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Discurso por ocasião da tomada de posse do Superintendente dos Serviços do Material 
24-01-2006 0:00 
 

Discurso por ocasião da tomada de posse do Superintendente dos Serviços do Material

Senhor Almirante Vice-CEMA, Senhores Almirantes,
Distintos convidados,
Senhores Comandantes,
Senhores Oficiais, Sargentos, Praças, Militarizados e Civis da Marinha,
Minhas Senhoras e meus Senhores.
A todos os que quiseram honrar-nos com a sua presença, os meus agradecimentos pessoais.
A cerimónia a que tenho o prazer de presidir hoje conclui o ciclo de ajustamento da estrutura superior da Marinha, com a tomada de posse do Superintendente dos Serviços do Material. 
Em primeiro lugar, quero endereçar uma palavra de apreço e agradecimento ao senhor vice-almirante Lopo Cajarabille. 
Senhor Almirante,
O trabalho que desenvolveu à frente da Superintendência dos Serviços do Material foi por todos bem visível e espelha a qualidade que sempre marcou o seu desempenho ao longo de uma carreira notável, em que ocupou alguns dos cargos mais difíceis da Marinha. Como há pouco foi referido na leitura do louvor que lhe concedi, as suas características de ponderação, rigor e afável relacionamento pessoal fizeram-se repercutir, muito positivamente, nas Direcções que integram a estrutura da SSM, com excelentes resultados, designadamente, na prioritária vertente da manutenção naval. 
 
Após quase dois meses em acumulação de funções, terá agora mais tempo para continuar a servir a Marinha ao mais alto nível, como Vice-Chefe do Estado-Maior da Armada.  O meu muito obrigado pela forma brilhante como dirigiu os destinos do Material neste último ano e meio.
Portugal e a Marinha percorreram, no decurso de uma geração, um longo caminho que, nos assuntos do Mar, tem levado ao progressivo declínio do poder Marítimo nacional.
Hoje são menos, muito menos, os navios de comércio, de pesca e, também militares, e assistimos ao definhar da indústria naval, que dispôs de alguns nichos de referência ao nível mundial, levando o País a uma dependência quase total do exterior.
A Marinha sempre lutou contra esta tendência, mas o seu apelo nem sempre foi ouvido.  Há exemplos escassos de revitalização, que apenas entrecortaram longos períodos de inacção. A consequência é a de um país de marinheiros de costas voltadas para o Mar e, na nossa casa, como bem conhecem, a de uma Esquadra cuja idade média já ultrapassa os limites aceitáveis.
Ao propor a construção de navios militares nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, com vista à renovação da Esquadra, a Marinha tomou a opção estratégica de alavancar a indústria nacional, o que, desta vez, mereceu correspondência no nível político.  Cumpre-nos, neste momento, dar seguimento a este imperativo demonstrando o efeito catalisador que o investimento na Marinha pode ter para o núcleo de actividades ligadas ao mar e o efeito remunerador que daí pode advir para várias áreas da economia nacional.
Temos que ser bons naquilo em que podemos ser; não naquilo que imaginamos poder ser.
Esta aliança entre a Marinha e a indústria naval nacional está já prestes a dar fruto, com a entrega este ano do primeiro navio de patrulha oceânica, que se vai chamar muito adequadamente N.R.P. "Viana do Castelo". Mais se seguirão, com diferentes graus de complexidade.
 
Senhor almirante Telles Palhinha,
ao escolhê-lo para superintender aos serviços do material, tive em conta o conjunto de qualidades que tem demonstrado possuir ao longo de uma brilhante carreira naval, que tenho seguido de muito perto, desde que juntos entrámos na Escola Naval, há mais de 40 anos.  Conto com a sua capacidade e experiência para levar a bom porto este órgão de importância capital para a Marinha, por reunir a maioria dos elementos logísticos que tornam possível o produto operacional.
As várias Direcções que funcionam, a partir de hoje, na sua dependência, têm a seu cargo um conjunto muito lato de actividades orientadas para a sustentação da actividade operacional e para a renovação da esquadra, e são o alicerce da Marinha.  Por outras palavras, em termos materiais, a sustentação da Esquadra passa essencialmente pela SSM.
 Numa fase de grandes solicitações em termos de recursos técnicos qualificados, acrescida pelos requisitos das missões de construção, num ambiente de carência de recursos humanos e financeiros, e de esgotamento dos meios em serviço, reconheço que a sua tarefa não irá ser fácil. Mas, como tenho dito, "se fosse fácil, estariam cá outros".
Refinar a eficiência do abastecimento e da manutenção da esquadra enquanto se constroem navios, é o que temos que fazer para assegurar o futuro da nossa Marinha.
A questão fulcral, neste âmbito, é a articulação entre a Direcção de Navios, a Direcção de Abastecimento, o Arsenal do Alfeite e destes, com a Esquadra.  Central neste enquadramento, é encontrar um modelo adequado para o Arsenal que, sendo parte deste sistema, não pode ser reformado sem ter em devida conta as interacções com os outros organismos correlacionados.  Em conjunto com a tutela, teremos que encontrar soluções que sirvam a Marinha e o País, estando Sua Excelência o senhor Ministro da Defesa Nacional igualmente empenhado nesta acção.
 
No âmbito das infra-estruturas, é necessário efectuar um significativo esforço de modernização para adequar o imobiliário da Marinha às necessidades actuais, resultantes, designadamente, da evolução dos padrões de habitabilidade, da reorganização do trabalho como consequência das novas tecnologias e da racionalização dos custos de manutenção.  Estou consciente do quanto tem vindo a ser feito, apesar das extremas dificuldades financeiras e da abrangência das solicitações.  Há pois que, com imaginação e perseverança, continuar nesta senda.  Relevo, pela sua importância, a necessidade de acelerar o Reordenamento do Parque Escolar, extinguindo logo que possível o núcleo da ETNA de Vila Franca de Xira.  Espero que a futura Lei de Programação de Infra-estruturas possa dar uma achega significativa neste âmbito.
Quanto aos transportes, consciente que estou das dificuldades financeiras e de pessoal para sustentar esta função estrutural da Marinha, só posso advogar a manutenção e aprofundamento da utilização racional dos meios disponíveis, prosseguindo a metodologia de substituição adoptada, pese embora o financiamento não ter sido regularmente assegurado aos níveis desejáveis.
Uma última palavra, que não de menor importância, para as tecnologias da informação e da comunicação.  Os avanços tecnológicos permitem, hoje, que a informação flua mais fácil e rapidamente, permitindo uma melhor avaliação das situações e um processo de decisão mais rápido.  Há que aproveitar estas ferramentas para agilizar processos, eliminar burocracias, disponibilizar instrumentos fundamentais de apoio à decisão e incrementar de forma sustentada a comunicação interna, fundamental para aumentar o sentimento de pertença e os níveis de auto-estima.  Há que continuar e, se possível, acelerar a utilização de ferramentas informáticas, nos âmbitos operacional e administrativo, não em paralelo, mas em substituição, do circuito do papel, acompanhando o que tem sido feito pelas empresas e instituições com preocupações semelhantes em termos de protecção da informação, designadamente a NATO.
 
Senhor almirante Palhinha,
Todos temos consciência que os recursos atribuídos à Marinha são insuficientes para as actividades que, no nosso espírito e vontade de bem servir, gostaríamos de realizar ao serviço do País.  As dificuldades, no entanto, não permitem, no imediato, resolver um conjunto de problemas que resultam de muitos anos de escassez de investimento.  Acredito na sua capacidade de liderança para vencer, incutir imaginação e buscar soluções audaciosas com um objectivo bem definido: a prontidão da Esquadra.  Conte sempre com o meu apoio.
Senhor almirante, votos de muito trabalho, bons ventos e mar de feição!

 

 
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