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Nº
370

DEZEMBRO-2003
Ficha
Técnica
De
Olhos Bem Abertos e Limpos
SUMÁRIO
Museu
de Marinha
Mensagem
de Natal do Alm. CEMA
Desafios
à Marinha na Próxima Década
Exercício
LUSÍADA 2003
Um
dia no... Aquário "Vasco da Gama"
Academia
de Marinha
Patrono
do Novo Curso da Escola Naval
A
Marinha de D. Manuel (42)
Um
Património Intelectual Acumulado "Bibliografia da Arqueologia Naval
Portuguesa"
O
Patrão Lopes
Tomadas
de Posse
Estórias
- 3
Notícias
Histórias
da Botica (32)
Bibliografia
Notícias
Pessoais
Património
Cultural
Tabela
de Preços das Assinaturas
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Património
Cultural da Marinha
Faróis
de Portugal |
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A
ideia de erguer uma fortificação no areal da Cabeça Seca frente
à fortaleza de S. Julião da Barra, remonta provavelmente ao período
de construção desta, mas só em 1571 é formalmente expressa
pelo arquitecto Francisco de Holanda, reconhe-cendo as vantagens
do cruzamento de fogo de artilharia.
Nos
preparativos para fazer face à esperada invasão das tropas de
Filipe II de Espanha, foi montada naquele local uma fortificação
em madeira com algumas peças de artilharia, que viria a render-se
à Armada Castelhana, sendo depois desarmada e destruindo-se com o
tempo, por não ter sido contemplada nos planos filipinos de
fortificação do Porto de Lisboa.
Em
1589, foi convidado o célebre engenheiro italiano Giovanni
Vincenzo Casale para definir a solução a implementar na
fortificação do Baixo da Cabeça Seca. Após várias discussões
sobre a sua forma, ficou decidido que seria redonda, iniciando-se
a construção em 1590 com a implantação de um perímetro de
estacaria que seria cheio com pedra. Casale faleceu em finais de
1593 quando as fundações ainda não estavam completas.
Seguiu-se-lhe na direcção das obras Leonardo Turriano, também
italiano, e que introduziu algumas alterações ao plano de Casale.
Em
1640, a obra não estava ainda completa mas tinha já armamento e
guarnição, que se rendeu sem oferecer resistência a 2
de Dezembro de 1640 na restauração da independência. É nesta
altura que a obra é retomada em força, sendo de crer que só por
volta de 1657 tivesse terminado, sob a direcção de Frei João
Turriano, filho de Leonardo.
Isolado
no meio do Estuário do Rio Tejo, sem qualquer referência que
permita ao observador avaliar, por comparação, as suas dimensões,
o forte parece imensurável. A sua base circular tem 62 metros de
diâmetro por 6 de altura e o forte, também circular, tem 33 por
7.
Numa
planta datada de 1693 existia já uma torre com uma estrutura
faroleira, e em 1751, uma inspecção ao farol indicava que este
funcionava a azeite, de Outubro a Março e se encontrava em razoáveis
condições. Esta torre viria a ser destruída pelo terramoto de
1755.
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O
farol moderno da Fortaleza de S. Lourenço foi um dos seis que o
Alvará Pomba-lino com força de Lei, de 1758, manda edificar,
tendo entrado em funcionamento em 1775. Instalado numa torre de
pedra com 16 metros de altura por 3 de diâmetro, não se sabe
qual era o seu
equipamento inicial, no entanto, uma planta de 1798 permite
identificar uma árvore de candeeiros de Argand. Este equipamento
seria substituído por outros semelhantes, até que em 1829 foi
instalado um aparelho rotativo de 16 candeei-ros, activado por um
mecanismo de relojoaria.
Em
1896 foi montado um aparelho óptico dióptrico de 3ª ordem,
rotativo, com candeeiro a petróleo de 3 torcidas, produzindo luz
branca fixa, variada com clarões vermelhos. O farol esteve
apagado durante a 1ª grande guerra e em 1923 o aparelho óptico
seria substituído por um de 3ª ordem, grande modelo.
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Em
1933 passou a queimar gás a luz passou a ser fixa, com relâmpagos
verdes e dois anos depois instalou-se um sinal sonoro.
O
interesse militar foi-se reduzindo e, em 1945 o forte foi
desarmado, ficando apenas com a sua função de sinalização marítima.
Pensa-se
que o nome Bugio pelo qual é conhecido se deva aos bate-estacas
da sua construção, à palavra francesa bougie
(vela), ou à sua localização relativa, pois há inúmeros
locais noutras barras com a mesma denominação.
Em
1946, o farol passou a utilizar a incandescência do vapor de petróleo
como fonte luminosa, sendo electrificado em 1959 com a montagem de
grupos electrogéneos, passando a funcionar com lâmpada eléctrica.
A
sua automatização ocorreu no ano de 1981, com a instalação de
um pedestal rotativo com ópticas seladas, de um detector de
nevoeiro e um sistema de monitorização a partir da Central de Paço
de Arcos, tendo sido desguarnecido de faroleiros no ano seguinte.
Em
1994 foi instalada uma lanterna omnidireccional de 300 mm de luz
eclipsada, e um novo sinal sonoro, passando a funcionar com
energia solar.
Em
virtude da sua posição, o forte de S. Lourenço tem sofrido ao
longo dos anos, vários danos provocados pelo mar. Segundo
documentos existentes, assim aconteceu em 1788, 1804, 1807 e 1818,
tendo por isso sido objecto de várias obras de reparação e
consolidação. As últimas grandes intervenções ocorreram em
1952, 1981 e designadamente em 2000 quando toda a estrutura esteve
em risco de desabar.
Pela
forma isolada como se encontra no mar, balizando a mais
frequentada das nossas barras, dando acesso ao mais importante
porto do País, e ainda pela qualidade arquitectónica da
fortaleza, o Bugio constituiu sempre um pólo de grande atracção.
Direcção
de Faróis
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