1. Entidades
Senhores Almirantes,
Senhores convidados,
Senhores Comandantes,
Restantes oficiais, sargentos, praças, militarizados e funcionários civis,
Minhas Senhoras e meus senhores,
2. Introdução
Começo por saudar os ilustres representantes dos Departamentos Governamentais, Organismos Científicos e Universidades, aqui presentes, agradecendo a disponibilidade para se associarem a esta cerimónia da tomada de posse do vice-almirante Viegas Filipe, como director-geral do Instituto Hidrográfico. Disponibilidade que interpreto como um sinal evidente da estreita colaboração e plena abertura que a Marinha, e em particular este seu Instituto, prosseguem no relacionamento com a sociedade civil.
É, certamente, também o reconhecimento do papel aglutinador que o Instituto Hidrográfico desempenha no desenvolvimento das ciências e tecnologias do mar, num país que ciclicamente acorda, mas demora a reencontrar-se com esse mesmo Mar.
Bem vindos !
Ao corpo de Marinha presente , recordarei que a nomeação do director-geral do Instituto Hidrográfico, como a lei determina, é feita por despacho conjunto do Primeiro-Ministro e do Ministro da Defesa Nacional, ouvido o Chefe do Estado-Maior da Armada.
Por sua vez, a escolha do vice-almirante Viegas Filipe insere-se na remodelação já iniciada, que planeei para a estrutura superior da Marinha, dando continuidade à definida gestão solidária e partilhada que idealizei para projectar e ajudar a concretizar a Marinha do Futuro - a Marinha do ano 2010.
3. O Instituto Hidrográfico
O Instituto Hidrográfico é um organismo de Marinha cuja valia estratégica se afirma exactamente por ser parte integrante da própria Marinha.
As suas missões fundamentais, consignadas também em lei, são de natureza militar a que acresce a vertente científica e de defesa do ambiente, no âmbito alargado do desenvolvimento do País. A superintendência conjunta, cabendo a tutela funcional e patrimonial ao Ministro de Estado, da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar e sendo a definição das linhas de orientação e dos domínios prioritários da sua actuação exercida em articulação com o Ministro da Ciência, Inovação e Ensino Superior, sustentam este desígnio de funções essencialmente militares, complementadas com o apoio à comunidade científica.
Falar do Instituto Hidrográfico, sem falsa modéstia, é falar de um centro de excelência, é falar de pessoal qualificado e motivado, é falar de metodologias e tecnologias das mais actuais e desenvolvidas, é falar de um prestígio reconhecido, nacional e internacionalmente.
O IH representa a componente melhor estruturada da investigação científica da Marinha. Constitui-se, assim, como uma instituição credível e indispensável na componente da investigação do mar em Portugal. Faz, por isso, todo o sentido ser parte integrante da estratégia nacional que se vier a assumir para o mar, decorrente das recomendações expressas no notável trabalho da Comissão Estratégica dos Oceanos. O Instituto Hidrográfico, e por maioria de razão toda a Marinha, está disponível e pronta para participar nesse grande desígnio nacional.
Preservando a sua essência militar, o Instituto Hidrográfico soube manter e tem mantido, uma ligação exemplar à comunidade científica do País: partilha os seus meios e as suas valências, associa-se em projectos conjuntos, acolhe equipas científicas externas e preserva internamente um relacionamento exemplar entre militares e civis a trabalharem para o desenvolvimento do país, em súmula: a servir Portugal.
Neste conjunto de actividades não se pode deixar de referir a responsabilidade que lhe está cometida de garantir a cobertura cartográfica das águas interiores e territoriais e outras com interesse cartográfico nacional, a que se associam as responsabilidades nos campos da oceanografia militar e da segurança da navegação.
4. Menção ao VALM SILVA CARDOSO
O vice-almirante Silva Cardoso que hoje cessa funções de director-geral soube assumir estas responsabilidades com pragmatismo e rigor de gestão, mas, sobretudo, com enorme sensibilidade. Nesta atitude, valorizou o desempenho do Instituto Hidrográfico de forma brilhante.
Reiterando todos os elogios do louvor público divulgado nesta cerimónia, não poderei deixar de recuperar o seu sentido humanista de entender as pessoas e os seus anseios e de organizar e de se bater pelos grandes objectivos estratégicos estabelecidos para o Instituto.
Parte hoje para uma nova etapa da sua vida fora da Marinha. Registo o seu sacrifício e permanente dádiva, sempre leal e frontal, como se requer a um oficial de eleição. Parte, mas sei, pela sua essência de grande homem e marinheiro, que permanecerá ligado à Marinha que serviu e à Marinha que é sua. Desejo-lhe, senhor almirante as maiores felicidades no novo mar que irá trilhar e reconheça em nós sempre o porto seguro e disponível que lhe dará abrigo sempre que necessário.
5. Menção ao VALM VIEGAS FILIPE
O vice-almirante Viegas Filipe assume agora funções como director-geral do Instituto Hidrográfico. Recebe uma instituição muito particular de gestão aliciante, mensurável na efectiva realização dos seus desafios. Mistura operacionais e administrativos, cientistas e técnicos, civis e militares, homens e mulheres. Nada que o senhor almirante não conheça e domine depois da sua experiência como Comandante da Escola Naval onde ainda permanece.
Conheço as suas qualidades de trabalho e a sua elevada competência, estando, por isso certo que levará a bom porto este novo desafio da sua vida.
Peço-lhe um sacrifício adicional de prolongar temporariamente o seu comando da Escola Naval e conduzir esta acumulação, mesmo que por pouco tempo, com mestria e serenidade.
6. Directivas e Orientações
Senhor Almirante Viegas Filipe,
Conhece bem a importância que atribuo ao Instituto Hidrográfico e sei que tem interiorizada a minha percepção da sua importância estratégica como elemento integrante da Marinha.
Conhece também o alto prestígio do Instituto que tive o cuidado de salientar e que o posiciona entre os melhores Laboratórios de Estado do País. Prestígio esse que não é dado adquirido e que exige muito trabalho e muita atenção para que se mantenha. Os sucessos do passado só são mais valia se garantidos no presente e sustentados no futuro.
Conhece ainda as orientações que estabeleci na Directiva de Política Naval relativamente ao Instituto e que, sendo necessariamente sucintas, contêm apenas o que é essencial, porque o Instituto tem uma história e uma capacidade próprias, já solidificadas para ser capaz de bem cumprir a sua missão.
Resta-me, tão só, relembrar a necessidade imperativa de se continuar a apostar numa perfeita cooperação institucional com todos os organismos da Marinha.
No âmbito das acções de apoio à esquadra, destaco as operações REA, em que o Instituto ganhou intervenção por mérito próprio. Os produtos operacionais produzidos, que a comunidade operacional acolheu com satisfação, desenvolveram a certeza de uma nova capacidade, já reconhecida de qualidade, no seio da NATO.
Outra matéria a destacar é o modelo seguido relativamente ao aprontamento e operação dos navios hidrográficos, em que Comando Operacional e Autoridade Técnica têm domínios de intervenção bem definidos, mas que exigem articulação perfeita. Há que não esquecer que, embora tratando-se de navios com uma missão e finalidade técnicas muito específicas, são antes do mais unidades navais que devem saber operar com segurança.
Estas duas ligações são actualmente exemplares e representam conquistas sobre um passado longínquo de desencontros, ganhando hoje uma solidez e qualidade que não se devem perder, mas até estimular e desenvolver.
Senhor Almirante Viegas Filipe, como últimas, mas sobejamente importantes orientações, quero apenas acrescentar:
- É determinante o aprontamento do Navio Almirante Gago Coutinho.
- A experiência recolhida da reconversão do D. Carlos I será uma mais valia neste objectivo.
- Operacionalizar um navio que está parado há tempo de mais, e que se torna vital para a concretização do projecto da plataforma continental, é um desejo, mas também uma obrigação.
- É necessário criar estruturas de apoio ao projecto da Plataforma Continental
- O projecto da Plataforma Continental está assumido como um projecto de interesse nacional, e que extravasa claramente as responsabilidades da Marinha. No entanto, a Marinha, pela sua experiência, e por dispor dos meios para tal - os navios, terá que obrigatoriamente estar envolvida.
- O projecto tem a sua conclusão condicionada por limites temporais e, por isso, exigirá esforço significativo em pessoal disponível e experimentado, que é necessário acautelar.
- É necessário manter os padrões de qualidade a que o IH nos habituou
- Devem ser prosseguidos os programas de formação académica e valorização profissional, a todos os níveis, mantendo um núcleo de massa crítica qualificada necessária à instituição, e neste domínio, atender ao necessário equilíbrio entre as valências civis e militares.
- Devem ser estimuladas as ligações às universidades e aos Laboratórios de Estado, sejam ou não nacionais, procurando neles parcerias em projectos e soluções para cativar pessoal qualificado, capazes de criar sinergias internas que representem mais valias nos trabalhos produzidos.
- Deve ser dada particular atenção à carreira de investigação, característica determinante de um Laboratório de Estado.
- Deve ser mantido o nível de qualidade tecnológica que as instituições ligadas às ciências do mar exigem, através de programas sustentados de modernização e reequipamento científico.
Finalmente, será necessário manter o são equilíbrio entre os trabalhos em regime de prestação de serviços, as responsabilidades de âmbito militar, e as colaborações com a comunidade científica, para que o cumprimento da missão nunca seja desvirtuado.
Termino, entregando-lhe o comando deste enorme, mas aliciante empreendimento. A qualidade dos seus colaboradores, muitos dos quais conheço bem, serão uma garantia do sucesso que sei, irá procurar.
Francisco António Torres Vidal Abreu
Almirante