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Administrado directamente pela Coroa, o Complexo Real de Vale de Zebro foi o mais importante estabelecimento de produção do biscoito, alimento indispensável na dieta dos marinheiros dos Descobrimentos. Ao longo dos séculos, este conjunto de edifícios tem vindo a desempenhar
diferentes funções, destacando-se a Escola de Torpedos e Electricidade, na viragem do século XIX
para o século XX e, desde 1961, a Escola de Fuzileiros.

O Edifício

O Complexo Real de Vale de Zebro terá tido a
sua instalação durante o reinado de D. Afonso V, no século XV. Para além da fábrica dos fornos
de cozer biscoito, contava com outras áreas destinadas à sua produção e distribuição. Juntamente com os Fornos da Porta da Cruz
em Lisboa, constituíam as duas unidades régias que asseguravam o fabrico de todo o biscoito necessário aos empreendimentos marítimos
da Expansão e dos Descobrimentos.
Durante o século XVIII, as instalações de Vale
de Zebro foram constantemente alteradas, com maior incidência após o terramoto de 1755, que quase as destruiu. São do período pombalino a fachada principal com as suas arcadas e abóbodas de berço, assentes em pilastras de cantaria, tal
como todo o piso térreo do edifício com as galerias de fornos.