A Arma Submarina

O sonho de navegar submerso é muito antigo. No entanto, só no século XVIII começam a surgir os primeiros projetos de submarinos com alguma utilidade, apesar de existirem relatos de tentativas muito mais antigas. Em 1776, em plena Guerra de Independência dos EUA, Bushnell, um americano, concebeu um submarino para atacar um navio inglês. O submarino Turtle deveria colocar uma carga explosiva no casco do navio, que detonaria depois de o submarino se afastar. O explosivo acabou por ir para o fundo, tendo provocado uma explosão aparatosa, mas sem causar estragos no navio atacado.
Na transição para o século XIX, um outro americano, Robert Fulton, propôs um submarino, o Nautilus, às autoridades francesas. Face à recusa francesa, tentou a sua sorte em Inglaterra, sem sucesso. O seu submarino tinha a particularidade de navegar à vela, quando estava à superfície.

Ainda no século XIX, na segunda metade, surgem diversas propostas. O alemão Guilherme Bauer concebeu vários submarinos. O primeiro dos quais, Brandtaucher, afundou-se durante as experiências em Kiel, estando o próprio Bauer a bordo. Este conseguiu abrir a escotilha e os tripulantes salvaram-se, navegando até à superfície. Mais tarde o Brandtaucher foi retirado do fundo e está em exibição em Kiel.




Durante a Guerra de Secessão Americana foram construídos diversos submarinos. O mais famoso, o Hunley, das tropas confederadas, conseguiu realizar o primeiro ataque bem sucedido contra um navio de superfície, em 1864. O alvo foi a corveta Housatonic. O submarino colocou uma carga explosiva na corveta e o seu rebentamento provocou o afundamento do navio. O submarino não se tinha afastado o suficiente e afundou-se também devido à explosão.





Até esta época, todos os submarinos eram movidos graças à força humana. Em 1889 o engenheiro francês Gustave Zédé construiu o primeiro submarino equipado com motor elétrico, o Gymnote. A eletricidade revelou-se a fonte de energia preferencial para propulsionar submarinos em imersão.

A utilização exclusiva da eletricidade limitava o raio de ação dos submarinos, uma vez que era necessário voltar regularmente à base para carregar as baterias. Mais uma vez, a solução surgiu na França. O engenheiro Laubeuf concebeu, no final do século XIX, o primeiro submersível, o Narval. Considera-se submersível um navio apto para navegar normalmente à superfície, mas que pode entrar em imersão sempre que necessário. Possui um casco duplo que lhe garante a hidrodinâmica para suportar condições adversas quando navega à superfície. Em imersão a propulsão é alimentada por baterias elétricas, carregadas por um motor térmico, normalmente Diesel, que também propulsiona o navio à superfície.


Projetos portugueses

Em Portugal também surgiram projetos de navios destinados a navegar em imersão.
No ano de 1890, o Primeiro-tenente Fontes Pereira de Melo apresentou o projeto de um submarino, que ficou conhecido como o submarino Fontes. Com 39 metros de comprimento, dispondo de um motor elétrico e outro a petróleo, este navio destinava-se essencialmente à defesa portuária. Foi construído um modelo à escala, que fez provas no Tejo, mas nunca se avançou para a construção deste submarino.

Em 1905, o Primeiro-tenente Valente da Cruz também submeteu um projeto à avaliação das autoridades. A comissão de avaliação sugeriu que fosse concedido um subsídio para a aquisição de um motor no estrangeiro, para construção de um protótipo. Tal não se chegou a concretizar.










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