Esquadrilhas

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PRIMEIRA ESQUADRILHA
Espadarte, Foca, Golfinho e Hidra

No dealbar do século XX, percebia-se em Portugal que o submarino era uma arma fundamental para uma nação que dependia significativamente das comunicações marítimas. A maioria dos produtos consumidos em Portugal chegava por via marítima, oriundos das colónias e de países produtores dos géneros que não existiam em Portugal.
Os projetos nacionais não tiveram sucesso, pelo que se optou pela aquisição ao estrangeiro de navios deste tipo. Após prolongados estudos, decidiu-se assinar contrato, em 17 de junho de 1910, com a firma italiana Fiat San Giorgio, para construção do primeiro submersível português, Espadarte. O Ministro da Marinha que tomou esta opção foi João de Azevedo Coutinho.
Construído no estaleiro Orlando, de Livorno, o Espadarte foi lançado à água em 5 de outubro de 1912, sendo entregue formalmente a Portugal em 15 de abril de 1913, em cerimónia realizada em La Spezia.

Caraterísticas do Espadarte

Deslocamento à superfície

250 Toneladas

Deslocamento em imersão

301 Toneladas

Comprimento máximo

45,15 Metros

Velocidade máxima à superfície

13 Nós

Velocidade máxima em imersão

8 Nós

Autonomia máxima à superfície

1 524 Milhas

Autonomia máxima numa imersão

79 Milhas

Profundidade máxima

40 Metros

Armamento

2 Tubos lança-torpedos

 

4 Torpedos



A escola e as missões
Personagem fundamental no processo de introdução dos submarinos em Portugal foi o Primeiro-tenente Joaquim de Almeida Henriques. Este oficial foi o primeiro comandante do Espadarte, tendo chefiado a Missão Naval que acompanhou a construção do navio. Os inúmeros textos que redigiu, descrevendo detalhadamente o funcionamento e operação desta nova arma, constituem as bases da «Escola de Submarinos», fundamental para a preparação de todos aqueles que se destinam a prestar serviço em navios deste género.

Joaquim de Almeida Henriques assumiu também o comando da primeira esquadrilha de submarinos. A 10 de fevereiro de 1918 chegavam ao Tejo os submersíveis Foca, Golfinho e Hidra, também construídos em Itália. Tratava-se de navios semelhantes ao Espadarte, tendo no entanto, dimensões ligeiramente superiores, deslocando 260 toneladas à superfície e 389 em imersão. Pouco tempo após a chegada começaram a realizar patrulhas de combate junto à costa, protegendo os acessos ao porto de Lisboa numa época em que as Esquadras tinham como lema «Mais vale destruir um submarino aliado, do que deixar de destruir um submarino inimigo».
Sendo estes navios destinados a funções costeiras, as respetivas viagens de Itália até Lisboa foram autênticas odisseias. No caso do Espadarte, às diversas tempestades que o navio enfrentou, deve-se acrescentar o facto de os motores Diesel terem sofrido inúmeras avarias, pois tratava-se de um tipo de motor inventado recentemente. Os restantes submersíveis realizaram a viagem inaugural em formatura de combate, uma vez que o país estava envolvido na Primeira Grande Guerra.




A estação em terra
Todos os navios necessitam de uma base de apoio. Os submarinos necessitam de uma estrutura com caraterísticas específicas. Desde a chegada do Espadarte que a sua base foi na Doca de Belém. As instalações eram exíguas, limitando-se a um barracão, funcionado a escola ao ar livre.

Com a previsão da vinda dos novos submersíveis decidiu-se edificar uma Estação de Submersíveis que proporcionasse o apoio adequado. As obras iniciaram-se em 1916. Os edifícios foram construídos em torno da mesma Doca de Belém. A Estação de Submersíveis dispunha de espaços para refeições, alojamentos, oficinas salas de aulas e demais infraestruturas de apoio.



Na década de trinta foram transferidas diversas estruturas da Marinha para o Alfeite. Entre estas contava-se uma Estação Naval, destinada a atracação de todos os navios. No extremo Oeste desta estação ficava situado o espaço destinado aos submarinos. A transferência de Belém para o Alfeite ocorreu em abril de 1940.


SEGUNDA ESQUADRILHA
Delfim, Espadarte e Golfinho

No período final da primeira república, o número de navios da Marinha Portuguesa era tão reduzido que o Ministro da Marinha designou esta situação como «Zero Naval». No início da década de trinta foi implementado o Programa «Magalhães Correia», tendo sido adquiridos mais de vinte navios novos. Entre estes contavam-se três submersíveis, Delfim, Espadarte e Golfinho.


Os contratos foram assinados em março de 1933, com o estaleiro inglês Vickers, de Barrow-in-Furness. O Delfim foi o primeiro destes navios a chegar a Portugal, em 18 de janeiro de 1935, menos de dois anos depois da assinatura do contrato. Os restantes chegaram em março e abril do mesmo ano.

O Golfinho deslocou-se à Guiné em 1939, sendo o único submarino português a deslocar-se a uma das então províncias ultramarinas portuguesas. Os elementos da guarnição aproveitaram para trazer recordações exóticas daquele território. Entre estas incluía-se um pequeno crocodilo, que foi oferecido aos oficiais pelos habitantes da região. Ofereceram também uma jiboia, mas esta foi recusada, por razões óbvias.



Características

Deslocamento à superfície

854 Toneladas

Deslocamento em imersão

1105 Toneladas

Comprimento máximo

69,3 Metros

Velocidade máxima à superfície

16,5 Nós

Velocidade máxima em imersão

9 Nós

Autonomia máxima à superfície

7 300 Milhas

Profundidade máxima

100 Metros

Armamento

6 Tubos lança-torpedos

 

1 Peça de artilharia de 102 mm



TERCEIRA ESQUADRILHA
Narval, Náutilo e Neptuno

Durante a Segunda Guerra Mundial os submersíveis revelaram-se um meio de elevado interesse estratégico. Ao longo do conflito, esta arma conheceu desenvolvimentos significativos. Ao terminar o mesmo, Portugal decidiu adquirir três navios construídos em Inglaterra em 1944, já na fase final da guerra.



Os navios, batizados Narval, Náutilo e Neptuno, foram entregues a Portugal em 1948. Ficaram conhecidos como a classe «N», pelo facto de os nomes começarem todos por esta letra. Em Inglaterra eram conhecidos pela classe «S», por idêntica razão. Durante o ano de 1953, um dos submarinos desta classe esteve envolvido numa situação delicada. Ao realizar um disparo de um torpedo de exercício, a partir da base do Alfeite, o referido torpedo dirigiu-se para o local onde a Sexta Esquadra dos EUA estava fundeada, a meio do Tejo. O torpedo foi detetado pelos navios americanos. O incidente foi resolvido quando perceberam que se tratava de um torpedo de exercício que se tinha desviado ligeiramente do percurso previsto.

Características

Deslocamento à superfície

863 Toneladas

Deslocamento em imersão

1 000 Toneladas

Comprimento máximo

61,8 Metros

Velocidade máxima à superfície

15 Nós

Velocidade máxima em imersão

9 Nós

Autonomia máxima à superfície

8 622 Milhas

Profundidade máxima

130 Metros

Armamento

6 Tubos lança-torpedos

 

1 Peça de artilharia de 102 mm





QUARTA ESQUADRILHA
Albacora, Barracuda, Cachalote e Delfim

No início da década de sessenta, Portugal viu-se envolvido num conflito que se estendeu pelas diversas colónias. O investimento passou a ser dirigido para as necessidades que essa guerra colocava. No entanto, percebeu-se que não se devia descurar a aquisição de submarinos, dada a sua importância estratégica, tanto a nível nacional como pelas obrigações que Portugal tinha perante a NATO.

O contrato de aquisição de quatro submarinos da classe francesa Daphné, foi assinado em 24 de setembro de 1964. Entre 1 de outubro de 1967 e 1 de outubro de 1969 foram entregues à Marinha Portuguesa os submarinos Albacora, Barracuda, Cachalote e Delfim. O Cachalote acabaria por ser vendido ao Paquistão em 1975. Enquanto os navios das classes anteriores eram submersíveis, os da classe Albacora já são considerados submarinos. Esta alteração de nomenclatura deve-se a estarem equipados com o sistema snort, que permite a carga das baterias sem que o navio venha à superfície, possibilitando que eles possam desempenhar a totalidade das missões em imersão.



Em 15 de dezembro de 1982, o Barracuda afundou um navio mercante. Tratava-se do Bandim, que transportava gases e que sofreu um rombo, tendo ficado a flutuar e constituindo perigo para a navegação na área. A solução mais adequada seria afundar o navio, tendo o Barracuda concluído com sucesso essa missão, disparando um torpedo contra o navio.





Características

Deslocamento à superfície

869 Toneladas

Deslocamento em imersão

1 043 Toneladas

Comprimento máximo

57,8 Metros

Velocidade máxima à superfície

13,5 Nós

Velocidade máxima em imersão

15 Nós

Autonomia máxima à superfície

9 430 Milhas

Profundidade máxima

300 Metros

Armamento

12 Tubos lança-torpedos



QUINTA ESQUADRILHA
Tridente e Arpão

Portugal foi o último país a manter operacionais submarinos da classe Daphné. Após mais de quatro décadas de operação tornou-se necessária a substituição da classe Albacora. A opção recaiu no modelo 209PN, de origem alemã. O contrato para construção dos navios foi assinado em 21 de abril de 2004. O Tridente e o Arpão foram construídos em Kiel, no estaleiro HDW (Howaldtswerke-Deutsche Werft GmbH), tendo sido entregues a Portugal a 17 de junho e 22 de Dezembro de 2010, respetivamente.



Dotados de modernos sistemas de armas e sensores, estes submarinos apresentam ainda um elemento que aumenta significativamente as suas capacidades operacionais: um sistema AIP (Air Independent Propulsion). A carga das baterias de submarinos é feita geralmente usando geradores que necessitam de ar para funcionar, o que implica que o submarino tem que se aproximar da superfície, utilizando o mastro snort. Os sistemas AIP possibilitam essa carga em imersão profunda utilizando hidrogénio e oxigénio armazenado em tanques especiais.



Apesar de estarem em Portugal há pouco tempo já tiveram oportunidade de participar em missões de elevada envergadura. Em 2012, o Tridente deslocou-se aos EUA, sendo o primeiro submarino português a atravessar o Atlântico Norte, enquanto o Arpão integrou uma Força Naval Permanente da NATO (SNMG2), participando na operação Active Endeavour, que no Mediterrâneo assegura o combate ao terrorismo.







Características

Deslocamento à superfície

1 842 Toneladas

Deslocamento em imersão

2 020 Toneladas

Comprimento máximo

67,9 Metros

Velocidade máxima à superfície

+ 10 Nós

Velocidade máxima em imersão

+ 20 Nós

Autonomia máxima à superfície

+ 45 Dias

Autonomia máxima em imersão (com AIP)

+ 15 Dias

Profundidade máxima

 + 350 Metros

Armamento

8 Tubos lança-armas (torpedos, mísseis e minas)










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