Portugal tornou-se um Estado independente de facto em 1143, quando da Conferência de Zamora, tratado de paz celebrado entre D. Afonso Henriques e D. Afonso VII de Leão e de jure em 1179, data da bula Manifestis Probatum, documento que tomava o rei português e seus herdeiros sob a proteção da Santa Sé e declarava não só Portugal como reino pertencente a S. Pedro, como também prometia ajuda papal para a defesa da dignidade régia. As fronteiras terrestres ficaram praticamente estabilizadas desde 1297, pelo tratado de Alcanizes.
Situado na extremidade Sudoeste do continente europeu, nas suas costas passam, desde a Antiguidade, as rotas marítimas do Mediterrâneo para o Norte da Europa e, mais modernamente, as originárias do Atlântico Sul.
O solo português inclinando-se suavemente para o Atlântico proporcionou-lhe a existência de bases, portos e abrigos, permitindo a saída da população para as atividades do mar.
Durante o primeiro século da nacionalidade o esforço nacional concentra-se na conquista aos muçulmanos dos territórios do Sul e paralelamente a contenção de Leoneses e Castelhanos nas suas fronteiras do Norte e de Leste.
A pressão de que o jovem Estado foi vítima, desde a origem, nas suas fronteiras terrestres, contribuiu para que a opção de desenvolvimento fosse o mar porque, apesar dos perigos que apresentava, era a única possibilidade de contacto com o exterior.
Pelo mar chegavam os reforços das Cruzadas para as conquistas territoriais; pelo mar se recebiam e expediam mercadorias; no mar se obtinha parte importante dos alimentos.
Foi, com efeito, a componente atlântica do país, que sempre o diferenciou dos restantes povos ibéricos e lhe permitiu resistir à força absorvente dos movimentos de unidade peninsular.