Senhores Almirantes, Senhores Comandantes e Ilustres Convidados, Restantes Oficiais, Sargentos, Praças, Militarizados e Funcionários Civis, Minhas Senhoras e meus Senhores,
A cerimónia
A cerimónia de atribuição do Comando da Escola de Tecnologias Navais, ao comandante Malaquias Pereira, que tenho o grato prazer de presidir, hoje e aqui, representa a capacidade determinada da Marinha em se adaptar aos novos desafios e saber corresponder às solicitações de modernização que as organizações vivas e dinâmicas devem perfilar.
A caracterização da ETNA
A ETNA surge, no âmbito do desenvolvimento organizacional, associado aos projectos do Reordenamento do Parque Escolar (RPE) e de implementação do novo Sistema de Formação Profissional da Marinha (NSFM), como nova estrutura escolar, em substituição dos grupos de escolas. Desta forma, assume-se romper, talvez com nostalgia, mas sobretudo com convicção, com laços e tradições enraizadas ao longo de anos. A designação Grupos de Escolas, interiorizada há mais de quarenta anos, vai ter que ser abandonada, mas estou certo que, a cada momento, a designação de ETNA se irá impor naturalmente e funcionará, no futuro, como um novo símbolo de modernidade. A Marinha sabe, como sempre soube e saberá, estar atenta às evoluções da sociedade e fazer introduzir as alterações necessárias ao seu bom funcionamento. A ETNA funcionará, até à conclusão do RPE, com um pólo em Vila Franca de Xira, onde se manterão os Departamentos de Propulsão e Energia, de Administração e Logística e um elemento de Formação Geral, correspondendo à desactivação do G1EA que irá ocorrer dentro de dias. Transitoriamente, o G2EA manter-se-á para efeitos de suporte legal dos actos administrativos da ETNA, até à aprovação definitiva da presente estrutura. Trata-se de uma solução transitória, inimaginável quando há cerca de 10 anos o projecto foi iniciado, e a sua conclusão projectada para o ano 2000. Mas sair de V. F, de Xira significa investir no Alfeite valores que só se podem obter depois de alienar o G1EA, o que, por sua vez, só pode acontecer depois de se estar no Alfeite. Infelizmente, soluções que no domínio do privado se praticam com enorme facilidade, continuam a ser difíceis no seio do Estado, e só a determinação da Marinha em prosseguir esta linha, tornou irreversível este movimento, embora de uma lentidão exasperante e ainda hoje longe da sua conclusão. A mesma determinação não enjeitará a procura de vias que permitam antecipar o encerramento do pólo de V. F. de Xira para que, tão cedo quanto possível, se possa tirar pleno rendimento desta significativa reforma.
A importância da ETNA
A criação da ETNA não é uma mera mudança de nome na estrutura de formação da Marinha. Corresponde, antes porém, a uma evolução organizacional, adoptando a estrutura operativa ao modelo departamental, decorrente da sua utilização nas novas unidades navais. O funcionamento por departamentos e não por Escolas destina-se a aproximar o ensino e formação à real vivência a bordo dos navios, evitando as duplicações das matérias que, no conceito anterior, era obrigatório repetir em cada escola. Mas é na melhoria das capacidades formativas, associadas ao desenvolvimento das novas classes de sargentos e praças, na perspectiva da certificação e integração no sistema de formação nacional, com o qual se procura seja compatível nos graus de equivalência académica e de qualificação profissional, que este investimento merece maior destaque. Representa, também, a centralização da gestão das capacidades formativas, contribuindo para a racionalização dos recursos humanos e financeiros, ao procurar soluções para fazer melhor com menos pessoal, ao adaptar-se à nova realidade operacional e ao recorrer a modernas tecnologias educativas . A activação da ETNA vem também trazer melhorias substanciais nas condições de funcionalidade e de habitabilidade das escolas e dos alojamentos, tão necessárias à dignificação e motivação do pessoal.
A mensagem e os desafios
É de todos conhecido o meu entendimento que Formação é Futuro. Preparar os Oficiais, Sargentos e Praças da Armada de onde sairão, não só os futuros responsáveis pela nossa Marinha, mas também as suas insubstituíveis bases de sustentação, é obra merecedora da melhor atenção e de apoio por parte de todos quantos têm responsabilidade de gestão. A ETNA terá um papel importantíssimo neste percurso. No entanto, quero aqui alertar que a acção da ETNA não se esgota na formação militar-naval e científico-tecnológica de sargentos e praças, nem na formação técnico naval dos oficiais, cabendo-lhe também uma intervenção fundamental no domínio das atitudes e princípios, cimentando uma cultura organizacional que confira coesão e profissionalismo ao grupo de mulheres e homens que servem a Marinha, reconhecida como Escola de Valores e Virtudes. A qualidade da formação, neste conceito alargado que lhe atribuo, representa sem dúvida um dos pilares mais sólidos sobre os quais deverá ser erguida a Marinha do futuro. Aproveito a ocasião para dirigir aqui uma palavra especial aos oficiais, sargentos e praças que ensinam e aprendem na ETNA. É aqui que se molda parte substancial do futuro da Marinha, é aqui que se decide se no futuro uma Praça, Sargento, ou Oficial dirá com orgulho, "eu formei-me ou especializei-me na ETNA". E aqui, olhando para vós, tenho a certeza que a Marinha e o país podem contar convosco para este futuro.
Ao comandante Ramos Gouveia
Não querendo alongar a minha intervenção dirijo-me agora ao Comandante cessante do G2EA: Senhor Comandante Ramos Gouveia. Acaba um comando marcante, confirmado em várias acções e obras que quis assinalar e destacar no louvor que lhe concedi e que publicamente foi divulgado. Expresso ao senhor comandante o meu apreço pela elevação com que exerceu o comando do G2EA e o prestígio que soube conferir à prossecução dos objectivos traçados para este Grupo de Escolas nesta fase de transição que tão bem soube conduzir. Parte para nova e também importante missão, por escolha, fruto das suas características pessoais e profissionais, desejando-lhe no novo cargo que assumirá em breve, os maiores sucessos.
Ao comandante Malaquias Pereira
As palavras finais vão para o senhor comandante Malaquias Pereira que assume o comando da ETNA: Senhor Comandante Malaquias Pereira. A Marinha tem uma cultura e uma tradição de reconhecido prestígio no domínio da formação. Se no passado esta área de actividade já não era compatível com abordagens empíricas, hoje, mais do que nunca, ela requer planeamento, acompanhamento, cumprimento seguro, muito estudo e pro-actividade. Requer também uma ligação muito forte com a componente operacional, porque o produto final a ela se destina. Da sã e fluente troca de informação ente estes dois sectores, deverá resultar uma melhoria constante da formação a ministrar. Requer, naturalmente, diálogo permanente com a sub-área funcional da formação para que os planos de curso atinjam os objectivos para que foram traçados, mas também para que, do planeamento à prática a margem se estreite e a Marinha se cumpra cada vez melhor. Conheço as suas qualidades pessoais e profissionais e por isso estou convicto que não estando perante uma tarefa fácil a conseguirá prosseguir com sucesso. Conto consigo e com todos os oficiais, sargentos, praças e civis desta nova unidade para que, desde o primeiro dia, o seu sucesso seja um claro contributo para o sucesso da Marinha.
Francisco Vidal Abreu
Almirante