Senhores Almirantes
Senhores oficiais, sargentos, praças, militarizados e funcionários civis,
Minhas Senhoras e meus Senhores,
Cerimónia
Presido hoje à cerimónia de tomada de posse do vice-almirante Pires Neves no cargo de Vice-Chefe do Estado-Maior da Armada, encerrando o ciclo de renovação da estrutura superior da Marinha, iniciado em finais de Setembro.
Valm Neves Bettencourt
Antes porém de me referir à importância de que se reveste esta cerimónia, faço questão de endereçar as minhas primeiras palavras ao senhor vice-almirante Neves de Bettencourt, que deixa hoje o cargo e o serviço activo na Marinha.
Senhor almirante. O louvor que acaba de ser lido representa o elogio do seu desempenho no cargo que agora deixa, mas pretende, também, ser a proclamação da carreira de uma vida dedicada com abnegação à Marinha. Para além do louvor institucional, queria ainda hoje, e aqui, deixar o meu agradecimento pessoal pela atitude de lealdade e frontalidade com que sempre me aconselhou, transvazando para além do mero desempenho profissional, uma disponibilidade absoluta, própria dos camaradas de longo tempo, e dos amigos de dádiva inquestionável.
O seu exemplo, reconhecido por toda a Marinha, de homem sabedor, competente, sereno, íntegro e de sólidos princípios éticos e morais, será sempre uma referência para os da nossa geração, mas também para os mais novos, que viram e vêem em si um modelo de vida profissional inteiramente dedicada ao serviço da instituição e, além disso, um líder orientador, pedagogo, informado e amigo.
Foi uma honra e um privilégio tê-lo como meu primeiro conselheiro, neste período de grandes projectos e decisões, sentimentos que, estou certo, toda a Marinha partilha.
O que é o VCEMA
Retomando a posse do vice-almirante Vice-CEMA.
O Vice-CEMA é o substituto do CEMA nos seus impedimentos e ausências, e compete-lhe dirigir o funcionamento do EMA, promover e coordenar a colaboração dos diversos organismos da Marinha nos trabalhos realizados no EMA, e estabelecer a sua ligação com entidades exteriores à Marinha no âmbito das suas atribuições.
Nesta amplitude do cargo, reveste-se da maior sensibilidade a escolha do oficial general que o vai ocupar, requerendo perfeita sintonia com o Comandante da Marinha, uma disponibilidade franca e leal, e um exemplo de conduta e competência, naturalmente reconhecido.
A sintonia garante a execução em continuidade dos projectos superiormente aprovados, num marcado rumo conhecido de todos. A disponibilidade e lealdade são atributos inquestionáveis que garantem a determinação e coesão nos objectivos a atingir. O exemplo sustenta o referencial das análises multifuncionais, procurando racionalizar recursos, produzir resultados coerentes e de aceitabilidade abrangente.
É sempre com enorme agrado que vejo a estrutura superior da Marinha procurar o conselho informal junto do Vice-CEMA, num sentido de análise partilhada e solidária, tão importante à uniformidade e à coerência necessárias à preparação do futuro da Marinha, e que me facilitam as decisões a tomar no percurso difícil ainda a percorrer. Assim foi e, estou certo, assim continuará a ser.
Esta uma das razões que levou a que a minha escolha tivesse recaído sobre o senhor Almirante Pires Neves , a qual foi ontem confirmada em CSDN.
Valm Pires Neves
Senhor almirante Pires Neves. As suas reconhecidas características de personalidade e qualidades profissionais, assentes no espírito do dever e na solidariedade para com a Marinha, atestam a sua qualificação para o cargo, a que associo a minha confiança pessoal.
Conheço-o bem, e sei convictamente que a sua determinação, honestidade de procedimentos, e cuidada análise dos problemas da Marinha, serão de valiosa importância para o cargo que agora assume. Com a vantagem da sua experiência última, como Superintendente dos Serviços do Pessoal, lhe conferir grande autoridade nesse domínio, podendo assim ajudar a completar, nesta área, o avanço que já foi feito no domínio do Material, quanto ao futuro da Marinha.
É que o futuro da Marinha passa também, e principalmente, pelo futuro dos seus homens, futuro este que não se garante apenas com boas vontades e disponibilidades financeiras. É muito mais do que isso e, daí, serem os avanços nesta área tão lentos, tão difíceis de consensualizar e fazer aprovar. Conto com a sua vontade e determinação para ultrapassar as barreiras que se nos deparam.
Directivas e Orientações
Senhor Almirante Pires Neves. O EMA que vai chefiar é o órgão de conselho do CEMA, com competências nos domínios do estudo, concepção, planeamento e inspecção.
O EMA deverá assumir-se, naturalmente, como factor de equilíbrio dentro da Marinha, como deve ser o garante da coerência das suas posições relativamente ao exterior.
O Senhor Almirante conhece bem o meu pensamento no tocante à importância do EMA e ao seu funcionamento. Sem me alongar, enunciarei apenas um conjunto de orientações para que sejam tidas como referência das principais acções a desenvolver. Assim, deve o EMA concentrar o seu trabalho:
- Nos estudos de médio e longo prazo, deixando para os OCAD, CN e DGAM as actividades de execução e o planeamento de mais curto prazo;
- Na sustentação de uma Estratégia Naval consentânea com os documentos estruturantes da Estratégia Nacional;
- Nos estudos necessários para adaptar a evolução das actuais condições da Marinha ao seu previsível futuro, sabendo estar atento às mudanças dos tempos;
- Na conclusão do Estudo dos Contributos (verdadeiro plano da Marinha), enquadrando-o e ajustando-o a toda a documentação do planeamento estratégico recentemente aprovado, do Conceito Estratégico de Defesa Nacional ao Sistema de Forças Nacionais;
- Dando prioridade aos novos meios e aos grandes projectos;
- Continuando a actividade inspectiva, solidificando-a e credibilizando-a através do realismo, perseguindo, assim, uma melhoria organizacional através de um melhor acompanhamento da execução da DPN;
- Antecipando estudos que permitam dar solidez às posições a defender pela Marinha em áreas que irão, certamente, ser objecto de reestruturação. Refiro-me, naturalmente, ao ensino superior militar, à saúde militar, e a uma nova estrutura superior das Forças Armadas;
- Procedendo de forma a que o controlo da execução material dos programas de investimento acompanhe o rigor que já atingiu o acompanhamento da respectiva execução financeira;
- Preparando com antecedência os planos directores das grandes unidades, para que a futura lei de Programação de Infra-estruturas tenha uma base sólida de sustentação e justificação, evitando-se os desperdícios que sempre resultam das decisões de momento, ou a sentimento;
- Dando solidez ao novo modelo de partilha de responsabilidades na área dos Sistemas Integrados de Gestão decorrentes da acção centralizadora que a tutela está a assumir nesta área.
Termino, desejando ao Senhor Vice-almirante Pires Neves, as maiores felicidades no cargo que agora assume. O seu conhecimento profundo da Marinha, a plena consciência dos desafios do futuro e as suas qualidades militares e pessoais, são garante de um desempenho elevado em tão importante cargo. Não estará sózinho na sua difícil tarefa, já que, se eu sei que poderei contar sempre consigo, também sabe que poderá contar sempre comigo.
Bom trabalho. A Marinha merece.
Francisco Vidal Abreu
Almirante