I Guerra Mundial
Na I Guerra Mundial a atividade da Marinha distribui-se entre as missões de fiscalização e patrulha das águas portuguesas para deteção de eventuais submarinos, a escolta a navios mercantes e transporte de tropas para França e para África, em zonas tempestuosas infestadas de submarinos alemães, de que é expoente o combate travado pelo caça-minas "Augusto de Castilho" contra o submarino alemão "U-139", e ainda o afundamento do caça-minas "Roberto Ivens" que embateu numa mina colocada pelos alemães à entrada do porto de Lisboa. A proteção dos portos nacionais, nomeadamente Lisboa, era uma das maiores preocupações. No Ultramar a ação da Armada voltou a ser importante nos combates em terra através do Batalhão de Marinha que, sob o comando do então Comandante Afonso Cerqueira, participou nas campanhas do Sul de Angola, distinguindo-se nomeadamente nos combates de Cuamato, e no mar através da participação nas operações do Rovuma em Moçambique.
Foram estas algumas das missões que a Marinha cumpriu com pesados sacrifícios em Terra, no Mar e no Ar, e os seus mortos e feridos são a prova desse notável esforço de guerra. Carvalho Araújo e Raul Cascais no Mar, Azeredo Vasconcelos no Ar e Rodrigues Janeiro em Terra, entre outros, deram a vida pela Pátria ao serviço da Armada.
As novas aquisições, depois do conflito terminar, resumem-se a dois navios adquiridos em segunda mão à Inglaterra, aos 6 torpedeiros recebidos da Áustria e ao rebocador proveniente da Alemanha como reparações de guerra, continuando a ser incorporadas as canhoneiras da classe Beira construídas no Arsenal de Marinha e adquiridos alguns hidroaviões.
Em 1919 é criada, anexa ao Aquário Vasco da Gama, a Estação de Biologia Marítima que em 1950 passaria a Instituto de Biologia Marítima e é hoje o Instituto de Investigação das Pescas e do Mar.
A Aviação Naval efetua neste período algumas arrojadas travessias como a viagem aérea à Madeira (1921) e a primeira travessia aérea do Atlântico Sul (1922) onde Sacadura Cabral e Gago Coutinho escrevem páginas de glória.
Profunda reorganização da Armada
A Armada procedia entretanto a uma profunda reorganização, fruto dos ensinamentos do primeiro grande conflito mundial. Sob a orientação do Ministro Pereira da Silva são postas em execução nova legislação e nova organização que permitirá, mais tarde, receber modernos meios navais.
Nessa reorganização são criados os serviços de Meteorologia Marítima que em 1946 se transformam no Serviço Meteorológico Nacional, hoje Instituto de Meteorologia e Geofísica.
Novas criações resultantes desta reorganização:
· Esquadrilhas de Submersíveis;
· Aviação Naval e de Contratorpedeiros;
· Instalação da Escola de Mecânicos em Vila Franca de Xira ;
· Início da construção - com as indemnizações de guerra da Alemanha - das futuras instalações do Alfeite: Corpo de Marinheiros, Base Naval, Arsenal do Alfeite e Escola Naval.
Está-se no período final da I República e numa época de grande carência de meios da Marinha que o próprio ministro, o almirante Pereira da Silva, designou como de Zero Naval.
O Regime Corporativo saído da Revolução de 28 de maio de 1926 lança, a partir de 1930, um vasto programa de construções navais, vulgarmente conhecido por Plano Magalhães Correia, nome do então ministro.
De 1933 a 1936 a Armada recebe um total de 22 navios representando mais de 35.000 toneladas e de 100 peças de artilharia e 60 tubos lança-torpedos, significando um encargo superior a 3 milhões de libras.
Em terra, entretanto, inauguram-se a Base Aérea do Montijo, a Base Naval do Alfeite, o Arsenal do Alfeite, o Corpo de Marinheiros e a nova Escola Naval.
II Guerra Mundial
A Armada defende no mar e no ar a neutralidade portuguesa no Segundo Conflito Mundial, utilizando os novos navios que, apesar de tudo - e especialmente devido à interrupção do programa naval - mostram serem escassos para a imensidade e dispersão dos territórios sob administração portuguesa.
Foi com aqueles novos navios que, durante a II Guerra Mundial, se garantiu a soberania nas diversas parcelas do Território Nacional e se efetuaram numerosos salvamentos, como o dos náufragos do New Scotia pelo aviso Bartolomeu Dias ao largo de Moçambique e os dos navios City of Flint, Roxburgh Castle, Ávila Star e Júlia Ward Howe pelo contratorpedeiro Lima ao largo dos Açores.
Assinatura do Tratado do Atlântico Norte
Mas a guerra impediu a continuidade do programa de novas construções e, no final do conflito, adquirem-se alguns navios em segunda mão: 3 submarinos, 2 fragatas e 4 caça-minas.
A assinatura do Tratado do Atlântico Norte em 1949, de que Portugal foi membro fundador, veio fazer com que a Marinha se orientasse para um aperfeiçoamento técnico que lhe permitisse cumprir os compromissos assumidos perante a Aliança.
Vêm novos navios:
· 7 fragatas;
· 4 navios-patrulhas;
· 16 draga-minas;
· 2 caça-minas;
· 3 navios-hidrográficos.