Revista da Armada - page 20

DEZEMBRO 2014
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REVISTA DA ARMADA
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Dos 10 navios patrulha da classe Cacine, construídos entre 1969
e 1973 restam apenas 3 operacionais, e mesmo estes já indiciam
a existência de danos estruturais insuperáveis que impedem o seu
prolongamento de vida por mais do que dois a três anos. O navio
balizador
Schultz Xavier
tem sido utilizado na capacidade de patru-
lha e fiscalização, encontrando-se em semelhante período de vida e
estadomaterial. Estes quatro navios têmmais de 40 anos de serviço,
tendo há muito ultrapassado a sua vida útil. Para substituição dos
navios patrulha estava programada a construção de cinco lanchas
de fiscalização costeira. As dificuldades financeiras que o país atra-
vessa desde 2008 levaram ao sucessivo adiamento deste programa.
A Marinha Dinamarquesa construiu nos anos 80 do século XX
um conjunto de 14 navios patrulha, da classe Flyvefisken – Stan-
dard Flex 300 (SF300), que tinham uma estrutura base comum e
dispunham de quatro espaços, um à proa e três à popa, para co-
locação de módulos contentorizados de armamento, sensores e
equipamentos. Esta arquitetura funcional permitia cobrir múlti-
plas atividades de ação da Marinha, assegurar a interoperabilida-
de entre navios, proporcionar uma contínua flexibilidade na con-
figuração e reconfiguração dos navios, e simplificar a logística da
sua sustentação ao longo do ciclo de vida. Esta contentorização
dos navios resultou na possibilidade de os configurar diferencia-
damente para ações de vigilância, combate, guerra anti-submari-
na, lança-minas, levantamentos hidrográficos, pesquisa oceano-
gráfica, caça-minas e combate à poluição do mar.
Por alteração do seu conceito estratégico, a Dinamarca colocou
à venda uma série destes patrulhas. A estabilidade política na Eu-
ropa desde o fim da Guerra Fria levou este país a alterar o foco de
ação da sua Marinha, da defesa próxima do território para a pro-
jeção de força fora da sua área de interesse nacional permanente.
Esta alteração implicou a desativação de um conjunto alargado de
navios patrulha em fase de meia vida e a aquisição de navios do
tipo fragata e polivalente logístico de grandes dimensões.
A conjugação da necessidade nacional e da disponibilidade di-
namarquesa levou à realização de uma visita técnica da Superin-
tendência dos Serviços do Material aos navios STANFLEX 300 e ao
início do processo de avaliação e consequente decisão de aquisi-
ção de quatro destas unidades.
Os navios do tipo STANFLEX 300 foram construídos em três sé-
ries distintas. Os navios em processo de aquisição pertencem à
2ª série, sendo atualmente denominados
Glenten
,
Ravnen
,
Ska-
den
e
Viben
. No que se refere às suas principais características,
o comprimento é de 54 metros, a boca tem 9 metros, o calado
máximo é de 3,5 metros (hélices) e o deslocamento é de cerca de
500 toneladas. No que se refere ao desempenho, os navios têm
uma autonomia de 2400 milhas a 18 nós, capacidade de armaze-
namento de víveres para 7 dias e uma velocidade máxima de 30
nós. Em termos de referência para o dimensionamento do navio
foi utilizado um espetro de agitação marítima com uma altura
significativa de 3,5 metros e vento força 5 na escala de Beauford.
Quanto à operação, os navios estão classificados como podendo
operar no inverno até uma distância de 20 milhas de porto ou
fundeadouro seguro. Esta distância passa para 50 milhas no ve-
rão e 100 milhas nas zonas tropicais. A guarnição é de 20 milita-
res e a capacidade de alojamento é de 29, em quinze camarotes.
No que se refere à propulsão, os navios estão equipados com
dois motores
diesel
MTU associados a dois veios e hélices de passo
variável, que lhes permitem atingir uma velocidade de 20 nós. De
origem, para além destes motores, os navios dispõem de uma tur-
bina a gás
General Electric
, associada a um terceiro hélice de passo
fixo, que em configuração CODAG (motores diesel e turbina a gás
em funcionamento simultâneo) permite atingir uma velocidade de
30 nós. A produção de energia é assegurada através de três grupos
eletrogéneos. Para manobra, estes navios estão dotados de 3 le-
mes e um propulsor de proa. O casco é de fibra plástica reforçada.
O custo de aquisição de cada navio é de um milhão de euros.
Todavia, este valor corresponde ao seu estado atual, que apenas
inclui a plataforma e a propulsão. A sua ativação implica dotar o
navio de todos os equipamentos e sensores de navegação e de
comunicações. Estima-se que os fabricos e aquisições de equipa-
mentos para aprontamento dos navios ascenda a cerca de seis
milhões de euros por unidade. Tendo por base o seu estado ma-
terial atual é espectável que, após a sua reativação, estes meios
disponham de uma vida útil entre 10 e 15 anos.
Para o processo de reativação existem várias oportunidades de
utilização de estaleiros e empresas nacionais, com destaque para
a Base Tecnológica e Industrial de Defesa (BTID), estimando-se
poder alocar-lhes cerca de 65% do investimento necessário em
equipamentos e mão-de-obra.
Em 24 de outubro de 2014, na Base Naval de Lisboa, foi as-
sinado o contrato de aquisição de quatro navios do tipo STAN-
FLEX 300 à Dinamarca. A cerimónia foi presidida pelo Ministro
da Defesa Nacional, Dr. José Pedro Aguiar-Branco, e contou com
as presenças do CEMGFA, General Pina Monteiro, da Secretá-
ria de Estado Adjunta e da Defesa Nacional, Drª Berta Cabral, e
do CEMA/AMN, Almirante Macieira Fragoso. De acordo com o
planeamento preliminar, os navios deverão ser rebocados para
Portugal nos primeiros meses de 2015, e a sua modernização
será feita no Arsenal do Alfeite. Os primeiros dois navios deve-
rão estar prontos a integrar o efetivo naval no início de 2016 e
os restantes dois em 2017. O investimento, incluindo aquisição e
modernização, ronda os 28 milhões de euros.
Colaboração do
EMA
Fotografias cedidas pela "Danish Defense Acquisition
and Logistics Organization" − Dinamarca
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