Revista da Armada - page 10

MARÇO 2015
10
REVISTA DA ARMADA
|
494
QUE FUTURO?
COMANDO NAVAL
A
s operações, no presente, são uma nova arte no mundo
global em que estamos inseridos, para a qual é necessário
contribuir, através de soluções passíveis de liderar os processos
de mudança, garantir a vanguarda da doutrina, promover a
supremacia na informação e assegurar a eficácia no desempenho
no domínio marítimo.
As velhas ameaças rejuvenesceram e transformaram-se em
novas realidades, sinalizando a sua aparição em teatros de ope-
ração que apresentam características totalmente diferentes
das existentes num passado recente, arrastando para o domí-
nio marítimo contornos de incerteza e imprevisibilidade assina-
láveis, constituindo-se como ameaças à defesa e segurança do
Estado e dos seus cidadãos, bem como à estabilidade da comu-
nidade internacional.
A participação em operações, cujo ambiente circundante é a
população, o cidadão comum (“
The war amongst the people
”),
bem como os teatros com ameaça assimétrica constituem, no
presente, uma realidade complexa. Em resposta, os conceitos
evoluem, procurando balizar, controlar e extinguir as novas for-
mas de conflito e contribuir para a segurança das populações e
da comunidade internacional.
Na sequência da implementação do programa da “Reforma
2020” que representa reajustamentos e alterações muito signifi-
cativas nas Forças Armadas, num ambiente de fortes restrições de
recursos financeiros, humanos e materiais, o período que se avizi-
nha afigura-se como uma oportunidade para uma mudança de cul-
tura, cimentada no que de melhor fomos capazes de construir no
passado e que traduza um novo alento para as gerações vindouras.
Neste cenário em permanente mudança torna-se indispensá-
vel proceder à revisão dos mecanismos e das modalidades de
atuação, bem como assumir a necessidade de participar em ope-
rações com meios e capacidades ágeis, flexíveis, facilmente pro-
jetáveis e prontos para integrarem ambientes multidisciplinares.
É assim que o Comando Naval do presente deverá estar foca-
lizado no produto operacional da Marinha, preparado para en-
frentar os desafios do futuro, através da maximização do empre-
go operacional e da sustentação, para assegurar o cumprimento
da missão com eficácia, através de:
− Uma resposta adequada, e de forma autónoma, aos re-
quisitos exigidos nos diferentes teatros de operações, num
contexto de soberania ou em cumprimento de compromissos
assumidos internacionalmente;
- Padrões de desempenho que permitam o emprego de meios
e forças de forma credível e sustentável;
− Estruturas de funcionamento mais ágeis, de forma a concen-
trar o esforço, e os recursos, na componente operacional.
Nesta medida, com o intuito de assegurar o aprontamento
de forças e meios, e garantir a capacidade de comando e con-
trolo, em apoio ao exercício do comando do Almirante CEMA,
foram estabelecidos três grandes objetivos, concorrentes para
a satisfação dos estabelecidos na Diretiva de Planeamento da
Marinha 2014, e que contribuem decisivamente para a visão do
CEMA de uma Marinha pronta e credível na defesa dos interes-
ses de Portugal no mar:
− Incrementar a vigilância e o controlo dos espaços marítimos
sob jurisdição e soberania nacional;
− Incrementar a prontidão das forças e meios operacionais;
− Melhorar a estrutura organizacional e os processos do setor.
Para este efeito, concorrem ainda, o fortalecimento dos valores
referência da Marinha, a Disciplina, a Lealdade, a Honra, a Integri-
dade e a Coragem, que conduzem à edificação de um espírito de
equipa fundamental para a coesão na ação, no reforço da responsa-
bilidade indispensável para atingir a confiança e a credibilidade de-
sejável na cooperação, bem como no desenvolvimento dos proces-
sos de inovação com vista à materialização dos objetivos propostos.
Os constrangimentos são geradores de oportunidades. Neste
contexto, em que a dificuldade de acesso aos recursos é trans-
versal, resulta uma oportunidade para promover uma atitude
significativamente mais colaborativa, entre todas as entidades e
organizações com competências no espaço marítimo de respon-
sabilidade nacional, fomentando o relacionamento e a partilha de
conhecimento, explorando conceitos de natureza militar de “co-
mando apoiante/comando apoiado”, no sentido de gerar sinergias
potenciadoras de uma maior eficácia da ação do Estado no mar.
Acresce que a nova Estratégia para o Mar fomenta a capacidade
de ação centrada na multidisciplinaridade e na cooperação intera-
gência, conduzindo naturalmente amelhores práticas no uso domar.
Por outro lado, as relações bilaterais e a participação de Por-
tugal nas alianças e organizações internacionais, através do in-
cremento da cooperação, constituem-se como elemento multi-
plicador para a segurança global, permitindo contribuir para a
atualização da doutrina e dos procedimentos, e para a manuten-
ção, aferição e certificação das capacidades da Marinha para em-
pregar nos diversos teatros.
1,2,3,4,5,6,7,8,9 11,12,13,14,15,16,17,18,19,20,...36
Powered by FlippingBook