Revista da Armada - page 8

AGOSTO 2014
8
REVISTA DA ARMADA
|
488
MASC
O MASC, realizado em 6 de maio, marcou formalmente o início
do treino do navio. Segundo a doutrina inglesa, a condução do
MASC pretende determinar o estado geral do material e aferir
se a operação dos equipamentos e a execução das tarefas pela
guarnição são realizadas em segurança, em suma, estabelecer as
bases de partida e as prioridades para o treino subsequente. No
final desse dia, o FOST concluiu que o navio estava pronto e se-
guro para iniciar o treino em Inglaterra.
Ao se dirigir à guarnição formada no convés de voo, após o
navio ter atracado, o
Captain Sea Training (South)
, Captain Tim
Peacock, felicitou o estado geral do navio para a inspeção inicial
e aproveitou o momento para referir alguns aspetos importantes
para as guarnições dos navios que iniciam um período de treino,
nomeadamente:
– as rotinas de bordo,
– a recetividade ao treino e
– treinar como se combate e combater como se treina –
play
it real
.
A semana de terra
Após a realização do MASC, o navio ficou atracado na Base Na-
val de Devonport, dando cumprimento ao seriado previsto para
a primeira e única semana de terra. Deste modo foram realizadas
várias ações de treino, palestras e reuniões com o propósito de
se preparar as semanas de mar subsequentes, tendo-se também
aproveitado para retificar os aspetos a melhorar identificados
durante o MASC.
Ao terminar a semana de terra, concretamente na sexta-feira,
verificou-se um aspeto curioso no exercício de ameaça de bom-
ba que, sem conhecimento prévio da guarnição, obrigou a uma
alvorada inusitada por volta das seis da madrugada, porém, com
uma resposta pronta e determinada por parte dos militares de
bordo.
Uma última nota de referência para a Base Naval de Devonport
e para as facilidades disponibilizadas durante o período do trei-
no, nomeadamente, as instalações desportivas – ginásios, campo
de futebol e piscina – e o centro de saúde, na medida em que
contribuíram significativamente para o bem-estar e a saúde da
guarnição durante as seis semanas de treino.
As semanas de mar
O treino no OST é, no seu conjunto, um permanente desafio às
capacidades e à resiliência das guarnições, sendo as semanas de
mar a sua essência e o expoente máximo deste desidrato. Neste
artigo apresentaremos de seguida seis perspetivas que, na nos-
sa opinião, ajudam a explicar a exigência requerida nas semanas
de mar.
Primeiro, as rotinas diárias do navio. Os dias começavam cedo,
com a execução de limpezas e o estabelecimento das condições
de segurança para navegar ou combater, terminando tarde, após
concluído o programa seriado previsto para o dia, com o navio
a demandar o
Sound
e a fundear (águas interiores de acesso ao
porto). Durante os períodos de navegação, a guarnição esteve
normalmente em condição geral 2 ou, quando as circunstâncias
assim o exigiram, em virtude dos exercícios, em postos de emer-
gência ou de combate.
Segundo, pela sequência e complexidade de séries previstas
no seriado, que encurtaram substancialmente os períodos das
refeições e de descanso, o que constituiu um óbvio desafio para
o planeamento interno do navio e para a gestão do descanso da
guarnição. Este aspeto foi evidente sobretudo durante os “dias
da guerra” à terça-feira, com os exercícios de defesa anti-aérea –
ADEXs
, e à quinta-feira, com as tradicionais
weekly wars
– exercí-
cios de Força Naval em ambiente de multi-ameaça.
Nos “dias da guerra” à quinta-feira, num cenário repleto de
riscos e ameaças de superfície, sub-superfície e aéreas, o navio
permanecia em postos de combate durante cerca de sete horas.
Durante este período, o desafio lançado à guarnição passava pela
coordenação do esforço na “batalha interna”, para permitir a má-
xima utilização das capacidades do navio, solucionando/mitigan-
do avarias na plataforma, armas e sensores, de modo a garantir
o seu adequado empenhamento na “batalha externa” de acordo
com os objetivos e as prioridades definidas pelo comandante –
meeting the command aim.
O desafio em termos de coordenação do navio torna-se mais
complexo quando este assume o papel de navio-chefe da força e
o seu comandante as inerentes funções de CTG, situação que se
veio a concretizar com o NRP
D. Francisco de Almeida
na penúlti-
ma semana de mar e que constituiu mais uma excelente e gratifi-
cante oportunidade de treino no planeamento e na coordenação
das principais séries da semana.
1,2,3,4,5,6,7 9,10,11,12,13,14,15,16,17,18,...36
Powered by FlippingBook