1. Entidades
Senhores Almirantes,
Senhores convidados,
Senhores Comandantes,
Restantes oficiais, sargentos, praças, militarizados e funcionários civis,
Minhas Senhoras e meus senhores,
2. Introdução
A tomada de posse do novo superintendente dos Serviços do Pessoal, que aqui hoje oficializo, representa o início de uma vasta remodelação na estrutura superior da Marinha que culminará em finais de Outubro.
Remodelação essa planeada e acordada com todos os visados, não constituindo, por isso, perturbação no normal funcionamento da Marinha, que posso afirmar, tem actualmente uma visão estratégica consolidada, objectivos claramente definidos e linhas de acção sustentadas; em súmula: tem um Rumo que todos conhecem, partilham e praticam.
Nunca é demais relembrar que esta remodelação representa, também, um sinal de coesão interna e de uma nova atitude dos senhores oficiais generais que, no espírito de bem servir e no superior interesse da própria Marinha, se disponibilizaram a condicionar as suas vidas para, no momento considerado oportuno, procederem à passagem do testemunho. Um palavra de sentido elogio a todos eles pela sua dádiva e pelo seu altruísmo. A Marinha está-lhes agradecida pelo facto em si, e pelo exemplo dado pois, sem dúvida, este deve ser o caminho a seguir.
3. A Superintendência
Retomando o âmbito da cerimónia que celebramos, apraz-me registar o enorme esforço de reorganização interna que a Superintendência dos Serviços do Pessoal tem em curso, bem como a concentração dedicada aos estudos das novas lotações, estabelecendo o adequado equilíbrio entre as necessidades e as existências.
Porém, o grande desafio prioritário da gestão dos recursos humanos é a criação do potencial humano capaz de arrancar e continuar sustentadamente os projectos que consolidarão a Marinha do Futuro. Refiro-me, naturalmente, aos Grupos de Missão que em simultâneo terão que acompanhar os programas dos novos meios navais, a par do reordenamento do Parque Escolar e da modernização das Estações Rádio Navais, que se prolongarão por mais alguns anos, para só referir os principais. Esta capacidade percorre todos os domínios funcionais da superintendência com especial incidência no do pessoal e da formação, mas passando também pela saúde, apoio social e espiritual e justiça, almejando uma satisfação colectiva e uma coesão sincera e produtiva nos interesses da Marinha.
Há, contudo, que não esperar mudanças ou facilidades que venham a permitir ultrapassar as situações bem conhecidas de carência nas áreas do Pessoal. Por isso é preciso avançar soluções de forma antecipada e com sustentação. A título de exemplo, é imperioso equacionar alternativas à precariedade dos quadros do pessoal civil, bem como para todas as situações em que, de forma extra-planeamento, se torna necessário envolver recursos humanos significativos para sustentar novos projectos.
Temos um bom exemplo com o Sistema Integrado de Gestão da Defesa Nacional. Há que estudar se o recurso ao regime de contrato, seja a que nível for, à semelhança do que se fez com os oficiais destinados ao Dia da Defesa Nacional, será uma solução, embora se esteja a caminhar em sentido inverso ao de todas as Marinhas em que o número de civis aumenta com prejuízo do número de militares.
Temos que encontrar forma de podermos garantir os projectos para os quais somos solicitados sem incidência nos quadros efectivos que se devem dedicar exclusivamente às missões essenciais da Marinha, designadamente as operacionais ou as técnico-navais, em que não há quem possa substituir os militares.
Mas, sobre os detalhes da execução da mudança em curso não me alongarei, dado que os grandes princípios e orientações e as mais relevantes acções e tarefas se encontram concretamente publicitadas na Directiva de Política Naval e na Directiva Sectorial dos Recursos Humanos. Seria de pouca valia repeti-los, mas é importante tê-los interiorizados.
Tenho consciência da dimensão do empreendimento, mas encontro-me confiante porque a Marinha dispõe de excelentes profissionais a todos os níveis, leais e com grande capacidade de dedicação e automotivação.
4. Os Oficiais Generais que rendem
O vice-almirante Pires Neves, que agora deixa o cargo, assumiu com excelência esse modelo de militar e marinheiro e soube transmitir a sua determinação a todos quantos dele dependiam, conferindo à superintendência uma dinâmica e uma qualidade por demais reconhecidas, bem expressas no despacho de concessão de medalha, lido nesta cerimónia.
As suas qualidades pessoais e profissionais ali exortadas serão o garante de sucesso no desempenho do alto cargo em que, em breve, irá ser empossado.
Assume a Superintendência dos Serviços do Pessoal o senhor almirante Ferreira Pires, promovido a vice-almirante em Conselho de Chefes de Estado-Maior de 16 de Setembro e aguardando confirmação em Conselho Superior de Defesa Nacional.
Renovar-lhe-ei então os parabéns !
Senhor almirante Ferreira Pires. Desde longa data que a sua estreita e profunda ligação à área do Pessoal o colocam numa posição privilegiada para que nela venha a ter um excelente desempenho. Tranquiliza-me a sua experiência e o seu conhecimento das políticas do pessoal em curso, que também ajudou a construir. Por isso, sabe a dimensão do desafio e os meios disponíveis e assim, resta-me desejar-lhe boa navegação neste mar da Superintendência do Pessoal, que se gostaria fosse sempre calmo, embora bem se saiba estar recheado de escolhos e ser impossível vir a ter, em qualquer tempo, uma leitura unânime.
Decida o senhor almirante sempre em consciência e o mar parecerá mais chão.
5. Directivas e Orientações
As orientações, como disse, estão definidas e, insisto, não as vou repetir, mas considero oportuno usar o momento e a vossa presença para mencionar algumas mensagens de reflexão que possam dar ainda mais força à execução dessas orientações.
No âmbito específico da Superintendência dos Serviços do Pessoal:
- É necessário desenvolver novos métodos de gestão
- Uma Marinha moderna, que se quer afirmar, deve apoiar as suas decisões em metodologias criteriosas e tecnologicamente evoluídas. Mantendo a polivalência e flexibilidade funcional do pessoal, atributos essenciais duma Marinha da dimensão da de Portugal à qual também estão cometidas responsabilidades de Autoridade Marítima, deve ser dada atenção à formação específica no domínio da gestão dos recursos humanos, ultrapassando o empirismo e boas vontades que, embora tantas vezes necessários, não são, certamente, uma solução sólida e com futuro.
- Para evitar experiências desnecessárias é aconselhável acompanhar o que de melhor se faz neste domínio, quer nos outros ramos, quer nas instituições internacionais congéneres.
- É necessário proceder ao desenvolvimento das carreiras
- A Marinha deve continuar a pugnar pela aplicação do princípio de colocar, a pessoa certa no lugar certo, no momento certo, conciliando, sempre que possível, os interesses da organização com os anseios individuais. Insere-se nesta vertente uma aposta forte na qualificação dos recursos e igualmente na sua estabilidade profissional.
- A Marinha deve criar condições de embarque e comissões de mar a todos, evitando as especializações insubstituíveis em terra. O início de carreira deve ser naturalmente embarcado. A oportunidade de servir a Marinha na componente naval deve ser estimulada.
- Ainda em matéria de orientações na área do pessoal, mas de forma mais abrangente, por abarcar responsabilidades que transbordam o domínio estrito das competências do superintendente dos Serviços do Pessoal, tornando-se também responsabilidades de toda a Marinha, quero referir:
- É necessário investir na motivação individual
- A qualidade do desempenho depende, em grande medida, da motivação individual, a qual se relaciona directamente com o sentimento de participação na prossecução dos objectivos da Marinha. Nesta conformidade, é necessário desenvolver um estilo de vida naval atractivo num ambiente de satisfação profissional que compense as necessárias exigências do serviço e que consiga garantir a retenção e fidelização, especialmente dos quadros mais competentes.
- É imperativo promover o mérito, atribuir responsabilidades compatíveis com todos os escalões hierárquicos, e ser cada vez mais exigente sem que se deixe de proceder sempre com justiça. Mérito, que deve ser percebido e do reconhecimento de todos e, por isso, se torna importante assegurar a distinção dos elementos a premiar, fundamentalmente em função da sua contribuição efectiva para a eficácia e eficiência da Marinha.
- É necessário investir noutras formas de motivação
- Deve ser preocupação constante, mostrar, por palavras e actos, que as pessoas representam verdadeiramente "o factor fundamental da Organização". Precisamos de bons profissionais que devem ser acompanhados de forma humana e personalizada enquanto ao serviço, mas que também necessitam de apoio e compreensão na hora da saída, quando a mesma se torna inevitável.
- É também fundamental que cada elemento possa sentir a importância do seu cargo e da sua acção e assimilar as consequências da sua atitude no desempenho e imagem global da Marinha. É importante cativar os profissionais da Marinha e aperfeiçoar o sentimento da integração plena neste projecto que se vive cada dia, mas que é de futuro.
Finalmente, e na sequência do que acabou de ser dito,
- É necessário continuar a trabalhar para o futuro
- Trabalhar para o futuro implica envolver nas decisões aqueles que as vão viver. É necessário tomar consciência de que quem hoje planeia e decide não o está a fazer para si, mas para as novas gerações que é necessário perceber. O futuro constrói-se com todos, tornando-se cada vez mais importante um envolvimento dos que servem com abnegação a Marinha: oficiais, sargentos, praças, militarizados e civis.
Para terminar, quero agradecer uma vez mais ao vice-almirante Pires Neves o enorme esforço pessoal que colocou no desempenho do cargo de superintendente dos Serviços do Pessoal.
Ao senhor contra-almirante Ferreira Pires quero desejar as maiores felicidades no cargo que agora assume. O seu conhecimento desta área funcional será certamente de enorme valia para a Marinha nesta era de grandes desafios. A tarefa é árdua, mas não estará sozinho, pois contará sempre com a minha orientação e apoio, nos bons e maus momentos.
Francisco António Torres Vidal Abreu
Almirante