|
Nº
367

AGOSTO
- 2003
Ficha
Técnica
Fotografias
Antigas, Inéditas ou curiosas
SUMÁRIO
Dia
das Forças Armadas
Há
90 anos, uma pena, um Submarino
CF
- 21 em Timor
Exercício
NEOTAPON 2003
Simulação
da Assinatura Infravermelha de navios
Estação
Radionaval "Comandante Nunes Ribeiro" - Da Fundação à
Actualidade
A
Marinha de D.Manuel (39)
O
Afundamento do "NAUTILA"
Escola
Naval
A
Polícia Marítima
Academia
de Marinha
35º
Aniversário do NRP "Comandante Hermenegildo Capelo"
Ecos
do dia da Marinha
Cooperação
Técnica-Militar
Notícias
Convívios
Divagações
de um Marujo (2)
Bibliografia
Notícias
Pessoais
Património
Cultural
Tabela
de Preços das Assinaturas
|
|
Património
Cultural da Marinha
Faróis
de Portugal |
|
Desde
o início do século XVI que existiam alguns pontos da costa
portuguesa onde era usual acender fogueiras ou luzes de azeite que
constituíam ajudas à navegação, os quais se chamavam fachos
ou vigias. Este era o
caso da ermida de N. Sr.ª da Guia, construída em 1523 numas
terras doadas por D. Luiz de Castro, senhor de Cascais e, onde em
1537, a irmandade local ergueu uma torre onde se acendia um
conjunto de quatro ou cinco luzes de azeite que se via a grande
distância para ajudar os navegantes.
Esta
luz era mantida pela irmandade, que fornecia o azeite e vidraças
da lanterna, mantendo-a acesa durante cerca de oito meses do ano.
Mas esta não foi a primeira luz do género em Portugal, pois já
desde 1515 ou 1516 os frades do Convento de D. Fernando no Cabo de
S. Vivente ali mantinham uma luz.
A
torre foi muito danificada com o terramoto de 1755, obrigando a
grandes obras de reconstrução e à substituição do
equipamento. Entretanto, o Serviço de Faróis é organizado e
atribuído, pelo Marquês de Pombal, à junta de Comércio, por
alvará de 1 de Fevereiro de 1758, que manda construir 6 faróis
na nossa costa, sendo o primeiro estabelecido em 1660, o de N. Sr.ª
da Luz, a norte da Barra do Douro, onde antes existia uma luz
rudimentar e que já se encontra extinto por ter deixado de ser útil. |
|
O
Farol da Guia actualmente existente, decorre da reconstrução da
ermida de N. Sr.ª da Guia, e foi o segundo do Serviço de Faróis,
tendo sido estabelecido em 1761, emitindo uma luz fixa branca, a
partir de 16 candeeiros de Argand, alcançando as 13 milhas em
boas condições de visibilidade, num sector de 240º. A sua
torre, de oito faces, com 23 metros de altura e consti-tuí-da por
espessas paredes de alvenaria com cunhais e cimalhas de cantaria,
foi forrada com azulejos
brancos em meados do sec.
XIX e renovados em Abril de 2003.
Em
25 de Setembro de 1879, é dotado de uma ópti-ca de tambor de
Fresnel, de 3ª ordem, com 500 mm de distância focal, com um
candeeiro a gás produzido do petróleo que seria substituído por
um de duas torcidas em 1897. O farol cobria um arco de horizonte
de 288º num alcance de 15 milhas. Nesta altura, estava já em
construção o Farol de Santa Marta, que iria constituir com o da
Guia, o enfiamento da Barra Norte do Porto de Lisboa. |

|
| Local:
|
Guia
- Cascais |
| Altura: |
28
m |
| Altitude: |
58
m |
| Luz: |
Iso
Br Vm 2s |
| Alcance: |
Br
19 M; Vm 16 M |
| Óptica: |
3ª
Ordem 500 mm |
| Ano: |
1761 |
|
O
farol esteve apagado entre Março de 1914 e Dezembro de 1918
devido à 1ª grande guerra.
Em
1938 o candeeiro de duas torcidas é substituído por um eclipsor
a gás, passando a apresentar três relâmpagos a cada 15
segundos, com um alcance de 21 milhas. Nesta altura é instalada
uma pequena lanterna que emitia uma luz fixa vermelha na direcção
do enfiamento.
Em
1957, o farol é electrificado com a instalação de dois grupos
geradores, sendo retirada a lanterna vermelha do enfiamento, e
dotado de um filtro vermelho na óptica em sua substituição.
Em
1982, juntamente com os restantes faróis das aproximações a
Lisboa, foi automatizado passando a dispor de redundâncias nas
suas funções vitais, e a ser controlado a partir de uma central
de telecontrolo instalada na Direcção de Faróis, em Paço de
Arcos.
Actualmente,
o farol não é guarnecido, sendo as suas residências utilizadas
por faroleiros que prestam serviço na Direcção de Faróis. O
sistema de telecontrolo foi substituído por um de monitorização,
que transmite uma mensagem SMS para o telemóvel do faroleiro de
chamada à Central de Faróis, sempre que ocorre uma falha.
O
Farol da Guia é uma belíssima construção que evidencia a época
pombalina e constitui, para além da sua utilidade primária, um
local de visita obrigatória para quem demande aquela área.
Direcção
de Faróis |
|