Revista da Armada - page 11

REVISTA DA ARMADA
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MARÇO 2015
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As constantes evoluções tecnológicas permitem também de-
senvolver novas abordagens sustentadas no processamento, ges-
tão e análise de informação, assim como a implementação dos
adequados sistemas de apoio à decisão com vista ao empenha-
mento eficiente das forças e meios.
A renovação da esquadra impõe soluções que conduzam à re-
visão do conceito do modelo de emprego de capacidades e à
adoção de novos procedimentos e metodologias para o empe-
nhamento dos limitados recursos disponíveis.
A crescente relevância do mar reforça ainda a necessidade de
garantir o seu uso na justa medida dos interesses de Portugal,
salvaguardando as dimensões de defesa e de segurança, promo-
vendo a investigação e o conhecimento científico, o desenvolvi-
mento da atividade económica, o progresso e o estabelecimento
de um clima de confiança entre os vários intervenientes.
É comesta atitude que diariamente, no campo da honra, nomar, se
consolidará a visão expressa de «Maximizar o emprego operacional e
a sustentaçãopara assegurar o cumprimentodamissão, comeficácia».
Dos objetivos definidos decorrem três pilares estratégicos para
o cumprimento da missão do CN:
● 
Empenhamento operacional, que se consubstancia:
− No incremento da disponibilidade das forças e meios operacio-
nais de modo a garantir o cumprimento das missões que decor-
rem dos compromissos nacionais e internacionais;
− Na necessidade de mitigar a obsolescência tecnológica regis-
tada e que impõe a procura de novas e inovadoras soluções que
permitam a sustentação das capacidades;
− No esforço para assegurar a manutenção de capacidades edi-
ficadas só possíveis de justificar pela evidência da sua valia estra-
tégica, e pelo reconhecimento da excelência de desempenho dos
nossos marinheiros. A experiência e a capacidade demonstradas
são prova de competência, profissionalismo, dedicação, e vonta-
de de bem servir, predicados das melhores tradições navais.
− Na exploração de uma componente operacional edificada com
o objetivo de potenciar uma utilização versátil dos meios, com
capacidade de atuação «multirole/multipurpose» em diferentes
cenários, alargando o respetivo espectro de opções de emprego,
privilegiando uma lógica de economia de esforço, por partilha de
conhecimento e de recursos.
● 
Conhecimento situacional, que se materializa:
− No incremento da vigilância e o controlo dos espaços maríti-
mos sob jurisdição e soberania nacional, promovendo a partilha
de informação e do conhecimento;
− Na unidade de comando, sustentada numa sólida estrutura de rede
e de comunicações, atributo reconhecido ao nível nacional e interna-
cional, e que representa uma via para a excelência da ação no mar;
− Na necessidade de edificar a capacidade de cyber defesa, no
sentido de estar preparado para uma nova dimensão da guerra.
● 
Restruturação organizacional, que se promove:
− Na melhoria da estrutura organizacional e dos processos do se-
tor, permitindo uma gestão racional e equilibrada dos recursos dis-
poníveis, como suporte ao cumprimento da missão com eficácia;
− Na obtenção e na gestão criteriosa de recursos, que no âmbito
do recrutamento e na esfera orçamental, constituem-se como o
maior desafio, em que servir nas unidades operacionais terá de
representar um campo de ação atrativo e aliciante, preenchendo
por completo a vocação de ser marinheiro;
− Na adoção de modelos mais versáteis, sendo por isso impera-
tivo repensar a atual estrutura organizativa das unidades, entida-
des e órgãos dependentes, tornando-a mais flexível e adequada,
orientada no princípio da concentração do esforço.
● 
Para este efeito, considera-se prioritário:
− A transferência do Comando Naval para a BNL, numa lógica de
exercício do comando de proximidade, bem como a alteração da
sua orgânica, decorrente da eliminação de comandos adminis-
trativos intermédios, em particular a integração da Flotilha e a
edificação de uma nova Esquadrilha de Superfície;
− A atualização do COMAR, numa perspetiva de desenvolvimen-
to das capacidades indispensáveis à condução das operações no
domínio marítimo, no combate às ameaças e riscos existentes,
materializando um esforço na melhoria do conhecimento situa-
cional marítimo, na obtenção da superioridade da informação e
no incremento da rapidez no apoio à decisão;
− A reestruturação do Corpo de Fuzileiros, sustentada numa ló-
gica de integração dos elementos de força em unidades de ele-
vada prontidão, sem contudo descurar a capacidade de gerar as
valências necessárias para edificar e projetar uma capacidade an-
fíbia de forma autónoma, que, concorrendo para a própria coe-
rência do sistema de forças da Marinha, seja capaz de contribuir
para a materialização do conceito de força expedicionária.
A velocidade crescente da mudança e a mutação vertiginosa dos
riscos associados constituem motivo suficiente para que nenhum
Estado negligencie a vigilância e a segurança dos seus espaços ma-
rítimos, nem a dissuasão de atos ilícitos neles praticados, razão
pela qual a componente naval representa um instrumento indis-
pensável à afirmação da determinação e à expressão da vontade
em defender direitos e preservar o património nacional.
O quadro de valores dos que servem a Marinha, a bordo, no
mar, a partir do mar ou em terra, gera um sentimento de partilha,
constrói o espírito de corpo e cimenta a coesão. A lealdade, a ca-
maradagem, o sentido de responsabilidade e o espírito de missão
são aqui consolidados de forma ímpar, o que confere uma vanta-
gem competitiva, amplamente reconhecida e que devemos pre-
servar e incrementar. Neste âmbito, importa relevar o contributo e
o esforço de todos os setores para o produto operacional da Mari-
nha a fim de ser minimizado o impacto das várias restrições que se
fazem sentir, e continuar a cumprir a missão.
É neste entendimento que se pretende consolidar o presente e
preparar o futuro, numa perspetiva (inter)setorial, devidamente
alinhada com a DPM em vigor.
Pereira da Cunha
VALM
Comandante Naval
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