Nº 386

Capa referente ao mês de Maio de 2005

MAIO-2005

Ficha Técnica

Programa Dia da Marinha

SUMÁRIO

Ponto ao Meio Dia

Não Esquecer João Paulo II

A "Corte-Real" na Força de Reacção Rápida da Nato 

Proliferation Security Initiative (PSI)

Os Sondadores Multifeixes do Instituto Hidrográfico

A Marinha de D. João III (1)

A Lenda e o Mito

O Ministro da Defesa Nacional Visita a Marinha

Tomadas de Posse

O N.R.P. "João Coutinho" nos Açores 

Academia de Marinha - Sessões Culturais

Academia de Marinha - Em Memória do Comandante Sousa Machado 

Da Cooperação Internacional à Cooperação Técnico-Militar 

O Apoio do USS "Mount Whitney" ao JC Lisbon 

Notícias

Convívios

Divagações de um Marujo (11) / Raúl Sousa Machado

Notícias Pessoais

Património Cultural

Tabela de Preços das Assinaturas

Património Cultural da Marinha

Faróis de Portugal

 

20FAROL  DE  VILA  REAL DE SANTO  ANTÓNIO

 

No Plano Geral de Alumiamento e Balizagem da nossa costa marítima, datado de 1866, da autoria do Capitão-de-fragata Pereira da Silva, Inspector Geral de Faróis, está indicado na proximidade de Villa Real de S. António um pharol de 2ª ordem.

A escolha do ponto e altura do foco luminoso sobre o terreno, foram determinadas pelos engenheiros, D. Ricardo Peyroteu e Domingos Tasso de Figueiredo. Pela Comissão de Pharoes e Balizas foi aprovada a memória descritiva datada de 1 de Abril de 1884.

Os typos de apparelhos para os pharoes constantes do Plano Geral estão escolhidos e contractados com a casa Barbier & Fenestre de Paris.

A torre foi projectada com uma altura determinada para o foco luminoso de 40 metros.

Nas fundações, como a construção assenta sobre areia e receando o movimento das areias ou escavação produzida por correntes de água, propunham-se descer com a fundação da torre a 6,00 metros, ficando a base da fundação com 3,66 metros acima do nível do mar. A fundação seria feita em betão hidráulico. No betão e nas fundações dos edifícios empregar-se-ia pedra extraída das margens do rio próximo de Vila Real.

A cantaria e lancil será de Tavira, sendo conduzida por mar até ao porto  de Vila Real.

 O tijolo vem de Castro Marim e a cal de Tavira ou Cacela. Na cobertura empregar-se-ia telha, modelo marselhez. O orçamento total da construção eleva-se a 25.500$000 reis. 

Tendo embora este projecto o valor histórico de ser o primeiro,  não seria ele o finalmente adoptado.

Anos mais tarde, outro projectista, o engenheiro José Joaquim Peres, argumentando que o custo, relativamente elevado das fundações para o farol de V.R.S. António conduziu naturalmente à ideia do emprego do cimento armado com o fim de realizar as vantagens de uma construção mais leve que dispense fundações caras e com uma duração, praticamente ilimitada, sem reparações frequentes, dispendiosas e de difícil execução.

Painel de azulejos

A sua opção acabaria por triunfar sobre a primitiva, obtendo no ano de 1916, licença para o Ministério da Marinha construir um farol na costa de V.R.S. António.

Versava assim, o Aviso aos Navegantes nº 15, de 19 de Dezembro de 1922:

A partir do dia 20 de Janeiro de 1923, começará a funcionar o farol de Vila Real de Santo António, entrando, nessa data, no período preliminar de experiências.

O edifício consta de uma torre circular, de cimento armado, branca, com estreitas listas horizontais escuras ... O aparelho lenticular é de 3ª ordem, grande modelo 850 centímetros de distância focal, de rotação, dando relâmpagos brancos...O alcance luminoso é ...de 33 milhas. É visível em todo o horizonte marítimo(...).

Local:

V. R. Sto. António

Altura: 46 m
Altitude: 57 m
Luz: Fl W 6,5 s
Alcance: 26 M
Óptica: 3ª Ordem - 500 mm
Ano: 1923

O farol fica localizado a sul de Vila Real de S. António. Tem uma torre com 46 metros de altura e 52 metros de altitude. O aparelho óptico que ainda hoje o equipa é um aparelho lenticular de Fresnel de 3ª ordem, grande modelo (500mm distância focal), de rotação. A fonte luminosa era a incandescência pelo vapor de petróleo e a rotação da óptica era produzida pela máquina de relojoaria.

O farol foi electrificado através de motores geradores em 1927.

Para se obterem dados comparativos das várias fontes luminosas utilizadas, a partir de 1 de Junho desse ano, passou a utilizar um candeeiro de nível constante nos dois primeiros dias dos meses ímpares e pela incandescência pelo vapor de petróleo nos dois primeiros dias dos meses pares; pela incandescência eléctrica, nos restantes dias de todos os meses.

Em 1947 foi ligado à rede eléctrica de distribuição pública. A máquina de relojoaria foi substituída por motores de rotação eléctricos e a lâmpada instalada era de 120V/3000W.

O farol fica localizado a sul de Vila Real de S. António.

Foram instalados vários sistemas de alarmes e um radiofarol em 1950.

O radiofarol foi modificado em 1954.

Em 1960 os geradores de corrente contínua foram substituídos por alternadores e neste mesmo ano foi instalado um ascensor para acesso à torre.

A lâmpada do farol que era de 3000W, foi substituída por uma de 120 V/1000W em 1983.

O farol foi automatizado em 1989, dispondo actualmente de todos os mecanismos necessários para obviar qualquer falha nos sistemas principais.

Por deixarem de ter interesse para a navegação, foram extintos todos os radiofaróis em 2001.