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Discurso do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada por ocasião da tomada de posse do Contra-almirante Superintendente dos Serviços Financeiros 
15-02-2005 0:00 
 

Discurso do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada por ocasião da tomada de posse do Contra-almirante Superintendente dos Serviços Financeiros

Ex.mo Senhor vice-almirante Vice-Chefe do Estado-Maior da Armada,
Ex.mos Senhores almirantes,
Ex.mos Senhores Comandantes,
Ex.mos Senhores Oficiais, sargentos, praças, civis e militarizados da Marinha,
Ilustres convidados,
Minhas Senhoras e meus Senhores.

Começo por felicitar o contra-almirante Luís Carlos Calceteiro Serafim pelo novo cargo de Superintendente dos Serviços Financeiros em que o acabo de empossar, aproveitando também para reiterar os meus votos de caloroso acolhimento e boas vindas ao almirantado. A sua recente promoção a oficial-general é o reconhecimento do seu mérito, do trabalho desenvolvido ao longo da sua carreira e da garantia de capacidade que, sei, não regateará no apoio à gestão superior da Marinha.

A cerimónia desta tomada de posse a que hoje presido é uma cerimónia que, embora singela e sóbria como todas, é repleta de significado, pelo momento, pela envolvente e projecção esperada, materializando a importância que a mesma reveste para a Marinha.
Não me demorarei, por isso, em grandes considerações. As linhas gerais de orientação para a Superintendência estão traçadas na Directiva de Política Naval que se mantém actual na atitude geral perante os recursos financeiros "de concentrar a despesa no obrigatório, no essencial e, no âmbito do investimento, em tudo aquilo que venha a gerar futuras poupanças e ganhos de eficácia" e ainda no rigor, na gestão da informação e na execução orçamental.

As orientações específicas definidas para o seu antecessor, há cerca de dois anos e dois meses atrás, permanecem também válidas se as transformarmos no que respeita ao Sistema Integrado de Informação Financeira e as fizermos adaptar ao novo Sistema de Informação de Gestão da Defesa Nacional. Esta evolução tem implícita uma profunda transformação do sistema de administração financeira da Marinha que abrange o campo das responsabilidades, estruturas e métodos. Deverá constituir, assim, uma das linhas prioritárias da actuação dos responsáveis e órgãos da Superintendência dos Serviços Financeiros, abrangendo o desenvolvimento de novas atitudes, conhecimentos e perícias de âmbito financeiro.


Neste quadro, não posso deixar passar esta oportunidade sem acentuar a necessidade de colaboração dos vários comandos, direcções e chefias da Marinha no processo de consolidação e validação dos balancetes analíticos, nas suas vertentes financeira e de controlo patrimonial, pois só assim será possível fazer a integração com segurança e confiança deste novo sistema de gestão que se prevê, no seu modelo conceptual, com vantagens para a Marinha e para a desejada coerência de processos nas Forças Armadas. Esta é, aliás, a linha que está a ser seguida em todas as Marinhas modernas, com uma aposta clara na racionalização dos recursos disponíveis.
 

No entanto, o grande desafio, no meu entender, será perceber que já não estamos só a preparar o futuro, como tenho afirmado nas minhas últimas intervenções públicas, mas também a começar a vivê-lo. O rumo encontra-se traçado. A bondade e a razão das opções apresentadas tornaram-se convicções e, por isso, carecem apenas de determinação na sua concretização.
 A realidade da construção da Marinha do futuro coloca sérias exigências à nossa vontade e capacidade de avaliar a sustentabilidade financeira futura das forças e das respectivas condições de operação.

O sistema financeiro da Marinha deve estar em condições de responder a este desafio, apostando na capacidade de projectar, numa perspectiva plurianual e em antecipação, os cenários de actuação e os níveis de financiamento que garantam a obtenção do máximo rendimento dos investimentos efectuados, e apresentar os elementos indispensáveis à avaliação da necessidade e possibilidade da sua concretização.

Relevo ainda a importância da continuação das inspecções e auditorias, quer sejam internas quer externas, como factor motivador para a elevação do nível de responsabilidade e de transparência da gestão, em consonância com as exigências de uma administração pública moderna e que poderá potenciar o plano de qualificação de recursos, através da aferição da respectiva qualidade.

Uma palavra, agora, para o contra-almirante Roçadas Ramalho.

O louvor que lhe atribuí, lido nesta cerimónia, é o reconhecimento da sua significativa carreira naval e o elogio ao seu conhecimento privilegiado da organização, mas é também o meu agradecimento pessoal pelo conselho pronto e avisado que sempre me dedicou para resposta aos múltiplos e exigentes desafios colocados no domínio da administração financeira.

Para a nova fase da sua vida que agora se inicia, desejo-lhe, senhor almirante, as maiores felicidades, expressando-lhe, em nome da Marinha, o meu sincero reconhecimento pelo trabalho desenvolvido e legado que nos deixa.

Regressando, para finalizar, ao empossado.

Senhor almirante Calceteiro Serafim. O cargo que agora assume é o culminar de uma longa carreira devotada à Marinha com profissionalismo, inteligência e competência. Sendo o culminar de carreira, sei, no entanto, pela sua personalidade, que não deixará esmorecer o seu empenho e corresponderá com o entusiasmo e abnegação que o momento e o cargo exigem.


Assume funções num momento que não se afigura fácil, mas também isso não é novidade. Vive-se um tempo de expectativa, mas não de imobilismo. Vive-se um tempo de alguma ansiedade, mas nunca de desespero. Vive-se um tempo de apreensão, mas não de desistência. O projecto que a Marinha traçou para a sua renovação e que, recentemente, foi mais uma vez validado pela aprovação de toda a cadeia de documentação estratégica a nível nacional, tem que prosseguir, precisando tão só da atitude positiva e convicta de confiança e determinação que nos tem empolgado nos últimos tempos. Este ânimo é fundamental para que os principais programas prossigam como delineados, num curso cada vez mais irreversível e sempre no interesse do País e não exclusivo da Marinha. A Marinha existe para servir Portugal.

À Superintendência dos Serviços Financeiros caberá, a par dos outros OCAD, um papel fundamental no apoio ao Comandante da Marinha na prossecução dos objectivos  definidos. Neste percurso, estou certo que saberá interpretar adequadamente as linhas de acção traçadas, com propostas de solução ou decisões que sejam facilitadoras das dificuldades que eventualmente possam surgir, sempre em consonância com as minhas orientações e que viabilizem o projecto que delineei para a Marinha.
Mas para que a Marinha continue, como aliás sempre soube fazer, a navegar em águas seguras, é necessário saber sustentar as suas decisões em critérios de eficiência. E isto passa também por saber utilizar com mestria as ferramentas, indispensáveis hoje em dia para uma gestão sem mácula, que a Contabilidade Analítica põe à sua disposição. Não basta apenas saber planear. É preciso saber acompanhar criteriosamente o percurso percorrido e compará-lo com o estimado, pois só assim será possível proceder às devidas correcções em tempo útil e entender, com rigor, os motivos dos desvios. Incentivo-o pois, senhor almirante a continuar a implementar os passos que permitam à Marinha saber sempre, e em qualquer momento, comparar o caminho projectado com o executado e corrigir, com frontalidade e seriedade, os erros de avaliação, que eventualmente tenham existido.

Também no que respeita à consolidação da actividade financeira da Marinha, através de uma única prestação de contas externa, junto do Tribunal de Contas, cuja responsabilidade máxima pertencerá ao Almirante CEMA, conto com o seu apoio para encontrar o modelo que melhor se adapte às responsabilidades de apresentação de resultados financeiros e patrimoniais com a estrutura hierárquica em vigor que não foi concebida a pensar nesta forma de prestação de contas.

Certo que irá corresponder ao que a Marinha espera da sua acção, poderá contar o senhor almirante com o meu inteiro apoio.

Votos das maiores felicidades e dos maiores sucessos que serão também os da Marinha que servimos.

Em conjunto, saberemos construir a  Marinha do Futuro, uma Marinha melhor!

Francisco António Torres Vidal Abreu
Almirante

 

 
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