Discurso do Chefe do Estado-Maior da Armada por ocasião da Cerimónia de Batismo do NRP Sines
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25 de julho de 2018, 11:49

Senhor Primeiro-Ministro, Excelência,

Agradeço a Vossa Excelência ter-se dignado presidir a esta cerimónia, conferindo-lhe uma dignidade que muito nos honra e que constitui um sinal de empenhamento na renovação das capacidades da Marinha e, simultaneamente, de reconhecimento pelo esforço e abnegação que são apanágio daqueles que, diariamente, servem Portugal no Mar.

Em nome da Marinha, bem-haja Senhor Primeiro-Ministro!

Senhora Doutora Fernanda Tadeu,

A vida no mar é muito preenchida por superstições e tradições. Sempre assim foi, especialmente nos primórdios da navegação, quando ir para o mar era de facto uma atividade de maior risco, muitas vezes rumo ao desconhecido. A maioria das tradições marinheiras que ainda hoje se cumprem nasceram justamente para levar boa sorte às guarnições, protegendo-as dos perigos do mar, ou para apaziguar os ânimos dos deuses.

A cerimónia de batismo de um novo navio é assim uma tradição cujas origens exatas se desconhecem, mas sabe-se que é milenar e existem evidências de que babilónios, romanos, gregos e egípcios já a cumpriam.

O batismo de um navio inclui a bênção da plataforma por um sacerdote, os votos de boa sorte às suas guarnições pela sua Madrinha e a quebra de uma garrafa de vinho no costado, sendo a escolha de uma Madrinha uma tradição que se perpetua em cada novo navio.

Desde o momento do batismo, evento carregado de sentido patriótico e orgulho coletivo que iremos testemunhar, a Madrinha acompanha o navio e mantém uma relação especial com as suas guarnições.

Em nome da Marinha, agradeço-lhe reconhecidamente por ter aceitado o convite que lhe dirigi para ser a Madrinha do navio de patrulha oceânico Sines, um gesto que muito nos honrou e que deixa na alma deste navio uma marca indelével. Muito obrigado!

 

Senhor Ministro da Defesa Nacional,

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo,

Senhores Deputados à Assembleia da República,

Senhor General Chefe da Casa Militar do Presidente da República,

Senhores Embaixadores,

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Sines,

Senhores Gerentes da West Sea e Senhor Presidente do Conselho de Administração da Edisoft,

Senhores Oficiais Generais,

Distintos Convidados,

Guarnição do NRP Sines,

Minhas Senhoras e meus Senhores,

 

Quero expressar o meu agradecimento pela presença de tantas e tão ilustres entidades e convidados, que neste dia se disponibilizaram para testemunhar a cerimónia de batismo do NRP Sines, o terceiro navio de patrulha oceânico construído em Viana do Castelo.

Nesta ocasião, cumpre-me felicitar o Consórcio de West Sea e Edisoft, não só pela qualidade do navio - como tem vindo, aliás, a ser comprovado no decorrer das provas já realizadas -, mas, também, pela forma como o contrato celebrado com o Estado Português vem sendo executado - no rigoroso cumprimento dos prazos de entrega e no respeito pelos compromissos orçamentais -, num projeto que prestigia a indústria e a capacidade tecnológica nacionais.

 

Minhas senhoras e meus senhores,

Os navios da classe Viana do Castelo, projetados e construídos em Portugal, constituem, seguramente, um motivo de orgulho para a indústria nacional, para a Marinha e para o País.

A qualidade do projeto e da construção é comprovada nos mais de 12 anos de operação acumulada que os dois primeiros NPOs já contabilizam ao serviço da Marinha, apresentando taxas de disponibilidade e de utilização bastante elevadas.

No decorrer deste período, estes navios vêm integrando, com sucesso, o dispositivo naval padrão no Continente e nas Zona Marítima dos Açores e da Madeira, concretizando, entre outros, o reforço da atividade de patrulha e vigilância dos espaços marítimos nacionais, a afirmação da autoridade do Estado no mar e o apoio à Autoridade Marítima Nacional, a resposta a acidentes marítimos - onde se incluem os incidentes de poluição no mar -, assim como o esforço de busca e salvamento marítimo nacional e o apoio em situações de emergência ou catástrofe.

Saliento, também, o cumprimento de relevantes missões no domínio dos compromissos internacionais de Portugal, através do seu empenhamento nas operações de vigilância e controlo de fronteiras da União Europeia, no âmbito da agência europeia FRONTEX, e em missões do controlo da exploração sustentável dos recursos da pesca, no âmbito de organizações internacionais de controlo de pescas no Atlântico.

Por fim, no âmbito da ação externa da defesa Nacional, relevo a bem-sucedida participação na iniciativa Mar Aberto, em missões de cooperação e de capacitação das marinhas dos países africanos de língua oficial portuguesa, e também junto de outros Estados ribeirinhos da região do golfo da Guiné, suscitando, desta forma, o interesse por esta plataforma.

Estas são missões que contribuem para afirmar a Marinha como instrumento relevante de Portugal como país co-produtor de segurança e de paz, e nas quais estes navios têm evidenciado as suas múltiplas capacidades e o seu alargado espectro de emprego.


Senhor Primeiro-Ministro,

O presente ciclo de construção dos NPOs 3 e 4 completar-se-á já no início do próximo ano, com a entrega do futuro NRP Setúbal, navio que se encontra em fase final de construção neste mesmo estaleiro.

Considero oportuno, neste momento, reiterar a necessidade de dar continuidade ao programa de construção dos seis navios de patrulha oceânicos em falta no sistema de forças, tendo em consideração a necessidade urgente de substituir as corvetas, cujas três unidades restantes ultrapassaram já, em média, os 43 anos de serviço.

Este projeto constitui, ainda, uma excelente oportunidade para o tecido empresarial português, potenciando o desenvolvimento tecnológico, a criação de emprego especializado e a internacionalização da indústria nacional, em especial nos setores da construção naval e das tecnologias da informação e comunicação. Estas são áreas de atuação que, reconhecidamente, acrescentam valor à região de Viana do Castelo e ao nosso País e nas quais a Marinha se encontra profundamente empenhada.


Minhas senhoras e meus senhores,

A escolha dos nomes que são atribuídas às novas unidades navais cumpre uma importante função no reforço dos laços da Marinha com o País e com os cidadãos.

O NRP Sines honra a cidade que, no cenário de uma baía natural abrigada dos ventos predominantes, desde há muitos séculos atraiu gentes que, naturalmente, fizeram do mar o seu principal modo de vida. Esta é a cidade que viu nascer Vasco da Gama e que, pelas suas caraterísticas, é hoje centro de um grande complexo industrial que a fez crescer em população e importância, tornando-a num dos principais polos industriais e infraestruturas portuárias do País, por onde circula mais de metade do tráfego portuário em Portugal, sobretudo de contentores.


Senhor Presidente da Câmara Municipal de Sines,

À população de Sines, gente do mar, que sempre nos recebe pronta e calorosamente, aqui fica a homenagem da Marinha!


Senhor Primeiro-Ministro, distintos convidados,

Minhas senhoras e meus senhores,

Este navio é um exemplo feliz do esforço de múltiplas entidades e da capacidade tecnológica do nosso País! Foi pensado e projetado por nós, construído com a nossa competência para ser operado pela nossa Marinha na proteção dos nossos espaços marítimos e de quem os utiliza. Deve pois ser o nosso orgulho por ser um símbolo da nossa capacidade de concretizar um programa de navios que constituem as sentinelas do nosso vasto mar português.

​À primeira guarnição do NRP Sines deixo uma exortação para que façam deste navio um espaço de afirmação de competência onde cada elemento possa alcançar elevados níveis de satisfação profissional, no cumprimento da missão da Marinha ao Serviço de Portugal e dos Portugueses.

Disse.

António Maria Mendes Calado
Almirante




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