No âmbito do 41º Festival Internacional das Azáleas que anualmente se realiza em Norfolk com a colaboração do SACLANT, a Banda da Armada deslocou-se aos Estados Unidos, abrilhantando a festa que, este ano, homenageou Portugal. A organização do Festival e a população de Norfolk, apreciaram a qualidade musical e o profissionalismo dos músicos portugueses que, por isso, se multiplicaram em exibições.
Segundo os elementos históricos disponíveis, já em 1740 existia na Marinha uma "música marcial", antecessora da actual Banda da Armada, que desde há tantos anos, muito tem prestigiado a Marinha.
Ainda de acordo com os registos conhecidos, a Banda da Armada fez a primeira gravação de um disco em Portugal, no dia 3 de Abril de 1903, no Quartel de Marinheiros, em Alcântara, facto que lhe confere um lugar de honra no panorama musical português. De resto, quando o Presidente da República, Dr. António José de Almeida, se deslocou ao Brasil em 1922, por ocasião das comemorações da sua Independência, distinguiu a Banda da Armada, escolhendo-a para integrar a sua comitiva e representar a música portuguesa no país-irmão.
Nos últimos anos, por via da facilidade de transporte ou de uma maior receptividade internacional, a Banda da Armada tem efectuado diversas exibições no país, incluindo os Açores e a Madeira e, também, várias digressões ao estrangeiro.
Foi nesse contexto que, entre os dias 18 e 24 de Abril, a Banda da Armada se deslocou a Norfolk para participar no 41 º Festiva l Internacional das Azáleas, que anualmente se realiza por iniciativa das autoridades civis americanas e do SACLANT. Este Festival coincide com a floração das azáleas na região de Norfolk e homenageia um país aliado em cada ano, tendo este ano cabido esse estatuto honorífico ao nosso país.
A Banda da Armada, dirigida pelo Maestro 1 TEN Araújo Pereira, desdobrou-se em actuações, com destaque para o concerto realizado no Chrisler Hall, de Norfolk.
Nesta apresentação, reconhecida como a de maior qualidade de entre os muitos concertos realizados durante o Festival, cerca de 1200 pessoas, entre as quais o Embaixador de Portugal e altos comandos da NATO, aplaudiram vibrantemente a Banda da Armada. O êxito deu origem à apresentação de diversos elementos da Banda, organizados em orquestra ligeira e em quarteto, em diversas iniciativas, como desfiles, jantares, bailes e outras apresentações públicas que, normalmente, caracterizam este tipo de realizações nos Estados Unidos.
No dia 23 de Abril, o último dia da presença da Banda da Armada em Norfolk, realizou-se o desfile das 21 bandas militares e civis, além de outros agrupamentos, que participaram no Festiva l. Durante o desfile, a Banda foi entusiasticamente aplaudida pela população de Norfolk e, frente à tribuna com as autoridades, desenhou a "Cruz de Cristo" em formatura e tocou temas musicais portugueses.
Nesse mesmo dia, a Banda da Armada participou nas cerimónias da coroação da "Rainha das Azáleas", distinção que coube a Filipa Cajarabille, filha do CFR Lopo Cajarabille, da Marinha Portuguesa, que actualmente presta serviço no SACLANT.
Cansados por uma tão longa viagem e por tão exigentes actuações, os elementos da Banda da Armada regressaram a Portugal num avião C130 da Força Aérea Portuguesa, orgulhosos pela forma como representaram a Marinha no Festival e conscientes de que tinham escrito uma prestigiante página no riquíssimo historial da sua Banda.
REVISTA DA ARMADA
Nº267 – JULHO 1994