Revista da Armada - page 6

MARÇO 2015
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REVISTA DA ARMADA
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NRP
ÁLVARES CABRAL
MISSÃO A CABO VERDE
INTRODUÇÃO
Após um silencioso sono de 19 anos, no passado dia 23 de
novembro o imponente vulcão da Ilha do Fogo, uma formidá-
vel ilha-montanha com 2829 metros de altitude situada em
pleno Atlântico, despertou. Para o olhar de quem vem de lon-
ge, facilmente se constata que a Ilha do Fogo, toda ela, é um
enorme registo material da génese vulcânica do arquipélago
cabo-verdiano.
Camada após camada, o tempo histórico e a cor da paisagem
facilmente nos transportam a imaginação muito para além da
memória humana, recordando que as pontuais erupções da his-
tória do Fogo, representam a contínua, porém frágil, relação en-
tre o Homem e a Natureza que o rodeia.
Na manhã do passado dia 23 de novembro, com o suspeito
prenúncio de atividade sísmica, uma das câmaras secundá-
rias do sistema vulcânico da montanha do Pico do Fogo gerou
uma erupção de magma às 09h45 na face oeste do cone prin-
cipal. O fluxo de lava irrompeu desde então, mantendo-se en-
quanto o navio permaneceu na área, de uma forma contínua,
embora a diversas velocidades, causando dois caudais de lava
principais, um para sul e outro para noroeste. Nos dias que
se seguiram à erupção inicial, a descarga de material vulcâni-
co variou entre violentas explosões piroclásticas e emissões
de gases, em paralelo com o fluxo de lava que desde então
se mantém.
A região da caldeira, protegida a Oeste pela alta escarpa rocho-
sa de uma antiga parede vulcânica e a Leste pelo Pico do Fogo, é
conhecida por ser especialmente fértil, nomeadamente na pro-
dução de viticultura, o que levou à fixação de diversas popula-
ções locais ao longo do tempo.
A erupção de 24 de novembro em pouco tempo ameaçou
diretamente as populações locais da Chã das Caldeiras. As lo-
calidades mais afetadas foram a Portela e Bangaeira, primei-
ro uma depois a outra, viram-se forçadas a ser abandonadas
face ao movimento da lava. As populações foram rapidamen-
te recolocadas para povoados vizinhos, tendo, no entanto,
de deixar todos os seus pertences para trás. Na semana se-
guinte o avanço contínuo da lava viria a consumir dezenas
de casas, edifícios municipais, igrejas e instalações de saúde
e ensino.
RESPOSTA AO PEDIDO DE AJUDA INTERNACIONAL
Com o agravamento da situação no Fogo, o Governo de Cabo
Verde emitiu um pedido internacional de apoio. Portugal respon-
deu prontamente com o envio de uma unidade naval para o terri-
tório de Cabo Verde (28 de novembro a 14 de dezembro).
A fragata NRP
Álvares Cabral,
que se encontrava na fase final
do seu Plano de Treino Operacional, foi o navio empenhado para
a operação
DJARFOGO
.
Em pouco menos de 48 horas, o navio preparou-se para a
missão embarcando diverso material e equipamento de apoio
às autoridades locais, proveniente de diversas instituições na-
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