Senhor Almirante Vice-CEMA, Senhores Almirantes,
Distintos convidados,
Senhores Comandantes,
Senhores Oficiais, Sargentos, Praças, Militarizados e Civis da Marinha,
Minhas Senhoras e meus Senhores.
É com muito prazer que presido hoje à cerimónia de atribuição do comando da Escola de Tecnologias Navais ao Comandante Casqueiro de Sampaio. Prazer, em primeiro lugar por estar aqui nesta Unidade de grande relevo, cuja tradição de 45 anos a formar militares, militarizados e civis, não só da Marinha mas também de outros ramos das Forças Armadas, das Forças de Segurança e da sociedade civil em geral, lhe granjearam um prestígio que é um importante património.
Prazer, também, por saber que a história, muito mais que património, serve de alavanca para o futuro e que a ETNA está prestes a realizar um desiderato de muitos anos, desde que se perspectivou o fim do serviço militar obrigatório: a concentração das escolas de formação técnico-naval no Alfeite, constituindo o maior pólo tecnológico de formação técnico-profissional do País.
Este será um marco fundamental para a Marinha, no que representará de poupança de recursos humanos e materiais e consequente aumento da eficiência do nosso sistema de formação. Minhas senhoras e meus senhores, os meus agradecimentos pessoais, a todos os que quiseram partilhar connosco este dia e estas ideias, honrando-nos com a sua presença.
A Escola de Tecnologias Navais, como a conhecemos hoje, nasceu há apenas um ano e meio, mais precisamente em 1 de Outubro de 2004, como forma de corporizar uma nova abordagem à formação profissional na Marinha, de promover uma maior integração na sociedade civil, de reconhecimento dos graus obtidos e de valorização social e profissional dos formandos. Ao seu primeiro comandante, que hoje cessa funções, quero endereçar algumas palavras de apreço pelo trabalho que desenvolveu.
Senhor Comandante Malaquias Pereira, Caro Camarada,
O seu mandato à frente da ETNA foi reconhecidamente meritório. Do vasto leque de responsabilidades que deteve como comandante desta grande unidade realço, pela sua importância e relevo, três vertentes mobilizadoras: o Reordenamento do Parque Escolar, a Implementação do novo Sistema de Formação da Marinha e a alimentação das novas classes na categoria de praça. Estes desafios, imensos quando vistos num contexto de escassez de recursos humanos e financeiros, mereceram do Senhor Comandante a melhor atenção, com resultados muito relevantes e que só não são melhores porque não foi possível disponibilizar as indispensáveis verbas para investimento. Como há pouco foi referido na leitura do meu despacho de concessão de medalha, soube, o Senhor Comandante, em todas as circunstâncias, liderar os processos de mudança da forma mais apropriada, criando na sua guarnição elevados níveis de motivação. Neste contexto, Senhor Comandante Malaquias Pereira, agradeço, em nome da Marinha, o trabalho que desenvolveu na ETNA e desejo-lhe as maiores venturas para o seu próximo desafio em que, estou certo, continuará a servir com a dedicação com que sempre o fez, a Marinha e o País.
Senhor Comandante Casqueiro de Sampaio,
ao escolhê-lo para comandar a ETNA, tive em conta um conjunto de factores que reputo de grande importância para o futuro desta unidade e da formação profissional na Marinha. Em primeiro lugar, a sua capacidade de liderança, já amplamente demonstrada em ocasiões anteriores, nomeadamente em situações de embarque. Em segundo lugar, a necessidade de dar continuidade, sem hiatos, a um conjunto de programas em execução, no âmbito das três vertentes que há pouco mencionei. Por último, o seu conhecimento profundo desta casa, por onde passou em várias ocasiões, com crescentes níveis de responsabilidade.
Assim, é meu entendimento que após um ciclo de grandes transformações organizativas, urge agora completar o trabalho, arrumar a casa e transferir, logo que possível, as valências ainda residentes no pólo de Vila Franca. Conheço os esforços de várias entidades neste sentido e penso que estão reunidas as condições para que tal possa acontecer em breve. Quero ressalvar que nem sempre as soluções ideais são factíveis, havendo que ter sempre presente que, por vezes, o óptimo é inimigo do bom! Refiro-me, concretamente, ao projecto de transferência dos Departamentos de Propulsão e Energia e de Administração e Logística para o edifício da Divisão de Electrónica do Arsenal do Alfeite. Não teremos a solução que todos gostaríamos, mas vamos certamente ter uma solução mais económica e eficiente. Continuaremos à espreita de oportunidades para fazer ainda melhor.
Entretanto, há que arregaçar as mangas e tirar o máximo rendimento do sistema de formação, para que o efeito da saída extemporânea de um número anormal de militares da Marinha, no fim do ano passado, seja mitigado tão rapidamente quanto possível. Teremos que, com criatividade, inverter a tendência recente de formar menos marinheiros dos de que a Marinha necessita. Há que formar mais pessoas, mantendo os padrões apropriados, para que a Esquadra seja alimentada do seu mais importante recurso, em quantidade e qualidade, com os olhos postos no futuro e nas necessidades que se antecipam. A Marinha existe e afirma-se pela Esquadra. Não poderemos deixar de utilizar navios, os que temos e os que iremos ter, por falta de marinheiros. O País não nos perdoaria se tal viesse a acontecer!
Oficiais, Sargentos e Praças que ensinam e aprendem na ETNA,
a vossa presença aqui hoje, nesta cerimónia militar, é sinónimo da vossa disponibilidade para servir Portugal na Marinha. Todos abraçaram a vida do mar de livre vontade. Compete a esta Escola dar-vos as ferramentas para o fazerem da melhor forma e a vós, a responsabilidade de dar o vosso melhor, em todas as circunstâncias, com orgulho, honrando a história e as tradições duma Marinha com muitos séculos.
Senhor Comandante Casqueiro de Sampaio,
As competências profissionais que se exigem aos marinheiros de hoje têm que assentar numa formação sólida, orientada para o saber fazer individual, com recurso a ferramentas que até há bem pouco não existiam, mas que hoje entraram no léxico e no dia-a-dia de todos. A redução das guarnições assim o determina. É seu ofício, a partir de hoje, liderar a preparação dos marinheiros de amanhã para que possam desempenhar, sem embaraço, as funções que lhes vão ser cometidas. Esta casa tem tradição de bem fazer neste campo. Estou certo que assim continuará a ser! O nosso objectivo está bem definido: a prontidão da Esquadra.
Conte sempre com o meu apoio.
Senhor Comandante: muito trabalho, bons ventos e mar de feição!
Fernando de Melo Gomes
Almirante