Sr. Ministro da Defesa Nacional, Excelência,
A presença de Vossa Excelência confere a esta cerimónia especial significado e lustre, o que muito distingue a Marinha e, em particular, a Escola Naval, berço de tantas gerações de oficiais que, no Mar, mas também nos mais diversos domínios, deram o seu melhor em prol de Portugal.
Permita-me ainda, Sr. Ministro da Defesa Nacional, que lhe agradeça ter aceitado presidir a esta cerimónia, na sua primeira vinda à Marinha após a minha tomada de posse do cargo de Chefe de Estado-Maior da Armada, o que para mim assume particular significado, pelo apoio que Vossa Excelência evidencia com este gesto que, reconhecidamente, lhe agradeço.
Senhor Secretário de Estado da Defesa Nacional,
Agradeço a presença de Vossa Excelência nesta cerimónia de entrega de Comando, que interpreto como o reconhecimento do esforço e dedicação dos que, na Escola Naval, contribuem para a construção do futuro da Marinha.
Senhor Professor Adriano Moreira,
Senhor Almirante Vice-Chefe do Estado Maior da Armada,
Senhores Almirantes ex-chefes do Estado-Maior da Armada,
Senhores Almirantes ex-Comandantes da Escola Naval,
Magníficos Reitores, Senhores Presidentes de Institutos Universitários,
Senhor Vice-Presidente da Câmara Municipal de Almada,
Senhores Comandante da Academia da Força Aérea, Segundo-comandante da Academia Militar e Diretor do Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna,
Senhores Almirantes,
Senhores Professores, Oficiais, Sargentos, Praças, Militarizados e Civis da Escola Naval,
Senhores Cadetes,
Distintos Convidados,
Minhas Senhoras e meus Senhores
Em nome da Marinha, agradeço a todos os que quiseram honrar-nos com a sua presença, e de modo especial às entidades externas que fizeram questão de aqui estar hoje, testemunhando esta cerimónia, sinal de consideração pelo trabalho que, diariamente, aqui é desenvolvido.
A Escola Naval tem por missão formar os futuros oficiais, com as qualidades e as competências adequadas ao cumprimento das missões da Marinha, e promover o desenvolvimento individual para o exercício das funções de comando, direção e chefia.
Esta missão, cumprida num ambiente de grande competitividade por recursos humanos, de enorme dinamismo no que ao contexto externo diz respeito, e de elevado rigor, ditado pela exigência dos processos de acreditação em curso, deve orientar a formação dos cadetes nas componentes militar, marinheira e científica, uma combinação ímpar, cuja preservação é dever inalienável desta Escola.
Permitam-me que partilhe algumas ideias sobre estas três dimensões da formação aqui ministrada.
A formação militar visa, em última análise, preparar os oficiais para defender a Pátria, mesmo com o sacrifício da própria vida, estimulando comportamentos guiados pelos princípios da ética e da honra, em conjunto com valores como a coragem, a disciplina e a lealdade. Neste domínio, devem ser desenvolvidas capacidades de comando, sustentadas em modelos de liderança pelo exemplo e de treino da decisão em situações de grande pressão, complexidade e imprevisibilidade, características das atividades desenvolvidas no mar, e que, por isso, devem merecer uma atenção cuidada e permanente, baseada na prática continuada dos valores militares.
A formação marinheira, para além de uma base científica imprescindível, requer a experiência que resulta do contacto continuado com o mar. Por isso, é fundamental que os cadetes embarquem, de modo a experimentar e a aprender a interpretar, com inteligência, os elementos do ambiente marítimo, tomando consciência das boas práticas da vida a bordo, tendo em vista a segurança no mar. Neste sentido, deve a Escola Naval sincronizar o seu planeamento de atividades com o Comando Naval, potenciando oportunidades de embarque para os alunos nas diferentes fases da sua formação marinheira.
Finalmente, é fundamental que os cadetes tenham uma sólida formação científica, equilibrando as ciências exatas com as ciências sociais.
Só uma adequada conjugação entre ambas permitirá desenvolver saberes multidisciplinares, que devem ser a linha de orientação para a formação dos oficiais da Marinha, capaz de dar resposta a um ambiente de grande mutação.
Esta circunstância exige da Escola Naval uma atitude de grande dinamismo na interpretação dos sinais dos tempos, para identificar caminhos que permitam antecipar soluções formativas que garantam a excelência da formação dos nossos cadetes, com modelos que permitam responder ao presente e participar, com entusiasmo, na construção da Marinha do futuro.
Senhor Almirante Simões Marques,
A sua escolha para Comandante da Escola Naval resulta do reconhecimento das suas qualidades intelectuais, militares e de carácter, que sustentam uma distinta carreira naval e, também, académica.
Aquando da minha tomada de posse, referi ser meu objetivo principal comandar uma Marinha constituída por pessoas competentes e motivadas, conduzidas por líderes inspiradores e inclusivos, capazes de, pelo exemplo, potenciar elevados níveis de desempenho e de satisfação profissional, onde cada um possa encontrar o seu espaço de afirmação pessoal.
No comando da Nossa Escola Naval, conto com a sua capacidade de liderança, com a sua inteligência, com as suas ideias e a sua ponderação para a muitíssimo relevante missão de formar estes líderes inspiradores e inclusivos, dotados de uma sólida formação militar, marinheira e científica, capazes de sustentar a visão de uma Marinha pronta e prestigiada, ao serviço de Portugal e da segurança coletiva.
O senhor Almirante tem pela frente um desafio aliciante, que exigirá determinação e horizontes largos para que a Escola Naval responda, plenamente, às necessidades da Marinha e aos requisitos da envolvente externa. Para isso, temos que encontrar o adequado equilíbrio entre as necessidades de formação da Marinha e as recomendações da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). Neste quadro, será necessário analisar e estudar modelos inovadores para o desenvolvimento dos cursos tradicionais, ajustando ou, se necessário for, reformulando os ciclos de estudo, sem nunca prescindir da formação militar e da formação marinheira.
Será ainda essencial pugnar pela acreditação da nova licenciatura universitária para ingresso na classe do Serviço Técnico, fundamental para satisfazer as legítimas aspirações de progressão de carreira de muitos dos nossos militares.
No que ao corpo docente respeita, teremos que identificar medidas que contribuam para o reforço da atratividade docente militar, de forma a que os nossos professores militares sejam justa e devidamente reconhecidos e valorizados.
Finalmente, e para não me alongar muito, permitam-me, uma palavra sobre o Centro de Investigação Naval (CINAV). Considero que o desenvolvimento, potenciação e sustentação da investigação científica e tecnológica são determinantes para impulsionar o conhecimento e a compreensão dos assuntos do mar. Neste contexto, ao CINAV caberá, em estreita articulação com o Estado-Maior da Armada, a responsabilidade de coordenar o esforço de Investigação, Desenvolvimento e Inovação (IDI) da Marinha, sem prejuízo das competências do Instituto Hidrográfico nas áreas da oceanografia e da hidrografia, reforçando as interações com outros centros de investigação, a academia e o mundo empresarial.
Senhor Almirante Comandante da Escola Naval
Tenho plena confiança que, com a imprescindível colaboração de todos os setores da Marinha, levará a sua Missão a bom porto.
Da minha parte pode o senhor Almirante contar com todo o apoio que precisar.
Senhores Professores e Investigadores,
Oficiais, Sargentos, Praças, Militarizados e Civis da Escola Naval,
O trabalho aqui desenvolvido nos últimos anos tem sido bastante meritório. A Marinha depende em grande medida da qualidade do desempenho da missão da Escola Naval, porque, desta casa já bicentenária, saem as mulheres e os homens que um dia estarão à frente dos destinos da nossa Instituição.
Convoco-vos para que assumam todos uma atitude participativa de abertura à inovação, sustentada no estudo e na reflexão permanentes, para que a Escola Naval se mantenha na linha da frente em termos de qualidade da formação dos nossos futuros oficiais. Faço, igualmente, um apelo às competências de cada um e ao trabalho intenso em equipa para que, com dedicação e entusiasmo, possam apoiar o novo Comandante para continuar a reforçar a elevada qualidade da formação que esta Escola ministra, permitindo, assim, criar bases sólidas que ajudem os cadetes a concretizar o sonho de ser oficial da Nossa Marinha.
Senhores Cadetes,
A carreira que escolhestes tem como valor maior servir a Pátria na Marinha. Para este desafio exorto-vos a que assumam uma atitude de rigor na análise e na ação, num convívio marcado pelos princípios da sã camaradagem, onde se cultive a coragem e a honra como valores fundamentais para que, quando chegar o momento, possam, também, dar o vosso contributo para afirmar a Marinha como instituição de referência no serviço que presta na proteção dos nossos concidadãos e na defesa dos interesses estratégicos do nosso País.
Senhor Almirante Comandante da Escola Naval,
Termino com uma palavra de confiança e de estímulo para que tenha sucesso nesta nova missão no comando da Escola Naval. Estou certo de que saberá encontrar o rumo mais adequado para que, aqui, se continue a construir o futuro da Marinha numa formação de excelência dos nossos oficiais, respeitando o lema do Infante: talant de bien faire, ou vontade de bem fazer!
Disse.
António Maria Mendes Calado
Almirante