Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil, nasceu em Belmonte, entre 1460 e 1470, filho de Fernão Cabral e de D. Isabel Gouveia. Foi moço fidalgo de D. João II, que o agraciou com uma tença de 13000 reais, vindo posteriormente a casar-se com D. Isabel de Castro, sobrinha de Afonso de Albuquerque.
Em 1500, após o retorno de Vasco da Gama, Cabral foi designado pelo Rei D. Manuel I para comandar 13 naus, tripuladas por cerca de 1500 homens, em missão diplomática ao Oriente, onde deveria estabelecer um pacto de amizade com o Samorim de Calecut.
A partida deu-se a 8 de Março de 1500 e, a22 de Abril do mesmo ano, após uma breve escala nas Canárias, é avistada a costa brasileira, da qual já havia sinais desde a véspera: era a zona do Monte Pascoal, e a esquadra lança ferro junto da foz do actual Rio Cahy; haviam sido percorridos, desde a largada de Lisboa, cerca de 6500 km. Nos dias que se seguem a esquadra muda de ancoradouro, indo fundear mais a Norte, numa Baía que os portugueses denominaram Porto Seguro; aí se vão estabelecer boas relações com os índios locais, e ergue-se uma cruz de madeira, símbolo da Cristandade que os portugueses viriam a levar aos quatro cantos do Globo, junto do Rio Mutary. Entretanto, logo após a chegada da Armada à Terra de Santa Cruz, nome inicialmente dado ao Brasil, Pedro Álvares Cabral envia a nau comandada por Gaspar Lemos com as boas novas rumo a Portugal.
A 2 de Abril, dez dias volvidos da sua chegada ao Brasil, a esquadra parte para Calecut; uma vez aí chegado, logo Pedro Álvares Cabral envida esforços no sentido de concluir os laços de amizade previstos. Mas, se de início tudo pareça correr bem, logo se levantaram intrigas entre os indígenas; estes, atacaram de surpresa a feitoria que Cabral havia já estabelecido, chacinando quase todos os portugueses que aí se encontravam; como represália Pedro Álvares Cabral ordena o bombardeamento da cidade e lança fogo aos navios muçulmanos. Após este incidente, a expedição segue para Cochim, onde é embarcada rica mercadoria exótica, com a qual Pedro Álvares Cabral retorna a Lisboa.
Em 1502, o Rei faz menção de o enviar no comando de nova Armada ao Oriente, mas Pedro Álvares Cabral escusa-se a tal missão, preferindo retirar-se para a tranquilidade das suas propriedades de Santarém, onde vem falecer cerca de 1502, jazendo o seu corpo na Igreja da Graça, sita na referida cidade.