Missão

SUBMARINOS
A dissuasão como arma

O controlo de uma vasta área marítima, de interesse, como a portuguesa – com mais de 4 milhões de quilómetros quadrados, extensão equivalente a 80% de todo o continente europeu – é sempre uma tarefa complexa para qualquer Marinha, por mais recursos que tenha ao seu dispor. A descontinuidade territorial e a necessidade de operar a longa distância das suas bases, num amplo espaço interterritorial, obrigam Portugal a manter uma Marinha de carácter eminentemente oceânico.

Face à dimensão desta área marítima e à limitação de recursos, a dissuasão é a única estratégia de controlo eficaz que resta a Portugal, dada a impossibilidade de vigiar em permanência, ou com a frequência necessária, todo o espaço marítimo nacional. Inibir os potenciais oponentes ou infratores de prosseguirem num determinado curso de ação, jogando com o grau de incerteza de poderem estar a ser observados e de virem a sofrer perdas irreparáveis, é, por conseguinte, a base desta estratégia.

Com um papel relevante na vigilância e repressão de ilegalidades e abusos, os meios de superfície e aéreos podem, todavia, ser facilmente localizados e seguidos pelos atuais sistemas de deteção (satélites, radares, eletro-ótico e visuais), razão pela qual não exponenciam o referido fator de dissuasão.

Ao atuarem de forma encoberta, os submarinos são o único meio capaz de provocar inibição nos potenciais oponentes ou infratores. A isto acrescem as características próprias destes meios navais, nomeadamente, o seu grande raio de ação e mobilidade, a capacidade de permanecerem por períodos prolongados numa área de operações e a sofisticação dos seus sistemas (sensores, armas e sistemas de comando, controlo e comunicações).

A possibilidade de surpreender em flagrante prevaricadores ou adversários constitui um elemento nuclear e multiplicador da estratégia de dissuasão. Assim, só os submarinos são capazes de vigiar, controlar e seguir infratores e oponentes de modo totalmente discreto e sem perturbar os seus modos de atuação e comportamentos, no sentido de recolher provas e/ou informações únicas e com elevado valor estratégico para o Estado português.

Numa perspetiva puramente militar, os submarinos são os únicos meios capazes de operar em áreas completamente dominadas pelo opositor, podendo destruir rapidamente o cerne das suas forças navais, atacar de surpresa as suas bases na costa e em terra (a mais de 100 km de distância) e minar portos e áreas de acesso tidos como nevrálgicos. Ainda que limitado por questões políticas e militares, o mero potencial para executar esta panóplia de ações confere a um pequeno país como Portugal uma extraordinária capacidade de afirmação, constituindo-se assim num forte argumento de suporte à política externa do Estado em qualquer momento de crise que coloque em perigo os interesses vitais do País.










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