essas ruas, a atestar velhos ou mais novos domínios, ou significando quantas vezes, da parte dos particulares, um sinal de rogação protectora ao santo da cidade”. (6). quanto foram consideradas pertença da gente do mar por reputa-dos historiadores: “em lisboa, hóspede do irmão, vivendo na loja do cartógrafo, no bairro da gente do mar – cujos restos ainda hoje ostentam nos umbrais das portas, como um estigma de glória, as suas caravelas esculpidas no lioz – colombo vê entrar e sair no estuário as naves aventurosas que vão e voltam das paragens remotas da áfrica e dos arquipélagos atlânticos”. (7). outros autores anotam que as naus de pedra saem de lisboa com os velhos marinheiros para continuarem a fazer-lhes companhia, levando consigo para a ericeira: ao descrever o zuiderzê em “a holanda”, ramalho ortigão obser-va: “na padieira de um antigo prédio, datado, em grandes algarismos, de 1610, depara-se-me um baixo-relevo representando uma caravela, e por baixo este letreiro: in de lisbons warder (no barco que vai para lisboa)”. estroutros ainda as vêem tão generalizadas que as consideram marca nacional: as figuras de barcos gravadas nos selos pendentes de quatro docu-mentos de três entidades diferentes, respectivamente do cabido da sé sigla do mestre de caravelas, joão de lião, aposta num documento de 1488. a mais antiga representação de caravela. « dom joham etc. fazemos saber que nossa mercee he que os nossos alcaides das gallees moradores em a nossa cidade de lixboa por saber onde moram e serem conhecidos por alcaides e lhe serem guardados seus privjllegios... que cada huu delles tenha aa sua porta senhas feguras de gallees...» (3) a ideologia heráldica de lisboa teve desde sempre por motivo funda-mental um navio – barca ou varinel, de linha meramente esquemática – com dois corvos colocados um na proa e outro na popa, e voltados para o interior da embarcação. muito remotamente o navio, qualquer que houvesse sido a sua linha, era insígnia dos portos marítimos, variando no que dizia respeito ao aparelho e aos acessórios. os corvos na figura heráldica olisiponense remontam, sem dúvida, ao tempo de d. afonso henriques, no começo do último quartel do século xii, embora dessa época não nos tenha ficado documento de qualquer espécie. aquele significativo acessório não deve filiar-se nos brasões dos portos marítimos, dos quais nos ficou apenas a ideologia do navio de simples traça, e muito menos se filiará nas galeras biremes romanas, onde figuraria já um corbus (máquina guerreira). (4) memória consagrada aos deuses do mar. os marinheiros e barqueiros do oceano ofereceram éste don ao templo de tethis, para que lhes livre suas embarcações de tempestades. dedicaram-lho por voto que tinham feito. (5). (...) um grande barco de madeira, uma arca poída dos anos, uma meia cómoda e ao fundo a cozinha esfumaçada. por cima o sobrado, com o quarto de dormir, onde, mesmo da cama, se vê o mar, como pela vigia dum barco. nas paredes imagens e navios em relevo – a barca, o iate, a escuna, o lugre em que navegaram... (8). “ (...) como portugal a terra do fado e das caravelas prenhes de vento, em que a cruz de cristo arreganha os lábios vermelhos, num sorriso muito cavalheiresco, de muita religião, muito nacional...” (9).</Page><Page Number="57">evista da armada • fevereiro 99 19 de lisboa (1255), do concelho de lisboa (1255), da chancelaria de d. dinis (1285), e do cabido da sé de lisboa (1295); quanto às dos padrões da bica do andaluz (1336) e da bica de arroios (1360), quando as fontes de abastecimento de água pertenciam à iniciativa de ordens religiosas e de proprietários que faziam chafarizes nos limites de suas terras ou pro-vinham da munifi-cência régia e as ar-mas da cidade eram diferentes, seriam fac-to sobejo para consi-derar que a figura ico-nográfica do barco teve cunho nacional que, mais tarde, lis-boa e outros municí-pios passaram a usar no seu brasão de ar-mas. além disso, das cerca de doze deze-nas de naus de pedra das casas de lisboa que conhecemos, apenas duas – a da calçada do carmo (ao rossio) e da rua dos anjos, 42 e 45 – poderão situar-se no carácter municipa-lista. atente-se ainda no facto de em toda a área da cidade pombalina cujas construções tiveram as mesmas concessões e benefícios apenas se encontrarem à vista ou referenciadas cinco naus de pedra dos a nau dificilmente notada na estátua de d. josé algo terá a ver com a tradição da nau de pedra, desde que: “ainda assim não deixaram a joaquim machado de castro a liberdade de inventar allegorias dos grupos laterais, nem de alterar os acessórios da estátua equestre ...” (10) e, logo em abril de 1777, o povo substituiu o medalhão do marquês de pombal, ainda em sua vida, pelas armas de lisboa – o navio com os dois corvos – até que, em 12 de outubro de 1833, o duque de saldanha re-pôs o medalhão de seu avô. já a interpretação da parte or-namental do frontão da câmara de lisboa nos aparece claramente definida: “... encosta-se a uns livros, tem na mão esquerda um compasso e com a dextra levanta o facho para alumiar a navegação, que se acha à sua direita, e se reconhece pela coroa rostral e pelo na-vio, e é representada durante a luta com o oceano, no momento em que descobre o brasil. com a mão direita se-gura a auriflama portuguesa e, batendo com a haste no es-cudo do brasil, faz surgir santa cruz. com a mão esquerda mos-tra-se pronta a parar o golpe que o oceano vai acenar-lhe. a túnica arrancada, o mastro do navio partido, assim como a borda deste calcada pelo pé do hipocampo, recordam as peripécias do descobrimento de pedro álvares cabral. reconhece-se o oceano pelo hipocampo em que monta, assim como pelos golfinhos do ceptro, com que arremete a navegação. um navio a vapor em construção lembra o arsenal da marinha de lisboa; uma bóia, uma âncora, alguns cabos e remos indicam o seu porto”. (11). a aventura marítima dos portugueses – obra dum plano madura-mente estudado, amadurecido e apoiado em recursos científicos, cimentado com fé e constância indomáveis – só não foi mais além pela impossibilidade natural de aguentar-se o que sempre foi manifes-tamente superior às nossas forças, constrangendo, desde o princípio, à escolha de precedências. daí serem demasiado escassas as informações que, acerca das via-gens dos corte real e das outras tentativas ao atlântico ocidental, nos dão os cronistas, talvez por terem sido feitas em segredo e quase sem-pre por iniciativa e à conta de particulares, quanto por serem segredo de estado e estarem proibidas por carta de 22 de outubro de 1443 do então regente d. pedro todas as viagens para além do cabo bojador sem prévia licença do infante d. henrique. “a 1447, ou pouco depois, diria respeito a viagem força-da daquela “nau de portugue-ses” que, vindo do mediterrâ-neo, pelo estreito de gibraltar fora, ‘lhe dera tal tormenta’, a sé. a cerca moura e a alcaçova de lisboa em 1352. rua dos anjos nº 42. frontão da câmara municipal de lisboa. chafariz do largo do mastro (campo de santana). homens do mar: as duas que foram retiradas das esquinas da rua dos arameiros que dão para as ruas da alfândega e dos bacalhoeiros, a da esquina desta artéria com a rua da padaria, outra na rua augusta, 236 (alta), e estoutra na rua primeiro de dezembro, 76. cumpre considerar o facto de quase todas as lápides estarem viradas ao mar, das mais correctamente conseguidas com dados pes-soais indiscutíveis, como acontece com a lápide da rua de santa apolónia, 18, apresentarem o corbus, da sua singularidade e colo-cação a diferentes alturas, tudo a afastar a ideia mercantilista ou municipalista do evento. o chafariz do campo de santana, construído quan-do d. luís já se encontrava doente e teve projectos exuberantes, apresenta a maior singeleza de que apenas sobressai o relevo duma pequena caravela coroada de coroa real. não será o barco preito mari-nheiro ao homem que antes de ser rei foi coman-dante, querido e exigente a bordo?! esquina da rua dos bacalhoeiros com a rua da padaria. chafariz do largo de s. paulo.</Page><Page Number="58">0 fevereiro 99 • revista da armada que correndo a oeste ‘muito mais do que quisera’, fora ter a uma ilha ‘em que havia sete cidades e onde se falava ‘a nossa língua’, ‘e per-guntaram se tinham os mouros ainda ocupado espanha donde fugi-ram pela perda de el-rei d. rodrigo’ ”. (12) em março de 1989, apareceram pertinentes notícias da existência de inscrições, exibindo embarcações de vela com a data 1450 e a cruz de cristo, numa gruta de ábaco grande. foram denunciadas pelos componentes, ingleses, da operação raleigh 178b, que teve lugar de 14 a 19 de janeiro desse ano com o objectivo de investigar a ocupação da ilha com especial incidência em épocas anteriores a 1492. os jovens estudantes foram instruídos no terreno por ian lothian que os levou a estudar os restos duma povoação que se chamou ale-xandria, e depois à gruta onde se encontravam os referidos grafitos. curiosamente, as razões que a missão portuguesa, ali enviada para estudar a autenticidade das gravuras, encontrou para ilidi-las são sen-sivelmente as mesmas que a comissão corte real, chefiada pelo almirante gago coutinho, achou por bem considerar para perfilhar a pedra de dighton. (13). próprios autores, aparecem várias referências à conhecida tradição das naus de pedra de que recolhemos da descrição da vila de sagres: os testemunhos de incontestáveis mestres mostram que desde as naus de pedra das casas dos navegantes aos mais pequeninos relevos e pormenores dos nossos monumentos nada pode entender-se por enfeites de acaso desde que alegorizam coisas importantes da vida nacional. no homem, à necessidade de viver e de crescer cola-se o forte dese-jo de notorizar-se no espaço e no tempo, a aguilhoante ânsia de per-petuação, aproveitando todas as motivações para marcar sua existên-cia durante e para além das próprias vidas. daí as muitas antigas mar-cas em vetustas casas a recordar-nos devoções e apegos como acon-tece com os sinais e siglas tanto devocionais quanto a memorizar estir-pes nobiliárquicas ou de ofício, correspondendo as naus de pedra à ideia de perpetuação da lembrança que os homens do mar das épocas áureas de antanho quiseram deixar-nos e nos cumpre conhecer, restaurar, respeitar e transmitir como recordações e homenagem aos navegadores que tornaram grande e notada a alma lusíada. acácio neves sar aj ref (colaboração do gab. de fot. do cema) pedra de dighton. além disso, a genuinidade das gravuras parece apoiada na existên-cia dos restos dum veleiro afundado nas águas próximas. a nau gravada na rocha do templo da barra, em macau, poderá relacionar-se com a chegada dos primeiros portugueses aos mares do celeste império. em milnerton, áfrica do sul, foi encontrada, já nessa década, uma “pedra postal” com a inscrição: “o capitão cristóvão de mendonça chegou aqui na nau vitória a 25 de maio de 1524, todos bem. deus seja louvado”. ainda há poucos anos, os australianos procuraram com subido inte-resse os destroços de um navio português perdido na águas da sua costa onde em rochas próximas se encontraram figuras de remotos veleiros. destarte, vetustas gravuras de barcos dão a entender que nessas águas teriam navegado e talvez naufragado barcos portugueses em tempos anteriores aos vulgarmente considerados como está clara-mente exposto na história e nos preciosos relatos dos nossos cronistas. outros relatos confirmam que os mareantes portugueses já antes e nos primeiros anos dos descobrimentos se aventuravam mar largo adentro, possuíam roteiros e referências celestes que aproveitavam o regime dos ventos alísios e as correntes do atlântico de que até os “lei-gos” estavam industriados, quanto levavam no bojo dos barcos ani-mais, sementes e plantas que vão deixando com escravos em pontos escolhidos das costas que iam tocando a fim de aí criarem novas cul-turas e condições que amenizassem a passagem de outros barcos de exploração e a sua posterior colonização, e daí as armas do infante e dados pessoais dos mareantes que ficaram como sinal de descoberta e posse a marcar os troncos das grandes árvores, as cruzes de madeira e as ins-culturas das rochas que ficaram esque-cidas nas conhecenças desde o prin-cípio aproveitadas como referências da navegação lusíada. durante o século dezanove, época nobre da cultura ultramarina que pro-duziu muitas e valiosas obras de inves-tigação sobre os descobrimentos, bem muitas vezes impressas a expensas dos foi muito povoada esta villa, mas hoje nada existe da sua grandeza, senão as casas, aliás ordinárias, onde consta que morava o infante. em novembro de 1839, se collocaram n’esta casa, duas lapides de marmore, embutidas na parede. cada uma d’estas lapides tem 1,m25 d’alto e 1,m15 de largo. em uma estão gravadas as armas do infante (que são as de portugal) tendo por timbre a cabeça de uma serpente alada, com a legenda –talent de bien faire– de que o infante usava. do lado esquerdo, vê-se um globo terrestre, e do direito um navio à vela. foi esculpida por manuel simões. a lapide da direita, tem uma inscrição laudatoria, narrando os rele-vantes serviços que à patria, às sciencias mathematicas e à navegação, fez o esclarecido infante. (14). em 1625, um navio portuguez que regressava a este reino, soffreu tão grande tormenta, que estava a ponto de submergir-se. os navegantes recorreram à protecção de s. s. virgem, e um d’elles, chamado thomé antonio, natural de campanhan, prometteu mandar construir uma ermida, dedicada à senhora, se chegasse a salvamento. ouvida a sua prece, cumpriu thomé o seu voto; pois, apenas desembarcou, na cidade do porto, foi procurar sitio adequado ao seu intento, e que fosse perto da sua freguezia. escolheu um planalto, na serra de vallongo, chamado as chans, e ali se erigiu a ermida. os povos d’estes sitios – principalmente os pescadores e navegantes, tinham com esta senhora grande devoção, e lhe faziam uma sump-tuosa festa annual. o fundador, em memoria da tormenta que esteve a ponto de o sepultar no abysmo do mar, e aos seus companheiros mandou fazer e collocar na ermida, um lindo navio, com a competente inscrição. (15). o ilustre autor vai anotando vestígios das naus dos marinheiros, observando na descrição da vila duriense de valongo: largo do terreiro do trigo. bibliografia - notas: (1) nuno valdez dos santos – “pedras que falam do mar”; (2) júlio de castilho – “ribeira de lisboa”, vol. iv, pág. 288; (3) josé de vasconcelos e meneses – “os marinheiros e o almirantado” p. 60; (4) luís pastor de macedo e norberto de araújo – “casas da câmara de lisboa” (1951), pág. 181; (5) angelina vital – “lisboa antiga e lisboa moderna”, (1906); (6) luís chaves – “lisboa nas auras do povo e da história”, vol. i, pág. 158; (7) carlos malheiro dias – “história da colonização portuguesa do brasil” (1921), pág. xcvii; (8) raúl brandão – “guia de portugal” vol. i (1924); (9) teixeira de carvalho – “notas de arte e crítica” (1926), pág. 389; (10) j. a. d’almeida – “dicionário abreviado ...”, vol. ii (1866), pág. 115; (11) alfredo de mesquita – “lisboa” (1903); (12) dr. francisco fernandes lopes – “história da expansão portuguesa no mundo”, vol. ii (1940), pág. 333; (13) boletim da sociedade de geografia de lisboa” – março-abril de 1939; (14) pinho leal – “portugal antigo e moderno” vol. viii, (1878), pág. 324; (15) pinho leal – “portugal antigo e moderno “vol. x (1882), pág. 180.</Page><Page Number="59">evista da armada • fevereiro 99 21 o contrato de fernão gomes o contrato de fernão gomes a marinha joanina (4) u ma das razões porque a exploração da costa africana entrou num certo impasse, a partir de 1460, concerteza que tem a ver com o facto de se perder de vista a estrela polar, à medida que se vai avançando para sul. é verdade que outros astros nocturnos podiam ser obser-vados – pode medir-se a altura de outras estrelas da ursa menor ou até da ursa maior -, mas isso implicava um cálcu-lo mais complexo e não consta que essas técnicas fossem usadas pelos portugueses. aliás, muito provavelmente, os pilotos daquele tempo não associavam a altura da estrela (ou do polo) à latitude do lugar, porque não tinham a noção dessa coordenada terrestre. para entenderem isso, pre-cisavam de compreender que a terra era redonda, que tinha um equador e que a distância a esse equador era medida de zero a noventa graus, para um e outro lado (norte e sul). ora esta noção não era evidente no século xv, e o que nos sugere diogo gomes, na sua relação (marinha henriquina 15), parece ser uma simples regra prática que relacionava um lugar com uma leitura, sem outros conceitos geográficos ou matemáticos. por isso, é de crer que as primeiras viagens, efectuadas para sul da serra leoa, deviam ser feitas com alguma prudência. era um passo para o desconhecido e, neste caso, o sentimento de insegurança era agravado por alterações significativas no regime de ventos e correntes. sabe-se, no entanto, que se continuou a viajar para áfrica e que foi mantido um comércio regular, cujo lucro pertencia à coroa ou ao infante d. fernando (irmão do rei), conforme se efectuasse no cont inente ou nas i lhas de cabo verde. certamente, foi na sequência de uma destas viagens comerci-ais que diogo afonso alcançou as i lhas ocidentais do arquipélago, pelo final do ano de 1461 e princípios de 1462: a ilha de s. nicolau em 6 de dezembro, santa luzia a 13 de dezembro, santo antão a 17 de janeiro e s. vicente a 22 desse mesmo mês. entretanto, em 1469, numa altura em que parecia difícil continuar a avançar com os reconhecimentos da costa, um contrato comercial efectuado com um rico mercador lisboeta chamado fernão gomes, veio alterar completamente o (aparente) impasse em que se estava desde o princípio da década. a julgar pelo que nos deixou escrito joão de barros, o con-trato foi assinado em novembro de 1469, permitindo ao arrendatário a exploração, durante cinco anos, do comércio de toda a costa africana. exceptuavam-se os trautos de arguim, que continuariam na mão do rei, e da região em frente do arquipélago de cabo verde, que era monopólio dos habitantes da ilha de santiago. em troca pagaria a quantia anual de 200 000 réis, e seria obrigado a mandar “descobrir” 100 léguas de costa por ano, a partir da mata de santa maria, onde se supõe que tinha chegado a última viagem de pero de sintra. não nos é possível conhecer todas as viagens que, por sua ordem, foram efectuadas e, tão pouco, sabemos os nomes de todos os navegadores que estiveram ao seu serviço. no entanto, at ravés da pena de croni s tas mai s tardios , chegaram-nos algumas referências que nos parecem muito importantes. muito provavelmente, logo em 1470, soeiro da cos ta faz uma pr imei ra incursão para além do cabo mensurado, mas a viagem que nos surge com mais significa-do, talvez por ter sido a mais longa e mais profícua, é a de joão de santarém e pero escobar, efectuada em 1471 e 1472. nela se chegou ao local de resgate de ouro designado depois por mina (onde se viria a construir uma fortaleza) e se descobr i ram pelo menos as i lhas de s. tomé (21 de dezembro de 1471) e do príncipe (designada na altura por santo antónio, por ter sido encontrada a 17 de janeiro de 1472), sendo interessante verificar como se conseguem datar muitas destas descobertas, pelo facto de lhe terem sido dados os nomes dos santos que se festejavam no dia em que foram efectuadas. esta viagem, teve ainda um outro mérito importante: permitiu entender o regime de correntes no interior do golfo da guiné. como ainda hoje é notório, quando a costa inflete para leste, as águas começam também a correr nesse sentido, facilitando a viagem de ida mas criando grandes problemas para o regresso, numa zona de ventos geralmente fracos. no entanto, mesmo no interior do golfo, junto à actual república dos camarões, esta corrente faz uma revessa e passa a correr para oeste, afastada da costa. por isso, os navios que costeiam aquela região africana, quando querem regressar à europa, têm de se afas-tar de terra, dirigindo-se para sul até encontrar essa revessa que lhes facilita a viagem. pela certa, foi esta operação que levou os portugueses até s. tomé. nos anos que se seguem, fernando pó alcançou a região dos camarões e a ilha que hoje tem o seu nome, lopo gonçalves chegou ao cabo lopez (na altura cabo lopo gonçalves), e rui sequeira ao cabo de santa catarina (certa-mente a 25 de novembro de 1474 ou 1475), já a sul do equador. conforme já aqui se disse, o contrato era de cinco anos, ter-minando nos finais de 1474, no entanto, em 1 de junho de 1473, o rei concedia ao mercador lisboeta a possibilidade de o prolongar por mais um ano, com um ajustamento de renda de mais 100 000 réis. com base neste acordo, foram explo-radas mais de 600 léguas da costa africana e foi ultrapassada a linha equatorial. j. semedo de matos cten fz as correntes do atlântico. mata de sta maria cabo de sta catarina s. tomé príncipe fernando pó equador áfrica página ímpar</Page><Page Number="60">exercício físico e a prevenção cardiovascular 22 fevereiro 99 • revista da armada c omo resultado de grandes campa-nhas mediáticas de sensibilização para os benefícios da prática desportiva, nasceu, cresceu e sedimentou-se o conceito que o exercício físico é um valor em si mesmo, inquestionável. a divulgação, implementação e genera-lização da prática do exercício, tem contudo sito feita com pouco cuidado, nomeada-mente no que diz respeito à caracterização e quantificação do esforço necessário e sufi-ciente para induzir os benefícios fisiológicos e psicológicos consensualmente aceites para a prática das actividades físicas. tem muitas vezes sido esquecido, que a resposta fisiológica aguda ao esforço, é favorecedora e indutora de sobrecargas fun-cionais, cardiovascular, res-piratória e metabólica, que podem apresentar-se como potenciais agressores para a saúde, em particular para o aparelho cardiovascular. não tem sido suficiente-mente acentuado que só a prática repetitiva e regular de esforço apropriado induz adaptação orgânica fisiológica crónica favorece-dora, ela sim, do apareci-mento de factores de pre-venção da doença cardio-vascular como sejam, a instalação de uma nova ati-tude (anti-sedentária, com maiores níveis de auto-estima e menores tendências para a depressão e para a ansiedade), ou o surgimento de modificações favoráveis do perfil lipídico (descida do colesterol total, das ldl e dos triglicéridos e subida das hdl), da tolerância à glicose ou mesmo da pressão arterial. há, pois , que estabelecer claramente as diferenças entre o benefício seguro do exer-cício aeróbico regular, de intensidade e duração suficientes para induzir adaptações fisiológicas crónicas e o possível prejuízo da resposta orgânica aguda ao esforço, sobre-tudo se potenciado por grandes cargas competitivas. pode mesmo, em termos genéricos, afir-mar-se que, enquanto o trabalho manual e o desporto recreativo regular, de intensidade moderada e preferencialmente aeróbico, são benéficos para o aparelho cardiovascu-lar, o esforço exigido por práticas competiti-vas mais ou menos exigentes, é muitas vezes prejudicial. a actual certeza que a inatividade é um factor de risco cardiovascular e a lógica do seu combate pela prática do exercício físico, não permitem a generalização da utilização indiscriminada de todas as práticas desportivas. uma breve análise da história da divul-gação, implementação e generalização da prática do exercício físico é suficiente para perceber, por um lado, o modo superficial, pouco científico como tudo ocorre e por outro, a controvérsia em que a comunidade científica médica viveu, pelo menos até às últimas três décadas. até à década de 40, as ideias prevale-centes, podem resumir-se nas seguintes afirmações retiradas textualmente de dois importantes livros da época. william osler afirmava em “the principles and practice of medicine” “... o repouso é do maior valor em todas a formas de doença orgânica cardíaca... se um homem com doença cardíaca tiver uma actividade profissional fisicamente exigente, deve ser aconselhado a abandoná-la e tentar outra...” na edição de 1934 do” cecil texbook of medicine” afirma-se: “ ...o esforço físico é capaz de induzir sérias lesões no coração do ado-lescente... o repouso é o mais valioso dos remé-dios para o coração com sopros...” o grande responsável pela promoção e generalização do exercício físico foi indiscu-tivelmente o cardiologista americano paul dudleywhite. sem conduzir estudos científicos, estava convicto, pelas suas observações clínicas e pela sua própria experiência pessoal, que a prática regular da actividade física era um importante factor para a promoção e manutenção da saúde física e mental. defendia igualmente, que muitos doentes cardíacos se tornavam desneces-sariamente inválidos. tornou-se um campeão da divulgação dos benefícios da actividade física, que con-siderava útil, por ser de grande acessibili-dade, barata e geralmente agradável. escrevia paul dudley white em 1927 – “o exercício como apoio à manutenção da saúde é benéfico nas doenças cardíacas, desde que a reserva funcional do coração seja suficiente para o permitir...” desdobrava-se paul dudley white em conferências, quando em 1955, enfartou o presidente americano dwight eisenhower, coincidentalmente seu doente. aplicadas as suas convicções ao mais alto nível da nação americana, com apenas um curto período de convalescênça, dá-se o retorno do presidente não só à casa branca, mas também aos campos de golf. foi , assim, mais fácil implemen-tar e generalizar ainda mais a prática de actividades físi-cas, não só na prevenção, mas também nas reabilitação cardíacas. faltava o suporte científico, aos conceitos ge-neralizados que se iam tor-nando consensuais. foi em inglaterra entre 1955 e 1965 com os trabalhos de j n morris (1953), fox e skinner (1964) e taylor (1962) que se coligiram os primeiros resultados que suportam cientificamente os conceitos divulgados. foram trabalhos (estudos necrópsicos) em que se compara-ram o estado de artérias de dois grupos etários semelhantes, que haviam tido activi-dades profissionais diversas, sedentários uns, fisicamente activos outros (motoristas de autocarros e carteiros) e que demons-traram que os indivíduos das profissões com maior inactividade tinham mais pre-cocemente doença coronária e que esta era mais extensa e severa. o mérito destes trabalhos foi fornecer o suporte científico para o reconhecimento da inatividade como factor de risco cardiovas-cular. a partir deles, é abusivo considerar que a prática desportiva mesmo regular, intercurtando longos períodos de inactivi-dade de indivíduos sedentários, seja tão efi-caz na prevenção cardiovascular, como mostrou ser o esforço regular e demorado exigido por profissões fisicamente activas. o exercício físico e a prevenção cardiovascular factos e mitos</Page><Page Number="61">evista da armada • fevereiro 99 23 o exercício físico é útil, mas não é pana-ceia universal, que, de qualquer tipo e prati-cado em quaisquer circunstâncias resulte sempre em ganho para a saúde individual. compete ao médico prescrevê-lo, de acordo com as regras habituais de pres-crição clínica, só deve ser usado se indica-do. deve administrar-se com horário, dose apropriada e sempre que a situação o indicar com reajustamentos posológicos. as contra-indicações e os efeitos secundários existem e não podem ser esquecidos. parece pois, claro, que a prática regular do exercício físico para ser eficaz como fac-tor de prevenção cardiovascular deve reger-se por princípios básicos – os mandamen-tos da actividade física, que aqui, de modo sucinto deixamos, para que possam ser con-siderados por cada potencial candidato a praticante desportivo e por todos aqueles que já praticantes, julguem dominar pro-fundamente todas as suas vertentes. assim, e de acordo com as recomen-dações da american heart association e com o grupo de actividade física da fundação portuguesa de cardiologia, deve o exercício físico respeitar os seguintes princípios: 1. o objectivo principal da utilização da actividade física é a promoção da saúde. a promoção da condição física não poderá ser senão um objectivo secundário, exigindo sempre práticas mais intensas e demoradas e acarretando maior risco de lesões, nomeadamente osteo-musculotendi-noas e articulares. 2. a actividade física regular não signi-fica apenas actividade desportiva. os benefícios do exercício físico podem obter-se com tarefas tão diversas como sejam jardinagem, a horticultura, as danças ou mesmo os jogos tradicionais. a simples marcha pode ser suficiente para induzir ganhos de saúde. 3. com a actividade física combate-se o sedentarismo e contribui-se para a cor-recção de outros factores de risco cardio-vascular, nomeadamente a insulino-resistência, a hiperglicemia, a hipertensão arterial, a obesidade, as dislipidemias, o tabagismo e o “stress”. as vantagens da actividade física não se limitam ao aparelho cardiovascular sendo particularmente eficazes também para o estado psicológico e para a saúde do apare-lho osteo-musculo-articular. 4. a actividade física deve ser apropria-da e adequadamente executada. deve ser regular, pelo menos 3 sessões semanais não consecutivas, com duração de 20 a 60 minutos. os esforços físicos a utilizar devem ser predominantemente aeróbicos e do gosto do indivíduo que se exercita. devem praticar-se regularmente e de modo pro-gressivo, para conduzirem a adaptação crónica e não poderão em caso algum desrespeitar os condicionalismos individu-ais. as actividades com carácter lúdico são as mais adequadas para as crianças, por permitirem o aumento do seu reportório motor. os adultos idosos devem sempre evitar esforços associados a qualquer tipo de carga competitiva. os esquemas de execução de programas de treino físico devem envolver sempre um período inicial de aquecimento e um perío-do final de retorno à calma. durante a fase intermédia de estado, a intensidade dos esforços praticados deve ser suficiente e permitir ao indivíduo que se exercita, a manutenção de uma conversa durante o mesmo. não deve em qualquer circunstân-cia deixar de se “ouvir o corpo”. a sensação de fadiga extrema é de evitar. formas mais elaboradas de treino, envolvem em geral, objectivos de aprimorar a forma física e devem, como tal, ser objecto de orientação técnica apropriada. não deve ser esquecido: - a prática de actividades físicas só deve ser tentada se o indivíduo se sentir com saúde. - não é fisiologicamente correcto a práti-ca do exercício em período digestivo, por poder ocorrer conflito de distribuição de débitos regionais, com risco cardiovascular consequente. - o esforço praticado deve ser ajustado às condições climatéricas – evitar altas tem-peraturas e elevadas humidades relativas. - a prática desportiva exige vestuário, calçado e terreno adequados. - o indivíduo que se exercita deve respei-tar as suas limitações e saber identificar si-nais e sintomas de alerta, tais como o des-conforto precordial, as tonturas e a dispneia extrema. - o exercício deve ser do gosto individual e envolver predominantemente esforço aeróbico. - devem privilegiar-se os circuitos em terreno plano e as descidas. - a melhoria da condição física exige treino e implica tempo. 5. um médico especializado em activi-dade física e / ou um licenciado em educa-ção física, são os conselheiros ideais para ajudar o praticante a escolher o regime de treino que melhor se lhe adapta. 6. os programas de actividade física devem iniciar-se na infância, mas ... nunca é tarde para começar. 7. a prática passada de actividade física, mesmo se intensa, não concede protecção vitalícia. ter sido praticante de actividade física não significa estar imune às doenças cardiovasculares. o exercício físico como vacina necessita de constantes reforços. 8. o exame médico prévio à decisão acerca da aptidão para a prática desportiva é uma necessidade absoluta. eduardo teles martins cfr mn</Page><Page Number="62">4 fevereiro 99 • revista da armada instituto hidrográfico outras instituições, por uma equipa interdisciplinar, sob a sua direcção científica. o projecto corie é um sis-tema piloto de análise-pre-visão para o estuário do rio columbia. os sistemas de análise-pre-visão são o retrato familiar da moderna previsão do tempo, proporcionando uma eficiente caracterização das condições presentes sobre uma determi-nada área geográfica (método de análise) e a previsão de con-dições futuras (método de pre-visão). sistema costeiro de previsão e observação em tempo real decorreu no auditório do ih, no passado dia 29 de ou-tubro, uma palestra sobre o sistema costeiro de previsão e observação em tempo real dum conjunto de parâmetros do rio columbia, apresentada pelo professor antónio melo baptista. é um ex-investigador do la-boratório nacional de enge-nharia civil (lnec) e actual-mente é professor catedrático no oregon graduate institute of science &amp; technology (eua). na sua exposição foi acom-panhado por dois investi-gadores do lnec. quando investigador do lnec, o pro-fessor antónio melo baptista participou e co-laborou com o ih em diversos trabalhos. a sua expo-sição no ih te-ve como objec-to a apresen-tação do projec-to corie, pro-jecto que está a ser desenvolvido no center of coastal and lang-margin resoarch, em colaboração com tados os resultados obtidos no primeiro cruzeiro realizado em 1996 nas costas francesa, espanhola e portuguesa, no-meadamente a caracterização dos vários níveis de circu-lação da água mediterrânica, através do posicionamento de flutuadores lançados durante o cruzeiro, bem como a sua caracterização hidrológica através dos dados de ctd e xbt/xctd adquiridos durante o mesmo. cooperação luso-francesa em oceanologia o ih teve a honra de rece-ber nas suas instalações du-rante uma semana os drs. bernard le-cann e nathalie daniault, investigadores do laboratoire de physique des oceans (lpo) (brest-frança). esta visita foi suportada pelo quadro de cooperação luso- -francesa em oceanologia e teve como objectivo o inter-câmbio científico entre o lpo e o ih. a visita destes investiga-dores terminou com um seminário cien-tífico apresentado pelo dr. b. le-cann sobre o projecto arcane (acções de pesquisa sobre a circulação no atlân-tico nordeste). na palestra, que teve lugar no passa-do dia 12 de novem-bro no auditório do ih, foram apresen-o início dos tra-balhos, que culmi-narão na apresen-tação para aprova-ção, no prazo de 120 dias, de uma proposta que visará a delimitação da plataforma conti-nental num período inferior a 8 anos, ocorreu no dia 27 de outubro no instituto hidro-gráfico, altura em que se reu-niram a comissão e o conselho consultivo a fim de ser feita a apresentação dos trabalhos e dar início ao programa de actividades, para posterior exe-cução dos trabalhos práticos, nomeadamente: levantamen-tos hidrográficos, levantamen-tos geológicos, processamento dos dados recolhidos e carto-grafia da linha de delimitação da plataforma continental. projecto «plataforma continental» na sequência da resolução do conselho de ministros nº 90/98, de 26 de fevereiro, foi criado o projecto de investiga-ção interministerial «plataforma continental». este projecto visa proporcio-nar a definição legal do limite exterior da plataforma conti-nental e eventualmente susten-tar a sua extensão, para além das 200 milhas náuticas, no quadro da convenção das na-ções unidas sobre o direito do mar (cnudm), que portugal aprovou 14 de outubro de 1997. qualquer pretensão de juris-dição portuguesa sobre a plata-forma continental para além dos limites actuais deverá ser apresentada pelo estado portu-guês à comissão de limites da plataforma continental das nações unidas, no prazo máxi-mo de 10 anos a contar da vin-culação à cnudm. tal preten-são terá que ser sustentada através da definição das carac-terísticas do limite pretendido, bem como pela indicação das características científicas e técni-cas que o fundamentem. no âmbito do projecto «pla-taforma continental» e na dependência dos ministros dos negócios estrangeiros, da de-fesa nacional, da economia e da ciência e tecnologia, foi cri-ada a comissão acima referida, presidida pelo director-geral do instituto hidrográfico e composta por representantes de cada um dos ministérios men-cionados. junto da comissão funciona um conselho consul-tivo, presidido pelo almirante antónio sousa leitão e tendo como membros cinco personali-dades de reconhecido mérito e representantes dos ministérios da agricultura, desenvolvi-mento rural e pescas, da edu-cação e do ambiente. os membros que integram a comissão e o conselho consultivo no i. h. odr. le-cann apresentando o projecto arcane.</Page><Page Number="63">evista da armada • fevereiro 99 25 memórias de fim de curso efectuadas pelos aspirantes do curso d. luís i o curso d. luís i terminou a sua licenciatura na escola naval e, como vem sendo hábito, efectuou as respectivas memórias de fim de curso. estes trabalhos monográficos abar-cam assuntos diversos, relacionados com a formação na escola, e com grande interesse para a marinha, na medida em que re-presentam o fruto de uma investigação específica. na lista que se segue apresentamos as memórias efectuadas pelos novos guardas-marinha. departamento de formação de marinha • plano de estabilidade do «polar» ..........................c. de carvalho • reconhecimento e identificação visual de plataformas – base de dados .................a. henriques • manobras e evoluções ..............................................v. marques e s. pires • agulhas de fluxo .......................................................lucas da silva • modelo de publicação para a escola naval - instrução .......................................l. morgado e p. martins • publicações da armada - lições ...........................s. pires e r. da cruz • segurança e criptografia - lições ........................s. costa e s. dias • fiscalização de pescas ...............................................g. neto e m. moreira • actualização dos critérios de aptidão para mergulho militar ........................brito e abreu • estudo da determinação da temperatura da água do mar, a partir da velocidade do som na água ...............s. e costa e p. de castro • corrosão catódica e baterias .................................m. galocha e s. garcia • evolução da hidrografia na marinha de guerra portuguesa e levantamentos hidrográficos no bost .............................................c. dias departamento de formação de engenheiros navais - ramo de mecânica • omotor adiabático .................................................p. gil • fiabilidade – métodos práticos para a sua determinação ..........................................o. azenha • provas a cais e no mar – proposta de umcódigo para a marinha ..............................n. fernandes departamento de formação de engenheiros navais - ramo de armas e electrónica • linux – o sistema e os serviços de rede ............f. neves • conversor de códigos para umreceptor nsk, para os submarinos ........................................g. patricio • sistema da monitorização da pontaria e disparo ...............................................p. romano departamento de formação de administração naval • responsabilidade civil extra-contratual da administração pública .......................................m. lima • a sociedade da informação e suas tecnologias .......................................................s. frias • a contabilidade analítica integrada no sistema integrado de informação financeira da marinha ...............................................s. vitorino • a integrção na marinha dos modernos conceitos para a modernização administrativa .............................................................m. lopes • a globalização da logística......................................b. rocha • análise custo-eficácia da função logística “transporte” na marinha .........................................v. gama • a gestão de stocks como alavanca financeira da eficiência logística .............................m. gonçalves • ummodelo de autonomia financeira para a marinha ...........................................................s. rodrigues departamento de formação de fuzileiros • a dinâmica de grupos – aplicação ao comando de pequenas forças militares ...........c. frescata • acções irregulares – abordagem do ponto 3 das missões e tarefas da marinha, como ramo das forças armadas ...........................e. marques escola naval abertura solene do ano lectivo na escola naval a abertura solene do ano lectivo, na escola naval, teve lugar no passado dia 27 de novembro, numa cerimónia que coincidiu com o encerramento das actividades do colóquio “vasco da gama, os oceanos e o futuro”. s. ex.cia o presidente da república, dr. jorge sampaio, teve a amabilidade de honrar o evento com a sua presença, sendo recebido pelo cemgfa (general gabriel espírito santo), pelo cema (almirante nuno vieira matias), pelo comandante da escola naval (calm amé-rico silva santos). às honras militares seguiu-se a sessão solene, aberta pelo calm silva santos. nesse discurso o comandante da escola não deixou de efectuar um pequeno balanço das actividades do ano transacto, mas dedicou uma especial atenção ao fu-turo, exortando os alunos para uma dedicação plena aos de-safios que se avizinham. numa palavra especial aos novos guardas-marinha (do curso d. luís i), lembrou-lhes que têm pela frente uma carreira profissional plena de exigências, fazendo votos para que a formação recebida na escola possa constituir uma base sólida, servindo de referência no desem-penho das suas funções futuras. o engenheiro gonçalves viana — representando a sociedade de geo-grafia — efectuou a tradicional oração de sapiência, se-guindo-se a entrega dos prémios para as melhores comu-nicações presentes no colóquio e a atribuição de diplomas aos alunos que terminaram a licen-ciatura. a cerimónia encerrou formalmente com o hino nacional can-tado por um grupo de cadetes, num arranjo coral dirigido pelo cten araújo pereira.</Page><Page Number="64">6 fevereiro 99 • revista da armada notícias as provas são uma escolha exclusiva dos formandos que apresentam a sua proposta ao oficial coordenador das pap’s que as submete à aprovação da direcção da escola, a fim de esta proceder à sua análise e posterior aprovação, tendo em conta a viabilidade técnica e económica e sua utilidade, quer como instrumento de formação, quer mesmo como possível utilização na marinha. no estudo e execução de cada projecto os formandos são acompanhados por um orientador nomeado para o efeito, cuja função é conduzir e avaliar continuamente a evolução do projecto de modo a cumprir o planeamento previa-mente estabelecido para a sua execução, não interferindo nela. este ano, uma turma de 28 formandos realizaram 13 projec-tos. estes projectos, bem demonstrativos do elevado empenho dos formandos em realizar estas provas, com todas as dificul-dades inerentes à sua dispersão em especializações diferentes, em escolas diferentes na fase final do curso, foram concluídos nos prazos estabelecidos e constaram de : • anemómetro e indicador da direcção do vento. • respondedor automático de chamadas telefónicas. • osciloscópio portátil com indicador de matriz de led’s. • estação de base para micro-soldadura. • carregador de pilhas ni cd rápido com indicador de carga e fonte de alimentação de bancada. • unidade de memória para osciloscópio com interface para pc (com dois canais). • gerador de sinais. • painel de visualização de informações. • mini-estação de meteorologia. • mesa de mistura de áudio com controlo digital e amplifi-cador de potência de dois canais de 100 w cada. • efeitos especiais de vídeo e misturador de audio para vídeo. • veículo rádio telecomandado e autónomo com sistema de segurança contra obstáculos, pode simular um insecto. • central telefónica com oito canais. o projecto mais bem classificado veio a ser o do “painel de visualização de informações”, da autoria dos formandos 915590 cabo e ferreira, 6306591 1mar l abreu, 6307291 1mar cro machado e 9301394 2mar e monsanto. futuramente, este painel vai ser colocado no átrio da escola et, dando a formadores, formandos e visitantes as saudações cordiais da escola e fornecendo ainda alguma informação rela-tivamente a elementos meteorológicos. realizaram-se no período de 23 a 27 de novembro de 1998, no grupo nº 1 de esco-las da armada - escola de electrotecnia, a apresentação e defesa das provas de apti-dão profissional - pap, do curso de formação de sar-gentos electrotécnicos (cfs-et) 1995/1998, perante um júri constituído para o efeito e presidido pelo comandante do g1ea. esta prova é requisito para o reconhecimento da qualifi-cação profissional nível 3 da cee (electrotécnico) e equi-valência ao 12º ano. a pap pretende confrontar os formandos com a execução de um estudo ou projecto que permita um envolvimento tão abrangente quanto possível de todas as matérias leccionadas ao longo do curso. o grau de conhecimentos adquiridos no curso reflecte-se nesta prova através de um trabalho integralmente executado pelos formandos. cada projecto poderá ser desenvolvido individualmente ou em grupo e o seu peso na média final do curso é de um terço. provas de aptidão profissional do curso de formação de sargentos</Page><Page Number="65">evista da armada • fevereiro 99 27 notícias humano. o segundo tema dá a conhecer o cânone de propor-ções que tanto influenciou a cul-tura egípcia e a de outras civi-lizações posteriores, nomeada-mente a grega, onde o ideal de beleza atingiu o seu expoente máximo. quanto ao terceiro tema , ele põe em evidência como podem ser unificados, através do con-ceito de número, os três ramos mais importantes do conheci-mento humano: religião, arte e ciência. planetário calouste gulbenkian exposição desde o dia 11 de dezembro de 1998 que está patente ao público na galeria do planetário uma exposição com o título “espaçonumerática – uma linguagem científica e simbólica” da autoria de lucília barata. esta exposição surge após vários anos de pesquisa relati-fica propõe a solução de velhos problemas matemáticos, como por exemplo a “quadratura do círculo” e a “regra de ouro”, e cuja vertente simbólica justifica a origem e importância de vários símbolos universais, como a cruz suástica, o yin-yang, o pei-xe, o ovo, a cruz egípcia, etc. esta exposição está organiza-da segundo os seguintes temas: 1. pedagogia antropomórfica 2. o cânone de proporções egípcio 3. religião, arte e ciência o primeiro tema aborda os princípios de uma pedagogia directamente ligada às características físi-cas e psíquicas do ser vamente aos fundamentos da matemática e também de uma simbologia numérica e geo-métrica ligada à tradição de vários povos e culturas, desde o oriente ao ocidente. dessa pesquisa resultou uma nova ciência – a ciência do es-paço e do número ou espaço-numerática-, cuja vertente cientí-horário seg. a sex. 10.00 h – 13.00 h / 14.00 h – 16.30 h sab. e dom. 15.00 h – 17.30 h entrada grátis ceiro que aos mesmos foi dado. de facto, para a concretização de tão meritório projecto de conservação de uma das mais preciosas peças do património do museu de marinha e do próprio país e tendo em conta o montante envolvido, de que o museu não conseguiria, só por si, dispor, foi decisiva a con-tribuição do ministério da defesa nacional e de diversos mecenas, que é justo aqui referir, devendo começar-se pelo grupo de amigos do museu de marinha, que não só contribuiu financeiramente para a execução do projecto, mas conseguiu também angariar um apreciável lote de boas von-tades. no que respeita às pes-soas singulares, referem-se os donativos de um grupo de anti-gos aviadores navais, de que se salientam os vice-almirantes ferrer caeiro, almeida d’eça, e comandante jorge reis, no que concerne a pessoas colectivas devem citar-se, por ordem alfa-bética, a ana – aeroportos e navegação aérea, a caixa geral de depósitos, as colecções philae, a companhia de segu-ros fidelidade, a edisoft – em-presa de serviços e desenvol-vimento de software e a so-flusa – sociedade fluvial de transportes. museu de marinha realizou-se no passado dia 16 de dezembro, no museu de marinha, uma cerimónia evoca-tiva da conclusão do restauro do hidroavião fairey 17 da anti-ga aviação naval, que em 17 de junho de 1922 concluiu, no rio de janeiro, onde foi baptizado de “santa cruz”, a 1ª travessia aérea do atlântico sul, feito histórico que se ficou a dever, como é do conhecimento geral, aos insignes oficiais da armada comandantes sacadura cabral e gago coutinho. presidiu à cerimónia o chefe do estado-maior da armada, almirante vieira matias, que estava acompanhado pelo che-fe do estado-maior da força aérea, general alvarenga, pelo vice chefe do estado-maior do exército, general gabriel tei-xeira, em representação do res-pectivo chefe do estado-maior, pelo director do museu de marinha, comandante martins e silva e por muitas outras indi-vidualidades, militares e civis, entre as quais se notavam mui-tos antigos aviadores navais, bem como o decano dos jorna-listas portugueses, sr. fernando pessa, ele próprio também liga-do, por laços de família, à antiga aviação naval. relativamente à sequência e magnitude dos trabalhos rea-lizados, que demoraram cerca de um ano e estiveram a cargo da firma imc – aerospace, especializada em restauro de aviões antigos, referiu-se o director do museu num breve improviso, no qual destacou, em especial, a qualidade do trabalho realizado e o apoio e dedicação de várias entidades ligadas à execução do projecto, que importou em vinte e seis mil contos. de entre essas enti-dades foi justamente destaca-do, entre outras, o coordenador do projecto, vice-almirante cruz júnior, ele próprio antigo aviador naval, que teve tam-bém ocasião de historiar, de seguida, em breves palavras, alguns pormenores e curiosi-dades relativos à vida do “sta cruz” e ao seu restauro. é de referir ainda que a própria rolls royce, conhece-dora dos trabalhos ora realiza-dos, se ofereceu para levar a cabo, nas suas instalações ofici-nais no reino unido e sem qualquer encargo para a mari-nha, uma revisão completa do motor do aparelho, um rolls royce eagle mkviii. a encerrar a cerimónia foram entregues pelo chefe do estado- -maior da armada algumas ofertas, alusivas à efeméride, a todas as pessoas, singulares ou colectivas, que se distinguiram não só na realização dos traba-lhos levados a cabo, mas também no indispensável apoio finan-o valm cruz júnior no uso da palavra durante a cerimónia.</Page><Page Number="66">8 fevereiro 99 • revista da armada convívios tema que são as forças armadas e com o qual a marinha tem sabido e saberá continuar a gratificar portugal”. a associação está pois de parabéns. se continuar na mesma rota e com os mesmos propósitos, de certeza que o futuro será risonho para esta e para as futuras gerações. (colaboração do cmg rodrigues gaspar) realizou-se no passado dia 17 de outubro, no mineola portuguese center, nova york, o 15º aniversário da associação de marinheiros da armada portuguesa. tratou-se de mais um convívio entre muitos “marinheiros” que se encontram espalhados por quase toda a costa leste dos eua, com maior concentração na nova inglaterra e que por razões diversas, tiveram que emigrar e enfrentar novas aventuras numa terra dis-tante da sua pátria. mas foi bem fácil constatar que portugal e a marinha continuam bem vivos nos seus corações. para quem assistiu como eu, pela primeira vez, a uma destas manifestações, foi deveras gratificante e emocionante cantar bem alto o hino nacional, sentir que o espírito de camaradagem e da amizade está aqui bem fundeado, ouvir antigas histórias passadas a bordo por esses mares que todos conhecemos, e sentir que ape-sar das enormes diferenças da sociedade americana a que tiveram que se adaptar, a chama portuguesa continua bem viva nos seus corações. tal como tive ocasião de afirmar no meu discurso, “foi com homens desta estirpe que a nossa marinha soube ultrapassar muitas crises e dar novos mundos ao mundo. é pois no pessoal que temos que apostar, no presente e para o futuro, pois ele representa a mais rica componente do complexo sis-realizou-se no passado dia 20 de setembro um almoço-convívio dos “filhos da escola” de 1958, que comemoram assim os seus 40 anos de entrada para a marinha. para além do almoço, o programa incluiu uma missa que foi ce-lebrada na capela da bnl emmemória dos camaradas já falecidos. o encontro decorreu num ambiente de franca e sã camaradagem e contou com a presença de muitos familiares e amigos que não quiseram de deixar de partilhar este dia onde a amizade e a alegria não deixou de estar presente. para o ano ficou a promessa que novo encontro se realizará. o grupo de marinheiros de fonte boa, concelho de esposende, aproveitando a época natalícia, realizou no passado dia 12 de dezembro num restaurante da freguesia, um jantar convívio que contou com a presença de familiares e amigos. como habitualmente, a elevada amizade e sã camaradagem ani-mou o encontro, onde foram feitos projectos para o futuro do grupo. associação de marinheiros da armada portuguesa cepame centro particular de medicina e enfermagem av. luís de camões, 40 – r/c - c tels: 2539420/2536902 • fax: 2536902 miratejo – 2855 corroios horário segunda a sexta das 8h00 às 13h00 e das 15h00 às 22h30 sábados das 9h00 às 13h00 e das 15h00 às 20h00 domingos e feriados das 9h00 às 12h00 e das 17h00 às 20h00 t ratamentos dentários ortodôncia próteses fixas e removíveis rx panorâmico av. combatentes da grande guerra, n.º 8 - 1.º esq. • 2700 amadora t elefone: 493 41 20 acordo com a adma clínica dentária dra. natália ferreira, lda clínica dentária dra. natália ferreira, lda</Page><Page Number="67">otícias o comandante empossado, cten fernando josé da silva coelho, apelou ao espírito de equipa e disciplina necessários à continuação do cumprimento das missões e ao esperado desempenho e colaboração de todos para o objectivo comum de melhor servir a marinha e o país. seguiu-se um almoço con-vívio onde mais uma vez foi patente a camaradagem e a amizade próprias das gentes do mar. (colaboração do comando da zona marítima dos açores) região autónoma dos açores no âmbito da “fiscalização da pesca” e “busca e salvamento” e, lançado o desafio à comu-nidade piscatória, pelo coman-dante da zona marítima, para uma maior colaboração na informação sobre eventuais infracções por parte de terceiros nas nossas águas. realizou-se no dia 3 de no-vembro, a bordo don.r.p. “joão coutinho”, em ponta delgada, a cerimónia de entrega de comando desta unidade naval, presidida pelo comandante da zona marítima dos açores, calm jaime martins montal-vão e silva. nas breves alocuções proferi-das, perante diversas entidades civis e militares e guarnição, foi salientado a alta taxa de opera-cionalidade atingida pelo navio durante o período de comando do cten joaquimmaria louro alves. o esforço que as unida-des navais desenvolvem na entrega de comando do n.r.p . “joão coutinho” revista da armada • fevereiro 99 29 isabel vitorino, eduardo santa-na, ana, quinzinho de portu-gal, antónio pereira, luís ro-cha, antónio pinto basto, maria armanda, joão baião e joaquim monchique, maestro segundo galarsa e antónio fortuna (agente teatral). num ambiente saudável e de alegre fraternidade a festa prolongou-se até às 19.00 horas. no final, o director agrade-ceu a todos os que colaboraram para a realização deste evento. organizada pela cruz ver-melha (núcleo do h.m.) reali-zou-se no passado dia 10 de dezembro, a festa de natal dos nossos doentes. estiveram presentes a di-recção, o calm director do serviço de saúde naval e a representante da presidente da cruz vermelha de lisboa. com início às 15.00 horas teve a participação simpática dos seguintes artistas: tucata lusitana, mário gil, margarida guerreiro, chico dias, ágata, festa de natal dos doentes do hospital da marinha e da administração dos portos da r.a.m., permitiu o treino e o teste dos equipamentos e a cons-tatação de algumas lacunas que se pretendem corrigidas. de novembro um exercício com o objectivo de fechar com bar-reiras a zona interior do porto e a marina, isolando-as do der-rame de hidrocarbonetos que se simulava. este exercício, que envolveu pessoal da capitania do porto do comando da zona marítima no âmbito das responsabili-dades decorrentes do plano mar limpo, realizou-se na baía do funchal no passado dia 14 prevenção e combate à poluição no porto do funchal</Page><Page Number="68">0 fevereiro 99 • revista da armada desporto comemorou-se em 1998 meio século de existência do cism (conselho interna-cional do desporto militar), organização que tem por di-visa “amizade através do desporto”. no seguimento da criação de associações desportivas no fim da 2ª guerra mundial, que tinham por finalidade estimu-lar e coordenar as competições interaliadas, e sob o impulso do major francês henri de-brus, é criado o “conseil inter-national du sport militaire” por cinco países (bélgica, dina-marca, frança, luxemburgo e holanda). das cinco nações fundado-ras passou-se à actualidade de 117 países membros, podendo- -se assim com justiça conside-rar o cism, a par do comité olímpico internacional (cio) e a federação internacional do desporto universitário (fisu), como um dos pilares do des-porto mundial. aqui fica uma retrospectiva daquilo que de mais significativo as delega-ções portuguesas fizeram em 1998 nos campeonatos do cism. 46º campeonato do cism de corta-mato 46º campeonato do cism de corta-mato república dairlanda / curragh 9/15 mar pode-se dizer que portugal entrou com pé direito nas com-petições desportivas do cism, ao sagrar-se campeão mundial militar na modalidade de cor-ta-mato curto, mercê do exce-lente comportamento dos seus atletas, nomeadamente os 2º, 3º e 8º lugares obtidos pelos atletas 2sar junqueira, sold maravi-lha e sold ramos, respectiva-mente, logo atrás do vencedor o marroquino bouaoich, numa emocionante final ao sprint. na modalidade de corta-ma-to longo, registe-se o 6º lugar colectivo entre 17 países, classi-ficando-se o guarda do cpem machado da marinha no 54º lu-gar, numa lista de 135 concor-rentes. de referir o louvor colec-tivo atribuído por sua excelên-cia o ministro da defesa nacio-nal em 24 de março de 1998 à delegação participante no cam-peonato em apreço. 46º campeonato do cism de pentatlo militar 46º campeonato do cism de pentatlo militar república popular da china / pequim 8/17 set com uma equipa constituí-da por 5 elementos do exército e 1 da psp, portugal alcançou o 14º lugar por equipas, entre 23 países, com destaque indi-vidual para o 1sgt máximo do exército que se situou no 21º posto, entre 135 concor-rentes. modalidade eclética e muito exigente em termos físicos, abrange as habituais provas de tiro, corrida de obstáculos, natação utilitária, lançamento de granadas e corta-mato, incluindo ainda uma prova por equipas de estafetas, onde desta feita os militares lu-sitanos, a exemplo do ano pas-sado tornaram a brilhar, al-cançando o 4º lugar colectiva-mente. 31º campeonato do cism de orientação 31º campeonato do cism de orientação suiça / biére 5/11 out numa compet ição que reuniu a elite mundial , os militares portugueses apre-sentaram-se neste campeo-nato desfalcados de alguns dos seus habituais titulares, mas nem por isso o desem-penho foi inferior às part icipações ante-riores, sendo de regis-tar a classi f icação a meio da tabela na final b do 1mar fz ferreira da escola de fuzileiros. colectivamente de destacar o 29º lugar num universo de 51 equipas na prova de estafetas. 5º campeonato do cism de triatlo 5º campeonato do cism de triatlo bélgica / kapelle -op-den-bos 18/23 jun competindo com a fina flor dos triatlistas mundiais, a equipa militar portuguesa obteve o 12º lugar entre 18 países, naquela que foi a sua segunda participação num campeonato do cism. a mar inha part icipou nesta delegação com dois atletas, os cab fzm lopes do cefa e 1mar fz rodrigues da escola de fuzileiros, que numa boa pres tação des -portiva se quedaram pelos 53º e 62º lugares, respecti-vamente. torneio do cism de esgrima torneio do cism de esgrima portugal / caldas da rainha 26/29 jun numa magnífica organiza-ção do exército, decorreu na escola de sargentos do exército, nas caldas da rainha, um tor-neio de esgrima no âmbito do cism, que teve a curiosidade de ser aberto a civis, registando a boa participação de 7 países. tecnicamente constou de uma prova em que os atira-dores competiram todos con-tra todos, em sistema de “poulle” única, num total de 9 voltas. registe-se o facto de os melhores resultados indivi-duais pertencerem a atletas civi s , o que demonstra o bom nível técnico da prova , se tivermos em conta o actual valor dos esgrimistas mi -litares portugueses.</Page><Page Number="69">arece impossível, mas aconteceu! revista da armada • fevereiro 99 31 numa prosa directa, singela, sem pitorescos nem arrebiques, conta-nos o tenente rocha calhorda, (que mais tarde seria o almirante rocha calhorda, director desta revista) um acidente ocorrido a bordo do aviso “gonçalves zarco”, em lourenço marques, onde por feliz coincidência estávamos tam-bém embarcados, nivelados pela patente e unidos por amizade que se man-teve vida fora. o escrito narra o essencial e lê-se com agrado. não é todos os dias que um navio entra em doca seca e fica logo parcialmente alagado, como aconteceu com o zarco; mas é com certeza caso único que, na mesma ocasião, por des-cuidado escoramento da porta da doca, esta salta fora dos respectivos batentes e abre larga fenda por onde a água de fora entra em abundância. o navio ficou com a popa a flutuar, mas a proa afocinhada pela água do compartimento do asdic e espaços anexos, que alagaram de novo. queríamos, todavia, aproveitar a ocasião para deixar aqui algumas palavras que o almirante calhorda, por arreigada modéstia que nunca ultra-passou, não deixa que o remate da história fique bem claro. é que nós nos lembramos muito bem de ter havido uma espécie de exposição de todas as peças e pecinhas do asdic, desde os complicados sistemas de transmissão/recepção de ondas sonoras às simples molas e parafusos, desdo-brando-se ao longo das madeiras do convés para que o sol e quantos irradi-adores eléctricos se puderam mobilizar, deixassem que aquelas peças todas ficassem limpas e secas, sem ferrugens nem humidades resultantes do banho forçado de água salgada, e todas com os lembretes amarrados que haviam de permitir depois a sua montagem. pois o tenente calhorda, pouco mais que iniciado no uso do asdic, des-fez e montou tudo, e o equipamento continuou em perfeito uso por toda a comissão, que rematou na ida a timor, onde o navio foi o primeiro a entrar após a rendição dos japoneses, em 1945. s. machado cmg e m fins de 1943, o signatário, com mais três oficiais, foi à grã-bretanha frequen-tar um curso de luta anti-submarino (a/s) de carácter operacional, de seis semanas de duração, em que foram ministrados uns rudi-mentos sobre a parte técnica do material que se iria operar. regressado a lisboa, foi informado de que, oportunamente, destacaria para o aviso “gonçalves zarco” que se previa vir a largar, antes do verão de 1944, para “longa comissão de serviço” emmoçambique. em dada altura, o navio, que se encontrava em fa-bricos no arsenal do alfeite, começou a instalar um equipamento asdic (hoje chamar-se-lhe-ia sonar) com que iria equipado para aquela comissão e o signatário foi destacado para aquela unidade para acompanhar os trabalhos como se fosse realmente um técnico na matéria. em 29 de abril o “zarco” largou de lisboa, tendo chegado a lourenço marques em 3 de junho, mantendo-se em moçambique até 29 de agosto de 1945, data em que partiu para timor, via colombo, com outros três avisos. em 10 de fevereiro de 1945, pelas 14.40, o navio entrou na doca seca da capitania do porto de lourenço marques, sendo a primeira vez que aí entrava um navio com instalações a/s que requeria cuidados especiais. para boa compreensão do que se vai seguir é conveniente ter presente que o “domo” do asdic, dentro do qual funcionava o oscilador, verdadeiro coração do equipamen-to, ficava, quando recolhido, saliente do fun-do cerca de 20 centímetros. o comando comunicara à capitania que havia necessidade de retirar um ou mais pica-deiros da doca por forma a garantir um espaço livre de 1,80 metros (o dono do asdic tinha cerca de 1,60 m de comprimen-to) e que os limites desse espaço do navio seriam assinalados por prumos suspensos da nada pudéssemos fazer para o evitar. quando o navio assentou nos picadeiros, depois de esmagar uma parte do domo, deixou de entrar água no compartimento já alagado até cerca de 1,20 metros, porque o “tronco”, caixa soldada no fundo, onde se recolhia o domo não permitia o escoamento natural. iniciou-se então uma faina, que durou até às três horas da manhã do dia seguinte, esva-ziando-se o compartimento por meio de baldes, lavan-do com água destilada os equipamentos que tinham estado mergulhados e se-cando-os em seguida com irradiadores eléctricos. fomos deitar-nos julgando merecer um justo repouso sem pensar que... o pior estava para vir. com efeito, antes das 04.00 horas fui acordado pelo cabo de quarto que me dizia que saltara a porta da doca e o compartimento do asdic estava a inundar-se novamente. acorri ao local, e verificando que o alaga-mento ia a mais de meio e que nada se po-dia fazer, mandei fechar a escotilha estanque e aguardou-se novo esvaziamento da doca. esclarece-se que a porta da doca não “saltou” mas que abriu um pouco deixando uma fenda de 30 a 40 centímetros através da qual a doca se encheu sem mais prejuí-zos para o navio. creio tratar-se de um facto inédito, o de um navio se alagar dentro de uma doca seca. esgotada a água salgada, esperou-nos nova faina, desta vez de alguns meses, em que lavámos todos os componentes com água doce e os secámos com irradiadores eléctricos, e em seguida, os desmontámos, peça a peça, para lhes tirar algum vestígio de água, sal e ferrugem, para no fim os voltarmos a montar. rocha calhorda calm borda. amarrado o navio dentro da doca, cerca das 16.30 começou o seu esvaziamen-to, conforme consta do “livro do oficial de serviço”, e, então, vai começar a história que pretendo contar. verificando que ninguém se preocupava com a posição dos “meus” prumos, comecei a importunar o patrão-mor, perguntando-lhe como é que ele sabia onde ficava o domo do asdic e qual a distância entre picadeiros e se algum fora retirado; ante as suas respostas evasivas convenci-me de que nada fora feito para evitar que o domo viesse a assentar num ou mais picadeiros. assim, pedi-lhe que parasse o esvaziamento da doca até que o comandante fosse posto a par da situação, ao que ele anuíu. procurei o comandante, pú-lo a par do que se passava e solicitei autorização para retirar o oscilador antes que fosse tarde de mais, autorização que me foi concedida. desci ao compartimento do asdic enquanto o comandante subia ao convés, onde o patrão-mor o convenceu de que não havia qualquer inconveniente para o navio em que se prosseguisse o esvaziamento da doca, o que se fez, sem que eu fosse avisa-do da alteração. entretanto, no comparti-mento do asdic eu e todo o pessoal ( 1 cabo telegrafista e 3 grumetes de manobra) preparámos tudo para içar o oscilador e quando este já ia a meio caminho, um forte jacto de água começava a alagá-lo sem que parece impossível, mas aconteceu!</Page><Page Number="70">alavras cruzadas (problema nº 307) 32 fevereiro 99 • revista da armada quarto de folga horizontais: 1 – quinau; amon. 2 – ulva; mafoma. 3 – io; unau; xa. 4 – nf; marrua. 5 – dotaria; mia. 6 – ib; qi; maru. 7 – minucias; soc. 8 – iu; cr; no. 9 – cala; emir. 10 – upa; animica. 11 – ai; esteiras. verticais: 1 – quindim; tua. 2 – ulofobia; pi. 3 – iv; ca. 4 – naumaquia. 5 – nariculas. 6 – umari; ant. 7 – aura; ac; ie. 8 – remi. 9 – moxamas; mir. 10 – oma; ironica. 11 – na; naucoras. soluções palavras cruzadas nº 306 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 palavras cruzadas horizontais: 1 – monge ou monja de s. jerónimo. 2 – afastar; estocadas. 3 – bojo que faz a vela do navio ou qualquer estofo, quando lhe dá o vento; meia dúzia. 4 – o mesmo que três; mas; dois mil e um romanos. 5 – satélite de júpiter; quadra da proa; antes do meio dia. 6 – torna maduro. 7 – estriar; físico e político francês (ap). 8 – impul-so; monarcas (inv). 9 – no princípio de nasal; voz do gato; genro de maomé e que foi assassinado numa mesquita, em cufa. 10 – cento e um romanos; antigo escudo coberto de coiro; antes de cristo. 11 – aquele que é perito em onoma-tologia. verticais: 1 – diz-se do toiro que tem as hastes brancas com ponta negra. 2 – relativo a ibéria; filósofo francês, autor de vários livros. 3 - cidade dos estados unidos; escu-deiros. 4 – curso de água natural; gostar muito; novecentos romanos. 5 – letra grega (inv); mandou queimar a bibliote-ca de alexandria; forma feminina de meão. 6 – sólido (inv); estadista inglês (ap). 7 – simb. químico do bismuto (inv); o mesmo que arão; rezo. 8 – grande massa (pl); lavras; outra coisa. 9 – outrossim; cantiga. 10 – teimosia; elmo (inv). 11 – que não tem simetria. carmo pinto 1ten ots joguemos o bridge joguemos o bridge com as bem distribuídas o problema resolve-se apuran-do-as para baldar os perdentes. todavia, existe a dificul-dade de entradas no morto (n), pois serão necessárias 4 e o carteador só dispõe de 3 visíveis. a abertura de e permite deduzir que a saída de w é de carta seca. a única hipótese está portanto na d estar em w e este não tendo mais dar-lhe a necessária entrada. assim, joga a, 2 para r e 5 para d que deixa fazer e w tudo o que jogue permite entrar em n. soluções problema nº 2 s tem 4 perdentes (2 a , 1 a e 1 a pois estes estão 4-2) e tem de anular esta última. a distribuição e qualidade dos trunfos e os dois ases em n (morto) permite resolver o problema adoptando uma técnica de carteio que se designa por “morto invertido”, ou seja, efectuar cortes com a mão longa em trunfos e num último destrunfo baldar uma das perdentes. vejamos como jogar: s corta d com a; joga 3 e 2 do morto (chave do problema para criar mais uma entrada em n); faz da mão a volta a que será o melhor ataque; joga para o a e que corta alto; vai ao morto no a e joga o último e corta alto; joga o 3 para o v e com o 9 acaba de destrunfar e balda o perdente. faz assim as 10 vazas com 6 em (3 em destrunfo 3 em cortes) 1 em  3 em . problema nº 3 norte (n): – v108  – 542  – a754  – a83 sul (s): – ard963  – r7  – r83  – v5 como s deve jogar 4 com saída a r, sem esperar apenas por uma boa colocação do a.  estão 3-1. (problema nº 4) (solução no próximo número) nunes marques calm an norte (n): – 942  – j92  – a762  – a83 sul (s): – 63  – ard103  – 43  – rd72 s joga 4 (terá que fazer 10 vazas com o trunfo ) sem inter-venções. saída de w a ard de ; como jogar para 3-2 e mão que tem 3 ter só 2 . (solução nesta página) (problema nº 3)</Page><Page Number="71">evista da armada • fevereiro 99 33 bibliografia t ema relativamente pouco tratado entre nós, de modo sério, isen-to de pruridos ideológicos, que sempre ensombraram a visão fria de quem está por fora. por fora, mas com afin-cado empenhamento no descobrir de factos, está o autor john p. cann, (oficial superior da marinha americana) destacado na altura em portugal na organização nato. sabe-se como a teimosia de político idoso, na manutenção do que era considerado uma exten-são indivisível de portugal no mundo, se sobre-punha a ideias menos rígidas de enveredar por diálogo com certeza mais frutífero, por ventura até muito mais propício a evitar tragédias que ainda subsistem, mas outros mais jovens, prome-tedores de reformas que a morte do primeiro deixava possíveis, não foram corajosos para as implementar. fosse como fosse, os acontecimentos, sobre-tudo de armas na mão, não são fáceis de con-duzir (quase como navio sem meios de gover-no), todavia portugal manteve e aguentou uma guerra desencadeada em três frentes bem dis-tantes, por espaço de treze anos. isto, uma ver-dade que nenhum sofisma pode desmentir. como? é o que vem explicar john cann no seu livro, - o modo português de fazer a guerra -, primeiro editado em inglês por greenwood press publicado em 1997 com o nº 167 da colecção contributions in military history, edição americana. a tradução para lín-gua portuguesa foi de dinorah ferreira e ana dias, para edições atena, lda. leitura leve, contem motivos para reflexão e achegas históricas para uma guerra que nunca foi bem conhecida, e de que talvez nem os documentos oficiais digam toda a verdade. mas foi com relatos de camaradas, na nato, em oeiras, que jonh cann se baseou, e não são, com certeza, despiciendos. vale a pena ler este livro sobre a nossa guer-ra do ultramar, da qual muitos dizem “cobras e lagartos”, mas para onde outros tantos foram voluntários a fazer repetição. a r.a. agradece à casa editora atena a oferta de um exemplar para a sua biblioteca. s. machado cmg ref r enascer das cinzas era pri-vilégio de ave mitológica, que, depois de fazer ninho em ramos de canela e de incenso, se deixava sucumbir, para, transfor-mada entretanto em lagarta, voltar à forma de ave muito bela, de plumagens cheias de cor e movimento. usada a expressão para quan-to renasce após incêndio, tal lisboa depois do terramoto do 1º de novembro, calha agora com rigor de sentido prático, matemático, à nossa fragata – a última que se construiu na índia, - pois, ardida como se sabe quando funcionava como obra social, foi levada para os lodos do mar da palha, onde, apesar da quase imperecível madeira de teca de que era feita, não deixou de passar pela metamorfose de ser aquático disforme, torcida com forma de bicho da madeira. mas a vontade de alguns, contra a indiferença de muitos e a maledicência de outros tantos, foi capaz de pegar naquele corpo informe de larva do lodo, atá-lo, bloqueá-lo, rebocá-lo, levá-lo até aveiro, adequá-lo aos desenhos das pranchetas de construção naval, e, com o concurso de vontades das boas, a angariação de fundos por espíritos incisivos e convincentes, o entusiasmo de uma boa mão cheia de boas vontades, saiu uma fenix de bonita plumagem, igual-zinha à fragata que tinha sido, e que figurou, quase como ex-libris na expo’98, onde foi visitada por cerca de um milhão de pessoas.  vem, agora, o coroamento, a versão em livro da grande empresa, que a vai perpetuar, e levar ao conhecimento do mundo daqueles que souberem ler em português e inglês, - tudo quanto ocorreu com esta fénix. quem tomou a cargo a exe-cução do livro foram os ctt – correios de portugal – nas suas já muito prestigiosas edições do clube do coleccionador. a escolha para a feitura prática da obra – o autor – não podia ter caído melhor que no almirante sacchetti (antónio emílio ferraz sacchetti), que, do fundo de todas as suas capacidades, de trabalho, de organiza-ção, de pesquisa, de redacção, até de gosto, fez original limpo, muito completo, que dá gosto folhear e ler. o conhecido tradutor, especialista em textos de marinha, peter ingham, foi o autor da versão inglesa. o arranjo artístico – o design, como é fino dizer-se, é de josé brandão, teresa olazabal cabral e cristino cascais. a quasi totalidade das fotografias actuais deve-se à arte de antónio sacchetti, filho do autor. ao longo das 262 páginas do livro, o leitor irá dar por bem aplica-do o custo do livro (que é salgadito) mas vale a pena. como, desta vez, não houve oferta, a r. a. apenas tem o gosto de cumprimentar os responsáveis por tão cativante publicação. o lançamento do livro foi efectuado numa cerimónia a bordo da fragata, na presença do almirante cema e do presidente do conselho de administração dos ctt, com a assistência de numerosos convida-dos e cobertura de diversos órgãos de comunicação social. “d. fernando ii e glória” (a fragata que renasceu das cinzas) “contra-insurreição em áfrica” o modo português de fazer a guerra</Page><Page Number="72">4 fevereiro 99 • revista da armada cmg ref eurico fortunato gusmão burguette smor fz fernando de magalhães correia saj ref antónio amaro antunes faria cab cm manuel antónio lopes pereira cab tfd manuel fernandes diogo cab ref eduardo nunes pereira cab ref victorino francisco pires. falecimentos cmg sef antónio fernando salgado soares cmg sec joaquim francisco ganço carretas sch t albano batista pereira dias. reserva notícias pessoais comandos e cargos nomeações cten emq josé de ornelas bruges armas, chefe do serviço técnico do departamento marítimo do norte cten an joão augusto de jesus parada, chefe do serviço administrativo e financeiro do departamento marítimo do centro cten an joão manuel de sousa abreu freire, chefe do serviço administrativo e financeiro do departamento marítimo do norte. reforma 1ten ots res josé luís espadaneira bolas smor cm res antónio silva narciso saj a res antónio pinto 2sar t américo dias fernandes. n o passado dia 4 de dezembro de 1998, com a pre-sença do almirante cema, altas individualidades da marinha e elevado número de convidados, o aquário vasco da gama lançou o livro da autoria de carlos caseiro “a casa grande do mar”, edição come-morativa do primeiro centenário desta instituição, encerrando, assim as comemorações da efeméride que decorreram ao longo do ano. abriu a sessão o presidente da comissão cultural da marinha, que apresentou o autor, fazendo referência a algumas das suas obras realizadas ao longo dos anos, descrevendo seguidamente o conteúdo da obra, agora realizada. seguiu-se, carlos caseiro, que com alguma emoção, agradeceu a confiança que nele fora depositada pelo director do aquário vasco da gama. agradeceu, igual-mente, a boa colaboração que teve de todo o pessoal civil e militar que, presentemente, faz parte dos quadros do aquário, e manifestou o orgulho que legitimamente sentia por ser o autor do livro que conta a história dos cem anos de vida de uma instituição tão grata a já várias gerações de portugueses. encerrou a sessão o almirante cema, que lembrando a já vetusta idade do aquário vasco da gama e a importância não só lúdica como educativa, que vem desenvolvendo ao longo dos anos, elogiou carlos caseiro e a sua “casa grande do mar”, fazendo notar o dinamismo e empenhamento que actualmente tem sido implementa-do naquela instituição. “a casa grande do mar”, título feliz dado pelo autor a um livro de bela encadernação e ricamente ilustrado, começa por nos recordar, no primeiro capítulo, a viagem à índia de vasco da gama, a quem viria a ser dedicado o estabelecimento e a importância de que se revestiram os estudos oceanográficos realizados pelo rei d. carlos – considerado um dos homens mais cultos do seu tempo -, grande impulsionador da construção do aquário vasco da gama, executada há cem anos atrás, ficando assim perpetuadas as comemorações do quarto centenário da histórica viagem do almirante das índias. o segundo e terceiro capítulos descrevem-nos a história da instituição desde a sua fundação até aos nossos dias, entrosada de vários acontecimentos importantes da vida nacional, panoramas e curiosidades das várias épocas e situações pitorescas descritas pela imprensa, proporcio-nando-nos, com isso, uma leitura agradável e aliciante, não se limi-tando o autor a relatar cronologicamente as venturas e desventuras acontecidas durante estes cem anos no aquário vasco da gama. o último capítulo, que dá o nome ao livro – “a casa grande do mar” – relata-nos uma visita às actuais instalações do aquário vasco da gama, entre alegres peripécias, criadas pela imaginação do autor, vividas com um grupo de jovens rapazes e raparigas, a que carlos caseiro chama, curiosamente, a sua “sobrinhada”. a sessão do lançamento, que teve a presença de vários órgãos da comunicação social, incluindo cobertura televisiva, encerrou com um animado cocktail, tendo o autor autografado todos os livros adquiridos pelas pessoas presentes. (colaboração do aquário vasco da gama) “a casa grande do mar” o almirante cema discursando. o autor acompanhado do director do a. v. g. tendo junto a “sobrinhada”. a casa grande do mar.</Page><Page Number="73">m 1921 a marinha autorizou a compra de três aviões à fábrica inglesa fairey para equipar a sua jovem aviação naval. sacadura cabral acom-panhou em inglaterra o seu fabrico, tratando de alterar um deles de forma a ter maior autonomia. esses aviões, do tipo fairey iiid, receberam os números de fábrica 400, 401 e 402, a que corresponderam os números de série da aviação naval f15, f16 e f17. o f15 iniciou em lisboa, em março de 1922, a viagem que ficou co-nhecida por 1ª t ravessia aérea do atlântico sul. recebeu o nome de “lusitânia”, tendo-se perdido ao amarar junto aos penedos de s. pedro. o f16, que o substituiu, perdeu-se também no mar . coube ao f17 comple-tar a gloriosa viagem, voando até ao rio de janeiro, onde foi baptizado de “santa cruz”. regressou então ao serviço da aviação naval em lisboa e em 1927 foi enviado para macau com outros dois aviões fairey , após se ter ali consti-tuído um centro de aviação naval. em 1930 a aeronáutica naval orde-nou que viesse para lisboa, para ficar como relíquia aeronáutica, sendo nessa altura restaurado, passando a constituir património do museu da marinha, onde só descansou em 1962, pois esteve armazenado em diver-sos locais e participado na exposição internacional de aeronáutica, em 1935, na exposição do mundo português, em 1940, e na celebração do 37º aniversário da t ravessia aérea do atlântico sul, em 1959. o “santa cruz” é o único exemplar de fairey iiid existente no mundo e o seu motor , um eagle viii rolls royce, é um dos raros exemplares ainda conservados, apesar do grande número de motores deste tipo produzidos. estes elementos são mais do que suficientes para considerar esta peça de alto valor museológico, para além do valor histórico e simbólico que lhe está associado. em 1998, o “santa cruz”, por se encontrar muito deteriorado, foi sujeito, no próprio local de exposição, a um extenso trabalho de restauro que lhe desenvolveu a sua integridade estrutural e a beleza aeronáutica primitiva. assim, esta bela aero-nave permanecerá por longos anos para lembrar às gerações vindouras o feito úni-co e glorioso, realiza-do em 1922, por dois oficiais de marinha, o cmg gago couti-nho e o cten saca-dura cabral. principais características do “santa cruz”: tipo ......................hidroavião biplano monomotor utilização .....................reconhecimento marítimo potência .....................................................360 hp autonomia ..................................................5h30m raio de acção .............................................980 km vel. max. .................................................176 km/h envergadura de asas ..................................14,05 m museu de marinha. cotas: hidroavião santa cruz avi-2 (texto de a. cruz júnior, valm) património cultural da marinha peças para recordar património cultural da marinha 2. hidroavião “ santa cruz”</Page><Page Number="74">. hidroavião ”santa cruz” património cultural da marinha peças para recordar património cultural da marinha</Page><Page Number="75">arço 99 • mensal • 24000 publicação oficial da marinha • nº 318 • ano xxviii wenceslau de moraes wenceslau de moraes oficial da armada</Page><Page Number="76">ala do risco do arsenal de marinha em 1930 cerimónia de juramento de bandeira dos aspirantes da escola naval reconhecem-se o aspirante, depois cmg emq adriano fernandes júnior e aspirante de marinha, depois cmg, manuel josé da silva dias, (3º e 4º a contar da esquerda). sala do risco do arsenal de marinha em 1930 cerimónia da imposição da “torre e espada, do valor, lealdade e mérito” ao estandarte da escola naval pelo presidente da república, general óscar carmona. reconhecem-se na fotografia: - o director da escola naval, almirante isaías newton (de costas), - o porta-bandeira aspirante de marinha, depois almirante eugénio ferreira de almeida. - comandante da companhia de alunos - cap. ten. fortée rebelo - escolta à bandeira : aspirante, depois valm correia guedes, aspirante, depois cmg, ferreira pinto e aspirante, depois, cmg trindade dos santos. fotografias antigas, inéditas ou curiosas</Page><Page Number="77">ublicação oficial da marinha periodicidade mensal nº 318 • ano xxviii março 1999 director calm emq res luís augusto roque martins chefe de redacção cfr ref jorge manuel patrício gorjão redacção 2ten tsn ana alexandra gago de brito secretário de redacção 1sarg t vitor manuel gaspar lopes colaboradores permanentes cmg ref raúl de sousa machado cten fz luís jorge r. semedo de matos cten abel ivo de melo e sousa 1tenref dr. rui m. ramalhoortigãoneves administração, redacção e publicidade edifício da administração central de marinha revista da armada rua do arsenal 1149-001 lisboa - portugal telef: (01) 321 76 50 fax: (01) 347 36 24 endereço da marinha na internet http://www.marinha.pt e-mail da revista da armada revista.armada@mail.marinha.pt fotocomposição, paginação electrónica, fotolito, montagem e produção página ímpar, lda. estrada de benfica, 317 - 1º f 1500 lisboa tiragem média mensal: 6000 exemplares preço de venda avulso: 24000 registada na dgi em 6/4/73 com o nº 44/23 depósito legal nº 55737/92 issn 0870-9343 revista da armada • março 99 3 sumário (foto do arquivo da r.a.) ponto ao meio dia 5 mediterrâneo e o factor geográfico 6 a marinha joanina 10 a viagem ao canadá, projecto creoula – “de novo na terra nova” 14 que modelo de estrutura escolar para os próximos anos? 21 aquário vasco da gama 22 instituto hidrográfico 24 notícias 25 convívios 27 desporto 28 saudades da surriada 30 quarto de folga 32 notícias pessoais 34 património cultural da marinha contracapa anunciantes: bta – banco totta &amp; açores; cgd – caixa geral de depósitos; clínica de santa madalena; eid – empresa de investigação e desenvolvimento de electrónica, s.a.; ogfe – oficinas gerais de fardamento e equipamento. a partir da presente edição, a r.a. publicará imagens dos quadros do arquitecto telmo gomes, numa visão estética do que foram “os últimos navios do império”. 4 a inspecção de reparação de submarinos (irs) – 25 anos de existência. 1 1 criada em 2 de outubro de 1995, a euromarfor é uma força naval, pré-estruturada, não permanente, vocacionada para o cumprimento das chamadas missões de petersberg. 8 wenceslau de moraes, oficial da armada. 1 7 março 99 • mensal • 24000 publicação oficial da marinha • nº 318 • ano xxviii wenceslau de moraes wenceslau de moraes oficial da armada</Page><Page Number="78">anhoneira “bengo” 1879-1905 guerra na guiné, 1884 acção contra biombo, 1884 guerra em timor, 1895 desembarque em batugadé, 1895 comissão a macassar, 1896 divisão naval do índico, 1903 operações em angoche, 1903. comissões principais casco em ferro local de construção: liverpool data do lançamento à água: 23 de agosto de 1879 deslocamento: 462 toneladas armamento: 1 canhão rodízio armstrong de 15 cm de carregar pela colatra, e 2 peças de 9 cm de carregar pela boca. características os últimos navios do império os últimos navios do império</Page><Page Number="79">evista da armada • março 99 5 m uito se tem falado nos últimos anos da saúde militar. e as mais das vezes, associada a questões como reestruturação, raciona-lização e reformulação. sabido como é que não se racionaliza ou reestrutura o que está bem, poderemos certamente deduzir daqui que algo irá mal na saúde militar. talvez se nos debruçarmos sobre o que foi , desde há séculos, a saúde militar, possamos avaliar como surgiu e quais os caminhos e metas que perse-guiu. as soluções certamente que irão sendo diferentes, as capacidades e an-seios terão evoluído em paralelo com o assombroso avanço da ciência e da tecnologia; mas as razões que a fizeram surgir e continuar, em paralelo com a ciência militar, essas mantêm-se e aju-darão certamente a perceber a sua dese-jável estrutura. num tempo em que as forças mili-tares surgiam à medida das necessi-dades e empreendimentos, a saúde militar surgia com elas, acompanhando- -as no cumprimento das missões. e se os meios de comunicação eram difíceis, era localmente e junto dessas forças que os barbeiros e físicos (serviços de saúde da época), com a ciência e tecnologia pos-síveis e transportáveis, cumpriam o seu dever. o de ontem e o do sempre: pro-curar a capacidade física e psíquica plena dos combatentes, e proporcionar o tratamento dos feridos e doentes para, se possível, voltarem a integrar as filei-ras dos combatentes. digamos assim que a saúde militar nasceu e permaneceu largo tempo como uma saúde fundamentalmente opera-cional. e foi a evolução subsequente da ciência, nomeadamente a médica e a dos transportes e comunicações, que permitiu constituir vários escalões de cuidados de saúde, possibilitando a descentralização de cuidados diferencia-dos e a constituição de cadeias logísticas próprias e de evacuação sanitária, num crescendo imposto pela própria evo-lução do conceito de saúde. ao militar, como a qualquer outro cidadão, deverão ser proporcionados todos os cuidados possíveis de acordo com o estado da arte, independentemente do facto de se encontrar na linha da frente ou no sossego de uma unidade em tempo de paz. mas toda esta estrutura de saúde que se foi concebendo, capaz de propor-cionar serviços tão díspares como uma selecção de pessoal ou uma cirurgia num navio hospital, como uma acção de medicina preventiva ou uma evacuação sanitária a partir do teatro de operações, não será toda ela fruto de uma mesma necessidade? julgamos que sim, e que, em tempo de paz ou de guerra, a saúde militar colhe a sua especificidade e ca-racterísticas nas necessidades opera-cionais das forças armadas. diferentes organismos e serviços cons-tituem um serviço de saúde militar moderno. se iniciarmos o nosso percur-so de avaliação no recrutamento e se-lecção, poderemos passar em seguida pelos centros de saúde das unidades militares, com uma quádrupla missão de assegurar a medicina preventiva, o apoio médico ao treino, a saúde ocupa-cional e os cuidados de saúde primá-rios. na marinha, a especificidade ope-racional impõe o envolvimento do ser-viço de saúde em missões de treino ou serviço envolvendo embarques, nave-gações ou operações anfíbias. geradoras de alguma desestabiliza-ção, nomeadamente entre profissionais diferenciados e com realização profis-sional já conseguida em serviços de prestígio técnico, deverá ser sobretudo cuidada a não promoção de desmoti-vação por utilizações (muitas vezes subutilizações…) desadequadas e frus-trantes. e o meio de assegurar essa actividade, sem dúvida essencial, será certamente através de uma progra-mação correcta das carreiras de saúde e de uma adequação equilibrada dos meios aos fins. o hospital militar, último escalão dos cuidados médicos, deverá integrar-se harmoniosamente nesta cadeia, pensado em termos correctos e pressupondo uma capacidade real de apoio imediato à vida em situações de emergência, vin-das elas de onde vierem. e uma diferen-ciação específica das necessidades do ramo, de que a medicina hiperbárica é um exemplo naval sobejamente co-nhecido e prestigiado. em tempo de paz, compete-lhe a prestação dos cuida-dos de saúde diferenciados que o carac-terizam, com a disponibilidade e pron-tidão exigidas pela condição militar. a logística da saúde deverá suportar a mobilidade e flexibilidade das forças, e proporcionar uma capacidade organi-zada de armazenamento e distribuição de medicamentos e outros consumíveis. em tempo de guerra ou catástrofe, a eficácia do sistema será traduzida pela sua capacidade de actuação em contí-nuo, desde a linha da frente ao hospital central, com conhecimento das especifi-cidades de actuação dos seus doentes, e num desdobrar de actividades em para-lelo com as do pessoal que serve. é esta a mais valia que procuramos, e que obrigará à continuidade da sua especifi-cidade. a excelência não se improvisa. e, em termos de saúde, excelência é o mínimo que podemos exigir. como todas as estruturas de saúde, o preço a pagar é caro e sobe em espiral contínua. e as estruturas adequadas, di-rigidas para situações extremas, serão certamente sobredimensionadas para o cumprimento da missão do dia a dia, na rotina de uma paz que, só quando que-brada, nos permite avaliar da certeza das nossas opções. devemos por isso desistir? a visão inteligente será certamente outra. cui-dados de saúde nunca são demais, e no nosso país diremos mesmo que fazem muita falta. a capacidade sobrante será certamente muito bem aproveitada se distribuída na sua totalidade em tempo de paz, numa extensão a familiares e restante comunidade, devidamente co-ordenada e dirigida. independentemente das estruturas que carecem de reformulação, o proble-ma humano continua a ser o principal motivador de sucesso ou incapacidade, aqui como em qualquer outro sistema. e se são necessárias vocações e motiva-ções, sejamos capazes de construir es-truturas credíveis, organizadas, ofere-cendo condições de realização profissio-nal e humana. não faltarão então certa-mente os profissionais da saúde naval. nem a sua vida será menos digna e gra-tificante. augusto matthioli mateus calm mn ponto ao meio-dia saúde militar mito ou realidade? saúde militar mito ou realidade?</Page><Page Number="80">editerrâneo e o factor geográfico 6 março 99 • revista da armada mediterrâneo e o factor geográfico d isse spykman que a geografia é o factor do poder nacional mais importante porque é o mais perma-nente. a geografia influencia o carácter de um povo, condiciona os seus hábitos de vida, tornando-se um dos pilares da sua formação cultural. é na história que encontramos o registo destes factos. é na história que analisamos o modo como essa influência afectou o seu comportamento e o seu relacionamento com as populações de outras regiões geograficamente diferentes. no mediterrâneo, tal como em outras grandes áreas onde convivem culturas milenárias, o estudo da geografia e da história são essenciais para a compreensão dos actuais desenvolvimentos estratégicos. contudo, é interessante veri-ficar como esta reali-dade não se ap l i ca com a mesma evidên-c i a em todas as re-giões do mundo. o estudo geopolíti-co do va s t o con t i -nente americano de-bruça- se es senc i a l -men t e sob r e o ca l -deamento de popu-lações imigradas, um movimento que teve va l o r e s ma i s s i gn i -f icat ivos apenas no último século e meio. é mais importante o encontro, o choque ou o convívio de grupos culturais dife-renciados, do que propriamente a influência, em tão curto período histórico, do novo meio geográfico. mas já não são indiferentes os sedimentos geográficos que os imigrantes trazem na sua bagagem cultural. diz-se, por exemplo, que o açoreano se sente mais à vontade do que outros portugueses nas áreas sísmicas da califórnia, porque transporta consigo uma grande habituação a esses fenó-menos naturais. na américa, a geopolítica é “feita” por uma classe geo-graf icamente est rangei ra e moderna, no calendár io da história. em áfrica, a geopolítica é “feita” por uma classe nascida naquele meio geográfico, mas até há muito pouco tempo politicamente alienada e que pretende empreender, com mais dificuldade, uma grande transformação, afirmando a sua identidade e assumindo o seu destino. aqui sente-se com muita frequência que a ligação do homem à terra é profunda, mas tem muito pouco que ver com as nações que vivem dentro das fronteiras traçadas arti-ficialmente por outros, nas distantes cidades de berlim ou de bruxelas. na ásia residem culturas autóctones muito antigas, cheias de sabedoria e de tradições, que só aceitam outras influên-cias na exacta medida em que podem favorecer os seus in-teresses, e fazem-no através de um processo lento de incul-turação que pretendem ser eles mesmo a conduzir. no mediterrâneo, culturas milenares “convivem em con-flito”. para além de alguns fenómenos naturais também fre-quentes, outros terramotos sociais marcam cada uma das eras, idades, séculos ou épocas. o reino do egipto prolongou-se por milénios. os impérios assírio e depois o babilónico ainda são contemporâneos do apogeu da grécia do século ix ao século vi a.c.. está na antiguidade grega o primeiro pilar da nossa cultura oci-dental. os hebreus tiveram o seu exílio no egipto no século xiii a. c. e repetiram-no na babilónia no século vi a.c.. o império persa libertou-os e dominou a ásia menor chegan-do à europa, a norte do egeu. alexandre da ma-cedónia, o grande, invadiu as costas do mediterrâneo orien-t a l na eu r opa , na ásia e em áfrica, no século iv a. c.. der-r o t ou o impe r ado r pe r s a e avançando para oriente fez do mundo conhecido o seu império. cedo se f ragmen-tou, enquanto roma crescia. roma é o se-gundo pilar da nossa cultura ocidental. e durante pouco mais de cinco séculos (cerca de 70 a. c. até meio do século v d. c.) o mediterrâneo foi um mar romano, não um lago romano como muitas vezes se diz porque continuou a ser palco de guerras. foi no primeiro século deste domínio romano que se deu um acontecimento tão importante que marca o início da nossa era, o início da contagem dos tempos pela qual se regem to-dos os povos do globo, quando pretendem entrar no conví-vio universal. o nascimento de cristo e o desenvolvimento do terceiro pilar da nossa cultura que começou por se designar “cris-tandade”, que só muito mais tarde se chamou de cultura europeia e hoje é referida como cultura ocidental. as diferenças étnicas, na bacia do mediterrâneo, tiveram algumas al terações , pr incipalmente em resul tado das invasões dos povos do centro da europa, no princípio do século v, dos eslavos em direcção aos balcãs logo a seguir, dos árabes do sul no século vii e de outras migrações. mas o mosaico cultural acentuou-se mais por força da diferenciação do factor religioso, ainda que todos os povos do medi terrâneo reconheçam o patriarca abraão (1800 a.c.) e aceitem os princípios fundamentais da bíblia (antigo testamento): os hebreus, desde há milénios; os cristãos, desde o início da nossa era (1); o islamismo, a partir do iní-cio do século vii. posteriormente, separaram-se da roma católica os ortodoxos, em meados do século xi, e as igrejas cristãs reformadas, a partir do início do século xvi.</Page><Page Number="81">mediterrâneo, pela sua pequena dimensão e pela sua configuração alongada, sempre favoreceu as comunicações. o mar foi mesmo o único elo de ligação entre os povos das suas ilhas ou das suas margens, desde as primitivas civiliza-ções marinhas egípcias do v milénio a. c., ou da primeira talassocracia cretense, entre o iv e o ii milénios a. c. “o mediterrâneo, o mais belo de todos os mares, com ondas de um azul transparente, é também aquele que a história revela mais útil e mais benfazejo. ... o homem, nestas regiões é irresistivelmente atirado para o mar. o remo parece aqui tão necessário como a charrua ou o cajado do pastor. por todos os lados uma terra acessível chama e convida a trocar o que ela tem por aquilo que lhe falta. não há costa donde se não aviste uma ilha. o marinheiro pode singrar em direcção a vários fins, todos eles visíveis (2)”. mas é estranho. a história do mediterrâneo foi e é uma história de guerras. não é a união consentida por este “mar no meio da terra”, nem são os valores que constam do livro comum, que dominam as relações entre os povos ribeiri-nhos. estas são antes marcadas pelos elementos que os afas-tam, pelas diferenças étnicas, genéticas, pelos choques de interesses divergentes, pelas lutas religiosas e lutas pelo poder. os cercos de jerusalém (701, 598-7, 588-7 a. c. e 70 d.c.) e as destruições do templo (587 a.c. e 70 d.c.), os saques e a conquista de roma pelos bárbaros (476 – fim do império romano do ocidente), a queda de constantinopla (29 de maio de 1453 – fim do império bizantino e fim da idade média), são exemplos de conflitos ligados às capitais imper iai s e rel igiosas que marcam as idades da nossa história. este século começou com três guerras nos balcãs e parece que o milénio vai acabar em guerra: sérvios ortodoxos e mu-çulmanos no kosovo, e ambos com os cristãos na bósnia; tur-cos muçulmanos e gregos ortodoxos, em chipre; hebreus e muçulmanos em israel e na palestina; as emigrações do norte de áfrica árabe para o sul da europa, etc. a europa deseja garantir a segurança e a paz no medi-terrâneo. para isso exerce a vigilância e mantém uma pre-sença no ma r , procur ando ev i t a r que r i scos e c r i ses degenerem irremediavelmente em conflitos. não devemos entrar no iii milénio da nossa era e viii da história do mediterrâneo, indiferentes ao desenvolvimento tecnológico que facilita extraordinariamente a troca de co-nhecimentos e de informações tão úteis à melhor compreen-são entre os povos, e ignorando os projectos universais de paz, de liberdade, de solidariedade e, principalmente, de maior respeito pela pessoa humana. antónio emílio ferraz sacchetti valm notas: (1) o cristianismo só se dispersou pela europa a partir do fim do século iv. em 313 o edito de milão garantiu liberdade aos cristãos. em 496 (para outros autores 507) foi o baptismo de clovis, rei dos francos, e de 3000 dos seus súbditos (cf. donald matthew, atlas of medieval europe, phaidon press ltd., inglaterra, 1986, p.39). (2) g. glotz, la civilisation égéenne, pp. 3-6, citado por antónio de sousa e faustino torres, primeiras sociedades comerciais, lisboa, empresa contemporânea de edições, 1946, pp. 35-36.</Page><Page Number="82">euromarfor em oeiras 8 março 99 • revista da armada a euromarfor, criada em 2 de outubro de 1995, é uma força naval, pré-estruturada, não per-manente, vocacionada para o cumprimento das chamadas missões de petersberg (humanitárias ou de evacuação/de manutenção da paz/de forças de combate para a gestão de crises incluindo operações de imposição da paz). o seu comando é exercido rotativamente entre os comandantes operacionais das marinhas de espanha (alflot), frança (cecmed), itália (cincnav) e portugal (comnav). conforme noticiado na edição de novembro desta revista, o valm reis rodrigues (comnav), tomou posse como comandante da euromar-for no dia 9 de outubro de 1998, pelo que, a força for activada. para além de assegurar a continuidade do planeamento e a ligação entre os comandos operacionais a célula permanente apoia o estado-maior da eu-romarfor em todas as tarefas específi-cas da força, conferindo-lhe a dimensão multinacional. decorridos cerca de três anos desde que foi criada, a euromarfor foi activada cinco vezes para participar em exercícios e a euromarfor em oeiras - o estado de prontidão elevado, podendo ser activada num prazo de 5 dias (lista de unidades prontas a disponibilizar pelos quatro países). - a capacidade de comando e controlo inerente às estruturas operacionais que, por rotina, exercem o comando e controlo de forças e unidades navais no mar. - o baixo custo de funcionamento, uma vez que utiliza infra-estruturas já existentes. - a interoperabilidade e utilização de procedimentos operacionais padrão resultantes da cooperação no âmbito da nato. - a versatilidade da sua configuração, que permite adaptar-se facilmente a qualquer tipo de missão. - os atributos operacionais inerentes às forças navais: mobilidade, versatilidade, sustentação, resi-liência, capacidade de transporte, presença e multiplicação de força. alguns marcos históricos • 19 de junho de 1992 - assinatura da “declaração de petersberg”. • 15 demaio de 1995 - assinatura do documento constitutivo da euromarfor. • 02 de outubro de 1995 - oalmirante manuel acedo manteola, comandante da esquadra espanhola (alflot), é nomeado o primeiro comandante da euromarfor. • 09 de outubro de 1998 - oalmirante alexandre reis rodrigues, comandante naval (comnav) assume o comando da euromarfor. constituição da célula permanente da euromarfor •capitão-de-mar-e-guerra josé vilas boas tavares - director da célula permanente •capitão-de-fragata juan caamaño - representante espanhol •capitão-de-fragata patrice schmitt - representante francês •capitão-tenente francisco piedade vaz - representante português •capitão-tenente luca ceccobelli - representante italiano. características mais relevantes a partir desta data o estado-maior do comando naval, passou a desempenhar cumulativamente as funções de estado- -maior da euromarfor. tendo em consideração o caracter rota-tivo do comando e a necessidade de ga-rantir a continuidade do planeamento e ao mesmo tempo assegurar a ligação entre os comandos operacionais, foi criada uma célula de estado-maior multinacional, que se integra no estado-maior nacional do comeuromarfor. esta célula, designada por “célula permanente da euromarfor”, encon-tra-se instalada no comando naval em oeiras, desde o dia 9 de outubro, sendo constituída por um director e um oficial de cada país membro.  tendo em consideração que os oficiais estrangeiros não são residentes, a célula reúne-se periodicamente em oeiras, em norma duas semanas por mês e sempre que o comandante da euromarfor, valm reis rodrigues com a célula permanente. edificio administrativo do comando naval onde se encontra instalada a célula permanente.</Page><Page Number="83">ara efectuar missões de representação (presença naval). em 1999, a euromarfor será activada para participar nos exercícios swordfish 99, organizado pelo comnav, destined glory 99, organizado pelo comstrik-forsouth e tapon 99, da responsabili-dade do alflot. efectuará igualmente uma missão de re-presentação que incluirá a visita ao pireu, grécia e izmir, turquia. para exercer o comando táctico da euromarfor, (comgrueuromarfor) foi indigitado “extremadura”, fs la “motte pic-quet” e its “libeccio” (a ser rendido mais tarde pelo its perseo). a segunda activação, terá por objectivo a participação da euromarfor no exercí-cio tapon 99 que decorrerá entre 14 e 25 de junho. - assegura o planeamento operacional. - define os objectivos de treino da euromarfor. - propõe os procedimentos operacionais padrão. - estabelece e mantém contactos com os comandantes de outras forças multinacionais, em particular com o comandante da eurofor. - mantém actualizada a lista de unidades susceptíveis de constituírem a emf em caso de activação. - consulta os comandos operacionais por forma a alcançar o nível de forças requerido, para cumprir as tarefas específícas da emf. - quando a força é activida assume o “controlo operacional” (opcon) das unidades atribuídas. responsabilidades do comeuromarfor activação da euromarfor em 1999 fev mai jul mar abr sf 99 1 a act tour 1/99 dg 99 tapon 99 2 a act estado-maior nacional (comnav) comeuromarfor (comnav) comgrueuromarfor célula permanente alflot cecmed cincnav comnav unidades jun o cmg fernando melo gomes que embar-cará no navio-chefe com o seu estado- -maior, no qual serão integrados elementos dos quatro países da euromarfor. durante a primeira activação (4 de março a 21 de abril), que inclui a participação nos exercícios swordfish 99, destined glory 99 e o tour 1/99, a força será cons-tituída pelos seguintes navios: nrp “alvares cabral” (navio-chefe), sps</Page><Page Number="84">tratado das alcáçovas  e a primeira partilha do atlântico 10 março 99 • revista da armada o tratado das alcáçovas  e a primeira partilha do atlântico a marinha joanina (5) h enrique iv de castela morre em 1474, dei-xando um problema de sucessão ao trono por resolver. o rei tinha casado com uma irmã de afonso v (de portugal) e havia uma filha, de nome d. joana, mas uma parte da nobreza caste-lhana contestava a pater-nidade do soberano, alegando relações ilícitas da rainha com o fidalgo d. beltrão de la cueva. na realidade, o que estava em causa era mesmo a tentativa de intromissão por-tuguesa na coroa de castela. d. henrique passou muito tempo sem filhos e apontou a sua meia irmã, d. isabel, como herdeira do trono. contudo, no final da sua vida, desagradado com o facto de ela ter casado com o rei de aragão, o soberano castelhano voltou a trás com estas pretensões e fez jurar a filha como sucessora. é claro que o assunto não seria indiferente a d. afonso v que não des-perdiçou a oportunidade de tentar estender a sua influência ao reino vizinho. a princesa d. joana era sua sobrinha, era muito jovem, e moralmente impunha-se que fosse protegida. por outro lado o desagrado de henrique iv, com o casamento de isabel e com a visão de uma ligação a aragão, aproximara-o de portugal. o rei português alegou ainda que o seu cunhado, antes de morrer, lhe pedira para que tomasse conta do trono e fizesse valer os direitos da jovem princesa injuriada. era, natu-ralmente, uma questão delicada, que iria dominar a política externa portuguesa até 1479/80: afonso v decidiu casar com a sobrinha e invadir castela, para tomar posse do que julgava ser os seus direitos, mas o conflito não estava ao alcance das capacidades nacionais e, sobretudo viria a levantar um proble-ma grave para a economia portuguesa: fez com que os navios de castela e aragão aparecessem na costa da guiné, afrontan-do directamente o comércio que os portugueses reivindicavam como sendo só seu. em 1476 o exército de fernando de aragão defrontava os portugueses no toro. a batalha não teve uma decisão militar conclusiva, mas serviu para mostrar que não nos era possível continuar aquela guerra. as despesas eram enormes e os resul-tados muito difíceis. por outro lado, o problema do comércio africano ganhava uma dimensão que não agradava aos inte-resses portugueses, representados pelo príncipe d. joão, o novo gestor dos trautos da guiné. até aí, todas as pretensões dos castelhanos tinham manifestado acerca da costa africana ti-nham ficado suspensas na indefinição da posse das canárias e numa certa escusa a mandarem os seus navios a áfrica. o papado arbitrara a questão com bulas evasivas ou contempo-rizadoras e a questão permanecia adormecida, um pouco por falta de capacidade marítima dos castelhanos e porque a paz reinava entre os dois vizinhos. mas o estado de guerra fez com que isabel estimulasse o afrontamento directo ao comércio por-tuguês: em 1476/77 aparecem navios desgarrados que não tiveram grande sucesso, mas em 78 saiu de sevilha uma esquadra de 35 navios, com destino ao golfo da guiné e, a partir daí, essa prática tor-nou-se sistemática. a reacção portuguesa não se fez espe-rar, sabendo-se que as carave-las passaram a dispor de arti-lharia, encetando uma nova era no combate naval. uma grande parte destas tentati-vas espanholas acabariam por se malograr, graças à actuação decisiva que se supõe ter sido levada a cabo por influência de d. joão (o futuro rei d. joão ii), mas o andar dos tempos e a análise das circunstâncias aconselhavam a que se conseguisse um acordo negociado que garantisse a paz. na verdade, o tratado, cujo texto foi concluído e assinado na vila das alcáçovas, a 4 de setembro de 1479, continha diversas cláusulas que regulavam questões de vária ordem, pendentes entre os dois reinos. a mais importante era a de que os por-tugueses reconheciam isabel como rainha de castela, abdican-do da candidatura de d. joana, cujo casamento com afonso v acabaria por não ser reconhecido. com esta cláusula se con-seguia a paz. contudo, um outro aspecto tinha particular importância para os portugueses: as terras a sul do bojador, incluindo ilhas e costas descobertas e por descobrir, com tratos de comércio e conquistas, pertenciam aos portugueses. o mesmo se passava com os reinos de fez (norte de áfrica) e com os arquipélagos da madeira e dos açores, mas as ilhas canárias ficavam definitivamente na posse de castela. o resto do tratado dizia respeito à devolução de terras e bens tomados durante a guerra, ao perdão de pessoas que tinham tomado o partido de qualquer dos lados e um acordo final de casamento de d. afonso (filho de d. joão ii) com d. isabel (filha dos reis de castela e aragão), que ficou designado por terçarias de moura, porque em moura ficariam a viver os dois príncipes (em casa de dona beatriz, a mãe do duque de bragança) até atingirem a idade de casar. este tratado viria a ser ratificado pelas cortes de toledo, em 1480, passando a regular a navegação portuguesa e espanhola no atlântico. os portugueses abdicavam das ilhas canárias — que tinham sido um ponto controverso onde se tentara, por várias vezes, estabelecer uma base para a exploração da costa africana – mas ganhavam a segurança nos mares a sul do arquipélago, onde já tinham outros pontos de apoio e de onde vinham ricas mercadorias. d. afonso v morreu em 1481 e, logo em 1482, d. joão ii mandaria construir a fortaleza de s. jorge da mina, situada no coração do golfo da guiné, perto de cape coast, no actual gana. até 1637 (quando foi tomado pelos holandeses) esse seria o principal local de comércio marítimo africano e o centro de toda a actividade portuguesa no golfo. j. semedo de matos cten fz o castelo da mina.</Page><Page Number="85">nspecção de reparação de submarinos criação da irs “a experiência colhida durante os 22 meses que vem decorrendo a grande reparação do submarino “barracuda”, no arsenal do alfeite, leva à conclusão de ser necessária e urgente a adopção de soluções que permitam a concentração, naquele esta-belecimento, de pessoal militar existente com conhecimentos específicos sobre submarinos e à simplificação do sistema, em vigor, relati-vo à aquisição e gestão de sobressalentes e outros materiais necessários.” é desta forma aparentemente simples e descomplexada que começa a nota do então superintendente interino dos serviços do material, comodoro antónio caires da silva braga, que constituiu a proposta n.º 6/74, de 25 de fevereiro, dirigi-da ao ministro da marinha. contudo, ela continha uma pequena revolução na estrutu-ra da manutenção dos submarinos, abrindo uma excepção na marinha que ainda perdu-ra, e punha termo a um período de perma-nentes conflitos entre os diversos organismos intervenientes na grande revisão do submari-no “barracuda” (1), a primeira a realizar-se em portugal (a do ss “albacora” tinha sido efectuada em frança, toulon, entre outubro de 1970 e setembro de 1971). a proposta da superintendência dos serviços do material (ssm) mereceu a aprovação do ministro da marinha valm pereira crespo e deu origem à transferência para o arsenal do alfeite de todas as compe-tências relativas aos submarinos, tanto as respeitantes à vertente técnica como à logísti-ca. ficou desta forma o arsenal do alfeite detentor da função de direcção técnica para esta classe de navios, solução ímpar na marinha portuguesa. para poder dar cabal cumprimento a estas novas atribuições, o adminis-trador do arsenal do alfeite, cmg engenheiro construtor na-val carlos ribeiro caldeira sa-raiva, através do seu despacho n.º 4/74, de 7 de março, criou um novo órgão na estrutura do arsenal a que chamou “inspec-ção das reparações dos subma-rinos (irs)”, a qual ficou sob a sua directa dependência. à irs competia-lhe desempe-nhar fundamentalmente as tarefas que até então pertenciam à direcção das cons-truções navais na parte respeitante aos sub-marinos. a problemática dos sobressalentes revestia-se, na altura, de tal importância que a sua gestão foi cometida a outro órgão especialmente criado para esse efeito, o ser-viço de gestão de sobressalentes de subma-rinos (sgss), também directamente depen-dente do administrador (despacho n.º 9/74, de 31 de março). à parte de toda esta reorganização ficava a antiga dsec - direcção dos serviços de electricidade e comunicações. na realidade, a dsec além de gozar de total autonomia, possuía capacidades, técnica e logística, reconhecidas para enfrentar sem dificul-dades o grande desafio que constituiu a 1.ª grande revisão dum submarino da classe “albacora”. de notar ainda, que tanto a criação da irs como a do sgss, por despachos do administrador do arsenal do alfeite, após autorização do ministro da marinha, são anteriores à publicação do decreto que daria cobertura legal àquelas decisões: decreto-lei n.º 142/74, de 8 de abril. tal facto é reve-lador do clima difícil que se vivia na altura, e do desespero em accionar medidas que dessem a garantia de resolver o problema da manutenção dos submarinos que, a não ser conseguido, poderia comprometer a prazo a própria continuação destes navios na marinha portuguesa. como previa a própria proposta n.º 6/74 da ssm, acima referida, transitou imediatamente para o arsenal do alfeite um grupo de 4 ofi-ciais, 7 sargentos e um cabo para integrarem a primeira lotação da irs. estava, assim, criada a inspecção de reparação de submarinos que viria a sofrer ainda duas reorganizações até encontrar a sua forma actual: • a primeira, em 25 de maio de 1981, considerando que não se justificava a existên-cia de dois organismos directamente depen-dentes do administrador do arsenal do alfeite para tratar de assuntos dos submari-nos, o sgss foi integrado na irs passando a designar-se por serviço de gestão de material de submarinos (sgms); • a segunda, em 9 de fevereiro de 1983, criando o gabinete de estudos de submarinos (ges), adequando a irs à evolução entretanto verificada, habilitando-a a dar resposta às múltiplas solicitações de estudos de alterações e modificações impor-tantes, sobretudo no que à segurança dos submarinos dizia respeito. porém, a integração da irs no próprio arsenal não foi isenta de conflitos. pelo con-trário, foi necessário quebrar barreiras, desconfianças e hábitos profundamente enraizados. foi preciso corrigir toda uma actuação que permitisse reparar navios, algo sofisticados para a época, com uma garantia de qualidade muito superior ao que era então usual, e quebrar com um sistema desadapta-do, que repousava essencialmente no fun-cionamento, por vezes correcto mas não integrado, das diversas direcções da superintendência dos serviços do material e do arsenal do alfeite. revista da armada • março 99 11 inspecção de reparação de submarinos 25º aniversário efeméride equipa da irs.</Page><Page Number="86">2 março 99 • revista da armada agora, decorridos que são 25 anos, é largamente reconhecido que a vinda destes submarinos e a atribuição da total com-petência ao arsenal do alfeite, constituíram uma forte mola impulsionadora da moder-nização e apetrechamento do estaleiro, sendo inúmeras as melhorias tecnológicas introduzidas. foi necessário implementar e desenvolver métodos de controlo não destrutivo e processos especiais, dos quais se salientam: • os controlos por raios x, ultra sons, líqui-dos penetran-tes e magnetoscopia; • técnicas de soldadura, em especial dos aços de alto limite de elasticidade e dos encanamentos em aço e cupro -alumínio; • a introdução do princípio da qualificação de soldadores e dos processos de soldadura; • o teste dos equipamentos em oficina, o que obrigou à construção de bancos de ensaio próprios; • o reequipamento metrológico, em conse-quência das tolerâncias apertadas exigidas no controlo dimensional de componentes usados e/ou manufacturados; • o grande desenvolvimento do sector da decapagem e limpeza química, por indis-pensável à conveniente inspecção/controlo e protecção anti-corrosiva; • o desenvolvimento das técnicas de equili-nha funções que, para os restantes navios da armada, estão repartidas pela direcção de navios, direcção de abastecimento e por outros departamentos do próprio arsenal. destacam-se como mais importantes as de: direcção técnica: • superintender tecnicamente todos os tra-balhos nos submarinos e no seu material, definindo-os e estipulando os respectivos critérios de aceitação; • estudar, definir e propor a introdução de alterações e de soluções de reparação; • propor a doutrina de manu-tenção e gerir e controlar a sua execução em conformidade com a tabela de manutenção preventiva; • assegurar a ligação com a marinha francesa, no âmbito do acordo de apoio logístico ce-lebrado entre as duas partes aquando do contrato de aqui-sição. inspecção técnica: • definir o plano de inspecções e ensaios das intervenções nos submarinos ou no seu material e exercer o respectivo controlo; • realizar vistorias e inspecções para definição das reparações. planeamento e coordenação: • planear, promover a execução e coor-denar os trabalhos, informando o ad-ministrador do arsenal do alfeite da viabili-dade de cumprimento dos prazos; • coordenar a actividade dos organismos do arsenal, da marinha e outros interve-nientes nos trabalhos dos submarinos, por forma a que se atinjam os objectivos projec-tados; • alertar para os desvios e propor medidas de correcção. gestão de material para os submarinos: • efectuar a gestão dos sobressalentes elec-submarino ri (q) gr albacora 12   04 barracuda 13 05 delfim 12 04 totais 37 13 ri (q): revisão intermédia, com docagem (2 meses). gr: grande revisão (18 meses). tro-mecânicos, dos materiais de construção e de consumo especial dos submarinos, estabelecendo e mantendo os níveis de armazém; • controlar e sancionar a satisfação das requi-sições, das oficinas do arsenal e dos sub-marinos, e elaborar as encomendas para provimento; • gerir e controlar as verbas atribuídas à manutenção dos submarinos. a política de manutenção dos submarinos é planeada, preventiva e sistemática. neste contexto, durante o ciclo operacional de cinco anos são efectuadas periodicamente acções de manutenção, de que se destacam as revisões intermédias, com docagem, com duração de 2 meses e periodicidade aproxi-mada de ano e meio, feitas no arsenal do alfeite. ao fim de cada ciclo operacional o submarino sofre uma grande revisão que dura 18 meses, cujo objectivo é repor o nível de qualidade dos seus sistemas e equipamentos, em termos de desempenho, tão próximo quanto possível do obtido em novo e garantir, assim, um novo ciclo opera-cional com o máximo de segurança e o mí-nimo de avarias inopinadas. desde março de 1974, a irs já superin-tendeu às seguintes intervenções: 1 a “guarnição” da irs cten ecn .....................joão caiado gago falcão de campos cten m .........................jorge manuel cabeçadas pereira leite cten emq ....................júlio valdemar campos silva vilarinho 1º ten an .....................antónio neves estevéns saj aes .........................amílcar guardado dos santos neto saj acm ........................joaquimmarques vaz 1º sar ............................acm arménio ferreira da silva 1º sar ............................acm rui leitão da silva 1º sar ............................acmmanuel cândido de almeida gonçalves 1º sar aes .....................francisco manuel neto vidigal 2º sar cm .....................armindo francisco júlio lopes alves ferreira cab cm .........................augusto vidal bragem dinâmica e da utilização da medi-ção programada de vibrações e de ruído irradiado na água pelos equipamentos dos submarinos; • o incremento da oficina de sonares na área electro-acústica, nomeadamente nos meios de reparação e teste de transdutores; • a introdução de novas soluções de recu-peração de componentes pela utilização das técnicas de deposição /adição de metais. de todas estes avanços tecnológicos usufruiu naturalmente toda a armada, com a natural aplicação dos métodos, técnicas e, sobretudo, da mentalidade usados (exigidos) nos trabalhos dos submarinos. funções e actividade da irs a inspecção de reparação de submarinos, como organismo executor das competências atribuídas ao arsenal do alfeite, desempe-as obras dos submarinos representam uma boa parcela da produção do arsenal. a título de exemplo pode referir-se que, num ano em que decorra uma grande revisão, a mão-de- -obra aplicada nos submarinos representa cerca de 20% da produção total do estaleiro. convém, no entanto, referir que a parte rela-tiva às reparações eventuais e urgentes, resul-tantes de avarias, é em si pouco significativa, cifrando-se em média nos 4% da quota parte das obras do submarinos.</Page><Page Number="87">evista da armada • março 99 13 • acompanhamento contínuo das obras, permitindo decidir soluções de reparação sem perdas de tempo não afectando o nor-mal desenrolar das intervenções; • fornecimento atempado dos sobres-salentes às oficinas do arsenal do alfeite. a concentração referida e a coabitação dos serviços técnicos e logístico, permitem ainda apontar como vantagens desta organização: • economia de pessoal: desempenham-se as tarefas que, como já apontado, para os navios de superfície estão repartidas pela dn, da e, dentro do arsenal, pela direcção fabril (coordenação) e direcção técnica (algumas tarefas da divisão de planea-mento); • gestão mais eficaz e económica dos sobressalentes; • garantia da qualidade das reparações: controlo do cumprimento do plano de ins-pecções e ensaios, representando a ma-rinha nas provas dos equipamentos em oficina. é, pois, com algum orgulho e sentimento do dever cumprido que a irs comemora o seu 25.º aniversário. e se, no momento de soprar as velas, ao aniversariante é permitido formular um desejo, ele não pode ser outro senão o de desejar à irs o ensejo de poder continuar, ano após ano, a fazer jus ao lema que escolheu para sua divisa: qualidade para mergulhar e voltar. (colaboração da irs) conclusão regressando à proposta n.º 6/74 da ssm, no seu último parágrafo pode ler-se: “deste modo, ficaria o arsenal do alfeite como único responsável directo no que concerne ao cumprimento dos prazos e segurança da execução das reparações, bem como habi-litado a poder informar superiormente sobre os múltiplos aspectos de carácter téc-nico relativos aos submarinos.” e assim tem sido. esta solução de concentrar e simplificar, conferindo ao arsenal do alfeite toda a com-petência relativa aos submarinos, foi no míni-mo inovadora, e os resultados conseguidos ao longo destes 25 anos parecem demonstrar a justeza da opção tomada. na realidade, os pilares em que assenta este sistema e que têm permitido cumprir os planeamentos das intervenções nos submari-nos são basicamente os seguintes: • estabilidade e formação do pessoal: excep-tuando os três funcionários administrativos, todos os restantes elementos da irs, oficiais e sargentos, são especializados em submarinos e as comissões têm sido sempre longas; • listas de fabricos conhecidas com a ante-cedência necessária; • trabalhos adicionais das intervenções pro-gramadas que podem considerar-se quase insignificantes; chefe da irs gabinete de estudos secretaria serviço de material eléctrico serviço de electrónica serviço de gestão serviço de casco e máquinas lotação: 7 oficiais / 12 sargentos / 3 civis chefes da inspecção de reparações de submarinos cfr ecn.............................. joão caiado gago falcão de campos ....................................04-mar-74 a 01-jun-75 cfr emq.............................antónio do sacramento miguez chagas .................................02-jun-75 a 21-dez-76 cfr emq.............................júlio valdemar campos silva vilarinho....................................22-dez-76 a 31-jul-80 cfr emq ............................armando maria de araújo baptista ..........................................01-set-80 a 31-jan-91 cfr emq ............................luís filipe cardoso caravana ...................................................31-jan-91 a 15-set-95 cten emq .........................jaime batista de figueiredo ......................................................15-set-95 a … 0 100,000 200,000 300,000 400,000 500,000 600,000 700,000 homens.hora não programado 9,800 11,200 12,150 10,090 6,857 8,150 14,108 8,712 29,520 10,713 20,067 17,546 13,243 4% programado 397,700 354,300 448,345 676,140 351,422 300,798 142,253 344,744 61,907 351,388 78,641 124,150 302,649 96% 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 média % relação trabalhos previstos / imprevistos notas: (1) eram eles: a direcção das construções navais (dcn), a direcção dos serviços das armas navais (dsan), a direcção dos serviços de electricidade e comunicação (dsec), a direcção dos serviços de abstecimentos (dsa) e o arsenal do alfeite (aa). referências: - “a capacidade do arsenal do alfeite na manutenção de submarinos”, a. m. araújo baptista, l. f. cardoso caravana e j. c. costa ramos - “as origens da inspecção das reparações dos submarinos (irs)”, eng. falcão de campos.</Page><Page Number="88">viagem ao canadá 14 março 99 • revista da armada o projecto de levar o “creoula” de novo aos mares canadianos nas-ceu originalmente de uma ideia da sr.ª embaixadora do canadá em portugal, a sr.ª patricia dole cuja terra natal é precisamente a terra nova. a sr.ª embaixadora, como ela própria contou a bordo do “creoula”, costumava ver na sua meninice os veleiros por-tugueses da pesca do bacalhau à linha atracados em st. jonh’s. então porque não aproveitar o ultimo representante da famosa “frota branca” (como eram então conhecidos na terra nova estes veleiros portugueses) actualmente ainda a navegar em portugal, como pano de fundo para um estreitamento das relações entre portugal e o canadá? encontrar as instituições e as pessoas certas que pudes-sem levar em frente e concretizar este projecto foi o passo seguinte da sr.ª embaixadora. efectivamente, após se congre-garem essas intenções formaram- -se então duas comissões execu-tivas, uma portuguesa (amigos do museu de ílhavo; câmara municipal de ílhavo; universi-dade de aveiro) outra canadiana (department of tourism, culture and recreation; heritage fonda-tion of new foundland and la-vrador; canadian national defense; marine institute; consul general for portugal - toronto; core consulting, inc.). cada uma das comissões teve a seu cargo a execução prática do projecto no respectivo país: arranjar patrocí-nios, seleccionar os instruendos, organizar as estadias do navio, entre muitos outros aspectos práticos. os instruendos canadianos foram seleccionados entre os jovens da terra nova e lavrador e quatro deles, dentre os filhos de emigrantes portugueses em toronto. os instruendos por-tugueses foram seleccionados em terras de gente da pesca, en-tre os jovens com parentes liga-das à pesca do bacalhau à linha (viana do castelo, vila do con-de, póvoa de varzim, figueira da foz e especialmente ílhavo e aveiro). os instruendos seriam divididos em duas bordadas, uma para a ida e outra para o regresso, metade portugueses e metade canadianos em cada bordada. para director de treino foi escolhido o sr. capitão fran-cisco marques : efectivamente quem melhor que o velho “lobo do mar”, último capitão do “creoula” enquanto bacalhoeiro, para acompanhar os jovens instruendos e candidatos a nave-gadores no regresso do lugre às águas da terra nova, 25 anos volvidos desde a última campa-nha do navio comandada por ele próprio?! dela fizesse parte. suspendeu-se no outro dia de madrugada e antes das 11 horas da manhã atracou-se em ponta delgada. portugueses e canadianos, todos sem excepção, ficaram maravilhados com as belezas naturais e gastronómicas (o cozido nas furnas foi largamente apreciado) da maior ilha açorea-na e foi com vontade de re-gressarem para umas férias mais prolongadas que se despediram de s. miguel após dois dias de estadia. um dia de navegação, pas-sagem nocturna pelo canal entre o pico e s. jorge e a 17 de agos-to atracou-se na horta. aqui a grande ansiedade dos instruen-dos era ir beber um gin tónico no conhecido peter’s. a recepção da parte da câmara municipal foi bastante calorosa tendo esta oferecido um jantar aos instruen-dos e guarnição, animado por um grupo folclórico da ilha. o tempo estava bom e convidava à praia e aos passeios, foi mais uma vez com rapidez que os dois dias na horta passaram. ia-se iniciar agora a maior tira-da da viagem, 10 dias de mar entre a horta e st. john’s, a qual parecia assustar alguns dos instruendos. acabaram por se fazer apenas 8 dias de navega-ção pois o navio fundeou dia 26 de agosto na pequena baia a sul de st. john’s, chamada fresh-water bay. durante estes 8 dias no mar, para além dos serviços já rotineiros realizados por instru-endos e guarnição, desenvolve-ram-se mais algumas actividades que, para além de interessantes, iam mantendo toda a gente acti-vamente ocupada. foram feitas palestras sobre astronomia náutica e sobre navegação astronómica as quais foram seguidas atentamente, quer pelos instruendos portugueses, quer pelos canadianos e até por al-guns elementos da guarnição. outra actividade que absorveu bastante os instruendos e princi-palmente o “primo chico” ( as-sim como “tio” e “avô” este foi um dos tratamentos carinhosos ao capitão francisco marques que se começou a generalizar anos. após três dias de estadia em aveiro com várias cerimó-nias e festividades chegou o dia da partida. um mundo de gente acorreu ao cais dos bacalhoeiros para dizer adeus ao “creoula”, aos seus jovens que embarca-vam e para cumprimentar o sr. presidente da república, que se deslocou propositadamente a ílhavo para também ele se des-pedir dos jovens que embar-cavam nesta aventura. o navio largou e dezenas de embar-cações de todos os tipos acom-panharam-no até à saída da barra (é caso para dizer que tudo o que flutuava andava na ria) e algumas mesmo até bastante a viagem ao canadá projecto creoula - “de novo na terra nova” capitão francisco marques. a viagem começou para o navio a 5 de agosto, largando da base naval com destino a aveiro transportando já os instruendos canadianos que iriam fazer a viagem de ida. a chegada foi no dia seguinte tendo o navio sido alvo de uma calorosa recepção logo a partir da entrada da barra, com várias embarcações a acompanharem o navio até ao cais dos bacalhoeiros. no molhe ao lado encontrava-se atracado o navio gémeo do “creoula”, o “st.ª maria manuela”, aguardan-do pacientemente a chegada do seu navio irmão e que o colo-quem novamente a navegar... no cais já se encontravam os futuros instruendos portugueses e o director de treino saudando efusivamente a chegada do navio e dos instruendos canadi-fora. nas margens havia gente até à ponta dos molhes acenan-do ruidosamente à passagem do navio. com um vento bonançoso de norte o velho lugre seguiu a todo o pano rumo a ponta delgada, primeira escala desta viagem. na viagem todos os ins-truendos se adaptaram bem ao navio, registando-se muito pou-cos enjoos. com bom tempo e vento favorável o “creoula” acabou por chegar à ilha de s. miguel com quase um dia de antecedência. após quatro dias de viagem aproveitou-se o ense-jo para fundear junto ao ilhéu de vila franca do campo, desfrutar de um bom banho de mar e da paisagem magnífica em que o próprio navio se inseria como se</Page><Page Number="89">evista da armada • março 99 15 entre os instruendos, e não só ) foi a tentativa de recriar as princi-pais actividades que antigamente decorriam a bordo de um navio da pesca do bacalhau à linha, para filmagens da rtp açores. a distribuição do material aos pescadores, o sorteio dos dóris (pequenos botes em que se fazia a pesca), o armar dos dóris, as relações entre os diferentes ele-mentos do navio, foram situa-ções recriadas pelos instruendos, com o auxílio e também partici-pação do capitão francisco marques que assumia, como é claro, o papel ( ? ) de capitão. a meio da navegação uma baixa mais cavada provocou alguns enjoos e fez com que se ouvissem algumas queixas sobre o tempo. se se soubesse o que ainda estava para vir... na chegada à plataforma con-tinental cumpriu-se mais uma vez o ritual de se sondar a “beirada”, como era conhecido o declive acentuado que marca o início daquela. na sonda vê-se a profundidade variar dos qua-trocentos para os cinquenta, quarenta metros, em poucos minutos. na época da pesca do bacalhau à linha esta era uma linha de posição importante que permitia actualizar a estima e calcular com algum rigor a dis-tância a terra. com o navio fundeado já bem próximo do nosso destino apro-veitou-se para se terminarem as filmagens. uma das cenas que faltava foi então recriada: arriou- -se um dóri com um “pescador” dentro (um dos oficiais do navio vestido de rabana, botas e sueste, trazidos pelo capi-tão francisco mar-ques) e de novo se navegou nele a re-mos e à vela nas frias águas da terra nova. só faltou o bacalhau ... a estadia em st. john’s decorreu sob tempo frio que parece ter chegado ao mesmo tempo que o navio. desde a chegada até à par-tida os instruendos andaram ocupados no processo de ren-dição e em inúmeras outras actividades planeadas pela orga-nização canadiana. o regresso do velho lugre despertou as aten-ções do povo de st. john’s que acorreu em massa ao porto para visitar o último representante da “white fleet” ainda a navegar. o espectro do furacão “danielle” , que fazia das suas bastante mais a sul, pairava no ar. as previsões meteorológicas indicavam que aquele passaria sobre st. john’s três dias após a nossa partida. sorte a nossa, que já estaríamos a mais de 400 milhas de distân-cia por essa altura ! a partida fez-se sob um sol auspicioso e no navio, após a faina, cada um regressou às suas actividades do dia a dia de nave-gação, apenas com a diferença de termos instruendos novos a bordo. fainas gerais de mastros, exercícios de abandono, de ho-mem ao mar, entre outras activi-dades, sucediam-se enquanto o navio seguia rumo à ilha das flores. no entanto as previsões meteorológicas recebidas a bordo começaram a trazer algu-mas alterações relativamente ao comportamento do furacão. este começou a deslocar-se mais para ne prevendo-se que passasse ligeiramente ao largo de st. john’s logo mais perto do navio do que o inicialmente previsto. cada nova previsão que chega-va, cada vez mais o furacão tomava um percurso que o aproximava do navio. dia 3 de setembro pela manhã, dois dias após a largada, o “danielle” deslocava-se para ene e direiti-nho ao “creoula”, a uma veloci-dade de cerca de 30 nós. era evi-dente que o navio teria que ten-tar fugir de modo a evitar pelo menos que o olho do furacão lhe passasse por cima. fez-se o cine-mático de fuga e rumou-se a sul. pelas 22:00 o vento começou a aumentar bastante de ssw e em breve o navio fazia entre 1 e 2 nós de velocidade com máquina avante toda a força, e com grande esforço desta, que ora parecia querer desarvorar, quan-do o navio ficava com o hélice quase todo fora de água, ora so-luçava como se fosse parar, quando a popa mergulhava pro-fundamente e o navio não pro-gredia face à vaga e ao vento. o vento entretanto foi rondan-do no sentido dos ponteiros do relógio e sempre aumentando de força, até que pelas 5 horas da manhã quando a máquina parou devido aos efeitos do mar e do vento, este já soprava de wsw e com rajadas de mais de 60 nós. nessa altura guinou-se rapida-mente e meteu-se o navio a cor-rer com o tempo, visto ter-se re-velado insustentável mantê-lo de capa. num instante o navio encontrava-se a fazer veloci-dades entre os 12 e os 13 nós sem um único pano içado, en-quanto o mar e o vento não pa-ravam de crescer. algumas horas depois as raja-das de vento atingiam os 100 nós e as montanhas de água que se elevavam à popa e que pare-ciam querer submergir o navio a todo o momento tinham segura-mente mais de 14 metros de altura. a surriada era de tal ordem que tornava a visibilidade muito reduzida e dava a sen-sação de se estar perante uma chuva que caía na horizontal vinda de qualquer outro sítio que não do céu. no exterior apenas se encontravam dois marinheiros do leme presos com um arnês à retranca da mezena e algumas vezes o oficial de quarto, todo o restante pessoal e especialmente os instruendos tinham ordens para permanecerem nos interi-ores e manterem todas as escoti-lhas para o exterior criteriosa-mente fechadas. foi nesta altura que a tempestade atingiu a sua fase de maior violência provo-cando vários e graves danos no navio. uma quantidade infindá-vel de vagas abatiam-se sobre a popa do navio com violência, de modo que arrancaram pela base a bitácula da agulha magnética e a repetidora da girobússola uti-lizadas no governo, assim como o estrado sobre o qual se faz leme. os marinheiros do leme ensaiaram então governar pelo “display” do radar mantendo a escotilha da casa de navegação aberta. a quantidade de água embarcada era muito superior ao débito pelas portas de mar o que fazia com que o convés estivesse sempre coberto por vários pal-mos de água. o estrado, a bitácula e a repe-tidora da girobússola deslizavam nesta água ao sabor dos ba-lanços como autênticos torpedos que danificavam tudo em que embatiam. com o balanço que se verificava e com as vagas a entrar em catadupa pela popa era impensável tentar pear este material, dado o risco de se ir borda fora, de modo que acabou por partir vários vidros do albói da câmara de oficiais. nesta e nos alojamentos dos oficiais veri-ficava-se uma verdadeira inun-dação, entrava água pelo albói partido, pela ventilação e extrac-ção de ar, e mesmo pela escoti- “creoula” atracado em st. john’s. “creoula” atracado em st. john’s.</Page><Page Number="90">6 março 99 • revista da armada lha da casa de navegação que tinha que se manter aberta para que os marinheiros do leme pu-dessem governar. com algum esforço e risco alguns marinheiros conseguiram recolher o material que se en-contrava espalhado pelo convés e pregar precariamente algumas tábuas sobre os vidros partidos do albói enquanto o restante pes-soal disponível, independente-mente do posto, tentava, de balde na mão ou com qualquer outro recipiente utilizável para o efeito, esgotar a água da zona dos oficiais. passado pouco tempo uma vaga enorme sub-mergiu toda a popa e casa de navegação não dando tempo a que se fechasse a escotilha desta. a grande quantidade de água que entrou danificou todos os equipamentos de comunicações, de navegação, as suas alimen-tações eléctricas e o próprio quadro eléctrico, houve mesmo quem levasse choques de algu-ma intensidade. para a navegação apenas restavam utilizáveis as cartas da navegação ainda que molhadas, uma pequena bússola magnética de escaler, utilizada até ao momento apenas para efeitos de decoração na câmara de oficiais, e o sextante que era inútil com o céu completamente encoberto. algumas horas se navegou nes-tas circunstâncias, com os mari-nheiros do leme a governarem pelas indicações do oficial de quarto, a olho, procurando sim-plesmente manter a vaga na popa. no entretanto os electricistas tentavam reparar as fontes de ali-mentação e restabelecer os equipamentos de navegação e de comunicações. após muito trabalho conseguiu-se recuperar apenas o gps e o vhf, e mais tarde o radar, que no entanto não servia para nada por causa da forte surriada que envolvia o navio. por volta das 8 horas do dia 4 a pressão começou a subir ligeiramente após ter atingido um mínimo de 986 milibares, o que correspondia à pressão no centro da depressão segundo as cartas meteorológicas previa-mente recebidas. efectivamente o furacão estava a passar pratica-mente por cima de nós, apenas ligeiramente a norte (pois não houve acalmia, nem mudança brusca da direcção do vento) , o que significava que, surpreen-dentemente, tinha tido um deslo-camento para ese, tal como se perseguisse o navio. durante o decorrer do dia o vento foi diminuindo lentamente de intensidade assim como a vaga e ao fim do dia os cozi-nheiros lá tentaram fazer uma massa de bacalhau, a primeira refeição (tentativa) após 24 horas em que houve quem comesse apenas bolachas ou sandes, ou-tros nem por isso ... bordo e haveres pessoais. nos dias seguintes, como que para compensar, esteve um sol radioso e os oficiais aproveitaram o ensejo para fazer uma exposição na zona de ré com as suas roupas, calçado e outros objectos pessoais. a exposição encerrou quando já se encontra-va tudo seco. a pouco e pouco a vida de bordo foi voltando ao normal, mantinham-se apenas algumas avarias: os equipamen-mundial. aqui os instruendos andaram sempre envolvidos em inúmeras actividades organi-zadas pela câmara municipal, desde passeios a touradas, houve de tudo. estas actividades culmi-naram com um agradável jantar de despedida na casa do peixe, tendo sido convidados também o comandante e oficiais, du-rante o qual actuou um grupo de folclore da ilha que com os seus cantares melancolicamente car-acterísticos da terceira despertou em todos os presentes as sau-dades de casa, ou a nostalgia da partida no dia seguinte. o próxi-mo porto seria aveiro e o fim da viagem. navegou-se com bom tempo rumo ao continente o que fez com que se chegasse mais cedo dando ainda oportunidade de fundear nas berlengas antes da chegada a aveiro. o ambiente marcadamente marítimo destas ilhas, dominado pelo farol, que lá do alto despedia feixes de luz por entre o nevoeiro, não podia ser mais adequado para a última noite (não o foi, mas foi sentida como tal) dos instruendos a bordo. trocavam-se moradas, contactos e abraços, faziam-se promessas de visitas, tiravam-se fotografias, saltavam algumas lágrimas rebeldes... era esta a azáfama dos instruendos nessa noite que para eles foi de despe-dida do “creoula”. despediam- -se do navio no qual viveram tantas aventuras, no qual atraves-saram o atlântico, no qual tra-balharam algumas vezes com prazer, outras nem por isso, no qual aprenderam coisas sobre os navios, sobre o mar e sobre a vida, e no qual, talvez prin-cipalmente, fizeram tantas ami-zades. o dia seguinte já não era para o “creoula”, era tempo de pensar no regresso, nos pais, nos ami-gos, de reajustar as ideias para a outra vida que ficou em terra, e que retomariam em breve... o “creoula”,... esse fica a aguardar por novos instruendos sedentos de aventura, amantes da brisa e dos largos horizontes marítimos, para que lhe soltem as amarras, lhe icem as velas, lhe acariciem o convés e o levem de novo por esses mares fora... antónio mourinha 2ten navio no furacão. finalmente, a partir da meia-noite o vento baixou para valores normais e a ondulação, apesar de mais renitente, lá ia diminuin-do também. a tempestade tinha passado... e o “creoula”, apesar de já velhinho, tinha ultrapassa-do um dos obstáculos que 25 anos antes era costume enfrentar, enquanto jovem lugre baca-lhoeiro nestes mares da terra nova! no dia 5 pelas 0330 uma estação chamou pelo “creoula”, em inglês, no vhf, era de espe-rar que após mais de 36 horas sem comunicar já tivesse sido despoletado o sistema de busca e salvamento e que estivessem à nossa procura. de facto, era um avião de busca e salvamento canadiano ao qual foi reportado que todos se encontravam bem a bordo e que o navio se encontra-va sem comunicações, para além disto pediu-se-lhe que reportasse estas informações para lisboa. a viagem prosseguiu (já não com destino à ilha das flores mas sim ao faial tendo em vista o even-tual auxilio do pessoal da estação radionaval da horta na recupe-ração de alguns equipamentos) enquanto se fazia o balanço dos danos sofridos, se procurava reparar o que fosse possível e se limpava e arrumava o material de tos de comunicações, a girobús-sola, a agulha magnética, entre outros, continuavam avariados. o governo fazia-se a partir do gps, através de frequentes or-dens de leme para os marinhei-ros, ou dando estrelas ou o sol como referências, com os neces-sários acertos temporários. depois de mais alguns dias de viagem, passou-se pela ilha das flores, circundando a costa de modo a que se pudesse admirar, ainda que de longe, as belezas desta magnifica ilha açoriana. seguiu-se para a horta onde se atracou no dia 8 de setembro pelo meio-dia. a estadia na horta caracterizou-se essencial-mente pela azáfama na repa-ração de equipamentos e outro material como a bitácula ou o albói, e nas limpezas do navio principalmente do exterior com as inerentes pinturas. ainda houve, no entanto, algum tempo para se ir à praia ou ao peter’s. os instruendos chegaram mes-mo a ir visitar a ilha do pico, utilizando uma das frequentes embarcações que fazem a liga-ção entre a horta e a madalena. ao fim de dois dias em terra largou-se e no dia seguinte pela manhã atracava-se no porto pipas em angra do heroísmo, belíssima cidade património</Page><Page Number="91">enceslau de moraes, oficial da armada wenceslau de moraes, oficial da armada revista da armada • março 99 17 s e em 1935, seis anos após o seu falecimento, já na rádio japone-sa se defendia que “seria bom chamar-lhe morais do japão, nascido em portugal, em vez de se lhe chamar português.”, em 1980, volta a ser notícia quando os telespectadores nipónicos recla-mam da súbita interrupção duma biografia sua que, durante meses, haviam seguido apaixonadamente (4). de facto a sua vida, marcada por uma enorme solidão, oscila sen-sualmente entre uma insaciável carência afectiva e uma indomável ânsia de liberdade, que romances sem saída possível o levam a aber-tamente admitir, na sua correspondência mais privada, uma persona-lidade assaz complexa que de todo escapa aos que com ele conviveram ao longo de uma carreira naval de 26 anos. nascido em 30 de maio de 1854, wenceslau josé de sousa moraes, aos 17 anos, assenta praça como soldado voluntário no regimento de caçadores nº 5, sendo no ano seguinte trans-ferido para a armada como aspirante extraordinário. para tal podem ter concorrido diversos factos. primeiro, a armada vem sendo desde 1858, pela mão de sá da bandeira, reconstituída a partir da construção de grandes corvetas mistas, o núcleo duma força naval capaz de afirmar e defender os interesses de portugal no mar depois do seu poderio ter decaído, entre 1800 e 1823 (5), de 12 naus, 26 fra-gatas, 24 brigues e 8 charruas para 2 naus, 5 fragatas, 7 corve-tas e 9 brigues e, no termo das ruinosas guerras liberais (6), baixar a 1 nau e 1 fragata. depois, a visível e insidiosa «escalada» que ingleses, franceses e alemães, a partir de 1870, levam a cabo nas costas africanas onde portugal, apesar de históricos tratados, acabará por se ver obrigado a uma ocupação militar por força dos critérios que resultarão da conferência de berlim de 1884. finalmente, consideramos nós, ser natural que um jovem ciente dum objectivo nacional, materializado na defesa de interesses há muito assumidos, se sinta aliciado a participar na execução dum pro-jecto dotado dos meios, ainda que escassos, que a vontade impunha. concluído, em 1873, o curso preparatório na escola politécnica, passa a aspirante do quadro e terminado o 1º ano do curso de marinha, percebendo já um soldo de 12.000 reis (7), embarca, com os seus 16 camaradas, para instrução de aparelho e manobra, na corveta «bartolomeu dias». em julho de 1875, segue-se o tirocínio de artilharia, na »d. fernando ii e glória», dos 13 aspirantes que concluem a escola naval. promovidos a guardas-marinhas, wenceslau de moraes desce de 8º para 9º lugar. moraes, frustrada uma tentativa de ir para macau, embarca com o seu curso no transporte «índia» para uma viagem de instrução que os levará, em 19 dias, a filadélfia, onde desembarcam produtos para a grande exposição internacional. após um mês na cidade americana, ei-los de novo na «d. fernando». em 11 de janeiro de 1877, depois de andar a saltitar de navio em navio ruma no «áfrica», na companhia do seu curso, às estações navais de angola e moçambique. depois de santiago de cabo verde, atinge luanda, onde parte do curso desembarca. em 5 de março dá fundo ao ferro na foz do rio maputo, diante da cidade lourenço marques (8), depois duma estada de 6 dias no cabo. aí passa ao pequeno vapor «sena» para serviço nos rios de quelimane e também na costa. um mês depois destaca, na ilha de moçambique (9) , para a corveta mista «mindello» do comando do próprio coman-dante da es tação naval e logo acompanha uma expe-dição luso-bri tânica (10) a provar a fal s idade duma denúncia, lançada por uma corveta inglesa, de que 200 af r icanos se encont rar iam cativos para serem vendidos como escravos. o mesmo (11) se passará nos rios moginquale e matibane. como a guerra anglo-zulu tinha tornado a ilha da inhaca, vizinha de lourenço marques, alvo da cobiça inglesa, foi a «mindello», em que embar-cara, juntar-se à canhoneira «douro» para, sem qualquer oposição do gentio, se proceder à ocupação da inhaca onde, com uma salva de 21 tiros, é içada a bandeira azul e branca no dia 14 de setembro de 1878. de novo na capital, vai a quelimane e volta a cruzar a costa em busca de negreiros. de lourenço marques, augusto de castilho, confirma a visita de cortesia(?) dum comodoro inglês que não podendo dar, na inhaca, cumprimento à «política sagaz, persistente e pouco escrupulosa dos ingleses (de quem) tudo é lícito esperar (12)» determina a urgente pre-sença da «mindello». afastado o perigo (13) torna ao «sena» e daí ao «áfrica» para, reu-nido o curso, demandarem, em fins de novembro, depois de aden e port said, o tejo. em lisboa há que enfrentar a «paixão louca, constante, das mais intensas» duma criada a quem, cavalheiro, polidamente afirma nunca ter correspondido, embora a proteja até ao fim da vida, e saciar a paixão de uma vizinha, 8 anos mais velha e mal casada, que, de carta em carta, se vinha, em francês, mutuamente inflamando. depois duma breve passagem pela escola de alunos marinheiros, então a bordo da corveta «duque de palmela», embarca de novo na, entretanto regressada, «mindello» onde vai, com outros oito guadas-corveta “bartolomeu dias”. « …cidadão português, solteiro, ex-capitão-de-fragata da armada portuguesa…», assim se identificou no seu testamento “moraes o-okinasô (1)”, o “nambam (2)” que se tornou no “nihonjin moraesu (3)” cuja carreira naval, hoje, aqui nos traz.</Page><Page Number="92">8 março 99 • revista da armada -marinhas, ser submetido a exame para segundo-tenente. saídos, em 24 de janeiro de 1880, a cruzar exclusivamente à vela, incluindo as entradas e as saídas, por imperativo legal dos exames, sobem o tejo em 3 de fevereiro, sendo, a 12, promovidos a oficiais. wenceslau de moraes em… segundo lugar! nesse dia, reza o diário da apaixonada professora de francês, sua vizinha; «1er jour oú je me suis trouvée seule en voiture avec b…» de blondire, o pseudónimo que a sua «petite maruan» lhe atribuira (14). e às segundas-feiras foram um do outro. mas os problemas foram excessivos em sua casa, sobretudo, e também no … prédio (15)! depois da «quanza», surta no tejo, passa à «mindello» a 3 de março de 1881 para ir servir na estação naval de moçambique. no dia 6 de junho, maria isabel, angustiada, ainda o procura na casa da balança sem, no entanto, lhe conseguir falar. ele, sem nada dizer, partia deixando-a grávida. logo em aden recebe a notícia telegráfica de que o filho nascera morto. apesar do drama subjacente o romance … subsistiu. daí, a 20 de julho, partem em plena monção de sudoeste, com uma carga suplementar de 120 toneladas de carvão, no convés, e a missão de averiguar o comportamento do navio. vencido o golfo de aden em duas singraduras e dobrado o cabo guardafui é então o navio sujeito a ventos duros de su-sudoeste vendo, ao 6º dia, a singradura reduzir-se a escassas 45 milhas náuti-cas. o inquietante caturrar, o fazer água e o consumo de carvão (16) determinaram, ouvido o conselho de oficiais, que se arribasse a aden, onde fundearam a 30, depois de um incêndio, de carvão, na casa da máquina e outro, de lenha, na das caldeiras. a estes infortúnios juntou-se, em aden, o abalroamento de um brigue de guerra italiano que impôs ao comandante uma eficaz intervenção para obrigar a autoridade inglesa a assumir as suas responsabilidades. reparadas as avarias, largaram a 13 de outubro, tocaram zanzibar a 31 e nove dias depois estavam já na capital; moçambique. nesse fim de ano é avaliado: «a) oficial inteligente, de esmerada educação e bastante militar; faço dele um óptimo juízo; b) hábil e cuidadoso como oficial de quarto; reputo-o apto a comandar o navio; c) dedicado muito ao serviço e aos estudos da sua arma; d) de comportamento civil e militar excelente (17).» isto faz-nos admitir que o lamentável desfecho do seu caso amoroso não era conhecido ou, segundo uma tradição do mar (18) considerado da sua estricta vida privada. repare-se que a colocação da palavra muito faz crer numa vontade de realçar, em tempo, esta sua faceta profissional. em 11 de fevereiro de 1882 a «mindello» faz-se ao norte e atinge a baía de tungue a 20. aí a bandeira de zanzibar tremula abusiva-mente, desde 1850 (19), apesar dos nativos terem informado as autoridades do sultanato de que a região, a norte e a sul do rio meningane, estava na posse da coroa portuguesa. um guarda-marinha é impedido de desembarcar e a corveta, sem usar da força, volta à ilha de moçambique, donde regressa com o governador-geral da província a bordo. no quarto de alva de 13 de agosto, sob o comando de wenceslau de moraes, larga um escaler a remos, armado em guerra, com o go-vernador e o comandante do navio, aguardados por 20 soldados árabes das tropas irregulares do sultão e um grupo de indígenas (20). moraes desembarca ás costas dum nativo e, talvez, «o à-vontade, o destemor e o semblante simpático do nosso jovem segundo-tenente» tenha concorrido para o relativo êxito da missão. todos, excepto o «sultão de moçambique» e o comandante, podem ir a terra (21). perante tal, regressam a moçambique. no fim desse ano, à informação anterior, é acrescentado: «muito digno a todos os respeitos e altamente disciplinador.» a 27 de março, depois de transportar o destacamento de caça-dores nº 4 para lourenço marques, segue a 28 de maio para zanzibar onde o comandante, na qualidade de ministro plenipotenciário de s. m. el-rei, procederá à ratificação mútua dos tratados de 1879. a cerimónia, em 18 de junho, decorreu com grande pompa e sal-vas de 21 tiros da corveta e dum navio do sultão. porém, a 27, será mandado regressar ao reino pela junta de saúde da província. após um mês de viagem a bordo do paquete «assíria» passa no lazareto de lisboa (22) a 19 de agosto e entra de licença. as antigas paixões mantém-se. uma platónica, a outra … nada. obtidos mais 60 dias de licença, inicia a sua colaboração com os anais do clube militar naval e a 23 de janeiro de 1884 assume funções de vogal dos conselhos de guerra. após o registo do porto de lisboa embarca, a 23 de junho, na «rio ave» que viera ao tejo para retomar a fiscalização aduaneira do algarve (23). no início de dezembro an-tes de destacar confirma-se, que «…é hábil comandante de quarto… dedicado ao ser-viço e como tal muito útil». a 23 de março de 1885, com o futuro comandante da «rio lima», de que vai ser ofi-cial imediato, segue, em vapo-res da «royal mail» (24), até moçambique onde aguardam a canhoneira. a 6 de julho ambos assu-mem funções e a 15, seguem para a estação naval de ma-cau, via timor, transportando a zanzibar o cônsul de portugal que, no dia 20, foi ao palácio do sultão apresentar credenci-ais na companhia do coman-dante, do futuro governador do distrito de timor e, a reforçar o prestígio da função, de todos os oficiais. depois de colombo, singapura, batávia e macassar, a 26 setembro surdem em dili. ainda não será desta feita que macau o fascinará. a junta local impõe-lhe 60 dias para recuperar a saúde em… lisboa. a viagem durará de 21 de outubro a 13 de janeiro de 1886 ! terminada a licença que a jsn (25) confirmara, é, a 30 de abril, na fragata «d. fernando», promovido a primeiro-tenente e seis dias depois regressa à corveta couraçada «vasco da gama». na capital do reino terá continuado o «homem bom, generoso, reser-vado, prudente, incapaz de resistir aos encantos das mulheres» (26). mas o seu romance com a professora, que se mudara, terá visto o corveta “duque de palmela”. o 2º tenente wenceslau de moraes.</Page><Page Number="93">evista da armada • março 99 19 fim. ele assume «o seu temperamento neuropata e com a vida que tem levado…» e ela regista: «mon enfant era um pobre moço doente, fraco, distraído, sonhador … um louco, enfim!». em setembro larga para a divisão naval da áfrica oriental e mar das índias a bordo da canhoneira «douro». com escalas em gibraltar, malta, port said, aden, seichelles chega a moçambique a 14 de novembro. depois de uma ida a quelimane é, no fim do ano, avaliado «…pela sua muita aptidão, verdadeiro conhecimento das coisas do mar, ilustração e por ser um perfeito cavalheiro.» em janeiro segue, via ibo e tungue, a reforçar em zanzibar as forças navais do, agora, governador augusto de castilho que negociava com o sultão a fronteira norte de moçambique. de regresso ao tunge, pronta a impedir qualquer desem-barque de forças do sultanato, recebe o apoio da corveta «afonso de albuquerque» e, a 16 de fevereiro, aprisionam o vapor zanzibarista «kilwa» e, após cerrado bombardea-mento, a 23 desembarcam forças de marinha e do exército que ocu-pam meningane que, até 27, reage. como a construção do forte de palma tivesse sido ameaçada a 26 de março, nova força militar desembarca em três escaleres sob o comando de wenceslau de morais. a 24 de abril regressam a moçambique com o problema de tungue resolvido, mas a 3 de maio, pela terceira vez, a saude ressente-se. em lisboa, a rotina e o mais, como sempre. de novo no «áfrica» vai a luanda depois de escalar s.vicente, santiago, s. tomé, cabinda e banana (27). depois duma movimen-tação de tropas entre moçâmedes e cabinda, retorna ao reino onde entrou em 16 de dezembro para logo sair com tropas para a madeira. a bordo do «índia» segue por s. vicente, santa helena, cabo, lourenço marques e moçambique rumo a colombo e singapura até que em 7 de julho de 1888 entra no delta do rio das pérolas. finalmente o oriente! macau toca a sua sensibilidade de artista. no dia seguinte assume funções de imediato na «rio lima» que vai receber fabricos em hong-kong e que, de caminho, transporta o governador cessante e família. será neste ano que «toma» atchan, uma muito jovem chinesa de pai inglês. as informações desse ano dão-no por «assíduo e incansável no serviço … bastante inteligente, zeloso, e modelo de boas qualidades, civis e militares». em janeiro vai, por singapura, a timor levar os 19 pronunciados no assassinato do governador que transportara e regressa, com 18 conde-nados, via macassar e manila. envia uma importância à sua dilecta irmã mais nova e a corres-pondência com os entes queridos, como sempre, mantem-se viva. após limpeza de fundo, em maio, ficam ainda em hong-kong para o aniversário da rainha vitória. volta a este porto um mês depois para aprontar para a ida aos por-tos do norte da china e japão. em foo-chow e em xangai são rece-bidos por colonos macaenses. metida água em tien-tsin e carvão em chefoo larga para nagasaqui, na ilha de kiu-siu, onde tudo o deslum-bra: «estou n’um paiz delicioso, o japão. era aqui, em nagazaqui, que eu desejaria passar o resto da minha vida ...» escreveu na primeira carta para aquela irmã. depois de kobe, yokoama, donde visita tóquio. o regresso a macau segue o itinerário inverso. em hong-kong agradecem os pêsames pelo falecimento de d. luís e vão a cantão. no fim desse ano, ao destacar para a «tejo» como imediato do novo chefe da estação naval, averba; «desempenha com distinção os seus diversos encargos». em março de 1890 assume o comando interino da «tejo» com a missão de ir a bangkok saber da «colónia portuguesa». vencidas as incertezas da cartografia, fundeia diante do consulado (28), indaga dos 50 portugueses e dos 120 chins nossos protegidos, é recebido, na ausência do rei, por um seu irmão e faz um sagaz ba-lanço sócio-económico do sião. confirmado o marinheiro, revela-se o diplomata. o comandante geral da armada (29) lerá: «se me é lícito exprimir opinião pessoal acerca do valor daquelle documento, direi a v. exª que o acho excelentemente redigido, muito interessante e correspon-dendo integralmente às instruções recebidas pelo comandante da tejo» que «…é muito morigenado, de trato muito agradável, de apre-sentação distinta. merece-me … o melhor conceito. reputo-o apto para a promoção ao posto imediato». o novo governador ao deixar o comando da «tejo» a wenceslau de moraes, novamente interino, num confidencial refere «… a dedi-cada coadjuvação de … tão brioso oficial» e o chefe da estação tam-bém não lhe regateia encómios antes de o dar por «…óptimo oficial». por 60 dias é comandante interino da estação, nesse início de 1891. um louvor do governador assinala a «eficaz cooperação». terminada a comissão nos mares da china, a «tejo», sob o comando de moraes, larga a 11 de abril. o meticuloso plano da viagem considerou «a canhoneira, navio velho e cansado e de caldeiras em mau estado, (que indeferidas justas requisições de pessoal e material), seguia viagem com guarnição reduzidíssima.» e … trinta passageiros. e tudo o mais que era de temer! a cartografia, a meteorologia e a complexa logística decorrente das necessidades de frescos, água e carvão. no mar, procurou ventos favoráveis para andar folgado de carvão, entrou em portos criteriosamente escolhidos, dividiu as tiradas maiores, privou-se de pilotos malaios onde podia para poder recorrer a fogueiros egípcios onde devia, enfrentou com segurança as muitas avarias, resolveu sem hesitação as inúmeras contrariedades, não se poupou a si e nem por isso se coíbiu de dar adequado descanço a uma guarnição de quem muito tinha de exigir. em terra, visitou e recebeu os nossos representantes, as autoridades locais e os comandos dos navios de guerra surtos. onde os interesses portugueses pudessem receber o seu concurso, aí estava; em singapura participa, com toda a guarnição, na celebração dominical da missão portuguesa, em mahé, assinala o interesse em novos oficiais da corveta “mindelo” na ilha de malta, a caminho de monçambique, cerca de junho de 1881. moraes é o primeiro de pé à esquerda. corveta “mindelo”.</Page><Page Number="94">olonos portugueses (30) e informa-se da situação da mão de obra moçambicana nas seicheles, em alexandria acompanha o khediva (31) na evolução do incêndio que lavrava no seu palácio cairota e em argel discretamente cativa os favores da imprensa francesa. mas também o árduo negociar de orçamentos e prazos das reparações, das inadiáveis às inesperadas e até das previsíveis, o metódico registar de novos dados dos portos ou de informações de índole geral, o analítico confrontar de sugestões avulsas com recomen-dações de roteiros por vezes contraditórios, o sábio recusar de ofertas inopinadas ou o ponderado aceitar de alvitres de experiência feitos, completando no marinheiro, no militar e no diplomata, a imagem do gestor a quem não escapa nem o comportamento do navio nem o pul-sar das guarnições, pondo a par da frontalidade de propor para cima a humildade de ouvir de baixo, como todo o comando aconselha para, com autoridade, decidir e, sem tibiezas, exigir. nesta viagem wenceslau de moraes confrontou-se com todos os aspectos da formação que um cadete da armada deve receber e que é muito mais do que a de um mero militar. confirmou-o «como exce-lente oficial de mar, fino diplomata nos portos e bom condutor de homens a bordo.». foi no entanto o «fim da sua carreira de mar.». lisboa e o saltitar de navio em navio até que, capitão-tenente desde 29 outubro, é nomeado imediato do capitão de porto de macau onde toma posse a 22 de dezembro de 1891 e assume funções de delegado do superin-tendente da importação e exportação do ópio. no ano seguinte, facto pouco conhecido (32), é nomeado professor da escola de pilotagem. em 1893, docente do seminário de são josé, volta ao japão onde vai comprar artilharia (33) para macau. é louvado «pela inteligência … zelo … cabal cumprimento da comissão …», é promovi-do a capitão-de-fragata e, em 1894, nomeado pro-fessor de matemática elementar no liceu onde conhece camilo pessanha, o amigo dos «baldões da vida boémia». no ano seguinte publica o seu primeiro livro. em «traços do extremo oriente» assume-se o homem de letras. mas a sua vida pri-vada complica-se. depois de maria isabel, lamentar-se-á que entre « … choros, zangas e ameaças de suicídio (seja atchan, que lhe dá dois filhos), que me ia tornando a existência insuportável.». depois de «arrussi, uma formosa negra» que recordará, talvez já sonhasse com a subtil delicadeza duma … japonesa! mesmo assim é, em meados de 1897, integrado na comitiva do governador de macau que em kioto é recebida pelo imperador a tempo de no regresso ainda participar no júri de exames do liceu de que era docente de matemática desde 1894. e a ruptura? com a distante ironia com que recorda os seus desaires amorosos, numa carta conta:« era capitão-de-fragata e imediato da capitania, tendo por chefe um capitão-de-mar-e-guerra. exonerado do cargo o meu chefe, e substituiram-no por um capitão-tenente. não acha graça? nunca mais pus os pés na capitania, obtendo então, a custo, o lugar de cônsul no japão». em 1898, não foi o primeiro, nem, infelizmente, será o último de quem se poderá dizer que «a marinha não gosta de gostar (34)». talvez para bem dele e certamente para bem das … pátrias que hon-rou … em 1913, a 10 de junho, pede a demissão de oficial e de diplomata e chega a admitir o abandono da nacionalidade. 20 março 99 • revista da armada os japoneses conhecem-no dos manuais escolares e contemplam- -no nos monumentos de kobe e de tokushima. entre nós, um século depois, o testamento d’ «o amoroso e aven-tureiro (35)» «portugaru-san (36)» permanece uma reconciliação … unilateral. até quando? dr. rui manuel ramalho ortigão neves 1ten ref bibliografia: 1 - esparteiro, comandante antónio marques, «wenceslau de morais, oficial de marinha», separata da revista «ocidente», volume lxxvii, lisboa, 1969. 2 - tadeu, cap.-frag. emq viriato, «wenceslau de morais», revista da armada, nº 137,138 e 139, fevereiro, março e abril 1983. 3 - pires, daniel, «wenceslau de morais, fotobiografia», lisboa, fundação oriente, 1993, 198. 4 - costa, cmg francisco félix de lima duarte, «apontamentos sobre a escola de pilotagem de 1862, de macau - na evocação dos 130 anos da sua criação e dos 100 anos da nomeação de wenceslau de morais para seu professor», macau, escola de pilotagem, 1992, 5 - antónio, calmmn félix, «wenceslau de morais - evocação do marinheiro no 450º aniversário da chegada dos portugueses ao japão», revista da armada, nº 258, setembro/outubro, 1993. 6 - rodrigues, antónio simões, e outros, «história de portugal em datas», lisboa, círculo de leitores, 1994, 480. notas: 1) “moraes, o velho senhor”, no monumento em kobe. 2) “bárbaro vindo do sul”, a designação dada aos portugueses no séc. xvi e cuja presença marca um periodo determinante na história e cultura do japão 3) “o japonês morais”, título dum livro da prof.ª tomiza hanano, primeira tradutora da sua obra, já toda editada no japão. 4) por inesperado falecimento do seu realizador. 5) por força das guerras napoleónicas e, sobretudo, devido à independência do brasil, onde permaneceu o grosso da esquadra. 6) 1826 a 1834 7) face a outras fontes preferimos, em todo o artigo, a versão de marques esparteiro. 8) será elevada a capital em 1898. 9) onde então estava a capital da província de moçambique. a designação colónia vigora de 1911 a 1951. 10) de iniciativa nossa. 11) destinadas a minar a credibilidade da nossa capacidade para suster o tráfico da escravatura, a humanitária bandeira que, só depois da independência dos estados unidos, os ingleses assumem. 12) convirá, no entanto, notar que hoje as regras são muito mais … elásticas. 13) nossos aliados, mas tratando dos seus interesses. 14) pereira, ângelo e césar, oldemiro, «os amores de wenceslau de morais», lisboa (?), 1937. 15)na rua do torel 4, 2º onde existe uma lápide evocativa. 16) aos condutores de máquinas de hoje e aos fogueiros de há anos é difícil imaginar a penosíssma tarefa dos «chegadores» de carvão e dos «fogueiros» de então, sem esquecer o pó negro que se entranhava em tudo e também nos … pulmões, o que terá contribuído para a aversão naval a este avanço tecnológico. 17) nos próximos louvores transcreveremos, sucintamente, apenas aspectos complementares. 18) muito antes da legião estrangeira. 19) o que mostra a lentidão da acção dados os meios de comunicação e certamente a quase inexistência de meios navais. 20) uma concepção romântica de operação de desembarque que mais pede um trágico desfecho. 21) ver anais do clube militar naval, 1833. 22) para exame sanitário e eventual «quarentena». nos anos quarenta ainda se temia esta prática. 23) este serviço foi durante largo tempo pago à armada pelo ministério da economia. 24) como hoje, a nossa marinha de comércio estava em grande crise 25) junta de saude naval 26) janeira, armando martins, «wenceslau de moraes», antologias universais, editora portugália, lisboa, 1971. 27) em 1946 o paquete «joão belo» foi a banana embarcar o governador francês do congo. 28) é dos edifícios mais antigos da nova capital siamesa e a primeira embaixada a ser instalada na cidade, em terrenos junto à margem do rio, cedidos pelo próprio rei tai que ordenou a transferência da capital de aihutia para a nova cidade. 29) o cema de então. 30) onde existiam 50 portugueses, desde açorianos, madeirenses, cabo verdianos, macaenses e macaístas, além dos moçambicanos. 31) título do soberano egípcio de então. 32) divulgado no centenário da sua nomeação pelo então director daquela escola, cmg francisco f. l. duarte costa. 33) dez canhões de 75mm. 34) um lema, atribuído a sacadura cabral, que certamente não figura em nenhum tratado de gestão de pessoal em parte alguma do mundo e muito menos no … japão. 35) segundo o seu melhor biógrafo, o embaixador virgílio armando martins janeira. ver também «wenceslau de morais - rebelde», na sessão de 18 de junho de 1979 da academia de marinha de que é membro efectivo. 36) senhor portugal, como era conhecido pelos seus vizinhos. agradecimentos: cmg francisco f. l. duarte costa wenceslau de moraes e camilo pessanha.</Page><Page Number="95">evista da armada • março 99 21 que modelo de estrutura escolar para os próximos anos? n o seguimento da jornada formativa promovida pela dsf, realizada em 10 de setembro de 1998 no g2ea (1) para apresentação do prsfm junto das entidades que com ele ficarão directa e indirectamente envolvidas, concluiu-se da imprescindibilidade de preparar uma in-formação, que venha a sustentar uma decisão superior, sobre um modelo de estrutura escolar, capaz de responder, por um lado, à urgência colocada pelos projectos com que o prsfm interage, nomeadamente o do reordenamento do parque escolar e das lotações da marinha, bem como na orientação geral que deverá ser dada ao grupo de trabalho relativo ao sub-projecto dos estabelecimentos de ensino (gt-a3). os objectivos do sub-projecto a3 em questão, respeitam à elaboração dos seguintes projectos de diplomas legais: • criação das escolas técnico-profissionais e respectivo estatuto comum a todas elas, que consagre, sob a forma de diploma legal, no plano interno e essencialmente externo, a formação técnico-profissional na marinha, e estabeleça a sua missão , propósi-tos, princípios e características fundamentais. • regulamentação específica para cada escola / centro de formação, que poderão constituir-se em anexo ao estatuto, que as caracterize e distinga entre si nos seus aspectos estruturais, proces-suais, natureza, âmbito de actuação, etc. • acreditação das escolas / centros de formação junto do sfm e ou mdn, que especifique os critérios e condições a observar para efeito de posterior reconhecimento e validação da formação. se a elaboração dos diplomas acima referidos são documentos de certa forma “pacíficos”, o mesmo não poderá dizer-se dos diferentes regulamentos respeitantes à estrutura escolar. é que trata-se de imple-mentar um conceito que privilegie a aprendizagem e todas as formas disponíveis para as pessoas o fazerem, significando que pode não pas-sar pela necessidade de uma infraestrutura ou edifício (vulgo escola ou centro) mas antes de um acesso ao saber ou conhecimento, de forma estruturada e organizada, nas diversas modalidades possíveis: presen-cial, auto-formação, ensino a distância ou aberto, ensino assistido por computador, simulação, rede local, intranet, internet e outras. embora se trate de uma decisão a implementar, de uma forma gradual, tendo em conta as diferenças acentuadas relativamente ao modelo escolar que vem sendo seguido pela marinha nos últimos vinte anos é impres-cindível que se decida qual o modelo de edifício da formação que irá sustentar e balizar as metas do sfm do próximo século. todos terão certamente opinião sobre as escolas ou centros que deveriam existir. porventura até haverá quem defenda a existência de apenas uma escola técnico-profissional na marinha. mas é pre-ciso preparar a decisão e a mudança. entre outras, deverão ser equa-cionadas as seguintes questões: • as escolas / centros devem privilegiar a correspondência com as classes e carreiras de pessoal? • as escolas / centros devem privilegiar a estrutura organizacional e funcional dos departamentos e serviços da marinha? • as escolas / centros devem concordar estruturalmente com as áreas funcionais consagradas na lomar, privilegiando o modelo e cultura organizacional que nos caracteriza? partindo destes pressupostos, que critérios devem sustentar uma solução de parque escolar e respectiva estrutura orgânica? entre outros, podem-se adiantar os seguintes: • a integração de escolas e currículos na perspectiva de polivalên-cia, flexibilidade e racionalização de recursos. • a capacidade de resposta às necessidades globais da marinha. • a satisfação dos padrões navais, funcionais e ocupacionais como base da formação e da diferenciação entre classes. • a capacidade da escola em se manter adaptada à evolução orga-nizacional, técnica e operacional da marinha. • a proximidade das designações e organização escolar com a natureza das qualificações e certificações que poderão providenciar. • quantitativo mínimo de formandos que justifiquem uma escola. • a adequabilidade das escolas ao modelo de formação proposto no prsfm (cursos de carreira/complemento, modularização, níveis de formação, etc). • a facilidade de gestão e administração escolar. • a redução de efectivos e custos sem prejuízo da eficácia da for-mação. pode o leitor agora imaginar o desafio que enfrenta o sfm no deal-bar deste século. mas é também uma oportunidade para se inovar e potenciar o futuro. que escolas e centros de formação nascerão desta restruturação? uma resposta que esperamos possa ser encon-trada e anunciada aos leitores desta revista, para muito breve, mobi-lizando a corporação para a aprendizagem e o saber que sempre foram tradição e apanágio das gentes do mar. (colaboração da dsf) 1) ver revista de novembro de 1998. que modelo de estrutura escolar para os próximos anos? (estrutura escolar e orgânica do sfm) 1º c.t.a. secretariado 98 (projecto ami) de 20 a 23/10/98. exercicío de combate a incêndios na escola de limitação de avarias.</Page><Page Number="96">ctividades no ano em que comemorou o seu 1º centenário 22 março 99 • revista da armada movimento de visitantes d urante o ano de 1998 o aquário vasco da gama registou a entra-da de 143 935 visitantes, assim distribuídos: sibilidade de alimentar os peixes. a fim de evitar a degradação da qualidade da água, foi instalado no cir-cuito um filtro de piscina (540 kg de areia), bem como uma canalização que per-mite a distribuição da água filtrada pelos filtros biológi-cos e pelos repuxos. continuamos a registar as ocorrências de repro-duções de peixes da cos-ta portuguesa, pela sua relativa raridade em ca-tiveiro, destacando as seguintes: • posturas sucessivas de castanhetas chromis limbatus e várias posturas de ca-valos marinhos hippocampus ramulosus. • reproduziram-se, pela primeira vez, nas salas de reprodução de peixes tropicais de água doce, kilis da espécie amphiosemion gardeneri. • em dezembro observou-se pela primeira vez a postura de uma espécie de caboz (gobius cruentatus). durante o ano deu-se continuidade ao apoio a um projecto de investigação sobre a biologia da reprodução e comportamento de uma espécie da costa portuguesa (mara-chomba - lipophrys pholis), desenvolvido por investigadores do instituto superior de psicologia aplicada (i.s.p.a.), que utiliza um grupo de peixes desta espécie que se encontram em exposição. deu-se também início a um estudo idêntico com um casal de cabozes da espécie gobius cruentatus que se encontra em exposição. neste último caso as posturas e o seu desenvolvimento foram observados pela primeira vez, não existindo dados sobre a sua reprodução, quer em cativeiro, quer no mar. museologia na sequência da cooperação estabelecida com o museu nacional de história natural de angola, o departamento de museologia recebeu dois grupos de funcionários daque-la instituição, os quais efectuaram um está-gio em preparação e montagem de animais para exposição. o estágio foi orientado pelo técnico especializado naqueles trabalhos museológicos, mário ferreira, e supervisio-nado pela bióloga responsável do museu. o primeiro grupo incluindo a dra. francisca adelaide da costa, bióloga e ma-ria eugénia luís, técnica média de pescas, estagiou entre 16 de fevereiro a 16 de maio, enquanto o 2º grupo de estagiários, consti-tuído pela bióloga dra. ana maria marques e pelo técnico assistente manuel barroso, permaneceu no a.v.g. durante o período que decorreu de 1 de julho a 2 de outubro. para instrução e treino, foram montados diversos exemplares segundo o método de taxidermia e de dermoplástica, destacando-se neste caso a execução de uma réplica em fibra de vidro e resinas de poliester de um cachalote-pigmeu-kogia breviseps, com 194 cm de comprimento, do qual foi ainda obti-do o respectivo esqueleto completo. durante as filmagens efectuadas no a.v.g. em fevereiro, por uma equipa do programa "bombordo" da radio televisão portuguesa , efectuou-se uma réplica de uma enchova - pomatomus saltator em fibra de vidro e resina de poliester. este trabalho actividades no ano em que comemorou o seu 1º centenário aquário vasco da gama entradas pagas .................................... 47 229 entradas grátis ................................... 20 292 escolas ....................................................... 76 414 total ................................. 143 935 relativamente ao ano anterior, regista-se um decréscimo de 23,3%, correspondente a 42 808 visitantes. a variação relativa de cada um dos grupos, relativamente ao ano anterior, encontra-se expressa no gráfico abaixo apresentado: 200000 pagos grátis 1997 escolas total 180000 160000 140000 120000 100000 80000 60000 40000 20000 0 1998 verifica-se assim que os grupos escolares sofreram uma quebra ligeira, contraria-mente às visitas pagas e grátis, as quais re-gistaram uma decréscimo acentuado. aquariologia durante o ano de 1998 procedeu-se a um conjunto de obras de beneficiação de aquá-rios e sistemas de filtragem, com o objectivo de melhorar cada vez mais a qualidade da água e renovar os aquários de exposição. destacamos as obras de remodelação do tanque localizado na sala das otárias, o qual já havia sofrido anteriormente obras de reconstrução que incluíram a inclusão de um filtro de piscina (540 kg de areia). assim, o tanque foi coberto por um telhado, deixando no entanto aberturas para a entra-da de luz natural; por outro lado, as pare-des interiores e exteriores foram pintadas e foi instalada uma escada de acesso. no final o tanque foi povoado com tartarugas mari-nhas que aguardam a libertação no mar. salientamos ainda as obras de beneficia-ção do tanque do jardim onde se encontram as carpas, muito apreciadas pelos visitantes em particular das crianças que aí têm a pos-cavalo marinho recém nascido.</Page><Page Number="97">evista da armada • março 99 23 ilustrou o método da dermoplástica e foi inteiramente filmado para o referido pro-grama. o magnífico exemplar de enchova, com 81 cm de comprimento total viveu dez anos no aquário de exposição, tendo morri-do em 12 de dezembro de 1996. no âmbito do apoio às escolas, preparou-se o material para empréstimo à escola se-cundária de mafra, nomeadamente 16 espé-cimens naturalizados e conservados em lí-quido de crustáceos, peixes e aves mari-nhas. os exemplares integraram uma expo-sição sobre fauna marinha das nossas cos-tas, que aquela escola realizou de 30 de março a 5 de abril. organizou-se ainda uma colecção de 23 exemplares de inverte-brados marinhos e peixes, conservados em meio líquido, que foi cedida à escola secundária de benavente. detecção de mamíferos marinhos e de tartarugas as capitanias e as delegações marítimas de todo o país, enviaram-nos as partici-pações de ocorrências e as fichas biométri-cas, preenchidas pelos agentes da polícia marítima, referentes aos cetáceos que vão sendo detectados, nas nossas costas. em muitos casos, e por falta de meios, não é feito o registo fotográfico dos exemplares encontrados, pelo que não nos é possível determinar as respectivas espécies. por ou-tro lado, algumas vezes, o adiantado estado de decomposição dos cadáveres dos ani-mais, embora dispondo de fotografias, não nos permitem uma determinação fiável das respectivas espécies, pelo que se tem optado pela designação da família, um grupo taxo-nómico mais amplo. assim , durante o ano registaram-se 87 ocorrências de cetáceos ao longo da costa continental portuguesa, na sua maioria pertencentes à família del-phinidae, vulgarmente conhecidos por delfinídeos. no entanto, foi possível deter-minar oito espécies de cetáceos: • 33 golfinhos-comuns - delphinus delphis • 5 botos - phocoena phocoena • 3 roazes-corvineiros - tursiops truncatus • 3 golfinhos-riscados - stenella coeruleoalba • 2 baleias-piloto - globicephala melaena • 1 baleia-anã - balaenoptera acutorostrata • 1 cachalote - pigmeu-kogia breviceps • 1 cachalote - physeter macrocephalus registaram-se ainda 37 cetáceos de espé-cie indeterminada, que a análise das suas fi-chas biométricas permitiu incluir na família delphinidae. no que respeita a tartarugas marinhas, foram assinalados nove arrojamentos destes animais nas nossas praias, sendo oito ocor-rências de tartarugas-bobo - caretta caretta, verificaram-se na zona sul, na área de juris-dição das capitanias dos portos de tavira e de vila real de stº antónio. apenas se re-gistou a presença de uma tartaruga-couro - dermochelys coriacea, com 163 cm de compri-mento, em estado avançado de decom-posição, em vila nova de mil fontes, no dia 31 de agosto. actividades culturais ao completar 100 anos de existência no passado dia 20 de maio, o aquário vasco da gama assume um carácter histórico e científico relevante na sociedade portugue-sa, fazendo já parte do imaginário de muitas gerações que por aqui passaram ao longo do tempo. para assinalar esta efeméride foi programado um conjunto diversificado de iniciativas, de que se destacam as seguintes: • uma pequena mostra, chamando a aten-ção para o 1ºcentenário da a.v.g., esteve patente ao público visitante da nauticampo, que decorreu na fil, de 28 de fevereiro a 8 de março, bem como no palácio da alfânde-desenho inspirado em motivos marinhos, a qual se encontra à venda no aquário. • foram apresentados ao público seis quiosques multimédia que permitem a con-sulta interactiva, por parte dos visitantes, de informação no âmbito da biologia aquáti-ca. este projecto foi patrocinado pelo pro-grama ciência viva, do ministério da ciên-cia e da tecnologia. • a exposição comemorativa dos 100 anos do a.v.g., foi posteriormente reorganizada para exibição nos seguintes locais: • instalações da peugeot portugal, em alfragide, de 9 de julho a 7 de setembro. • hospital do barreiro, onde permaneceu no átrio principal, de 4 a 26 de novembro.  em colaboração com três artistas que integram o grupo de bicesse ( atelier atitude), foi organizada uma mostra de trabalhos de pintura e artes plásticas, com motivos de animais marinhos. esta exposi-ção intitulada "omar", integrou-se no espa-ço museológico e na sala das otárias, tendo decorrido de 16 de julho a 20 de agosto. durante o mês de setembro ficou con-cluída a reedição do livro "aquário vasco da gama", uma edição revista e actualizada relativamente às edições ante-riores. realizada com a colaboração dos diferentes serviços técnicos da instituição, esta nova versão tem por objectivo divulgar a história, exposição e actividades associa-das desenvolvidas. respondendo a um convite da unidade ciência viva, do ministério ciência e tec-nologia, o a.v.g. participou na celebração da semana da ciência e da tecnologia, que decorreu entre 23 a 28 de novembro, com o objectivo de divulgar ao grande público tra-balhos de investigação que decorrem nas instituições científicas. para o efeito, foi or-ganizada uma pequena exposição, patente ao público na sala das otárias, onde se mostram algumas actividades de natureza científica desenvolvidas nesta instituição e, em parte, desconhecidas dos visitantes, tal como o estudo dos mamíferos marinhos, a preparação museológica de exemplares, o estudo da reprodução de espécies ou a pro-dução de plâncton. no átrio do museu, foi ainda montada uma pequena exposição sobre a história e evolução do a.v.g., ao longo dos 100 anos de existência. no dia 4 de dezembro, na presença do almirante cema e elevado número de convidados, foi apresentado ao público o livro, da autoria de carlos caseiro, "a casa grande do mar", edição comemorativa do 1º centenário do a.v.g., encerrando assim as comemorações da efeméride que decor-reram ao longo do ano. esta obra pretende não só realçar os acontecimentos mais im-portantes dos 100 anos de história da insti-tuição, como também por em destaque cu-riosidades de natureza cultural e social rele-vantes neste período. (colaboração do aquário vasco da gama) cachalote anão preparado para início dos trabalhos museológicos. ga, no porto, de 17 a 24 de maio, integrada na exposição de actividades da marinha por ocasião da celebração do dia damarinha. • em colaboração com a câmara municipal de oeiras foram organizadas três exposições comemorativas:- no aquário sobre a histó-ria e evolução da instituição ao longo dos 100 anos. • no tagus park, sobre as actividades com-plementares à exposição desenvolvidas no aquário vasco da gama. • na galeria verney, homenagem a d. vasco da gama e d.carlos de bragança. • a câmara municipal de oeiras editou uma serigrafia comemorativa dos "100 anos do aquário vasco da gama", da autoria da pintora manuela jardim, disponível para venda nesta instituição. • a santa casa da misericórdia de lisboa realizou uma "lotaria comemorativa do 100º aniversário do aquário vasco da ga-ma", no passado dia 25 de maio. • os ctt editaram dois selos comemora-tivos, com base em duas fotografias de paulo de oliveira. • foi lançada uma medalha comemorativa do 1º centenário desta instituição, com</Page><Page Number="98">4 março 99 • revista da armada um outro navio, o t-agos 5 “assurance”, gémeo do nrp “d. carlos i”, para a ma-rinha portuguesa. à semelhança do nrp “d. carlos i”, também este novo navio tem de ser equipado e carece de alterações estrutu-rais, incluindo a colocação de transdutores, o que implica igualmente trabalho de es-taleiro em doca seca. para minimizar as dificuldades or-çamentais foi superiormente proposto que os trabalhos de adaptação e a aquisição e ins-talação de equipamento cien-tífico mais importante fossem efectuados nos estados uni-dos, em simultâneo com os trabalhos de reactivação. esta solução permitirá que, quan-do chegar a portugal o navio disponha já de capacidade operacional nas áreas da hi-drografia, fundamental para dar início ao projecto de estu-do da plataforma continental, projecto de reconhecido inte-resse nacional. nrp “d. carlos i” o nrp “d. carlos i” encon-tra-se em doca seca no arsenal do alfeite a sofrer obras de adaptação de navio de vigilância oceânica para navio hidrográfico. os traba-lhos em estaleiro constam principalmente das alterações estruturais de adaptação a navio hidrográfico e oceano-gráfico. estas obras foram suportadas pelo financiamen-to do piddac. no entanto, existe ainda uma outra verba que estava prevista, e que ainda não foi disponibilizada, mas que se espera o venha a ser a curto prazo. esta encon-tra-se no âmbito do programa praxis xxi para a aquisição e instalação do equipamento técnico e científico necessário. sabe-se desde já que o navio será ainda equipado com embarcação de sondagem, e com gruas que permitam a utilização de embarcações já disponíveis, de modo a tornar possível efectuar levantamen-tos hidrográficos portuários em zonas distantes permitin-do desenvolver a cooperação com os países africanos, e para esse efeito já existe finan-ciamento, as especificações respectivas e espera-se que venha ser adquirido no ano de 1999. em conclusão, quando o nrp “d. carlos i” estiver operacional significa que a sua capacidade se limita à execução de levantamentos com sondador monofeixe, levan-tamentos com sonar lateral e levantamentos hidrográficos portuários com recurso a em-barcação de sondagem, por-tanto incapaz de executar qualquer tarefa na área da ocea-nografia. quando for altura da insta-lação do equipamento científi-co, o navio terá de voltar ao estaleiro, paralisando a sua actividade durante mais al-gum tempo. apesar desta realidade, foi já aprovada pelo congresso americano a transferência de a exploração das ilhas desertas o n.r.p. “d. carlos i” no arsenal do alfeite. aspecto da ilha deserta grande. desembarque de pessoal na ilha deserta grande. no decurso da missão que o nrp “auriga” efectuou no ar-quipélago da madeira, nos meses de abril a julho de 1997, estava embarcada uma equipa da brigada hidrográfica nº 2 constituída por dois oficiais, um sargento e duas praças, e que tinha como objectivo, entre outros, efectuar o levantamento hidrográfico costeiro das ilhas desertas. as ilhas desertas, conjunta-mente com as ilhas selvagens, a ilha do porto santo e a ilha da madeira, constituem o arquipé-lago da madeira. o grupo das ilhas desertas é constituído pelo ilhéu chão, deserta grande e bugio, os quais pela sua forma alongada e quase na mesma di-recção, de nnw para sse, apresentam aspectos muito di-ferentes conforme o azimute por que são observados. as ilhas de origem vulcânica, apre-sentam na sua constituição cin-zas de cor avermelhada e ala-ranjada, sendo todas elas áridas e dasabitadas. dada a sua especificidade re-lativamente à fauna e flora lo-cais, o governo regional da madeira através do decreto le-gislativo regional nº 14/90/m definiu uma área de protecção especial das ilhas desertas, entre a linha de costa e a bati-métrica dos 100 m. para efeitos de protecção, acompanhamento e salvaguarda das espécies ani-mais e vegetais, com particular interesse para a colónia de lo-bos-marinhos que habitam as ilhas desertas, as ilhas dispõem de equipas de vigias que per-manecem na ilha deserta gran-de por períodos médios de quinze dias. durante a realização do levantamento hidrográfico cos-teiro das ilhas desertas, à escala 1:25 000 e à escala 1:50 000, e dada a utilização do gps dif – vhf (sistema de posicionamen-to global em modo diferencial com transmissão de correcções emvhf) como método de radio-localização utilizado, houve por vezes necessidade de ocupar novas estações-terra do gps dif-vhf. após utilização dos locais indicados para a instalação da referida estação na ilha da madeira e no sentido de con-cluir o levantamento hidrográfi-co, optou-se por efectuar o reconhecimento da ilha deserta grande no sentido de avaliar o estado dos marcos geodésicos aí construídos e eventual uti-lização para o apoio de posi-cionamento ao nrp “auriga”. instituto hidrográfico</Page><Page Number="99">empo podemos dizer que o objectivo foi atingido. nos últimos tempos as in-tranets têm vindo a afirmar-se como um instrumento impor-tante nos processos de “reen-genharia” das empresas e das organizações e daí a sua pre-sente popularidade. as intranets ao abrirem as fa-cilidades de comunicação e de acesso à informação, revelam um enorme potencial para a mudança necessária para colo-car as organizações, neste caso a revista da armada, no futuro. revista da armada “on line” para todos aqueles que, a nível interno, gostem ou preci-sem por motivos profissionais de navegar na internet, com certeza que a curiosidade já passou também pela intranet da marinha, e os mais atentos já devem ter reparado que a re-vista da armada passou a estar disponível “on line”. assim, todos os leitores que queiram consultar a nossa re-vista sem ser no papel, já o po-dem fazer. basta terem acesso à página da intranet da marinha e con-sultarem a nossa revista que se encontra disponível apenas no mês da sua publicação. no seguimento da-quilo que tem sido feito na nossa revista, a nível da infor-matização, mais um passo foi dado. tal como foi referido pelo director da re-vista no seu edi-torial (ra nº 315) um dos objectivos a atin-gir seria de colocar a ra “on line”, e num período curto de cessárias buscas, tendo sido localizada a embarcação já encalhada na praia da com-porta. todos os tripulantes se encontraram a salvo, não tendo carecido de assistência hospitalar. pelas 1600 horas do dia 16 de janeiro de 1999 foi en-dereçado ao mrcc lisboa, via capitania do porto de setúbal, um pedido de so-corro da embarcação de re-creio “nikuc” registada no porto de sesimbra, que se encontrava fundeada em s i tuação de per igo, numa posição a cerca de 2 milhas a oeste da praia da comporta (costa da galé). a embarcação encontra-va - se com avar i a na má -quina e temia-se o agrava-mento das condições meteo-rológicas, estando embar-cadas 3 pessoas. foi enviado para o local o salva-vidas “patrão rangel”, tendo sido solicitada tam-bém a colaboração da f.a.p. para localização da embar-cação. foram efectuadas as ne-busca e salvamento notícias ao posicionamento dos rebo-cadores. pelas 2130 horas do dia 5 de janeiro de 1999. o navio romeno “step”, ao sair a barra de setúbal e após desembarcar os pilotos, enca-lhou a norte da barra, entre as balizas nr 2 e nr 4. navio tipo graneleiro de 130 metros de comprimento, 6022 tab, com 21 tripulantes a bordo, dirigia-se para o porto de plymouth no reino unido. foi enviado para o local o salva-vidas “patrão rangel”, estacionado em sesimbra, a uam “vendaval” e dois re-bocadores, “portel” e “pe-neda” de setúbal. às 2230 horas iniciaram-se as operações para desenca-lhar o navio, aguardando a subida da maré. às 0145 horas de 6 de janeiro, o navio desencalhou, devido à acção dos rebo-cadores, não havendo a regis-tar danos pessoais. o navio seguiu para o largo a fim de ser vistoriado para avaliar eventuais danos mate-riais. durante as operações de desencalhe a barra de setúbal esteve condicionada devido a colaboração do navio mer-cante “livorno senatore”, que se encontrava na área de busca e de uma aéronave (1 p3p) da f.a.p. para localização e iden-tificação. foram efectuadas as neces-sárias buscas, não tendo sido localizado qualquer navio ou embarcação em situação de perigo. em 16 de janeiro pelas 1840 horas, foram dadas por con-cluídas as buscas. pelas 1957 horas do dia 15 de janeiro foi endereçado ao mrcc lisboa, (centro de busca e salvamento) via telex do fmcc toulouse (centro de busca e salva-mento avançado), um sinal de emergência de eventual navio / embarcação em situa-ção de perigo, numa posição cerca de 254 milhas a oeste do cabo raso. foi enviado para o local a corveta “oliveira e carmo”, tendo sido solicitada também revista da armada • março 99 25</Page><Page Number="100">6 março 99 • revista da armada notícias para os trabalhos de restauro dos dois aviões. o museu de marinha terá de suportar elevados encargos financeiros pelo que serão, pois, bem acolhidos todos os dona-tivos daqueles que queiram associar-se ao trabalho meri-tório que está a ser levado a cabo pelo museu, na preser-vação do precioso património aeronáutico da marinha. prossegue o restauro dos aviões do museu de marinha na sequência dos trabalhos de restauro do hidroavião “san-ta cruz” terminados em de-zembro, o museu de marinha contratou o restauro de outras duas aeronaves que pertence-ram à aviação naval e que fa-zem parte do património da-quele museu expostas no pavi-lhão das galeotas. a peça mais preciosa é sem dúvida o f.b.a. nº 2, que é uma simbiose dos dois primeiros aparelhos que a marinha pos-suiu, adquiridos em frança por sacadura cabral em 1916 e que, depois de montados em vila nova da rainha, ali prestaram serviço de instrução durante alguns meses. a 14 de dezem-bro de 1917 vieram amarar fren-te à doca do bom sucesso, dan-do assim origem aos primeiros meios aéreos da marinha. o seu valor como peça de museu é acrescida pelo facto de ser a aeronave mais antiga exis-tente em portugal. aqueles aviões efectuaram até ao final da grande guerra a patrulha aérea das aproxi-mações da barra de lisboa. o outro avião é um grum-man g44 “widgeon” com o nº 128, que fez parte de um conjun-to de 12 que a aviação naval encomendou nos eua em 1940 e só foram recebidos em1942. foram então distribuídos pelos centros de aviação na-val, cabendo ao de ponta del-gada seis destes aparelhos, que pela sua natureza anfíbia ama-ravam no porto interior e subi-am pelos seus meios a rampa que dava acesso ao hangar ali existente. esta actuação valeu-lhes a alcunha de “patos”. dada a sua versatilidade foram empregues em múlti-plas missões, nomeadamente de reconhecimento marítimo, busca e salvamento e fotogra-fia aérea. o estado de conser-vação do f.b.a. era já muito precário, ao passo que o do widgeon apresentava as áreas cobertas com tela bastante degrada-das. prevê-se uma du-ração de nove meses f.b.a. nº 2 no museu de marinha antes do restauro. grumman g44 “widgeon” subindo a rampa de acesso ao hangar em ponta delgada. no caso de desejar enviar pelo correio a sua contribuição, pode fazê-lo para: almirante fausto brito e abreu presidente da direcção do grupo de amigos do museu de marinha fábrica nacional de cordoaria – rua da junqueira 1300 lisboa exposição de herlander zambujo em macau no passado dia 5 de de-zembro foi inaugurada nas instalações do clube militar, em macau, uma exposição individual de pintura da auto-ria do cfr herlander zam-bujo, integrada nas comemo-rações das forças de segurança de macau 1998. o evento constituiu não só um acontecimento cultural importante nestas comemo-rações, como serviu também para enriquecer o património artístico. a inauguração foi presidida pelo brigadeiro soares monge, secretário adjunto para a segurança e contou com a presença do director do clube militar, dr. santos ramos, do dr. madeira de carvalho, presidente da câmara munici-pal das ilhas, do dr. sales mar-ques, de vários camaradas do exército e da marinha, para além dos muitos convidados e amigos do artista. tratou-se da quinta expo-sição de pintura levada a efeito em macau pelo coman-dante zambujo, que neste momento desempenha as fun-ções de capitão dos portos de macau. encontro de veteranos land-rover algumas viaturas em exposição. por ocasião dos 50 anos da marca land-rover, realizou- -se no passado dia 20 de de-zembro, no parque eduardo vii, o 1º encontro daquela marca que contou com a par-ticipação de cerca de 70 via-turas construídas entre 1958 e 1984. a gnr esteve presente com um range rover e um blindado “shorland”. o comando do corpo de fuzileiros fez-se representar por um “light-weight” e por um lr 109 de desempana-gem. este ano está previsto rea-lizar-se um encontro a nível nacional.</Page><Page Number="101">evista da armada • março 99 27 notícias actividade cultural da aca-demia. por fim, deteve-se no 2º volume da história da ma-rinha, em fase de lançamento, coordenado pelo académico prof. doutor baquero moreno e por uma equipa de historia-dores, toda feminina, a quem agradeceu o empenho e interes-se postos no trabalho que hoje era apresentado ao público. usou, por fim, da palavra o prof. doutor baquero moreno que na sua comunicação se referiu a alguns aspectos da nossa presença no mediter-râneo durante o séc. xiv, acres-centando a grande escassez de documentos nacionais sobre este assunto. (colaboração da academia de marinha) academia de marinha num auditório, quase reple-to, realizou-se, no passado dia 3 de fevereiro pelas 17.00 horas, uma sessão solene da acade-mia de marinha, presidida pelo almirante cema. nesta sessão procedeu-se ao lançamento do 2º volume da história da marinha portugue-sa intitulado “homens, doutri-nas e organização” (1139-1414), à entrega do prémio “almi-rante teixeira da mota”/98, ex-aequo, aos membros da acade-mia dr. brian stuckenberg (rep. áfrica do sul) e prof. doutor antónio josé telo e, ainda à comunicação do acadé-mico prof. doutor hum-berto baquero moreno (universidade do porto) subordinada ao título “a presença da marinha portuguesa no mediter-râneo durante o séc. xiv”. aquele prémio, que alterna, anualmente, com outro concedido pela academia intitula-do “almirante sarmento rodrigues” foi entregue pes-soalmente pelo almirante viei-ra matias aos galardoados pelos trabalhos respectivamente “portuguese historical car-tography of the mozambique channel and its re-levance to the wreck of the santiago in 1585” e “homens, doutrinas e organi-zação tomo i - polí-tica e estratégia (1824 – 1974)”. o presidente da academi a ,calm ecn rogério d’oli-veira abriu a sessão proferindo uma alo-cução em que salien-tou o facto da aca-demia de marinha se orgulhar por nesta sessão se realizar o lançamento do 2º vo-lume da história da marinha. a propósito referiu o papel relevante desempenhado pelo comte. saturnino monteiro na concepção do planeamento, organização e arranque desta iniciativa cultural e o quanto a academia se regozijava por este seu membro emérito ter sido agraciado, naquele mesmo dia, com a medalha de ouro de serviços distintos. teve ainda o presidente pala-vras de agradecimento ao prof. castelo branco e seus colabora-dores por terem preparado o boletim informativo da acade-mia, cujo nº. 1, saía naquele mesmo dia e no qual se preten-dia divulgar, um pouco mais, a o almirante cema condecora o cmg ref saturnino monteiro com a medalha de ouro de serviços distintos. convívios motoclube naval 6º aniversário o motoclube naval realizou no fim-de-semana de 30/31 de janeiro o 10º passeio, desta vez ao algarve, aproveitando a di-recção deste clube para come-morar o seu 6º aniversário. o evento juntou cerca de 40 pes-soas entre sócios e familiares, que não quiseram deixar de es-tar presentes nesta importante data do nosso clube. a direcção aproveitou a ocasião para reali-zar a assembleia de sócios anual, onde foi aprovado o re-latório e contas referente ao ano de 1998. o passeio decorreu em ambiente de são convívio e ca-maradagem, com a colaboração de todos quantos participaram e apoiarão este evento, em parti-cular a câmara municipal de portimão e a psp de portimão. os “filhos da escola do re-crutamento de março 1963 vão reunir-se num almoço de confraternização, em come-moração do 36º aniversário, no dia 29 de maio no restau-rante “pontevelha” sito na ci-dade da sertã. as inscrições deverão ser di-rigidas a: • antónio do rosário rodri-gues cten seb rua cesário verde, nº 1 – vale milhaços 2875-corroios para outros contactos: • cten seb rodrigues repartição de sargentos e praças das 9.30 às 16.00 h telef.: 01-2764194/5/6 ext. 1769 telef.: 01-2541205 a partir das 19.30 às 22.00 h. • cten se carvalho repartição de oficiais das 9.30 às 16.00 h telef.: 01-3468961 ext. 4967 telef.: 01-2245048 a partir das 19.30 às 22.00 h • 1tenot pegacho grupo nº 2 de escolas da armada das 9.30 às 16.00 h telef.: 01-2748327 ext. 1102 telef.: 01-2961153 a partir das 19.30 às 22.00 h • sch se antónio telef.: 01-3010001 ext. 5502 das 9.30 às 16.00 h para efeitos de transportes: • saj u ref santos telef.: 01-2593099 ou 0936-2442474</Page><Page Number="102">8 março 99 • revista da armada desporto torneio de orientação do corpo de fuzileiros torneio de orientação do corpo de fuzileiros a zona compreendida entre o meco e o cabo espichel, foi o cenário de mais um torneio de orientação organizado pe-lo comando do corpo de fu-zileiros, que decorreu de 2 a 5 de feverei ro e que contou com a presença de 112 atletas or iundos das unidade de fuzileiros, escola naval, g2ea e cefa. a prova registou mais uma vez um elevado índice técnico, para tal contribuindo o empenha-mento do corpo de fuzileiros, e a presença de alguns dos melho-res valores nacionais desta mo-dalidade, que actualmente re-gista uma apreciável expansão no nosso país, o que constitui uma mais valia para as activi-dades desportivas ao ar livre, se escalão homens - 21 anos 1º 2mar fz rc rainho - caf 2º 1mar fzc teixeira - bf 3º 1mar fz teixeira - bf escalão homens - 35 anos 1º 2sar fz luís - bf2 2º 2sar fz piriquito - bf2 3º 2sar fz ferreira - bf2 escalão homens - 45 anos 1º 1sar fzc ribeiro - en 2º 1sar fzm elias - bf1 3º 1sar fzm ribeiro - g2ea prova de estafetas escalão séniores - bf1 escalão veteranos - bf2 tivermos em conta os benefícios e características desta disciplina em termos físicos e ambientais. as classificações por escalões e estafetas foram as seguintes: escalão homens elite 1º 1ten sef palma - cefa 2º 1mar fz ferereira- bf2 3º 1mar fz amândio - umd xv campeonato de marinha de voleibol xv campeonato de marinha de voleibol após uma animada e bem disputada fase preliminar nos meses de novembro e de-zembro, realizou-se de 11 de janeiro a 12 de fevereiro a fa-se final do xv campeonato da marinha de voleibol, que mais uma vez decorreu no pavilhão gimnodesportivo do cefa, com a presença de 14 equipas distribuídas por dois escalões. na final do i escalão repe-tiu-se o vencedor do ano tran-sacto, a esquadrilha de sub-marinos, que numa emocio-nante e bem disputada final levou de vencida a formação do cefa pelo resultado tan-gencial de 3-2. o ii escalão apresentou um antigo vencedor, a base de fuzileiros, que obteve o con-cludente resultado de 3-0, pe-rante a equipa da uaicm, que no ano passado já se tinha classificado na segunda po-sição. a classificação nos dois escalões ficou então ordenada: i escalão 1º esq. submarinos 2º cefa 3º uaicm 4º g1ea ii escalão 1º bf 2º uaicm 3º g2ea 4º cefa voltas a base de lisboa voltas a base de lisboa realizou-se em 10 de fe-vereiro mais uma tradicional prova da volta à base naval de lisboa, na modalidade in-dividual, que contou com o habitual traçado de 8km pe-las suas artérias, tendo regis-tado a boa presença de 35 con-correntes. no f inal apuraram-se os seguintes vencedores: i escalão 1mar fz silva - bf ii escalão guarda cpem jesus - bnl iii escalão cab cm horta - cefa iv escalão cab fz loureiro - bf v escalão saj fz pacheco - bf vai realizar-se no próximo dia 11 de abril o almoço de confraternização do 35º aniversário de incorporação na armada dos “filhos da escola” de abril de 1964. os interessados deverão contactar com: • zé carlos - banco totta &amp; açores bnl telef: 272 3998 res.(01)296 2877 • smor mq gião - e.l.a. telef: (01)274 8455 ext. 1682 • 1sar tf mónica - e.l.a. telef: (01)274 8455 ext. 1700 res. (01)259 8670 • sch fz botelho - pantroia telef: (065)494203 res. (01)233 0069 convívio vencedores do i escalão - esquadrilha de submarinos.</Page><Page Number="103"></Page><Page Number="104">0 março 99 • revista da armada saudades da surriada p or notícia publicada na nossa revista, soube do falecimento do meu amigo e camarada 1sar f ref manuel gameiro. ambos fizemos parte da primeira guarnição da antiga fragata “corte real” que nos foi entregue pela usn em s. francisco, califór-nia, há 42 anos. por lá andámos quase um ano e a con-vivência durante este tempo fez de nós bons amigos. mais velho que eu uma dúzia e meia de anos, na altura da citada viagem, o sargen-to gameiro não estava longe de atingir a idade de passar à reserva, seguida da disponibili-dade que lhe permitiria deixar aquele mar, onde passara tantos anos, por dias e noites de enjoo, solidão e sofrimento em cumprimento de várias comissões de serviço. vinha do tempo dos navios a carvão e muitas pazadas deste “carburante” ele metera pela portinhola das caldeiras, num ambiente sufocante por mor dos 50 graus de tempe-ratura! por isto, ele estava farto do mar e logo que pudesse, faria como aquele cansado marinheiro que ao livrar-se do incómodo das vagas do alto mar, pôs um remo aos ombros e foi correr mundo, só assen-tando arraiais num local onde ninguém sabia o que era um remo e qual a sua utilidade. isto ele me contava por horas dos quartos de folga, misturando nas suas firmes palavras, aqui e além umas pinceladas de filosofia ganha pela experiência da sua longa vida marinheira. mais rápido que ele supunha, chegou o dia de passar à reserva. deixou a marinha e eu deixei de ter contacto com ele. decorridas duas dezenas de anos, alguém me contou que o camarada gameiro tinha ido viver para a terra dele, lá para os lados de albergaria dos doze. como ele, já eu tinha passado à disponibilidade também, e um dia pensei em procurá-lo por aquelas bandas para lhe falar da marinha e dar-lhe um abraço. fui e não foi difícil encontrá-lo, num lugar pacato, numa pequena casa, bem caiada, circundada por escasso quintal com duas laran-jeiras e um limoeiro, mais quatro ou cinco canteiros cheios de bem cuidadas flores, chegada a frondoso pinhal onde cada pinheiro tinha apoiado um pequeno vaso destinado a aparar os pingos de resina que escorria da ferida aberta no seu tronco. a vila pouco ruidosa, bem arejada, sem sinais de poluição, estava ali à mão, talvez a meio quilómetro de distância. foi demorado o nosso abraço, foi grande a surpresa da minha visita e foram muitos minu-tos a falar da nossa marinha, dos camaradas vivos, dos que já tinham falecido, do senhor comandante que chegou a almirante, e espe-cialmente das viagens pelo mar fora, por esse mar que muitas vezes lhe pareceu tão mau, mas que ele nunca esquecera. achei-o com bom aspecto para a idade, sempre bom conversador e no meu entender, com uma filosofia mais refinada. comemos uma lasca de presunto curado ao fumeiro e bebemos um copo de vinho da região. à despedida pedi-lhe que chegasse perto do meu automóvel. com ele junto a mim, abri a mala do carro e ele viu com ar embaraçado, um pequeno remo, que eu de propósito e para tal fim, lá tinha aco-modado. o sargento gameiro, demorou dois ou três segundos a observar o remo. depois olhou para mim e comentou: - “malandro, ainda não o esqueceste! ...” o repetido abraço que a seguir trocamos foi sentido e sincero. ao separar-se de mim, observei-lhe os olhos humedecidos pela comoção, incapazes de aguentar algumas lágrimas que lhe corriam cara abaixo, com sabor à surriada que tanta vez lhe bateu no rosto. afinal o mar estava-lhe no sangue, e aquela história do remo que ele me contava em momentos de nostalgia, pelas saudades, pela dis-tância, pelo balanço, pelo perigo, não era sincera, não passava de um desabafo a que deitava mão com o intuito de receber algum conforto, ténue que fosse. aquelas lágrimas ali estavam a provar as muitas saudades e recor-dações do mar, que no momento, com mais veemência acudiram à alma daquele velho marinheiro. pedrosa de carvalho 1ten sg ref saudades da surriada convívios no próximo dia 17 de abril, será comemora-do o “dia da esquadrilha de submarinos”. convidam-se todos os submarinistas e mer-gulhadores (na situação activo/reserva/refor-ma) a estarem presentes, podendo fazer a sua inscrição até ao dia 9 de abril p.f., por escrito ou através dos seguintes números de telefone: 3404 (rede interna - oficial de serviço); 276 8233/14 (rede externa). a guarnição do n.e. “sagres” que efectuou a primeira viagem de circum-navegação de 23 de junho de 1978 a 30 de abril de 1979 vai comemorar o 20º aniversário da sua chegada a lisboa. para mais esclarecimentos, os elementos da referida guarnição deverão contactar com: • sch se raa neves ; fax 853 7613 • saj tf agostinho; dsp-rsp • 2sarmalves; n.e. “sagres” no passado dia 30 de janeiro realizou-se no restaurante “quinta de valmourelos”, na sobreda, o almoço-convívio dos vo-luntários de 79 que comemoraram 20 anos de ingresso na “briosa”. sendo uma data significativa, muitos quiseram estar presentes para, mais do que almoçarem, reverem “filhos da escola” que optaram por não continuar na marinha. o encontro decorreu num ambiente de alegria e camaradagem, onde não se deixou de recordar outros tempos, ficando a promessa que para o ano há mais. dia da esquadrilha de submarinos</Page><Page Number="105">evista da armada • março 99 31 bibliografia compcomar 99 n esta “guerra” de se considerar a guerra uma arte – a arte de fazer a guerra - , portugal raras vezes aparece como artista, o que poderá tomar-se como lisonjeiro. empenhado em fixar-se na faixa marítima da península ibérica, quando o resto do espaço peninsular já era dis-putado entre três outros reinos: aragão, navar ra e castela, para além do espaço árabe de córdova e granada –, a arte de fazer a guerra era aliar-se com o que podia ser de momento amigo, contra o que se apresentasse, eventualmente, como não amigo, e nesta arte tanto entrava a astúcia, como a manha, como um casamento combinado. só volvidos os três séculos iniciais deste jogo, e se chegou até ao lado ori-ental do mundo, a arte da guerra con-seguiu foros de licenciatura. aqui, sim, portugal conseguiu ter espaço de manobra para estudar e dar lições sobre arte da guerra, sobretudo no mar, nos oceanos, que foram, então, o seu tabuleiro de xadrez. aqui, portugal teve alguns nomes de artistas, entre os quais avulta afonso de albuquerque, o homem que teve a visão de organizar esquadras, de as posicionar em pontos escolhidos, conquistados, ocupados, defendidos, de as ut i l izar em áreas oceânicas determinantes. a esta grande figura de estratega, citado, por vezes como precursor do domínio dos mares, para dominar as terras, dedica o comte. gomes pe-drosa o seu livro, de quase duzentas páginas, onde perpassa história bem narrada e se faz a análise dos meios, dos envolvimentos, dos “negócios” duma guerra que não era ainda apren-dida em livros ou manuais, mas feita ao vivo, por palpite, por saber, por intel igência, por intuição e onde depois vieram outros beber ensina-mentos, livro que vale a pena ler para desfrutar dos pormenores, tanto pelos que são mi l i tares e porventura os entenderão melhor, como dos não mi-litares, e uns e outros com eles cogi-tarão como era – foi – grande este afonso de albuquerque. o livro foi prémio do mar rei d. carlos 1995, relat ivo a descobri-mentos e expansão portuguesa e, como tal, com edição da câ-mara municipal de cascais, a quem a revista da armada agradece o exemplar oferecido. s. machado cmg ref “afonso de albuquerque e a arte da guerra” (fernando gomes pedrosa) o grupo nº 2 de escolas da armada, através da escola de comunicações, vai levar a efeito, em 1999, a compe-tição de comunicações da armada – compcomar 99, como tem sido tradição regular desde 1989. esta competição destina-se a operadores de comunicações (cro e cct) habi l i tados com o curso de formação de marinheiros (cfm), à data da inscrição, e tem por objectivos: • incrementar e testar a eficiência do pessoal de comuni-cações. • estimular o interesse dos operadores pelas comunicações. • seleccionar operadores para eventuais representações da armada em competições nacionais e/ou nato. a compcomar 99 irá realizar-se em duas fases: fase i – 24/26mar99 (na escola de comunicações e erns) na qual cada operador apenas se pode inscrever numa das seguintes provas: • recepção de morse acústico; • recepção de morse luminoso; • transmissão por teleimpressora; • operação do sistema integrado de comunicações (sic); • operação do sistema integrado de comunicações da marinha (sincomar – modo opcom). fase ii – 14/18jun99 (na escola de comunicações) na qual participam os três melhores classificados de cada prova da fase i, e onde se realizarão novas pro-vas den t ro das ac ima indicadas e se cons t i -tuirão equipas para efec-tuarem a prova de re-transmissão de mensa-gens. a prova do questioná-rio de comunicações se-rá efectuada individual-mente. as inscr i ções es t ão abertas até ao dia 19 de março, encontrando-se todos os procedimentos e informação referente à competição na publicação que regulamenta a compcomar-peescoldois 344 (b) – a qual os concor-rentes interessados poderão consultar junto dos locais de selecção. os militares que venham a obter os melhores resultados terão a sua classificação final registada no seu processo indi-vidual, além de receberem os aliciantes prémios entregues pela escola de comunicações, com o apoio de diversas enti-dades civis. a cerimónia de entrega de prémios aos melhores classificados decorrerá no dia 18 de julho, “dia da unidade do g2ea”.</Page><Page Number="106">escubra as palavras em falta passatempo joguemos o bridge 32 março 99 • revista da armada quarto de folga a preocupação do carteador será a de defender o r e portanto deixa fazer r e se w continuar com a d deixa também fazer; no a balda um e testa se os estão 3-3 para apurar o quarto e baldar uma após destrunfo a acabar no morto. se não estiverem ou o a for cortado só lhe resta esperar pelo a bem colocado. não confie só na sorte e analise sempre outras hipóteses. soluções problema nº 4 à mesa o carteador pensa inicialmente no “morto invertido”, como vimos no problema nº 3, para cortar 3 na mão e baldar uma das suas perdentes: (se não estiverem 3-3) ou . assim começa o carteio a, a e que corta; como existem entradas suficientes em n deve-se, no entanto, verificar a distribuição das dando duas voltas de trunfo nas 4ª e 5ª vazas a terminar no morto; ao constatar os 4-1 altera-se a linha de jogo e recorre-se à chama-da “manobra de guillemard”, ou seja, testar a distribuição dos e esperar que, caso estejam 4-2, a mão que tenha as 4 tenha também os 4 para cortar o perdente no morto, dando apenas um . para este tipo de mãos passa, assim, a dispor de duas técnicas de carteio, seguindo a melhor linha de jogo conforme as circunstâncias. problema nº 5 norte (n): – r1084  – r7643  – a2  – 43 sul (s): – adv975  – a52  – 3  – r76 w defende até 5 e empurra ns para 5 saindo a r. como deve s jogar. (problema nº 6) (solução no próximo número) norte (n): – rv9  – a654  – r62  – ar5 sul (s): – ad1053  – 3  – ad85  – 863 como deve s jogar 6 com saída a d e 4-1. (solução nesta página) (problema nº 5) passatempo joguemos o bridge a b desenho da autoria do cmg sousa machado a figura representa um barco de pesca de timor, designado “beiro”, do tipo patmaran, com vela de esteira, mastro triplo e balanceiros de bambu. estes dois desenhos contêm, todavia, sete diferenças que desafiamos o leitor a identificar. descubra as palavras em falta aconteceu então que, certa noite, foi a ternate, sem combinação prévia, um soldado espanhol que, por esse facto, d. jorge de meneses ——— prender. pois tanto ——— para que fernão de la torre enviasse àquela cidade, com grande espalhafato, um embai-xador a fim de reclamar a ——— do soldado. foi no âmbito dessa embaixada que ocorreu um episódio que, pelo seu pitoresco, não resistimos a contar. a dada altura, para obsequiar o embaixador ———, d. jorge mandou-lhe um bolo em cujo cesto iam um pequeno cão e um pequeno gato. acompanhava o presente uma missiva em que o nosso capitão dizia que já que dois ——— por natureza tão hostis um ao outro conseguiam viver em harmonia quando metidos no mesmo ———, porque é que os portugueses e os espanhóis que estavam nas molucas, todos cristãos e súbditos de monarcas tão amigos, não haviam de viver em paz?! agradeceu o embaixador a ——— e mandou perguntar a d. jorge qual das duas nações represen-tava o cão e qual o gato! não se desconcertou aquele e respondeu- -lhe que lhe parecia que o ——— representava os espanhóis porque o tinha arranhado muito e que o cão representava os portugueses porque tinha fé de que os havia de abocanhar de uma só vez! transcrição do livro “batalhas e combates da marinha portuguesa”, (vol ii do cte. saturnino monteiro) nunes marques calm an</Page><Page Number="107"></Page><Page Number="108">4 março 99 • revista da armada cmg ref álvaro maria martins pilar cfr ref josé manue l de alme ida rodr igues santos smor ref anatílio gonçalves rações saj ref tiago ferreira 1sar ref antónio ribeiro gonçalves 1sar ref josé de carvalho barbosa 1sar ref josé isidro dos santos 1sar ref victor manuel lourenço correia 1sar ref josé filipe domingos marques cab ref joão manuel santana cab ref antónio chambel cab ref manuel lopes ribeiro cab ref fernando custódio bat ista cab ref manuel fernando de sousa correia 1mar ref máximo fur tado salzedas 2gr ref salvador faustino. falecimentos calm josé luís ferreira leiria pinto cten carlos ramos fernandes 1ten ot victorino afonso smor fz be lmi ro da assunção cor re i a smor mq josé francisco crespo raimundo semedo smor a joão brás pereira smor l joão batista alves saj m josé alves duarte saj m antónio alberto ferreira 1sar e josé francisco alves peixoto cab ce mateus de freitas nogueira cab fze joão de albuquerque ramos. reserva notícias pessoais comandos e cargos nomeações valm josé manuel do vale martins cartaxo - presiden-te do conselho superior de disciplina da armada até 14 de março de 1999 valm carlos jorge ferreira de maga-lhães queiroz - presidente do conselho superior de disci-plina da armada a partir de 15 de março de 1999 cmg josé carlos alves d’almeida - chefe da repartição do serviço do pessoal de reserva e reformados da direcção do serviço do pessoal, em substituição do cmg jaime ma-nuel narciso de sousa henriques cfr josé antónio ro-drigues pereira - chefe do gabinete do superintendente dos serviços do pessoal cten victor martins dos santos - capitão do porto de caminha, em substituição do cfr antónio manuel brancal da mota ribeiro 1ten rui pedro filipe - chefe do centro de comunicações no centro operacional dos açores. reforma cten res joão francisco dos santos smor a res joão da cruz brás pereira sch m res antónio monteiro lourenço saj m res joão alves duarte saj m ref josé cas imi ro morei ra saj a res antónio nunes valentim saj tf res aires da silva ferreirinha saj fz res manuel de sousa carreiro saj fz res antónio de jesus barradas saj t res martins martins matos saj l res joaquim da conceição santos saj fz res manuel pires valente saj fze res abilino correia aires pinhão saj fz res sezinando francisco raposo saj fz res azemovete magro dos santos saj fz res sesismando josé martins 1sar e res manuel augusto de são josé areias 1sar fz res josé da conceição martins cab tfh res josé augusto morgado cab fz res manuel martins antunes cab fz res josé joão marreiros pacheco cab fz v res albino ferreira dos santos.</Page><Page Number="109">atrimónio cultural da marinha peças para recordar património cultural da marinha as marés resultam principalmente da atracção exercida pela lua e pelo sol e manifestam-se em cada local pela subida e descida periódica da superfície das águas oceânicas. contudo, esta periodicidade não é simples de descrever: a maré atrasa cerca de 50 minutos por dia, a amplitude varia de lugar para lugar e ao longo do tempo, e em certos locais a maré parece por vezes “desaparecer”. as primeiras tabelas de marés foram construídas por análise empírica de longas séries de observações, segundo métodos considerados secretos, transmitidos de pais para filhos. o problema da descrição matemática rigorosa da maré foi resolvido graças às contribuições de cientistas eminentes, dentre os quais se destacam sir isaac newton (1642-1727), laplace (1749-1827), lord kelvin (1824-1907) e sir george darwin (1845-1912). no entanto, a previsão rigorosa da maré requeria a execução de cálculos muito laboriosos, difíceis de executar com os meios então disponíveis. o previsor de marés de lord kelvin é um computador analógico conce-bido para resolver por processos mecânicos o problema matemático da pre-visão rigorosa da maré. o seu funcionamento baseia-se na combinação de movimentos periódicos gerados por hastes ajustáveis, movidas por rodas dentadas acopladas a um veio. estes movimentos são transmitidos através de um sistema de roldanas a um aparo registador. para obter uma previsão é necessário ajustar previamente a posição e o comprimento de cada uma das hastes para o instante inicial (segundo elementos obtidos a partir da análise de observações da maré), processo que é de certa forma análogo ao acerto dos ponteiros de um relógio. avançando a manivela que comanda todo o mecanismo, produz-se um registo gráfico a partir do qual é possível cons-truir uma tabela de marés. o exemplar da fotografia é baseado no modelo construído por lord kelvin em 1876. foi o 5º instrumento deste tipo a ser montado pela firma “kelvin bottomley and baird”, de glasgow, tendo sido concluído em 1924 e entregue em 1925 à extinta direcção de hidrografia e meteorologia náutica do ministério da marinha. este aparelho foi utilizado durante 41 anos para elaborar previsões de marés. com ele se produziram as tabelas de marés para os principais portos de portugal, abrangendo portugal continental e os arquipélagos da madeira e dos açores, bem como para os portos do antigo ultramar português. as máquinas deste tipo foram substi-tuídas pelos computadores electrónicos, que permitem obter as previsões de marés com grande rapidez e precisão. no entanto, os princípios utilizados na construção do previsor de marés de lord kelvin mantêm-se inteiramente actuais. o previsor de marés nº 5 de lord kelvin pertence ao instituto hidrográfico desde a sua fundação. actualmente funciona apenas como peça de museu. esteve presente na expo’98 no pavilhão do conhecimento dos mares. instituto hidrográfico (texto de carlos oliveira e lemos cten e.h.) 3. previsor de marés de lord kelvin</Page><Page Number="110">. previsor de marés de lord kelvin património cultural da marinha peças para recordar património cultural da marinha</Page><Page Number="111">bril 99 • mensal • 24000 publicação oficial da marinha • nº 319 • ano xxviii os 50 anos da nato os 50 anos da nato</Page><Page Number="112">ase naval de lorient – 26 de abril de 1968 há 31 anos entrega da fragata “comte hermenegildo capelo” à marinha portuguesa fotografias antigas, inéditas ou curiosas</Page><Page Number="113">ublicação oficial da marinha periodicidade mensal nº 319 • ano xxviii abril 1999 director calm emq res luís augusto roque martins chefe de redacção cfr ref jorge manuel patrício gorjão redacção 2ten tsn ana alexandra gago de brito secretário de redacção 1sarg t vitor manuel gaspar lopes colaboradores permanentes cmg ref raúl de sousa machado cten fz luís jorge r. semedo de matos cten abel ivo de melo e sousa 1tenref dr. rui m. ramalhoortigãoneves administração, redacção e publicidade edifício da administração central de marinha revista da armada rua do arsenal 1149-001 lisboa - portugal telef: (01) 321 76 50 fax: (01) 347 36 24 endereço da marinha na internet http://www.marinha.pt e-mail da revista da armada revista.armada@mail.marinha.pt fotocomposição, paginação electrónica, fotolito, montagem e produção página ímpar, lda. estrada de benfica, 317 - 1º f 1500 lisboa tiragem média mensal: 6000 exemplares preço de venda avulso: 24000 registada na dgi em 6/4/73 com o nº 44/23 depósito legal nº 55737/92 issn 0870-9343 revista da armada • abril 99 3 sumário os 50 anos da nato (foto do comando naval) os últimos navios do império 5 o sistema métrico decimal 12 escola naval 14 a marinha joanina 22 instituto de socorros a náufragos 23 instituto hidrográfico 25 notícias 26 participação do n.r.p. “albacora” no ost 1/99 29 desporto 30 alma de mestre 32 quarto de folga 33 convívios / notícias pessoais 34 património cultural da marinha contracapa anunciantes: bta – banco totta &amp; açores; cepame – centro particular de medicina e enfermagem; clínica dentária d’avenida; clínica dentária drª natália ferreira, lda; eid – empresa de investigação e desenvolvimento de electrónica, s.a.; galp; ogfe – oficinas gerais de fardamento e equipamento. a direcção de apoio social está atenta aos problemas de âmbito social relativos ao seu pessoal e familiares. 8 visão das principais actividades da aliança atlântica e da participação da marinha portuguesa na nato. 1 6 ao comemorarem-se os 50 anos da criação da nato, recordam-se os seus antecedentes. 6 o gabinete de multimédia do cned dá apoio aos cursos de formação académica e profissional. 1 0 abril 99 • mensal • 24000 publicação oficial da marinha • nº 319 • ano xxviii os 50 anos da nato os 50 anos da nato</Page><Page Number="114"></Page><Page Number="115">anhoneira “rio guadiana” 1865-1875 estação naval de angola, 1868       cruzeiro no norte de angola, 1868 expedição contra os mussorongos, 1869 sublevação militar em moçambique, 1869 guerra do nano, 1870 comissão a moçamedes, 1870 estação naval de cabo verde e guiné, 1873 comissão a s. tomé, 1873. comissões principais casco de madeira local de construcão:arsenal de marinha em lisboa data do lançamento à água: 24 de maio de 1865 era do tipo da “rio minho” deslocamento: 350 toneladas armamento: dois canhões rodízios e duas peças. características os últimos navios do império os últimos navios do império</Page><Page Number="116">949 – a nato 6 abril 99 • revista da armada n o dia 9 de agosto de 1941, o p r ime i r o mi n i s t r o wi ns t on churchill, em representação do governo de sua magestade do reino unido, embarcado no cruzador “prín-c i pe de ga l es ” e o pr es i den t e dos estados unidos da américa, franklin roosevel t , embarcado no cruzador “augusta”, encontraram-se na argen-tina bay, terra nova. no dia 14 foi tor-nada pública a “carta do atlântico”. a frança, que era o maior país da europa, a segui r à união soviét ica, tinha perecido após seis semanas de invasão nazi (10 de maio a 22 de junho de 1940) ; o exérci to vermelho soviético, exactamente um ano após a rendição francesa (22 de junho de 1941), tinha sido surpreendido e cedia perante o intenso bombardeamento da arti-lharia que marcou o início da in-vasão alemã (operação barba-rossa), quebrando traiçoeiramente o pacto de não-agressão assinado entre joachim von ribbentrop e vyacheslav molotov, em 23 de agosto de 1939, com cláusulas adicionadas em 28 de setembro; assim, a inglaterra vinha supor-tando sozinha, há mai s de um ano, todo o es forço de guer ra contra o eixo (alemanha-itália) e muitos consideravam que também ela acabaria por sucumbir. os estados unidos ainda não ti-nham entrado na guerra e, para manter a neutral idade, punham condições muito especiais ao auxílio a p r e s t a r aos s eus l ea i s a l i ados , os britânicos. a sociedade das nações, criada após a primeira grande guerra com o propósito de tratar da resolução dos conflitos pelo diálogo, evitando deste modo a guerra, tinha falhado redondamente. aliás, os estados unidos nunca entraram para a sociedade das nações e algumas das importantes potências tinham abandona-do há pouco esta organização. na ca r t a do at l ân t i co a s dua s grandes potências mar í t imas diziam esperar, “depois da destruição final da tirania nazi”, ... “ver estabelecida uma paz que permi ta a todas as nações viverem em segurança dentro dos limi-tes das suas próprias fronteiras e que proporcione a garantia de que todos os homens, em todos os territórios, po-derão viver as suas vidas, l ivres do temor e da necessidade”. pos i ções a l cançadas pe lo exérc i to vermelho, garantindo pela ocupação militar a expansão do comunismo que o exemplo da revolução de outubro não tinha logrado. churchi l l , derrotado nas eleições, desmobilizado, doutor honoris causa por vár ias universidades ( incluindo coimbra), pintava na madeira e no sul de frança, escrevia e ganhava o pré-mio nobel da literatura. percorria o mundo como simples cidadão e visitou os estados unidos. em discursos no westminster college, em 5 de março de 1946, e depois em fulton, em 16 de março, alertou o ocidente, af i rmando: “desde stet t in, no báltico, até trieste, no adriático, desceu sobre o continente uma cortina de ferro. para além dessa linha ficam todas as capitais da europa do cen t ro e do les t e : varsóvia, berlim, praga, viena, budapeste, belgrado, bucareste e sof i a . todas es t as c idades f a-mosas e as populações em seu re-dor estão no que designo por es-fera soviética”. es te passou a ser conhecido como o “discurso da cortina de ferro”, conceito que ficou consa-g r ado un i ve r s a lmen t e . ma s o mundo ocidental demorou um ano a reagir. as pressões soviéticas sobre os países que passaram a formar a europa de leste, sobre a grécia em guerra civil, sobre a turquia que havia mantido a neutralidade du-rante a guerra, sobre o irão que tinha s ido ocupado durant e o conf l i to e sobre os países do extremo oriente, incluindo a aliada china, levaram o p r e s i den t e t r uman a p r oc l ama r a doutrina de “containment” em 12 de março de 1947 (oito dias depois da assinatura do tratado de dunquerque) e, em 5 de junho, a lançar o plano marshall para a reconstrução europeia. na checoslováquia, a quem a união soviética não permitiu que participasse no plano marshall, deu-se o “golpe de praga” de 22 de fevereiro de 1948, que impôs o comunismo. recorde-se que quando o chefe de gabinete do ministro dos negócios estrangeiros da checos-lováquia, que se manifestara pela adesão ao plano marshall, visitou moscovo e teve que alterar a sua posição, teria dito: “agora realizo que não estou no mne de um país soberano”. era o pai da senhora madeleine albrigth, actual secretária de estado dos estados unidos. 1949 – a nato estava lançada a primeira pedra da organização das nações unidas, que havia de substituir a sociedade das na-ções. acabada a guerra na europa com a destruição do poderio militar alemão, em 7 de maio de 1945, a carta das nações unidas foi logo assinada em s. franc i sco por 50 pa í ses , em 26 de junho de 1945, e entrou em vigor em 24 de outubro, data que passou a ser comemorada como “dia das nações unidas”. a assembleia-geral teve a sua p r ime i r a r eun i ão na de s t r u í da cidade de londres, na church house, westminster, de 10 de janeiro a 14 de fevereiro de 1946, pois ainda não esta-va construído o palácio de vidro de nova iorque. a primeira resolução, nº 1 (i) de 24 de janeiro de 1946, criou uma comi ssão para t ratamento dos aterradores problemas levantados pela descoberta da energia atómica (comis-são da energia atómica). na europa, a grande preocupação era o renascimento do perigo alemão e para organizar a defesa cont ra essa eventualidade, a frança e o reino uni-do assinaram o tratado de dunquer-que, em 4 de março de 1947. mas, a si tuação ia evoluindo com enorme rapidez e com importantes im-plicações para a defesa europeia e para a segurança mundial. enquanto o ocidente desmobilizava e desarmava, a união soviética man-tinha grandes efectivos das suas forças armadas e procurava consol idar as o ministro dos negócios estrangeiros de portugal prof. dr. josé caeiro da matta assinando o tratado do atlântico norte. – 4 de abril de 1949 –</Page><Page Number="117">ogo se associaram ao tratado de dunquerque os três países do benelux (bélgica, holanda e luxemburgo), assi-nando o tratado de bruxelas de 17 de março de 1948. mas este tratado reu-nia estados tão debilitados e destruídos pela guerra, que era considerado uma “soma de fraquezas”. então a urss cometeu a pr imei ra agressão contra os seus aliados ociden-t a i s , ao es t abe l ece r o bl oque i o de berlim, que teve início em 24 de junho de 1948 e durou um ano (até 12 de maio de 1949). foi organizada a maior e mais prolongada ponte aérea da his-tória, para sustentar a cidade, abaste-cendo-a de tudo o que poderia ser con-siderado necessário, incluindo todos os combustíveis, mesmo o carvão para o aquecimento durante o inverno. com este bloqueio e com a desco-berta do segredo nuclear pela união soviética, que fez o seu primeiro en-saio em 23 de setembro de 1948, deu-se definitivamente a grande mudança política de redefinição do inimigo. a alemanha deixou de ser o perigo temi-do e a união soviética passou a ser o adversário que o ocidente iria enfren-tar nos 41 anos seguintes. por outro lado, o conselho de segu-rança das nações unidas , pela sua constituição e normas de funcionamen-doze países fundadores: bélgica, canadá, dinamarca, estados unidos, frança, islândia, itália, luxemburgo, noruega, países baixos, portugal e reino unido. por portugal, assinou o tratado o dr. josé caeiro da mata. entrou em vigor em 24 de agosto. a segurança europeia ficou reforçada; o bloqueio de berlim foi levantado em 12 de maio mas, no outro extremo da eurásia, a união soviética estabeleceu um acordo com a recém-proclamada república popular da china e apoiou a coreia do norte, que invadiu a coreia do sul em 25 de junho de 1950. antónio emílio ferraz sacchetti valm to, com realce para o poder de veto, já estava bloqueado e incapaz de cumprir a finalidade para que fora criado. ha-via quem visse nisto a repetição do es-t rondoso f racasso da sociedade das nações. foi neste ambiente que os estados unidos, que com a doutrina truman e o plano marshall já haviam abandona-do o seu tradicional isolacionismo, se decidiram a colaborar na organização da defesa da europa. e pela primeira vez na hi s tór ia, a rúss ia ou união sov i é t i ca e r a i n imi ga dos e s t ados unidos. no entanto, para convencer o secre-t á r i o de e s t ado no r t e - ame r i cano george marshall foi preciso uma inten-sa acção diplomática em que colabo-raram o secretário de estado adjunto dean acheson e o senador americano artur vanderberg, e se destinguiram louis st. laurent, ministro dos negó-cios estrangeiros do canadá, ernest be-vin, secretário de estado dos negócios estrangeiros do reino unido e georges bidault, ministro dos negócios estran-geiros da frança. finalmente, no dia 4 de abr i l de 1949, em washington, o tratado do atlântico norte foi assinado pelos mi-nistros dos negócios estrangeiros dos</Page><Page Number="118">apoio social na marinha 8 abril 99 • revista da armada a direcção de apoio social a direcção de apoio social (das) é um órgão da super inten-dência dos serviços do pessoal (ssp), criada em 1993 pela nova lei orgânica da marinha (lomar), tendo sido activada em 1994, ano da publi-cação do decreto-regulamentar da ssp, onde estão estabelecidas as suas com-petências e estrutura orgânica. a sua criação visou uma mais eficaz intervenção no domínio que lhe é pró-prio, sendo para o efeito colocada na directa dependência do superinten-dente dos serviços do pessoal. à das compete, genericamente, pro-funciona a casa do mi-litar da armada. pela sua importância é de referir também a exis-tência do gabinete de apoio ao beneficiário e a comissão de fiscalização. a repartição adma através da repartição adma e de acordo com a legislação em vigor, aos beneficiários mi l itares, militarizados e respectivos familiares, são atribuídas as prestações pecuniárias e efectuados os pagamentos relativos à generalidade dos cuidados de saúde (consultas médicas, meios auxiliares de diagnóstico, tratamentos, intervenções cirúrgicas, internamentos hospitalares, medicamen-tos, etc.,) e estabelecidos acordos com entidades prestadoras de serviços de saúde. é igualmente disponibilizada a adesão facultativa a um seguro de saúde- -grupo. a adma representa a marinha na comissão permanente de assistência na doença aos militares das forças arma-das (copadmfa), comissão que fun-ciona na direcção-geral do pessoal do ministério da defesa e que tem em vista manter a uniformidade das regalias nos três ramos das forças armadas. a repartição de apoio social a repartição de apoio social trata dos assuntos relativos ao apoio social , nomeadamente apoio jurídico (com carácter consultivo) , transporte de mobílias (a preço social), processamento de subsídios de educação especial (para filhos de beneficiários portadores de deficiência), apoio à família (do pessoal falecido), controlo de fardamento (com-participação a militares e militarizados), controlo de créditos (para aquisição nas ogfe do exército), nas áreas do lazer e bem-estar (promoção de iniciativas e obtenção de facilidades) e assistência social (visitas pontuais a lares e domici-liárias a beneficiários e apoio ao encami-nhamento de casos para o instituto de acção social das forças armadas). em colaboração com a repartição de recrutamento e selecção da armada, é disponibilizada a realização de testes de o apoio social na marinha mover o bem-estar e assegurar o apoio social ao pessoal que presta serviço na marinha e seus familiares, nas modali-dades estabelecidas nas normas em vigor. quanto à sua estrutura orgânica, a das compreende o director de apoio social, o conselho administrativo, a repartição de assistência na doença aos militares da armada (adma), a repartição de apoio social, o serviço administrativo e financeiro e o serviço de apoio geral. na dependência directa do director numa época em que a nossa sociedade tanto se preocupa e actua relativamente aos problemas de âmbito social, também internamente a marinha reconhece a sua importância e assume as suas responsabilidades sociais relativamente ao seu pessoal e respectivos familiares, nomeadamente quanto à protecção na doença e a diversas formas de apoio social. a casa do militar da armada (cma), fundada em 1944, funciona na directa dependên-cia do director da das e destina-se a prestar apoio social a sargentos e praças da marinha, dispondo para esse efeito de bar, sala de convívio, sala de leitura e alojamentos. casa do militar da armada</Page><Page Number="119">rientação escolar e profissional (para filhos de beneficiários a partir do nono ano de escolaridade). o director de apoio social, por no-meação do alm cema, é o representante da marinha no conselho consultivo do instituto de acção social das forças ar-madas. o gabinete de apoio ao beneficiário e a comissão de fiscalização o gabinete de apoio ao beneficiário (gab) atende, de forma personalizada, todos os beneficiários que pretendam ver esclarecido qualquer assunto no âmbito da actividade da das, prestando todas as informações e encaminhando da maneira mais adequada as suas pretensões. quanto à comissão de fiscalização (cf), a sua acção insere-se no âmbito da assistência na doença, desenvolvendo importante activi-dade no campo do controlo das despesas e no combate às situações irregulares. conclusão a marinha está determinada em apoiar socialmente cada vez mais e melhor o pes-soal que a serve, disponibilizando para o efeito os recursos humanos, financeiros e materiais que lhe é possível e que a conjun-tura actual permite. a direcção de apoio social, procura cumprir com o maior empenho, rigor e eficácia as competências que a marinha lhe atribui nesta área. é que o seu objectivo é servir sempre e melhor a família naval. (colaboração da direcção de apoio social) a ass i stência na doença aos militares da armada (adma) foi cria-da em 1975 e constitui a principal componente do apoio social que a marinha presta ao seu pessoal militar e militarizado e respectivos familiares. actualmente conta com cerca de 50 mil beneficiários e dispõe de um orça-mento superior a 4 milhões de contos, correspondente a mais de 8% das despesas da marinha com o pessoal. as restrições orçamentais existentes e o aumento dos custos de saúde que se tem veri-ficado nos últimos anos, obrigam a um grande rigor na sua gestão já que o sistema poderá entrar em ruptura financeira e obrigar a que sejam tomadas medidas restritivas que certamente irão afectar os beneficiários. o contributo individual de todos os beneficiários no sentido de conter esta progressão de despesas assume uma particular importância. não pactuar com situações fraudulentas, recorrer apenas ao essencial e evitar des-perdícios, são acções que concorrem significativamente para o melhor funcionamento do sistema, estando assim o beneficiário a defender aquilo que é dele e que existe para o servir. assistência na doença dos militares da armada rua do arsenal, letra i 1100 – 038 lisboa tel – 01.346 89 61 – ext. 4835 – 01.342 07 34 fax – 01.343 29 08 direcção de apoio social gabinete de apoio ao beneficiário</Page><Page Number="120">gabinete de multimédia do cned 10 abril 99 • revista da armada instrução venha a atingir os seus fins, deverá apresentar respectivamente uma mui to boa qual idade de imagem, uma pista sonora sem ruídos e perfeitamente clara, bem como e mais importante ainda, ter um enca-deamento de cenas que permitam explicar o tema com profissionalismo mantendo simultaneamente o inte-resse da população a que se destina. a qualidade de imagem se já era boa com as modernas câmaras analógicas de 8mm ou hi8, exis-tentes em muitas unidades de mari-nha, apresentava óbices graves no que dizia respeito á sua edição pois as cópias obt idas degradavam a imagem original. para resolver este problema houve que esperar que o desenvolvimento da técnica permitisse ao utilizador vir a ter acesso a uma nova tecnologia, a digital, em que não há degradação al-guma entre o original e a cópia, para além do sinal ser perfeitamente com-patível com o tratamento a nível infor-mático. com computadores e processadores mais rápidos do que os 233 mhz e com uma boa placa de captura de vídeo, consegue-se armazenar em disco e sem perdas, vídeo a 25 ima-gens por segundo a 640x480 ou se for digital a 720x576, em ecran com-pleto e com som de qualidade cd. tanto o tratamento da imagem como o tratamento e edição da pista de áudio, podem ser real izados actualmente de forma simples e pre-cisa sem o recurso a mesas mistu-radoras e outros equipamentos caros, volumosos e complexos, antes indis-pensáveis. assim, o material escolhido para equipar este gabinete obedeceu a determinados requisitos e conta com os seguintes equipamentos: o gabinete de multimédia do cned de texto, às bases de dados de índole generalista ou específicas para o cál-culo, então apoiado no programa lotus123, precursores dos sistemas agora existentes. hoje, podemos afirmar que estamos a atravessar uma fase extremamente interessante e prof íqua em que a velocidade do processador está rele-gada para segundo plano. a técnica permite dar ao homem mais uma vez, a oportunidade de mostrar do que é capaz em termos de aproveitamento dessa extraordinária capacidade de manipulação de dados já á disposição do utilizador comum. os programas existentes têm mais possibilidades do que as necessárias, para se executar a maioria das tarefas e pode afirmar-se que mesmo os uti-l izadores t reinados, não chegam sequer a utilizar ou mesmo a explorar completamente, o programa que escolheram. por outro lado, para que um vídeo feito especificamente para apoio da no início do passado ano de 1998 foi criado no centro naval de ensino a distância um gabinete de multimédia, para conceber, desenvolver e produzir materiais multimédia, que integrarão os módulos dos cursos de formação académica e profissional, distribuídos por este centro, nomeadamente os do ensino secundário, actualmente em fase de arranque. a ideia para a criação deste tipo de apoio para a marinha já vem de longe, pois desde a década de 80 que com a evolução da informática e do software de trata-mento de imagem e desenho de pre-cisão, bem como com a evolução dos sistemas de armazenamento de dados e captação e codificação de vídeo, tal se adivinhava possível, ultrapassando a barreira que existia então entre o vídeo amador e semi-profissional e os equipamentos profissionais, extrema-mente caros e complexos, só exis-tentes em sectores ligados á com-putação gráfica e à televisão. muitos ainda se recordam do zx81 e do spectrum e dos múltiplos jogos com que uma geração se deliciou e que constituiu uma viragem na sua progressiva adaptação ao tratamento</Page><Page Number="121">) 2 câmaras digitais de vídeo para permitir a obtenção simultânea da mesma cena mas de ângulos dife-rentes. b) um gravador de vídeo digital com painel amovível e controlador do tipo “jog-shuttle” para a localização pre-cisa ao fotograma para edição automática de cenas e duplicação de cassetes dv “standard”, ou mini-dv quando utilizado em conjunto com a câmara. c) dois computadores com veloci-dade de processamento elevada, nomeadamente aquele que está encarregado de efectuar a captura. o segundo está reservado para a edição de áudio e utilização de equipamen-tos de armazenamento massivo e para gravação de cds. d) dois monitores, um dos quais está atribuído ao visionamento em estúdio do material obtido. e) um sistema de amplificação de áudio, para recriar as condições de som original, o que permite melhor avaliar e tratar a pista sonora final. f ) um gravador de cd-rw para obtenção final de cópias do vídeo com sistema de compressão mpeg, para distribuição. g) um sistema de armazenamento li-near com uma tape de 12gb efec-tivos (como mínimo tendo em conta vídeos de 30 minutos de duração), dada a necessidade de preservar todos os dados correspondentes às fases de edição e clips obtidos, caso seja necessário no futuro modificar um filme já realizado. h) um conjunto de 6 gravadores de vídeo analógico para a obtenção de múltiplas cópias em vhs para dis-tribuição nas escolas e unidades inte-ressadas. i) um sistema de iluminação portátil formado por três projectores de 2000 watts de potência cada e dois de 500 watts, transportáveis em mala. j) um sistema de gravação digital em minidisk. k) um mesa de iluminação do tipo planetário. l) dois tripés com rodízios tendo um deles controlo remoto da câmara e microfones direccionais e não direc-cionais. o ponto mais importante a reter na montagem de um sistema deste tipo foi a compatibilidade do diverso ma-terial envolvido. a possibilidade de controlo remoto de equipamento com interface lanc bem como a existência de fichas compatíveis com a norma ieee 1394 – i. link, ou firewire, permite a transferência digi-tal da informação de áudio, vídeo e de sinais de controlo para o computa-dor até 400mbps, independente do tipo de dados ou dos equipamentos. anexo ao gabinete de multimédia foi montado um estúdio de gravação especialmente destinado à captação de som, com janela de vidros duplos e que brevemente será totalmente insonorizado. uma das paredes está adaptada para “croma key”. desde a criação e entrada em fun-cionamento deste gabinete já foram realizados os seguintes vídeos que se encontram disponíveis: • abr98 - “ em busca de cristãos e especiarias ” - exposição que teve lugar ent re nov97 e fev98 na cordoaria nacional, da responsabili-dade do museu da marinha, com peças únicas da colecção particular do sr. rainer daehnhardt. • mai98 - “ o cent ro naval de ensino a distância “ - objectivos do ensino a distância, possibilidades e vantagens do ensino não presencial. • mai98 - “ a fragata d. fernando ii e glória ” - o último navio da carreira das indias. • set98 - “ visita a um laboratório de química “ filmado no laboratório na escola secundária patrício prazeres em que é mostrado qual o material de laboratório mais vulgar e a sua uti-lização, como complemento da disci-plina de química. • out98 - “ modelo de desenvolvi-mento das capacidades de ensino “ - conferência realizada na academia de marinha pelo professor emérito das universidades francesas jean berbaum. • jan99 - “ manuseamento do míssil harpoon “ – manobra de embarque na fragata “corte real”. • fev99 - “ manuseamento do míssil seasparrow “ – manobra de embar-que na fragata “corte real”. a realização de filmes de instrução utilizando meios próprios e respei-tantes a material em utilização na marinha, permite optimizar o ensino, reduzindo o tempo de instrução, evi-tando por vezes deslocações de grande número de pessoal a unidades possuidoras de equipamentos únicos ou extremamente sensíveis que, por motivos operacionais ou de segurança, não estão disponíveis no período dos respectivos cursos. a bordo, dá ainda a possibilidade de preparar o pessoal em qualquer momento, sobre técnicas ou procedi-mentos que pela sua natureza, não podem ser frequentemente experi-mentados ou reproduzidos. com os meios acima descritos a marinha irá beneficiar a curto e a mé-dio prazo, tirando o máximo rendi-mento do investimento efectuado. l.h.l. silva de carvalho cmg revista da armada • abril 99 11 dra. elsa noronha – poeta de dizer. (colaboração num projecto de cd sobre literatura lusófona)</Page><Page Number="122">sistema métrico decimal 12 abril 99 • revista da armada o dia de dez horas o sistema métrico decimal é, talvez, a mais valiosa herança científica que nos deixou a revolução francesa. não só o conceito é genial, como teve o êxito de ter sido aceite, praticamente, por todos os países do mundo. agrã-breta-nha tem resistido à sua introdução mas julga-se que, antes do fim do século, venha a adquirir-se naquele país o arroz ao quilo e a gasolina ao litro. tudo começou quando, em frança, o deputado talleyrand, em março de 1790, propôs à assembleia nacional, a constituição de um sistema unificado de pesos e medidas que pusesse cobro à enorme confusão que, naquele país existia no que respeita a unidades de medida. havia mais de 800, mas o pior é que muitas delas tendo nomes iguais os seus valores diferiam de povoação para povoação. a proposta de talleyrand foi aprovada e a assem-bleia confiou o estudo à academia das ciências, dando-lhe seis meses para a executar, de modo a que o sistema “não tivesse nada de arbitrário nem de particular, à situação de algum país do globo”. o estudo foi confiado a uma comis-são constituída por notáveis sábios que consideraram três hipóteses para de-finição da unidade de comprimento: 1) o comprimento de um pêndulo ba-tendo um segundo na latitude de 45º; 2) uma fracção do perímetro do equador; 3) uma fracção do comprimento do meridiano terrestre; tendo escolhido esta última hipótese e logo propondo que a unidade correspon-desse à décima milionésima parte do quarto do meridiano. e que a unidade de peso fosse definida a partir da unidade de volu-me quando cheia de água destilada à tem-peratura de zero graus centígrados. estabelecido o princípio havia que deter-minar o exacto comprimento do meridiano. para o efeito, por decreto de 26 de março de 1791, foi confiado este trabalho a jean- -baptista dellambre e pierre-françois-andré méchain que, em meados do ano seguinte iniciaram os trabalhos a partir, respectiva-mente, de dunquerque e barcelona, pois foi considerado que esta extensão era suficiente para extrapolar o valor de todo o meridiano. os trabalhos geodésicos demoraram, especialmente, devido ao estado de agi-tação política em que se encontrava o país. por esta razão, foi usado provisoriamente o comprimento do meridiano calculado alguns anos antes (1740) por la caille, dado que só no outono de 1798 é que dellambre decreto de 24 de novembro de 1793, é esta-belecida uma nova era com início no dia do equinócio de outono do ano anterior (22 de setembro). é o ano i (1) do calendário re-publicano. o ano era dividido em 12 meses de 30 dias, os meses divididos em três sema-nas de 10 dias. os restantes cinco ou seis di-as do ano (ditos complementares) eram feri-ados consagrados à comemoração de festas nacionais. este calendário, ao contrário do sistema métrico estava condenado ao insucesso. era um calendário que nunca poderia ser aceite por outros países porque era nacional. o começo estava ligado à revolução, os dias complementares correspondiam a feriados franceses e mesmo os nomes dos meses, inventa-dos por um poeta dramático, foram concebidos de acordo com as estações climatéricas e, portanto, não fun-cionavam no hemisfério sul. mas, mesmo em frança, este calendário teve vida curta. no dia 1 de janeiro de 1806 era reposto o calendário gregoriano. curiosa foi a tentativa de dividir o dia em 10 horas, cada hora em 100 minutos, cada minuto em 100 segun-dos. esta proposta de 1793 foi aban-donada dois anos depois. os franceses livraram-se de se regularem por um dia dividido em decidias (2.4 horas) e milidias (86.4 segundos). mesmo assim ainda se construíram relógios com mostradores com dez horas. o mesmo destino teve a divisão do cír-culo em 400 grados, cada grado em 100 minutos, cada minuto em 100 segundos, apesar deste sistema ter sido utilizado em geodosia. todavia o seu uso generalizado tinha os dias conta-dos, dado que, no mar, a unidade de distân-cia é a milha que, como todos sabemos, é o comprimento de um minuto do meridiano terrestre. e não se prevê que alguma vez seja diferente. fez falta, na comissão france-sa que estudou este assunto, um oficial de marinha. como diz o sábio provérbio chinês, só todos sabem tudo. o metro de dez centímetros a sociedade real marítima foi criada em 1798 por d. maria i, mas ficou a dever-se a d. rodrigo de sousa coutinho que foi ministro da marinha desde 1796. esta sociedade, tinha o propósito de fazer renas-cer a cartografia, uma ciência (ou uma arte?) que os portugueses há mais de um século não praticavam, assim como a ma-nufactura de instrumentos náuticos. outra preocupação desta mesma instituição era a elaboração da carta geográfica do reino. todavia, para que esta carta pudesse ser integrada geodesicamente no resto da o sistema métrico decimal e méchain fecharam a triangulação em carcassone. constatou-se que o valor do metro, agora calculado, só diferia do valor provisório de apenas 1/3 de milímetro. em 1799 são fabricados os padrões do metro e do quilograma e legalizados pela lei de 10 de dezembro, deste mesmo ano. não foi fácil a introdução do sistema em frança, aliás não seria também nos países que foram aderindo ao longo dos tempos. de facto, os novos nomes das unidades e a divisão decimal que, apesar de tornar mais fácil a operação, era diferente da que era relógio com mostrador de dez horas. musée international d’horlogerie ville de la chaux-de-fonds, suiça. hábito usar-se, criavam grandes dificul-dades aos utilizadores. é por isso que um decreto napoleónico de 12 de fevereiro de 1812, autoriza o uso de diferentes termi-nologias prevendo novas equivalências. a situação manteve-se até 1840 quando, com as mentalidades mais evoluídas, foi possí-vel pôr de facto o sistema a funcionar pela lei de 4 de julho de 1837. a partir desta data, o governo francês faz esforços no sen-tido de introduzir o sistema métrico decimal nos outros países, o que constituiu um longo processo que ainda não terminou. entretanto, em 1869, constitui-se em frança a comissão internacional do metro, que estabelece os padrões do metro e do quilo-grama que serão fabricados em platina iridiada, considerada a liga mais adquada para o efeito. actualmente, o metro é defi-nido por métodos mais modernos. desde 20 de outubro de 1983, corresponde ao tra-jecto da luz no vácuo durante 1/299792458 do segundo. mas os sábios franceses não se ficaram por aqui. conceberam muito mais. por</Page><Page Number="123">uropa, era aconselhável que fosse dese-nhada usando uma unidade de medida comum a esses países. sabia-se que tinha nascido em frança um novo sistema de medidas, com características adequadas para se tornar universal, portanto poderia ser essa a solução procurada. o levantamento foi efectuado por francisco antónio ciera que, em 1803, pu-blicou a “carta dos principais triângulos das operações geodésicas de portugal” a qual, além das unidades em uso no nosso país, incluía o metro, o que constitui a primeira referência, num documento por-tuguês, a esta unidade como instrumento de medida. entretanto, sousa coutinho, muito virado para as inovações científicas e tecnológicas, o que era uma excepção entre os seus pares, determinou que fossem adquiridos em frança cópias dos padrões do sistema métrico decimal, tendo em vista estudar a sua introdução no nosso país. o assunto foi, porém, interrompido devido à mudança da família real e do governo para o brasil. só em 1812 o processo foi retomado, tendo sido criada, em 17 de outubro, uma “co-missão para o exame dos forais e melhora-mentos da agricultura”, sob a direcção de joão salter de mendonça, secretário de estado dos negócios do reino e fazenda. nesta comissão teve especial destaque a avaliação do estado em que se encontravam os pesos e medidas no nosso país. a comis-são agregada à academia real das ciências, elaborou “um plano para a igualdade dos pesos e medidas próprio dos grandes co-nhecimentos e luzes do século, debaixo de um sistema com base sólida e permanente”, dado que, pelo país fora, as unidades com o mesmo nome tinham variadíssimos valores, o que causava a maior confusão. a comissão elaborou um relatório pro-pondo que se devia adoptar um sistema decimal, mas não necessariamente usando a nomenclatura original francesa. em especial porque, tendo portugal acabado de ser invadido pelas tropas de napoleão, “a deli-cadeza dos tempos e o brio nacional” se opunham à adopção do metro. nem tão pouco, continua o relatório, se devem usar os nomes “peregrinos e sistemáticos que os 1852 é publicado o decreto que manda adoptar o sistema métrico decimal, com a nomenclatura francesa, estabelecendo um prazo de dez anos para a sua entrada em vigor. uma das grandes dificuldades de pôr o sistema a funcionar foi saber qual era a con-versão entre as antigas e modernas unidades. devemos a joaquim josé graça, a elaboração das tabelas das medidas de capaci-dade antigas reduzidas ao sistema decimal, um trabalho exaustivo, com mais de 2000 pági-nas em sete volumes, publicados entre 1861 e 1864, cobrindo todos os concelhos do con-tinente e ainda do funchal, angra do heroísmo, horta e ponta delgada. em 1875, portugal participa, em paris, na convenção do metro, que viria a ser ratifi-cada no nosso país pela lei de 19 de abril de 1876. em 1879, são executados em fran-ça protótipos do metro e do quilograma dos quais recebemos os exemplares nº 10 que tem sido os padrões para o nosso país. em 1911 é promulgada nova legislação metrológica. o sistema métrico começa então a ganhar a eficiência desejada, debaixo de organis-mos que vão, ao longo dos anos, mudando de designação, até que a 12 de julho de 1986, é criado no ministério da indústria e comércio, o instituto da qualidade, no qual, a direcção dos serviços de metrologia tem actualmente a tutela do controlo dos pesos e medidas no nosso país. a. estácio dos reis  cmg ref 1) é curioso notar que o calendário republicano se inicia pelo ano i, como aliás aconteceu com o calendário cristão. assim, neste, os séculos terminam nos anos múltiplos de 100 e, portanto, o fim do actual século será no dia 31 de dezembro de 2000. revista da armada • abril 99 13 franceses adoptaram” pois “bastantes palavras temos nós já para denotar todas as diversas medidas e pesos”. a atitude assumida pela comissão foi, de facto, muito patriótica mas estava clara-mente em oposição a duas grandes vanta-gens que resultavam da introdução das novas designações. em primeiro lugar porque se evitava a confusão entre as anti-gas e as novas unidades, em segundo lugar porque se perdia a utilização dos prefixos que davam, imediatamente, a grandeza do peso ou da medida. o príncipe regente aprova o relatório atrás mencionado e a 20 de dezembro de 1814, manda fabricar padrões de pesos e medidas tendo o arsenal do exército feito 300 jogos de que ainda existem exemplares. as unidades tiveram as seguintes desi-gnações: mão-travessa 1/10 metro canada litro libra quilograma. para além das desvantagens, já atrás mencionadas, devidas à utilização de nomes de antigas unidades para designar os múltiplos e submúltiplos, o curioso neste sistema é ter-se usado uma medida de com-primento com a dimensão de 10 centíme-tros. sem dúvida que não era prática, por ser demasiado pequena, mas a verdade é que o litro corresponde a um cubo com a aresta de 10 centímetros e o quilograma ao peso de água contido neste mesmo cubo. temos de convir que os sábios portugueses foram coerentes quando adoptaram um “metro” de 10 centímetros mas, não foram nada práticos... aliás no “plano da comis-são para a reforma e uniformidade dos pe-sos e medidas do reino” diz-se claramente: “ a ideia de ser a mesma unidade para todas as qualidades de medidas é mais sim-ples e filosófica”. o sistema métrico atrás mencionado não funcionou pois, para além da habitual resistência dos utilizadores a novidades que se opunham drasticamente aos hábitos ancestrais, a situação política do país não ajudava a dar atenção a reformas que não pareciam importantes. em 24 de abril de 1835 um decreto intro-duz o sistema decimal na moeda. em 1843 o académico deputado joão baptista silva lopes, consegue inte-ressar a câmara dos pares. seis anos depois, o mesmo deputado apresenta uma “me-mória sobre a reforma dos pesos e medidas em portugal segundo o sistema métrico-deci-mal”, que deu um forte empurrão ao assunto, mas que ainda sugere o uso das designações portuguesas. só em dois de dezembro de pesos e medidas antes do sistema métrico, “mão-travessa” existente no museu de metrologia do ipq. pesos e medidas antes do sistema métrico. (arroba 10 libras).</Page><Page Number="124">isita ao alentejo, para lá do guadiana 14 abril 99 • revista da armada o rio guadiana nasce nos montes de toledo, em plena meseta ibérica, e corre para oeste até encontrar o caia, na fronteira portuguesa, entre badajoz e elvas. a partir daí, procura o caminho do sul e durante séculos serviu de fronteira entre províncias e dioceses, separando as regiões da bética e da lusitânia (hoje a estremadura e andaluzia espanholas do alentejo e algarve), desde o tempo do império romano. entretanto, no século xii, dentro da dinâmica da reconquista e das relações entre reinos ibéricos, a norte do rio tejo o espaço do condado portucalense acabaria por se sepa-rar do reino de leão e castela ganhando direitos de conquista e expansão para o sul na continuidade da guerra com os mouros. contudo, quando as correrias dos cavaleiros portugueses ultrapassaram a linha do tejo, castela reivindicou para si os direitos de con-quista dessas terras, alegando que só o seu rei era o herdeiro do reino visigodo, usurpa-do pelos mouros no século viii. a questão não se apresentava simples (dado que a santa sé só aprovava as guerras com os mouros na perspectiva de que se destinavam a recuperar as possessões perdidas), mas os portugueses, sempre que foi possível, man-nos passados dias 20 e 21 de fevereiro, a escola naval foi visitar esses concelhos de além-guadiana. saídos pela manhã cedo, entrámos no concelho de mourão atraves-sando a ponte que o separa de reguengos de monsaraz, pela estrada que conduz a s. leonardo e a villanueva del fresno. e, apesar da espessa névoa que não nos deixava esten-der a vista pelos amplos espaços que acom-panham o rio para sul, é fácil entrever como a monotonia da planície é cortada por aque-les destacados outeiros, onde foram construí-das fortificações e onde acabaram por se desenvolver os povoados que chegaram ao século xx. para as bandas do norte fica o soberbo morro de monsaraz, a espreitar os terrenos de alconchel, e ali mesmo em frente, à medida que o autocarro vai avançando, vai ganhando forma a vila de mourão com um portentoso castelo medieval, construído no reinado de d. diniz, logo após a assinatura do tratado de alcañices. a muralha é extensa e alberga os restos de instalações que serviram à guarnição militar com todas as serventias que isso exigia (alojamentos, paióis, cavala-riças,…), e sua volta ainda é possível encon-trar vestígios dos baluartes externos que servi-ram durante o século xvii e xviii, tendo sido destruídos quando da guerra da sucessão de espanha. mas, à medida que o sol vai subindo, vai sendo possível observar os cam-pos que acompanham o vale do guadiana, e visita ao alentejo, para lá do guadiana olivença, como a maioria das praças daquela região, foi conquistada aos mouros por geraldo sem pavor, teve de ser devolvida depois do desastre de badajoz e reconquistada no reinado de d. sancho ii, com a colaboração dos cavaleiros da ordem de santiago. depois, com o trata-do de alcañices, ficou integrada no ter-ritório de portugal, constituindo uma es-pécie de espinha cravada em castela, entre badajoz e alconchel. à semelhança de todas as terras vizinhas, quando os exércitos português e espanhol se cruza-ram, foi devassada e ocupada, mas os acordos de paz sempre repuseram a integridade territorial e olivença ficou sendo portuguesa até ao século xix. nessa altura (1801), quando o poder de napoleão já ameaçava a europa, os seus aliados espanhóis invadiram portugal, no sentido de forçar a quebra da nossa aliança com a inglaterra. a guerra durou muito pouco tempo, mas cus-tou-nos a vila de olivença (a ponte construida no reinado de d. manuel, e que ligava a aldeia da ajuda a olivença, foi partida nesta altura). no entanto, o conflito apenas começava, e em 1811 a vila seria reconquistada pelas tropas anglo-lusas comandadas por beresford. o facto acabaria por ser inútil, porque beresford a voltaria a entregar aos espanhóis. depois, em 1814, num tratado assinado em paris (onde portugal não teve representação), e no acordo final do congresso de viena, em 1815, estava prevista a devolução de olivença, mas a espanha furtou-se a fazê-lo. aliás, esse acordo só seria assinado pelos espanhóis em 1817, contudo, por causa de um conflito que de-corria na fronteira sul do brasil, olivença voltou a não ser devolvida, mantendo-se como um pro-blema diplomático pendente entre os dois países. hoje, passaram várias gerações de oliventinos que se desligaram de portugal e a sua identidate já não permite uma resolução linear da questão. permanece em olivença uma população cujo passado histórico e cujas raízes mais profundas são portuguesas, mas cuja referência cultural presente é, naturalmente, espanhola. olivença tiveram as suas algaras e levaram a cabo uma política militar que visava a extensão do seu espaço até ao algarve. o facto consumado era uma vantagem dos portugueses, mas a definição da fronteira leste do reino não seria uma contenda fácil, porque o rei de castela tentaria sempre fazer valer os seus direitos. no reinado de afonso iii de portugal (1248-1279), estando já conquistado o algarve, foi feito um acordo com afonso x de castela que previa a tomada de posse das terras a sul pelo herdeiro do trono português (d. dinis) quando fosse aclamado rei, mas a fronteira oriental seguiria a linha do guadiana desde a foz do caia até ao atlântico. contudo, quan-do em 1297, foi assinado o tratado de alcañices e foram definitivamente estabeleci-das as divisórias entre os dois reinos, um vasto território a leste do guadiana (corres-pondente aos actuais concelhos de olivença, mourão, moura, barrancos, serpa e uma parte de mértola) ficou integrado no reino de portugal. hoje, como se sabe, olivença está sob domínio espanhol, mas as restantes terras mantêm-se sobre jurisdição portuguesa, em-bora tenham sido um espaço de contenda e de devastação sempre que houve conflitos entre os dois países vizinhos. portugal espanha r. chança r. ardila rib. de cuncos rib. da talega r. olivença olivença alconchel mourão barrancos moura aroche serpa mértola rio guadiana rio guadiana ponte da ajuda, (séc. xvi). escola naval página ímpar foto de semedo de matos</Page><Page Number="125">evista da armada • abril 99 15 não pode deixar de nos vir à ideia o facto de que uma parte daquele espaço dentro de poucos anos será ocupado pela albufeira da barragem de alqueva. a pequena aldeia da luz — um pouco a sul de mourão — ficará submersa dentro de dois ou três anos, e a ocasião parece própria para lançar um último olhar aquelas casas brancas que o dilúvio vai engolir para proveito e por engenho dos homens. é para lá que nos dirigimos, aprovei-tando a proximidade do rio para um almoço piquenique, gozando os ares puros, o cheiro da terra e das árvores, o som fresco das águas correntes, a presença de uns velhos moinhos do guadiana em ruínas e de uma paisagem que conforta a alma. no caminho de moura, da parte da tarde, foi ocasião de recordar a lenda de salúquia, a bela moura que se atirou da torre da alcáçova quando os cristãos conquistaram a praça (1232). é apenas uma história que se conta e que vem sendo transmitida de geração em geração desde há umas centenas de anos, mas serviu para justificar a toponímia do local e tem a sua expressão no brasão de armas da cidade, onde aparece o corpo de uma mulher caída à porta de uma imensa torre, como se tivesse caído lá de cima. existem várias versões desta mesma história, mas a mais persistente aponta para que os cristãos que conquistaram moura tenham abatido em emboscada vários cavaleiros muçulmanos de aroche, de entre os quais o noivo da bela salúquia, alcaidessa do castelo. depois, disfarçaram-se com os seus trajes e ludibriaram a guarda, que os deixou entrar na praça quase sem resistência. salúquia não resistiu ao desgosto e não suportou a ideia de uma rendição, preferindo atirar-se da torre mais alta do castelo, com grande surpresa dos conquistadores portugueses, impressionados com a tamanha determinação e com a sua invulgar beleza. moura é hoje uma cidade pejada de mo-numentos e de testemunhos de um passado histórico riquíssimo. o castelo (actualmente fechado para escavações arqueológicas) foi erigido por ordem de d. diniz sobre uma cerca do período árabe (de que resta uma torre) que, por sua vez, deve ter sido construí-da sobre um castro visigótico e, talvez, sobre os restos de uma fortificação ou núcleo popu-lacional romano. os vestí-gios dessa época longínqua estão patentes em diversos caminhos e calçadas, na presença de construções (pelo menos uma ponte) e achados arqueológicos de toda a ordem, que se encontram classificados e expostos no museu munici-pal. a mouraria de moura (o local onde viviam os mouros durante o período cristão) teve tanta importância que justificou um foral próprio, e ainda é possível localizar os seus contornos no traçado da cidade actual. foi, seguramente, a mais importante de toda a região. são ainda de destacar, a igreja de s. joão baptista com o seu portal manuelino (foi construída no tempo de afonso v e reformada por d. manuel), e o convento do carmo, o primeiro mosteiro carmelita da península ibérica, de onde vieram os frades moinhos do guadiana. torre do relógio, (serpa). antiga mesquita. por ali passaram as mesmas guerras e os mesmos conflitos com pontos críticos na campanha da restauração (1640-1666), na guerra de sucessão de espanha (1704) e, mais tarde na chamada guerra das laranjas (1801) a que se seguiram as invasões francesas. a muralha oferece ao viajante uma panorâmica de toda a vila com o seu amon-toado de telhados vermelhos a contrastar com o branco luzente das casas caiadas. por aqui e por ali sobressaem os edifícios mais ricos, com quintais exuberantes, e não pode-ria deixar de se reparar no magnífico palácio dos marqueses de ficalho onde se liga o imponente aqueduto. o museu etnográfico, a funcionar no antigo mercado municipal, é local obrigatório da visita e nele se podem apreciar as artes quase desaparecidas que fabricavam todos os instrumentos e utensílios da vida comum das gentes alentejanas de outra época. a forma de trabalhar a madeira, a chapa, o ferro, a cortiça, a fabricação do queijo de serpa, a oficina de abegoaria, tudo está lá para memória dos presentes e como testemuho do engenho com que se trabalha-va ainda há poucos anos atrás. todavia, uma das pérolas de serpa é, sem dúvida nenhuma o museu dos relógios: 1400 exemplares de máquinas do tempo que vêm desde o século xvi até à idade do espaço. relógios de bolso, de pulso, de mesa, reló-gios para todos os gostos e de todos os estilos. exemplares diversos da velha fábrica “reguladora” (hoje desaparecida), os magní-ficos patek phillipe, cinco exemplares napoleão deixados em portugal com a retira-da dos franceses, os relógios que foram ao espaço, de tudo lá se pode encontrar. e muito mais haveria para ver no alentejo a oriente do guadiana, mas a dimensão de um fim de semana é muito pequena para per-mitir dar todas as voltas. o domingo acabava-se e era preciso regressar ao alfeite. ficou um gosto a pouco, mas ficou também a noção da riqueza patri-monial, histórica e etnográfica, que é possível encontrar nessa parte quase esquecida do alentejo. j. semedo de matos cten fz para o seu homónimo lisboeta, quando d. nuno álvares pereira o mandou construir no morro em frente ao castelo de s. jorge e nele se fez frei nuno de santa maria. o tempo era escasso para visitar todo o leste de guadiana, de forma que a nossa opção ficou-se pela vila de serpa. a primeira visi-ta foi ao castelo, cuja origem é semelhante ao de moura e mourão, com os quais desempe-nhava funções comple-mentares na defesa da raia alentejana. foi con-quistado aos mouros nos tempos de d. sancho ii, supondo-se que a torre do relógio tenha origem na antiga muralha árabe. aliás a igreja de santa maria que lhe está pega-da pode ter sido uma mourão. a escola naval está disponível em: www.escolanaval.pt</Page><Page Number="126">6 abril 99 • revista da armada a génese do tratado de washington n o final da ii guerra mundial a europa ocidental iniciou um ace-lerado processo de recuperação económica, que impl icou drást icas reduções dos aparelhos militares. no entanto, paradoxalmente a urss adoptou uma estratégia expansionista, consubstan-ciada por poderosas forças armadas e pela ideologia do partido comunista. entre 1947 e 1949 o mundo assistiu, estu-pefacto e aterrorizado, à imposição de formas totalitárias de governo, à repressão das oposições políticas e à eliminação dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos de diversos países da europa central e de leste. concretamente, o golpe de junho de 1948 na checoslová-quia e o bloqueio ilegal a berlim, em abril desse ano, motivaram grande pre-ocupação no ocidente. como primeira resposta à estratégia expansionista soviética surgiu, em março de 1948, o tratado de bruxelas, que evi-denciou a determinação da bélgica, frança, luxemburgo, holanda e reino unido ao desenvolverem um sistema comum de defesa e ao reforçarem os laços de solidariedade recíproca, por forma a resistirem às ameaças que, nos campos ideológico, político e militar, se colocavam à sua segurança. quase de imediato os signatários do tratado de bruxelas iniciaram negociações com os eua e canadá, tendo em vista a constitu-ição de uma al iança ent re a europa ocidental e a américa do norte. para participarem no processo negocial, que terminou a 4 de abril de 1949 com a assinatura do tratado de washington, foram convidadas outras potências euro-peias: dinamarca, islândia, itália, noruega e portugal. aos 12 membros fundadores juntaram-se a grécia e a turquia no ano de 1952. a república federal da alemanha aderiu em 1955 e a espanha em 1982. o objectivo essencial do tratado de washington foi estabelecido em torno da preservação da liberdade e da segurança dos seus membros, ut i l izando meios políticos e militares, nos termos previstos no artº. 51 da carta das nações unidas. a fim de garantir este objectivo foi consti-tuída a aliança do atlântico norte – nato – fórum de consulta e de coope-ração nas áreas política, militar, económi-ca e científica. de início as principais act ividades da al iança foram di rec-cionadas para: a formulação de planos comuns de defesa; o estabelecimento das infraestruturas necessárias às operações das forças militares; a organização de programas de treino e de exercícios con-juntos e combinados. a realização das actividades aliadas implicou a edificação de uma complexa estrutura civil e militar, que engloba pessoal administrat ivo, financeiro e de planeamento, bem como organismos coordenadores de áreas específicas, como são as comunicações e o apoio logístico. o princípio operativo da nato o tratado de washington é firmado li-vremente por estados independentes e soberanos, após debate públ ico e aprovação parlamentar. este tratado vin-cula os estados membros à partilha dos riscos, das responsabilidades e dos bene-fícios da segurança colectiva; para além disso, também estabelece a exigência de os seus subscritores não se envolverem em compromissos internacionais que co-lidam com os termos acordados. o princípio operativo da aliança assen-ta na indivisibilidade da segurança dos signatários do tratado de washington. com efeito, sem privar os seus mem-bros dos direitos e deveres de assumirem individualmente responsabilidades sobe-ranas no campo da defesa, a nato é o a nato e a marinha portuguesa a nato e a marinha portuguesa uma participação empenhada inauguração do quartel general do iberlant na presença do alm. usn thomas moorer, comandante em chefe do saclant e do ministro da defesa de portugal, general gomes de araújo. primeiras instalações do comiberlant em mem martins.</Page><Page Number="127">evista da armada • abril 99 17 instrumento que, mediante decisões obti-das por consenso, permite a preservação da segurança colectiva através do esforço comum, materializável pela capacidade de realização das seguintes tarefas funda-mentais: • propiciar o desenvolvimento de institui-ções democráticas e de compromissos para a resolução pacífica de disputas; • impedir a realização de acções de intimi-dação e de tentativas de imposição hegemó-nica, através da ameaça ou do uso da força; • facilitar a consulta e a coordenação dos esforços colect ivos de defesa para a resolução de questões que afectem os interesses vitais dos estados membros; • proporcionar dissuasão e defesa contra qualquer forma de agressão dirigida ao território dos estados membros; • preservar o equilíbrio estratégico na europa. a estruturação do princípio operativo da aliança com base nestas tarefas, benefi-ciando dos contributos sinergéticos resul-tantes da integração do potencial estratégi-co dos estados membros, tem sido decisiva na manutenção das condições que favore-cem a segurança colectiva. a marinha na nato a adesão e a participação empenhada numa organização político-militar com as características genéricas antes enuncia-das, produziu profundas mudanças no país e nas forças armadas portuguesas. contudo, nem todas as opiniões reco-nhecem este facto com o mesmo entusias-mo. por isso, de seguida enunciaremos os principais contornos do relacionamento entre a nato e a marinha em cada uma das cinco décadas passadas, deixando ao leitor a tarefa de julgar em que medida os contributos nos campos doutrinário, orga-nizacional, da formação, do treino, dos meios materiais e dos procedimentos operacionais foram determinantes na edi-ficação, na estruturação, no emprego e no prestígio interno e externo da marinha portuguesa. a nato surgiu como uma organização intergovernamental de países que pos-suíam sistemas políticos semelhantes e matrizes ideológicas convergentes. em 1949 o regime vigente em portugal não satisfazia plenamente estes requisitos, próprios das democracias parlamentares ocidentais. no entanto, a valia geoes-tratégica do território nacional levou os aliados mais importantes a relegar para segundo plano tais requisitos. naquela época, os eua e a inglaterra tinham bem vivo o contributo dos açores para o con-trolo do atlântico norte, para o apoio à mobilidade das suas forças militares e para a segurança das comunicações inter-continentais durante a ii guerra mundial. por isso, o convite foi formulado a portugal e, de imediato, os aliados apoia-e ao reforço da europa. complemen-tarmente, a nato começou a investir na reorganização, no reequipamento e no rearmamento das pequenas marinhas ali-adas, por forma a que pudessem vir a res-ponder aos desafios da defesa colectiva. foi neste contexto, que a partir de 1954 surgiram as primeiras ajudas significativas em meios navais (2), a maioria proveniente dos eua, em resultado da cedência de di-reitos de utilização da base das lages. a operação desses navios exigiu a adop-ção de técnicas às quais estava implícita uma vincada diferenciação e especializa-ção dos recursos humanos e do respecti-vo sistema de formação, bem como um ensino descentralizado e o consequente aparecimento de mecanismos compensa-tórios de controlo e coordenação. desenvolveu-se por isso um novo sis-tema de partilha de responsabilidades funcionais, que renovou a velha ordem militar-naval portuguesa, abrindo mentali-dades alterando atitudes operacionais, lo-gísticas e sociais. a criação da força naval da metrópo-le, do respectivo agrupamento de instru-ção e a realização de exercícios navais em águas portuguesas, materializaram o início da preparação da marinha para participar nos grandes exercícios nato da década de 50. esses exercícios inte-graram regularmente meios dos eua, reino unido, holanda e frança, nomeadamente nas séries "grand slam", "convex" , "castanets" , "black jack" , "mainbrace" e "down breeze". no que se refere aos draga-minas, salientam-se as séries "hard track" e "bandeau x", com a presença de navios belgas, holandeses e ingleses. no início da década de 50 os militares da marinha iniciaram as suas partici-pações em reuniões e integraram as estru-turas da nato. neste âmbito, salienta-se em 1952 o estabelecimento do comando supremo al iado do at lânt ico nor te (saclant), com quartel general em norfolk. o primeiro oficial português a integrar esta estrutura foi o então coman-dante sequeira araújo. o n.r.p. “vouga”, um dos primeiros navios portugueses em manobras nato. o n.r.p. “almirante pereira da silva”, o primeiro navio português a integrar a stanavforlant – 1969. ram o fomento de programas de reequipa-mento das forças e de modernização das infraestruturas militares nacionais, em vir-tude de serem enormes as vulnerabili-dades ao nível dos meios operacionais e das bases, o que no caso particular da marinha dificultava imenso o cumprimen-to das suas missões. anos 50 na década de 50 começou a delinear- -se a principal função (1) de portugal na nato, através da consagração de um apoio bastante significativo ao desenvolvi-mento das infraestruturas nacionais, como sejam as bases navais e aéreas. com efeito, durante a guerra fria o país seria considerado um dos mais importantes pontos de apoio à mobilidade estratégica</Page><Page Number="128">8 abril 99 • revista da armada t reino de armas sub-marinas, concebido em termos semelhantes aos seus congéneres inglês e americano; o desenho dos cursos de instrução técnica básica e com-plementar, destinados a ampliar e a sistematizar a formação de praças e sargentos, por forma a responderem cabalmen-te aos requisitos técni-cos impostos pelos no-vos navios e pela parti-cipação nas actividades operacionais da alian-ça; a reforma do ensino do inst i tuto super ior naval de guerra, através da adopção dos padrões em vigor no royal naval war college e do naval war college; o enorme esforço desenvolvido para a frequência de cursos técnicos nos eua e reino unido (4); e a criação da escola de limitação de avarias, seguindo padrões aliados. anos 60 a década de 60 caracterizou-se pela ca-pacidade da marinha responder, em simultâ-neo, aos compromissos assumidos com a nato e às solicitações decorrentes do con-flito colonial, que mobilizou todo o poder naval para actuar em terra (5) ,nos rios e no mar. demonstrando possuir uma clara visão estratégica acerca dos requisitos decorrentes do duplo empenhamento das forças navais – nato e áfrica – , o almirante quintanilha de mendonça dias lançou um plano de aquisição e de construção de navios. para empenhamento na nato obtiveram-se as três fragatas da classe "pereira da silva", cons-truídas ao abrigo do plano de assistência mútua da aliança, e adquiriram-se em frança 4 submarinos da classe "albacora". para áfrica os primeiros navios foram com-prados em frança – as 4 fragatas da classe "comandante joão belo"; em portugal foram construídos os 10 patrulhas da classe "ca-cine" e as lanchas de fiscalização da classe "d. aleixo". na sequência daquele plano e com o impulso do almirante manuel pereira crespo foram construídas no estrangeiro, de acordo com projecto português, 6 corvetas da classe "joão coutinho" e, mais tarde, 4 corvetas da classe "baptista de andrade". em 1961, tinha sido construído em portugal o navio reabastecedor "s.gabriel", destinado a substituir o velho "s.brás". a fim de garantir um adequado comando e controlo dos co-mandos, forças e unidades navais empenha-dos na nato e nos vários teatros ultramari-nos, foi desencadeada uma profunda revo-lução nas comunicações, através da constitui-ção de circuitos de serviço fixo e de novos circuitos de cifra em linha (on-line), para além da criação do centro de comunicações da armada, orgão destinado a coordenar as ligações entre o continente e as colónias. cingindo-nos à participação da marinha na nato ainda é possível identificar na dé-cada de 60 os seguintes factos relevantes: • em 1963 foram construídos os depósitos de munições e de combustíveis de lisboa e de ponta delgada; • em 1967 foi finalmente viabilizada a cons-tituição do comiberlant, na sequência da saída da frança da estrutura militar da nato. a portugal coube o cargo de 2º comandante, em acumulação com o cargo de chefe do estado-maior, ambos atribuídos inicialmente ao contra-almirante sequeira araújo. ainda em 1967 foi iniciada a par-ticipação da marinha nas campanhas oceanográficas miloc (military oceanogra-phy), realizadas até 1969 com o objectivo de permitir a caracterização dos parâmetros físi-cos e químicos das regiões onde incidiam as preocupações operacionais das marinhas aliadas. • em 1968 o comandante estácio dos reis as-sumiu o cargo de oficial adjunto do chefe da representação militar nacional (milrep) no quartel general da nato, em bruxelas. ain-da nesse ano foi formalmente activada a for-ça naval permanente do atlântico (stana-vforlant) (6), símbolo da capacidade de resposta rápida e da determinação da nato. • a participação de portugal foi imediata e em 1969 o nrp "almirante pereira da silva", comandado pelo então capitão de fragata es-convirá ter presente o facto de nessa ocasião não ter sido activado o comando da área ibero-atlântica (comiberlant), devido a problemas políticos que só viri-am a ser resolvidos após a retirada da frança da estrutura militar integrada, o que ocorreu no ano de 1965. na sequên-cia dos contactos aos mais diferentes ní-veis de responsabilidade, decorrentes da participação na nato, verificaram-se profundas alterações organizacionais nas forças armadas portuguesas: foram cria-dos os cargos de ministro da defesa nacional, de secretário geral da defesa nacional e de chefe do estado-maior general das forças armadas, sinais do renovado papel que o poder político co-meçava a atribuir ao instrumento militar no contexto da acção estratégica do estado, a exemplo do que acontecia nos restantes países aliados (3); em 1952 a aviação naval foi integrada na estrutura da força aérea, mais um sinal das várias readaptações exigidas para fazer face aos novos desafios estratégicos da cena inter-nacional, numa época em que as grandes operações aéro-navais começaram a ser objecto das preocupações dos planea-dores militares; em 1953 foi constituído o comando de defesa marítima dos aço-res, percursor dos comandos territoriais estabelecidos anos mais tarde em áfrica; o estado-maior da armada passou a estar organizado por divisões, conforme mode-lo praticado pelos aliados; em 1957 fo-ram criados os comandos navais, os co-mandos de defesa marítima territoriais e os comandos de defesa marítima dos por-tos, com o objectivo de melhorar a coe-rência e a eficiência da organização de protecção da navegação mercante, requi-sito essencial da estratégia da nato no pós ii guerra mundial. ao nível do ensi-no as reformas foram iniciadas na escola naval, no âmbito das áreas da formação e do treino. para a operacionalização destas reformas deve ter sido relevante a visita realizada em 1954, pelos mais altos responsáveis da nossa marinha, a bases navais, escolas, centros de instrução e unidades navais dos eua. na década de 50 importa igualmente destacar: a constituição do centro de um submarino classe “albacora” em exercícios nato. o n.r.p. “almirante magalhães corrêa” num “fiord” na noruega, integrada na stanavforlant.</Page><Page Number="129">evista da armada • abril 99 19 "gomes freire", em oeiras. um ano depois, o então comandante cardoso tavares assumiu a chefia do estado-maior da stanavforlant, marcando o início de uma nova época, em que os militares portugueses desempenharam um papel cada vez mais relevante no seio daquela força naval, num claro reconhecimento das suas capacidades técnico-profissionais. em 1974 ocorreu uma mudança de regime em portugal, o que acarretou pro-fundas transformações políticas internas. é curioso notar que, apesar de o mundo estar em plena guerra fria e de o país ter sido governado, durante cerca de um ano, por políticos que privilegiaram as ligações a moscovo, paradoxalmente não houve alteração do estatuto de membro da nato, organização cujo principal objectivo estratégico, nessa época, era a defesa do ocidente contra a ameaça soviética! os navios da armada mantiveram a sua parti-cipação regular e digna na stanavfor-lant, apesar das enormes convulsões no seio das forças armadas, decorrentes da retracção do dispositivo ultramarino e da turbulência social generalizada no país. na sequência das transformações políti-cas internas e, no que se refere à marinha, foi extinto o cargo de ministro da marinha. esta importante alteração estatutária, por um lado reflecte a tendência imediata para esbater o protagonismo e a importância que a marinha e os seus oficiais, merecida-mente adquiriram na adminis-tração ultramarina, especial-mente quando os recursos materiais e humanos eram escassos, as funções mal re-muneradas, as condições sa-nitárias péssimas e o trabalho abundava; por outro lado, marca o início de uma desas-trosa inflexão da grande estratégia nacional, caracteri-zada pelo "voltar costas ao mar", concentrando as pre-ocupações nacionais apenas na europa. como a história nacional bem demonstra, as duas opções estratégicas – mar (8) e europa – não são mutuamente exclusivas; com efeito, o nosso passado colectivo só foi relevante nos períodos em que os responsáveis políti-cos perceberam que portugal deve fun-cionar como um elo de uma cadeia aliada de interesses estratégicos de vária natureza, que se projectam em áreas onde o país tem capacidade e vontade para exercer signi-ficativa influência política, económica, cul-tural, militar, ou outra. o actual governo parece ter reconhecido implicitamente o erro cometido no passado quando, no preâmbulo da resolução do conselho de ministros nº 83/98, de 26 de fevereiro, afirma ser necessário criar condições para que o regresso de portugal ao mar seja, nesta transição do milénio, um verdadeiro projecto nacional. em 1979 os navios da marinha portugue-sa iniciaram a sua participação nos exercí-cios nato das séries "mazon sharp", "sunny seas", "ocean safari" e "jmc". ain-da no mesmo ano a marinha assumiu o cargo de conselheiro militar na delegação nacional junto do quartel general da nato, em bruxelas. anos 80 no início dos anos 80 a situação política interna do país era clara e caminhava inequi-vocamente para a normalização, dentro dos parâmetros ocidentais: tinham sido concluí-das com sucesso as drásticas acções de redi-mensionamento e reorganização das forças armadas, em resultado do fim do conflito colonial; o pensamento estratégico militar nacional identificara a nato como a grande prioridade para transformar as forças armadas portuguesas num instrumento de acção pres-tigiado, credível e utilizável por um estado com renovados objectivos políticos. neste contexto, foi efectuado um esforço diplomá-tico que terá permitido atribuir: • em 1981, lugares no "international military staff" e no "international staff" do quartel general da nato; • em 1982, o estatuto de comandante-em-chefe ao comandante da área ibero-atlân-teves binca, iniciou uma contribuição regular da marinha no contexto da satisfação dos compromissos nacionais com a aliança atlântica. nesse ano foi activado um labo-ratório e um polígono para a investigação da propagação acústica no atlântico, cuja prin-cipal utilização foi o controlo dos movimen-tos da frota submarina soviética, que consti-tuía uma importante ameaça à segurança da navegação aliada e ao território dos eua (7). a nível organizacional em 1963 há a desta-car a promulgação de uma nova edição da ordenança do serviço naval, inspirada nas "queen regulations", colectânea de regula-mentos para organização das funções e das actividades de bordo. em 1967 foi estabele-cida a organização dos comandos territoriais do continente e ultramar, claramente inspira-da na organização nato, devidamente adaptada às necessidades da marinha nas colónias. em 1968 a superintendência dos serviços da armada desdobrou-se nas superintendências dos serviços do pessoal e do material e foi criada a superintendência dos serviços financeiros, por forma a permi-tir uma melhor resposta às novas necessi-dades dos comandos, forças e unidades na-vais. na área da formação salienta-se em 1961 a aprovação de uma nova estrutura de ensino na marinha, que passou a ter escolas e centros de instrução com estatuto diferenci-ado. para além disso, foram iniciados os cur-sos de engenharia de material, e reformula-dos os cursos de construção naval, hidro-grafia e oceanografia. estes cursos passam a ser ministrados, preferencialmente, em estabelecimentos de ensino, civis e militares, ingleses e americanos, o que permite apreen-der as novas técnicas necessárias às activi-dades navais portuguesas. anos 70 os anos 70 foram caracterizados pelo desafio tecnológico resultante da utilização de novos meios navais recebidos no final da década anterior, complementado por uma superior visibilidade da marinha na nato. em 1971 o comiberlant foi transferido de mem martins para o reduto o n.r.p. “comandante hermenegildo capelo” na stanavforlant – 1984. o n.r.p. “álvares cabral” na stanavforlant – 1992.</Page><Page Number="130">0 abril 99 • revista da armada um quartel general móvel, no mar, a bordo do uss "mount whitney". a crise na região sul da aliança foi conduzida na área do iberlant e no mediterrâneo, com grande intervenção do cinciberlant. os desafios da actualidade a queda do muro de berlim em novem-bro de 1989, a reunificação da alemanha em outubro de 1990, e a implosão da urss em dezembro de 1991, foram acontecimen-tos que transformaram radicalmente a con-juntura político-militar na europa. no entan-to, os factos provam que a liberdade e a se-gurança dos aliados permaneceram amea-çadas. para fazer face às perturbações da or-dem internacional e, na sequência das deci-sões tomadas nas cimeiras de londres (julho 1990), roma (novembro 1991), bruxelas (ja-neiro 1994) e madrid (julho 1997), a nato, com uma liderança muito forte e deter-minada (9) dos eua, adoptou uma estratégia que visa reforçar o seu papel político e as respectivas contribuições para a segurança na europa, em cooperação com outras organizações. os aspectos fundamentais dessa estratégia são o diálogo, a cooperação e a manutenção da tradicional capacidade de defesa colecti-va. a operacionalização da nova estratégia da nato tem sido alcançada através das se-guintes acções principais: • definição do papel da aliança atlântica no apoio ao desenvolvi-mento e afirmação da identidade europeia de segurança e defesa (iesd); • reafirmação da abertura a novos mem-bros; • estabelecimento do "euro-atlantic partnership council (eapc) (10); • lançamento da iniciativa da "parceria para a paz"; • redução da dependência estratégica das armas nucleares; • adopção de medidas para o combate à proliferação; • adaptação de novos procedimentos de planeamento; • alteração das forças militares inte-gradas (11); • operacionalização e implementação do conceito de "forças-tarefa conjuntas e combinadas"; • intervenção fora da área da aliança ("out-of-area"); • adaptação da estrutura militar integrada à nova configuração geoestratégica da europa; • definição e operacionalização de novos arranjos organizacionais e de adequados pro-cedimentos para a gestão de crises e para a realização de operações de paz. entre as acções antes listadas o maior desafio que se coloca ao futuro da nato pa-tica, que passa a adoptar a designação de cinciberlant e tem à sua frente, pela primeira vez, um vice-almirante português (elias da costa). no que se relaciona com a actividade operacional importa salientar que na década de 80 se verificou uma alteração substancial nos exercícios militares da nato. a guerra fria encontrava-se no auge e as principais preocupações militares aliadas estavam focalizadas nas possibilidades de invasão da europa pelas forças soviéticas. para dissuadir tal manobra estratégica foram concebidos diversos exercícios, que passaram a envolver grandes quantidades de meios navais e aére-os. as principais séries, que tomaram as desi-gnações de "display determination", "linked seas" e "resolute response", constituíram-se como um importante meio para adaptar a marinha à evolução dos padrões doutrinários e tácticos da aliança. em 1983 as fragatas da classe "comandante joão belo" ini-ciaram as suas integrações regulares na stanavfor-lant, em substituição das fragatas da classe "almirante pereira da silva". a partir desse ano foi nítida a resistência, por parte dos restantes aliados, relativa-mente à presença naval por-tuguesa nas actividades ope-racionais da nato, em resul-tado da insuficiência e da desactualização dos meios nacionais. a marinha iniciou então um complicado, demo-rado e esforçado processo de aquisição de três fragatas, que permitissem contribuir para a assumpção das responsabi-lidades soberanas no campo da defesa, e pa-ra a participação digna nos esforços colecti-vos de defesa. foi na década de 80 que se iniciou, em in-glaterra, a formação em tecnologias de edu-cação, tendo em vista estruturar a abor-dagem sistémica à formação e ao treino na marinha. em resultado desta acção o almi-rante cema aprovou em 1983 o novo sis-tema de formação e treino da marinha e, em 1985 autorizou a criação da escola de tecnologias da educação e treino. anos 90 a década de 90 ficará inegavelmente mar-cada na história do empenhamento da marinha na nato, pelo aumento ao efecti-vo de modernos meios navais, que permiti-ram a equiparação aos demais aliados e con-tribuíram para um prestígio nacional sem precedentes, no seio das forças navais da nato. fruto dos desafios impostos pelo fim do conflito bipolar, na década de 90 alterou-se substancialmente a estratégia da nato, o que implicou um acrescido empenhamento das marinhas aliadas em operações de paz e sido adoptados os padrões aliados de for-mação técnica. foi ainda com o apoio da nato que a marinha activou as infraestru-turas de manutenção destes helicópteros, sitas no montijo. é igualmente de realçar a participação das fragatas da classe "vasco da gama" no programa de avaliação opera-cional (operational sea training), realizado anualmente no reino unido. este exigente desafio implicou alterações nos métodos e nos graus de resposta dos comandos opera-cional e administrativo, bem como dos orgãos de apoio logístico e de manutenção da marinha. em suma poderá dizer-se que aqueles navios provocaram um salto qualita-tivo na marinha, só comparável à revolução de mentalidades ocorrida na década de 50. em 1996 materializou-se a pretendida colocalização em oeiras do comando naval, o que, por um lado, viabilizou o aces-so aos meios de comando e controlo do cin-ciberlant e, por outro lado, permitiu aos oficiais, sargentos e praças da marinha um permanente contacto com métodos, procedi-mentos, equipamentos e tecnologias aliados. em 1998 a marinha empenhou parte signi-ficativa das suas capacidades no exercício "strong resolve", o maior de sempre da nato, que contou com a participação de países "parceiros para a paz" (pfp) e dispôs de central de operações do n.r.p. “corte real” na stanavforlant - 1995. na cooperação com os países do leste europeu. por isso, logo em 1991, a fragata "comandante joão belo", o submarino "del-fim" e o reabastecedor "bérrio" iniciaram a participação nacional nas forças aliadas que operaram no mediterraneo, no quadro de contenção dos efeitos do conflito na ex-ju-goslávia. a partir de 1992 as fragatas da classe "vasco da gama" deram um novo incentivo à contribuição portuguesa para as missões da aliança atlântica, nomeadamente no que diz respeito à integração na stanavforlant. por isso, em 1995 o contra-almirante reis rodrigues assumiu o comando desta força militar, coincidindo com a operação "sharp guard", realizada no adriático. o aumento ao efectivo daqueles navios e dos respectivos helicópteros orgânicos impli-cou a reforma dos serviços de bordo, tendo</Page><Page Number="131">evista da armada • abril 99 21 rece ser a materialização do alargamento sem perda de efectividade e como medida de reforço da coesão de uma região euro-atlântica, democrática, próspera e segura, capaz de contribuir, quer para a paz e desen-volvimento de regiões vizinhas, quer para uma globalização mais justa, onde se reduzam as diferenças entre os níveis sócio-económicos da humanidade. a relevância do alargamento advém do facto de influen-ciar decisivamente a manutenção da capaci-dade de defesa colectiva e da capacidade de realizar as novas missões. outro desafio muito relevante no futuro da nato parece estar associado à materializa-ção das acções que se relacionam com o re-forço das estruturas de cooperação no domí-nio da segurança, essenciais para aprofundar o diálogo, consolidar as relações com os par-ceiros e evitar o aparecimento de novas li-nhas de fractura no continente europeu.  neste contexto, o plano de acção do eapc para o biénio 1998-2000, desenvolvido com base nos princípios da inclusão (12) e da autodiferenciação (13), terá um papel deci-sivo nas relações de segurança entre os 44 estados participantes das actividades deste conselho. uma antevisão do futuro da nato os dois desafios antes identificados – alargamento e reforço das estruturas da coope-ração – no curto prazo contribuirão para o reforço da coesão de uma região euro-atlânti-ca, democrática, próspera e segura. contudo, importarão uma visão da segurança mais vasta, razão pela qual no longo prazo aumentarão muito as responsabilidades alia-das em domínios tão distintos como o político, o económico, o social e o militar. como a nato deixou de defender fron-teiras e centrou a sua acção estratégica nos interesses de segurança, onde quer que eles se encontrem, a sua esfera de acção alargou- -se imenso. para fazer face aos múltiplos e imprevisíveis desafios da conjuntura, os eua necessitam de partilhar esforços com uma europa forte e unida. por isso, fomentaram o desenvolvimento do iesd, o que reforçou a tendência para os aliados europeus se aglutinarem em torno da união europeia, que integrará e promoverá a união da eu-ropa ocidental como seu "departamento" de defesa. a experiência de edificação da união europeia mostra-nos que este processo será lento, terá avanços e recuos, mas é incon-tornável nos próximos anos. assim aconte-cerá porque no contexto de acção estratégica dos estados é impossível dissociar a segu-rança dos aspectos relativos ao progresso e ao bem estar. numa europa verdadeiramente unida, prevê-se que a influência da alemanha seja cada vez maior, o que poderá aproximar o pensamento e o comportamento estratégico europeus, do pensamento e do comporta-mento clássicos das potências continentais. a nato transformar-se-á no fórum de concer-tação entre europeus, a uma só voz de tónica progressivamente continental e, norte-ameri-canos (eua e canadá), igualmente a uma só voz de tónica crescentemente marítima. as interdependências económicas permi-tirão que a aliança funcione enquanto hou-ver desafios externos suficientemente fortes para manter unidas a actual superpotência marítima norte-americana e a futura super-potência continental europeia. contudo, poderá chegar o dia longínquo em que as di-vergências (14) internas se sobreporão às externas e a aliança deixará de ter capaci-dade para consensualizar políticas e para estabelecer estruturas capazes de responder às novas circunstâncias. a verificar-se este indesejável cenário, o elo transatlântico desvanecerá e a história inovar-se-á: a superpotência marítima terá contribuído para a emergência e afirmação de uma superpotência continental, progressi-vamente menos cooperante, em função do desenvolvimento de interesses divergentes. o comstanavforlant calm reis rodrigues e o seu estado-maior a bordo do n.r.p. “corte real” dez 95 / abr 96. bibliografia: - nato handbook, nato office of information and press, bruxelas, 1995/1998. - texto elaborado pelo cmg rebelo duarte e intitulado "a marinha e a otan", para o cap. v da publicação do mdn, intitulada "portugal e os 50 anos da aliança atlântica", actualmente no prelo. notas: 1) de forma sintética poderá considerar-se que as três funções básicas de qualquer país na aliança são: participar nos processos políticos; ceder infraestruturas; e contribuir par as operações militares. 2) fragatas "diogo cão", "corte real" e "pero escobar";  8 patrulhas da classe "maio"; 6 patrulhas da classe "príncipe"; 4 draga-minas da classe " s. jorge" e 12 draga-minas costeiros da classe "ponta delgada". no fim da década de 50 foram adquiridas à inglaterra as 4 fragatas da classe "alvares cabral". 3) as forças armadas eram um poderoso actor político interno. salazar sabia-o bem. por isso, não podemos deixar de salientar que esta medida também visou submeter o poder militar ao poder político, por forma a reduzir as habituais apetências por intervenções na política nacional. 4) electrónica, rocega de minas, aviação, controlo naval de navegação, análise de combustíveis, táctica as, comunicações, informações em combate, defesa nuclear, desmagnetização, e turbinas de gás, entre outros. 5) dando continuidade a uma tradição secular ultramarina a marinha empenhou parte substancial do seu efectivo nos combates em terra, num esforço que infelizmente ainda não soubemos divulgar. 6) a stanavforlant surgiu três anos depois de ter sido constituído o "esquadrão naval" aliado, que integrou 4 a 6 navios dos eua, reino unido, holanda e canadá, e realizou as séries de exercícios denominadas "matchmaker", com a duração de 5 meses, cujo objectivo foi desenvolver doutrinas e procedimentos comuns. 7) aos interessados por esta temática recomenda-se a leitura do livro "blind mans bluff-the untold story of american submarine espionage", da autoria de sherry sontag e christopher drew, editado pela public affairs, new york, 1998. 8) convirá notar que a opção estratégica "mar" tem um conteúdo muito amplo e englobante, com objectivos e acções nos domínios político, económico, social e militar, direccionados para uma diversidade de continentes e países com os quais portugal sempre manteve relações privilegiadas, propiciadoras de inegáveis benefícios nas áreas da segurança, do progresso e do bem-estar social. 9) há quem considere esta liderança obstinada na prossecução dos interesses próprios. 10) anteriormente designado nacc, " north atlantic cooperation council". este concelho foi constituído e, posteriormente adaptado, para desenvolver as consultas, a cooperação, a transparência e a confiança em assuntos de segurança com os parceiros da europa central e de leste. 11) redução de efectivos, alteração dos estados de prontidão, melhoria da mobilidade e flexibilidade, e adaptação para empregos multinacionais com países não aliados. 12) o princípio da inclusão estabelece que as oportunidades para consultas políticas e cooperação estão abertas, em igualdade de circunstâncias, a todos os aliados e parceiros. 13) o princípio da autodiferenciação preconiza que os parceiros decidam individualmente o nível e as áreas em que pretendem cooperar com a aliança. 14) estas divergências poderão surgir pelo facto de os europeus se sentirem instrumentalizados pelos eua e arrastados para conflitos que não são do seu interesse vital. será este, provavelmente, o grande para-doxo estratégico de meados do século xxi, quando a nato comemorar o seu 1º. cen-tenário.  antónio manuel silva ribeiro cfr</Page><Page Number="132">projecto joanino 22 abril 99 • revista da armada o projecto joanino a marinha joanina (6) a 6 de janeiro de 1480, num momento em que as relações entre portugal e castela estavam em vias de resolução diplo-mática através do tratado das alcáçovas-toledo, anda-va pelo golfo da guiné um navio estrangeiro de nome mondanina onde viajava o francês eustache de la fosse. nesse mesmo dia o navio foi apresado pelos portugueses e o viajante francês deixaria um relato do seu cativeiro, onde revela com pormenor as circuns-tâncias em que foi capturado por um capitão, de nome diogo cão. estava-se, como dissemos, no princípio do ano de 1480 e o texto do referido tratado já tinha sido assinado pelos representantes portugueses, aguardando-se a ratificação castelhana, que viria a suceder a 6 de março desse mesmo ano. entretanto, a política ultramarina, apesar de afonso v ainda ser vivo, estava entregue ao príncipe d. joão, sabendo-se da forma decidida como pretendeu garantir o mare clausum (exclusivo do uso do mar) nas paragens africanas. por isso, as caravelas por-tuguesas passaram a andar armadas com artilharia e houve ordens específicas para aprisionar todos os navios estrangeiros que apare-cessem por aquelas partes. diogo cão foi, portanto, um dos oficiais do rei encarregados de levar a cabo esta política de monopólio aparecendo o seu nome, pela primeira vez, neste relato de eustache de la fosse. contudo, outras navegações lhe dariam muito mais fama do que estas campanhas no golfo da guiné. diogo cão viria a efectuar viagens decisivas em direcção ao sul, a partir de 1482 e seria ele que encontraria, pela primeira vez, a foz do rio zaire (norte de angola) subindo-o cerca de 150 quilómetros até contactar com o rei do congo, com quem se estabeleceram relações muito estreitas. estas viagens de diogo cão (que serão tratadas na próxima revista) correspondem a um passo decisivo no avanço das navega-ções portuguesas e mostram uma intenção que ainda não se tinha revelado nos anos que as antecederam: elas podem integrar-se já num plano muito mais alargado do que a simples exploração da costa africana à procura de novas terras ou novos locais de comér-cio; elas pronunciam a ideia de tentar contornar a áfrica para chegar à índia. há vários factos concretos que o indiciam e um deles é, sem dúvida, a oração de obediência ao papa inocêncio viii feita por vasco fernandes de lucena, em nome do rei de portugal. no seu texto está bem explícita essa ideia, quando afirma, “a tudo isto acresce a esperança bem fundada de explorar o golfo arábico [oceano índico]” e acrescenta, mais à frente “… a dar crédito a experimentados geógrafos, já a navegação portuguesa senão encon-tra senão a alguns dias de viagem”. a primeira viagem de diogo cão terminou em 1484 e o texto é feito em 1485, parecendo-nos claro que haveria uma intenção do rei de portugal em entusiasmar o papa com as acções navais dos portugueses, dando-lhe a enten-der que dessa forma chegariam ao oriente onde, inclusivamente, haveria “reinos e povos, que habitam a ásia, mal conhecidos de nós por notícias muito incertas, praticam escrupulosamente a fé santíssima do salvador”, como também consta na oração. muitos historiadores têm visto neste texto de vasco fernandes de lucena a reve-lação de que o propósito fundamental de d. joão ii era encontrar esses reinos cristãos do oriente, con-cebendo um vasto plano de cerco do poder muçulmano do norte de áfrica. por ou-tro lado, o contacto com o rei do congo, a própria subida do rio, tentando penetrar no coração da áfrica, e outras iniciativas lançadas para o interior do continente, levam a crer que o rei de portugal procurava qualquer coisa nesse sertão interior. o que poderia ele procurar?… é muito provável que fosse o tal preste joão, um rei lendário que governava em parte incerta, lá para a áfrica oriental. faz sentido que d. joão ii assim tenha pen-sado e faz sentido que tenha imaginado a possibilidade de alcançar uma aliança com esse rei, que se supunha poderoso e rico. contudo, é preciso ter cuidado na interpretação destes documentos e não tirar conclusões absolutas sobre o assunto. não é linear que o rei português apenas visse no oriente este projecto missionário anti-muçulmano. tentemos colocar as coisas no plano em que podem ter sido vistas no final do século xv e procuremos interpre-tar os acontecimentos. repare-se que a primeira viagem de diogo cão deve ter explorado uma parte significativa da costa africana (ultrapassaram o cabo de santa maria), mas também deve ter toma-do consciência das enormes dificuldades que se ofereciam à nave-gação para sul, ao longo daquela costa. deve atender-se ainda que a necessidade ou a ânsia de informações estimulava a que se envias-sem expedições pelo interior da áfrica. mas todas estas acções podem ter sido tentativas vagas de quem não sabe bem por onde procurar. não sei se se procurava o preste joão e, se calhar, nem eles o sabiam. pode acontecer que apenas tenham querido saber coisas diversas sobre aquele continente desconhecido. a própria oração, não pode ser interpretada à letra, uma vez que se trata de um texto diplomático de propaganda política que procurava impressionar e colher os bons ofícios do papa. são múltiplas as questões que se podem levantar para tentar adivinhar os exactos pensamentos de d. joão ii, mas não será fácil chegar à verdade. apenas podemos dizer que era um homem com um projecto de chegar à índia pelo mar e, para isso, deu ordens para procurar a passagem sul da áfrica. entretanto foi experimentando, foi procu-rando informações, foi lançando novas empresas no sentido de chegar a uma ideia clara. se calhar, procurou tudo ao mesmo tem-po porque talvez não soubesse bem o que havia de procurar. pouco se sabia sobre a áfrica, sobre o oriente, sobre o oceano índico, sobre tudo o que transcendia deste mundo ocidental onde vivia. as viagens de diogo cão compreenderam quatro anos de procu-ra e, seguramente, trouxeram algumas pistas, mas levantam-nos também alguns mistérios. falaremos nisso na próxima revista. j. semedo de matos cten fz pedra de ielala (150 km a montante da foz do zaire). nela se encontram gravadas inscrições feitas pelos marinheiros de diogo cão.</Page><Page Number="133">sua actividade em 1998 revista da armada • abril 99 23 u ma vez mais se aproxima uma época balnear, momento viva-mente aguardado por crianças e adultos, ambos sequiosos por sol, água, relaxe e descontracção e, como vem sendo tradição desde há várias décadas, o instituto de socorros a náufragos vive a azáfama própria desta época, desde o olhar com atenção o passado, tirando daí as respectivas ilações, a encarar o fu-turo com novo alento. no que concerne ao passado tem-se vindo, felizmente, a assistir a uma dimi-nuição constante dos acidentes fatais re-gistados nas nossas praias; não só às da orla costeira, mas também às praias de rio, lagoas e albufeiras, onde o perigo é bastante evidente, e onde continuam a ocorrer acidentes mortais, na sua maio-ria por incúria dos utentes. das sete ocorrências fatais registadas nas praias do interior na passada época balnear, ressalta a evidência da falta de previdência por parte dos utentes, para além do facto de existir um notório alheamento por parte de alguns adultos no que diz respeito à atenção que devem dispensar para com os seus filhos, muito especialmente em zonas de risco, como são os casos de correntes e fundões exis-tentes nas nossas zonas hídricas. alguns dos acidentes fatais seriam evitáveis se existisse uma maior conscien-cialização por parte de quem usa essas zonas de lazer e que escondem inúmeros perigos. fica aqui, portanto, o alerta. também os casos de congestões fatais seriam evitáveis se as pessoas seguissem as regras mais elementares de sobrevi-vência, nomeadamente a que este insti-tuto divulga e que refere o espaço de 3 horas que se deve fazer após as refeições, antes de tomar banho. parece, francamente, uma norma ele-mentar, lógica e de fácil concretização, ao passo que o seu incumprimento reflecte um notório desleixo absolutamente ina-dmissível e de consequências trágicas. no que diz respeito às pessoas com problemas do foro cardíaco, fica a recomendação, uma vez mais, para não estarem demasiado tempo expostas ao sol, nem para entrarem de rompante na água. na época balnear de 1998, e no que diz respeito às praias vigiadas, registaram-se 5 ocorrências fatais e destas, 4 foram aci-dentes cardíacos em pessoas com mais de 60 anos, num universo de 1600 acções de salvamento efectuadas. não há salvamentos que valham a quem não quer ser salvo, a quem não quer cumprir as mais elementares regras de sobrevivência. no entanto, a maior incidência de aci-dentes fatais localiza-se em praias não concessionadas e, na sua maioria, são causados ora por congestão, ora por ata-que cardíaco. uma vez mais, estas são as causas principais de acidentes fatais nas nossas praias. não há maneira de evitar isso, se são os próprios veraneantes que não o tentam evitar, seja qual for a razão. é evidente que tais factos não servem de pretexto para descurar a vigilância, bem pelo contrário, o reforço na salva-guarda da vida humana nas áreas bal-neares, quer em meios humanos quer em meios materiais, tem tido da parte do i.s.n. a máxima atenção e tem vindo a aumentar de uma forma consistente; grandes investimentos têm sido feitos de forma a proporcionar uma mais eficaz segurança nessas zonas. a sua actividade em 1998 instituto de socorros a náufragos</Page><Page Number="134">4 abril 99 • revista da armada o futuro, tanto o próximo como o dis-tante, leva o i.s.n. a encarar as realidades com outro alento, e os cursos de for-mação dados aos na-dadores-salvadores são agora cada vez mais exigentes e de maior duração, dan-do-lhes uma qualifi-cação impar para uma mais e melhor efi-ciência, tanto na pre-venção de acidentes como nos salvamen-tos e assistência pri-mária. os meios materiais envolvem não só as embarcações salva- -vidas em permanen-te prevenção, mas também os novos equipamentos utilizados nas praias, e que foram introduzidos com sucesso, sendo hoje obrigatórios em todas as áreas concessionadas, e ainda as novas viaturas todo-o-terreno, que tão den-odadamente provaram a sua mais valia e que, graças a um esforço por parte do fabricante, seus concessionários e demais colaboradores, permite ao i.s.n. apresentar para esta época balnear um quantitativo de 35 viaturas a distribuir por 19 capitanias, em todo o território nacional, viaturas essas que apresentam algumas alterações em relação às ante-riores e que irão contribuir para uma maior eficácia no salvamento, privile-giando a sua área de actuação nas praias não concessionadas. também a partir deste ano, e no se-guimento do cumprimento das normas estabelecidas por este instituto, espe-cialmente no que diz respeito à utiliza-ção dos diversos meios de salvamento actualmente em uso, serão efectuadas, contributo das au-tarquias locais e a prestimosa colabo-ração das associa-ções de bombeiros que para tal se dis-ponibilizam, foi de-cisivo para o decrés-cimo de mortos nas nossas praias; é de salientar que em 1998 foi de cerca de 9 mi-lhões e 500 mil o nú-mero estimado de pessoas que as fre-quentaram. para esta época balnear, e em resu-mo, pode-se contar com cerca de 1300 novos nadadores- -salvadores, deten-tores de mais e me-lhores conhecimen-tos na área preventiva, de salvamento e assistência. pode-se contar, uma vez mais, com o empenhamento e abnegação das tripula-ções das embarcações salva-vidas, de pre-venção 24 horas por dia, 365 dias por ano. pode-se contar com novos e melhores meios de salvamento disponíveis em todas as praias concessionadas, e pode-se contar ainda com novos, mais rápi-dos e eficazes meios de vigilância e socorro, corporizados por 36 novas via-turas todo-o-terreno, temporariamente cedidas pela mi tsubishi motors de portugal, seus concessionários e colabo-radores prest imosos no projecto, a exemplo do ano passado. pode-se contar ainda com uma maior divulgação das regras e recomendações para um bom relacionamento com o mar e águas do interior, através de campanhas de sensibilização protagoni-zadas a todos os níveis e a todo o momento. é profunda convicção do i.s.n. que, com todos estes novos suportes e acções, a segurança nas zonas balneares será mais eficaz, e os recursos disponi-bilizados serão melhor rentabilizados. finalmente, uma chamada de atenção a todos os que procuram nas praias o lazer e descanso, para que tomem as maiores cautelas e se informem sobre os perigos dos locais que pretendem fre-quentar; todos os verões este lazer é bru-talmente desfeito por acidentes que enlu-tam as famílias, na maioria dos casos por simples desleixo. o desejo do i.s.n. é que gozem um es-plêndido verão, mas um verão em segu-rança! (colaboração do i.s.n.) sem qualquer pré aviso, auditorias por funcionários do i.s.n., devidamente cre-denciados e acompanhados por repre-sentantes da autoridade marítima. pretende-se desta forma uma maior responsabilidade por quem de direito; nesta área, a da salvaguarda da vida humana, não se podem permitir quais-quer formas de “facilidades”. de igual modo, o i.s.n. passou, no que diz respeito à prevenção de acidentes, de agente reactivo a agente activo, isto é, em vez de esperar que as escolas solicitem a sua presença, vai o i.s.n. às escolas, às associações de pais e aos educadores de infância, fazer palestras sobre os perigos do mar e zonas hídricas bem como da prevenção de acidentes. por se considerar tal divulgação tão importante, passou-se a actuar, não só na área escolar, em colaboração com diver-sas entidades dos mais variados qua-drantes, e a quem se deixa aqui, desde já, o nosso reconhecimento, mas também na sensibi l ização dos demais veraneantes, quer através dos meios de comuni-cação social , quer através de exposições e de outros eventos de carácter social. os elementos esta-tísticos das campa-nhas anteriores ani-mam as pretensões do i.s.n. de fazer com que diminuam ainda mais, não só o núme-ro de acidentes mor-tais nas nossas praias, mas também as suas causas. uma vez mais, o</Page><Page Number="135">evista da armada • abril 99 25 numa mensagem enviada posterior-mente, o almirante cema disse ter apre-ciado a visita que efectuou ao ih e lou-vou o esforço que tem sido desenvol-vido a todos os níveis para continuar a pro-jectar o instituto hi-drográfico para po-sição de liderança nas ciências do mar no presente e no pró-ximo milénio em por-tugal, concluindo que “a visão prospectiva que me foi dada e a demonstração do saber e capaci-dade são disso um garante”. “desde longa data que me habituei a apreciar e admirar o ih. as oportunidades de carreira que tive levaram- -me a conhecer cada vez melhor esta casa e com o conhecimento resultou uma admiração cada vez maior. a visita de hoje nessa mesma linha, deu- -me uma visão ainda mais perfeita e, por isso, é de toda a justiça louvar o trabalho, que tem sido desenvolvido e, sobretudo, a visão daquilo que, no futuro, há a desenvolver. desafio o ih a, no próximo século, ser a casa de excelência das ciências do mar neste país, certo de que será um desafio a vencer”. o chefe do estado-maior da armada no instituto hidrográfico no dia 29 de janeiro, o ih recebeu a visita do chefe do estado-maior da arma-da, almirante nuno vieira n.r.p . “almirante gago coutinho” o almirante cema acompanhado do director geral do ih. um navio da classe “stalwart-tagos”. foi já confirmada a trans-ferência de um novo navio para a marinha portuguesa. pertencente à classe “stal-wart – t-agos 5” dá pelo nome de “assurance”. é oriundo dos estados unidos da américa, tal como o seu irmão gémeo n.r.p. “d. carlos i” e prevê-se que chegue a portugal ainda este ano de 1999. na marinha americana in-tegrava uma frota de navios destinados à vigilância sub-marina, pelo que terá de so-frer algumas adaptações que lhe permitam desempenhar missões de um navio hidro-gráfico moderno, esperando- -se que chegue a portugal já equipado com o material ne-cessário. para esse efeito, encontra-se a ser ponderada a hipótese de, durante a fase de reactivação, serem feitas as necessárias transformações, incluindo a obtenção e instalação de um sistema de sonda multifeixe para grandes fundos. como navio português, irá adoptar o número de amura a523 e o nome de n.r.p. “al-mirante gago coutinho”, em homenagem ao respeitável oficial de marinha e geógrafo do nosso século. após a sua completa reacti-vação, iniciar-se-á o processo de abate do n.r.p. “almeida carvalho”, navio que ultima-mente se tem conseguido manter operacional com mui-tas dificuldades, devido à sua longa idade. a investigação hidrográfi-ca e oceanográfica nacional f icará reforçada, após a operacionalidade destes dois navios hidrográf icos (os n.r.p. “d. carlos i” e “almi-rante gago coutinho”) e o ih terá oportunidade de con-cretizar mais eficiente e rapi-damente mui tas das suas actividades e projectos. foi lançado ao mar em 12 de janeiro de 1985, sendo por-tanto um navio ainda jovem em termos de vida útil. instituto hidrográfico briefing do vice-almirante torres sobral. características: comprimento fora-a-fora .................................68.3 m boca ......................................................................13.1 m deslocamento .....................................................2285 ton calado ................................................................. 4.6 m propulsão principal ...........................................diesel/eléctrica potência máxima ............................................... 2x800 cv nº de hélices .......................................................2 propulsor de proa ..............................................550hp velocidade máxima ...........................................11 nós matias. depois do que ficou a conhecer do ins t i tuto numa primeira visi ta que efectuou em maio de 1997, pouco tempo depois de ter sido nomeado cema, esta passagem serviu para cons-tatar as alterações e os no-vos proj ectos que const i -tuem objectivos estratégicos do ih para o próximo sé-culo.</Page><Page Number="136">6 abril 99 • revista da armada notícias é no mar que se vão suprir as necessidades que o estado civiliza-cional atingido nos impõe. o posicionamento oceânico do país, permitiu uma dimensão universal à “portugalidade”, dando-lhe um poder funcional que se constitui em importantíssima potencialidade. será pois indispensável continuar a sublinhar na consciência nacional a singularidade oceânica e a importância crítica de uma gestão criteriosa do uso do mar. realizou-se no passado dia 20 de janeiro no instituto superior naval de guerra, um painel subordinado ao título “o mar, um imperativo estratégico para portugal?” com a presença do chefe do estado-maior da armada, alm vieira matias, de vários oficiais generais da marinha e força aérea, e outros oficiais, teve a participação de todo o corpo docente do ins-tituto (cursos superior, complementar e geral naval de guerra). àmesa tomaram lugar, o engº consiglieri pedroso, secretário de estado adjunto do ministro do equipamento planeamento e administração do território; o dr. josé apolinário nunes portada, secretário de estado das pescas; o dr. josé angelo guerreiro da silva, secretário de estado do ambiente; o prof. doutor nuno severiano teixeira, director do instituto de defesa nacional, e o professor dr. mário ruivo presidente do comité português para a comissão oceanográfica intergovernamental da unesco. das excelentes intervenções da oportunidade, concluiu-se sobre a relevância das consequências para portugal do valor estratégico do mar na actualidade, uma vez que estamos a iniciar uma era na essência carregada de maritimidade. instituto superior naval de guerra a direcção do serviço de formação está reconhecida por s. exa. o ministro da defesa nacional, desde 11 de fevereiro de 1990 como entidade formadora, nos termos do artº. 14º. do decreto regulamen-tar nº 15/96, de 23 de novembro e do artº. 2º da portaria nº 782/97, de 29 de agosto. este reconhecimento era essencial para que a marinha, através daquela direcção, continuasse a ter acesso aos fundos estruturais para desenvolver acções de formação profissional para o pessoal afecto à administração pública no âmbito dos objectivos estabeleci-dos para o profap. acreditação de entidades formadoras direcção do serviço de formação protocolo de modernização administrativa em julho de 1998 foi celebrado um protocolo entre a marinha – direcção do serviço de formação (dsf) e o secretariado para a modernização administrativa (estrutura dependente da presidência do conselho de ministros), que permitiu, no âmbito do projecto “melinfo” e com um financiamento de um milhão e quinhentos mil escudos (7481 euros), a execução de diversos fo-lhetos de divulgação de algumas escolas profissionais da marinha e da própria dsf. esta iniciativa foi concluída no final do ano e é mais um instrumento colocado ao serviço da divulgação e da infor-mação das pessoas e, principalmente, das diversas chefias das nos-sas organizações sobre a importância que a formação assume para se alcançarem elevados níveis de desempenho sectorialmente ou globalmente, por projecto ou por sistema. saibam todos os números da revista da armada antigos passam a ser vendidos a preço actual de capa: 24000. convívio realiza-se no próximo dia 1 de maio no restaurante a valenciana, em fernão ferro, o almoço comemorativo dos 25 anos de incorporação da escola de abril de 74. os intetressados podem contactar com: • 1º sarg. e. josé lemos; telfone 205 1369 telemóvel 0936 507 9558; telfone interno 3423</Page><Page Number="137">otícias o presidente da world ship trust, jacques chau-veau, ao entregar o pré-mio ao presidente da re-pública realçou a quali-dade do trabalho executa-do e o empenhamento de todos quantos part ici -param no projecto de res-tauro do navio. o chefe do estado-maior da armada agrade-ceu a distinção e salientou os esforços realizados que permitiram concretizar o projecto de recuperação daquele que foi o último navio à vela a fazer a carreira da índia. o presidente da república sublinhou a liderança do almirante andrade e silva em todo o processo de restauro do navio e distinguiu o trabalho que a marinha vem realizando na área cultural pela preservação do património histórico e na divulgação da história marítima por-tuguesa. em cerimónia presidida pelo presidente da repú-blica teve lugar a bordo da fragata “d. fernando ii e glória”, no passado dia 11 de março, a entrega do ga-lardão “international mari-time heritage award” atribuído àquele navio pela world ship trust. estiveram presentes os chefes de estado-maior dos três ramos das forças armadas, os embaixadores de frança e do reino-unido, diversos mecenas e muitos dos colaboradores no processo de recuperação do navio. a world ship trust, organização internacional dedicada a incentivar e apoiar o restauro e preservação de navios com valor histórico e que atribuíra em finais de 1997 igual prémio ao bergantim real, decidiu recentemente galardoar a fragata “d. fernando” pre-miando assim a excelência do trabalho de restauro realizado. a fragata “d. fernando ii e glória” recebe galardão internacional cio” (itália), que será rendido mais tarde pelo destroyer “perseo” e pela fragata “extremadura” (espanha). durante cerca de um mês e meio a força partici-pará no exercício swordfish 99, organizado e conduzido pelo comando naval, nas áreas de exercícios navais do continente e da madeira, no período de 8 a 19 de março e no exercício destined glory 99, organizado e conduzido pelo comando da força de apoio e ataque do medi terrâneo (comstrikforsouth) , no mediterrâneo oriental a decorrer de 3 a 19 de abril. no intervalo entre exercícios, durante o trân-sito entre as áreas de operações, efectuará uma acção de presença naval no mediterrâneo, visi-tando os portos de catânia ( i tál ia) , piraeus (grécia) e izmir (turquia). no passado dia 4 de março teve lugar no cais de sta. apolónia, em lisboa, a cerimó-nia de activação da força naval europeia (euromarfor). a cerimónia, que decorreu a bordo da fragata “álvares cabral”, foi presidida pelo valm alexandre reis rodrigues, actual comandante da euromarfor, tendo sido empossado como comandante táctico da for ça o cmg fernando josé de me l o gomes. para além da fragata “álvares cabral”, navio-chefe, a força é constituída para o per í odo da present e ac t ivação , pe l os destroyers “montcalm” (frança), que será rendido mais tarde pelo destroyer “la motte picquet” e “libec-cerimónia de activação da euromarfor revista da armada • abril 99 27</Page><Page Number="138">8 abril 99 • revista da armada notícias ans, o sargento parada em representação do clube dos sargentos da força aérea e o cabo cardoso em representação do clube de praças da armada. o presidente da mesa da assembleia geral, carlos carreira, na sua intervenção, alertou para a resolução dos problemas, tais como: “a conclusão do processo já iniciado no mandato anterior do problema da renda da sede social e a obtenção do estatuto de pessoa colectiva de utilidade pública, processo também já iniciado no mandato anterior, e actualmente entregue na secretaria do gabinete do sr. primeiro ministro para despacho”. custódio de jesus saj realizou-se em 23 de janeiro de 1999 na delegação nº 1, no feijó, com a presença de mais de uma centena de associados, a assembleia geral ordinária, que aprovou o relatório e contas e respectivo parecer do conselho fiscal, referente ao exercício do ano de 1998 e procedeu à eleição dos corpos sociais para o biénio 1999/2000. de salientar no relatório e contas aprovado, a boa saúde financeira do csa, o número de refeições servidas nos dois restaurantes (36.332) e a adesão de 113 novos sócios, quando o número de sargentos que frequentam os cfs, e até os próprios cfs, já não são numerosos. e na síntese final do mesmo relatório “o csa pela grande participação da massa associati-va, no vasto conjunto de iniciativas que promove, continuará a ser um local de convívio, de confraternização e de debate e um elemento activo do movimento associativo nas suas vertentes social, cultural e recreativa”. no dia 30, do mesmo mês, na sede social, em lisboa, numa cerimónia, cheia de alegria e entusiasmo, com a participação de muitos associados, tomaram posse os corpos sociais eleitos, na presença de vários convidados entre os quais, o almirante leitão rodrigues, em representação do almirante cema, o cmte. ferro em representação da associação dos oficiais das forças armadas (aofa), o sr. martinez, em representação da voz do oprerário, o sargento martins, em representação da clube do sargento da armada teve lugar no passado dia 24 de fevereiro numa sala da delegação nº 1 do clube do sargento da armada, gentilmente cedida para o efeito, uma palestra subordinada ao tema “alinhamento de veios de manivelas de motores”, proferida pelo cmg emq camilo rabaça pires, que contou com a presença de muitos associados. informam-se os associados que irão decorrer novas palestras das quais serão avisados pelo envio de circulares a confirmar as mesmas. a associação dos maquinistas navais, formada em abril de 1979, por antigos maquinistas navais, cuja finalidade, além de ou-tras, tem sido a de defender e de fomentar o interesse profissional de todos os associados, tem vindo a contribuir com palestras para a discussão de questões profissionais. deste modo, tem-se dedicado à formação social e cultural dos seus associados, assim como para o seu aperfeiçoamento profissional. assim sendo, na continuidade do ciclo de palestras técnicas, associação dos maquinistas navais cepame centro particular de medicina e enfermagem av. luís de camões, 40 – r/c - c tels: 2539420/2536902 • fax: 2536902 miratejo – 2855 corroios horário segunda a sexta das 8h00 às 13h00 e das 15h00 às 22h30 sábados das 9h00 às 13h00 e das 15h00 às 20h00 domingos e feriados das 9h00 às 12h00 e das 17h00 às 20h00 t ratamentos dentários ortodôncia próteses fixas e removíveis rx panorâmico av. combatentes da grande guerra, n.º 8 - 1.º esq. • 2700 amadora t elefone: 493 41 20 acordo com a adma clínica dentária dra. natália ferreira, lda clínica dentária dra. natália ferreira, lda</Page><Page Number="139">articipação do n.r.p. “albacora” no ost 1/99 tas para o pi. também o pi do “barracuda” teve que ser sujeito a re-arranjos e a replaneamento, implicando acrescido esforço pessoal para garantir a respectiva execução em tempo opor-tuno, obrigando em alguns casos ao envolvimento do pessoal de bordo, da es e da própria irs, em equipas conjuntas de manutenção ao nível do 3º escalão. conseguida que foi a reformulação do planeamento operacio-nal dos submarinos para 99, o n.r.p. “albacora” largou da b.n.l. no dia 25 de janeiro com destino a plymouth – reino unido onde atracou a 29 de janeiro, para mais uma colabo-ração com o fost a iniciar logo no dia 1 de fevereiro. a participação dos submarinos portugueses nos ost, constituem contrapartida ao treino e avaliação das fragatas da classe “vasco da gama” naquela prestigiada institui-ção de certificação a nível nato. esta participação é concebida de forma a testar o desempenho dos navios em avaliação, implicando uma ligação estreita com o “staff” do fost no sentido de serem definidos os objectivos, a comple-xidade e as intenções para cada uma das fases do treino e da avaliação. estas definições incluem o posicionamento do sub-marino, o tipo de postura táctica a adoptar em função do nível de desempenho de cada uma das unidades de superfície em avaliação, assim como a definição dos alvos prioritários a atacar de acordo com o tipo de exercício em curso. estas solicitações do fost não invalidam contudo a liber-dade de adopção de outras soluções tácticas por parte do comandante do submarino, nomeada-mente em função dos cenários tácticos prevale-centes, constituindo na sua globalidade, uma extra-ordinária oportunidade de treino para toda a equipa operacional do submarino. de referir que a área de operações é caracterizada por uma grande densidade de navegação pesqueira, fundos baixos, correntes fortes e muitos “wrecks”, tudo factores de relevante importância para o planeamento e condução das operações submarinas. a esta já conhecida e tradicional complexidade da área de operações, há a acrescentar não só uma extremamente restritiva política de segurança e de res-guardo aos pesqueiros, como também a prevalência de condições batitermográficas normalmente desfa-a inda o ano de 1999 dava os primeiros passos e os actuais comandantes dos submarinos “albacora” e “barracuda” tinham acabado de ser empossados, quando o flag officer sea training (fost) contactou o comando naval no sen-tido de ser avaliada a possibilidade de garantir a colaboração inopinada de um submarino português no ost 1/99, a acrescen-tar à participação já programada para o ost 2/99 a ter lugar no próximo mês de julho, face à extrema dificuldade na obtenção da colaboração de submarinos dos restantes países nato, incluin-do os que tinham navios de superfície em avaliação. a participação solicitada era para o período de 1 a 19 de fevereiro, implicando logo à partida algumas alterações de fundo no planeamento operacional aprovado, um re-arranjo algo complexo das acções de reparação incluídas nos períodos de indisponibilidade (pi) dos submarinos, assim como uma reconfiguração, redifinição e replaneamento das acções de manutenção periódicas incluídas nos respectivos pi’s, por forma a permitir a participação do “albacora” no instrex 1/99 e no ost 1/99, assim como a participação do “barracuda” no contex 99. definido que foi pelo comandante naval o elevado interesse em garantir a colaboração solicitada pelo fost, atendendo à credibilidade capitalizada e à demonstração da elevada flexibi-lidade das estruturas operacional e de manutenção nacionais, o co-mando da esquadrilha de sub-marinos envidou todos os esforços próprios e de coordenação com os submarinos e com a estrutura da inspecção de reparação de sub-marinos – arsenal do alfeite (irs), no sentido de alcançar o desiderato proposto. tal objectivo só foi possível alcançar, graças a um elevado e acrescido esforço do pessoal de bordo não só ao nível da manuten-ção do 1º escalão, como também ao nível da preparação operacional do submarino para uma missão complexa, prolongada e a ocorrer a muito curto prazo. fundamental foi também a coordenação perfeita entre os serviços da estrutura em terra da esquadrilha de submarinos, os serviços técnicos de bordo e a irs, no senti-do de ultrapassar em tempo recorde um conjunto muito signi-ficativo de acções de reparação necessárias, assim como a exe-cução de um elevado número de acções de manutenção previs-revista da armada • abril 99 29 participação do n.r.p. “albacora” no ost 1/99</Page><Page Number="140">0 abril 99 • revista da armada voráveis para a operação do submarino em imersão. este conjun-to de parâmetros conjunturais e ambientais implicam um exercí-cio contínuo do pensamento táctico e a adopção de manobras anti-detecção algo complexas mas eficazes, como sejam o mas-carar o submarino utilizando as oportunidades de “camuflagem” oferecidas pelos numerosos “wrecks” existentes na zona. uma vez mais o desempenho de um submarino português mereceu elogiosas referências das autoridades britânicas e o reconhecimento do fost, expresso em carta pessoalmente dirigida ao comandante do navio e ao comandante naval, com relevantes menções não só à postura pró-activa assumida pelo submarino, como também quanto às adequadas soluções tácti-cas e operacionais adoptadas, tendo em conta uma participação não planeada e com reduzido tempo de pré-aviso, garantindo valiosas oportunidades de treino e de avaliação a unidades navais do reino unido, da alemanha e da holanda. o programa seriado deste tipo de treino contemplou nave-gações de segunda a sexta-feira, sendo o fim-de-semana para descanso e preparação do programa para a semana seguinte. a participação do n.r.p. “albacora” no ost 1 / 90 englobou um período de 3 semanas de actividade extremamente intensa, como se pode avaliar pelos dados estatísticos seguintes: - efectuados 23 casex’s; - realizadas 478 horas de navegação; - das quais, 264 horas em imersão (taxa de imersão 62%); - percorridas 3029 milhas. terminada a sua participação, o “albacora”” largou de plymouth no dia 22 de fevereiro tendo atracado na bnl no passado dia 26 de fevereiro, iniciando de imediato a pre-paração para a sua participação no exercício “swordfish 99” a decorrer no período de 7 a 19 de março, juntamente com o “barracuda”, o submarino brasileiro “timbira” e o submarino espanhol “tramontana”. a guarnição do “albacora” orgulha-se de honrar a divisa submarinista sempre presente de “dedicação – profissiona-lismo – eficiência”. (colaboração do comando do n.r.p. “albacora”) voltas à base naval de lisboa voltas à base naval de lisboa realizou-se no dia 24 de fevereiro mais uma edição das voltas à base naval de li sboa , na var i ant e de estafetas, no habitual per-curso de 8km no perímetro do alfeite, e que registou a boa presença de 64 atletas, veri f icando-se no f inal as seguintes classificações por escalões: i escalão base de fuzileiros ii escalão base de fuzileiros iii escalão escola de fuzileiros iv escalão escola de fuzileiros v escalão base de fuzileiros xi campeonato de marinha de orientaçâo xi campeonato de marinha de orientaçâo a zona de grândola foi o cenário escolhido para a reali-zação do xi campeonato de marinha de orientação, que decorreu de 8 a 12 de março, organizado pelo comando do xv campeonato da marina de futebol de 5 xv campeonato da marina de futebol de 5 começou já em 1 de mar-ço a fase preliminar daque-le que constitui o mais po-pular campeonato da mari-nha, o de futebol de 5, des-ta feita na sua 15ª edição. t rês vi tór i as nos úl t imos quatro anos, prevendo-se um equililíbrio nos ii e iii esca l ões , que cos tumam apresentar uma maior di-versidade de vencedores. desporto 1:15.000 daquela zona. a pro-va, que contou com a presença de 65 atletas oriundos de 6 unidades, registou à seme-lhança das edições anteriores um excelente índice técnico, tendo-se apurado as seguintes classificações por escalões e estafetas: i escalãomasculino 1º 1ten sef palma -  bf 2º 1mar fz ferreira -  bf 3º 1mar fzmrebola - bf ii escalãomasculino 1º 1sar fzmpereira - en 2º 2sar fzmluís   - bf 3º 2sar fz batista   - bf escalão feminino 1º 1mar l s. lorvão - uaicm 2º 2mar tfhduarte - uaicm 3º 1mar l a. lorvão - uaicm prova de estafetas i escalãomasculinos -  bf ii escalãomasculinos - bf escalão femininos - uaicm um pouco por todo o conti-nente e ilhas nas diversas unidades da marinha, dão- -se os primeiros pontapés que permi t irão a selecção de finalistas que irão estar presentes no cefa de 5 a 9 de abril. a competição no i escalão antevê-se renhida , com a uaicm a tentar manter a sua hegemonia, por força de corpo de fuzileiros e com a colaboração do clube ibérico de montanhismo e orientação (cimo), que mais uma vez forneceu graciosamente as car-tas topográficas na escala de</Page><Page Number="141"></Page><Page Number="142">2 abril 99 • revista da armada alma de mestre a lma-de-mestre!... naquela tarde, olhando enternecida-mente as primeiras radiações de um sol que soubera dissi-par pesadas nuvens tempestuosas, demos com uma ave-zinha saltitando alegre e confiada no lais de estibordo da “grande”. os seus movimentos ágeis e graciosos atraíram-nos logo o olhar, enlevaram-nos a alma de um doce prazer, ante essa “rea-lidade” de mais um ser vivo a compartilhar do cativeiro que vo-luntariamente aceitámos... querida avezinha!... viera dos confins de um horizonte longínquo, correra sobre vagas alterosas ou galgara longas planí-cies azuladas a que o vento não dava uma crispação, apenas para quebrar o fio dos nossos pensamentos dolorosos, prendendo-nos o espírito na grandeza incrível da sua fra-gilidade... donde veio? para onde irá a pobre caminheira do espaço que parece ignorar a maldade dos homens e assim ousa afrontá-los no engenho pavo-roso que eles criaram para a guerra e para a destruição? inconsciente ou desde-nhosa, hei-la agora, ali à beira de um abismo que não teme, a equilibrar-se ousadamente numa das patinhas e a desdo-brar preguiçosamente o leque maravilhoso das suas asas!... não vê a gentil criaturinha que vinte rostos duros e enér-gicos a espiam, seguem gulo-samente os seus requebros e as suas donairosas maneiras e... e pasmam ao vê-la escon-der a cabecita ligeira sob a asa protectora?!... silêncio! tréguas à conversa e à manobra! o pequenino ser entregou-se-nos confiado, adormeceu entre nós!... *** sobre a grande verga, de onde pende uma complicada apare-lhagem, inútil neste momento de calma absoluta, uma forma desliza a caminho do lais. os seus movimentos, estudados e silenciosos, assemelham-se aos de um felino prestes a alcançar a presa ambicionada. é fácil glória porque a pobre avezinha não deixa de dormir, sôfrega de uma tranquilidade que a procela anterior não lhe consentira! o homem – porque é um homem! – rasteja, suspende a respi-ração e avança sempre. no seu rosto, que mal se divisa do catavento, haverá um misto de expectativa e de triunfo. a sua astúcia – apurada em milénios de prática – sobrelevará a instinti-va reacção do animal inferior. assim aconteceu sempre, desde que o homem foi condenado a procurar o seu alimento! mas, não! o marinheiro deteve a sua marcha; e com as mes-mas cautelas infinitas, retrocede e atinge o mastro. está agora de pé, agarrado a um cabo, e olha com ternura o lais da verga. o joão, o “gageiro-grande”, alma pura num corpo tisnado de atleta, havia levado de comer à nossa gentil companheira de uns momentos, “peixe ou alpista, aquilo de que ela gostar mais” – dizia-nos ele, depois!... idéa do joão, que estará, afinal, no espírito e no sentimento de qualquer homem do mar. por isso a “alma-de-mestre” se nos entregou tão confiada-mente, naquele dia em que teve a fortuna de nos encontrar na sua longa caminhada!... *** alma-de-mestre!... porquê, esta poética designação dada a uma pobre ave que, nos oceanos infindos, se com-praz na companhi a do mareante? uma “a lma” que voa , que adeja nos espaços, que não teme as tempestades nem os navios! que mundo de pensa-mentos, que ideias se nos associaram na mente, ao ouvir esse nome estranho, pe l a pr ime i ra vez! um barco naufragado após luta cruenta com os elementos lançados em ref rega t re-menda, a tripulação, con-junto de energias indomá-veis e de uma fé que nunca esmorece, entregue de novo à alegr ia de viver , salva, apesar de tudo, pela perí-cia, pelo espantoso heroís-mo do seu gui a , do seu mestre que, num gesto trá-gico de beleza e de sacri-f í c io, se de i xou a fundar com o desconjuntado casco que tanto amara! depois... uma avezinha a elevar-se dos destroços, a soltar um gemido plangente e, desferindo um voo audaz, a desaparecer no horizonte distante... é – e porque não? – a sua alma, a “alma-de-mestre” que parte a vigiar novos mares, levando doces esperanças aos marinheiros que os cruzam ou recreando-nos a vista quando, abatidos os ânimos, nos sentimos tão sós nas amplidões infinitas do oceano! *** querida avezinha! aí está porque me enlevei tanta vez na tua contemplação, porque segui amorosamente o teu voo vertigi-noso ou contei absorto as curvas graciosas que descrevias em torno do navio: como eu, sentias o martírio das procelas, aque-cias-te ao sol dourado da bonança e amavas as quatro tábuas que, vogando por sobre as ondas alterosas, guardam o tesouro de sonhos que existe sempre na alma do marinheiro!... travassos valdez 1ten (1884-1953) alma de mestre</Page><Page Number="143">evista da armada • abril 99 33 palavras cruzadas (problema nº 308) quarto de folga horizontais: 1 – hieronimita. 2 – abrir; botes. 3 – seio; seis. 4 – tre; ora; mmi. 5 – io; amura; am. 6 – amadura. 7 – raiar; marat. 8 – alor; sier. 9 – nas; mio; ali. 10 – ci; cetra; ac. 11 – onomatologo. verticais: 1 – hastibranco. 2 – ibero; alain. 3 – erie; aios. 4 – rio; amar; cm. 5 – or; omar; mea. 6 – duro; pitt. 7 – ib; arum; oro. 8 – nos; aras; al. 9 – item; aria. 10 – teima; galea. 11 – assimetrico. soluções palavras cruzadas nº 307 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 palavras cruzadas horizontais: 1 – o mesmo que pirotecnia. 2 – colérica; falece (inv). 3 – víscera dupla; multidão; nome próprio fe-minino. 4 – má sorte; ajuntar. 5 – semelhante; aquilo que prejudica ou fere; gaste. 6 – o que se respira; canela sil-vestre; apelido. 7 – um dos tempos da flexão verbal grega, e que indica acção passada ou presente. 8 – irritar; orador grego. 9 – loa na confusão; espaço de doze meses; espécie de albufeira (inv). 10 – símb. quím. do cobre; formara em alas; o sol entre os egípcios. 11 – tratado ou discurso acer-ca da verdade (pl). verticais: 1 – nome vulgar de um género de peixes do brasil. 2 – ser atacado de iriz (bras); nome próprio masculi-no. 3 – molho de fios para fazer cordas; árvore com cuja casca se aromatiza o vinho. 4 – nota musical (inv); afecto; símb. quím. do átomo. 5 – botequim; t í tulo dos bispos maronitas; iço. 6 – casual. 7 – percorrer com a vista ou enunciar em voz alta um texto; lirio; rogo. 8 – letra grega (inv); rochedo (inv) símb. quím. da prata. 9 – aplana ou esterroa com grade (terreno lavrado); é quase rosa. 10 – o mesmo que iões; espécie de gato bravo da américa do sul. 11 – cabo com que se amarra (pl). carmo pinto 1ten ots joguemos o bridge joguemos o bridge neste jogo existem 3 perdentes: 1 a e 2 a , pois o  a está de certeza em w. não vale a pena imaginar que as altas estejam todas em w e que pode eliminar os e colo-car-lhe a mão, pois isso seria uma sorte e se assim não for está perdido. mas pense nas 3-2 (68% de probabilidade) e explore essa hipótese. vejamos: deixe fazer r e no a balde uma para apurar 2 para baldar 2 da mão, dando apenas um e um neste jogo. soluções problema nº 6 1 – mandou; 2 – bastou; 3 –libertação; 4 – espanhol; 5 – animais; 6 – cesto; 7 – oferta; 8 – gato. soluções descubra as palavras em falta o leilão permite-nos colocar r em w e 2 será de certeza uma carta seca. começar pela passagem a r parece portanto inútil e caso caia nela e falhe corre o risco de cabidar, pois w pode passar a mão a e em a e este dá- -lhe um corte em . como w tem de certeza r, pois saiu ao a, assegure o seu contrato jogando d à 2ª vaza e balde 10 da mão cortando assim a comunicação w-e. depois jogue a e , dando no máximo 3 vazas (2 em e r de ). problema nº 7 norte (n): – 9843  – 753  – ar6  – av2 sul (s): – ard62  – r6  – 543  – d73 s joga 4 após abertura de w em 1. w sai a d. (problema nº 8) (solução no próximo número) nunes marques calm an norte (n): – ar4  – 8765  – rv  – d876 sul (s): – dv1097  – adv942  – 10  – 3 s joga 4 após leilão que segue. todos vulneráveis. w sai a e vira 2. (solução nesta página) (problema nº 7)</Page><Page Number="144">4 abril 99 • revista da armada calm ref joaquim josé gomes trindade calm emq ref eleutério pires da cunha cmg ref adelino augusto dos santos vieira 2ten ref victor do vale magalhães smor ref josé luís pereira sch ref francisco jorge dos ramos saj ref manuel candeias martins saj r ref afonso da conceição pinto 1sar ref manuel fernandes 1sar ref fernando josé gaspar 1sar ref josé norberto 1sar ce jofre da cunha lopes ferro cab ref adelino filipe v cab fzc sebastião antónio dias da silva 1mar tfp ref josé alves rodrigues coelho cab de mar de 1ª classe aposentado josé de sá bandeira junior. falecimentos cmg josé manuel narciso de sousa henriques cmg rui manuel de sá leal cmg josé joaquim casado parreira cmg josé pedro fernandes lopes moreira cfr jorge manuel vieira amândio cfr josé do carmo medeiros de almeida cten ott joão antónio dos santos cten ott manuel afonso 1ten ott manuel margato curioso 1ten ott manuel guerreiro valério 1ten ott antónio eduardo ferreira de sequeira smor se francisco simões mendes smor l aurélio mota gomes sch e josé mesquita da silva frade sch m joão da ascensão sequeira afonso saj ce josé perico quintiliano saj ce manuel da silva castro saj tf armindo vicente tavares saj t es fernando ferreira de jesus saj mq francisco serrano galamba saj b abel dos santos fernandes 1sar m manuel nogueira afonso 1sar a eduardo rodrigues derck serrate cab fz antónio rui marques teixeira cab fz ramiro napoleão de jesus messias cab m manuel da conceição afonso. reserva notícias pessoais comandos e cargos nomeações cmg sef urbino mendes carreira, chefe da repartição de civis da direcção do serviço do pessoal, em substituição do cmg sef antónio fernando salgado soares cmg mn josé antónio pinto de sousa borges, presidente da junta de recrutamento e selecção, em substituição do cmg mn joão manuel severino dinarés cten joão luís rodrigues dôres aresta para o cargo de staff operations officer no comando da força naval permanente do atlântico. reforma cmg res antónio manuel ribeiro rosa cfr res josé francisco soares fernandes cten res acácio da silva fonseca cten res domingos antunes de oliveira 1ten res jaime venâncio barreiros 1ten res celestino batista velêz smor res manuel valente evangelista smor res luís pires soares smor res armando hugo ramos sch res francisco duarte apolinário sch res ernesto vieira sch res armando manuel de jesus barradas sch res josé isidro carvalho canoa saj res domingos pereira da costa saj res antónio rodrigues inês saj res júlio da silva ferreira saj res mariano rosa ameixinha saj res romão caeiro roberto v saj res bento dias gonçalves saj res antónio da conceição silva saj res arlindo diogo montes 1sar res antónio augusto banha mochila 1sar res josé rodrigues ferreira. realizou-se no passado dia 16 de janeiro no restaurante “o pa-vão”, na charneca da caparica, o almoço comemorativo dos 30 anos de incorporação na “briosa” dos “filhos da escola” de 1969. o convívio decorreu num ambiente de alegria e de sã cama-radagem, onde foram recordados com emoção e saudade, os bons velhos tempos passados na “briosa”. convívios vai realizar-se no dia 29 de maio no restaurante “miradouro”, em benavente, o tradicional almoço-convívio dos “filhos da escola” de 1956. para mais informações e respectivas inscrições, os interessados poderão contactar com: vai realizar-se no próximo dia 22 de maio na estalagem da pateira de fermentelos, o almoço comemorativo do 50º aniversário do recrutamento de 1949. para mais informações, os interessados poderão contactar com: • serafim ferreira (11937) • barbearia da unidade de apoio telef. 4976 (int.) josé soares (11204) rua de moçambique, nº 20 – 2º esqº. 2800-520 almada telef. 275 3359 275 1752 (noite). vai realizar-se no próximo dia 29 de maio no restaurante “a grelha”, em alcanena (junto às grutas de stº. antónio), o almoço-convívio dos “filhos da escola” de janeiro e abril de 1953. os interessados poderão fazer as suas inscrições até ao dia 15 de maio, pelos seguintes números de telefone: (01) 259 5481 e (049) 890879. • adelino rodrigues (8400) rua aliança operária, 22 r/c esqº. 1300 lisboa telef. 363 8811 • diamantino vidal (8458) rua josé casimiro, 7 r/c esqº. 2670 stº. antónio cavaleiros telef. 988 0358 • amadeu araújo (8513) praceta s. luís, 14 c/v esqª. laranjeiro / 2800 almada telef. 258 2492 vão realizar-se no próximo dia 17 de abril as comemo-rações do 26º aniversário dos “filhos da escola” de abril de 73, cujo programa está ainda em fase de preparação. para qualquer contacto ou informações adicionais podem ser feitas para: • sar a carlos de jesus tel.: 3052 rede da marinha ou 01 / 250 2596 telm.: 0931 4575230 • sarmadelaide tel.: 3984 rede da marinha ou 01 / 222 0877 • joão magalhães telm.: 0936 749241 • antónio vieira tel.: 02 / 781 1746  telm.: 0936 773755</Page><Page Number="145">atrimónio cultural da marinha peças para recordar património cultural da marinha obra-prima da escultura neo-clássica portuguesa, a estátua em mármore do futuro rei d. joão vi, deverá considerar -se um trabalho de grande qualidade e é sem dúvida a melhor escul-tura portuguesa deste período artístico. o seu autor joão josé aguiar , foi bolseiro em roma, onde permaneceu entre 1775 e 1798, tendo trabalhado com vários mestres entre os quais canova. com “soberba expressão e cheia de nobreza”, no dizer de fernando pamplona, a estátua tem 230 cm de altura sobre uma base de 104x90 cm, e se bem que assinada, não está datada. a época da sua execução tem sido até hoje motivo de controvérsia, admitindo-se que possa ter ocorrido depois de 1801, ano em que j. j. aguiar substitui machado de castro na régia oficina da ajuda, e antes da partida da corte para o brasil. sua alteza real é retratado de corpo inteiro, fardado de almirante, apoiando a mão direita sobre a porta dum leme, repuxando com a mão esquerda, que apoia na cintura, o manto real. t rabalhada com grande minúcia distinguem-se perfeitamente os pormenores do uniforme, botões, punho da espada e condecorações, dos quais se reconhecem a banda de t rês ordens com o seu medalhão, a ordem de nª. senhora da conceição e o colar do t osão de ouro. a utilização das meias calças da época, com que d. joão vi aparece em vários retratos de estado foi aproveitada pelo artista para tratar os membros inferiores do príncipe de jeito apolí-neo, de tal forma que parecem nuas. lá está discretamente marcado o galão-costura que acompanha a face externa do membro inferior esquerdo para evitar o equívoco. igualmente os botins marcam nitidamente o relevo do pé. completa o classicismo do con-junto a coroa de louros que cinge a cabeça de d. joão. deve ser realçado o tratamento delicado que j. j. aguiar dá ao rosto do príncipe, muito des-gracioso segundo o relato testemunhal de muitos dos seus contemporâneos, onde apesar do cuidado, não disfarça a mordida cruzada e o provável palato em ogiva típicos do fácies do retratado. a estátua foi colocada no nicho onde ainda hoje se encontra em 15 de setembro de 1814 “pelas honze horas do dia”, conforme se lê no ofício nessa data dirigido a d. miguel pereira forjaz, ministro de estado da marinha e guerra, e não em 1823 como é referido nas histórias de arte portuguesa que conheço. está descentrada para a esquerda, levando a supor que o seu autor não teve conhecimento prévio do seu destino. até 1938 esteve sobre um plinto com o frontal decorado, de que há fotografias, e que está entaipado pelo actual basamento. entre 20 de outubro de 1987 e 3 de janeiro de 1988, ocupou o lugar de honra na exposição de arte portuguesa do séc. xix, que decorreu em paris no museu do petit palais. de regresso ao país, esteve integrada no mesmo conjunto de arte portuguesa, no palácio da ajuda até maio de 1988. regressou ao hospital em 1989. d. joão vi só foi coroado rei em 1816, embora assumisse a governação do reino em 1792. na data da colocação da sua estátua no hospital da marinha continuava a ser , no rio de janeiro, o príncipe regente. decorre deste facto o nome, correctíssimo, com que na marinha sempre designaram a sua estátua e a sala do hospital da marinha onde se encontra – sala do príncipe. hospital da marinha (texto de rui manuel rodrigues de abreu – cmg mn) 4. estátua do príncipe regente d. joão</Page><Page Number="146">. estátua do príncipe regente d. joão património cultural da marinha peças para recordar património cultural da marinha foto de antónio sacchetti (filho) – hospital da marinha</Page><Page Number="147">aio 99 • mensal • 24000 publicação oficial da marinha • nº 320 • ano xxviii anos 2 5 abr i l de</Page><Page Number="148">maio 99 • revista da armada 08 a 23 maio (horário das 10.00 às 20.00 horas), na cordoaria nacional. exposição das actividades da marinha e das forças armadas. • 18 maio às 21.30 horas concerto pela banda da armada e orquestra metropolitana de lisboa na aula magna da reitoria da universidade de lisboa. • 19 maio às 17.00 horas sessão solene na academia de marinha • 20 maio às 10.10 horas celebração de missa de acção de graça e sufrágio pelos mortos das forças armadas, na igreja dos jeróminos • 20 maio às 11 horas cerimónia militar • 20 maio às 12.30 horas almoço no pavilhão das galeotas do museu de marinha • 20 maio das 10.00 às 17.00 horas entrada gratuita no museu de marinha, fragata “d. fernando ii e glória”, aquário vasco da gama e planetário calouste gulbenkian. • 20 maio das 10.00 às 17.00 horas abertura ao público dos faróis do cabo raso e cabo da roca. • 15 a 23 maio das 10.00 às 18.00 horas abertura ao público de unidades navais, atracadas no cais do jardim do tabaco. • 15 e 21 maio às 16.00 na praia de carcavelos demonstração de meios e capacidades do instituto de socorros a náufragos • 15 a 23 maio das 10.00 às 18.00 horas embarque e passeio no tejo de grupo de jovens a bordo de unidades navais • 22 maio às 21.30 horas concerto da banda da armada na academia almadense • 22 e 23 maio provas náuticas no rio tejo. comemorações do dia da marinha e das forças armadas lisboa, 20 de maio de 1999 programa comemorações do dia da marinha e das forças armadas</Page><Page Number="149">ublicação oficial da marinha periodicidade mensal nº 320 • ano xxviii maio 1999 director calm emq res luís augusto roque martins chefe de redacção cfr ref jorge manuel patrício gorjão redacção 2ten tsn ana alexandra gago de brito secretário de redacção 1sarg t vitor manuel gaspar lopes colaboradores permanentes cmg ref raúl de sousa machado cten fz luís jorge r. semedo de matos cten abel ivo de melo e sousa 1tenref dr. rui m. ramalhoortigãoneves administração, redacção e publicidade edifício da administração central de marinha revista da armada rua do arsenal 1149-001 lisboa - portugal telef: (01) 321 76 50 fax: (01) 347 36 24 endereço da marinha na internet http://www.marinha.pt e-mail da revista da armada revista.armada@mail.marinha.pt fotocomposição, paginação electrónica, fotolito, montagem e produção página ímpar, lda. estrada de benfica, 317 - 1º f 1500 lisboa tiragem média mensal: 6000 exemplares preço de venda avulso: 24000 registada na dgi em 6/4/73 com o nº 44/23 depósito legal nº 55737/92 issn 0870-9343 revista da armada • maio 99 3 sumário 25 de abril – 25 anos (foto de paulo mendonça 1mar a) os últimos navios do império 4 ponto ao meio dia 5 de outros tempos, no nosso tempo 6 por um poder naval adequado aos interesses nacionais 8 seminário para jovens oficiais das marinhas europeias 14 cartas do cema 15 a marinha joanina 16 instituto hidrográfico 22 escola naval 23 navios estrangeiros 24 notícias 25 convívios 26 notícias 28 identificação e reconhecimento visual 30 desporto 31 moisés e a travessia do mar vermelho 32 quarto de folga 33 notícias pessoais 34 património cultural da marinha contracapa anunciantes: bta – banco totta &amp; açores; clínica de santa madalena; eid – empresa de investigação e desenvolvimento de electrónica, s.a.; ogfe – oficinas gerais de fardamento e equipamento; ogma – oficinas gerais de material aeronáutico. as comemorações do 25º aniversário do 25 de abril. 1 0 o curso de formação de sargentos visa ministrar conhecimentos e desenvolver aptidões por forma a habilitá-los para o exercício das suas funções. 12 anos 2 5 abr i l de almirante pereira da silva durante a 1ª república, a refundação da marinha para o século xx e a opinião pública. (pereira da silva, conferencista, numa admirável caricatura de mestre francisco valença). 1 7 maio 99 • mensal • 24000 publicação oficial da marinha • nº 320 • ano xxviii anos 2 5 abr i l de</Page><Page Number="150">orveta mista “infante d. henrique” 1869-1879 estação naval de moçambique, 1870 guerra no sul de angola, 1871 comissão no zaire, 1872 comissão em tânger, 1873 comissões principais era a corveta “hawk”, inicialmente projectada para a marinha do reino unido, e adquirida em 1868. casco de madeira deslocamento: 1418 toneladas armamento: 11 bocas de fogo (10 de calibre 32 e uma de calibre 68 em rodízio) características os últimos navios do império os últimos navios do império pintura do arquitecto telmo gomes</Page><Page Number="151">evista da armada • maio 99 5 u ma questão que se coloca hoje, talvez como nunca durante os últimos dois séculos, à mari-nha, às forças armadas e ao país, re-fere-se à escola naval, ao papel que tem desempenhado e àquele que deve ser o seu futuro no contexto do grupo onde se insere e exerce: a marinha de portugal. terá sido, será, deverá conti-nuar a ser a escola naval a “alma mater” da marinha? da expressão alma mater, como de muitas outras, tem o tempo matizado e enriquecido o significado. de mãe criadora, do latim comum, passou, na l inguagem dos poetas , a abranger todas as mães e a significar a pátria a que, com alguma falta de lógica, os povos filhos de roma não chamaram “mátria”. de qualquer modo, o signifi-cado poético latino de alma mater acrescentou ao utilitarismo da expres-são algo de espiritual que, transcen-dendo a simples designação da relação ou objecto, lhe conferiu um conceito de valor aglutinador e diferenciador. a pátria transporta um valor espiri-tual que, por comum e especí f ico, identifica e diferencia. breve o signifi-cado figurativo da expressão abarcou aquilo que mais importa para a identi-ficação e diferenciação da pátria: a fonte da sua cultura. alma mater pas-sou, em várias línguas e sempre na sua forma latina, a significar aquilo que contribui para a formação do espírito do grupo diferenciado. é assim que as grandes universidades europeias, fun-dadas em épocas de aglutinação e afir-mação de povos nascidos do tronco comum greco-latino, constituindo-se pólos de consolidação e desenvolvi-mento de novas culturas, são eleitas alma mater nacionais. coimbra tem sido considerada a alma mater da nação portuguesa. do que foi a escola naval , não restam dúvidas. para além da função utilitarista que terá presidido à sua fundação nos finais do século xviii e que se traduzia na formação científica e técnica dos homens a quem a nação entregava a sua soberania do mar, a escola aglutinou esses homens, foi determinante para a consolidação de uma comunidade profissional e cul-turalmente diferenciada, identificada com a natureza e as aspirações do país, preparada para cumprir os seus grandes objectivos. a nação lucrou obviamente com a acção individual e colectiva de tal comunidade. a afirma-ção da necessidade de formação inte-gral e específica dos chefes militares por um lado e a consolidação de con-ceitos de acção estratégica diferencia-dos para os diversos ambientes, mar, terra e mais tarde, o ar, por outro, vieram confirmar a vantagem da cha-mada cultura naval e das instituições que lhe têm dado corpo e expressão. a arte e a ciência militares necessi-tam, para serem exercidas, de homens e máquinas. hoje como ontem, talvez em proporção numérica evolutiva, mas sempre de máquinas e homens. ambos, como se tem demonstrado, requerem paradigmas e caracteres físi-cos em muito comuns mas igualmente diversos consoante o meio onde exercem. esta di ferenciação f ísica torna igualmente vantajoso, mesmo indispensável , que os homens ad-quiram, à partida e na continuidade da sua formação, mentalidades, psi-cologias, conhecimentos técnicos e filosofias adequadas à sua condição militar e, por outro lado, adaptadas ao meio físico, à especificidade do mate-rial e dos sistemas que operam em acção. quer isto dizer que estão errados os modernos conceitos de defesa e segu-rança que implicam a integração e co-operação civil-militar, a interoperabili-dade de sistemas ou a operação con-junta inter-armas? de forma nenhuma. a part icipação col igada de toda a sociedade, a operação conjunta dos ramos, a troca de experiências e de co-nhecimentos, o encontro de escalas organizacionais e operacionais viáveis são, hoje, indispensáveis à concretiza-ção do direito dos cidadãos à defesa e segurança nacionais. mas esses con-ceitos só serão realizáveis e eficazes se cada um dos intervenientes estiver preparado para a sua especificidade em favor da actuação do conjunto. ninguém pode dar o que não tem ou ensinar o que não sabe. trata-se hoje, portanto, de construir um grande e efi-caz sistema de defesa e segurança em que cada um dos subsistemas seja sufi-cientemente forte para não quebrar o conjunto e suficientemente aberto para acei tar e tornar ef icaz o enlace de todos. assim, as tendências estratégi-cas modernas, aliás sobretudo opera-cionais e menos genéticas, não vêm, de forma alguma, prejudicar a necessi-dade de portugal, nação marítima por excelência que foi, é, e deve continuar a ser, continuar a manter e a desen-volver uma cultura naval no seio das suas forças armadas, como meio de fortalecer este sector indispensável à sobrevivência da identidade nacional. e voltamos à escola naval. admi-tindo que qualquer escola, civil ou militar, desde que disponha de meios mater iai s e humanos adequados , possa fornecer a formação técnica e científica, talvez até ética e militar aos futuros oficiais da armada, restaria no entanto o “espírito”. restaria a agluti-nação dos sonhos, interesses e para-digmas que decorrem e respondem à especificidade do mar, das platafor-mas e dos sistemas navais; restaria a linguagem, o entendimento no planea-mento e na acção. faltaria a cultura naval enfim! só a escola naval pode responder pelo espírito marinheiro. se coimbra, talvez não tanto como sagres, nos ajudou a identificar, dife-renciar e afirmar como nação-povo que activamente tem participado na construção da europa e do mundo, a escola naval e o seu espírito, criado por sucess ivas gerações dos seus mestres e alunos e pela interacção per-manente com a própria marinha e o mar, tem sido o melhor instrumento para identificar, diferenciar, afirmar os mar inhei ros de portugal , agentes estruturantes do carácter da nação. é que de facto, a escola naval é de há muito e deverá continuar a ser a “alma mater” da marinha de por-tugal, repositório e fonte do seu espíri-to, do seu modo de servir, da sua cul-tura de valores sempre identificados com os da nação. américo da silva santos calm ponto ao meio-dia escola naval – “alma mater”? escola naval – “alma mater”?</Page><Page Number="152">a batalha do salado à do cosovo etnias, religiões e culturas 6 maio 99 • revista da armada n a ascensão e queda dos impérios, os séculos xiv e xv são impor-tantes, especialmente para a europa. o islão tinha iniciado a sua expansão com o avanço do povo árabe do sudo-este da península arábica, pouco depois da morte de mahomé (632), primeiro para o centro da ásia, até à pérsia e ao cáucaso, depois para ocidente, conquis-tando todo o norte de áfrica (709). com a revelação os árabes traziam as tradições, a filosofia, as leis, a reforma do sistema administrativo e social. árabe era uma cultura superior que ocupou toda a região que vai da pérsia a marrocos. na europa, passaram gibraltar (711) (1), ocuparam quase toda a península ibérica, atravessaram os pirenéus e só foram sustados bem no interior da fran-ça, quando os francos os derrotaram em poitiers (732). os turcos, viviam no centro da ásia, para lá do lago óxio (mar de aral), na região que é hoje a mongólia exterior. começaram a aparecer esporadicamente mais a ocidente pelo século ix, como escravos e como mercenários combatentes. no século x converteram-se ao islão, por iniciativa própria, sem terem sido a capital para a cidade de skopje, hoje capital da macedónia) (3). durou pouco, este império. exacta-mente nesta época os cristãos da pe-nínsula ibérica afastavam os muçulmanos árabes, enquanto que no outro extremo, na península balcânica, os muçulmanos turcos passavam os dardanelos e o bós-foro (hoje estreitos turcos) e iniciavam a invasão da europa. é o fluxo e o refluxo dos impérios. na península ibér ica, em 30 de outubro de 1340, os reis d. afonso iv de portugal, afonso xi de castela e pedro iv de aragão, derrotaram a última investida dos reis de granada e de marrocos na batalha do salado, nome de um pequeno rio perto de cádis. em cosovo pol je (campo de melros), em 28 de junho de 1389, a nobreza sérvia chefiada pelo pr íncipe lázaro, foi derrotada pelos muçulmanos otomanos, apesar do sultão murad i ter morrido. logo no mesmo ano conquistaram a bulgária, em 1417 uma parte interior da albânia, e a totalidade da bósnia em 1463, mantendo aqui, sem qualquer inter-rupção até 1871, a fronteira entre o islão e a cristandade. a ocupação otomana da bósnia e da sérvia durou 482 anos, quase ocupados e mantendo a sua individuali-dade étnica e as suas particularidades cul-turais em relação aos árabes. depois de mais de 17 campanhas bem sucedidas entre os anos 1000 e 1030, ocuparam a região a norte da índia (2). ainda no século xi conquistaram a ásia menor, com excepção de constantinopla, ao império bizantino. eram chamados seljúcidas, do sultanado seljúcida. os árabes tinham torneado a ásia menor mas nunca ali conseguiram penetrar. chefiados por mahomé ii, e já conheci-dos na europa por otomanos, acabaram por conquistar constantinopla em 29 de maio de 1453. o imperador constantino xi morreu na defesa da cidade e este acontecimento marca o fim da idade média. era o início do império otomano. os eslavos vieram para a península balcânica no século vii, começando por se instalarem na região que é hoje o mon-tenegro e no sudoeste da sérvia. iniciaram a sua expansão no século xii, quando os turcos já haviam ocupado a ásia menor. os sérvios ( já se deverão designar assim) ocuparam larga área, do danúbio ao centro da grécia, incluindo a mace-dónia. atingiram o apogeu do império com stefan dusan (1331-55), que mudou limites da expansão islâmica, árabe na europa ocidental, turca na europa de leste. de outros tempos, do nosso tempo da batalha do salado à do cosovo etnias, religiões e culturas oceano atlântico mar mediterrâneo mar negro portugal mar cáspio mar de aral página ímpar</Page><Page Number="153">eio milénio. a etnia de sérvios, bósnios e montenegrinos é a mesma, é eslava. a cultura sofreu a influência das ocupações históricas, nomeadamente da diferença religiosa: islâmica, católica e ortodoxa. é também muito diverso o modo como a formação religiosa, nestes três casos, influencia a organização do estado e o comportamento da sociedade. a história do povo albanês é complexa. convém porém recordar que derrotaram o sultão murad ii em 1449, o que lhes granjeou o reconhecimento da cristan-dade. mas acabaram por ter que se sub-meter totalmente ao poder otomano em 1503, tendo muitos albaneses fugido para itália. nos séculos xvii e xviii deu-se uma grande emigração de sérvios para norte, para terras dos habsburgos e os muçulmanos albaneses estabeleceram-se no cosovo, em metohija e na albânia ocidental. é esta a razão da ascendência albanesa dos cosovares, que tem mais de duzentos anos. o dia da derrota de cosovo, 28 de junho de 1389, passou a ser considerado pelos sérvios como dia nacional. para os muçulmanos conterrâneos, porventura mais muçulmanos do que sérvios, recor-dará uma vitória. poderá o dia nacional de um país ser visto pela nação com dois significados opostos, sem que essa nação se sinta dividida? foi exactamente no dia nacional, mas em 28 de junho de 1914, que o arqui-duque francisco fernando, príncipe her-deiro do império austro-húngaro e sua esposa, foram assassinados em sarajevo (bósnia) por um jovem nacional ista sérvio. foi mais um grito de protesto con-tra o império otomano mas, principal-mente, contra o projecto austro-húngaro de uma grande croácia, que contrariava as aspirações da formação da grande sérvia. e ambos os projectos incluíam a anexação da bósnia, que nunca foi um estado independente e que ainda hoje, para satisfazer uns e outros, está retalha-da, absolutamentre inviável como estado soberano. a grande guerra de 1914-18 a que este assassinato deu origem acabou com ambos os impérios... e com os restantes impérios centrais (o império germânico que passou a república e o império russo que a partir de 1917 viveu a revolução). mas é conveniente recordar que já em 11 de junho de 1903 tinha sido assassina-do no seu palácio de belgrado, o rei da sérvia alexandre i, da dinastia obre-novitch, e alguns membros da família real. que lhe sucedeu pedro i, restauran-do a dinastia karajorgevitch, e que o filho deste, rei da sérvia também com o nome de alexandre i karajorgevitch foi assassi-nado em marselha por um terrorista croa-ta, em 1934. são três regicídios e quatro guerras, neste século. passados 600 anos sobre a derrota de cosovo, nas comemorações do dia nacional de há 10 anos, em 28 de junho de 1989, o presidente da sérvia milosevic assumiu posições nacionalistas fortemente agressivas, desajustadas aos tempos de hoje mas com consequências trágicas em qualquer tempo. e é a situação trágica e vergonhosa que presenciamos que obriga os políticos responsáveis de hoje a actuar de forma adequada, para que os políticos irrespon-sabilisáveis de amanhã, como está na moda, não tenham que vir a pedir descul-pas pela impassibilidade ou ineficácia dos seus antecessores. antónio emílio ferraz sacchetti valm notas: (1) gibraltar vem de jebal tariq, “monte de tárique”, local onde os muçulmanos desembarcaram, sob o comando de tárique, em 711. (2) cf. francis robibson atlas of the islamic world, oxford, phaidon press ltd., 1982, bem como outras referências à expansão do islamismo. (3) cf. editor felipe fernández-armesto, the peuples of europe, londres, times books, 1994, e outras referências aos povos da europa.</Page><Page Number="154">or um poder naval adequado aos interesses nacionais 8 maio 99 • revista da armada e m artigo publicado, em 1985, na revista militar o actu-al ceme, após clara análise à situação portuguesa, con-cluía: “sendo portugal um país charneira entre o primeiro e o terceiro mundos, o norte e o sul, o desenvolvimento e o subdesenvolvimento, ... entre as américas e a ilha mundial, o mundo marítimo e o mundo continental, ... a europa e a áfrica... nunca terá força para ser neutral e necessita de um aparelho de força por o não ser”. os acontecimentos mundiais registados na última década conduziram, conforme aludi em recente artigo, a uma maior maritimidade da europa e ao afastamento do velho conti-nente de qualquer potencial “perturbador continental” mas não eliminaram a afirmação de que portugal necessita de um aparelho de força. se precisamos de um aparelho de força, a geografia impõe que sintamos a maritimidade e que não descuremos a defe-sa naval. sem necessidade de citar fournier, basta considerar a situação geográfica do nosso país para concluir que uma or-ganização naval não é peça de luxo, mais ou menos dispen-sável na nossa administração, mas sim o natural e indispen-sável corolário das necessidades derivadas daquela situação especial. a nível estratégico mundial, a consequência mais evidente da nossa posição geográfica continua a ser o nosso condi-cionamento pelos interesses das grandes potências e como os grandes conflitos mundiais têm, segundo pirenne e a história, normalmente com protagonistas, em campos opos-tos, as potências marítimas e as potências continentais, nós, que não temos possibilidade de ser neutrais, devemos, como país marítimo, estar, como estamos, ligados à potência marí-tima. hoje, com os acontecimentos mundiais da última década, há quem advogue a não necessidade de forças navais, a dissolução da nato ou o seu afastamento da reso-lução dos problemas europeus. esquece-se a proliferação de conflitos, por enquanto, de menor dimensão, a insipiência das organizações europeias de defesa, a maritimidade do nosso país e a localização de parte do território em plena área de interesse dos aliados do outro lado do atlântico. e, se somos – e bem - pertença da organização de defesa do atlântico norte, temos de ter presente que , para um apoio mútuo possível, prático e eficaz, a constituição da nossa esquadra tem de ser tecnologicamente compatível com aquela que a nato tem destinada a operar na sua, e nossa, área de interesse. mas, não podendo esperar da aliança a resolução de to-dos os nossos problemas, temos de ter a noção clara dos meios necessários. o primeiro objectivo do poder naval português não pode deixar de ser a defesa marítima do continente e ilhas, a vi-por um poder naval adequado aos interesses nacionais</Page><Page Number="155">ilância do espaço interterritorial – praticamente ermos de navios de flâmula – e a manutenção, até onde pudermos, da inviolabilidade da nossa costa (já nos primórdios do século xx, considerava o general moraes sarmento que “a defesa das costas deve apoiar-se principalmente nas forças móveis do mar”). para cumprir este objectivo, há que possuir meios adequa-dos, não esquecendo, como a configuração do país exige e mackinder teorizava, a necessidade de componente anfíbia. mas o poder naval não se torna preciso apenas para a sua função primordial de elemento de defesa; tem ainda nas necessidades de fiscalização, de apoio, de socorro, de pre-sença, de representação, de defesa dos interesses nacionais, outras tantas causas originárias. para o desempenho de funções de serviço público, limito- -me a evidenciar a necessidade de os patrulhas saírem, urgentemente, do banho-maria em que se encontram desde o fim da década de 70. como é óbvio, a capacidade para desempenhar outras funções de defesa dos interesses nacionais estará sempre condicionada à dimensão e qualidade do poder naval exis-tente; gostaria apenas de relembrar que os eua, quando en-tenderam dever entrar na luta económica internacional, de-senvolveram a sua marinha de guerra. * se, como julgo, o poder naval é aquele que melhor carac-teriza em si o poder nacional, em todas as suas manifes-tações e formas, temos que defendê-lo em todos os “fora”; temos que, exaustivamente, lutar por ele e, insistentemente, reclamá-lo. não obstante a visibilidade alcançada, o ano passado, pela marinha, no desempenho de missões importantes, afigura-se-me que, de uma maneira geral, marinheiros e mar continuam sendo estranhos à nossa sociedade. e, se meditarmos um pouco nesta espécie de apatia com que é encarada a armada portuguesa, teremos de concluir que ela procede da incapacidade, do desconhecimento ou da incompreensão da sociedade e, especialmente da el i te política sobre o que o serviço do mar representa. assim, temos que, por todas as formas, mostrar à nação o que somos e como poderemos defender e desenvolver os interesses nacionais; temos que esclarecer a escol. julgo que a criação de um poder naval adequado às nos-sas necessidades de defesa dos interesses nacionais, só será viável quando ele for encarado como um projecto nacional permanente e não de legislatura, como tem vindo a ser seguido, para quase todos os sectores da governação. projecto nacional permanente que lhe é conferido pela aprovação, em csdn, de um conceito estratégico e de um sistema de forças, mas que não encontra tradução clara nos programas dos partidos e dos governos, nem nos orçamentos. há, pois, que motivar as elites para a necessidade de encarar os assuntos de defesa com outra visão e outra von-tade; há que concretizar a lpm sem adiamentos, há que elucidar a nação para a reflexão de oliveira martins: “pro-teger é semear. nem sempre colhe o fruto, aquele que espa-lhou a semente; mas uma nação não é um dia; é a sucessão das gerações dos seus filhos...”; há que, como defendia o almirante celestino soares, levar os governos a correrem para o mar e ensinarem para que ele serve. f. machado da silva valm</Page><Page Number="156">5 de abril - anos 2 5 abr i l de tomada de posse do novo chefe do estado da armada, almirante pinheiro de azevedo, a 30 de abril de 1974 na casa da balança. 25 de abril -</Page><Page Number="157">5 anos  está completado um quarto de século sobre a revolução de abril, a chamada “revolução dos cravos”, levada a cabo pelos militares portugueses através do movimento das forças armadas, aniver-sário que foi commuita dignidade recentemente comemorado. john f. kennedy disse: “aqueles que tornam a evolução pacífica impossível, tornarão a revolução violenta inevitável”. felizmente assim não aconteceu com os portugueses, porquanto os militares deste país, enquadrados por alguns mais destemidos oficiais con-seguiram, sem derramamento de sangue, mudar o regime político que vigorava havia quase meio século, restituindo ao povo os ideais da liberdade, da justiça e da tolerância. com maior ou menor turbulência, embora indesejada mas sub-jacente e inevitável, tornou-se possível promover as transfor-mações políticas que permitiram a portugal ser um país democrático, totalmente inserido no contexto político e sócio-económico da união europeia e dela fazer parte integrante, sem quaisquer reservas ou condicionalismos. apesar de todos os erros, dos custos e, reconheça-se, foram muitos, a realidade hoje vivida fica, sem dúvida, a dever-se à ini-ciativa e determinante generosidade dos militares que, naquela data, com todos os riscos inerentes, decidiram avocar tão impor-tante missão. com a mesma nobreza, depois igualmente souberam renunciar ao poder, cumprindo assim os compromissos manifesta-mente assumidos para com os demais portugueses. decorridos vinte e cinco anos, também a revista da armada não se deve alhear das suas responsabilidades na defesa dos inte-resses dos seus leitores, acompanhando a comemoração de tão importante evento nacional, lembrando que muitos, antes deles, deram as suas vidas para que fossem preservados valores, que hoje são tidos como certos e inquestionáveis. anos 2 5 abr i l de fotos de paulo mendonça 1mar a (9) (gab. fotografia ) 25 anos</Page><Page Number="158">curso de formação de sargentos (cfs) 12 maio 99 • revista da armada antecedentes históricos v isando centralizar toda a formação de cultura geral, militar e cívica que são comuns às diversas escolas e cursos, foi criado por despacho de 10 de abril de 1979, do calm superintendente dos serviços do pessoal da armada, o departamento de instrução comum. decorrente da publicação do decreto regulamentar nº 34/94 e consequentemente do regulamento interno do g2ea de escolas da armada, o departamento de instrução comum foi extinto dando ori-gem a dois departamentos: o departamento de formação de sargentos, (cujos cursos ministra-dos são o curso de promoção a sargento-chefe e o curso de formação de sargentos – fase comum) e o departamento de formação de língua inglesa. objectivos do cfs o programa do cfs tem como finalidade preparar os cabos das classes homónimas para o desempanho das funções atribuidas aos sargentos. para o cumprimento desta finalidae o cfs divide-se em 2 fases: numa 1ª fase temos a formação comum, que é ministrada no depar-tamento de formação de sargentos, e numa 2ª fase temos a for-mação específica que é realizada nas diversas escolas técnicas. a 1ª fase do cfs consta das seguintes disciplinas: técnicas de formação (tf); organização e regulamentos (or); logística (lg); marinharia (mr)*; infantaria (if); elementos de comunicação (pr 1); história naval (ht3); estatística (es); educação física (ef) [* excepto para os formandos da classe de condutores de viaturas]. relativamente às condições de acesso para o ingresso no cfs é necessário, entre outras, fazer uma prova técnico-naval, tendo os for-mandos como habilitação mínima o 9º ano de escolaridade. cfs 98/99 (1ª fase) a 1ª fase do cfs 98/99 decorreu no período compreendido entre 28 de setembro de 1998 e 22 de janeiro de 1999, sendo frequentado por 83 cabos de diferentes classes: 8 artilheiros; 15 comunicações; 7 electricistas; 20 fuzileiros; 6 abastecimentos; 4 taifa; 3 condutores de viaturas; 4 detectores; 5 manobra; 3 mergulhadores; 7 condutores de máquinas; 1 radarista. no que diz respeito às idades dos formandos, elas estão situadas entre os 31 e os 42 anos, constatando-se que a média etária são os 37 anos, conforme consta o gráfico 1. o curso de formação de sargentos (cfs) criado em 1961, o g2ea integra várias escolas técnicas, o departamento de formação de sargentos e o departamento de formação de língua inglesa. entre outras funções, compete ao g2ea assegurar a formação militar e técnica dos sargentos e praças nas áreas funcionais que lhes estão atribuídas, por forma a habilitá-los para o exercício das suas funções. é precisamente sobre o departamento e o curso de formação de sargentos que vos iremos falar . cfs 98/99 caracterização por idades formadores do departamento do cfs (1ª fase do cfs 98/99). 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 31 32 33 34 idades nº de alunos 35 36 37 38 39 40 41 42 cfs 98/99 escolaridade em % 9º ano 53% 10º ano 14% 12º ano 16% 11º ano 16% licenciatura 1% quanto ao nível de escolaridade, 47% dos formandos têm habili-tações superiores ao 9º ano, sendo um dos formandos licenciado (ver gráfico 2). gráfico 1 gráfico 2</Page><Page Number="159">a opinião do chefe do departamento de formação de sargentos, cten neves agostinho, “existe uma tendência para um decréscimo da idade relativamente à frequência do cfs e um aumento das habi-litações literárias”. ao abrigo do protocolo de cooperação entre as forças armadas portuguesas e a dos países africanos de língua oficial portuguesa (palop), foram integrados neste curso 10 militares provenientes de angola e moçambique (7 praças de angola e 3 sargentos de moçambique). à sua chegada foi-lhes ministrado um teste diagnóstico de português e matemática, a nível do 9º ano de escolaridade, cujos resultados permitiram concluir que os conhecimentos destes forman-dos nestas áreas eram insuficientes para a aprendizagem, quer dos conteúdos da 1ª fase, quer dos da 2ª fase. assim, de acordo com a proposta nº 03/98 do g2ea, de 01out98, as disciplinas de elementos de comunicação e estatística foram substituídas pelas de português e matemática. nestas, os formandos constituíram uma tur-ma à parte. para além das aulas de português e matemática, estes 10 forman-dos frequentaram as aulas de marinharia, infantaria e educação física, nas mesmas circunstâncias que os demais formandos, integra-dos em duas das turmas. avaliação no decorrer do cfs – 1ª fase a avaliação é feita através de testes formativos e testes sumativos, para os quais foi utilizado o banco de perguntas existente e um teste de razão de ganho, cujos resultados evidenciam que 38 formandos, cerca de 50%, obtiveram um ganho entre 30 e 45%; 22 formandos progrediram entre 15 a 30% e 17 for-mandos tiveram um ganho entre 45 e 60%. perguntámos ao comandante neves agostinho, qual a sua opinião relativamente ao aproveitamento dos formandos e a resposta foi “é excepcional. os formandos vêm muito bem preparados para este curso. a prova técnico-naval tem desenvolvido nos militares hábitos de estudo, o que faz com que quando são admitidos ao curso já vêm com um ritmo de estudo bastante grande, não sentindo assim muitas dificuldades”. na sua opinião “lidar com pessoas que vêm ao dsf frequentar um curso, quer o cfs-1ª fase, quer o curso de promoção a sargento- -chefe, é sempre enriquecedor (para a equipa de formadores e formandos) pela troca de experiências que se faz. tentamos de algu-ma forma contribuir para que essas pessoas adquiram conhecimentos e sistematizem os conhecimentos já adquiridos e por outro lado que sintam que a formação é um assunto que deve ser considerado com seriedade e que deve fazer parte do ser profissional, quer na marinha, quer noutro sítio qualquer”. a 2º fase do cfs depois de feita a 1ª fase do cfs, os formandos são distribuídos pelas diversas escolas técnicas existentes no g2ea. assim sendo, temos: revista da armada • maio 99 13 entrevista para sabermos como tem corrido o cfs 98/99, a r.a. entrevistou 5 formandos – o cabo t lopes (37 anos), o cabo t valente (32 anos), o cabo t guerreiro (40 anos), o cabo t sequeira (40 anos) e o cabo r duarte (32 anos), que nos deram a sua opinião relativa-mente ao curso que estão a frequentar. r.a. quais foram os aspectos mais interessantes do cfs – 1ª fase? cabo sequeira: de uma maneira geral, gostei de tudo, especialmente história naval e estatística e para aquilo que se pretende as disciplinas leccionadas são o sufi-ciente. cabo duarte: há disciplinas que são essenciais, que é o caso da organização militar, embora a matéria não se-ja muito motivante, é uma disciplina importante e se fôr dada por um bom formador, que foi o caso, faz-se bem. cabo guerreiro: em relação à organização militar, penso que não seja muito útil aquilo que apren-demos. na minha opinião, o que nos interessa é sa-bermos quais os nossos deveres específicos. no que diz respeito à disciplina de marinharia penso que lhe deveria ser dada mais tempo, ou seja, pelas matérias que a disciplina aborda, é-lhe dedicado muito pouco tempo, comparado com outras. em termos de vida no mar, a marinharia é fundamental. cabo lopes: na minha opinião o tempo dedicado à disciplina de história, poderia ser reduzido, podendo assim ser distribuído por outras disciplinas mais úteis, por exemplo marinharia. r.a. como está a correr a 2ª fase do cfs? cabo sequeira: bem. a fase de especialização do cfs está muito bem estruturada . cabo duarte: muito bem. a matéria é dada seguindo- -se logo os exames. contrariamente à 1ª fase do cfs, em que a matéria é dada e só ao fim de algum tempo é que se faz o teste, e entretanto já se deu outras matérias que pouco ou nada têm a ver com a matéria anterior. r.a. quais são as vossas perspectivas de carreira? resposta unânime: nós vamos até onde nos deixarem ir... cabo duarte: em termos de idade andamos quase todos perto da casa dos 40 e poucos perto dos 30, na minha opinião é uma idade muito avançada para o cfs. a idade ideal para frequentar um curso deste género seria os 30 anos, sensivelmente. com essa idade poderíamos pensar ainda em boas perspectivas de carreira. esc. de comunicações (eco) esc. de artilharia naval (ean) esc. de marinharia (emr) esc. de armas submarinas (eas) esc. de informações e combate (eic) esc. de mergulhadores (emerg) esc. de fuzileiros (ef) esc. de máquinas (emaq) esc. de electrotécnia (et) esc. de abastecimento (ab) comunicações (c) artilheiros (a) manobra (m) torpedeiros (t) radaristas (r) mergulhadores (u) fuzileiros (fz) condutores de máquinas (cm) condutores de automóveis (v) electrecistas (e) taifas (tf) abastecimento (l) 138 dias úteis 152 dias úteis 124 dias úteis 180 dias úteis 160 dias úteis 80 dias úteis 130 dias úteis 204 dias úteis 137 dias úteis 161 dias úteis 100 dias úteis 140 dias úteis escolas classes dura. da 2ª fase do curso no que diz respeito às classes de enfermeiros, paramédicos, elec-trotécnicos, maquinistas navais e programadores de informática, o acesso ao cfs é feito por concurso (militares e civis), sendo o curso ministrado à parte. os cursos têm uma duração de 3 anos lectivos excepto o de pro-gramadores de informática (130 dias úteis). as habilitações literárias necessárias são o 12º ano na área de biologia para os enfermeiros (hf), 12º ano área de biologia e química para os para-médicos (hp). para os restantes cursos é necessário o 11º ano. quanto às escolas onde são ministrados estes cursos temos: escola de sáudemilitar, escola de electrotécnia, escola demáquinas e damag. alexandra brito 2ten tsn</Page><Page Number="160">seminário para jovens oficiais das marinhas europeias” 14 maio 99 • revista da armada d ecorreu entre os dias 21 e 26 de fevereiro na “action information school” (ais), situada na base naval em frederikshavn, na dinamarca o “seminário para jovens oficiais das marinhas europeias”. participaram 28 oficiais das marinhas europeias da nato, além dos oficiais das marinhas americana, sueca e finlandesa (15 países presentes). todos os países enviaram dois participantes, excepto portugal e espanha que só enviaram um oficial. em representação da marinha portuguesa esteve o 1ten pedro alexandre rodeia ribeiro. esta escola lecciona um conjunto diverso de cursos, entre os quais os de formação/especialização de oficiais/sargentos e/ou praças em operações. hoje esta escola é parte da escola de táctica e armas, situada emcopenhaga. a “ais” lecciona por ano 55 tipos de cursos diferentes para cerca de 1100 alunos sendo a duração dos cursos de 1 semana a 5 meses. o trabalho do staff da “ais” consiste não só no desenvolvimen-to de tácticas e doutrina naval nacional mas também na partici-pação em “nato tactical working groups”. outras missões são os cursos para países nato para as missões de “partnership for peace”, análise e debriefing de exercícios navais e a participação em inspecções em navios r.d.n. esta base é uma das mais importantes bases, juntamente com a de konsor, da marinha dinamarquesa. organização do seminário este seminário foi organizado pelo departamento de liderança da marinha dinamarquesa, sedeado em copenhaga, que destacou para a escola dois oficiais (commander jens simonson e comman-der nils beck). os oficiais participantes foram divididos em quatro grupos (1 a 4) e depois em seis turmas (chamaram-lhe “syndicate”), de “a” a “f”. durante três dias assistiu-se a três palestras cujos autores foram convidados pela “ais”, seguindo-se as discussões sobre os temas dados para trabalhar e descobrir os pontos comuns (os comuns, não os de maioria) entre todos os presentes. objectivos do seminário este seminário surgiu por acordo comum dos chens de modo a proporcionar um contacto franco e aberto entre os vários oficiais das marinhas europeias (e outras) de modo a estabelecer ligações e contacto que poderão vir a ser úteis no futuro. propôs-se a estabele-cer uma visão e um objectivo global, comum a todos os 28 oficiais presentes. a visão ficou definida que seria algo que se pretenderá atingir daqui a 10/15 anos, contudo será sempre algo visível, mas inatingível. o objectivo global seria algo a ser atingido em breve (não tem período de tempo definido), contudo ficaria sempre visível e atingível dentro de algum tempo.  conclusões a apresentação final feita ao almirante cema da marinha dinamarquesa, alm k. winther, foi preparada pelos partici-pantes. as conclusões foram as seguintes: rodeia ribeiro 1ten “seminário para jovens oficiais das marinhas europeias” somos bons em: - cooperação - cultura militar naval - “open minded” - “focus” - troca pontos de vista /comunicação - qualidades próprias: - responsabilidade - perseverança - sociais podemos melhorar em: - habilidades/capacidades   profissionais - compreensão: - língua - ideias de outros - culturas - objectividade (mantê-la) - trabalho de equipa definição da nossa realidade - desafios - liderança - trabalho de equipa - profissionalismo - ajuda (entreajuda) - espírito de corpo - sucesso (da missão) definição da nossa filosofia valores a promover: - integridade: - lealdade - coragem - honestidade - respeito - justiça - humildade - responsabilidade valores a restringir: - egoísmo - intolerância - deslealdade - irresponsabilidade - injustiça - comportamento duplo e duvidoso definição da nossa ética “ establish and maintain an expanding network of naval professionals, to increase inter- -operability and understanding” (está em inglês pois só assim se manterá a real definição conseguida entre todos) definição do nosso objectivo “decrease tension and promote greater stability through better understanding and cooperation” (está em inglês pois só assim se manterá a real definição conseguida entre todos) definição da nossa visão</Page><Page Number="161">evista da armada • maio 99 15 “carta do cema” nº 7 - jun98 enalteceu o sucesso alcançado nas opera-ções humanitárias realizadas na área da guiné-bissau “carta do cema” nº 8 - ago98 abordando diversas questões da actua-lidade, designadamente, o processo de modernização das forças armadas, o descongelamento orçamental e a revisão do emfar, foi analisada a problemática do sistema da autoridade marítima, expla-nando a solução advogada pela marinha. “carta do cema” nº 9 - out98 • apresentou os principais projectos no campo das infra-estruturas, em desenvolvi-mento. • abordou a carreira das praças da armada. • relatou o programa de prevenção e combate à toxicodependência na marinha. “carta do cema” nº 10 - nov98 para além das boas novas apresentadas sobre o descongelamento orçamental, referiu as despesas efectuadas com a assistência na doença, bem como algu-mas notícias vindas a público, nomeada-mente, sobre os efectivos anunciados para as forças armadas e sobre a exone-ração do capitão do porto de caminha. “carta do cema” nº 11 - dez98 • abordou o processo de substituição dos submarinos. • apresentou uma reflexão sobre a publi-cação das cartas do cema. • referiu a problemática da carreira dos sargentos da armada. “carta do cema” nº 12 - fev99 • apresenta em síntese a directiva de política naval. • refere algumas inovações contidas na revisão do emfar. • aborda a carreira dos oficiais da ar-mada. “carta do cema” nº 13 - mar99 analisa exclusivamente a problemática da “saúde naval”. tando o empenho por si revelado no senti-do de assegurar a continuidade dos pro-jectos e programas em curso, respeitantes às forças armadas, sem atrasos compro-metedores da política que vinha a ser con-duzida. • o reconhecimento de ser indesejavel-mente longa a relação das questões não solucionadas, na área dos recursos humanos, desde a situação dos pilotos dos açores, ao estatuto dos militarizados da marinha, passando pela definição do futuro quadro do pessoal das infra-estruturas nato. “carta do cema” nº 3 - jan98 com a constatação da boa receptivi-dade das “cartas do cema” e referindo a publicação do directiva de política naval segundo uma nova metodologia e sem classificação de segurança, foram desen-volvidos os seguintes temas principais: • a redução dos efectivos militares até cerca de 2010, com indicação das econo-mias resultantes. • o concurso de admissão ao curso de of iciais da nova classe do serviço técnico. “carta do cema” nº 4 - fev98 • fei ta uma referência ao concei to estratégico nacional, com desenvolvi-mento em anexo, bem como à redefinição das missões especí f icas das forças armadas e do sistema de forças na-cional. • foi relatada a pr imei ra visi ta do ministro da defesa nacional à marinha. • abordando a directiva de política na-val, salientou a relevância da motivação, tendo sido apontadas algumas medidas essenciais nesse âmbito. “carta do cema” nº 5 - mar98 • foi apresentado o orçamento global da marinha e o equilíbrio orçamental desejável. • abordou as carreiras do pessoal civil da marinha. “carta do cema” nº 6 - jun98 • foi referido o processo de substituição dos novos submar inos e, também, a necessidade de aquisição de um navio pol ivalente logíst ico e de pat rulhas oceânicos. • apresentou as carreiras do pessoal mili-tarizado da marinha. a s “cartas do cema” são docu-mentos informativos que, a par da revista da armada e de outras formas de comunicação tradicionais, se destinam a divulgar assuntos de inte-resse interno da marinha. a sua criação enquadra-se na directiva do almirante chefe do es tado-maior da armada, nº5/97, de 15 de outubro e representa a preocupação em dar a conhecer, aos servidores da marinha, os aspectos mais re l evant es da organi zação. vi sa- se assim est imular, por um lado, a sua contribuição para a prossecução dos objectivos da marinha e, por outro, a sua participação nas acções que possam estar, por alguma forma, relacionadas com interesses individuais. distribuídas para os mesmos desti-natários das ordens da armada e inseri-das na página da marinha na “internet” (www.marinha.pt) por forma a permitir o seu acesso fácil e oportuno, especial-mente aos servidores da marinha resi-den t es f or a da á r ea de l i sboa , as “cartas do cema” têm provado ser um veículo de informação de muito inte-resse e utilidade. com o intuito de potenciar os efeitos, claramente positivos, que estes docu-mentos informativos têm proporciona-do, a revista da armada propõe-se pas-sa r a d i vu l ga r as súmu l as das que vierem a ser publicadas futuramente. como ponto de partida, elaborou-se uma relação das “car tas do cema” publicadas desde o início, referindo, em síntese, os assuntos mais significativos que nelas foram abordados. “carta do cema” nº 1 - nov97 • apresentou as traves mestras que con-duziram à concepção do plano de forças desejável para o futuro. • ilustrou-se a evolução do orçamento de funcionamento da marinha desde 1995. • apresentou as principais inovações introduzidas no projecto de revisão do estatuto dos militares das forças armadas (emfar), na sua forma de 1997. • divulgou as preocupações relativas ao suplemento de residência e ao decreto-lei nº 80/95. “carta do cema” nº 2 - dez97 para além de referir o processo de substi-tuição dos submarinos, iniciado em 1988, e de apresentar as incumbências do sargento-mor que, em 29out97, passou a prestar serviço no gabinete do cema, esta carta abordou ainda os seguintes assuntos: • a nomeação de um novo ministro da defesa nacional (em 25nov97), salien-as cartas do cema</Page><Page Number="162">iogo cão 16 maio 99 • revista da armada a marinha joanina (7) o período do reinado de d. joão ii (1481-1495), no que diz respeito às viagens de exploração efectuadas no atlântico, revela-se muito parco de fontes históricas, permanecendo cheio de situações obscuras que os historiadores nem sempre têm interpretado convenientemente. há assim como uma espécie de aura de mistério sobre os acontecimentos náuticos dessa época e, pela certa, que isso não é estranho às controvérsias políticas do reinado e à necessidade de ocul-tar os conhecimentos portugue-ses a olhares cobiçosos de es-trangeiros. sobretudo – parece-nos a nós – que as delicadas relações com os reis de espanha (os reis católicos) devem ter concorrido para algumas das tramas que, nos estudos poste-riores, resultaram em grandes dificuldades de interpretação dos factos. aliás, muito poucos anos após a morte do soberano, já joão de barros confundia os acontecimentos, descrevendo-os com pouca regra e com erros significativos. as “descobertas marítimas” — sobretudo de-pois de 1481 – envolviam pro-jectos ambiciosos que, a concretizar-se, podiam representar uma vantagem significativa dos portugueses no contexto das nações europeias daquela época. é natural que o rei tentasse esconde-las de observações indiscretas, sendo de admitir que haveria coisas que assumiam as proporções de um segredo de estado, tal como aconteceu (e acontece) com muitas das descobertas científicas do século xx. esta é, seguramente, uma das possibilidades de interpretação da falta de documentos acerca das viagens efectuadas no tempo de d. joão ii, embora não sejam de pôr de parte as hipóteses que responsabilizam os problemas políticos ocorridos com algumas das mais importantes casas nobres de portugal ou ainda outras causas que escapam à nossa observação actual. as viagens de diogo cão estão dentro dos muitos acontecimen-tos desse tempo sobre os quais ainda subsistem dúvidas de diversa ordem. durante muitos anos, os historiadores tomaram como ver-dadeira a hipótese de que este navegador efectuara duas expe-dições a sul do equador: uma primeira com saída de lisboa pela primavera de 1482 e chegada em 84; e uma segunda entre 85 e 86, tendo (provavelmente) morrido nos mares do sul. todavia, hoje esta ideia está posta em causa, e carmen radulet, numa reunião internacional de história da náutica, efectuada em 1987, avançou com a hipótese mais plausível de que tenham ocorrido três viagens, em vez de duas. os primeiros padrões de pedra colocados pelos portugueses na costa africana datam desta altura também, sendo que o primeiro (s. jorge) foi colocado na foz do rio zaire e o segundo (s. agostinho) no (então) cabo lobo (hoje cabo de santa maria - 13º 25’s), ligeira-mente a sul de benguela. ora o padrão de s. agostinho tem uma inscrição que diz o seguinte: “na era da criação do mundo de 6681 anos, do nascimento de nosso senhor jesus de 1482 anos, o mui alto, mui excelente e poderoso príncipe, el-rey d. joão ii de portugal, mandou descobrir esta terra e pôr estes padrões por diogo cão, escudeiro da sua casa”. este padrão fornece-nos pois algumas indi-cações: o ano da criação do mundo de 6681, de acordo com o que se acreditava naquela época, começara em 1 de setembro de 1481 e ter-minaria em 31 de agosto de 1482; por outro lado, o facto do padrão se chamar de santo agostinho, sugere que aquela terra tenha sido alcançada em 28 de agosto (dia da festa do santo); assim, a data pro-vável da chegada ao local poderá ser a de 28 de agosto de 1482, dando-nos a ideia de que a partida de lisboa teria aconteci-do pelo princípio desse ano ou, mesmo, pelos finais do anterior. à falta de uma relação coeva destas viagens é desta maneira que temos de as reconstituir. mas, se diogo cão ali estava em agosto de 1482, porque razão só teria chegado a lisboa em 1484. não faz sentido. é tempo demais para um cami-nho que já não seria difícil para os portugueses. por outro lado, na sua última viagem, o nave-gador subiu o rio zaire e deixou uma inscrição em ielala, onde está um brasão de armas de portugal (ver revista anterior) que é posterior às alterações efectuadas em janeiro de 1485 (o escudo por-tuguês, desde d. joão i que era inscrito na cruz de avis, mas d. joão ii alterou-o). por isso, a partida dessa viagem só pode ter acon-tecido depois dessa data, ficando um intervalo de tempo de mais de dois anos, entre a primeira e a última viagem. mas há mais uma informação que nos pode ajudar a recompor este puzzle: um alvará de d. joão ii, concedido a diogo cão em 8 de abril de 1484, afirma que ele acabou de chegar de uma viagem a áfrica. ora isso quer dizer que, depois da viagem de 1982 e antes da de 1485, é preciso considerar uma outra em que o navegador chegou no princípio de 84. a conclusão de carmen radulet parece, portanto, lógica: houve três viagens e não duas, como supuserammuitos historiadores por-tugueses. nesta expedição de 1485 os navios portugueses foram até à ponta dos farilhões (22º 10’s) depois de terem deixado um último padrão de pedra em cape cross (na namíbia). esta informação, acerca do termo exacto da viagem (que poderá não ser muito segura), deve-se a uma legenda de um mapa italiano de 1489 (martellus), cujo texto sugere que diogo cão aí terá morrido. se assim aconteceu, poderá ter sido essa a razão porque os navios não avançaram mais para sul, mas a questão também não merece uma opinião unânime dos estudiosos que a este assunto se têm dedicado. apesar de tudo, é possível dizer com segurança que entre 1482 e 86 – provavelmente, depois de três viagens —diogo cão chegou (pelo menos) até cape cross a 21º 47’ s. ainda faltava muito para passar o cabo da boa esperança, mas algumas dificuldades já tinham sido vencidas. j. semedo de matos cten fz diogo cão</Page><Page Number="163">pereira da silva» revista da armada • maio 99 17 t alvez por isso, quando à primeira fragata da classe «almirante» foi atribuido o seu nome muita gente se terá perguntado: «quem foi este?» fernando augusto pereira da silva, filho de um distinto oficial do exército, nasceu em messines, a 13 de janeiro de 1871, mas fez os seus estudos em lisboa, onde após os estudos preparatórios acede à escola naval em 1889. um ano depois, a provar que as alianças, para os fracos, não pas-sam de frágeis garantias face a interesses contraditórios, portugal, política, intelectual, industrial, … económica e, consequentemente, militarmente desarmado sofre a sua maior humilhação, exactamente porque não dispõe de marinha. foi o ultimatum, chicotada afinal … insuficiente (1), que poderá ter sido o «leit-motiv» do então jovem aspirante de 2ª classe. só em fins de 1893 fará, com mais 33 aspirantes, a sua primeira saída para o mar, rumo a moçambique, num total de 19.903 milhas náuticas. pereira da silva porém, destacara para a corveta mista «rainha de portugal», afecta à divisão naval do índico, onde, a 20 de julho, «molha» o galão de guarda-marinha. como o régulo mahazuli, às ordens de gungunhana, preparasse um ataque frontal a lou-renço marques (2) toda a divisão naval é enviada àquela cidade. a corveta entrou (9 set) à frente da lancha-canhoneira «xe-fina (3)» e dos navios ar-mados «auxiliar» e «ne-ves ferreira», pois a ca-nhoneira «quanza (4)» fo-ra reforçar quelimane. com a população e os poucos europeus da polí-cia montada e do exército, e 50 soldados africanos organizou-se a defesa. na noite de 23 foi re-chaçado o primeiro ata-que, mas a corveta teve de ser entregue às mulheres para que os homens col-matassem as 40 baixas registadas no «quadrado», apoiado na praia, mas excluindo a estação do … telégrafo submarino. e resistissem nas noites de 9 e 14 de outubro. no dia seguinte uma expedição militar de socorro partia de … lisboa (5)! a de mouzinho de albuquerque que derrotaria, em chaimite, o chefe vátua. a «defesa de lourenço marques» impediu uma «vergonhosa inter-venção de forças estrangeiras», aliás, subjacentes à revolta (6). regressado a lisboa e já 2ten (7dez95) depois da fiscalização do sul, como imediato, oferece-se para moçambique, onde assume o comando (23jun96) da lancha-canhoneira «obuz» da famosa esquadrilha do (rio) zambeze. em 1987 passa a angola, como ajudante do comando da divisão naval do atlântico sul. depois do algarve, na «tavira» (1898-1901), faz, como encarrega-do dos serviços de electricidade do recém chegado cruzador «rainha d. amélia» , a visita de d.carlos aos açores e madeira, manobras e as viagens do príncipe das beiras (7). concluído o curso (mai04) na escola prática de torpedos e electicidade (epte) é, dados os seus estudos sobre a marinha e a sua reorganização, nomeado para a comissão do plano de reconstrução da armada, porém, volta no «d. amélia» a angola, para, em 1905, ano do seu primeiro livro, ir, como 2º comandante interino (8), para a epte, em vale de zebro. em 1906, é comandante interino (por ser 1º tenente) dos cruzador «d. amélia», onde a sua competência técnica se evidencia, e depois, do navio-escola de marinheiros do norte, a «d. estefânia», no douro fundeada, onde desenvolve uma acção pedagógica notável no plano profissional, moral e físico. a 4 de outubro de 1910, regressado a lisboa, é, pelo governo, mandado para vale de zebro para, admite-se, com os 4 navios tor-pedeiros dominar os navios republicanos, o que ele sempre afirmou que não cumpriria. «pereira da silva» uma vida cinzenta, cinzenta como aço, mas aço caldeado por mão de mestre e, de infatigavelmente polido, inoxidável às vicissitudes da política, às frustrações da profissão e mesmo aos reveses da felicidade, afinal tão linear como uma espada que, numa fracção de segundo, refulge e nos obriga a fechar os olhos em pausa e reverência que perdura, penetrante e luminosa, na mais adormecida memória. pereira da silva (no tombadilho, projectado sobre o mastro) com os aspirantes seus companheiros de curso da escola naval, durante a viagem de instrução a bordo da corveta “duque da terceira”, 1893. pereira da silva, contra-almirante em 1935.</Page><Page Number="164">8 maio 99 • revista da armada proclamada a república passa logo no dia 6 à majoria-general (9) da armada e nomeado (2 nov) presidente da comissão reorgani-zadora da armada, membro da que estudaria um novo arsenal e vogal da que introduzirá a telegrafia sem fios. republicano sem partido, homem calmo, ponderado e de uma só palavra, logo avesso a conspirações, muito menos revolu-cionárias, perante o quadro das ameaças que pairavam sobre o ultramar por que a sua geração lutara, impunha-se-lhe a entrada de portugal na grande guerra nem que para tal fosse necessário… derrubar o governo. assim, na madrugada de 14 de maio segue do café martinho para casa do ctn rodrigues gaspar, mas não ouvem os três disparos do «vasco da gama» e já o sol ia alto quando, pelo rio, conseguem entrar no arsenal cuja defesa organizam com centenas de mari-nheiros, arsenalistas e outros. é pereira da silva quem a tudo acorre e quem acolhe a adesão da gnr até que, pelas 18h00, o governo se rende. sairá então com pequenas forças de marinha a proceder à recolha das armas, tarefa que só a sua persuasão permite cumprir. a ingrata prisão do chefe do governo, o general pimenta de castro é-lhe confiada. num encontro de cavalheiros, o general e o seu mi-nistro da instrução, recolhem, respectivamente, ao «vasco da gama» e ao «s. gabriel». leotte do rêgo, vitorioso naquele cruzador, convida-o então para seu imediato e aí frutifica uma sólida amizade. à sua «competência» e «dedicação» como «estudioso» e «organi-zador», soma o registo de um invento sobre «comunicações eléctri-cas para regulação de tiro a bordo de navios». ao seu espírito profundamente humano, é entregue o levantamento das aspirações dos oficiais da armada e, ao seu bom senso, pedido um parecer a ser submetido ao parlamento. embora desse «gosto» trabalhar com leotte do rêgo queria um comando de mar naquela guerra em que portugal se devia bater pelos seus interesses. apesar de capitão-tenente, aquele oferece-lhe o comando dum contratorpedeiro para ir «lá para fora», a escoltar as tropas que seguiam para frança ou áfrica. acelerada a integração do «douro» na divisão naval de defesa, logo no início de 1917 rende um homólogo britânico na escolta dum transporte de tropas desta bandeira (10). os relatórios das suas «viagens de guerra» assinalam tudo quanto se fazia lá fora mas, como em ponta delgada, sacrifica um cais a um fundeadouro para «mais à frente dos navios americanos», se mostrar «bem a presença do navio português». nesses dois anos enfrenta com êxito um submarino alemão (24set17) e é, notoriamente, o contratorpedeiro que mais navegara e o que maior número de escoltas efectuara (11). daí, o colar da torre e espada. já cfr é nomeado (ago18) para estudar uma futura base naval, mas face à intentona monárquica de 1919 (12) será louvado por ter organizado «no incrível prazo de 48 horas, …o bloqueio da costa norte (13)». no termo da chefia duma missão para aquisição de cruzadores (14), cabe-lhe trazer de inglaterra o «carvalho araújo (15)» donde, cumpridos os mínimos para promoção, pronta e solidariamente desembarca do que seria o seu último comando de mar. a entrada (out 23) da força naval multinacional que conduziu a lisboa, como chefe de estado, o ex-embaixador em londres, manuel teixeira gomes foi um momento alto da conturbada i república, ensombrado, em pouco mais de um mês, pela queda consecutiva de dois ministérios (16). o novo chefe de governo, o dr. álvaro de castro convida-o, depois de ter passado pelo estado maior naval (emn) (17)e pelo corpo de marinheiros da armada, para a «ponte mais alta da marinha», o ministério de que toma posse (18dez23) com estas brevíssimas palavras: «tentarei, desde já, fazer navegar a marinha e, logo que mo consintam, dotá-la com os meios necessários para a tornar útil a um país de tão largos domínios a defender e de tão glo-riosas tradições marítimas a manter. a marinha não pode estar longos meses no tejo. daí advêm desprestígio e empobrecimento. tudo isso é mau para a disciplina, além de se perderem o treino, o hábito e o gosto do mar. torna-se pois necessário educar o marinheiro em períodos intensos de trabalho no mar, experimentando as suas vicissi-tudes e fazendo-o conhecer as suas exigências; afastá-lo de terra - onde poucas vezes encontra ensejo de valorizar a sua missão - eis o que tentarei fazer, de momento, a par de algumas reformas na orgâni-ca, que julgo indispensáveis e oportunas.» depois da travessia aérea (18), renasce do seu conhecimento e dos problemas da cultura específica do seu ramo, uma nova esperança. independente e alheio às questiúnculas políticas, autor de numerosa obra de doutrina naval, sustentada nos anais do clube militar naval (acmn), põe em acção todo o prestígio que o seu labor e competência lhe grangearam dentro e fora da armada, sobreviven-do (19) a seis governos «a meses», até ao 28 de maio de 1926.  começa por transferir os revoltosos do «douro», de s. julião para sacavém, pois nele a tolerância não corria o risco de parecer tibieza… depois, no verão de 1924, constitui uma pequena força naval a cujas manobras anti-submarinas (20), de surpresa, assistirá, promove, perante o governo, exercícios de bombardeamentos pela aviação naval e vai receber sacadura cabral que trazia o primeiro hidro-avião «fokker» que conseguira fazer adquirir. a marinha despertava a par dum programa naval: «2 flotilha-leaders de 2000 toneladas e … 4 contratorpedeiros de 1000». em agosto organiza a divisão naval colonial (dnc: 1 cruzador, 3 canhoneiras e 1 transporte) que larga, para o périplo de áfrica, numa tempestuosa tarde de outubro, sublinhada por uma revista naval. os torpedeiros ex-austríacos recuperavam-se e a operacionali-dade de alguns dos velhos cruzadores repunha-se. pereira da silva, imediato de leotte do rego, no cruzador “vasco da gama”, durante os primeiros tempos da guerra de 1914/18. pereira da silva, comandante do “carvalho araújo”, com os seus oficiais, antes de iniciar a viagem de inglaterra para lisboa: da esquerda para a direita, 2 os -tenentes herculano góis e eng o , maq. estevam catalão; capitão-tenente garcez de lencastre, imediato; pereira da silva; 2o-tenente-médico dr. emílio faro, 2 o tenente josé filipe castela e 2 o -tenente de a.n. carlos henrique.</Page><Page Number="165">evista da armada • maio 99 19 em cascais o pr observou um exercício de ataque por submarinos e os jornais lembraram entusiasticamente ao país que ainda tínhamos marinha e … aviação naval. em fevereiro de 1925, perante centenas de pessoas, teixeira gomes dá, sob chuva diluviana, o bota-fora à canhoneira «zaire» que aguardava, há anos, conclusão. em junho, o pr, recebe as salvas e os vivas da regressada dnc (21) e portugal exalta. se, para afastar da agitação da capital todas as infraestruturas da armada, não consegue um canal do tejo ao sado, em macau, face à situação na china, cria um centro de aviação naval para apoio a uma esquadrilha (22). pereira da silva, que defendera a criação de uma única classe de oficiais (23) preocupa-se com o pessoal do activo, reserva e reforma; três decretos-lei destinam-se a abrir créditos para «melhoria de venci-mentos», «actualizar as pensões de reforma de todos os oficiais» e «de todas as praças de pré da armada». se uma portaria promove um maior recrutamento de praças, a reforma do ensino abrange a criação da comissão técnica e escola de educação física, anexa à escola naval, ela própria reformada de «dentro para fora, como convinha.», integrando as três classes (24) e passando finalmente a internato (25). o curriculum consagrará a experiência da grande guerra, as novas técnicas (26) e uma comum formação militar-naval (27) dos seus aspirantes, seleccionados, agora, num gabinete de estudos psicotécnicos e numa viagem de adaptação na, recém adquirida, «sagres». e o … cnoca (28)! mas o treino técnico subjacente ao operacional induz à criação duma base para a flotilha ligeira que pereira da silva quer longe de lisboa e virada para o futuro. a escola de mecânicos (29) e as das especializações (30), a famosa «universidade das lezírias», terão assento, como a, agora desembarcada, escola de alunos marinheiros, em vila franca. em s. jacinto, no centro de aviação naval de aveiro, a respectiva escola receberá o nome do almirante gago coutinho. o do malogra-do sacadura cabral (31) será dado ao grupo misto (4 «fairey» e 4 «fokkers») de esquadrilhas do núcleo de defesa aérea de lisboa. nas pescas, ficam as «zonas … de arrasto costeiro» defendidas e «as armações da sardinha e do atum, bem como a devastação do planalto continental» acautelados ao 5º …mês. a afronta duma canhoneira espanhola, secundada por contrator-pedeiros, na barra portuguesa do guadiana, habilmente contida e resolvida pela convenção de ayamonte, leva-o a reforçar, em 1926, a fiscalização da pesca com dois arrastões … armados. na marinha mercante cria a escola náutica, onde passam a rece-ber formação específica os alunos não militares da naval (agora exclusivamente militar). a reorganização dos serviços da marinha, a primeira das três maiores deste século, permitiu manter toda esta máquina a funcionar e ir mais longe nas áreas da hidrografia, provendo à falta de engen-heiros, da oceanografia, pela compra do «albacora», e da segurança a bordo («meios de salvamento») e nos portos (faróis e pilotos) e … mais, muito mais (32). tanto que o almirantado britânico, conhecedor do seu excelente programa naval, ambicioso mas exequível (33), e apostando no ressurgimento naval português (34), envia 4 cruzadores a lisboa. o discurso no banquete de recepção reforça, perante os nossos ali-ados e, através de alguns eminentes jornalistas, perante a opinião pública, a credibilidade da armada. mas o objectivo da visita é embarcar pereira da silva e levá-lo, escoltados por dois contratorpedeiros nossos, a observar as manobras conjuntas das suas frotas do atlântico e do mediterrâneo e a visitar a base de gibraltar antes de o reconduzir a lisboa escoltado pelos nos-sos modernos hidro-aviões. claro que o reino unido pretendia fornecer navios, mas, também, a quem interessará ter aliados armados de … chuços (35)? mas nada foi fácil. a sua obra doutrinária começa em 2º tenente e vai evoluindo a par do quadro de ameaças e dos meios técnicos do seu tempo e, ao tornar-se ministro, pode ser prontamente convertida em diplomas legais, porque o ministro ouve, é competente e se pauta apenas pelo interesse nacional. depois duma revolta da aviação militar mais uma vez parte do exército e da marinha se dispunham a derrubar o governo. ao sabê-lo, na madrugada de 19 de julho de 1925, dirige-se num rebocador ao «carvalho araújo», onde se junta aos mais altos responsáveis da armada. consultados, determina a saída, ao amanhecer, da esquadra de operações seguindo o plano de manobras previsto e isolando o revoltoso «vasco da gama», que acabou por se render enquanto rumavam ao algarve. o pr, que não pôde passar a revista, antecipando-se ao descré-dito para que os políticos empurravam a democracia, resigna em dezembro e exila-se na tunísia, donde elogiará a «paixão» do seu ministro. pouco depois, na sequência de um assalto ao palácio de belém, toma posição ao lado do governo e comanda as operações de embar-que de tropas fiéis que nem chegam a … intervir. mas agora é pereira da silva quem confirma a sua disposição de abandonar a pasta, reafirmando; «neste momento, a nossa marinha não tem valor apreciável para a guerra, nem pelas características nem pela idade dos seus navios. os encargos com reparações são cada vez mais pesados, mas nada permite, sem material novo, aperfeiçoar as técnicas e especializar o pessoal.» e acrescenta: «há longos meses que dorme no seio das comissões parlamentares um programa que elaborei e que se destinava, pelo menos, a ser discutido. infelizmente nem isso se verificou até agora…que todo o sistema orgânico do meu ministério, bem como os serviços da armada e do fomento marítimo (36), se encontram remodelados e estabilizados…». a reacção foi grande; na armada, sobretudo. inamovível na sua decisão receberá a grã-cruz da ordem de cristo no juramento de bandeira, na escola naval. a legislação, resultado da experiência e da reflexão carreadas, reforçada pela sensatez e lealdade, perante o governo e toda a marinha, que publicou, excluindo despachos de, por vezes, extremo significado, foi ao longo do 1º governo (191 dias), de 18 decretos e 6 portarias; do 2º (135), de respectivamente 14 e 3; do 3º (135), de 17 e 7; do 4º (30), de 5 e 0; do 5º (135), de 17 e 1 e do 6º (145), de 9 e 4. e passada a livro. o seu último acto oficial - o cumprimento de uma promessa ao seu par das colónias - foi mergulharem num submersível durante os exer-o primeiro acto de pereira da silva como ministro da marinha: entrega da grã-cruz da torre e espada a gago coutinho e a sacadura cabral. à direita e à esquerda da fotografia, respectivamente, os almirantes augusto neuphart e júlio gallis. contra-torpedeiros fundeados em vila franca de xira, no dia da inauguração da base.</Page><Page Number="166">0 maio 99 • revista da armada cícios conjuntos do «hidra», do «golfinho» e do«foca», onde embarcaram. esgotado o crédito da democracia, participa, leal a si e ao governo, no derradeiro conselho de ministros da i república. «acabara-se, de facto, «tudo», como dissera pereira da silva a sua /segunda/ esposa.» com quem acabara de se casar depois de, em 1924, enviuvar e de, já em 1925, ver sucumbir a uma, então incurá-vel, septicémia, o mais velho dos seus dois filhos, o promissor chefe de curso, precisamente, na … escola naval. cinco dias depois, comparece, com toda a dignidade, na posse de jaime afreixo e é logo convidado para subchefe do emn onde con-tinua a sua acção de sagaz e persistente doutrinador. como no cmn, na liga naval ou onde fosse chamado… no resultante livro que publica em 1928 defende, como já em 1909, uma concepção de força aeronaval em que o porta-aviões e o submarino «arma de largo futuro» têm afinal a importância que hoje lhe atribuem os estrategos. as operações combinadas com o exército e a aviação que desde 1908 estudara, conduzem-no à escola militar (37), onde, durante dois anos, lecciona a cadeira de «operações navais», granjeando aí admiradores (38). recordará aí que a exiguidade do nosso território continental e a excelência dos nossos portos podendo ser uma perigosa fragilidade para a espanha, o era certamente para nós, pois, «pelo bloqueio efectivo … portugal ver-se-ia em breve esmagado pela fome e nem mesmo as operações militares em terra prosseguiriam, por não podermos prover /sem o auxílio da marinha/ ao sustento das nos-sas tropas» se não quizéssemos, claro, ficar à «mercê do auxílio» dos nossos aliados (39). dominando temas de história marítima e de política internacional e naval prevê ainda a intervenção dos estados unidos da américa na política europeia e o seu interesse pelos açores, bem como a continu-ação dos conflitos de interesses em áfrica. defende uma credível aproximação nossa, em termos navais, à potência marítima dominante e, em absoluta e inequívoca paridade, à vizinha … espanha (40). em 1929, pereira da silva trata «a missão das comunicações na guerra naval» no cmn que, no ano seguinte, o convida para a presidência duma comissão executiva da propaganda da marinha que galvaniza os portugueses até ao … brasil. incluiu uma «semana da marinha», uma exposição das suas actividades, o lançamento de panfletos sobre as cidades do país, etc. graves incidentes em angola sublinharam a nossa impotência naval e o ministro encarrega o emn de elaborar um programa de que pereira da silva será, naturalmente, o relator. entretanto, a ditadura resultante dava ao país o que a desacredita-da democracia lhe recusara; uma estabilidade política que, embora a um preço histórico, permitia outros vôos. as sublevações nos açores, madeira e guiné permitiram que magalhães correia obtivesse a aprovação do «programa naval de 1930». em julho de 1931, é, como chefe interino do emn, promovido a cmg e logo nomeado chefe da missão naval que em newcastle fis-calizará a construção dos navios. quando o «gonçalo velho» foi recebido no tejo, pereira da siva, foi pelo novo ministro saudado como o «denodado percursor daque-la hora feliz». concluido com brilho o curso naval de guerra volta ao emn, sendo nomeado vogal do conselho técnico naval e de novo envolvido no seu projecto dum arsenal que será o do … alfeite. e no reajustamento dos serviços e cursos navais de guerra às novas mis-sões e navios. os ministros da guerra (41) e da marinha nomeiam-no então presi-dente da comissão que conceberá o conselho superior de defesa nacional mas como a única opinião que sempre defendera e a que não dera forma de letra, por não suportar que o envolvessem em qualquer confusão, foi a promoção por … escolha, é, em janeiro de 1933, atingido pelo … limite de idade. na simplicidade do discurso que proferiu no jantar oferecido pela armada revela «o desgosto» ao fim duma vida consagrada ao «nosso ressurgimento como nação marítima …para que a marinha de guerra adquira a potência necessária, não só material, como moral, mental e técnica.» e lembra que se o governo teve «o apoio da opinião pública, é porque a propaganda naval, mercê da sua energia e tenacidade, soube conquistá-la», elogiando as «numerosas publicações em livros e artigos de jornais, de oficiais e civis,» e assinalando «todos os problemas orgânicos…reserva naval e outros detalhes por mim tratados … em artigos dos anais do clube militar naval» onde registámos 57 entradas (42), funda-mento da sua «acção, que motivou, segundo penso, a carinhosa homenagem que estou recebendo». no ano seguinte publica «política internacional e política naval» que o prof. hernani cidade endossou à sua «inteligência penetrante, clara e atenta» e dedica-a ao seu outro filho, um notável magistrado. a propósito do «declive da nossa marinha mercante para o zero marítimo» respigamos;«o mesmo sucederá à nossa marinha de guerra de hoje … se não houver uma propaganda persistente e con-tínua /e não/ respeitarmos o princípio da continuidade do esforço (43), aliado aos impulsos de sãs iniciativas». em 1935, excepcionalmente a armada promove a contra-almirante afonso de cerqueira e … pereira da silva que nas provas de artilharia a última cerimónia poucos dias antes do 28 de maio: pereira da silva com o seu colega da pasta das colónias, general vieira da rocha, depois de uma imersão num submarino, ao largo da barra. no grupo figuram também o comandante almeida henriques e os 1 os tenentes nuno de brion e tavares de almeida. uma fotografia que tem mais de 70 anos: – pereira da silva com maurício de oliveira, durante a grande campanha de propaganda do nosso ressurgimento naval.</Page><Page Number="167">evista da armada • maio 99 21 bibliografia: oliveira, maurício de, pereira da silva, o homem, o marinheiro e o ministro, lisboa, marítimo-colonial,1958. monteiro, saturnino, batalhas e combates da marinha portuguesa, lisboa, sá da costa, 1997, viii. - simões rodrigues, antónio, história de portugal em datas, lisboa, círculo de leitores, 1994. - enciclopédia portuguesa e brasileira - diversos volumes. - índices dos anais do clube militar naval - 1870-1970, lisboa, cmn,1971. - revista da armada, diversos números. notas: 1) em 1961, sem armada capaz e, sobretudo, sem submarinos, perante a jovem e vigorosa armada da união indiana, falhou a aliança, como foram falhando, face às nossas diversas fragilidades, todas as nossas alianças formais. funcionaram apenas os comuns interesses pontuais que podíamos proteger. 2) nas margens do rio maputo onde lourenço marques, comerciante, se instalara, em 1544. 3) ilha fronteira a lm/maputo. 4) rio ao sul de luanda que dá o nome à actual moeda angolana. 5) chegaria um mês e meio depois. 6 )portos naturais com a amplidão do de lm/maputo ou o de nacala (norte de moçambique), pondo o interior em comunicação directa com o oceano, são, em qualquer parte do mundo, um bem altamente apetecível, sobretudo se sub-aproveitados. como certos estreitos, cabos, ilhas, zonas exclusivas … 7) d.luís filipe, herdeiro do trono, em visita a londres, tânger, gibraltar e porto santo.. 8) a designação de imediato em unidades em terra foi introduzida em meados da década de 1960. 9) então o comando da armada ou do exército. 10)recordamos que a marinha mercante era praticamente inexistente e que os navios apresados aos alemães ainda não dispunham de tripulações portuguesas aptas. 11) 12.112 mn e 34 combóios (segundo o texto do decreto de concessão da torre e espada e exaustivo quadro) e «quase o dobro» do que navegou o «guadiana». 12) vinda de espanha e a que resistem os celebrados «defensores de chaves». 13) recordamos que nas guerras liberais o domínio do mar foi determinante para os exércitos de d. pedro iv. 14) na realidade 8 «sloops» (avisos de 2ª classe) em bom estado, que se reduziriam a 6 e finalmente a apenas 2. a oportunidade proposta por pereira da silva de se comprarem em condições vedadeiramente excepcionais mais dois verdadeiros cruzadores apavorou o governo de então. 15) ex-«jonquill» servira de quartel-general combinado no célebre desembarque de galipoli (grécia) e que foi, já transformado em pontão, afundado ao largo de luanda. o outro foi o «república». 16) oministério, como então se designava o governo, poderiam durar apenas alguns … dias. 17) órgão consultivo da então majoria general da armada. 18) graças ao empenho de azevedo coutinho. recorde-se, no entanto, que não podendo suportar o aluguer dum paquete nacional para conduzir o pr ao rio (1º centenário da independência do brasil) este embarcou no melhor paquete do estado, o «porto», que, devido ao seu estado, chegou com dez dias de atraso, tendo o pr regressado num ocasioanal navio da … «royal mail». 19) com apenas uma ausência num breve governo esquerdista. 20) quatro navios de superfície, a flotilha ligeira, e dois submersíveis. 21) norberto lopes, o jornalista da travessia aérea, acompanhou a dnc. 22) nela se incluiu o «santa cruz» que recentemente o museu de marinha fez restaurar. 23) anais do cmn, 44, 1913, p. 894-905. um projecto que parece manter toda a sua actualidade, agora que, retiradas as cores que permitiam distinguir, a distância, as classes, só após atenta conversa percebemos quem é o quê, excepto os fuzileiros … 24) extinguindo a escola auxiliar de marinha onde eram preparados os engenheiros de máquinas e os oficiais de administração «de harmonia com o pensamento dominante da época presente, /e/…os princípios democráticos do nosso modo de ser social» in relatório de pds. 25) previsto desde 1903 mas só concretizada em 24 de abril de 1924. trinta anos depois do exército. 26) hoje dir-se-ia … tecnologias. 27) manteve-se os três anos de curso a que se acescentou um curso complementar após 18 meses de tirocínio, reduzido, pouco depois, o período de mar em cinco meses… para não atrasar a promoção a oficial. 28) clube náutico dos oficiais e cadetes da armada então restruturado. 29) o grupo nº1 de escolas da armada, hoje, parte integrante de vila franca. 30) «…artilharia (que se manteve na «d. fernando ii» até 1936), electricidade, torpedos e minas (hoje de armas submarinas), educação física (na naval), e extra-especializações, como aviação e submersíveis …» 31) em 15 de novembro p.f. passar-se-ão 75 anos … 32) algumas das iniciativas de pereira da silva foram pioneiras em portugal. 33) apesar do «concordo» do seu homólogo das finanças o projecto estiolou em s. bento. 34) «times» 35) incapazes de militarmente se defenderem ou de politicamente se … assumirem. 36) para estimular a marinha mercante acabara de publicar a 25jun uma lei que revogava o acto de navegação de …1863! 37) hoje academia militar. 38) recordemos que na escola naval uma sala consagra o eminente professor de máquinas marítimas, ferrugento gonçalves, … general de engenharia. 39) segundo de gaulle, em tempo de guerra confrontamo-nos com os nossos inimigos e em tempo de paz com os nossos amigos …mais próximos. 40) a nossa fragilidade estimula, do outro lado e em relação a nós, a tradicional leitura das relações que madrid hegemónica e infelizmente sempre praticou. 41) depois o conceito de guerra passaria a defesa com uma secretaria de estado do exército. oministério da marinha articulou até 1974 a gestão global das relações de portugal com o mar. 42) três correspondem a crónicas que manteve durante anos. 43) estas descontinuidades suicidas têm permitido a cada geração a ilusão de estarem desta vez a construir uma armada … a sério, em 1930, 1950, 1970 e 1990. 44) fundador da revista de marinha, também com uma vida inteira persistentemente dedicada à marinha. do «pedro nunes» é entusiasticamente ovacionado pela guarnição e convidados civis. a revolta de 36, em plena guerra de espanha, interromperia abrupta-mente o «programa magalhães correia» mas não a actividade de pereira da silva que trata nos anais «a evolução naval da armada portuguesa nos últimos setenta anos», os que o clube então come-morava. no ano seguinte pugna energicamente contra a «paralisia naval, que estamos constatando» e prefacia os «panoramas navais» do então 1º ten antónio marques esparteiro. em 1938 no cmn, com a colaboração da «revista militar», como já fizera com «a guerra» e a «ilustração portuguesa», versou «o problema das comunicações entre o continente e as ilhas adjacentes …» onde, com uma actualidade gritante, afirma; «a organização completa do nosso teatro naval estratégico metropolitano não existe e para a efectivar é preciso reagir contra preconceitos tradicionais, opostos à boa doutrina dos princípios da unidade de comando, que se devem respeitar tanto no cume do comando, como também nos diversos escalões, ainda os mais elementares.» 1941 é a reforma. a saude trai-o e leva-lhe o magro património amealhado antes de, em 3 de novembro de 1943, falecer. no funeral a armada em peso escutou os «mestres»; o general teixeira botelho, pela «revista militar» e o major-general da armada, botelho de sousa. à sua viúva valeram … outras viúvas e, financeiramente, o seu enteado. conhecendo a sua vida e observando as fotos onde aparece retrata-do ou as caricaturas em que figura, registamos, uma expressão entre serena e contidamente determinada, e um perfil voluntarioso forte-mente entroncado num corpo mais possante que robusto. maurício de oliveira, desde jovem seu amigo e da marinha (44), autor do livro que vimos seguindo, assistiu comovido ao lançamento da fragata (1963) que ostentou o seu nome e que teve por brasão um «escudo verde com um encontro de raposa de prata»… . para nós, leigo, deveria ser um rinoceronte, talvez o que enxotou o elefante de d. manuel, que está sob o torreão nw da torre de belém e que dürer imortalizou … ah! … e em fundo azul marinho dr. rui manuel ramalho ortigão neves 1º ten ref fragata “almirante pereira da silva”.</Page><Page Number="168">2 maio 99 • revista da armada missão síria – seplat 24 no n.r.p . “almeida carvalho” o n.r.p. “almeida carvalho” realizou a missão síria – seplat 24 no período de 13 a 29 de janeiro de 1999. a componente síria (situação de referência na região costeira algarvia influenciável pela barragem do alqueva) teve como objectivo a caracterização, do ponto de vista hidrológico e sedimentológico, da área da plataforma conti-nental influenciável pelo escoamento do guadiana, em condições de inverno, e a avaliação da sua interacção com as águas oceânicas. para o efeito, na área compreendida, aproximadamente, entre os meridianos de faro e de vila real de santo antónio, desde a linha de costa até à latitude 35º45n, foram efectua-das 64 estações gtd (medições de salinidades, tem-peraturas e imersões), 30 estações com colheita de amostras de fundo e duas com “corer” de gravidade. esteve embarcada uma equipa técnica de oito ele-mentos do instituto hidrográfico, liderada pelo dr. jorge silva, e três licenciados da universidade do algarve. a componente seplat 24 (sedimentologia da plataforma continental) decorreu entre 20 e 29 de janeiro de 1999, com o objectivo da publicação da fo-lha nº 4 (peniche ao cabo da roca) da carta dos sedi-mentos superficiais da plataforma continental por-tuguesa. foram efectuadas 420 amostras de sedimentos, a que correspondeu 44% da totalidade das necessárias para aquela folha. embarcou uma equipa técnica de dez elementos do i.h., sendo responsável técnico o dr. joão duarte. durante a missão foram percorridas 1190 milhas em 337 horas de navegação. avisos aos navegantes na internet na continuação do esforço de disponibilizar ao público da forma mais expedita possível a informação produzida pelo i.h., os grupos quinzenais dos avisos aos navegantes estão agora disponíveis na internet no domínio do instituto. a disponibilização na internet dos avisos permite ganhar uma semana na chegada da informação aos navegantes para uma maior segurança da navegação. passam assim a ter à sua disposição a informação que mais tarde irão receber por via postal, ao mesmo tempo que se alarga a disponibilidade àqueles que, não recebendo os avisos, são utilizadores das publicações náuticas oficiais do i.h.. 4ª reunião do world electronic navigational database (wend) o comité wend, cujo trabalho se enquadra no âmbito da organização hidrográfica internacional (ohi), tem como objectivo o estabelecimento de uma base de dados mundial da carta electrónica de nave-gação oficial (ceno), de acordo com as necessi-dades da navegação inter-nacional. o conceito atrás descrito deverá no futuro ser con-cretizado com base em centros regionais de coordenação e distribuição de ceno, agrupando diversos países geografica-mente relacionados, a fim de optimizar meios humanos e técnicos e garantir ao navegador a qualidade de um produto oficial. na europa a implementação do conceito atrás descrito é já um caso de sucesso. desde o dia 1 de fevereiro de 1999 que uma associação de 10 paí-ses membros da ohi, em que se inclui portugal, existe oficialmente sob a designação comercial de primar. este centro de co-ordenação europeu da ceno, irá iniciar a sua actividade comercial oficial em 1 de julho do corrente ano, encontrando-se nesta data numa fase de ensaio dos canais de distribuição e do controlo da qualidade na transmissão de dados. na 4ª reunião do wend, que se realizou em sydney, austrália, entre os dias 27 a 29 de janeiro de 1999, participaram 21 países e organizações internacionais tendo-se deslocado a esta reunião em representação do instituto hidrográfico o 1tenvarela pais. instituto hidrográfico recolha de sedimentos.</Page><Page Number="169">evista da armada • maio 99 23 escola naval descida do rio tejo em botes a descida de um rio em botes a remos enquadra-se dentro das actividades do corpo de alunos da escola naval, servindo, de forma excelente, para o desenvolvimento do espírito de corpo e do senti-mento de grupo, essencial à formação dos oficias da armada. não deixa de ser um exercício, mas o carácter quase informal em que se realiza leva que decorra dentro de um espírito de alegria onde o con-vívio e a camaradagem fazem esquecer as dificuldades, dando força aos remos nas mãos e ajudando a vender o cansaço, num esforço co-ordenado indispensável ao bom andamento das embarcações. esta actividade decorre todos os anos, aproveitando-se o ensejo para um contacto social e cultu-ral dos cadetes. em zonas menos habituadas à presença de marin-heiros. desta vez foi escolhido o rio tejo, descido desde vila velha de ródão até à barragem do fratel. no dia 12 de março, os alunos foram pernoitar ao parque de campismo da idanha- -a-nova, onde ficou montada uma base de apoio para todo o exercício. depois, no dia 13 de manhã, começou a descida que decorreu durante todo esse dia. no final, regressaram a idanha onde o presidente da câmara, acompanhado por alguns dos seus vereadores (entre os quais o vereador da cultura) teve ocasião de participar num jantar de con-vívio com todos os participantes. mas o exercício dos cadetes da escola naval não ficaria completo, se a presença no interior do país – sobretudo numa zona com uma tradição histórica tão signi-ficativa como aquela – não fosse acompanhada por uma programa cultural. o dia 14, de manhã, começou com a visita a uma exposição no centro cultural raiano (idanha-a-nova) a que se seguiu um passeio até à aldeia de monsanto e de idanha-a-velha. esta última tem a sua origem nos mais remotos tempos da pré- -história e foi um importante centro urbano no período romano e visigótico. chegou a ser a sede de uma diocese tão extensa como o actual distrito de castelo branco. entretanto, quando da invasão muçulmana, foi destruída (713) e permaneceu em ruínas, sem ter recuperado a sua antiga importância. o episcopado passou para a guarda nos tempos de d. sancho i (1199). hoje apresenta aos visi-tantes alguns restos do seu antigo esplendor, fazendo lembrar tem-pos antigos, quando cavaleiros godos corriam por aqueles montes e mesmo quando os templários tomaram conta da fronteira do tejo, acabando por se fixar no local de idanha-a-nova. celebração pascal a celebração pascal teve lu-gar no passado dia 16 de março e foi presidida pelo ordinário castrense, bispo d. januário torgal ferreira, acolitado pelos capelães david vaz monteiro, manuel amorim e antónio borges. a festa reuniu a maioria do pessoal da escola que par-ticipou com um sentido de comunhão de um sentimento de pertença a um mesmo grupo de trabalho e de empenho numa missão comum. é um momento de pausa e de reflexão, um momento que corta a vertigem do dia a dia, permitindo que olhemos uns para os outros com uma visão diferente, mais humana, mais próxima e mais familiar. o cadete pereira da silva, numa saudação especial a d. januário, teve ocasião de dizer o seguinte: “como diz a carta pastoral sobre deus pai […] o mundo não é feito de maus e bons, mas de caminhantes, e eu como marinheiro diria que o nosso mundo é feito de «navegantes». e nessa nossa nave-gação […] precisamos de faróis que nos ajudem ou, no dizer de d. januário, andamos à busca de uma candeia que nos alumie o caminho […] por isso quero, em nome do corpo de alunos, agradecer a sua presença amiga, a sua atenção e estímulo à nossa escola, mas sobretudo a preocu-pação e interesse em colocar sempre no nosso caminho can-deias prenhes de luz. que a sua presença nesta casa bicentenária nos estimule a saber que pegar numa cruz não custa nada. o que custa é despegar da cruz quem lá foi colocado. d. januário, pode ter a certeza que tentaremos como jovens construtores da paz – porque militares – encontrar soluções para os problemas que estão à nossa porta e ajudaremos os que necessitam de se lavar na água da justiça e da misericórdia, da compreensão e do perdão, da amizade e do amor, pois só assim iremos no caminho da páscoa.” no final da celebração houve um almoço de convívio que reuniu no refeitório os oficiais, cadetes, sargentos, praças e pessoal civil da unidade. a escola naval está disponível em: www.escolanaval.pt o cad. pereira da silva. o alm silva santos com o presidente da câmara da idanha-a-nova</Page><Page Number="170">4 maio 99 • revista da armada navios estrangeiros entre os dias 3 e 5 de mar-ço estiveram atracados na doca da marinha, em visita de rotina, dois navios perten-centes à marinha francesa. o reabastecedor de esqua-dra “loire” tem 101.5 me-tros de comprimento e um deslocamento de 2050 tone-ladas. quanto à sua guarnição, ela é composta por 14 oficiais, 91 sargentos e 41 praças. o “verseau” tem um comprimento de 51.5 metros e um deslocamento de 536 toneladas. a sua guarnição é formada por 5 oficiais, 28 sargentos e 13 praças. “loire” e “ verseau” “montcalm” e “ extremadura” “bosísio” e “ dodsworth” “timbira” “edinburgh” a fim de participarem no exercício swordfish es-tiveram atracados em lisboa (cais ponta da rocha, cais terminal de passageiros stª apolónia e doca da ma-rinha) entre os dias 2 e 8 de março, os seguintes navios: • a fragata (asw) “mon-tcalm” (navio integrante da euromarfor) per-tence à marinha francesa e tem como características um comprimento de 139 metros e um deslocamento de 3680 toneladas. a sua guarnição é com-posta por 25 oficiais, 163 sar-gentos e 55 praças. • a fragata “extrema-dura” pertence à marinha de espanha e é um dos na-vios que faz parte da euro-marfor. quanto às suas caracte-rísticas, o “extremadu-ra” tem 133.5 metros de comprimento, um desloca-mento de 3990 toneladas e uma guarnição composta por um total de 269 ele-mentos. • o submarino “timbi-ra”, da marinha do brasil, tem um comprimento de 61.2 metros e um desloca-mento de 1411 toneladas. a sua guarnição é com-posta por um total de 41 ele-mentos. • o “l.v. lavalle” é uma fragata da marinha fran-cesa e tem como característi-cas um comprimento de 80 metros, um deslocamento de 1100 toneladas e uma guar-nição formada por 7 oficiais, 60 sargentos e 30 praças. • o “libeccio” é uma fragata italiana e tem como características um compri-mento de 123 metros e um deslocamento 3190 tonela-das. a sua guarnição é com-posta por um total de 224 elementos. • o “bosísio” e o “do-dsworth” são duas fra-gatas de origem inglesa (tipo 22) pertencentes à marinha do brasil, têm um compri-mento de 131 metros e um deslocamento de 4600 tone-ladas. a guarnição do “bosí-sio” é composta por um total de 238 elementos e o “dodsworth” por 250 elementos. • o “edinburgh” é um destroyer da marinha do rei-no unido, tem 141.1 metros de comprimento, um desloca-mento de 4675 toneladas e uma guarnição formada por um total de 301 elementos. • o submarino espanhol “tramontana” esteve atracado na bnl e tem 68 me-tros de comprimento e umdes-locamento de 1740 toneladas. a sua guarnição é formada por um total de 62 elementos.</Page><Page Number="171">otícias • 20 de maio – conferência a evolução do fundo do mar – o maremoto de 1755, prof. dr. mendes victor • 15 de junho – colóquio a divulgação do conhecimento oceanográfico • 8 de julho – conferência a água do mar, comandante daniel rodrigues ciclo “a governação duradoura dos oceanos” • 9 de abril – conferência a governação dos oceanos – a declaração de lisboa dr. mário soares • 27 de abril – conferência a governação duradoura dos oceanos – os princípios de lisboa prof. dr. francisco andrade • 28 de out. – colóquio a sociedade civil e a governação duradoura dos oceanos o dia do mar • 16 de nov. – sessão comemorativa, com homenagem pública do prof. dr. luíz saldanha ciclo “uma política nacional para os oceanos dirigida ao século xxi” • 16 de dez. – colóquio uma política nacional para os oceanos dirigida ao século xxi – os fundamentos a sociedade de geografia de lisboa decidiu lançar as jornadas “a sociedade civil e o mar” com a finalidade de contribuir para a consciencialização da opinião pública relativamente à importância dos oceanos. é dentro do contexto da importância fundamental do mar para o desenvolvimento da sociedade humana, a manutenção da paz e a saúde da biosfera, que as nações unidas têm vindo a contribuir para a governação dos oceanos e das zonas costeiras mediante, entre outros, o desenvolvimento de uma consciência mundial alertada para o papel impar do mar, através do relatório “o oceano... nosso futuro” da comissão mundial independente dos oceanos presidida pelo dr. mário soares, do ano internacional dos oceanos e da expo 98 sob o tema “os oceanos, umpatrimónio para o futuro”. a sociedade de geografia ao promover a realização destas jorna-das em sessões públicas, com início às 18.00 horas, conta com a con-tribuição inestimável de individualidades de reconhecido mérito. o programa geral em 1999 é o seguinte: ciclo “divulgação do conhecimento do mar” • 18 de março – conferência história e importância das ciências do mar, prof. dr. mário ruivo • 23 de março – conferência o estudo do ambiente marinho, profª drª isabel âmbar a sociedade civil e o mar decorrido o prazo de 6 meses após o seu falecimento, o seu filho, dr. joão carlos paes braga procedeu à entrega dos volumes à direcção da biblioteca central da marinha. o espólio entregue divide-se em livros estrangeiros (cerca de 300) e nacionais (cerca de 410) cujos temas têm a ver fundamentalmente com a 2ª guerra mundial; com as marinhas intervenientes no conflito, o mar e os navios. todos estes livros vão ser catalogados e fazer parte da biblioteca da marinha. no entanto, vai ainda ser equa-cionado se os livros vão ser integrados no acervo geral da biblioteca ou se ficarão em separado como espólio do valm silva braga. de salientar que, qualquer das decisões a serem tomadas e a par-tir do momento que os livros estejam catalogados, ficam à dis-posição do público em geral. o almirante silva braga foi um dos mais con-ceituados e ilustres colaboradores da r.a., e ao falar-mos do seu nome lembramo-nos necessariamente das suas inúmeras “histórias de marinheiros” que foram publicadas durante cerca de 20 anos na r.a., sendo posteriormente editadas em livro com o mesmo nome. mas não são só as histórias de marinheiros que fazem o legado de escritor do valm silva braga, li-vros como “animais a bordo”, “vária marinheira”, “a passagem da linha” e “homem ao mar”, fazem parte do seu currículo como contador de histórias. foi ainda em vida (junho de 1996) que o valm silva braga decidiu instituir o legado de uma parcela da sua biblioteca pessoal em favor da biblioteca central da marinha. e assim aconteceu. entrega do espólio do almirante silva braga à biblioteca central da marinha moderna posta à dis-posição da arte de guerrear. grande foi a satisfação de quem a bordo os recebeu, por sentir que ao partirem, pequenos e graúdos sabiam agora que, à semelhança daquilo que se verifica num estabelecimento de ensino, a escola e o navio não são feitos apenas de paredes e anteparas, pavilhões e compartimentos, salas de aulas e pontes de comando, mas essen-cialmente pelos seres que nestes espaços se movimentam, con-vivendo e progredindo sempre como pessoas; tudo isto envolvido ainda pelo espírito do seu notável patrono. no âmbito da comemoração do 158º aniversário do nascimento de hermenegildo carlos de brito capelo foi veiculado por uma escola cs de palmela, um período para visitar o navio que tem em comum o mesmo afamado patrono. não podendo a dita visita realizar-se na data da efeméride por se encontrar o navio no mar, não deixou de ser grande o entusiasmo demonstrado pela dele-gação da escola “brito capelo” no encontro com a guarnição do n.r.p. “comandante hermenegildo capelo”, delegação esta que era encabeçada pelo presidente da junta de freguesia de palmela e vogais, pelo presidente do conselho directivo e professores e cons-tituída pelos alunos do quadro de excelência da escola que, num misto de espanto e de orgulho, ouviram atentamente a descrição dos feitos e méritos dos irmãos brito capelo, destacando herme-negildo, aos quais, por serem quatro em número, se estabeleceu o paralelismo com a dita ínclita geração. a visita prosseguiu então pelo emaranhado labiríntico de corredores e passagens que ia reve-lando aqui e acolá as marcas da idade, lado a lado com a tecnologia visita ao n.r.p . “comandante hermenegildo capelo” revista da armada • maio 99 25</Page><Page Number="172">6 maio 99 • revista da armada convívios de macau a 4 de julho de 1951, após uma longa via-gem de quase 31 meses , entrou o navio a barra do tejo a 5 de outubro desse ano, envergando uma flâmula de 30 metros correspondente ao tempo da comissão. a reunião e o almoço come-morativo do jubileu contou com a presença dos almiran-te sousa leitão, valm car-mo fernandes, comandante sousa e costa, dr. ruben la-voura e os ex-marinheiros ar-tilheiros florival pires, al-berto pacheco e luís de sou-sa; torpedeiros-electricistas mário gonçalves, angelo pe-nado; telegrafistas antónio maria almeida e francisco faria duarte. desde há dezena e meia de anos que se reúnem para “contar histórias, relembrar episódios e aventuras”, estreitando os laços de amizade e camaradagem que os continuam a unir. (colaboração de mário gonçalves) no passado dia 5 de mar-ço, reuniram-se na sociedade de geografia de lisboa cerca de uma dezena de ex-mem-bros da guarnição do aviso “joão de lisboa” para come-morarem a data em que se perfazem 50 anos sobre a par-tida para uma longa comissão no oriente. o actual presidente da so-ciedade de geografia, almi-rante sousa leitão, era na época um jovem oficial que embarcou neste navio para comissão, sob o comando do saudoso, então cten joão xavier ramalho rosa. o navio largou do tejo em 7 de março de 1949, em rota pelo mediterrâneo, escalando port-said, canal do suez, aden, goa, colombo e singapura com chegada a macau a 9 de maio. entre os principais even-tos durante a sua comissão, contam-se a revolução comu-nista de mao tsé-tung e uma visita à indonésia (djakarta) afim de embarcar o novo governador de timor. regressados 50º aniversário da comissão do aviso “joão de lisboa” bodas de prata da irs para assinalar a passagem do seu 25.º aniversário, marco significa-tivo na sua existência, a inspecção de reparação de submarinos (irs) organizou umprograma de comemorações de que se destacam: um encontro-convívio, no passado dia 8 de março, para o qual foram convidados todos os militares e civis que prestaram serviço na irs. é com enorme satisfação que se dá notícia da grande aderência que este evento registou. das 80 pessoas que passaram pela irs estiveram presentes 55, às quais foi oferecida uma meda-lha comemorativa desta efeméride. juntou-se-lhes ainda uma signi-ficativa representação de todos os sectores do arsenal que traba-lham directamente para os submarinos ou que colaboram estreita-mente com a irs. este encontro culminou com um almoço ofereci-do pela administração do arsenal, que reuniu cerca de 250 pes-soas. para além de ter proporcionado momentos de alegre e são convívio, onde se reencontraram amigos e se reviveram situações e histórias comuns, foi também uma homenagem a todos aqueles que com o seu esforço, dedicação, competência e entusiasmo parti-ciparam e participam na manutenção duma arma que reconhecida-mente tem prestigiado o arsenal e a marinha; no dia 10 de março, um almoço na messe do administrador do arsenal, para o qual foram convidados o valm superintendente dos serviços do material, o director de navios, o director de abastecimento, e os comandos da esquadrilha de submarinos e dos submarinos e, ainda, os ex-chefes da irs. na impossibilidade de estar presente, por motivos inadiáveis, o valm ssm fez chegar uma mensagem de felicitações; uma pequena exposição esteve patente no edifício da irs, com a qual se pretenderam evocar os principais acontecimentos da sua criação e as actividades mais significativas relacionadas com a ma-nutenção e reparação dos submarinos. por fim, e integrado no programa de visita à esquadrilha de submarinos, teve a irs a honra de ser visitada por sua ex.ª o cemgfa, general espírito santo, no dia 23 de março. na pas-sagem rápida que fez, foi-lhe feita uma breve apresentação da irs, suas fun-ções e actividades pelo seu chefe, cten emq batista de figueiredo, e teve o ensejo de ver a exposição atrás referida e de visitar a doca flutuante onde se encontra actualmente o ss “delfim” em grande revisão. de pé, da esquerda para a direita: dr. ruben lopes lavoura, vice-alm. rui carmo fernandes, almirante sousa leitão, torp. elect. angelo carapeta penado, comandante sousa e costa, artº. florival pires, teleg. antónio maria almeida, teleg. francisco faria duarte. de joelhos: artº alberto augusto ribeiro pacheco, torp. elect. mário gonçalves, artº luís cardoso de sousa. 8 de março: fotografia de conjunto. visita do cemgfa à irs em 23 de março.</Page><Page Number="173">onvívios faíscas da armada vai realizar-se no próximo dia 10 de junho o 52º almoço de confraternização dos “faíscas da armada”, no restaurante marquês da serra. para mais informações os interessados poderão contactar com: ten delgado, g1ea-eet telf. 951 81 00), 51 104 (rtpm) telf. (resid.) 033/930502 ten morais, direcção de navios telf. 3190 (rtpm ), telf. (resid.) 255 34 24 é a expressão mais habitual atribuída ao pessoal militar (e mais tarde também ao pessoal civil) que desde 1927 (ano da criação dos artifíces radiotelegrafistas pelo decreto 14.109 de 15 de agosto) vem prestando assistência técnica ao material, começando pelos então simples equipamentos de radiocomunicações e chegando actualmente aos vários campos em que quase tudo é electrónico. os primeiros artífices radiotelegrafistas (art) eram 9. daí a razão de, por vezes, também se encontrar a expressão “os 9 faíscas da armada”, consequência da fundação, em 10 de junho de 1948, do “grupo os 9 faíscas da armada” (cujo padrinho foi o “faísca” jaime alves das neves, então saj art desde 31.01.1928). naquele ano, também teve lugar o 1º almoço de confraternização. os almoços de confraternização mantiveram-se todos os anos no dia 10 de junho, mas a evolução técnica não permitiu que se mantivesse a designação de artífices radiotelegrafistas. assim, em 1953 passaram a designar-se por artífices radioelectricistas (are). em 1975, e em fase de extinção, pas-saram a ser designados por técnicos radioelectricistas (tr), e desde 1978 que se designam por electrotécnicos (et). vai realizar-se no próximo dia 19 de junho o almoço de confraternização do 22º aniversário de ingresso na armada dos “filhos da escola” de junho de 1977 (2ª incorporação). os interessados em participar neste convívio deverão con-tactar até ao dia 31 de maio para: 1mar cm res carlos santos iasfa-centro de apoio social do alfeite telf. 276 9211 ext. 3782; residência 255 2241 1sar cm prior s.a.o. da b.n.l. telf. rtpm – 3268; 3371 1sar he belo escola naval telf. rtpm – 1528 cab cm costa nrp “roberto ivens” ou apartado 23 amora 2840 amora</Page><Page Number="174">otícias instituto de acção social das forças armadas no passado dia 21 de janeiro de 1999 foi assinado um protocolo de cooperação entre o instituto de acção social das forças armadas e o montepio geral. a cerimónia decorreu no edifício-sede do montepio geral, sob a presidência do secretário de estado de inserção social – dr. rui cunha e dos repre-sentantes do cemgfa e dos chefes de estado-maior dos três ramos das forças armadas, bem como entidades da defesa nacional, da segurança social e das duas instituições. o documento foi assinado pelo presidente do iasfa – valm sarmento gouveia e pelo presidente do montepio geral – dr. costa leal. nos termos deste protocolo estão contemplados um conjunto de facilidades para a instituição, bem como para os beneficiários e funcionários do iasfa, através de condições preferenciais nas áreas do crédito individual e à habitação, gestão de poupanças e contas ordenado, e outros produ-tos financeiros disponíveis na caixa económica do montepio geral – associação mutualista. o universo de beneficiários do iasfa abrangidos por estas facilidades é da ordem dos 140.000, devendo os mesmos dirigirem-se a qualquer balcão do montepio geral para um esclareci-mento mais completo do conjunto de produtos disponíveis cober-tos pelo protocolo. está aberto o concurso na academia de marinha, até ao dia 30 de setembro de 1999, para atribuição do “prémio almirante sarmento rodrigues”. o “prémio almirante sarmento rodrigues” destina-se a impulsionar e dinamizar a pesquisa, a investigação científica e o estudo da história das actividades marítimas dos portugueses. o referido prémio, é constituído por um diploma e por uma quantia pecuniária no valor de 1.000.00000 (um milhão de escudos). podem concorrer a este prémio os cidadãos nacionais e de países ou comunidades de língua ou cultura portuguesa que apresentem trabalhos originais nos domínios referidos. consideram-se originais os trabalhos inéditos ou que tenham sido publicados em 1998 ou 1999. o regulamento do prémio está à disposição dos concorrentes na academia de marinha. para mais pormenores pode ser contactada directamente a academia pelos telefones 342 81 48 e 342 81 05, ou fax 342 77 83 ou por escrito para: edifício da marinha - praça do município - 1100-038 lisboa academia de marinha “prémio almirante sarmento rodrigues” a guerra de áfrica, como todas as guerras, marcou uma geração. o que há de especial nesta guerra é o pouco distanciamento que temos dela. são muitos os que a viveram na primeira pessoa. foi um deles, joão maria pinto, que organizou o disco “canções proibidas: o cancioneiro do niassa”. canções contra a guerra, entoadas quase secreta-mente pelos soldados. um álbum com treze temas e que reúne artistas como carlos do carmo, rui veloso, genita salomé, paulo carvalho, lura, joão afonso e tetvocal. no ano em que se comemoram 25 anos sobre a revolução de abril, um álbum que, acima de tudo, é um documento de grande valor histórico. produzido por laurent filipe “canções proibidas: o can-cioneiro do niassa” foi editado a 22 de abril. (dep. promoção/emi - valentim de carvalho / abril 99) nota: o produto da venda deste disco reverte a favor da associação dos deficientes das forças armadas. “canções proibidas: o cancioneiro do niassa” “canções proibidas: o cancioneiro do niassa” 28 maio 99 • revista da armada</Page><Page Number="175"></Page><Page Number="176">0 maio 99 • revista da armada passatempo yavuz class ffah os dois primeiros navios da classe foram construídos na alemanha, e os dois seguintes na turquia. um dos aspectos a realçar nestas fragatas meko 200 t, é o facto da sua construção ser baseada no chamado “functional unit system”, o qual consiste na instalação de todos os sistemas de armas, sensores e sistemas electrónicos em módulos ou con-tentores, os quais proporcionam uma maior rapidez e facilidade na sua montagem em comparação com os tradicionais métodos de construção naval. a fragata meko 200 t, é a descendente directa da meko 360 h1/2, seu design é basicamente o mesmo e apesar de possuir um deslocamento inferior em cerca de 20%, incorpora no entanto alguns melhoramentos importantes mantendo praticamente a mesma capacidade de combate da meko 360. (colaboração do 1ten sei fontinha citan) e m 1982 foi finalmente assinado um contrato entre a marinha turca e os estaleiros alemães da blohmvoss para a cons-trução de quatro fragatas multi-função meko 200, as quais passariam a constituir a classe “yavuz” de modo a substituírem gradualmente os já obsoletos destroyers da ex. classe americana gearing construídos entre 1945 e 1950. as fotograf ias abaixo apresentadas correspondem a plataformas navais publicadas pela revista da armada desde fevereiro de 1996. como passatempo propõe-se ao caro leitor desta revista que as identifique, tal como são apresentadas, em termos de classe de navio. identificação e reconhecimento visual características para id/recce • borda recortada e alta • proa muito lançada com amura ligeiramen-te elevada • popa em painel com aberturas • mastro principal em for-ma tripoidal com o aws-6 no topo, em treliça • mastro secundário a ré do principal, sobre uma estrutura em treliça, e posicionado a vante da chaminé • duas chaminés cónicas posicionadas em “v” • ponte alta incorporada na superestrutura de vante. informação geral/características país: turquia • tipo: ffah • desloc. máximo: 2784 tons • desloc. standard: 2500 tons • compr. de fora a fora: 110,5 mts • boca: 14,2 mts • calado máximo: 4,1 mts • propulsão: codad • autonomia: 4100 mn a 18 nós • vel. máxima: 27 nós • unid. no activo: 4 • armas -mísseis: ssm’s 8xharpoon/ sam’s sea sparrow mk 29 • artilharia: 1x127 mm mk 45 mod 1 / 3x25 mm sea zenith • torpedos atw’s: 6xmk32 • sensores - radares: aviso aéreo da 08 / aviso de superfície aws 6 dolphin • controlo de fogo: • stir; wm 25; / 2xcontraves seaguard • sonares: sqs 56 (de 1160) • controlo de armas - 2xsiemens albis • ew - esm: signaal/ramses • ecm: signaal/ramses • contra-medidas - engodos (ew): mk36 mod1 srboc flares i.r. • (asw): nixie slq 25 / meios orgânicos 1xab 212 asw • combat data system - stacos – tu; link 11 • wsc 3v; satcom’s yavuz class ffah passatempo imagem 1 imagem 2 imagem 3 imagem 4 serão apresentadas no próximo número. soluções</Page><Page Number="177">orneio de pistola do comando do corpo de fuzileiros torneio de pistola do comando do corpo de fuzileiros com a excelente partici-pação de 81 atiradores, decor-reu de 22 a 26 de março mais um torneio de tiro, no âmbito do comando do corpo de fuzileiros, na carreira de tiro da escola de fuzileiros. o torneio foi disputado na dis-tância de 25 mts, na variante de precisão, tendo sido utiliza-da a pistola walther de 9 m/m. as classificações obtidas foram as seguintes: individual 1º cab fz martins - ef .........................................258 pts 2º 2ten sep marracho - ccf ......................................245 pts 3º cab fz vital - ef ........................................ 240 pts equipas 1ª escola de fuzileiros ............. 877 pts 2ª unidade de polícia naval ...853 pts 3ª unidade de meios de desembarque ........................824 pts iii escalão 1º bf 2º cefa 3º uaicm 4º ef ii escalão 1º bf 2º en 3º uaicm 4º ef torneio de natação torneio de natação a piscina do cefa recebeu no dia 14 de maio 48 nadado-res que participaram em mais um torneio de fomento de natação, prova que se destina a fazer a divulgação desta modalidade na marinha e ainda a detectar novos valores para a componente desportiva. os vencedores nas dife-rentes provas por escalões foram os seguintes: xv campeonato de marinha de futebol de 5 xv campeonato de marinha de futebol de 5 realizou-se de 1 de mar-ço a 9 de abril a fase final do xv campeonato de marinha de futebol de 5, que como já vem sendo hábito decorreu com grande emoção e entusi-asmo no ginásio polivalente do cefa, tendo movimenta-do 23 equipas em represen-tação de 8 unidades. de parabéns está a base de fuzileiros, conseguindo um verdadei ro “hatr ick”, ao vencer os três escalões, facto inédito e meritório se tiver-mos em conta as di f icul -dades em pessoal e o em-penhamento operacional a que têm estado sujeitas as unidades do corpo de fu-zileiros. as classificações obtidas por escalões foram as seguintes: i escalão 1º bf 2º ef 3º d. merg. 4º uaicm viii campeonato das forças armadas de voleibol viii campeonato das forças armadas de voleibol disputou-se de 15 a 19 de março a 8ª edição do cam-peonato das fa de voleibol, competição que se realizou em lamego, numa organiza-ção da psp. estiveram em disputa dois troféus, o masculino que cou-be à marinha, averbando assim a sua sétima vitória consecutiva, conquistando a psp o troféu feminino. desporto revista da armada • maio 99 31 i escalão ii escalão iii escalão 50 mts costas 400 mts livres cad mercier - en cad mercier - en 50 mts mariposa 50 mts costas (femininos) cad lamego - en cad sofia miranda - en 50 mts bruços 100mts estilos (femininos) cad piedade - en            cad sofia miranda - en 100 mts 400 mts livres (femininos) cad piedade - en cad sofia miranda - en 100 mts estilos cad mercier - en 50 mts mariposa 100 mts livres cab cct golaio op. palmela - a. alfeite 50 mts costas 100 mts estilos cfr emq meyreles           op. palmela - a. alfeite 50 mts bruços 400 mts livres cab cct golaio op. palmela - a. alfeite 50 mts costas 50 mts bruços eng. antão - a. alfeite 1sar fz piedade</Page><Page Number="178">oisés e a travessia do mar vermelho 32 maio 99 • revista da armada h á cerca de 3200 anos, a filha dum faraó, possivel-mente o grande ramsés ii, encontrou numa das margens do nilo uma alcofa com um recém nascido. a criança, por ser filho de escravos hebraicos, devia ser morta, pois era assim que rezava a lei vigente. todavia, a princesa levou o jovem para a corte onde foi educado. veio a chamar-se moisés, que quer dizer salvo das águas. moisés cresce, torna-se ho-mem e um dia, já com idade adi-antada e inspirado por deus, sente que foi eleito para conduzir para a terra prometida os milha-res de escravos hebreus, que eram sacrificados com árduos e inter-mináveis trabalhos, quase todos destinados a exibir a vaidade pessoal dos faraós. moisés tenta convencer o faraó de o deixar cumprir o desígnio que recebeu de deus. o rei não quer ceder. todavia, o egipto é abalado por dez terríveis pragas e o faraó aterrado por tão grave situação consente a saída dos hebreus. estes reúnem-se, e começa essa longa marcha, que ficou conhecida pelo êxodo. durante a caminhada, moisés e os seus seguidores depararam com o mar vermelho. diz a legenda que um vento forte, enviado por deus, pôs a descoberto o fundo do mar permitin-do que os judeus passassem a seco. e mais, que os soldados que os perse-guiam, porque o faraó tinha mudado de ideias, foram todos afogados pelas águas. moisés não chega à terra prometida. será josué, a quem ele entre-ga o testemunho, que o conseguirá. todavia, no monte sinai, moisés ainda escreve os dez mandamentos, ditados por deus. em setembro de 1947, éramos então um jovem 2º tenente, desta-camos para o n.r.p. “s. brás”. este navio petroleiro, o primeiro que tivemos na marinha, desempenhou um papel importante no após 2ª guerra mundial, contribuindo para o abastecimento de combustíveis ao nosso país. o navio tinha feito até então, quase exclusivamente, viagens para curaçau e aruba, duas ilhas que não tinham petróleo, mas que dis-punham de importantes refinarias. o comandante que fomos encon-trar não se conformou com a monótona rotina de visitar sempre aqueles dois portos do mar das caraíbas, e conseguiu que as com-panhias abastecedoras escolhessem outros portos para o efeito. assim, em cerca de um ano que nos mantivemos no s. brás, visitá-mos barém no golfo pérsico, curaçau, para que o navio não perdesse o hábito, port arthur, no texas, eua e, por fim, saint peter, um pequeno porto perto de los angeles. nas viagens acima referidas tivemos o privilégio de atravessar os canais de suez e do panamá que, apesar de não serem os maiores que se construíram, são, sem dúvida, os mais famosos. curiosamente, foram ambos concebidos por ferdinand lesseps, mas o segundo, por dificuldades técnicas e finan-ceiras, foi terminado pelos estados unidos. das viagens acima referidas apenas vamos destacar a que nos conduziu ao golfo pérsico e, exactamente, quando atra-vessávamos o canal de suez a partir de port said. nós fazía-mos como oficial mais mar-reta, o quarto da meia noite às quatro. nessa noite, ao rece-ber o serviço conhecemos o piloto roland (como esqueci o seu verdadeiro nome inventei este). o roland, era um fran-cês culto e um bom contador de histórias. estava, há longos anos, ao serviço da companhia do canal. durante quatro horas, em plena escuridão, a conversa foi do maior interesse, mas no final do quarto tivemos um verdadeiro deslumbra-mento, quando os primeiros alvores nos vieram mostrar a paisagem magnífica que é o deserto, em especial, quando o vemos comoda-mente instalados num navio que o atravessa. o entusiasmo foi tal que nos esquecemos de mandar chamar o imediato, que religiosamente nos substituía. alarmado, apareceu-nos mais tarde sem perceber o que tinha acontecido. foi então que o roland nos con-tou uma história que nunca mais esquecemos. foi assim que ele começou: “dentro em breve vamos entrar no grande lago amargo que, como sabe, foi utilizado por lesseps para diminuir o comprimento do canal escavado. pois bem, foi este lago que moisés atravessou a pé”. “mas isso não aconteceu no mar vermelho?”, retorqui. “no mar vermelho era completamente impossível. aqui, é muito provável que tenha acontecido. de facto, no tempo de moisés, o grande lago amargo estava li-gado ao mar vermelho e, portanto, era sujeito às marés que neste se verificavam. moisés conhecia este fenómeno, que fazia com que a su-perfície do lago se alterasse ao longo do dia. assim, conduziu os seus homens de modo a chegar ao lago no momento da maré cheia. fez as suas preces e as águas começaram, naturalmente, a afastarem-se. entretanto, tinha escolhido um trajecto no qual após seis horas se atingisse a parte mais funda do lago. continuando, a maré foi enchen-do até ao momento em que moisés atingiu o outro lado do lago. aí, disse aos seus acólitos que era melhor afastarem-se o mais depressa do local, para evitar que os egípcios os viessem perseguir utilizando embarcações. deste modo, moisés evitou que os judeus que o acom-panhavam percebessem que o fenómeno das marés era cíclico, o que poderia comprometer os seus créditos como taumaturgo”. guardei esta história do roland por mais de 50 anos. achei que, agora, era altura de a partilhar com os leitores desta revista. a. estácio dos reis cmg ref moisés e a travessia do mar vermelho ligação ao mar vermelho trajecto de moisés 3 0 metros 0 1 2 3 4 5 6 5 4 2 1 grande lago amargo</Page><Page Number="179">umor revista da armada • maio 99 33 quarto de folga humor computador... multiusos a abertura permite conhecer a colocação dos restantes pontos em w, havendo apenas a dúvida se terá também o 10, pois caso negativo pode passar a mão a e que cruzará . para pre-caver-se contra esta eventualidade deve deixar fazer d. w repete que pega, vem à mão em trunfo e joga 3 para v que faz. dá mais 1 ou 2 voltas de trunfo conforme estejam 2-2 ou 3-1, joga o último e depois a e dando a mão a w que terá de se virar em corte e balda ou para r. soluções problema nº 8 neste jogo temos apenas 3 perdentes: 1 a , 1 a e 1 a , pelo que parece não haver problemas. mas no bridge a segurança é fundamental e existe o perigo das 4-1 e ser encurtado em trunfos, pois ainda tem de fazer sair o a; deverá portanto bal-dar o perdente na 2ª vaza em vez de cortar. depois está defendido contra qualquer ataque. repare que se não tomar esta precaução e e tiver 4 cartas de e 2 de vai cabidar um jogo que aparentemente se apresentava fácil.  problema nº 9 nunes marques calm an joguemos o bridge joguemos o bridge r v 6 v 6 r 8 5 3 r 10 7 4 norte (n): a d 10 9 7 5 – a 7 4 d v 8 4 sul (s): a – 9 8 4 3 10 9 3 a r d 10 9 norte (n): 8 4 3 a r d 7 a d v 4 v 5 sul (s): s joga 6 . w sai a r. quando joga na 2ª vaza vê e jogar o v que poderá ser carta seca. como prosseguir para precaver-se contra 4-1 e r mal colocado. correcção ao problema nº 7 a seguir se transcreve o leilão a que se refere este problema, e que, por lapso, não foi publicado: (problema nº 10) (solução no próximo número) s dador. todos vulneráveis: sul joga 4 após abertura em 1 e intervenção de w em 2. w sai a a e r. como deve s jogar para assegurar o seu contrato. (solução nesta página) (problema nº 9) s 1 2 w d 3 n rd 4 e 2 ... todos passam</Page><Page Number="180">4 maio 99 • revista da armada cmg ref antónio carlos soares da fonseca sch ref antónio varandas saj ref luís maria de sousa saj ref manuel geraldo de jesus 1sar ref orlando afonso 1sar ref jaime camilo 1sar ref victor clemente da silva cab r activo joão alexandre fernandes de oliveira cab ref antónio santos cab ref joão belo cab ref manuel da fonseca cab ref eduardo rodrigues freire cabral cab ref eduardo da cunha covas  cab ref manuel dias barros  cab ref antónio pereira tavares 1mar activo ricardo jorge cancado bito 1mar ref joão ferreira 1mar ref josé mendes borga faroleiro de 1ª classe aposentado josé pereira de melo cab mar 1ª classe josé fernando de jesus araújo. falecimentos cmg luís henrique lopes silva carvalho cmg joaquim maria godinho veiga cmg josé manuel rodrigues de oliveira e costa cmg josé manuel severino dinarés cten alexandre pereira pina dias 1sar tfd beijamim de sousa lourenço. reserva cmg carlos fernando calhau feitoria exonerado do cargo de adido de defesa junto da embaixada (bona alemanha). exonerações notícias pessoais convívio comandos e cargos nomeações cten emq joão manuel baptista de oliveira brás para o cargo de chefe de serviço de apoio técnico do departa-mento marítimo da madeira. reforma valm res josé manuel do vale martins cartaxo cmg res manuel arsénio velho pacheco de medeiros cmg res joaquim gonça lves vintém cfr res hermenegi ldo duarte lourenço cfr res joaquim figueiredo marques smor res amilcar de magalhães batista sch res manuel cabrita constâncio sch res francisco antónio simões  saj res joão marta ferra da silva saj res abel constantino canhanha saj res manuel joaquim marcelo alcaçarenho saj res manuel josé borges entei r i ço saj res domingos antónio correia do nascimento 1sar res silvestre da silva ribeiro 1sar res josé joaquim pires da silva cab res manuel carlos serra lopes pombeiro cab res josé júlio rios de carvalho. 1sar cmgomes (o barreirense) – e. fuzileiros telf. 215 1026 (ext.) telf. 6866 e 6898 (int.) 1sar cmdias (iasfa) – centro de apoio social do alfeite telf. 276 9211 (ext.) telf. 3782 (int.) vai realizar-se no próximo dia 26 de maio o almoço de con-fraternização do 19º aniversário de ingresso na armada dos voluntários de 1980. os interessados em participar neste convívio deverão contac-tar até ao dia 14 de maio para:</Page><Page Number="181">atrimónio cultural da marinha peças para recordar património cultural da marinha a pintura do séc. xvii (ca. 1685) é da autoria de peter monamy , discípulo do céle-bre pintor flamengo willem van de velde (filho) e é um dos raros exemplos conheci-dos de pintura europeia onde aparece um navio português. o quadro representa, à esquerda, um navio arvorando o pavilhão português do reinado de d. afonso vi, batendo-se furiosamente, pelos dois bordos, contra navios berberes, estes arvorando um pavilhão ainda não definitivamente identificado mas que, provavelmente, será o da regência de tunis, então subordinada ao sultão turco de constantinopla. à direita do quadro aparece um navio berbere incendiado e irremediavelmente batido, realçando-se o extraordinário realismo das cores que representam as chamas. em primeiro plano cruzam-se dois bateis em renhido combate, sendo o da esquerda português. era hábito, na eminência dum combate naval, arriar as embarcações para a água não só para as poupar ao efeito da metralha como também para recolher os náufragos dos navios afundados. em plano afastado, por trás do navio berbere repre-sentado na parte central da pintura, apercebe-se a mastreação e, muito desvanecido, um pavilhão português. este pormenor escapou aos especialistas ingleses que anali-saram a pintura, pois sempre referiram um combate entre um navio português e vários navios berberes quando, na realidade, estavam presentes, pelo menos, dois navios nossos. a aquisição deste quadro pelo museu de marinha foi possível graças a um conjun-to de circunstâncias felizes. em maio de 1993, o dono de um antiquário de londres telefonou ao director do museu de marinha dizendo que tinha uma boa pintura do séc. xvii com um navio português. dada a raridade da presença de navios nossos na pintura europeia, pediu-se para ser remetida ao museu toda a informação possível, o que logo foi feito. verificou-se, então, que se tratava de um quadro de pequena dimensão (30.5x40.7 cm) mas de grande qualidade, atribuído à oficina de willem van de velde, o jovem, talvez o me-lhor pintor de navios de batalhas navais que jamais existiu. o preço da aquisição era elevado (15 mil libras), pelo que foi necessário procurar apoios. posta a questão ao chefe do estado-maior da armada, almirante ribeiro pacheco, este decidiu assegurar desde logo a aquisição, para o que deu instruções ao superintendente dos serviços financeiros. entretanto o museu mobilizou as suas próprias verbas e pediu a colaboração do presidente da direcção do grupo de amigos do museu de marinha, almirante vasco viegas. este desenvolveu um notável trabalho e em pouco tempo obteve apoios significativos da comissão nacional para as comemorações dos descobrimentos portugueses, da fundação calouste gulbenkian, da fundação luso-americana para o desenvolvimento e da fundação oriente, para além de ter contribuído com uma verba do próprio grupo de amigos. deste modo, a marinha foi ressarcida da quase totalidade da verba despendida com a aquisição e o museu de marinha pode inaugurar a pintura em 31 de janeiro de 1994 com a pre-sença de representantes das instituições que contribuíram para a sua aquisição. 5. quadro de peter monamy (c. 1685) museu de marinha. cota: pn - i - 323 (texto de j. martins e silva, cmg)</Page><Page Number="182">. quadro de peter monamy (c. 1685) património cultural da marinha peças para recordar património cultural da marinha foto de reinaldo carvalho – museu de marinha</Page><Page Number="183">unho 99 • mensal • 24000 publicação oficial da marinha • nº 321 • ano xxviii</Page><Page Number="184">ancha canhoneira “pedro d’annaia” 1895-1908 moçambique rios zambeze e chire (1896/1908) comissões principais casco de aço local de construção: parry &amp; son, ginjal data de lançamento à água: 3 de outubro de 1895 deslocamento: 44 toneladas dispunha de duas rodas propulsoras laterais armamento: duas hotkiss de 37 mm características os últimos navios do império os últimos navios do império pintura do arquitecto telmo gomes</Page><Page Number="185">ublicação oficial da marinha periodicidade mensal nº 321 • ano xxviii junho 1999 director calm emq res luís augusto roque martins chefe de redacção cfr ref jorge manuel patrício gorjão redacção 2ten tsn ana alexandra gago de brito secretário de redacção 1sarg t vitor manuel gaspar lopes colaboradores permanentes cmg ref raúl de sousa machado cten fz luís jorge r. semedo de matos cten abel ivo de melo e sousa 1tenref dr. rui m. ramalhoortigãoneves administração, redacção e publicidade edifício da administração central de marinha revista da armada rua do arsenal 1149-001 lisboa - portugal telef: (01) 321 76 50 fax: (01) 347 36 24 endereço da marinha na internet http://www.marinha.pt e-mail da revista da armada revista.armada@mail.marinha.pt fotocomposição, paginação electrónica, fotolito, montagem e produção página ímpar, lda. estrada de benfica, 317 - 1º f 1500 lisboa tiragem média mensal: 6000 exemplares preço de venda avulso: 24000 registada na dgi em 6/4/73 com o nº 44/23 depósito legal nº 55737/92 issn 0870-9343 revista da armada • junho 99 3 sumário dia da marinha (autor: 1ten santos pereira - damag) os últimos navios do império 2 mensagem do almirante cema 4 o novo conceito estratégico da nato 6 marinha joanina 13 é preciso olharmo-nos ao espelho... 16 direcção do serviço de formação 20 carta do cema 21 busca e salvamento 22 instituto de socorros a náufragos 23 instituto hidrográfico 24 notícias 25 identificação e reconhecimento visual 30 desporto 31 retalhos de um marujo, vossemecê 32 quarto de folga 33 notícias pessoais/saibam todos 34 património cultural da marinha contracapa anunciantes: bta – banco totta &amp; açores; cgd – caixa geral de depósitos; eid – empresa de investigação e desenvolvimento de electrónica, s.a.; galp; ogfe – oficinas gerais de fardamento e equipamento; policlínica vale fetal. exercícios navais: contex 99 – exercício naval nacional e swordfish 99 – participado por marinhas de 5 países nato e pela euromarfor. 8 as comemorações do dia da marinha e das forças armadas decorreram este ano na cidade de lisboa. 1 7 o museu de marinha. retrospectiva dos principais eventos de 1998 do segundo museu mais visitado do país. 1 4 junho 99 • mensal • 24000 publicação oficial da marinha • nº 321 • ano xxviii</Page><Page Number="186">ia da marinha mensagem do almirante cema n esta data, em que se celebra a chegada de vasco da gama à índia e, simultaneamente, se comemora o dia das forças armadas, cumpre-nos evocar a figura do grande nave-gador e o legado de valores que ainda hoje caracteriza as gentes do mar, saudando solidariamente os militares dos outros ramos com quem, de forma integrada, zelamos pela defesa dos interesses nacionais e mantemos laços de união, cooperação e camaradagem. mas o dia da marinha constitui, também, ocasião propícia para partilharmos alegrias e apreensões. a marinha, como sempre aconte-ceu, mantém-se empenhada em cumprir eficazmente o vasto leque de missões que, interna e externa-mente lhe são determinadas para, no interesse do estado, melhor responder às exigências do mundo contemporâneo. as situações que, incessantemente, reclamam a soli-dariedade e a partilha de esforços por parte dos países aliados, têm ditado, por sua vez, uma participa-ção cada vez mais activa nas desig-nadas novas missões. esse esforço acrescido torna imperativo que a marinha continue dotada com as necessárias capacidades para fazer face a um futuro que não se antevê tranquilo. ideal seria que, na interpretação dos verdadeiros interesses do país, fosse fixado em sede própria, em termos de planeamento exequível, o modelo de marinha que convém e os prazos para a sua concretização. todavia, não sendo ainda essa a realidade e debatendo-se, desde há anos, com estrangulamentos orça-mentais, sobretudo para investi-mento, tomou a marinha a iniciativa de estudar as soluções consideradas indispensáveis para não se comprometer irremediavelmente o seu futuro. nesse sentido, com uma visão prospectiva de longo prazo e considerando a imprevisi-bilidade dos conflitos que tem marcado o final deste século, foram projectados diversos modelos, tendo-se submetido, oportuna-mente, à decisão governamental, os estudos conducentes à sua modernização. o planeamento deles decorrente mostra o caminho a percorrer para se alcançar uma marinha moderna, embora de dimensão mais reduzida e mais apta a fazer face aos desafios dos cenários actuais e futuros. têm sido muito positivos os resultados alcançados pela marinha, quer no âmbito da actividade essencialmente militar, quer na do serviço público, principalmente se tivermos em conta as dificuldades de natureza financeira e administrativa, que houve que enfrentar nos anos mais recentes. esses êxitos devem-se, sobretudo, à generosidade dos servidores da marinha em todas as áreas funcionais que, incondicionalmente, com comprovada com-petência e sentido do dever, se empenharam na protecção e defesa dos interesses nacionais. no entanto, por maior que seja essa generosidade, as dificul-dades sentidas e o inexorável enve-lhecimento da esquadra, das infra-estruturas e de outros meios, pode-rão prejudicar seriamente, a prazo curto, os níveis de sucesso deseja-dos. para cumprir eficazmente as missões, será imprescindível dispor dos meios convenientes e das con-dições adequadas para que os recur-sos humanos assegurem o seu fun-cionamento. a renovação da esquadra, cru-cial para não comprometer o futuro, tem tido um desenvolvi-mento mais lento do que a nossa ambição gostaria e aquém do que as necessidades exigem, muito embora alguns programas tenham merecido alguns progressos. sem pretender remeter para plano secundário a aquisição do navio polivalente logístico, a construção em curso das novas lanchas “argos” e a substituição das corve-tas e patrulhas “cacine” por pa-trulhas oceânicos a construir na indústria nacional, destaco, pela sua oportunidade, os seguintes programas: o programa dos submarinos, cujo interesse nacional tem sido ampla-mente reconhecido, carece, para seu desenvolvimento, da publi-cação da alteração à lei quadro das leis da programação militar que visa permitir aquisições para a defesa nacional com recurso a processos financeiros flexíveis. a decisão seguinte deverá ser a da definição de quais os candidatos, de entre os 5 actuais, que passam à fase da negociação directa, admitindo-se que a aquisição dos novos submarinos poderá ocorrer até 2006, dependendo do cons-trutor que for escolhido. a modernização do agrupamento de navios hidro-oceanográ-ficos beneficiará da transferência, já autorizada, de um segundo navio da mesma classe de origem que a do n.r.p. “d. carlos i”, a ocorrer ao longo deste ano. o abate do n.r.p. “almeida carvalho” processar-se-á assim que um dos novos navios hidro-dia da marinha mensagem do almirante cema 4 junho 99 • revista da armada</Page><Page Number="187">ceanográficos com capacidade oceânica for equipado, sendo certo que não será constituída uma terceira guarnição neste agru-pamento, no mesmo âmbito. no que respeita à reorganização do sistema da autoridade marítima, impondo-se a substituição do seu diploma enquadrador, tem-se recebido a melhor receptividade de s. exª o ministro da defesa nacional quanto à proposta apresentada pela marinha. insisto em sublinhar que, numa época em que outros países, por razões de economia e de eficácia, confiam cada vez mais tarefas de serviço público às suas marinhas, tirando partido das capacidades dos seus meios e do conhecimento acumulado relativamente ao mar, a nossa marinha mantém-se na situação privilegiada de poder dar continuidade a uma prática secular, que é a de exercer a autoridade do estado nos espaços marítimos de jurisdição nacional. com vista ao futuro funcionamento da marinha, considero indispensável incrementar o estudo de soluções inovadoras que, por um lado, revitalizem a nossa contribuição individual e, por outro lado, garantam a eficiência do esforço colectivo. essas soluções deverão proporcionar a maior elevação dos níveis de for-mação académica e profissional, a rápida correcção das disfunções encontradas no decorrer das acções inspectivas realizadas ou a realizar e o aperfeiçoamento dos métodos de gestão e das técnicas de liderança, especialmente por parte de quem tem responsabili-dades de chefia. acima de tudo, essas soluções inovadoras terão que conduzir à consolidação de um ambiente de bem-estar, de devoção pelo país e de satisfação pelos resultados alcançados. só assim poderemos honrar a memória dos nossos antepassados que, vencendo as suas dificuldades e suportando sacrifícios, cons-truíram a nação a que hoje nos orgulhamos de pertencer. tudo farei, no que estiver ao meu alcance, para contribuir para o bem-estar e a defesa dos direitos e interesses colectivos e individu-ais dos servidores da marinha. como medidas externas, transcendendo o campo das minhas competências, considero imperioso que não sejam defraudadas as expectativas de quem deposita a sua confiança nas boas providên-cias de quem os tutela. como referi já, em recente ocasião, assumi, perante a nação, o compromisso de zelar, até ao limite das minhas possibilidades, pela eficiência da marinha, mantendo como último propósito a protecção e defesa dos interesse nacionais. honrarei esse compro-misso e não deixarei de aconselhar ou propor ao ministro da tutela, as soluções que transcendam o campo das minhas com-petências, sempre que conciliáveis com os imperativos das forças armadas. estamos todos na mesma barca. nenhuma contribuição indivi-dual poderá ser dispensada para demandarmos porto seguro. em nome dos interesses de portugal, mantenhamos a perseve-rança, o espírito de bem servir, a dignidade e o sentido de união que caracterizam a génese marinheira, homenageando assim a figura, que hoje evocamos, do grande vasco da gama. objectos de marinha objectos de marinha estes são alguns dos vários objectos que pode adquirir na secretaria da revista da armada. edifício da administração central de marinha 1188 lisboa codex telef: (01) 346 89 60/1 fax: (01) 347 36 24 revista da armada • junho 99 5</Page><Page Number="188">novo conceito estratégico da nato 6 junho 99 • revista da armada introdução a cimeira de washington, realizada entre 24 e 25 de abril de 1999, aprovou um novo conceito estratégico da nato, que amplia o carácter defensivo da aliança atlântica e passa a contemplar o direito de ingerência humanitária, as preocupações relacionadas com o terrorismo, a sabo-tagem, o crime organizado, e os problemas associados ao abastecimento de recursos vitais. sem pretendermos efectuar uma análise exaustiva ao documento, parece- -nos importante salientar os pontos mais re-levantes do seu conteúdo, por forma a pro-porcionar ao leitor uma visão dos caminhos que a aliança atlântica adoptou para o iní-cio do século xxi. análise 0 objectivo essencial da aliança continua a ser a salvaguarda da liberdade e da segu-rança dos seus membros, por meios políticos e militares. o novo conceito estratégico con-sidera que este desígnio, permanecendo imutável, pode ser comprometido pelos novos riscos para a paz e estabilidade euro- -atlântica, decorrentes de situações de opressão, dos conflitos étnicos, das dificul-dades económicas, da alteração da ordem política e da proliferação das armas de destruição maciça. por isso, e para que a aliança atlântica consiga alcançar aquele objectivo, a sua missão passou a integrar as seguintes tarefas: • segurança: proporcionar uma das bases indispensáveis à segurança e à estabilidade do espaço euro-atlântico, fundadas na afir-mação das instituições democráticas e no compromisso da resolução pacífica das dis-putas, por forma a que nenhum país coaja outro mediante ameaças ou o uso da força. • consulta: assessorar os aliados sobre qualquer questão que afecte os seus interes-ses vitais, incluindo os acontecimentos que representam riscos para a sua segurança, e permitir a adequada coordenação dos esforços em áreas de interesse comum. • dissuasão e defesa: dissuadir e defender qualquer estado membro das ameaças de agressão. • gestão de crises: contribuir eficazmente para a prevenção de conflitos e participar activamente na gestão de crises, incluindo a realização de operações de resposta a crises. • relações de parceria: fomentar relações de ampla colaboração, cooperação e diálogo com outros países da região euro-atlântica, a fim de aumentar a transparência, a confiança mútua e a capacidade de actuação conjunta com a aliança. nos esforços para alcançar o objectivo e cumprir as tarefas da aliança, o novo con-ceito estratégico preconiza o respeito pelos legítimos interesses de segurança de países terceiros, e a resolução pacífica das disputas no quadro estabelecido na carta das nações unidas. neste contexto, a onu, a osce, a ue e a ueo são consideradas organizações essenciais à segurança e à estabilidade na região euro-atlântica; o conselho de segurança da onu é identificado como o principal responsável pela manutenção da paz e da segurança internacional e, como tal, deverá desempenhar um papel crucial na preservação da estabilidade na região euro- -atlântica. quanto à identidade europeia de segurança e defesa é entendido que se deve desenvolver dentro da nato, para que os recursos e as capacidades da aliança possam ser colocados à disposição da ueo, numa base “caso a caso” e medi-ante consenso. desta forma, por um lado, os aliados europeus poderão oferecer con-tributos mais coerentes e sólidos às missões e à actividade da aliança; por outro lado, fortalecer-se-á a colaboração transatlântica e os aliados europeus poderão actuar de forma autónoma. sobre os riscos de segurança o novo con-ceito estratégico associa a incerteza e a instabilidade na região euro-atlântica, à possibilidade de ocorrência de crises regionais na periferia da aliança, que afectem ou transbordem para o interior das suas fronteiras. estas crises poderão ter origem em dificuldades económicas, soci-ais e políticas, em rivalidades étnicas e reli-giosas, em disputas territoriais, na insufi-ciência ou fracasso dos processos reformis-tas, na violação dos direitos humanos e na dissolução de estados. depois de enfatizar que qualquer ataque armado ao território dos aliados merecerá as acções de resposta previstas nos artigos 5º e 6º do tratado de washington, o docu-mento refere que a segurança da aliança poderá ser afectada por outros riscos de âmbito mais amplo, tais como o terrorismo, a sabotagem, o crime organizado, os pro-blemas do abastecimento de recursos vitais e as deslocações incontroladas de popu-lações numerosas, em resultado de confli-tos armados. quanto às relações de associação, coope-ração e diálogo o novo conceito estratégi-co afirma que a aliança as considera um elemento essencial ao fomento da segu-rança e da estabilidade em toda a região euro-atlântica. neste contexto, enfatiza a importância de se atender às preocupações da rússia, porque este país desempenha uma função única e extraordinária no equi-líbrio e na segurança euro-atlântica. por isso, uma pareceria forte, estável e durável com a rússia é considerada indispensável para a instauração de uma estabilidade com bases perenes. a região mediterrânica é identificada como tendo um grande interesse para a aliança, por estar intimamente vinculada à segurança europeia. neste contexto, o processo de diálogo empreendido pela nato é considerado parte integrante dos métodos aliados de cooperação em matéria de segurança. o novo conceito estratégico da nato</Page><Page Number="189">evista da armada • junho 99 7 sobre o alargamento da nato o novo conceito estratégico refere que se espera a entrada de novos membros. por isso, nos próximos anos serão previsivelmente con-vidados outros estados que: desejem e te-nham capacidade para assumir as respon-sabilidades e obrigações decorrentes da participação na aliança; contribuam para os interesses políticos e estratégicos da aliança; fortaleçam a sua eficácia e coe-são; e melhorem a segurança e a estabili-dade global na região euro-atlântica. a presença na europa de forças con-vencionais e nucleares dos estados uni-dos é considerada vital para a segurança aliada. neste âmbito, o novo conceito es-tratégico esclarece que está previsto man-ter uma combinação adequada daqueles dois tipos de forças, em função dos requi-sitos de cada momento. quanto às missões das forças da aliança, o documento evidencia o seu papel na resolução de crises e enfatiza a diversidade e complexidade dos agentes, perigos, situações e exigências daquelas missões, que poderão variar entre a ajuda humanitária e os combates. o novo conceito estratégico considera fundamental a existência de forças bem treinadas e suficientemente equipadas, com elevado grau de preparação e em número adequado para responder às con-tingências, assim como estruturas de apoio, instrumentos de planeamento e recursos de comando e controlo. neste contexto, é referido que a aliança deve estar preparada para apoiar com recursos “separáveis mas não separados”, as ope-rações conduzidas pela ueo ou por qual-quer outra coligação acordada. a possível participação de estados asso-ciados e de países terceiros em operações dirigidas pela nato, e as operações con-juntas com a rússia são considerados valiosos contributos para o desempenho da aliança na resolução das crises que afectem a segurança euro-atlântica. relativamente a aspectos específicos das forças, o novo conceito estratégico salienta a necessidade de a aliança estar preparada para constituir forças de grande dimensão, por forma a poder responder a qualquer mudança relevante no ambiente de segurança. para além disso, o docu-mento também refere que a estratégia da aliança não contempla a utilização de guerra química nem biológica. quanto às forças nucleares o seu papel é considera-do político: conservar a paz e impedir a coacção ou qualquer tipo de guerra. o documento afirma que estas forças são o garante aliado de que os eventuais adver-sários não adoptam a agressão militar como opção estratégica. conclusões o novo conceito estratégico conceptualiza o caminho que a nato, ao iniciar a sexta década de vida, está disposta a percorrer para abordar os desafios e as oportunidades de um novo século. de relevante importa reter que: • confirma o objectivo permanente e pri-oritário da aliança consagrado no tratado de washington, e estabelece as tarefas que con-sidera mais ajustadas para actuar no ambi-ente estratégico presente e futuro; europeus procuravam a razão de ser da nato, os eua conferiam-lhe um novo alen-to com o conceito de parceria para a paz (pfp), que materializou o estender da mão aos antigos adversários, e com o conceito de forças-tarefa conjuntas e combinadas (cjtf), que estabeleceu um novo enquadramento para a actuação operacional. por isso, não nos devemos admirar com o facto de o novo conceito estratégico consagrar aspectos dou-trinários que servem inequivocamente os interesses de segurança dos eua: operações de paz; cooperação com a europa de leste; diálogo com os países do mediterrâneo; incremento da luta contra a proliferação de armas de destruição maciça; lançamento de uma reflexão para adaptar as missões, os pro-cedimentos, o armamento e o equipamento da nato aos novos riscos. quanto à identidade europeia de segurança e defesa o documento não apre-senta nenhuma evolução significativa face ao anterior conceito estratégico. com efeito, a constituição de uma capacidade de defesa europeia no seio da nato, capaz de agir de forma autónoma, continua uma miragem. contudo, estamos firmemente convictos que a união europeia prosseguirá a sua caminha-da na senda da materialização dos seus objectivos nas áreas do progresso e do bem estar. uma vez alcançados a um nível razoá-vel, as preocupações de segurança adqui-rirão outra prioridade e a tendência será para edificar uma verdadeira capacidade comum de defesa, que se autonomizará progressiva-mente da nato, podendo contribuir para a afirmação, a longo prazo, de uma super-potência capaz de rivalizar com os eua. o presidente clinton, ciente da elevada probabilidade deste cenário, tem referido que a capacidade de defesa europeia reforçará a aliança, deverá trabalhar no seio desta e ajudará a manter os americanos com-prometidos com a nato, porque permite a partilha de esforços estratégicos. é uma chamada de atenção muito subtil de quem pretende que a nato, seja o “pivot” central da segurança na europa, e permaneça indis-pensável e actuante durante muitos anos. a defesa europeia ainda tem um longo e difícil caminho a percorrer. para além disso, a mais do que previsível imposição da von-tade da nato a slobodan milosevic não beneficiará, em primeira instância, a ideia de uma defesa europeia: será a consagração da estratégia global dos eua no pós-guerra fria, passo essencial para fazer face ao caos estratégico conjuntural, estabelecendo pro-gressivamente uma nova ordem interna-cional, onde a natureza das relações entre os actores será diferente da actual. antónio silva ribeiro cfr • clarifica que a nato contribuirá para um ambiente de segurança em evolução e promoverá a estabilidade com a força decor-rente do potencial estratégico dos seus mem-bros e do compromisso comum para com a democracia e a abordagem à resolução pací-fica dos conflitos; • orienta a política de segurança e defesa da aliança, os seus conceitos operativos, o papel das suas forças convencionais e nucleares, e os seus planos colectivos de defesa. este novo conceito estratégico retém as três primeiras tarefas fixadas no documento aprovado em 1991, suprime a quarta (preser-var o equilíbrio estratégico na europa), que ficou sem conteúdo depois do desapareci-mento do pacto de varsóvia e da implosão da urss, e acrescenta duas novas tarefas: a gestão de crises e as relações de parceria. estas duas tarefas, na actual conjuntura estratégica, permitirão que os eua se man-tenham altamente empenhados na europa, o que implicará a manutenção do controlo dos comandos militares integrados da nato, certamente do desagrado de aliados como a frança. um outro aspecto a reter do documento agora aprovado relaciona-se com o facto de o pensamento estratégico em vigor na aliança ser essencialmente americano. assim acontece, porque após a queda do muro de berlim em 1989, enquanto os aliados</Page><Page Number="190">ontex 99 introdução o rganizado pelo comando naval, teve lugar entre 2 e 12 de fe-vereiro o exercício contex 99. o contex, exercício nacional naval de preparação de forças, desenvolveu-se nas águas contíguas às costas ocidental e sul do continente. envolveu, além de unida-des navais nacionais, meios do exército e da força aérea, tendo contado com a pre-sença de uma fragata e um submarino da marinha espanhola, bem como de uma corveta da marinha francesa. demonstração da flexibilidade naval largados da bnl pelas 15 horas em demanda do fundeadouro de sesimbra, desencadeou-se uma verdadeira “ava-lanche inopinada” de acontecimentos, que passaremos a descrever): 02fev às 16h o ctg 443.02, cmg melo gomes, é informado que deverá destacar os n.r.p. “corte-real” e n.r.p. “cmdt. joão belo”, por forma a atender a uma solicitação operacional nacional. o desta-camento das unidades navais implicou igualmente o destacamento do ctg, que viria a assumir o comando táctico destas unidades, e de parte significativa do seu estado-maior. pelas 17h inicia-se, por helicóptero, a transferência de pessoal e material entre a “álvares cabral”, designado novo navio-chefe, e a “corte-real”. sentou aos comandantes das unidades navais da força o programa seriado revisto, os navios suspendem de se-simbra, com um atraso de 2 horas relati-vamente ao programa inicialmente pre-visto. o planeamento, condução e execução a estrutura inicial do exercício com-preendia o seguinte faseamento: • 03-06fev99 ...........programa seriado • 06-08fev99 ...........estadia em leixões • 08-09fev99 ...........integração de forças • 09-12fev99 ...........operação de embargo o impacte das alterações traduziu-se numa mudança substantiva na fase final de execução de embargo naval, e que passou a desenrolar-se em cenário clás-sico de operações da guerra naval, com variantes do exercício em ambientes costeiros, aliás de grande actualidade. foram assim exercitadas as múltiplas vertentes das disciplinas de guerra no mar, dos exercícios de manobra e rea-bastecimento aos fogos reais, num crescendo de complexidade. importa referir, a participação das lan-chas da classe “argos”, os n.r.p. “ hi-dra” e “dragão”- atribuídos ao coman-do da zona marítima do sul e pronta-mente disponibilizados - e do n.r.p. “cassiopeia”, que ao integrarem o exer-cício simulando “fast patrol boats”, em contex 99 força naval  tg 443.02 •nrp “álvares cabral” • sps “andalucia” • fs “le henaff” •nrp “oliveira e carmo” •nrp “bérrio” força de submarinos  tg 443.10 •nrp “barracuda” • sps “tonina” unidades terrestres • escola prática de transmissões (exército) (componente radiogoniométrica de longo alcance) força aérea portuguesa • a-7p • f-16 • p-3p • centro de apoio à missão • crcmontejunto unidades navais não integradas na tg •nrp “hermenegildo capelo” •nrp “bacamarte” •nrp “cassiopeia” •nrp “dragão” •nrp “hidra” meios envolvidos n.r.p. “bérrio” às 18h a tg 443.02, refor-mulada, fundeia em sesimbra e às 20h terminou a trans-ferencia de pessoal e material. às 23h embarcou em sesim-bra o novo ctg 443.02, cmg silva da fonseca. 03fev às 07h “pequeno-almoço de trabalho” a bordo do na-vio-chefe, onde o ctg apre- “tonina” exercícios navais 8 junho 99 • revista da armada</Page><Page Number="191">ombustível, puderam as guarnições usufruir da hospitalidade das gentes nortenhas. os navios da tg encontraram-se patentes ao público no dia 7, domingo, tendo-se registado a afluência de cerca de 1600 visitantes. mantendo as tradições de bem rece-ber, o ctg e comandantes das uni-dades navais foram obsequiados com um almoço nas instalações navais da apúlia, tendo por an-fitrião o comandante da zona marítima do norte. balanço o exercício desen-volveu-se registando um empenho assi-nalável de todos no sentido de ultrapassar a perturbação inicial, e de potenciar e apro-veitar ao máximo as oportunidades de trei-no disponibilizadas. salienta-se a perfei-ta integração das uni-dades navais espa-nholas e francesa, não só aos níveis do de-sempenho, mas tam-bém no espírito de corpo e de força, fac-tor que se revelou determinante para o desempenho das tarefas atribuídas. terminou-se o contex 99, com a convicção de que mais um passo foi dado no sentido do desenvolvimento e da consolidação dos padrões de desem-penho e prontidão de todos os partici-pantes. (colaboração do citan) muito enriqueceram os cenários e desafios tác-ticos impostos à tg. a tg viu-se ainda reforçada, a partir de 8fev pm, pelo n.r.p. “ol iveira e carmo”, navio que se encon-trava em missão sar. a sua presença fo i bastante apreciada, não só pelos restantes unidades , saudosas da par t i c ipação das “baptista de andra-de” , como também pela guarnição desta corveta, ao retomar, por momentos, a acti-vidade nas operações navais. a vertente de representação naval a força teve uma breve paragem para uma acção de presença naval, e retem-pero de forças. cumpriu-se assim a visita e estadia no porto de leixões, que decorreu entre o fim de tarde do dia 6 e a manhã do dia 8 de fevereiro. para além das reuniões sectoriais desenvolvidas e do reabastecimento de</Page><Page Number="192">wordfish 99 10 junho 99 • revista da armada swordfish 99 - a primeira fase, denominada de “combat enhancement training” (cet), tinha como objectivo proporcionar treino, ao nível de “task group”, por forma a que as unidades atingissem níveis de desem-penho operacional idêntico e que fossem ultrapassados problemas de interoperabi-lidade previsíveis em unidades que nor-malmente não operam em conjunto. - a segunda fase, denominada de “tactical phase” (tacex), tinha como objectivo treinar as forças participantes em acções rela-cionadas com a implementação de uma introdução d ecorreu , no período de 8 a 18 de março de 1999, o exercício “swordfish 99”, com partici-pação de forças e unidades de 6 países amigos. esta participação resultou de um convite feito pela marinha, quer a países nato, quer a outros países com os quais portugal mantém estreitas ligações. para além da participação destes países, o swordfish contou com a presença de uma força multinacional, de âmbito europeu, denominada “euromarfor”, presentemente comandada pelo valm comandante naval. como tem sido hábito, a força aérea portuguesa prestou uma valiosa contribuição, ao disponibi-lizar meios aéreos, quer para apoio às forças no mar, quer para actuarem como força opositora. o “swordfish 99” é um exercício na-cional, aberto à participação internacional, que se realiza, normalmente, uma vez em cada dois anos. ele tem como objectivo geral exercitar unidades navais e aéreas nos diferentes tipos de operações aero- -navais, em cenários fictícios, abrangendo desde situações de tensão a situações de hostilidades, por forma a incrementar a prontidão, interoperabilidade e coesão das forças e unidades participantes. por forma a atingir este objectivo, o exercício foi desenhado em duas fases com objectivos concorrentes mas distintos: operação de interdição marítima, resul-tante de uma possível resolução do conselho de segurança das nações uni-das, que delegava em portugal a coorde-nação de implementação de um embargo naval a um país fictício, localizado na parte sudoeste da península ibérica. entre as duas fases foi prevista uma visita a portos nacionais, com o objecti-vo de promover um melhor conheci-mento entre as marinhas participantes bem como divulgar para o exterior as actividades desenvolvidas pelas forças participantes. para a execução do exercício, as unidades navais foram divididas em duas “task groups” de superfície (tg 443.03 e tg 460.01), comandadas, respectiva-mente, pelos capitães de mar-e-guerra alexandre silva da fonseca e fernando melo gomes, e uma “task group” de sub-superfície comandada pelo capitão de mar-e-guerra carlos brites nunes. a tg 460.01 englobava, para além das unidades constituintes da euro-marfor, o hms “edimburgh”. de acordo com o planeado, foram visitados, no período de 13 e 14 de março, os portos de leixões pela tg 443.03, o funchal pela tg 460.01 e, no período de 12 a 15 de março, portimão pela tg 443.10”. “comandante hermenegildo capelo” no exercício swordfish 99. n.r.p. “corte real”. fotos cedidas pelo comando do n.r.p. “com. hermenegildo capelo” (3).</Page><Page Number="193">evista da armada • junho 99 11 a perspectiva do comandante “tg 443.03” à partida colocavam-se diversas dificul-dades no âmbito da tg: alguns navios não conheciam a doutrina nato, não havia compatibilidade de equipamentos e, em virtude de um cancelamento de última hora, a tg não dispunha de uma unidade de guerra anti- aérea (aaw). embora a marinha brasileira opere fre-quentemente com a marinha dos estados unidos e esteja familiarizada com os pro-cedimentos nato, não dispõe, natural-mente, das publicações nato nem co-nhece em detalhe os procedimentos mais recentes. o “engenho” lusitano e o “geiti-nho” brasileiro, contudo, permitiram ultra-passar muitos destes problemas revelando-se muito importante a colocação a bordo dos navios brasileiros de equipas de ligação constituídas por um oficial de acção táctica e um cabo da classe de comunicações. o cancelamento, já tardio, da participação da unidade da marinha dos estados-unidos, do tipo ffg, devido a necessidades do mundo real, levou a que a força ficasse mais limitada na sua capacidade aaw. o cet trouxe excelentes oportunidades de treino, quer ao nível das unidades, quer ao nível da tg. algumas séries, designada-mente certos exercícios anti-submarinos (casex’s) e o de guerra de superfície (encounterex), tinham alguma com-plexidade táctica obrigando o ctg e o seu “staff” a exercitar o planeamento e a decisão táctica. a tg 443.03 ganhou rapidamente coesão sendo patente a interoperabilidade entre todas as suas unidades. o “force integration training” (fit) per-mitiu a junção das duas tg’s e a execução sectoriais para apreciação dos exercícios realizados e preparação dos vindouros e foram executadas algumas acções logísti-cas bem como de relações públicas, de-signadamente abertura dos navios a visi-tas. na recepção da força, no fim da tarde de sábado, estiveram presentes numerosas personalidades locais designadamente o cônsul do brasil, embaixador hildebrandt e o comandante da zona marítima do norte, c.m.g. almeida marinho. de assi-nalar que muitos elementos das guar-nições dos navios da marinha do brasil, com ascendentes portugueses, tiveram a oportunidade de visitar o local onde viveu a sua família, as suas raízes e muitos pu-deram ainda contactar com familiares e parentes. num computo final considera-se que o swordfish 99 foi um excelente exercí-cio, com actividades diversificadas e de complexidade crescente, permitindo a to-dos os participantes melhorar os respec-tivos padrões de treino. submarinos o exercício swordfish 99 contou com a participação de quatro submarinos, dois portugueses, um espanhol e um brasileiro. n.r.p. “albacora” n.r.p. “barracuda” s.p.s. “tramontana” b.n.s. “timbira” entre as duas fases do exercício os quatro submarinos escalaram portimão permitin-do não só um estreito contacto com as autoridades locais e regionais, como tam-bém com o público em geral, uma vez que os submarinos portugueses estiveram aber-tos a visitas. de um trânsito sob controlo táctico do ctg 460.01, em situação de multi-ameaça, dirigindo-se a força conjunta para a costa de um país fictício onde se iria realizar uma operação de embargo. na fase tacex, a já referida operação de embargo, coube ao ctg 443.03 a responsabilidade da sua implementação na área compreendida entre o cabo de s. vicente e vila nova de milfontes. tratou-se de uma operação de significativa complexi-dade não só pelas dificuldades próprias da zona onde, como se sabe, existem linhas de navegação muito frequentadas, mas tam-bém pelo comportamento das forças oposi-toras (opfor), que para além de navios mercantes(simulados por navios de guerra) e nem sempre cooperantes, dispunham ainda de agressivos navios de superfície, lanchas rápidas e submarinos! e, para tornar a situação ainda mais complexa, o ctg estava tolhido por regras de empenhamento (roes) direccionadas para a redução do estado de tensão existente, pois tratava-se de uma operação sob mandato da onu, em que o emprego da força, até pelos reflexos mediáticos que sus-cita, deveria ser evitado o mais possível. ao longo deste exercício foram testados alguns procedimentos relativos à coope-ração entre submarinos e forças de superfí-cie, tendo embarcado no navio-chefe um “submarine element coordinator” (sec), o que permitiu executar, com sucesso, tácti-cas novas que optimizam a utilização de meios e equipamentos existentes. durante o fim de semana de 13 para 14 de março a tg 443.03 escalou o porto de leixões. nesta escala, sempre apreciada pelas guarnições, tiveram lugar reuniões reabastecimento (ras) à proa do n.r.p. “comandante hermenegildo capelo”. organizações nato forçaaérea multi service electronic warfare support group (mewsg) países euromarfor nrp “alvares cabral”, fs “montcalm” its “libeccio” e sps “estremadura” portugal marinha nrp “corte real”, nrp “com. joão belo”, nrp “com. hermenegildo capelo”, nrp “bérrio”, nrp “oliveira e carmo”, nrp “barracuda”, nrp “albacora”, nrp “bacamarte”, nrp “cassiopeia”, nrp “escorpião” exército componente de radiogonometria de longo alcance forçaaérea crcmontejunto, f-16 (25 horas), a-7p (27 horas), ec-212 (3 horas), ftb (5 horas), p3-p (27 horas) marinha fragatas “bosisio” e “dodsworth”, e submarino “timbira” marinha fragata “lv lavallee” e 2 aviões de patrulha marítima atlantic (43 horas) marinha submarino “tramontana” brasil frança espanha ingalterra marinha destroyer “edimburgh” eua marinha 1 avião de patrulha marítima p3-c (31 horas) o exercício contou com as seguintes participações</Page><Page Number="194">2 junho 99 • revista da armada o facto de contarmos com a partici-pação de submarinos de diferentes países, sendo um deles pertencente a um país não-nato – o brasileiro ”timbira”, asso-ciado ao objectivo de testar novos ce-nários configurados para a utilização das grandes potencialidades dos submarinos quando empregues em apoio avançado a forças de superfície, em cooperação com navios e aéreos, assim como em cenários de operações de interdição marítima, implicou um esforço adicional quer na fase de planeamento quer na de execução, por forma a garantir o controlo opera-cional efectivo e em segurança de todos os submarinos envolvidos, por parte do subopauth (1) exercido pelo ctg 443.10 – coman-dante da esquadrilha de submarinos. em termos de comando, controlo e comunicações (c3) alguns aspectos mere-cem especial realce: a activação de uma célula permanente na esquadrilha de submarinos em apoio ao subopauth, permitindo o controlo efectivo e em tempo real dos submarinos no mar. esta célula funcio-nou em permanência a três divisões durante todo o exercício, sendo cada divi-são composta por um oficial, dois sargen-tos e três praças da classe de radarista e de comunicações. além destes elementos par-ticiparam ainda na supervisão do exercí-cio, fora do regime de divisões, o chefe do estado-maior do ctg 443.10 e dois oficiais de ligação, um espanhol e um brasileiro. a referida célula revelou-se fundamen-tal na gestão da enorme quantidade de informação transmitida/recebida pelos submarinos. relembremos que sendo as comunicações um factor fundamental para o sucesso de qualquer operação naval, elas assumem especial importância no caso dos submarinos, uma vez que a sua postura discreta implica acrescidas limitações em termos de tempo de transmissão/recepção de mensagens. este papel de gestão da informação circulante, merece um especial destaque, pelo facto de terem sido mani-puladas em simultâneo duas radiodi-fusões, uma para os submarinos nato e outra dedicada especificamente ao sub-marino brasileiro. a existência de novo hardware/soft-ware dedicado às comunicações, instalado na esquadrilha de submarinos, permitiu colmatar o facto de o pessoal disponível para integrar a referida célula ser em nú-mero bastante reduzido. finalmente, um aspecto que contribuiu bastante para a “facilidade” com que se realizou o comando e controlo dos sub-marinos, especialmente nos exercícios de apoio avançado a forças de superfície, foi o embarque de um oficial com a experiência de comando de submarino em cada navio-chefe das tg’s de superfície, funcionando como elemento de coordenação e de ligação entre as forças no mar e o subopauth. também merece destaque a grande disponibilidade sempre demonstrada por oficiais do citan e do staff dos navios participantes, permitindo desenhar o exer-cício adaptado à nova realidade opera-cional, em que submarinos e os navios de superfície participam em operações con-juntas, em contraponto e em evolução aos conceitos e à “cultura” vigente até há bem poucos anos. sucesso concorrido diversos factores, dos quais destacamos os seguintes: a realização de reuniões sectoriais na esquadrilha de submarinos, durante as quais foram transmitidos aos submarinos participantes os objectivos de treino a alcançar, assim como esclarecidas todas as dúvidas e questões colocadas pelos mes-mos. estas reuniões foram complemen-tadas por outras durante a estadia dos submarinos em portimão, permitindo o esclarecimento de dúvidas e a transmissão das orientações tácticas e operacionais re-lativas à segunda fase do exercício, duran-te a qual o treino foi concebido e se apro-ximou de cenários realistas e actuais. o embarque de um oficial e de uma praça de comu-nicações, cuja tarefa princi-pal foi a de custódia e uti-lização das publicações e do material criptográfico em-barcado, mas cuja presença a bordo se revelou muito importante por terem con-tribuído para o esclareci-mento de todas as questões ocorridas no mar, nomeada-mente em termos de proce-dimentos, especialmente aquando da realização de operações de apoio avança-do e de cooperação com forças de superfície e com aeronaves, as quais consti-tuíram novidade para o “timbira”. em jeito de conclusão, pode afirmar-se que a participação dos submarinos no swordfish 99 e a respectiva utilização sob os novos conceitos de operações con-juntas, se saldou por um apreciável suces-so, já que foram atingidos os objectivos de treino propostos, especialmente os refe-rentes aos exercícios de cooperação e de interdição, não se tendo verificado situa-ções de quebra de segurança. o comando e controlo dos submarinos funcionou sem dificuldades e com efi-cácia, de que é prova cabal a integração bem sucedida do submarino brasileiro, o qual, habituado que estava a procedimen-tos e modos de operação diferentes dos propostos no swordfish 99, cumpriu todas as tarefas que lhe foram atribuídas, adaptando-se com rigor ao grau crescente de dificuldade dos exercícios em que par-ticipou. (colaboração do comando naval) notas: 1) acrónimo para submarine operating authoriy - autoridade que detém o controlo operacional dum determinado número de submarinos, com especial destaque para o exercício de funções relacionadas com o evitar interferências mutuas, efectuar gestão de águas atribuidas a cada submarino e conduzir/controlar as radiodifusões especiais para submarinos. submarino da classe “albacora” no exercício swordfish 99. na primeira fase do exercício, em que se cumpriu um programa seriado, o treino incidiu essencialmente sobre exercícios de submarino contra submarino, concebidos para treinar a detecção e seguimento de um submarino em trânsito por um submarino em patrulha numa determina-da área. as séries desenhadas com eleva-da duração temporal para lhes conferir maior realismo, foram evoluindo em ter-mos de complexidade, contando já na sua fase final com aéreos e/ou navios de superfície em colaboração com o submari-no patrulhador. em todas as séries revelou-se funda-mental o exercício da função de gestão das águas atribuídas, em virtude de operarem normalmente mais do que um submarino na mesma área, não se tendo verificado quebras de segurança. quanto à segunda fase, merece des-taque o exercício de interdição marítima, durante a qual os submarinos portugueses actuaram como violadores do embargo, enquanto que o “tramontana” e o “tim-bira” colaboraram com as forças de super-fície que executaram esse embargo. foram treinadas técnicas deceptivas por parte dos violadores do embargo, que se reve-laram eficazes. a integração e a participação do sub-marino brasileiro “timbira” veio a reve-lar-se bastante profícua, tendo para esse</Page><Page Number="195">evista da armada • junho 99 13 a marinha joanina (8) a s viagens de diogo cão deixaram os portugueses junto à serra parda, no actual território da namíbia, levan-tando-se a suposição de que o navegador teria pensado que alcançara o ponto mais sul da áfrica e que teria aberto o caminho do oceano índico. não poderemos saber se isso foi verdade ou não, mas d. joão ii, pouco tempo depois desta viagem iria enviar nova expedição para continuar a exploração desta costa, num estilo muito seme-lhante ao das anteriores viagens, mas com um pequeno pormenor que pode ter algum significado: aos dois navios principais que a compunham (as carave-las s. cristóvão e s. pantaleão) juntou-se uma pequena naveta que transportava mantimentos e água. seria talvez uma prática corrente, mas o local onde essa naveta ficou e a forma como foi utiliza-da pode conduzir-nos a algumas inter-rogações pertinentes sobre os objectivos da viagem e o conhecimento do que tinha sido alcançado nas anteriores. o comando desta pequena frota foi dado a bartolomeu dias, seguramente um homem que já tinha prática de nave-gar pelos mares do sul, mas a identifi-cação deste marinheiro é um dos primeiros problemas com que nos deparamos. de facto, por alturas de 1496-97 temos um navegador a caminho do sul da áfrica e um capitão de uma nau que deveria partir para o norte numa campanha contra os biscainhos. é provável que fossem irmãos, mas aparecendo documentos que se referem a um e a outro, sempre com a mesma designação de bartolomeu dias, temos grande dificuldade em entender o que é devido ao que explorou a costa africana, na sequência das viagens de diogo cão. mas surgem mais dúvidas ainda: ape-sar de que todas as referências do seu tempo lhe chamam sim-plesmente bartolomeu dias, uma carta régia de 1571 (reinado de d. sebastião) confere a capitania de angola a paulo dias de novais, referindo os “serviços que seu avô bartolomeu dias de novais fez à coroa destes reinos no descobrimento da costa do cabo da boa esperança”. o texto é bem explícito, não deixan-do margem para dúvidas de que se trata do homem que encontrou a passagem para o índico, mas o nome de bartolomeu dias de novais cria grandes interrogações quanto às suas origens. tinha-se a ideia de que se tratava de um modesto escudeiro da casa de d. joão ii, mas o aparecimento do apelido de novais sugere que a sua ascendência esteja na nobre casa dos novais. todavia, o percurso de vida que conhe-cemos do navegador, não nos sugere uma ascendência desse tipo, que obrigaria a honrarias e benefícios de que não temos conhecimento. a s. pantaleão era comandada por joão infante e a naveta dos mantimentos por pero dias, um dos irmãos do capitão. d. joão mandou com ele os melhores pilotos que, naquele tempo navegavam para a costa africana, eram eles pero de alenquer (s. cristóvão), álvaro martins (s. pantaleão) e joão de santiago a naveta (joão de santiago é um dos nomes que está gravado na pedra de ielala). de pero de alenquer pode dizer-se que seria o de maior notoriedade, mais experiente e conhecedor, tendo merecido da parte do rei, poucos anos antes desta viagem, como prémio dos seus conhecimentos náuticos, uma mercê que lhe permitia usar roupas de seda (proibidas a gente do seu estrato social) trazendo suspenso ao pescoço, por corrente de ouro, o apito inerente à sua profissão. a data da saída dos navios foi alvo de dúvidas resultantes das confusões le-vantadas por joão de barros e cas-tanheda (cronistas do século xvi), mas a questão parece estar hoje resolvida, aceitando-se que a viagem ocorreu entre agosto de 1487 e dezembro de 1489. deve ter seguido em direcção ao rio zaire (talvez passando por santiago), onde houve encontro com o rei do congo e foram trocadas prendas, e depois seguiu o mesmo percurso de diogo cão até à serra parda, uma zona imediatamente a seguir a cape cross, onde ficara o último padrão de pedra. e aqui se levanta um outro problema: a naveta dos mantimentos (depois dos mesmos terem sido passados para as duas caravelas) ficou ancorada numa baía abrigada e guarnecida por nove homens, aguardando o retorno das duas caravelas. inclinam-se os historiadores para que esse local seja o que é hoje conhecido por baía dos tigres, por ser o que mais se aproxima das descrições daquela época. mas o que me parece ter um signifi-cado especial é esta atitude de levar um navio de reabasteci-mento, que teria de ficar escondido num local qualquer da costa africana. seguramente, quem planeou a viagem sabia até onde poderiam ir os navios com os seus próprios meios (foram mais ou menos até onde chegara diogo cão) fornecendo-lhes um suplemento de abastecimentos e água, para poderem ir mais longe. quer dizer, a última viagem de diogo cão permiti-ra ver que a costa poderia não ter meios suficientes para abastecer os navios (ou que era perigoso fazê-lo) e aconselhava a que, para progredir para sul se levasse um suplemento. é uma atitude de que não podemos deixar de tirar conclusões acerca do método como estas viagens eram planeadas e do conhecimento que se ia formando acerca das condições de navegação naqueles mares. quando falarmos no resto da viagem, na forma como foi passado o cabo e como foi efectua-do o regresso a lisboa, perceberemos que esta questão do abastecimento estava presente na mente dos marinheiros. j. semedo de matos cten fz bartolomeu dias bartolomeu dias</Page><Page Number="196">nosso museu 14 junho 99 • revista da armada d urante o ano de 1998, apesar de continuar a redução dos seus quadros, o museu conseguiu levar a efeito vários eventos. os mais importantes foram: a exposição “em busca de cristãos e especiarias”; a exposição que acompanhou o dia da marinha, sobre o tema dos 500 anos da chegada de vasco da gama à índia; o restauro do hidroavião “santa-cruz”, no qual os então comandantes sacadura ca-bral e gago cout inho terminaram a primeira travessia aérea do atlântico sul; a integração da fragata d. fernando ii e glória, após a sua reconstrução e partici-pação na expo 98, e a exposição da ar-madura de d. sebastião, pertencente ao sr. rainer dahenhardt, que a ad-quiriu em londres, num leilão da sothebys. como já é habito, o ministério da cultura, a comissão nacional para as comemorações dos descobri-mentos portugueses, a fundação ca-louste gulbenkian, a presidência da república, entre outras instituições portuguesas, dirigiram-se-nos a solicitar o empréstimo de peças do nosso acervo museológico para figu-rarem em exposições no país e no estrangeiro, nomeadamente: • escola secundária do pinhal novo - período de 21 a 30 de abril exposição “núcleo de estágio de história”. • expo 98 – período de 26 de março a 30 de setembro • fundação calouste gulbenkian – período de 11 de maio a 30 de junho exposição “vasco da gama e a índia”. • instituto português de arqueologia – período de 18 de maio a 8 de agosto. exposição solicitada pelo comis-sariado do pavilhão da organização das nações unidas na expo 98. • esquadrilha de helicópteros – período de 24 de setembro a 3 de novembro. • presidência da república – período de 16 de dezembro a 12 de janeiro de 1999 exposição “uma estrela a oriente – viagem e artes luso-orientais”. • peugeot – período de 15 de junho a 8 de setembro. exposição “exposição de peças do museu de marinha”. • comissão nacional para as comemora-ções dos descobrimentos portugueses – pe-ríodo de dezembro de 98 a março de 99. exposição “estórias de dor, esperança e peste – o brasil em ex-votos portugueses (séculos xvii-xix) seguindo o principio, que sempre norte-ou a direcção do museu, de manter em melhoramento constante a exposição per-manente, remodelou-se a sala da marinha de recreio, adquiriram-se e expuseram-se vários quadros sobre temas da nossa histó-ria marítima e actividades ligadas ao mar, aumentou-se o acervo museulógico adqui-sala dos descobrimentos. 130º aniversário do museu, teatro infantil. museu de marinha jovem adulto grátis colectivo t. mensal subtotal 000552 jan 002520 000855 002943 006870 006870 000602 fev 002532 001040 003917 008082 014952 000747 mar 003879 001238 006843 012707 027659 001237 abr 006298 001531 004328 013394 041053 000499 mai 005499 001852 005045 012895 053948 000761 jun 005861 002825 002013 011460 065408 000762 jul 011374 002673 001552 016361 081769 004472 ago 015060 002959 000312 022803 104572 001689 set 010924 002492 000293 015398 119970 000677 out 005677 001329 000475 008158 128128 000471 nov 002837 000797 002462 006567 134695 000327 dez 003156 000779 001150 006059 140754 012796 total: 075608 020730 031333 140754 museu de marinha visitantes em 1998 o nosso museu</Page><Page Number="197">indo, entre outros objectos, várias condeco-rações de ilustres oficiais de marinha dos séculos xviii e xix, algumas fardas antigas usadas na marinha no século xix, e livros para a biblioteca. expuseram-se os três astrolábios, encon-trados junto ao forte de s. julião da barra e que estiveram patentes na expo 98, que o ministério da cultura colocou à nossa guarda. as relíquias do infante d. henrique e de vasco da gama, confiadas a este museu, foram, também, expostas ao público. remodelou-se a loja e aumentou-se a escolha dos objectos à venda, modernizan-do-se os stocks e descontinuando-se os que perderam procura. com o apoio do gamma, estamos a restaurar o snipe com que o comandante conde martins ganhou o campeonato do mundo de 1953 e adquiriu-se o 470 em que nuno miguel santos barreto e vitor hugo simão duvale rocha ganharam a medalha de bronze nos jogos olímpicos de atlanta 1996. procedeu-se igualmente ao restauro dos manequins e uniformes da nossa armada relativos aos séculos xix e xx, e à manufac-tura de novas vitrinas para a sua exposição. de entre as ofertas ao museu, há que realçar as duas pirogas indianas, uma ante-rior à chegada de vasco da gama à índia, e outra poucos anos mais nova (datação pelo método de carbono radioactivo). esta oferta deve-se ao sr. rainer dahenhardt. de entre os momentos mais altos vividos no museu no ano de 1998, o de maior rele-vo foi a entrega pelo senhor presidente da república do troféu “world ship trust” que nos foi conferido pelo restauro do bergantim real. foram reproduzidas 2500 fotografias dos nossos arquivos, sem contar com as efectu-adas para ilustrar as fichas das peças do acervo do museu. pediram-nos 354 colecções de planos de navios antigos da nossa armada, num total de 1196 desenhos. o restauro do hidroavião “santa-cruz” deve-se em grande parte à acção do mece-nato, para o que a actuação do grupo de amigos do museu de marinha foi muito importante. o museu continua a ser o segundo mais visitado do país, tendo-se em 1998 atingido ao valores do gráfico junto, que igualmente ilustra a variação dos visitantes nos últimos 4 anos. (colaboração do museu de marinha) “fotos de reinaldo carvalho” pavilhão das galeotas. modelo de nau construida no museu de marinha. revista da armada • junho 99 15 evolução de entradas no museu jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez meses 0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 nº entradas 1998 1997 1996 1995</Page><Page Number="198">preciso olharmo-nos ao espelho... n o dia 30 de março, o centro na-val de ensino a distância aco-lheu, na casa da balança, a expo-sição fotográfica direitos humanos – 50 anos depois, da autoria do fotógrafo john isaac. esta mostra, gentilmente cedida pela as-sembleia da república e pela organização das nações unidas, foi inaugurada pelo chefe do estado-maior da armada, alm vieira matias. muitos perguntaram qual a relação en-tre um organismo militar e uma exposição sobre os direitos do homem. pensamos que cabe a cada um de nós encontrar o nos-so papel e a nossa função na teia social. passados 50 anos sobre a proclamação da declaração universal dos direitos do ho-mem, todos a reconhecemos co-mo um valioso património que importa preservar e defender. os recentes episódios da limpeza étnica no kosovo e as prisões e massacres em timor-leste, só para referir alguns, são impensáveis e inaceitáveis no limiar do novo século. a exposição fotográfica que esteve patente na casa da balança reflecte os olhares de john isaac sobre este mundo antagónico, onde, por um lado, assistimos ao avanço desenfreado e à proliferação das novas tecnologias, à ex-celência das técnicas de “mar-keting”, aos novos valores e modismos sociais; por outro lado, ao desrespeito dos valo-res mais elementares da hu-manidade: a igualdade, a fra-ternidade e a solidariedade. sentimos que é necessário dar vida aos direitos e deveres previstos nesta declaração. olhamos atónitos o desenrolar de lutas étnicas, religiosas, a destruição ambiental, os focos de fome e de guerra que pululam no mundo, mas todos ou quase todos encaramos, por vezes, impávidos e serenos, estes aconteci-mentos como se de ficção se tratassem. os direitos humanos são universais porque abarcam toda a geografia mundial, tendo servido de modelo às democracias, pelo que a educação para os direitos é um factor de sucesso como forma de aper-feiçoamento colectivo e individual e de prevenir a repetição de factos históricos passados. volvidos 50 anos, é necessário olharmo- -nos ao espelho, conscientes de que tam-bém nós temos um papel a desempenhar e que não cabe só aos estados defender e fazer cumprir o prescrito na declaração. como afirmou josé saramago em esto-colmo usamos perversamente a razão quando humilhamos a vida, que a dignidade do ser humano é todos os dias insultada pelos poderosos do nosso mundo, que a mentira uni-versal tomou o lugar das verdades plurais, que o homem deixou de respeitar-se a si mesmo quando perdeu o respeito que devia ao seu se-melhante. é preciso adoptar novos olhares, repetir ciclos de aprendizagens esquecidos para que, como diz manuel alegre, seja possível viver sem fingir que se vive. ana paula silva professora do centro naval de ensino a distância é preciso olharmo-nos ao espelho... 16 junho 99 • revista da armada</Page><Page Number="199">omemorações do dia da marinha e das forças armadas c omo vem sendo hábito, as come-morações envolveram múltiplas realizações, procurando juntar as populações locais à festa dos marinhei-ros, proporcionando-lhes uma série de espectáculos culturais e recreativos, mos-trando ao mesmo tempo uma enorme pa-nóplia de actividades em que a marinha está envolvida. o programa das comemorações ini-ciou-se no dia 8 de maio com a inaugura-ção de uma exposição sobre as activida-des da marinha e das forças armadas na zona nobre da antiga fábrica nacional de cordoaria, verdadeiro exemplar do patri-mónio histórico da marinha. esta inauguração contou com a pre-sença do ministro da defesa nacional, dr. veiga simão, do cemgfa, general espírito santo, dos chefes do estado- -maior da armada, da força aérea e do exército, entre outros ilustres convidados pertencentes aos 3 ramos das forças armadas. esta exposição, que esteve patente ao público até ao dia 23 de maio, contou com a pr esença de inúmeros visi-tantes. entre os dias 15 e 23 de maio, esti-veram abertos ao público várias uni-dades navais atra-cadas no cais jar-dim do tabaco, no-meadamente o sub-marino “barracu-da”, a fragata “jo-ão belo” (14 a 17 maio) , a corveta “oliveira e carmo”, o patrulha “save” (15 a 17 maio), o n.e. “sagres”, a corveta “pereira d’eça” (17 a 23 maio) e o patrulha “cunene” (21 a 23 maio). por feliz coincidência encontravam-se em lisboa os navios da stanavfor-lant e da mcm fornorth. a praia de carcavelos foi o “palco” escolhido pelo instituto de socorros a náufragos para fazer, nos dias 15 e 21 de maio, uma demonstração dos seus meios e capacidades. no dia 18 de maio realizou-se pelas 21.30 horas na aula magna da reitoria da universidade de lisboa, um concerto pela orquestra metropolitana de lisboa e banda da armada. presidido pelo presidente da república, estiveram pre-sentes o general cemgfa, o almirante cema, o cemfa e o vice-ceme. de forma inédita em portugal, actuaram em conjunto uma orquestra sinfónica e uma banda militar com cerca de 200 exe-cutantes que empolgaram a assistência. um verdadeiro caso de sucesso onde as várias centenas de pessoas presentes pu-deram, durante cerca de duas horas, apre-ciar música de qualidade, sendo reco-nhecida mais uma vez, a qualidade musi-cal da orquestra metropolitana de lisboa e da nossa banda. comemorações do dia da marinha e das forças armadas este ano, o dia da marinha coincidiu, dentro do sistema de rotatividade em vigor , com as comemorações do dia das forças armadas. a cidade de lisboa constituiu, com toda a naturalidade, a escolha adequada para este momento histórico, uma vez que foi do tejo que largaram as armadas dos gloriosos descobrimentos marítimos que nos individualizaram como povo e como pátria. revista da armada • junho 99 17</Page><Page Number="200">8 junho 99 • revista da armada o programa do concerto foi o seguinte: o dia 19 de maio foi marcado por uma sessão solene na academia de mar inha , pres idida pe lo almi rant e cema, na qual foi feita o lançamento do volume da história da marinha intitula-do “homens, doutrinas e organização – 1824 – 1974”, da autoria do prof. dr. antónio josé telmo. nessa sessão foram apresentadas as seguintes comunicações: - “o regresso de vasco da gama e a definição da estratégia marítima portu-guesa em finais do século xv”, pelo prof. dr. luís adão da fonseca. - “o papel da armada na formação do portugal contemporâneo”, pelo prof. dr. antónio josé telmo. integrado na exposição das actividades das forças arma-das, que assinalou a comemo-ração do dia da marinha e das forças armadas, realizou- -se o concurso histórico so-bre a expansão marítima por-tuguesa. o objectivo do concurso foi o de premiar o conheci-mento dos jovens sobre o grande feito dos portugueses nos séculos xv e xvi, propor-cionando-lhes a possibilidade de fazerem uma viagem no veleiro creoula. a organização do concurso esteve a cargo da damag que desenvolveu a aplicação para a ges-tão dos concorrentes e disponibilizou os equipamentos e os meios de projecção necessários. cada concorrente para se qualificar para o sorteio das viagens, tinha de acertar em 8 das 10 perguntas escolhidas aleatoriamente de entre o conjunto de 100 perguntas de resposta múltipla com 3 opções, sobre a expansão marítima portuguesa, elaboradas por uma equipa de professores de história da direcção do serviço de formação. cada concorrente dispunha de 5 tentativas para se qualificar, tendo concorrido cerca de 200 jovens dos quais 45 conseguiram a qualifi-cação para o sorteio das 6 viagens lisboa-funchal - porto santo - lisboa a bordo do creoula. no último dia da exposição realizou-se o sorteio tendo-se apurado os seguintes resultados: efectivos: ana lúcia aguiar godinho    - escola básica 2, 3 joão gonçalves zarco marta alexandra ludovico    - escola básica 2, 3 joão gonçalves zarco joão roque martins - colégio militar hugo wellenkamp campos   - escola sec. de artes visuais antónio arroio bruno nóbrega - escola secundária da amadora ivan josé oliveira e silva      - escola vieira da silva suplentes: 1º ricardo josé santos       - escola secundária infante d. pedro 2º pedro pimentel sousa     - escola básica 2, 3 joão gonçalves zarco 3º bernardo pereira gonçalves - externato campo de flores 4º teodorico monteiro mafra - escola secundária marquês de pombal 5º henrique porto           - escola secundária seomara da costa primo 6º bruno dias              - escola miguel torga (colaboração da damag)</Page><Page Number="201">evista da armada • junho 99 19 dia 20 de maio pelas 10.10 horas da manhã foi celebrada na igreja dos jerónimos pelo bispo sr. d. januário, uma missa de acção de graças e sufrágio pelos mortos das forças armadas a que assistiram muitos militares e civis. ao fim da manhã realizou-se a cerimónia militar que foi presidida pelo presidente da república, dr. jorge sampaio. vados valores, estilos de comando e princí-pios de vivência que estão secularmente enraizados na cultura castrense”. o general cemgfa não deixou de manifestar a sua satisfação pela forma com as fa têm desem-penhado as suas missões no país e no estrangeiro. seguiu-se uma homenagem aos militares mortos ao serviço da pátria. as cerimónias terminaram com a im-posição de condecorações a militares dos 3 ramos das forças armadas e o desfile das forças em parada sobrevoadas por uma for-mação de aviões da força aérea por-tuguesa. no final, foi servido um almoço no pa-vilhão das galeotas do museu de marinha. ao longo do dia, logo a partir das 10.00 horas até às 17.00 horas, esteve aberto ao público, com entrada gratuita, o museu de marinha, a fragata “d. fernando ii e glória”, o aquário vasco da gama, o planetário calouste gulbenkian e os faróis do cabo raso e cabo da roca. os dias 22 e 23 de maio foram preenchi-dos com provas náuticas no rio tejo. alexandra brito 2ten tsn lançamento do cd-rom com a aplicação multimédia marinha 2000 durante a exposição do dia da marinha e das forças armadas foi lançado o cd-rom com a aplicação multimé-dia marinha2000, que foi desenvolvida pela direcção de análise e métodos de apoio à gestão (damag) com o apoio do gabinete do almirante chefe do estado-maior da armada. esta aplicação multimédia tem como principal objectivo a divulgação de informação institucional sobre as diver-sas actividades da marinha no passado e no presente, evocando também o seu vasto e valioso património cultural, que constitui certamente um dos factores determinantes da sua identidade no seio das forças armadas. através duma abordagem interactiva, onde se tentou sempre utilizar um grafismo tipicamente naval, o utilizador embarca numa viagem que percorre diversas áreas de intervenção da marinha em terra, no mar ou no ar. nesta pers-pectiva, são apresentados com algum detalhe os meios existentes e as missões executadas, alguns aspectos carac-terísticos da vida naval, os seus órgãos culturais, as biografias dos principais navegadores e de alguns dos seus ele-mentos que se distinguiram, a forma de ingressar neste ramo das forças armadas e, finalmente, o que se poderia chamar na gíria naval como o “quarto de folga”, um jogo para testar conhecimentos de vocabulário náutico. estão disponíveis mais de 620 mb de informação (video, fotografia, música e texto) sobre a marinha portuguesa, onde se incluem diversas imagens espectaculares e inéditas de intervenções recentes em território nacional e no estrangeiro. através deste cd pode-se avaliar bem a multiplicidade de áreas de intervenção e o nível de preparação técnica exigido ao pessoal que presta actualmente serviço na marinha. além disso, é também referida com algum detalhe a contribuição de várias gerações de portugueses ilustres, que ao longo dos anos contribuiram para que o mar fosse sempre um factor de ligação a outros povos e outras culturas e nunca um factor de isolamento. ao entrar na aplicação, o utilizador está “virtualmente” situado na ponte dum navio onde pode rodar uma roda do leme utilizando o rato, de modo a visualizar e seleccionar todas as opções disponíveis. além deste interface mais elaborado, pode também escolher duma forma mais expedita as diversas opções através de um menu simples tipo “pull-down”. para quem tiver acesso directo à internet a partir do respectivo computador, estão também disponíveis ligações para a página oficial da marinha e para os “sites” de outras entidades, a partir do écran inicial da aplicação. o cd-rom está agora em fase de distribuição interna e externa, tendo já sido enviado para diversas escolas secundárias e centros de formação de todo o país, de acordo com a orientação do gabinete do almirante chefe do estado-maior da armada. (colaboração da damag) após a chegada dos chefes de estado- -maior da armada, do exército e da força aérea, o general cemgfa e o almirante cema receberam as altas individualidades civis e militares, nomeadamente o ministro da defesa nacional, o presidente do tribu-nal constitucional e o presidente do supre-mo tribunal de justiça, o primeiro ministro e o presidente da república, aos quais fo-ram prestadas honras militares. após a revista às forças em parada pelo dr. jorge sam-paio, o general cemgfa proferiu uma alocução alusi-va a este dia, salientando que a modernização da so-ciedade portuguesa “tem de ser acompanhada pela mo-dernização da instituição”. essa modernização “não sig-nifica uma transformação radical e seguindo modelos importados”, mas “adap-tações derivadas de factores enquadrantes e estruturantes em que deverão ser preser-</Page><Page Number="202">ormação efectuada na marinha no âmbito do profap ii 20 junho 99 • revista da armada direcção do serviço de formação formação efectuada na marinha no âmbito do profap ii o que é o profap – programa integrado de formação para a modernização da administração pública é um pro-grama operacional dependente do gabinete do secretário de estado da administração pública e da modernização administrativa, cujo prazo de execução decorre entre janeiro de 1994 e 31 de dezembro de 1999. como subprograma do programa “formação profissional e emprego” inte-grado no programa pessoa gerido pelo iefp (1), do eixo 1 do quadro comunitário de apoio (qca) ii, o profap assenta em dois grandes vectores a sua intervenção: - a formação e o aperfeiçoamento profis-sional do pessoal afecto à administração pública (medida 1, co-financiada pelo fse); - a modernização e qualidade na admi-nistração pública (medida 2, co-financiada pelo feder). para que serve? são considerados prioritários os pedidos de financiamento que digam respeito a can-didaturas: • ligadas à formação de dirigentes e che-fias intermédias; • associadas a projectos inovadores de mo-dernização e qualidade; • ligadas à formação inicial, contínua e associada à promoção; • respeitantes à preparação pedagógica e formação contínua de formadores; • respeitantes a estudos de avaliação da formação. e a marinha? a marinha tem acedido a estes fundos desde 1996 na medida 1, conforme se de-monstra nos quadros. também apresentou candidatura à medida 2 (que, aliás, era sus-tentáculo para o auto-financiamento do projecto de reestruturação do sistema de formação, em curso), mas infelizmente até hoje, sem sucesso. ao que se sabe por exiguidade de verbas do profap que teve que “acudir” a outras prioridades de outros ministérios. de referir ainda que, no ano de 1998, pela • seminários, encontros, jornadas, pales-tras, conferências e visitas de estudo; • estágios. • natureza: as acções de formação são de natureza teórica e prática. •número de formandos: entre 15 e 25. prioridades na afectação de verbas (artigo 5º do regulamento do profap) consideram-se prioritários os pedidos de financiamento que digam respeito a candidaturas: • ligadas à formação de dirigentes e chefias intermédias; • associadas a projectos inovadores de modernização e qualidade; • ligadas à formação inicial, contínua e associada à promoção; • respeitantes à preparação pedagógica e formação contínua de formadores; • respeitantes a estudos de avaliação da formação. não carece pois de demonstração, porque os resultados estão à vista, a utili-dade deste programa para o desenvolvi-mento das pessoas e das organizações da administração pública. para a marinha portuguesa, os números falam por si e não estão ainda contabilizados os benefícios, em termos de execução do pain (3) no significativo (menos de 1/3) abaixamento dos custos nas acções de formação do ina (4) a que acederam os oficiais e civis da marinha que neles têm participado e que, certamente, continuarão a participar. primeira vez a marinha acedeu a algumas ofertas de formação feitas por empresas pri-vadas(2), igualmente no âmbito do profap ii – medida 1, como se demonstra no quadro abaixo. áreas temáticas para efeitos de candidatura, são elegíveis, em especial, as seguintes áreas temáticas (art.4º do regulamento do profap): a) gestão pública e qualidade; b) gestão de recursos humanos; c) gestão de formação; d) políticas europeus; e) código do procedimento administrativo; f) economia e finanças públicas; g) gestão financeira e contabilidade pública; h) desenvolvimento regional e ordenamento do território; i) informática e novas tecnologias da informação; j) segurança higiene e saúde no trabalho k) organização e desburocratização; l) atendimento do público e comportamento profissional; m) línguas; n) secretariado; o) avaliação da formação e do desempenho profissional; p) preparação pedagógica de formadores. componentes organizativas • duração: depende da estrutura de for-mação escolhida • cursos de formação de pequena (« 30 horas), média («60 horas) duração ou em módulos capitáveis; numéro de acções 31 86 35 1996 1997 1998 numéro de formandos 483 1051 624 montante atribuido f.s.e. 10.665.8580 24.346.5470 20.000.0000 numéro de acções 1 universus numéro de formandos a) 20 10 projecto a 150 “...temos que triplicar, em cinco anos, o nível de participação em alguma forma de educação e formação de adultos.” paulo pedroso/secretariado de estado do emprego e formação profissional (dez 98), por ocasiaão do anúncio da agência na-cional para a educação e formação de adultos. notas: a) acrónimo de instituto de emprego e formação profissional. 2) sem qualquer encargo financeiro quer para os funcionários, quer para a marinha. 3) plano de actividades de instrução a nível nacional 4) instituto nacional de administração. a) valor estimado e (quase) exclusivamente para pessoal civil.</Page><Page Number="203">evista da armada • junho 99 21 gosto de executar as tarefas que lhe competem. determinado em propor-cionar condições cada vez mais moti-vadoras para a prestação do serviço na marinha, mantém, entretanto, a con-vicção de que a nossa capacidade de auto-motivação e o sentimento da sa-tisfação pelo dever cumprido ajudarão, também, a mantermos orgulho no re-sultado do nosso trabalho colectivo. relativamente às missões de interesse público que, ao contrário do que por vezes se crê, não é somente no âmbi to do sistema da auto-ridade marítima (sam) que são executadas, fo-ram evidencia-das as activida-des das 28 capi-tanias dos portos e também muitas outras que se si-tuam fora da sua área de responsabilidade. designadamente, as actividades de busca e sa l vamen t o no ma r , as de hidrografia e oceanografia, as de inac-tivação de engenhos explosivos pelos mergulhadores da armada e os apoios às populações, especialmente trans-portes em unidades navais, evacuações sani tár ias e o abas tecimento ext ra-ordinário de locais isolados. tendo assumido, perante a nação, o compromisso de zelar, até ao l imi te das suas possibilidades, pela eficiência da marinha, mantendo como úl t imo propósito a protecção e defesa dos in-teresses nacionais, o almirante cema afirmou que continuará a honrar esse compromisso, respondendo perante a nação pelos resultados alcançados, na justa medida das competências que lhe estão atribuídas e na possibilidade que lhe t em s ido dada para cont r ibui r , junto da tutela, para o estudo das solu-ções que t ranscendem o campo das suas competências. ao finalizar, o almirante cema asse-gurou a sua determinação em zelar pela defesa dos interesses nacionais, tomando as deci sões que lhe com-petem nas oportunidades adequadas e acolhendo, sempre que possível , os contributos positivos e os anseios dos servidores da marinha. n a sua carta nº 14, de abril de 1999, o almirante cema difun-diu algumas reflexões sobre os factores de maior actualidade e rele-vância para a marinha, fazendo um “ponto marcado” na “navegação” efec-tuada durante os seus primeiros dois anos de mandato. cons iderando mui to pos i t i vos os resultados alcançados, tendo em conta as dificuldades que houve que enfrentar quer no âmbi to f inancei ro, quer no admini s t ra t i vo, o almi rant e cema sa l i entou, na sua comunica-ção, alguns as-pectos que con-tribuíram decisi-vamente para a boa imagem e para a eficiência da marinha, que considerou co-mo factores de sucesso. esses factores de sucesso que, com relevância, têm permitido manter a marinha muito activa, foram situados em dois planos d i s t i n t os , ma s conve r gen t e s . num plano, o enorme capital de prestígio acumulado ao longo dos anos, teste-munhado não só pelo acervo histórico de que dispõe e de que a nação se orgulha desde tempos longínquos, mas também pela eficácia do cumprimento das suas missões num passado recente. noutro plano, si tuou a natureza ge-nerosa dos servidores da marinha que, manifestando abnegada dedicação ao serviço, têm pautado a sua conduta pela determinação, tolerância e com-petência. numa alusão às especificidades da marinha que decorrem do meio físico em que os seus meios actuam, referiu o almirante cema: “sendo nós, origina-riamente, iguais a tantos outros, creio ser a bordo, onde bem se sente que a tempestade, quando vem, é a mesma para todos, que a génese marinheira encontra as suas raízes, que a coragem e a humildade se consolidam e que as r e l açõe s humana s adqu i r em uma dimensão determinante na construção do espírito de corpo e de união que nos caracteriza”. cons iderando que o planeamento elaborado com vista à modernização da marinha, baseado nos estudos de-senvolvidos desde 1996, tem cami -nhado de forma mais lenta do que o desejado, sublinhou que esses estudos mostram a rota a seguir para se alcan-çar uma marinha moderna, embora de d imens ão ma i s r eduz i da . se r á no ent anto neces sár io obt er a dec i são superior quanto ao modelo de marinha do futuro, de entre os que foram preco-nizados. continuando, o almirante cema re-feriu outros trabalhos sectoriais de que resul taram soluções object ivas rela-carta do cema cionadas com a gestão do pessoal, do material e financeira, bem como res-peitantes à área operacional, à do sis-tema da autoridade marítima, à saúde naval e a diversas outras, dando ênfase aos resultados animadores da activi-dade operacional e às referências elo-giosas que, nesse campo, a marinha tem recebido. desenvolvendo em se-guida out ros object ivos da “pol í t ica naval” que está definida, abordou as questões fundamentais da renovação da esquadra, do incremento da motiva-ção e das missões de interesse público. quanto à renovação da esquadra, ressalta o programa, bem encaminha-do, da subst i tuição dos submar inos, bem como os processos de obtenção dum navio pol ivalente logí s t ico, de lanchas de f iscal ização já em cons-trução no arsenal da alfeite, de mais um navio hidro-oceanográfico, já usa-do pela marinha dos eua, a receber no corrente ano e de patrulhas oceânicos a construir na indústria nacional para subst i tuição dos actuais pat rulhas e corvetas. sobre a motivação, entre outras con-siderações, o almirante cema afirmou que constitui uma condição indispen-sável para melhor assegurar a eficácia da prestação de cada cidadão, enten-dendo a motivação como a vontade e o</Page><Page Number="204">elas 21.00 horas do dia 8 de abril, o mrcc lisboa recebeu uma comunicação telefónica do mrcc madrid informando que um iate espanhol de nome “aresa ii”, com um tripulante a bordo de nome marty villar fernando de 69 anos de idade estava desa-parecido. o iate tinha largado de corrubedo, espanha, no dia 7 de abril pelas 8.00 horas, com rumo a el grove ( espanha), mas não havia demandado o porto de el grove, nem reportado qualquer notícia até então. as capitanias a norte de aveiro indagadas pelo mrcc lisboa informaram que o iate não demandou nenhum destes portos. logo que foi confirmado o desaparecimento foi pedida a colabo-ração de um avião p3 à força aérea para efectuar buscas desde a fronteira norte até ao paralelo 41º norte. simultâneamente o mrcc madrid activou meios semelhantes para efectuar buscas nas águas espanholas. a embarcação foi encontrada pelo p3 da força aérea portuguesa na posição 41º 35 n – 009º55w à deriva e com aparentes sinais de abandono. constatando-se que apesar da embarcação estar regista-da com o nome “arase ii”, tinha a bordo o nome “adax”. de imediato seguiu para o local o patrulha da marinha portu-guesa, n.r.p. “save”. a menos de 1 milha náutica de distância encontrava-se o navio mercante “cheryl g”, que após solicitação por parte do p3, diri-giu-se ao local confirmando que não se encontrava ninguéma bordo. o n.r.p. “save” rebocou o iate para leixões, de modo a que se possa proceder à sua posterior entrega às autoridades espanholas. (colaboração mrcc lisboa) busca e salvamento na sequência de comu-nicação recebida em 31 de mar-ço de 1999 informando que um cidadão espanhol se encontrava desaparecido no rio tejo após ter iniciado cerca de cinco horas antes, isoladamente e sem qual-quer apoio, uma tentativa de travessia a nado entre o cais de alcochete e o parque das nações, deixando de ser visto cerca de uma hora após a largada, foi desencadeada pela capitania do porto de lisboa uma acção de busca na qual estiveram envolvidas a uam “monção” e duas embarcações semi-rígidas. após exaustiva e sistematizada operação, já de noite e em condições meteorológicas adversas, os dois agentes da polícia marítima embarcados numa das semi-rígidas, revelando grande pe-rícia, desembaraço e determinação, conseguiram localizar o desa-parecido numa zona de difícil acesso face às condições de maré e de corrente que então se faziam sentir, tendo-o recolhido e transporta-do para terra em condições de segurança, evitando deste modo con-sequências que poderiam ter sido gravosas tendo em conta o estado de hipotermia emque aquele se encontrava. depois de assistido em terra por elementos do inem, o cidadão espanhol foi acolhido nas instalações da capitania do porto de lisboa onde lhe foi prestado o indispensável apoio de cariz huma-nitário, completando-se assim uma importante e bem sucedida acção da autoridade marítima e em especial do comando local de lisboa da políciamarítima. (colaboração da capitania do porto de lisboa)</Page><Page Number="205">ampanha de segurança nas praias com o início da época balnear e o reactivar da campanha de segurança nas praias, não será demais recordar a missão do instituto de socorros a náufragos na direcção técnica de todos os assuntos relacionados com o salvamento de vidas humanas e a protecção dos banhistas. por nunca ser demais a sua divulgação, o i.s.n. promove as seguintes regras básicas de segurança e algumas recomen-dações: actividades dos salva – vidas salvamentos saídas em prevenção em socorro embarcações assistidas 1994 533 1018 4170 1020 1995 307 597 3787 758 1996 468 787 2723 1355 1997 215 828 3203 1462 1998 358 958 2015 821 revista da armada • junho 99 23 algumas regras básicas para o bom relacionamento com o mar regras: 1 - frequente praias vigiadas 2 - respeite os sinais das bandeiras 3 - respeite as instruções dos nadadores - salvadores 4 - evite tomar banho antes de decorridas 3 horas após as refeições 5 - ao nadar não se afaste demasiado, nade paralelamente à praia 6 - nunca nade contra a corrente recomendações: 1 -vigie atenta e permanentemente as suas crianças 2 - após longos períodos de exposição ao sol não entre de rompante na água 3 - procure nadar acompanhado 4 - nunca nade contra a corrente 5 - em caso de aflição não hesite em pedir imediatamente socorro a estas recomendações junta-se a necessidade de os banhistas colherem informações sobre as praias que frequentam nomeadamente correntes, rochas, fundões e zonas de perigo. durante a sua existência, o i.s.n. já salvou cerca de 35.000 vidas e cerca de 10.000 embarcações, tendo dado assistência a mais de 560.000 pessoas. (colaboração do i.s.n.) campanha de segurança nas praias instituto de socorros a náufragos dados estatísticos mais recentes actividades nas praias salvamentos acidentes mortais em praias vigiadas não vigiadas nadadores salvadores nº cursos formandos interior 1991 1540 14 46 46 681 29 1992 1760 16 23 61 1089 20 1993 1601 15 27 81 1338 24 1994 1059 3 22 70 1312 22 1995 1251 15 14 54 933 25 1996 1142 8 14 69 1175 15 1997 1294 8 9 70 1267 15 1998 1354 5 7 76 1277 14 dados estatísticos mais recentes</Page><Page Number="206">4 junho 99 • revista da armada instituto hidrográfico missão sisplat viii o nrp “almeida carvalho” realizou a missão sisplat viii, no período de 22 a 25 de feve-reiro de 1999, no âmbito do pro-grama da divisão de química e poluição do meio marinho do ih, para a obtenção de dados geomorfológicos e estruturais, na área da folha sed 4 (peniche ao cabo da roca), mais pro-priamente na plataforma e ver-tentes continentais. nesta missão percorreram-se 50 milhas de sondagem com sistema de reflexão sísmica ligeira e 25 milhas com sonar lateral. estiveram embarcados, além da guarnição do navio, uma equipa técnica de sete elemen-tos do ih, liderada pela drª. manuela matos e dois mergu-lhadores da esquadrilha de submarinos. foram percorridas 118 mi-lhas em 37 horas de navegação. (colaboração do instituto hidrográfico) missão científica nos açores no dia 9 de janeiro de 1999, a corveta “honório barreto”, que se encontrava em missão nos açores, observou de perto manifestações visíveis origi-nadas por um fenómeno vul-cânico submarino. trata-se efec-tivamente do fenómeno de erupção submarina da serreta, junto à ilha terceira, que teve início emnovembro de 1998. na sequência desta ocorrên-cia, foram estabelecidos contac-tos com o ih para participar numa união de investigadores portugueses de várias universi-dades, tendo em vista estabele-cer um projecto de investigação para implementar missões de investigação científica com vista à análise do fenómeno. numa reunião que teve lugar no mês de março, nos açores, participaram o director técnico do ih, cfr mourão ezequiel, o presidente da fundação para a ciência e tecnologia (antiga jnict), professor luís ma-galhães e vários investigadores de universidades e institutos. para apoio à observação in loco, a marinha colocou à dis-posição uma corveta e uma em-barcação salva-vidas, o que per-mite ao grupo de investiga-dores reunidos, deslocar-se ao local e obter mais informação através do recurso aos son-dadores acústicos a fim de esclarecer algumas dúvidas existentes de resultados obtidos emmissões anteriores. a rara possibilidade de se acompanhar a evolução de um sistema vulcânico submarino em domínios tão vastos como o da geologia, geofísica e bio-logia, fez com que esta missão fosse amplamente divulgada nos diversos meios de co-municação social. nesta reunião ficou definida uma missão exploratória e a eventual utilização do nrp “almeida carvalho”, aquando da sua estadia nos açores, em junho. a missão exploratória decor-reu entre 22 e 29 de março e integrou um levantamento ba-timétrico, no sentido de se reconhecerem as alterações produzidas pelo vulcão no fundo do mar e um trabalho com um rov (do laboratório marítimo da guia) para cap-tações de imagens em video e recolha do material vulcânico na zona. presença do ih na nauticampo/99 o ih esteve presente na nau-ticampo/99. à semelhança de anos anteriores, o instituto fez-se representar através das suas publicações e cartas náuticas ofi-ciais que expôs nos stands dos seus revendedores oficiais. a exposição dedicada à náuti-ca de recreio contou este ano comduas novidades: a primeira, foi o facto de esta ser a exposição que inaugurou a fil no parque das nações apre-sentando uma dimensão 3 vezes maior à das anteriores instala-ções da fil na junqueira. a inauguração contou com a pre-sença do presidente da repúbli-ca, dr. jorge sampaio, o primei-ro ministro, engº antónio gu-terres, vários ministros, entre eles o ministro da defesa nacio-nal, prof. veiga simão, o chefe do estado-maior da armada, alm veira matias e várias indi-vidualidades da cena política portuguesa, bem como empre-sários e directores de institui-ções, entre eles, o valm torres sobral. nesta ocasião, o direc-tor-geral do ih teve a oportu-nidade de oferecer ao presidente da república o roteiro e as cartas náuticas oficiais para a na-vegação de recreio, respeitantes à zona 4 – costa vicentina e algarve, acabados de publicar. a outra novidade deve-se a esta ter sido a primeira exposi-ção depois da assinatura do acordo bilateral assinado entre o ih e as firmas j. garraio &amp; c.ª, ld.ª e azimute – aprestos marí-timos, ld.ª. nos stands dos revendedores estiveram o 1ten martins pi-nheiro e a tc2 helena julião do ih, para a demonstração da carta electrónica de navegação oficial (ceno), que se encon-trava exposta. esta suscitou muita curiosidade, apesar de a generalidade do público que visitou a feira não ser profis-sional. é realmente um produto de futuro do ih. de acordo com a opinião de todos quantos lá estiveram, quer sejam do ih ou das firmas revendedoras oficiais do insti-tuto, a presença do ih na nau-ticampo obteve resultados posi-tivos e por isso valeu a pena, já que iniciativas como esta con-tribuem sempre para divulgar o instituto, as suas actividades e os seus produtos, principalmente porque nestas novas instalações a afluência do público é signi-ficativamente maior do que nas anteriores. na sequência deste grande melhoramento da participação do ih verificado entre os anos anteriores e este ano será de en-carar a hipótese de o instituto, em conjunto com outros orga-nismos de marinha, estar pre-sente na próxima nauticampo comum stand próprio.</Page><Page Number="207">mposição de condecorações notícias a solidez das estruturas que suportavam os seus pareceres, a quali-dade e a eficiência das respostas com que habitualmente os produzia, as suas conjecturas acerca de certos princípios que informavam a convenção das nações unidas sobre o direito do mar e que podiam causar ao nosso país prejuízos no domínio da sua aplicação prática, ca-racterizaram de forma notável os seus contributos, todos identificados por uma cuidada reflexão e oportuna intervenção, que naturalmente se impunham e provocavam juízos críticos favoráveis às suas conclusões. assim e por entender que a favor do senhor comandante limpo serra concorrem excepcionais qualidades de inteligência e saber, demonstradas pela in-teira e exemplar devoção com que exerceu, não apenas o cargo de vogal na comissão de direito marítimo internacio-nal como igualmente outros, ao longo de toda uma carreira naval de reconhecido mérito, alicerçada em superiores qua-lidades morais, invulgar cul-tura e justeza de carácter, a marinha lhe atribuiu esta con-decoração. senhor comandante, o seu antigo aluno agradece-lhe a li-ção exemplar dos serviços ex-traordinários, relevantes e dis-tintíssimos que prestou à marinha. o senhor tenente ortigão neves, especial amigo e camarada de curso da escola naval, deixou o serviço activo, há muitos anos, mas nunca se desligou do espírito da marinha, nem jamais desistiu de lutar pelo seu prestígio e pela sua importância. a grande cultura naval que continuadamente aperfeiçoou e aumentou é bem evidenciada nos escritos que publica e nas iniciativas que desen-volve para divulgar a maritimidade portuguesa. refiro aqui a última, que se traduziu no colóquio “vasco da gama, os oceanos e o futuro”, reali-zado na escola naval de 23 a 27 de novembro do ano passado. dirigido aos estudantes universitários e participado por professores, especialistas e alunos das universidades portuguesas, foi um êxito no meio académico e mereceu as mais elogiosas referências por parte de inúmeras e destacadas personalidades. fundamental para o sucesso do colóquio, foi o trabalho da comissão executiva presidida pelo tenente ortigão neves que, durante cerca de um ano, com uma fita de tempo extremamente apertada, desenvolveu um trabalho notável, alicerçado na total disponibilidade, dedicação e sentido de objectivo de todos os seus membros. funcionando como equipa bem dirigida e dinâmica cujos elementos rapidamente adquiriram competências, por vezes insuspeitas, nos seus campos de actividade, a comissão alcançou resultados extraordinários que fizeram do colóquio “vasco da gama os oceanos e o futuro”, uma acção extremamente importante para a escola naval, a marinha e o país. por estes motivos a condecoração que impus corresponde a um reco-nhecido muito obrigado da marinha. o almirante vieira matias ao encerrar a cerimónia agradeceu a presença dos muitos convidados, endereçando as suas felicitações aos galardoados e o pedido que continuem com a sua exemplar dedicação à marinha a fazer juz ao seu lema: “a pátria honrae que a pátria vos contempla”. e m cerimónia realizada em 23 de abril passado no gabinete do chefe do estado-maior da armada, o almirante vieira matias, na presença das mais altas patentes da armada, muitos oficiais, convidados e amigos dos galardoados, procedeu à imposição de condecorações aos vice-almirante antónio emílio ferraz almeida sacchetti, capitão-de-mar-e-guerra manuel primo de brito limpo serra e primeiro-tenente rui manuel ramalho ortigão neves. as três condecorações diferentes, tinham no entanto, um ponto comum que justifi-cavam plenamente a sua associação nesta cerimónia, conforme salientou o almirante cema ao afir-mar a dado passo “de facto, os três condecorados, de for-mas diferentes, é certo, e em situações distintas, evidencia-ram um elemento comum que é a grandeza de alma com que amam a marinha”. sobre as figuras dos con-decorados, o almirante cema, em breves palavras referiu-se aos seus méritos e qualidades, designada-mente: o senhor almirante sacchetti foi, durante todo o período de serviço activo, um distintíssimo e exem-plar oficial da nossa marinha, como bem o comprova a sua brilhante e expressiva folha de assentos. no entanto, terminada essa fase da sua vida, não findariam os seus esforços pela dignificação da marinha, nem esmoreceria o brilho do seu espírito, continuando a ensinar-nos aquilo que a sua grande cultura, o seu raciocínio límpido e a sua enorme expe-riência de pensador produzem. e tem-no feito sistemática e incansavelmente, quer leccionando nas universidades, quer escrevendo em jornais e revistas, quer realizando conferências, sempre com o fito de valorizar os interesses nacionais e, sobretudo, os ligados ao mar. os seus trabalhos são verdadeiras lições magistrais de amor à marinha e ao país que serve. por isso, não poderia ser mais justa a atribuição da ordem do infante d. henrique, o qual, em atenção à figura que invoca (e transcrevo) “deverá ser concedida quando se trata de galardoar serviços ligados a actividades ou estudos histórico-maríti-mos ou ao conhecimento e divulgação da expansão de portugal no mundo”. o meu querido professor de direito internacional marítimo, senhor comandante limpo serra, também não cessou, com o fim do serviço activo, o seu labor em prol da marinha. continuou, antes, até há alguns, poucos, meses a dedicar-lhe o seu saber e experiência na área daquele direito, em actividades ligadas ao ensino e às funções que desempenhou, brilhantemente, ao longo de três décadas, na comissão de direito marítimo internacional. os seus pareceres, doutamente elaborados, constituíram sempre ponto de apoio válido na solução de questões que, muitas vezes, surgiram não apenas no âmbito da marinha como também no de outros ministérios, quando se debatiam questões relacionadas com a sua realização tanto no domínio do direito público como no direito privado. revista da armada • junho 99 25 imposição de condecorações</Page><Page Number="208">otícias após esta apre-sentação, o general cemgfa fez uma breve visita às ins-talações da irs - inspecção de repa-ração de submari-nos, no arsenal do alfeite, como enti-dade a quem in-cumbe a direcção técnica dos subma-rinos e à doca flu-tuante onde se encontra em grande revisão o nrp “delfim”, seguindo de imediato para sesimbra onde embarcou no submari-no “barracuda” acompanhado do almirante cema e do comandante da esquadrilha de submarinos. durante o período de embarque, o general cemgfa teve opor-tunidade de assistir a algumas demonstrações das ainda resi-dentes capacidades operacionais dos nossos submarinos, em con-traponto com as enormes potencialidades dos modernos submari-nos, tendo tecido referências elogiosas ao desempenho e ao profis-sionalismo dos submarinistas, expressas nas palavras que enten-deu por bem dirigir à e.s. e que parcialmente se transcrevem: “reitero os maiores votos de confiança na sua capacidade para cumprir as missões que lhe estão confiadas e que representam um elevado contributo para o prestígio da marinha e das forças armadas em geral”. (colaboração da esquadrilha de submarinos) no passado dia 23 de março a esquadrilha de submarinos (e.s.) recebeu, em visita de trabalho, o chefe do estado-maior general das forças armadas, general gabriel augusto do espírito santo. acompanhado da respectiva comitiva, o general cemgfa foi recebido à sua chegada à e.s. pelo almirante cema, pelo calm comandante da flotilha e pelo comandante da esquadrilha de submarinos. a visita iniciou-se com uma breve intervenção do almirante cema enquadrante da problemática do “programa de manutenção da capacidade submarina” como primeira e inques-tionável prioridade do reequipamento da marinha e como corolário da consciência da eficácia e do real valor dos submarinos no sistema de forças nacional como único meio dissuasor credível. seguiu-se uma apresentação pelo comandante da e.s. , cmg brites nunes, o qual, começando por salientar que a arma subma-rina existe na nossa marinha desde 15 de abril de 1913 - 86 anos de operação contínua - destacou as virtualidades de uma pequena organização administrativo-logística e de manutenção (incluindo o aa-irs) que consegue ser praticamente auto-suficiente e manter operacional na sua globalidade os submarinos e os destacamentos de mergulhadores sapadores, garantindo ainda uma razão da ordem dos 55% de pessoal operacional. referiu ainda as responsa-bilidades do comandante da e.s. a nível nacional e nato, como autoridade nacional de controlo de submarinos (subopauth), assim como as enormes potencialidades dos submarinos nos mo-dernos cenários de operação, nomeadamente no âmbito das ope-rações especiais, na recolha de informações, em operações em águas baixas, no apoio avançado a forças de superfície, etc.   visita do cemgfa à esquadrilha de submarinos denciando os laços de amizade e afecto que sempre l igaram a marinha à cidade de lisboa, salientou a dado passo da sua alocução: “é muito sensibi l izado que agradeço a amabilidade que quis ter para com a marinha, nesta ocasião. receber esta simbólica dádiva da cidade de lisboa, nas vésperas de data tão representativa para o nosso país é, sem dúvida, uma grande honra para todos nós marinheiros. a bandeira que acaba de nos entregar será hasteada, com grande orgulho, no nosso navio mais emblemático, no mais expressivo dos dias para a democracia portuguesa – o próximo 25 de abril. senhor presidente, este seu gesto calou fundo no nosso coração de marinheiros porque sentimos que de alguma forma ele é um sinal de reconhecimento pela amizade e amor que a marinha e os seus mari-nheiros sempre dedicaram a lisboa. e não é amor passageiro. é já uma ligação de séculos, alicerçada numa convivência inseparável e cúmplice, tendo o tejo co-mo traço de união. de facto, se não poderia haver tejo sem marinha, não haveria lisboa sem tejo. ... senhor presidente, depois de amanhã os tritões embarcados na “sagres” içarão com orgulho a sua, nossa bandeira”. o presidente da câmara mu-nicipal de lisboa, dr. joão soares, acompanhado da vereadora do pelouro da cultura e de outras individualidades, fez entrega ao almirante vieira matias, em ceri-mónia realizada no gabinete do almirante cema, em 23 de abril passado, de uma bandeira na-cional especialmente fabricada, destinada a ser içada no navio-escola “sagres” no dia 25 de abril. a singeleza da cerimónia, aliada ao seu profundo significado, foi realçada pelo dr. joão soares, ao referir os elos de ligação da marinha portuguesa ao tejo e implicita-mente à cidade de lisboa que ali represen-tava como presidente da edilidade . na presença de muitos oficiais generais, diversos convidados e dos órgãos de co-municação social, o almirante vieira ma-tias entregou ao comandante da “sagres”, capitão-de-fragata dias pinheiro a ban-deira nacional que acabara de receber das mãos do dr. joão soares. na oportunidade deste evento, o almirante cema ofereceu ao presidente da câmara municipal de lisboa uma peça deco-rativa com as armas dos primeiros almirantes da armada, evi-entrega de uma bandeira nacional pelo presidente da câmara municipal de lisboa 26 junho 99 • revista da armada</Page><Page Number="209"></Page><Page Number="210">otícias encerramento do 1º curso geral naval de guerra 1998/99 teve lugar no passado dia 19 de fevereiro no auditório deste estabelecimento de ensi-no, a cerimónia de encerramen-to do 1º curso geral naval de guerra 1998/99. esta cerimónia foi presidida pelo valm carlos jorge ferreira de maga-lhães queiroz, director do ins-tituto, e contou com a presença de comandantes e directores de unidades da marinha em que os alunos prestam serviço. fizeram uso da palavra o chefe do curso, cten luís antónio de oliveira belo fa-bião, o director do curso, cmg joão manuel lopes pires neves a que se seguiu a entre-ga de diplomas. a terminar, o director do instituto proferiu breves palavras sobre a na-tureza do curso, tendo enalteci-do o modo como os oficiais corresponderam, bem como a dedicação e esforço do corpo docente. seguidamente foi servido um porto de honra na messe de oficiais. convívios o 25º aniversário do 25 de abril no clube de praças da armada (c.p .a.) desde a sua fundação em 1983, o c.p.a. vem comemoran-do o “25 de abril”, como uma data importante na história de sua existência. o clube tem procurado nes-sas comemorações o convívio das mais altas personagens do poder autárquico concelhio, assim como da hierarquia da armada e do movimento asso-ciativo. quis o c.p.a. dar às come-morações do 25º aniversário do “25 de abril” a maior dig-nidade, transmitindo aos seus associados e convidados que, quando nos juntamos conju-gando o verbo “liberdade” tudo se transforma em energia e es-perança rubra, como os cravos da assembleia geral do c.p.a. saudado tão ilustres militares. assim se viveram momen-tos altos de respeito e admi-ração mútuos entre classes da armada. o 25º aniversário do “25 de abril” passou por ali. (colaboração de geraldo lourenço) curso monográfico de introdução à comunicação social 1998/99 no âmbito da sua missão de promover a preparação com-plementar dos oficiais no cam-po doutrinário e técnico, levou a cabo o isng na semana de 22 a 26 de fevereiro último, um curso monográfico de intro-dução à comunicação social. este curso teve por objecti-vo a preparação dos oficiais para, no desempenho das suas funções e em situações concretas, melhor saberem relacionar-se com os órgãos de comunicação social. foi frequentado por 19 oficiais, 5 dos quais dos outros ramos. de marke t ing e re l ações exteriores da tvi). o curso culminou com a realização de conferências de imprensa sobre casos concre-tos simulados e trabalhados pelos oficiais para tal consti-tuídos em grupos “ad-hoc”. colaborou também nesta fase a jornalista da tvi, ana lourenço. como assistentes à maioria das sessões estiveram pre-sentes os oficiais auditores do csng e cerca de três dezenas de outros, inscritos para tal a título individual. 28 junho 99 • revista da armada ração do dr. miguel sousa tavares (direc-tor da revista “gran-de repor t agem” ) , drª. margarida ruas dos santos (directora do gabinete de ima-gem e comunicação da epal) , dr. fran-c i sco sena santos (rdp – antena 1), dr. eduardo mascare -nhas (jornal “diário de notícias”), dr. jo-sé rodrigues dos san-tos (rtp 1), e comandante monteiro coelho (director que a natura primavera desa-brocha nos campos verdejantes prenhes de vida. o almoço foi preparado pela “prata da casa” e reuniu cerca de cem associados e convida-dos. estiveram presentes: assem-bleia municipal de almada, câmara municipal de almada, junta de freguesia cova da piedade, c.s.a., associação militarizados da marinha, tarrafalistas da revolta de 1936, e o movimento associati-vo. a associação 25 de abril fez chegar a sua mensagem que foi lida durante a sessão. evocando abril na sua ver-tente libertadora, usaram da palavra pelo c.p.a., o presi-dente da direcção, pelos convi-dados, o presidente da as-sembleia municipal de almada. o c.p.a. recebeu, para um café, a visita dos srs. almirantes martins guerreiro e victor crespo acompanhados de ou-tros oficiais também marinhei-ros de abril, tendo o presidente como conferencistas, con-tou o isng com a colabo-</Page><Page Number="211"></Page><Page Number="212">0 junho 99 • revista da armada passatempo a classe “ticonderoga” é um desenvolvimento em armas e sensores da já existente classe “spruance” com par-ticular relevo para a ameaça de mísseis anti-navio do tipo “sea- skimmer”. esta classe tem como função principal a defesa aérea de área. os navios a seguir ao cg 52 “bunkerhill” estão equipados com os “tomahawk”. o sistema de combate instalado é o aegis foi desenvolvido para enfrentar os ataques com saturação de mísseis que, imaginava-se, fariam parte da táctica anti porta-aviões soviética na década de 80. radares rotativos convencionais são limitados tanto na manipu-lação da velocidade dos dados, como no número de rastreamento de alvos, enquanto os ataques de saturação de mísseis exigem sen-sores que possam reagir imediatamente, e que tenham capacidade de rastreamento quase ilimitada. a solução adoptada no sistema aegis foi instalar quatro antenas planares fixas na superestrutura do navio, cada uma fazendo a cobertura de um sector de 45 0 . (colaboração do 1ten sei fontinha citan) as fotografias abaixo apresentadas correspondem a platafor-mas navais publicadas pela revista da armada desde fevereiro de 1996. como passatempo propõe-se ao caro leitor desta revista que as identifique, tal como são apresentadas, em termos de classe de navio. identificação e reconhecimento visual características para id/recce • proa lançada com amuras ligeiramente elevadas • 1 peça de 127mm no castelo, e outra na tolda. • 2 mastros em treliça. • 2 chaminés (a de vante a bb, e a de ré a eb) • superestruturas altas e compactas (tipo caixa) • convés corrido com tombadilho • borda corrida • popa em painel. informação geral/características país: usa • tipo: cg • desloc. máximo: 9590 tons(cg 47-48); 9466 • desloc. standard: 7015 tons • compr. de fora a fo-ra 172.8 mts • boca: 16.8 • calado máximo 9.5 • propul-são 4 ge lm 2500 gás turbina • autonomia 6000nm a 20 nós • vel. máxima: 30 • unid. no activo: 27 • armamento mís-seis: ssm tomahawk (8)harpoon • sam standard 68 (cg 47-51 ) / asroc honeywell 20 • artilharia: 2x127mm mk 45 / 2x20mm vulcan phalanx / 4x12.7mm mgs torpedos: (6)mk 46 mod 5 (no futuro é o mk 50) • atw’s • sensores • radares:aviso aéreo an/spy 1b an/sps 49(v)7v • aviso aéreo: an/sps 45 • aviso de superfície isc cardion sps 55 • navegação: an/sps 64 / iff mk xii aims upx-29 • controlo de fogo: an/spy 1b / an/spq 9a / 4xan/spg 62 • sonares : an/sqs 53 a/b (cg 47-55) / sqq 89(v)3 (cg56) • sqs 53b (cg 56-67) / sqs 53c (cg 68-3) sqr19 - ta • meios orgânicos: • helicópteros: 2- sh-2(lamps i) cg 47&amp;48 / 2-sh-60b(lamps iii) »cg 49. ticonderoga class (aegis) cg passatempo imagem 5 imagem 6 imagem 7 imagem 8 imagens nº 1- brandenburg class – type 123 nº 2- arleigh burke class nº 3- karel doorman class nº 4- duke class – type 23 soluções ticonderoga class (aegis) cg</Page><Page Number="213">evista da armada • junho 99 31 xix campeonato das forças armadas de futebol de 5 xix campeonato das forças armadas de futebol de 5 disputou-se de 26 a 30 de abril o 19º campeonato das forças armadas de futebol de 5 que decorreu em beja na base aérea nº 11. organizado pela fap, contou com a presença dos três ramos das fa e das forças de segurança. o campeonato foi em termos técnicos muito bem disputado, acabando a vitória absoluta por sorrir à delegação da marinha, que conquistou o troféu da cefdm (comissão de educa-ção física e desporto militar) em disputa. as classificações por escalões foram as seguintes: i escalão 1º psp 2º gnr 3º marinha ii escalão 1º marinha 2º exército 3º psp desporto colégio mi l i tar concurso de admissão para o ano lectivo 99/00 2º ciclo do ensino básico (5º e 6º anos) 3º ciclo do ensino básico (7º ano) condições gerais de admissão são condições gerais de admissão, o ser cidadão português, possuir condições físicas e psicotécnicas e os conhecimentos literários indispensáveis à frequência do estabelecimento de ensino, comprovados em provas do concurso de admissão. ao 5º ano ter menos de 12 anos de idade até 31 dez99 aprovação no 1º ciclo do ensino básico ao 6º ano ter menos de 13 anos de idade até 31dez99 aprovação no 5º ano com frequência de inglês ao 7º ano ter menos de 14 anos de idade até 31dez99 aprovação no 2º ciclo do ensino básico com frequência de inglês período de inscrição o período de inscrição (documental) dos candidatos decorre de 24mai a 25jun99. a título excepcional, pode o ceme autorizar a admissão a qualquer ano do ensino básico e secundário. torneio da primavera de judo da marinha torneio da primavera de judo da marinha realizou-se mais um torneio de judo, desta feita a edição da primavera, que em 6 de maio reuniu no tatami do cefa 17 judocas . os vencedores nas diferentes categorias foram os seguintes: menos de 66 kg 1º 1 mar a figueiredo - cefa 2º sold pinto - gnr* menos de 73 kg 1º saj adriano - faangola* 2ª 2ten silvano - da 3º 1mar tfd pereira - cefa menos de 81 kg 1º s/chefe correia - psp* 2º 1mar amartins - cefa 3º 1mar aquintiliano - cefa mais de 81 kg 1º 1mar fz conceição - bf 2º 2sar fernandes - gnr* 3º 1 mar aduarte - cefa *alunos a frequentar o curso de mo-nitores de educação física do cefa travessia a nado do rio coina travessia a nado do rio coina em 10 de maio, 85 nadado-res lançaram-se à água na mar-gem esquerda do rio coina, pa-ra efectuarem a tradicional pro-va da sua travessia, chegando 400 mts depois à ponte cais da escola de fuzileiros. a presente prova, organizada pelo coman-do do corpo de fuzileiros, re-gistou este ano um feito inédito, nada mais nada menos, do que a vitória individual no i escalão, no meio de bons nadadores dos fuzileiros, da cadete da escola naval sofia isabel miranda! a escola naval em maré alta de resultados arrecadou também o troféu por equipas, o que de certa maneira não surpreende em virtude dos bons resultados conseguidos nos últimos anos nos campeonatos da marinha e forças armadas. os vencedores por escalões foram então os seguintes: i escalão cad sofia miranda - en ii escalão 1sar cm dias - cefa iii escalão 1sar fz oliveira - cefa cad sofia miranda.</Page><Page Number="214">etalhos da vida de um marujo vossemecê 32 junho 99 • revista da armada p restei serviço na defesa marítima de sto. antónio do zai re (sazai re) , hoje o soio, em angola, claro, no período compreendido entre 1964 e 1967. nesse espaço de tempo, algumas histórias vivi que aju-daram na feitura do meu carácter em formação. proponho hoje, contar-vos uma, que por ter origem na personalidade instintiva, desse então jovem marinheiro, marcou fundo e de algum modo a minha formação. o meu local de trabalho era no centro de comuni-cações (c.c. ) , que fun-cionava 24 horas por dia. quando o serviço o permi-tia, no horário das 24.00 às 06.00 horas, permane-cia no c.c. apenas um operador. numa madruga-da, por vol ta das 02.00 horas, o narrador do epi-sódio estava só no c.c. quando o telefone da linha civil tocou, (havia mais 2 linhas: comando e exér-ci to) . do out ro lado da l inha veio uma inter ro-gação: - “ouve lá pá, a que horas sai a lancha de abastecimento?” – note-se que havia uma ldm (lancha de desembarque média), que fazia abastecimento dos “fuzos” nos postos do rio zaire, às terças e quintas feiras, numa exten-são de cerca de cem quiló-metros entre sazaire e nó-qui. era o único transporte regular, pelo que, o exér-cito tal como a administração civil usavam-na com frequência. perante a fraseologia usada na comunicação, vinda de uma linha civil, o operador considerou-se amesquinhado, respondendo: “ó pá, como os movimentos são confidenciais não se informam pelo telefone”. – vozeirão do lado oposto: - “ouve lá pá, daqui fala o administrador. exijo respeito e a informação”. – “ouve lá pá, daqui fala o operador de serviço, só forneço a informação ao sr. administrador pes-soalmente”. alguns minutos depois, o sr. administrador batia à porta do c.c. (morava a cerca de 500 metros). tratando na cir-cunstância o operador com toda a correcção, do mesmo modo foi tratado. ma s o s r . admi n i s t r ado r pa r t i c i pou po r e s c r i t o ao comando, sobre a comunicação ao telefone. o autor destas linhas começou por ser chamado ao oficial chefe do c.c., a quem deu as informações da ocorrência. alguns dias depois foi chamado ao chefe do estado maior, que co-meçou por ler a participação recebida. nesta constava que o sr. administrador tinha tratado familiarmente o operador, e este o tratara por tu, como um igual. relatei então ao sr. comandante, em palavras reais o nível da comunicação, acrescentando que a minha reacção fora f ru t o de uma r evo l t a instintiva, pela forma, a meu ver amesquinhante, como tinha sido interpe-l ado . pa r a a l ém d i s so , ninguém podia garantir ao sr. administrador que o a t endedor do t e l e f one fosse uma praça. o sr. comandante orde-nou-me tacto e muita pru-dência . ficou em tomar uma decisão sobre o as-sunto. e tomou: a secre-taria do comando enviou um ofício para o sr. ad-ministrador: - “exmo. sr. administrador. excelência. ref. vosso ofício ... este comando tomou as medi-das adequadas às circuns-tâncias e dentro da tradição e disciplina da marinha. informamos v. exa. que o tratamento da classe de pra-ças na marinha é de vos-semecê, vulgo você ....”. menos de um ano após este incidente, chegou ao fim a minha comissão. o comando entendeu que o meu desempenho profissional e moral ao longo da comissão fora digno de apreço. atribuindo-me louvor. – um trecho do articulado desse louvor rezava assim . . . “valorizado pelo carácter desassombrado e despido de subserviências que empresta às suas relações com os superiores...”. ter servido a armada sobre as ordens de homens com este perfil de carácter: exigentes com a disciplina e a for-mação, simultaneamente defensores da personalidade e dig-nidade dos seus subordinados, foi determinante na moldura do meu carácter. felizmente para mim, a esmagadora maioria dos oficiais sob as ordens de quem prestei serviço, não apreciavam os subservientes, vulgo engraxadores. geraldo lourenço c/se ref. retalhos da vida de um marujo vossemecê</Page><Page Number="215">evista da armada • junho 99 33 palavras cruzadas (problema nº 309) quarto de folga horizontais: 1 – pirobologia. 2 – irada; morre. 3 – rim; ror; ana. 4 – azar; adir. 5 – tal; mal; aor. 6 – ar; casia; sa. 7 – aoristo. 8 – irar; iseu. 9 – oal; ano; air. 10 – cu; alara; ra. 11 – aletologias. verticais: 1 – piratapioca. 2 – irizar; raul. 3 – ramal; aal. 4 – od; cor; at. 5 – bar; mar; alo. 6 – ocasional. 7 – ler; lis; oro. 8 – or; ati; ag. 9 – grada; osa. 10 – ionios; eira. 11 – amarraduras. soluções palavras cruzadas nº 308 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 palavras cruzadas horizontais: 1 – planta asterácea, espécie de cardo; antes de cristo. 2 – grande lago salgado da ásia; povo de angola. 3 – cabelo branco (arcaico); jogo desportivo; antiga cidade da caldeia. 4 – indígena da guiana brasileira; que está em uso. 5 – planta da família das asteráceas; atrás. 6 – pronome indef. femini-no; lutai. 7 – a voz passiva dos verbos; apelido de um célebre escritor português. 8 – estás; separaras. 9 – símb. quím. da prata; de rodes. 10 – pássaro conirrostro, cujo canto é agradável. 11 – vias aquáticas traçadas e cavadas pelos homens; cheiro agradável. verticais: 1 – planta trepadeira papilionácea, cuja raíz é comestível (bras. e pl). 2 – grandes araras pretas; utensílio domés-tico. 3 – família de mamíferos carnívoros que compreende os cães, os lobos, etc.; rio de frança. 4 – metade de olga; símb. quím. do néon; bandeira. 5 – satisfazeis uma dívida; pron. pessoal. 6 – ninfa que foi metamorfeseada em rochedo, por juno; ergues a prumo, como uma árvore. 7 – rio da ásia que separa a manchúria da coreia; elevação de temperatura de um corpo. 8 – inscreve nos livros de assentamentos (ant); terreiro descoberto em frente e , às vezes, em volta da igreja. 9 – mulher provocante (ant. e inv.). 10 – vá em socorro; coaxo na barafunda. 11 – reunião de pessoas que cantam juntas (pl); art. def. pl; letra grega (inv). carmo pinto 1ten ots joguemos o bridge joguemos o bridge (solução no próximo número) para variar um pouco vamos passar a apresentar alguns problemas a 4 mãos, para que possa procurar com mais facilidade a linha de jogo e técnica de carteio mais ade-quadas. vejamos o leilão, sendo n o dador com n/s vulneráveis o leilão é clássico e ambos definiram as suas mãos, mostrando s 11/12 pontos e uma distribuição 4 -3-3-3 com defesa em e . n marcou naturalmente 4 face ao teor do seu apoio e valor de corte a . saída de w a d. como deve jogar s para cumprir este con-trato que é imperdível contra qualquer saída. (problema nº 11) efectivamente o v é carta seca, pelo que w tem 4 trunfos de 10 fazendo sempre um, e r está também mal colocado em w. a solução está em deixar fazer v, ficar em mão em / con-forme e atacar, cortar uma , vir à mão e cortar a última e voltar à mão para destrunfar w, ficando o morto bom só com o naipe fechado de . soluções problema nº 10 1 2 4 norte (n): – – – oeste (o): – – – este (e): 1 2 st – sul (s): 10 4 d 10 7 3 r 8 6 d v 8 3 oeste (o): 7 6 5 a v 9 5 d 9 7 9 7 4 este (e): r d v 2 8 4 a 10 5 3 a 6 5 norte (n): a 9 8 3 r 6 2 v 4 2 r 10 2 sul (s): nunes marques calm an</Page><Page Number="216">4 junho 99 • revista da armada notícias pessoais comandos e cargos nomeações cmg fz vasco manuel teixeira da cunha brazão - co-mandante do corpo de fuzileiros, em substituição do cmg fz josé luís pereira de almeida viegas cfr fz josé antónio de oliveira rocha e abreu- comandante do batalhão de fuzileiros nº 1, em substituição do cfr fz guilherme marçal neves veríssimo cfr francisco josé trabucho caeiro, para o cargo national deputy, junto da nato sea sparrow consortion em washington eua, em substituição do cfr josé antónio de oliveira viegas cten an nuno manuel nunes neves agostinho chefe do serviço administrativo e financeiro do departamento do sul cten antónio joaquim ribeiro ezequiel - comandante do n.r.p. “baptista de andrade, em su-bstituição do cten joaquim alves barroca 1ten armando pereira da costa valente tinoco - comandante do n.r.p. “cu-nene”. exonerações 1ten armando pereira da costa valente tinoco, exonerado do cargo de comandante do n.r.p. “cacine” reserva cmg res tito joão abrantes serras simões cmg res pedro miguel peixoto correia do amaral cten res germano elviro porto neves cten res manuel luís matos cristóvão 1ten res justino costa marinho sch res mário barata sch res josé do nascimento antunes saj res francisco josé bernardino saj res antónio da rocha coelho saj res aníbal joaquim 1sar res manuel prates marques 1sar res josé maria santas noites 1sar res victor lourenço marques 1sar res júlio josé reis xavier machado 1sar res josé luís melo pinheiro 1sar res antónio luís de oliveira gonçalves cab res joão florindo simões franco cab res amadeu artur silveira da costa de abreu melim. reforma cmg ref joão de deus pires carocho cten ref manuel maria de carvalho diogo 2ten ref mário joão cordeiro pinhão sch ref antónio martins correia saj ref joão francisco horta 1sar ref antónio miguel dos santos 1sar ref antónio de são joão cab ref joão manteigas carrilho caldeira cab ref mário correia martins. 1ten sg ref ernesto ferreira pires saj se ref luís malva craveiro cab e ref césar joão botelho de matos cab t ref antónio faria cortiço cab a ref adolfo vicente seabra 1mar tfd ref fernando teixeira. falecimentos saibam todos informa-se os beneficiários da adma que a repartição de recrutamento e selecção da dsp (alcântara) pode fornecer apoio aos jovens na área de orientação escolar e profissional. informação mais detalhada sobre o assunto pode ser obtida no gabinete de apoio ao beneficiário da direcção de apoio social (telefones pt 3420734 / rtpm 4835), através do qual deverão ser marcados os testes. notícias tó neto e oceania temporada no planetário tudo leva a crer que um álbum marcado por preocupações ecológicas, próximo da sonoridade vulgarmente apelidada de new age, “planetário” de seu nome, deva ser apresentado no planetário de lisboa. e, na verdade, foi assim que aconteceu “planetário”, o novo álbum de tó neto, um dos pioneiros da música electrónica em portugal, foi apresentado pela primeira vez ao vivo, no passado dia 13 de maio. tratou-se do primeiro espectáculo, um ponto de partida, para uma viagem que só terminará a 30 de junho, o que perfaz quarenta e três concertos, todos no planetário de lisboa. em órbita com tó neto (teclados) vão estar cristina feu e richard palma (vozes), alexandre santos (percussões) e wellington (guitarra). os concertos decorrem entre 13 de maio e 30 de junho, diariamente, excluindo segundas-feiras. as receitas de dois dos vinte espectáculos revertem a favor das crianças angolanas vítimas da guerra. convívio vai realizar-se no próximo dia 3 de julho pelas 13.00 horas no salão paroquial dos castelos, em ourém, o 4º almoço-con-vívio da família marinheira do concelho. contamos com a presença de todos e respectivos familiares. para mais informações contactar: • 1sar cmantónio reis; telef. 049/43060; telm. 0931 9090285 • cab l antónio freitas; telm. 0931 9526470</Page><Page Number="217">atrimónio cultural da marinha peças para recordar património cultural da marinha do padre fernando oliveira oliveira, fernando – arte da guerra do mar novamente escrita por fernando oliueyra &amp; dirigida ao muyto manifico senhor , o senhor don nuno da cunha capitão das galees do muyto poderoso rey de portugal don johão o terceyro. vista &amp; amitida pellos senhores deputados da sancta inquisiçam. coimbra, per johão aluerez, 1555. [4], 9-80f., 4º (19 cm) grande gramático e notável escritor de marinha português, o padre fernando oliveira nasceu em aveiro em 1507, desconhecendo-se, no entanto, a data da sua morte. aos 13 anos, encontra-se em évora no convento da ordem de s. domingos, tendo ali recebido lições de andré de resende, a quem possivelmente deve a sua formação humanística. aos 25 anos, parte para castela e quando regressa a portugal passa a ensi-nar em lisboa. teve sempre uma vida agitada e repleta de peripécias, prestando também serviço na armada francesa, onde terá adquirido conhecimentos náuticos que lhe per-mitiram escrever as suas obras de cariz naval. feito prisioneiro pelos ingleses, passou a viver em inglaterra, vindo a conseguir , até mesmo junto do rei henrique viii, assinalado prestígio. o padre fernando oliveira merece ser considerado como um dos maiores vultos por-tugueses quinhentistas e um fecundo autor de escritos náuticos, de que sobressai a “arte da guerra do mar” que justamente mais o celebrizou. a biblioteca central da marinha tem o grato privilégio de contar no seu acervo com a 1ª edição desta obra que é o mais antigo tratado impresso sobre a arte da guerra no mar . o texto compreende 30 capítulos e está dividido em duas partes: a primeira, no dizer do próprio autor , trata da “intenção e apercebimento” da guerra do mar , abordan-do matérias que hoje em dia se consideram inseridas no âmbito da estratégia, da organização e da política; a segunda, abrangendo os 15 capítulos finais, trata das “frotas armadas, das batalhas marítimas e seus ardis”, ou seja, desenvolve conceitos que em lin-guagem actual se enquadram no campo da táctica e da náutica. passados mais de quatro séculos da sua impressão, esta obra do padre fernando oliveira é de grande proveito para os que se interessam pelas ciências militares navais, tendo já sido objecto de estudos de, entre outros, lopes de mendonça, quirino da fonseca e botelho de sousa. impresso em caracteres góticos no texto e romanos nas peças preliminares, o exem-plar existente nesta biblioteca está em bom estado de conservação. foi seu impressor joão álvares, português com grande produção, principalmente em coimbra e ao serviço da respectiva universidade. além deste exemplar só se sabe da existência de outro na biblioteca nacional de lisboa. além desta obra, o padre fernando oliveira escreveu entre outras: gramática de linguagem portuguesa (a qual é a primeira que no nosso idioma se publicou), e dois importantes tratados de arquitectura naval: ars nautica (manuscrito da biblioteca de leiden) e o livro da fábrica das naus (texto publicado em 1898 por henrique lopes de mendonça e posteriormente pela academia de marinha em 1991). 6. l ivro “arte da guerra do mar” biblioteca central de marinha – cota: r da 210/nº 1275 (texto de luís joel pascoal – c/almirante)</Page><Page Number="218">. l ivro “arte da guerra do mar” património cultural da marinha peças para recordar património cultural da marinha</Page><Page Number="219">ulho 99 • mensal • 24000 publicação oficial da marinha • nº 322 • ano xxix publicação oficial da marinha • nº 322 • ano xxix julho 99 • mensal • 24000</Page><Page Number="220"></Page><Page Number="221">ublicação oficial da marinha periodicidade mensal nº 322 • ano xxix julho 1999 director calm emq res luís augusto roque martins chefe de redacção cfr ref jorge manuel patrício gorjão redacção 2ten tsn ana alexandra gago de brito secretário de redacção 1sarg t vitor manuel gaspar lopes colaboradores permanentes cmg ref raúl de sousa machado cten fz luís jorge r. semedo de matos cten abel ivo de melo e sousa 1tenref dr. rui m. ramalhoortigãoneves administração, redacção e publicidade edifício da administração central de marinha revista da armada rua do arsenal 1149-001 lisboa - portugal telef: (01) 321 76 50 fax: (01) 347 36 24 endereço da marinha na internet http://www.marinha.pt e-mail da revista da armada revista.armada@mail.marinha.pt fotocomposição, paginação electrónica, fotolito, montagem e produção página ímpar, lda. estrada de benfica, 317 - 1º f 1500-074 lisboa tiragem média mensal: 6000 exemplares preço de venda avulso: 24000 registada na dgi em 6/4/73 com o nº 44/23 depósito legal nº 55737/92 issn 0870-9343 revista da armada • julho 99 3 sumário autores: 1ten dias correia 1ten santos pereira (damag) os últimos navios do império 4 ponto ao meio dia 5 lições militares do conflito no kosovo 6 uma ilha grega chamada santorini 14 a marinha joanina 16 escola naval 20 carta do cema 21 notícias 22 navios estrangeiros 24 convívios 26 desporto 28 cirev 30 o treino do leão 31 bibliografia 32 quarto de folga 33 notícias pessoais/saibam todos 34 património cultural da marinha contracapa anunciantes: bta – banco totta &amp; açores; clínica santa madalena; eid –empresa de investigação e desenvolvimento de electrónica, s.a.; galp; ogfe – oficinas gerais de fardamento e equipamento; policlínica vale fetal; mw, ldª consultório dentário. a criação do terço da armada da coroa de portugal em 1621. 1 0 a reestruturação da marinha conduziu à necessidade do reordenamento das instalações navais de alcântara, exigindo a transferência da direcção do serviço de pessoal com optimização de recursos humanos.  7 os anos 90 colocaram novos requisitos à gestão superior da marinha que sentiu necessidade de um sistema integrado de informação na marinha. foi esta nova dimensão que propiciou e obrigou à reestruturação e expansão da infra-estrutura de comunicação de dados. 1 7 foi há 207 anos o lançamento da primeira pedra do edifício génese da acção social em apoio da família militar, actualmente o instituto de acção social das forças armadas. 1 2 julho 99 • mensal • 24000 publicação oficial da marinha • nº 322 • ano xxix publicação oficial da marinha • nº 322 • ano xxix julho 99 • mensal • 24000</Page><Page Number="222">ancha canhoneira “sabre” 1891 - 1908 sempre na província de moçambique comissões principais construída em inglaterra no ano de 1891 casco de aço deslocamento: 53 toneladas armamento: uma peça revólver h37mm/20 e uma metralhadora maxim de 8mm características os últimos navios do império os últimos navios do império pintura do arquitecto telmo gomes nota: foi construída para navegar no lago niassa, onde nunca chegou a actuar.</Page><Page Number="223">evista da armada • julho 99 5 a autoridade marítima, aqui assu-mida como autoridade admi-nistrativa com um quadro de atribuições assente numa trilogia de poderes que lhe são conferidos - de disci-plina e segurança da navegação, de repar-tição marítima e de polícia e polícia crimi-nal -, configura, ainda hoje, a peculiar visão portuguesa de exercício do poder público nas áreas de jurisdição marítima, visão esta que tem conseguido manter um coerente núcleo preponderante da sua acção. numa altura em que se discutem opções políticas e orgânico-funcionais para o eventual reajustamento do exercí-cio do poder do estado nas áreas do desi-gnado domínio público marítimo e águas sob soberania e jurisdição marítima nacionais, constata-se que portugal tem, sem dúvida, o mais antigo modelo con-solidado, nascido na sua antiquíssima tradição marítimo-naval e aperfeiçoado com a experiência que resultou da sua projecção ultramarina e, também, da adopção de modelos oitocentistas de origem francesa. o presente sistema de autoridade marítima, cujo suporte legal ainda se encontra no decreto-lei nº 300/84, re-sulta de experimentada prática e profun-da raiz cultural. a sua génese remota situa-se nas figuras do patrão-mor (séc. xvi), do inspector do arsenal de marinha (séc. xviii), do intendente da marinha (séc. xix) e do capitão do porto (início do séc. xix), tendo a configuração sistémica do exercício desta autoridade sido uni-formizada e contextualizada com a cria-ção da direcção-geral dos serviços de fo-mento marítimo em 1969. se observarmos as preocupações surgi-das a partir dos anos 70 em matéria da salvaguarda da vida humana no mar, da protecção do meio marinho e preservação dos seus recursos, bem como toda a cres-cente institucionalização, na comunidade internacional, de organizações especiali-zadas no tratamento dos assuntos rela-cionados com a res marítima, ou os convé-nios internacionais ratificados, e bem as-sim todo o conjunto de obrigações legais uniformizadoras assumidas pelo estado português no conselho europeu, cons-tata-se que, neste passado recente, ocor-reram alterações às prioridades até então estabelecidas, sobretudo nas áreas do ambiente e da segurança marítima em geral. assinaram-se memorandos, regionais e universais, visando precaver o fenómeno da navegação sub-standard, ratificaram- -se convénios e conciliaram-se esforços para prevenir a ocorrência de desastres ambientais com reflexo no meio marinho e, em termos estruturais, procuraram ten-tativamente definir-se enquadramentos para uma utilização optimizada dos recur-sos, particularmente dos meios navais e de polícia, nas áreas marítimas sob jurisdi-ção nacional. este é, aliás, um dos ele-mentos-base presentes na discussão teóri-ca sobre esta temática, quer devido à res-truturação evolutiva de polícias com tra-dições essencialmente aduaneiro-fiscais, quer devido aos emergentes critérios que advogam a utilização polivalente de unidades navais em âmbito do designado sea law enforcement, o qual se entende co-mo o fazer cumprir as leis e regulamentos marítimos nas áreas de jurisdição nacional. com efeito, e tomando em conside-ração os novos conceitos, integrados e globais, de ameaça com que os países com vastas costas marítimas se deparam, os quais surgem notoriamente conotados com fenómenos de segurança interna – entre outros, o tráfico de estupefacientes, as migrações clandestinas, a ocorrência de poluição marítima, a predação de recursos pis-cícolas e as passagens de navios consideradas como não inofensivas -, afigura-se conve-niente, aliás como vem sendo defendido, sublinhar a necessidade de reencontrar definitivamente um ordenamento con-ceptual para a acção da marinha no mar, e bem assim das polícias que tendencial-mente vêm afirmando a sua acção em áreas marítimas de jurisdição nacional, consolidando-se, em quadro legal actual e apropriado, a tomada de medidas ade-quadas. a intervenção de vários agentes em sede de jurisdição nacional vem-se cons-tituindo no entanto foco de diversas (e por vezes dúbias) interpretações, por-quanto se vem confundindo o exercício da autoridade marítima com o conjunto dos agentes de estado com prerrogativas de vigilância e fiscalização, bem como se vêm frequentemente identificando estes com o exercício fundamentado de poderes de polícia. para além das disfunções e do desconforto que propicia, tal perturbação de conceitos poderá não só ocasionar o desordenamento do exercício do poder do estado no mar, como também poten-ciar a ocorrência de actuação insuficiente-mente fundamentada por parte dos seus agentes fiscalizadores, suscitando indese-jáveis questões administrativas de nuli-dades de acção ou gravosas questões cíveis indemnizatórias decorrentes de acção indevida. institucionalmente a autoridade maríti-ma está sediada no capitão do porto. é esta a entidade a quem está directamente cometido o conjunto de poderes (a trilogia supra referida) que revela, claramente, a opção desconcentrada (local) do exercício daquela autoridade - independentemente da linha hierárquica em que se situa -, muito embora, paralelamente, coexista uma diversidade de agentes de estado que executam tarefas de vigilância ou fis-calização, quer seja na vertente das mis-sões de interesse público, quer em termos de acções de polícia especializada em razão da matéria. afigura-se, de sobremaneira, que o interesse nacional exige que se clari-fiquem e definam políticas de actuação para o exercício do(s) poder(es) de estado no mar, privilegiando a adopção do princípio da optimização de recursos como o mais adequado a um estado com a di-mensão de portugal. temos a cultura, a tradição, a experiência e, ainda, o saber que nos possibilita adoptar um modelo próprio e consentâneo com o nosso interes-se público - tomado em âmbito genérico de segurança interna e de defesa nacional -, sem cair na tentação simplista de, por fundamentação exclusivamente tecnicista ou justificação meramente conjuntural, se buscarem as soluções do problema em importação de figurinos, eventualmente desajustados a uma consistente opção de fundo que, inequivocamente, sirva um país como o nosso, detentor da segunda maior zee de toda a europa. celestino da silva valm ponto ao meio-dia o exercício da autoridade marítima o exercício da autoridade marítima</Page><Page Number="224">ições militares do conflito no kosovo 6 julho 99 • revista da armada a nato a l cançou uma v i tór i a militar previsível por processos que contrariam o pensamento e a prát ica es t ratégica cláss ica. com efeito, embora as teorias estratégicas cons iderem que o poder aéreo tem uma capacidade limitada para impor soluções militares, a aliança obrigou milosevic a capitular, sem necessidade de arriscar a vida dos seus soldados em combates terrestres. entre os erros militares cometidos na gestão da crise salienta-se, pelo seu primarismo e consequências, o anún-cio prévio e público da exclusão da opção terrestre. esta decisão condicio-nou o p l aneamen t o ope r ac i ona l e obr igou a adoptar táct icas que não impediram a limpeza étnica realizada pelas forças sérvias no kosovo; para além disso, implicaram a adopção de uma modal idade de emprego incre-mentalista da força militar, inadequada à célere capitulação de milosevic, por insuf iciência de meios aéreos. com e f e i t o , a 24 de ma r ço só e s t avam disponíveis 400 aviões, quando a reali-dade mostrou serem necessários cerca de 1000. as tácticas adoptadas tiraram especial par t ido da tecnologia e de capacidades do poder aéreo: imagens satél i te des t inadas a ident i f icar em tempo útil as características físicas e funcionais das forças adversárias; sis-temas de armas de grande precisão, nomeadamente mísseis de cruzei ro, bomba s gu i ada s a l a s e r e mí s s e i s agm-130 com guiamento vídeo e alta taxa de precisão (99.6%); sofisticados s i s temas de guer ra elect rónica que reduziram substancialmente a eficácia das defesas sérvias; e bombardeiros b1, b2 e b52, apoiados por uma enor-me diversidade de outras aeronaves de ataque, caça, reconhecimento e trans-porte. evidenciamos os bombardeiros b2, que de forma sustentada, em voos sem escala e com a duração de 33 horas, realizados a partir da base de whi teman, no mi ssour i (eua) , ata-caram alvos na sérvia e no kosovo. é um feito sem precedentes na história da aviação militar, que traduz a actual capacidade de projecção de força dos eua e implica a revisão das relações entre o poder aéreo e o poder terrestre. os er ros mi l i tares comet idos não impedem que o sucesso alcançado pela nato tenha profundas reper -cussões na segurança europeia. com efeito, ficou claro que a resolução de questões humanitárias se sobrepõe ao d i r e i t o sobe r ano dos e s t ados exercerem a sua autoridade no seu ter-ritório e sem a interferência de outros poderes. de igual modo, tornou-se evi-dente o papel militar interveniente da nato numa europa cuja segurança é desafiada por problemas humanitários, pela proliferação de armamentos, por disputas terr i tor iais, por terror ismo, pelo tráfico de droga, pela exploração abusiva de recursos e por problemas ambientai s . relat ivamente à rúss ia impor ta evidenciar que as relações com a nato se manterão com grande prioridade, em virtude daquele país ter consolidado a sua posição como par-ceiro estratégico indispensável. para esse efeito desempenhou um papel de mediador compatível com o orgulho estratégico dos actuais responsáveis políticos, aceitou a posição determina-da da nato, e co l aborou na pe r -suasão e na capitulação de milosevic. tem-se assist ido a um entusiasmo excessivo nas análises ao sucesso mili-tar alcançado pela nato no kosovo. a prudência e experiências anteriores recomendam que não se tome como vá l i da a pos s i b i l i dade de vence r f u t u r a s gue r r a s s em ba i xa s , com reduzido apoio da opinião públ ica interna, e tirando partido da tecnologia e de capacidades do poder aéreo. a forma como milosevic capitulou não se verificou no passado e também não será o modelo do futuro, porque os adversários, os objectivos, os meios, a geografia e o tempo serão diferentes e condicionarão a manobra militar. em estratégia não há soluções únicas nem def ini t ivamente melhores. tudo de-pende do contexto. por isso, se nos balcãs os aliados não admitiram baixas e apenas ut i l izaram o poder aéreo, outras situações haverá, ligadas à defe-sa dos seus interesses vitais, que exi-girão o envolvimento directo de todas as capacidades nacionais disponíveis, onde se incluem o sacrifício das suas juventudes e o apoio esclarecido das suas for tes e determinadas opiniões públicas. a inibição de um superior empenhamento por parte de alguns ali-ados, numa crise onde a nato lutou por uma causa ét ica e numa região fora do seu núcleo geo-histórico, não s e r epe t i r á quando f o r nece s s á r i o defender valores civi l izacionai s ou estruturais relacionados com a tradição histórica, a filosofia política ou a con-cepção de v ida dos a l i ados . nes t e âmbito e numa perspectiva puramente militar, levantam-se questões em duas áreas distintas. como aliados nato interrogamo-nos sobre se os eua terão aviões suficientes para empenhar nos dois conf l i tos regionais simul tâneos prev i s tos na sua es t ra t ég i a mi l i t ar ; questionamo-nos igualmente sobre que tipos de meios devem integrar o sis-tema de força da aliança, por forma a fazer face a adversár ios dotados de razoável capacidade de defesa aérea, em regiões onde não seja fácil utilizar bases amigas. como aliados na ue não podemos deixar de revelar preocu-pação pela debilidade da nossa defesa colect iva e da nossa autonomia de decisão face aos eua. são profundas as def iciências de organização, de meios de combate e de meios de con-sul ta, comando, cont rolo, comuni -cações e informações. para solucionar estas deficiências torna-se necessário reforçar os orçamentos de defesa e rever o estatuto de neutralidade de 4 membros da ue. para além disso, será imprescindível desenvolver uma ver-dadeira doutrina estratégica europeia, tarefa possível depois de uma adequa-da evolução da mentalidade naciona-lista dos povos europeus, que permita identificar e consensualizar a um nível muito superior ao actual, os interesses comuns de segurança. antónio silva ribeiro cfr lições militares do conflito no kosovo</Page><Page Number="225">dsp nas instalações navais de alcântara revista da armada • julho 99 7 o corpo de marinheiros e o quartel de alcântara o corpo de infantaria da marinha, denominado por batalhão naval, alojava em 1845 no velho quartel de alcântara, localizado na praça do mesmo nome, em lisboa, com espaços exíguos, degradados, húmidos, insalubres, desprovidos de comodidades, sem arranjos para aparelhar, instruir e armar os marinheiros que guarneciam os navios de guerra e pouco propícios à salvaguarda da saúde dos militares que inte-gravam aquela unidade da marinha. perante esta situação, o con-selheiro josé falcão, ministro e secretário do estado dos negó-cios da marinha e ultramar, in-cumbiu o ilustre arquitecto josé da costa sequeira, professor da academia das belas artes, de inspeccionar o local onde esta-va instalado um aquartelamento de cavalaria, estudar as possibi-lidades de ali ser construído um bom edi f ício apropr iado ao referido corpo e elaborar o seu projecto em conformidade com os programas e as recomen-dações do comandante do ba-talhão naval. assim nasceu o quartel de alcântara, cujas obras decorre-ram entre junho de 1845 e maio de 1863. no remoto de 1851 foi pro-mulgado um diploma ditando que os oficiais, marinheiros e operários das guarnições dos navios militares nacionais consti-tuíam um corpo permanente com a designação inicial de corpo de marinheiros militares e posterior-mente alterada para corpo de marinheiros da armada real ou simplesmente corpo de mari-nheiros. esta unidade de marinha, cujo primeiro comandante foi o cmg francisco soares franco, esteve instalado na fragata “d. fernando ii e glória”, na nau “vasco da gama” e transferida para o quartel de alcântara em 1857. o corpo de marinheiros esteve suspenso entre setembro de 1924 e maio de 1934, tendo então sido activado no alfeite como unidade militar e centro orgânico dos sargentos e praças do activo. as vantagens de colocar todas as tarefas associadas à gestão dos militares num único organismo conduziu à criação, em 1961, da direcção do serviço de pessoal (dsp) e respectivas repartições de oficiais, de sargentos e praças, de reservas e reformados. assim aconteceu a extinção do corpo de marinheiros da armada. o reordenamento das ina a reestruturação da marinha iniciada nos primeiros anos da década actual com promulgação da respectiva lei orgânica (lomar) conduziu à necessidade de reafectar as instalações navais de alcântara (ina). ao grupo de trabalho para o reordenamento das ina, cria-do por despacho do alm cema, de 6jan94, foi cometida a tarefa de definir os requisitos a que deveria obedecer o plano director daquela infraestrutura, bem como determinar os requi-sitos básicos inerentes à reuti-lização das áreas, através da qual se pretendia consegui r uma concentração de órgãos e serviços que permitissem racio-nalizar os recursos humanos e materiais. o relatório conclusivo, com as hipóteses assumidas cingidas à t rans ferência do arquivo geral da marinha e do depó-sito de medicamentos e apó-sitos para locais exteriores às ina e à instalação de todos os componentes orgânicos da dsp nas ina, foi apresentado em jul96, em simultâneo com um estudo elaborado pelo estado- -maior da armada, o qual con-templava a calendarização das acções a desenvolver, a progra-mação financeira e a avaliação dos recursos humanos a econo-mizar. o alm cema, em ago96, aprovou o plano de ocupação dos espaços preconizado no citado relatório, a sequência e o calendário das acções com o objectivo prioritário de con-clusão da transferência da dsp para as ina até ao final de 1998. importa transcrever duas conclusões do aludido relatório: “será possível prever uma redução dos recursos humanos da dsp para um quantitativo que globalmente se situará na casa dos 240 elementos, o que significa uma redução de cerca de uma centena de elementos”. “deverá ser iniciado, logo que possível, o estudo da reestru-turação da dsp, tendo em vista a obtenção de uma maior rapi-dez no processo de integração e racionalização dos seus serviços”. o projecto de reordenamento da dsp exigiu a transferência do ex-arquivo geral da marinha para as instalações do ex-fábrica nacional de cordoaria e contempla a mudança do a dsp nas instalações navais de alcântara porta de armas das i.n.a.</Page><Page Number="226">epósito de medicamentos para o edifício da ex-fnc nas barrocas, alfeite. as obras nas ina, de significativa dimensão e com um custo total aproximado de um milhão de contos, envolveram os seguintes trabalhos: a dsp e as repartições o estudo integralmente desenvolvido na marinha, denominado de “contributos para o planeamento de forças da marinha”, con-cluído em 1996, contém as grandes linhas de política naval desti-nadas a garantir o funcionamento da marinha em regime de adap-tação e transição para um modelo a alcançar em 2010. o reordenamento da dsp, pela concentração em alcântara de todos os órgãos e serviços da sua estrutura orgânica, insere-se na reestruturação da componente fixa da marinha contida naquele estudo. a prática quotidiana de execução do determinado sobre as com-petências e organização do ssp proporcionou não só uma reflexão e uma análise sobre a adequabilidade do normativo consagrado no decreto regulamentar nº 22/94, 1set, mas também uma per-manente preocupação de aplicar com racionalidade os recursos disponíveis e a constante procura de aperfeiçoamento que poten-ciem maior eficácia de funcionamento e melhor entrosamento entre os diversos organismos daquele órgão central de adminis-tração e direcção. 8 julho 99 • revista da armada coberturas substituição de 3700 m2 de telhado com estrutura em betão armado, 1628 m2 ficaram preparados para arquivo. a nova messe de oficiais a nova messe de oficiais e a criação e apetrechamento de uma zona de lazer para sargentos e salas de refeição para sargentos e praças. alojamentos a capacidade de alojamento das ina passou de 150 para 500 militares. comando da uaina beneficiação e adaptação das actuais instalações para o aumen-to de população e serviços da unidade, incluindo a ampliação do centro de mensagens, ampliação beneficiação e apetrechamento da zona de estar das praças, criação de um espaço para carpin-taria e beneficiação das restantes oficinas de apoio. direcção do serviço do pessoal, secretaria central e repartições beneficiação e compartimentação de 4000 m2, tendo sido recuperados os soalhos existentes e pavimentadas todas as restantes situações, substituição de todas as janelas do edifício, substituição de toda a rede eléctrica e de telefones, incluindo a central telefónica, instalação de sistema de detecção de incêndios e de uma rede informática em fibra óptica e ainda apetrechamen-to em mobiliário e equipamento informático. transferência do arquivo geral de marinha beneficiação e criação de condições ambientais na nave central nascente do edifício da ex-fnc na junqueira, com substituição de janelas, reparação do telhado e instalação de um forro para diminuir as variações de temperatura, instalação de rede eléctrica e de telefones e de sistemas de condicionamento de ar e desumi-dificação, sistemas de detecção e parcialmente de extinção automática de incêndios, numa área de 2100 m2. d.s.p. - secção de efectivos e carreira naval. d.s.p. - secção de registos. fachada interior das i.n.a. estão agora sediados nas ina, além da respectiva unidade de apoio, a dsp e repartições (oficiais; sargentos e praças; reservas e reformados; militarizados e civis; recrutamento e selecção) o arquivo de identificação, a banda da armada, o laboratório de análises fármaco-toxicológicas (laftm), o tribunal de marinha e o tribunal marítimo. considerou-se assim oportuno proceder, em conjugação e em simultâneo com a localização e concentração física da dsp e das suas repartições nas ina, à reestruturação da ssp e à reorganização das estruturas orgânicas da dsp e da direcção do serviço de saúde. as mudanças verificadas na estrutura orgânica da dsp, com funda-mento na perspectiva nacional e integrada das necessidades orgâni-cas das componentes operacional e fixa do sistema de forças da marinha e na preparação atempada e cuidada dos processos de apoio à decisão, visam potenciar maior eficácia de funcionamento e melhor articulação entre os diversos elementos orgânicos respon-sáveis pela execução do recrutamento, selecção, classificação, for-mação, afectação, desenvolvimento de carreiras, registos e mudanças de situação do pessoal militar, civil e militarizado da marinha. a utilização judiciosa e criativa dos recursos disponíveis, a análise das funções e tarefas associadas aos diversos cargos e a administração e utilização criteriosa das tecnologias da informação estão associadas às inovações orgânicas feitas nas cinco repartições da dsp e permitiram nesta fase inicial de funcionamento conjunto uma redução de efectivos aproximada à centena, na globalidade das respectivas lotações. a finalidade das análises toxicológicas relaciona-se com a pesquisa</Page><Page Number="227">evista da armada • julho 99 9 de um químico ingerido voluntariamente pela pessoa com o propósi-to de obter alterações psicoactivas, em regra indutoras de sensações estimuladoras dos sentidos. a análise química reveste particular inte-resse para a organização e para as pessoas que a servem, sendo cor-recto afirmar-se que um laboratório inserido no apoio a programas de dissuasão e referenciação de consumidores deve localizar-se na estru-tura orgânica do órgão responsável pela gestão dos recursos humanos. o laftm passa a funcionar na directa dependência do director do serviço de pessoal, consolidando-se dessa forma uma alteração orga-nizacional que acolhe a missão primária de um laboratório com as características mencionadas. são assim acrescidas às competências do director, a coordenação das actividades de monitorização e de execução dos programas de combate ao consumo abusivo de drogas ilícitos e álcool. ao gabinete de estudos e planeamento, chefiado pelo subdirector da dsp, incumbe a elaboração de estudos, pareceres, planos e pro-postas no âmbito da gestão dos recursos humanos, a manutenção do sistema de classificação ocupacional e a assessoria jurídico-adminis-trativa no âmbito da dsp. o novo campo informático implantado na dsp e repartições é constituído por uma rede local, baseado em dois servidores ligados a um bastidor central e ligado à damag e a seis bastidores departa-mentais através da fibra óptica. duas centenas de utilizadores podem ligar-se à rede em simultâneo, havendo oito dezenas de computadores com possibilidade de emular o sistema central. o programa de recuperação do “velho” quartel de alcântara e o projecto de reordenamento da dsp são partes significativas da políti-ca naval consagrada nos “contributos para o planeamento de forças na marinha”, na versão actualizada em 1998, e contribuirão para o equilíbrio estrutural do orçamento da marinha, o qual é tido como objectivo estratégico a par da modernização da esquadra, da rentabilização dos recursos, da consolidação das missões da marinha no contexto das actividades de interesse público e da moti-vação do pessoal. (colaboração da direcção do serviço de pessoal) fotos de rui salta d.s.p. - secretaria central. d.s.p. - arquivo de identificação geral.</Page><Page Number="228">terço da armada da coroa de portugal a 9 de maio de 1524, uma esquadra holandesa atacava s. salvador da baía, lançando o pânico pelos portugueses que fugiram ou foram aprisionados. a cidade constituía uma pérola portuguesa no brasil e a notícia do acontecimento, chegada a lisboa em 25 de julho, imediatamente foi passada para madrid, onde filipe iv e o seu ministro conde duque de olivares tomaram conhecimento do sucedido, antes do final do mês. a preparação do socorro foi muito rápida e de lisboa, saíram navios que levavam embarcados os soldados do terço da armada e mais um terço de infantes, chamado de terço de socorro. a 28 de abril de 1625 quando portugueses e espanhóis escalavam um dos baluartes da cidade, os holandeses pediram a capitulação. tinha sido este o baptismo de fogo e a primeira grande acção militar desenvolvida pelo terço da armada da coroa de portugal: os soldados que habitualmente guarneciam os navios e que funcionavam como força de desembarque em acções como a retomada de s. salvador da baía. eram os soldados do mar, os marinheiros do fuzil, os combatentes de infantaria que constituíram a base de todas as batalhas travadas no índico, na costa africana e agora na américa do sul. aos actuais fuzileiros cabe-lhes a honra e a responsabilidade inerente à herança que lhes vem directamente destes combatentes das naus do século xvi e xvii. a maioria das guerras travadas além mar, foram-no com tropas embarcadas que participavam nas bata-lhas navais, como os artilheiros ou os restantes marinheiros, aprontando-se para o desembarque quando assim era necessário. mas os fuzileiros podem ainda reclamar como seu um outro legado importante: o facto de que o terço da armada da coroa de portugal foi a primeira unidade organizada com carácter permanente em portugal. este facto era, aliás, conhecido de todos nós e já, por várias vezes, tinha sido tratado nas páginas da nossa revista. contudo, este acontecimento indesmentível está associado a um pequeno erro histórico que importa corrigir. trata-se de um engano no que se re-fere à data da sua criação que sempre se supôs ter ocorrido em 1618, quando na realidade se deu em 1621, em circunstâncias muito próprias que justificam plenamente o acto administrativo levado a cabo por filipe iv de espanha (iii de portugal). o erro provém de um texto de dom francisco manuel de melo, publicado em 1660, onde se afirma o seguinte: “dom antonio de atayde, sendo provido de general perpetuo, da armada portuguesa (como temos dito) porque logo que se lhe conferiu o cargo de ella, alcançou ordem delrey, para que em portugal se le-vantasse, e fosse fixo na armada hum terço de infantaria natural [um terço de portugueses]”. de facto, em 1618, dom antónio de ataíde, conde da castanheira e de castro d’aire foi nomeado general do mar em 1618, mas o terço não foi levantado nessa altura, como o provam muitos outros documentos que tivemos ocasião de observar recentemente. um desses documentos é um manuscrito de manuel severim de faria, com o título annaes de portugal, que se encontra bem con-servado na biblioteca pública de évora. o seu autor foi cónego e chantre da sé de évora (1608-1609), grande erudito e homem inte-ressado por tudo o que aconteceu no seu tempo, deixando-nos obras várias, publicadas e manuscritas. uma dessas obras é o códice de évora, onde num capítulo intitulado “cousas sucedidas em portugal, e nas mais provincias do occidente de março de 1621 atê fevereiro de 1622”, temos um relato de acontecimentos relativos a março abril de 1621 que fala da subida ao trono de filipe iv de espanha, dizendo o seguinte: “… tornou a dar officio de general do mar a dom antonio de ataíde, e ordenou que para sua armada le alevantasse hum terco de portugueses pagos de inverno e verão, e por mestre de campo delles a dom francisco de almeida”. não restam dúvidas que o texto do chantre de évora aponta para a criação do terço em 1621 e o seu testemunho não deixa de ser abalizado, tanto mais que esteve muito mais próximo dos aconteci-mentos do que francisco manuel de melo. esta situação levantou-nos, logo à partida, uma dúvida que não podemos deixar de enquadrar nos acontecimentos históricos que abalaram portugal e espanha, entre 1618 e 1621. a nomeação de d. antónio de ataíde para general do mar em 1618 era um acto normal levado a cabo por filipe iii de espanha (ii de portugal) uma vez que o cargo teria de ser preenchido por alguém. mas a criação de um terço de portugueses já era uma iniciativa muito mais ousada, quer em termos políticos quer em termos administrativos. não é linear que se possam ver levantamentos patrióticos em pequenos inci-dentes ou rebeliões que ocorriam em diversos lugares do país, mas é natural que a administração espanhola tivesse algumas dúvidas quando à criação de um terço de infantaria que funcionasse de forma organizada e permanente. aliás, existem documentos con-cretos que provam da falta de vontade espanhola em dar força mili-tar aos portugueses, nesta altura. de qualquer forma, embora o terço da armada pudesse ser de utilidade reconhecida – na medi-da em que ao largo da costa de portugal ocorriam ataques de piratas e corsários sobre os navios que vinham do oriente ou do brasil – parecia-nos mais lógico que a sua criação estivesse ligada à subida ao trono de filipe iv de espanha, emabril de 1621, sobretu-do porque nessa altura se reatou a guerra com a holanda e a defesa da costa portuguesa teve de merecer uma maior atenção. deve dizer-se até que os primeiros tempos do reinado de filipe iv foram de intensa preparação para a guerra, considerando a coroa que o anterior reinado tinha sido marcado por uma atitude política de falta de firmeza em relação aos inimigos da espanha, permitindo o seu fortalecimento e colocando em perigo o império. isto eram dados que favoreciam o testemunho de manuel severim de faria e que nos permitiam acreditar que francisco manuel de melo estaria errado, mas isso era apenas uma convicção num confronto de dois documentos contraditórios sem que fosse possível ajuizar em definitivo qual deles teria razão. na verdade uma pesquisa no archivo general de simancas, já nos tinha ajuda-o terço da armada da coroa de portugal 10 julho 99 • revista da armada arcabuzeiro do terço da armada.</Page><Page Number="229">evista da armada • julho 99 11 do a consolidar a ideia da criação em 1621 por filipe iv por diver-sas razões. uma delas tem a ver com um documento datado de janeiro de 1617 onde uma junta especial nomeada pelo duque de lerma dava parecer sobre uma eventual reforma das defesas mili-tares da costa de espanha. aí se fala das carências de portugal, te-cendo-se considerações de vária ordem sobre as fortalezas, desde viana do castelo a sagres, e onde se refere o desagrado dos portu-gueses pelo facto de estar em lisboa um terço de infantaria espa-nhol, parecendo-lhes que isso dá a ideia de alguma desconfiança acerca da sua fidelidade à coroa. ora sobre este assunto um dos ele-mentos da junta diz o seguinte: “… portugal es un reyno recién conquistado y conviene conservarle con la reputación y securidad que hasta aquí…”. foi o que foi decidido: que se reforçasse o terço espanhol e que se suspendessem todas as reformas militares até que filipe iii viesse a portugal, o que aconteceu em 1619. não seria, por isso, normal que em 1618 se criasse um terço de infantaria por-tuguês. contudo as dúvidas (se ainda existiam) viriam a desvanecer-se completamente com a consulta de um outro conjunto documental de enorme importância. refiro-me a três códices portugueses exis-tentes na biblioteca do harvard college, constituídos por diversos documentos manuscritos e impressos reunidos por d. antónio de ataíde. aí fomos encontrar todas as provas que permitiam recons-tituir os passos dados até à criação do terço da armada da coroa de portugal. de facto existem pedidos diversos, por parte do conde da castanheira, para que se levantasse a unidade de infantaria para embarcar na armada de guarda costa e que a mesma ficasse cons-tituída com carácter permanente, para que as gentes não se disper-sassem no inverno, desleixando-se a conservação do material diverso e a própria organização militar. no entanto, apesar do assentimento real para que isto se fizesse, o vice rei de portugal (marquês de alenquer) nunca permitiu que isso se fizesse. a últi-ma carta que encontrámos, onde d. antónio de ataíde volta a falar nesse assunto ao rei, data de julho de 1619, quando da visita de filipe iii de espanha a lisboa. entretanto, em fins de março de 1621, quando morreu o monarca, o general do mar encontrava-se em madrid, para tratar de assuntos relativos à armada de portugal. essa armada deveria ser preparada para a época que se avizinhava e carecia de várias reformas (entre as quais a questão do terço de infantaria), mas a morte do rei atrasou todas as diligências. todavia, a 18 de abril o jovem filipe ivmanda chamar d. antónio, confirma o seu cargo de general do mar e dá andamento a todas as questões que diziam respeito à armada de portugal. aliás, como já referimos, a coroa tinha pressa de reorganizar tudo o que dizia respeito à guerra no mar, uma vez que já determinara que as tréguas com a holanda deveriam cessar a 9 de abril (data em que expirava o acordo assinado 12 anos antes). todos os documentos onde se podem verificar estes factos estão cuidadosamente ordena-dos pelo conde da castanheira nos códices que temos vindo a referir. aí está uma carta enviada ao vice rei de portugal, dando- -lhe conta da quebra das tréguas com a holanda e da necessidade de se efectuarem preparativos para a guerra, a proposta orçamenta-da de d. antónio de ataíde para a armada desse ano (onde consta o terço), a referência ao despacho de 18 de abril, e ainda, docu-mentos vários acerca da contratação de oficiais, sargentos e praças para o que é chamado de “hum batalhão de oitocentos soldados”. não subsistem quaisquer dúvidas que o terço da armada da coroa de portugal está associado a este despacho real de 18 de abril de 1621. tem o corpo de fuzileiros uma data exacta que marca a criação da unidade de que, muito justamente, se considera o herdeiro na-tural. trata-se da data de 18 de abril que este ano foi adoptada como dia do corpo de fuzileiros e assim, certamente, se manterá, uma vez que nela se podem rever os novos infantes da marinha, os marinheiros do fuzil ou os actuais soldados do mar, como são os nossos fuzileiros. j. semedo de matos cten fz o dia do corpo de fuzileiros foi comemorado este ano (pela primeira vez) tendo como referência a data de 18 de abril, relembrando a criação do terço da armada em 1621. na verdade a cerimónia teve lugar na escola de fuzileiros no dia 20 desse mês, e foi presidida pelo comandante naval, o vice almirante alexandre daniel cunha reis rodrigues. no mesmo dia foi efec-tuada a rendição do cargo do comandante do corpo de fuzileiros, até ao momento desempenhado pelo capi-tão de mar-e-guerra fz josé luís pereira de almeida viegas, e agora substituído pelo capitão de mar-e-guerra vasco manuel tei-xeira da cunha brazão. o vice almirante co-mandante naval chegou cerca das 10h10 e, depois de uma homenagem aos fuzi-leiros mortos em campanha, com a deposição de uma coroa de flores junto ao res-pectivo monumento evocativo, deu-se início à cerimónia militar. este ano – como não poderia deixar de ser – o momento mais significativo estava na rendição do mais alto cargo do corpo de fuzileiros. o comandante viegas desempenhou as funções durante seis anos e meio e, usando da palavra no momento da sua despedida, passou em revista alguns dos pontos que mere-ceram a sua preocupação durante este tempo. foi um largo período num cargo de enormes responsabilidades, onde se sentem com uma grande acuidade algumas das dificuldades que têm afrontado a nossa marinha. meios escassos e dificuldades de pessoal consubstanciam os problemas que se reflectiram em necessidades de reequipamento insatisfeitas, mas – exortou o comandante cessante – “não deixem esmorecer aquilo que aqui apren-demos e que temos vindo a ensinar aos mais novos”. “aprender e treinar” seria, aliás, a tónica das palavras do novo comandante, não deixando de falar nas necessidades de equipamento adequado, mas salientando que “o fuzileiro [a capacidade humana] continuará a ser o mais valioso argu-mento das nossas capacidades”. o capitão de mar-e-guerra vasco manuel teixeira da cunha brazão nasceu em lisboa a 6 de abril de 1944 e foi incorporado na armada em setem-bro de 1964. efectou uma comissão de serviço como 4º oficial do destacamento de fuzileiros especiais nº 13, na guiné (1968-70) e outra como comandante do destacamento nº 11, em moçambique, tendo sido ferido em combate. como 1º tenente, foi comandante da companhia de fuzileiros nº 1, oficial de operações do bf 2 e chefe da divisão de operações do estado maior do corpo de fuzileiros, cargo que ocupava quan-do foi promovido a capitão tenente. com o posto de capitão de fragata foi comandante do batalhão de fuzileiros nº 3, comandante da força de fuzileiros e chefe do estado maior do corpo de fuzileiros. em 1987, após a sua promoção a capitão de mar-e-guerra, foi comandante da escola de fuzileiros - cargo que desempenhou durante cinco anos -, promotor de justiça do tribunal militar de marinha e adido de defesa junto da embaixada de portugal na república de cabo verde. ao longo da sua carreira foi agraciado com diversos louvores e possui as seguintes condecorações: distintivo da ordem militar de torre e espada de valor lealdade e mérito, cruz de guerra de 2ª classe, três medalhas de prata de serviços distintos (uma com palma), medalhas de mérito militar de 1ª e 3ª classe, medalha de prata de comportamento exemplar e medalhas comemorativas das campanhas de áfrica (guiné e moçambique). dia do corpo de fuzileiros o novo comandante do corpo de fuzileiros</Page><Page Number="230">énese da acção social militar n o passado dia 18 de junho comemo-raram-se os duzentos e sete anos do lançamento da primeira pedra do edifício génese da acção social em apoio da família militar, data que foi institucionaliza-da como dia do iasfa. esta obra, que remonta a 1792, deveu-se à filha do rei d. josé i , a princesa d. maria francisca benedita, a qual dedicou, como objectivo maior da sua vida, a construção de um com-plexo social para que os militares, após bem terem servido a pátria, pudessem ter uma velhice digna e em segurança. este amplo complexo social, edificado em runa, foi inaugurado em 1827, sob a designação de hospital real de invál idos mi l itares. constitui a génese e é uma das iniciativas pioneiras, a nível mundial, em prole da família militar. mais tarde passou a designar-se por asilo de inválidos militares (1831), lar de veteranos militares (1965) e, actualmente, por centro de apoio social de runa. seguiram-se o asilo de inválidos da marinha (1844), o cofre de previdência do exército metropolitano (1925), o cofre de previdência dos sargentos de terra e mar (1927), a assistência aos tuberculosos do exército (1945), a comissão admi-nistrativa das casas de renda económica (1948), a assistência aos tuberculosos da armada (1949), a acção social da armada – asa (1950), a obra social do exército e da aeronáutica – osea (1956), os serviços sociais das forças armadas – ssfa (1958), o cofre de previdência das forças armadas – cpfa (1960) e, mais recentemente, a junção dos vários órgãos, no instituto de acção social das forças arma-das – iasfa (1995). o iasfa na actualidade o universo da família mi l itar, na ordem das 150 000 pessoas, é consti-tuído pelos militares dos quadros permanentes, nas situações de activo, reserva e reforma, seus familiares, viúvas e ór-fãos, militarizados e al-guns civis. a missão do iasfa insere-se no âm-bito da “acção social com-plementar” que se materia-liza na assistência social, parque habitacional de casas de renda econó-mica, assistência médica e sanitária, apoio à terceira idade, comparticipações e sub-sídios, apoio sócio-educativo aos filhos dos beneficiários, residenciais de idosos e de universitários, centros de férias e de repouso, alojamento temporário, serviço de alimentação, actividades ocupacionais, passeios e convívios. os principais equipamentos sociais são os centros de apoio social do alfeite, oeiras e runa. os do porto e tomar estão em fase de desenvolvimento. existem ainda os de braga, coimbra e évora, o centro de repouso de porto santo e delegações no funchal e em ponta delgada. as instalações da antiga cooperativa militar estão em fase de adaptação com vista à implementação do futuro centro de apoio social de lisboa. génese da acção social militar instituto de acção social das forças armadas 12 julho 99 • revista da armada centro de apoio social de runa. centro de apoio social do alfeite o centro de apoio social do alfeite (casa) foi criado em maio de 1957, com a designação de centro social médico e educativo do alfeite, por iniciativa da acção social da armada (asa), instituição fundada em 1949 por um grupo de militares da armada e de funcionários civis da marinha, para a qual contribuíram, voluntariamente, com as suas quotas mensais e que desenvolveu relevante acção no campo do apoio social, numa altura em que as forças armadas não dispunham de serviços sociais, nem existiam as adms. em 1959, por força do decreto-lei nº 42072, a acção social da armada foi integrada nos serviços sociais das forças armadas (ssfa) actual instituto de acção social das forças armadas (iasfa), passando assim o centro de apoio social do alfeite a apoiar os 3 ramos das forças armadas. o centro, que se localiza junto ao “portão verde” da base princesa d. maria francisca benedita.</Page><Page Number="231">educação física para as crianças que frequentam a escola de ensino básico, atl e jardim de infância; • educação musical para as crianças da escola e das atl; • iniciação musical para as crianças do jardim de infância; • alimentação das crianças da creche e jardim de infância (almoço e lanche) e das atl (almoço); • transporte para visitas de estudo; • transporte de deficientes para escolas de reeducação em lisboa. o apoio social a beneficiários é concretizado pelas activi-dades do serviço de acção social (sas) e do posto médico. o serviço de acção social (sas) apoia os beneficiários resi-dentes no distrito de setúbal, que representam cerca de 20% do total dos beneficiários do iasfa (mais ou menos 11.000 agregados familiares) e desenvolve actividades tão diversas quanto o atendimento a beneficiários, visitas domiciliarias, acompanhamento permanente de situações especiais, passan-do pelo estudo de processos, cálculo de capitações, contactos com outras instituições, numa acção permanente e profícua que tem possibilitado a resolução ou minimização de muitos problemas que atingem a família militar. o posto médico coloca à disposição dos beneficiários do iasfa consultas de clínica geral, ginecologia e estomato-logia e serviços de enfermagem, elevando-se a vários milhares por ano o número de actos praticados. perspectivas para o futuro o conselho de direcção do iasfa, composto pelo presidente, vice-almirante josé augusto de moraes sarmento gouveia, e pelos vogais, brigadeiro josé dias (exército) e brigadeiro fernando ferreira duarte (força aérea), estão empenhados na missão de apoio social à família militar e, neste contexto, se visa a vertente social de apoio aos benefi-ciários mais carenciados, dentro do espírito de que cada caso é um caso. naval de lisboa, em cerca de 2 hectares de terreno cedidos pela marinha, desenvolve um conjunto de actividades, no âmbito da acção social complementar, focadas fundamental-mente nas duas seguintes áreas : • apoio sócio-educativo a filhos de beneficiários do iasfa; • apoio social a beneficiários do iasfa. revista da armada • julho 99 13 centro de apoio social do alfeite (sala do infantário). centro de repouso de porto santo. o apoio sócio-educativo a filhos de beneficiários engloba as seguintes actividades permanentes: • creche para cerca de 25 crianças; • educação pré-escolar (jardim de infância) para cerca de 175 crianças; • actividades de tempos livres (atl) para cerca de 200 cri-anças que frequentam a escola de ensino básico nº 1 do alfeite; • ensino básico, 1º ciclo, para cerca de 270 crianças; no que concerne a perspectivas para o futuro, estão em curso as obras destinadas a dotar com os meios indispensáveis nas áreas de saúde, terceira-idade, actividades ocupacionais, al imentação e alojamento, os cas/lisboa, porto e tomar. outras opções, visando a melhoria do apoio prestado aos beneficiários, encontram-se em fase de estudo, num processo dinâmico que tem por objectivo alargar os apoios e facilidades em benefício da família militar. centro de apoio social de oeiras. centro de apoio social do alfeite (panorâmica actual).</Page><Page Number="232">ma ilha grega chamada santorini s e tivesse de definir o que é a grécia, usando apenas duas palavras, escolheria, sem hesitar arqueologia e ilhas. arqueologia, porque este país legou- -nos um tal património que, apesar de muito maltratado pela erosão do tempo e pela fúria dos homens, ainda nos per-mite imaginar o que foi a civilização helénica, sem dúvi-da, uma indiscutí-vel referência na história da huma-nidade. ilhas, pela sua profusão. são mais de 2000, das quais 154 habitadas. a grécia sem ilhas não faz sentido. está nelas grande parte da sua his-tória. desta imensidão de ilhas vamos pri-vilegiar apenas uma: santorini, talvez a mais bela. não por-que a tivéssemos escolhido. mas sim, porque ali se iria realizar, sob a égide da escola naval, o ii encontro pelágico. a ilha de santorini, situada no mar egeu, ao sul do arquipélago das ci-clades, a 128 milhas do porto do pireu e não muito longe de creta, alcança-se por avião, mas o navio é o meio mais comum de viajar. para o efeito, existe uma frota imensa, pertencente a vários armadores, em que os navios são todos eles pintados de branco. navios de porte, porque o movimento de passageiros é grande e o mar nem sempre está calmo. no pireu, embarcámos num férrie expresso da companhia agapitos. são necessárias 9 horas de navegação, com curtas paragens em três pequenas ilhas, para alcançar o nosso destino. durante a viagem, temos uma notícia agradável. o 1º tenente engenheiro construtor naval antónio rodrigues mateus, professor da nossa escola naval, acompanha dois cadetes do 4º ano que vão participar no encontro. chegámos pelas 17.00 horas e atra-camos ao cais em fira, a capital de santorini, mas atenção, a capital fica lá em cima e, para a alcançar, o autocarro tem de trepar por uma estrada rasgada na encosta, quase vertical, que é, sem dúvida, a mais emocionante via que jamais percorremos. somos instalados num pequeno, mas agradável hotel, em kamari , uma das muitas praias que povoam a ilha. aprendemos, então, a história deste pedaço de terra (ou de rocha?) que não tem mais de 10 milhas na sua maior extensão. é uma história atribulada, escrita pela natureza e pelos homens. na antiguidade a ilha foi conhecida por caliste, que significa a mais linda, o que nos diz que este atributo já vem de longe. por volta do século xv antes de cristo, um vulcão entra em actividade. a violência desta força da natureza é tal que na ilha de creta, a 71 milhas de dis-tância, são destruídos os palácios e a flo-rescente civilização minoica. não se sabe se tal aconteceu pela queda de enormes fragmentos vulcânicos ou pela onda de maré que se formou e que arra-sou creta. depois desta convulsão telúri-ca formou-se uma enorme caldeira par-cialmente definida pelas ilhas thirasia e santorini, que ganhou a forma de um croissant. nesta, o solo, principalmente formado por lava solidificada e pedra pomes, que é a sua principal exportação local, constitui um meio poroso ideal para a plantação de vinhas que pro-duzem um vinho tinto muito apreciado no país. de acordo com heródoto, al i se instalam os fení-cios e, depois os dórios, e a ilha fica a chamar-se thira, do nome do que foi chefe destes úl-timos. a ilha expe-rimenta então um grande desenvolvi-mento. durante as guerras persas é subjugada por este povo e, mais tarde, em 420 ac, passa para a soberania de atenas. a ilha será ainda tomada pelos venezianos e é então que é crismada de santorini, em homenagem a santa irene. no ano de 1537 é saqueada pelo pirata barbaroxa e a partir de 1770-4, torna-se colónia da rússia. em maio de 1820, vagel is matzarakis, iça na ilha a bandeira da re-volução, mas só dez anos mais tarde, thira, consegue, finalmente e de novo, integrar-se na grécia, depois de um pro-tocolo assinado em londres. santorini é salpicada por numerosas povoações, grande parte alcantiladas na sua acidentada orografia e, natural-mente, com uma magnífica vista sobre o mar. visitamos oia, a 11 quilómetros ao norte da capital, onde as ruas são estrei-tas e tortuosas e o encanto se multiplica por pequenas casas, pintadas de branco e azul, que contrastam com residências neo-clássicas. numa delas, que pertence a gente abastada, somos recebidos com grande hospitalidade. bem perto, um uma ilha grega chamada santorini 14 julho 99 • revista da armada vista de oia, santorini.</Page><Page Number="233">equeno museu naval recorda os navios e os marinheiros dum país em que o mar é uma das razões da sua existência. mas a jóia da coroa desta ilha grega encontra-se em akrotiri, a 12 quilóme-tros a sw de fira. desde 1967 que ali se fazem escavações para redescobrir uma cidade, que foi destruída quando da erupção vulcânica, atrás mencionada, e que já era habitada 3000 anos antes de cristo. apesar da área escavada ser ainda muito reduzida, já se pode avaliar como foi importante aquele local, não só pelas construções que vão surgindo, como pelos numerosos objectos encon-trados. além disso, alguns frescos, que decoravam paredes, e que foi possível recuperar com grande mestria, mostram bem o nível cultural dos seus habitantes. foi pois nesta ilha de eleição que se realizou o ii encontro pelágico, organiza-do por ioannis loucas, professor da escola naval. as sessões realizaram-se na capital, em instalações da fundação bellonis. participantes de 14 países (nós incluí-dos) ocuparam-se de temas respeitantes ao mar, a navios e marinheiros, tendo sido apresentadas cerca de 40 comuni-cações com ou sem ajuda da projecção de audiovisuais. todavia, frederico oliveira baptista e humberto duarte afonso, cadetes da nossa escola naval, usaram o sistema multimédia com o apoio informático, numa exposição que intitularam reorganização e maior rendimento nos transportes marítimos. uma solução, que foi muito apreciada pela assistência. apreciada ao ponto do contra-almirante antoni komorowski, comandante da escola naval polaca, também ele partici-pante, ter dirigido uma carta de felici-tações ao seu congénere português, o que é muito agradável registar. a. estácio dos reis cmg ref parte de uma pintura mural, proveniente de santorini, cerca de 1600 anos ac. tem cerca de um metro de altura. de notar os peixes pendurados por um fio, como fazem ainda hoje os pescadores locais.</Page><Page Number="234">passagem do cabo da boa esperança 16 julho 99 • revista da armada a marinha joanina (9) p arece concensual que bartolomeu dias partiu de lisboa a finais de agosto de 1487, comandando uma esquadra de três navios, dos quais, dois eram caravelas e o terceiro, uma “naveta” com mantimentos, destinada a ficar em lugar seguro, algures na costa africana. provavelmente foi direito ao rio zaire (facto que carece de confirmação absoluta) levantando-se a hipótese de que aí tenha levado uns negros que tinham vindo na última viagem de diogo cão e que teri-am de ser recolocados na sua terra no prazo de 14 luas, sob pena de que os portugueses que aí tinham ficado como reféns seriam mortos. deve dizer-se que isto é apenas uma conjectura possível, que resulta do acerto de datas entre as duas viagens que pode corresponder às tais 14 luas. de resto pouco se sabe do que aconteceu com esses negros do congo ou esses portugueses que aí ti-nham ficado reféns. mas, admitindo que terá ido ao zaire, seguiu, com certeza, a rota que já era conhecida dos portugueses, passando ao largo da madeira, das canárias e do arquipélago de cabo verde (que, por vezes, era aportado para fazer aguada e outras vezes era rondado por bombordo), aproveitando depois a corrente da guiné para navegar até perto do cabo de santa catarina e dirigindo-se para o sul, até à foz do zaire. depois seguiu para sul parando em diversos pontos da costa, onde se sabe que foram dei-xadas três mulheres negras da região (uma quarta morreu antes de desembar-car) - “vestidos e bem tratádos com móstra de práta, ouro, e especiarias: era porque jndo tér a pouoádo podessem notificar de huns em outros a grandeza de seu reyno [reino de portugal]”, tal como nos diz joão de barros – e dois homens que tinham sido raptados por diogo cão em angra do salto. este desembarque dos cativos correspondia a uma política determinada por d. joão ii destinada a criar um certo impacte nas populações que ainda não tinham chegado à fala com os portugueses. dizem-nos os cronistas que o rei de portugal pre-tendia que essa gente, depois de ter sido bem tratada e de ter visto um certo fausto e riqueza na corte portuguesa, fosse anunciá-lo pelo sertão africano, podendo a sua voz chegar ao lendário preste joão (imperador cristão da abissínia), despertando a sua atenção para o facto dos portugueses andarem em busca daquelas para-gens. é, naturalmente, uma questão discutível, parecendo-me que pode estar marcada pela propaganda própria de quem pretende fazer um panegírico da gesta dos descobrimentos portugueses, realçando valores morais do século xv e xvi. os navios seguiram até ao último padrão deixado por diogo cão (cape cross), mas antes de lá chegarem deixaram a “naveta” de reabastecimento, que ficou à espera do regresso dos outros. esta medida foi planeada desde lisboa havendo o cuidado de que esse navio tivesse como piloto (joão de santiago) um homem que já conhecia aquelas paragens, uma vez que fora mestre na viagem anterior. aliás, uma coisa tão delicada como é a gestão dos reabastecimentos (especialmente da água doce), não nos parece que fosse deixada ao acaso. até esta via-gem, não temos notícia que se tenha to-mado uma medida semelhante e a cir-cunstância em si não pode deixar de ser significativa de um receio ou apreensão acerca do que aguardava os mari-nheiros para além daquelas paragens. como dissemos na revista anterior o local escolhido foi a baía dos tigres e, se observarmos bem, depois de passar a foz do cunene, que marca a fronteira sul de angola, fica o imenso deserto da namíbia cuja aridez é visível do mar. bartolomeu dias devia observar minu-ciosamente a costa e registar todos os seus acidentes (que, aliás, aparecem nas cartas que se seguem a esta expedição), mas tinha de tomar algumas precauções num local absolutamente desconhecido dos portugueses e de aspecto tão inóspito. por esta atitude podemos con-jecturar das razões da decisão de diogo cão em não continuar a viagem para sul: a costa não alvitrava quaisquer pos-sibilidades de reabastecer os navios, para além de que os ventos não seriam nada favoráveis. só isto justifica a medi-da especial de levar a “naveta” de reabastecimento até à baía dos tigres, de forma a fornecer um suplemento de mantimentos e água aos navios de bartolomeu dias, permitindo-lhe ir mais longe na exploração daquela costa deserta, tentando alcançar a desejada passagem para o índico. as duas caravelas navegaram até à serra dos reis que alcançaram a 6 de janeiro de 1488, mas não conseguiram avançar mais, por causa de condições de mau tempo e do vento ponteiro que se faz sentir quase todo o ano. tiveram de voltar atrás, abri-gando-se numa baía, onde pairaram durante cinco dias (angra das voltas ou luderitz bay), depois o capitão decidiu arriar ligeira-mente os bastardos (reduzindo a superficie do pano e baixando o centro vélico) e fez-se ao mar numa volta larga, primeiro para sw, depois para s e, finalmente para e. não tendo encontrado terra, ao cabo de uns dias, resolve rumar a norte aportando a angra de s. brás (mosel bay) em 3 de fevereiro de 1488. estava já no oceano índico. j. semedo de matos cten fz portugal madeira lisboa oceano atlântico canárias cabo verde rio zaire baía dos tigres cabo do padrão angra das voltas cabo da boa esperança angra de são brás áfrica a passagem do cabo da boa esperança página ímpar</Page><Page Number="235">ede de comunicação de dados da marinha n a área da defesa há fortes razões para acreditar que o domínio da informação suplantará o domínio nuclear como chave do poder internacional (1) . o aumento da capacidade de processamento e de interligação dos sis-temas e os desenvolvimentos a nível de software terá um impac t e dec i s i vo nos cená r i os mi l i t a r e s do f u t u r o , abrangendo todo o espectro do conflito. os novos conceitos operacionais, em que a rapidez da tomada de decisão em todos os níveis de comando é determinante, tornam impres-cindível conseguir-se a co-evolução do desenvolvimento tecnológico, com a organização e a doutrina. para maxi-mizar a eficácia e minimizar as perdas de tempo, a dissemi-nação da informação requer uma estrutura organizacional cada vez mais funcional. as rápidas trocas de informação levarão as decisões aos mais baixos níveis do comando da mesma forma que o acesso directo a todas as informações, quer sejam de matéria administrativa ou táctica, permitirá aos comandantes enquadrarem rapidamente os problemas. o t radi c iona l mode lo organi zac iona l , com c i c los de decisão de dias e horas, terá de ser substituído por uma organização em rede, onde os ciclos de decisão são calcu-lados em minutos e segundos. neste contexto, as organizações civis e militares, procu-raram novos sistemas de comunicação e de informação onde procuram maximizar a sobrevivência, a segurança, a prontidão, a flexibilidade, o ambiente de sistema aberto, a integração e a interoperabilidade e paralelamente tentam diminuir os custos associados. a mar inha por tuguesa instalou em por tugal uma das pr imei ras redes sna (systems network archi tecture) e desenvolveu as suas aplicações para correrem em “main-frames” ibm. durante mais de duas dezenas de anos foi assim que a marinha geriu o seu pessoal e material usando as redes locais de forma isolada e apenas para servir os re-quisitos próprios de algumas unidades. os anos 90 trouxe-ram ventos de mudança e colocaram novos requisitos à gestão superior da marinha que sentiu a necessidade de um sistema integrado de informação da marinha capaz de envolver não só as vulgares áreas do material e do pessoal mas também outras áreas de interesse que deverão ir um dia até à componente operacional. este novo sistema em desen-volvimento corre em grande parte num “mainframe” mas conta já também com novas aplicações desenvolvidas para máquinas unix com as modernas ferramentas de geração automática de código. foi esta nova dimensão que propi-ciou e obrigou à reestruturação e expansão da infra-estrutu-ra de comunicação de dados. esta missão é condicionada pela própria realidade existente, pela escassez de meios humanos qualificados nestas matérias e pelos orçamentos cada vez mais restritivos. análise da situação as principais unidades da marinha situam-se na área me-tropolitana de lisboa. as maiores concentrações de unidades com redes locais estão no edifício da administração central da marinha (onde está situada a damag e várias outras unidades importantes) , na área da bnl (base naval de lisboa), no g2ea (grupo nº2 de escolas da armada) e futura-mente nas ina (instalações navais de alcântara). depois, há ainda que contar com diversas outras redes locais relativa-mente isoladas, como por exemplo a do instituto hidro-gráfico ou a da esquadrilha de helicópteros, e várias peque-nas unidades (em termos informáticos), algumas delas móveis como são exemplo disso os navios. plano director da nova rcdm a nova rcdm está estruturada em quatro blocos principais: - um nó central; - três nós de área; - vários nós secundários (redes locais e/ou controladoras de terminais 3270); - vários nós periféricos (fixos, móveis e flutuantes). o nó central o nó principal está situado no centro de processamento de dados da damag e é a espinha dorsal da rede. é este nó que permite o acesso ao “mainframe” e é a ele que estão ligados vários servidores, por exemplo, o de informação www e e-mail, bem como a plataforma de gestão da rede. é neste nó que são interligadas as diversas redes locais próximas (por fibra óptica) e remotas isoladas. este nó de-verá ser o único a poder suportar a ligação controlada a redes exteriores à marinha, por exemplo, à internet. este é também o único ponto de acesso comutado (pc modem linha telefónica), a partir da rede telefónica privativa da marinha, ao sistema informático central, à intranet e às diversas redes locais. o eventual acesso a este sistema através da rede telefónica pública só poderá ser feito através rede de comunicação de dados da marinha neste fim de século, a consciência dos desafios e das oportunidades da “sociedade da informação” tem vindo a ganhar ímpeto e peso em todos os sectores de actividade. as instituições e empresas sabem que o seu futuro passa obrigatoriamente pelas tecnologias da informação e das comunicações. neste contexto, a internet e as tecnologias que lhe estão associadas representam actualmente o futuro e são factor crítico do desenvolvimento e da competitividade. revista da armada • julho 99 17</Page><Page Number="236">8 julho 99 • revista da armada deste nó central. assim sendo, o nó central está a ser ape-trechado com equipamentos capazes de assegurar uma grande disponibilidade dos serviços endereçando ao mesmo tempo funções importantes como é a do controlo da rede e da sua segurança. a tecnologia base deste nó, bem como dos nós de área, é a comutação sobre a qual são definidas redes virtuais. o uso de comutadores modulares de nível 2 e nível 3 suportando definição de redes virtuais seguras sobre várias tecnologias de rede será por certo o melhor caminho para a implemen-tação de uma rede global atm no futuro. três nós de área os nós de área são pontos de interligação de outros nós menos importantes e têm, por isso, tal como o nó central, um alto desempenho, grande disponibilidade e contribuem para a segurança e controlo global da rede. este tipo de nó opti-miza a ligação ao nó central ao mesmo tempo que permite a comunicação directa, a alta velocidade, entre as redes locais próximas. estão a ser activados dois nós de área, um na bnl e um outro nas ina. está também previsto um terceiro no g2ea. o nó de área da bnl interliga, nesta fase, onze redes locais daquela zona. para justificar a necessidade da criação destes nós de área basta referir que dentro da base naval de lisboa se encontram várias unidades que fazem parte de um ciclo complexo ligado à vida dos navios. este ciclo passa pela identificação do problema e da forma de o corrigir, pela identificação do material necessário, pelo fornecimento des-ses ma t er i a i s e f ina lment e pe l a int ervenção a bordo. dependendo da dimensão do problema poderão intervir cinco ou seis unidades que têm actualmente redes locais de grande dimensão abrindo caminho para a activação de um sistema electrónico de gestão de processos. este nó poderá vir a ter características especiais para servir de ponto focal de uma r ede "wi r e l es s " ( sem f i os ) à qua l se poderão ligar nós periféricos flutuantes (navios) quando se encontrarem dentro da base naval. durante es te ano vár ias repar t ições da direcção do serviço do pessoal irão transferir- -se para as instalações navais de alcântara, juntando-se às que já lá se encontram, o que levou à criação de pequenas redes locais devi-damente estruturadas e à criação de um nó de área para as interligar e para estabelecer a liga-ção ao nó central. está prevista a activação, logo que viável, de um nó de área na zona do g2ea para interligar as diversas escolas bem como outras unidades relativamente próximas como é o caso do corpo e da base de fuzileiros. a situa-ção do g2ea é um pouco diferente dos casos anteriores, trata-se de diversas escolas de for-mação em matér ias como comunicações , informações em combate, armas submarinas, art i lharia, marinharia, inglês, l imi tação de avarias, etc., que estão sob o mesmo comando mas fisicamente separadas. ainda existem pou-cas redes locais e de dimensões reduzidas. a instalação de mais redes locais estruturadas nas restantes escolas e a sua interligação per-mitirá rentabilizar meios, aumentar a eficiência administrativa e perspectivar novas técnicas de formação. vários nós secundários consistem nas várias redes locais e nas controladoras de ter-minais 3270 existentes. estes nós estão ligados localmente ou remotamente ao nó central, ou estão ligados a um nó de área que por sua vez efectua a comunicação para o nó central. procura-se sempre que possível um caminho alternativo até ao nó central. em muitos dos nós secundários existem controladoras de terminais 3270 que se deverão manter em funcionamento partilhando o mesmo circuito de dados usado para interligar a rede local. o objectivo, a médio prazo, é a desactivação das controladoras de terminais passando os seus utilizadores para microcomputadores, ligados em rede, com acesso ao sis-tema informático central (“mainframe”), bem como ao servi-dor de informação (www) e ao correio electrónico. vários nós periféricos (fixos, móveis e flutuantes) são implementados por pequenas unidades ou serviços que efectuam o acesso temporário aos recursos disponibilizados na rede de comunicação de dados da marinha. o acesso dos nós fixos e móveis é feito através de um microcomputa-dor ligado a um modem ou a um adaptador rdis que por sua vez permite um acesso comutado ao nó central através da rede telefónica privativa da marinha. os navios poderão vir a ser considerados justamente nós flutuantes da rcdm, enquanto estiverem dentro da base naval de lisboa, bastan-do para tal a activação de uma rede sem fios ("wireless"), de alcance controlado e de características especiais, ligada ao nó de área da bnl. esta rede sem fios poderá permitir tam-bém a troca de dados entre navios no alto mar. visão global integradora dos diversos tipos de nós o esquema que se segue i lust ra o plano di rector da evolução da rcdm com vários exemplos dos tipos de nós. esquema ilustrativo dos principais tipos de ligações definidas no plano director.</Page><Page Number="237">evista da armada • julho 99 19 o correio electrónico informal. uma estreita parceria entre a damag e a direcção de infra-estruturas tem permitido a con-cretização de redes locais em cablagem estruturada, a respectiva ligação ao nó central ou a um nó de área, ligações por fibra óptica e circuitos de dados a 2mbps entre o nó central e os nós de área. o trabalho ainda não terminou, nem poderá terminar nunca, já que a evolução é um processo continuo. certo é que o objec-tivo proposto tem vindo a ser alcançado e a marinha conta hoje com uma intranet multiprotocolo onde coexistem e comunicam um mainframe ibm, várias redes locais, um servidor web e de e-mail, acessos comutados, uma plataforma de gestão de rede, etc. efectivamente, tem-se vindo a conseguir, com orçamentos bastante limitados, converter a rede sna numa rede com futuro planeado onde os “routeswitches” assumem já o papel principal a ligação à internet a rcdm não está actualmente ligada a nenhuma outra rede externa a não ser à do emgfa e apenas em sna. foram efectuados testes de ligação da rede de comunicação de dados da marinha à internet, tal como previsto no plano director, no entanto, a ligação não foi concretizada em cumprimento da directiva 04/98 do sr. almirante chefe do estado-maior da armada. visão simplificada do que era a rcdm. a nova imagem da rcdm. a figura anterior ilustra o actual sistema de ligação à internet instalado na damag. como não é possível a ligação a partir da rcdm foi necessário adquirir um novo servidor de acessos comutados que, desta forma, já pôde ser especificado com capacidade para receber, em modo de auto-detecção, até 24 chamadas analógicas ou 30 acessos básicos rdis. este sis-tema disponibiliza acesso à internet e correio electrónico, sem qualquer encargo, às várias unidades da marinha ligadas à rede telefónica pr ivat iva da mar inha respondendo no número rtpm 4000. foi também instalado um servidor de autenticação para validar os utilizadores do servidor de aces-sos comutados e os utilizadores da firewall. o isolamento deste sistema levou a que fosse necessário usar outros servi-dores dns, web e e-mail exclusivos para a intranet. perspectivas futuras ainda há pouco tempo a rcdm servia exclusivamente para per-mitir o acesso dos utilizadores, em terminais 3270, a um main-frame ibm que controlava toda a rede. o tcp/ip não era usado, nem as tecnologias web, nem mesmo conduzindo a rede para uma arquitectura global baseada em redes virtuais. de uma era em que a inteligência da rede estava no “mainframe” passou-se para uma nova arquitectura em que a inteligência da rede está na própria rede. a rcdm deverá ser cada vez mais uma rede de informação e do conhecimento e neste sentido uma plataforma integradora que permita alimentar eficientemente os sistemas de informação e, em especial, a fluência de informação necessária à rápida tomada de decisão em todos os níveis e tipos de comando. armando dias correia 1ten m o actual sistema de ligação à internet. notas: 1) segundo um artigo publicado na revista us foreign affairs, intitulado “american information edge”, da autoria do antigo secretário da defesa para os assuntos de segurança internacional joseph nye e do almirante willian owens, anterior vice-presidente da junta de chefes do estado-maior.</Page><Page Number="238">0 julho 99 • revista da armada escola naval exercício tigre 99 todos os anos a academia militar efectua um exercício tigre, que este ano teve lugar no período de 26 a 28 de fevereiro, na região de alcácer do sal, junto à barragem trigo de morais. o exercício é programa-do para os 2º, 3º e 4º anos dos cursos da am e, à semelhança do que tem acontecido em anos anteriores, foram convidados a participar os cadetes do curso de fuzileiros da escola naval. o exercício tem como base um cenário operacional, em que quatro patrulhas de 40 elemen-tos vão actuar contra quatro núcleos de forças inimigas que lhes vão criar as situações necessárias a um treino técnico-táctico enquadrado dentro dos conhecimentos adquiridos no período de for-mação. neste caso específico pretendia-se que os cadetes desenvol-vessem as técnicas de deslocamento apeado no campo, prática de orientação e procedimentos de combate de patrulhas (escalão secção e pelotão), na execução e reacção a emboscadas, golpes de mão, assalto imediato a um objectivo e reconhecimentos. a duração do exercício e as condições duras em que decor-reu permitiam ainda desen-volver e avaliar a capacidade de resistência à fadiga física e psi-cológica, a rusticidade, a ca-pacidade de trabalho de equipa e de comando. os acidentes do terreno eram particularmente adequados à instrução dos jovens futuros oficiais, na medi-da em que proporcionavam exemplos didacticamente ricos e próprios para o treino de acções de infantaria. os cadetes da escola naval tiveram, no exercício tigre 99, um desempenho considerado como excelente pelos responsáveis da academia militar, merecendo um elogio especial que se expressou numa nota enviada ao comando da escola, onde se salienta “a forma muito motivada, entusiástica e vo-luntariosa como os cadetes da escola naval se empenharam no decorrer de todo o exercício…”. juramento de bandeira e entrega de espadas aos aspirantes do curso josé maria dantas pereira no passado dia 30 de abril, sob a presidência do almirante chefe do estado maior da armada, efectuou-se a cerimónia de juramento de bandeira e entrega de espadas aos aspirantes do curso josé maria dantas pereira. o juramento de bandeira dos aspirantes da escola naval tem um significado muito especial, na medida em que culmina um período de formação de quatro anos e marca o ingresso formal e solene dos jovens aspirantes como militares e marinheiros da armada portu-guesa. enquanto cadetes prendia-os ao serviço da pátria um compro-misso de honra assumido no primeiro ano, mas esse compromisso só se transforma num vínculo definitivo quando ratificado por este jura-mento público, efectuado quase no fim do curso. na mesma cerimónia, foi-lhes entregue a espada de oficial de marinha, um símbolo do poder e da autoridade inerente às funções de comando para que foram preparados. não se trata de um privilégio, mas de uma responsabilidade acrescida que os obriga a olhar para os seus subor-dinados, pensando que a sua correcta acção de-pende das suas decisões. uma iniciativa retomada e muito meritória foi a oferta a cada aspirante de um exemplar dos “lusíadas” - o poema que canta a gesta dos portugueses desde a fundação da na-cionalidade até ao final do séc. xvi - uma edição especial da e. n. de 1960. estes actos estão, pois, plenos de simbolismo e marcam o ultrapas-sar de uma barreira determinante na vida dos jovens que há quatro anos atrás, com mais ou menos noção do que o futuro lhes reservava, escolheram uma carreira militar na marinha. ainda há pouco tempo a cerimónia de juramento de bandeira era encarada pelo nosso povo como uma ritual de passagem da adolescência à fase adulta. era com a “ida à tropa” que os mancebos se afastavam da casa paterna e en-travam num mundo deles próprios. hoje o ritual está um pouco ate-nuado pelas circunstâncias da vida moderna e, sobretudo, pela forma de viver urbana, que levou a que esta transformação deixasse de ser encarada com o simbolismo de outros tempos. contudo, o juramento de bandeira dos aspirantes da escola naval tem de ser encarado como um passo decisivo que os conduz de uma fase académica de formação a uma carreira profissional, onde os conhecimentos e capacidades de cada um vão ser postos à prova constantemente, deles dependendo, com frequência, a vida dos seus subordinados. a escola naval está disponível em: www.escolanaval.pt entrega de espadas. juramento de bandeira. cadetes da escola naval durante o exercício tigre 99.</Page><Page Number="239">evista da armada • julho 99 21 para melhor conhecer os anseios dos servidores da mar inha, o almi rante cema conta com a informação ascen-dente pela via hierárquica e com a boa colaboração das comissões consultivas permanentes dos militares e dos milita-r i zados da ma r i nha , a l e r t ando , no entanto, que numa instituição como a nossa, de cuja estabilidade depende a segurança nacional e a estabilidade do próprio estado, a eventual quebra dos princípios da hierar-qu i a e a pe rda do sen t i do da r espon-sabilidade por parte de cada e l emen t o , apenas poderia con-duzir a uma situação difícil, de ineficácia e de insegurança, into-lerável. abordando a pro-blemática dos recur-sos humanos, foi re-ferida a exposição de alguns anseios pela categoria de sargen-tos, tendo sublinhado a sua recept ividade quanto à utilização da comissão consultiva permanente dos sargentos para esse efeito e informado que as questões colo-cadas justificam estudo aprofundado. desenvolvendo depois a questão da dignificação das diversas categorias de militares, salientou que todo o trabalho é digno qualquer que seja o nível de responsabilidade do seu executor e que a dignidade, representando algo que tem que ser conquistado mediante uma firme constância na defesa de valores morais, de carácter e profissionais, não pode ser conferida por decreto ou regu-lamento. ao terminar, o almirante cema reafir-mou a sua responsabilidade como única entidade a quem cabe solicitar a inter-venção governamental para a atribuição dos indispensáveis meios e condições de funcionamento da marinha, bem como, para a defesa dos anseios legítimos dos elementos que a integram, sejam eles militares, militarizados e civis. lembrou ainda a necessidade de ter presente que a marinha e as forças armadas existem para servir o país e não para servir quem nelas presta serviço. n a sua carta nº 15, de maio de 1999, o almirante cema evi-denciou o espírito altruísta dos militares que, em 25 de abril de 1974, provoca r am a mudança do r eg ime político, para a seguir referir o altruísmo que, hoje, estão unidos em torno do mesmo objectivo de servir a nação à luz dos valores universais resgatados, tão caros ao mundo civilizado. destacando a liberdade como um desses valores, lembrou que ela nunca é absolu-ta. num estado de-mocrático e de direito, a liberdade de cada um termina onde começa a de outros, estando ain-da condicionada ao cumprimento da lei . para além disso, o al-mirante cema alertou para o facto de dever-mos ter sempre pre-sente que a liberdade de expressão, bem co-mo, de reunião, mani-festação, associação e petição colectiva dos militares e agentes mi-litarizados, está sujeita a restrições, por lei da assembleia da repú-blica. e assim, todos poderão sentir-se cida-dãos mais livres e melhores cidadãos, mas não poderão deixar de assumir a especi-ficidade que é inerente à condição militar. desenvolvendo o seu conceito quanto aos princípios fundamentais da hierar-quia, salientou que os militares e os mi-l i tarizados da marinha estão hierar-quizados segundo níveis de respon-sabilidade e correspondentes níveis de autoridade. os níveis de responsabili-dade são atribuídos, numa primeira fase, em função das habilitações académicas e profissionais que os diferentes elemen-tos possuem no momento em que inte-gram a organização militar, reflectindo- -se essas habilitações numa diferencia-ção de base. no caso dos militares, na diferenciação entre as categorias de pra-ças, de sargentos e de oficiais. a evolução dos níveis de responsabi-lidade, em razão da experiência profis-sional adquirida, da competência com-provada e, também, da formação acadé-mica entretanto alcançada, verifica-se posteriormente mediante a progressão na carreira, podendo ainda ter lugar através do ingresso em categoria superior. fica deste modo estabelecida uma sequência de níveis de responsabi l idade, com expressão na hierarquia dos postos, bem como, das antiguidades dentro de cada posto, correspondendo-lhes níveis de autoridade equivalentes. no âmbito dos mesmos princípios, as funções de chefia assumem uma parti-cular importância, em qualquer escalão, em face da responsabilidade acrescida que os comandantes e chefes detêm, enquanto decisores, com vista ao pla-carta do cema neamento, orientação e execução das actividades que lhes cumprem. é igual-mente da sua responsabilidade a con-tribuição para a resolução dos proble-mas de natureza admini s t rat iva que respeitam às suas unidades ou serviços e aos seus subordinados, cujos anseios e preocupações devem ser tomados como seus . s i t uando- se no ma i s e l evado esca l ão da ma r i nha , a f i rmou , é ao almirante cema que cabe expor, nas sedes adequadas, as preocupações dos seus servidores, propondo as soluções mais convenientes, com a fundamen-tação, a persistência e a capacidade de persuasão ao seu alcance. porém, haverá que compreender, por um lado, que grande parte das soluções que ambicionamos transcendem o âm-bito da marinha e que, por outro lado, uma ampla consulta prévia aos subordi-nados visando o desenvolvimento dos processos legislativos ou de outra natu-reza, não é conciliável com a dinâmica imposta a esses processos, havendo que decidir do modo que melhor correspon-da às necessidades do serviço e aos anseios que são conhecidos.</Page><Page Number="240">2 julho 99 • revista da armada notícias e actividades do comando naval (cn), e uma breve explicação dos exercícios que constituíram a demonstração naval. seguiu-se uma visita ao navio com exposição estática de fuzileiros e de mer-gulhadores no convés de voo após o que teve início a demons-tração naval já a saída da barra sul do porto de lisboa. a demons-tração naval compreendeu os seguintes exercícios: - reabastecimento no mar; - acção de vistoria a navio mercante, com inserção da equipa de segurança por helicóptero; - acção de luta anti-submarina; - acção de luta anti-superfície face ameaça de uma lancha rápida; - acção de fiscalização da actividade de pesca; - manobras e evoluções; - fundear e suspender coordenado. após o fundear coordenado da força naval em sesimbra, foi servido um almoço volante no hangar e convés de voo da fragata “álvares cabral”. procedeu-se à fotografia protocolar de grupo e troca de lem-branças, bem como à entrega de “diplomas de embarque”, ates-tando a sua passagem a bordo do navio-chefe. os navios suspenderam e iniciaram o trânsito de regresso a lisboa, onde a “álvares cabral” atracou de novo no cais de alcântara para proceder ao desembarque dos auditores e restante delegação. foi unânime e patente, o agrado com que foi acolhido este embarque, considerado de grande interesse para os objectivos do curso de defesa nacional. (colaboração do comando naval) no âmbito das actividades curriculares do “curso de defesa nacional 1998/1999”, teve lugar no passado dia 21 de abril, uma demonstração naval à qual assistiu a delegação do instituto de defesa nacional (idn), compreendendo 51 audi-tores e 11 elementos do “staff” de apoio. a demonstração decorreu entre lisboa e sesimbra e foi efectuada pela tg 443.07 sob o comando do cmg alexandre silva da fonseca, constituída pelas seguintes unidades: - nrp “álvares cabral” (navio-chefe) com um helicóptero lynx embarcado, nrp “comandante joão belo”, nrp “comandante hermenegildo capelo”, nrp “bérrio” e nrp “oliveira e carmo”. esta força foi apoiada por meios aéreos da fap, nomeadamente um avião de patrulha maríti-ma (mpa) e pelos nrp “barracuda”, nrp “augusto castilho”, nrp “save” e nrp “águia”. a força naval efectuou um conjunto de demonstrações que evi-denciaram as capacidades, valências e particularidades das ope-rações navais. a tg 443.07 largou de lisboa em 20 de abril, cumprindo um programa de treino próprio que se estendeu até à amanhã do dia 21. na manhã desse dia, pelas 09.00 horas, a delegação do idn foi recebida a bordo do nrp “álvares cabral” atracado no cais de alcântara pelo 2º comandante naval , calm ferreira barbosa. ini-ciou-se então um briefing onde foram apresentadas a missão, tarefas embarque do curso de auditores de defesa nacional 1998/1999 romão e, a título póstumo, antónio dinis cabaço, dado ter falecido posteriormente à data da apresentação da proposta de condecoração pela comissão promotora da homenagem. podemos também informar que o historiador, dr. alexan-dre flores, já está a preparar a publicação do livro, sobre a his-tória da revolta dos marinheiros do 8 de setembro de 1936, que é o objectivo que falta concretizar do programa da comissão promotora da homenagem aos marinheiros tarrafalistas. (colaboração de custódio de jesus, saj) no passado dia 21 de maio, numa cerimónia no palácio de belém, foram agraciados, por sua ex. o presidente da repúbli-ca, com a ordem da liberdade, grau de comendador, os cinco marinheiros tarrafalistas, ainda vivos, que participaram na histórica “revolta dos mari-nheiros” de 8 de setembro de 1936, sendo posteriormente de-portados para o campo de con-centração do tarrafal, em cabo verde. são eles os, hoje, sargen-tos-ajudantes: armindo do amaral guimarães, joaquim de sousa teixeira, josé barata, josé neves amado, josué martins presidente da república condecora, com ordem da liberdade, marinheiros tarrafalistas</Page><Page Number="241">evista da armada • julho 99 23 a stanavforlant em lisboa a força naval permanente no atlântico (stanavforlant), constituída por sete navios, realizou uma visita de escala ao porto de lisboa no período de 13 a 24 de maio. o comandante da stanavforlant é o comodoro da marinha canadiana david c. morse, que se encontra embarcado no navio-chefe, a fragata canadiana “athabaskan”, tendo assumi-do o comando da força em 16 de abril, no porto alemão de wilhelmshaven. a fragata “corte real”, sob o comando do capitão-de-fragata josé carlos saldanha lopes, foi integrada na stanavforlant em wilhelmshaven, indo contribuir com a sua presença nesta força naval durante cerca de seis meses. a stanavforlant, antes de escalar lisboa, esteve envolvi-da numa série de intensos exercícios que se desenrolaram ao longo da costa da dinamarca, com a colaboração da força aérea e de na-vios das marinhas da alemanha, dinamarca, holanda e noruega. os cerca de 1800 homens e mulheres embarcados aguardavam ansiosamente esta estadia em lisboa como pausa e descanso das guarnições, após este período de mar tão activo. a última vez que a força naval escalara lis-boa foi em setembro de 1998. normalmente a stanav-forlant compreende navios do tipo fragatas, destroyers e reabastecedores de esquadra, até um máximo de oito uni-dades navais, que se mantêm integradas por períodos de cerca de seis meses, no máxi-mo. o comando da força é rotativo numa base anual entre todos os países que contribuem com os seus navios. envergando a bandeira da nato há já mais de 30 anos, cerca de 150.000 homens e mu-lheres das suas guarnições serviram em cerca de 600 navios da stanavforlant. em cada ano a força navega mais de 50.000 milhas, partici-pando em séries de exercícios nato programados, bem como em exercícios nacionais, visitas de escala e protocolares. actualmente, a força naval é constituída pelas seguintes unidades navais, todas do tipo fragata: • hmcs “athabaskan”* ............................... canada • fgs “bremen” .................................................. alemanha • sps “asturias” ............................................... espanha • hnlms “philips van almonde” ........... holanda • nrp “corte real” ........................................ portugal • hms “norfolk” ............................................. reino unido • uss “de wert” ................................................. e.u.a. *navio-chefe (colaboração da stanavforlant) o nrp “corte real” subindo o tejo com os navios hmcs “athabaskan”, uss “de wert” e sps “astúrias” atracados no cais do portinho da costa. o comandante do nrp “corte real” cfr saldanha lopes na conferência de imprensa a bordo do navio. uma praça do nrp “corte real” na base naval à chegada... matando saudades. instituto superior naval de guerra a complexidade da situação na jugoslávia levou a direcção deste instituto a realizar, no dia 10 de maio, um painel ligado à área de ensino de estratégia, subordinado ao título “o actu-al conflito nos balcãs”. constituíram a mesa, além do moderador, os prof. dou-tor antónio marques bessa e o prof. doutor antónio manuel dias farinha. por motivos de saúde não pode participar como era sua vontade o pro-fessor de direito internacional da universidade técnica de lisboa, prof. doutor antónio vasconcelos de saldanha. a assistência contou com a presença de altas entidades da marinha, da direcção do instituto superior de guerra aérea, dos cursos em funcionamento no isng (curso superior naval de guerra, 2º curso complementar 1998/99 e 2º curso geral também de 1998/99) e ainda do curso superior de guerra aérea. as perspectivas históricas e geopolítica elaboradas a propósito na jugoslávia permitiram concluir que as crises políticas, económi-cas e sociais que têm lugar nas mais diversas partes do mundo são directa ou indirectamente influenciadas por acontecimen-tos históricos que tem de ser levados em consideração quan-do se pretende compreender as suas razões, ao que o conflito da jugoslávia não foge. recorde-se que foi justa-mente nesta parte da europa que logo no séc. vi se operou a divisão do império romano com reflexos evidentes no des-tino dos povos na área. na parte ocidental ficavam para os nossos dias os eslovenos e os croatas, que usam o alfabeto latino e praticam a religião católica; na parte oriental, governada à época por bizâncio, vivem hoje os sérvios, os montenegrinos, os macedónios e os albaneses do kosovo, que praticam a religião orto-doxa e utilizam o alfabeto cirílico. para os sérvios o kosovo é a alma da sérvia, pelo que se constitui em interesse nacional indiscutível, e razão para a política posta em prática pelo seu governo, em choque com os princípios hoje sacrossantos de paz e de segurança internacionais, dos direitos do homem e das suas liberdades fundamentais.</Page><Page Number="242">4 julho 99 • revista da armada navios estrangeiros em visita de rotina esteve atracado no cais do jardim do tabaco, em lisboa, no período de 8 a 11 de maio, o submarino turco “preveze”. como características, este submarino tem 62 met. de comprimento, 6.2 met . de boca, 5.6 met. de calado e um deslocamento à superfície de 1454 toneladas. a sua guarnição é compos-ta por 51 elementos. entre os dias 14 e 17 de maio estiveram atracados na doca da marinha em visita de rotina os navios integrantes da mcmfornorth. a força é constituída pelos navios-patrulha “buldog” (uk) e “makrelen” com “dro-ne” (de) e pelos caça-minas “lindau” (ge), “urk” (nl), “aster” (be) e “sandown” (uk). entre os dias 20 e 25 de maio esteve de visita a lisboa uma força naval alemã da qual fazia parte o navio-tanque “te-gernsee”. esta navio esteve atracado na bnl, es-tando os outros na-vios da força – na-vio-auxiliar “donau” e lanchas-rápidas lança-mísseis “oze-lote”, “sperber” e hyäne”, atra-cados na doca damarinha. a associação para o museu dos transportes e comu-nicações sediada no edifício da alfândega do porto vem desenvolvendo, desde a sua formação, um conjunto de activi-dades atraindo para esse espaço cultural em permanente re-novação, públicos muito diversificados. orienta a sua activi-dade no sentido de preservar e divulgar um património secu-lar como é o caso do edifício da alfândega e mantém uma diversidade temática nos diversos eventos que alberga. é neste contexto que se realiza no museu dos transportes e comunicações uma exposição interactiva “comunica-ção/comunicações”, inaugurada em 25 de fevereiro que decorre até 31 de dezembro de 1999. a marinha, na sua qualidade de associado fundador daquela associação, aceitou o convite para participar, colaborando na referida exposição. áreas temát icas como a cartograf ia, hidrograf ia e oceanografia, telecomunicações e museologia contam com a colaboração dos experientes saberes da marinha. exposição interactiva comunicação/comunicações teve lugar no passado dia 17 de abril, a comemoração anual do dia da esquadrilha de submarinos, tradição que tem mantido ao longo dos anos um amplo significado para todos os membros activos ou não das "famílias" submarinista e de mergulhadores, completando-se com este evento os 86 anos da implantação da arma submarina na marinha de guerra portuguesa. as actividades decorreram na área da bnl e tiveram os seus expoentes na celebração da tradicional missa em memória dos cama-radas falecidos, na exposição de fotografias, na apresentação em con-tínuo de audiovisuais subordinados ao tema "evolução e actividades dos submarinos e dos mergulhadores" e culminando no almoço con-vívio, durante o qual se procedeu à tradicional entrega de placas alusi-vas ao submarinista e ao mergulhador mais antigos presentes. o evento contou com a presença de mais de duas centenas de pes-soas, entre militares e familiares, que tiveram assim a oportunidade de confraternizar e de reviver episódios do passado. dia da esquadrilha de submarinos dia da unidade na direcção de apoio social no passado dia 5 de março a direcção de apoio social co-memorou o seu “dia da uni-dade”, festejando assim o seu 5º aniversário. as comemorações cons-taram de uma missa celebra-da na capela de s. roque em memória dos antigos colabo-radores falecidos e de um convívio na casa domilitar da armada. no convívio esteve presente o superintendente dos serviços do pessoal, valm castanho paes, o qual, após umas breves palavras proferidas pelo director, cmg tito cerqueira, se dirigiu ao pessoal que presta serviço na direcção de apoio social, felicitando esta direcção pelo seu aniversário e incentivando todos os presentes a darem o melhor do seu profissionalismo e empenho no exercício da sua actividade, realçando a importância que esta assume para toda a “família naval”.</Page><Page Number="243"></Page><Page Number="244">onvívios vai realizar-se no dia 17 de julho (sábado) o almoço-convívio para assinalar o 25º aniversário da chegada a lisboa, da cf 2 que serviu na guiné de out72 a jul74. os interessados em participar neste encontro deverão contactar com: • 1sar fz romão; base de fuzileiros tel. 276 10 71/2/3/4 – ext. 1177 • tel. 01/215 33 52 das 19.00 às 22.00 horas (res.) • cab fz botas; base de fuzileiros tel. 276 10 71/2/3/4 – ext. 1701 • tel. 01/289 16 81 das 19.00 às 22.00 horas (res.) realizou-se no passado dia 11 de abril, em nework, e.u.a., um almoço de confra-ternização organizado pelo núcleo de new jersey e new york, da associação de mari-nheiros da armada portuguesa (a.m.a.p.) que reuniu cerca de 200 ex-marinheiros da “briosa”. a a.m.a.p., presidida por carlos rocha, conta agora com cerca de 400 associados espa-lhados por vários pontos da costa leste dos estados uni-dos. o presidente da a.m.a.p. informou que este almoço de confraternização teve por ob-jectivo organizar fundos para suportar as despesas da deslo-cação da fanfarra da banda da armada a fim de participar na parada do dia de portugal, que se realizou no passado dia 13 de junho em nework, new jersey. a festa foi coordenada por uma comissão organizadora presidida por josé ferreira, tendo como mestre de cerimó-nias joaquim valente rio. informou a a.m.a.p. que para o biénio 1998/1999 a di-recção da associação ficará sediada no estado de connec-ticut, com a mesa de assem-bleia geral em rhode island e o conselho fiscal em new jersey. realizou-se no passado dia 1 de maio no restaurante “o es-condidinho” em sesimbra, o habitual almoço-convívio para comemorar o 60º. aniversário da incorporação dos “filhos da escola” do 1º alistamento dos alunos marinheiros da ar-mada (1 de maio de 1939), em vila franca de xira. o encontro decorreu num ambiente de elevada e franca camaradagem e contou com a presença de muitos familiares e amigos. para todos aqueles que se “aguentarem no balanço”, espera-se novo almoço-con-vívio, desta vez em torres vedras.  realizou-se no sábado de aleluia na freguesia do lado-eiro, concelho de idanha-a- -nova, o habitual convívio de marinheiros. estiveram reunidos cerca de 33 “escolas” do activo, re-serva e reforma que num am-biente de alegria e sã camara-dagem, recordaram os bons velhos tempos passados na “briosa”. em seu devido tempo irão ser postas em prática várias ac-ções de forma a que no próximo convívio (sábado aleluia 2000) possam estar presentes mari-nheiros de todo o concelho. comissão cten sem vina-gre lopes o “núcleo de fuzileiros dos templários” fundado em 10 de maio de 1997 em tomar e pre-sentemente com 85 sócios, tem levado a efeito várias iniciati-vas, a última das quais foi o seu 3º almoço que se realizou no passado dia 1 de maio na associação de cultura, des-porto e solidariedade social, no paço da comenda. o con-vívio que reuniu cerca de 200 pessoas, fuzileiros de várias gerações e seus familiares, demonstrou a grande vitali-dade deste núcleo, à seme-lhança de outros, também de marinheiros e fuzileiros, que têm nos últimos anos prolifera-do por todo o país. os contactos com o “núcleo de fuzileiros dos templários” poderão ser estabelecidos atra-vés de: carlos corte real telef. 049/313078. realizou-se no fim de sema-na de 15 e 16 do passado mês de maio, o 11º passeio do moto-clube naval. desta vez, o desti-no escolhido foi a região de castelo de vide e marvão, onde estiveram presentes 38 sócios e familiares. o fim de semana começou com a viagem para o alto alen-tejo, tendo o grupo ficado insta-lado no hotel “sol e serra”. os participantes aproveitaram o primeiro dia para visitar a vila de castelo de vide onde se des-taca o seu castelo altaneiro. no dia seguinte, o grupo visitou al-guns menires existentes na região e após o almoço iniciou- -se o regresso a casa de toda a caravana, sem que se registasse qualquer incidente. o motoclube naval não quer deixar de agradecer a colabo-ração de todos quantos partici-param e apoiaram a organiza-ção deste evento, em particular ao cfr saldanha junceiro, que pelo seu profundo conhecimen-to da região se revelou uma ajuda preciosa. o motoclube avisa todos os associados para estarem atentos aos próximos eventos. motoclube naval 11º passeio 26 julho 99 • revista da armada</Page><Page Number="245">evista da armada •julho 99 27 foi com um grande e diver-sificado conjunto de iniciativas e com a participação de associa-dos e familiares, que o csa co-memorou os 25 anos da re-volução de abril. o presidente da direcção, manuel pais, na intervenção que fez no almoço comemorati-vo, salientou de forma sintética essas comemorações e a sua importância, da qual transcre-vemos: “iniciámos as comemorações no dia 16, na sede e delegação com a abertura de uma expo-sição fotográfica, (murais da revolução) do nosso camarada da força aérea, paixão esteves; realizámos no dia 17, na dele-gação, um colóquio/debate sobre uma das mais impor-tantes conquistas de abril: o po-der autárquico; promovemos com a participação dos outros três clubes da armada, no dia 20, na academia almadense, um espectáculo para a família naval; realizámos também com a participação dos outros clu-bes um torneio de futebol de 5; promovemos, ainda, um con-curso de desenho para crianças cujo tema é abril, o qual ainda decorre. estamos a realizar, hoje, o almoço-convívio comemorativo do 25 de abril, iniciativa que já realizámos no ano passado e no mesmo local. e, no dia 29 deste mês, realiza-mos, também aqui, na dele-gação, uma sessão que designá-mos “à conversa comabril” on-de participam, o ex. vice-presi-dente da assembleia da repú-blica, josé vitoriano, o escritor baptista bastos e o jornalista oscar demascarenhas”. e como um clube vivo é um clube participado, a delegação do feijó, no dia 5 do corrente mês, encheu e com grande ale-gria e entusiasmo comemorou e festejou o seu 15º aniversário. como disse o presidente da direcção nessa sessão: “o prob-lema do regime de propriedade da sede, está em vias de se encontrar uma solução digna para ambas as partes – clube e estado”. a resolução deste problema será para o clube, para os seus dirigentes e massa associativa, o terminar de preocupações que tanto os condicionavam quando se perspectivava as actividades do csa. será tam-bém a melhor contribuição, para que comemoremos, com a maior dignidade, os 25 anos, as bodas de prata, do clube do sargento da armada. (colaboração de custódio de jesus) clube do sargento da armada (csa) comemorou abril clube escolamizade de acordo com o plano de actividades, o clube escola-mizade realizou no passado dia 17 de abril o seu 13º. al-grande tema era “ a vida real do clube”, foi por si só motivo de orgulho do “ser marinhei-ro”, demonstrando, de uma maneira simples mas objectiva, o que fomos e o que somos, tendo ficado para a intervenção do presidente da direcção uma análise muito clara do que pre-tendemos ser no futuro. as entidades civis e militares presentes, rasgaram elogios a todos aqueles 295 marinheiros ali presentes e à maneira como através do clube escolamizade se associam para falar da “sua marinha” (intervenção do ve-reador camarário). a revista da armada – “nossa” revis-ta, também te-ve o seu espa-ço e foi lindo ver como mui-tos daqueles que pela pri-meira vez se nos associa-ram, de lágri-mas nos olhos, a folhearam parando nomeadamente nos artigos que mais lhe falavam ao coração (era a viagem de x ou y, era o convívio da esquadrilha de submarinos, era o quarto de folga, era aquela unidade de fuzileiros ou ainda os filhos das escolas de 19..... que con-viviam tal qual os ali presentes). os anos passam (e de que maneira!) mas as saudades, amizade e camaradagem ficam. (colaboração de mário martins) alunos do ensino básico e secundário contemplados com uma viagem  a bordo do “creoula”, como prémio do concurso histórico sobre a “expansão marítima portuguesa” organizado pela damag. plano de actividades 1999 jan/dez99      - actividades diversas na sede social 27fev99 - assembleia geral 17abr99 - 13º. almoço/convívio 29mai99 - passeio turístico/cultural a lisboa 28ago99 -grande noite de fados (sede social) set/dez99      - passeios pedonais (fins de semana) 5out99 - peddy paper (equipas por zona) 13/14nov99 a) - comemorações do 8º aniversário a) programa a elaborar moço–convívio, o qual de-correu nas instalações da fatacil – lagoa. em ambiente de espírito aberto e de sã camaradagem, apanágio de todos aqueles que de alcaxe ou botão de âncora viveram parte da sua vida na armada portuguesa, dando à “briosa” parte do seu crer e sa-ber, todos os intervenientes mostraram , para além da ale-gria de estar presente, a vonta-de acérrima de participar e re-cordar todo o tempo que nave-gando (no mar ou em terra e al-guns no ar) os caldeou para o resto da vida. a exposição fotográfica, cujo</Page><Page Number="246">8 julho 99 • revista da armada desporto xv campeonato de marinha de atletismo xv campeonato de marinha de atletismo disputou-se nas instalações desportivas do cefa, o xv campeonato de marinha de atletismo, que em 11 e 13 de maio reuniu 52 e 57 atletas respectivamente. o troféu em disputa foi atri-buído à escola de fuzileiros. os vencedores nas diversas corridas e concursos, por es-calões, foram os seguintes: xxiv campeonato das forças armadas de orientação xxiv campeonato das forças armadas de orientação o presente ano registou a 25ª edição do campeonato das forças armadas de orien-tação, numa das modalidades com maior tradição na família castrense, e cuja experiência tem conduzido à implantação deste desporto em portugal, mercê da sua respectiva fede-ração, desde sempre liderada por militares, e que muito es-pecialmente nas camadas mais jovens tem vindo a regis-tar um trabalho notável. a prova disputou-se na zona de stª margarida, numa orga-nização do exército, e que contou com a participação dos três ramos das forças ar-madas e forças de segurança. de salientar as seguintes classificações dos atletas e equipas da delegação da ma-rinha: i escalão 2º 1ten sef palma -  ef 3º 1mar fz ferreira - bf ii escalão 1º 2sar fz luís i escalão / estafetas 2º e 3º lugares ii escalão / estafetas 3º lugar escalão feminino / estafetas 1º lugar a classi f icação colect iva registou a vitória da delega-ção do exército, ficando a ma-rinha em segundo lugar. prova de remo em botes prova de remo em botes realizou-se em 12 de maio mais uma edição da tradicional prova de remo em botes, orga-nizada pelo comando do corpo de fuzileiros. a largada como sempre foi es-pectacular, originando depois uma longa fila de 33 botes pneumáticos até à linha da meta no cais da escola de fuzileiros em vale de zebro. o podium final regis-tou a seguinte classifi-cação: 1º unidade de meios de desembarque 2º batalhão de instrução /escola de fuzileiros 3º companhia de apoio de fogos xv campeonato de marinha de tiro de pistola xv campeonato de marinha de tiro de pistola decorreu em 24 e 25 de maio o xv campeonato de marinha de tiro de pistola, onde estiveram presentes 33 atiradores. a prova disputou- -se na distância de 25 mts, nas variantes de precisão e veloci-dade com pistola de guerra, apurando-se as seguintes clas-sificações: 1500 mts 5000 mts 1sar fz carneiro cab fz neves 4. 41 17.06 bf ef ii escalão i escalão prova vencedor tempo/marca unidade 100 mts 200 mts 400 mts 800 mts 1500 mts 5000 mts 4x100 mts 4x400 mts dardo disco peso altura comprimento triplo cad cordeiro cab tfd carmo 2ten sef rodrigues 1mar fz silva 2mar fz silva 1mar fz silva - - 1mar fz abreu 1ten sep neto cab l silva cab fz almeida cab fzc fernandes cab fzc fernandes 11 24.6 54.1 2.06 4.09 15.22 48.54 3.54 45.89 mts 33.38 mts 10.24 mts 1.75 mts 6.03 mts 13.15 mts en en cefa bf bf bf en en ef damag uaicm bf bf bf individual equipas 1cab a coelho 2º 2ten sep marracho 3º agente pm rodrigues 518 pts 496 pts 487 pts 1º en 2º ef 3º bf en bf c.p. lisboa 1408 pts 1392 pts 1342 pts</Page><Page Number="247">v campeonato de marinha de natação xv campeonato de marinha de natação os dias 26 e 27 de maio assi-nalaram o xv campeonato da marinha de natação, que mais uma vez se realizou na piscina do cefa, com a presença de 49 nadadores. de realçar a boa prestação, mais uma vez, da equipa da escola naval, que conquistou o troféu em disputa. por escalões os vencedores das várias provas foram os seguintes: i escalão prova vencedor tempo/marca unidade 50 mts mariposa 50 mts livres 100 mts livres 100 mts bruços 100 mts estilos 100 mts costas 400 mts livres 4x50 mts estilos 10x25 mts estilos pentatlo militar cad mercier cad mercier cad miranda cad almeida cad mercier cad miranda cad miranda - - cad mercier 31.6 27.7 1.05 1.34 1.13 1.12 5.02 2.17 2. 24 37 en en en en en en en en en en ii escalão 50 mts livres 50 mts mariposa 100 mts costas 100 mts livres 100 mts bruços 100 mts estilos 400 mts livres pentatlo militar cab cct goulaio cab cct goulaio 1ten emq feiteira cab cct goulaio 1mar fz ninhos cab cct goulaio 1ten emq feiteira cab cct goulaio 28.7 32 1.33 1.07 1.28 1.14 5.50 37 nrp “h.capelo” nrp “h. capelo” g1ea nrp “h. capelo” ef nrp “h. capelo” g1ea nrp ”h.capelo” prova vencedor tempo/marca unidade iii escalão 50 mts livres 50 mts mariposa 100 mts livres 100 mts estilos 400 mts livres pentatlo militar cten an mavioso cten an mavioso cten an mavioso cten an mavioso 1sar fzm oliveira cten an mavioso 30 31 1.10 1.22 6.36 40 g1ea g1ea g1ea g1ea cefa g1ea escalão feminino 50 mts livres 50 mts mariposa 100 mts estilos 400 mts livres cad vieira 2grt gomes 2grt gomes 2grt gomes 41 38 1.32 6.25 en ern algés ern algés ern algés</Page><Page Number="248">0 julho 99 • revista da armada passatempo e sta classe de navios pertence ao “group daction sous marine” – gasm. foram sujeitos a um grande programa de modernização, em que se destaca: o “duguay -trouin” foi modernizado para ser navio “flag-ship”, entre fevereiro de 1993 e abril de 1994. o sistema de comunicações principais e o sistema de tratamento de dados para combate sofreu uma grande actualização. o sistema de combate asw “slasm” começou a ser instalado nos outros dois navios da classe: “tourville”, desde março de 1994, “de grasse”, desde outubro de 1995. esta instalação in-clui; novo sonar de proa, novo sonar vlf (very low frequency) activo rebocado com sistema passivo variável separado, torpedos “murene”, lançados a partir de helicóptero e navio. o míssil oto melara / matra milas que substitui o “malafon” retirado: do “duguay-trouin” em 1993, do “tourville” em 1994, do “de grasse” em 1996. o sistema de detec-ção de efeitos hidro-fónicos foi instalado nos 3 navios em 1990. os helicópteros que equipam estes navios têm dupla função, tendo alguns deles:1) sonares ou sistemas de sonobóias, 2) armas asw, 3) mísseis anti- -navio as-12. (colaboração do 1ten sei fontinha citan) as fotografias abaixo apresentadas correspondem a plataformas navais publicadas pela revista da armada desde fevereiro de 1996. como passatempo propõe-se ao caro leitor desta revista que as identi-fique, tal como são apresentadas, em termos de classe de navio. identificação e reconhecimento visual características para id/recce • 2 peças de 100mm avante da ponte • pequeno mastro em treliça ao topo e a ré da superstrutura de vante • lançadores de ssm imediata-mente a ré da superstrutura de vante • mastro principal de grandes dimensões do tipo forrado, forma piramidal (chaminé mastro) a meio navio • radar de aviso aéreo apoiado em suporte projectado para vante a meio do mastro principal • 2 domos esféricos de satcom a bb e eb imediatamente a ré do mastro principal • lançador de sam no topo da superstrutura de ré • vds a ré do convés de voo informação geral/características país: frança • tipo: ddah • desloc. máximo: 5950 tons • desloc. standard: 4680 tons • compr. de fora a fora: 152,8 mts • boca: 16 mts • calado máximo: 5,7 mts • propulsão: 4 caldeiras / 2 turbinas • autonomia: 5000 mn a 18 nós • vel. máxima: 32 nós • unid. no activo: 3 unidades • armamento-mísseis: 6 ssm’s(mm-38 exocet), 8 sam’s(crotale), asw(milas) • artilharia: 2x100 mm 55 mod 68 cadam, 2x20 mm oerlikon • torpedos: 10x ecan l5 / mk 46 para hélis • radares: aviso aéreo (drbv-26); aviso de superfície (drbv-51 b); navegação (2x decca 1226); controlo de tiro (senit 3) (2xsagem dma) • sonares: dubv-23/43c;dsbv-62c • con-trolo de armas: drbc-32d / crotale • ew- esm: arbr 16; ecm: arbr32 • contra-medidas- engodos ew: 2x csee/vsel • meios orgânicos: 2x lynx mk-4 • combat data system: senit 3; link 11/14; satcom; opsmer tourville class (ddaf) passatempo imagem 9 imagem 10 imagem 11 imagem 12 imagens nº 5 – la fayette class (fs) nº 6 – iroquois class (hmcs) nº 7 – maestrale class (its) nº 8 – baleares class (sps) soluções tourville class (ddaf)</Page><Page Number="249">treino do leão revista da armada • julho 99 31 m anuel de brito camacho, nasceu em aljustrel no ano de 1862. de profissão médico militar. faleceu em 1934. não foi, porém, pela medicina que atingiu celebridade. de facto, o seu nome ficou ligado à política. e, também às letras, pois foi autor de numerosas obras, que tive-ram assinalado êxito. no campo da política devemos, logo de imediato, assinalar a sua acção como director do jornal a luta, que começou a publicar-se no dia 1 de janeiro de 1906, e que teve um papel prepon-derante na divulgação das ideias que, quat ro anos mais tarde, iriam fazer cair o regime monárquico. bri to camacho foi um tribuno de grande prestí-gio. todavia, a sua acção no campo da pol í t ica e, também, no campo social, distinguiu-se sempre pelo modo exímio em que usava a palavra. era tão hábil que tornava, quase sempre impossível, uma resposta ao seu antagonista. por vezes era mordaz, como naquela ocasião em que alguém, na câmara, notou que trazia um chapéu de palha velhíssimo, manifestamente indigno dum chefe de partido. resposta pronta: “se a palha fosse nova, já m’a tinham comido”. a mais extraordinária réplica que lhe conhecemos é aquela em que alguém, encontrando-se com ele, lhe anunciou que um deputado se tinha passado, para ir ocupar um lugar choru-do. camacho, responde-lhe: - bem vê, por esse preço não admira que se passasse... - eu sei dum que não se passava..., diz-lhe o outro. - também eu – replica-lhe brito camacho sem pestanejar – sou eu! em 1921, este, só de nome, médico militar, já com a patente de coronel, foi nomeado alto comissário em moçambique, onde exerceu uma notável acção diplomática, administrativa e de fomento. mesmo exercendo tais funções, este nosso perso-nagem não perdia a oportunidade de uma boa piada. é ele próprio que nos conta, na gente bóer, uma obra publicada em 1930, na qual nos relata que “em johannesburg, depois do espectáculo no variété, fomos tomar chá ao carlton. ali nos apareceu um repórter, a pedir-nos uma entrevista para o seu jornal, órgão do sr. abey bailly! contaram-me em lourenço marques que este senhor, armando em gracioso, a um dos seus cavalos de corrida pusera a alcunha de antónio, por ser um nome bem português, rasgo de espírito que foi muito celebrado em todos os centros... ca-valares. fui logo ao umbeluzi, quinta do governo, a ver se encontrava na colecção de burros que lá havia, inúteis como cónegos, um que fosse bastante azémola para lhe dar o nome de s. exª., pagando-lhe a galanteria com alguma generosidade. pois entre os trinta burros que havia no umbeluzi, não encon-trei um só que, pela sua falta de préstimo, pudesse ser conde-corado, sem injustiça, com este título nobiliárquico”. em 1951, como oficial da guarnição do aviso “bartolomeu dias”, onde era comandante o cmg negrão neto, fiz a volta a áfrica, numa viagem de instrução, que jamais será esqueci-da pe los guarda-mar inhas que ne l a par t i c iparam. em lourenço marques, entre várias cerimónias que ali se real izaram, o gover-nador da província ofere-ceu um jantar no palácio da ponta vermelha. na mesa da sala de jantar , f i que i ao l ado de um velho residente. não re-cordo o seu nome, mas guardo dele a imagem de um homem culto que me de l i c i ou com cur i osos episódios passados naque-la bela cidade africana. a certa altura contou-me a seguinte história, que vou t en t a r r eproduz i r dado que – como o tempo passa! – já lá vai quase meio século. referiu-se ao tempo em que brito camacho, exercendo as funções de alto comissário, constatou que, nos jantares que oferecia naquela mesma sala onde nos encontravamos, a conversa, mais tarde ou mais cedo, cambava para a descrição de prolongados, e por vezes monótonos, episódios de caça. parecia que, naquela terra, não se sabia falar de outra coisa. as façanhas sucediam-se, cada um cantando as suas heroici-dades, e, mesmo que ele, alto comissário, procurasse dar uma volta ao assunto, passado pouco tempo, lá vinha outra de mais um destemido caçador. enfim, uma verdadeira pas-maceira, como diria o nosso imortal eça. isto foi acontecendo até que um dia... até que num jantar de grande cerimónia, onde populavam as casacas, os vestido compridos, as jaquetas medalhadas, brito camacho não se conteve: “a respeito de aventuras de caça, que tenho verificado são do gosto de v. ex.as, vou relatar-vos uma, cuja descrição acabo de receber de um amigo que é caçador em angola. este meu amigo, nas suas caçadas, costuma acampar durante alguns dias e, a partir deste seu pequeno quartel, procura o leão que é a sua caça predilecta. recentemente, aconteceu-lhe uma situação difícil, nada desejável mesmo para o profissional que ele é. em certa ocasião, surge-lhe um leão. e, em que local, meus senhores? exactamente entre ele e a tenda, onde tinha, lamentavelmente, deixado a sua arma. sente que o leão prepara o salto para o apanhar. que fazer? numa fracção de segundo imagina uma solução. saltar em direcção à tenda ao mesmo tempo que o leão o fizer em sua direcção. não vê outra saída. executa. o leão saltou, mas saltou de mais e, assim, ao chegar ao o treino do leão</Page><Page Number="250">2 julho 99 • revista da armada chão não encontrou, naturalmente, o meu amigo, que logo entrou na barraca e pegou na espingarda decidido a liquidar o leão. este, talvez um pouco desmoralizado, desapareceu na selva.” os convivas, que tinham ouvido silenciosamente esta por-menorizada descrição, julgando que a história tinha termina-do, esboçaram um sorriso amarelo. todavia, o comissário régio, logo os desenganou: “não, meus caros senhores, a aventura ainda não termi-nou. o inesperado, está para vir. de facto, no dia seguinte, o meu amigo caçador, com a arma que nunca mais abando-nou, ouviu, não muito longe do acampamento, umas pan-cadas estranhas. aproximou-se, com toda a cautela, do local donde vinha o barulho. atravessou uma densa vegetação e, às tantas depara com um descampado. e sabem v. ex.as o que viu? nem vão acreditar: o leão estava a treinar-se em saltos curtos”! segundo disse o meu companheiro de mesa, e eu acreditei piamente, nunca mais se contaram histórias de caçadas nos jantares do palácio da ponta vermelha, enquanto brito camacho foi alto comissário. a. estácio dos reis cmg ref bibliografia “e m guisa de carta dirigida a hipotético interessado, que em princípio supõe dotado de qualidades, ainda a desen-volver, para vir a ser um líder de pessoal – o que, só por si, já denuncia um chefe em embrião, ou seja, um aluno com quali-dades de chefe, o livro em apreço é afinal um curso no qual se pretendem “apresentar de forma simples, resumida e sistemati-zada, as principais regras práticas que um chefe tem de respeitar para se poder ser bem sucedido como líder de pessoal”. é assim que no próprio livro o autor, capitão-de-mar-e-guerra reformado, armando da silva saturnino monteiro, antigo profes-sor da escola naval das cadeiras de organização e arte de comando, política e estratégia e história marítima, membro emérito da academia de marinha e técnico de ensino progra-mado, é assim, dizíamos, que o autor abre o seu livro, do qual espera que [o aluno] leve até final, sem desfalecimento, e que colha dele ensinamentos úteis que venham a contribuir para melhorar a sua acção como dirigente. o livro em si, cujos custos o autor suportou, contém como curiosidade não de todo original, mas só vista em casos onde se justifica a aplicação, que umas páginas são para leitura com o livro aberto em posição normal, outras, são para ser lidas com o livro “de pernas para o ar”. daí, que se insiram, numa das pr imei ras páginas , “instruções para uso deste livro”. depois, veem as li-ções, na sua totalidade pa-ra ver com o livro na posi-ção normal. as lições são seguidas de exercícios de aplicação. esperemos que, com as suas l ições para desen-volver capacidades de li-derança, em dois volumes de duzentas e vinte pági-nas cada um, as conheci-das e reconhecidas quali-dades do comandante sa-turnino, venham a alcan-çar grande sucesso, para podermos vir a ter a satis-fação de contar com lideres do gabarito do autor. pela oferta de dois exemplares, destinados à biblioteca da r. a., aqui deixamos os nossos agradecimentos. “liderança de pessoal” comandante saturnino monteiro e dição da fundação bênçãos do senhor e círculo literário do clube naval do rio de janeiro. ora aqui está um livro curioso. para con-tar a história do descobrimento do brasil, o autor , que foi aluno da escola naval brasileira (quando nós o fomos também da escola naval portuguesa – nascemos no mesmo ano) mas depois se formou em engenhar ia e foi professor de vár ias universidades, redige umas cento e cinquenta páginas, e que acontece? conclui um pequeno tratado onde aborda quase todos os temas relacionados com a história da navegação, a marinharia, os instru-mentos náuticos, passa pelo descobrimento da américa e tratado de tordesilhas, e ter-mina com a chegada ao brasil – “achando- -o”, não descobrindo-o, e tudo isto com grande leveza, tanto podendo ser interes-sante para letrados, como didáctico para jovens. conquanto pequenas incorrecções, muito pequenas, possam ocorrer num ponto ou noutro, é uma bela lição para quem deseja abordar o grande tema que são os descobrimentos, e ficar com uma ideia bem fundamentada sobre o fei to de pedro álvares cabral. nem lhe faltam, para remates, a primeira folha das “instruções” de vasco da gama para cabral, e a célebre carta de pero vaz de caminha, um primor de epístola histórica que vale sempre a pena (o gosto!) reler. a r. a. agradece ao senhor engenheiro colbert a oferta de um volume para a nossa biblioteca, e cumprimenta o autor. sousa machado cmg ref “a descoberta do brasil não foi obra do acaso” colbert demaria boiteux</Page><Page Number="251">evista da armada • julho 99 33 quarto de folga a b desenho da autoria do cmg sousa machado navio egípcio, segundo relevo em dayral-bahri. vela suspensa entre duas vergas (verga e retranca?), com várias adriças. um cabo de reforço do casco, de vante a ré, dando resistência longi-tudinal, e uns trinta remadores (15 por bordo); leme de esparrela. foi em navio semelhante, apenas com vela, que se fez o primeiro périplo de áfrica ( a que chamavam líbia) no sentido dos ponteiros do relógio, 1.400 anos antes de cristo. os dois desenhos a e b não são todavia iguais. existem sete diferenças, as quais desafiamos o leitor a identificar. (solução no próximo número) vamos apresentar mais um problema a 4 mãos, em que n/s estão vulneráveis e s joga 6 após abertura de e em 2 fraco. como deve s jogar com saída de w a 9.  (problema nº 12) se tapou e/w e encontrou a solução parabéns, pois trata-se de um problema que a 4 mãos é mais fácil do que sentado à mesa. a saída deu-lhe uma indicação preciosa da colocação do v e terá que a aproveitar como vamos ver na sequência de carteio que se segue:  d faz a do morto; joga e faz o r pois e não entrará certamente de a; joga outra e a mão irá para e que jogará ; pega de r e corta a última de 2; destrunfa 2 vezes e joga para o v de w; elimina-dos os e , a 5 cartas tem no morto v e os 4 e na mão a8 de e os 3 ; repare que nesta posição w não tem defesa e joga ou corta e balda, e assim só perderá mais uma vaza, cumprindo o con-trato. temos assim a técnica de carteio de "eliminação e colocação em mão" apresentada como solução do problema nº 1. soluções problema nº 11 9 - 9 5 4 d v 10 a 10 9 7 6 5 oeste (o): r d v 10 3 2 6 3 6 5 2 4 3 este (e): a 5 7 2 a r 9 8 7 4 3 v 8 norte (n): 8 7 6 4 a r d v 10 8 - r d 2 sul (s): nunes marques calm an joguemos o bridge joguemos o bridge passatempo passatempo</Page><Page Number="252">4 julho 99 • revista da armada notícias pessoais comandos e cargos nomeações cfr silvério tavares martins, vice chefe da missão militar otan milrep, bruxelas bélgica. reserva cfr res josé matias avó cochicho cfr res manuel leitão duarte carvalho cfr res diamantino de jesus gameiro aqueu sch res agostinho maria rodrigues de araújo. saibam todos relativamente ao artigo “o curso de formação de sargentos (cfs)” publi-cado na ra nº 320 de maio de 1999, esclarece-se e rectifica-se o seguinte: a classe de “enfermeiros e técnicos de diagnóstico e terapêutica” é constituída por duas subclasses: - enfermeiros (he) - técnicos de diagnóstico e terapêutica (hp) nos sargentos em rc existe a classe “técnicos navais” constituída por dois ramos: - programadores de informática (pin) - electrónica (elt) clube militar naval prémio “marinheiro artilheiro antónio ferreira” os prémios correspondentes ao ano lectivo de 1998/99 em número de dois, no valor unitário de esc: 20.00000, são reservados a filhos de praças da armada e destinam-se a premiar os alunos que obtenham classificações elevadas nos seguintes cursos: a) 9º ano unificado (antigo curso geral dos liceus e cursos equivalentes). b) ciclo preparatório para o ensino secundário e cursos equivalentes. a habilitação aos prémios será feita pelos pais ou encarregados de edu-cação dos alunos em carta registada, dirigida ao presidente da direcção do clube militar naval, av. defensores de chaves, 26 – 100 lisboa, expedida até 15 de novembro de 1999, e na qual conste: - nome do aluno - data do nascimento - filiação do pai e da mãe - endereço dos pais ou encarregados de educação - escola ou liceu que frequentou no ano lectivo de 1998/99 - número de turma, nº. do aluno e nº. do ano que frequentou no ano lectivo 1998/99 - média final que obteve no ano lectivo de 1998/99 não poderão concorrer ao prémio “marinheiro artilheiro antónio ferreira” os alunos que tenhammais de 17 e 14 anos de idade completados no ano civil da habilitação, respectivamente para as alíneas a) e b) deste aviso, de acordo com o artigo 7º. do regulamento. não serão atribuídos quaisquer prémios quando os candidatos tiverem obtido classificações inferiores a 12 (doze) valores. exposição d. joão vi e o seu tempo “a exposição d. joão vi e o seu tempo”, decorre no palácio nacional da ajuda galeria d. luís i, por iniciativa da comissão dos descobrimentos. o instituto de acção social das forças armadas colabora na referida exposição com uma peça de extraordinária beleza e incalculável valor, uma custódia, doada pela princesa d. maria francisca benedita ao centro de apoio social de runa e, nor-malmente, exposta no museu deste centro. os beneficiários do iasfa têm acesso gratuito à exposição, que decorre todos os dias úteis, das 10.00 horas às 18.00 excepto, às 2as feiras, até final de julho, bastando apresentar na recepção o cartão de assistência na doença dos militares daarmada (adma). rectificação</Page><Page Number="253">atrimónio cultural da marinha peças para recordar património cultural da marinha apesar de haver conhecimento de que os pilotos portugueses usavam o astrolábio náu-tico, para determinarem a posição do navio na época dos descobrimentos, só em 1917, luciano pereira da silva chamou a atenção para a importância deste instrumento. mais tarde, em 1934, fontoura da costa, volta a falar-nos destes instrumentos n’a marinharia dos descobrimentos. todavia, é david waters que, em 1957 e depois em 1969, elabora as primeiras listas, a última das quais já contém 21 exemplares. em 1983 alan stimson publica a primeira e, ainda, única obra –the mariner’ s astrolabe- exclusiva-mente dedicada ao astrolábio náutico, onde reúne 65 exemplares. actualmente, graças ao espectacular desenvolvimento que tem havido na arqueologia náutica, já existem mais de 80 astrolábios em museus e colecções particulares. em portugal, apenas soubemos guardar um exemplar que se encontra no observatório astronómico da universidade de coimbra, o qual, devido às suas características, dimen-sões e peso, nunca foi usado a bordo dos navios. t odavia, em 1983, um mergulhador amador , de nome sardinha alves encontrou um objecto, nas proximidades da ericeira que só identificou quando assistia a um programa de televisão. ofereceu ao museu de marinha, o ericeira (todos os astrolábios náuticos têm nomes próprios) que passou a ser o primeiro da colecção que começou a constituir -se. neste mesmo ano, tendo sido encontrados, nos restos do galeão português sacramento, afundado na baía em 1668, dois astrolábios náuticos, a marinha do brasil, graças ao empenho do calmmax justo guedes, ofereceu ao museu de marinha o sacramento-b. ainda durante a década de 1980, foi adquirido um lote de objectos provenientes da nau santiago, afundada, em 1585, nos baixos da índia, no canal de moçambique. assim entrou para o museu de marinha o astrolábio santiago, sem marcas nem data. o nuestra señora de atocha, um galeão espanhol que transportava grande quantidade de prata e ouro, afundou-se nos baixos de key west, na florida, no ano de 1619. nos restos deste navio, foram encontrados cinco astrolábios. dois deles foram adquiridos, num leilão da christie’ s em new york, com o apoio de várias instituições e vieram aumentar o património do museu de marinha.* são eles o atocha iii, de 1605, que exibe um g, o que indicia que foi fabricado por agostinho gois raposo e o atocha iv, com a data de 1616 e assinado por joão dias, um bem conhecido artífice português. na ria de aveiro, victor manuel paiva santos achou um astrolábio em impecável esta-do de conservação, datado de 1575 e com cinco pequenos círculos em cruz que o identi-ficaram como português. é o aveiro. mais recentemente, quando se preparava a expo-98, e foi cometido ao centro nacional de arqueologia náutica e subaquática, a missão de explorar um sítio, para encontrar peças que valorizassem aquela exposição, no campo da arqueologia, foi esco-lhida a entrada da barra do t ejo. sucedeu o inesperado: entre cerâmica e outro material, os valorosos mergulhadores do referido centro, acharam três astrolábios, o são julião da barra 1, são julião da barra 2 e o são julião da barra 3, o último dos quais em perfeito estado, com a data de 1606 e com a marca de cinco pequenos círculos em cruz, já atrás assinalada. assim, no museu de marinha encontram-se actualmente nove astrolábios náuticos, o que faz desta colecção a maior jamais reunida em continuidade. *o autor contou a história destes astrolábios e da sua aquisição na revista oceanos, nº 2, outubro de 1989 7. astrolábios náuticos no museu de marinha museu de marinha (texto de a. estácio dos reis – cmg)</Page><Page Number="254">. astrolábios náuticos no museu de marinha património cultural da marinha peças para recordar património cultural da marinha ericeira sacramento b santiago s. julião da barra 1 s. julião da barra 2 s. julião da barra 3 atocha iii atocha iv aveiro fotos de reinaldo carvalho - museu de marinha</Page><Page Number="255">ublicação oficial da marinha • nº 323 • ano xxix agosto 99 • mensal • 24000</Page><Page Number="256">ruzador “adamastor” 1897-1933 viagem ao brasil, 1898 estação naval de moçambique, 1899 comissão ao extremo oriente, 1904 viagem de soberania a angola, 1907 comissão a timor, 1908 implantação da república, 1910 comissão à américa do sul, 1911 comissão a macau, 1912 combates no rovuma, 1916 operações de guerra em moçambique, 1916 estação naval de moçambique, 1916/1919 missão ao extremo oriente, 1927 visita oficial ao japão, 1930. comissões principais construído em livorno em 1896 casco de aço deslocamento: 1757 toneladas comprimento: 73,81 metros duas máquinas de 4000 cavalos velocidade máx: 18.9 nós armamento: duas peças de 150mm/30; 4 peças de 105mm/46; duas peças de 37mm/20; 3 tubos lança-torpedos; 3 metralhadoras. características os últimos navios do império os últimos navios do império pintura do arquitecto telmo gomes</Page><Page Number="257">ublicação oficial da marinha periodicidade mensal nº 323 • ano xxix agosto 1999 director calm emq res luís augusto roque martins chefe de redacção cfr ref jorge manuel patrício gorjão redacção 2ten tsn ana alexandra gago de brito secretário de redacção 1sarg t vitor manuel gaspar lopes colaboradores permanentes cmg ref raúl de sousa machado cten fz luís jorge r. semedo de matos cten abel ivo de melo e sousa 1tenref dr. rui m. ramalhoortigãoneves administração, redacção e publicidade edifício da administração central de marinha revista da armada rua do arsenal 1149-001 lisboa - portugal telef: (01) 321 76 50 fax: (01) 347 36 24 endereço da marinha na internet http://www.marinha.pt e-mail da revista da armada revista.armada@mail.marinha.pt fotocomposição, paginação electrónica, fotolito, montagem e produção página ímpar, lda. estrada de benfica, 317 - 1º f 1500-074 lisboa tiragem média mensal: 6000 exemplares preço de venda avulso: 24000 registada na dgi em 6/4/73 com o nº 44/23 depósito legal nº 55737/92 issn 0870-9343 revista da armada • agosto 99 3 sumário reprodução de uma pintura da autoria do rei d. carlos. os últimos navios do império 2 planetário calouste gulbenkian 22 a marinha joanina 24 instituto hidrográfico 26 escola naval 27 notícias 38 desporto 31 virei de burro/convívios 32 quarto de folga 33 notícias pessoais 34 património cultural da marinha contracapa anunciantes: bta – banco totta &amp; açores; clínica dentária e ortodontica; eid – empresa de investigação e desenvolvimento de electrónica, s.a.; galp; ogfe – oficinas gerais de fardamento e equipamento; policlínica de vale fetal. no passado dia 20 de maio, a marinha portuguesa deixou a sua “última capitania de além-mar”, criada e desenvolvida nas costas da china. 4 os anos 90 foram decisivos para a integração feminina nas forças armadas portuguesas. 1 3 joão maria ferreira do amaral, oficial de marinha, chefiou os destinos de macau numa altura em que a presença portuguesa no extremo oriente era sujeita às maiores provações, conseguindo, à custa do seu valor e sacrifício pessoal, reabilitá-la. 8 a história do cruzador “d. carlos i”, mais tarde “almirante reis”, o maior navio combatente que pertenceu à armada. 17 publicação oficial da marinha • nº 323 • ano xxix agosto 99 • mensal • 24000</Page><Page Number="258">agosto 99 • revista da armada um adeus a macau a capitania dos portos de macau é não só uma das mais antigas capitanias portuguesas, como também uma das mais antigas instituições do território de macau. as suas origens parecem encontrar-se numa deliberação do leal senado da câmara de macau que em 1822 nomeou o capitão de mar-e-guerra francisco victória vasconcelos pereira barreto para dirigir o ordenamento do porto “por concorrerem nele as qualidades precisas para coman-dante da marinha mercantil deste porto... ficando-lhe subordi-nados os capitães de todos os navios para lhe responderem pe-los procedimentos das suas equipa-gens”. a partir de então, foi regularmente de-signado um oficial de marinha militar para dirigir esse serviço público, destinado a assegurar o exercício da autoridade maríti-ma e a coordenação, desenvolvimento e promoção das activi-dades marítimas de macau. ao longo de vários decénios e até aos nossos dias, a capitania dos portos de macau e aqueles que devotadamente a serviram nas mais diversas funções, prestaram relevantes serviços ao território em áreas tão diferentes como a hidrografia, a meteorologia, a farolagem e a balizagem, a gestão portuária, a segurança da nave-gação, a administração pública e, até, a in-tervenção cultural e a acção humanitária. desse labor de homens e mulheres resul-tou uma organização que foi capaz de pro-gressivamente se modernizar e de se ajus-tar aos tempos, de granjear o respeito públ ico, de susci tar a simpat ia dos macaenses e de satisfazer algumas necessi-dades reais do território através da criação de serviços credíveis e eficientes como têm sido as oficinas navais, a escola de pilo-tagem ou o museu marítimo de macau. essas instituições de referência em macau, tal como as cartas hidrográficas do território, o farol da guia ou o quartel dos mouros são, entre outros, verdadeiros símbolos daquilo que a capitania dos portos de macau e com ela a marinha portuguesa deixarão às novas autoridades da futura região administrativa especial de macau. trata-se de uma herança valiosa que o tempo e a determinação de muitos permi-tiram consolidar e que não será facil-mente subalternizada ou esquecida no futuro, porque respondeu a necessidades concretas, assenta em princípios univer-sais e foi forjada na criatividade, na co-operação, na experiência e na mais eleva-da noção de serviço público. de facto, desde que em 13 de abril de 1987 foi assinada a declaração conjunta luso-chinesa, que o problema da localiza-ção dos quadros da capitania dos portos de macau se apresentou como um desafio de prestígio e de responsabilidade a diferentes níveis, desde a formação técnico-profissio-nal à modernização tecnológica. passados 12 anos de preparação e a cerca de 6 meses da data de transferência da administração pa-ra as autoridades da futura região admi-nistrativa especial de macau, a marinha portuguesa pode or-gulhar-se pela forma como os seus ele-mentos conduziram todo o complexo processo de localiza-ção naquele territó-rio e pelo trabalho que metódica e atem-padamente foi rea-lizado. depois de alguns séculos de presença portuguesa em terras de além-mar , que tanto condicionaram e continuam a condicionar a identidade nacional, aproxima-se o dia em que a república popular da china reassumirá a administração do território de macau. nesse dia, quando a bandeira portuguesa for arriada das margens do rio das pérolas, ficará encerrado um longo ciclo da nossa história, ao qual está indissoluvelmente ligado o nosso imaginário colectivo e muitas das nossas memórias marinheiras. por isso, as cerimónias que recentemente marcaram a completa localização dos quadros da capitania dos portos de macau têm um simbolismo marcante, na medida em que ultrapassam a simples formalidade da cessação de responsabilidades numa capitania, para representarem o culminar da presença permanente da nossa marinha em áreas não europeias. a última capitania de além-mar um adeus a macau aspecto da tribuna nas cerimónias realizadas no jardim vasco da gama no dia 20 de maio de 1999.</Page><Page Number="259">evista da armada • agosto 99 5 por isso, as cerimónias que marcaram a conclusão do processo de localização da capitania dos portos de macau não podi-am deixar de se pautar por níveis de digni-dade compatíveis com o mérito do traba-lho desenvolvido pela marinha em macau, sobretudo nos últimos 12 anos e, como aconselhava a nossa tradição naval, as cerimónias não poderiam resumir-se a um burocrático acto solene de posse e a dis-cursos de circunstância. nessa perspecti-va, foram planeadas e programadas por forma a acentuar a importante herança histórico-cultural simbolizada na capitania dos portos e a servir de estímulo e referen-cial aos novos dirigentes. eng. josé alves de paula acabamos de assistir a uma cerimónia que constitui um dos últimos e mais impor-tantes passos do processo de transição da soberania de macau e, particularmente, da localização da sua administração. as nomeações hoje realizadas, que encerram a localização no âmbito da tutela que me está cometida, deixam a capitania dos portos de macau com todas as suas chefias localizadas. foi um processo que se desenvolveu firmemente mas de forma serena e programada, sem sobressaltos nem descontinuidades. passam agora a ser quadros locais, convenientemente preparados, a ocupar todos os lugares de direcção e chefia neste fundamental e complexo órgão da administração pública de macau. estão reunidas todas as condições para que a transfe-rência de soberania do território se processe de forma contínua e eficiente. cessa hoje funções de capitão dos portos de macau o senhor comandante herlander zambujo, individual idade com grande experiência de macau e da sua capitania, na qual desempenhou exemplarmente os car-gos máximos. tive oportunidade de conviver com ele durante quase 3 anos, ao longo dos quais contei com a sua colaboração assídua, sempre marcada pela lealdade, competên-cia, voluntariedade e dedicação ao serviço e à causa pública. saliento, ainda, o perma-nente esforço que desenvolveu na formação dos quadros da capitania, preparando-os para assumirem as responsabilidades em que agora estão investidos. enalteço essas qualidades, agradeço essa colaboração e desejo-lhe as maiores feli-cidades pessoais e nos cargos em que, em portugal e ao serviço da armada portuguesa, vier a ser chamado a desempenhar. a nomeação da eng.ª wong soi man para o cargo de directora da capitania dos portos de macau culmina um percurso de grande sucesso. tendo já desempenhado diversos cargos na hierarquia de chefia da capitania, duma forma em que sempre se salientaram a sua grande competência, dedicação e lealdade, conhece bem o cargo que vai assumir e a complexidade da missão. mas não temos a mínima dúvida de que as qualidades que já demonstrou prenunciam que será perfeitamente capaz de realizar com sucesso este maior desafio que lhe foi posto e que, corajosa e resoluta-mente aceitou. ao assumir um cargo que, até hoje, sempre foi desempenhado por um oficial superior da armada portuguesa, afirmo-lhe toda a nossa confiança e que poderá con-tar com todo o apoio que vier a achar necessário para o desempenho da sua missão que, sabemo-lo, desempenhará com toda a lealdade e dedicação. fica nas suas mãos esta instituição secular, depositária de históricas tradições e que é de enorme respon-sabilidade para a vida do território, sua economia, estabilidade e autonomia. eng.ª suzana wong soi man em primeiro lugar desejo agradecer a vossa presença nesta cerimónia, particular-mente a v. exa senhor secretário-adjunto, não só pela confiança em mim deposita-da, mas também porque constitui um forte estímulo para cumprir com mais determi-nação e entusiasmo as funções de directora da capitania dos portos de macau que agora assumo com muita honra e satisfação. a história da capitania dos portos de macau coincide de algum modo com a evolução do comércio marítimo em macau. por outro lado, a sua organização tam-bém evoluiu de apenas uma repartição dos serviços de marinha até a uma capitania com competências múltiplas e complexas. na reali-dade, o espaço marítimo e as actividades a ele ligadas, constituem valores económicos e soci-ais relevantes para o território e para os habi-tantes de macau, que vão desde a pesca aos transportes marítimos, passando pelas activi-dades portuárias e de construção naval e, ainda, por uma gestão ambiental equilibrada em todo o domínio público hídrico. no aspecto da localização dos quadros, a capitania tem-se confrontado com maiores dificuldades do que os outros serviços da função pública. tendo em vista a natureza muito particular da actividade desenvolvida pela capitania, foi facultada formação específica na área marítima, não só através de acções realizadas na escola de pilotagem de macau, designadamente o curso de es-tudos marítimos, mas também mediante a frequência de cursos em estabelecimentos de ensino superior de portugal e da univer-sidade marítima mundial na suécia, complementados por estágios profissionais em organismos da marinha portuguesa. nesta ocasião permitam-me deixar umas palavras de homenagem a todos os ofi-ciais, sargentos e praças da marinha portuguesa, que têm contribuido para o processo de localização dos quadros da capitania, pois sem o seu esforço, a cerimónia de hoje talvez não fosse viável. a partir de hoje, temos já uma equipa completamente localizada, mas ao mesmo tempo sentimos que os desafios que se nos deparam exigem maiores esforços. como elementos integrais da comunidade local não temos nenhumas desculpas, tais como diferenças de culturas ou de linguagens, para ignorar quaisquer responsabilidades que nos competem. ... antes de terminar queria agradecer ao meu antecessor, comandante zambujo, a forma aberta, sincera e responsável como me aconselhou com as suas experiências e opiniões sobre a capitania, que certamente fortalecem a minha confiança para os meus trabalhos futuros e, simultaneamente, desejo-lhe as maiores felicidades profis-sionais, pessoais e familiares. ... pela sua importância e pelo seu significado no contexto da conclusão do processo de localização dos quadros da capitania dos portos de macau, transcrevem-se algumas partes dos discursos proferidos pelo eng. josé alves de paula, secretário-adjunto para os transportes e obras públicas do governo de macau e pela eng.ª suzana wong soi man, a nova directora da capitania dos portos de macau, na ceri-mónia do acto de posse realizado no dia 20 de maio de 1999.... passagem de testemunho a engª suzana wong no momento em que tomava posse como directora da capitania dos portos de macau. cerimónia de apresentação de cumprimentos da marinha ao general vasco rocha vieira, governador de macau.</Page><Page Number="260">agosto 99 • revista da armada quase todos compreenderam esse momento histór ico em que a nossa marinha se desligava da “última capitania de além-mar” e a participação do go-vernador de macau e de muitos membros do governo e da assembleia legislativa de macau nas cerimónias realizadas, não pode deixar de ser interpretada como uma homenagem à marinha portuguesa e aos úl t imos mar inhei ros por tugueses do oriente. as diversas cerimónias revestiram-se de grande dignidade e coincidiram com as comemorações do “dia da marinha e da capitania dos portos”, tendo tido o seu ponto alto no dia 20 de maio de 1999, quando se realizou a sessão solene de tomada de posse da nova directora da capitania dos portos de macau, eng.ª suzana wong soi man, que substituiu o cfr herlander zambujo. antes haviam sido realizadas as activi-dades que habitualmente se integram nas comemorações do dia da marinha em macau, designadamente a cerimónia solene no jardim vasco da gama presidida pelo governador de macau, onde se pro-cedeu à imposição de condecorações a militares e civis e à colocação de uma coroa de flores na base da estátua de vasco da gama. além desta cerimónia realizou-se na capela do farol da guia uma missa por alma dos marinheiros falecidos no mar, assim como o tradicional embandeiramen-to dos navios, as regatas náuticas, um torneio interno de futebol e um torneio de bridge aberto à comunidade local.  no entanto, dois importantes aspectos que muito prestigiaram as comemorações do dia da marinha e da capitania dos por tos merecem ser destacados no momento em que se completou o proces-so de localização de quadros da capitania dos portos de macau, uns porque sim-bolizam a vontade de preservar o passado e a herança marítimo-cultural portuguesa e, outros, porque representam um instru-mento da vontade de assegurar uma co-operação técnica eficaz no futuro. no aspecto cultural destaca-se a edição de um livro intitulado “a marinha portu-guesa em macau”, da autoria do coman-dante rodrigues da costa, que constitui um repositório das actividades da marinha em macau ao longo dos séculos e que permite assinalar de uma forma duradoura os con-tributos dos marinheiros portugueses no processo de desenvolvimento de macau. assinala-se, igualmente, a feliz iniciativa da edição com tradução chinesa das “rosas dos ventos das cartas de marear portuguesas”, originalmente extraida de “a marinharia dos descobrimentos” do co-mandante fontoura da costa, que foi pu-blicada com autorização do clube militar naval e constitui um importante instru-mento de divulgação da cultura náutica portuguesa. condecorações aspectos da cerimónia de entrega de condecorações realizada no jardim vasco da gama: cfr rocha carrilho (1), outros militares (2), funcionários civis (3), comendador morais alves (4) e comendador dr. stanley ho (5). sessão de apresentação do livro “a marinha portuguesa emmacau” realizada no museu marítimo. o cmg martins e silva e o cfr mourão ezequiel assinando os protocolos de cooperação com a capitania dos portos de macau. 1 2 3 4 5</Page><Page Number="261">evista da armada • agosto 99 7 mas as iniciativas culturais ainda esti-veram presentes na apresentação de duas belas edições da autoria de ilustres mari-nheiros: “a china” do comandante jayme do inso e as “imagens do oriente” do mé-dico naval dr. antónio gonçalves perei-ra, para além da edição de uma medalha comemorativa da capitania dos portos de macau, concebida pelo comandante herlander zambujo. tão diversificada iniciativa cultural que marcou e conferiu uma dignidade acrescen-tada à transferência de poderes na capitania dos portos que foi dirigida e fortemente impulsionada pelo comandante herlander zambujo, merecendo palavras de home-nagem da eng.ª suzana wong soi man que a seu respeito afirmou que ”para além das funções inerentes ao cargo de director da capitania contribuiu também para muitas actividades de carácter cultural e patrimo-nial, enriquecendo a capitania dos portos de macau com outros aspectos muito valiosos”. no aspecto técnico destaca-se a inaugu-ração da estação costeira gmdss de macau destinada ao apoio a embarcações em perigo na área marítima de macau e a apresentação da nova carta hidrográfica de macau – a carta náutica oficial 96301 - produzida conjuntamente pelo instituto hidrográfico e pela capitania dos portos de macau. de igual relevância destaca-se, também, que foram assinados dois importantes pro-tocolos de cooperação entre a capitania dos portos de macau e duas instituições da marinha portuguesa, respectivamente o museu de marinha e o instituto hidrogra-fico. estes protocolos assinados pelo cmg martins e silva, director do museu de ma-rinha, e pelo cfr mourão ezequiel, direc-tor-técnico do instituto hidrográfico, sim-bolizam a vontade de cooperação entre a marinha portuguesa e as novas autori-dades marítimas da futura região admi-nistrativa especial de macau. no dia 20 de maio de 1999 a marinha portuguesa deixou a sua “última capitania de além-mar”, criada e desenvolvida nas costas da china pela dedicação, pela inte-ligência e pelo profissionalismo de muitos marinheiros. foi um dia que fica na história da marinha e muitos daqueles que com o seu esforço contribuiram para que esse dia fosse possível, como no seu discurso de posse afirmou a nova directora da capi-tania, não tiveram o privilégio de partilhar os emocionantes momentos proporciona-dos por um escasso grupo de homens que ostentando a farda do botão de âncora deram “volta à sua faina” e que nos seus rostos mostravam a satisfação pelo dever cumprido. cerimónia de lançamento à água de uma coroa de flores em memória dos marinheiros mortos no mar. o quartel dos mouros. macau em finais do século xx (vista da parte sul da península e da ponte que desde 1974 a liga à ilha da taipa). museu marítimo de macau.</Page><Page Number="262">erreira do amaral e a reabilitação de macau 8 agosto 99 • revista da armada a situação no território p ara melhor se compreender a obra de ferreira do amaral como governador é indispensável conhecer a situação no território antes e à data da sua chegada e, acima de tudo, há que desfazer um equívoco em que cer-tamente laborarão muitos leitores: ao contrário do que é maldosa-mente defendido por inúmeros autores estrangeiros (nomeada-mente ingleses) e, inclusive, alguns portugueses, macau foi, desde o iní-cio, uma legítima possessão por-tuguesa. tendo batido e expulso, a pedido dos mandarins de cantão, os piratas da península de heung-san, os portugueses aí se insta-laram, tendo-lhes a referida penín-sula sido cedida, num gesto de gra-tidão, sem limites de prazo nem de autoridade. é certo que lhes foi exigido um tributo, que mais não era do que um acto de vassalagem que o imperador, como “filho do céu”, considerava ser-lhes devido por todas as nações da terra. assim sendo, a nossa presença por aquelas paragens esteve sempre longe de ser uma situação precária, apenas tolerada pelo governo de pequim. o que houve, sim, foram abusos graduais consentidos ao longo dos tempos. como é do conhecimento geral, o domínio espanhol, entre 1580 e 1640, fez com que grande parte das possessões ultra-marinas portuguesas fossem deixadas ao abandono e, entre elas, naturalmente, macau. dessa situação se aproveitaram os holandeses que, em 1601, lançaram um ataque ao território, através de uma esquadra comandada pelo almirante van neck. esse tipo incursões repetiu-se por diversas vezes até 1615. a fraca resistência dos ocupantes encorajou os mandarins e o próprio imperador chinês, mais interessa-dos em obter proveitos do que no domínio territorial, a impor cada vez mais a sua hegemonia. exigiram, assim, maiores tribu-tos, proibiram novas edificações na área da cidade e a entrada de novos habitantes, estabelecendo uma porta no istmo de macau (porta do cerco). impuseram, além disso, uma alfândega sua (ho-pu) e um mandarim seu (tso-tang). entre 1660 e 1752 procuraram os por-tugueses, através do envio de embaixadas, que o governo de pequim acabasse com estes vexames mas, apesar da cordialidade com que todas elas foram recebidas, reve-laram-se, na sua essência, infrutíferas. nestas condições se foi tornando cada vez mais confusa a situação política ma-caense: a governadores autoritários sucediam-se senados absorventes do poder, sempre sob pressão dos mandarins e da sombra da ascen-são inglesa. vitoriosa da primeira guerra do ópio (os ingleses haviam descoberto naquele produto uma moeda de troca mais rentável para os produtos chineses), a inglaterra havia imposto à china, através do tratado de nanquim – 1842 – a cedência de hong-kong e prepara-va-se para tornar a cidade um forte ponto de atracção comercial no sueste asiático, fazendo dela um porto franco. cedo, porém se verifi-caria o malogro desta solução pois, ressentidos com a recente humilha-ção, os chineses viriam, deliberada-mente, a afastar daquele território os seus investimentos e mesmo grande parte dos mercadores ingle-ses preferiria manter-se emmacau. não desejando, porém, ver-se ultrapassada (eis um flagrante caso de precipitação!), a coroa portu-guesa decreta, em 1845, que macau seja, igualmente, um porto franco (administrativamente saíra, já, em 1844, juntamente com timor, de sempre que, ao longo da sua história, portugal enfrentou graves períodos de crise, surgiram homens (ou mulheres, honra lhes seja!) capazes de “remar contra a maré” e, vencendo o desânimo e as adversidades, restituir à sua pátria o prestígio perdido. joão maria ferreira do amaral, distinto oficial de marinha, chefiou os destinos de macau numa altura em que a presença portuguesa no extremo oriente era sujeita aos maiores vexames e provações, conseguindo, à custa do seu valor e sacrifício pessoal, reabilitá-la, dar-lhe um novo fôlego e conduzi-la a uma nova, conquanto efémera, fase de regeneração. um português de “ouro” comandante ferreira do amaral. ferreira do amaral e a reabilitação de macau</Page><Page Number="263">evista da armada • agosto 99 9 ses, ressentidos com os termos insultuosos do tratado de nanquim, e o território português levaria, sem dúvida, a melhor, não fora o facto de adoptar uma política semelhante. nenhum dos governadores conseguira, no entanto, implementar efectivamente o decreto. coube a ferreira do amaral a tarefa de o fazer (fora esse o principal motivo da sua nomeação) e, embora a medida acabasse por se revelar desas-trosa, mais não fez do que cumprir uma ordem do governo central. ora, à data da sua chegada, as condições estavam longe de ser propícias à imple-mentação do novo estatuto: os mandarins de cantão, sob o beneplácito do governo de pequim, impunham as suas vontades, cobravam direitos alfandegários e man-tinham o território quase isolado, opondo entraves ao seu crescimento físico e demográfico. havia, antes de mais, que restabelecer a enfraquecida autoridade portuguesa, acabar com os abusos da do-minação chinesa (pois não fora hong-kong cedida incondicionalmente?) e trans-formar macau numa verdadeira colónia. para tal começou por acabar com as li-mitações ao crescimento da cidade, tomando posse, à mão armada, das ilhas de taipa e coloane, que fortificou e pro-jectando estradas entre os muros da cidade e a porta do cerco, ordenando, com isto, a remoção de grande número dos túmulos chineses que juncavam os arredores e entupiam os acessos (não fora esta acção e haveria o risco de mais cedo ou mais tarde a colónia se transformar num imenso cemitério chinês). criou-se, assim, uma situação delicada, pois a vene-ração dos antepassados é muito cara aos chineses. consciente deste problema, amaral, não obstante o seu carácter autoritário e determinado, agiu com grande tacto e diplomacia, fazendo ver que não havia intenções de ofender e concedendo compensações monetárias às famílias mais desfavorecidas. o passo seguinte foi acabar com a into-lerável opressão dos mandarins: determi-nou que os donos das terras situadas para aquém da porta do cer-co pagariam impostos não àqueles mas sim ao governo português e re-cusou-se a pagar mais foro do chão de macau, imposição abusiva to-lerada durante séculos e que dava ilegitima-mente argumentos aos que defendiam não ter portugal, desde o co-meço, efectiva sobera-nia sobre o território. fez também expulsar vários mandarins que cobravam taxas ilegais sob a alçada de goa). esta medida viria, a médio prazo, a tornar-se desastrosa, pois a extinção da alfândega ho-pu acabaria por levar ao boicote por parte dos comerciantes chineses, à semelhança do que sucedia em hong-kong, enquanto, por sua vez, a abolição da alfândega portuguesa, faria “secar” uma das principais fontes de receita do território. é esta a delicada situação que ferreira do amaral vem encontrar quando, em 21 de abril de 1846, toma posse como gover-nador. o oficial de marinha joão maria ferreira do amaral começou, desde muito cedo, a mostrar o seu valor. tinha apenas 16 anos quando seguiu, em após a usurpação de d. miguel, foi dos poucos oficiais de marinha a con-seguir emigrar e apresentar-se na ilha terceira ao serviço de d. pedro. parti-cipou, assim, no desembarque do min-delo, comandando um dos pequenos na-vios da esquadra liberal. comandou ain-da o brigue s. boaventura e, em 1833, a es-quadrilha do ribatejo, que defendeu lis-boa pela parte ocidental. conquistando a estima e a consideração de napier era, já, por distinção, no fim da guerra, oficial superior. até 1844 comandou diversos navios, entre os quais a corveta urânia e a fragata diana que foi enviada ao brasil e ao rio da prata numa ocasião em que, por aquelas paragens, perigavam seriamente os inte-resses e a segurança dos portugueses. penha e palácio do governador. 1821, como aspirante de marinha para servir na esquadra do brasil, pouco antes da proclamação de independência daquela colónia. esta proclamação é feita em 1822, mantendo-se, no entanto, a baía fiel a portugal. foi, por este motivo, a cidade cercada em 1823 por terra e por mar pelas forças brasileiras comandadas pelo general labatour (a força naval era comandada por lord cokrane). a cidade acabou por ser ignominiosamente entregue pelo general madeira e pelo comandante da esquadra, joão félix, numa desobediência às ordens do governo da metrópole. verificaram-se, contudo, actos isolados de exemplar heroísmo, entre os quais o do guarda- -marinha ferreira do amaral, que em itaparica chefiou uma coluna de assalto das forças de marinha portuguesas. com o braço direito desfeito por um tiro de canhão continuou a incitar os seus homens à carga, gritando avante, meus bravos camaradas! ainda me sobra outro braço! (1) levado quase à força para um hospital de campanha, onde o que lhe restava do braço teve que ser amputado a sangue-frio, não se conteve ao ver o esmorecimento que o seu próprio sofrimento causava nos companheiros e, erguendo-se, então, da cadeira onde se encontrava, lançou ao ar o braço amputado e exclamou com arrebatamento viva portugal! prosseguiu, no entanto, a sua carreira, tendo sido promovido a tenente. em angola comandou a estação naval e distinguiu-se no combate à escravatura, tendo prendido um famoso negreiro chamado arsénio pompílio. era deputado por aquela colónia quando foi nomeado governador de macau. a acção do governador como vimos antes, o governo por-tuguês tinha, através de um decreto real, em 1845, transformado macau num porto franco. esta solução não tinha, porém, vingado em hong-kong, em grande parte devido ao boicote dos mercadores chine-palácio do governador, cerca de 1890.</Page><Page Number="264">0 agosto 99 • revista da armada aos navios e aos comerciantes, chegando ao ponto de, sem qualquer cerimónia, ati-rar pessoalmente pelas escadas um dos que difamara a sua administração e tivera, apesar de tudo, o desplante de lhe apare-cer no palácio do governo. esta firmeza de agir era, contudo, sempre acompanha-da de uma continuada acção diplomática junto do vice-rei de cantão, explicando que mais não se fazia do que fazer cumprir ordens da coroa portuguesa e repor a legalidade num território que era, de jure, pertença de portugal. mas para macau ser um verdadeiro porto franco, havia ainda que acabar com o símbolo oficial da hegemonia chinesa: a alfândega ho-pu, que foi finalmente extin-ta em 5 de março de 1849 (a alfândega portuguesa já fora, entretanto, abolida). conforme referido anteriormente, esta revelou-se uma medida nefasta, pois con-duziu ao boicote chinês, à semelhança do que sucedia em hong-kong. para impedir o êxodo que se adivinhava, o governador viu-se mesmo forçado a proibir a saída dos proprietários chineses sem uma autorização escrita, autorização essa cuja ausência implicaria o confisco das propriedades como tendo sido aban-donadas. a verdade é que sem a colabo-ração chinesa, macau ficava reduzido de posto comercial a posto militar avançado, ao nível das arruinadas possessões por-tuguesas na índia e em áfrica. se implementar todas estas medidas já de si era difícil, pela feroz oposição dos visados, mais difícil se tornou quando o próprio senado criticou a “política anti-chinesa” de amaral. em resposta, foi dis-solvido, tendo os ex-senadores sido acu-sados da falta de lealdade e de patrio-tismo (é provável que grande parte deles compactuasse com a corrupção, dela co-lhendo benefícios). a acção daquele órgão foi, em consequência, severamente limita-da a partir daí. mas não foi apenas da parte do senado que surgiram entraves. o próprio gover-no central, absorvido em novos assomos de guerra civil, deixou a colónia abando-nada à sua sorte, descurando o apoio de-vido à implementação das suas próprias políticas. extinta, com a alfândega por-tuguesa, a principal fonte de rendimentos do território e entregue aos seus precários recursos (que incluíam as patrióticas con-tribuições dos mercadores macaenses), o governador foi obrigado a lançar impos-tos sobre a população, impostos que, alia-dos ao recrutamento forçado para garan-tir a segurança e a ordem públicas, gera-ram o descontentamento geral. em 23 de novembro de 1847 amaral, numa carta para lisboa, dera já conta da situação instável que se criava: eu respondo com a minha cabeça que hei-de cumprir e fazer cum-prir tudo o que humanamente seja possível e me seja ordenado pelo governo, mas sem di-nheiro e sem crédito é exigir mais do que pode homem dum braço só (2) . a situação chegou a exigir uma quase implementação da lei marcial, mas amaral conseguiu afirmar a autoridade portuguesa e granjear o respeito não apenas da população local mas também das autoridades chinesas. nem mesmo os ingleses ousavam desa-fiá-lo abertamente (“preocupados” com a segurança do território, os nossos ve-lhos aliados já tinham tentado por duas vezes – 1807 e 1810 – impor a sua pre-sença militar, não tendo, porém, sido bem sucedidos), como o atesta o infame caso summers: em 7 de junho de 1849, durante a pro-cissão de corpus christi, um cidadão inglês de hong-kong, james summers, num gesto de arrogância, desrespeito e fanatismo protestante, recusou-se a tirar o chapéu, obstinando-se na sua recusa mesmo depois de educadamente adver-tido, sendo, por esse motivo, encarcerado. na manhã seguinte, amaral foi interpela-do por três oficiais superiores da marinha inglesa que ali se encontravam para uma regata organizada pela administração macaense. apesar de pressionado para li-bertar summers imediatamente, não cedeu, embora, cortesmente, se tivesse e mais não foi possível fazer do que trans-mitir um vigoroso protesto ao governador de hong-kong. o governo britânico 