Veleiros

A missão fundamental dos veleiros é proporcionar um amplo e profundo contacto com a vida do mar às novas gerações. Tem ainda como missão primária, a representação da Marinha e do País em apoio direto à ação diplomática do Estado. Portugal tem mantido a tradição da utilização de grandes veleiros como Navios-escola e Navios de Treino de Mar para complemento da formação teórica ministrada pela Escola Naval, aos futuros oficiais da Armada, e o contacto com a vida do mar à sociedade civil.
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NTM Creoula
NTM Creoula
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Galeria de Imagens

Características
Tipo Lugre de 4 mastros
Deslocamento 1300t
Comprimento 67,4m
Boca 9,9m
Calado 4,7m
Altura dos Mastros 36m
Propulsão
Velocidade Máxima (Motor) 5nós
Guarnição
Oficiais 5
Sargentos 6
Praças 29
Capacidade de embarque
Diretor de Treino 1
Instruendos 51
Nº Milhas percorridas
Bacalhoeiro 300.000
(15 voltas ao mundo)
Navio Treino Mar 100.000
(5 voltas ao mundo)
Total 400.000
(20 voltas ao mundo)
Lançamento à água: 10-Mai-1937
Entrada ao serviço (Bacalhoeiro): 19-Mai-1937
Entrada ao serviço (Navio de Treino de Mar):1987

O Creoula é um lugre de quatro mastros. Construído no início de 1937 nos estaleiros da CUF, em Lisboa, para a Parceria Geral das Pescarias, o navio foi lançado à água no dia 10 de Maio e efectuou ainda nesse ano a sua primeira campanha da pesca do bacalhau.

Um número a reter é o facto de o navio ter sido construído no tempo recorde de 62 dias úteis.As obras-vivas a vante, com particular destaque para a roda da proa, tiveram construção reforçada uma vez que o navio iria navegar nos mares gelados da Terra Nova e Gronelândia.Até à sua última campanha em 1973, o navio possuía mastaréus, retrancas e caranguejas em madeira.

O gurupés, conhecido como "pau da bujarrona", que também era em madeira, deixou de existir em 1959, passando o navio a dispor apenas de duas velas de proa: giba e polaca. As velas que agora são em dacron, material sintético mais leve e mais resistente, eram na altura feitas de lona de algodão, possuindo o navio duas andainas de pano, que eram manufacturadas pelos próprios marinheiros de bordo.

Cada andaina era composta por: giba, bujarrona, polaca, traquete, contra-traquete, grande e mezena, mais três estênsulas como gavetopes de entremastros, e um pendão redondo de içar no mastro do traquete. Além deste pano havia dois triângulos de tempo para envergar no mastro da mezena. O pano latino era feito com lona de algodão nº 2, o velacho (redondo) com lona de algodão nº 4 e as extênsulas com algodão nº 7, o mais resistente. As tralhas das velas eram em cabo de manila.

Quanto ao aparelho fixo, esse sempre foi em aço, mas o de laborar era outrora em sizal. O espaço que medeia hoje entre a zona da cobertura de vante (coberta das praças) e a casa da máquina, era na época o porão do peixe e em cujos duplos fundos se fazia a aguada do navio.

O navio estava assim dividido em três grandes secções por duas anteparas estanques que delimitavam, a vante e a ré, o porão do peixe. A vante do porão ficavam os alojamentos dos pescadores, o paiol de mantimentos e as câmaras frigoríficas para o isco; a ré, os alojamentos dos oficiais, a casa da máquina, os tanques do combustível, o paiol do pano e aprestos de pesca. tinha ainda nos delgados de vante e de ré vários piques utilizados como reserva de aguada, armazenamento de óleo de fígado, carvão de pedra para o fogão e óleos lubrificantes.

Todo o interior do navio era revestido a madeira de boa qualidade e o porão calafetado para evitar o contacto da moura com o ferro. O mastro de vante (traquete) servia de chaminé à caldeirinha e ao fogão a carvão, fogão este que se encontra no Museu Marítimo de Ílhavo.

Em 1979 o Creoula foi adquirido por compra à Parceria Geral de Pescarias pela Secretaria de Estado das Pescas, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura, com a finalidade de nele ser instalado um museu de pesca. Na primeira docagem levada a efeito, verificou-se que o seu casco se encontrava em ótimas condições, tendo então sido deliberado que o navio se manteria a navegar e seria transformado em Navio de Treino de Mar (NTM) e entregue à Marinha Portuguesa para apoio na formação de pescadores e possibilitar a vivência de jovens com o mar. Para tal, a zona de meio navio, onde ficava o porão de peixe, foi redimensionada e aproveitada para as cobertas de instruendos, camarotes e câmara de sargentos, refeitório das praças e instruendos, casas de banho e estação tratadora de esgotos.

Em 1992 o navio sofreu algumas alterações na zona de meio navio, de que se destaca o aproveitamento duma das cobertas de 9 instruendos em benefício de um espaço que funciona como biblioteca e sala de aulas.

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