Page 394 - Revista da Armada
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BIBLIOGRAfiA


                "MEMÓRIAS mNERANTES"                                     "VIAGEM A MACAU"
                           de Jaime Lopes                                   por Mário Gonçalves
         •  Marinheiro confesso e assu·  embora, nada têm .. .)  - nas  •  Ora  aqui  está  um  livro  Ramalho ou dum Eça, mas dá
         mido, ê também  poeta o autor  filosofias da côr do capote de  curioso. Na capa, apenas o títu-  leitura corrente, dara, não fa;sc
         das "Memórias Itinerantes".   toureiro, mais que na análise da  lo,  e um  subtítulo que reza  ele arrancado a diário íntimo,
           Recordações dos navios e das  autêntica raiz/causa social.   assim: "Diário dum Grumete a  pessoal. Viagem, terras e gentes
         terras visitadas, África, Madeira,   Para além da catadupa de  bordo  do  N.R.P.  "João  de  estranhas, vida a bordo, uma
         Açores, Cabo Verde,  Guiné,  versos tanto ao gosto do poeta  Lisboa".          "coisinha" num pulmão, que
         "Europa  e Asia  til passl.'il  Às  popular, insere também no livri-  Saber-se que a história narra-  obriga a regresso urgente de
         portas  da  Oceania,              nho uma  série de 7  da em setenta e sete páginas foi   Hong  Kong  para Lisboa, em
         muitas  terras  visiter.          ilustra~ em  frescas  escrita por um  jovem grumete  saltinhos de gafanhoto, como
         E dos brenhos, regatos            aguarelas  de  Fer-  de 17-18 anos, já éconhecimen-  era possível nos finais dos anos
         da  terra, donde diz              nando Damião, e um  to que se adquire apenas no  quarenta, tudo ali  vem  retrata-
         "!Iti pastor e guardei            prefácio do  Professor  fim  do prólogo.  Mas vale a  do quase "ao vivo" como agom
         gado",  "Palmilhaudo              Alexandre  Casta-  pena a leitura.           se usa  dizer. Prosa e gravuras
         Villes  e mOI1/es", expe-         nheira com  uma aná-  TemC6 uma razo.:"lvel colecção  são  impressas  em pa pel  de
         riências que passaram             lise  objectiva,  bem  literária de temas navais  vistos  fotocópia,  mas vale a pena  na
         do  Sobral  Gordo,                feita, de quem reparte  por ofidais, de tenentes e almi-  leitura atenta, observar uma vi-
         onde nasceu e sabore-.            a  bagagem  de  for-  rantes, mas a vida a oordo apre-  da que todos conhecemos, vista
         ou as amoras maduras, para rul·  matura universitária em letras  ciada  por  um  habitante  da  porém, por prisma diferente.
         minarem, já  oficia l, no extra-  modernas (em  Paris),  para o  coberta, ainda  para mais gru-  A  R.A.  agradece os dois
         vasar de longa fiada de rimas,  escrito que tem  tanto que se  mete, que foi  moço das luses,  exemplares que o autor ofe-
         sonetos,  quadras,  sextilhas,  ruga.                rancheiro e o mais que podia  receu. Por simples telefonema
         motes e glosas. rento e oitenta   A R.A. agradece não só o  caber a um aluno acabadinho  (043/719214) o  autor enviam
         páginas delas muito ao sabor  exemplar oferecido, como as  de sair da Escola de Vila Franca,  um exemplar a quem o soli-
         popular, cantando o amor, a  palavras amáveis do autor na  torpedeiro de classe, não havia,  citar.   II
         terIa, (o mar), a vida, 05 que tra- dedicatória  manuscrita  que  que nós saibamos.            S.MndWo
         balham (os que produzindo  inseriu.                   O estilo literário não é dum               CMGREF
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