Cultura

O mar e a Marinha têm, para os portugueses, uma dimensão cultural muito expressiva. O significado e legado histórico dos descobrimentos, do mar, e o teor cultural e técnico-naval herdado dos antepassados não têm paralelo no mundo.
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​Em 1821 o Chefe de Esquadra (Almirante), Intendente da Real Marinha de Goa e Inspetor dos Arsenais de Goa, Cândido José Mourão Garcez Palha, propôs ao Rei D. João VI, por intermédio do Governo-Geral, a construção de uma nova Fragata em Damão.

 

Com a natural morosidade daqueles tempos, justificada pela distância e consequentes dificuldades de comunicações, só três anos depois chegou a Goa a boa nova de que Sua Majestade havia aprovado a construção de uma Fragata de Força, e que deveria ser construída em Damão.
 
Os estaleiros de Damão foram os escolhidos pelo facto de a mão-de-obra ser mais barata e porque no enclave de Nagar-Aveli, que ficava próximo, haver uma imensa floresta de árvores de Teca, madeira excecional para a construção de navios.
 
Inicia-se assim, em 1824, a compra de madeiras e são recebidos em Damão, provenientes de Lisboa, os desenhos e instruções para a construção da Fragata.
 
Por desentendimento entre o Governador-Geral e o Governador de Damão, os trabalhos de construção foram suspensos durante alguns anos e só em maio de 1832 são novamente retomados, embora a um ritmo muito lento.
 
O lançamento à água foi em 22 de outubro de 1843, comandada pelo Capitão-de-fragata Torcato José Marques, a Fragata veio em guindolas (mastros improvisados) para Goa onde recebeu os mastros, aguardando-se que o massame (conjunto de cabos fixos e de laborar usados no aparelho do navio) e as velas viessem de Lisboa.
 
Ainda com alguns trabalhos a decorrer no seu interior, a Fragata, com 273 pessoas a bordo, largou de Goa a 2 de fevereiro de 1845 e, após uma viagem de 5 meses sem incidentes, chegou ao Tejo em 4 de julho.
 
Em 1865 é reabilitada para Escola de Artilharia Naval, e em 1940 termina a sua missão na Armada. É transformada na Obra Social da Fragata D. Fernando, instituição social que albergava rapazes de famílias pobres. Em 1963 arde quase por completo, sendo reconstruída 30 anos depois. Hoje encontra-se em Cacilhas como navio-museu, aberta ao público.
 
 O International Register of Historic Ships, publicação editada com o patrocínio da World Ship Trust, refere a D. Fernando como a quarta Fragata Armada e o oitavo navio de guerra à vela, mais antigo do mundo.
 

FACTOS:

  • Foi o último navio à vela da Marinha portuguesa e o último a fazer a “Carreira da Índia”;
  • Fez no total nove viagens, navegando mais de 100.000 milhas;
  • Funcionou como Escola de Artilharia Naval da Marinha;
  • Em 1940 é transformada na Obra Social da Fragata D. Fernando, albergando rapazes de famílias pobres;
  • Foi construída para levar 50 peças de Artilharia, 28 na bateria e 22 no convés;
  • É a quarta Fragata Armada e o oitavo navio de guerra à vela mais antigo do mundo.