A fragata "Vasco de Gama" conduziu Ontem, 29 de Abril, uma acção de abordagem e vistoria a um navio no âmbito do combate ao terrorismo e imigração clandestina. A acção decorreu em águas internacionais do Mediterrâneo Oriental, sendo a primeira desenvolvida por uma unidade naval da NATO no âmbito da Operação Active Endeavour.
Integrada desde o passado dia 2 de Março de 2003 na Força Naval Permanente do Atlântico (STANAVFORLANT), Força de Reacção Imediata da NATO, a “Vasco da Gama” encontra-se desde o início do corrente mês empenhada pela segunda vez na Operação Active Endeavour, tendo a primeira ocorrido no segundo trimestre do ano de 2002.
A Operação Active Endeavour é uma operação NATO desencadeada na sequência do pedido de apoio dos EUA no combate ao terrorismo internacional, após os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001, providenciando uma demonstração tangível em termos de acção e presença naval no Mediterrâneo Oriental, através do empenhamento de uma das suas Forças de Reacção Imediata.
Recentemente viu o seu campo de acção alargado ao combate a actividades criminais como o tráfico humano e a imigração clandestina, passando a verificar-se uma colaboração directa da NATO com diversas Agências europeias e nacionais que tradicionalmente desenvolvem este tipo de investigação, traduzindo-se esta colaboração em acções de vistoria a navios designados como de interesse. Coube à “Vasco da Gama”, em patrulha na área de operações, ser o primeiro navio a efectuar uma acção deste tipo, o que constitui um passo militar de considerável importância para o desenvolvimento das operações. Refira-se que a condução de abordagem e vistoria no mar é uma actividade treinada de forma sistemática pelas unidades navais da Marinha de Guerra Portuguesa, que se encontram há largos anos familiarizadas e adestradas nestes procedimentos. Realça-se o facto das fragatas desta classe terem conduzido cerca de 3 centenas de acções do género no âmbito das operações de embargo às Repúblicas da Ex-Jugoslávia. Este tipo de acções envolve, directamente, uma equipa treinada e especializada de marinheiros, fuzileiros e mergulhadores, para além do emprego do helicóptero orgânico e de todo o conjunto de capacidades de vigilância e comando e controlo disponíveis neste tipo de navios.
O combate ao terrorismo transnacional e a vigilância dos espaços marítimos tem como objectivo, para além da demonstração da determinação e solidariedade da Aliança para com um dos seus estados-membros, a manutenção da segurança, estabilidade e liberdade de navegação nesta zona do globo onde coexistem diversas rotas marítimas internacionais, fulcrais para os interesses da grande maioria dos estados-membros da NATO. Sublinhe-se a crescente preocupação das nações marítimas em garantir a segurança e liberdade de navegação nas linhas de comunicação marítimas de interesse nacional, o que, no tempo presente, face à natureza das novas ameaças, ganha uma dimensão global. Como consequência desse facto, assiste-se a uma ocupação dos espaços marítimos internacionais por parte das Forças Navais, cuja extensão vai, provavelmente, para além das verificadas nos conflitos mundiais do último século.
A "Vasco da Gama" é comandada pelo Capitão-de-fragata José Domingos Pereira da Cunha e possui uma guarnição de 194 militares, constituída por 25 oficiais, 45 sargentos e 124 praças. É a primeira fragata desta classe com uma guarnição mista, integrando 14 militares femininos, dos quais 2 oficiais e 12 praças.
SIRP – Gabinete do Alm. CEMA
CFR Henrique Eduardo Passaláqua Gouveia e Melo