Skip Navigation LinksInício > PT > A Marinha > Historia > Combates Navais > Paraíba (12 a 17 de Janeiro de 1640)

Paraíba (12 a 17 de Janeiro de 1640)


Durante o período em que as Coroas de Portugal e de Espanha estiveram unidas, os reis espanhóis não pouparam esforços para ajudar os Portugueses a defender os seus domínios ultramarinos contra as arremetidas dos Ingleses e dos Holandeses. No âmbito dessa política, durante o período da União Ibérica, foram enviadas quatro grandes armadas luso-espanholas para o Brasil com o propósito de expulsar os Holandeses.

 A primeira dessas armadas (1625) foi a de D. Fadrique (sic) de Toledo, constituída por 28 navios de combate espanhóis e 7 portugueses, que em maio recuperou a Baía, que os Holandeses nos tinham conquistado no ano anterior. A segunda armada (1631) foi a de D. António Oquendo, composta por 12 navios espanhóis e 5 portugueses, que tinha por missão deixar 2 000 soldados na Baía, destinados a reforçar as tropas que cercavam o Recife, cidade que nos tinha sido arrebatada pelos Holandeses em finais de fevereiro de 1630. Cumprida a sua missão, quando iniciava a viagem para as Antilhas, esta armada descaiu muito para Sul e, pela latitude dos Abrolhos, travou uma demorada batalha de resultados indecisos com uma armada holandesa de 16 naus. A terceira armada de socorro ao Brasil (1635) foi a de D.Lopo de Hoces composta por 2 galeões espanhóis e 4 portugueses, comboiando 22 navios mercantes que transportavam tropas e abastecimentos. Desembarcados estes, os dois galeões espanhóis fizeram-se ao mar sozinhos por os navios portugueses, contra as ordens do Rei, se terem recusado a acompanhá-los na viagem de regresso pelas Antilhas. A 19 e 20 de fevereiro, aqueles dois galeões travaram uma batalha desesperada com oito naus holandesa que não obstante conseguiram obrigar a retirar muito destroçadas.

A quarta e última armada luso-espanhola de socorro ao Brasil (1639) foi a de D. Fernando Mascarenhas, conde da Torre, constituída por 8 navios de combate espanhóis e 9 portugueses, acompanhados por 21 transportes. A sua missão era nada menos do que expulsar definitivamente os Holandeses de terras brasileiras.

Tendo permanecido cerca de dez meses na Baía para reparar e reabastecer os seus navios, o que não era fácil com os fracos recursos locais, o conde da Torre fez-se novamente ao mar, em fins de novembro de 1639, com a intenção de reconquistar o Recife. Mas o tempo não o ajudou.

Depois de ter lutado contra ventos desfavoráveis durante cerca de dois meses, viu-se forçado a seguir para norte do Recife. Foi então que apareceu uma armada holandesa de 35 naus, saídas daquela cidade, com a qual, no período de 12 a 17 de janeiro de 1640, ao largo da costa da Paraíba, travou quatro batalhas, sempre a ser empurrado pelo vento para Norte. Resumiram-se essas batalhas a prolongados duelos de artilharia em resultado dos quais os Holandeses perderam quatro naus, afundadas a tiro de canhão e os Portugueses uma, por encalhe, além de dois navios mercantes. A 19 de janeiro tendo o conde da Torre feito um bordo para NE na intenção de reunir alguns navios que andavam desgarrados, os holandeses convenceram-se de que decidira regressar à Europa e, encontrando-se com falta de munições e de água, decidiram recolher ao Recife. Assim terminou a campanha, continuando tudo como dantes: os Holandeses senhores do mar e das cidades do Norte do Brasil e os Portugueses senhores das cidades do Sul e do sertão que envolvia o Recife.

A batalha da Paraíba de 1640 foi mais uma prova concludente da pouca eficácia da artilharia da época e de que no combate de artilharia os navios portugueses não eram nem melhores nem piores que os holandeses mas que ficavam muito atrás deles em velocidade e capacidade de bolina, o que, em termos táticos, não lhes permitia tirar partido do princípio da iniciativa, que estava sempre do lado dos holandeses, dando azo a que estes só combatessem quando queriam e como queriam.

Marinha 2009, todos os direitos reservados