Meios

Os meios da Marinha baseiam-se na ideia do equilíbrio, sustentada coerentemente na diversidade de capacidades, permitindo fazer face aos múltiplos desafios colocados por uma envolvente internacional muito dinâmica e imprevisível. Desta forma, o meios da Marinha visam manter um equilíbrio de capacidades, evitando uma especialização excessiva que levaria ao abandono de valências, essenciais à afirmação dos interesses nacionais no mar.
« Voltar
Home » Meios e Operações » Meios » Mergulhadores
Mergulhadores
Mergulhadores
Mergulhadores
Galeria de Imagens

 

 Content Editor

 
Características
Agrupamento de Mergulhadores Sapadores
Serviço de Mergulho
Escola de Mergulhadores
Destacamento de Mergulhadores Sapadores Nº1
Destacamento de Mergulhadores Sapadores Nº2
Destacamento de Mergulhadores Sapadores Nº3

Destacamentos de Mergulhadores Sapadores

Os Destacamentos de Mergulhadores Sapadores foram criados e ativados em finais de 1972, por imperativos operacionais da atividade do Comando de Defesa Marítima da Guiné, tendo sido desativados em 1975 após a extinção deste comando, passando a atividade operacional dos mergulhadores a ser assegurada pela Escola de Mergulhadores.

O Destacamento de Mergulhadores Sapadores Nº1 foi reativado em 1 de Junho de 1988, dada a necessidade de existir uma unidade operacional especialmente vocacionada para a área do mergulho militar. As atividades de interesse público, designadamente as relativas à salvação marítima e aos socorros a náufragos continuaram a ser asseguradas pela Escola de Mergulhadores.

O Destacamento de Mergulhadores Sapadores Nº2 foi reativado em 1 de Janeiro de 1995, e toda a atividade operacional foi retomada pelos destacamentos, ficando cometidas à Escola de Mergulhadores exclusivamente tarefas de instrução.

No prosseguimento da edificação da capacidade de Guerra de Minas, prevista no Sistema de Forças Nacional 04 - Componente Operacional, foi ativado, em 12 de Junho de 2008, o Destacamento de Mergulhadores Sapadores n.º 3 (DMS-MW).

Estas unidades estão sediadas na Esquadrilha de Submarinos na Base Naval no Alfeite, sob o Comando Administrativo desta Esquadrilha e sob o Comando Operacional do Comando Naval.

O DMS1 realiza operações nas seguintes áreas de atuação:

  • Reconhecer e inactivar engenhos explosivos convencionais ou improvisados, na área de responsabilidade da Marinha e em áreas de conflito;
  • Realizar acções de vistoria a cais de desembarque e obras-vivas de navios;
  • Realizar o reconhecimento táctico de costa;
  • Efectuar limpeza de obstáculos ou engenhos explosivos em canais de acesso, praias e locais de desembarque;
  • Realizar acções ofensivas e defensivas de sabotagem submarina;
  • Colaborar com as entidades responsáveis na repressão de actividades ilícitas;
  • Apoiar os serviços de Protecção Civil em situações de catástrofe, calamidade ou acidente;
  • Participar em exercícios nacionais e internacionais.

O DMS2 opera nas seguintes áreas:

  • Executar vistorias e trabalhos subaquáticos nas obras vivas dos navios de guerra e em infra-estruturas portuárias;
  • Participar em operações de salvamento de submarinos ou de recuperação de veículos submarinos operados por controlo remoto;
  • Coordenar, dirigir e executar operações de salvamento marítimo;
  • Participar em operações de salvamento de náufragos e recuperação de embarcações;
  • Apoiar os serviços de Protecção Civil em situações de catástrofe, calamidade ou acidente;
  • Colaborar com as entidades responsáveis na fiscalização das actividades económicas;
  • Colaborar com as entidades responsáveis no estudo científico do meio aquático.

O DMS3 realiza operações nas seguintes áreas de atuação:

  • Participar na limpeza dos portos e canais de acesso de minas e destroços;
  • Reconhecer e inactivar engenhos explosivos convencionais ou improvisados nas obras vivas dos navios de guerra, ou mercantes;
  • Reconhecer e limpar praias/locais de desembarque em apoio às operações anfíbias;
  • Efectuar busca e análise de fundos onde se suspeita haver ameaça de minas, engenhos explosivos ou quaisquer outras anomalias susceptíveis de provocar danos ao tráfego marítimo;
  • Determinar os limites de campos de minas, em zonas de desembarque anfíbio, canais de acesso ou linhas de tráfego marítimo;
  • Determinar canais alternativos de passagem da navegação mercante, em áreas minadas;
  • Manter a ameaça de minas baixa, para o tráfego marítimo, sempre que haja necessidade de manter ligações marítimas em águas minadas, por longos períodos

FACTOS

A Escola de Mergulhadores detém a responsabilidade da formação de mergulho e inativação de engenhos explosivos de todos os Mergulhadores da Armada e ministra em média 30 edições de cursos de formação e de atualização por ano, com uma média total de 350 formandos civis, militares de outros ramos e das forças de segurança;

Deve-se aos mergulhadores a adquisição da primeira Câmara Hiperbárica do País, tendo sido instalada na então Escola de Mergulhadores, sediada na Esquadrilha de Submarinos, desencadeando de forma pioneira, a Medicina de Mergulho e Hiperbárica, sob a tutela do Serviço de Saúde da Esquadrilha de Submarinos;

Os Mergulhadores da Armada têm capacidade de mergulhar até 81 metros de profundidade;
 Na guerra de minas empregam veículos autónomos submarinos (AUV’s – Autonomous Underwater Vehicles) com sistemas de deteção de elevada precisão e grande complexidade tecnológica;

Têm participado em diversas missões de interesse público, de que se destacam as calamidades da Ponte Hintze Ribeiro (Entre-os-Rios) e o aluvião na Madeira, assim como as Inspeções ao túnel do metro na Praça do Comércio;

Participaram em outras missões de relevo, nomeadamente:

  • Inativações de engenhos explosivos convencionais, na área de responsabilidade da Marinha;
  • Demolição com explosivos do SV Aquarius à deriva ao largo de Sesimbra/Comporta, por ser um perigo para a navegação;
  • Operação de reflutuação do submarino Albacora;
  • Busca e recuperação de um veículo subaquático operado remotamente, do Instituto Hidrográfico;
  • Busca e recuperação de náufrago na praia do Tamariz a 10mts;
  • Busca e deteção da embarcação Super Aguia II com recuperação de cadáver a 50mts de profundidade;
  • Busca da embarcação FABIO JOÃO e recuperação de cadáver em Peniche a 60mts de profundidade;
  • Recuperação de cadáver no SS DAGO em Peniche aos 60 mts profundidade.

Têm participado em diversos Exercícios de operações anfíbias nacionais como sejam as séries  CONTEX e PHIBEX;

Têm vindo a marcar presença em diversos exercícios internacionais de Contramedidas de Minas e de Inativação de engenhos explosivos, como o ALCUDRA (Espanha), SPANISH MINEX (Espanha), OLIVE NOIRE (França), ITALIAN MINEX (Itália), MAGRE (Espanha), DEEP DIVEX (Canadá, Noruega, Portugal) e SANDY BEACH (Alemanha).

História – Os Mergulhadores da Armada

Persiste a dúvida sobre qual terá sido a data exata do aparecimento de mergulhadores na Armada.

A primeira, e muito interessante, referência histórica a atividades com mergulhadores portugueses remonta ao ano de 1580 e foca precisamente uma operação de natureza militar levada a efeito contra navios: "nadadores portugueses, nadando debaixo de água, atacam navios Espanhóis fundeados no rio Tejo procurando danificar-lhes o casco".

Durante três séculos e por falta de elementos bibliográficos, nada se conseguiu saber sobre a atividade de mergulho realizada em Portugal, até que, em 1899, surge o primeiro diploma que regula as atividades dos mergulhadores na Armada.

Com o decorrer dos anos e a par do progresso técnico que a especialidade vai conquistando, não só no plano nacional como também noutros países, novos diplomas surgem com a finalidade de dar resposta às necessidades que se colocam no âmbito do emprego dos seus mergulhadores.

As efemérides, de maior relevo, na história dos mergulhadores da Armada são as seguintes:

1899 Sua Alteza Real o Rei D. Carlos I aprova o Regulamento para a Escola e Serviço de Torpedos que contemplava onze classes de pessoal, em que a oitava se referia a “Natação e Mergulhador”. Os Mergulhadores surgem enquanto classe da Armada.

1913 São promulgadas as primeiras "Disposições relativas ao serviço dos mergulhadores da Armada", constituindo o primeiro regulamento propriamente dito;

1949 É criada na "Direcção do Serviço de Submersíveis" uma "Secção de Mergulhadores e de Salvação", destinada à instrução de mergulhadores, e é aprovado um novo regulamento para os 'Mergulhadores da Armada", no qual fica prevista a instrução de mergulhadores civis;

1953 Foi adquirida a primeira Câmara Hiperbárica (CH) do país, tendo sido instalada na então Escola de Mergulhadores, sediada na Esquadrilha de Submarinos, desencadeando-se de forma pioneira e simultaneamente, a Medicina de Mergulho e Hiperbárica, sob a tutela do Serviço de Saúde da Esquadrilha de Submarinos;

1959 É criado na “Direcção do Serviço de Submersíveis" o "Serviço de Mergulhadores e de Salvação”, para o qual transita a instrução de mergulhadores, e é aprovado um novo regulamento para os "Mergulhadores da Armada", no qual são pela primeira vez criadas diferentes categorias de mergulhadores: Mergulhadores-Sapadores, Mergulhadores Normais e Mergulhadores-Vigias;

1961 É criada a classe de Mergulhadores e é constituído o "Centro de Instrução de Navegação Submarina", destinado à preparação do pessoal de navegação submarina e do serviço de mergulhadores;

1964 São criadas as unidades de Mergulhadores-Sapadores;

1966 É criada a "Secção n.º 1 de Mergulhadores-Sapadores", a qual é atribuída ao ex-Comando da Defesa Marítima da Guiné;

1967 É adquirida pela Escola de Mergulhadores uma 2.ª câmara hiperbárica, dotada de maior capacidade operacional e do ponto de vista tecnológico, mais desenvolvida que a de 1953;

1968 São criadas a especialização em sapador submarino no quadro de praças da Armada, a "Secção n.º 2 de Mergulhadores-Sapadores" e a "Escola de Submarinos e de Mergulhadores", e é promulgada legislação que regula a prática do mergulho amador e as atribuições da Marinha no campo do ensino desta modalidade;

1973 São criados os destacamentos de mergulhadores-sapadores nos 1 e 2 e é criada a Escola de Mergulhadores, a qual, para além das suas atribuições no âmbito do ensino, integra o "Serviço de Mergulhadores e Salvação" (com atribuições no âmbito da logística do mergulho);

1975 São desativados os destacamentos de mergulhadores-sapadores nos 1 e 2, após a extinção do Comando de Defesa Marítima da Guiné, passando a atividade operacional dos mergulhadores a ser assegurada pela Escola de Mergulhadores;

1979 É aprovado um novo regulamento para os "Mergulhadores da Armada", no qual são pela primeira vez englobados os mergulhadores em serviço militar obrigatório;

1988 O Destacamento de Mergulhadores Sapadores Nº1 é reativado em 1 de Junho, dada a necessidade de existir uma unidade operacional especialmente vocacionada para a área do mergulho militar;

1994 É extinto o Centro de Instrução de Minas e contramedidas e são assim transferidas para a Escola de Mergulhadores, nas mesmas instalações, as responsabilidades do ensino da inativação de engenhos explosivos;

É promulgado o Regulamento do Mergulho Profissional. A Escola de Mergulhadores constitui-se, até à atualidade, como única escola a ministrar cursos de mergulhador profissional em Portugal;

1995 O Destacamento de Mergulhadores Sapadores Nº2 é reativado em 1 de Janeiro;
Toda a atividade operacional é retomada pelos destacamentos, ficando cometidas à Escola de Mergulhadores, exclusivamente tarefas de instrução;

2002 Em 18 de Janeiro é entregue ao Serviço de Mergulho uma câmara hiperbárica contentorizada, permitindo o seu embarque nas corvetas, fragatas, navios hidrográficos e LDG NRP Bacamarte;

2004 É criado o Agrupamento de Mergulhadores Sapadores que compreende um Comandante, o Serviço de Mergulho e a Escola de Mergulhadores;

2008 É ativado o Destacamento n.º 3 de Mergulhadores - Sapadores para a Guerra de Minas (DMS-MW) em 12 de Junho;

2009 São adquiridos os primeiros Veículos Autónomos Submarinos (AUV - Autonomous Underwater Vehicle) que vieram equipar o DMS-MW, conferindo uma nova capacidade de deteção e identificação de minas.

2010 São entregues as novas instalações à Esquadrilha de Submarinos, que albergam, até à atualidade, todas as unidades de mergulhadores, sediadas no Alfeite.

​​​​