No início do século XV, com a nova dinastia, o país vai finalmente entrar num período de paz e estabilidade que lhe permitiria recuperar o equilíbrio orgânico, com o desenvolvimento da agricultura, das pescas e do comércio marítimo.
Numa Europa ainda mergulhada em guerras e conflitos feudais, a unidade nacional, estabilidade política e social, aliadas a uma economia em desenvolvimento e a uma Marinha já com tradições, tornam Portugal o único país capaz de iniciar metodicamente e com êxito a exploração do Atlântico, já tentado desde o século XIII por portugueses, italianos e muçulmanos.
Foram os marinheiros da conquista de Lisboa, dos combates com os mouros, dos primórdios da pesca e das expedições às Canárias, os iniciadores dessa plêiade de mareantes que levou os navios portugueses aos quatro cantos do Mundo.
Expansão Portuguesa
A expansão portuguesa do século XV desenvolveu-se em quatro frentes:
· A expansão territorial para o Norte de África.
· A exploração hidrográfica da costa africana e das ilhas Canárias.
· A exploração oceanográfica e meteorológica do oceano Atlântico.
· O desenvolvimento da arte de navegar com a utilização dos métodos astronómicos e da bolina.
A expansão territorial em Marrocos iniciou-se em 1415 com a conquista de Ceuta e durou até 1511; interesses estratégicos, relacionados com a manutenção dos Impérios da Índia e do Brasil, obrigariam à renúncia progressiva daquelas praças; a última cidade portuguesa em Marrocos foi só abandonada em 1756. Pode-se considerar que este campo de expansão portuguesa estava também inserido na grande luta entre o Cristianismo e o Islamismo.
As explorações ao longo da costa africana iniciaram-se em 1412, e culminaram com a passagem do cabo da Boa Esperança em 1487.
A estas descobertas estão associadas as viagens para o mar largo e que, objetivamente se destinaram a estudar as condições meteorológicas das viagens a terras africanas, ou melhor, ao seu regresso.
Sabe-se, presentemente, o regime de ventos existente no Atlântico, mas eram limitados os conhecimentos nesse âmbito, que existiam no início do século XIV.
A navegação de vela frequentava as costas ocidentais da Europa desde a Baixa Idade Média, tendo o tráfego aumentado consideravelmente durante o período das Cruzadas (1098-1250) e sendo portanto conhecidas empiricamente as variações de vento naquela região. O mesmo se poderá afirmar relativamente à entrada para o Mediterrâneo e ao Norte de África, onde navegavam assiduamente os navios de comércio mediterrânicos e os ágeis marítimos muçulmanos nas águas costeiras situadas entre o estreito de Gibraltar e as cercanias do Cabo Não.
É hoje questão indiscutível que desde 1336 as Ilhas Canárias eram visitadas com maior ou menor frequência por marítimos portugueses e genoveses, sendo por isso do conhecimento dos mareantes os ventos das regiões costeiras da Europa e Norte de África.