Família Cutileiro doou à Banda da Armada o primeiro disco gravado em Portugal. O disco uniface de 78 rpm terá sido ofertado pelo Regente da Banda dos Marinheiros da Armada ao Rei D. Carlos, que anotou a oferta num cartão brasonado colado na parte de trás do disco.
Este facto valoriza ainda mais o objecto, se tal é possível quando falamos do primeiro registo fonográfico da História da Música Portuguesa. É, assim, enorme a responsabilidade, que nos foi incumbida de preservar e valorizar este património que agora pertence à Marinha.
Na cerimónia de doação estiveram presentes, além de Carlos Alberto Alves da Cunha Cutileiro em representação da família Cutileiro, o CALM José Joaquim Conde Baguinho Chefe do Gabinete do Almirante CEMA, e CALM Eurico Fernando Correia Gonçalves Director do Serviço de Pessoal. Depois de algumas palavras de apresentação e boas vindas proferidas pelo Chefe da Banda, tomaram a palavra Carlos Cutileiro e o CALM Conde Baguinho. A cerimónia terminou com a Banda da Armada a interpretar a obra registada no disco, primeiramente na sua versão original para 25 músicos, seguida de uma versão para a actual estrutura da Banda, com todos os seus elementos e com uma nova linguagem e estética musical criada pelo arranjo do 1SAR B Jorge Salgueiro. Uma forma interessante de viajar no tempo e observar a evolução das estruturas e do pensamento musical.
O grande público poderá ouvir o som desse disco nos arquivos da EMI em Londres e foi confirmada a data das gravações por um dos maiores especialista mundiais em fonogramas antigos, Frank Andrews da City of London Phonograph & Gramophone Society Ltd. Juntamente com a matriz deste disco foram também encontradas mais 25 matrizes com obras gravadas pela Banda dos Marinheiros da Armada, sob a direcção do seu maestro António Maria Chéu, nas mesmas sessões de gravação de 1903. Podemos ouvir Obras de Concerto, Marchas, Obras do Cerimonial Militar (entre as quais a Marcha de Guerra que ainda hoje se mantém) e o “Hymno Portuguez” (da Carta) então vigente. É um documento único, cuja digitalização já se encontra entre nós e que continua a aguardar edição para ficar acessível a todos.
