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O que os submarinos 209 PN – Classe Tridente dão a Portugal


  • O que os submarinos 209 PN – Classe Tridente dão a Portugal

   Os submarinos da Classe Tridente proporcionam a Portugal capacidades únicas, que se prolongarão no futuro por um período de 30 a 40 anos e que servem em conjunto com outros meios navais e aéreos para:

• Exercer o controlo do seu espaço marítimo;
• Ter um papel relevante no seu posicionamento internacional;
• Contribuir para a sua segurança directa e alargada, assim como da dos seus aliados;

 

Áreas de actuação ao alcance destes submarinos a partir de Portugal, com reabastecimento em países aliados, ou amigos. A área de actuação está sobreposta ao mapa Mundi com as principais rotas de tráfego marítimo internacional que constituem as verdadeiras artérias que alimentam a economia Mundial.

   Essas capacidade únicas e que individualizam a arma submarina no seio das restantes capacidades militares são:

• o único meio que consegue operar de forma encoberta, quase impossível de detectar e contrariar pelos infractores, ou opositores;
• ter uma elevada panóplia de sensores sofisticados que permite detectar os mais ínfimos sinais de actividade acima e abaixo de água a distâncias muito consideráveis, em quaisquer condições de tempo quer sejam estas desenvolvidas durante o dia, ou à noite;
• ter uma elevada autonomia em imersão, superior a 60 dias, um extraordinário alcance na ordem das 12.000 milhas náuticas e uma considerável mobilidade fruto das suas velocidades de trânsito e patrulha que potenciam as capacidades de operar de forma encoberta, o elemento de surpresa e os factores psicológicos associados à incerteza;
• transportar um numeroso conjunto de armas pesadas com um elevado potencial destrutivo que actuam com elevada precisão debaixo de água, na superfície, acima desta e contra terra, a distâncias que podem ser superiores a 100 km;
• ter um sistema de comando, controlo e comunicações sofisticado que permitem compilar, organizar e cruzar significativos volumes de informação transmitindo-a e recebendo-a de e para terra e outras unidades na área, em tempo real.

 

Controlar o Mar Português


   O controlo de uma vasta área Oceânica, como é a nossa, acima dos 4 milhões de quilómetros quadrados, numa extensão equivalente a 80% de toda a Europa, não é uma tarefa simples para qualquer Marinha por mais recursos que lhe estivessem atribuídos.
   A descontinuidade territorial, a necessidade de operar a longa distância das suas bases, num vasto espaço oceânico interterritorial obriga Portugal a edificar uma Marinha de carácter eminentemente Oceânico.
Por outro lado o elevado interesse da comunidade internacional sobre o nosso espaço marítimo, confere a este uma importância geopolítica e geoestratégica incompatível com uma Marinha sem capacidade militar efectiva.
   O aparecimento em força, após a queda do muro de Berlim em 1998, de organizações transnacionais ligadas ao crime e ao terrorismo que se cruzam com interesses velados de Estados párias, desestruturados e fora do nosso quadro de referências, veio conferir ainda mais sentido de urgência à necessidade de um Controlo robusto da área marítima interterritorial sob jurisdição portuguesa.
   Neste contexto, e na impossibilidade prática de vigiar em permanência, ou com a frequência necessária, todo o espaço marítimo nacional, por razões relacionadas com a sua dimensão e disponibilidade de recursos, a única estratégia de controlo eficaz que restará a Portugal é a da dissuasão.
   O princípio que norteia a dissuasão é capacidade de gerar no infractor, ou oponente um grau de incerteza suficiente, que associada à possibilidade de uma perda irreparável, o iniba de prosseguir num determinado curso de acção. Os meios de superfície e aéreos podendo ser facilmente localizados e seguidos pelos sistemas de detecção actuais (radares e visuais) não exponenciam esse factor de incerteza apesar do seu papel relevante na vigilância e repressão das ilegalidades e abusos. Só a forma encoberta de actuar do submarino associada ao seu raio de acção, à sua prolongada permanência na área de operações, à mobilidade e ao enorme leque de sensores, armas e sistemas de comando, controlo e comunicações permite criar no infractor/oponente esse forte sentimento de inibição. Assim, só os submarinos serão capazes de vigiar, controlar e seguir infractores e oponentes de forma totalmente discreta sem perturbar os respectivos modos de actuação e comportamentos observados, constituir prova e recolher informação única e com elevado valor estratégico para o Estado. A possibilidade de surpreender em flagrante o infractor/oponente constitui um elemento nuclear e multiplicador da estratégia de dissuasão.

 

Estará aqui um submarino a vigiar-me???


   Alternativamente, a edificação de uma Marinha Oceânica sem capacidade submarina, minimamente eficaz e credível no controlo de uma vasta área marítima como é a nossa, obrigaria à aquisição e operação prolongada no mar de um elevado do número de unidades de superfície sem contudo se garantir mesmo assim a vigilância eficaz da sub-superfície, logo comprometendo de uma assentada uma dimensão completa desse mesmo espaço marítimo.
   É neste contexto que se reafirma a necessidade da capacidade submarina. A esta simples conclusão, noutros tempos e situação, chegou Portugal em 1913, data a partir da qual o país opera a capacidade submarina de forma ininterrupta.

 

Relevância do seu posicionamento internacional


   Portugal, face ao seu posicionamento geográfico, extensão e importância económica, militar e de segurança do seu espaço marítimo interterritorial tem que participar de forma significativa no esforço das alianças em que está inserido, com uma voz activa na aérea de maior interesse estratégico para o país que é o mar.
   Estando Portugal tão dependente das suas alianças, quer se olhe para os aspectos de segurança – NATO - ,  quer para os económicos  - União Europeia - não pode correr o risco de perder protagonismo e credibilidade no espaço marítimo que é naturalmente nosso e que verdadeiramente nos individualiza e confere importância no contexto dessas alianças. A irrelevância nesta área teria consequências graves nas nossas expectativas de desenvolvimento, afirmação internacional e liberdade de acção como já foi abordado anteriormente.
   Neste contexto importa reflectir que o valor de uma Marinha para opositores, ou aliados depende da capacidade dos seus meios materiais e humanos, do acesso e da posição das suas bases e da extensão e posição geográfica do seu espaço marítimo natural. Neste sentido, uma Marinha sem submarinos é necessariamente uma Marinha desequilibrada, pouco capaz e descredibilizada no contexto internacional, quer aos olhos dos seus opositores quer aos olhos dos seus aliados.
   Não ter submarinos abriria uma vulnerabilidade nas nossas capacidades de controlo e defesa deste importante espaço marítimo, de tal ordem, que os nossos aliados veriam nisso um sinal de renúncia e de falta de solidariedade e os oponentes uma janela de oportunidade com consequências imprevisíveis para o nosso papel internacional e liberdade de acção.
   Por outro lado, a necessidade de basear a defesa do país em alianças militares gera vulnerabilidades associadas ao tempo necessário para activar politicamente essas alianças em caso de agressão, assim como para ultrapassar impasses produzidos por interesses antagónicos dentro da aliança. Decorre daqui que a existência de uma capacidade credível de dissuasão autónoma é de extrema importância para um país com os nossos interesses marítimos e que se situa numa zona de fronteira.
   Os submarinos da classe Tridente preenchem desse modo uma lacuna importante no contexto mais global das nossas Forças Armadas, por constituírem uma capacidade poderosa e credível de dissuasão, retaliação e negação do uso do nosso mar, qualquer que seja o opositor, ou infractor. Essa capacidade decorre da incerteza do seu posicionamento, da sua autonomia, mobilidade, alcance e sustentabilidade na área de operações, e do conjunto de armas que transporta – capazes de atacar alvos em terra e no mar com precisão e efeitos devastadores a distâncias consideráveis e superiores a uma centena de quilómetros.
   Só a existência da capacidade submarina confere a Portugal a possibilidade de participar como parceiro de pleno direito no “clube muito restrito” que é a estrutura NATO de comando e controlo de sub-superfície. Este Comando controla todos os movimentos de submarinos dos países membros da NATO, de aliados e opositores. Só através da participação nessa estrutura é que Portugal tem acesso à informação que lhe dá o conhecimento exacto de todas as actividades aliadas e de países não aliados, que decorrem no nosso espaço marítimo interterritorial abaixo da linha de água, assim como nos espaços adjacentes.
   Nesse sentido a Marinha Portuguesa equilibrada nas suas diferentes capacidades, é um instrumento crucial da afirmação externa e tem necessariamente que ter credibilidade militar suficiente para que a NATO, no contexto do esforço conjunto da aliança, a considere um instrumento útil e capaz de desempenhar o papel que se espera dela e concomitantemente de defender os interesses aliados e do Estado Português perante interesses antagónicos que apareçam no nosso espaço natural.

 

Segurança directa e alargada


   Hoje o conceito de segurança e de defesa alargou-se no sentido em que esta não é exercida na fronteira imediata do nosso país mas a distâncias consideráveis onde os nossos interesses vitais possam estar em jogo, a segurança das nossas comunidades no estrangeiro estejam em risco, ou onde se possa conter e anular qualquer ameaça emergente o mais cedo possível e longe do nosso território e dos nossos aliados. Deste modo e constituindo os oceanos e mares uma via directa de influência e acesso a quase todos os países do Mundo, estes constituem de forma natural, um palco por excelência dos esforços alargados de segurança e defesa. Os submarinos da classe Tridente tem um papel de extrema relevância nesta função que decorre das suas elevadas capacidades militares inerentes ao seu sofisticado sistema de combate, de uma autonomia de 60 dias sem necessidade de reabastecimento e de um alcance de 12.000 milhas náuticas. Resulta também das suas características furtivas, que é o único meio militar que o país tem que pode actuar de forma isolada e independente em áreas totalmente dominadas pelo opositor, ou país em observação.
   Para além do referido no parágrafo anterior os Submarinos classe Tridente são essenciais para suportar e proteger qualquer Força Naval que tenha que zarpar do Tejo numa missão de afirmação de soberania sobre o nosso espaço marítimo, ou para se deslocar para zonas de crise, em protecção às nossas diásporas ou interesses vitais. Deste modo, a sua capacidade de recolher informação numa posição avançada por largos períodos de tempo, totalmente indetectado, e de conter nas suas bases qualquer ameaça potencial à nossa Força Naval, multiplica significativamente a capacidade Portuguesa de actuar no mar e através deste e dessa forma de projectar poder além fronteiras. Também e fruto da sua capacidade de alojar forças de Operações Especiais por prolongados períodos de tempo e de as infiltrar, suportar e retirar junto a costa de um país alvo, de uma forma totalmente discreta e sem aviso, transforma estes meios num instrumento crucial de política externa, podendo ser utilizados na preparação de eventuais acções tidas por conveniente para protecção dos nossos cidadãos, ou interesses vitais em zonas longínquas.
   Por outro lado e numa componente mais tradicional da defesa militar do país nenhum opositor se atreverá a desencadear qualquer acção militar a partir do mar contra o território nacional enquanto os submarinos da classe Tridente estiverem no mar. Apesar deste cenário ser pouco provável no actual quadro internacional, quando se considera um prazo alargado dos próximos 40 anos, ele não pode ser excluído.
   Ainda, e numa perspectiva puramente militar. os submarinos são os únicos meios capazes de operar em áreas dominadas pelo opositor, destruir rapidamente o cerne das suas forças navais, atacar de surpresa as suas bases em terra e na costa (até mais de 100 km para o interior) e minar portos e áreas de acesso a esses mesmos opositores. O potencial, mesmo que limitado por questões políticas e militares, de executar este leque de acções e opções proporciona a um pequeno país como Portugal uma capacidade de afirmação extraordinária constituindo-se assim num forte argumento de suporte à política externa do Estado num momento de crise aguda em que os nossos interesses vitais possam vir a estar em jogo.

 

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