Page 22 - Revista da Armada
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Foto 1SAR ETI Luís Gomes

  Compete também à Marinha assegurar os recursos huma-                É assim, com uma convicção, alicerçada na cultura marítima
nos e materiais necessários à missão da Autoridade Marítima         portuguesa, que considero o modelo funcional de uma Autorida-
Nacional. É nesse sentido que, na minha dupla qualidade de          de Marítima com competências próprias, essencialmente supor-
Comandante da Marinha e de Autoridade Marítima Nacional,            tada nos recursos humanos e materiais da Marinha, é o que ver-
saúdo todos os que sendo da Marinha servem Portugal nesta           dadeiramente responde aos interesses nacionais.
relevante estrutura.
                                                                      Senhor Ministro da Defesa Nacional,
  É com orgulho que me refiro ao notável trabalho desenvolvi-         A Marinha, apesar das grandes dificuldades com que se con-
do pelos que integram a Autoridade Marítima, designadamen-          fronta e que Vossa Excelência bem conhece, continua a cumprir
te, a sua Direção-Geral, todos os órgãos dela dependentes e a       a sua missão. De facto, o produto operacional da Marinha, e que
Polícia Marítima.                                                   volto a referir, muito nos orgulha, apenas foi possível executar
                                                                    por dois grandes motivos.
  Minhas Senhoras e meus Senhores, permitam-me, aqui fazer            Primeiro, devido a uma dedicação ímpar de todos os que ser-
uma pequena reflexão,                                               vem na Marinha, muitas vezes com grande sacrifício pessoal e
                                                                    familiar sempre procurando as soluções que viabilizem, com os
  Um dos maiores desafios do nosso País será hoje, como sempre      escassos recursos disponíveis, o cumprimento das missões que
o foi, a forma como encarará a sua relação com o mar.               nos foram atribuídas.
                                                                      Segundo, devido à elevada prioridade que foi dada à opera-
  Com a extensão da plataforma Continental, abrir-se-ão oportu-     ção e manutenção da esquadra, concentrando todos os esforços
nidades únicas de transformar Portugal.                             e alocando, não só recursos já disponíveis, mas também as ver-
                                                                    bas que no âmbito do orçamento do Ministério da Defesa, re-
  Está assim ao nosso alcance, deixarmos de ser um pequeno          forçaram o orçamento da Marinha, para estas atividades, natu-
país periférico no continente Europeu, para nos transformarmos      ralmente em detrimento das estruturas de apoio e de algumas
num país marítimo e central no espaço Euro-atlântico.               ações de manutenção em infraestruturas.
                                                                      No que respeita à manutenção quero, como referi no ano tran-
  Este grande desafio exige que o Estado dê a devida prioridade     sato, assegurar que nenhum meio será empenhado sem cumprir
ao mar, garantindo a sua boa governança.                            com as regras de segurança. Mas, mesmo considerando a atual
                                                                    conjuntura, importa dispor do financiamento adequado para efe-
  Importa assim, que não se dupliquem capacidades para as           tuar todas as ações de manutenção necessárias, e assim mitigar
mesmas tarefas, e se desperdicem recursos, numa lógica de pe-       o risco de perder, precocemente, meios muito dispendiosos.
quenos poderes que compromete necessariamente as probabili-           No que respeita ao investimento, apesar da recente aprovação
dades de sucesso.                                                   da LPM, constata-se que ainda subsiste um volume insuficiente
                                                                    de investimento militar destinado à Marinha, necessário para a
  É pois neste contexto que reafirmo a minha convicção de que       adequada edificação das capacidades requeridas.
o modelo da Autoridade Marítima que soubemos construir nos            Nas atividades marítimas é tudo muito dispendioso e mais ain-
últimos duzentos anos é o que melhor serve Portugal.                da na Marinha militar. Tal facto exige uma programação de longo
                                                                    prazo. Assim, torna-se imperioso assegurar que a LPM seja dotada
  É um modelo português, que nasceu de toda a experiência des-      com as verbas necessárias à concretização dos programas de ree-
ta nação, que lutou sempre com escassos recursos para as tare-      quipamento e, sobretudo, evitar todo o tipo de restrições que pos-
fas que o seu sonho marítimo impôs.

  Também é o modelo que conjuga dois fatores cruciais de sucesso:
   ● a articulação das principais funções e responsabilidades do
Estado Costeiro, num todo coerente e eficaz, que confere ao Esta-
do no mar, a necessária unidade de esforço;
  ● e a utilização criteriosa, racional e inteligente dos recursos
humanos e materiais disponíveis, conferindo eficiência.

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