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Calicut (11 de Dezembro de 1752)


Sensivelmente pela mesma altura (1650) em que os Portugueses da Índia começaram a ter problemas com os Árabes de Omã, começaram também os conflitos com os Maratas que, ocupando a faixa costeira entre Damão e Goa, possuíam um grande número de portos fortificados e dispunham de uma armada importante que chegou a atingir os setenta navios entre gurabos, palas e galvetas. Os gurabos eram navios de três mastros semelhantes às fragatas europeias, mas mais pequenos, menos robustos, menos veleiros e pior armados; as palas eram navios de dois mastros semelhantes aos patachos europeus, mas também de pior qualidade; as galvetas eram navios mistos (vela e remo) semelhantes às nossas antigas galeotas de convés. Das guarnições dos navios maratas faziam parte numerosos artilheiros ingleses e holandeses a quem os Maratas pagavam bastante melhor que as respetivas Companhias.

De início os Maratas limitaram-se a fazer guerra de corso à custa da navegação indiana, abstendo-se de hostilizar os navios portugueses e ingleses. Porém, a partir de 1685, sentindo-se mais fortes, começaram também a atacar os destas duas nações. Em finais de 1739 dois grandes exércitos maratas avançaram inesperadamente sobre Goa e Baçaim. A primeira conseguiu salvar-se a troco do pagamento de uma pesada indemnização; a segunda acabou por se perder e com ela todas as terras que os Portugueses possuíam entre Damão e Bombaim.

Dos inúmeros combates que a armada portuguesa da Índia travou com os Maratas merece destaque o que teve lugar entre a nau Nossa Senhora da Misericórdia, do comando do capitão-de-mar-e-guerra João de Melo Saraiva e uma esquadra marata composta por 3 gurabos, 7 palas e 11 galvetas.
Encontrando-se aquela nau em Calicut a carregar madeira para o arsenal de Goa, foi avistada a esquadra marata dirigindo-se para lá. Melo Saraiva levantou ferro de imediato e fez-se ao mar.

Entretanto acorrera à praia o Samorim, acompanhado por muito povo e pelos embaixadores de várias nações europeias que tinha na sua corte. Pensando que a nau portuguesa fugira para evitar o combate com os maratas começou a vituperar os Portugueses por deixarem o porto à mercê daqueles. Subitamente, a Misericórdia, que só tinha ido para o mar para ganhar barlavento, virou de bordo e arremeteu sozinha contra a esquadra marata!

Teve então lugar um encarniçado combate, que se prolongou por cinco horas, em que a nau portuguesa, disparando continuamente a sua artilharia e manobrando habilmente por forma a evitar ser abordada, conseguiu avariar grande parte dos navios maratas e causar-lhe muitas baixas, obrigando-os a bater em retirada.

Na praia, o Samorim exultava e não se cansava de elogiar os Portugueses!

 

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