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O pintor Alberto Cutileiro falou no Centro de Estudos de Marinha sobre a história da banda da armada


No passado dia 14 de Dezembro, no Museu de Marinha, em Belém, realizou-se uma sessão plenária do Centro de Estudos de Marinha, a que presidiu o respectivo presidente, vice-almirante Sarmento Rodrigues, e a que assistiram diversos membros daquele órgão cultural da Armada, além de outras individualidades.

No começo da reunião, o presidente e o secretário-geral do Centro, capitão-de-mar-e-guerra Teixeira da Mota, fizeram a evocação da vida e o elogio da obra do Prof. Armando Cortesão, membro do Centro, recentemente falecido, tendo sido posto em destaque a sua notabilíssima actividade no campo do estudo da cartografia antiga, de que é obra máxima a realização da"Portugaliae Monumenta Cartografia".

No prosseguimento da sessão, o pintor Alberto Cutileiro apresentou uma comunicação em que abordou o tema "Alguns subsídios para a história da Banda da Armada".

Do trabalho daquele artista pode concluir-se que já em 1740 existia um conjunto musical no Terço de Fuzileiros da Armada Real, pelo registo de uma "rixa entre populares e alguns componentes" daquele Terço"ao tempo aquartelado no Castelo de S. Jorge, um executante da Charamela do referido Terço levou uma pontada dum chuço".

Na reorganização das forças armadas, levada a efeito pelo conde Shaumbourg Lippe "passaram os registos a ter na testa de coluna tambores e pifanos sob o comando de um tambor-mor", que antes da vinda do conde de Lippe já existia no Exército. Dando continuação ao seu trabalho, Alberto Cutileiro afirmaria que "em 1793, a Armada Real tinha uma charanga que entestava o seu 1. O regimento de infantaria de desembarque, composta de nove músicos" e que dois anos depois "era a música marcial da Armada Real superiormente dirigida pelo italiano Caetano Tozi". Seria, no entanto, em 1797, com a criação da Brigada Real de Marinha, "reorganizada a charanga, a qual passou a ter como regente o italiano Pascoal Corvalini".

Seguidamente o conferencista, reportando-se já ao século seguinte, referiu que "com a primeira Invasão Francesa, a corte emigrou para o Brasil e a charanga da Brigada acompanhou-a e por lá ficou". Após a independência daquele país irmão, a charanga viria "a ser integrada na nova armada que o imperador D. Pedro I organizou".

 Verificando-se, entretanto, o"regresso de D. João VI a Portugal, apenas voltaram à Pátria dois músicos". E seria em 1837, com a criação do Batalhão Naval, que esta força passaria a estar "dotada duma charanga muito ao gosto do rei artista D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II", a qual "entestava com uma fanfarra de tambores-timbalões e pifanos".
 Será já no fim do século XIX, mais propriamente a partir de 1889, que a"actual banda tem conhecido dias de enorme sucesso em concertos públicos", êxitos que se têm prolongado até à data presente.

Alberto Cutileiro concluiria a sua comunicação citando que "foi a então charanga do Corpo de Marinheiros da Armada Real que gravou, em 1903, o primeiro disco em Portugal", afirmando que "duas efemérides se registam: os 237 anos da gloriosa Banda da Marinha de Guerra Portuguesa e os 73 anos do registo duma música pela primeira vez gravada no país".


REVISTA DA ARMADA
Nº 77 – FEVEREIRO 1978

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