Ilustres representantes de Departamentos Governamentais, Organismos Científicos e Universidades,
Senhor Almirante Vice-CEMA, Senhores Almirantes,
Distintos convidados,
Senhores Comandantes,
Senhores Oficiais, Sargentos, Praças, Militarizados e Civis da Marinha,
Minhas Senhoras e meus Senhores.
É com um sentimento misto de orgulho e tristeza que presido hoje à cerimónia de tomada de posse do Director-Geral do Instituto Hidrográfico. Orgulho, porque podemos afirmar sem margem de dúvidas que o Instituto Hidrográfico é hoje uma instituição ainda melhor e que muito nos prestigia. Isto fica a dever-se também ao Senhor Vice-Almirante Augusto de Brito. Tristeza, porque vejo partir do activo, o último dos meus camaradas de curso com o qual privei de muito perto há mais de 40 anos nas mais diversas situações de uma vida cheia.
O Instituto Hidrográfico é um órgão muito especial da Marinha que está na vanguarda das ciências e investigação do mar, onde o conhecimento científico existente constitui um imprescindível contributo para o país nas áreas da hidrografia, da cartografia hidrográfica e da segurança da navegação, contribuindo para a nossa riqueza e prestígio.
Entendeu o Governo, por bem, acolher a minha sugestão e nomear o Senhor Vice-almirante Agostinho Ramos da Silva para o cargo de Director-geral do Instituto Hidrográfico em substituição do Senhor Vice-almirante José Augusto de Brito.
O Senhor Vice-Almirante Ramos da Silva é um profundo conhecedor do Instituto onde serviu durante mais de quinze anos. Foi chefe da Brigada Hidrográfica, da Divisão de Cartografia Náutica, da Divisão de Levantamentos Hidrográficos, da Divisão de Navegação, Director Técnico e, por último, desempenhou as funções de adjunto do Director-geral.
Surge assim esta nomeação na sequência natural da sua carreira, como um normal render de quarto que nos é tão familiar.
Estou certo que o Sr. Almirante Ramos da Silva, ao assumir este novo cargo, encontrará uma instituição com competências únicas, com um rumo traçado, objectivos estratégicos bem definidos, dotada de recursos humanos capazes e recursos materiais para prosseguir a missão que lhe está confiada.
Sr. Almirante Augusto de Brito, caro camarada e amigo,
Partilhámos e ultrapassámos muitas dificuldades e vivemos momentos memoráveis numa vida de dedicação à Marinha. Muito obrigado por tudo isso. Cabe-me, agora, o dever institucional de reconhecer uma dedicação sem limites ao serviço da Marinha. O despacho de concessão da Medalha Militar de Serviços Distintos – grau ouro – que tive o grato prazer de conceder é, no meu entender, expressivo na apreciação de um trabalho de excelência à frente do Instituto Hidrográfico.
Minhas Senhoras e meus Senhores
O Instituto tem de continuar a ser um padrão de excelência no domínio das ciências e investigação do mar.
Hoje, como sabemos, parte muito significativa do conhecimento científico obtido, advém do trabalho de investigação desenvolvido no mar, cruzado com os desenvolvimentos tecnológicos mais recentes. O futuro reside no conhecimento do oceano com vista ao aproveitamento dos seus recursos e potencialidades, com aplicação científica, militar, industrial, comercial e de lazer.
A Marinha, atenta a esta realidade, participa desse prospectivo avanço do conhecimento, colocando ao serviço da comunidade científica os recursos humanos e tecnológicos únicos de que dispõe.
O Instituto Hidrográfico, agregando valências integrantes da Marinha e únicas no País, de que se destacam os navios Hidrográficos, possui uma mais-valia estratégica que permite uma relação custo eficácia nunca atingível com outra solução. Um bom exemplo é o esforço cooperativo no âmbito da extensão da plataforma continental. Mas, a par do trabalho científico, o Instituto assegura também o imprescindível apoio ambiental às operações navais e a aplicação militar das tecnologias e do conhecimento que decorrem das suas acções de investigação. Na sua multifacetada acção, o trabalho desenvolvido no Instituto Hidrográfico é igualmente o garante da segurança da navegação, contribuindo para fiabilidade com que se anda no mar imprescindível à maritimidade de Portugal.
Meus Senhores, Minha Senhoras
A capacidade dos Estados para explorarem e preservarem os recursos dos mares sob sua jurisdição tem assumido uma relevância cada vez maior na actual conjuntura económica e de segurança mundial. Isto implica, antes de mais, conhecimento. Por isso, o Instituto Hidrográfico tem que continuar o processo de inserção no tecido científico nacional, aprofundando a sua ligação às universidades e a outros Laboratórios de Estado, garantindo parcerias com organismos públicos e privados, promovendo a formação dos seus quadros, e constituindo nichos de investimento estratégico onde deverá continuar a apostar.
O sucesso passa pelo equilíbrio harmónico das actividades elencadas, prosseguindo na inovação, temperada pelo realismo das tarefas do dia a dia imprescindíveis à navegação que cruza os nossos mares, à Marinha e ao desenvolvimento económico e cientifico do país.
Mas de nada servirá conhecer se não tivermos meios para controlar a enorme área marítima sob jurisdição e soberania de Portugal.
É aqui que o paradigma da Marinha equilibrada – onde obviamente se inclui a fundamental capacidade submarina – se torna determinante, mau grado as opiniões contrárias de aprendizes de estratégia de oportunidade. Em Portugal criou-se a noção de que todos sabem de tudo.
Senhor Almirante Ramos da Silva,
Ao escolhê-lo para dirigir o Instituto Hidrográfico, estou convicto que corresponderá às melhores expectativas e exigências inerentes ao serviço da Marinha, ao enquadramento do Instituto no conjunto dos Laboratórios de Estado e no tecido científico do País bem como na sua integração no espaço europeu de investigação.
Acredito na crescente valorização da actividade de investigação científica no mar como meio de desenvolvimento de Portugal. Saberá o Senhor Almirante, como nos é próprio, romper a vaga e prosseguir o rumo.
Conta como sabe com o meu apoio.
Senhor Almirante, muito trabalho, bons ventos e mar de feição!
Fernando de Melo Gomes
Almirante