|
Nº
375

Maio
- 2004
Dia
da Marinha - Programa
Ficha
Técnica
SUMÁRIO
Ponto
ao Meio Dia
Instituto
Superior Naval de Guerra
Exercício
Instrex 01-04
Hidrografia
e Cartografia náutica na Índia durante o período português
A
Marinha de D. Manuel (47)
Um
dia no... Instituto Hidrográfico
O
porquê da Capacidade Submarina
Assinatura
do contrato dos novos submarinos
Portugal
vai continuar a dispor de capacidade submarina
A
"Sagres" e os seus Irmãos
Tomadas
de Posse
Academia
de Marinha
Notícias
Convívios
Escola
Naval
Desporto
Divagações
de um Marujo (6)
Notícias
Pessoais
Património
Cultural
Tabela
de Preços das Assinaturas
|
|
Património
Cultural da Marinha
Faróis
de Portugal |
|
8.
FAROL
DO CABO
DE Santa
maria |
|
A
construção do farol do Cabo de Santa Maria data do ano de 1851.
A incumbência da sua edificação pertenceu a Gaudêncio Fontana,
apesar de ser Ipácio Vielle quem já dirigia
o serviço de faróis nessa altura.
Decidiu-se
implantar este farol no extremo Sudoeste da Ilha da Culatra - uma
estreita faixa de terra, com três povoações, apenas acessível
por barco a partir de Olhão. Dada esta localização, facilmente
se poderá aquilatar das dificuldades que envolveram a
construção do farol.
Apesar
destas contrariedades, estas não foram impeditivas do facto do
farol ter sido o primeiro a receber um aparelho lenticular de
Fresnel de 2ª ordem – distância focal de 700 mm.
Passados
catorze anos sobre a sua construção, era assim descrito:
«…
está construido este pharol em uma restinga de areia ou cabedelo
proximo da barra que dá entrada para os dois portos de Faro e
Olhão.
(...)
|
|
A
luz d´este pharol é fixa e branca e transmitida por um apparelho
lenticular de Fresnel de segunda ordem, construido em Londres, com
candieiro de deposito superior. O seu alcance medio é de 15
milhas, posto que possa avistar-se a uma distancia superior a 20
milhas, logo que seja melhorada. |

|
|
A
lanterna que abriga este apparelho, por ser feita em Lisboa pelo
antigo systema das que existem nos pharoes de candieiros de Argand
com reflectores, tem as chapas de ferro nos angulos muito largas e
as vidraças de pequenas dimensões, o que faz diminuir muito a
emissão dos raios luminosos, principalmente quando os navios
estão na direcção dos referidos angulos, occasião esta em que
o alcance e a intensidade da luz são muito diminutos. Esta
lanterna tem 6 metros de altura e seis faces de 1m,74 de largura.
(...)
o edificio em que assenta a lanterna é uma torre formada de
quatro corpos circulares: o primeiro, contando da base, é um
cilindro de 7m,63 de raio e 3m,95 de altura, com um telhado em
roda da parte inferior do segundo, servindo de alojamento para os
pharoleiros e deposito para azeite, que existe em uma casa de
passagem e não tem tanques de pedra, os quaes se acham
substituidos por cinco talhas de folha que levam cada um 18
almudes ou 1525L,5. O segundo corpo é tambem um cylindro de 4m,18
de raio e 5m,28 de altura, com uma varanda de ferro na parte
superior. O terceiro é outro cylindro de 3m,52 de raio e 4m,22 de
altura, e serve de base a uma pyramide conica troncada com 14m,65
de altura, que acaba por uma cimalha com varanda de ferro, dentro
da qual se eleva uma cortina de cantaria que serve de socco à
lanterna.
A
altura de todo este edificio, desde a base do primeiro corpo até
ao vertice da lanterna, é de 35m,55. (...)»
|
| Local: |
No
extremo SW da ilha da Culatra |
| Altura: |
46
m |
| Altitude: |
50
m |
| Luz: |
Fl
(4) W 17s |
| Alcance: |
25
M |
| Óptica: |
3ª
ordem 500 mm |
| Ano: |
1851 |
|
Durante
largos anos, até 1966, foi necessário levar a cabo diversas
obras de defesa do farol, pois o mar constituiu sempre uma forte
ameaça para a base da torre e poderia comprometer
irreversivelmente a existência do farol, naquele local. Assim,
em 1922
a torre foi aumentada em 12 metros, ficando com 46 metros
de altura. O aparelho óptico foi substituído por outro de 3ª
ordem, grande modelo, de rotação, tendo como fonte luminosa
um candeeiro de nível constante a petróleo, substituído
em 1925 pela incandescência pelo vapor de petróleo. |
|
A
rotação da óptica era conseguida através de um mecanismo de
relojoaria.
Por
acção do vento, e talvez devido ao aumento da torre, em 1929
começaram-se a sentir oscilações anormais ao nível da
lanterna, tornando-se necessário proceder à consolidação da
torre, em toda a sua extensão. Foi então construído um
esqueleto exterior de gigantes pilares ao longo de toda a altura
da torre e cintas envolventes adequadamente espaçadas, de cimento
armado.
Em
1949, o farol foi electrificado através de grupos electrogéneos
passando
a fonte luminosa a ser a incandescência eléctrica. Foram
também montados painéis adicionais ao aparelho lenticular,
dando-lhe a característica de aeromarítimo e instalado um
radiofarol. |
|
Em
1995 foi iniciada uma obra de grande envergadura de consolidação
da torre, a qual exigiu a desmontagem da lanterna para posterior
assentamento uma vez concluída a intervenção. Provisoriamente,
durante a realização das obras, foi montado um farol (PRB 46) no
topo
sul de um
andaime.
Em
2001, o radiofarol foi desactivado pelo facto de ter deixado de
ter interesse para a navegação – cumprindo com a política de
radionavegação do nosso país e também, a exemplo do que
sucedeu com a maior parte dos países de todo o mundo, que
extinguiram os seus radiofaróis. |
|