A Marinha, através da Direcção do Serviço de Saúde, vai celebrar com o Serviço de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência do Ministério da Saúde, um acordo de prestação de serviços de desintoxicação, tratamento e reabilitação de toxicodependentes oriundos do meio laboral.
Através deste protocolo, a Marinha disponibiliza a capacidade sobrante da sua Unidade de Tratamento Intensivo de Toxicodependências e Alcoolismo (UTITA), reforçando a rede acional com mais uma comunidade terapêutica. A cerimónia de assinatura do protocolo, que contará com a presença do Superintendente dos Serviços do Pessoal, Vice-Almirante Botelho Leal, terá lugar no próximo dia 24 de Outubro, nas instalações da UTITA, na Base Naval do Alfeite.
O exercício pleno do programa da Marinha para a dissuasão do consumo de drogas e abuso do álcool decorre há já cerca de 20 anos, envolvendo o despiste analítico laboratorial frequente e sistemático de consumos. Com uma alta probabilidade de detecção de consumos/abusos precoces, este programa permite, quer a possibilidade do pleno exercício da capacidade de opção, pelo consumidor, entre a carreira e a reincidência, quer ainda a identificação objectiva de situações de dependência.
Os casos identificados de toxicodependência são submetidos, pela Marinha, a um programa de desintoxicação, tratamento e reabilitação, o qual é objecto de aturada experimentação e avaliação há mais de dezasseis anos. A fase de desintoxicação é levada a efeito no Serviço de Psiquiatria do Hospital da Marinha, a de tratamento é conduzida na UTITA, decorrendo a de reabilitação nas unidades militares, em ambiente laboral e sob monitorização da UTITA, com acompanhamento permanente de pessoal especializado e frequência de grupos de "auto-ajuda" (Narcóticos Anónimos e Alcoólicos Anónimos).
Dos efectivos da Marinha que, desde o início do programa, foram submetidos a despiste laboratorial, 8367 ainda se encontram ao serviço e, destes, apenas 0,6% tiveram contacto com droga. No ano transacto, dos 44 consumidores detectados, apenas 8 se revelaram reincidentes, o que representa, em termos de quantificação do efeito dissuasor do programa, uma redução do consumo em 82%.
Com uma lotação de 14 camas e instalada definitivamente, há cerca de dois anos, na Base Naval do Alfeite (provinda do Serviço de Psiquiatria do Hospital da Marinha onde, em 1984, foi iniciada a fase piloto), a UTITA constitui-se como um serviço de utilização comum das Forças Armadas, disponível também para os outros Ramos, averbando actualmente uma taxa de sucesso de 75%.
Esta instalação da UTITA no Alfeite só foi possível com o financiamento, no valor de 106 mil contos, do então Projecto Vida, mediante contrapartida da celebração de acordo, por parte da Marinha, com os competentes serviços do Ministério da Saúde, para ocupação e gestão da capacidade sobrante.
Nota às Agendas: Convida-se a Comunicação Social a estar presente na cerimónia de assinatura deste protocolo, a ter lugar na UTITA (Base Naval de Lisboa), no próximo dia 24 de Outubro, pelas 10H30.