Skip Navigation LinksInício > PT > Notícias e Agenda > Discursos do Almirante CEMA

Discurso do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada por ocasião da tomada de posse do Director-Geral do Instituto Hidrográfico 
17-01-2006 0:00 
 

Discurso do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada por ocasião da tomada de posse do Director-Geral do Instituto Hidrográfico

Magnífico Reitor da Universidade de Lisboa,
Ilustres representantes de Departamentos Governamentais, Organismos Científicos e Universidades,
Senhor Almirante Vice-CEMA, Senhores Almirantes,
Distintos convidados,
Senhores Comandantes,
Senhores Oficiais, Sargentos, Praças, Militarizados e Civis da Marinha,
Minhas Senhoras e meus Senhores.


Em primeiro lugar, quero agradecer pessoalmente a todos os que quiseram honrar-nos com a sua presença, em especial às entidades externas que fizeram questão de aqui estar hoje.
No prosseguimento do natural ajuste da estrutura superior da Marinha, é com muito prazer que presido hoje à cerimónia de tomada de posse do Director-Geral do Instituto Hidrográfico.  O Instituto Hidrográfico é um órgão especial para a Marinha, onde o conhecimento científico brota do trabalho de investigação desenvolvido no mar e se cruza com os desenvolvimentos tecnológicos mais recentes, para produzir novas ferramentas e disponibilizar novos dados, tão importantes para uma multiplicidade de actividades de âmbito militar ou civil, profissional ou de lazer. O trabalho desenvolvido no Instituto é o garante das crescentes necessidades de segurança da navegação, traz um enorme valor acrescentado à fiabilidade com que se anda no mar e contribui para a riqueza e prestígio do País. 
Nesta ocasião, quero felicitar o senhor vice-almirante Viegas Filipe pelo excelente trabalho que desenvolveu à frente do Instituto. 
Como há pouco foi referido na leitura do louvor que lhe concedi, foram bem visíveis o seu empenho, capacidade de liderança e visão de futuro, aliados à coragem e capacidade de concretização que sempre demonstrou para desencadear processos de mudança no sentido de conduzir o Instituto Hidrográfico ao lugar de excelência que hoje ocupa.
Por outro lado, quero também agradecer ao almirante Viegas Filipe a sua disponibilidade para continuar a servir o País noutras importantíssimas funções em que em breve será empossado.  Muito obrigado senhor almirante pela vontade em continuar a servir as Forças Armadas e a Marinha.
Senhor almirante Augusto de Brito,
ao escolhê-lo para dirigir o Instituto Hidrográfico, considerei que as suas características, evidenciadas ao longo da sua brilhante carreira naval, que tenho seguido com apreço, se adaptavam aos múltiplos desafios que se apresentam a esta instituição, designadamente no contexto da reforma das instituições públicas, e na integração no espaço europeu de investigação.
O relatório-base recentemente elaborado pelo senhor almirante Viegas Filipe demonstra a qualidade do trabalho desenvolvido, pelo que estou confiante que o Grupo Internacional que irá visitar o IH durante o primeiro trimestre deste ano, não terá dúvidas em recomendar a sua continuidade como Laboratório do Estado, tutelado pelo Ministério da Defesa Nacional e integrado na estrutura da Marinha, como até aqui. 
No meu entendimento, é a sua inserção na Marinha que lhe dá força e sentido estratégico, permitindo uma relação custo-eficácia nunca atingível com outra solução.
Este é um desafio importante que irá reforçar o papel do IH no tecido científico nacional, aumentar o acesso a sectores relevantes da economia e da sociedade, dar-lhe maior visibilidade na comunidade científica e maiores possibilidades de cooperação com outras instituições de investigação e ensino superior, potenciando, assim, a abertura da Marinha à sociedade civil, com benefícios mútuos e com ganhos importantes para o País.
Demos "novos mundos ao mundo" mas não sabemos bem o que existe na nossa vizinhança imediata.  Cumpre ao IH contribuir para o esclarecer, nomeadamente, como o seu nome indica, na HIDRO - GRAFIA, ou seja, na DESCRIÇÃO da ÁGUA, providenciando os dados fundamentais para o uso económico e militar dos espaços marítimos, onde se incluem os relativos às operações navais e anfíbias, onde quer que a Esquadra tenha que ser empregue. 
Acredito na crescente valorização da actividade de investigação científica no mar como meio de desenvolvimento do País, mas também conheço as restrições financeiras que nos têm afectado e nos vão continuar a afectar no imediato. Por isso, e sem reduzir o contributo para o progresso nacional, importa continuar o empenhamento do IH na actividade operacional.  É necessário, com pragmatismo, rentabilizar os meios existentes e privilegiar o que faz parte do core business do Instituto.  Tudo o resto será importante, cada vez mais importante, mas não fundamental!
Em termos concretos, realço como prioridade, manter o foco nas actividades de Rapid Environmental Assessment, em apoio da Esquadra e das alianças de que somos parte, nomeadamente a NATO. Saliento, também, os levantamentos no âmbito da guerra de minas, bem como a participação na edificação do Destacamento de Guerra de Minas, ambos com impacte directo no produto operacional da Marinha, apoiando os meios que servem na primeira linha de exigência operacional.
Como contribuinte líquido para mitigar o risco público nas actividades ligadas ao mar e para o conhecimento e valorização dos seus recursos naturais, incumbirá também ao senhor almirante Brito continuar a afirmação da utilidade e interdependência do IH, e da Marinha, no País. Neste âmbito, sublinho os levantamentos que permitirão identificar as características geomorfológicas da margem continental portuguesa, tendo em vista o alargamento da Plataforma Continental.  Não menos importante será o incremento das acções de cooperação com instituições nacionais e estrangeiras, designadamente com os PALOP.
No contexto da cooperação, assume particular relevância a disponibilização dos recursos de que a Marinha dispõe, únicos no País e cada vez mais solicitados, à medida que o estudo do mar se alarga nas universidades portuguesas: os navios hidrográficos. 
Haverá que optimizar a capacidade operacional do NRP D. Carlos I, promovendo a sua utilização multidisciplinar, e ultimar a conversão do NRP Almirante Gago Coutinho, no tocante aos compromissos dependentes da Marinha e, ao mesmo tempo, demonstrar às entidades externas o mérito do investimento nestes dois navios, pelas mais valias que trazem ao País.  Como tenho afirmado, estou convencido que é através da evidência da sua utilidade que a Marinha pode granjear apoios externos.
Tudo o que mencionei, senhor almirante Brito, levaria a pensar, naturalmente, no reforço dos recursos humanos e materiais ao dispor do Instituto que agora passa a dirigir.  O facto é que, como bem conhece, não irá ser assim.  A Marinha vive um período de aperto orçamental e de diminuição significativa dos seus recursos humanos.  Esta situação exigirá medidas de excepção e a imposição de sacrifícios que não podemos ignorar. 
Nesta envolvente, o cargo que agora assume não será fácil!  Porém, conto com a sua determinação e imaginação para motivar as pessoas e ultrapassar barreiras.  Só incrementando lógicas de relacionamento e de colaboração funcional entre os vários sectores da Marinha, e também com outras entidades correlacionadas, com criatividade e dedicação de todos, será possível ter sucesso.
Acredito na sua capacidade de liderança para o conseguir.  Tenha a certeza do meu apoio, sempre que dele necessite.
Senhor almirante, muito trabalho, bons ventos e mar de feição!

 

 
Marinha 2009, todos os direitos reservados


   Organização na marinha
Funções na marinha
   Doutrina
DPN 2011
DPN 2011
  Legislação
 
  Emergencia no  mar
 
barras maritimas
 Estado do Mar
  Bluemassmed
 Forum
 Cadernos navais


Siga-nos em:
Flickr Twitter YouTube