Hidrográficos

Navio especialmente construído ou equipado para a execução de trabalhos hidrográficos ou oceanográficos. Tem diversas capacidades científicas e técnicas para corresponder às atividades de Investigação e desenvolvimento. Podem dispor de áreas laboratoriais para pesquisar parâmetros biológicos, físicos e químicos, entre outras capacidades. Executam, em regra, missões de carácter científico de apoio às operações militares e à comunidade científica, em águas nacionais e internacionais.
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NRP Almirante Gago Coutinho
NRP Almirante Gago Coutinho
NRP Almirante Gago Coutinho
Galeria de Imagens

Classe D.Carlos

 

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Características
Deslocamento 2285t
Comprimento 68,3m
Boca 13,1m
Calado Máximo 5,6m
Propulsão
​Velocidade Máxima 10nós​
​Velocidade de Cruzeiro 9nós​
Armamento
Paióis para carga sólida 50m3
Laboratório húmido 18m2
Centro de aquisição de dados 32m2
Sala de processamento 30m2
Convés de trabalho 100m2
Espaço para contentores 1 TEU
Guarnição
Oficiais 6
Sargentos 7
Praças 21
Lançamento à água: Jan-1985
Transferido para a Marinha Portuguesa: 30-Set-1999
Passou ao estado de desarmamento: 26-Jan-2000
Conversão em navio hidrográfico e entrada ao serviço: 26-Abr-2007
Brasão de Armas

Brasão de Armas

Esquartelado de ouro e púrpura, com um astrolábio entre cambado. Coronel naval de ouro forrado de vermelho. Sotoposto, listel de prata, enrolado, com a legenda em letras negras, maiúsculas, de tipo elzevir NRP ALMIRANTE GAGO COUTINHO.

 

Patrono

PATRONO

O Vice-almirante Carlos Viegas Gago Coutinho, distinto oficial da Armada e notável geógrafo e navegador, nasceu em Lisboa a 17 de novembro de 1869, onde fez o curso do Liceu e, depois de frequentar a Escola Politécnica, em 1885-86, entrou na Escola Naval, concluindo o  curso em 1888. Em 1889, fazendo parte da guarnição da corveta Afonso de Albuquerque, tomou parte nas operações militares do Tungue e em 7 de março de 1891 foi promovido ao posto de Segundo-Tenente. Como oficial de guarnição embarcou no couraçado Vasco da Gama, nas canhoeiras Liberal, Zambeze, Limpopo e Douro, nas corvetas Duque da Terceira, Rainha de Portugal e Mindelo e nos transportes Pedro de Alenquer e Índia.

Comandou as canhoeiras Sado e Pátria e a lancha-canhoeira Lage. Como comandante da "Pátria", tomou parte ativa na campanha de Timor, de abril a junho de 1912, pelo que foi louvado. Além de uma brilhante folha de serviços prestados na Marinha de Guerra, teve este oficial uma importante ação como geógrafo notável em trabalhos geodésicos, topográficos e de delimitação das fronteiras das nossas colónias.

Em 1898 fez parte, como adjunto, da comissão de delimitação do distrito de Timor. Em 1900 foi nomeado delegado por parte de Portugal para a delimitação da fronteira luso-britânica dos territórios do Niassa. Em 1901, como comissário de Portugal, fez parte da comissão de delimitação da fronteira luso-belga de Noqui ao Cuango. Em 1904 e 1905 dirigiu a delimitação das fronteiras ao norte e sul de Tete.

Em 1906, como chefe da missão geodésica na África Oriental, iniciou o levantamento da carta desta colónia, fazendo a sua ligação geodésica com a da África do Sul. De 1912 a 1914 foi o chefe da delimitação da fronteira de Angola com o Barotze. Em 1916, como chefe da missão geodésica de S. Tomé, realizou nesta ilha notáveis trabalhos, de que é testemunho o brilhante relatório que apresentou e pelo qual foi louvado por "mais uma vez ter revelado a sua alta capacidade cientifica que honra o País e a Corporação a que pertence". Em 1918 foi nomeado vogal da comissão de Cartografia de que veio a ser presidente em 1925.

O seu muito saber ,de geógrafo e navegador de larga experiência, e o seu espírito empreendedor e investigador, levaram-no a dedicar-se ao estudo da navegação aérea, ainda incipiente nessa época. Para este fim, ligou-se ao seu antigo companheiro de trabalhos geográficos, nas colónias, o capitão-tenente Sacadura Cabral,  distinto aviador da Marinha, e num trabalho, que de princípio se fez em muito segredo, começaram a realizar voos experimentais para o estudo de novos métodos de navegação aérea, já com o objetivo de efetuar a travessia aérea de Lisboa ao Rio de Janeiro.

Em 1921, Gago Coutinho como navegador, faz com Sacadura Cabral uma viagem aérea experimental de Lisboa ao Funchal, em que se pôde na prática verificar, a exatidão dos novos processos de navegação e pelos quais foi louvado. E é então que, em 1922 (março - junho), no modesto hidroavião do tipo Fairey F III-D Lusitânia, aqueles dois oficiais, realizam a travessia aérea de Lisboa ao Rio de Janeiro, que havia de ficar memorável.

Esta travessia que foi a primeira que se realizou entre a Europa e a América do Sul, foi também a primeira em que se fez navegação aérea com rigor e por métodos expeditos próprios para a navegação aérea, fazendo Gago Coutinho uso de tábuas de navegação, especialmente adaptadas para este fim, e de um sextante de sua invenção cujo modelo foi mais tarde reproduzido por uma firma alemã desta especialidade. Esta travessia teve uma repercussão mundial importante e trouxe não só para Gago Coutinho e Sacadura Cabral um renome que ultrapassou as fronteiras, como honra para o nosso País.

A navegação aérea, que até à data tinha sido feita um pouco ao acaso, apoiando-se o piloto apenas no rumo da agulha, passou a ser feita por processos rigorosos, práticos e expeditos. Por este feito glorioso foi promovido, por distinção, ao posto de Contra-almirante e condecorado com o grau da Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, e com o mesmo grau da Ordem Militar de Santiago da Espada. Por este  motivo a França, onde ele e Sacadura Cabra foram recebidos na Sorbonne, agraciou-o com a comenda da Legião de Honra. O Brasil concedeu-lhe a condecoração da Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul e a Espanha as medalhas do Mérito Naval e Mérito Militar. A Bélgica e a Itália também o agraciaram, refletindo o significado e o apreço que o mundo  deu a esta memorável travessia aérea.

Em 1926 foi nomeado diretor honorário da Aeronáutica Naval Portuguesa, sendo-lhe concedido o uso do distintivo de piloto aviador, encimado por duas palmas. Neste mesmo ano passou a exercer o cargo de vogal do Concelho Superior das Colónias e em 1928, foi eleito sócio efetivo da Academia de Ciências de Lisboa, de que já era correspondente desde 2 de junho de 1921. Pela sua muita competência como geógrafo, foi nomeado em 1928 pelo Ministério da Guerra, presidente da comissão para propor a reorganização dos serviços geográficos, cadastrais e cartográficos.

Nesse mesmo ano também passou a fazer parte, como vogal, da comissão encarregada de estudar o estabelecimento de um aeroporto nos Açores e a navegação aérea para as Colónias. Pelo Ministério das Colónias foi em 1928, encarregado de proceder a estudos cartográficos em França e Itália e de estudar no Brasil os documentos cartográficos que interessassem à nossa História. Em 1930 passou a fazer parte da comissão organizadora do Museu da Marinha e em 1931, foi nomeado pela Presidência do Ministério para fazer parte da comissão encarregada de organizar as festas do centenário de Nuno Álvares Pereira e foi também agregado à comissão da História da Colonização Portuguesa e da nossa expansão no Mundo. Em 1923 foi encarregado de proceder ao estudo dos resultados experimentais dos modernos processos de levantamento aéreo na Itália, França e Brasil e em 1933 passou a fazer parte da comissão encarregada de proceder ao estudo do projeto do monumento ao Infante D. Henrique em Sagres. Ainda em 1933 volta novamente a Moçambique para proceder a trabalhos geográficos, passando à reserva, a seu pedido, em 3 de agosto de 1934.

Em 1936 foi nomeado para fazer parte da Comissão Orientadora da Exposição Histórica da Ocupação e do primeiro Congresso da Expansão Portuguesa no Mundo.

Publicou em várias revistas tais como os Anais do Clube Naval, o Boletim da Sociedade de Geografia, Seara Nova, e em jornais portugueses e brasileiros, numerosos artigos sobre a navegação e os descobrimentos Portugueses, onde revelou sempre o seu muito saber e o seu espírito de investigador. Fez várias conferências em Portugal e no Brasil e publicou ainda vários trabalhos sobre a teoria da relatividade restrita. Durante a sua atividade o estudo das viagens dos descobrimentos marítimos e das rotas dos veleiros nos séculos XV e XVI ocuparam um lugar muito importante.

Tomou parte, como representante de Portugal, no Congresso de Navegação Aérea em Roma, em 1928, e em 1932, nesta mesma cidade, tomou também parte na Reunião dos Aviadores Transatlânticos.

Como presidente da Comissão de Cartografia concorreu eficazmente para a criação da Missão Geográfica de Moçambique e para a solução definitiva da fronteira luso-belga na região do Dilolo.

Além de sócio da Academia de Ciências de Lisboa foi também vogal da Academia de Ciências de Portugal, sócio da Academia de História, sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, sócio honorário da Sociedade de Geografia de Lisboa, sócio da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro e de outras associações científicas brasileiras. Possui as ordens honoríficas já mencionadas atrás e ainda a Ordem do Império Colonial, Grã-Cruz de Avis, a medalha comemorativa das Campanhas do Exército Português, etc.

Em fevereiro de 1939 foi reformado no posto de Vice-almirante, encerrando assim nesta data a sua vida oficial ativa, que foi principalmente dedicada a trabalhos geográficos e ao estudo da navegação aérea, que teve como ponto culminante a travessia aérea de Lisboa ao Rio de Janeiro em que o seu nome se notabilizou e o do País se engrandeceu. Fora da vida oficial, a sua atividade de homem estudioso continuou.

Factos

  • Do equipamento científico do navio contam-se:
    • Sistemas sondadores multifeixe, que permitem a execução de levantamentos hidrográficos até aos 11 000 metros de profundidade;
    • Perfilador acústico de correntes, possibilitando a medição de correntes até aos 700 metros de profundidade;
    • Perfilador de sedimentos, para levantamentos sísmicos;
    • Perfiladores de velocidade de propagação do som na água, que permite colheitas até aos 2 000 metros de profundidade.
  • Desde maio de 2007, com a atual configuração, o NRP Almirante Gago Coutinho executou diversas missões de carácter científico em águas nacionais e internacionais, de destacar:
    • Apoio às operações navais;
      levantamentos hidrográficos para o projeto de extensão da plataforma continental;
    • Campanhas oceanográficas para o estudo do ambiente marinho, no âmbito de vários projetos de monitorização ambiental, como o observatório submarino do canhão da Nazaré;
    • Levantamentos geofísicos para caracterização do fundo e subsolo marinho.
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