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Entrevista ao chefe da Banda da Armada


 

O Maestro Carlos Silva Ribeiro e a Banda da Armada

Ali, à Praça da Armada, no vetusto edifício do Quartel de Marinheiros, num singelo mas confortável gabinete que dá para o espaçoso pátio, o mesmo onde há mais de cem anos se fez o primeiro registo fonográfico em Portugal, fomos ouvir o sucessor de uma plêiade de Maestros que à frente da nossa multissecular Banda, têm prestigiado a Armada, em Portugal, no estrangeiro e, acrescente-se, em diversos Continentes.

Revista da Armada – Senhor Comandante Carlos da Silva Ribeiro, quando pensamos na Banda da Armada não podemos deixar de recordar os tempos em que, ao menos temporariamente, ensaiava no Corpo de Marinheiros, onde a escutávamos em «Dia de Joanetes», já lá vão cerca de quarenta anos. O curioso é que tendencialmente a imaginamos... a mesma, imutável o que, claro, é impossível. Há quanto tempo está ligado à Banda?

Maestro Silva Ribeiro – Fez, em Outubro de 2006, 35 anos. Vim em 1971 e fiz a Recruta que era então de três meses.

RA – Quer dizer que nem sequer fomos contemporâneos no Serviço Activo! Em Janeiro desse ano, suspensas as Licenças Ilimitadas, a escassos meses da promoção a Capitão-Tenente que aguardávamos desde 1969, “optámos” pela Reserva Ab) e permanecemos, como então se dizia, «espoliados» de todos os direitos adquiridos até ... 1984. Enfim... e depois?

MSR – Ingressei logo na Banda. Todos nós temos esta particularidade, a de concorrermos directamente para a Banda.

O Maestro Carlos Silva Ribeiro e a Banda da Armada

RA – Não se pode ser tudo e no vosso caso estamos numa carreira altamente especializada. Já se traz uma preparação anterior?

MSR – Sim! Fazíamos, como agora, um Concurso Técnico, para um pequeno número de vagas, naquele tempo com muito menos pessoas a concorrer do que hoje.

RA – Já nos disseram que a maior afluência tem permitido melhorar o nível da Banda...

MSR – Tem, tem. Isto porque no próprio País, nestes últimos 15 anos, houve um boom de escolas profissionais e conservatórios regionais que permitiu encaminhar para a Música um apreciável número de jovens a que o mercado, infelizmente, não tendo dado resposta adequada, levou a que muitos, legitimamente ambiciosos, se organizassem em grupos, mais ou menos precários, ou buscassem agrupamentos de prestígio e nesse aspecto a Armada tem apoiado a Banda e sabido aproveitar esta possibilidade, como tal a triagem é cada vez mais fina.

RA – Confirma-se, portanto...

MSR – Com o Concurso Técnico a «cunha» não funciona. A exigência é muito grande. O Júri é presidido pelo subdirector e Chefe do Departamento de Apoio Geral da DSP, mas em termos técnicos é o Chefe da Banda e portanto se não fizer uma escolha criteriosa será ele, no caso eu próprio, quem irá sofrer com o beneficiado que acabará, consequentemente, por se sentir frustrado pois aqui está a ser-se diariamente examinado pelos próprios colegas...

RA – Essa é uma realidade que as Escolas Militares, face às civis, não têm sabido enfatizar. Os militares, no seio da sua unidade, estão sempre sob a observação dos seus superiores (uns poucos), dos seus pares (alguns mais), e também, talvez até mais determinante, de todos os seus subordinados, directos ou indirectos (a grande maioria), e afinal todos estão a ser avaliados, no País e quantas vezes lá fora, por outros militares, do seu Ramo, ou não, e também por civis. Quem se preocupa em saber onde se formou um licenciado? Os MIT’s são escassos a nível mundial...

MSR – Assim, dado o tal boom e também porque um elevado número de elementos atingiu a reforma, temos actualmente uma média etária de 33 anos. Na área da música há 22 licenciados, 17 a frequentar a licenciatura, dois mestres, dois mestrandos e um a preparar o seu doutoramento. Nenhum destes 44 elementos ao abrigo do «Acordo de Bolonha». Isto tudo num universo de 66 sargentos e 41 praças, além dos dois oficiais.

RA – Mas, o Quadro é de três oficiais? Está previsto algum concurso?

MSR – Já foi seleccionado. Está presentemente a frequentar o Estágio Técnico-Naval na Escola Superior de Tecnologias Navais (ESTNA) e deve apresentar-se em breve. Temos, também na Naval, a frequentar a ESTNA, um elemento da Banda, na área da Economia.

RA – Este vai, portanto, mudar de Classe... Que idade tem o futuro Doutor que citou?

MSR – Sim... Ah! Esse tem à volta de 37 anos. Foi, durante os recitais de Mestrado que deu na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), convidado por professores da Universidade de Évora a fazer aí o seu doutoramento.

RA – Notável! Os mestrados podem ser feitos em que escolas?

MSR – Nas Escolas Superior de Música, e nas Universidades que possuem a área de Música. O Conservatório é hoje uma Escola Secundária orientada para a formação musical e para os cursos complementares de instrumento.

RA -  E o Superior?

MSR – Os cursos superiores de música são ministrados nas Universidades e nas Escolas Superiores de Música

RA – E quanto a actuações?

MSR – No ano passado tivemos noventa actuações públicas, o que dá, entre concertos e outras actuações, uma média de dois concertos por mês, 49 cerimónias militares e protocolares, sete audições pedagógicas para os jovens das escolas que vêm participar, e doutro tipo como na Procissão da Senhora da Saúde, inauguração do novo arranjo do Campo Pequeno, etc., num total de mais dez.

RA – Recordamos a participação de um grupo da Banda numa Sessão Solene na Sociedade de Geografia de Lisboa...

MSR – Esse é um tipo de actividade que envolve apenas pequenos conjuntos que está incluído nas actuações. Temos um quinteto de Música de Câmara e um de grupo de Diexiland, que toca um género mais jazzístico.

Por ocasião de uma reunião que trouxe a Lisboa as 300 mulheres com os cargos mais importantes a nível mundial fomos solicitados para actuar no Palácio Foz. Também temos actuado em jantares de beneficência.

RA – E para 2007, já há uma previsão especial, pois ocorrem algumas efemérides interessantes?

MSR – Já temos várias solicitações, mas confirmadas temos o projecto de uma obra que estamos a construir, a nosso pedido, com o Jorge Salgueiro, o compositor residente da Banda, que é uma fábula que trata os assuntos do mar, dos seus recursos e degradação do meio marinho. A obra propõe-se também dar a conhecer os instrumentos de uma banda e foi escrita a pensar no crescente interesse das escolas pelas audições pedagógicas que organizamos para as crianças, à semelhança da obra «Pedro e o Lobo» de Prokofiev.

O mar e a marinha tem tantos temas apelativos que decidimos juntar o útil ao agradável, aproximando os jovens do Mar, da Marinha e da Banda.

RA – De facto, há hoje uma convicção muito viva de que a Banda projecta a imagem da Armada muito mais longe do que a Armada pode ir, no interior do País.

CSR – Por termos tido a felicidade de penetrar bem nas populações, temos sido, em especial no interior norte, abordados e muito questionados acerca da Marinha, como é que podem vir para a Armada e para a Banda e de uma forma geral despertar nos jovens o interesse pelo Mar.

RA – O que, dado o quase inesperado divórcio, difícil de explicar, do País com o Mar é da maior importância, sobretudo junto dos mais pequenos.

CSR – E também ao nível do Ensino Superior, como nos concertos na Escola Naval, por ocasião das Jornadas do Mar.

O projecto que referi foi apresentado ao Almirante Chefe de Gabinete para a aprovação do CEMA, e parte de uma parceria com a Companhia de Teatro «O Bando» e o Coral Infantil de Setúbal, que é dirigido por um elemento da Banda.

RA – Como se vai chamar?

MSR – O nome será dado pelo público numa iniciativa que decorre ao longo dos concertos da Banda da Armada. A médio prazo - estimamos em 2008 - está previsto participarmos numa grande produção que é a montagem de uma obra de Sofia de Melo Breyner, «A Saga» a ser musicada por Jorge Salgueiro e destinada a itinerar pelo País. Está pensada como uma ópera de rua ou mesmo para ser apresentada numa grande sala de teatro dado que se trata de uma companhia muito credenciada e apoiada oficialmente.

Banda da Armada

RA – Mais concretamente...

MSR – Temos agendado, para 19 de Janeiro, um concerto no Teatro «Luísa Todi» destinado a homenagear os compositores Ferrer Trindade, com ligações a Setúbal e que pertenceu à nossa Banda, cuja música tocaremos (1ª parte) bem como Jorge Salgueiro (2ª parte), também com fortes ligações àquela cidade.

No dia 9 de Fevereiro um concerto no Ateneu Vila-franquense, no dia 4 de Março, no Porto, na Casa da Música.

RA – Magnífico! E mais actividades para este ano?

MSR – Temos muitos pedidos de actuações e claro todo o planeamento anual da Armada, muito pormenorizado, que já recebemos.

RA – Ocorre-me que há anos que sigo alguns concertos corais de Natal e que nunca ouço obras de origem portuguesa, erudita ou popular. De clássicos até Lopes Graça, cujo centenário se celebra, e até dos levantamentos anteriores aos que ele, com Giacometti, fez pelas aldeias mais recônditas. Que se passa? Estará isso no âmbito da Banda...

MSR – Implica a participação de um coro e depende das escolhas que o próprio coro tiver feito. No Concerto de Natal deste ano, na Escola Naval, tivemos a colaboração do Coral Infantil de Setúbal e tocámos a alemã, «Noite Feliz»...

RA – Aquele concerto a que, com o trânsito bloqueado à entrada da ponte, tivemos de faltar...

MSR – Não! Esse foi o das Jornadas do Mar.

RA – Tem razão! Em alguns Países da Europa Central e do Norte há uma produção contínua de música natalícia que vende imenso. Não tem nada a ver com a Fé mas com a Cultura. Presumo que Lopes Graça não era sequer crente... Importamos tantas modas alheias à nossa Cultura por que não uma que valorizasse a nossa Tradição de forma inovadora?

MSR – Nós, na Banda, prezamos muito a Música Portuguesa. Nos concertos tocamos sempre duas ou três obras de autores portugueses. É aliás uma tarefa que está hoje mais facilitada pois existem jovens compositores a produzirem música com qualidade.

RA – Sem dúvida!

MSR – Nós, no ano passado, gravámos mais um  CD que nos foi proposto por uma editora de partituras de Música Portuguesa e sem qualquer despesa para a Marinha que recebeu como contrapartida 500 CD’s.

RA – Apareceu com que nome?

MSR – Não apareceu nos circuitos comerciais, apenas na editora. O nome é «Caminho para a Índia» e é só de autores nacionais (8 originais e 2 arranjos; Brahms e J. Strauss Jr.). Tenho-o aqui...

RA – A capa e o folheto são apelativos. O nome dos elementos por instrumentos... na foto da Banda julgo reconhecer o fundo do palco da Gulbenkian. Ou será o do CCB?

MSR – O do Centro Cultural de Belém. Foi durante o Concerto da Primavera, integrado na Festa da Primavera, em 26 de Março de 2006.

Banda da Armada

RA – Lembramo-nos. A Banda dirigida pelo Comandante?

MSR – Por mim e pelo Subchefe, o 2TEN Maestro Délio Coelho Gonçalves. Curiosamente um dos autores concorreu à Banda e a 10 de Janeiro já estará entre nós.

RA – Quem é?

MSR – Trata-se do Samuel Pascoal com a obra que dá nome ao CD e que é também o autor dos «Campinos Scalabitanos».

RA – Foi pois uma boa aquisição enquanto instrumentista e jovem compositor. A RA não pode deixar de lhe dar as boas vindas...

MSR – Vem como instrumentista e como já disse não facilitamos as entradas...

RA -  Há aqui outro compositor da banda!

MSR – Há! O David Correia autor da obra «Bali». Aliás o CD tem uma grande diversidade de música.

«Sons de Cá» é uma tradicional marcha de concerto da Banda Portuguesa. Uma peça de quando a Música de Banda era muito valorizada... A sonoridade das bandas portuguesas está toda aí!

RA – Não há um festival de bandas em Portugal?

MSR – Há vários, mas só de bandas de amadores. De profissionais, não.

RA – Quantas bandas profissionais existem, além das três das Forças Armadas.

MSR – Três? Não. (RA - Ah! Esqueceu-nos a da GNR!) Não! Não! Há mais! Só o Exército tem cinco bandas. e a Guarda Nacional Republicana tem duas, Porto e Lisboa A FAP, a PSP e nós, cada um, uma. Civis não há nenhuma que seja profissional.

RA – Não fazia ideia... mas antigamente havia...

MSR – Os Tatoos militares que permitiam mostrar as bandas. Isso ainda se faz muito no estrangeiro, mesmo organizado por civis. Temos tido muitos convites, todos os anos temos da Alemanha, de França e até de Espanha, mas não temos tido oportunidade de ir, embora eles paguem tudo... depois de lá chegarmos. O problema é as passagens até ao destino

RA – Por uma circunstância tão infeliz como cómica teve de ser, à última da hora, cancelada a ida de uma pequena banda amadora pois o patrocinador esqueceu-se de incluir o transporte dos instrumentos que, de avião, era, por si só, exorbitante. Quando actuaram no estrangeiro pela última vez?

MSR – Em Norfolk, em 1994, como País Convidado do «Festival das Azáleas».

Banda da Armada

Fomos em representação nacional, apoiados, então, pelo Ministério da Defesa. Ali, dentre vinte bandas, fomos muito elogiados. Os custos do transporte mais uma vez inviabilizaram a nossa ida a Macau por ocasião da transferência da Administração. Foi o Exército com uma representação reduzida.

RA – E para este ano que está a chegar?

MSR – Refere-se à Presidência Portuguesa?

RA – Seria uma boa razão, tanto mais que há uma tentativa de relançar a ligação de Portugal ao Mar. Na verdade estávamos a pensar no segundo centenário da saída da Família Real para o Brasil, em Novembro de 1807

MSR – Em relação a isso não há nada.

RA – Não é propriamente uma partida que festejemos, apesar de muito acertada e genialmente concebida e executada (mesmo que um tanto atabalhoada). Mas o Brasil, em 2008, prepara-se para festejar o evento que conduziu a um dos mais felizes períodos da sua História, a de cabeça do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, e que a Banda, enquanto tal, acompanhou.

MSR – Para 2008 temos um convite para participarmos num Festival em Bremen, na Alemanha, num Tatoo organizado, para angariar fundos, pelos antigos Combatentes da II Guerra Mundial e da Associação dos Cemitérios Militares.

Como o próximo Dia da Marinha deverá ser comemorado nos Açores aí regressaremos depois de em 1992 termos lá ido por duas vezes.

Até ao Dia da Marinha, em cada concerto será tocado mais um quadro do projecto de que já falámos, a obra que o Jorge Salgueiro tem vindo a compor de modo que nesse dia seja então executada na sua versão integral, já com o título escolhido pelo Autor e pelo Chefe da Banda, dentre os que tiverem sido propostos pelos nossos auditores ao longo destes últimos concertos.

Com a mesma preocupação pedagógica que vimos assumindo, teremos a participação de coros locais a cujos Maestros enviaremos partes da partitura de modo a que os seus coros possam participar na execução da obra.

RA – Na linha do que já foi feito...

MSR – Exacto. Do que o Jorge Salgueiro já fez com a «Foco Musical» em relação à peça da «Quinta da Amizade». Se for em Ponta Delgada, como pensamos que será, essa audição inaugural integrará pois coros infantis de S. Miguel. É uma forma de nos aproximarmos da população, particularmente dos mais jovens.

RA – E ao encontro de uma tradição musical que é muito forte nos Açores.

MSR – Onde o gosto pela música está muito divulgado, em especial a de Banda. É, em Portugal, onde há maior densidade de bandas filarmónicas por habitante.

RA – Não imaginávamos.

MSR – Tivemos ocasião de o verificar pois actuámos nas nove ilhas e fomos muito bem recebidos.

A «Foco Musical», também já se mostrou interessada em editar a obra dedicada aos assuntos do mar apoiada num texto em banda desenhada cujos personagens principais serão os peixes. E isto sem custos para a Armada.

Banda da Armada

RA – É um investimento de curto, médio e longo prazo a custo zero que a Armada, através da Banda, presta à Marinha e à causa do regresso de Portugal ao Mar. Não poderia ser melhor...

MSR – Vamos fazer isto em duas versões, uma mais simples, orientada para as formações mais jovens a quem enviamos, como apoio didáctico, um excerto da gravação, e outra mais elaborada para coros com outra maturidade.

RA – Como se desenvolve a carreira dum B? O B de Banda que é a letra atribuída aos Músicos já que o M é privilégio da Classe de Manobra, a mais antiga...

MSR – Sempre por prestação de Provas Técnicas e   apresentação de habilitações curriculares da área de Música. Assim, para Cabo faz-se através de provas técnicas realizando-se a promoção por escolha. Para Sargento tem lugar a apresentação curricular do 12º ano técnico para concorrerem ao Estágio Técnico Militar (ETNB) que frequentam na Escola de Tecnologias Navais (ETNA). Para Oficial tem de se fazer apresentação curricular de Licenciatura na área de Música, prestação de provas técnicas perante um júri que engloba professores civis do ensino superior, isto, para se ser admitido no ETMB mas, agora, na ESTNA.

RA – O que por si só justifica o nível Musical atingido...

MSR – É-nos assegurada, à partida, uma garantia que um aturado programa de trabalho permite afirmar e que faz com que a Banda seja procurada pelos melhores intérpretes instrumentais. Orgulhamo-nos disso e dá-nos sólida garantia da continuidade num futuro de grande qualidade.

RA – E com toda a justiça! Sabemos que a reserva de boas surpresas não está esgotada. As referências nos meios musicais têm sido e são das melhores, entre nós e nas, infelizmente poucas, actuações no estrangeiro. A população, tem-se deixado cativar não só pelas inteligentes acções de aproximação mas também pela qualidade musical e, certamente, pela disponibilidade pessoal dos elementos da Banda o que, no todo, é uma mais valia que, também sabemos, os mais altos responsáveis na Armada têm presente. Permita que através de si felicitemos cada um dos homens e as quatro mulheres que contribuem para o êxito desta empresa.

 

Dr. Rui Manuel Ramalho Ortigão Neves

1TEN

Fotos Julio Tito

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