Nº 379

Capa referente ao mês de Setembro/Outubro de 2004

SET / OUT - 2004

Ficha Técnica

Fotografias Antigas, Inéditas ou curiosas

SUMÁRIO

Ponto ao Meio Dia

Estratégia Naval Portuguesa

O Presidente da República no Navio Escola "Sagres"

As Viagens de Instrução da Escola Naval 

A Marinha de D.Manuel (51)

A Fragata "Álvares Cabral", na Força Naval Permanente do Atlântico

A "Sagres" e os seus Irmãos 

Academia de Marinha

Leotte do Rego

Entregas de Comando

Tomadas de Posse

Ao correr da pena...

Grandes Veleiros em Lisboa

O Trânsito de Vénus

Notícias

Divagações de um Marujo (8)

225 Anos de Relações Portugal - Rússia

Notícias Pessoais

Património Cultural

Tabela de Preços das Assinaturas

Património Cultural da Marinha

Faróis de Portugal

 

13FAROL  DE  SÃO  LOURENÇO

 

A península mais oriental da Ilha da Madeira, com 9 Km de comprimento e 2 Km de largura, inclui dois ilhéus (Ilhéu da Cevada e Ilhéu de São Lourenço), foi declarada Reserva Natural em 1982 com o objectivo de preservar a sua fauna, flora e herança geológica.

A vegetação de São Lourenço é especial e única, não por estar ainda inalterada, mas devido à presença de importantes grupos que estão virtualmente confinados a esta área. Esta reserva, para além da vegetação, é o lar de muitas espécies de aves, e até de alguns lobos marinhos que ocasionalmente são vistos.

O projecto de edificação de um farol na Ponta de São Lourenço, na Ilha da Madeira, foi aprovado e mandado executar por portaria de 10 de Setembro de 1886.

O referido projecto e orçamento foram iniciados sendo Director dos Telégrafos, José Diogo Mouzinho de Albuquerque, seguindo-se-lhe Júlio Augusto Leiria.

O projecto inicial sofreu algumas alterações, incluindo a adopção do revestimento exterior de azulejos brancos, sendo um melhoramento de reconhecida utilidade para todos os faróis, na opinião do Conselho de Obras Públicas.

Local:

Ilhéu de Fora-extremo Este da Ilha da Madeira

Altura: 10 m
Altitude: 103 m
Luz: FI W 5s
Alcance: 20 M
Óptica: Acrílica 400 mm
Ano: 1870

FAROL  DE  SÃO  LOURENÇO

A obra teve inicio em 1867 e só ficou concluída em 1870.

O farol de São Lourenço entrou em funcionamento em 30 de Setembro de 1870, sendo o primeiro farol a ser estabelecido na Ilha Madeira.

Fica localizado na extremidade leste da ilha, na parte mais alta do Ilhéu de Fora.  A torre tem 10 metros de altura e inicialmente foi equipado com um aparelho lenticular de 2ª ordem (700 mm distância focal), sendo a fonte luminosa um candeeiro de 4 torcidas ainda com funcionamento a azeite que seria substituído alguns anos depois pelo petróleo. A rotação da óptica era produzida por um mecanismo de relojoaria e apresentava luz branca com clarões de 30 em 30 segundos. O alcance luminoso em estado médio era de 25 milhas. Foi dotado também de uma estação semafórica.

Em 1880, 1911 e 1941 houve uma série de reparações e remodelações nas infra-estruturas do farol e caminho de acesso.

A fonte luminosa (candeeiro a petróleo, após o de azeite), foi substituída em 1921 por uma instalação a gás Bernard Barbier e Turenne (BBT), passando o gás a dar lugar à incandescência pelo vapor de petróleo em 1930.

As alterações da fonte luminosa não ficariam por aqui, pois passados alguns anos (1956), o farol foi electrificado com a montagem de grupos electrogéneos, sendo instalada uma lâmpada de incandescência de 3000W. O aparelho óptico inicialmente montado, por se encontrar em muito mau estado de conservação, foi também substituído por outro de 3ª ordem, grande modelo (500 mm distância focal).

FAROL  DE  SÃO  LOURENÇO

Em 1983 o farol foi integralmente automatizado. Foi desmontado o aparelho óptico e instalado em seu lugar um moderno pedestal rotativo de ópticas seladas, com lâmpadas de halogéneo e reflectores parabólicos, munido de automatismos vários que garantem a entrada em funções de outros dispositivos em caso de falha dos principais, com  um sistema de telesinalização - REMO-21. Foram também montados novos grupos electrogéneos ficando o farol a ser telecontrolado a partir da central de São Jorge. Esta operação de automatização contou com a preciosa colaboração da Força Aérea para o transporte das cerca de 10 toneladas de material que houve necessidade de levar para o farol, pois devido às más condições de acostagem no Ilhéu, muito material foi perdido em ocasiões anteriores, na altura do desembarque.

A 28 de Abril de 2000 o sistema então em uso foi substituído por um moderno farol rotativo de alto rendimento, com um alcance luminoso estimado de 20 milhas, funcionando a energia solar.

O farol, a partir desta data, deixou de estar guarnecido com pessoal faroleiro ficando a cargo do farol de São Jorge.

 

Direcção de Faróis