
A 12 de junho de 1641, na sequência da revolução de 1 de dezembro de 1640, foi assinada uma trégua de dez anos entre Portugal e os Estados Gerais, em que era reconhecido tacitamente o direito dos Holandeses a tudo quanto nos tinham conquistado no Brasil, na África e no Oriente. Do tratado fazia parte a cláusula de que só entraria em vigor no Brasil seis meses depois de ratificado pelos dois Governos e no Oriente um ano depois. A VOC e a WIC, as poderosas companhias das Índias Orientais e Ocidentais, aproveitaram-se disso para se apoderarem, respetivamente, de metade das terras da canela em Ceilão, e do Norte do Brasil, bem como de Luanda, Benguela e São Tomé, em África.
Indignados com a perfídia dos Holandeses, os Portugueses do Brasil começaram a sublevar-se e, em setembro de 1644, recuperaram o Ceará e o Maranhão; em Maio de 1645 iniciaram a luta para expulsar os Holandeses do Recife. A braços com a guerra com a Espanha, o Rei D. João IV de Portugal fez todos os possíveis para evitar a guerra aberta com a Holanda, limitando-se a enviar discretamente alguns soldados e armas para os que lutavam contra o domínio holandês no Brasil. Em princípios de 1647 uma armada holandesa de dezanove navios iniciou o bloqueio da Baía. Em fins desse ano, D. João IV, compreendendo que a conquista daquela cidade seria o fim da presença portuguesa no Brasil e que, sem as riquezas do Brasil, Portugal não tinha possibilidade de continuar a guerra contra a Espanha, tomou a resolução desesperada de enviar toda a armada portuguesa para o Brasil. Era esta armada constituída por onze galeões, acompanhados por dez navios transportando cerca de dois mil soldados. Para seu capitão-mor foi escolhido António Teles de Meneses. Como é óbvio tratava-se de uma armada mais fraca e qualitativamente inferior à armada holandesa que estava bloqueando a Baía. Mas ao saberem que tinha partido de Portugal uma grande armada com destino ao Brasil, os Governadores do Recife, receando que tivesse por objetivo a reconquista daquela cidade, deram ordem à sua armada, que estava a bloquear a Baía, para regressar ao Recife.
Em abril de 1648 as tropas luso-brasileiras venceram as tropas holandesas na primeira batalha de Guararapes. Na sequência desta batalha uma outra armada holandesa, chegada recentemente, voltou ao bloqueio da Baía. Entretanto já António Teles de Meneses tinha enviado quatro galeões e uma urca para o Rio de Janeiro que, com outros navios que se lhes juntaram naquela cidade, se dirigiram para Angola e recuperaram Luanda e São Tomé. Encontrando-se com a sua armada muito enfraquecida, António Teles meteu os navios que lhe restavam dentro de um pequeno rio a norte da Baía.
Tendo notícia de que os navios portugueses que estavam habitualmente fundeados diante desta cidade tinham desaparecido, o almirante holandês receou que tivessem ido atacar o Recife, e dirigiu-se imediatamente para lá! Não os encontrando, pediu autorização aos Governadores para ir em perseguição da armada portuguesa que fora para Angola. Mas aqueles não o autorizaram, temendo que durante a sua ausência os Portugueses fossem bloquear a cidade. Daí resultou que a reconquista de Luanda e de São Tomé não foi seguida de qualquer reação por parte dos Holandeses.
Regressado ao bloqueio da Baía, o almirante holandês combateu, a 28 de setembro de 1648, com duas fragatas portuguesas. Uma dessas fragatas, depois de uma enérgica resistência, rendeu-se; a outra, depois de o seu capitão ter pegado fogo ao paiol da pólvora, explodiu e afundou-se, arrastando consigo uma nau holandesa e avariando de tal forma outra que, posteriormente teve de ser abandonada.
Em janeiro de 1649 a armada holandesa regressou ao Recife. Em fevereiro teve lugar a segunda batalha de Guararapes em que os Holandeses foram novamente derrotados. Em maio a armada holandesa foi bloquear o Rio de Janeiro. Mas António Teles de Meneses não se mexeu, continuando com os seus navios encerrados na Baía, o que constituía uma preocupação para os Governadores do Recife. Por fim, em junho, armada holandesa regressou a esta cidade muito desgastada, física e moralmente, devido aos longos meses que passara na costa brasileira sem ter uma base em que se apoiasse, uma vez que o Recife, cercado por terra, não possuía a mínima capacidade logística. Então as guarnições os navios holandeses sublevaram-se e começaram a zarpar por sua conta e risco rumo à Europa. O próprio almirante acabou por fazer o mesmo! E toda a armada foi chegando à Holanda, com os navios desgarrados uns dos outros, num estado miserável e as guarnições moribundas, tão destroçada como se estivesse sido vencida numa grande batalha! E assim os Portugueses ganharam temporariamente o domínio do mar em águas brasileiras e angolanas, graças à Sorte, que é um fator decisivo na Guerra, e à forma inteligente como António Teles de Meneses soube tirar partido da estratégia da «armada em potência».