Bartolomeu Dias é um dos navegadores ligados aos momentos mais significativos da História dos Descobrimentos Portugueses. Contudo, são escassos e incertos os seus dados biográficos. O facto de ter sido escolhido pelo Rei para missões de grande importância confirma que era um homem da sua confiança (seu escudeiro e recebedor no armazém da Guiné, entre 1494 e 1497) e marinheiro com vasta experiência, sabedoria e competência. Sabe-se, com segurança, que esteve ligado ao projecto de consolidação do domínio Português na região aurífera da Mina, para aí navegando, em 1482, com Diogo de Azambuja, e em 1497, após ter chegado às águas de Cabo Verde integrado na armada de Vasco da Gama. Documentos, que com muita probabilidade se lhe podem referir, confirmam a sua intensa actividade nos mares do Norte de África, no Mediterrâneo, ao longo da Costa do Reino, no Golfo da Guiné, no Atlântico Sul, em missões de vigilância, de corso e de exploração. Mas o que imortalizou o seu nome foi, após o malogro das tentativas de Diogo Cão, a dobragem do Cabo Tormentoso, depois designado da Boa Esperança por D. João II, porque, ao tornar evidente a ligação do Atlântico com o Índico, abria as portas do caminho marítimo para a fabulosa Índia das especiarias. A determinação de cumprir esta Missão, vencendo medos, ventos e tempestades, teve consequências profundas na História da Humanidade. O eixo da economia passava do Mediterrâneo para o Atlântico. A geografia ptolemaica com a sua visão incorrecta do globo ficava definitivamente ultrapassada. O Mundo físico e humano surgia progressivamente mais claro e uno. Finalmente, Bartolomeu Dias participou na armada de Pedro Alvares Cabral que se dirigia à Índia para aí consolidar o domínio Português. Infelizmente não chegou ao seu destino. Depois da descoberta/reconhecimento do Brasil, encontrou a morte em águas do Atlântico Sul, surpreendido por violenta tempestade. O Mar a que dedicou toda a vida, foi também o seu túmulo.