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REVISTA DA ARMADA
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AGOSTO 2014
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Terceiro, pela transversalidade do treino que incluiu todas as
áreas do navio, chegando assim a todos os departamentos, bem
como a todos os elementos da guarnição. Deste modo, para além
dos “dias da guerra”, referidos anteriormente, também foram
treinadas séries, tais como as de emergência: avaria no leme,
homem ao mar, incêndios, alagamentos, queda de helicóptero
no mar, queda de helicóptero no convés de voo, combate a CWI
(
Conventional Weapons Incident
), suporte básico de vida ou co-
lisão/encalhe.
O treino também proporcionou o desenvolvimento das profi-
ciências ao nível dos procedimentos. Por exemplo, sem preten-
dermos ser exaustivos, referimo-nos concretamente às opera-
ções de reabastecimento e de reboque, procedimentos de inves-
tigar contacto, compilação do panorama, tiro com a peça de 76
mm, com a
goalkeeper
e com armamento ligeiro, carregamento
de armas, defesa contra ameaças assimétricas, de superfície, aé-
reas e submarinas,
action messing
, exercícios de máquinas e de
eletrotecnia, assessorias técnicas, manobras e evoluções, nave-
gação em águas restritas, navegação em canal rocegado, opera-
ções com helicópteros, operações de vistoria, relações com os
OCS
2
, entre muitos outros.
Para a operacionalização deste treino foi fundamental a pos-
tura dos avaliadores do FOST, nomeadamente pelas experiências
partilhadas, pela forma pedagógica como conduziram o treino e
pelos conhecimentos que possuem sobre a plataforma e os siste-
mas de armas e sensores das fragatas da classe Bartolomeu Dias
(ex-Karel Doorman).
Apesar das diferenças culturais e do idioma, esta situação nun-
ca constituiu um obstáculo para a condução do treino. Após 6
semanas no POST e uma interação constante, com os avaliado-
res ingleses a embarcarem de segunda a sexta-feira, chegando
a atingir cerca de 50 elementos nos “dias das guerras”, fica a re-
cordação de uma relação muito pragmática, mas de igual modo
pedagógica e cordial.
Uma palavra especial para a equipa portuguesa de ligação ao
FOST, na medida em que o seu permanente apoio, disponibilida-
de e experiência contribuíram de forma significativa para o su-
cesso do treino do NRP
D. Francisco de Almeida
.
Quarto, pelo número de meios de superfície, sub-superfície
e aéreos envolvidos durante todo o treino. Com efeito, o NRP
D. Francisco de Almeida
teve a oportunidade de interagir com
outras fragatas, designadamente: FGS
Schleswig-Holstein
(Bran-
denburg Class), HMS
Dauntless
(Daring Class), FGS
Luebeck
(Bre-
men class), HMS
Richmond
(Duke Class), HMS
Duncan
(Daring
Class), HMS
Kent
(Duke Class) e HMS
Westminster
(Duke Class).
O período de treino contou ainda com a participação do reabas-
tecedor RFA
Wave Knight
(Wave Class) e do patrulha HMS
Severn
(River class – OPV).
O treino na área anti-submarina foi proporcionado pelos sub-
marinos de ataque HMS
Ambush
(Astute Class) e HMS
Torbay
(Trafalgar Class) e pelo submarino convencional HNLMS
Bruinvis
(Walrus Class). Para o treino de defesa aérea os navios contaram
com a participação dos tradicionais Hawk e Falcon ingleses e os
Super Etendard franceses.
Quinto, acresce o facto de terem sido introduzidas nas sema-
nas de mar duas grandes séries, designadamente, o Ship Protec-
tion Exercise (SPE – testa a organização do navio para fazer face a
manifestações e ataques assimétricos quando o navio se encon-
tra atracado) e o Disaster Relief Exercise (DISTEX – testa a organi-
zação do navio para fazer face a um cenário de ajuda humanitá-
ria), o que implica um maior esforço da guarnição, que se desdo-
bra no treino no mar e em terra.
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