Senhor Almirante Vidal Abreu
Senhor Almirante Vice-CEMA,
Senhores Almirantes, Senhores Comandantes,
Distintos convidados,
Senhores Oficiais, Sargentos, Praças, Militarizados e Civis da Marinha,
Minhas Senhoras e meus Senhores.
Em primeiro lugar quero agradecer a todos os que quiseram honrar-nos com a sua presença na cerimónia de tomada de posse do superintendente dos Serviços do Material, a que tenho o prazer de presidir hoje.
Começo por endereçar uma palavra de apreço e agradecimento ao senhor almirante Palhinha que, nos últimos dezasseis meses, presidiu aos destinos do Material Naval.
Senhor Almirante,
Acompanhei de muito perto o trabalho que desenvolveu, numa conjuntura de grandes desafios e solicitações, fundamental para o futuro da Marinha. Há muitos anos que não existia tanta azáfama por tão bons motivos, com múltiplas missões de construção e questões associadas, a exigirem do senhor almirante uma atenção especial ao planeamento, qualidade que lhe é intrínseca e que, mais uma vez, colocou, com sucesso, ao serviço da Instituição que abraçou há mais de quarenta anos.
O despacho de concessão de medalha que acabámos de ouvir é eloquente na apreciação da forma como desempenhou tão prestigiante como exigente cargo. Muito obrigado senhor Almirante Palhinha pela forma empenhada, exigente e profissional como liderou uma equipa que teve, e terá, de acorrer a múltiplos desafios, mas que, com esforço, competência e dedicação, conseguiu ultrapassar.
Senhor vice-almirante Conde Baguinho, toma agora conta de um quarto difícil!
Sendo um marinheiro de eleição, com experiência multifacetada em vários tipos de navio, estou certo que está preparado para passar safo os escolhos, alguns não carteados, que a partir de hoje se lhe vão deparar. Testemunhei a sua dedicação, disponibilidade e capacidade de liderança em vários ambientes, todos igualmente exigentes, em que saiu sempre prestigiado, prestigiando também quem consigo privou.
Sei que conhece os problemas e possui a visão para encontrar as soluções.
Sei, também, que conhece as minhas orientações para as áreas cuja tutela agora assume. Não quero, no entanto, deixar de abordar, com mais pormenor, algumas das questões que considero mais abrangentes e emblemáticas.
Em primeiro lugar, os navios.
Cumpre ao senhor almirante, a partir de hoje, preparar os meios que suportam o produto operacional da Marinha, através do Comando Naval, da Direcção-Geral da Autoridade Marítima e do Instituto Hidrográfico. Não será tarefa simples, mas será com certeza aliciante.
Aproximamo-nos da fase final da construção dos submarinos. A complexidade destes navios será ímpar na Marinha e vai exigir um grau de adequação das infra-estruturas que poderá parecer exagerado face à entrada em serviço de apenas duas unidades. No entanto, não é o número que conta, mas sim a necessidade de explorar ao máximo as capacidades de que irão dispor, pelo que não nos podemos furtar a canseiras para que tudo esteja pronto até à data de entrega. Como submarinista de formação, alma e coração, estou seguro de que o fará com sucesso.
No que respeita às fragatas, temos pela proa um enorme desafio.
Vamos assumir, pela terceira vez, durante 1 ano, o comando do Standing NATO Maritime Group 1.
Sei bem o esforço operacional e logístico que isso acarreta, mas estou certo de que iremos, de forma coordenada, vencer mais esta aposta. Paralelamente, iremos receber e integrar na Esquadra, já no ano que vem, as duas fragatas da classe "M". São navios modernos e eficientes, com elevado potencial, que teremos que rentabilizar ao máximo, provavelmente protocolando parcerias com os demais utilizadores de navios semelhantes. Ainda nesta área, há que encontrar no mercado helicópteros para um acrescido número de plataformas, se possível sem discrepâncias técnicas ou tácticas impeditivas da boa gestão do pessoal e do material.
Finalmente, pela primeira vez em muitos anos, vamos ceder navios a outra Marinha, a do Uruguai. Compete-nos apoiar a preparação das guarnições e preparar os navios para a cedência definitiva, já em Setembro. É uma experiência nova e enriquecedora, pela ligação que se fortalece e pelos laços que se constituem, mas que certamente terá inevitáveis questões a ultrapassar.
No que concerne aos Patrulhas, o senhor almirante conhece bem a situação em que se encontra o processo de construção, cujos atrasos exigem o melhor julgamento e atenção.
A importância do projecto exige da Marinha a abertura, a paciência e a determinação para, em estreita ligação com o estaleiro, ultrapassar os problemas identificados. Conto com a sua diplomacia e perspicácia para que a integração dos navios na Esquadra venha, de facto, a representar uma mais-valia, tão breve quanto possível.
Até lá, não teremos outra opção senão continuar a investir nos Patrulhas e Corvetas, que representam uma fatia importantíssima da capacidade operacional da Marinha. É um preço muito elevado mas inevitável, aquele que todos pagamos, por questões para as quais não contribuímos e que ultrapassam a nossa latitude de actuação.
Ainda no que respeita a novos programas, o projecto do Navio Polivalente Logístico e o das Lanchas de Fiscalização Costeira encerram acréscimos de capacidade operacional para o País que justificam o empenho de todos, para que possamos, daqui a alguns anos, dar novo salto qualitativo na utilidade para as populações e na qualidade do nosso contributo para as Alianças em que nos inserimos. Aproximam-se etapas decisivas na consecução destes projectos que vão requerer a melhor atenção e exigir os melhores e os mais capazes para concretizar uma realidade que já é virtual há demasiados anos. Mas o Navio Polivalente Logístico, por si só, não conseguiria o objectivo essencial de influenciar os acontecimentos em terra, pelo que é fundamental dotar os Fuzileiros do material necessário a darmos, também aqui, um salto qualitativo. Um dos pilares é a aquisição de veículos blindados anfíbios, já em marcha, outras, também importantes, são a substituição da arma ligeira e a protecção NBQ.
No que concerne à Autoridade Marítima, importa acautelar a renovação e adequação dos meios às novas realidades, quer no âmbito da fiscalização quer do salvamento, que a construção de três novos salva-vidas no Arsenal do Alfeite é um bom exemplo.
O levantamento do Destacamento de Guerra de Minas é uma forma inovadora de readquirir uma valência fundamental a custos comportáveis. No entanto, para poder ter sucesso, já em 2008, requer o empenho de vários sectores da Marinha, em coordenação estreita.
Abordando agora a Manutenção:
Neste cenário de mudança complexo, encetámos o processo de empresarialização do Arsenal do Alfeite. A meta é a constituição de uma saudável entidade de cariz empresarial, que possa perdurar no tempo, servindo a Marinha e o País. Para nós importa, sobretudo, a sua permanência no Alfeite e o acesso privilegiado às capacidades de manutenção. Mas reclamamos o justo tratamento daqueles que mais contribuíram para o valor do Arsenal. Estou esperançado que seja possível ultrapassar os estrangulamentos actuais com pragmatismo e visão estratégica. A Marinha tudo fará para que assim aconteça.
Internamente, urge encontrar o melhor modelo de articulação para o polígono Direcção de Navios/ Direcção de Abastecimento/ Arsenal do Alfeite, e entre estes e a Esquadra, para que, independentemente da solução a encontrar para a estrutura do Arsenal, seja garantida, sem hiatos, a manutenção das unidades navais.
Em termos de infra-estruturas, a Marinha possui um dilatado acervo, espalhado por todo o continente e Regiões Autónomas, que necessita de atenção permanente, principalmente pela sua idade e localização.
As verbas para a sua manutenção têm sido insuficientes, ao longo de muitos anos, mas isso não tem obstado a que se tenha feito um extraordinário trabalho de recuperação e adaptação, que nos honra e envaidece.
Factores exógenos impediram-nos de terminar, em tempo, o Reordenamento do Parque Escolar. São recursos desnecessariamente desaproveitados! O que torna legítima a interrogação se a limitada autonomia dos gestores, imposta pela actual legislação, será ou não impeditiva do bom uso dos recursos financeiros que os Portugueses pagam com os seus impostos.
Importa, neste âmbito, estar preparado para actuar logo que tenhamos o caminho livre, a fim de diminuir custos resultantes da separação física de instalações, que o nível de recrutamento actual já não justifica.
Senhor almirante,
A sustentação da Esquadra obriga a um apurado esforço de planeamento do aprovisionamento, armazenamento, transporte e distribuição, todos da sua responsabilidade a partir de hoje. A imprevisibilidade da conjuntura actual obriga-nos, para continuarmos a ser relevantes, flexíveis e prontos, a deter uma capacidade logística moderna, ligeira e eficaz, assente em conceitos inovadores, com menor imobilizado e maior recurso a sistemas de comunicações e informação em tempo real.
Para tal dispõe de duas Direcções fundamentais: a de Abastecimento e a das Tecnologias de Informação e Comunicações, de cujo trabalho dependerá, em muito, o sucesso das missões.
No que respeita às tecnologias da informação e da comunicação, a agilização do processo de decisão, a eliminação de burocracias e o incremento da comunicação interna, são objectivos fundamentais a perseguir, com a meta bem definida de acompanhar os nossos parceiros e aliados no que respeita à utilização de ferramentas informáticas, nos âmbitos operacional e administrativo, envolvendo todos os organismos da Marinha.
Finalmente, uma palavra aos Transportes, de relevante importância para o funcionamento da Marinha, onde importa continuar o investimento na renovação do parque de viaturas e adequar as embarcações de apoio às necessidades actuais.
Eis um conjunto de desafios que deixo ao senhor almirante. São desafios que valem a pena, desafios que entusiasmam todos os que se revêem numa Marinha moderna, eficiente, eficaz e capaz de superar os desafios das próximas décadas.
Senhor almirante Baguinho,
Ao escolhê-lo para assumir o cargo de superintendente dos Serviços do Material, não tive dúvidas acerca da sua capacidade, preparação e vontade para, mais uma vez, ao serviço da Marinha que com tanto brio, competência e dedicação tem servido, contribuir decisivamente para a qualidade do serviço que diariamente prestamos aos Portugueses.
Esteja o senhor almirante certo do meu apoio e que o tempo lhe traga bons ventos e mar de feição!
Fernando de Melo Gomes
Almirante